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Revista PARAR Fleet Review - 8ª edição

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DE GESTOR DE FROTA À GESTOR DE MOBILIDADE

8ª EDIÇÃO JUNHO 2016

NOVAS SOLUÇÕES DE MOBILIDADE PODEM GARANTIR MAIS SEGURANÇA, PRODUTIVIDADE E QUALIDADE DE VIDA AOS COLABORADORES ---

COMITIVA NAFA 2016

UMA DELEGAÇÃO DE BRASILEIROS NO MAIOR EVENTO DE GESTÃO DE FROTAS DO MUNDO

UM DIPLOMA DE CADA VEZ, UMA VIDA DE CADA VEZ

INSPIRADO NO MODELO DE NEGÓCIOS “ONE FOR ONE”, O PGF EXPANDE SUAS FRONTEIRAS ATRAVÉS DA DOAÇÃO DE CURSOS

Mulheres EQUILIBRISTAS COMO AS GESTORAS DE FROTA DO BRASIL FAZEM PARA CONCILIAR CARREIRA, FAMÍLIA E ASPIRAÇÕES PESSOAIS

FUI EU!

QUANDO O ERRO É ASSUMIDO E ENCARADO COMO OPORTUNIDADE DE APRENDIZADO.


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tips & cases ————

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08 24 HORAS DE CONTEÚDO INÉDITO

48 DR. CARLOS RESPONDE

14 ESQUEÇA A SI MESMO, VIVA SEU PROPÓSITO E PLANTE MAIS REPOLHOS

56 GESTÃO E INTEGRAÇÃO: UM CAMINHO SUSTENTÁVEL PARA A EFICÁCIA

PARAR On The Road passou por três capitais até o momento e reuniu mais de 450 gestores presencialmente.

Por Flavio Tavares, diretor de marketing e vendas da GolSat e PARAR Leader.

Por Carlos Tudisco, especialista em direito corporativo e gestão de frotas.

Por Sérgio Jábali, Gerente de Desenvolvimento e Inovação da GolSat.

66 GESTORES CONECTADOS

18 PARAR CONVOCA TIME DE MULTIPLICADORES

TOP FIVE dos assuntos mais debatidos pelos gestores de frota.

Gestores certificados pelo PGF são convidados a assumir uma posição de referência para compartilhar conhecimento e disseminar boas práticas.

34 COMITIVA NAFA 2016

Uma delegação de brasileiros no maior evento de gestão de frotas do mundo.

46 VEM AÍ: IV CONFERÊNCIA GLOBAL PARAR

Maior evento sobre gestão de mobilidade corporativa da América Latina será realizado nos dias 9 e 10 de novembro em São Paulo.

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50 TAKES

Confira os melhores momentos do PARAR On The Road do Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS).

68 SAVE THE DATE

Confira os principais destaques da agenda do PARAR e programe-se!

70 GESTOR COM HUMOR

Por Dorinho Bastos, cartunista e professor de comunicação da USP.

interview ————

38 UNIDOS PELO MESMO PROPÓSITO

Turma do PGF, exclusiva para profissionais da Alelo, teve 85% de aprovações e o primeiro 10 da história do curso.

62 CARROS SEGUROS E CARROS CONECTADOS

Como os avanços tecnológicos da indústria automotiva podem atribuir ainda mais segurança a motoristas, passageiros e pedestres.

66 PARAR IGNITE

Edição 8 | Junho de 2016

Conheça a startup Safe Ride Brasil (SRB) e sua solução para reduzir o número de vítimas do trânsito brasileiro.


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EXPEDIENTE >

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10 DE GESTOR DE FROTA À GESTOR DE MOBILIDADE

Confira como incluir novas soluções de mobilidade na organização pode garantir mais segurança, produtividade e qualidade de vida aos colaboradores.

22 TECNOLOGIA A FAVOR DA SEGURANÇA

O relato de uma visita à avançada área de segurança de uma das maiores montadoras do país.

MATÉRIA DE CAPA

26 MULHERES EQUILIBRISTAS

Como as gestoras de frota do Brasil fazem para conciliar carreira, família e aspirações pessoais.

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32 CONFERÊNCIA PARAR 2015: FAÇA A DIFERENÇA!

42 FUI EU!

40 UM DIPLOMA DE CADA VEZ, UMA VIDA DE CADA VEZ

60 OS SEGREDOS DOS BIDS QUE DÃO CERTO

Artigo de Kate Vigneau, diretora de desenvolvimento profissional da NAFA, publicado originalmente na revista canadense Fleet Digest.

Inspirado no modelo de negócios “One for One”, o Programa para Gestores de Frotas expande suas fronteiras através da doação de cursos.

zoom ————

Enquanto no mundo corporativo é comum vermos empresas que tratam o erro de forma punitiva, surge a proposta de inverter esse jogo.

Analisamos as melhores práticas de processos de compra reais oferecidos por algumas das maiores empresas do Brasil.

A PARAR Fleet Review Magazine é uma publicação do Instituto PARAR direcionada para administradores de frotas leves de pequenas, médias e grandes empresas. Publicação gratuita e veiculada por distribuição direta. Para recebê-la, associe-se em www.institutoparar.com.br Conselheiros Antonio Carlos Machado Junior, Dirceu Rodrigues Alves, Dorinho Bastos, Flavio Tavares, Gustavo Benegas, José Mauro Braz de Lima, Micael Duarte Costa, Milad Kalume Neto, Ricardo Imperatriz, Ricardo Makoto, Roberto Manzini e Rogério Nersissian. Coordenadora Executiva Renata Sahd Coordenadora de Comunicação Larissa Fernandes Coordenador de Criação Atos Plens Coordenador de Conteúdo Pedro Conte Jornalista Responsável Karina Constancio imprensa@institutoparar.com.br Fotografia Fabiano Panizzi, Marcelo Vallin e Mario Vicente Bonacin. Revisão Alessandra Angelo www.primaverarevisaodetextos.com Publicidade publicidade@institutoparar.com.br (43) 3315-9524 Projeto Gráfico e Diagramação Brand & Brand Comunicação www.brand.ppg.br Impressão e acabamento Idealiza www.idealizagraf.com.br nnn A Revista PARAR Fleet Review é uma publicação da empresa idealizadora do Instituto PARAR

20 “O GESTOR DEVE BUSCAR CONHECIMENTO PARA TRANSFORMAR”

David Zini, diretor comercial de gestão e terceirização de frotas da Ouro Verde, conta quais lições tirou dos mais de 20 anos de experiência em liderança e negócios.

54 DO OPERACIONAL AO ESTRATÉGICO

Como Evandro Silveira, gestor de frota da PESA, conseguiu atingir resultados mais sustentáveis, econômicos e seguros em sua operação.

www. institutoparar.com.br ------Idealizadora

www.golsat.com.br

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editorial

——— POR RICARDO IMPERATRIZ CEO GOLSAT | PARAR LEADER

É preciso ter coragem! U

ma das qualidades que mais admiro é a coragem. Se pensarmos nos grandes líderes e transformadores desse mundo, encontraremos essa característica em todos eles. São as pessoas corajosas que fazem a diferença. São aquelas capazes de arriscar e se aventurar por um caminho ainda incerto que transformam ideias em realidade. Que pegam seus sonhos e ideais e constroem um caminho de mudança. Pessoas capazes de sair da gaiola e voar.

Fico feliz quando faço uma retrospectiva desses últimos quatro anos de Instituto PARAR e vejo que tudo se iniciou com coragem. Quando falamos em construir um movimento para capacitar o gestor de frota e discutir a cultura de segurança dentro das organizações, muitos não acreditaram que isso fosse dar certo. Se tivéssemos escutado essas pessoas e não o desejo latente de mudança que nos inquietava, hoje não teríamos mais de 6 mil profissionais associados ao PARAR e milhares de pessoas impactadas por nossa causa. Gestores e parceiros que fazem do nosso propósito o deles e lutam diariamente para multiplicar boas práticas. Se tivéssemos ficado no campo dos conformados, não estaríamos aqui hoje. São os inconformados que movem o mundo. Gostaria que você não se esquecesse disso. Sei que a rotina de um gestor de frota não é nada fácil. São muitos desafios todos os dias, reduzir custos, aumentar a produtividade, ser mais eficiente, reduzir as infrações dos condutores, aumentar a segurança da sua frota, conscientizar os motoristas, e muitas outras atribuições, mas não se deixe desanimar. Seu trabalho não é só uma profissão, mas um ato de cidadania, que tem um impacto social e ambiental para a sociedade. Se você é um gestor de frota, você também está no time dos

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corajosos. É preciso muita coragem para todos os dias lutar pela vida de seus colaboradores e das pessoas que estão envolvidas com eles. É preciso ter coragem para levantar a bandeira da segurança e do valor à vida. Recentemente, teve uma história que me marcou bastante. Em abril, participamos de um evento da NAFA, a maior associação de gestores de frotas do mundo, e foi impressionante ver o quanto estamos influenciando suas discussões, principalmente em relação à segurança. É uma honra ver que estamos servindo de inspiração para as pessoas que sempre foram o nosso modelo de atuação. E você faz parte desse reconhecimento. Que no dia de hoje, e todos os outros que estão por vir, você possa levar essa história como motivação. Que sua coragem sirva como combustível para a ATITUDE. Que você esteja sempre no grupo dos que fazem, dos que inovam, renovam e transformam. São essas pessoas que mudam as rotas e vão mais longe.

> RICARDO IMPERATRIZ

Seu trabalho não é só uma profissão, mas um ato de cidadania, que tem um impacto social e ambiental para a sociedade. Se você é um gestor de frota, você também está no time dos corajosos.


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24 HORAS DE CONTEÚDOS INÉDITOS PARAR On The Road passou por três capitais até o momento e reuniu mais de 450 gestores presencialmente

A Edição 8 | Junho de 2016

estreia do PARAR On The Road não poderia ser melhor. 2016 foi o ano escolhido para uma mudança nos Fóruns realizados pelo Instituto PARAR desde 2012. O formato, já conhecido pela maioria dos gestores envolvidos, deu espaço para o PARAR On The Road, uma grade de eventos com conteúdos personalizados, mais experiências práticas e totalmente transmitido online. O On The Road pegou a estrada em fevereiro para sua primeira parada no Rio de Janeiro/RJ e, na sequência, ainda passou pelas cidades de Curitiba/PR, em abril, e Porto Alegre/RS, em maio. Foram mais de 30 palestras e 24 horas de conteúdos acompanhados por mais de 450 gestores presencialmente e mais de 3 mil profissionais pela transmissão online. Uma das grandes novidades desse projeto é que cada evento trouxe conteúdos inéditos. Palestras, oficinas, debates e convidados especiais dispostos a compartilhar boas práticas de cultura de segurança e o que há de mais moderno em mobilidade corporativa e gestão de frotas. Todos os conteúdos foram transmitidos em tempo real, pela internet, para profissionais conectados de todo o país. Se você não conseguiu acompanhar alguma das palestras ou quer assistir a alguma delas novamente, é só acessar o canal oficial do Instituto PARAR no YouTube. Todas as atrações estão disponíveis e esperando o seu PLAY. E se você quer uma dica do que assistir, três gestores que estiveram presencialmente nos eventos indicam qual palestra você não pode perder. Confira:


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Confira os vídeos completos em: YouTube.com/InstitutoPARAR

DR. CARLOS TUDISCO, ESPECIALISTA EM DIREITO CORPORATIVO E GESTÃO DE FROTAS

MAXIMILIANO FERNANDES, TICKET FLEET

Como levantar os problemas jurídicos da sua frota

Na velocidade da luz

No meu ponto de vista, todas as palestras são extraordinárias e se torna difícil escolher uma só. Cada uma tem um propósito e nos enriquece de alguma maneira, sanando nossas dúvidas e nos mostrando novos horizontes. Se eu for enumerar aqui será injusto, pois tenho certeza que todos os palestrantes agem com dedicação e profissionalismo, mas acredito que a palestra do Dr. Carlos Tudisco é uma das que causa mais ansiedade entre os gestores. Todos ficam entusiasmados em ouvir o Dr. Carlos explicar e nos orientar em como devemos nos posicionar dentro da gestão de frota de uma maneira prática, eficiente e com todo o respaldo jurídico. As palestras, assim como todos os outros encontros realizados pelo PARAR, podemos definir como um momento de busca de conhecimento, onde se reúnem os melhores profissionais a fim de um propósito em comum. Mostrar a força que nós, gestores de frota, temos e que, com garra e conhecimento, somos capazes de elevar a gestão de frota no Brasil à níveis de excelência”.

Muitas vezes, não só a organização, mas nós gestores de frota pensamos somente em frota como o veículo a ser cuidado e ou o condutor que deve ser educado para preservação da sua vida e do bem da empresa. Porém, a gestão de frotas vai muito além disso e, entre outros aspectos, envolve análises de informações, essas, que como em todos os setores da sociedade, são muitas e se multiplicam cada vez mais com o avanço das tecnologias e na facilidade do seu acesso. É necessário, portanto, saber utilizá-las. De nada adianta ter todas as informações possíveis nas mãos e não saber o que fazer com elas ou não conseguir integrá-las de forma fácil e objetiva. Ter os KPIs corretos e confiáveis aliados a um sistema que consiga integrar todos os assuntos relacionados à gestão de frotas é essencial para que tenhamos sucesso na empresa. Na palestra do Maximiliano Fernandes, da Ticket Fleet, conseguimos ver muito bem como as informações têm avançado no mundo atual e como utilizar as informações que possuímos de forma correta podem contribuir para a gestão de frotas”.

— FERNANDO PAZ CNC | PARAR On The Road, Rio de Janeiro

— JEFFERSON DUBIELLA Votorantim Cimentos | PARAR On The Road, Curitiba

FLAVIO TAVARES, GOLSAT E PARAR LEADER

Valores que não se medem

Na minha opinião, todas as palestras foram ótimas! No entanto, nesta edição do Parar On The Road, o tema “Valores que não se medem”, tratado por Flavio Tavares, me tocou e com certeza mexeu com o sentimento dos demais participantes. A palestra é imperdível, pois trata sobre temas importantes como motivação, propósito de vida e ideais e, nos faz refletir sobre o impacto das nossas ações tanto no âmbito profissional como no pessoal”.

— DIEGO ALVES SANJURJO STEMAC | PARAR On The Road, Porto Alegre

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DE GESTOR DE FROTA À GESTOR DE MOBILIDADE Confira como incluir novas soluções de mobilidade na organização pode garantir mais segurança, produtividade e qualidade de vida aos colaboradores

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Fotografia: Reprodução | Internet


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"Eu era uma dessas pessoas que ficava três horas por dia no carro e era uma vida insuportável” — ALEXANDRE LAFER FRANKEL, CEO DA VITACON

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mobilidade urbana é um dos grandes desafios das cidades e estamos vendo, nos últimos anos, um intenso movimento da iniciativa pública e privada em desenvolver novas soluções para os deslocamentos nos centros urbanos. Em uma cidade como São Paulo, por exemplo, o tempo médio de deslocamento é de 1h44min, ou seja, são mais de três horas por dia dentro de um carro ou, em um ano, 45 dias improdutivos e estressantes. Ao mesmo tempo, nessas outras 21 horas do dia o carro fica parado em estacionamentos ou garagens, o que corresponde a 320 dias de ociosidade em um ano. Não precisamos de nenhuma conta elaborada para perceber que tem alguma coisa errada nisso. Os modais precisam ser usados de forma mais inteligente e eficiente, trazendo mais segurança e qualidade de vida para a população. A ideia do compartilhamento, da melhor utilização do espaço público e de uma nova relação com as cidades vêm ganhando espaço nas discussões sobre mobilidade urbana e devem se desdobrar para dentro das empresas. O Instituto PARAR sempre destacou a importância de levar o condutor com segurança para sua família após um dia de trabalho e que isso deveria ser

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o maior desafio de todas as empresas. A partir de agora, e sem esquecer a questão da segurança, foi lançada uma nova fase, em que o gestor de frota será estimulado a repensar os modais com os quais será possível fazer isso. De gestor de frota para gestor de mobilidade corporativa. Profissional capaz de entender a maneira com o qual o seu colaborador se desloca e definir qual é o modal mais adequado para determinado tipo de deslocamento. Preparado para olhar não só para os carros, mas para todos os pontos que envolvem a viagem do condutor. Responsável por fornecer opções de como ir de A para B, de como reduzir o custo da mobilidade através de novas rotas, e de como implantar o compartilhamento da frota e outras iniciativas que resultem em soluções econômicas, eficientes, dinâmicas e otimizadas. No Café Online sobre mobilidade urbana, realizado em maio, no Audi Lounge, em São Paulo, e com transmissão ao vivo para todo o Brasil, o PARAR reuniu profissionais que, através de iniciativas inovadoras, estão incentivando novas alternativas para os deslocamentos nas cidades e transformando a maneira como as pessoas veem a mobilidade.

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A REINVENÇÃO DAS CIDADES Quando falamos em mobilidade urbana, geralmente, a primeira coisa que vem à cabeça é melhorar a infraestrutura das cidades, porém, esse tipo de mudança estrutural leva muito tempo. O caminho mais eficiente é, mais do que pensar na infraestrutura, mudar a forma como as pessoas pensam a mobilidade. Incentivá-las a deixarem velhos hábitos e passarem a olhar para novas possibilidades e modais de transporte. Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon, leva essa ideia como filosofia de vida. O empreendedor tem como grande motivação romper o status quo. Abandonou o carro há mais de 10 anos e levou essa causa para dentro da sua empresa. A Vitacon é a primeira construtora a implantar soluções de mobilidade e economia compartilhada em todos os seus projetos. “A minha história se confunde com a da Vitacon. Eu era uma dessas pessoas que ficava três horas por dia no carro e era uma vida insuportável”, contou Frankel. Depois de deixar o automóvel, escrever três livros sobre como viver em São Paulo sem carro e criar uma comunidade para trocar experiências com pessoas que querem fazer o mesmo, o empreendedor se fez a seguinte pergunta: “Como podemos solucionar o problema de mobilidade em São Paulo através do mercado imobiliário?” E foi aí que nasceu a Vitacon. O grande princípio da construtora é pensar em alternativas para melhorar a vida das pessoas e a relação delas com a cidade. Além da compactação do espaço e de colocar as pessoas próximas de onde elas querem chegar, seja do trabalho, escola dos filhos ou qualquer outro lugar de interesse, seus empreendimentos trazem serviços de bikesharing, motosharing e carsharing. “Também temos o princípio de colocar o prédio residencial perto do comercial (e vice-versa) e de construí-los próximos ao transporte público. Dessa forma, acredito que a gente transforma a vida das pessoas e cria uma vida muito mais saudável”, explicou. A utilização e o interesse por esses benefícios passam por uma mudança cultural muito importante. A última pesquisa feita pela Vitacon revelou que 65% dos paulistanos já estão mudando

seu estilo de vida e sua relação com o carro. “Nesses novos modais que estamos inserindo nos prédios, vemos uma demanda e um uso crescente. As pessoas estão cada vez mais usando a bicicleta ou indo a pé ao trabalho”, afirmou Frankel. Ele ainda conta que cada prédio possui uma rede de caronas, onde os moradores podem informar para onde vão e compartilhar o deslocamento. “Outro dado muito interessante é que a nova geração está cada vez menos apegada no ‘possuir’. O carro, que antes estava no top 3 dos desejos dos universitários, já não consta nem entre os 15 primeiros. E isso acontece também com o apartamento ou qualquer outro bem durável. Eles não querem mais ter o bem e sim usá-lo”, destacou Frankel. Esse é o conceito primordial do compartilhamento, pagar pelo uso e não pela posse. Quando se fala em mobilidade, é o mesmo que utilizar os transportes de maneira mais inteligente. E, para que isso aconteça, a tecnologia se revela como uma importante aliada. A BlaBlaCar, por exemplo, é um aplicativo que une motoristas com um ou dois lugares vagos no carro a passageiros que estão indo para o mesmo destino em viagens de longa distância. “Normalmente, a primeira motivação das pessoas para utilizar a plataforma é econômica, porém, depois, elas percebem que a parte social também é muito interessante. A gente tem a impressão de que essa cultura do compartilhar é nova, mas eu acredito que ela seja muito natural do brasileiro. Nós gostamos de conversar, trocar ideias e dividir espaços com outras pessoas”, disse Daniela Marques, relações públicas da BlaBlaCar. Considerada a maior plataforma de viagens compartilhadas do mundo, a BlaBlaCar soma mais de 2 milhões de viagens compartilhadas por mês, no mundo. O app foi criado na França, mas já tem 25 milhões de adeptos em 22 países. No Brasil desde novembro de 2015, Daniela contou que, mesmo sendo um aplicativo de viagem, muitas pessoas utilizam a Blablacar para ir ao trabalho. “Na região de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro é comum as pessoas morarem em uma cidade e todos os dias terem que se deslocar para uma cidade vizinha para trabalhar”.

"Normalmente, a primeira motivação das pessoas para utilizar a plataforma é econômica, porém, depois, elas percebem que a parte social também é muito interessante.” — DANIELA MARQUES, BLABLACAR

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E AS EMPRESAS? De acordo com a WRI Cidades Sustentáveis, esse trajeto casa-trabalho-casa representa 50% dos deslocamentos no Brasil. Isso revela o quanto as empresas são importantes para reverter esse cenário caótico do trânsito e da mobilidade urbana nas cidades brasileiras. Elas são parte do problema, mas também podem ser parte da solução. Algumas empresas já se atentaram a isso e estão implementando medidas para ajudar a desenvolver as cidades de forma mais sustentável. Quando o Santander inaugurou, em 2010, a Torre Santander, sede administrativa do banco em São Paulo, foi pensado em como gerar o menor impacto possível na região, na população do entorno e nos seus próprios colaboradores. Para isso, eles desenvolveram um Plano de Mobilidade Corporativa, que inclui medidas como Carona Amiga, linhas de fretados gratuitos, vans, bicicletário, horário flexível e espaço de convivência. Como resultado, eles conseguiram a redução de mais de 2 mil veículos do trânsito da região diariamente, além da diluição do horário de entrada e de saída de outros mais de 1,5 mil veículos para que não transitassem todos no horário de pico. Assim como fez o Santander, todas as empresas, independentemente da área de atuação, podem incentivar essa mudança de comportamento e impactar as cidades de maneira positiva.

VÁ DE BIKE

Outra possibilidade importante para a mobilidade das cidades é a bicicleta. Pesquisa recente feita pela ONG Transporte Ativo indicou que a maioria dos ciclistas utiliza a bike como meio transporte e não mais somente como forma recreacional. Um dos grandes incentivadores da quebra desse paradigma vêm da iniciativa privada. O projeto de bikesharing do Itaú está presente em sete capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Pernambuco) e contabiliza 845 estações, com 8.650 bicicletas. “Quando começamos a falar sobre isso no Brasil, há 4 anos, foi uma atitude bastante corajosa, pois, seu sucesso dependia de uma mudança de cultura muito grande”, revelou Simone Gallo, gerente de relações institucionais e governamentais do Itaú, responsável pela plataforma de mobilidade. O bikesharing surgiu, de acordo com ela, como uma forma de trazer mais qualidade de vida para a sociedade e transformar a forma como as pessoas vivenciam e se relacionam com suas cidades. “Nossa intenção sempre foi integrar a bicicleta como um modal de transporte e acreditamos que esse é um caminho sem volta. A bicicleta está inserida no dia a dia dos grandes centros e há uma demanda crescente por sua utilização”, destacou Simone. Quem também está inserido nesse contexto é Tomás Martins, diretor ad-

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ministrativo da Compartibike, empresa especializada em soluções inovadoras de mobilidade urbana. Para ele, a bicicleta se destaca por ser uma solução muito mais eficiente em tempo e dinheiro. Prova disso é um dado revelado pela Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP). Na capital paulista, a velocidade média dos carros no horário de pico fica em torno de 17,7 km/h, ou seja, quase igual a de um ciclista, que é de 15 km/h. Nesse sentido, a bike se mostra como uma boa alternativa para o deslocamentos das cidades, principalmente em horários de grande circulação de veículos. A Compartibike é a responsável por criar uma solução inédita: um serviço personalizado que oferece bicicletas compartilhadas em ambientes privados. No meio corporativo, Martins soma cases interessantes sobre a utilização dessa plataforma. “Fizemos um projeto no edifício Rochaverá e no Cubo, um espaço de coworking em São Paulo, com bicicletas elétricas. Colocamos seis bicicletas nesses dois projetos para sentir como as pessoas usariam esse modal e foi fantástico”. Em menos de dois meses de implantação no Rochaverá, a Compartibike recebeu 250 cadastros e ocorreram mais de 100 utilizações. “É importante ressaltar que a bicicleta é uma solução importante para a mobilidade urbana, mas não é única. Vejo como caminho uma mobilidade compartilhada e colaborativa em que a população terá disponível uma série de modais e poderá escolher o mais adequado para o seu deslocamento”, comentou Martins.

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POR Flavio Tavares

ESQUEÇA A SI MESMO, VIVA SEU PROPÓSITO E PLANTE MAIS REPOLHOS Quem olha pra fora, sonha; quem olha pra dentro, acorda — CARL G. JUNG

ão é uma tarefa fácil começar a escrever um texto que já começa com uma "ordem": esqueça a si mesmo. É mais difícil ainda quando essa ordem se refere a deixar o seu “eu” ao mesmo tempo em que se fala de propósito. Parece até um pouco contraditório, não é mesmo? Mas vou explicar melhor. No meu texto e palestra anterior falei sobre o fato de que nós somos o propósito, que nossa mente, alma e espírito clamam pelo propósito que habita em cada um de nós. Falei sobre a importância de nos conhecermos de forma completa, e assim entendermos de forma definitiva que propósito não é o alvo. Propósito é o que somos, na nossa mente, alma e espírito. Mas o que fazer quando descobrimos esse valor? O que fazer quando percebemos que temos em nós tudo o que precisamos para viver nosso propósito? A resposta é simples, temos que viver.

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Isso mesmo, simplesmente viva, e seu único esforço para isso será abrir mão de si mesmo, das suas vontades e desejos que não estão alinhados com seu propósito. Abrir mão da sua natureza egoísta e que, por muitos anos, resumiu sua vida em conquistas pessoais. Chegou a hora de abrir mão de si mesmo. Você está pronto? Acredito que nunca estaremos verdadeiramente prontos para isso. Você, assim como eu, viverá esse dilema por toda a vida, pois estamos constantemente em construção. Cada dia, escolhemos andar em direção ao nosso propósito ou em direção a nós mesmos, em servir ou ser servido, em dar ou receber, em cobrar ou reclamar, em agradecer ou exigir, em fazermos sozinhos ou juntos. São escolhas. Todos os dias somos chamados a fazê-las. Todos os dias decidimos se queremos andar uma milha a mais para sermos diferentes, ou se preferimos ficar no mesmo lugar, continuarmos iguais e mais do mesmo. Não é sua visão do mundo que define você, e sim a visão de si mesmo que define seu mundo. Não importa o quanto a jornada possa parecer difícil, a recompensa ao fazer a escolha certa será muito maior. Somos definidos com base naquilo que acreditamos.


Flavio Tavares, Diretor de marketing e vendas da GolSat e PARAR Leader

Quero lhe ajudar a fazer a escolha certa, e, por isso, escrevi neste texto 4 verdades que não podemos esquecer na nossa jornada. São princípios que irão sustentá-lo para viver seus propósitos. Espero que elas possam chegar ao seu coração e lhe ajudar a entender o quanto pequenas ações, pequenos gestos e atitudes, podem dar muito mais sentido para as nossas vidas.

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SE ARRISQUE MAIS, FRACASSE MAIS, SAIA DO LUGAR COMUM

Vivemos muito condicionados pelo mundo. Estudamos e trabalhamos com o objetivo claro de nos mantermos mais seguros. Somos treinados a arriscar pouco e, por isso, fracassamos menos do que deveríamos. É importante identificarmos quais são nossas paixões, aquilo que nos move e nos motiva a vencer o medo, a arriscarmos mais. Você não vai encontrar o seu propósito assistindo ao Jornal Nacional ou compartilhando tudo que acha legal no Facebook. O seu propósito não vai se revelar se você continuar o mesmo. Você pode mais. Você pode ir além, mas, para isso, precisa se arriscar, vencer seus medos e fazer o que nunca fez. Você precisa começar a fazer aquilo que sempre quis fazer, mas achou que seria um ridículo se fizesse. E, por incrível que pareça, o mundo precisa de mais pessoas que se expõem ao ridículo, sem medo da opinião dos outros. Não são eles que definem quem você é. Precisamos de mais pessoas escolhendo aquilo que o mundo acha loucura, só assim teremos pessoas que incendeiam esse mundo pela chama de suas paixões. Grandes líderes foram motivados por esse fogo ardente. Tinham a vontade de transformar o mundo e se arriscaram para isso. Fracassaram muitas vezes, mas não trocariam nenhum dos seus fracassos pelo destino de serem condicionados a uma vida segura, sem paixão. Eles não aceitaram que o mundo os definissem, pelo contrário, escolheram olhar para dentro de si e assim definirem o mundo que eles queriam. O que eu estou tentando dizer não se trata de perseguir o fracasso por si só. O fracasso não é um fim em si mesmo. O seu objetivo é ter sucesso! Mas não deixe de tentar, nunca. Às vezes, fracassar é ruim. Mas deixar de tentar é algo ainda pior. Procure o mundo no qual você deseja viver. Ele vai começar a desabrochar quando você libertar dentro de você o fogo que arde, que queima e que é capaz de incendiar todos seus conceitos e preceitos que prendem sua vida ao marasmo do lugar comum.

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POR Flavio Tavares

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NÃO DEIXE SEU EGO E ORGULHO SEREM MAIORES QUE SEU PROPÓSITO

Esse é um grande desafio, pois vivemos um tempo onde o egoísmo está se tornando cada vez mais arraigado dentro de nós. Vivemos constantemente buscando satisfazer esse "ser" insaciável que é o nosso ego. Ele é faminto por atenção, por valor, por elogios e reconhecimento. E quando não temos essas coisas, ele nos torna muito exigentes. Quando somos dominados pelo ego, não gostamos de ser criticados. E, quando isso acontece, saímos destruindo o outro ou acabamos sendo demolidos pelo nosso próprio orgulho ferido. Achamos que temos direitos e que, por cumprirmos tudo o que consideramos aceitável, é dever do mundo nos reconhecer e nos presentear com uma boa vida. Quem vive em torno de si não sabe lidar com dificuldades, pois tem medo que esses obstáculos destruam quem ele é. Sua identidade não está pautada e consolidada em sua essência e sim na imagem que tem de si, formada pelo outro e pelo mundo. Se sua autoimagem está em ser uma pessoa trabalhadora e que se esforça muito, provavelmente, você terá raiva de qualquer um que você considere preguiçoso. Alguns sintomas que mostram que nosso ego está prevalecendo:

Quando temos uma postura de raiva perante a vida Guardar rancor por longos períodos Olhar com desprezo para as pessoas Ter pouca intimidade e alegria com quem você ama Ficar inseguro quando recebe críticas Não ter o mínimo de constrangimento ao condenar os outros O caminho para vencer seu ego é não deixar que ele seja inflado, tornando-o uma pessoa amarga. É simples: esqueça a si mesmo. Considere seu próximo maior que você. Nosso desafio é reconhecermos o quanto somos pequenos neste mundo. Para sermos mais humildes temos que desenvolver um coração grato. Gratidão nos pequenos detalhes. Falarmos mais por favor e obrigado, elogiarmos mais e sermos mais cheios de contentamento com aquilo que temos. Temos todos os dias a porção exata que precisamos para vivermos nosso propósito na plenitude. Deixe seu ego de lado e escolha agradecer. Escolha reconhecer que temos o suficiente para termos um coração repleto de alegria.

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Flavio Tavares, Diretor de marketing e vendas da GolSat e PARAR Leader

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SEJA GENEROSO E DESFRUTE DO CICLO VIRTUOSO DA GRATIDÃO

Não podemos ficar reclamando do que não temos ou preocupados com o que ainda teremos. Temos que parar de pensar que a vida gira em torno de nós mesmos e sair desse casulo para irmos lá fora buscar aqueles que não têm nem a esperança em ter algo. Não temos tudo que temos para ficarmos nos deleitando nas nossas casas vendo televisão. Temos o que temos e somos quem somos para irmos lá fora buscar nosso irmão. Buscar nosso verdadeiro irmão perdido e que precisa de ajuda. Viver seu propósito não é uma carreira, é um chamado. É uma convocação para ir para fora. Para alcançar novos horizontes, sendo generoso e fazendo pelo outro o que gostaria que fizessem por você. Temos que ter mais o espírito da Katie Stagliano, que aos 9 anos pegou sementes de repolho e plantou em seu quintal. A surpresa aconteceu quando dessas sementes nasceram repolhos gigantes, que ela decidiu doar a uma Ong. Quando Katie viu que sua iniciativa ajudou a alimentar 270 pessoas, ela

convocou outros estudantes a plantarem nos seus quintais. Em 2013, aos 14 anos, ela já ajudava a coordenar mais de 60 hortas voluntárias para ajudar a alimentar pessoas que não tinham o que comer. Você tem plantado o que na sua horta? Que alimento você pode compartilhar? Não seremos como a Katie, talvez nunca faremos uma plantação de repolhos. Mas nossa semente é ajudar outros gestores a mudarem a maneira com que as empresas enxergam o valor à vida. Estamos plantando há quatro anos e você já é fruto da nossa colheita. Se você está aqui hoje, foi porque plantamos no nosso quintal sementes que ajudaram — CLAUDIO NARANJO a alimentar você. E hoje podemos convidar você a nos ajudar a ampliar essa horta. Precisamos da sua ajuda para continuarmos plantando a semente que pode mudar o nosso mundo. Com sua ajuda podemos ajudar outros gestores encontrarem seu propósito. Não queremos que seja somente um trabalho, queremos que seja seu chamado.

É normal não encontrar sentido na vida quando se está muito condicionado pelo mundo”

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VOCÊ NÃO É NÚMERO, SEU PRÓXIMO TAMBÉM NÃO

Somos bombardeados por estatísticas, por dados, por números. Morrem mais de 40 mil pessoas no trânsito todos os anos, são mais de 500 mil sequelados. Em todas as pesquisas, somos fruto de uma estatística. Nossa vida, nossa história, nossos sonhos são reduzidos a um número. Tudo o que somos em nossa individualidade, se torna apenas mais um fator somado a inúmeras outras pessoas que também foram simplificadas em um numeral. É preciso inverter essa perspectiva, 40 mil mortes no trânsito significam 40 mil sonhos que não puderam se tornar realidade. Quarenta mil famílias que nunca mais serão as mesmas. Quarenta mil “Katies” que poderiam transformar o mundo, mas não terão essa oportunidade. Essas pessoas não são um número. Você não é um número e seu próximo também não. É preciso respeitar nossa indivi-

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dualidade, a essência que nos faz ser quem nós somos. Você tem todo o dia a oportunidade de ser você, e, mais do que isso, de ser alguém que faz a diferença. Alguém preparado para transformar o seu mundo e o mundo de outras pessoas. Mas, para isso, você precisa acreditar que essa mudança é possível. Você precisa abandonar seus medos e seu egoísmo. Trocar o “eu” pelo “nós”. Enxergar o outro como peça fundamental nessa jornada. Não adianta entrar nesse jogo para ganhar sozinho. Você precisa do outro e o outro precisa de você. Ensine, aprenda, escute. Encontre espaços para deixar contribuições positivas. Não importa se o seu impacto será no seu bairro, na sua empresa ou no mundo. Assuma riscos, desafie a rotina e a monotonia do cotidiano. Deixe um legado de mudanças.

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PARAR CONVOCA TIME DE MULTIPLICADORES Gestores certificados pelo PGF são convidados a assumir uma posição de referência para compartilhar conhecimento e disseminar boas práticas

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om mais de 9 mil gestores em todo o Brasil, o Instituto PARAR foi fundado, em 2012, com o objetivo de transformar o cenário nacional da gestão de frotas e trazer um sopro de inspiração, engajamento e propósito para os profissionais frotistas. Logo nos primeiros encontros, se depararam com um grupo desmotivado, pouco aproveitado dentro de suas organizações, mas que, acima de tudo, tinham inegável paixão pelo que faziam. Foi esse espírito de mudança, que identificaram em cada um desses gestores, que os motivou a lutar para dar todas as ferramentas necessárias para que essa vontade se tornasse realidade. O PARAR investiu na profissionalização e capacitação desses profissionais, pois acreditaram neles. Os gestores aceitaram o desafio, pois acreditaram no PARAR. Em 2014, nasceu o PGF, o primeiro programa educacional para gestores de frota do Brasil, com o objetivo de formar profissionais mais capacitados, com uma visão estratégica, e preparados para serem os protagonistas de uma transformação na cultura da gestão de frotas e no trânsito do Brasil. Até o momento, mais de 140 gestores foram aprovados e certificados. Profissionais que já são um CFM —Certified Fleet Manager—, mas que agora são convocados para se unirem ao PARAR para formar um time de elite. Um time de multiplicadores de conhecimento, experiência e cultura de segurança. Um time preparado para ficar na linha de frente. Para assumir a posição de referência e para disseminar boas práticas. Um time disposto a compartilhar e lutar pela causa. Um time cheio de energia e comprometimento. O CFM PARAR Team!

TIME DE MULTIPLICADORES O lançamento do projeto foi realizado no PARAR On The Road de Curitiba/PR, em abril, e contou com a adesão de 8 gestores

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1) Volmir de Souza, Caren Leffa, Laura Schuch e Diego Alves 2) Evandro Silveira 3) Janaína Faria 4) Volmir de Souza

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Da esquerda para a direita: Lukas Cercal, Rejane Guse, Evandro Silveira, Jefferson Dubiella, Eduardo Pombo, Paulo Ionta e Janaína Faria

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da capital paranaense. Profissionais formados pelo PGF, que assumiram o compromisso de serem multiplicadores de conhecimento e de fazerem do propósito do PARAR o propósito deles. Evandro Silveira, da PESA, é um desses gestores. Formado na primeira turma do PGF, Silveira contou que sempre ficou fascinado com a magnitude do PARAR e o comprometimento do Instituto em disseminar o seu propósito. “O conhecimento que adquiri em cada participação sempre me motivou e me transformou em um profissional e, até mesmo em uma pessoa, melhor. Me sinto honrado em saber que faço parte desse time e que agora eu também posso motivar e transformar outras pessoas e profissionais melhores. Espero poder contribuir, junto ao CFM PARAR Team, para que, com o nosso propósito, possamos melhorar o cenário do nosso trânsito no país”. Já Janaína Faria, da Ouro Verde, buscou a certificação com o intuito de aprender mais sobre a rotina e os principais desafios de um gestor de frota. “Eu não sou gestora de uma frota específica e sim de várias, através dos clientes que operamos”. Janaína ressaltou que, agora, como parte do CFM PARAR Team poderá contribuir com todo o conhecimento adquirido, bem como estar perto dos gestores de frota do Brasil para criar novos produtos e soluções neste segmento. “Meu principal objetivo é auxiliar na formação profissional dos gestores de frota, para que esses possam ser capazes de impulsionar a evolução deste mercado. E somente através do conhecimento e engajamento dos gestores é que vamos conseguir mudar nosso cenário de descontrole de custos, alta sinistralidade e números alarmantes de acidentes”, afirmou. Porto Alegre foi a segunda cidade a apresentar seu time de elite. Em maio, no PARAR On The Road - POA, quatro profissionais aceitaram o desafio de disseminar experiências e boas práticas no setor. Volmir de Souza, da STEMAC, revelou que muitos colegas já os procuraram no evento para a troca de informações e que viram, a partir de agora, a oportunidade de aumentar essa comunicação e aproximação. “O caminho é este: manter acesa a chama da curiosidade, da inquietude, do sonho e da busca do conhecimento, através da troca de informações e de experiências, mas, acima de tudo, da atitude. Do fazer. De não se sentir confortável com os objetivos alcançados. De saber que o caminho ainda é longo, mas ter a certeza de que estamos no caminho certo”, destacou. Belo Horizonte e Fortaleza são as próximas cidades a apresentar o seu CFM PARAR Team, durante as próximas paradas do PARAR On The Road. O time de multiplicadores do PARAR está ganhando cada vez mais adeptos e a ideia é fazer com que esse grupo cresça ainda mais. A mudança precisa de protagonistas e disseminadores. São esses profissionais os responsáveis por manter a chama do propósito acesa e o motor da transformação funcionando.

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O GESTOR DEVE BUSCAR CONHECIMENTO PARA TRANSFORMAR” David Zini, diretor comercial de gestão e terceirização de frotas da Ouro Verde, conta como foi parar no segmento frotista e quais lições tirou dos mais de 20 anos de experiência em liderança e negócios

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O gestor nunca pode estar satisfeito e acreditar que achou o modelo ideal. Ele tem que estar sempre analisando, buscando experiências e vendo condições. — DAVID ZINI

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homem do business. É assim que podemos resumir a trajetória profissional de David Zini, diretor comercial de gestão e terceirização de frotas da Ouro Verde, e um entusiasta quando se fala em sair da zona de conforto, arriscar e fazer a diferença. Zini se formou em Direito, mas logo em seguida ingressou na segunda graduação, dessa vez na área de marketing na PUC-RS. Depois, fez pós-graduação em Administração e Marketing na FGV, em 1995, e, em 2000, foi para os Estados Unidos fazer MBA em Administração na Kellogg School of Management. Em sua primeira experiência profissional, em 1992, já fez carreira, indo de vendedor a diretor. “Passei quase 10 anos na Xerox. Lá, trabalhávamos com gestão de documentos e locação de máquinas e equipamentos”, contou. Zini saiu da Xerox para fazer parte do time da Rede, empresa da indústria de meios de pagamentos, primeiro como diretor regional e depois como diretor de varejo da RedeCard. Ficou lá por cerca de 7 anos, mas saiu, em 2011, para assumir a diretoria da Elavon, uma empresa americana também da indústria de meios de pagamentos. “Ela estava entrando no Brasil e eu fui o primeiro vice-presidente de business no país. Fiquei lá durante 1 ano até entrar na Ouro Verde, para assumir a gestão comercial e da unidade de produtos de frotas leves em 2012”.

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Foi aí que a gestão de frota entrou em sua vida. Com mais de 20 anos de experiência em liderança e negócios, Zini consegue fazer uma leitura clara de como é esse segmento e do que deve ser feito para que uma gestão seja eficiente, sustentável e humana. “Fazer gestão de uma frota exige que você tenha controle, que você tenha dados e maneiras de fazer medições. Não adianta ter a ilusão de que você vai fazer gestão estando apenas presente ou tendo um bom método. A gestão exige que você tenha duas coisas: padrões (objetivos, metas e números) e formas de mensurar os indicadores. Aí sim você consegue efetivamente se posicionar”, revelou. Para ele, fazer gestão sem ter dados e indicadores é o mesmo que seguir uma trajetória sem uma bússola, GPS ou mapa. Você pode se perder no caminho e, o pior, não conseguir encontrar a direção para reverter essa escolha. Além disso, Zini ressalta que falar em gestão de frota é mesmo que falar em gestão de vidas. Não é possível dissociar o ser humano desse processo. “A frota só existe quando tem alguém no volante. Nós temos que ter a capacidade de fazer gestão de comportamento e gestão de pessoas”. A complexidade do papel exercido pelo gestor de frota exige que ele seja uma pessoa “inconformada”, alguém disposto a nunca ficar na zona de conforto. Isso se justifica, de acordo com Zini, pois o ambiente no qual a frota é utilizada é instável e está sofrendo constantes modificações. “Em São Paulo, nós não vemos técnicos se deslocando de bicicletas para prestar seus serviços. Mas por que não? Por que não poderiam usar um outro transporte que não seja o veículo?”. Em sua avaliação, o gestor tem que estar sempre avaliando qual é a melhor condição naquele ambiente em que ele está inserido para deslocar sua equipe de uma forma segura, rápida e que consiga atender os objetivos da organização. “O gestor nunca pode estar satisfeito e acreditar que achou o modelo ideal. Ele tem que estar sempre analisando, buscando experiências e vendo condições”, explicou. Na Ouro Verde, sua equipe é responsável pela gestão de 32 mil veículos que circulam por todo o país e Zini é enfático em dizer que o trabalho do Instituto PARAR e de pessoas envolvidas com essa causa é de missionário, de convencer e angariar seguidores. “O profissional desse segmento tem que buscar conhecer a gestão de frota não só para agregar conhecimento ou título de formação, tudo isso é muito importante, mas para ser um gestor focado e que traga resultados, ele tem que ter a vontade e a determinação de ser um gestor de frota e de fazer a diferença”, destacou. Para ele, o gestor de frota deve buscar conhecimento para transformar. “Um gestor capacitado tem todos os argumentos para convencer a empresa de que é possível fazer melhor, mais barato, mais efetivo, sem ter perdas de vidas ou de valores”. Na visão de Zini, é esse gestor que vai fazer diferente e servir de inspiração para outros profissionais. “Precisamos de gestores com atitude”, concluiu.

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Tecnologia A FAVOR DA SEGURANÇA

O relato de uma visita à avançada área de segurança de uma das maiores montadoras do país Garantir a segurança dos ocupantes" essa é a máxima incorporada dentro da Volkswagen e que foi dita por Ricardo Ploeger, gerente de Segurança Veicular da Volkswagen do Brasil, durante uma visita à fábrica da montadora em São Bernardo do Campo/ SP. Chegamos por volta das 9h30. Era uma sexta-feira ensolarada, 1º de abril. Estávamos em um grupo de 15 pessoas, liderado pelo Instituto PARAR, e que reunia gestores de frota, empresários, especialistas em segurança e conselheiros do Instituto. Ainda não sabíamos que estávamos prestes a presenciar, era uma oportunidade rara, a que poucas pessoas tinham tido acesso e que nunca havia sido aberta à visitação. Conhecer a área de segurança da Volkswagen, a montadora que possui o maior número de carros com avaliação máxima de segurança no país já parecia uma experiência fantástica. Ser uma das únicas pessoas a visitar àquele local era ainda mais especial.

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Fomos convidados a entrar às 10 horas e, após uma breve apresentação, fomos levados até o Laboratório de “Dummies”, bonecos antropométricos utilizados nos testes de colisão. O local mais parecia um hospital de bonecos. É lá que os dummies recebem os cuidados do “enfermeiro”, ou melhor, do preparador de testes biomecânicos, e é para lá que eles voltam depois de participar dos crash-tests para um check-up completo. Os bonecos, feitos de vinil especial e estruturados por vértebras de aço e uma espinha dorsal formada pela união de alumínio e borracha, são a ferramenta-chave para que os engenheiros entendam com precisão o risco que determinado impacto oferece aos ocupantes do veículo. Cada dummie possui de 64 a 88 canais e cada um desses canais é composto por uma série de sensores. Esses sensores oferecem índices biomecânicos que permitem que os técnicos façam uma comparação com as lesões que aquela batida poderia ter causado em um ser humano com as mesmas características estruturais do boneco. Por isso, há dummies de diversos tamanhos e pesos, com o intuito de simular impactos em adultos e crianças. Antes dos crash-tests com os carros já completos, os engenheiros da Volkswagen realizam uma série de simulações para entender o funcionamento de cada item estrutural que compõe o veículo. Câmaras climáticas simulam temperaturas seve-


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A estrutura tem que aguentar

ras para analisar a interação entre airbag, banco e painel. As temperaturas vão de – 40°C e podem chegar até a máxima de 100°C. “A estrutura tem que aguentar”, reforçou Ploeger. Uma das mais recentes e importantes aquisições da Volkswagen foi o sled, uma espécie de “trenó” que, por meio de uma rápida aceleração seguida de frenagem brusca, reproduz com fidelidade uma colisão frontal. Tivemos a oportunidade de vê-lo em ação, simulando uma batida a uma velocidade de 64 km/h, a mesma utilizada nos testes da Latin NCAP. “Nesse tipo de teste, podemos verificar a resistência de componentes como painel, cintos de segurança e airbags”, explicou Ploeger. Após essa etapa, é a vez dos testes na pista, onde são realizados choques com diversas barreiras, que simulam batidas frontais, laterais e traseiras. “Levamos em consideração uma regra básica: a estrutura de fora do carro tem que absorver o impacto e a parte de dentro tem que proteger o ocupante”, revelou Ploeger. De acordo com ele, a Volkswagen segue uma filosofia de severidade de crash, simulando diferentes tipos de impacto e velocidade. Em um dos exemplos mostrados para o nosso grupo, estava um veículo após a simulação de uma batida lateral em um poste a 35 km/h. Apesar de ter tido comportamento ideal em relação à segurança dos ocupantes, o veículo seria avaliado como um

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O caminho para a mudança no trânsito passa pela infraestrutura, pela segurança veicular e pela educação". RICARDO PLOEGER Gerente de Segurança Veicular da Volkswagen

PT (perda total). A batida contra um poste é considerada severa, pois representa um impacto localizado. Esse tipo de teste serve para indicar a resistência da estrutura em sua porção lateral, assim como coluna e portas, com suas barras internas de proteção. Seguindo os mesmos padrões da matriz alemã, todos os crashes realizados no laboratório de segurança brasileiro podem ser registrados por câmeras “super slow motion” que filmam as colisões a 5 mil frames por segundo, inclusive por baixo dos carros.

CRASH AO VIVO Já estávamos há quase duas horas recebendo uma aula de como a segurança deve ser levada em consideração em cada detalhe da produção de um carro e, provavelmente, a maioria já estava com a cabeça fervilhando de ideias de como poderíamos disseminar tudo aquilo que estávamos aprendendo. Porém, um dos momentos mais impressionantes viria em seguida. Ricardo Ploeger nos convidou a assistir um crash-test ao vivo. Sim, eles iriam bater um carro, mais especificamente um Jetta, bem ali, na nossa frente. Recebemos um óculos para proteger nossa visão da intensa luz projetada durante o teste e subimos em uma estrutura para poder acompanhar o crash com uma visão privilegiada. Em questão de segundos, um grande estrondo nos fez cair a ficha de que aquilo estava mesmo acontecendo. Um Jetta, a uma velocidade de 35 km/h, em uma batida frontal. Foi tudo tão rápido que me fez pensar em quantos segundos são necessários para que um acidente aconteça. De acordo com estudos, basta 4 segundos de desatenção para que sua trajetória no trânsito mude completamente. Alguns poucos segundos que podem salvar ou acabar com uma vida. Isso mostra o quanto o trabalho que está sendo realizado dentro da Volkswagen é importante. Nas reuniões de report não se questiona a necessidade de melhoria, mas sim o caminho para se obter a solução. “O caminho para a mudança no trânsito passa pela infraestrutura,

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pela segurança veicular e pela educação”, destacou Ploeger. Ao todo, são realizados cerca de 200 crash-tests por ano na Volkswagen, o que representa praticamente 1 teste por dia útil. “Foi uma experiência muito bacana, eu tinha uma ideia totalmente diferente. Achava que os testes eram feitos só com a carcaça, mas vi que eles fazem com o carro completo mesmo, com o carro de rua. Vou levar o que aprendi aqui para dentro da empresa”, contou Cristiane Paludeto, da Bunge Alimentos, que atua na área da gestão de frotas há 10 anos e pôde acompanhar a visita a convite do Instituto PARAR. Para Ricardo Imperatriz, líder e fundador do PARAR, foi um dia marcante. “Ficamos surpresos com o nível de segurança que está sendo trabalhado na Volkswagen”. Aliás, os resultados divulgados da Latin NCAP mostram o quanto eles estão focados em fabricar carros seguros no Brasil. Até o momento, a montadora possui quatro carros com 5 estrelas – Up!, Jetta, Novo Golf e Vento –, a avaliação máxima de segurança dada pela Latin NCAP. Além de referência em segurança veicular no Brasil, a Volkswagen exibe uma trajetória impressionante de avanços de engenharia e tecnologia que permitem que veículos seguros levem o selo brasileiro.


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Mulheres equilibristas Como as gestoras de frota do Brasil fazem para conciliar carreira, família e aspirações pessoais

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série House of Cards, produzida pela Netflix, é um dos maiores fenômenos recentes da televisão. Espectadores e críticos têm recebido muito bem a bem desenvolvida trama sobre a política americana e também a atuação já consagrada de seus dois principais atores, Kevin Spacey e Robin Wright. Atualmente, a atriz Robin Wright, que interpreta a primeira-dama Claire Underwood, recebe o mesmo salário de Kevin Spacey, seu colega responsável por dar vida ao presidente Frank Underwood. Mas nem sempre foi assim. Mesmo ambos sendo protagonistas da série, Robin teve que exigir dos responsáveis pela ficção que seu salário fosse equiparado ao do ator. Sua recente revelação se soma ao coro de outras atrizes, como Patricia Arquette, Jennifer Lawrence e Gillian Anderson, que também lutam pelo equilíbrio de gênero em Hollywood. O problema exposto na Meca do cinema não está restrito à série House of Cards ou mesmo ao cinema. Essa é também a realidade vivida pelas mulheres no Brasil em outros setores do meio corporativo, como na gestão de frotas.

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Porém, se as disparidades salariais persistem, não se pode dizer o mesmo sobre a presença feminina no mercado de trabalho. Vivemos em um cenário muito diferente do que era possível verificar há uma década. As mulheres estão cada vez mais garantindo seus lugares dentro das empresas, subindo em níveis hierárquicos e assumindo posições de liderança. De acordo com a pesquisa International Business Report (IBR) - Women in Business, realizada pela Grant Thornton, a presença de mulheres em cargos de CEO, no Brasil, aumentou de 5% em 2015 para 11% neste ano. Na gestão de frotas, o cenário é ainda mais animador. Elas representam 25% dos profissionais que gerenciam os veículos corporativos do Brasil, de acordo com a base de dados do PARAR, e são responsáveis por 32% das notas acima de 9 no PGF - Programa para Gestores de Frota. Para Cecília Russo, psicóloga e mestre em estudos de gênero pela Georgia State University, os índices são resultados de uma maior preparação das mulheres para o mercado de trabalho. “O número de mulheres que cursam o ensino superior e que fazem pós-graduação é maior do que o dos homens. Isso a capacita para essa vivência em posições de liderança. É como se a mulher soubesse que, como largou atrás, ela tem que se esforçar ainda mais para ser vista e para provar que merece estar no lugar que está”, explicou.

A VIDA DO “E” As brasileiras, segundo a pesquisadora, não estão dispostas a mergulhar totalmente na carreira, esquecendo a vida pessoal, mas também não querem abandonar a vida profissional. Elas desejam tudo. “A grande maioria vive a vida do ‘e’ e não a vida do ‘ou’”, afirma Cecilia. Querem estar na liderança, construir uma carreira de sucesso, mas sem abrir mão de outras coisas que são importantes na vida delas. Essa foi a escolha de Rejane Guse, esposa, mãe de dois filhos e responsável pelo gerenciamento de 500 veículos e 500 condutores que compõem a frota da Mondelez. “É um desafio muito grande. Eu sou uma pessoa que gosta de ser bastante perfeccionista nas coisas que eu faço e não deixar nada pela metade. Isso acaba me exigindo muito”, revelou. Para dar conta de tudo, ela recorre à capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo. “Muitas vezes, eu tenho uma situação para resolver no trabalho, mas ao mesmo tempo tenho que ligar para o médico para marcar um horário para o meu filho. É aquele formato polvo”. Foi depois do nascimento de sua segunda filha, quando voltou da licença à maternidade, que Rejane assumiu a área de sales controlling, onde está há 4 anos. Quando começou, não entendia nada de gestão de frota, mas isso não a impediu de aceitar o desafio. Foi atrás de conhecimento, formou-se no PGF (Programa para Gestores de Frota) e deu início a uma

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Sou uma pessoa perfeccionista nas coisas que faço e não deixo nada pela metade. Isso acaba me exigindo muito — Rejane Guse

PENSANDO NAS MULHERES Em países como Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia, onde as mulheres têm as melhores chances de igualdade e tratamento no trabalho, de acordo com levantamento da revista "The Economist", um dos pontos em comum é que os novos pais tiram licença paternidade. Estudos mostram, que dessa forma, as mães tendem a retornar ao mercado de trabalho, aumentando a taxa de emprego feminino e reduzindo a diferença salarial entre homens e mulheres. Quando falamos em equilíbrio de gênero, essa é uma das questões principais. Incentivar, mais do que o apoio às tarefas naturalizadas, culturalmente, como “femininas”, a real divisão de responsabilidades entre homens e mulheres, maridos e esposas, pais e mães. De acordo com pesquisa da Unicamp, 90% das mulheres fazem tarefas domésticas, enquanto, entre os homens, esse índice não chega a 40%. O estudo indicou que, mesmo que as mulheres cumpram jornadas de trabalho de 40 a 44 horas semanais, elas chegam a dedicar entre 20 e 25 horas semanais com cuidados com a casa e os filhos. Em entrevista ao portal iG, a cientista social e antropóloga Glaucia Marcondes, uma das responsáveis pela pesquisa, explica que os dados refletem uma questão social ainda muito arraigada no Brasil. “Mesmo que as

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série de mudanças na maneira como a gestão de frotas era feita na empresa. No ano passado, Rejane aumentou a abrangência de sua atuação e passou a trabalhar diretamente com o gerente global de frota da Mondelez. Agora, além do Brasil, ela também se envolve nos assuntos da América Latina. “Isso tem me trazido uma experiência de muito aprendizado, pois tenho contato com pessoas de outros países e com realidades diferentes”, comentou. Com as novas atribuições, vêm também mais responsabilidades e o desafio de conciliar o papel de profissional, mãe e esposa fica ainda mais difícil. “Eu gosto de sair da empresa, pegar meus filhos no colégio, ir com eles para casa e aproveitar esse tempo em família. Ter o equilíbrio entre o trabalho e a vida em casa é um desafio constante, mas é preciso deixar todos os pratos rodando”, destacou Rejane.

PRIORIDADES

mulheres estejam ampliando espaços sociais, estejam nas universidades e até com níveis de instruções maiores que os homens, inclusive conquistando espaços que até há pouco tempo eram unicamente masculinos, a expectativa social é que o espaço doméstico seja dominado por elas. Para uma mulher, é difícil abrir mão desse ‘reino’”, disse. “Culturalmente, a gente acaba reforçando a ideia de que a mulher é melhor para cuidar da criança e o homem para dirigir. Mas a gente vê que isso está mudando”, afirmou a pesquisadora. E o ambiente corporativo pode ser um dos grandes incentivadores dessa transformação. “O mercado de trabalho foi construído por homens e para homens”, explicou Cecília Russo. Porém, algumas empresas estão se atentando que esse modelo, originalmente masculino, tem que ser repensado se a intenção for ampliar a participação feminina no meio corporativo. Iniciativas propostas por companhias como a Mondelez e a Copel, citadas anteriormente na matéria, trazem um novo olhar sobre as necessidades de suas colaboradoras para facilitar a atuação feminina na empresa e incentivar a ocupação delas em cargos de liderança. CONFIRA ALGUNS DESSES BENEFÍCIOS: > Mães podem optar por tirar até 180 dias de licença maternidade ou trabalhar apenas meio período a partir do 4º mês de licença > Pais têm direito a 6 dias além do direito por lei, totalizando 11 dias de licença paternidade > Sala de amamentação > Auxílio-creche > Possibilidade de trabalhar home office > Horários flexíveis

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Outro caminho, que tem sido adotado por um número crescente das mulheres, é, segundo Cecília Russo, permanecer no mercado de trabalho, mas segurar seu desenvolvimento profissional. “Muitas mulheres optam, em determinado momento da carreira, por não subir tanto, pois isso significa abrir mão de coisas que lhe são importantes”. Casada e com um filho de 15 anos, Laura Schuch conta que a carreira sempre veio em segundo plano. “Enquanto o filho não tinha idade para ficar sozinho, por exemplo, se eu e o meu marido tínhamos reunião no mesmo dia, a prioridade de participação era dele, e eu ficava no compromisso com o filho”. Foi tentando equilibrar essas funções, mas sempre com as prioridades bem definidas, que Laura assumiu, em 2012, a gestão de frota do Sistema FIERGS e, hoje, é responsável por 339 veículos e 2 mil condutores que circulam pelas vias do Rio Grande Sul. “Sou competente no que faço e sempre busco aperfeiçoamento e melhorias, mas não vislumbro voos mais altos porque meu filho sempre será prioridade para mim”, destacou.

EQUILÍBRIO POSSÍVEL Formada em Engenharia Elétrica pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), Regine Venturi logo deixou o setor elétrico para cursar o mestrado em Engenharia Aeronáutica no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Também fez um programa de especialização na Embraer e é enfática ao dizer que esses dois programas lhe deram uma base fundamental para que ela tivesse condições de assumir a vaga que está hoje. Ela comanda uma equipe de 80 pessoas, em um departamento exclusivo para a gestão de frotas, e administra cerca de 4 mil condutores e 2.204 veículos que compõem a frota da Copel -

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Companhia Paranaense de Energia. “Eu sou da engenharia, então, sempre vivi em um meio bastante masculinizado, mas nunca senti nenhuma diferença de oportunidade ou tratamento pelo fato de ser mulher”, revelou. Regine é casada há 4 anos e, por enquanto, não tem filhos. Nessa trajetória profissional, o marido, que também é engenheiro, sempre a ajudou muito. “Eu tento conciliar o trabalho evitando levar serviço para a casa. Assim, consigo definir que o tempo que estou na Copel é dedicado 100% para a Copel e o tempo que estou em casa é para me dedicar à família. Uso esse tempo para ficar com meu marido, com meus outros familiares e também reservo um espaço para o desenvolvimento pessoal, pois nunca quero parar de estudar ou aprender alguma coisa”, afirmou. Para tentar encontrar o equilíbrio, Regine busca conciliar várias partes da vida, como trabalho, casa, atividade física e dimensão espiritual, para não deixar nenhuma de fora. As pressões do dia a dia do trabalho com a frota exigem um equilíbrio emocional muito grande e, por isso, há pouco tempo, Regine começou a meditação. “Estou achando que tem dado bons resultados”. É esse equilíbrio o grande desafio da mulher. De acordo com a psicóloga Cecília Russo, por mais que os homens, hoje, participem mais, apoiem e dividam as tarefas, ainda, principalmente aqui no Brasil, a responsabilidade cai mais no ombro da mulher. “Se levarmos em consideração que ela tem que trabalhar e ainda ser a principal responsável pelo gerenciamento familiar, é possível verificar uma sobrecarga”, explicou. Para Cecília, o caminho é a mulher entender que ela não é perfeita e conseguir abrir mão disso. Perceber que não dá para ser 100% em todas as áreas e se permitir fazer o equilibrismo possível.

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Eu tento conciliar o trabalho evitando levar serviço para a casa — Regine Venturi

Sou competente no que faço e sempre busco aperfeiçoamento e melhorias, mas não vislumbro voos mais altos porque meu filho sempre será prioridade para mim — Laura Schuch


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POR Kate Vigneau

Diretora de desenvolvimento profissional da NAFA

CONFERÊNCIA PARAR 2015: FAÇA A DIFERENÇA! Kate Vigneau compartilha sua experiência no Brasil. Confira artigo publicado originalmente na revista canadense Fleet Digest em fevereiro de 2016.

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star diante de mais de 250 profissionais de frotas que exibiam muita resistência e dedicação enquanto esperavam ouvir sobre a NAFA, após quase dez horas de palestras, me fez pensar sobre o quão comprometido e apaixonado era esse público. Desde a minha chegada no aeroporto de São Paulo até 90 minutos em um impressionante tráfego para um delicioso jantar com nossos anfitriões na primeira noite, essa viagem foi uma experiência de grande aprendizado.

TRÂNSITO MORTAL

Eu preciso refletir sobre o trânsito por um momento. O que eu vi saindo do aeroporto era um fluxo constante de quatro a cinco faixas de tráfego em ambos os sentidos, com pistas informais entre as oficiais para motocicletas. O que eu aprendi mais tarde é que existem 84.6 milhões de carros no Brasil e 52.226 mortes devido a acidentes, com mais 595.693 pessoas feridas anualmente. Esse não é o primeiro país onde testemunho isso, mas essa foi certamente a primeira vez que vi um grupo tão comprometido para corrigi-lo. O PARAR, os patrocinadores e os anfitriões dessa Conferência chamaram essa situação de epidemia e a cura dessa epidemia é a missão deles. A Conferência de 2015 foi o terceiro evento desse tipo e ganhou maior projeção no país com grandes palestrantes como Emerson Fittipaldi, piloto muito querido e famoso no circuito de Fórmula-1, Luciano Burti, comentarista de automobilismo e piloto de Stock Car e Amyr Klink, navegador e explorador.

COMPROMETIMENTO COM A CAUSA Das sessões, ressoaram visão e propósito. O destaque do evento foi o convite aos participantes para assinarem um 'Manifesto', comprometendo a sua organização e eles mesmos com a missão do PARAR. Havia poucos olhos secos na plateia quando cerca de

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500 participantes subiram ao palco para demonstrar seu compromisso pessoal com a causa. A experiência inteira me fez lembrar porque me tornei tão apaixonada por frota. Foi mesmo a segurança e a capacidade de fazer a diferença e salvar vidas que me atraíram para esse negócio. Ouvir mais de 20 apresentações durante dois dias lembrou-me que talvez me tornei um pouco complacente sobre o que tinha originalmente me levado para a profissão. Claro, o Canadá é, em muitas áreas, melhor do que o Brasil. Nós temos estritamente aplicado leis de cinto de segurança com o cumprimento de 95%, enquanto ainda é raro para os brasileiros usar cinto de segurança no banco de trás. Nossos padrões de fabricação são muito superiores aos do Brasil, onde air bags e controle de tração não são itens padrão. Ainda assim, há muitas áreas que podemos melhorar – distração à direção, beber e dirigir, direção sob condições inseguras e outras causas evitáveis continuam a contribuir para milhares de acidentes e mortes no Canadá.

CENÁRIO MAIOR Além de questões relacionadas à segurança, palestrantes tocaram em temas como relações com fornecedores, questões de responsabilidade socioeconômicas, política de frotas, o papel da gestão e as diferenças entre frota própria e frota locada. Isso reforçou o fato de que, apesar de todas as diferenças, os gestores de frota estão lidando com muitos dos mesmos problemas na América do Sul e no Canadá. Estou ansiosa para receber um grupo do Instituto PARAR no próximo NAFA I&E, que será realizado em Austin, de 19 a 22 de abril de 2016. Motivada pela paixão do PARAR e o sucesso no Brasil, os próximos eventos da NAFA retornarão para nossas mensagens principais de segurança e capacitação com um relançamento do nosso poderoso “Distracted Driving Statement and Keynotes”, que contém importantes iniciativas de segurança.


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COMITIVA NAFA 2016

a semana em que os brasileiros discutiam a votação do impeachment na câmara dos deputados, uma comitiva do PARAR se reuniu para visitar mais uma vez o NAFA Institute & Expo, o principal e maior evento de gestão de frotas do planeta. Viajaram conosco gestores de frotas, membros do PARAR e também fornecedores interessados em aprender e debater conceitos para melhorar a gestão de frotas no território nacional. O evento aconteceu em Austin, no estado do Texas, durante os dias 19 e 22 de abril e reuniu cerca de 1 mil gestores de frotas para os dias de palestras e feira de negócios. Durante esse período, a comitiva do PARAR pôde conferir o rumo que tendências como mobilidade, sustentabilidade e segurança estão tomando na gestão de frotas. Se você está entre os que não conseguiram acompanhar o evento de perto, a PARAR Fleet Review traz para você um pouquinho de tudo o que aconteceu em Austin.

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Fotografia: Larissa Fernandes


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Uma delegação de brasileiros no maior evento de gestão de frotas do mundo

MELHORES PRÁTICAS DE SEGURANÇA E MOBILIDADE SÃO REFERÊNCIAS PARA OS GESTORES Dentre os temas que foram abordados durantes as sessões de palestras da NAFA I&E, duas áreas tiveram destaque: a segurança e a mobilidade. No campo da mobilidade, por exemplo, pudemos ver que apenas 20% dos empregados têm um veículo designado para suas funções, em média. Portanto, o gestor de frotas acaba ignorando os 80% que não têm carro fora de sua área de atuação. Essas pessoas também se deslocam diariamente e poderiam ser abastecidos pelas estratégias de mobilidade da empresa. Outro ponto importante, trazido por Florian Waldegger, da Arval, foi a menção de que cerca de 40% dos carros geridos na Europa compõem frotas de benefício (ou seja, não são apenas ferramentas de trabalho). Em um contexto onde a paixão pelo carro era unanimidade entre as pessoas, como acontecia há alguns anos, isso fazia sentido. Era comum, anteriormente, o modelo do carro ser usado como um símbolo de status para um gestor que subia na hierarquia da empresa. Contudo, a nova geração já está mudando de comportamento e, ao invés do benefício do carro, tem preferido opções que oferecem mais mobilidade e flexibilidade. Essa geração se relaciona de forma diferente com os veículos e também com o espaço urbano em geral e o gestor de frotas precisa entender essa transformação cultural. Waldegger sugere que as companhias adotem orçamentos de mobilidade, alocando verbas para cada funcionário e deixando que eles mesmos decidam como preferem se deslocar no caminho para o trabalho e durante a execução de suas atividades profissionais. A comitiva do PARAR pode ver, durante a viagem, que em matéria de mobilidade, o Brasil ainda tem muito a aprender

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com os Estados Unidos e a Europa. Nessas regiões, a infraestrutura, a tecnologia e os processos já existem com certo avanço. É comum, por exemplo, encontrar veículos elétricos compartilhados pelo centro de Austin. Em outros temas, no entanto, estamos muito bem posicionados. “O Brasil também é vanguarda em assuntos de frota leve. Os Estados Unidos estão em um nível diferente, mas há questões, sim, que nós já estamos liderando”, explica Luis Claudio Souza Jr., o primeiro brasileiro a conseguir a certificação CAFS oferecida pela NAFA. Um desses exemplos é o debate sobre segurança. Durante a visita à frota de Austin, a comitiva do PARAR pode ver que há uma série de indicadores de eficiência sendo trabalhados e também um interessante processo de adoção de combustíveis alternativos para os veículos da frota. Nenhum índice de segurança ou controle aprofundado de causa de acidentes foi apresentado, no entanto. Quando questionamos a equipe, eles indicaram que esse seria o próximo passo (atuar sobre o comportamento dos condutores), mas que esse ainda era um projeto a ser iniciado. Em outro momento, nossa comitiva foi informada de que, inspirados pelo relacionamento com o PARAR, a NAFA adotou uma política de “No Distracted Driving” mais rígida, inclusive, que o código de trânsito do país. A associação de gestores de frotas desaconselha o uso de qualquer tipo de dispositivo que possa trazer distração ao motorista. Nem mesmo os dispositivos que mantém as mãos do condutor no volante enquanto conversa ao celular são recomendados.

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COMITIVA NAFA 2016 Austin: uma cidade a caminho da sustentabilidade

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Quadro de assinaturas destaca gestores que assumiram o compromisso com a política de “No Distracted Driving”.

A adoção de estratégias de desenvolvimento social e ambiental na gestão de frotas esteve presente durante todo o evento. A preocupação com a segurança dos condutores, com a mobilidade urbana e com o meio ambiente é vista por eles como uma estratégia de negócios bastante competitiva. Como afirmou Kent Rathwell, Presidente e Fundador da Sun Country Highway, “se você conseguir ser ambientalmente, socialmente e economicamente sustentável, você terá um modelo de negócios que dificilmente será superado”.

UMA “SENHORA” FEIRA DE NEGÓCIOS Quase tudo o que acontece na NAFA requer medidas de grandezas diferentes das que nos acostumamos a trabalhar por aqui. A associação chegará aos seus 60 anos em 2017, e essa história se reflete na maturidade do mercado de gestão de frotas na América do Norte. Por isso, a feira de negócios consegue reunir uma série de fornecedores para cada um dos segmentos. Em Austin, mais de 200 expositores se reuniram no salão do evento para apresentar as últimas novidades em veículos, sistemas de gestão, telemetria, adaptações, combustível e outras áreas relacionadas. A ideia é oferecer seus produtos e serviços para os mais de 3,7 milhões de veículos que compõem a frota dos membros da associação. Há um ano do próximo evento, 65% dos espaços disponíveis para 2017 já estão comercializados, o que indica que a próxima feira de negócios será ainda mais interessante. O evento está programado para acontecer em Tampa, na Flórida, entre os dias 25 e 28 de abril de 2017.

ustin é a capital do estado do Texas e tem cerca de 885 mil habitantes. A frota pública da cidade foi uma das vencedoras do concorrido Flexy Awards (a principal premiação da NAFA) na categoria Excelence in Fleet Safety – Public. Além disso, eles já foram condecorados com o prêmio NAFA Sustainable Fleet Awards, em 2011. A frota de Austin é composta atualmente de cerca de 6.200 veículos, que vão desde cortadores de grama até caminhões de bombeiro. São 225 funcionários coordenando um consumo de 19 milhões de litros de combustível por ano. Deste total, entre 20-30% dos veículos são movidos a gás natural ou eletricidade, o que ainda é pouco, para uma cidade que quer neutralizar suas emissões de carbono até 2020. E, como a frota da cidade é responsável por 83% da “Pegada de Carbono” de Austin, a gestão dos veículos se tornou tema relevante para a administração como um todo. O interesse da alta direção do município foi um dos fatores determinantes para o sucesso da transformação da frota de Austin. Jeniffer Walls, uma das principais gestoras de frota da equipe, contou que as coisas começaram a mudar quando a gestão de frotas passou a fazer parte da estratégia global do município (ver box).

A ESTRATÉGIA DA CIDADE DE AUSTIN MISSÃO: ser a cidade mais habitável do país VISÃO: ser a cidade mais bem administrada do país VALORES: serviços públicos e engajamento, responsabilidade e prestação de contas, inovação e sustentabilidade, diversidade

Saiba mais: no Facebook do Instituto PARAR, você encontra dois

e inclusão, e ética e integridade (esses valores, em conjunto,

vídeos gravados direto da feira de negócios da NAFA I&E.

criam o acrônimo Pride, que em português significa “orgulho”)

Acesse: Facebook.com/InstitutoPARAR

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A cidade de Austin está passando por uma série de projetos que visam torná-la mais sustentável.

Sabemos quanto trabalho é dedicado a cada veículo, quanto combustível ele utiliza ou quantas peças são necessárias para essa gestão.

A USINA ABANDONADA

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A criação de processos de gestão e controle também tem contribuído para que a equipe possa demonstrar os resultados de suas atividades. Mesmo sendo uma atividade governamental, a frota de Austin precisa ser competitiva. Se o trabalho da equipe não for eficaz, a cidade pode optar por privatizar a gestão de frotas e terceirizar o serviço, por exemplo. Por isso, Walls afirma: “Nós medimos tudo. Sabemos quanto trabalho é dedicado a cada veículo, quanto combustível ele utiliza ou quantas peças são necessárias para essa gestão”. Através de uma proposta que incluiu a centralização da compra de veículos na área de frotas; o aumento da infraestrutura de abastecimento com combustíveis alternativos; e educação e treinamento, a frota de Austin conseguiu elevar de 7% para 77% a proporção de veículos movidos a combustíveis alternativos na cidade. A cidade é um exemplo de que, mesmo em um ambiente extremamente dinâmico (a população de Austin é a que mais cresce nos EUA, proporcionalmente), grandes mudanças podem ser realizadas.

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utro exemplo de como transformações importantes podem ser realizadas veio de uma visita que a nossa comitiva fez a uma usina abandonada da cidade. Conhecemos o terreno de uma usina movida a vapor que hoje se tornou uma construção sustentável que abriga imóveis residenciais e escritórios de empresas de tecnologia. Como explicou Bill McCann, gestor do projeto que deu vida à antiga usina, a cidade de Austin está passando por uma série de projetos que visam torná-la mais sustentável. Além do projeto que visitamos, uma série de outros prédios públicos está sendo remodelada. McCann contou que a antiga tubulação da usina foi reaproveitada, transformando-se, entre outras coisas, em um reservatório para captação de água da chuva – algo determinante para uma cidade que enfrentou secas significativas nos últimos oito anos. O projeto foi financiado com a ajuda da emissão de títulos que tinham como garantia os impostos que seriam cobrados, no futuro, dos habitantes do prédio. Ou seja, a prefeitura ofereceu benefícios aos realizadores da obra em troca dos impostos que seriam cobrados da região em anos posteriores; e emitiu títulos para antecipar esta receita e financiar a obra.

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Unidos pelo mesmo propósito Turma do Programa para Gestores de Frota, exclusiva para profissionais da Alelo, teve 85% de aprovações e o primeiro 10 da história do curso

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ormar multiplicadores do propósito de melhorar o trânsito e salvar vidas. Esse sempre foi, e ainda é, o que motiva o Instituto PARAR a capacitar os gestores de frota. Incentivar esses profissionais a saírem do casulo, a assumirem a função de protagonistas dentro de suas empresas e a serem os agentes transformadores desse mundo. Ao longo dos últimos anos, tivemos a sorte de encontrar parceiros que também acreditam nesse propósito e que estão dispostos a lutar por ele com a mesma paixão e empenho com que nós lutamos. Uma dessas empresas é a Alelo, empresa líder no setor de benefícios e gestão de despesas corporativas. A corporação, assim como o PARAR, acredita que é fundamental priorizar e garantir a segurança de seus colaboradores no caminho entre a casa e o trabalho e sabem que o pilar disso tudo é a educação. Além de patrocinar 250 inscrições no PGF (Programa para Gestores de Frota), que serão destinadas aos profissionais da área de logística, frota, custos, ou qualquer gestor que esteja envolvido nas decisões referentes à gestão de frotas leves das empresas, a Alelo fechou uma turma especial do curso, exclusiva para seus colaboradores. Não apenas o time comercial, mas profissionais de operações, tecnologia e produtos estão fazendo o PGF e a expectativa é que, em breve, 100% da equipe seja certificada. “Foi muito interessante ver que outras áreas também se candidataram para fazer o curso, motivadas pelo propósito de melhorar o trânsito e salvar vidas”, revelou Roberto Niemeyer, diretor da unidade de negócios Gestão de Despesas Corporativas da Alelo. Ele ressalta que o que começou como uma causa, hoje virou um propósito. “Causa é aquilo que você abraça, já o propósito vem de dentro. É uma alegria ver que essa visão transbordou para a empresa inteira”. Até o momento, 85% das pessoas que fizeram o curso foram aprovadas, índice superior à média de aprovação do

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PGF que é 64%. Além disso, é do time Alelo a primeira aluna a gabaritar a prova, alcançando a nota máxima de 10 pontos. Ariane Buzanello, coordenadora de gestão de produto da Alelo, conta que o PGF foi um grande marco para ela se aprofundar no mercado de gestão de frotas. “Aproveitei essa oportunidade para adquirir mais conhecimento sobre o setor”, afirmou. O brilhante resultado é consequência de uma rotina de estudos organizada que a permitia revisar os módulos e fazer os exercícios propostos. “Com essa disciplina, consegui estudar aos poucos e dar a devida atenção a cada um dos conteúdos”. Os resultados foram motivo de muito orgulho para a Alelo e o objetivo daqui para frente é fazer com que o conhecimento adquirido por todo o grupo gere uma transformação importante no setor. “Queremos ajudar os nossos clientes a capacitar seus condutores e, dessa forma, reduzir os comportamentos de risco no trânsito, bem como a quantidade de acidentes e mortes. Nosso time realmente acredita e trabalha para que possam fazer a diferença”, ressaltou Roberto Niemeyer..

ARIANE BUZANELLO É DO TIME ALELO A PRIMEIRA ALUNA A GABARITAR A PROVA, ALCANÇANDO A NOTA MÁXIMA DE 10 PONTOS.


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UM DIPLOMA DE CADA VEZ, UMA VIDA DE CADA VEZ

Inspirado no modelo de negócios “One for One”, o Programa para Gestores de Frotas expande suas fronteiras através da doação de cursos

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conceito que temos de inovação é bastante influenciado pela ideia de sua aplicação econômica. Acreditamos que as boas inovações são as que geram margens de lucro interessantes, pois essa é a definição que foi cunhada no início dos estudos sobre o tema, no início do séc. XX. E, embora muito importante, esse conceito de inovação às vezes deixa de fora caminhos diferentes que possam levar a ganhos econômicos. Algumas décadas após a morte de Schumpeter, um dos pais dos estudos sobre inovação, nossa geração de profissionais tem conseguido criar modelos de negócio que unem objetivos econômicos com avanços para a sociedade e melhorias ambientais.

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Em muitos casos, esses novos modelos de negócio parecem um pouco “avançados” para o nosso tempo, mas é justamente este tipo de mudança que causa as maiores transformações. “O veículo elétrico, hoje, faz tanto sentido quanto o veículo a gasolina na época dos cavalos”, explica Kent Rathwell, Presidente e Fundador da Sun Country Highway, uma empresa de estrutura para veículos elétricos. Para Rathwell, o mais interessante é que as pequenas mudanças têm potencial para detonar transformações maiores. “Não é preciso mudar um mercado todo. Basta criar inovações em parte dele para forçar o resto a mudar”, afirma. Quase sempre, as boas ideias encontram ecossistemas que as ajudam a se estabelecer e


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A cada par de sapato vendido, a companhia doa outro a alguém que não teria condições de comprá-los.

a ganhar escala. Foram pensamentos assim que possibilitaram a criação da TOMS, uma empresa cujo principal negócio é vender e doar calçados. Seu fundador, Blake Mycoskie, nunca havia trabalhado com sapatos, mas ao descobrir que, em algumas partes do mundo existiam pessoas que passavam a vida toda sem colocar os pés em um par de sapatos, criou um modelo de negócio cuja principal atividade é doar sapatos aos mais necessitados. O cartão de visitas de Mycoskie traz o cargo de “Doador de Sapatos Chefe”, ao invés de “CEO” ou “Presidente”. Em uma entrevista recente, ele contou que escolheu esse título porque a doação está no centro do modelo de negócios da TOMS. A cada par de sapato vendido, a companhia doa outro a alguém que não teria condições de comprá-los. Com essa proposta, a TOMS doou mais de 10 milhões de pares nos últimos 10 anos. O conceito aplicado pela empresa ficou conhecido como one for one (ou seja, para cada produto comprado, doamos algo de igual valor). E a ideia deu tão certo que foi estendida para outras áreas. Atualmente, a empresa doa um tratamento de visão para cada par de óculos vendido em suas lojas (já foram vendidos mais de 175 mil pares de óculos), cede água potável ao país onde

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seus cafés são produzidos, oferece acompanhamento pré-natal para cada bolsa comercializada nas lojas, e por aí vai. Infundidos pelos ideais de Blake Mycoskie, o PARAR também criou sua proposta de One for One. Para cada matrícula vendida do PGF (Programa para Gestores de Frotas), o PARAR doará uma matrícula gratuita para outro gestor de frotas. “Há alguns anos temos buscado melhorias no trânsito brasileiro. O One for One vai acelerar esse processo de transformação”, conta Flavio Tavares, PARAR Leader. “Não podemos esperar que todas as mudanças venham dos governos ou da caridade das pessoas. As empresas precisam criar propostas de negócio que nos direcionem a uma sociedade melhor”, relata. Ao colocar as necessidades da sociedade em primeiro plano, grandes mudanças acontecem. Foi com essa mentalidade que Rathewell ajudou a instalar postos gratuitos de recarga para veículos elétricos na maior estrada do Canadá. Foi também com esse pensamento que Blake Mycoskie conseguiu criar uma empresa que doa mais de 1 milhão de pares de sapatos a cada ano. E é assim que o PARAR tem ajudado a melhorar os indicadores de trânsito do Brasil. É desse tipo de inovação que a nossa sociedade precisa.

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Enquanto no mundo corporativo é comum vermos empresas que tratam o erro de forma punitiva, surge a proposta de inverter esse jogo: Esse foi o número de acidentes aeronáuticos registrados em 2015, o que resultou em 560 óbitos no mundo. Se levarmos em consideração os 34 milhões de voos registrados, é possível afirmar que ocorreu um acidente fatal a cada 4.857.000 voos. Isso significa que, em termos de acidentes fatais, 2015 foi o ano mais seguro da história da aviação comercial e o quinto em termos de fatalidades. Os dados são da Aviation Safety Network (ASN) e mostram o quanto ainda devemos aprender com aviação quando se fala em segurança e, mais especificamente, em cultura de segurança. Infelizmente, o trânsito brasileiro apresenta um cenário avassalador. Só em 2015, segundo o DPVAT, morreram 42.501 pessoas, vítimas de acidentes que ocorreram nas ruas e rodovias do país. A violência no trânsito brasileiro é sintomática. Revela o quanto nós, como sociedade e membros da iniciativa privada, devemos ser os grandes incentivadores de uma mudança cultural, que tem a segurança como principal valor. Na aviação, para falar em cultura de segurança é preciso abordar, basicamente, três pontos: a cultura justa, a cultura de report e a cultura de aprendizado. Enquanto no mundo corporativo é comum vermos empresas que tratam o erro de forma punitiva, surge a proposta de inverter esse jogo. Na Gol Linhas Aéreas, o erro é assumido e encarado como uma oportunidade de aprendizado. Isso porque os colaboradores são incentivados a compartilhar erros e problemas enfrentados durante a operação e se sentem suficientemente seguros para fazê-lo. Eles sabem que essas informações servirão para que melhorias sejam efetuadas. “Eu preciso saber o que está acontecendo na minha empresa e quem é que deve dizer isso para mim? Quem está ali na linha de frente”, explicou Maria Carolina Vannucci Salem, especialista em Flight Data Monitoring da Gol Linhas Aéreas. Para que isso dê certo, é necessário que todos estejam cientes de que suas notificações serão tratadas de maneira justa e de que não vão haver consequências desproporcionais.

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“Nada disso é sobre escapar da responsabilidade, mas sim sobre aumentar a responsabilidade. Aumentar o número e a riqueza das histórias contadas pelas pessoas, de como a sua organização pode aprender e melhorar”, esclareceu Sidney Dekker, professor e diretor do Safety Science Innovation Lab na Griffith University em Brisbane, na Austrália, em entrevista disponível no YouTube. Para James Reason, psicólogo inglês e referência na compreensão do comportamento humano na ocorrência do erro, define cultura justa como uma atmosfera de confiança em que as pessoas são encorajadas (e até recompensadas) a prestar informações essenciais em relação à segurança, mas também na qual devem estar claramente definidas as linhas que dividem o comportamento aceitável do não aceitável. É preciso gerenciar esses limites. “O dilema é claro. Vão acontecer situações em que você percebe que tem que cobrar responsabilidade por determinadas ações ou eventos, mesmo sabendo que vão inibir notificações no futuro. É nesse momento que chega a cultura justa. Para balancear a responsabilidade com aprendizado”, pontuou Dekker. A construção de ambiente favorável ao desenvolvimento de práticas que tragam resultados e crescimento depende, de acordo com Maria Carolina, da busca constante de corrigir erros. Porém, os limites devem ser observados e gerenciados. “O FDM (Flight Data Monitoring) é um programa não punitivo, mas até quanto uma empresa deve tolerar que um piloto, que está com uma aeronave de milhões de dólares na mão e levando pessoas dentro dessa aeronave, cometa erros? Até quanto é tolerável que um motorista dirija a 140 km/h numa rodovia que ele tem que dirigir no máximo a 90 km/h?”, ressaltou. Falhar é parte da condição humana. Nós não podemos mudar aquilo que é nossa natureza, mas podemos oferecer condições para que esses erros sirvam de reflexão, exemplo, aprendizado e crescimento.

Fotografia: Divulgação


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COMO CONSTRUIR UMA CULTURA JUSTA

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Não fique preso a uma linha ilusória do que é um comportamento aceitável e do que não é. Ao invés disso, avalie quem estabelece esses limites na sua organização e, se não gostar do que encontrar, entre na discussão para mudar. Avalie a forma como você lida com os incidentes na sua empresa. Certifiquese de que as pessoas não fiquem estigmatizadas, ofereça um suporte pessoal apropriado e não aplique penalidades desproporcionais. Veja se você consegue ter uma equipe independente para lidar com as notificações. Esses reports não devem ser encaminhados para o chefe imediato, pois isso pode ser um caminho certo para inibir a transparência. Mesmo que você tenha que aceitar demandas legais da sociedade para acessar o que está acontecendo em sua organização, veja como você pode proteger seus dados de processos judiciais externos. Certifique-se de que sua equipe sabe o que deve fazer após um incidente. Com quem falar, com quem não falar, em outras palavras, é preciso reduzir a ansiedade sobre quem vai definir os limites daquele comportamento. FONTE: Sidney Dekker, professor e diretor do Safety Science Innovation Lab na Griffith University em Brisbane, na Austrália (https://youtu.be/UPma2IVh9fA)

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ERRANDO, MAS APRENDENDO C

aroline Bücker, mestre em Educação, cofundadora do Coletivo Thinkers Poa e pesquisadora em projetos de aprendizado criativo, esclarece como o erro pode ser uma ferramenta importante na aprendizagem. PARAR MUITAS VEZES SOMOS CONDICIONADOS A TER UMA POSTURA PUNITIVA QUANTO AOS ERROS. ESSE SERIA O MELHOR CAMINHO PARA LIDAR COM ELES? CAROLINE BÜCKER (CB): Acredito que não. A postura punitiva tende a levar a criança e mesmo o adulto a querer somente acertar, ao invés de errar. Caso vá sendo punida, a pessoa vai deixando de tentar. O importante é ver o erro como uma tentativa de acerto. Gerar estímulos para que a pessoa siga tentando até que acerte seria o melhor caminho. PARAR: COMO É POSSÍVEL UTILIZAR O ERRO COMETIDO PARA PROMOVER LIÇÕES DE APRENDIZADO? � CB — Conversar e procurar entender onde a criança ou a pessoa está tentando chegar, seja a solução de um problema, a criação de algo novo ou até mesmo a reformulação de algo. Tratar o aprendizado como um processo onde existem erros e acertos ajuda a gerar motivação para a construção da competência, que seria quando acertamos e não erramos mais. A vivência emocional e corporal do erro como algo "errado" gera um sofrimento e que passa a ser evitado. Caso seja tratado como uma tentativa, pode ser vivenciado como algo positivo para o atingimento do acerto, que gera um bem-estar e felicidade para a pessoa. PARAR NA CULTURA JUSTA, MAIS IMPORTANTE DO QUE PUNIR PELO ERRO É ENTENDER O PORQUÊ ELE FOI COMETIDO PARA QUE MELHORIAS SEJAM IMPLANTADAS. PODEMOS FAZER UM PARALELO COM A EDUCAÇÃO E O PROCESSO DE CRESCIMENTO INCENTIVADO PELA FAMÍLIA E PELA ESCOLA?

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� CB — Com certeza! O processo de crescimento depende de uma série de fatores que quando conjugados ajudam a pessoa a realizar o processo, que é sempre uma transição, e por isso um tanto insegura. A família (quando apoia) e a escola, tem um papel relevante de oferecer o apoio para que a pessoa possa ser estimulada, possa se desenvolver e ter a coragem necessária para crescer. E para crescer, ela provavelmente terá que errar. Por isso, a importância de criar esse ambiente de apoio. Dentro de uma empresa, normalmente o profissional já sabe o que se espera dele, neste caso, as pessoas da empresa podem ajudar a criar o ambiente de apoio para que ele possa experimentar, agir, ser capacitado, e se capacitar experimentando, vivenciando, até encontrar a sua forma de agir, alinhada ao seu conhecimento/ capacidade e aquele desejado pela empresa. PARAR UMA EDUCAÇÃO QUE "SUPERVALORIZA" OS ACERTOS PODE SER PREJUDICIAL? � CB — Acredito que ela possa desvalorizar as tentativas ou os erros quando somente super-valoriza os acertos. Mas desde que seja valorizado o processo como um todo, os acertos podem e devem ser comemorados, celebrados, pois eles representam a conclusão de um processo, uma trajetória pela qual a pessoa passou e para a qual se dedicou.

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> CAROLINE BÜCKER

Mestre em Educação, cofundadora do Coletivo Thinkers Poa e pesquisadora em projetos de aprendizado criativo

PARAR COMO UMA ATITUDE MADURA EM RELAÇÃO AO ERRO PODE CONTRIBUIR PARA O PROCESSO DE CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL? � CB — Antes de responder a isso seria bom definirmos o que é uma atitude madura em relação ao erro. Na minha visão ela depende de alguns aspectos: a) olhar e acompanhar o processo da pessoa no seu desenvolvimento profissional (muitas vezes ninguém se responsabiliza e a pessoa fica solta e sem referências até mesmo para se inspirar ou sentir que está sendo cuidada/acompanhada). b) ajudá-la a construir um caminho possível e desejado, entendendo como ela pode contribuir mais para o seu desenvolvimento e da empresa. c) dar feedback sobre o processo, ao invés de somente apontar o erro quando ele acontece. Essa atitude pode contribuir de forma relevante para o desenvolvimento pessoal e profissional, estimulando a pessoa a desenvolver as competências, a visualizar o caminho e as forças que serão exigidas dela no processo, para que esteja preparada. A presença e a consciência dela em todo o processo a ajudarão a identificar e compreender o erro, gerar reflexão e, a partir dele, chegar aos acertos e à realização.

Caso vá sendo punida, a pessoa vai deixando de tentar. O importante é ver o erro como uma tentativa de acerto. Fotografia: Divulgação


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VEM AÍ: IV CONFERÊNCIA GLOBAL PARAR

Maior evento sobre gestão de mobilidade corporativa da América Latina será realizado em novembro

NOS DIAS

9 e 10 de novembro, a cidade de São Paulo abre espaço para o maior evento sobre gestão de mobilidade corporativa da América Latina. Com mais de 16 horas de conteúdo, palestras internacionais e feira de negócios com os principais lançamentos do setor, a IV Conferência Global PARAR promete ser o mais completo evento realizado pelo Instituto PARAR em toda a sua história. Um dos pilares de atuação do PARAR, a edição de 2016 espera reunir 600 gestores presencialmente, que representam uma frota com mais de 1 milhão de veículos. Devido ao sucesso do ano passado, a Conferência será, mais uma vez, transmitida online para gestores conectados de todo o mundo. Portanto, a expectativa é que mais de 3 mil profissionais também acompanhem o evento pela internet, obtendo assim o maior o público da Conferência em todas as suas edições. Com a grande procura por gestores de outros países, o evento terá tradução simultânea em inglês, inclusive para os que estiverem conectados pela transmissão online. Outro ponto de destaque é o conteúdo. Estamos ainda há alguns meses do evento, mas já é possível elencar algumas novidades imperdíveis. A aviação e suas lições de segurança, treinamento e capacitação serão um dos pilares da Conferência, incorporados não somente no conteúdo das palestras, mas também na própria estrutura do evento. Ao longo deste ano aprendemos muito com a aviação civil, em especial com a Gol Linhas Aéreas, parceira do PARAR nessa jornada, e a Conferência Global será o lugar ideal para que alguns pontos sejam reforçados. Também vamos lançar oficialmente o novo posicionamento do gestor de frotas atual, que mais do que um gestor de frota é um gestor de mobilidade corporativa. O Instituto PARAR vai trazer nomes referenciais na área para mostrar a esses profissionais como é possível começar essa mudança e o que deve ser levado em consideração na hora de se implantar e incentivar

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novos modais para tornar os deslocamentos dos seus colaboradores mais eficientes, estratégicos e dinâmicos. As palestras ainda vão levantar discussões sobre segurança viária, política de frota, sustentabilidade, empreendedorismo e economia compartilhada. Como convidados especiais e destaques confirmados nessa edição temos: Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço, Phill Russo, presidente da Associação Norte-Americana de Gestores de Frota (NAFA), Kate Vigneau, diretora de desenvolvimento profissional da NAFA e Ozires Silva, educador e fundador da Embraer, o grande homenageado do evento pelo seu exemplo de inovação, coragem e persistência. Além disso, haverá a premiação das melhores práticas na gestão de frotas leves durante a cerimônia do Prêmio PARAR 2016.

PARAR KIDS NA CONFERÊNCIA Pela primeira vez, a Conferência Global PARAR terá um espaço exclusivo para as crianças, filhos dos profissionais inscritos no evento, com o intuito de estimulá-las a refletir sobre mobilidade urbana e segurança no trânsito. Em parceria com o Instituto Renault, será montada uma minicidade, com ruas, semáforos, placas de sinalização, faixas de pedestre e ciclovias. Dessa forma, as crianças, de 6 a 12 anos, irão vivenciar, de forma lúdica, situações de mobilidade coletiva e individual, que incluem conduzir carrinhos elétricos com um colega de carona e exercitar a intermodalidade, fazendo parte dos percursos de bicicleta e a pé. Com uma equipe formada por monitores, educadores e publicitários, elas também serão incentivadas a criar campanhas para disseminar boas práticas no trânsito. O resultado dos dois dias de atividades será apresentado pelas crianças no final do evento. Mais informações: www.institutoparar.com.br/conferencia2016


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DR. CARLOS RESPONDE

Riscos de responsabilização criminal do gestor de frotas

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frota é uma operação de alto risco. E se houver alguma dúvida quanto a essa afirmação, basta dar uma olhada nos números caóticos do trânsito brasileiro. Segundo o DPVAT, mais de 40 mil pessoas perdem suas vidas todos os anos e, se esse número não for suficientemente estarrecedor, outras 500 mil (!) pessoas ficam inválidas em decorrência de incidentes de trânsito no Brasil. Simplesmente uma catástrofe de dimensões épicas que não recebe – nem de longe – a devida importância e tratamento. Infelizmente, é dentro desse cenário que desenvolvemos as operações da frota. Por isso, antes de tudo, é muito importante que o gestor tenha plena consciência de que, muito mais que um mero administrador do patrimônio, ou de mobilidade, ele é um gestor de pessoas, de vidas humanas.

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Dr. Carlos Tudisco: especialista em direito corporativo e gestão de frotas.

Mas, retornando ao foco do nosso tema, pergunta-se: em quais situações o gestor da frota (ou da empresa) corre o risco de ver-se responsabilizado criminalmente por atos de seus colaboradores no trânsito? Para responder a essa pergunta, vamos começar pelo básico. Se na sua empresa não há controle de pontos da habilitação de seus colaboradores, cuidado! O artigo 310 do Código de Trânsito Brasileiro considera crime e imputa uma pena de 6 meses a 1 ano de detenção, mais a aplicação de uma multa, para quem: permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada, com habilitação cassada ou com o direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a quem, por seu estado de saúde, física ou mental, ou por embriaguez, não esteja em condições de conduzi-lo com segurança. Ou seja, se o seu colaborador estiver dirigindo (por exemplo) com o direito de dirigir suspenso e vier a ser abordado em uma


Não é demais repetir a importância de uma Política de Frota consistente, onde fiquem claras as regras de segurança e o papel de cada um no seu cumprimento

fiscalização de trânsito, você poderá ser indiciado criminalmente com base no artigo 310 do Código de Trânsito. Simples assim. Isso torna incontestável a importância da implantação do controle de pontos da CNH, algo relativamente simples, que pode ser determinado ao próprio condutor através de uma cláusula na Política de Frota onde o motorista se compromete a apresentar, a cada certo período de tempo, um extrato da pontuação de sua CNH. Mas isso não seria “invasão de privacidade”? (essa é uma pergunta recorrente). Claro que não. Se a legislação imputa crime entregar veículo automotor para pessoa não habilitada ou com o direito de dirigir suspenso, como poderia vir a ser considerada invasão de privacidade ou abuso de direito, requerer que essa pessoa comprove que está apta a dirigir a serviço da empresa, conforme determina a Lei? São dispensáveis maiores observações. Há ainda outros riscos. Por exemplo, se esse mesmo condutor se envolver em um acidente com vítimas, onde venha causar lesões corporais, ou a morte de terceiros, poderá o gestor que entregou o veículo, ser indiciado como corresponsável pelos crimes de homicídio ou lesões corporais culposas – crimes previstos nos artigos 302 e 303 do Código de Trânsito – em razão do disposto no art. 29 do Código Penal Brasileiro, cuja redação vale transcrever: ''Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade.'' Importante salientar as palavras do texto “quem de qualquer modo”, ou seja, no exemplo citado, para se livrar de uma condenação, o gestor teria que fazer prova de que não sabia, ou que foi induzido ao erro pelo colaborador quanto à sua incapacidade para dirigir, prova relativamente complexa se não houver uma Política de Frota, onde conste de forma clara quem assume a responsabilidade pela entrega ou recebimento da informação sobre a CNH. Ainda no âmbito da responsabilização criminal, esse mesmo artigo 29 do Código Penal pode causar sérios embaraços ao Gestor da Frota caso um de seus condutores venha a se envolver em in-

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cidente com vítimas, decorrente de falha ou falta de manutenção preventiva ou corretiva de segurança. Isso, se na análise do acidente/incidente ficar constatado que o elemento que lhe deu causa foi um item de segurança do veículo, elemento este que deveria ter sido vistoriado ou reparado. Constando-se que essa manutenção não ocorreu por alguma negligência do responsável, terá o gestor “concorrido” para as lesões corporais ou homicídio de forma culposa. Uma observação: por crime culposo, nesse contexto, entende-se aquele em que, apesar do agente causado não desejar o resultado, acaba permitindo que aconteça por uma omissão “negligente”. Além desses exemplos, é conveniente lembrar que, para os gestores que lidam com cargas perigosas, com potencial para gerar danos ambientais em caso de acidente, o risco de responsabilização criminal tem seu fundamento expressamente determinado no artigo 2º da Lei 9.605/1998, mais conhecida como Lei dos Crimes Ambientais, que determina: ''Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la.'' Diante desse cenário, não é demais repetir a importância de uma Política de Frota consistente, onde fiquem claras as regras de segurança e o papel de cada um no seu cumprimento. Para isso, é de suma importância que cada gestor identifique na sua operação todos os pontos que podem gerar riscos pessoais ou para o patrimônio para, a partir dessa análise, estabelecer de forma precisa a quem cabe a responsabilidade pelo cumprimento das regras de manutenção, segurança, controle e fiscalização. Com isso, não somente diminui muito a possibilidade de responsabilização criminal dos gestores, como também, na prática, haverá um ganho considerável em segurança e, consequentemente, menos acidentes e outros sinistros. Todos ganham.

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PARAR ON THE ROAD

Rio de Janeiro

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Fotografia: Marcelo Vallin


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O PARAR movimentou três das principais capitais do Brasil com a chegada do PARAR On The Road. Foram 24 horas de conteúdo, discussões, oficinas e muito network. Confira os melhores momentos dos eventos realizados no Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS).

Curitiba

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Fotografia: Mario Vicente Bonacin

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TA K E S

PARAR ON THE ROAD

Porto Alegre

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Fotografia: Fabiano Panizzi


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GESTOR EM FOCO

DO OPERACIONAL AO ESTRATÉGICO Como Evandro Silveira, gestor de frota da PESA, conseguiu atingir resultados mais sustentáveis, econômicos e seguros em sua operação Evandro Silveira

isão estratégica e atitude. Se tivesse que definir o trabalho de Evandro Silveira na gestão de frotas em apenas duas palavras, seriam essas. Na PESA (Paraná Equipamentos) há 6 anos, Silveira é um exemplo de profissional, que está sempre buscando mais conhecimento e se atualizando com as boas práticas do setor. Não é à toa que soma resultados positivos na redução de infrações e sinistros, bem como na redução de gastos com manutenção e combustível. Sua história na PESA começou, primeiramente, como preposto da locadora que atendia à empresa. Depois de um ano nesse apoio, com a saída do gestor de frotas da PESA na época, Silveira foi convidado para assumir a função. “Estava bem no período de transição para atual locadora, a Ouro Verde, e, como eu estava por dentro de tudo o que estava acontecendo, eles me chamaram para o cargo”, contou. A experiência adquirida enquanto estava na locadora foi fundamental para quando ele passou a atuar do outro lado. “Não existia uma gestão efetiva na PESA, era apenas feito o controle de quem estava utilizando o veículo. Ninguém cobrava multa ou avaria. Só pegavam esses custos e encaminhavam para o setor responsável”, revelou. Como saiu de uma cultura onde tudo era cobrado,

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Silveira achou injusto a empresa continuar arcando com esses custos e começou a criar uma Política de Frota que garantisse à PESA a recuperação desses valores. Foi um trabalho a longo prazo. Os primeiros anos foram de organizar a casa. “É de uns 2 anos para cá que estamos conseguindo fazer uma gestão de verdade”, disse. A mudança foi impulsionada quando a empresa exigiu uma redução de custos. Silveira, então, passou a estudar e adquirir novas ferramentas para melhorar a sua gestão. Deixou o rastreamento e contratou a telemetria em todos os veículos da frota. “Eu conseguia monitorar o veículo, mas não tinha nenhum indicador. A telemetria me permitiu ter informações mais relevantes sobre minha frota”, ressaltou. Silveira ainda foi à procura de aperfeiçoamento profissional. Formou-se na primeira turma do PGF - Programa para Gestores de Frota e se graduou como Green Belt, no curso Seis Sigma. Os conhecimentos adquiridos e sua vontade de mudança o fizeram sair de uma gestão operacional de frota para uma gestão estratégica, com focos em resultados sustentáveis no âmbito econômico, social e ambiental. Esses avanços foram obtidos, segundo ele, também graças às mudanças das próprias locadoras, que deixaram de só fazer

Na PESA (Paraná Equipamentos) há 6 anos, Silveira é um exemplo de profissional que está sempre buscando mais conhecimento e se atualizando com as boas práticas do setor. Não é à toa que soma resultados positivos na redução de infrações e sinistros, bem como na redução de gastos com manutenção e combustível

Fotografia: Karina Constancio


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FRAQUEZAS

FORÇAS Conhecimento operacional

Atuação pouco estratégica

Política de frota bem estruturada

Cultura da empresa

Ferramentas de trabalho

Resistência das pontas/filiais

Fornecedor/Parceiro estratégico

Melhorar a política de segurança

Falta de conhecimento operacional

Apresentar redução de custo

Política de frota defasada

Crescimento dentro da empresa

Falta de ferramentas de trabalho

e no mercado em geral

Não ter bons fornecedor/Parceiros

OPORTUNIDADES

a locação de veículo e passaram a realmente terceirizar a frota, prestando outros tipos de serviços agregados à locação. “A minha equipe é de uma pessoa, então, devido à quantidade de demandas exigidas na gestão de uma frota, eu preciso contar com a ajuda de um fornecedor disposto não somente a me passar as informações, mas também os caminhos e ações que podem ser tomados”. Mesmo com a ajuda da locadora, a frota ocupa 80% das suas atividades diárias dentro da PESA. Além de gerenciamento dos veículos, Silveira é responsável pela gestão de os outros contratos da empresa. “Com a terceirização da frota, eu consegui reduzir meu operacional e tornar a minha gestão mais eficaz. Hoje, a Ouro Verde me traz as informações em um sistema integrado, então meu controle é muito mais fácil”, destacou. Ele descreve o cenário da gestão de frotas como muito complexo e de uma atuação muito difícil. “Lidamos com vidas e com a imagem da empresa, então é primordial ter uma gestão eficiente. Temos que sempre agir pensando na redução de custos e em políticas de segurança”, afirmou. A questão da cultura é outro grande desafio. “A tecnologia facilitou muito a vida do gestor de frota, principalmente, por propiciar

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Eu conseguia monitorar o veículo, mas não tinha nenhum indicador. A telemetria permitiu ter informações mais relevantes sobre minha frota

AMEAÇAS

INDICADORES REDUÇÃO DE CUSTO COM A TELEMETRIA (em 2016 - média/mês) > Km rodado fora do horário comercial: 15,17% (quant.) > Combustível: 4,35% (valor)

a troca de informações. Antigamente, não tinha onde buscar tanta informação. Acabávamos buscando a metodologia de um outro departamento para aplicar na frota, o que dificilmente funcionava”. Por ser um cenário muito complexo, o gestor tem sempre que estar se atualizando. “Se não você vai ficar para trás, sua frota vai ficar ultrapassada e isso vai acabar prejudicando a empresa”, alertou Silveira. O Instituto PARAR surgiu justamente para preencher essa lacuna na formação do gestor de frota e ajudá-lo a disseminar a cultura de segurança dentro da sua organização. “O PARAR acaba sendo uma faculdade para quem participa e é, hoje, a única fonte de informação específica para o gestor de frota”. Para gerenciar os 250 veículos leves da PESA, Silveira ainda conta com a ajuda de outros departamentos, principalmente, o jurídico, o RH, e o de segurança do trabalho. É esse trabalho em conjunto, e que deve estar em sintonia, que permite um bom planejamento e controle da frota e dos condutores. ■

REDUÇÃO DE CUSTO COM A POLÍTICA DE FROTA (em 2016 - média/mês) > Infração de trânsito: 38,28% (quant.) > Manutenção/Sinistro: 16,94% (valor)

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POR SÉRGIO JÁBALI

GESTÃO E INTEGRAÇÃO:

UM CAMINHO SUSTENTÁVEL PARA A EFICÁCIA

Por Sérgio Jábali, Gerente de Desenvolvimento e Inovação da GolSat: você na jornada da telemetria social gestores de frotas brasileiros estão se aperfeiçoando a cada dia e profissionalizando o setor de transportes do país. Assim, fica mais claro o propósito deste profissional face ao cenário que temos no trânsito nos dias de hoje. Mas como conduzir essa jornada? Qual deve ser o primeiro passo? Vejamos um caminho estruturado, promissor e recompensador, que tem como base o acesso à informação relevante e o uso de tecnologias integradas. Existe um ecossistema tecnológico corporativo na gestão de frotas composto por diferentes players. Há a empresa frotista, a solução de telemetria, os fornecedores de equipamentos rastreadores, os satélites de posicionamento em órbita (e.g. GPS), as operadoras de telefonia celular (que redirecionam as mensagens dos rastreadores para as empresas de telemetria), e a própria Internet, que permite ao gestor de frotas acessar a visão geral de sua frota e os detalhes de sua operação sempre que precisar. O papel

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da solução de telemetria não é apenas obter os dados dos veículos, mas principalmente aplicar sua inteligência e transformá-los em informação relevante para tomada de decisões. Há também as soluções de cartão de combustível, locadoras corporativas, enfim, uma série de organizações que compõem e interagem nesse ecossistema. E o que diferencia rastreamento de telemetria? A definição ao pé da letra de telemetria é "medir a distância". Rastreamento é acompanhar o rastro dos veículos, principalmente com a finalidade de recuperação em caso de roubo, seja de carga ou do próprio veículo. Há ainda o monitoramento, que é um serviço de acompanhamento que algumas empresas de rastreamento prestam. Tanto rastreamento como monitoramento utilizam-se da telemetria para funcionar, mas a telemetria permite que se faça uma gestão de frotas muito mais ampla. Eu diria que a telemetria é a ponta do iceberg do gestor de frotas. Ela ajuda o gestor de frotas a mudar o mundo para melhor.

Fotografia: Fabiano Panizzi


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No quinto nível, a telemetria passa a trabalhar não apenas em benefício da empresa, mas sim em benefício do condutor e da sociedade. É o nível da Telemetria Social.

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tips&cases

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POR SÉRGIO JÁBALI

AS NECESSIDADES DE MASLOW

A PIRÂMIDE DA TELEMETRIA

Para explicar essa transformação, vou No contexto do gestor de frotas, a primeira pergunta que aparece é: qual é a situação utilizar a pirâmide de Maslow - psicóloda sua frota hoje? É preciso mapear e diagnosticar a frota e isto é feito no primeiro nível go americano que trabalhou na teoria da da Pirâmide das Necessidades do Gestor de Frotas, o nível de Telemetria. Antigamente motivação humana - e fazer uma projeção era possível, numa frota pequena, ter um pátio onde os veículos passavam a noite. Era que resultará no que chamo de Pirâmide o local ideal para se coletar o hodômetro e o nível de combustível, por exemplo. Entreda Hierarquia das Necessidades do Gestor tanto, o mundo mudou, as frotas estão crescendo e o tempo está passando mais rápido. de Frotas. A pirâmide de Maslow (figura 1) Aquela cerca física que existia em volta desse pátio evoluiu para uma cerca eletrônica, é composta de 5 níveis de necessidades que é a telemetria. Pensando em utilização, por exemplo, é possível saber se os veículos que em ordem são: Fisiológicas (na base), estão excedendo a rodagem mensal contratada com a locadora. Em caso de frota próde Segurança, Sociais, de Estima e de Aupria, sabe-se o valor do ativo da frota, considerando que a quilometragem de cada veítorrealização (no topo). Para se avançar culo é um elemento-chave na determinação de seu preço de venda. Mas o que justifica em cada nível, é importante primeiro a Telemetria ser o primeiro nível da pirâmide? Segundo W. Edwards Deming, consultor consolidar o nível anterior. Por exemplo, americano que ensinou Qualidade aos altos executivos japoneses após a Segunda Guercomer e dormir são necessidades Fisiora Mundial, "você não pode gerenciar aquilo que não pode medir". Traduzindo isso para lógicas, precisamos sobreviver, esse é o o gestor de frotas: você não pode ter gestão de frotas se você não tiver telemetria. Ela é primeiro nível que temos que resolver a base da pirâmide do gestor (Figura 2). para em seguida partir para os demais. Porém, a telemetria não resolve tudo. É necessário que se tenha uma cultura forte Logo depois queremos a Segurança de sobre o uso e gerenciamento da frota na empresa, que é transmitida aos condutores e que haja comida nas prateleiras do sudemais envolvidos na organização através da política de frotas. Este é o segundo nível, permercado, ou de que temos um lugar chamado Gestão de Frotas. Imagine que a política de frotas estabeleça o limite de velopara dormir ao final do dia ou ainda um cidade de 100 km/h. A telemetria irá revelar aqueles condutores que estão infringindo emprego que garanta uma renda mensal esse limite e o gestor poderá tomar uma ação direcionada. E para elaborar a política de fixa. Imaginemos o homem nômade: ele frotas é necessário um diagnóstico prévio, por isso a importância de se começar pela tenão sabia onde dormiria no dia seguinlemetria. Telemetria e Gestão de Frotas te, nem mesmo se haveria caça e consesão necessidades primárias: é preciso têquentemente, comida. A humanidade já -las bem consolidadas, para em seguida foi assim um dia: estamos evoluindo! E desfrutar dos benefícios motivacionais aí começam a aparecer as necessidades relacionados às necessidades secundáSociais, que é o mesmo que necessidarias. Uma vez que o aparato de telemetria de de pertencimento. Isto se traduz em e gestão de frotas está funcionando, enfazer parte de uma equipe, que é muito tra-se no terceiro nível, Gestão Integramais do que apenas ter um emprego. Pertencer a uma família, a um grupo de pessoas da. Aqui o gestor de frotas faz duas princom interesses em comum. E depois que você pertence, você quer ser reconhecido, é a cipais tarefas: estabelecer os indicadores necessidade de Estima: quero ser um bom pai ou uma boa mãe, quero ser reconhecido importantes para o negócio e integrar como um bom gestor de frotas. Por fim, há o nível da Autorrealização, que é quando novas tecnologias que fazem sentido você tem consciência do seu propósito e consegue alinhar pensamento, verbo e ação em conjunto com esses indicadores. Há para percorrer seu caminho de forma eficaz. um caso de uma organização que ao imNecessidades fisiológicas e de segurança são consideradas Primárias. As sociais, de plantar telemetria, verificou que muitos estima e de autorrealização são Secundárias. Necessidades primárias e secundárias são de seus condutores estavam cometendo diferentes. Quando não se tem uma necessidade primária atendida, o problema é grainfrações de excesso de velocidade. Ela ve, caso contrário, você nem nota que existem essas necessidades. Por exemplo, vamos passou a enviar um e-mail educativo ao pensar no encanamento do banheiro de casa: se ele parar de funcionar então há um final do dia para cada um mostrando toproblema grave, não conseguimos tomar banho (fisiológica), receber amigos em casa das as suas infrações daquele dia. Com (sociais), etc. Mas se estiver tudo funcionando, não significa que você vai comemorar essa simples integração com e-mail, uma por isso, você nem nota. Já as necessidades secundárias possuem característica contecnologia dominada e barata, foi obtida trária: quando você não tem, elas não fazem muita falta, mas quando você as conquista, uma redução de 78% no número de inum mundo de possibilidades se abre e você se torna muito motivado para aproveitá-las, frações, e em consequência de se dirigir e também capaz de transformar o mundo. Isso é semelhante a estar apaixonado, tudo mais devagar, a empresa passou a econopassa a fazer sentido, os obstáculos ficam pequenos, simplesmente você entra num mizar significativamente com combustíestado de "altenergia". E nada no mundo mudou, apenas você, seus pensamentos, sua vel. Tudo isso feito por iniciativa de um expressão e suas atitudes. É preciso consolidar os níveis primários para então resolver gestor de frotas com ferramentas para as necessidades secundárias e entrar neste estado. realizar gestão integrada.

Telemetria e gestão de frotas são necessidades primárias

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HIERARQUIA DAS NECESSIDADES HUMANAS PIRÂMIDE DE MASLOW

NECESSIDADES DO GESTOR DE FROTAS

PIRÂMIDE DE FRANK BIRD EVOLUÇÃO DUPONT Telemetria Social Atuação em benefício do condutor e da sociedade

Autorrealização • Estima •

NECESSIDADES SECUNDÁRIAS

Fisiológicas •

Figura 1

Fatalidade •

Análises periódicas e treinamentos

30

Acidente com afastamento •

Gestão Integrada

Indicadores e novas tecnologias

300

Acidente sem afastamento •

Gestão de Frotas

NECESSIDADES

3.000

Incidentes •

PRIMÁRIAS

30.000

Desvios •

Otimização

Sociais • Segurança •

1

NECESSIDADES PRIMÁRIAS

Telemetria

Figura 2

E as possibilidades de integração são ilimitadas. Imagine que você tem uma meta em termos de custo R$/Km para combustíveis. Você nota que está 20% acima da meta: é preciso investigar as causas, e aqui entra a integração entre telemetria e o cartão de combustível. Ao se cruzar os dados destas duas fontes, é possível verificar que o abastecimento foi feito num determinado posto (cartão de combustível), e que o veículo não se encontrava lá (telemetria). Então é possível apurar esse tipo de fraude e sua eliminação vai ajudar o gestor a economizar e a manter a operação da frota dentro da meta R$/Km. Em suma, no nível de Gestão Integrada, faz-se um ajuste no aparato de telemetria e gestão de frotas voltado especificamente para seu negócio, para o seu cenário. Agora sim, com os indicadores e as integrações estabelecidos, iniciam-se as análises periódicas e consequentemente os treinamentos: é o quarto nível, Otimização. O interessante aqui é que a tecnologia apenas indica os pontos que devem ser tratados, e ao se tomar decisões e educar os condutores, ela apura os resultados obtidos. Isto permite concluir se as ações tomadas foram assertivas, se foram eficazes na resolução dos problemas da frota. Para a gestão de combustível, por exemplo, há o curso de direção econômica. Se a meta R$/Km ainda não foi conquistada, este pode ser um recurso-chave, e o gestor poderá medir seu impacto quando se está no nível de Otimização.

TELEMETRIA SOCIAL Então neste momento você pode se perguntar: se eu já otimizei toda a operação da minha frota, há algo mais que eu possa fazer além de manter esse padrão? Há sim. No quinto nível, a telemetria passa a trabalhar não apenas em benefício da empresa, mas sim em benefício do condutor e da sociedade. É o nível da Telemetria Social. Mas para falarmos dela, é necessário recordarmos brevemente outra pirâmide, a de Frank Bird (Figura 3). Frank Bird estudou acidentes em empresa por 10 anos, com 10 mil funcionários, do ponto de vista de perdas indenizatórias. A Dupont, empresa com mais de 200 anos de experiência, evoluiu essa pirâmide e aplicou o ponto de vista de prevenção de riscos. A conclusão é que para cada fatalidade em um acidente de trânsito, houve antes 30 mil desvios ou mal comportamentos. Um mal comportamento pode ser um excesso de velocidade, que por sua vez gera um incidente ou imprevisto (e.g. uma freada brusca), que pode não ser feita a tempo e ocasionar um acidente, possivelmente fatal. Quantos maus comportamentos ocorrem

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Figura 3

periodicamente numa frota corporativa? A telemetria irá revelar esses números e, com o conceito da pirâmide de Frank Bird em mente, o gestor de frotas pode atuar de forma preventiva, reduzindo o número de colisões e suas consequências. No nível de Telemetria Social, o gestor transmite para seus condutores uma cultura de segurança, de valor à vida. É quando o gestor de frotas está realizando o seu propósito. O foco deve estar na experiência do condutor. É possível criar rankings de bons comportamentos e premiar os melhores condutores da frota. Eles deixam de ver o gestor como o "big brother" que os monitora, e passam a encarar a telemetria como algo lúdico: eles entram no "jogo do bom comportamento". Também é possível implantar programas de desmobilização com opção de compra para o condutor, aplicando-se descontos progressivos de acordo com os bons comportamentos. Todos ficam felizes: condutor pagando mais barato, empresa economizando com seguro e resolvendo sua desmobilização, sociedade com menos acidentes e o gestor de frotas autorealizado por promover essa transformação. Quando se age na experiência do condutor, atinge-se o nível máximo da otimização. Até o quarto nível, apenas o gestor trabalhava para deixar a operação ótima. No quinto nível, o condutor também tem o objetivo de otimizar, e passa a ser também um agente de transformação. Percorrer o caminho dos cinco níveis da Pirâmide de Necessidades do Gestor de Frotas é algo que vale a pena. O gestor trabalha não só nos indicadores de sua empresa: suas ações preventivas passam a impactar indicadores nacionais relacionados às colisões de trânsito, número de mortes, número de vítimas com sequelas permanentes, dinheiro público gasto para recuperar os estragos causados, ocupação em leitos de hospital que não seriam utilizados, etc. E esta luta não é apenas nacional, estamos no meio da Década de Ação pela Segurança no Trânsito da ONU na qual governos de todo o mundo se comprometem a tomar novas medidas para prevenir os acidentes no trânsito, que matam cerca de 1,3 milhão de pessoas por ano. Se o gestor de frotas for capaz de consolidar esses cinco níveis de necessidades, se for capaz de "passar essas cinco marchas", ele estará percorrendo o caminho de seu propósito de forma eficaz, e o mais importante, será um protagonista na transformação do mundo num lugar sensivelmente melhor para a sociedade. Daí a relevância dessa profissão, e seu potencial recompensador. Boa autorrealização, gestor de frota!

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OS SEGREDOS DOS BIDS QUE DÃO CERTO Analisamos as melhores práticas de processos de compra reais oferecidos por algumas das maiores empresas do Brasil

O

termo “bid” vem do inglês “oferta”, “lance” ou “proposta”. Na gestão de frotas, ele está relacionado ao processo no qual o profissional realiza a abertura de uma compra e, na fase final, aceita os lances e se avaliam os melhores candidatos. Essa é uma ação extremamente importante para o gestor de frotas. O BID é, ao mesmo tempo, uma oportunidade de melhorar as condições da frota (ou de sua administração) e uma chance para equilibrar os custos das atividades. Por isso mesmo, gestores de frota e fornecedores concentram boa parte de sua atenção aos processos de BID (ou RFP – Request for Proposal). Mas, se o

processo de compra é algo habitual em diversas áreas da empresa, por que os gestores de frotas ainda têm dificuldade em realizá-lo? Parte desse desafio vem do fato de que mesmo empresas de segmentos similares apresentam regras, processos e objetivos diferentes. Elas precisam, portanto, de orientações diferentes para seus processos de compra. Mesmo com fins diferentes, no entanto, algumas práticas podem ser adaptadas. E foi pensando nisso que preparamos para você alguns exemplos comentados de processos de compras desenvolvidos por empresas que são referências em seus mercados. Por questões óbvias, a identidade das empresas foi preservada.

CASO 1 ESPECIFICIDADE Sempre que possível, indique o que você quer dizer com cada um dos termos incluídos no documento do BID BID Ex.1 — 2.27.2 As avarias decorrentes de desgaste natural não

serão cobradas pela CONTRATADA, conforme item 2.27.5 deste termo

COMENTÁRIO No item 2.27.5 que é mencionado no texto, a empresa trouxe uma série de imagens indicando o que se classificaria como uma avaria ou como desgaste natural. Há detalhamento de avarias e desgastes divididos por áreas como pintura, carroceria, para-choques, frisos, vidros, faróis, pneus, rodas e acabamento interno.

CASO 2

1. Tempo para envio de cartões; 2. Tempo de atendimento ao usuário; 3. Apresentação de indicadores gerenciais; 4. Consultoria; 5. Tempo para credenciamento

SERVICE LEVEL AGREEMENT (SLAS)

COMENTÁRIO O exemplo ao lado vem da contratação de um fornecedor de gestão de combustível.

Serviços podem ser decompostos em processos menores e o gestor de frotas deve estabelecer critérios para cada um desses processos mais específicos

Podemos ver que os níveis de atendimento para a entrega de cartões, tempo de credenciamento ou mesmo apresentação de indicadores gerenciais estão entre os critérios para a seleção do fornecedor.

BID Ex.1 — Deverão ser apresentadas propostas de níveis de atendimento e serviços para os itens abaixo relacionados:

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Isso é importante porque cada um dos itens ao lado afeta a produtividade da frota que está contratando o serviço.


CASO 3 FORNECEDOR FAZ INTEGRAÇÃO No momento de abertura de um BID, o gestor de frotas tem o seu poder de negociação aumentado. Ele pode utilizar isso a seu favor, pedindo que os fornecedores atuem de forma integrada e proativa BID 2.10 — A CONTRATADA deverá disponibilizar um sistema

específico para o controle e registro das medidas de gestão de frota, com manutenção e determinação do desempenho operacional de cada veículo, compartilhando as informações com o sistema do CONTRATANTE 2.10.1 — Deverá haver integração deste sistema com o aplicativo utilizado pelo CONTRATANTE

COMENTÁRIO Nesse trecho do BID, a empresa deixa claro que a disponibilização de medidas de desempenho são de responsabilidade do fornecedor. Mais do que isso, a empresa exige a integração dos sistemas utilizados pelo fornecedor com a plataforma adotada internamente.

CASO 5 PRAZOS

CASO 4 SERVIÇOS Assim como a integração, alguns serviços complementares também podem ser exigidos pelo gestor de frotas BID Ex.1 — Item ELIMINATÓRIO. A Fornecedora da Frota deverá

possuir Central de Atendimento ao Usuário 24x7 para todos os serviços (reboque, agendamento de manutenção, chaveiro, etc.) Ex.2 — 2.24.1 Para auxiliar na gestão da frota dos veículos, a CONTRATADA deverá disponibilizar 1 (um) posto avançado que será instalado em Porto Alegre, na Av. Assis Brasil, 878, e funcionará das 7h às 19h, de segunda à sexta-feira

O BID é composto de uma série de especificações. Deixe claro quando cada especificação deve ser atendida BID Ex.1 — Cada participante terá 1 (um) dia para apresentação

técnica de sua ferramenta. Fica definido como agenda a semana do dia 1 de outubro a 9 de outubro de 2015, tal data será definida em comum acordo com cada PROPONENTE Ex.2 — 2.13.1 Os veículos não poderão ser entregues ANTES do dia 5 (cinco) de janeiro de 2014. — 2.13.2 Todos os veículos deverão ser entregues até o dia 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2014. — 2.13.3 No momento da assinatura do contrato, a CONTRATADA deverá apresentar um cronograma de entrega de todos os veículos

COMENTÁRIO Durante o processo de negociação com locadoras, o Exemplo 1 demonstra que a empresa contratante tem entre suas demandas a necessidade de uma central de atendimento em tempo integral. Ao deixar claro que isso é um item eliminatório, o gestor de frotas economiza tempo e garante a qualidade dos serviços que espera.

COMENTÁRIO Estabelecer prazos e datas é uma das garantias de cumprimento das propostas do BID. Nos exemplos ao lado, vemos que a iniciativa para estabelecer prazos e datas-chave é do gestor de frotas e não do fornecedor.

No Exemplo 2, a empresa foi ainda mais exigente e pediu o deslocamento de um funcionário da locadora para responder in loco às demandas dos contratantes.

CASO 6

Nos dois casos, as demandas foram atendidas pelos fornecedores.

FLEXIBILIDADE Ainda que o gestor de frotas não saiba que modificações poderão acontecer durante a vigência de um determinado contrato, ele pode, já no BID, especificar em que áreas essas mudanças poderiam acontecer BID Ex.1: “2.18 Por ocasião do fornecimento dos veículos ficarão

admitidos à empresa CONTRATANTE a instalação nos mesmos de qualquer dispositivo de telemetria ou rastreamento, sem que, contudo, afete ou importe em prejuízo ou dano para o funcionamento e/ou desempenho do veículo”

COMENTÁRIO Fica claro no texto ao lado que a empresa pretende instalar dispositivos nos veículos durante a vigência do contrato. Ainda que não tenha delimitadas essas modificações no momento do BID, o contratante garante flexibilidade para alterar o veículo no futuro.

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CARROS

SEGUROS CARROS

CONECTADOS Os dois combinam?

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Como os avanços tecnológicos da indústria automotiva podem atribuir ainda mais segurança a motoristas, passageiros e pedestres

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uando falamos em segurança automotiva é importante refletirmos sobre o impacto que a produção de carros mais ou menos seguros causam no trânsito e na população que lida diretamente com ele. De acordo com o DPVAT, 42.501 pessoas morreram no trânsito brasileiro em 2015, 19% a menos que no ano de 2014, mas ainda é um número muito significativo e preocupante. Além disso, 515.751 pessoas ficaram inválidas permanentemente no ano passado.Dados alarmantes e que nos fazem repensar sobre quantas vidas e famílias são diariamente impactadas por tragédias que acontecem nas ruas e rodovias do país. As estatísticas mostram que 93% dos acidentes são causados por erro ou negligência humana, mas será que se tivéssemos carros mais seguros, seguindo os padrões que vemos na Europa, os números seriam esses? Uma das estratégias estabelecidas pela ONU para reduzir o número de mortes e feridos em acidentes de trânsito é, justamente, ampliar a segurança dos veículos. Infelizmente, aqui no Brasil, as tecnologias e equipamentos de segurança obrigatórios utilizados na fabricação de veículos, assim como na maioria dos países latino-americanos, estão 20 anos defasados. De acordo com a Latin NCAP, a maioria dos automóveis do Brasil, especialmente os populares, equivalem aos comercializados na Europa em 1995. “No nosso ponto de vista, em relação à segurança, o Brasil está desconectado com o resto do mundo”, revelou Alejandro Furas, secretário-geral da Latin NCAP. Para que a segurança dos veículos fabricados no Brasil chegue ao nível recomendado pela ONU ainda seria preciso exigir itens, como controle de estabilidade eletrônico, norma de batida lateral, norma de proteção para pedestres (sistema capaz de reduzir riscos de atropelamentos), norma de proteção para cintos de segurança, ISOFIX (sistema seguro para a instalação da cadeirinha), norma de freios, e norma de proteção de pescoço no caso de batida traseira. De acordo com pesquisas solicitadas pela Global NCAP, 34 mil vidas brasileiras poderiam ser salvas e 350 mil lesões graves poderiam ser evitadas em 2030, se essa normativa de segurança veicular da ONU fosse adotada pelo Brasil.

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PAPEL DO GESTOR DE FROTA A segurança que o carro oferece é vista como fator decisivo apenas para 37% dos consumidores, segundo pesquisa do Ibope Mídia. Para os brasileiros que pretendem adquirir um carro zero quilômetro, os três principais fatores que influenciam na decisão de compra são preço, custo de manutenção e consumo de combustível. Além disso, é pouco comum ver brasileiros se informando sobre itens de segurança ou sobre os desempenhos dos carros em testes independentes de impacto. No ambiente corporativo, os responsáveis pela frota da empresa têm papel decisivo ao incentivar a compra de carros mais seguros. “Se todos os gestores estiverem empenhados em exigir mais segurança eles podem exercer uma pressão muito rápida e efetiva para que as montadoras adotem as normas da ONU, mesmo antes delas serem exigidas pelo governo”, ressaltou Furas. Micael Duarte, gestor de frota da IBM, é um exemplo de profissional que está sendo agente de mudança. Depois de assistir à palestra de Alejandro Furas, na Conferência Global PARAR de 2014, saiu decidido de que não podia mais adquirir os veículos sem pensar na segurança do condutor e mostrou aos seus superiores que é possível ter uma frota eficiente e, ao mesmo tempo, segura.

No BID para a contração de 930 carros para a frota, Duarte levou essa preocupação com a segurança, mas logo de cara esbarrou na questão do custo. O único carro da categoria com 5 estrelas na avaliação da Latin NCAP era o mais caro. “Então, nós decidimos fazer um TCO para justificar esse custo e fomos justamente para os outros itens que o brasileiro leva em consideração: custo de manutenção preventiva e custo de combustível”, contou. Eles colocaram todos os modelos em uma planilha, buscaram um site que tivesse feito o teste de consumo de combustível em todos eles, para que se tivesse a mesma condição de teste para todos carros, e entraram no site de todas as montadoras para buscar o custo de manutenção preventiva pelo período de 2 anos ou 60 mil km (que é aproximadamente o que roda a frota da IBM). “Nós conseguimos, para minha felicidade, unir economia e segurança”, revelou Duarte. Para o segundo carro mais barato alcançar o primeiro (e mais seguro), o aluguel dele tinha que ser 17% mais barato do que o contratado pela IBM.

CARROS MAIS CONECTADOS E INTERATIVOS A realidade é que ainda não conseguimos chegar no estágio 1 (segurança) e já estamos indo para o estágio 2 (conectividade). Avanços no setor automobilístico, com o objetivo de entregar conveniência aos consumidores, abrem espaço para carros mais conectados e interativos. “Os carros simplesmente deixaram de ser máquinas isoladas para ser um verdadeiro ponto conectado às redes”, revelou Fabio Cossini, arquiteto de TI da IBM, em artigo publicado no Computer World. Especialistas são enfáticos em dizer que os carros já nascem conectados. “Essa conectividade começou com o multimídia,

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com os painéis de navegação, passa pelos veículos elétricos e autônomos, e chega até o ITS (Intelligent Transport System), que permite a conexão do veículo com outro veículo e do veículo com a infraestrutura (estradas inteligentes)”, disse Ricardo Takahira, especialista em conectividade e diretor do Núcleo de Pesquisa e Tecnologia da ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos).


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As tecnologias vêm para facilitar, mas há o seu lado bom e o seu lado ruim. De acordo com estudo publicado pela Machina Research, até 2024, as redes móveis verão as conexões máquina a máquina crescer 10 vezes, ou seja, para 2,3 bilhões, e metade dessas conexões será automotiva. Já uma projeção da companhia de pesquisa de tecnologia Gartner, revelou que cerca de 1 em cada 5 veículos no mundo todo terá alguma forma de conexão com rede sem fio até 2020, o que representa mais de 250 milhões de veículos conectados. “Temos acompanhado o lançamento de carros cada vez mais sensorizados, que permitem a produção de informações sobre o comportamento do automóvel, o comportamento do motorista e também da própria região no qual aquele veículo está transitando”, explicou Fabio Cossini. Tecnologias que oferecem novas experiências para motoristas, fabricantes e seguradoras. Os motoristas podem navegar pela internet, acessar e-mails, controlar a temperatura interior do carro por voz, acionar dispositivos de direção autônoma e outras comodidades. Já os fabricantes podem receber dados sobre o comportamento e qualidade do seu produto e as seguradoras podem analisar o comportamento dos seus clientes ao dirigir ou oferecer serviços diferenciados. Quando refletimos sobre a experiência do usuário com essa conectividade e o fato dele estar conectado ao mesmo tempo em que está dirigindo, algumas dúvidas e até inseguranças são levantadas, principalmente, em relação à atenção do motorista. Para César Urnhani, piloto e apresentador do Auto Esporte, as

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tecnologias vêm para facilitar, mas há o seu lado bom e o seu lado ruim. “O que falta, na minha opinião, é fazer um estudo mais aprofundado pensando no ser humano, que é quem vai usufruir do veículo. Pois, quando estamos dirigindo, as solicitações internas e externas são muito grandes e nos separam daquele momento que deveria ser de total atenção. Então, os engenheiros e técnicos deveriam estudar mais a capacidade de concentração do ser humano ao conduzir um carro”, afirmou. Em paralelo a isso, ele reforça que a tecnologia permite o desenvolvimento de sistemas capazes de atuar como anjos da guarda em casos de falha do ser humano. “Um bom exemplo são os carros que conseguem ler as faixas de rolamento e avisar o motorista, através de vibrações no volante, ruídos ou efeitos de luz, para que ele volte sua atenção ao trânsito”, destacou. Já Ricardo Takahira comenta que nem sempre a tecnologia é sinônimo de distração. “Pelo contrário, ela pode ajudar muito na parte de antecipação. Os sistemas de navegação, por exemplo, podem te alertar de um trânsito parado de forma mais eficiente do que a sinalização padrão”. Outro ponto a ser questionado quando se fala em conectividade são os congestionamentos de dados e ameaças de invasões. Contudo, Fabio Cossini sugere que esse cenário pode ser evitado se uma nova consciência para a segurança for explorada em todas as fases da indústria automobilística, do projeto ao pós-venda. “A ideia é que todos os componentes de um veículo sigam padrões de segurança e passem por testes que preveem mecanismos de contingência em caso de falhas”, explicou. Algumas montadoras já estão atentas à importância de oferecer tecnologia e segurança e estão trabalhando em inovações que prometem revolucionar a indústria automobilística. É o caso da Audi, que já trata o carro autônomo como uma realidade. “Começou com uma brincadeira de um carro superesportivo levar passageiros para uma pista de testes em alta velocidade, e antes disso tivemos a preocupação de fazer testes para verificar a segurança desse sistema, e acabou em um evento na Alemanha onde celebridades foram conduzidas até o tapete vermelho com carros autônomos”, revelou Gerold Pillekamp, gerente de marketing de produto da Audi do Brasil. Segundo a consultoria financeira Morgan Stanley, até 2026 os carros deverão ser totalmente autônomos. Mas, para quem não quer esperar até lá, algumas soluções já estão incorporadas em carros disponíveis no mercado. Graças a tecnologias já bastante utilizadas em veículos de série, o carro é capaz de frear e acelerar sozinho, bem como fazer mudanças de trajetórias e ultrapassagens sem auxílio do motorista. “Seriam veículos 50% autônomos e que já podem ser adquiridos pelos consumidores”, ressaltou Pillekamp. Para Fabio Cossini esse é o futuro. “As empresas que puderem entregar segurança e conveniência aos consumidores, serão responsáveis por alavancar o verdadeiro poder do veículo conectado”, revelou.

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Empreendedorismo e inovação por um trânsito mais seguro CONHEÇA A SAFE RIDE BRASIL (SRB), UMA STARTUP DE SOLUÇÕES AUTOMOTIVAS ONLINE, E O QUE ELES ESTÃO FAZENDO PARA REDUZIR O NÚMERO DE VÍTIMAS POR ACIDENTES NO TRÂNSITO NO BRASIL. A PARAR FLEET REVIEW CONVERSOU COM CRISTIANO JOSÉ DOS SANTOS, FUNDADOR E DESENVOLVEDOR DA SRB

porém existem muitos estudos nessa direção, alguns até já implementados e testados. Sabemos que a legislação brasileira falha em muitos aspectos quando o assunto é segurança no trânsito, por isso, o aplicativo será gratuito. Acreditamos que todos merecem ter uma chance a mais de viver. Trabalhamos na quebra de paradigma da detecção de colisão, que antes era feito por hardwares embarcados no veículo e agora pelo smartphone, tornando, assim, nosso aplicativo uma solução factível e apta a adquirir grande escala. O projeto impactaria na diminuição do tempo de resposta e um ganho na quantidade de informação no pré-atendimento de emergência, aumentando assim a chance de sobrevivência e reversão do prognóstico do paciente, bem como reduzindo os custos com internações e outras intervenções feitas pelo Governo Federal em Acidentes de Transporte Terrestres (ATTs), custo esse que, em 2013, foi de R$ 230 milhões aqui no Brasil.

PARAR: QUAL O PROBLEMA COM O QUAL VOCÊS SE DEPARARAM? CRISTIANO JOSÉ DOS SANTOS (CJS): Nós, da Safe Ride Brasil (SRB), uma startup de soluções automotivas online, estávamos, há um ano, desenvolvendo um marketplace para serviços automotivos e uma parte desse desenvolvimento foi voltado para serviços de SOS. Nesse momento, encontramos as estatísticas de acidentes no trânsito, onde o Brasil é o quinto país do mundo em mortes. A cada ano, cerca de 42 mil brasileiros perdem suas vidas nas nossas ruas e estradas. Diante disso, comparamos essa situação com o que ocorre em outros países, e nos deparamos com o projeto da União Europeia chamado eCall (emergency call). Esse sistema, que terá que estar presente em todos os carros novos a partir de 31 de março de 2018, de acordo com a legislação da UE, prevê uma redução no número de acidentes mortais e de feridos por acidentes no trânsito, já que sua operação se dá na golden hour (primeira hora após o acidente). A operação consiste que um hardware (que custará em média US$ 134 para cada veículo equipado em fábrica) identifique uma colisão, faça uma chamada a um número de emergência (na UE 112) e passe informações, como as coordenadas de onde aconteceu o acidente, para que, dessa forma, haja o deslocamento das equipes de emergência e a identificação imediata do veículo.

PARAR: COMO ESTÁ O ANDAMENTO DO PROJETO? � CJS — Estamos montando nossa equipe de especialistas para a aplicação de um projeto que será submetido a avaliação da Fapesp, um dos maiores órgãos fomentadores de pesquisa do Brasil, para participação do programa PIPE (Pesquisa Inovadora em Pequenas Empresas), onde angariamos fundos para criação do projeto. Hoje, nossa equipe conta com um corpo de quatro conselheiros, abrangendo as áreas de saúde, engenharia veicular e gestão de empresas, e três desenvolvedores, sendo dois deles na área de Engenharia de Computação e um na área de Engenharia Elétrica. Sabemos que temos muito o que caminhar e aprender, mas caminhando ao lado de grandes pessoas e de grandes iniciativas, assim como a do Instituto PARAR, nossa aprendizagem será muito grande e focada em aumentar a qualidade de vida dos brasileiros.

PARAR: QUAL FOI A SOLUÇÃO DESENVOLVIDA? � CJS — O Safety é um projeto da SRB que pretende desenvolver um sistema de chamada de emergência ativado através da detecção de colisão, utilizando os sensores que existem dentro de smartphones. O objetivo é democratizar no Brasil e no mundo a chamada de emergência automática, já que os aparelhos celulares inteligentes se mostram muito acessíveis atualmente. Assim, não só os veículos recém-fabricados, mas também os já existentes no mercado terão acesso a essa tecnologia, basta que o condutor ou algum passageiro possua o aplicativo instalado. O maior desafio que temos é fazer a detecção da colisão sem a ajuda da unidade de controle eletrônico ou qualquer outro sensor físico embarcado no veículo,

PARAR: QUAIS SÃO AS EXPECTATIVAS? � CJS — A expectativa é que consigamos, ainda esse ano, arrecadar fundos e mentores que nos guiem na transformação do conhecimento que temos em uma empresa voltada para a segurança viária e, com isso, construir uma cultura voltada para a segurança no trânsito, que possa impactar no número de vítimas nos acidentes envolvendo veículos terrestres no Brasil e no mundo. Além disso, pretendemos atingir o maior número de usuários possíveis, até o ponto de que em cada acidente de trânsito que ocorra no Brasil haja pelo menos uma pessoas com o app, assim dando a todos os ocupantes um resgate mais rápido e maior chance de sobrevivência, com o mínimo de sequelas possíveis.

Desenvolvedores da ideia: Bruno M. Granzoto Graduando em Eng. Elétrica Cristiano J. Santos Graduando em Eng. de Computação Murilo Pratavieira Graduando em Eng. de Computação

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Advisors: Ariana Florêncio Correa Doutorando em Ciências Médicas e integrante da equipe de UTI do Hospital das Clínicas Juliano Mazzucato Engenheiro de Controle e Automação na Ford

Rafael Pedroso Engenheiro Mecânico na Ford Dr. Paulo Edson Lopes Doutor em Engenharia Mecânica


Gestores Conectados

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TOP FIVE

dos assuntos mais debatidos pelos gestores de frota 1

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NAFA

WAZE X BLITZ

TELEMETRIA

Trezentos gestores de frota de todo o Brasil estão trocando informações, experiências e pesquisas em um grupo no Telegram, criado exclusivamente para fomentar o debate sobre os desafios encontrados no dia a dia da atividade. A cada edição, trazemos uma lista com os 5 temas que geram mais dúvidas, comentários e discussões no grupo. Confira os destaques dessa edição:

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BENCHMARKING DE MODELOS DE CARROS

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TALK TO GOL

CONHEÇA QUEM SÃO OS GESTORES MAIS PARTICIPATIVOS:

DARLENE AMARAL

LEANDRO NUNES

LAURA SCHUCH

ADILSON RAMOS

MILENA BARROSO

CONSTANCIA VIEGAS

LUAN GONÇALES

MARCOS ANDRÉ JACINTHO

FERNANDO PAZ

CRISTIANE PALUDETO

QUER PARTICIPAR DO GRUPO DOS GESTORES DE FROTA?

MORGANIA CRISNA DIAS

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HAENDEL ARAÚJO

ANA PAULA ANDRADE

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# SAVETHEDATE

ONDE NÓS VAMOS PARAR 28

CAFÉ ONLINE #21 Tema: Economia Colaborativa: O case do grupo dos gestores de frota – Horário: 9 às 11 horas

JULHO

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CAFÉ ONLINE Internacional Tema: Por dentro da maior frota privada do planeta Horário: 9 às 11 horas

AGOSTO

23

PARAR ON THE ROAD Fortaleza, CE Tema: Cultura de Segurança Horário: 8 às 17 horas

AGOSTO

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SETEMBRO

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NOVEMBRO

2

DEZEMBRO Edição 8 | Junho de 2016

CAFÉ ONLINE Especial GOL Linhas Aéreas Tema: Cultura de segurança: O que podemos aprender com a aviação? Horário: 9 às 11 horas

CAFÉ ONLINE Especial Conferência Tema: O que esperar da IV Conferência Global PARAR Horário: 9 às 11 horas

OUTUBRO

9E10

Confira os principais destaques da agenda do PARAR e programe-se!

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IV CONFERÊNCIA GLOBAL PARAR Local: AMCHAM - São Paulo, SP CAFÉ ONLINE Último de 2016 Tema: Todo gestor é um empreendedor Horário: 9 às 11 horas

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GESTOR COM HUMOR

Por Dorinho Bastos, cartunista, professor de comunicação da USP e conselheiro do PARAR

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