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Revista GPS Brasília 46

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#ago-set-out/2026

DOIS Ts: TRENTINI E TRIPOLLI

Talento em dupla dose

CAPIVARAS

As it-girls do Lago Paranoá BRASÍLIA IN CONCERT

40 anos (estilizado) da Orquestra Filarmônica de Brasília

O churrasquinho de Brasília que virou festa nacional

MENOS É MAIS


O sabor e o prazer num só lugar

Bem-vindo a um espaço sofisticado que oferece momentos de puro prazer. Onde receitas clássicas convivem com menus contemporâneos. Onde o bom gosto começa na arquitetura do prédio e chega à mesa com aromas, notas e sabores inesquecíveis. Bem-vindo aos restaurantes do Brasília Shopping.


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Incorporação registrada no R.4/M.109.714 – 4º Ofício de Registro de Imóveis do Distrito Federal. Material preliminar de divulgação. Imagens, perspectivas e paisagismo meramente ilustrativos, sujeitos a alterações decorrentes de necessidades técnicas, arquitetônicas, legais ou exigências dos órgãos públicos. Móveis, objetos decorativos, equipamentos e acabamentos serão entregues conforme memorial descritivo. As áreas, layouts e especificações poderão sofrer ajustes durante o desenvolvimento executivo do projeto. Prevalecerão sempre o memorial descritivo e os documentos contratuais do empreendimento.


Diretora de Conteúdo

Paula Santana

Editora-chefe

Marcella Oliveira

Diretora de Criação

Chica Magalhães

Editor de Fotografia

Celso Junior

Fotografia

Rayra Paiva e Vanessa Castro

Produção Executiva

Karine Moreira Lima

Pesquisa de Imagens

Enaile Nunes

Reportagem

Colaboradores Revisão

Beatriz Lima Leal, Bruna Nardelli, Eric Zambon, Hédio Ferreira Júnior, Larissa Duarte, Pedro Ângelo Cantanhêde e Roberta Pinheiro Adriana Nasser, Maurício Lima we Patrícia Justino Jorge Avelino de Souza

Diretor Executivo

Rafael Badra

Head Comercial

Will Madson

Tiragem Circulação e Distribuição

30 mil exemplares EDPRESS Transporte e Logística

GPS|Brasília Editora LTDA. www.gpsbrasilia.com.br Sócios-diretores Rafael Badra e Paula Santana Brasília Shopping – Torre Sul, sala 816 SCN quadra 5, bloco A – Asa Norte CEP: 70.715-900 – Brasília-DF Tel.: (61) 3364-4512 Acesse nosso Instagram

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mo ipê, a grama do Eixo virou palha. Então, numa tarde qualquer, a chuva se instala sem avisar. No dia seguinte, a quaresmeira surge na fresta de uma marquise. Ninguém plantou. Ela estava ali, esperando.

Editorial

O bioma não foi embora quando as máquinas abriram o Planalto Central. Ficou guardado debaixo do concreto, com raízes fundas como poço, e voltou pela única porta que a cidade esqueceu de trancar: a rachadura. O artista fotográfico Celso Junior, em seu recente livro, Concretus - Coreografia Urbana, passou duas décadas fotografando esse gesto. As capivaras também já moravam aqui antes de Lucio Costa riscar a primeira linha. Quando o Lago Paranoá encheu, ganharam um endereço que nenhum urbanista reservou para elas, e ficaram com a melhor vista da cidade. Nesse pedaço de Brasília, os recém-chegados somos nós.

FATO: MENOS SEMPRE SERÁ MAIS

Quatro músicos amigos, por exemplo. Houve um tempo em que o Menos é Mais carregava instrumento para o bar, fazia conta e torcia para aparecer público. Ouviram mais de uma vez que o pagode de Brasília não chegaria a lugar algum. Chegou. Um vídeo gravado num quintal passou de um bilhão de visualizações, uma música foi a mais tocada do País, e o nome da cidade passou a soar também como samba. Em 14 de novembro, eles voltam para gravar TRILHA no gramado do Mané Garrincha. Marcella Oliveira, editora-chefe, os entrevistou e relata o que eles criaram para a noite: o maior pagode das nossas vidas (até agora). A revista inteira segue esse compasso de quem avança sem soltar a mão da origem.

Primavera é mês de Juscelino, nascido no dia 12, em Diamantina, Minas Gerais, em 1902. Desconfio que ele acharia graça em ver o que fizemos com o sonho dele. Porque tudo começou com ele, o JK. Antes, havia o Cerrado: o céu sem fim, o capim dourado, as árvores tortas. Juscelino sobrevoou aquele silêncio e confessou ter se emocionado lá do alto. Onde tantos viam o vazio, ele enxergou uma cidade. Sem esse homem teimoso, esta revista não existiria, e quatro amigos do Gama não teriam um estádio para lotar em novembro. Nada disto estaria acontecendo aqui, agora. Os sonhadores são assim. Vão embora, e o sonho continua acordando cedo, todos os dias. Quem quiser encontrá-lo pode, e deve, visitá-lo no Memorial JK, inaugurado justamente em 12 de setembro de 1981. A sua biblioteca foi trazida inteira do apartamento de Copacabana, no Rio de Janeiro: três mil livros na ordem em que ele os deixou, os livros de medicina com anotações de estudante, as portas que ele abria, a escrivaninha onde estudava e até a lixeira. Monumentos costumam guardar a grandeza de seus personagens. Aquela sala guardou a intimidade de JK. Lá dentro, o presidente descansa diante de sua memória compartilhada. Lá fora, o Cerrado, outrora sobrevoado, ainda está por aqui. Na primavera, Brasília tem cheiro de poeira e de espera. O vento já terá levado as flores do últi-

Paula Calderón leu as cartas do avô pioneiro e percebeu que Brasília foi erguida à mão. Pintou os candangos de costas, contemplando o Palácio do Itamaraty que construíram, e agora a tela mora no acervo do próprio palácio. Nas passagens e muros da cidade, o Coletivo Transverso cola frases que alguém lê no pior dia da vida e jura que foram escritas para si. Quando uma palavra é arrancada, um desconhecido volta ao local e a escreve de novo. A cidade responde. E temos o clássico sem cerimônia na performance da recente quarentona Orquestra Filarmônica de Brasília, uma geração de músicos originários da UnB e que teve a benção de Claudio Santoro. Esta edição foi construída assim, por gente vívida e intensa, em uma cidade que começou na visão de um homem só. E quando a chuva cair… não feche, abra a janela. Pode ser que alguma coisa floresça na fresta. Na rachadura do concreto.

Paula Santana e Rafael Badra Sócios-fundadores

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/ EQUIPE

Chica Magalhães

Marcella Oliveira

Karine Moreira Lima

Celso Junior

Will Madson

Jorge Eduardo Antunes

Rayra Paiva

Vanessa Castro

/ COLABORADORES

Beatriz Lima Leal

Bruna Nardelli

Hédio Ferreira Júnior

Larissa Duarte

Pedro Ângelo Cantanhêde

Roberta Pinheiro

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Enaile Nunes


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GPS|Brasília Foto: Thaís Mallon

# ago-set-out/2026

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Do concreto nasceu a flor

Ensaio de Celso Junior sobre a cidade

deu com a língua 24 Anocidade muro A poesia urbana do Coletivo Transverso

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As donas do lago

As capivaras que fizeram da capital seu território

32 Brasília in concert

A Orquestra Filarmônica de Brasília chega aos quarenta anos

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A biblioteca de JK como ele a deixou

A intimidade intelectual do ex-presidente

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Uma luz sobre a cidade Elie Chidiac conduz uma nova fase da CEB

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IA, made by humans

Como estamos vivendo no mundo mediado pela inteligência artificial

50 Herói da resistência

Fernando Vasconcelos celebra quatro décadas do Prêmio Colunistas

54

Artigo por João Paulo Todde

Advogado escreve carta aberta aos filhos

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História em movimento

FHE POUPEX celebra seus 45 anos Prada - preço sob consulta


60 A medida do tempo

A parceria de Isabela Belló com a Brunetti Odontologia

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Além das fronteiras

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Cuidado por inteiro

68

Formação para a vida

Médico Rodrigo Lima leva sua experiência ao Chile A proposta de saúde integral da nova Aura Clinic

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O futuro passou

As seis décadas de fotografia de Luiz Tripolli

108

Veneza recebe o Brasil Artistas brasileiros ocupam a Bienal de Veneza

O modo de ensinar na Heavenly International School

70 Imagem e matéria quatro amigos, um império 72 O fenômeno Trentini 78

Brincos em ouro amarelo e malaquita, Silvia Badra - R$ 4.100

A tecnologia da Casa da Moldura Uma década de Menos é Mais

Carol Trentini celebra 25 anos de uma carreira internacional

Nós por 96 Entre Patrícia Justino

As novidades da temporada

98

Cada casa, um caso

O olhar artístico de SuzanaSchermann

100

Vestida para reinar

Uma exposição que revisita o guarda-roupa de Elizabeth II

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Arte por Maurício Lima O tempo de Waltercio Caldas

112 114 Diante de ti 116 Cozinha teatral Dicas da Dri 120 Explora por Marcella 122 Oliveira Feitas à mão

A jovem artista Paula Calderón João Pedro Chaseliov interpreta o humorista Paulo Gustavo Luiz Filipe Souza e suas três estrelas Michelin

As novidades no mundo dos vinhos

Por dentro do Hotel Unique, em São Paulo

124 Modernismo suspenso O melhor hotel da África 126 Social 128 O charme do Hotel Nacional do Rio de Janeiro

Royal Mansour Marrakech recebe a premiação máxima do continente Os eventos que movimentaram Brasília


ENS A I O

DO CONCRETO

a flor

nasceu


Um único elemento moldou os traços da capital. O Cerrado refez o seu caminho em sua coexistência urbana. Ipês, quaresmeiras e capim-dourado brotam onde a cidade menos espera, no cimento bruto e rude


Por Paula Santana Fotos Celso Junior

O ex-presidente Juscelino Kubitschek descreveu em suas memórias, reunidas no livro Por que Construí Brasília, a forte emoção de sobrevoar o Planalto Central e contemplar a imensidão silenciosa do Cerrado antes do início das obras. Era o famoso dizer, e sentir, do brasiliense ao falar sobre “o vazio do Planalto Central”. A época carregando o peso histórico de tornar-se o coração político do País. E quando a cidade chegou, 1960, desenhada e projetada por visionários destemidos, o Cerrado nunca foi embora. Ele esperou. Quando as máquinas abriram o planalto para construir uma capital, o bioma não desapareceu. Permaneceu latente sob o asfalto, comprimido entre fundações, guardado nas sementes que o vento não levou. Décadas depois, ele voltou pela única fresta que o concreto não conseguiu vedar: a rachadura. A fronteira entre a matéria bruta que a vida vegetal insiste em habitar. Instalada, compõe a cena, e emociona. Sim, há vida no concreto.


Na primavera de Brasília se revela um dos fenômenos mais marcantes da capital: a resiliência da flora nativa. A persistência urbana acontece por um fascinante motivo biológico: as plantas do Cerrado possuem raízes extremamente profundas e adaptadas. Verdadeiras caixas d’água subterrâneas. Foi dessa observação madura e afetiva de Celso Junior, fotógrafo brasiliense cuja sensibilidade visual transformou três décadas de trajetória em um acervo que mistura poesia, técnica e memória sobre Brasília, que surgiu o projeto que reúne fotografias que capturam a capital como gesto, forma, matéria e silêncio em um conjunto estético que faz do concreto um organismo vivo e emocional. Concretus - coreografia urbana, série autoral do artista exposta em seu espaço de arte no Lago Sul, 20

compõe duzentas páginas de um livro de nome homônimo produzido pelo Sesc-DF. Dele, a flora nativa trouxe o despertar de reinterpretar a cidade e mostrar que Brasília não é apenas um espaço físico, é uma composição. De linhas puras, curvas intermináveis, sombras geométricas e contrastes que revelam a poesia que a natureza promove sobre o cimentício. Quando brotam, as flores dialogam com as referências modernistas e brutalistas que moldaram Brasília, além de ecos conceituais da Bauhaus e de Le Corbusier, mestres que entendiam o concreto como matéria de expressão e potência criativa. Ao reinterpretar esses elementos, as flores de Concretus oferecem ao leitor uma experiência quase sensorial.


Floradas emergem delicadamente. Quaresmeiras tomam marquises, frestas. Capim-dourado nasce onde o asfalto cedeu; buritis encontram as tubulações subterrâneas. A lobeira abre seus frutos brancos entre muros. A cagaiteira floresce antes mesmo das folhas, sozinha, no intervalo entre dois blocos de concreto. Cerrado, o bioma mais antigo do Brasil. Espécies que evoluíram por milhões de anos em solos ácidos, pobres em nutrientes, castigados por seca e fogo. O que para outras plantas seria condição de morte, para a flora do Cerrado é habitat familiar. O concreto poroso absorve água da chuva e a retém nas fissuras para que as sementes possam germinar, de milimetro a milimetro. Discretas, porém visíveis. Numa generosa coexistência. O concreto que Celso Junior fotografa não é o concreto da frieza ou da opressão. É o concreto que Niemeyer chamou de poesia. Lúcio Costa elegeu como linguagem. E que o Planalto Central absorve como cidade. E, nessa coreografia, as flores do Cerrado continuam a habitar, flor por flor, rachadura por rachadura, estação por estação. Por toda uma vida. 22


A cidade DEU COM a língua

NO MURO

Foto: Patricia Del Rey

Foto: Celso Junior

I NT E RV E N ÇÃO

UM GRUPO DE AMIGOS DECIDIU ESPALHAR FRASES POR BRASÍLIA. ALGUMAS CONSOLAM, OUTRAS PROVOCAM. TODAS CONVIDAM A OLHAR DE NOVO PARA A CIDADE. ABRAM AS PAREDES PARA O COLETIVO TRANSVERSO 24


Foto: Patricia Del Rey

Foto: Vanessa Castro Foto: Patricia Del Rey

Por Hédio Ferreira Júnior

Uma pessoa havia acabado de sair de um enterro quando encontrou, numa tesourinha da 214 Sul, a frase que parecia ter sido escrita especialmente para ela: “Saudade é uma lista que só cresce”. Outra, recém-saída de um relacionamento, leu nas mesmas palavras um retrato de seu próprio momento. Nenhuma das duas conhecia quem havia escrito aquilo. Tampouco precisava. A poesia estava na rua, disponível para quem passasse por ali carregando alguma coisa no peito. A frase é uma das muitas que o Coletivo Transverso espalhou por Brasília nos últimos 15 anos. Algumas fazem rir, outras incomodam. Há as que despertam lembranças e aquelas que parecem brincar com a inteligência de quem lê. “Brasília goza em silêncio” é uma delas. Em uma cidade que

convive com restrições ao barulho e os silêncios do poder, três ou quatro palavras bastam para abrir um leque de interpretações. O Transverso descobriu que não é preciso escrever uma estrofe inteira para fazer poesia. Às vezes, uma frase curta, um pedaço de papel e a parede certa são suficientes. “Dê flores aos vivos”, por exemplo, pode soar como um conselho amoroso diante de uma floricultura e ganhar outro peso no cemitério. “Quando colocamos uma frase na rua, ela começa a pertencer à rua”, explica a atriz e escritora Patrícia Del Rey, uma das criadoras do coletivo. É um princípio levado tão a sério que os artistas preferem não assinar individualmente suas obras. A autoria fica diluída na paisagem. O poema, afinal, é dos olhos de quem lê. 25


Foto: Patricia Del Rey Foto: Vanessa Castro

Foto: Patricia Del Rey

Foto: Vanessa Castro

Patrícia Del Rey, uma das fundadoras do Coletivo Transverso

TUDO COMEÇOU COM UMA TESOURA O Coletivo Transverso nasceu em 2011, numa república estudantil em Brasília. Cauê Maia, então estudante de mestrado em Literatura, já experimentava o estêncil, técnica que utiliza moldes vazados para reproduzir desenhos e frases com tinta. Patrícia escrevia sobre a cidade. A artista visual Patrícia Bagniewski também participou dos primeiros encontros. Na casa de Cauê, os amigos começaram a cortar máscaras, experimentar composições e imaginar o que aconteceria se aquelas pequenas criações fossem parar nas paredes. A primeira saída coletiva teve como destino os tapumes de uma obra na Universidade de Brasília (UnB). “Começou como algo descompromissado: só a experimentação de fazer poesia e levar pra rua com stencil”, recorda Cauê. A inspiração vinha do haicai – poema curto de origem japonesa composto por apenas três versos –, da poesia concreta e de uma vontade compartilhada de conversar com a cidade. E não faltava assunto. Brasília, com suas 26

distâncias, seus vazios e sua arquitetura monumental, oferecia um enorme caderno em branco. Os amigos queriam acrescentar movimento, cor e outras camadas a uma paisagem que já havia nascido como obra de arte. O nome do grupo veio de um cruzamento de ideias: trânsito, verso, transversalidade e transversão. Afinal, nele se reunia gente do teatro, da literatura, das artes visuais e das ciências sociais. Cada um chegou com sua linguagem e encontrou na rua um território comum. A formação mudou ao longo dos anos. Hoje, o núcleo criativo reúne Cauê, que hoje vive em São Paulo, Patrícia Del Rey e a cineasta e comunicadora Rebeca Damian, em Brasília, com a colaboração de parceiros como o artista Leandro, conhecido como LTM.

A CIDADE TAMBÉM ESCREVE Na 206 Norte, o coletivo instalou a frase “Eixo pra lá e Exu pra cá”. Alguém arrancou a palavra “Exu”. Outra pessoa escreveu novamente. A intervenção havia provocado uma resposta. A resposta, por sua vez, provocou outra. E assim, a comunicação que


Foto: Vanessa Castro

nasceu do grupo deu cria. “A partir do momento em que entregamos uma frase para a cidade, a cidade começa a escrever junto”, diz Patrícia. O coletivo costuma trabalhar durante o dia, especialmente nos fins de semana. Há quem se aproxime para agradecer, conversar ou descobrir quem está por trás das frases que encontra há anos. Outros reclamam, alegando que o grupo está sujando a cidade. Eles escutam os dois lados. E seguem. Não pedem autorização para muitas de suas intervenções com lambe-lambe, embora evitem monumentos e obras do patrimônio histórico. Preferem muros, paredes, caixas de luz e outras superfícies cotidianas. A escolha não elimina os conflitos. Algumas ações já foram interrompidas pela polícia, e integrantes chegaram a ser levados à delegacia.

Foto: Vanessa Castro

Foto: Patricia Del Rey

Foto: Patricia Del Rey

A DELICADEZA DÁ TRABALHO Uma frase do Coletivo Transverso pode nascer de uma conversa, de uma caminhada, de uma lembrança ou de uma percepção repentina. Mas é preciso se preocupar também com a composição gráfica. Afinal, o leitor nem sempre estará diante da obra, tranquilamente, com tempo para contemplá-la. Talvez esteja dentro de um ônibus, atravessando uma passagem subterrânea sob o Eixão ou olhando pela janela de um carro. São poucos segundos para alcançar os olhos de alguém. Patrícia e Cauê estimam que o Transverso já tenha realizado pelo menos cinco mil intervenções, embora reconheça ser praticamente impossível contabilizar cada lambe espalhado pelas ruas ao longo de 15 anos. Quando lhe perguntam o que Brasília responderia se pudesse conversar com os artistas depois de tantos anos de poesia espalhada pelas ruas, Patrícia imagina um pedido simples: que continuem. Mas talvez a resposta já esteja nas paredes. Na palavra que alguém arrancou e outro desconhecido fez questão de devolver. Nas histórias de quem encontrou consolo depois da perda de um ente querido. Nas frases que continuam circulando mesmo depois que o papel se desfaz e a tinta desaparece. A cidade, afinal, não precisa de uma parede inteira para responder. Às vezes, bastam três ou quatro palavras. @coletivotransverso

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C IDA D E

As

DONAS do LAGO

LUCIO COSTA PLANEJOU ONDE O BRASILIENSE IRIA MORAR. NIEMEYER DESENHOU ONDE TRABALHARIA. NINGUÉM PROJETOU UM ENDEREÇO PARA AS CAPIVARAS. AINDA ASSIM, TALVEZ ELAS TENHAM FICADO COM UM DOS MELHORES

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Fotos: GPS|Brasília/Bruno Cavalcanti

Por Hédio Ferreira Júnior

Brasília não existia, o Lago Paranoá tampouco. Mas elas já estavam aqui. Quando os rios foram represados para formar o grande espelho d’água da nova capital, no fim dos anos 1950, as capivaras ganharam algo que certamente não constava dos planos de Lucio Costa ou dos desenhos de Oscar Niemeyer: um endereço quase perfeito. Água o ano inteiro, margens cobertas de vegetação, alimento abundante e um corredor natural para circular pelo Distrito Federal. Para um animal semiaquático que usa a água para se proteger de predadores, regular a temperatura, fugir de ameaças e até se reproduzir, o lago artificial criado pelos homens acabou funcionando como uma espécie de condomínio à medida. Talvez por isso seja tão difícil imaginar hoje a paisagem do Paranoá sem elas. A Hydrochoerus hydrochaeris, maior roedor do mundo, ocupa gramados, jardins e margens. Nativas do Cerrado, as capivaras habitavam o território antes da inauguração de

Brasília. A construção do lago não originou essa população, mas ampliou as condições para que os animais circulassem e encontrassem abrigo. É uma pequena inversão na história de uma cidade conhecida por ter sido planejada do zero: nesse pedaço de Brasília, os recém-chegados somos nós.

UM LAGO QUE VIROU ENDEREÇO A quantidade de capivaras à vista muda ao longo do ano. E é justamente quando Brasília fica mais seca que elas tendem a aparecer mais. Com menos água e alimento nas cabeceiras de rios e córregos, parte dos animais se desloca para o Paranoá. Quando as chuvas voltam, muitos retornam para essas áreas. “O fato de haver um espelho d’água permanente como o Lago Paranoá colabora para a qualidade de vida desses animais, seja como área de vida, seja como meio de locomoção para outras regiões”, explica Thiago Silvestre Nomiyama, analista de Atividades de Meio Ambiente da Gerência de Fauna do Brasília Ambiental (Ibram). 29


VIDA EM FAMÍLIA Quem encontra uma capivara dificilmente encontra apenas uma. Elas vivem em manadas que podem reunir de três a trinta indivíduos. Há um macho dominante, fêmeas adultas, filhotes e machos subordinados, que permanecem mais às margens do grupo e podem desafiar o líder. Um adulto mede entre 1,06 metro e 1,34 metro e pesa de 35 a 66 quilos. Herbívoras, elas pastam, comem frutos e se alimentam também de vegetação aquática. E fazem da água uma extensão da própria casa: nadam a cerca de 8 km/h e conseguem permanecer submersas por até cinco minutos.

Fotos: Bruno Cavlcanti

A imagem de famílias inteiras descansando na grama ou nadando em fila também ajudou a transformar a espécie em personagem da paisagem brasiliense. Só há um detalhe importante nessa relação: a intimidade é nossa, não delas.

Embora artificial, o lago é alimentado por dezenas de cursos d’água. Um deles é o córrego Bananal, que nasce dentro do Parque Nacional de Brasília. Esses caminhos ajudam a explicar de onde vêm as capivaras que aparecem na orla: o Paranoá funciona como ponto de encontro de animais que circulam por diferentes áreas do Distrito Federal. Não há hoje um número consolidado de quantas vivem por ali. Essa fotografia, porém, está sendo preparada. Desde 2025, o Brasília Ambiental desenvolve, com participação da Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema-DF), da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e da Universidade Católica de Brasília, um estudo que vai até 2027. O trabalho monitora as capivaras e os carrapatos e deverá revelar mais sobre a dinâmica da população e a convivência com os humanos. Fora do Paranoá, há grupos estabelecidos em locais como o Jardim Zoológico de Brasília, o Parque Ecológico de Águas Claras e a região da Estação de Tratamento de Esgoto Melchior, em Samambaia. 30

PODE FOTOGRAFAR. MELHOR NÃO ABRAÇAR Na avaliação do Brasília Ambiental, elas aprenderam a tolerar a presença humana porque os benefícios daquele ambiente – água, comida e relativa proteção contra predadores – compensam os incômodos da vizinhança. Isso não as transforma em animais domésticos. Longe disso. Se acuada ou diante de uma ameaça aos filhotes, uma capivara pode atacar e provocar ferimentos. A orientação é manter distância, não tocar e não oferecer comida. E há conflito com cães soltos. Na orla onde há capivaras, cães devem permanecer na guia. Morador do Lago Sul, o veterinário Daniel Salgueiro, sócio-fundador da operadora de plano de saúde pet DogCaT, explica que a capacidade de reprodução ajuda a entender o crescimento da população de capivaras em Brasília. A gestação dura cerca de cinco meses e cada ninhada pode ter de quatro a oito filhotes. Esse ritmo encontra na capital uma condição especialmente favorável: a escassez de predadores naturais, como onças e jacarés, que ajudariam a controlar a espécie. O aumento do número de animais já coloca em discussão a necessidade de controle populacional no Distrito Federal, embora ainda não haja uma solução definida para o problema.


Há ainda uma preocupação que acompanha a fama das capivaras: o carrapato-estrela, associado à febre maculosa. Segundo o Ibram, três estudos realizados no Distrito Federal não encontraram a bactéria Rickettsia rickettsii, responsável pela transmissão da forma brasileira da doença para humanos. O resultado é tranquilizador, mas não encerra o assunto. O estudo em andamento até 2027 também investiga a relação entre capivaras, carrapatos e bactérias e deverá ajudar a definir medidas de prevenção.

AS VIZINHAS FICAM

Curiosidades → Os maiores roedores do mundo – Um adulto pode medir até 1,34 metro e pesar mais de 60 quilos. → Excelentes nadadoras – Podem alcançar cerca de 8 km/h dentro d’água. → Prendem a respiração – Conseguem permanecer submersas por até cinco minutos. → Gostam de companhia – Vivem em manadas que podem variar de três a trinta animais.

Capivaras são animais silvestres protegidos pela legislação brasileira. Caçar, capturar, ferir ou retirar um exemplar da natureza sem autorização pode configurar crime ambiental. Se um animal estiver machucado, atropelado ou preso em algum local, a orientação é acionar o 190 para que a ocorrência seja encaminhada ao Batalhão de Polícia Militar Ambiental. O Corpo de Bombeiros Militar também realiza resgates de fauna.

→ Hierarquia – Os grupos costumam ter um macho dominante, fêmeas, filhotes e machos subordinados.

Para todos os outros encontros, a regra é bem mais simples: observar e deixar passar. Talvez esteja aí parte do encanto. Em uma cidade desenhada antes de existir, as capivaras representam justamente aquilo que não estava na prancheta. Não foram planejadas para o cartão-postal, mas acabaram incorporadas a ele. Quando uma família inteira sai da água, ocupa o gramado e contempla o Paranoá com a tranquilidade de quem está em casa, fica difícil discutir a propriedade. Brasília construiu o lago. As capivaras tomaram posse.

→ Vivem cerca de seis anos na natureza – Predadores, doenças e outros fatores ambientais influenciam sua expectativa de vida.

→ Longa gestação – Dura aproximadamente 150 dias, e uma fêmea pode dar à luz de dois a oito filhotes. → Vegetarianas – Comem principalmente capim, vegetação aquática, folhas, brotos e frutos.


M ÚS IC A

ORQUESTRA FILARMÔNICA DE BRASÍLIA CELEBRA QUARENTA ANOS ENTRE TRADIÇÃO E RENOVAÇÃO. COM TRAJETÓRIA MARCADA POR FORMAÇÃO DE PÚBLICO E PROJETOS SOCIAIS, O GRUPO REFORÇA SEU PAPEL NA CENA CULTURAL DA CAPITAL

BRASÍLIA

in concert

Por Marcella Oliveira

A

o cair da noite em Brasília, há um instante em que o ritmo da cidade se reorganiza. O concreto perde temperatura, o céu se estende em tons diluídos e, em algum ponto, um acorde perpetua-se pelo ar por alguns segundos além do habitual. É nesse intervalo quase invisível que a música encontra abrigo. E é ali que, há quatro décadas, a Orquestra Filarmônica de Brasília constrói sua permanência. A história começa em 1985, ainda sob o nome de Orquestra Jovem de Brasília, quando estudantes da Universidade de Brasília e da Escola de Música decidiram organizar, por conta própria, um núcleo sinfônico na capital. Os primeiros ensaios aconteceram entre salas acadêmicas e o Teatro Nacional Cláudio Santoro, espaços 32

que, à época, já simbolizavam o desejo de consolidar uma cena cultural na cidade. “O grupo surgiu com o propósito de fortalecer a cena sinfônica da capital e rapidamente se tornou uma referência local. Cláudio Santoro foi o maestro inspirador para a criação da orquestra”, afirma Brésia Soares, diretora-presidente da orquestra. O que começou como um movimento formativo se estruturou ao longo dos anos em uma organização filantrópica sem fins lucrativos, hoje mantida pela Associação dos Amigos das Artes de Brasília. A atuação vai além da execução musical: envolve pesquisa de repertório, a experimentação estética e a construção de uma ponte consistente entre o erudito e o popular, com arranjos próprios e apresentações que, muitas vezes, fogem do formato tradicional de concerto.


o Viva Arte Viva, que oferece oficinas gratuitas e formação aos jovens do DF e entorno, e a aproximação com o público por meio de concertos populares e apresentações em espaços abertos”, diz a diretora.

Atualmente, a formação reúne entre cinquenta e sessenta músicos nos programas de maior porte, com um corpo associativo que ultrapassa uma centena de integrantes. A base é brasiliense, mas a composição do grupo reflete uma circulação mais ampla. “A maior parte é de Brasília ou tem trajetória ligada ao Distrito Federal, porém não é uma orquestra exclusivamente para nascidos por aqui. Temos associados vindos de diferentes partes do Brasil que encontraram na Filarmônica um ponto de contato com a cena musical local”, explica Brésia. A regência acompanhou esse processo de amadurecimento. Depois da influência inicial de Santoro, nomes como Joaquim França conduziram fases importantes da orquestra. Desde 2013, a direção musical está sob a responsabilidade do maestro Thiago Francis, que também divide o pódio com convidados, ampliando leituras e repertórios ao longo das temporadas. Sustentar uma orquestra independente por quatro décadas, no entanto, implica enfrentar uma equação delicada. A instabilidade no financiamento e a necessidade de manter uma agenda contínua aparecem como desafios recorrentes. Ainda assim, a Filarmônica construiu um caminho próprio ao aproximar o público da música de concerto. “Entre as conquistas, destacamos, em nossos anos de atividade, os projetos educativos e sociais como Fotos: Divulgação

A rotina de ensaios reflete essa dinâmica. Programas mais complexos exigem meses de preparação, enquanto outros permitem uma frequência mais espaçada. Em paralelo, a orquestra abre parte desses encontros ao público, transformando o ensaio em ferramenta pedagógica. “Muitas crianças aproveitam para tirar suas dúvidas e sanar curiosidades sobre música nesses momentos. Geralmente é onde a sementinha musical é plantada”, observa Brésia. No palco, a história se constrói tanto pela tradição quanto pela abertura a novas linguagens. Ao longo dos anos, a orquestra dividiu concertos com nomes como Ivan Lins, Hamilton de Holanda, Fernanda Takai e Guilherme Arantes, além de artistas contemporâneos. “No Festival Sinfônico, estivemos com a Liniker no palco da Concha Acústica. Tivemos o privilégio de tocar a música Caju numa performance ao vivo pela primeira vez, e a única vez com orquestra”, relembra Brésia. As comemorações seguem acontecendo. Em junho, a Filarmônica integra uma das produções mais ambiciosas do calendário cultural da cidade, ao participar da estreia mundial da ópera Por Quem os Sinos Dobram, baseada no romance de Ernest Hemingway, em parceria com a International Brazilian Opera Company. As apresentações serão no Teatro Nacional, reunindo artistas brasileiros e internacionais em uma montagem que aproxima tradição operística e linguagem contemporânea. Em uma cidade frequentemente associada à monumentalidade de sua arquitetura, a Filarmônica construiu outro tipo de permanência, menos visível, mas igualmente estrutural. Não se trata apenas de executar repertórios ou de realizar apresentações, mas de ocupar um espaço simbólico na vida cultural da capital. Quarenta anos depois, a música segue encontrando, entre concreto e silêncio, o seu lugar. E a orquestra, de forma discreta e persistente, continua afinando essa relação. @orquestrafilarmonicadebrasilia www.ofb.org.br

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R E LÍQ U I A

A biblioteca de

JK

COMO ELE ADEIXOU TRÊS MIL LIVROS, UMA COLEÇÃO RARA DAS OBRAS DE SHAKESPEARE DADA PELA RAINHA ELIZABETH II E ATÉ A LIXEIRA AO LADO DA ESCRIVANINHA PRESERVAM, EM BRASÍLIA, A INTIMIDADE INTELECTUAL DE JUSCELINO KUBITSCHEK

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Além das coleções, fotos, medalhas e objetos compõem a biblioteca do ex-presidente


Por Hédio Ferreira Júnior Fotos Rayra Paiva e Vanessa Castro

De luvas e terno brancos, Euricles Antônio de Oliveira atravessa a biblioteca com a intimidade de quem conhece cada detalhe daquele canto. Aos 72 anos, aponta para as estantes, identifica objetos, fala depressa e emenda uma história na outra. Não conheceu Juscelino Kubitschek, mas conviveu com Dona Sarah e há 45 anos ajuda a preservar um dos espaços mais pessoais deixados pelo presidente que construiu Brasília. A biblioteca instalada no Memorial JK não é uma recriação inspirada no ambiente onde Juscelino passou seus últimos anos. É, em grande parte, o próprio cômodo transportado do Rio de Janeiro para a capital que ele inaugurou em 1960. As estantes, a escrivaninha, os móveis, os objetos decorativos, a lixeira e até as duas portas que davam acesso à biblioteca foram retirados do apartamento de cerca de 700 m² na Avenida Atlântica, em Copacabana, onde JK viveu depois de retornar do exílio e até sua morte, em 1976. Quando o Memorial foi inaugurado, em 12 de setembro de 1981, aquele pedaço da vida privada do ex-presidente ganhou novo endereço no canteiro central do Eixo Monumental.

A preocupação foi levar para Brasília não apenas os objetos, mas também sua ordem. Os cerca de três mil livros permanecem distribuídos nas estantes segundo a organização mantida por JK. É uma biblioteca que, antes de contar a história de um presidente, revela os interesses de um leitor. Medicina, política, direito, história, biografias e literatura dividem espaço nas prateleiras. Há importantes autores brasileiros – como na coleção completa de Machado de Assis – e uma presença significativa da literatura francesa. Juscelino lia também em quatro idiomas, além do português: dominava inglês, espanhol, francês e latim.

ANTES DO PRESIDENTE, O MÉDICO Uma parte especialmente reveladora do acervo antecede em décadas o Palácio do Catete e a construção de Brasília. São os livros de medicina reunidos quando o jovem Juscelino estudava para se tornar médico. JK formou-se em Medicina e seguiu a urologia antes de consolidar sua trajetória política. Em alguns daqueles volumes, ainda podem ser vistas anotações feitas durante os estudos. O homem transformado em personagem da história nacional reaparece ali como estudante, diante de páginas que um dia serviram para provas, aulas e formação profissional. 35


Em outras prateleiras, é o próprio Juscelino quem passa de leitor a autor. Estão preservados livros escritos por ele sobre política e obras em que registrou sua versão dos acontecimentos que resultaram na construção da nova capital. Todavia, talvez nenhum conjunto atraía tanto os olhos quanto os nove volumes ilustrados publicados em 1802 com obras de William Shakespeare. Com mais de dois séculos de existência, a coleção foi presente da rainha Elizabeth II, do Reino Unido, a Juscelino. Há quem diga que é um dos poucos sobreviventes no mundo, talvez o único. Os livros hoje são observados à distância. Não podem ser retirados das estantes, abertos ou tocados pelos visitantes – e não dá pra negar que faz muita falta ver fotos das ilustrações que estão dentro dessa obra rara. Para pesquisadores, alguns títulos em edições posteriores ficam disponíveis para consulta, preservando os originais.

UMA SALA CHEIA DE HISTÓRIAS Se os livros revelam o leitor, os objetos espalhados pela biblioteca ajudam a reconstruir o personagem público. Uma fotografia com dedicatória do presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy remete às relações internacionais cultivadas por JK.Há também futebol. Uma réplica da taça Jules Rimet recorda a primeira conquista brasileira de uma Copa do Mundo, em 1958, justamente durante o governo Kubitschek. A peça foi oferecida a JK pelo árbitro uruguaio Nobel Valentini e ganhou lugar entre suas lembranças. Perto dali, outros presentes transformam a sala quase em um pequeno mapa das relações construídas pelo ex-presidente. Uma escultura da loba que simboliza Roma foi oferecida pela cidade italiana. Uma placa com dois medalhões, criada por G. D. Marques, celebra a inauguração de Brasília. Há 36

Livros e relíquias do fundadora de Brasília encantam os visitantes

ainda uma espada de honra da Academia Militar das Agulhas Negras e o prêmio Personalidade do Ano de 1975, concedido pela Escola Superior de Administração e Negócios.

NADA PARECE ESTAR ALI APENAS PARA ORNAMENTAR Livro a livro, fotografia a fotografia, a biblioteca vai revelando diferentes Juscelinos: o estudante de medicina, o leitor de literatura, o político, o presidente, o diplomata e o homem que guardava lembranças dos encontros e homenagens que marcaram sua trajetória. Até aquilo que não é original do espaço obedece à história familiar de JK: os tapetes de arraiolo são reproduções confeccionadas em Diamantina, sua cidade natal em Minas Gerais. A biblioteca talvez seja o cenário em que a memória de Juscelino ganha sua dimensão mais domésti-


ca. Monumentos costumam preservar a grandeza de seus personagens. Ali, preservaram também sua lixeira. E é esse detalhe aparentemente banal que ajuda a explicar a força do espaço. As portas que um dia foram abertas por JK estão ali. A mesa diante da qual trabalhou também. Os livros continuam nas estantes. Objetos permanecem próximos de onde estavam. É possível observar não apenas aquilo que Juscelino acumulou, mas a maneira como escolheu viver cercado por essas coisas. Quase meio século depois de sua morte, a sensação é de uma ausência recente. Do lado de fora, está Brasília, a obra pela qual JK seria definitivamente inscrito na história brasileira. Do lado de dentro, entre três mil livros, fotografias, presentes e anotações feitas ainda na juventude, permanece algo mais difícil de monumentalizar: o homem por trás do presidente. @memorialjk www.memorialjk.com.br

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Real Engenharia: Faz tempo que faz bem feito. Há quem diga que o tempo tudo revela. E é a mais pura verdade. O tempo revelou nossa sólida trajetória na Real Engenharia: desde 1983, provamos que construímos para durar, superando os anos em resistência, design e valorização. Mais de 6.000 clientes confiaram seus investimentos a nós, resultando na entrega de milhares de imóveis com absoluto compromisso do começo ao fim. Nossa reputação e credibilidade foram erguidas com respeito, mantendo o orgulho de pontuar obras sempre dentro do prazo combinado. O tempo faz justiça a quem faz mais do que fala, e aqui ele sempre será o senhor da razão. Sempre à frente do seu tempo, a Real Engenharia continua avançando rumo ao futuro, antecipando-se aos principais vetores de crescimento da capital e moldando o novo estilo de viver Brasília em toda a sua plenitude. Com a mesma paixão com que a cidade abraça esse futuro, a Real Engenharia abraça novas histórias de sucesso que em breve darão vida e forma a novos empreendimentos, nas regiões mais valorizadas e desejadas do Distrito Federal, ratificando sua liderança e seus compromissos com o desenvolvimento da capital e de suas futuras gerações.

Eduardo Paiva

PRESIDENTE DA REAL ENGENHARIA


REALDESIGN

2026

Já imaginou entrar em um apartamento e conseguir se enxergar vivendo ali? Escolher aquele cantinho preferido, imaginar os encontros com os amigos, os momentos em família e perceber como cada detalhe pode transformar uma casa em um verdadeiro lar? É com esse olhar que nasce a Mostra Real Design 2026, uma iniciativa da Real Engenharia que aproxima arquitetura, design e, principalmente, o sonho de morar bem. Durante todo o mês de setembro, o público poderá conhecer 10 novos projetos de apartamentos, coberturas duplex e unidades Gardens, criados especialmente para a mostra em parceria com renomados arquitetos e designers convidados. Cada ambiente traz uma proposta diferente, com ideias, soluções e inspirações que ajudam a imaginar novas formas de viver a casa. A programação acontece na Central de Decorados Real Engenharia Águas Claras e nos empreendimentos Bauhaus 500 Sudoeste e nas exclusivas unidades Gardens do Real Bothanic. Mais do que visitar imóveis decorados, a proposta é viver uma experiência: entrar, olhar, sentir, se inspirar e, quem sabe, encontrar ali o lugar que você sempre imaginou chamar de seu. Real Design 2026. Um convite para conhecer, se inspirar e sonhar com a sua próxima casa. FAZ TEMPO QUE FAZ BEM FEITO.

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Portfólio Real Engenharia

A Real Engenharia apresenta o portfólio mais exclusivo e diversificado de Brasília. São apartamentos de 1 a 4 quartos, prontos ou em construção, nos endereços mais valorizados da cidade. Projetos inteligentes, lazer diferenciado, funcionalidade e a excelência construtiva que só um imóvel Real pode oferecer. Águas Claras, Brasília - DF

Real Uplife

Águas Claras, Brasília - DF

Real Grand Resort

1 e 2 Quartos 32 a 69m²

Águas Claras, Brasília - DF

Real Living

4 Suítes e Garden 139 m²

2 e 3 Quartos 61m² a 101m²

Águas Claras, Brasília - DF

Sudoeste, Brasília - DF

Águas Claras, Brasília - DF

Real Urbanlife

Bauhaus 500

Real Bothanic

1 e 2 Quartos 34m² a 87m²

3 e 4 Quartos 109m² a 320m²

4 Suítes e Gardens 157m² a 527m²

Central de Decorados Real Engenharia R. 14 Sul, Águas Claras, Brasília, Distrito Federal. +55 (61) 3961-9221

real.engenharia

www.realeng.com.br


C O NT E Ú D O ES P EC I AL

LUZ sobre

À FRENTE DA CEB DESDE MAIO, ELIE CHIDIAC TEM NA MODERNIZAÇÃO DA ILUMINAÇÃO PÚBLICA UMA DAS PRINCIPAIS FRENTES DE ATUAÇÃO. TELEGESTÃO, EXPANSÃO DA REDE E COMBATE AOS FURTOS DE CABOS ESTÃO ENTRE OS DESAFIOS DA COMPANHIA Por Rafael Badra

Com uma trajetória construída nos setores de energia, saneamento e infraestrutura, Elie Issa El Chidiac chegou à presidência da Companhia Energética de Brasília (CEB) em maio de 2026 trazendo na bagagem experiências em instituições como Celg, Saneago, Caesb e Novacap. Sua passagem por diferentes áreas da administração pública, incluindo planejamento, regulação e gestão, contribuiu para a formação de um perfil profissional voltado à infraestrutura e à prestação de serviços públicos. Eleito diretor-presidente da CEB Holding em 8 de maio, após assumir também a CEB Iluminação Pública e Serviços (CEB IPes), Elie encontrou uma companhia que já havia concluído uma importante etapa de modernização: a substituição das antigas luminárias por tecnologia LED. O desafio, a partir de então, passou a ser ampliar a rede, aperfeiçoar a manutenção, incorporar novas tecnologias e enfrentar problemas que afetam diretamente a população, como os furtos de cabos e os apagões. 42

Foto: Vanessa Castro

ACIDADE

Nos primeiros meses de gestão, a iluminação pública ganhou centralidade na agenda da companhia. A proposta é avançar para um modelo no qual os postes e luminárias não sejam apenas equipamentos de iluminação, mas componentes de uma infraestrutura urbana mais inteligente, conectada e integrada às necessidades da cidade. Com uma redução drástica nas reclamações, a Ouvidoria da CEB avançou do 3º lugar – posição ocupada em um passado recente – para o 16º lugar no ranking de queixas, refletindo uma melhora expressiva na qualidade dos serviços prestados aos cidadãos do Distrito Federal. Uma das primeiras iniciativas anunciadas foi o enfrentamento aos furtos de cabos, problema que compromete a iluminação de vias e espaços públicos e provoca prejuízos financeiros. Em maio, quando o Distrito Federal já registrava aproximadamente 33 quilômetros de cabos furtados desde o início do ano, Elie apresentou medidas que envolvem o uso de câmeras, drones e tecnologias de monitoramento, em articulação com as secretarias de Segurança Pública e de Ciência, Tecnologia e Inovação.


A estratégia inclui ainda a soldagem de estruturas e a substituição de cabos de cobre por alumínio em locais tecnicamente adequados, reduzindo o interesse econômico dos criminosos. O objetivo além de proteger, também está centrado na diminuição da vulnerabilidade da rede e permitir respostas mais rápidas às ocorrências. A incorporação de tecnologia ganhou outro impulso em agosto, quando a CEB IPes firmou instrumentos para testar diferentes sistemas de telegestão da iluminação pública. A iniciativa busca avaliar soluções capazes de monitorar remotamente o funcionamento das luminárias, identificar falhas, acompanhar o consumo de energia e tornar a manutenção mais eficiente.

Em apenas poucos meses de trabalho à frente da administração, a gestão de Elie Chidiac entregou resultados expressivos na área de infraestrutura urbana, com foco na melhoria da segurança e da qualidade de vida nas regiões mais vulneráveis. Um dos principais destaques desse período é a ampla expansão da rede de iluminação pública, que levou luz, dignidade, segurança e cidadania a 250 mil novos usuários em locais com baixa infraestrutura urbanística. Assim sendo, enquanto prepara essa transformação, a CEB também avança na expansão da iluminação em regiões que ainda apresentam deficiência de infraestrutura. Em junho, a companhia iniciou a instalação de 721 novas luminárias LED em Santa Luzia, na Cidade Estrutural, com investimento de R$ 606 mil e previsão de beneficiar mais de 20 mil moradores. A intervenção atende uma reivindicação antiga da comunidade e reforça a relação entre iluminação pública, mobilidade e segurança. Ruas iluminadas oferecem melhores condições para trabalhadores que saem de casa de madrugada ou retornam à noite, estudantes e moradores que utilizam os espaços públicos.

Foto: Celso Junior

Com a telegestão, a companhia poderá avançar de um modelo predominantemente reativo, no qual muitas falhas são identificadas a partir das reclamações dos cidadãos, para uma operação apoiada em dados e monitoramento remoto. Os sistemas ainda estão em fase de testes, mas representam uma das principais frentes tecnológicas da nova administração.

Outra entrega importante ocorreu em julho, na DF-140, entre o Tororó e o Mangueiral. A obra, executada pela CEB IPes e concluída durante a gestão de Elie, levou mais de trezentos postes com luminárias LED a um trecho de 12 quilômetros, com investimento de R$ 5,73 milhões. A intervenção beneficia mais de 20 mil pessoas e atende uma demanda antiga dos moradores da região A modernização também começa a alcançar uma dimensão mais ampla, relacionada ao conceito de cidades inteligentes. Em agosto, Brasília recebeu o 5º Simpósio Internacional de Iluminação Pública e Cidades Inteligentes (SIIPE), evento que reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir eficiência energética, conectividade, urbanismo e novas tecnologias. 43


Elie participou da abertura do encontro, que colocou em debate a possibilidade de transformar a infraestrutura de iluminação em uma plataforma para diferentes serviços urbanos, como sensores, câmeras, sistemas de comunicação e monitoramento. A discussão acompanha os testes de telegestão realizados pela CEB e aponta para novas possibilidades de utilização da rede existente.

O empreendimento, que recebeu investimento de R$ 15,8 milhões, conta com 5.628 painéis solares, potência instalada de 4,024 MWp e geração estimada de 7,7 milhões de kWh por ano. Combinada à usina já existente no TSE, a produção permitirá compensar integralmente o consumo anual de eletricidade do Tribunal. A iniciativa amplia a participação da CEB em projetos de geração limpa e eficiência energética, demonstrando que a atuação da companhia pode ir além da iluminação pública e contribuir para soluções sustentáveis destinadas a grandes consumidores do setor público. O patrimônio arquitetônico de Brasília também entrou na agenda. Em junho, Elie participou de tratativas relacionadas à Catedral Metropolitana, em parceria com o Governo do Distrito Federal. A iniciativa abre espaço para projetos de modernização da iluminação e valorização do monumento, conciliando eficiência energética e preservação de uma das obras mais emblemáticas de Oscar Niemeyer. Internamente, a nova administração também promoveu iniciativas voltadas à governança. Sob a nova gestão, a CEB avança de forma decisiva nas áreas de planejamento, gestão de riscos e conformidade, promovendo uma maior sinergia entre os setores para alcançar mais produtividade, eficiência e efetividade em todas as suas ações. Desta forma, o objetivo é transformar a CEB em um verdadeiro polo de qualidade de vida, fazendo 44

Foto: Vanessa Castro

A sustentabilidade é outra frente que ganhou visibilidade nos primeiros meses da nova presidência. Em 1º de setembro, a CEB, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Terracap assinaram um acordo para utilização da energia produzida pela usina fotovoltaica construída no Catetinho.

da empresa muito mais do que um local de trabalho: um espaço para se viver com excelência e bem-estar. Embora pouco mais de quatro meses sejam insuficientes para uma avaliação definitiva dos resultados, as ações anunciadas e as entregas realizadas desde maio permitem identificar as prioridades da administração. Para os próximos anos, questões como a efetiva implantação da telegestão, a redução do tempo de atendimento às falhas, o combate aos furtos e a ampliação da cobertura nas regiões em crescimento serão indicadores importantes para medir os resultados dessa estratégia. A trajetória de Elie Chidiac à frente da CEB está apenas começando. Seus primeiros meses, no entanto, já apresentam uma agenda que combina continuidade de obras com a expansão da rede de iluminação pública para áreas mais vulneráveis, modernização tecnológica, eficiência operacional e sustentabilidade. O desafio será transformar essas iniciativas em resultados permanentes e perceptíveis no cotidiano dos brasilienses.


NOSSA ESTRELA É VOCÊ Viva novas marcas, novos sabores e novas experiências no TGS


TE C NO L O G I A

FEITO por HUMANOS Por Pedro Ângelo Cantanhêde

Enquanto toma o café da manhã, Mariana fotografa o prato com um aplicativo que calcula as calorias. Navega por um e-commerce de moda e encontra uma vitrine ajustada ao seu estilo. No escritório de arquitetura, utiliza um software para criar a planta e testar possibilidades em segundos. Antes de assinar um contrato, submete o documento a um sistema que identifica cláusulas de risco e sugere revisões. Durante o dia, percorreu ferramentas capazes de executar tarefas que, até pouco tempo atrás, dependeriam diretamente da atuação de diferentes profissionais. Por trás de cada uma delas, algoritmos trabalharam quase sem serem percebidos. A inteligência artificial deixou de ser assunto restrito aos interessados em tecnologia e passou a participar de atividades cotidianas. No segundo semestre de 2025, cerca de uma em cada seis pessoas no mundo já havia utilizado alguma ferramenta de inteligência artificial generativa, segundo levantamento da Microsoft. Ao mesmo tempo, o número de ferramentas disponíveis cresce em ritmo difícil de acompanhar: diretórios especializados já catalogam mais de dez mil aplicações de IA, que envolvem texto, imagem, vídeo, áudio, programação, produtividade, saúde e outras funções. 46


Foto: Divulgação

À MEDIDA QUE A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ASSUME TAREFAS CADA VEZ MAIS PRESENTES NO COTIDIANO, EFICIÊNCIA DEIXA DE SER DIFERENCIAL. REPERTÓRIO, PENSAMENTO CRÍTICO, AUTORIA E RELAÇÕES HUMANAS GANHAM NOVO PESO EM UM MUNDO MEDIADO POR ALGORITMOS

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O uso é incontestável. Uma pesquisa da Hashtag Treinamentos, feita com mais de 5 mil empregados, mostra que 75,6% deles utilizam inteligência artificial para busca de informações. As atividades criativas não ficam de fora: 65,2% afirmaram recorrer à tecnologia para escrever textos. Mas ainda existe uma tensão silenciosa no ambiente corporativo. “Há profissionais que receiam que admitir o uso da tecnologia possa gerar a percepção de que parte do seu trabalho é facilmente substituível”, analisa Luciana Camargo, profissional de Recursos Humanos e referência em Futuro do Trabalho. Um levantamento do Slack revela que 47% dos trabalhadores brasileiros que usam IA temem ser vistos como trapaceiros, 46% como incompetentes e 46% como preguiçosos. Luciana analisa que o maior potencial da IA não está em aumentar mecanicamente o volume de tarefas, mas em reduzir as operacionais. “O tempo poupado deve permitir que as pessoas se dediquem a atividades que exigem análise, criatividade, tomada de decisão e resolução de problemas complexos”, defende. “Com a IA amplamente disponível, habilidades como pensamento crítico, julgamento, discernimento ético e a capacidade de fazer boas perguntas passam a ganhar ainda mais valor”, completa.

UMA PRÓTESE COGNITIVA Se a IA pode ampliar a produtividade, permanece outra questão: o que acontece com habilidades como criatividade e pensamento crítico quando parte do processo é transferida para a máquina? É por meio da consciência de que a IA funciona como uma prótese cognitiva, e não como um novo cérebro. “Vamos aprender a lidar com ela como uma alternativa a produzir ideias, questionar hipóteses e refinar entendimentos”, elenca Cássio Pantaleoni, filósofo membro do conselho consultivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (ABRIA). Vencedor do Prêmio Jabuti pelo livro Humanamente Digital: Inteligência Artificial centrada no Humano, o especialista aponta um contraponto. Pantaleoni faz questão de advertir contra a antropomorfização da máquina. “A IA opera por cálculos de probabilidade e nos entrega respostas apropriadas, mas não compreende o mundo”, explica. É diante do desconhecido, quando não há uma resposta 48

pronta nem um caminho previamente traçado, que o pensamento humano encontra sua verdadeira potência. “O cara inteligente é aquele que, diante da dúvida e do desconhecido, encontra uma saída quando não há nenhum conhecimento prévio disponível”, opina. A máquina, por sua natureza estatística e probabilística, é incapaz de duvidar genuinamente de si mesma ou de seus pressupostos. A capacidade de duvidar, de colocar em xeque se algo nos faz bem ou se um caminho faz sentido, é um privilégio exclusivamente humano que nos permite recuperar nossa essência.

MADE BY HUMANS À medida que os textos impecáveis, os projetos rápidos e os diagnósticos ágeis se tornam acessíveis e irretocáveis, o valor de mercado passa a ser atraído na direção oposta. O atendimento humanizado, a curadoria artesanal, a sensibilidade estética e a capacidade de construir conexões genuínas se tornam os verdadeiros luxos do consumo contemporâneo. Cássio Pantaleoni prevê um futuro em que a autenticidade humana será o maior diferencial de um


criação como “ato ou efeito de criar, de tirar do nada”. E isso nenhum algoritmo, por mais avançado que seja, é capaz de replicar. Uma base de dados, de conhecimentos, de prompts e de programações resultam naquilo que nos deixa impressionados. Mas será que é possível criar, na essência da palavra, sem dor, paixão, vivências e sentimentos? É possível criar sem uma opinião?

IA em números → 900 milhões de usuários ativos semanais do ChatGPT Fonte: Statista

Foto: Divulgação

→ USD 2,59 trilhões é quanto o mundo deve gastar com inteligência artificial em 2026, 47% a mais que no ano anterior Fonte: Gartner

→ 62% maior o salário médio de profissionais com habilidades em IA em comparação com colegas sem essas competências

produto ou serviço. “Talvez, em breve, os objetos e projetos que vão ter mais valor no mundo, estarão com um selo ‘made by humans’ (feito por humanos), em vez de gerados por IA”, especula o autor. O verdadeiro valor de um projeto de arquitetura, de um parecer jurídico ou de um plano de dieta não estará na velocidade com que a planta ou o contrato foram gerados, mas no insight que nasce do encontro de dois seres humanos.

Fonte: PwC

→ 50% dos americanos dizem estar mais preocupados do que animados com o avanço da IA no cotidiano. Fonte: Pew Research Center

→ 70% das pessoas acreditam que a regulação da inteligência artificial é necessária

A vibração e a troca de perspectivas entre mentes reais, com sinapses reais, fazem a verdadeira criatividade acontecer. O dicionário Michaelis define

Se você já conhece, sabe porque votar. Se ainda não, veja os motivos para escolher Joe Valle para Deputado Distrital. FI

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Um dos

Fonte: KPMG/University of Melbourne

Melhor trabalho pela

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MANDATOS mais transparentes da história

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COMISSÃO DA

MAIS DE

70 LEIS

APROVADAS E SANCIONADAS

TRANSPARÊNCIA

AO TODO, SEU MANDATO DEVOLVEU MAIS DE

70 milhões

de reais ao povo do DF

JOE VALLE. CNPJ: 68.504.140/0001-30.


PE R F I L

Herói da

RESISTÊNCIA AOS OITENTA ANOS, O PUBLICITÁRIO E JORNALISTA FERNANDO VASCONCELOS CELEBRA QUATRO DÉCADAS DO PRÊMIO COLUNISTAS EM BRASÍLIA, SEM FAZER MORADA NO PASSADO. ATIVO, ELE CRIA PROJETOS, APROXIMA PESSOAS E MOVIMENTA O MERCADO QUE AJUDOU A CONSTRUIR 50


Por Hédio Ferreira Júnior Fotos Vanessa Castro

Fernando Vasconcelos chegou a Brasília aos 23 anos, depois de três dias sacolejando em um ônibus pela rodovia Belém-Brasília. Trazia uma mala de papelão, poucas certezas e a urgência de quem precisava encontrar um jeito de viver. A publicidade ainda não fazia parte dos planos. A jovem nova capital erguida para representar o futuro do País precisava aprender a viver fora dos desenhos de Oscar Niemeyer e Lucio Costa. Faltavam negócios, mercados, regras, referências e histórias. Fernando cresceu com ela. E ajudou a lhe dar voz. Uma das figuras mais conhecidas da publicidade brasiliense, Vasconcelos celebra quarenta anos do Prêmio Colunistas em Brasília. Criado pelo jornalista e publicitário Armando Ferrentini, a premiação era concentrada em São Paulo e colocava pequenas e médias agências de outras regiões diante de estruturas maiores. Fernando recebeu o título de Destaque do Ano, aproximou-se do prêmio, passou a integrar o júri nacional e participou do movimento que levou a disputa para além das fronteiras paulistas. O Prêmio Colunistas é uma vitrine. Fernando, porém, sempre se preocupou também com o que fica depois que as luzes se apagam. Dessa inquietação nasceu o Anuário da Publicidade de Brasília, que reúne

campanhas vencedoras, fotografias, nomes e fichas técnicas. Fernando conhece as agências, seus fundadores, as campanhas. Sabe quem ganhou, quem perdeu, quem abriu uma empresa e quem fechou. Também sabe quantas amizades ficaram pelo caminho depois de uma licitação, quando a disputa por uma conta ultrapassou os limites do trabalho e invadiu a vida. Da inquietude de criar e agitar, nasceu a Quinta-feira da Comunicação, ideia lançada em setembro deste ano com o propósito de reunir publicitários, empresários, veículos e anunciantes em um almoço. “Quero unir o mercado”. Servir, para ele, jamais significou ficar parado. Fernando gosta de telefonar, insistir, organizar, convencer e abrir portas.

CAMINHOS TORTUOSOS, OUTROS NEM TANTO Fernando nasceu em Vigia de Nazaré, a Pérola do Salgado, município paraense a cerca de 90 km de Belém. Filho do farmacêutico Raimundo Vasconcelos, que foi prefeito por lá, deixou o Pará sem saber exatamente o que encontraria no Planalto Central. Em Brasília, trabalhou na Rodoviária e em uma fábrica de cimento antes de descobrir a comunicação. Passou 12 anos no


Centro Universitário de Brasília (Ceub), onde concluiu quatro cursos: Jornalismo, Publicidade, Relações Públicas e Direito. Mais tarde, voltou à instituição como professor. Aos 28 anos, entrou em uma reunião com cerca de oitenta profissionais e saiu eleito, por unanimidade, presidente do Sindicato dos Publicitários do Distrito Federal. Brasília se tornaria um endereço muito particular para a publicidade, por abrigar contas como do Governo Federal, do Governo do Distrito Federal (GDF), de bancos públicos, autarquias, fundações e empresas estatais. Uma campanha criada aqui pode chegar, dias depois, a uma metrópole, uma aldeia indígena, um município do interior ou uma comunidade ribeirinha. Para Fernando, essa responsabilidade ensinou os profissionais da cidade a traduzir assuntos complexos e falar com públicos diferentes. 52

Ele também estava presente quando o mercado atravessou dias menos luminosos. O escândalo do Mensalão lançou suspeitas sobre toda a publicidade ao associá-la às práticas criminosas investigadas. Marcos Valério, personagem central do caso, era apresentado como publicitário, embora Fernando sustente que ele atuava como investidor e lobista. Leis, decisões do Tribunal de Contas da União (TCU) e novos mecanismos de controle tornaram as contratações mais rígidas. Hoje, diz ele, os contratos são fiscalizados com “lente de luneta” – o que, no fim das contas, ajudou a corrigir o que estava desalinhado. Atualmente, sua rotina segue ativa. Mantém a atividade física de segunda a sexta-feira, não janta “há 25 anos” e dorme por volta das 23h. Acompanha telejornais e novelas. “Assisto anotando frases.” Já guardou mais de uma centena. Recolhe palavras como quem encontra pequenas pedras bonitas


Fotos Vanessa de Castro

pelo caminho. Algumas reaparecem em textos e discursos; outras ajudam a organizar pensamentos. Todas revelam um homem ainda curioso. Fernando também observa sem medo a chegada da inteligência artificial. Vê utilidade no planejamento e na produção audiovisual, embora não acredite que uma ferramenta possa substituir repertório, sensibilidade e criação humana. Depois de dois casamentos, cinco filhos, cinco netos, trabalho e amigos, sua vida parece caber em uma palavra que ele conhece bem: encontro. A mala de papelão ficou lá atrás. O homem que a carregava, no entanto, continua em movimento. Talvez resistir seja exatamente isso: atravessar o tempo sem permitir que o tempo atravesse os sonhos. E, depois de tantas décadas, ainda ter disposição para abrir a porta, arrumar a mesa e dizer que sempre cabe mais um. 53


C O NT E Ú D O ES P EC I AL

CARTA ABERTA aos meus

FILHOS UM HOMEM SEMPRE DESCOBRE POR QUEM VALEU A PENA VENCER. Meus filhos, Talvez exista um momento na vida de todo homem em que ele finalmente olha para trás. Não para contar troféus. Não para conferir patrimônio. Não para medir a distância percorrida nem enumerar adversários vencidos. E Deus sabe que foram incontáveis… e tudo isso apenas para compreender.

Lutei. Caí. Levantei. Perdi algumas batalhas. Venci tantas outras. Construí, desconstruí e reconstruí. Conheci a lealdade e a traição, a abundância e a escassez, os aplausos e o silêncio. Houve dias em que caminhei cercado por muitos e noites em que precisei encontrar, sozinho, dentro de mim, uma razão para continuar. Continuei. Durante muito tempo, talvez eu tenha acreditado que isso se chamava força, mas hoje sei que não. Não apenas força, mas inspiração, e ela tinha nome: o de vocês. Luna, Noah e Zeus: antes de vocês, eu queria vencer o mundo. Depois de vocês, o desejo cedeu espaço à necessidade. Agora eu precisava vencê-lo. Há uma diferença colossal entre as duas coisas. O homem pode lutar por ambição, orgulho, reconhecimento ou poder, mas o pai luta por algo muito mais profundo. Quase primitivo. Há dentro dele uma força que não lhe pertence inteiramente. É como se, no instante em que seguramos um filho nos braços, recebêssemos uma ordem silenciosa da própria vida: “Agora, permaneça de pé.” 54

Fotos: Arquivo pessoal

Passei grande parte da minha vida olhando para frente. Sempre havia outra montanha, outro desafio, outra batalha, outra responsabilidade. Fui ensinado para avançar. Forjado a suportar sem pensar na dor, no peso e no sacrifício. Assim avancei. Sempre avancei.

E eu permaneci. Quando me faltou descanso, pensei em vocês. Quando me faltou paciência, pensei em vocês. Quando me faltou esperança, pensei em vocês. Quando a vida me apresentou razões suficientes para desistir, vocês se tornaram a razão absoluta para continuar. Talvez vocês nunca saibam quantas vezes salvaram o pai de vocês sem sequer perceber. Um abraço na hora certa. Uma gargalhada dentro de casa. Um “pai” gritado de outro cômodo. Uma mão pequena procurando a minha. Uma conversa no carro. Uma fotografia esquecida no telefone. Pequenas coisas. Mas são as pequenas coisas que sustentam os grandes homens quando ninguém está olhando.


Os estoicos ensinavam que não governamos os acontecimentos, governamos a maneira como nos colocamos diante deles. Marco Aurélio escreveu suas reflexões enquanto carregava nos ombros o peso de um império. Sêneca conheceu poder, riqueza, perseguição e exílio. Epicteto conheceu a escravidão. Todos, de maneiras diferentes, chegaram à mesma fronteira: o homem verdadeiramente poderoso não é aquele diante de quem o mundo se curva. É aquele que não permite que o mundo quebre aquilo que existe dentro dele. Foi isso que tentei aprender. E é isso que desejo ensinar a vocês. Não peço que sejam invulneráveis. Isso seria impossível e talvez até desumano. Peço que sejam inquebrantáveis. Há diferença. O invulnerável não sente a lâmina da espada. O inquebrantável sente. Sangra. Sofre. Algumas vezes caí de joelhos. Mas é neste momento de completa sucumbência que ele encontra sua pedra fundamental e se ergue novamente e quantas vezes forem necessárias. Sempre.

O verdadeiro poder é poder escolher quem você será quando a vida lhe der todas as razões para se tornar alguém pior. Se um dia vocês me perguntarem qual foi minha maior conquista, talvez esperem que eu mencione empresas, títulos, posições, patrimônio, vitórias profissionais ou qualquer coisa que o mundo costuma utilizar para medir um homem. Minha resposta será muito mais simples: vocês! Porque tudo aquilo que construí fora de casa pode desaparecer. Meu nome pode ser esquecido. Meus negócios podem mudar de mãos. Os títulos ficarão em alguma parede, como estão, até que alguém resolva retirá-los. Mas existe uma parte de mim caminhando pelo mundo através de vocês. E essa é a única forma de eternidade na qual realmente acredito. Mas seria injusto escrever sobre a minha força sem falar da mulher que decidiu caminhar ao meu lado. Maria Fernanda, Há batalhas que um homem consegue enfrentar sozinho. Mas não existe império que valha a pena construir se, ao retornar da guerra, não houver alguém com quem dividir a paz.

Na mitologia, os grandes heróis jamais foram poupados das provações. Hércules precisou cumprir seus trabalhos. Ulisses precisou enfrentar mares, monstros, tentações e tempestades para encontrar novamente Ítaca. Prometeu pagou um preço terrível por entregar o fogo aos homens. Talvez exista uma razão para que essas histórias tenham atravessado milênios. Elas nos lembram que não existe grandeza sem travessia. Por isso, meus filhos, não desejo uma vida sem tempestades para vocês. Desejo algo maior: que vocês aprendam a comandar o próprio navio. Que tenham coragem quando todos estiverem com medo. Que tenham caráter quando ninguém estiver olhando. Que sejam leais quando a conveniência recomendar o contrário. Que saibam perder sem se diminuir e vencer sem humilhar. Que sejam fortes o suficiente para proteger e suficientemente humanos para acolher. E, sobretudo, que jamais confundam poder com dinheiro, cargo, influência ou autoridade. Acreditem, tudo isso desaparece. 55


Minha mãe foi minha primeira fã, minha eterna amiga, minha apoiadora e, tantas vezes, meu porto. Mas existe algo ainda mais profundo: sem perceber, ela também me ensinou aquilo que eu deveria admirar em uma mulher. Força sem perder ternura. Presença sem precisar de palco. Lealdade. Família. Coragem. Foi olhando para ela que comecei a formar, ainda menino, a ideia da mulher que um dia desejaria ter ao meu lado.

Foto: Arquivo pessoal

Décadas depois, quando encontrei Maria Fernanda, reconheci muitas dessas virtudes. Talvez um homem escolha muitas coisas racionalmente durante a vida. Mas algumas das escolhas mais importantes são feitas por uma memória antiga do coração. Meus filhos, Você conheceu não apenas minhas vitórias. Conheceu meus bastidores. Viu o homem quando o mundo enxergava apenas a armadura. Esteve ao meu lado nas decisões difíceis, nos dias longos, nas preocupações que não cabiam em discursos, nos momentos em que a responsabilidade parecia maior do que o próprio corpo. E permaneceu. Há algo profundamente poderoso em uma mulher que não disputa a força de um homem, mas a multiplica. Você fez isso comigo. Se meus filhos algum dia quiserem compreender o significado de companheirismo, espero que observem nossa caminhada. Porque amar não é apenas celebrar juntos os dias bons. Amar é permanecer na trincheira quando o barulho da batalha começa. É dividir o peso. É proteger a casa. É rir depois do caos. É olhar para o outro quando tudo parece complicado e dizer, mesmo sem palavras: “Ainda somos nós”. E nós somos. Há, porém, uma mulher que veio antes de todas essas histórias. Minha mãe, Graciela. Antes que o mundo soubesse meu nome, ela já acreditava nele. Antes de qualquer conquista, ela já me aplaudia. Antes que existissem títulos, empresas, responsabilidades ou reconhecimento, havia uma mulher olhando para um menino como se ele pudesse conquistar qualquer coisa. Talvez por isso eu tenha acreditado que podia. 56

chegará o dia em que vocês também olharão para mim e perceberão que seu pai envelheceu. A mão que hoje parece forte terá rugas. Os passos ficarão mais lentos. Talvez a voz já não tenha a mesma potência. E isso estará certo. A natureza nunca prometeu permanência. Os estoicos chamavam isso de memento mori: lembre-se de que você morrerá. Muitos enxergam tristeza nessa ideia. Eu vejo liberdade. Porque saber que o tempo é limitado nos obriga a perguntar: o que faremos com ele? Eu escolhi vocês. Escolhi nossa família. Escolhi construir. Escolhi lutar. Escolhi amar. E, quando chegar o dia em que eu já não puder caminhar à frente para abrir o caminho, espero ter ensinado vocês a caminharem sozinhos. Não quero que vivam à minha sombra. Quero que carreguem a própria luz. Não quero que sejam uma repetição de mim. Quero que sejam melhores. Mais sábios onde fui impulsivo. Mais pacientes onde fui impaciente. Mais serenos onde fui tempestade. Mas espero que conservem algo deste pai: a absoluta recusa em desistir daqueles que ama. Sejam ferozes na proteção da família. Sejam generosos com quem lhes estender a mão. Honrem sua palavra. Protejam seus irmãos. Respeitem suas mães. Cuidem daqueles que envelheceram cuidando de vocês.


Foto: Rayra Paiva

E quando construírem suas próprias famílias, façam com que seus filhos saibam, sem qualquer dúvida, que existe no mundo um lugar onde sempre estarão protegidos.

sentido a todas as batalhas.

A casa de vocês.

Se algum dia estiverem cansados, descansem. Se tiverem medo, avancem com medo. Se caírem, levantem.

Passei muitos anos querendo deixar um legado. Hoje compreendo que legado não é aquilo que deixamos para nossos filhos. É aquilo que deixamos dentro deles. Se consegui colocar dentro de vocês coragem, honra, amor, lealdade, fé, disciplina e a certeza de que nenhuma queda precisa ser definitiva, então minha existência já terá valido a pena. Tudo além disso será apenas patrimônio. Vocês são o legado. E talvez seja por isso que, neste momento da vida, eu já não sinta tanta necessidade de pedir. Quero agradecer. A Deus, pela estrada inteira, inclusive pelos trechos que não compreendi enquanto atravessava. À minha mãe, por ter acreditado no menino antes que ele se tornasse homem. À Maria Fernanda, por caminhar ao lado do homem sem jamais pedir que ele deixasse de sonhar. E a vocês, meus filhos, por terem dado

Se algum dia o mundo lhes disser que vocês não conseguirão, lembrem-se de onde vieram.

E se algum dia tudo parecer perdido, procurem uns aos outros. Porque impérios caem. Fortunas desaparecem. Poder muda de mãos. A beleza passa. Os aplausos cessam. Mas uma família verdadeiramente unida carrega dentro de si algo que nem o tempo consegue conquistar. Foi por vocês que lutei. Foi com vocês que venci. E foi graças a vocês que finalmente compreendi: eu nunca precisei ser invencível. Precisava apenas ter algo pelo qual jamais aceitaria permanecer derrotado. E eu tive. Tenho. E sempre terei: Vocês! Com todo o amor que coube, e com todo aquele que jamais caberá, em uma vida, Papai. Beijos do seu papai Todde. 57


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Inaugurada em 2010, a Sede da FHE POUPEX, no Setor Militar Urbano, tornou-se parte da paisagem de Brasília e da história da instituição

História em

EM 45 ANOS, A FHE POUPEX AMPLIOU SUA ATUAÇÃO E CONTINUOU CONSTRUINDO NOVOS CAMINHOS 58

Ao completar 45 anos, a FHE POUPEX aprendeu que o verdadeiro valor está na trajetória: nas histórias que se cruzam, nos lares que se constroem e nas oportunidades que se multiplicam. Em 8 de outubro de 1981, a Fundação Habitacional do Exército (FHE) foi instalada oficialmente com a missão de facilitar a conquista da casa própria para os militares brasileiros. No ano seguinte, passou a gerir a POUPEX, atualmente a única Associação de Poupança e Empréstimo existente no Brasil.


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Os números refletem essa atuação. Em 45 anos de trajetória, foram entregues mais de 10 mil unidades habitacionais em todo o Brasil, concedidos quase 160 mil financiamentos imobiliários e contempladas mais de 54 mil cotas de consórcio. Esse crescimento evidencia a posição que a FHE POUPEX ocupa no mercado: é a 7ª em concessão de crédito imobiliário e a 17ª instituição brasileira em patrimônio líquido, conforme dados do Banco Central.

Foto: Bento Viana

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Celebrar 45 anos, para a FHE POUPEX, é relembrar o passado, valorizar o presente e abrir portas para o futuro.”

Nascia, então, uma instituição que, nas décadas seguintes, ampliou seu propósito e se tornou referência nacional em crédito imobiliário e soluções financeiras.

A TRAVESSIA ATÉ AQUI De lá para cá, a FHE POUPEX manteve sua essência, mas expandiu horizontes. Se no início o foco estava nos militares, hoje ela atende também ao público civil.

Um marco na história da FHE POUPEX ocorreu em 8 de junho de 2010, quando a instituição viveu sua própria mudança de casa, com a inauguração da Sede no Setor Militar Urbano (SMU), em Brasília (DF). O edifício imponente abriga 989 colaboradores, enquanto outros 218 atuam nos 85 escritórios e pontos de atendimento espalhados por todas as unidades da Federação.

MISSÕES QUE GUIAM O CAMINHO Para seguir o caminho sem se perder, algumas missões compõem a bússola da FHE POUPEX. A principal delas, de facilitar o acesso à moradia, é realizada por meio do Crédito Imobiliário, do Consórcio de Imóveis e dos empreendimentos imobiliários. Outro propósito é apoiar projetos pessoais, com a oferta de empréstimos pelo Crédito Simples ou pelo Crédito com Garantia de Imóvel (CGI). 59


Foto: Julio Magalhães/FHE POUPEX

Por trás dos produtos e serviços, estão colaboradores que ajudam clientes a realizar seus sonhos em diferentes momentos da vida

A instituição ainda contribui para o planejamento e a segurança financeira. Por isso, oferece diferentes modalidades da Poupança POUPEX, em parceria com o Banco do Brasil. A proteção também faz parte dessa atuação, por meio de seguros de vida e patrimoniais, com uma carteira de mais de 440 mil seguros ativos, e de plano odontológico. Para além dos produtos e serviços, a responsabilidade socioambiental é parte da sua identidade. A FHE POUPEX apoia financeiramente entidades sociais em diferentes estados brasileiros e no Distrito Federal, reforçando seu compromisso com a comunidade.

O FUTURO EM CONSTRUÇÃO Celebrar o próprio aniversário, para a FHE POUPEX, é relembrar o passado, valorizar o presente e abrir portas para o futuro. A chegada aos 45 anos consolida a imagem de solidez e credibilidade, mas traz o desafio de se reinventar diante de um mundo que passa por transformações tecnológicas a todo momento. Nos últimos anos, a instituição investiu em processos digitais que simplificam a vida dos clientes, como a contratação de crédito imobiliário de forma totalmente on-line, o acesso facilitado a 60

consórcios e seguros por meio de plataformas digitais e a modernização dos canais de atendimento. No primeiro semestre de 2026, o crescimento no resultado da instituição atingiu 40%, enquanto a comercialização do consórcio avançou quase 140%, em relação ao mesmo período do ano passado. O crédito consignado teve aumento de 36%, com quase 250 mil contratos ativos. A inadimplência caiu de 2,08% para 1,87%, índice inferior aos 4,7% registrados no mercado. O desempenho do Crédito Imobiliário, missão que está na origem da FHE POUPEX, também merece destaque. Atualmente, a instituição financia até 90% do valor do imóvel na modalidade SAC/TR. A inadimplência, que impacta o custo do crédito, foi reduzida para 0,48%, enquanto o prazo médio para análise de crédito é de 10 dias úteis. Ao olhar para o caminho percorrido, a FHE POUPEX encontra nele as histórias que dão sentido à sua atuação: nas famílias que realizaram o sonho da casa própria ou do carro novo, nos clientes que garantem proteção e tranquilidade com os seguros ofertados, nas comunidades que recebem apoio e nas plateias que se emocionam no Teatro POUPEX. @poupex_oficial www.poupex.com.br


Foto: Wagner Pires/Foco Radical

Cultura, esporte e solidariedade Desde 2014, a Corrida POUPEX reúne anualmente milhares de atletas no SMU

→ » Criado em 2024, o POUPEX Cultural já se consolidou como referência em Brasília. O Teatro POUPEX recebe concertos sinfônicos, óperas, musicais, peças teatrais e produções dedicadas à música popular, em uma programação que reúne artistas consagrados, companhias locais e orquestras brasileiras e internacionais.

Foto: Julio Magalhães/FHE POUPEX

→ » Da mesma forma, a Corrida POUPEX tornouse um marco esportivo. O evento integra o calendário de corridas de rua da capital federal desde 2014 e reúne, anualmente, milhares de atletas profissionais e amadores na Praça dos Cristais, no Setor Militar Urbano (SMU). O Teatro POUPEX ampliou sua relação com Brasília a partir da criação do POUPEX Cultural, em 2024

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AMEDIDA DOTEMPO

Rejuvenescer sem apagar histórias, expressões ou características que tornam um rosto único. É a partir dessa premissa que Isabela Belló construiu sua atuação na estética. Depois de consolidar sua trajetória em Caxias do Sul, a profissional amplia a atuação para Brasília, onde passa a atender em parceria com a Brunetti Odontologia Especializada, no Lago Sul. Enfermeira especialista em estética, Isabela chegou à área depois de quase cinco anos de atuação na saúde mental, experiência que ampliou seu olhar sobre a relação entre imagem e autoestima. “Nós não tratamos apenas uma anatomia. Tratamos uma pessoa”, afirma. Na estética, aprofundou os estudos em harmonização facial, anatomia e técnicas de sustentação e reposicionamento dos tecidos. Entre suas principais abordagens estão o Full Face e o lifting não cirúrgico. O primeiro parte de uma análise global do rosto para recuperar equilíbrio, proporção e sustentação de forma individualizada. Já o lifting não cirúrgico atua principalmente na perda de sustentação, alteração do contorno 62

Fotos: Vanessa Castro

ESPECIALISTA EM FULL FACE E LIFTING NÃO CIRÚRGICO, ISABELA BELLÓ DEFENDE UMA ESTÉTICA QUE PRESERVA OS TRAÇOS E RESPEITA A INDIVIDUALIDADE DE CADA ROSTO

e queda dos tecidos, associando técnicas de reposicionamento sem recorrer à cirurgia. Conforme a necessidade de cada paciente, o planejamento pode incluir ácido hialurônico, bioestimuladores e toxina botulínica. “O melhor resultado é aquele em que as pessoas percebem que o paciente está mais bonito, descansado e bem cuidado, mas não conseguem identificar imediatamente tudo o que foi realizado”, explica. Neste ano, Isabela participou do AMWC Mônaco (Aesthetic & Anti-Aging Medicine World Congress), congresso internacional dedicado à estética e ao envelhecimento. Em outubro, a agenda internacional continua em Dubai. Em Brasília, a parceria com a Brunetti Odontologia Especializada aproxima o rejuvenescimento facial da estética do sorriso. A Belló Clinic segue em funcionamento em Caxias do Sul, onde Isabela retorna mensalmente para atender seus pacientes. “São duas frentes unidas pela mesma filosofia: buscar no rejuvenescimento não um novo rosto, mas uma versão mais descansada e harmônica daquele que já conta uma história”, resume. @draisabelabello https://draisabelabello.com.br/bello-clinic


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Além das FRONTEIRAS

Foto: Vanessa Castro

RODRIGO LIMA LEVOU A EXPERIÊNCIA CONSTRUÍDA EM BRASÍLIA PARA UMA CIRURGIA NO CHILE. O MÉDICO FOI CONVIDADO A LIDERAR A EQUIPE RESPONSÁVEL POR UM DELICADO CASO DE RECONSTRUÇÃO DA COLUNA

Uma cirurgia na coluna realizada há cerca de um ano não trouxe o resultado esperado para uma paciente venezuelana de cinquenta anos. Com dores crônicas e uma falha na consolidação dos ossos da região operada, ela precisaria passar por uma nova intervenção. O caso levou o médico brasileiro Rodrigo Lima a Santiago, no Chile, onde foi convidado a liderar a equipe responsável pelo procedimento na Clínica Bicentenário da Universidade dos Andes. A complicação apresentada pela paciente é chamada de pseudoartrose e ocorre quando não há consolidação adequada dos ossos após o procedimento. No novo tratamento, seria necessário reconstruir a região lombar para criar condições para que o processo de cicatrização ocorresse adequadamente. Operar novamente uma região já submetida a uma cirurgia aumenta a complexidade da intervenção. Segundo Lima, foi necessário avaliar as alterações provocadas pela operação anterior e planejar cada etapa do novo procedimento, realizado em 17 de agosto de 2026. “A paciente já está ótima e a cirur64

gia foi um sucesso. Foi necessário desfazer parte do que havia sido feito e realizar uma correção. É um resultado muito positivo, principalmente por se tratar de um caso delicado”, afirma o médico. A atuação de Rodrigo Lima em procedimentos de alta complexidade e o uso de novas tecnologias ajudam a contextualizar o convite para operar fora do País. Em 2022, ele foi pioneiro na realização de cirurgia robótica da coluna em Brasília e, desde então, incorporou a tecnologia à sua prática em intervenções que exigem precisão e planejamento. Para o médico, a experiência em Santiago, Chile, também evidencia a importância do intercâmbio entre profissionais de diferentes países e a possibilidade de compartilhar técnicas desenvolvidas em sua atuação no Brasil. “É muito significativo poder levar para fora do Brasil técnicas e uma experiência que desenvolvemos no nosso trabalho em Brasília. Mas, acima de tudo, o mais importante é conseguir oferecer uma alternativa segura para um caso como esse e ver a paciente evoluir bem depois da cirurgia”, conclui. @dr.rodrigo_lima


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CORPO, SAÚDE E BEM-ESTAR SÃO TRATADOS DE FORMA INTEGRADA NA AURA CLINIC, NO LAGO SUL. À FRENTE DO PROJETO, ADRIANO SOARES E MAYRA HOLANDA DEFENDEM UMA MEDICINA PAUTADA PELA ESCUTA E PELO ACOMPANHAMENTO INDIVIDUALIZADO Fotos Kezia Marques

Nem sempre uma questão de saúde cabe nos limites de uma única especialidade. Alterações hormonais podem repercutir na pele e nos cabelos; mudanças metabólicas atravessam diferentes fases da vida; e demandas estéticas podem fazer parte de um contexto mais amplo. É a partir desse olhar que Adriano Soares e Mayra Holanda criaram a Aura Clinic, no Lago Sul, reunindo diferentes áreas médicas em um mesmo endereço. Adriano tem pós-graduação em endocrinologia e nutrologia e fellowship em obesidade pela Harvard, enquanto Mayra é pós-graduada em dermatologia, tricologia e tem fellowship em cirurgia facial. A combinação das áreas orientou a proposta da clínica, que reúne endocrinologia, nutrologia, dermatologia, tricologia e cirurgia facial e prevê a atuação integrada dos profissionais. “O cuidado começa muito antes da consulta e continua depois que o paciente deixa a clínica. Acreditamos que excelência técnica só faz sentido quando vem acompanhada de presença, escuta e atenção genuína às pessoas. Nosso objetivo é que cada paciente saia da Aura diferente de como entrou, sentindo que foi verdadeiramente cuidado”, afirma Soares. 66

Fotos: Agência Inspirae

CUIDADO POR INTEIRO As consultas foram estruturadas para permitir uma avaliação detalhada do histórico e das necessidades de cada paciente antes da definição do tratamento. A proposta é que, quando diferentes áreas estiverem envolvidas, os profissionais possam compartilhar suas avaliações e construir uma estratégia em conjunto. “Quando diferentes especialistas acompanham o mesmo paciente de forma integrada, conseguimos construir tratamentos mais coerentes. Essa troca entre as especialidades permite enxergar cada pessoa por diferentes perspectivas”, diz Mayra. O conceito de acolhimento também está presente na arquitetura da Aura. Os ambientes foram planejados para transmitir a sensação de estar em casa, proporcionando conforto tanto aos pacientes quanto aos familiares desde a chegada à clínica. “Um dos nossos focos é atender famílias, para ajudar na melhoria da qualidade de vida da “casa” da pessoa”, explica. Entre os atendimentos estão protocolos voltados ao emagrecimento, à menopausa e à longevidade, além de dermatologia clínica e estética, tratamentos capilares e cirurgias faciais, estas duas últimas ganharão reforços de novos protocolos e tecnologias nos próximos meses.. A estrutura conta ainda com equipamentos de laser e ultrassom micro e macrofocado utilizados em diferentes procedimentos. @auraclinic


Destination

Cuidar primeiro

Crescer com direção

Aprender com base

Mais que aprovados, preparados


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Formação

PARA A VIDA

Escolher a primeira escola de um filho é também escolher quem caminhará ao lado da família nos primeiros passos da criança para além de casa. Antes de pensar em desempenho acadêmico, surgem perguntas essenciais: meu filho estará seguro? Será acolhido? A escola conhecerá seu ritmo e suas necessidades? É a partir dessas perguntas que a Heavenly International School estrutura o Kinder, para crianças de dois a cinco anos. “Cuidar primeiro” significa reconhecer que a criança aprende melhor quando se sente segura, pertencente e verdadeiramente conhecida. Esse olhar começa antes mesmo do primeiro dia de aula. Na entrevista com a família, a escola busca compreender o perfil da criança, sua rotina e aspectos importantes de seu desenvolvimento. Durante a adaptação, as equipes de Formação Integral, Psicologia e Pedagogia acompanham como cada criança reage ao novo ambiente, cria vínculos e comunica suas necessidades. “Antes de ensinar, precisamos conhecer, acolher e estabelecer vínculos”, resume Thalita Miranda, coordenadora do Kinder da unidade Asa Norte. “Trabalhamos com a consciência de que cada momento ao longo do dia é uma descoberta e uma construção de conhecimento. A criança aprende quando se sente segura, amada e envolvida no processo de aprendizado”, completa Michelle Gössling Cardoso, coordenadora do Kinder. 68

Foto: Divulgação

NA HEAVENLY, ACOLHIMENTO, VÍNCULO E INTENCIONALIDADE PEDAGÓGICA SE UNEM PARA TRANSFORMAR OS PRIMEIROS ANOS ESCOLARES EM UMA BASE SEGURA PARA APRENDER, CRESCER E DESENVOLVER AUTONOMIA

CUIDADO QUE TAMBÉM É APRENDIZAGEM Na Heavenly, brincar, imaginar, movimentar-se, criar e investigar fazem parte de uma rotina planejada com intenção pedagógica, desenvolvendo linguagem, autonomia, criatividade, confiança e convivência. Essa lógica orienta o International Early Years Curriculum (IEYC), desenvolvido para crianças de dois a cinco anos e implementado em mais de sessenta países. Organizado em unidades temáticas investigativas, o currículo parte da curiosidade infantil para estimular perguntas, hipóteses, experimentação e descobertas. Articula as dimensões acadêmica, pessoal e internacional, desenvolvendo pensamento crítico e criatividade ao lado de habilidades sociais, autonomia e resiliência.


Sua adoção cria ainda uma linha de continuidade com o International Primary Curriculum (IPC), utilizado nos anos seguintes, favorecendo a progressão de habilidades até o Ensino Fundamental e a conexão com perspectivas internacionais. O bilinguismo também integra essa experiência de aprendizagem. Até o Kinder 4, o inglês está presente nas interações, músicas, histórias, brincadeiras e experiências de aprendizagem, de forma natural e adequada à faixa etária. “O idioma passa a ser vivido, e não apenas estudado”, explica Thalita.

CONHECER CADA CRIANÇA DE VERDADE Se cuidar primeiro é o ponto de partida, conhecer cada criança é uma das formas mais concretas de colocá-lo em prática. Na Heavenly, o acompanhamento considera sua história, seu ritmo, suas potencialidades, seus desafios e sua maneira própria de se relacionar com o mundo. Esse olhar individualizado se concretiza também no Programa de Tutoria, desenvolvido desde o Kinder, uma proposta ainda pouco comum na Educação Infantil e um importante diferencial da escola. O acompanhamento é contínuo e preventivo, aproximando professores, equipe pedagógica e família para construir estratégias de acordo com as necessidades de cada criança. “Aqui, cada criança é acompanhada de perto, para que família, escola e professores possam caminhar juntos e criar as melhores condições para seu desenvolvimento e sua aprendizagem”, afirma Thalita. Essa proximidade também é percebida pelas famílias. “Desejamos que o Davi cresça em um ambiente que vá além da excelência acadêmica, sendo também um lugar de amor, valores e princípios. Encontramos na Heavenly um espaço que acolhe, ensina e participa da formação do seu caráter”, conta Tatiana, mãe de Davi Mendonça. Para a Ms Rayanne Linhares, psicóloga da escola, essa segurança está ligada à aprendizagem. “Antes de explorar o mundo, a criança precisa sentir que existe uma base segura para onde pode retornar. Quando se sente protegida, acolhida e vinculada aos adultos daquele ambiente, fica mais disponível para brincar, experimentar, errar, tentar novamente e aprender. Na primeira infância, desenvolvimento emocional, social e cognitivo caminham juntos”.

FORMAÇÃO QUE OLHA PARA A CRIANÇA POR INTEIRO Esse olhar para a criança por inteiro inclui também sua dimensão espiritual. Na Heavenly, a fé é apresentada desde a infância por meio de experiências adequadas à idade, que ajudam a cultivar a interioridade, as virtudes e o vínculo com Jesus. A Catequese do Bom Pastor, inspirada na pedagogia montessoriana, oferece experiências de escuta da Palavra, silêncio, contemplação e vínculo pessoal com Jesus. No Átrio, as crianças têm contato com símbolos e elementos litúrgicos de maneira concreta e sensorial. A experiência se conecta ao Programa de Virtudes, integrado à rotina do Kinder, no qual gentileza, respeito, gratidão, empatia e amor ao próximo são vividos em situações reais do cotidiano. “Trabalhamos situações reais, como dividir, pedir desculpas ou ajudar um amigo, sempre à luz dos ensinamentos de Jesus”, explica Michelle.

ONDE A APRENDIZAGEM COMEÇA Na Heavenly, IEYC, bilinguismo, Tutoria, Formação Integral, Catequese do Bom Pastor e Programa de Virtudes não aparecem como elementos isolados. Todos materializam uma mesma forma de compreender a primeira infância: cuidar da criança por inteiro para que ela tenha segurança para aprender, autonomia para descobrir e referências para se relacionar com o mundo. A família faz parte desse percurso. Escola e pais caminham juntos, compartilhando olhares e acompanhando uma fase em que pequenas conquistas podem ter impacto duradouro. Os primeiros anos passam rápido. Mas aquilo que uma criança aprende sobre si mesma, sobre o outro e sobre o mundo quando se sente verdadeiramente conhecida, segura e cuidada pode acompanhá-la por toda a vida. Por isso, na Heavenly, “Cuidar primeiro” não é apenas o slogan do Kinder. É a forma Heavenly de compreender onde a aprendizagem começa. @heavenlyschoolbrasilia www.hisbsb.com.br

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IMAGEM

e matéria

A TECNOLOGIA AMPLIA O REPERTÓRIO DA CASA DA MOLDURA E LEVA OBRAS DE ARTE PARA ALÉM DOS SUPORTES TRADICIONAIS. ACRÍLICO, VIDRO, MDF E METAL GANHAM ESPAÇO NOS PROJETOS DE INTERIORES Na escolha de um quadro, a imagem é apenas o começo. O suporte sobre o qual ela é impressa interfere nas cores, na textura e na profundidade e, consequentemente, na maneira como a peça ocupa e se relaciona com o ambiente.

No acrílico, o brilho e a intensidade das cores criam maior sensação de profundidade, com um efeito próximo ao 3D. O MDF incorpora o aspecto da madeira à composição; o vidro explora transparência e profundidade; o papel mantém maior fidelidade em relação à imagem vista na tela; e o canvas aproxima visualmente a impressão de uma pintura. “Com a tecnologia, conseguimos transformar aquilo que o cliente imagina em uma peça criada especificamente para o ambiente dele”, afirma Higino. O trabalho começa a partir da ideia do cliente e do local onde a obra será instalada. A equipe faz uma curadoria de imagens, materiais, formatos e acabamentos e, antes da produção, projeta digitalmente a peça no ambiente, o que permite avaliar proporções e visualizar o resultado. Após

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Fotos: Rayra Paiva

Segundo Higino França, fundador da Casa da Moldura, as possibilidades cresceram com o avanço das tecnologias de impressão. A mais recente novidade é uma impressora que permite trabalhar, além de papel e canvas, com superfícies rígidas como acrílico, vidro, MDF, metal e foam, desde que sejam lisas, tratadas e tenham até cinco centímetros de espessura. Acrílicos coloridos e canvas dourado também estão entre as opções.

a aprovação, a imagem é impressa no suporte escolhido e segue para acabamento e, quando previsto no projeto, emolduramento. A equipe também pode criar, editar, redimensionar, digitalizar e restaurar imagens. “A tecnologia abre ainda espaço para projetos autorais com arquitetos, designers, decoradores e artistas. Um exemplo é a parceria com a Fundação Athos Bulcão para produzir gravuras numeradas e chanceladas a partir das obras do artista”, finaliza Higino. www.casadamoldura.com.br @casadamoldura


C A PA

Quatro amigos, um império

Foto: Thaís Mallon

DO CHURRASQUINHO AO MAIOR PAGODE DAS NOSSAS VIDAS SÃO DEZ ANOS DE TRILHA, DVD CELEBRATIVO DE UMA DAS PRINCIPAIS BANDAS DO PAÍS NA ATUALIDADE. MENOS É MAIS ESTÁ DE VOLTA À TERRA NATAL, BRASÍLIA, E CHAMA TODO MUNDO PRA RESENHA

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Se pudesse escolher uma noite para voltar no tempo e observar o Menos é Mais antes de o Brasil conhecer o grupo, o percussionista Gustavo Goes não escolheria um show histórico ou o instante em que alguma coisa começou a mudar. “Eu acho que escolheria uma noite normal em Brasília. E parece estranho falar isso, porque a gente viveu momentos importantes aqui antes de estourar. Mas eu queria voltar para um dia em que não aconteceu absolutamente nada demais. A gente chegando pra tocar num bar, carregando as coisas, preocupado se ia dar gente, fazendo conta, escolhendo música, naquela correria”, confessa. Na cena, ele sentaria em uma mesa ao fundo apenas para observar. “Porque, hoje, a gente sabe o que aconteceu depois. Eles não sabiam de nada. Acho que eu ia olhar e pensar: ‘rapaz… vocês não fazem ideia do que vem pela frente’”, confidencia. Veio muita coisa. O Churrasquinho atravessou a internet e levou o Menos é Mais para além de Brasília. Vieram as primeiras músicas autorais cantadas pelo público, as viagens, os grandes shows e apresentações fora do País. Ao redor do vocalista Duzão e dos percussionistas Goes, Paulinho Félix e Ramon Alvarenga cresceu também uma estrutura profissional. “Naquela época, eram apenas amigos querendo viver de música. A gente não fazia ideia de onde aquilo ia chegar.

+ Foto: Ricardo Ribeiro

Por Marcella Oliveira

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Ninguém grava um vídeo num quintal, imaginando que aquilo um dia vai passar de um bilhão de visualizações” Duzão

Acho que o que não existe mais é justamente essa inocência. Hoje tem uma empresa, uma equipe enorme, muita gente vivendo esse sonho junto com a gente. Mas a vontade de fazer acontecer continua igual”, revela Goes. A transformação não aconteceu apenas ao redor deles. Em nove anos, os quatro dividiram uma sucessão de primeiras vezes e precisaram aprender juntos a lidar com as dimensões que a carreira adquiriu. “A gente cresceu junto, praticamente. Foram quase dez anos vivendo muita coisa pela primeira vez e também aprendendo a lidar com pressão, responsabilidade, cansaço, com as diferenças entre a gente”, conta Ramon.

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Porque plataforma muda, algoritmo muda. A música precisa continuar funcionando quando isso passar” Ramon

Em 14 de novembro, esse percurso ganha um novo registro no gramado do Estádio Mané Garrincha. O Menos é Mais escolheu Brasília para gravar TRILHA, projeto audiovisual pensado como um retrato do caminho percorrido até aqui. A frase criada para apresentar a noite dá a medida da ambição: O maior pagode das nossas vidas (até agora). E o que está entre parênteses importa. “A gente pensou muito nisso: o que trouxe a gente até aqui e o que mostra para onde a gente quer ir agora. Porque a nossa trilha não termina neste DVD. Ele registra esse caminho, mas também começa um capítulo novo”, explica Paulinho.

SOMOS DE BRASÍLIA Antes de o Menos é Mais levar o nome da cidade pelo País, o pagode já ocupava rodas, bares e noites brasilienses, mas o mercado ainda estava muito concentrado no eixo Rio-São Paulo. “A gente tinha uma dificuldade real: não tinha rádio por perto, não tinha empresário do segmento, não tinha um caminho pronto dizendo ‘é por aqui que um grupo de pagode de Brasília chega ao Brasil’. Então, a internet foi a nossa saída. A gente precisava encontrar um jeito de furar essa bolha. E acabou mostrando também que não precisava estar no Rio ou em São Paulo pra fazer pagode e chegar no País inteiro”, diz Goes. Em 2019, o Churrasquinho colocou diante das câmeras algo que o grupo já conhecia: amigos reunidos, músicas de que gostavam e a atmosfera de uma roda de pagode. “Ninguém grava um vídeo num quintal, imaginando que aquilo um dia vai passar de um bilhão de visualizações”, lembra Duzão. O formato não nasceu, segundo ele, de uma fórmula para viralizar. “E o mais doido 74

é que era muito verdadeiro. Era basicamente o que a gente já fazia: juntava a galera, tocava as músicas que gostava, fazia aquela resenha. Não foi uma coisa pensada tipo ‘vamos criar um formato pra viralizar’. Talvez justamente por isso tenha conectado tanto. O Churrasquinho mudou completamente a nossa vida”, reconhece. A projeção veio primeiro acompanhada de um repertório que já pertencia à memória afetiva do pagode. “A gente tem um carinho enorme pelas regravações porque foi com elas que muita gente conheceu o Menos é Mais. E mesmo cantando músicas que já existiam, a gente sempre tentou colocar o nosso jeito ali”, explica Duzão. “Mas quando você começa uma música sua no show e escuta milhares de pessoas cantando de volta, é diferente. Lapada Dela foi muito importante. Depois vieram outras, e a gente começou a perceber que a galera estava indo pro show para ouvir as nossas músicas também. Acho que ali a chave virou de verdade”, lembra.


a gente tocar isso aqui no pagode?’. Acho que esse jeito de não ter muito medo de misturar é muito de Brasília”, diz Ramon. Essa diversidade amplia também a imagem de uma cidade nacionalmente associada ao rock. Paulinho cresceu próximo da cultura popular e do Bumba-Meu-Boi do Seu Teodoro. “Brasília nunca foi uma coisa só. O rock tem uma história gigantesca aqui e é um orgulho nosso também. Mas tem muita coisa acontecendo musicalmente na cidade há muito tempo”, afirma. “Se hoje alguém escuta ‘Brasília’ e lembra também de pagode, é uma honra pra gente ter ajudado nisso. E melhor ainda se isso fizer o Brasil olhar para outros artistas daqui”, completa.

TAMANHO FAMÍLIA

Fotos: Ricardo Ribeiro

Para esses pagodeiros que se conheceram tocando e fazendo pagode, há uma diferença considerável entre reunir amigos ao redor de instrumentos para gravar um vídeo e ocupar o gramado do Mané Garrincha. “A gente não quer que o tamanho do palco aumente a distância da galera”, diz Duzão. A experiência do Churrasquinho permanece como referência. “Pode ter um palco gigante, uma produção enorme, um monte de gente trabalhando, mas quando começa a tocar tem que continuar parecendo amigos fazendo pagode e chamando todo mundo pra resenha. A gente precisa dessa troca. Se perder isso, deixa de ser a gente”, explica.

Brasília continuou aparecendo no modo como os quatro fazem música. Não necessariamente em uma batida identificável, mas na mistura de uma cidade formada por gente de diferentes regiões do País. “Brasília tem gente do Brasil inteiro, então a gente cresceu ouvindo muita coisa diferente. Samba, pagode, sertanejo, rap, forró, rock.”, afirma Ramon. Daí vem uma brincadeira recorrente entre eles: “A gente brinca que qualquer coisa vira pagode. Se aparece uma música boa, a primeira coisa é: ‘rapaz, e se

As plataformas digitais mudaram a trajetória do grupo. Claro que seguem acompanhando as redes sociais e os números. “Mas tem uma diferença entre usar a internet e fazer música pra internet. Se a gente entrar no estúdio pensando ‘precisamos de quinze segundos pra isso aqui viralizar’, daqui a pouco a gente está fazendo música pro algoritmo e não pra galera”, analisa Ramon. No fim, o critério continua fora da tela: “Porque plataforma muda, algoritmo muda. A música precisa continuar funcionando quando isso passar. É o calor da galera que realmente importa”, acredita. Para registrar TRILHA, Brasília se impôs novamente. “Não tinha outro lugar. Se a gente vai fazer um projeto falando da nossa trilha, da nossa história, tem que voltar onde ela começou”, diz Goes. “Foi em Brasília que a gente se encontrou, começou a tocar nos bares, gravou os primeiros 75


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Parece que a gente tá voltando pro ponto de partida, só que carregando tudo que viveu no caminho” Goes

A TRILHA CONTINUA O Menos é Mais chegará aos 15 anos em 2032. Ao imaginar o que gostaria de encontrar pela frente, Duzão fala em palcos maiores, novas músicas e outros países, mas escolhe uma medida bem menor para definir uma vitória. “Cara, eu quero que a gente continue com vontade. É lógico que a gente sonha com palco maior, música nova chegando em lugares que a gente ainda não chegou, conhecer outros países, fazer um monte de coisa”, diz. Depois de tudo o que mudou, há uma cena que ele gostaria que continuasse familiar. “Mas eu acho que chegar aos 15 anos, sentar os quatro numa sala, ouvir uma música e ainda ter aquela empolgação de ‘caraca, bora tocar isso aqui?’ vai ser uma vitória enorme”, afirma o vocalista. O desejo alcança também quem começa longe dos caminhos mais óbvios do mercado. “E eu queria muito olhar pro pagode também e ver cada vez mais gente ocupando espaço. Principalmente uma molecada de Brasília e de outros lugares que talvez hoje pense ‘será que dá pra chegar lá saindo daqui?’. Porque falaram isso pra gente também. Se a nossa história ajudar alguém a entender que dá, já é muito especial”, completa. 76

Fotos: Ricardo Ribeiro

vídeos, ouviu muito que grupo de pagode de Brasília não ia acontecer. Voltar agora e gravar um projeto desse tamanho no Mané Garrincha é muito simbólico. Parece que a gente tá voltando pro ponto de partida, só que carregando tudo que viveu no caminho. E claro, voltando pra viver isso tudo com as primeiras pessoas que acreditaram na gente”, diz Goes.

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Se hoje alguém escuta ‘Brasília’ e lembra também de pagode, é uma honra pra gente ter ajudado nisso” Paulinho

Em 14 de novembro, quando os quatro entrarem no gramado do Mané Garrincha para “o maior pagode das nossas vidas”, a distância entre aqueles primeiros bares e o estádio estará diante deles. O “até agora”, porém, permanece ali por uma razão. Ainda haverá outras músicas para transformar em pagode, outros lugares para chegar e, em alguma sala, quatro amigos perguntando uns aos outros: “caraca, bora tocar isso aqui?”.


De menos, só o nome »

5,4 BILHÕES de visualizações no canal oficial no YouTube, que reúne 5,7 milhões de inscritos

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1 BILHÃO de visualizações para o medley “Melhor Eu Ir / Ligando os Fatos / Sonho de Amor / Deixa Eu Te Querer”, do Churrasquinho

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14 MILHÕES de ouvintes mensais no Spotify

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14 DIAS consecutivos no primeiro lugar do Spotify Brasil para P do Pecado, parceria com Simone Mendes. A faixa foi também a música mais executada no País em 2025, segundo levantamento da Pro-Música

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2 TROFÉUS no Prêmio Multishow 2025 para P do Pecado: Samba/ Pagode do Ano e Hit do Ano

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TOP 1 Coração Partido chegou ao primeiro lugar do Spotify Brasil em 2024. Segundo a plataforma, foi a primeira faixa de pagode a alcançar o topo do ranking da plataforma no País 77


T Por Beatriz Lima Leal

Às vésperas de completar 25 anos na moda, Caroline Trentini chega a esse marco com uma trajetória que dificilmente encontra paralelo. Gaúcha de Panambi, Carol começou a carreira em 2002, aos 14 anos, depois de ser descoberta por um olheiro. De uma cidade pequena do interior do Rio Grande do Sul, chegou a São Paulo e, pouco depois, a Nova York. Vieram os grandes desfiles, as capas, os editoriais e as campanhas. Vieram também encontros com nomes como Steven Meisel, Irving Penn e Anna Wintour. Essas mais de duas décadas depois ajudam a contar não ape-

nas a história de uma modelo, mas também as transformações da própria profissão. Uma indústria que mudou de ritmo, formato e linguagem.

Quando tenta escolher uma imagem capaz de representar esse percurso, Carol não pensa em uma capa ou em um desfile. Lembra-se de uma fotografia de Irving Penn, feita para a Vogue norte78

CAROL TRENTINI CONSTRUIU UMA DAS CARREIRAS BRASILEIRAS MAIS LONGEVAS DA MODA INTERNACIONAL. DISCIPLINA E UMA RELAÇÃO SEM PRESSA COM O SUCESSO AJUDAM A EXPLICAR PERMANÊNCIA EM UMA INDÚSTRIA EM CONSTANTE TRANSFORMAÇÃO

TRENTINI

O FENÔMENO

M O DA

-americana, em que aparece vestida de Chanel. O retrato foi exibido em exposições e museus, mas o que mais permanece para ela é a experiência de ter trabalhado com o fotógrafo, em um processo analógico. “Fazer parte do final da vida dele dessa maneira, de todo esse analógico, me enriqueceu muito como modelo”, conta.


e para o encontro com Steven Meisel. “Ele me transformou muito como modelo. O Meisel foi uma escola de modelo para mim”. Em uma das sessões, o fotógrafo colocou espelhos diante da câmera para que ela entendesse melhor seus ângulos, o corpo e a relação entre movimento e roupa. O exercício ajudou Carol a compreender que uma fotografia não dependia apenas da modelo, mas da combinação entre luz, roupa, corpo e expressão. Para ela, o trabalho começa muito antes do clique. “Eu sempre cheguei num trabalho munida do que ia acontecer naquele dia. Se precisasse pesquisar, assistir a um filme, até hoje eu sou assim. Eu gosto muito de saber tudo e poder me entregar por inteiro”, revela. “Não adianta você só ser uma boa profissional. Acho que você tem que entregar um conjunto”, completa.

Antes dos grandes fotógrafos e das capas internacionais, havia uma adolescente tentando entender a profissão em São Paulo. Carol chorava em apartamentos, ônibus e castings e sentia falta da proteção que tinha em casa. Foi também nesse período que encontrou Anderson Baumgartner, o Dando, seu agente e uma das figuras mais importantes de sua trajetória. Ele ajudou a apresentar à jovem modelo uma profissão e ofereceu acolhimento em um momento em que tudo era novo. Foto: CFDA Journal

Pouco depois, veio Nova York. Em 2003, Carol desfilou para Marc Jacobs e chamou a atenção do estilista. A experiência abriu caminho para outros trabalhos internacionais 79


Em uma indústria acostumada a ciclos rápidos, Carol construiu relações que atravessaram décadas. “Eu sou uma modelo muito resiliente e, ao mesmo tempo, entendo muito da raiz do que é ser modelo. Essa característica me fez pertencer ao mundo lá atrás e ainda pertencer ao mundo de hoje.”

Foto: Divulgação

Por trás da Carol de hoje, há uma outra que escolheu olhar para o próprio caminho. Em vez de imaginar onde precisaria chegar, Carol se concentrava em fazer bem aquilo que estava diante dela. “Eu sempre me contentei muito com a minha jornada. Acho que isso me fez conseguir ter essa resiliência de estar aqui até hoje.” A força, segundo ela, também vem da mãe. Lourdes foi uma presença constante em sua formação e, depois de perder o marido cedo, precisou trabalhar para sustentar as filhas.

Campanha da Balmain

Para ela, moda também é arte. Nos sets de fotógrafos como Meisel, encontrou livros e referências que ajudaram a construir seu olhar. O trabalho passou a envolver uma compreensão maior da imagem, da estética e da narrativa.

Foi também diante da câmera que surgiu um dos elementos mais reconhecíveis de sua trajetória: o salto. Seus movimentos tornaram-se uma espécie de assinatura. Antes mesmo da era dos vídeos virais, um vídeo publicado no YouTube reuniu imagens de seus famosos “jumps” e brincava com a ideia de que, quando Anna Wintour dizia para pular, Carol pulava. O material circulou tanto que chegou até ela. Foi quando percebeu que aquele movimento já fazia parte de sua identidade profissional. 80

Desfile Carolina Herrera primaveraverão 2025 ready-to-wear

Campanha da Balmain

Fotos: Divulgação

O SALTO DE CAROL


As redes sociais mudaram a lógica da profissão, mas sua relação com a moda continua especialmente ligada às revistas e à imagem impressa. “Eu quero papel, quero tocar, ler uma revista”. Existe algo de afetivo nessa escolha. Carol quer que seus filhos possam encontrar suas imagens daqui a muitos anos e mostrá-las aos próprios filhos. A maternidade, aliás, mudou sua relação com o trabalho. Carol chegou a imaginar que sua carreira poderia terminar cedo. Depois do nascimento do primeiro filho, Bento, quando tinha 26 anos, voltou sem saber exatamente o que encontraria. Os convites vieram novamente, abrindo espaço para uma nova fase. A partir daí, passou a conciliar a continuidade da carreira com a presença na vida de Bento e Benoah. Ela viaja para trabalhar, mas também quer acompanhar a vida escolar dos meninos. Em 2025, viveu uma das experiências recentes que mais a emocionaram: seus filhos assistiram pela primeira vez a um desfile. “Foi muito legal me enxergar através dos olhos deles. Entender que eles estavam me assistindo e me vendo no meu trabalho foi muito especial”, conta.

A moda mudou muito desde 2002. Carol também. Aprendeu, amadureceu, tornou-se mãe, ganhou domínio sobre a própria imagem e passou a escolher com mais cuidado onde coloca sua energia. Mas algumas coisas permaneceram: o frio na barriga antes de um desfile, a disciplina, a curiosidade, o respeito pelo trabalho e a menina de Panambi que nunca deixou de reconhecer a sorte – e o esforço – envolvidos em tudo o que veio depois. Vinte e cinco anos depois, o fenômeno não está apenas nas capas ou nas passarelas. Está na permanência. Foto: Arquivo pessoal

Foto: João K

A relação com a própria imagem também mudou. Depois de tantos anos diante da câmera, Carol reconhece ter mais domínio sobre o que quer mostrar, embora a segurança nunca seja permanente. Hoje, é uma mulher e mãe diante da lente, e não mais a adolescente que precisava descobrir o próprio corpo e suas possibilidades. “Nem sempre eu estou feliz com o que eu vejo. Então eu uso isso de combustível também para sempre tentar melhorar”.


S T R E E T S TY L E

Fora da

PASSARELA A elegância se diverte, mas nunca relaxa. Tons suaves ganham acentos. Um certo classicismo francês. Exercício acadêmico transformado em possibilidades do luxo com variações de proporção, textura, função e estilo (PS)

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C O UT U R E

Zuhair Murad

Schiaparelli ArdAzAei

Rahul Mishra

Robert Wun

Robert Wun

Chanel

Standing Ground

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Imaginar sem pedir licença. Em Paris, a temporada de alta-costura tratou a roupa como fábula, experimento. A atmosfera foi metamorfose. Contos de fadas. Escaneamento corporal, materiais, plasma e estruturas projetadas entraram no ateliê. Roupas recebem o peso técnico, abstrato e conceitual (PS)

FÁBULAS


ARTE EM ESTADO DE PRESENÇA.

SHIS QI 17 | BLOCO G | LOJA 212 | LAGO SUL | BRASÍLIA - DF

@celsojuniorgaleria

85


HOM E M

INTENCIONAIS A cor como mensagem. Tempos incertos, equilíbrio de vontades. Otimismo, conforto. Nenhuma cor reina sozinha. A paleta constrói atmosferas, dos tons vibrantes de memória retrô aos suaves delicados. A elegância silenciosa do branco. Acabamentos lavados e saturados. Verdes frescos e amarelos cítricos. Um guarda-roupa que transita com naturalidade entre o escapismo e o cotidiano (PS)

Acne Studios

Auralee

Dolce&Gabbana Zegna Auralee

SYSTEM

Ssstein Amiri

Ssstein

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Willy Chavarria


Foto: Ricardo Maia. Modelo: Bianca Bibiano, Beleza: Ricardo Maia, Joias e vestido: Ricardo Maia, Agência: BorogodoModels


FA S H I O N

Prada

Prada

Ferragamo

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Gucci

A MILANO


Marni

Bottega Veneta

Dolce&Gabbana Gucci

Armani

A temporada da saia, peça-território de versatilidade e reinvenção. A leveza na transparência, a brisa mediterrânea que equilibra silhuetas, estampas ruidosas. Estética: a de quem entende a roupa (PS) 89


BE L E Z A Sombra Stick Realce, Vic Beauté - R$ 139 (cada)

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Coverage, ISDIN – R$ 129,90

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Imulinador cremoso Glow Play, M·A·C Cosmetics – R$ 229 Face The Day Palette, Mascavo – R$ 209,90 Blush Iluminador Multifuncional DUO Pink & Peach, Care Natural Beauty para Mata Lab – R$ 197,00

Rose Ritual, GE Beauty, para Mata Lab – R$ 129,00 Neurocalm, HUMÀ SkinScience – R$ 269 Manteiga Corporal Moroccanoil – R$ 324 (200ml)

Magic Milk, Magic Beauty – R$ 89,90 (200ml)

À flor da PELE Iluminador Everlift Luminizer, Dolce&Gabbana – R$ 485

Ampola Desmaia Cabelo, Forever Liss –

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Cor, textura, brilho e tratamento. A beleza já não escolhe entre cuidar e aparecer. Séruns dividem espaço com maquiagens, fórmulas de alta performance encontram embalagens que pedem exposição. Na pele, vale tratar, iluminar, colorir. E deixar à vista

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NÓS

/ Patricia Justino

Fotos: Divulgação

@patjustinovaz

LUXO ESCULPIDO NA PEDRA É fato que atualmente o luxo tem cada vez mais a ver com experiências únicas do que com qualquer outra questão. Fortemente inserido nesse contexto está o Desert Rock Resort, o novo hotel na Arábia Saudita que vem impressionando viajantes do mundo todo antes mesmo da hospedagem. O refúgio, literalmente esculpido entre as montanhas do Hejaz, próximo ao Mar Vermelho, tem a sua arquitetura assinada pelo famoso Oppenheim Architecture. São apenas 64 acomodações, entre suítes e villas, algumas construídas nas próprias formações rochosas. A proposta é fazer a arquitetura quase desaparecer diante da grandiosidade da paisagem. Spa, gastronomia, trilhas, escaladas e noites de contemplação das estrelas completam a experiência. Um projeto que traduz muito bem algo que vem se tornando um novo desejo: menos ostentação, mais exclusividade, natureza e conexão com o lugar. Definitivamente, entrou para a minha wishlist. @desertrockresort

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JAPÃO À MESA São Paulo acaba de ganhar mais um excelente endereço para quem aprecia a gastronomia japonesa como verdadeira experiência. No Kanoe, comandado pelo chef Tadashi Shiraishi, apenas oito convidados por noite acompanham de perto um sofisticado menu omakase. O arroz ganha protagonismo ao lado de pescados sazonais e maturados, em uma sequência construída com precisão e delicadeza. O ambiente minimalista e a duração de aproximadamente três horas reforçam a ideia de ritual. Há ainda uma história afetiva por trás do projeto: o restaurante homenageia a avó materna do chef, que o incentivou a seguir seu sonho na cozinha. Em uma cidade repleta de excelentes restaurantes japoneses, o Kanoe consegue ir além ao apostar em detalhes que trazem charme e fazem toda a diferença: atmosfera intimista, técnica precisa e memória. Um mix de afeto e ancestralidade que torna tudo ainda mais especial. @kanoerestaurant


HEAD SPA, O NOVO RITUAL DE WELLNESS Se você ainda não ouviu falar em head spa, provavelmente ouvirá. O ritual de cuidado do couro cabeludo, que conquistou as redes sociais, combina limpeza profunda, tratamentos capilares e massagens extremamente relaxantes na cabeça e na região cervical. A terapia coreana conversa diretamente com uma das maiores tendências do wellness: transformar o autocuidado em uma experiência sensorial e em um momento real de pausa. E a novidade já está em Brasília. A Aurora Wellness Clinic, no Lago Sul, incorporou o head spa ao seu conceito de bem-estar integrado, unindo tecnologia, cuidado e desaceleração. Daquelas experiências que começam pelo couro cabeludo, mas fazem o corpo inteiro entender que é hora de parar. Na Aurora, inclusive, existem salas integradas e preparadas para quem desejar usufruir do tratamento na companhia de outra pessoa, uma opção que pode ser interessante até para presentear um cônjuge ou um amigo, por exemplo.

ARTE PARA CARREGAR Transitando entre bolsa e objeto de desejo, a nova squeeze da LOEWE ganha uma versão que flerta diretamente com a arte. A icônica silhueta criada pela marca espanhola aparece revestida por milhares de pequenas contas, formando uma composição gráfica em preto e bordô. O desenho em contraste com o couro e os detalhes dourados reforça o caráter quase artesanal da peça e confere muita personalidade a quem a usa. Compacta, mas nada discreta, é daquelas bolsas capazes de transformar até a produção mais minimalista. Um exercício de textura, cor e savoir-faire que traduz bem o momento da moda: menos logomania, mais personalidade, trabalho manual e peças com história. Com preço de EUR 5.500, a mini Squeeze ultrapassa a função de acessório para ocupar outro território: o da moda colecionável. @loewe

@aurorawellness.clinic

UM CONVITE PARA SE VIVER MELHOR Miami receberá um novo espaço que promete difundir uma das grandes tendências do lifestyle atual: a longevidade como experiência de luxo. A Neroli House foi projetada para fugir da estética previsível dos tradicionais wellness clubs, apostando em irreverência, cores, design, texturas e ambientes diferenciados, porém intimistas. O bem-estar será o foco, mas a experiência visual em todos os ambientes da casa pretende transportar imediatamente o cliente para uma atmosfera de sofisticação, arte e design, deixando fluir o conceito que envolve o projeto: reunir boas vibrações, promover performance e autocuidado em uma experiência luxuosa pensada para o longo prazo. Intencionalmente, os investidores não desejam criar apenas um spa, mas trazer um novo olhar sobre como queremos cuidar do corpo e da mente, com ciência, ritual e prazer caminhando juntos. Aguardem. @neroli.house


I NT E R I O R E S

Cada

CASA,

um caso

Fotos: Romulo Fialdini

DECORAR UM AMBIENTE É COMO MONTAR UM QUEBRA-CABEÇA: EXIGE OLHAR, REPERTÓRIO E PRECISÃO. SUZANA SCHERMANN É MESTRE NA ARTE E EMPRESTA O TALENTO PARA ALGUMAS DAS FAMÍLIAS MAIS INFLUENTES DO PAÍS Por Bruna Nardelli

Uma casa bem decorada nunca é fruto do acaso. É feita de escolhas, memórias e detalhes que, juntos, revelam quem mora ali. Suzana Schermann domina esse quebra-cabeça. Há mais de duas décadas, a carioca radicada em São Paulo transforma histórias em ambientes com personalidade, com projetos para algumas das famílias mais influentes do País. E personalidade é algo que não lhe falta. Aos 72 anos, Suzana carrega a segurança de quem conhece bem o próprio olhar, e não faz questão de suavizá-lo. A franja milimetricamente cortada, impecável, parece traduzir sua maneira de trabalhar: tudo tem intenção. É uma mulher de presença polida, opinião firme e pouca disposição para seguir a corrente. Talvez por isso, ao falar de decoração, fale também de si: autenticidade, para ela, é princípio; não tendência. Em sua mais recente passagem por Brasília, Suzana esteve na loja Magrella, a convite da amiga de longa data Cleuza Ferreira, para lançar seu livro homônimo. Publicado pela Ju Vilela Press, o volume de 281 páginas reúne 14 projetos de diferentes momentos de sua trajetória, com fotografias de Rômulo Fialdini e direção de arte de Tissy Brauen. Durante um ano, ela revisitou cada trabalho. O processo, conta, foi quase um exercício de despir-se. “Eu quis que fosse eu, que o leitor enxergasse verdade”, diz. 98

O livro é um retrato de uma carreira bem-sucedida que começou na maturidade. Publicitária de formação, Suzana atuou quase três décadas em rádio e televisão, chegando à direção da Antena 1, antes de se aposentar. Poderia ter encerrado o capítulo profissional, mas fez o contrário: aos cinquenta anos, transformou uma antiga paixão em novo ofício, a partir de uma mostra de decoração em


Aos poucos, o hobby virou oficialmente profissão; a curiosidade, método; e o olhar, assinatura. Desde então, ela cravou seu nome no mercado de alto padrão, com projetos que transitam entre o clássico e o contemporâneo, entre casas de cidade e refúgios no litoral, sem se curvar a um estilo único, mas prezando sempre pelo aconchego. Antes de iniciar um projeto, Schermann busca conhecer o modus vivendi do morador. Realiza uma investigação, mas sem interrogatório. Exercita uma escuta atenta, capaz de transformar o morar em retrato. “O objetivo não é impor meu olhar ao cliente, mas identificar e respeitar o dele”, resume. O método de trabalho adotado foge da cartilha dos modismos. Hoje, provoca, “todo mundo tem poltrona Mole, mesa Pétala, tudo igual, o que está longe de ser chique”. Para ela, chique não é reconhecer a peça. É reconhecer a pessoa. O conselho que dá é direto: “Não tenha porque sua amiga tem, porque uma influenciadora indicou. Escute seu coração. Use o Pinterest para referências, não para cópias.” Um deslize de décor que a tira do sério é comumente flagrado no lavabo. “Um ambiente maravilhoso, e eu olho para o lixo… tem um saquinho de supermercado. Quero infartar”, brinca. “É o capricho nos detalhes que faz uma decoração bacana”, frisa, dissociando luxo de preço. Uma boa iluminação, quadros bonitos, flores, tapetes, papéis de parede e um sofá confortável podem fazer mais por um ambiente do que uma coleção de obras de arte famosas, garante Suzana. Outra dica dela é apostar em pequenos pontos de cor. Gosta de vermelho? Invista em almofadas no tom, não em sofás. Assim, se enjoar, a troca será mais fácil.

Ilhabela. O ano era 2004. As primeiras clientes, amigas. “Nunca me imaginei decoradora. Tudo aconteceu de um jeito muito orgânico”, relembra. A extrema atenção aos detalhes, segundo Suzana, é nata, mas não hereditária. Sua mãe era uma mulher que prezava pela organização do lar, não pela beleza. O olhar apurado, por sua vez, é treino: viagens, observação, um processo que descreve como contínuo. “Minha vida inteira é um aprendizado. Quanto mais eu observo, mais aprendo”.

Para acompanhar a clientela de grande diferença geracional, ela mantém um perfil ativo no Instagram, aplicativo apelidado de outdoor. Entre seus clientes estão herdeiros de impérios multimilionários em endereços nobres, como a Fazenda Boa Vista, no interior paulista. A identidade da maioria ela prefere não confidenciar. O público pode ser seleto, mas a premissa permanece democrática: uma casa sofisticada não depende de peças caras, e sim de escolhas que tenham significado para quem usufrui. Afinal, chique mesmo é encontrar todas as suas pecinhas e morar dentro da própria personalidade. @suzanaschermann

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EX P OS I Ç ÃO

VESTIDA para

reinar

CRIADA PARA MARCAR O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DA MONARCA, A MAIOR EXPOSIÇÃO JÁ DEDICADA AO GUARDA-ROUPA DE ELIZABETH II REÚNE MAIS DE TREZENTAS PEÇAS E DOCUMENTOS NO BUCKINGHAM PALACE, EM LONDRES

Por Marcella Oliveira

Casaco de cor intensa, chapéu no mesmo tom, bolsa no braço e um broche. Elizabeth II levou décadas repetindo uma fórmula que o mundo aprendeu a reconhecer instantaneamente. Esse guarda-roupa voltou aos holofotes em Londres. Criada para marcar o centenário de nascimento da rainha, Queen Elizabeth II: Her Life in Style ocupa a The King’s Gallery, no Buckingham Palace, com mais de trezentas peças e documentos de seu arquivo pessoal. A exposição, inaugurada em abril, deveria ter uma curta temporada, mas a procura mudou os planos: os ingressos se esgotaram em poucas

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semanas e a mostra foi prorrogada até 18 de abril de 2027. A Royal Collection Trust estima que ela se torne a exposição mais visitada de sua história. O passeio começa muito antes dos famosos conjuntos monocromáticos dos últimos anos de vida da monarca. Há peças da infância e da juventude, vestidos de noite, roupas para compromissos de


Para Deniza, está justamente aí uma das lições deixadas pela imagem da rainha. “Dizer que era apenas conservadorismo é ficar na primeira camada. É uma questão de construir uma imagem pública, deixar uma marca, criar elementos simbólicos que permitam que as pessoas os associem à rainha sem necessariamente uma coroa”, afirma. A exposição guarda alguns dos bastidores. Há, por exemplo, os guarda-chuvas transparentes usados pela rainha, com acabamentos combinando com seus looks. A transparência tinha uma função simples: mesmo protegida da chuva, Elizabeth continuava visível para as pessoas que a esperavam para vê-la.

Fotos: Divulgação

QUANDO O VESTIDO FALA

Estado, criações pensadas para viagens oficiais e um guarda-roupa privado. Croquis, amostras de tecidos, faturas e documentos que permitem acompanhar como aquelas roupas eram construídas mostram que a rainha participava das escolhas mais do que a imagem de uma cliente passiva da alta-costura poderia sugerir. “A imagem de Elizabeth é consistente, mas não é imóvel”, observa Deniza Gurgel, pesquisadora de imagem política e doutoranda em Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB). “A monarquia é uma instituição milenar e depende dessas demonstrações simbólicas de respeito às tradições. Essa constância da imagem era uma forma de comunicar o respeito que ela tinha pelo dever enquanto rainha”, analisa. A sensação de familiaridade atravessa a exposição. Mas basta voltar algumas décadas para perceber que a fórmula nunca esteve completamente parada. A jovem rainha dos anos 1950 aparece em vestidos de baile com saias volumosas e cinturas marcadas; nos anos 1970, as linhas se tornam mais fluidas; décadas depois, os tons claros dão cada vez mais espaço a cores intensas. O guarda-roupa acompanhou idade, rotina e mudanças de época sem abandonar alguns códigos que garantiam sua continuidade visual.

Algumas das melhores histórias aparecem quando Elizabeth II deixa o Reino Unido. Para uma visita ao Canadá em 1967, Norman Hartnell criou um vestido bordado com folhas de bordo, símbolo nacional estampado na bandeira canadense. No Japão, em 1975, flores de cerejeira apareceram em outra criação do estilista. “Ela soube usar muito bem as variações e adaptações do vestir para comunicar as relações diplomáticas que tinha. Existia essa preocupação de trazer tecidos e referências para a imagem quando fazia viagens internacionais”, diz Deniza. É uma das partes mais divertidas de rever hoje aquele guarda-roupa: procurar as mensagens escondidas entre bordados, cores e joias. A exposição permite conhecer ainda uma Elizabeth bem diferente. Uma seção inteira é dedicada às roupas usadas fora dos compromissos oficiais, com peças de equitação, tweeds e lenços. É o outro lado de uma mulher cuja imagem pública acabou tão codificada que vê-la fora dos casacos coloridos e chapéus coordenados provoca quase a sensação de entrar em um cômodo que normalmente permanecia fechado. É esse conjunto de pequenos detalhes que faz Her Life in Style funcionar para além da moda. “O guarda-roupa da rainha Elizabeth vai ser sempre uma aula de etiqueta, de diplomacia, de tradições e de rituais. É quase um século de vida sendo contado por essas roupas”, finaliza Deniza. Mudaram as saias, os vestidos, as cores, os tecidos e até a maneira de se relacionar com a moda. O que permaneceu foi um conjunto de códigos suficientemente estável para atravessar décadas sem perder o reconhecimento. 101


AR TE

/ Maurício Lima Consultor em investimento em arte mauricio@galeriaclima.com.br

Waltercio Caldas: O (TEMPO)

Desde maio, um importante conjunto de sua obra está sendo exibido no centro cultural Casa Roberto Marinho no Rio de Janeiro e, devido ao sucesso, a mostra foi estendida e ficará até 11 de outubro no espaço.

A importância de Waltercio Caldas reside justamente nessa capacidade de transformar o mínimo em essencial. Suas esculturas, instalações e desenhos exploram o silêncio como matéria estética, criando diálogos entre o visível e o invisível, entre o que está presente e o que se sugere. Ao longo de sua carreira, ele se consolidou como um artista que pensa a arte não apenas como objeto, mas como experiência sensorial e intelectual. Sua obra é estudada e reconhecida internacionalmente, tendo participado de exposições importantes, como as bienais de Veneza de 1997 e 2007, e fazendo parte de vários acervos importantes, como o do Moma de NY.

Desde os anos 1960, Caldas constrói um percurso singular, em que o vazio, o espaço e a delicadeza dos materiais se tornam protagonistas. Em vez de buscar o impacto imediato, suas criações convidam o espectador a uma experiência contemplativa, quase filosófica, em que cada detalhe é carregado de sentido.

Em um de seus textos sobre o artista, o crítico Fernando Cocchiarale dá seu relato sobre como o Caldas faz o espectador preencher o vazio, criando um volume que só existe na sua mente: “O trabalho de Caldas é uma investigação sobre o olhar. Ele nos obriga a ver o que normalmente não vemos, a perceber o espaço como parte essencial da obra.”.

Waltercio Caldas é um dos nomes mais importantes da arte contemporânea no Brasil e, sem dúvida, um dos principais representantes da arte brasileira no circuito internacional. Sua obra, marcada pela sutileza e pela precisão, desafia constantemente os limites da percepção e da linguagem visual.

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A EXPOSIÇÃO NA CASA ROBERTO MARINHO A exposição de Waltercio Caldas na Casa Roberto Marinho, no Rio de Janeiro, é um acontecimento cultural de grande relevância. O espaço, dedicado à preservação da memória artística e ao diálogo entre diferentes linguagens, torna-se palco para a delicadeza e a precisão do trabalho de Caldas. A Casa, que já abriga um acervo importante da arte brasileira, recebe agora obras que instigam o olhar e convidam à reflexão sobre o papel da arte na contemporaneidade. Na mostra intitulada o (tempo), o visitante é conduzido por um percurso de sutilezas. As obras, muitas vezes compostas por linhas, superfícies transparentes ou estruturas aparentemente frágeis, instigam o olhar a buscar o que não está imediatamente

dado. O próprio Waltercio concebeu o percurso e a seleção das cerca de cem obras apresentadas na mostra, de seus livros de artista (livros que são obras de arte em si) a desenhos, pinturas e esculturas de grandes formatos, sem dúvida uma ótima oportunidade para conhecer melhor a obra do artista. A Casa Roberto Marinho, localizada no bairro do Cosme Velho, no Rio de Janeiro, é um dos centros culturais mais importantes da cidade. Instalado na antiga residência do jornalista e empresário Roberto Marinho, o espaço foi transformado em museu e centro de arte, preservando tanto a arquitetura original quanto o jardim projetado por Burle Marx. Ao receber mostras como a de Waltercio Caldas, a Casa reafirma seu papel como instituição que valoriza a memória cultural e, ao mesmo tempo, abre espaço para reflexões sobre a arte atual, consolidando-se como referência no circuito artístico nacional. 103


FOT O G RA FI A

O futuro

JÁ PASSOU

Tripolli: "Minha mente é inquieta"

O Rei e Eu, 2005

EM SEIS DÉCADAS DEDICADAS À FOTOGRAFIA, LUIZ TRIPOLLI REVISITA IMAGENS E ENCONTROS QUE MARCARAM SUA TRAJETÓRIA. DO LABORATÓRIO QUE O FASCINOU AINDA ADOLESCENTE AOS RETRATOS DE PELÉ E SONIA BRAGA, ELE CARREGA O SEU MODO DE ENXERGAR O MUNDO 104

Fellini, 1971


Pier, 1975

Por Marcella Oliveira

“As pessoas deviam voltar a fazer álbum e colocar fotografia em porta-retrato”. Depois de seis décadas dedicadas à imagem, Luiz Tripolli fala com certa preocupação sobre uma geração que nunca fotografou tanto e, ao mesmo tempo, corre o risco de guardar pouco. Aos 77 anos, o fotógrafo que atravessou a era do filme, acompanhou a chegada do digital e hoje vê milhões de imagens produzidas diariamente por celulares defende um gesto simples: escolher algumas delas, imprimir e deixar que contem uma história. Tripolli reconhece o ganho trazido pela tecnologia. No tempo da fotografia analógica, o custo muitas vezes reservava as fotos para ocasiões especiais. Hoje, cenas banais do cotidiano podem formar um imenso arquivo pessoal. A facilidade, no entanto, também produziu o excesso. “Como você pode fazer tanto sem gastar, exagera e chega um ponto em que vira nada”, lamenta. Não é resistência à tecnologia. Em 1991, quando morava nos Estados Unidos, Tripolli decidiu experimentar o digital por conta própria. Passou a testar as diferenças entre as duas linguagens, a resposta à luz, a profundidade e as possibilidades de impressão. “O analógico é grão, o digital é pixel.

Fuck the Fashion, 2015

Sônia Braga, 1969


Daiane dos Santos, 2009

No analógico, você lida com química dentro de um laboratório e fora dele. É uma coisa mágica”. Na retrospectiva realizada no MASP em 2005, apresentou uma impressão digital de cinco metros de altura por 15m de comprimento, surpreendendo colegas. “Todos achavam que eu estava mentindo, porque de fato consegui algo de boa qualidade”, lembra. Hoje, mantém câmeras analógicas, já os equipamentos digitais e os estúdios, prefere alugar. A velocidade das mudanças tornou pouco interessante manter uma estrutura fixa. Ao mesmo tempo, considera montar um laboratório. “Eu sou fã do passado, ele tem muita história. Eu tenho uma frase: o futuro já passou. As coisas maravilhosas estão lá atrás e, se você não tiver essa memória, não tem história para contar”, acredita.

O MENINO QUE ENXERGAVA DEMAIS Criado no Rio de Janeiro, Tripolli perdeu a mãe aos dez anos e ficou sob os cuidados de uma tia. Era inquieto. “Meu olhar sempre foi diferente. Eu via coisas que meus amigos não enxergavam”, rememora. Uma parente ligada à Escola de Belas Artes viu seus desenhos e che106

gou a outra conclusão: “Esse menino é artista”. Passou a frequentar a escola como ouvinte e a fazer pequenos serviços. Em um deles, recebeu dois rolos de filme para levar a um laboratório. A revelação demoraria duas horas e o funcionário perguntou se o garoto queria acompanhar. Foi a primeira vez que viu uma imagem aparecer diante de seus olhos. “Quando vi aquela mágica, eu enlouqueci. Pensei: vou conseguir imprimir o que eu vejo”, diz, ainda com o mesmo brilho nos olhos daquele menino que começou a juntar dinheiro para comprar a primeira câmera. Autodidata, aprendeu fotografando, perguntando e observando. No fim dos anos 1960, a carreira levou Tripolli a São Paulo. Em 1969, um jornalista do jornal Última Hora o encarregou de fotografar Sonia Braga, então com 18 anos e na cidade para a primeira montagem brasileira do musical Hair. Com poucos recursos e praticamente uma única fonte de luz, fez uma imagem da qual ainda se lembra. “A foto é uma beleza”, garante. A cena parece vir à lembrança enquanto revela uma característica do seu trabalho. “Nunca me conformei em trabalhar no seco, sem conversar com a pessoa. Tem que ter música, tenho que olhar para ela, para o ambiente. Eu crio uma história, praticamente cinema, para poder, então, apertar o botão e fazer o meu trabalho”, diz.


Seu trabalho passou por museus: participou da primeira Trienal de Fotografia do MAM de SP, em 1980, e da coletiva Os Brasileiros, no Centre Pompidou, em Paris, em 1988. Viveu temporadas em Nova York, aproximou-se do cinema e, nos anos 1990, dirigiu filmes publicitários no Brasil e no exterior. Em 2004, Quase Todos os Meus Amores, na FAAP, reuniu parte de sua produção e deu origem ao livro homônimo. No ano seguinte, o MASP recebeu a retrospectiva de quarenta anos de fotografia e, em 2010, Olho Mágico reuniu cem retratos feitos desde 1967. Solidão, 1996

A liberdade para experimentar também vinha da decisão de ser, como costuma dizer, “mecenas de si mesmo”: usava parte do dinheiro dos trabalhos projetos próprios. “Não ficava esperando alguém me patrocinar.”

FRAGMENTOS DE UMA VIDA A memória que Tripolli procura preservar nas fotografias está também na casa que divide com Adriana, sua mulher há 35 anos e também fotógrafa. Ele define o lugar como uma “grande bagunça artística”, entre livros de arte, papéis, objetos e presentes. E fotos, muitas fotos. “A minha casa é história. Cada detalhe me faz lembrar de um pedaço da minha vida”, revela o pai de cinco filhos.

Tango, 1988

Na década de 1970, ele ganhou espaço na moda e na publicidade, colaborou com a Editora Abril e com revistas como Fairplay, Homem e Playboy. Incorporou granulação, movimento e imperfeições e fez do corpo um tema recorrente. “Sempre busquei inspiração na anatomia humana, preservando a dignidade das mulheres, que foram, e continuam sendo, minha maior fonte criativa”, conta. Foi nos Estados Unidos que conheceu Pelé. “Ficamos bem próximos e ele disse que eu poderia procurá-lo quando precisasse. Eu perguntei se poderia ligar quando tivesse uma ideia. E ela veio anos depois”, conta. Em 2005, fotografou o jogador de olhos fechados, abraçado a uma bola, recentemente arrematada por R$ 640 mil em um leilão beneficente. “O analógico, através do negativo, quase rouba a alma do retratado”, afirma.

É desse acervo que sairá a exposição de 2027, com curadoria de Rubens Fernandes Junior e título provisório de Fragmentos de uma vida. “Eu conto histórias ao longo desses sessenta anos. Tenho orgulho de ter me dedicado tanto à fotografia, de uma forma apaixonada, e você vê isso quando olha para o meu trabalho”, celebra. Entretanto, a retrospectiva não é uma aposentadoria. Aos 77 anos, ele diz que as ideias continuam aparecendo. “Minha mente é inquieta”, revela. No laboratório do Rio de Janeiro, ainda adolescente, Tripolli encontrou na fotografia uma maneira de imprimir aquilo que dizia enxergar e os outros não viam. Seis décadas depois, essas imagens atravessaram revistas, livros, museus e gerações, enquanto ele continua pensando nas próximas. Quando olha para o caminho já percorrido, porém, a resposta é simples: “É tão gratificante um profissional olhar para sua história e ver que cumpriu o que se propôs a fazer. Eu poderia dizer para você: sou um felizardo”. @tripollifotografo

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MOSTRA

BRASIL em VENEZA

NA 61ª EDIÇÃO DA BIENAL DE VENEZA, ARTISTAS BRASILEIROS INTEGRAM A MOSTRA PRINCIPAL, ENQUANTO O PAVILHÃO NACIONAL REÚNE AS TRAJETÓRIAS DE ROSANA PAULINO E ADRIANA VAREJÃO, COM CURADORIA DE DIANE LIMA

Por Roberta Pinheiro

Foto: Isabella Matheus

Quase um século depois de um artista brasileiro participar pela primeira vez da Bienal de Arte de Veneza, em 1928, o Brasil chega nesta 61ª edição em momento importante na trajetória da mais antiga mostra internacional de arte do mundo. Se, ao longo dessas décadas, o Brasil conquistou um pavilhão próprio e, em 2024, viu o brasileiro Adriano Pedrosa tornar-se o primeiro latino-americano a assumir a curadoria da Bienal, a presença do País segue reafirmando sua relevância no cenário artístico internacional. Nesta edição, três artistas brasileiros integram a mostra principal, enquanto o pavilhão nacional condensa mais de três décadas da produção de Rosana Paulino e Adriana Varejão, sob a curadoria de Diane Lima.

Tecelãs, Rosana Paulino (2023)

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Realizado pela Fundação Bienal de São Paulo em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, o Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia reúne, em diálogo inédito, a trajetória de duas artistas consolidadas nos cenários nacional e internacional. Intitulada Comigo Ninguém Pode, a exposição apresenta, entre produções históricas e inéditas, pinturas, esculturas e desenhos em uma abordagem instalativa. Adriana Varejão Foto: Igor Furtado/Fundação Bienal de São Paulo


Foto: Marco Zorzanello

Fotos: Vicente de Mello

Foto: EstúdioEmObra

Parede com incisões à la Fontana, Adriana Varejão (2011)

Monocromo maragopinho, Adriana Varejão (2025)

Ninfa tecendo o casulo, Rosana Paulino (2008)

“Acredito que o Brasil verá a si mesmo como um reflexo e uma sombra no espelho, um autorretrato pintado com conversas sobre a carne, a natureza e a fé”, afirma Lima em comunicado de imprensa. De Mundo Novo, na Bahia, ela é a primeira mulher negra a assumir a curadoria do pavilhão brasileiro em Veneza. Entre outros trabalhos, foi parte do coletivo curatorial de Coreografias do Impossível, a 35ª Bienal de São Paulo, em 2023, e, atualmente, assina a curadoria do 39º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo. As duas revisitam o mesmo passado colonial brasileiro, mas com lentes e perspectivas diferentes. Paulino volta-se para o corpo da mulher negra, historicamente silenciado, enquanto Varejão recorre ao barroco e à própria materialidade para refletir sobre o mito da identidade nacional e o legado da colonização portuguesa. É justamente nesse território de diferenças e convergências que, conforme a proposta de Lima, as obras se encontram: entre sobreposições, tensionamentos e aproximações simbólicas, cromáticas, matéricas e iconográficas. Rosana Paulino Foto: Igor Furtado/Fundação Bienal de São Paulo

Anjo encarnado, Adriana Varejão (2025)

É em um pavilhão modernista recém-reformado, projetado por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral, que as três mulheres semeiam o que Lima nomeou de Comigo Ninguém Pode. O título faz referência à planta homônima que carrega uma natureza ambivalente: associada tanto à proteção e à resiliência quanto à cura e à toxicidade.

TONS MENORES Essa “única voz” de Diane Lima, Adriana Varejão e Rosana Paulino encontra ressonância na proposta curatorial de Koyo Kouoh, curadora camaronesa-suíça e primeira mulher negra africana a assumir a direção artística da Bienal de Veneza. Kouoh, no entanto, morreu em maio de 2025, um ano antes da abertura da exposição, surpreendida por um câncer, e não chegou a ver seu projeto curatorial materializado. Intitulada In Minor Keys, a proposta foi levada adiante pela equipe de curadores reunida por Kouoh: Gabe Beckhurst Feijoo, Marie Helene Pereira, Rasha Salti, Siddhartha Mitter e Rory Tsapayi. 109


Fotos: Rafa Jacinto / Fundação Bienal de São Paulo

@labiennale

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Foto: EstúdioEmObra Foto: Luca Zambelli Bais

Ayrson Heráclito, por sua vez, lança mão de um material inscrito no vocabulário modernista, o aço, para moldar esculturas que traduzem formalmente a presença dos orixás, evocando a força e a energia das divindades afro-brasileiras. Já Dan Lie apresenta a instalação Temple of Passages (2026), composta por arranjos florais suspensos que fazem do tempo e da transformação da matéria o centro da obra.

Búfala, Rosana Paulino [2019]

Foto: Rafa Jacinto / Fundação Bienal de São Paulo

Ao todo, mais de cem participantes integram a mostra principal, entre artistas individuais, duplas colaborativas, coletivos e organizações lideradas por artistas. Nessa lista, estão três brasileiros: Eustáquio Neves, Ayrson Heráclito e Dan Lie. O primeiro apresenta 14 trabalhos de duas de suas séries mais célebres: Arturos (1992-1993) e Cartas ao Mar (2015). Expostas em paredes de um azul profundo, as obras evocam memórias soterradas em um histórico processo de apagamento, a partir de diferentes processos de manipulação e sobreposição fotográfica.

Foto: Marco Zorzanello

Em um dos textos que escreveu sobre o projeto, ela explica o convite que fazia ao público: “Para mudar para uma marcha mais lenta e sintonizar-se com as frequências dos tons menores. Porque, embora muitas vezes perdida na cacofonia ansiosa do caos atual que assola o mundo, a música continua. As canções daqueles que produzem beleza apesar da tragédia, as melodias dos fugitivos que se recuperam das ruínas, as harmonias daqueles que curam feridas e mundos”.

Ephemeral temple for decaying beings, Dan Lie (2026)


PINT U RA

Feitas à

MÃO

Foto: Lapin Fotografia

ENTRE AS CARTAS DEIXADAS PELO AVÔ PIONEIRO E AS IMAGENS DOS CANDANGOS, PAULA CALDERÓN ENCONTRA MATÉRIA PARA REVISITAR A CONSTRUÇÃO DE BRASÍLIA. AGORA, UMA DE SUAS PINTURAS PASSA A INTEGRAR O ACERVO PERMANENTE DO ITAMARATY

Por Roberta Pinheiro Fotos Rayra Paiva

Na obra Construção do Itamaraty, de Paula Calderón, os arcos da sede do Ministério das Relações Exteriores ganham tons de rosa e um contorno futurista. O monumento projetado por Oscar Niemeyer, inaugurado em 1970, é recriado pelo olhar da artista em uma composição que remete ao imaginário que deu origem a Brasília. Mas, em meio à imponência da arquitetura, Calderón insere uma presença que parece fincar aquela construção no chão: os candangos. De costas para o visitante, eles não posam para o olhar de quem observa a tela, mas contemplam o resultado de um trabalho árduo. Sem nomes ou rostos que os individualizem, tornam-se representação de tantos trabalhadores que ajudaram a transformar em realidade o projeto da nova capital. São eles que dão corpo à cidade futurista. Em maio deste ano, o trabalho passou a integrar permanentemente o acervo artístico e histórico 112


do Itamaraty, ao lado de importantes nomes da arte brasileira e internacional. Brasiliense, nascida em 1992, Paula Calderón morou muitos anos no estado do Rio de Janeiro. Engenheira mecânica por formação, viu sua arte florescer ao voltar para a capital da República, onde hoje vive e trabalha. “E eu me sinto em casa aqui. Então, eu acho que tem essa questão de entender por que que eu faço parte desse espaço, as nossas raízes”, conta Calderón, que majoritariamente trabalha com pintura. A oportunidade de pintar e doar uma obra para o acervo do Itamaraty surgiu como um desdobramento de uma exposição independente realizada em 2025 no Espaço Cultural Renato Russo, com curadoria de Ralph Gehre. A Construção reuniu uma série de pinturas que exploram a origem da capital, mesclando memórias familiares, fotografias históricas e invenções cromáticas. Entre fotografias, leituras, documentários e outras referências, Calderón se deparou com um detalhe que acabaria se tornando central na obra: as mãos dos candangos. Embora guindastes, máquinas e equipamentos fizessem parte daquela rotina, havia algo que o maquinário não substituía. “Era tudo feito com as mãos”, destaca. A dimensão humana ganha, então, protagonismo na tela. “Eles (a equipe do Itamaraty) queriam falar, nas visitas guiadas, sobre o processo e não da construção específica do prédio, mas dos trabalhadores mesmo. Então, para mim, é muito bom ter a minha arte participando e fomentando esses diálogos sobre quem estava aqui, porque nem todo mundo lembra delas”.

REGISTROS DE UMA ÉPOCA Nessa sequência sobre a construção de Brasília, há apenas um personagem que tem nome e sobrenome: Augusto Calderón. Na pintura que ilustra o livro Poeira Dourada, ele caminha na direção do leitor, sobre a arquitetura branca de Niemeyer, entre o chão terroso e o céu azul do Cerrado. Augusto, no entanto, não é um personagem qualquer: é o avô da artista, pioneiro que acompanhou a construção da nova capital e deixou registradas, em cartas, cenas do cotidiano de uma cidade que se erguia em ritmo acelerado. Por muito tempo, as cartas permaneceram com a destinatária: uma amiga de infância de Augusto. Quando ele completou oitenta anos, ela decidiu

devolvê-las ao remetente. Anos depois da morte do pioneiro, a família publicou o material por ocasião da exposição da neta, que encontrou naquelas páginas inspirações que ajudaram a dar forma à sua obra. “Ele conta da vida dele, mas conta da vida dos outros que estavam ali, do restaurante que pegou fogo, do massacre. Ele narra aquela vida que estava acontecendo”, descreve. “Foi um momento muito difícil, mas, ao mesmo tempo, muita gente que estava aqui sabia da importância do que estava sendo feito. E não só para a cidade, mas para o Brasil”, completa.

CARTAS PARA BRASÍLIA Dos escritos do pioneiro às telas da neta, processos de criação vão se sobrepondo. Seja para pintar a construção de Brasília, seja para retratar o Cerrado e suas paisagens, Calderón mergulha em pesquisas que partem, sobretudo, de sua presença no espaço. Sem rascunhos, as composições nascem diretamente na tela, afinal, pintar é a sua parte favorita do processo. As cores também são construídas ali. Enquanto Augusto conversava com o papel, Paula conversa com a tela, esse organismo vivo, como descreve. Ele traduzia em palavras o que via e vivia; ela pinta o que lê, pesquisa e observa. Cada um, à sua maneira, escreve suas próprias cartas, feitas à mão e carregadas de memórias, como o trabalho dos candangos que a artista escolheu retratar. @paulacalderon.arte

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TE AT RO

Foto: Divulgação

Diante de PAULO GUSTAVO COM O PRIMEIRO PROTAGONISMO DA CARREIRA, JOÃO PEDRO CHASELIOV INTERPRETA O HUMORISTA DOS 16 AOS 42 ANOS EM MEU FILHO É UM MUSICAL. EM CENA, PROCURA A MEDIDA ENTRE UMA FIGURA QUE O BRASIL RECONHECE E A SUA PRÓPRIA INTERPRETAÇÃO

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Por Marcella Oliveira

Na primeira vez em que João Pedro Chaseliov precisou interpretar Paulo Gustavo diante de uma banca, havia uma pessoa especialmente difícil de ignorar sentada à sua frente: Dona Déa. Era a primeira audição presencial para Meu Filho É Um Musical, e a mãe que o humorista levou para os palcos e para o cinema agora assistia a um ator de vinte anos tentar encontrar alguma coisa de seu filho em uma sala de testes. Juliana Amaral, irmã de Paulo e diretora do espetáculo, também estava ali, assim como amigos e profissionais que conviveram com o saudoso ator.


Meses depois, aquele teste daria a João o primeiro protagonista da carreira. Hoje com 21 anos, interpreta Paulo Gustavo dos 16 aos 42 anos na produção que estreou no Rio de Janeiro em maio e chegou a São Paulo em agosto, onde fica em cartaz até outubro. Divide o papel com Pierre Baitelli, de 42 anos, ator que, curiosamente, já havia interpretado seu pai em outra montagem. O desafio estava menos em reproduzir uma figura tão conhecida do público do que em descobrir como levá-la ao palco sem transformá-la em imitação. Durante as audições, João mergulhou em entrevistas e registros de Paulo Gustavo procurando menos os personagens e mais o homem fora deles: como falava sobre si, como se apresentava aos amigos, quais gestos e maneiras permaneciam quando não estava interpretando Dona Hermínia ou qualquer outra criação. A voz, o ritmo da fala, as expressões e a maneira de ocupar o corpo formavam aquilo que João chama de um “sotaque Paulo Gustavo”, reconhecível para uma geração que acompanhou o humorista de perto. “Meu objetivo não é imitar o Paulo, mas atingir a energia dele em cima do palco com um pouco do João Pedro também”, explica.

A COMÉDIA ESTAVA EM CASA Foi durante a pandemia, longe dos palcos, que a comédia ganhou outro espaço. Começou a publicar esquetes no TikTok e no Instagram e encontrou dentro de casa sua melhor personagem: a mãe. Primeiro, dublou os áudios que ela mandava; depois, passou a imitá-la. “Nesse processo, descobri essa mina de ouro que é a minha mãe”, brinca. O paralelo com Paulo Gustavo surgiria antes mesmo do musical. Seguidores identificaram semelhanças entre os dois e, quando as audições para Meu Filho É Um Musical foram abertas, começaram a marcar João nas publicações. Paulo já era uma referência para ele. “Ele mudou a nossa forma de ver a comédia”, afirma. Ainda assim, João se considerava jovem demais para o papel e quase não tentou. Foi a mãe quem insistiu para que enviasse o material. Ser escolhido trouxe também uma responsabilidade que ultrapassa as exigências técnicas do papel. “Paulo Gustavo morreu em 2021 e está muito vivo no imaginário das pessoas. Todo mundo sentiu essa perda. É um buraco que a gente tem na nossa comédia”, analisa. “Meu estudo foi como artista e fã”, completa.

A relação de João com o palco começou cedo. Aos três anos, foi com a família assistir a A Noviça Rebelde, musical do qual sua tia-avó, a atriz Ada Chaseliov, fazia parte. Durante as três horas de espetáculo, ficou hipnotizado. Depois veio o CD, presente da tia, ouvido repetidamente em casa, e novas idas ao teatro. “Fiquei obcecado”, resume.

A rotina do espetáculo ajuda a dimensionar o desafio. João canta, dança, fala, pula e sustenta a energia de um personagem que descreve como “220 o tempo inteiro”. O trabalho exige cuidados constantes com voz e corpo e chegou a mudar sua aparência: ele raspou a cabeça para o papel. “Eu vivo isso 24 horas por dia”, diz.

Nascido no Rio de Janeiro e criado em Petrópolis, João cresceu cercado por teatro, cinema, música e livros. Nos fins de semana, as viagens ao Rio frequentemente incluíam alguma peça, muitas delas com a tia-avó no elenco. Assistir, porém, não bastava. “Em casa, eu inventava meus próprios espetáculos e fazia até ingressos para a minha mãe usar para me assitir”, conta. Aos dez anos, entrou para O Tablado.

Ainda não há uma turnê nacional confirmada, embora João não esconda a vontade de levar o espetáculo a outras cidades. Por enquanto, ele segue diante do personagem que quase não tentou interpretar e da mulher que estava sentada à sua frente naquela primeira audição presencial. Hoje, João e Dona Déa dividem o palco e, em uma das cenas, cantam juntos. “Subir ao palco pela primeira vez com ela foi uma emoção gigante. Ela é uma potência, tem uma força inexplicável”, conta. Aos 21 anos, João continua procurando, a cada sessão, a medida entre o Paulo Gustavo que todos esperam reconhecer e aquele que ele aprendeu a encontrar dentro de si quando entra em cena.

Anos depois, João estaria do outro lado de uma história que havia começado naquela plateia. Entrou para o elenco de A Noviça Rebelde como Friedrich von Trapp. A música também permaneceu presente em sua formação. Estudou teatro musical, participou de montagens e, em 2019, levou This Is Me, de O Rei do Show, para as audições do The Voice Kids, no qual entrou para o time de Cláudia Leitte.

@joaopedrochaseliov @meufilhoeummusical

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G A S T RO N O M I A

LUIZ FILIPE SOUZA LEVOU O EVVAI ÀS TRÊS ESTRELAS MICHELIN COM COZINHA QUE APROXIMA REFERÊNCIAS ITALIANAS E BRASILEIRAS. UMA EXPERIÊNCIA EM QUE TÉCNICA, ARTE E PRECISÃO DIVIDEM ESPAÇO COM A HISTÓRIA QUE INICIOU MUITO ANTES DE QUALQUER RECONHECIMENTO

COZINHA Por Marcella Oliveira Fotos Tadeu Brunelli

Na cozinha do Evvai, em São Paulo, um pequeno aviso luminoso informa: “Chef on”. Luiz Filipe Souza está na casa. Não seria preciso o letreiro para perceber. De frente à cozinha aberta para o salão, ele acompanha o movimento com um olhar compenetrado. Um prato começa a ser finalizado, outro está pronto para sair, alguém da equipe recebe uma orientação. 116

teatral

Cada profissional conhece sua função e o conjunto tem a precisão de uma orquestra que ensaiou muitas vezes. Em determinado momento, ele atravessa o balcão e assume uma das posições na cozinha. O Evvai tem apenas 14 mesas, divididas em dois ambientes, com uma capacidade máxima para cerca de 60 pessoas. O cliente é chamado pelo nome. A trilha sonora também tem dedo do chef, assim como a decoração e as cores.


A luz incide diretamente sobre as louças brancas na mesa, deixando as cores para a comida. Pouco antes de cada uma das 15 etapas do menu degustação, integrantes da equipe esperam, em silêncio, a deixa para entrar em cena. Há algo de teatral nesse movimento, sem que o serviço se transforme em encenação. Como atores na coxia, sabem o momento de entrar, a narrativa de cada prato e onde precisam estar. Durante cerca de duas horas e meia, cozinha e salão respeitam o mesmo ritmo, e Luiz Filipe parece acompanhar os dois lados ao mesmo tempo, como quem escuta duas conversas sem perder nenhuma. Foi essa precisão, em 2026, que levou o Evvai a se tornar um dos primeiros restaurantes latino-americanos a receber a terceira estrela do Guia Michelin. “Todos os clientes recebem o nosso melhor. Quem está ali pode ter viajado para conhecer a casa, economizado para aquela experiência ou escolhido o restaurante para um momento importante”, diz. “É nisso que penso quando cobro precisão”, completa. A frase revela algo que a coreografia impecável do Evvai talvez não conte sozinha. Para Luiz Filipe, cozinhar começou justamente pela pessoa sentada do outro lado da mesa.

formação feita de técnica, repetição, erro e observação. “Esse último passo é essencial para encontrar uma cozinha sua”, afirma. Encontrou a dele no Evvai, que assumiu aos 28 anos. Nem restaurante nem chef chegaram prontos ao formato atual. A proposta inicialmente mais casual ganhou complexidade enquanto ele desenvolvia uma linguagem própria. “Eu tenho o repertório italiano, mas estou diante de ingredientes, hábitos, climas e memórias brasileiras. Tudo isso participa da criação”, explica. Um dos melhores exemplos é o rigatoni de pupunha com açaí e amêndoas, em que o palmito assume a estrutura da massa. É o prato que Luiz Filipe escolheria, hoje, para explicar sua cozinha a quem ainda não conhece: “Ele concentra muito do que me interessa: ingrediente brasileiro, repertório italiano e investigação técnica”.

ANTES DAS ESTRELAS A cozinha apareceu na adolescência, em um período difícil, quando morava com o pai, que estava doente. “Comecei a cozinhar coisas de que gostávamos, procurando criar bons momentos juntos. Ainda não pensava nisso como profissão”, revela, lembrando de quando estudava Administração e estagiava em um banco. Foi depois da morte do pai que começou a questionar esse caminho, e as lembranças dos dois à mesa pesaram na decisão. “Percebi o quanto uma refeição pode mudar a maneira como duas pessoas se relacionam”, diz. Quando decidiu estudar gastronomia, ouviu da mãe que teria de trabalhar na área. Foi parar no Fasano, sob o comando de Salvatore Loi, e o início esteve bem distante do glamour associado, hoje, ao seu nome. Quando surgiu uma vaga na pia, pediu para ocupá-la. Vieram outras cozinhas, a passagem pelo Reale Casadonna, de Niko Romito, na Itália, e uma 117


O BRASIL À MESA O menu único do restaurante fica por cerca de seis meses – o atual é o Oriundi. A brasilidade vai se revelando a cada etapa. Está na pupunha e no açaí, no tucupi que encontra o bacalhau, na mandioca acompanhada de manteiga de maracujá e mel de abelhas nativas, no sururu, no quiabo e na castanha-do-Brasil. A narrativa começa antes da primeira garfada. Cada etapa chega acompanhada por um cartão ilustrado pelo próprio Luiz Filipe. De um lado, o desenho; do outro, um pequeno texto com uma narrativa breve sobre o prato, uma pista do que está por vir, sem retirar do cliente o prazer da descoberta. Há uma memória afetiva nesse gesto. Luiz Filipe desenha desde antes de cozinhar profissionalmente e lembra das horas em que o avô se sentava com ele para ensiná-lo. “Gosto desse encontro entre comida, desenho e narrativa. Há espaço para humor, surpresa e imaginação dentro de um restaurante de alta gastronomia”, conta. O resultado da experiência tem algo de espetáculo, mas os bastidores nunca desaparecem. Na cozinha, um pequeno canto guarda objetos e presentes acumulados ao longo dos anos: um boneco do chef, outro do Michelin, personagens da Disney e, na parede ao lado, a placa das três estrelas. A composição é quase acidental e resume quem é Luiz Filipe: de um lado, o reconhecimento que o colocou em uma posição inédita na gastronomia latino-americana; do outro, lembranças de uma trajetória que continua sendo construída por pessoas. 118

Não por acaso, quando fala da terceira estrela, Luiz Filipe desloca rapidamente o foco de si mesmo. “Chef só é chef pela equipe que tem”. O reconhecimento mudou a forma como o mundo olha para o Evvai, mas ele trata como conquista coletiva, a mesma lógica que o levou a assumir a presidência do Bocuse d’Or Brasil, competição que disputou em Lyon em 2019, hoje uma forma de abrir espaço para outros cozinheiros. No fim, a história retorna à primeira mesa. Ao ser questionado qual prato apresentaria ao pai, ele afirma: “lembro do carré de cordeiro de que ele gostava e que eu preparava naquela época. Seria muito especial poder sentá-lo à mesa e mostrar até onde aquela relação com a cozinha me levou”, diz. No Evvai, perto daquele “Chef On” que anuncia a presença de Luiz Filipe, outro luminoso diz: “O melhor lugar do mundo é aqui”. Depois de conhecer sua história, a frase deixa de parecer decoração. Foi ao redor de uma mesa, cozinhando para o pai, que ele encontrou uma forma de estar mais perto de alguém que amava. Décadas depois, é ainda ao redor da mesa que seu trabalho acontece, agora cercado por uma equipe, 14 mesas e três estrelas Michelin. A mesa mudou de tamanho. O que se busca nela, não. @luizfilipe @evvai_sp


DRI

dicas da / Adriana Nasser @derolhaemrolha

VINHOS ANCESTRAIS A Askaneli, uma das mais renomadas vinícolas da Geórgia, anuncia a chegada de novos rótulos e novas safras ao mercado brasileiro. Considerado berço da vitivinicultura, o local tem mais de oito mil anos de história. Entre as novidades estão os vinhos doces Vale de Alazani Branco e o Kindzmarauli. Completam a lista os espumantes Askaneli Brut e Rosé, o vinho rosé Askaneli Saperavi e os tintos Mukuzani e Askaneli Saperavi. A curadoria dos rótulos é assinada por André e Karla Baader, especialistas em vinhos georgianos. A importação é da Ancestral Wine. www.ancestralwine.com.br @ancestralwine

FEUDI SALENTINI NO BRASIL A Inovini, divisão de vinhos da Aurora Fine Brands, ampliou seu portfólio italiano com a chegada da Feudi Salentini ao Brasil. Produzida pela centenária vinícola Varvaglione, fundada em 1921, a marca desembarca pela primeira vez no mercado nacional com rótulos da Puglia, região de forte presença entre os vinhos italianos consumidos pelos brasileiros. A produção valoriza uvas nativas, com atenção especial à Primitivo, variedade símbolo da região e uma das preferidas do consumidor brasileiro. A estreia reúne cinco rótulos de diferentes estilos: 125 Primitivo Salento IGP; 125 Malvasia Bianca Salento IGP; Sassirossi Primitivo di Manduria DOP; Gocce Primitivo di Manduria DOP; Olivia Chardonnay Puglia IGP. @inovinivinhos

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CHÁ GUASPARI

GARBO NO QUADRADINHO Brasília ganha mais uma opção para quem gosta de descobrir novos nomes do vinho brasileiro. A Garbo Enologia Criativa, vinícola gaúcha criada em 2015 pelos enólogos e amigos Andrei Bellé, Guilherme Caio e Jhonatan Marini, chega ao mercado brasiliense. Com sede em Bento Gonçalves, nos Caminhos de Pedra, a marca trabalha a partir do conceito de Enologia Criativa, explorando blends autorais, castas menos conhecidas, releituras de uvas clássicas e diferentes madeiras na elaboração. Entre os rótulos estão Duo, Cherry Bomb, Ripazzo e Imperial, que ajudam a traduzir o perfil experimental da casa. A chegada à capital amplia o espaço de uma nova geração de produtores brasileiros no cenário enogastronômico da cidade. A distribuição em Brasília fica a cargo da WM Vinhos. @@wmvinhos.com.br @garboenologiacriativa

A Guaspari celebrou o encerramento de mais uma vindima com o lançamento do Vinhas Camellia, chá elaborado com uvas Syrah cultivadas em seus vinhedos e cascas provenientes do processo de vinificação. O blend nasceu de uma parceria com a Infusiva, marca de chás e infusões botânicas que integra o Grupo Guaspari. Desenvolvido especialmente para o fim da colheita, o Vinhas Camellia – Edição Especial Vindima 2026 leva para outra bebida ingredientes e referências ligados à produção da vinícola. @vinicolaguaspari

CASTAS ÚNICAS Três castas portuguesas pouco conhecidas, recuperadas de vinhedos antigos do Dão, chegam ao Brasil reunidas em uma mesma coleção. Lançamento exclusivo da TDP Wines, o box Castas Únicas traz Vinha da Fidalga Uva Cão Dão DOC 2022, Vinha da Fidalga Arinto do Interior Dão DOC 2026 e Vinha da Fidalga Monvedro Dão DOC 2023. O projeto é da Lusovini, que desenvolveu um trabalho de preservação e recuperação de variedades encontradas em quantidades mínimas ou próximas do desaparecimento. A seleção está à venda por R$ 1.599, pelo telefone (48) 9170-1152. @tdp.wines

CHADWICK 25 ANOS A família Chadwick lançou um rótulo comemorativo para celebrar os 25 anos de um dos grandes nomes do vinho chileno. A safra 2023 corresponde à 25ª colheita e ganha uma edição especial de aniversário. Elaborado principalmente com Cabernet Sauvignon e uma pequena parcela de Petit Verdot, o vinho preserva as características que marcaram sua trajetória: estrutura, elegância, concentração e frescor, atributos associados ao terroir de Puente Alto. @vinedochadwick

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EXPLORA

/ Marcella Oliveira @marcella_oliveira marcellaoliveira@gmail.com

É difícil passar pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo, sem olhar para aquele grande arco invertido, recortado por enormes janelas circulares do Hotel Unique. Tenho especial interesse pelas histórias que os lugares contam e, depois de me hospedar ali, quis virar o Unique um pouco do avesso. Fui, inclusive, atrás do que Ruy Ohtake dizia sobre sua criação: “único, na sua concepção arquitetônica e referência urbanística”. E pensar que Jonas Siaulys, proprietário do Unique, chegou a pensar em construir um shopping no terreno. Acabou optando por um hotel independente, sem a bandeira de uma grande rede, que conquistaria seu próprio espaço na hotelaria brasileira. O arco desenhado por Ohtake tem cem metros de comprimento e 25 metros de altura. São seis andares, 86 apartamentos e janelas circulares italianas de 1,80 metro de diâmetro. É curioso como um elemento tão marcante visto da rua muda completamente quando estamos do outro lado. A janela que desenha a fachada passa a enquadrar São Paulo, quase como se Ohtake tivesse decidido também a moldura da vista. 122

Fotos: Divulgação

OAVESSO DO UNIQUE


À noite, subi ao Skye e encontrei ao vivo uma das imagens mais famosas do Unique. No alto do edifício, a piscina vermelha de 25 metros, projetada por Gilberto Elkis, domina a cobertura. Cercada pelas luzes de São Paulo, é hipnotizante. E, como eu já começava a desconfiar de que ali as coisas raramente terminam naquilo que os olhos mostram, descobri mais uma: há música também debaixo d’água. Virar o Unique do avesso foi descobrir que sua forma mais conhecida é também a parte mais fácil de enxergar. Por dentro, há uma coleção de histórias, referências e intenções que não se revelam todas de uma vez. É preciso entrar, circular, olhar uma, duas três vezes. E talvez seja justamente essa a graça de um lugar que, visto de fora, parece já contar tudo. A fachada entrega o gesto de Ohtake de uma só vez. O restante não tem a mesma pressa. Vai aparecendo na luz, nos objetos, na música, nas histórias que se escondem atrás de escolhas aparentemente estéticas. Depois de me hospedar ali, fiquei com a impressão de que o Unique tem uma arquitetura que chama atenção de longe, mas guarda suas melhores histórias para quem chega perto. @hotelunique

Ao sair do quarto, o Unique revela algumas escolhas menos evidentes. A primeira é a luz, ou a falta dela. Eu a senti especialmente nos elevadores. A escuridão ali foi projetada. Quando as portas se abrem, vem o contraste; nos corredores sinuosos, a luz natural atravessa as janelas circulares e acompanha as curvas da arquitetura. O mobiliário reúne assinaturas importantes do design brasileiro, como Jean Gillon, Sérgio Rodrigues e Zanine Caldas. Na biblioteca, entre mais de trezentos títulos de arte, fotografia e arquitetura, chama atenção o sofá Boa, dos irmãos Campana, uma daquelas peças que poderiam estar em um museu, com uma diferença bastante sedutora: podemos sentar. Ou, melhor, nos jogar. O bar no térreo se chama The Wall. Pink Floyd. Na cobertura, Skye. Skye Edwards, vocalista do Morcheeba. Por trás das escolhas está Jonas Siaulys, fã de rock e também responsável pela seleção musical do hotel. Aos poucos, fica claro que a música não foi escolhida apenas para preencher o silêncio dos ambientes. Ela revela um pouco de quem imaginou o lugar. 123


A RQ UI TET U RA

Modernismo

SUSPENSO

Por Marcella Oliveira

A

ntes mesmo de saber o nome do edifício, é possível reconhecê-lo. Para quem vem de Brasília, o gesto é imediato. A curva já denuncia: é Niemeyer. O edifício do Hotel Nacional Rio de Janeiro surge entre o mar e a montanha, capturando o olhar e reorganizando a paisagem ao redor.

Fotos: Divulgação

NO RIO DE JANEIRO, O HOTEL NACIONAL VOLTA A OCUPAR UM LUGAR CENTRAL NA VIDA DA CIDADE. PROJETADO POR OSCAR NIEMEYER E COM JARDINS DE BURLE MARX, O EDIFÍCIO REPOSICIONA-SE COMO ESPAÇO QUE REÚNE ARQUITETURA, CULTURA E EXPERIÊNCIA

Mais do que um ícone arquitetônico, o Hotel Nacional atravessa hoje um momento de reconfiguração de seu papel na cidade. Após um longo período fora de operação e um processo de recuperação estrutural que exigiu intervenções profundas, o empreendimento volta a ganhar relevância não apenas como hospedagem, mas como espaço de convivência. “Hoje, o ideal de modernidade está na experiência. Mantivemos a arquitetura como base, mas incorporamos tecnologia, serviços personalizados e uma hospitalidade mais fluida”, explica o gerente geral Maurício Júnior. A estratégia atual passa por reativar o fluxo cotidiano e ampliar o público, reposicionando o hotel como um endereço frequentado tanto por quem visita o Rio quanto por quem vive nele. “O hotel faz parte da história do Rio. Queremos trazer essa autenticidade aliada a uma curadoria contemporânea de experiências”, afirma Júnior. “A retomada passa por um equilíbrio entre preservação e atualização, sem descaracterizar o projeto original”, completa. Projetado por Oscar Niemeyer e com paisagismo de Roberto Burle Marx, o hotel sustenta uma ideia de Brasil construída a partir da integração entre 124

arquitetura, arte e paisagem. “É um privilégio termos uma estrutura projetada por Niemeyer com jardim de Burle Marx. Isso impacta diretamente um nicho de hóspedes do mundo inteiro, não só pela beleza, mas pela história e pelo cuidado em manter o projeto original”, diz. Do lado de fora, o jardim de Burle Marx mantém seu papel estruturante na relação entre edifício


No interior, os 413 quartos acompanham o desenho do edifício e se orientam para o entorno, evitando competir com a paisagem. Das janelas, é possível ver mar, montanha e cidade, cuja convivência harmônica contribui para a sensação de aconchego e conforto. No segundo piso, o Nacional Spa ocupa uma área de 220 m2 com vista para o jardim e o mar, oferecendo um portfólio de wellness.

PASSADO E FUTURO Localizado próximo ao Leblon, à Barra da Tijuca e a Ipanema, o hotel tem trabalhado para atrair moradores do Rio, além dos hóspedes. A gastronomia é uma das apostas. O Bar Carybé conta com um ambiente mais reservado, com coquetelaria autoral, enquanto o restaurante Sereia propõe uma cozinha leve, centrada no mar. Já o Masi se dedica à culinária japonesa, com foco em técnica e precisão. “Queremos ser o hotel das famílias no Rio, mas de famílias que valorizam arte, arquitetura e conforto com sofisticação”, reforça Júnior. O cuidado com a experiência das crianças aparece como parte dessa estratégia, não como um serviço isolado, mas como um elemento de fidelização. “Quando a criança se encanta, a família inteira volta”. e paisagem. A manutenção diária exige acompanhamento técnico rigoroso, com atenção à preservação do desenho original e à saúde das espécies. “Temos uma equipe dedicada diariamente, acompanhando cada detalhe, da saúde das plantas à preservação do desenho original”, garante o gerente geral. Para além da beleza arquitetônica, o hotel abriga um rico acervo. “Temos também obras de Carybé e Athos Bulcão. É um acervo vivo que atrai quem se interessa por arte, cultura e arquitetura”, conta o gerente geral. Essas obras integram a própria experiência de andar pelo hotel. No lobby, há um lustre de grandes proporções assinado por Pedro Correia que organiza o ambiente central, enquanto, ao longo do percurso, obras como a escultura Sereia, de Alfredo Ceschiatti, surgem de forma natural, sem mediação expositiva.

Durante seu período de maior efervescência, o Nacional consolidou-se como palco de eventos e encontros que marcaram a vida cultural do Rio. Recebeu em seus aposentos nomes como Liza Minnelli, Stevie Wonder, Ray Charles e Michael Jackson. Hoje, essa vocação começa a ser retomada, com a reativação de eventos e a reformulação de espaços como o teatro, um dos elementos mais emblemáticos do conjunto arquitetônico. Nesse novo momento, o Hotel Nacional não se apresenta como uma retomada nostálgica, mas como uma reocupação consistente de seu lugar na cidade. Ao articular arquitetura, arte, serviços e programação, o edifício volta a integrar o cotidiano do Rio de Janeiro, se reafirmando como espaço vivo. @hotelnacionalrio www.hotelnacionalriodejaneiro.com

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HOT E L A R I A

Zellige, madeira entalhada e ferro forjado

O pórtico de entrada

O Le Jardin, de Luis Vallejo

O MELHOR

hotel

DAÁFRICA

PROPRIEDADE DA FAMÍLIA REAL MARROQUINA, ROYAL MANSOUR MARRAKECH RECEBE PREMIAÇÃO MÁXIMA DO CONTINENTE E OCUPA A 26ª POSIÇÃO NO THE WORLD’S 50 BEST HOTELS 2026

Por Paula Santana

Não há quartos nem corredores. Atrás das muralhas da medina de Marrakech, 53 residências privativas, erguidas por 1,5 mil artesãos, formam o endereço que o rei do Marrocos idealizou como vitrine do País. No Les Salles du Carrousel, em Paris, o projeto recebeu o título de Melhor Hotel da África e o 26º lugar entre os cinquenta melhores do mundo, escolhidos por mais de oitocentos especialistas anônimos. O Mount Nelson, na Cidade do Cabo, em 34º, é o outro representante do continente. O Rosewood Hong Kong manteve o primeiro lugar. 126

ARQUITETURA Aberto em 2010, o hotel foi desenhado pelo escritório OBMI como uma medina dentro da medina, a poucos passos da praça Jemaa El Fna. Os artesãos trabalharam com zellige, tadelakt, madeira entalhada, gesso esculpido e ferro forjado. A solução central fica fora da vista: uma rede de túneis subterrâneos liga os riads e é usada apenas pelos funcionários. Serviço de quarto, arrumação e manutenção circulam por baixo da terra, e o hóspede não cruza com a equipe nas alamedas.


Sesamo, de Massimiliano Alajmo

ÁREA COMUM

SPA

A chegada se dá por uma alameda privativa ladeada por oliveiras centenárias, que termina em portões de bronze. Depois deles, um pórtico revestido em mosaico abriga uma fonte rebaixada, cuja água percorre as áreas comuns.

São 2,5 mil m2 em três níveis, com entrada pelo jardim de cítricos. O átrio tem estrutura em ferro trabalhado e uma fonte de mármore branco no centro. Os rituais usam argila ghassoul e lavanda, açafrão e mel de flor de laranjeira, rosa e argan.

RIADS

RESTAURANTES

Os 53 riads têm de 140 a 1.800 m2, em cinco categorias e vários níveis. Cada um tem pátio com fonte no térreo, com cobertura de vidro retrátil, e terraço com piscina de imersão revestida em zellige na cobertura. O maior, o Grand Riad, tem entrada própria, academia, hammam, sala de cinema e cozinha profissional com chefs à disposição.

São quatro restaurantes. Hélène Darroze comanda La Grande Table Marocaine, dedicada à cozinha marroquina (tagine, pastilla, couscous), e La Grande Brasserie, com serviço à francesa. O italiano Massimiliano Alajmo assina o Sesamo, com salão veneziano de lustres de Murano e o risoto cappuccino Majorelle no cardápio.

JARDINS Alamedas de jasmim, palmeiras e laranjeiras ligam os riads, os pátios e as fontes. O Le Jardin foi projetado pelo paisagista espanhol Luis Vallejo.

EXPERIÊNCIAS

PISCINA

A programação inclui passeios pelos souks em sidecar, visitas guiadas à Koutoubia, ao Palácio Bahia e ao Jardin Majorelle, sessões de arteterapia no Art Studio e aulas na escola de culinária do hotel.

A piscina externa possui espreguiçadeiras e pavilhões privativos. No spa, uma segunda piscina, coberta por teto de vidro, é cercada por laranjeiras.

Para Jean-Claude Messant, diretor da Royal Mansour Collection, o prêmio “reflete a paixão, a precisão e a dedicação” da equipe.

O átrio do spa

A piscina do spa

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S O C IA L

O DJ Gui Guerrero agita a inauguração Bruno De Luca, Graziela Maria, Gláucia Ferrer, Paula Santana, Simone Maria e Isabella Maria

BOAS-VINDAS Diomedio Santos e Margot Albuquerque

Brasília ganhou um centro de compras com a chegada do Partage Mall, no Lago Sul. O novo shopping se destaca por fugir do modelo tradicional. Em formato open mall, possui área de 44.405m2 e mix de 131 lojas, totalmente integrado à natureza. Com mailing assinado pelo quarteto Tiago Correia, Flay leite, Marcelo Chaves e Bruno De Luca, o lançamento contou com a presença de 2,5 mil convidados entre autoridades, empresários e líderes de opinião. Todos foram recebidos pelo superintendente do Partage, Ednaldo Souza Jr., e pelo diretor de Marketing, Marcelo Miranda. Com a presença do CEO da Inframerica Brasil, Jorge Arruda. A trilha sonora ficou por conta do projeto Sinc e dos DJs Martin e Gui Gerrero, e enquanto passeavam pelas dependências do shopping, os convidados degustaram as delícias da Sweet Cake e do confeiteiro Adeyec Borges. A abertura foi conduzida pela ex-modelo Fernanda Motta. Fotos: Rayra Paiva e Vanessa Castro

Rejane Inneco e Ana Claudia Carneiro

Soraia Debs e Paula Gontijo

Pedro Piquet e Bella Salvati

Roberto Souza Aranha e Roberto Souza Aranha Filho Karen e Roberta Curi

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Othon Lopes, Jacques Veloso e Leonardo Queiroz

Ednaldo Souza Jr. Maria da Graça Miziara, Luiz Antônio Reis, Duda Almeida, Rosilda Brito e Romero Jucá

Georgia e Luiz De Luca

Lilian Lima e Bruna Slaviero

Lucia Bittar, Adriana Lopes e Márcia Bittar

Carol Kalil, Margarida Kalil e Ronaldo Posada

Flay Leite Lira e Eduardo Lira

Rafael Vaz e Marcela Vaz

Talita Matosinhos e Mayara Noronha

Leo Avila e Matheus Santana

Bertha Pellegrino

Alexandre Patury e Mauro Oliveira

Tiago Correia e Karine Lima Aline Castelo

Melissa e Ana Maria Gontijo

Maíra Garcia e Giovanna Piquet Miguel Pierre e Mariana Corrêa


S O C IA L

Pedro Dante, Asdrubal Júnior, Sérgio Leverdi, Wagner Ferreira e Luiz Eduardo Diniz

A desembargadora Maria do Carmo Cardoso conduz a palestra magna de abertura

DIÁLOGO E ESTRATÉGIA Magistrados, acadêmicos, agências reguladoras e especialistas do Judiciário e do setor de Energia estiveram presentes nos dois dias do encontro LAWINFRA Summit 2026, realizado no B Hotel. A abertura do evento se deu com o LEX Dinner, jantar tradicional que contou com palestra do ministro do TCU, Augusto Nardes e pocket show de Patrícia Medeiros. Ao longo dos dias seguintes, foram realizados painéis temáticos sobre Data Center, Transmissão e Armazenamento de energia. O encontro também contou com palestra magna da desembargadora Maria do Carmo Cardoso, presidente do TRF1 e paineis com os desembargadores Mônica Sifuentes, Newton Pereira Ramos e o juiz federal Antônio Cláudio Macedo. O encontro que reuniu 150 convidados teve a presença do CEO executivo financeiro de Itaipu Binacional, André Pepitone; do diretor-geral do ONS, Marcio Rea; e do diretor-geral da ANEEL, Sandoval Feitosa. A idealização tem assinatura do CEO da plataforma LAWINFRA, o advogado Sérgio Leverdi, presidente do Observatório Internacional da Justiça e da Arbitragem. Com realização da empresa R|PS Fotos: Celso Junior

A desembargadora recebe homenagem de Rafael Badra

Paula Santana e o juiz Antônio Cláudio Macedo

Mesa de autoridades no LEX Dinner

Sérgio Leverdi, CEO do LAWINFRA


O ministro do TCU, João Augusto Nardes

Marcio Rea

Sandoval Feitosa, Sérgio Leverdi e André Pepitone

Patricia Medeiros fez pocket show para receber os convidados no LEX Dinner

Desembargadores Newton Ramos e Mônica Sifuentes

Participantes debateram temas importantes da pauta de Energia

Sergio Leverdi e o diretor-geral do ONS, Marcio Rea

José Carlos Aleluia

Asdrubal Nascimento em entrevista para a CNBC


S O C IA L

O lançamento da clínica contou com apresentação musical de Jazz

Marcelo Urquidi, Talita Bilieiro, Ramon Warlley, Renata Esmeraldo e Frederico Bueno

Marcelo Urquidi, Renata Esmeraldo e Frederico Bueno

BRINDE À SAÚDE Elaine Oennig, Marcelo Urquidi, Jhonatan de Jesus, Frederico Bueno, Marcela Lasse e Renata Esmeraldo

Brasília ganhou um novo espaço dedicado ao cuidado integral da saúde com a chegada da Medcorpus. A clínica reúne diferentes especialidades em atuação coordenada, com foco no diagnóstico e no acompanhamento dos tratamentos. Para marcar a chegada à capital, o grupo, liderado por Frederico Bueno, Marcelo Urquidi e Renata Esmeraldo, reuniu convidados, pacientes e parceiros para a apresentação oficial da unidade, localizada no Setor de Clubes Esportivos Sul Fotos: Vanessa Castro

Karine Lima e os sócios da Medcorpus

Os sócios apresentam a Medcorpus

Luiz Carlos Peixoto, Renata Esmeraldo, Bia Kicis, Marcelo Urquidi e Frederico Bueno

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S O C IA L

Marco Aurélio Cunha e Karina Curi

Sylvinha e Mauro Lacerda com a aniversariante

A aniversariante

Marcelo Lourenço e Tati Mauriz

Eugênio Carvalho Filho, Eliane e Eugênio Carvalho

CELEBRAR A VIDA Tatiana Lacerda comemorou seu novo ciclo ao lado de trezentos convidados em sua nova casa. Valéria Leão Bittar assinou o décor, pensado para valorizar os espaços da residência. Para a noite, a aniversariante escolheu um vestido dourado com detalhes azuis, comprado durante uma recente viagem a Ibiza. A festa, sob coordenação de Tuller Lacerda, foi até altas horas com show do cantor Latino

Arthur Cardoso, Tati Lacerda e Isabela Lira

Fotos: Akemi Estúdio

Amanda Guerra e Sandro Covre

134

André Braga e Tati Lacerda

Andrea Cabrera, Marina Slaviero e Lilian Lima


Juliana Sabino cumprimenta Juliana Albuquerque

Vivianne Leão Piquet

Celso Junior e Paula Santana

Latino comandou a festa Eugênio e Tatiana Lacerda

Patrícia Justino Vaz

Adriana Chaves

Susan Neves e Bruno Mello

Gabi Constantino

Eduardo Lira e Flay Leite Lira

Raquel Jones, Bruna Slaviero e Rosa Mirah

Juliano Amorim e Duda Portella Amorim


S O C IA L

Antônio Carneiro acompanha a filha até o altar

O beijo apaixonado

SIM À FELICIDADE Antônio Carneiro, Joelma Carneiro, Júlia Seixas e Catarina Seixas posam com os noivos

Marcella Carneiro e Lauro Seixas abriram as portas de sua residência, no Lago Sul, para celebrar o casamento ao lado de trezentos convidados. A noiva escolheu um vestido de Lucas Anderi, com beleza assinada por Junior Mendes. Cristina Gomes esteve à frente do cerimonial, enquanto Valéria Bittar assinou a decoração. A noite teve ainda show do cantor Latino. Fotos: Celso Junior

136


O registro da captura do buquê

Flávia Nóbrega, Joelma Carneiro e Juliana Nóbrega

Cláudia Peres e Marcella Carneiro

Momentos antes do "sim"

Os pais da noiva curtem a festa

Marcella e Lauro com os pais da noiva

O noivo entra ao lado da mãe e da filha

Mariana, Flávia, Lúcia, Bruna e Luana Nóbrega

Os noivos


S O C IA L

A noiva se arruma para o grande dia

AMOR ETERNO Depois do sim, hora de comemorar

Júlia Moreira e Felipe Moitinho escolheram a Paróquia Sagrada Família, no Park Way, para celebrar o casamento diante de duzentos convidados. A noiva usou vestido de Paulo Araújo, acessórios Dora Thiago e beleza assinada por Ricardo Maia. Depois da cerimônia, a recepção foi realizada na Mansão dos Arcos, com cerimonial de Mayra Leiro. Com catering do Unique Buffet e bebidas da Mix Drinks, a festa ainda contou com o irmão da noiva, o DJ Du Morera no comando da pista de dança. Fotos: Celso Junior

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Nelma Moreira, Alexandre Moreira, Júlia Moreira, Felipe Moitinho, Maria Anita Moitinho e Gedson Vilela

O noivo entra ao lado da mãe, Maria Anita Moitinho

Decoração florida para a mesa de bolo e doces

A família Moreira em festa

Gabriela Franco Leitão, Júlia Moreira, Natália Marinho e Luiza Bulhões

Um clique com os amigos do casal

Júlia fez sua entrada ao lado dos pais

A noiva festeja com Laís Ferreira, Letícia François e Bruna Scotti

Detalhes do grande dia

Noivo e padrinhos se divertem

A animação de Júlia e Felipe

139


S O C IA L

ETERNAMENTE APAIXONADOS Foi em uma linda cerimônia na Paróquia Sagrada Família que os jovens Isabella Lim e Felipe Alves resolveram eternizar seus laços de amor, diante de 450 convidados. A noiva festejou seu grande dia usando um modelo Sandro Barros e após o “sim”, todos os convidados se dirigiram para a residência da família da noiva, local escolhido para a festa e que se transformou inteiramente para a celebração, graças ao décor de Valéria Leão Bittar. O menu da festa ficou aos cuidados da Sweet Cake e da tradicional Casa de Biscoitos Mineiros, com uma seleção especial de sobremesas. Para brindar o momento, o bar da festa foi comandado pela Mix Drinks. Fotos: Plínio Ricardo

Daminhas e pajens levam mais alegria para a cerimônia

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Os noivos e seus familiares festejam o enlace

Preparativos para o grande momento

Os pais da noiva se emocionam durante a cerimônia

Isabella faz sua entrada ao lado dos pais, Sonia e In Loon Lim Detalhes da decoração

A alegria do casal

O beijo para selar a união


Dior

Bottega Veneta

Balenciaga

NEW TOTE BAG

/ Último suspiro

Dolce&Gabbana

Ferragamo

Chanel


Imagem meramente ilustrativa.

¹Taxa 0% viabilizada pelo Banco Santander, mediante aprovação de crédito. Saldo em 24 parcelas fixas. ²IPVA isento pelo GDF, conforme Decreto Distrital nº 46.799/2025. Condições válidas até 15/10/2026 ou enquanto durar o estoque. Imagens meramente ilustrativas.

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