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“80%
das
inovações
europeias são da responsabilidade das
marcas fabricante” de
TEXTO Carina Rodrigues FOTOS D.R./Shutterstock
Quantos mais produtos inovadores são lançados, mais cresce o mercado. As marcas que não inovam mais do que a concorrência perdem “market share”. Esta foi uma das conclusões do evento “Radar da Inovação 2017”, sessão promovida, recentemente, pela consultora de estratégia Loop Unique Companies, para a qual convidou altos executivos das principais empresas portuguesas e César Valencoso, diretor de Consumer Insights da Kantar Worldpanel. Em entrevista à Grande Consumo, o especialista aborda alguns dos tópicos discutidos no evento, incluindo o papel da distribuição no êxito ou fracasso da inovação e a relevância do investimento em recursos para aumentar a penetração versus a fidelidade no que ao crescimento das marcas diz respeito. Quando todas as teorias se centram na fidelidade, os números recolhidos num estudo realizado com milhares de marcas analisadas em quase 80 categorias e 16 países por todo o mundo demonstram que existe uma taxa diminuta de consumidores fiéis. Em média, apenas 6% dos compradores de uma marca são exclusivos.
Grande Consumo - Como está a evoluir o sector dos bens de grande consumo? Já retomou o crescimento ou os volumes continuam estagnados? César Valencoso – O sector do grande consumo continua em queda em Portugal. Os portugueses mudaram os seus hábitos de compra, que é cada vez mais planeada, com menos impulso, mais volume por ato e menos frequência. GC - O que explica que, em 2016, o grande consumo tenha caído, apesar da recuperação económica? A resposta está no aumento do consumo fora do lar? A crise ensinounos a ser mais responsáveis e conscientes do desperdício
alimentar? CV – A retoma económica não tem impacto positivo no consumo dentro do lar. O “shopper” tem outras prioridades, como o consumo fora de casa, a compra de têxtil, mais gastos com combustível, etc. Além disso, nos últimos anos da crise, o consumidor aprendeu a poupar dinheiro nos seus gastos no grande consumo. Graças à forte atividade promocional da distribuição moderna, sete em cada 10 cestas de compra têm um produto em promoção. Mais que poupar, o consumidor português também aprendeu a consumir menos e, de facto, a reduzir o desperdício. Outro fator que está a influenciar o comportamento de compra e o consumo é o envelhecimento da população e a diminuição da dimensão dos lares.