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Livro Sustentabilidade o MEIO para cuidarmos do nosso AMBIENTE

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Claudio Moyses (Organizador) e Coautores

SUSTENTABILIDADE: O MEIO para cuidarmos do nosso AMBIENTE

ESTA OBRA FAZ PARTE DO

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Sustentabilidade: O MEIO para cuidarmos do nosso AMBIENTE Claudio Moyses (Organizador) Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta edição pode ser utilizada ou reproduzida - em qualquer meio ou forma, seja mecânico ou eletrônico, fotocópia, gravação, etc. -, nem apropriada ou estocada em sistema de banco de dados, sem a expressa autorização do Organizador. Projeto Editorial: José Eduardo Güttler Diagramação e Edição de Capa: Eduardo Macedo Revisão de Texto: Veronika Cristina Liz Güttler Secretaria Editorial: Denise Macedo

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Sustentabilidade : o meio para cuidarmos do nosso ambiente / organização Claudio Moyses. -São Paulo : Superlivros Editora, 2023. Vários autores. ISBN 978-65-980627-0-5 1. Clima - Mudanças 2. Degradação ambiental 3. Meio ambiente - Conservação e Proteção 4. Sustentabilidade ambiental I. Moyses, Claudio.

23-161731

CDD-304.2 Índices para catálogo sistemático:

1. Sustentabilidade ambiental : Ecologia

304.2

Eliane de Freitas Leite - Bibliotecária - CRB 8/8415

Superlivros Livraria & Editora Rua Said Saad, 217 - Cep: 02618-250 Fones: (11) 99684-9718 / (11) 3569-9194 São Paulo - SP - Brasil www.clubedosescritores.com.br www.superlivros.com.br Email: editora@superlivros.com.br

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Sumário

Prefácio.............................................................................................................. 5 1 - A Evolução da Consciência Ambiental..................................................... 6 2 - O Lixo e a Vida Cotidiana dos Seres Humanos..................................... 18 3 - A Consciência Sustentável na Arquitetura............................................. 30 4 - Juntos Podemos Mudar o Mundo........................................................... 40 5 - O Ambiente Educacional como Agente de Transformação Ambiental..... 54 6 - As Questões ESG e a Transformaçāo do Mundo................................... 66 7 - A Sustentabilidade na Hotelaria ao Longo do Tempo........................... 84 8 - Conferências do Clima e os Efeitos para o Brasil.................................. 92 9 - Construções Sustentáveis no Brasil....................................................... 104 Posfácio.......................................................................................................... 120

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Prefácio Ao contrário dos livros técnicos ou acadêmicos, este livro tem o propósito de transmitir ao leitor uma série de informações simples sobre diversas áreas e a percepção de cada autor em seus respectivos capítulos, sobre estas diferentes áreas, todas elas causando impacto no meio em que vivemos. A soma destas informações formará um rico mosaico que irá aumentar a compreensão geral sobre os fatos que acontecem no mundo e poderá estimular o leitor a procurar mais informações sobre o assunto que mais lhe interessou, ampliando sua percepção sobre a inter-relação do ser humano com a natureza. As informações contidas neste livro, assim como as informações do Prêmio Consciência Ambiental / Immensità (www.premioconscienciaambiental.com), têm o propósito de ser um agente de transformação ambiental na vida das pessoas, tendo como resultado o aumento da consciência de cada um para a mudança que queremos em nossa sociedade, nosso planeta e os impactos para as novas gerações que dependem de nós, para conseguirem ter uma vida saudável. Afinal, sustentabilidade é o meio para cuidarmos do nosso ambiente e garantirmos uma vida saudável para os que vivem e convivem entre si, nossa relação com algo maior e consequentemente para com este planeta em que moramos. Claudio Moyses

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1 - A Evolução da Consciência Ambiental Claudio Moyses

Na primeira edição do Prêmio Consciência Ambiental / Immensità foi divulgada uma fábula mostrando a evolução da degradação da natureza, conforme descrita a seguir: “Havia uma goiabeira... que morreu” “Havia uma goiabeira onde os garotos do bairro visitavam e se deliciavam das frutas. Ao tirarem uma, a goiabeira gerava outras. Um belo dia, todas as pessoas da região resolveram colher as goiabas de forma indiscriminada; disputavam de tal forma que quebraram seus galhos, maltrataram a árvore até que ela parou de dar frutos. O proprietário do terreno, vendo o estado da árvore, resolveu cortar o que sobrou da mesma e vendeu a madeira. O terreno estando vazio, começou a receber o lixo gerado pela região.” Esta fábula exemplifica o que veio ocorrendo ao longo dos tempos com a natureza, onde não houve a consciência ambiental nem a preocupação com a sustentabilidade, inviabilizando as condições de vida das futuras gerações que, se não houver um freio neste sistema predatório, só receberão uma terra exaurida e sem condições de gerar nada. Como deixamos chegar a este ponto? Quando o ser humano resolveu colocar um basta neste processo? Quando o mundo começou a tomar providências para reverter o processo de destruição do planeta? Podemos utilizar alguns exemplos para melhor ilustrar uma situação ambiental que afeta a saúde de uma população. Quando analisamos a situação sanitária de nosso país, nos deparamos com uma triste realidade: mais da metade de nossa população não dispõe de sistema de esgoto e mais de 35 milhões de pessoas não dispõem de sistema de abastecimento de água potável, entre eles, crianças e adolescentes. Os oceanos recebendo despejos de produções e descarte de todas as

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formas, afetando assim o “pulmão do mundo”, além da pesca predatória em vários locais do planeta. Chegou o momento em que a luz amarela sinalizando “atenção” foi acesa, mostrando que algo deveria ser feito e de modo urgente. E foi a partir deste momento que o mundo começou a se reunir. Conferências foram organizadas para debates sobre propostas de soluções para a implantação de um sistema de desenvolvimento sustentável e, assim, o meio ambiente passou a ser um item essencial para a vida do planeta e das próximas gerações. Tais conferências foram trazendo consciência à situação em que nosso planeta chegou. Ao mesmo tempo que áreas foram sendo destruídas, a população foi crescendo de forma acelerada. Só como forma de melhor compreensão, na década de 1970, o planeta abrigava aproximadamente 4 bilhões de habitantes. Em 2022, a população mundial ultrapassou o número de 8 bilhões de habitantes. Fica fácil perceber a gravidade de menos áreas e mais população: conflitos e guerras por terras e por água, gerando ainda mais destruição. Podemos acompanhar, pelo gráfico abaixo, o crescimento acelerado da população do planeta a partir do ano 2000.

Fonte: pesquisa do autor.

Foi prevendo o que iria ocorrer com a situação descrita que as nações iniciaram importantes e necessários debates sobre a necessidade de haver um desenvolvimento sustentável nas atividades para que as gerações presentes tivessem suas necessidades atendidas sem comprometer a capacidade de as gerações futuras também terem suas necessidades atendidas. Como forma de entender como as mudanças foram sendo implantadas ao longo dos últimos 55 anos, apresentamos, a seguir, os marcos ambientais

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de forma resumida no decorrer da história para compreendermos como chegamos até os dias atuais no tema:

1968 - Relatório apresentado pelo então Secretário Geral das Nações

Unidas sobre programas relevantes ao Meio Ambiente Humano, em um dos primeiros documentos de organização da ação ambiental multilateral. 1969 - Em uma pesquisa inédita sobre questões ambientais globais, o relatório emite um alerta severo: “Se as tendências atuais continuarem, a vida na Terra pode estar em perigo.” 1972 - Ocorreu pela primeira vez uma Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, Suécia, de 5 a 16 de junho. A partir desta Conferência, foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). 1973 - O presidente do Quênia, Jomo Kenyatta inaugura a sede do PNUMA em Nairóbi e a primeira reunião de administração do PNUMA acontece em Genebra de 12 a 22 de junho. 1974 - O mundo celebra o dia 5 de junho como o Dia Mundial do Meio Ambiente com o lema “Só Uma Terra”. 1975 - 16 Países do Mediterrâneo concordam em promover a gestão integrada da zona costeira e adotar o Plano Mediterrâneo de Ação. 1980 - O PNUMA divulga a Estratégia de Conservação Mundial, definindo o conceito de Desenvolvimento Sustentável. 1981 - A Assembleia Geral da ONU designa a década de 80 como a Década Internacional da Água Potável e do Saneamento. A água, antes considerada um recurso abundante, se torna cada vez mais um recurso escasso em várias áreas geográficas. 1972 - O Conselho de Administração do PNUMA estabelece prioridades para a legislação ambiental global. 1987 - Todos os 197 Estados-Membros da Nações Unidas adotam o Protocolo de Montreal sobre substâncias que destroem a camada de ozônio. 1988 - O PNUMA e a Organização Meteorológica Mundial lançam o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) visando fornecer informações para o desenvolvimento de políticas climáticas. 1989 - 183 Países adotam a Convenção da Basileia (Suíça) para regulamentar o movimento e o descarte de resíduos perigosos.

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1991 - Os Estados-Membros das Nações Unidas estabelecem o Fundo

para o Meio Ambiente (GEF em inglês), mobilizando recursos para projetos ambientais em todo o mundo, incluindo o Brasil. 1992 - O Brasil sedia a Conferência das Nações Unidas dobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro de 3 a 14 de junho, onde foi estabelecido a Agenda 21 e outros acordos internacionais. 1997 - Ocorre a sessão especial sobre meio ambiente conhecida como Earth Summit + 5 com o objetivo de acelerar a Agenda 21 e lançar uma parceria para o desenvolvimento sustentável. Lançado o Protocolo de Quioto, um tratado internacional ambiental com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que produzem o efeito estufa. 1998 - As Nações Unidas lançam a Convenção de Roterdã para promover responsabilidades compartilhadas em relação à importação de pesticidas e produtos químicos perigosos. 1999 - Estados-Membros das Nações Unidas adotam o Pacto Global das Nações Unidas com mais de 8500 signatários de 135 países, visando incentivar empresas em todo o mundo a adotar políticas sustentáveis e socialmente responsáveis. 1999 - Com a crescente discussão sobre sustentabilidade empresarial surgiu então, o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI) da Bolsa de Nova Iorque.

2000 - 103 Países assinam o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, um suplemento à Convenção sobre Diversidade Biológica, visando garantir o manuseio, transporte e uso seguro de organismos que foram modificados por biotecnologia moderna. 2000 - Em 26 de junho foi oficializado o Pacto Global sendo uma iniciativa proposta pela Organização das Nações Unidas para encorajar empresas a adotar políticas de responsabilidade social corporativa e sustentabilidade.

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2001 - Os Estados-Membros das Nações Unidas adotam a Convenção

de Estocolmo que visa proteger a saúde humana e o meio ambiente de produtos químicos que persistem por longos períodos no meio ambiente. 2002 - Ocorre a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Johanesburgo com foco em conservar recursos naturais em um mundo em crescimento populacional. 2004 - O termo ESG foi cunhado em uma publicação do Pacto Global denominada “Who Cares Wins” em parceria com o Banco Mundial e é uma sigla em inglês que significa environmental, social and governance, e corresponde às práticas Ambientais, Sociais e de Governança de uma organização.

2005 - Iniciativa pioneira na América Latina e quarto índice de sustentabilidade no Mundo, o ISE B3 foi criado pela B3 com financiamento inicial pela International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial.

2006 - Os maiores investidores institucionais globais reuniram-se para

criar os seis Princípios para o Investimento Responsável, lançados sob a liderança da Iniciativa Financeira do Programa da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Meio Ambiente.

2009 - Ocorre a Conferência sobre Mudança do Clima em Copenhagen, elevando a política de mudança climática, incluindo a meta de limitar o aumento da temperatura média global em no máximo 2 ° Celsius acima dos níveis pré industriais.

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2012 - Ocorre a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento

Sustentável conhecida por RIO +20, onde foi lançada a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES em inglês). 2014 - Ocorre a Cúpula do Clima em Nova York onde debates para medidas concretas por um mundo com baixa emissão de carbono. 2015 - No mês de setembro, representantes dos 193 Estados-Membros das Nações Unidas, em Nova York, adotaram o documento “Transformando o Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. A Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável conduz à adoção dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs). Ocorre a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Paris, onde 195 países adotaram o primeiro acordo climático global universal e juridicamente vinculante - Acordo de Paris.

2016 - Em resposta à crise global do tráfico de animais, o PNUMA

lança o Selvagem pela Vida, uma campanha para proteger espécies selvagens ameaçadas de extinção. 2017 - O PNUMA lança a campanha Mares Limpos para engajar governos, público em geral e o setor privado na luta contra o lixo marinho. 2019 - Ocorre a Cúpula de Ação Climática e a Assembleia Geral das Nações Unidas declara 2021-2030 como a Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas que visa aumentar a restauração de ecossistemas degradados e destruídos como uma medida comprovada para combater a crise climática e aumentar a segurança alimentar, o abastecimento de água e a biodiversidade. 2022 - Ocorre a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente conhecida como Estocolmo + 50, que ocorreu nos dias 2 e 3 de junho, 50

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anos depois da primeira conferência em 1972 na própria cidade de Estocolmo. Com a rápida retrospectiva dos últimos 55 anos, podemos perceber que as ideias que foram debatidas e as ações que foram implantadas visaram garantir o desenvolvimento responsável e sustentável, além da preocupação com o Clima do planeta, cujas reuniões internacionais visaram o bem do planeta, mas suas deliberações podem ser uma armadilha para países em desenvolvimento descrita no Capítulo 8 deste livro. Todos nós percebemos que, ao longo do tempo, as atividades que buscam “lucro a qualquer custo” foram perdendo espaço para o chamado “investimento responsável” onde as atividades são avaliadas por consumidores e investidores e, quem não estiver enquadrado nas questões ESG, ou já fecharam suas portas, ou estão em vias de fechar, por não haver mais condições deste sistema predatório fazer parte das atividades viáveis ao planeta. Como percebemos na retrospectiva apresentada desde o final da década de 1960, a agenda ESG começou a se tornar conhecida e ganhar importância até ser divulgada no relatório “Who Cares Wins”. As três siglas E, S e G significam, em inglês, Environmental, Social and Governance, o que em português significam Ambiental, Social e Governança e formam um código de conduta que deve nortear as ações de empresas e organizações. Assim sendo, ESG pode ser compreendido como desenvolvimento sustentável na prática. Podemos conhecer um pouco mais sobre ESG especificamente no Capítulo 6 e aplicado em diversos setores nos outros capítulos deste livro. Estas questões foram tomando vulto e importância cada vez maior quando Kofi Annan, então secretário geral da ONU, em 2005, convidou grandes investidores institucionais de 12 países para pensarem e desenvolverem um programa para investimentos responsáveis, ou seja, um sistema onde qualquer investimento fosse avaliado pela sustentabilidade. Assim foi criado o PRI, sigla em inglês que significa “Princípios para Investimento Responsável”. Trata-se de uma iniciativa de investidores em parceria com a Iniciativa Financeira do Programa da ONU Para o MeioAmbiente (UNEP FI) e o Pacto Global da ONU. O PRI trabalha em conjunto com sua rede internacional de signatários para colocar em prática os seis princípios para o investimento responsável.

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O objetivo dos Princípios é compreender as implicações do investimento sobre temas ambientais, sociais e de governança (ESG). Estes seis princípios foram criados por investidores e têm o apoio da ONU, contando com mais de 1400 signatários em mais de 50 países, representando US$ 60 trilhões em ativos. O grupo de empresas e organizações filiadas que estabeleceram regras para serem aplicadas pelos associados onde, para qualquer tomada de decisão onde pretendem investir, as questões ESG devem ser observadas obrigatoriamente, ou seja, qualquer empresa ou organização que pretenda receber recursos financeiros, devem apresentar seus relatórios comprovando que seguem a agenda ESG. Assim sendo, os players do mercado foram sendo obrigados a manter condutas condizentes com questões ambientais (E), sociais (S) e de governança corporativa (G) em suas áreas de atuação. Os Princípios de Investimento Responsável somam 6, ou seja: 1: Incorporar questões ESG na análise de investimentos e nos processos de tomada de decisão. 2: Como proprietários e incorporaremos as questões ESG em nossas políticas e práticas de propriedade. 3: Buscaremos divulgação apropriada sobre questões ESG pelas entidades nas quais investimos. 4: Promoveremos a aceitação e implementação dos Princípios na indústria de investimentos. 5: Trabalharemos juntos para aumentar nossa eficácia na implementação dos Princípios. 6: Cada um apresentará relatório sobre nossas atividades e progresso na implementação dos Princípios. Podemos reparar que, qualquer empresa que deseja receber recursos financeiros de investidores deve passar pelas peneiras dos Princípios e o primeiro princípio afirma que o investidor deve “Incorporar questões ESG na análise de investimentos e nos processos de tomada de decisão”. Isso significa que, quando o investidor for analisar a empresa que está solicitando investimento, se ela não estiver atuando dentro das questões ESG, não receberá nenhum recurso financeiro.

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Sendo estes princípios um compromisso de quem pertence ao PRI, o mercado precisou e ainda precisa se adaptar às peneiras, ou melhor, aos Princípios e, desde o início de sua implantação, o PRI virou referência para muitos investidores no mundo todo. Como afirmamos anteriormente, os “lucros a qualquer custo” foram perdendo seu lugar para “investimentos responsáveis”. A pressão do mercado financeiro para impor regras dos Princípios de Investimento Responsável fez com que bolsas de valores no mundo todo criassem seus índices de sustentabilidade, divulgando ao mercado quais empresas estavam atendendo às questões ESG, iniciando pelos Índices Dow Jones de Sustentabilidade, como vimos da retrospectiva. No Brasil, a nossa B3 divulga vários índices e empresas que estão dentro dos conceitos, sendo as mais conhecidas o ISE e o ICO2. O objetivo dos índices nas bolsas de valores é apontar empresas comprometidas com a sustentabilidade empresarial, ou seja, orientar os investidores para investimentos mais confiáveis. A consciência dos consumidores também foi sendo treinada para subsidiar suas escolhas na hora da compra de produtos ou serviços. Me lembro da minha filha, quando tinha 15 anos de idade, para optar por comprar uma peça de roupa ou um produto de higiene pessoal, pesquisava na internet quais empresas das quais ela poderia comprar o produto ou serviço mantinha serviço escravo, por exemplo. Se tivesse algum indício, ela já descartava a empresa. Se uma das empresas pesquisadas trabalhava com reciclagem de materiais, já ganhava pontos com ela. Se uma empresa fazia testes com animais, já estava descartada. Assim sendo, além de investidores selecionarem onde irão investir seus recursos, o consumidor também está selecionando de quem comprar, ou seja, se alguém pretende receber investimento em seu negócio, deve se enquadrar nas questões ESG e se alguém pretende vender seus produtos ou serviços ao mercado, deve também se enquadrar nas questões ESG. É no ramo da construção que há uma grande preocupação com uso e reuso de materiais pois é a indústria que consume materiais de forma amplificada. Só para termos noção, estima-se que 40 % da água consumida em nosso planeta é destinada à edificações ao longo das etapas de construção e de operação.

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A Evolução da Consciência Ambiental

Além do alto consumo de água, grande parte da matéria-prima retirada da natureza encontra destino nas construções, assim como o alto consumo de energia elétrica. Outra problemática nesta indústria que gera grandes impactos ambientais está na grande produção de resíduos urbanos das construções. Poderemos ter uma melhor noção da problemática do lixo no Capítulo 2 deste livro.

Como forma de reduzir tais impactos ambientais que esta indústria gera, foram criados certificados de “green building” para que as construções pudessem gerar o mínimo de impacto ambiental, critérios para reuso de materiais, não poluição do subsolo, compra de materiais com origem cerificada, entre outras.

Os Capítulos 3 e 9 abordam o aspecto sustentabilidade nas construções e como esta preocupação veio evoluindo. Como forma de demonstrar ao mercado que uma atividade é sustentável, foram sendo criadas diversas certificações. Foram criados certificados de turismo sustentável, por exemplo, gestão ambiental na hotelaria, em hospitais, em indústrias, entre outros setores, sempre com o intuito de direcionar a produção de cada setor para o caminho do desenvolvimento sustentável. No capítulo 7 poderemos ter uma melhor noção de certificação verde para hotelaria. Atualmente cada vez mais empresas procuram transmitir ao mercado

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alguma ligação de sua marca com as questões ESG. Uma empresa pode, por exemplo, divulgar em sua propaganda a seguinte mensagem: “Laticínios Glória - a natureza bem cuidada”. “Centro Educacional Sadia - sustentabilidade desde a infância”. Além da dimensão “ambiental”, outras preocupações foram sendo incorporadas para englobar a sustentabilidade como uma dimensão única tais como “social”, “econômica” e “institucional”. A preocupação com estas quatro dimensões foram a base para a definição dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) que também são observadas pelo mercado e pelas peneiras do PRI e que são: 1. Erradicação da pobreza. 2. Fome zero e agricultura sustentável. 3. Saúde e bem-estar. 4. Educação de qualidade. 5. Igualdade de gênero. 6. Água limpa e saneamento. 7. Energia limpa e acessível. 8. Trabalho decente e crescimento econômico. 9. Indústria, inovação e infraestrutura. 10. Redução das desigualdades. 11. Cidades e comunidades sustentáveis. 12. Consumo e produção responsáveis. 13. Ação contra a mudança global do clima. 14. Vida na água. 15. Vida terrestre. 16. Paz, justiça e instituições responsáveis. 17. Parcerias e meios de implementação. Mais uma vez podemos observar que, quem está no mercado e quer vender seus produtos, serviços ou tecnologia, devem priorizar suas ações na consciência do desenvolvimento sustentável que é algo amplo e profundo. A maioria de nós pode se sentir impotente perante questões tão profundas para a sustentabilidade mas podemos fazer nossa parte, conforme descrito no Capítulo 4 onde a mudança começa em nós e em nossas casas. Tais ações de cada um de nós podem representar uma grande transformação e um grande benefício ao planeta.

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A Evolução da Consciência Ambiental

Muito se comenta sobre a importância da educação para uma sociedade saudável e evoluída e, da mesma forma, a importância da educação como processo de formação de agentes de transformação ambiental e isso o leitor poderá ter uma melhor percepção no Capítulo 5 deste livro. Assim, no decorrer dos capítulos deste livro, poderemos ampliar nossa percepção sobre a importância de cada área abordada e sobre as ações que estão sendo desenvolvidas nos diferentes setores de nossa sociedade e, com esta nova percepção, temos condições de sermos agentes de transformação para a melhora do nosso planeta. Referências Bibliográficas: unep.org tjce.jus.br ifc.org unpri.org un.org cetesb.sp.gov.br mma.gor.br sobcontrolecentrus.com.br gbcbrasil.org.br sustainablefuturenews.com idis.org.br

Claudio Moyses Engenheiro Civil, pós-graduado em Administração, Jornalista, Escritor e autor de livros e artigos sobre liderança e relações humanas, Empresário responsável pela primeira construção certificada internacionalmente como de Alta Qualidade Ambiental (AQUA n° 001), Idealizador e Coordenador do Prêmio Consciência Ambiental, Diretor da MORI Administração e Participação Ltda e CEO do Espaço Immensità de eventos.

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2 - O Lixo e a Vida Cotidiana dos Seres Humanos Homero de Giorge Cerqueira

Segundo Ferreira1 (1999), lixo é “aquilo que se varre da casa, do jardim, da rua e se joga fora; entulho. Tudo o que não presta e se joga fora. Sujidade, sujeira, imundície. Coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor”. Jardim e Wells 2 (1995, p. 23) definem lixo como “[...] os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis”. Em média, o lixo doméstico no Brasil, segundo Jardim e Wells (1995) é composto por: 65% de matéria orgânica; 25% de papel; 4% de metal; 3% de vidro e 3% de plástico. Embora atenda legislações municipais, o lixo comercial até 50 kg ou litros e o domiciliar são de responsabilidade das prefeituras e os demais são de responsabilidade do gerador. Dessa forma, todos produzem lixo. A geração de Resíduos Sólidos Urbano (RSU) no Brasil no ano de 2022, alcançou um total de, aproximadamente, 81,8 milhões de toneladas (figura 1), correspondendo a 224 mil toneladas diárias. Logo, cada brasileiro produziu, em média, 1,043 kg de resíduos por dia. Observa-se, portanto, que o montante de RSU gerados no país apresentou uma curva regressiva.

Figura 1 - Geração de RSU no Brasil (t/ano e kg/hab./ano) em 2022 Fonte: ABRELPE, 2023.

1. FERREIRA, A. B. de H. Dicionário Aurélio eletrônico século XXI. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 1 CD-ROM. 2. JARDIM, N. S.; WELLS, C. (Org.). Lixo Municipal: Manual de Gerenciamento integrado. São Paulo: IPT: CEMPRE, 1995.

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O Lixo e a Vida Cotidiana dos Seres Humanos

Tanto a elaboração quanto o fim da vida útil daquilo que é processado, resulta em lixo. As manipulações alimentares, bem como a fisiologia corporal, resultam em detritos e dejetos, respectivamente, os quais devem ser segregados e destinados a locais adequados. Ressalta-se que o lixo não transmite doenças para as pessoas de forma direta, mas, sua presença atrai vetores que as transmitem, como insetos e roedores (BARRETO,1990)3. A tabela 1 demonstra as principais doenças correlacionadas com os vetores encontrados em áreas de disposição inadequada de resíduos sólidos4 urbanos.

3. BARRETO, M. L. A epidemiologia, suas histórias e crises: notas para pensar o futuro In: COSTA, D.C. (org.). Epidemiologia -Teoria e Objeto. São Paulo, Hucitec/ABRASCO, 1990. 4. Resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível, conforme inciso XVI, art. 3º da Lei Nº 12.305, DE 2 DE AGOSTO DE 2010. 5 O chorume é conhecido como líquido percolado ou lixiviado. A composição do chorume é de matéria orgânica, metais pesados, substâncias tóxicas e excrementos de humanos e animais. Entre as substâncias tóxicas estão o cádmio, arsênio, cobre, mercúrio, cobalto e chumbo. O chorume é um problema ambiental que ocasiona a poluição do solo e da água. A velocidade do crescimento populacional urbano e o estímulo dado ao consumismo, aumentam a produção de lixo, contribuindo para formação do chorume. O lixo nem sempre tem o destino correto. Nos depósitos de lixo a céu aberto, o lixo se acumula sob o solo sem receber nenhum tipo de tratamento ou proteção. O acúmulo de lixo no solo traz uma série de problemas não somente para o ecossistema, mas também para a sociedade. A formação do chorume é o resultado da decomposição bacteriana da matéria orgânica. Além de gerar um mau cheiro típico, ele se infiltra no solo contaminando o lençol freático e os rios.

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Homero de Giorge Cerqueira

Quando as pessoas perceberam que os resíduos sólidos acumulados perto de suas residências atraíam animais e insetos que transmitiam doenças, começaram a enterrá-los ou lançá-los nos corpos d’água doce ou salgada. Os resíduos orgânicos enterrados geravam o chorume, que percolava pelo subsolo até alcançar a água subterrânea. Por conseguinte, contaminou-se o subsolo e água subterrânea. Os humanos produzem o líquido percolado, o necrochorume5. Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794) afirmava que “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, princípio da conservação das massas em reações químicas, que pode ser aplicado ao contexto de resíduos sólidos. Nada material desaparece após o uso, mas sim transforma-se em resíduos, os quais precisam ser gerenciados, para que não causem problemas ambientais e de saúde pública. Portanto, o que fazer com todo esse lixo no planeta? Continuar com os lixões, aterro controlado, aterro sanitário, incineração ou compostagem? Os lixões são proibidos no Brasil, pois causam danos ambientais, à saúde e à vida das gerações presentes e futuras. Aterro controlado e sanitários são destinações inadequadas para preservação do meio ambiente e saúde. Além do que, ocupam espaços e devem ser monitorados por três décadas no controle de gás. Incineração é uma solução de destinação ambientalmente adequada. A compostagem constitui outra solução correta na preservação do meio ambiente para as gerações do nosso planeta. Considerando que o atual modelo econômico predominante gera sérios riscos ao meio ambiente e à saúde, incentiva uma cultura de consumo, leva à escassez ambiental e de recursos, necessita-se de um sistema econômico que dialogue com as necessidades do ambiente, da justiça social e da inclusão. A partir desses pressupostos, tendo Kate Raworth6 como uma referência seminal, nasceu o chamado Doughnut Model. A Figura 2, ilustração do Doughnut Model, pode gerar algumas reflexões interessantes. Acima do teto ecológico, existe uma pressão excessiva sobre os sistemas vitais da Terra, e a consequência está descrita em uma série de fenômenos como as mudanças climáticas, a acidificação dos oceanos, 5. O necrochorume é um tipo de chorume resultante da decomposição de cadáveres em cemitérios. Ele também pode contaminar o solo e os lençóis freáticos. Um cadáver adulto de 70 kg pode liberar até 30 litros de necrochorume durante o processo de putrefação do corpo. 6. RAWORTH, K. Economia donut: uma alternativa ao crescimento a qualquer custo. Rio de janeiro: Zahar, 2019.

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O Lixo e a Vida Cotidiana dos Seres Humanos

a perda de biodiversidade, a poluição química e as mudanças no uso da terra.

Figura 2 - Donut Model Fonte: Raworth e Oxfam (apud CURADO; BELINKY, 2013, p. 52).

No anel interno do doughnut – a sua base social – estão os princípios básicos da vida, dos quais ninguém deve ser privado: comida suficiente, água limpa e saneamento básico, acesso à energia, acesso à educação e à saúde, habitação decente, renda mínima e trabalho digno, e acesso a redes de informação e de apoio social, devendo ser alcançados com igualdade de gênero, igualdade social, voz política, paz e justiça (RAWORTH, 2017)7. Abaixo da base social do doughnut, encontram-se deficiências em bemestar humano, enfrentadas por aqueles que não têm os elementos essenciais para a vida, como alimentação, educação e habitação. Mas, entre esses dois conjuntos de limites, encontra-se um ponto ideal – com o formato de um doughnut – que é um espaço ecologicamente seguro e socialmente justo para a humanidade. A tarefa do século XXI contém esse desafio sem precedentes: conduzir toda a humanidade para aquele espaço seguro e justo (RAWORTH, 2017) e os resíduos sólidos constituem o maior desafio à humanidade. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (WCED, 2023)8, estima-se que a população mundial chegou a 7,9 bilhões em setembro de 7. RAWORTH, K. Dougnut economics: seven ways to think like a 21 st-century economist. Vermont: Chelsea green Publishing, 2017. 8 WCED. WORLD COMMISSIONON ENVIRONMENT AND DEVELOPMENT. Pacto Global da ONU na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial de Davos. Disponível em https://events.unglobalcompact.org/Davos23. Acessado em 30 mar. 2023.

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2022 e Stephen Emmott (2013)9 estima que em 2050 seremos 10 bilhões de habitantes no planeta. Assim, com o número crescente da população, a geração de resíduos sólidos aumenta proporcionalmente. Um estudo do Banco Mundial10-11 realizado em 2012 denominado “What a waste o global review of solid waste management”12 indicou que dez anos atrás, havia 2,9 bilhões de residentes urbanos que geravam cerca de 0,64 kg de RSU por pessoa por dia (0,68 bilhão de toneladas por ano). Este relatório estima que hoje esses valores aumentaram para cerca de 3 bilhões de habitantes, gerando 1,2 kg por pessoa por dia (1,3 bilhão de toneladas por ano). Até 2025, isso provavelmente aumentará para 4,3 bilhões de residentes urbanos, gerando cerca de 1,42 kg/capita/dia de resíduos sólidos urbanos (2,2 bilhões de toneladas por ano). A Tabela 2 abaixo demonstra a geração de resíduos por região e a respectiva população urbana em dois períodos, 2012 e 2025.

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Fonte: adaptada de World Bank (2012) Legenda: PU = População Urbana; RS = Resíduos Sólidos

No Brasil, em razão das diferentes culturas, costumes e economia diversificada, fica impossível traçar um histórico amplo sobre as discussões acerca de resíduos sólidos. 9. EMMOTT, Stephen. 10 bilhões / Stephen Emmott; tradução Kvieta Brezinova de Morais. 1a edição. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013. 10. https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/17388. 11. WORLD BANK. What a Waste: A global Review of Solid Waste Management. Washington: World Bank, 2012. 12. Que Resíduo: Uma Revisão Global da Gestão de Resíduos Sólidos. 13. Países pertencentes à OECD: Andorra, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Coreia do Sul, Luxemburgo, Mônaco, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido, Estados Unidos.

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Um fato interessante ocorrido por volta de 1876 foi a iniciativa da cidade do Rio de Janeiro de contratar empresas privadas para realizar os serviços de limpeza urbana, sendo a empresa de Aleixo Gary14 a primeira para essa função. Daí a denominação de “gari” para a função de empregados que trabalham na limpeza urbana em alguns estados brasileiros (EIGENHEER, 2009). Contudo, “resíduos sólidos” foi destaque em grandes eventos mundiais, como a Conferência de Estocolmo em 1972 e a ECO 92, no Rio de Janeiro, ganhando importância nacional. As discussões sobre uma Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) iniciaram em 1989, com o Projeto de Lei do Senado (PLS) 354, do ex-senador Francisco Rollemberg, culminando apenas no ano de 2010 na aprovação da Lei nº 12. 305, de 02 de agosto de 2010. De acordo com o Art. 9º da Lei 12.305/201015, “na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração; redução; reutilização; reciclagem; tratamento dos resíduos sólidos; disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos”. Carlos Ohde16 (2018) pondera que, em uma floresta, não existe o conceito de lixo, pois a árvore que apodrece serve de adubo para uma nova planta, que serve de comida para um animal, que também será alimento de outro, mas e se em vez do modelo em que se descartam os materiais não biodegradáveis, como máquinas de lavar, smartphones, notebooks, micro-ondas, existissem outros modelos em que esses materiais retornassem ao ciclo produtivo? Nesse contexto, discute-se economia circular. A avaliação do ciclo de vida de produto (AVC) ganha importância nas estratégias de sustentabilidade de empresas de diversos segmentos, consolidando-se como ferramenta que facilita a gestão dos impactos ambientais dos produtos e das cadeias de valor. 14. Pedro Aleixo Gary foi um empreendedor francês que viveu no Brasil durante a década de 1870. Gary foi o principal responsável pela limpeza das ruas das cidades do Rio de Janeiro e Guanabara entre os anos de 1870 e 1975. O nome de Gary foi o principal responsável pelo nome dos varredores de ruas serem conhecidos no Brasil por garis. 15. BRASIL. Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 e dá outras providências. Diário Oficial [da] União, Brasília, 03 ago. 2010. 16. OHDE, C. Economia Circular: um modelo que dá impulso à economia, gera emprego e protege o meio ambiente. São Paulo: Netpress Books, 2018.

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Figura 3 - Representação do ciclo de vida de um produto Fonte: UNEP/SETAC apud Kiss; DINATO; FERNANDES (2017, p. 1217).

A lei 12.305/2010 visa a criação de metas importantes para a eliminação dos lixões e a instrumentalização em níveis nacional, estadual, microrregional, intermunicipal, metropolitano e municipal. Além disso, torna-se obrigatória a incorporação do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos nas empresas. Destinação final ambientalmente adequada O lixo, quando não tratado adequadamente, pode ser responsável por impactos ambientais graves ao ambiente. Em nosso artigo, questionamos o que o lixo significava para o cotidiano dos seres humanos. O lixo era tido como algo sem utilidade, uma sobra de material descartável, aquilo que as pessoas desejavam jogar fora, geralmente, vinculado à sujeira, imundície, sujidade e ao mau cheiro. Não obstante, o lixo também foi percebido e considerado como um conjunto de materiais com valor econômico agregado. 17. KISS, B.; DINATO, R.; FERNANDES, M. Experiências e reflexões sobre a gestão do ciclo de vida de produtos nas empresas brasileiras: Ciclos 2015 e 2016. 1a edição. São Paulo: FGV EAESP, 2017. (Coleção FGV EAESP – Gvces – Relatórios Técnicos). Disponível em: https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/30490. Acesso em: 20 mar. 2023.

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O Brasil gerou 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em apenas um ano. Para aplicar o conceito de sustentabilidade à gestão de resíduos sólidos urbanos, alguns critérios devem ser considerados (LARDINOIS; VAN DE KLUNDERT, 2000)18: Sociais e culturais: universalização dos serviços prestados à população, independentemente do nível socioeconômico e etnia, bem como a redução de riscos à saúde humana; Ambientais: uso adequado dos recursos naturais e inclusão aos sistemas de ciclo fechado, minimização de resíduos, recuperação de materiais reutilizáveis e tratamento, o mais próximo possível da fonte de geração; Institucionais e políticos: clara divisão de atribuições entre os protagonistas locais, elaboração de legislação e regulação adequadas, instituição de processos de tomada de decisão democráticos e formação profissional das equipes técnicas; Financeiros: inclui análises de todos os custos e possibilidades de recuperação deles, sistemas de taxas/tarifas/preços públicos baseados em custos reais (de forma a permitir a possibilidade de pagamento) e sistemas possíveis de serem mantidos; Econômicos: inclui a redução da pobreza por meio da geração de emprego e renda; Técnicos: inclui tecnologias apropriadas e limpas. Moraes (2000)19 avalia que as alternativas de solução passam pela adoção de modelos integrados e sustentáveis e faz referência à necessidade da mudança das práticas atuais de manejo dos resíduos, focando na não geração, a redução, a reutilização e a reciclagem, com disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos (Figura 4). 18. LARDINOIS, I.; VAN DE KLUNDERT, A. Integrated Sustainable Waste Management (ISWM). The Netherlands: Waste, 2000. 7p. 19. MORAES, L.R.S. Gestão Integrada e Sustentável de Resíduos Sólidos: um novo paradigma. In: CONGRESSO NACIONAL DE MEIO AMBIENTE NA BAHIA, II., 2000, Salvador. Anais. Salvador: UFBA/UNEB/UEFS/UESB/UCSAL/UNIFACS/CEFETBA/MP-BA/EXPOGEO, 2000. p.258-260.

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Figura 4 - Mudança de paradigma da gestão de resíduos sólidos urbanos Fonte: USEPA.

A Figura 4 demonstra que, uma vez implementados a redução, reutilização e reciclagem, os resíduos sólidos restantes devem ser processados para recuperação energética. A recuperação de energia a partir de resíduos é consistente com a hierarquia e oferece uma oportunidade para recuperação adicional de materiais como alumínio, ferro, cobre e outros metais não ferrosos. Das emissões de gases de efeito estufa. Embora haja interesse crescente em uma economia circular que facilite a reutilização produtiva de resíduos sólidos urbanos (RSU), também há uma confusão significativa e desinformação sobre o gerenciamento sustentável de RSU usando a recuperação energética de resíduos – ou “Waste-to-Energy” (WTE). A conversão de resíduos em energia é a melhor alternativa ao aterro controlado e sanitário para a gestão de RSU que não é reciclável. Com 76 instalações WTE nos EUA, 410 na Europa e em construção ou planejadas na Ásia e no Brasil, a WTE é uma tecnologia comprovada para aquecimento, resfriamento, processos industriais e produção de energia elétrica que substitui combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, tem uma pegada de carbono (gás de efeito estufa) significativamente menor em comparação com o aterro. O WTE também tem o benefício adicional de destruir materiais contaminados que contêm patógenos e vírus.

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Vários fatores limitam nossa capacidade de aumentar significativamente a reciclagem, incluindo: redução da demanda por recicláveis; custo de produção de produtos vendáveis a partir de materiais recicláveis; requisitos de processamento mais sofisticados e caros. Como consequência, os volumes de aterros e o metano que eles geram continuam aumentando. O gás metano (CH₄), produzido pela decomposição da matéria orgânica, e muito comum em aterros sanitários e lixões, é o segundo componente antropogênico mais importante para o efeito estufa. Ao ser comparado com o dióxido de carbono (CO₂), ele é mais perigoso, uma vez que a mesma quantidade de CH₄ chega a ter 25 vezes mais impacto sobre o aquecimento global que o CO₂. Com base no Art. 9º da PNRS, na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. O futuro da gestão sustentável de resíduos sólidos que seja totalmente protetor da saúde humana e do meio ambiente implantará o WTE pelos seguintes benefícios: 1) Sistema de oxirredução de resíduos sólidos, redução de volume: em média 95%, redução de peso: em média 85%; 2) Não produz fumaça ou cheiro; 3) Não necessita tratamento de efluente (cinzas e vapor de água); e 4) Aproveitamento de energia térmica convertendo em: energia elétrica, vapor ou água quente. WTE é um componente crítico da hierarquia aceita para a gestão dos resíduos sólidos e pode ser uma ferramenta importante para evitar resíduos de aterros após a redução, reutilização e reciclagem. A figura demonstra que, uma vez implementados a redução, reutilização e reciclagem, os resíduos sólidos restantes devem ser processados para recuperação energética. A recuperação de energia a partir de resíduos é consistente com a hierarquia e oferece uma oportunidade para recuperação.

Figura 5 - Hierarquia da gestão sustentável de resíduos sólidos - Fonte: USEPA.

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Para incentivar a eficiência, as políticas estabelecem um limite mínimo para ser considerado recuperação energética. Normalmente, a eficiência elétrica líquida das instalações WTE está na faixa de 25%. Assim, para uma usina de 100 MW (correspondendo a 32 t/h de resíduos a cerca de 11 GJ/t), cerca de 25 MW de eletricidade podem ser vendidos à rede (isso porque a temperatura dos trocadores de calor precisa ser limitada para evitar corrosão excessiva) e cerca de 55 MW é rejeitado. Nesse sentido, se não houver demanda pelo vapor gerado, grande quantidade de energia não será reaproveitada de forma eficiente. Se houver demanda de aquecimento nas proximidades da instalação WTE, como aquecimento residencial ou um processo industrial similar, uma grande parte desses 55 MW seria colocada em uso produtivo. As instalações operam como unidades de carga base contínuas, muitas vezes localizadas próximas a centros de carga com disponibilidade de 92% ou mais.

Figura 6 - Oxirredução - Fonte: USEPA

O retorno financeiro constitui nos seguintes itens: 1) Economia com transbordo; 2) Economia com a racionalização do transporte; 3) Economia com destinação final adequada, dispensando o uso do solo; 4) Receita

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através das cinzas geradas no processo para produção de artefatos de cimento; 5) Receita com energia térmica (energia elétrica, vapor ou água quente); 6) Receita com triagem e venda de materiais recicláveis; 7) Receita com venda de crédito de carbono (controlada e certificado em blockchain com sistema digital incorporado à tecnologia). Os operadores de instalações WTE não são incentivados economicamente a comprar recicláveis como matéria-prima para combustão. O maior teor de energia de recicláveis, como papel e plástico, em relação aos resíduos sólidos urbanos mistos, na verdade, reduz as receitas das instalações. As instalações WTE são limitadas pela quantidade de vapor que podem produzir e pela quantidade de energia térmica que pode ser alimentada na caldeira na forma de resíduos. Tomar quantidades adicionais ou a granel de materiais com alto teor de calor, como papel e plásticos, reduz a quantidade de resíduos que uma instalação WTE típica pode processar.

Homero de Giorge Cerqueira Doutor e Mestre em Educação e em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, Mestre em Direitos Humanos, Bacharel em Direito, foi comandante do Policiamento Ambiental do Estado de São Paulo, foi membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente de São Paulo, foi Presidente do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) do Ministério do Meio Ambiente.

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3 - A Consciência Sustentável na Arquitetura Marcelo de Andrade Romero

A herança do passado. A primeira ideia que surge quando pensamos em uma herança do passado relativamente a uma consciência sustentável na área da arquitetura e do urbanismo é que não houve uma herança do passado e os conceitos mais simples de sustentabilidade são recentes, talvez quem sabe, do século XXI. Esta errônea ideia permeia até as disciplinas dos cursos de arquitetura, de engenharia e de gestão ambiental. Porém, isto não é verdade pois a arquitetura desde o seu nascimento, nas cidades mais antigas do mundo e nas primeiras construções e habitações nasceu sustentável e isto ocorreu por dois grandes motivos. O primeiro motivo é que aquela arquitetura se utilizava primordialmente, com algumas exceções, de materiais locais, ou seja, de materiais do próprio lugar e essa é uma importante característica da arquitetura sustentável que foi amplamente utilizada no passado e que paulatinamente foi sendo esquecida e não mais utilizada principalmente a partir das primeiras décadas do século 20. O segundo motivo que caracterizou a arquitetura sustentável e esteve presente com bastante constância no passado foi o respeito ao clima do lugar e esta característica está evidenciada fortemente nas arquiteturas mais antigas em climas absolutamente diferentes uns dos outros, desde as latitudes mais abaixas até as latitudes mais elevadas. Quando analisamos o uso do adobe ou do barro, nas envolventes verticais opacas, ou de outros materiais com elevada inércia térmica nos climas quentes e secos, sobretudo da mesopotâmia e no norte da África, ou mesmo no sul da península ibérica, notamos uma estreita relação entre arquitetura e o clima. Nas latitudes mais elevadas em climas temperados

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nota-se a presença da madeira nas envolventes das edificações promovendo o isolamento térmico necessário para manter internamente uma temperatura mínima de conforto. Quando caminhamos para os climas mais gelados nota-se o uso do gelo como material das envolventes opacas das habitações com uma clara função de atuar como um material isolante térmico. Por estes e por outros tantos exemplos nota-se que arquitetura desde o seu nascimento possuía pressupostos de sustentabilidade. Para o homem primitivo era inconcebível a construção de edifícios sobretudo residenciais sem o uso dos materiais locais como era inconcebível projetar um edifício desconsiderando completamente o clima do lugar. A arquitetura do passado nos deixou uma herança riquíssima cheia de sabedoria e pronta para ser imitada, porém esta arquitetura se separou paulatinamente do clima e o ignorou com base em um conhecimento tecnológico que poderia fazes as vezes do clima exterior controlando e minimizando as condições exteriores, que são as tecnologias ativas de aquecimento e resfriamento. O século 20 foi um divisor de águas na questão da sustentabilidade na arquitetura porque durante as suas primeiras décadas, a herança do passado foi esquecida por grande parte da arquitetura produzida a partir dali e isso devido a alguns fatores. O primeiro fator foi o advento da estrutura independente quer de concreto armado, quer de aço, libertando os vedos verticais do papel da sustentação do edifício e desta forma os vedos não tinham mais uma função estrutural pois esta função estava garantida pela estrutura independente. O segundo fator foi a introdução da climatização artificial sobretudo para resfriamento dos edifícios no verão, e o uso desta tecnologia do ponto de vista de muitos arquitetos, substituiria as soluções passivas que não dependem do uso e do consumo da energia para a sua operação e operam independente de uma demanda de energia externa. Como exemplo de soluções passivas para os climas quente e seco, poderíamos citar o as proteções externas dos envidraçados, o uso da ventilação natural e do efeito chaminé para reduzir as cargas térmicas internas, ou o uso de materiais isolantes para garantir a manutenção do calor dentro dos edifícios nos períodos noturno, entre outras. Nota-se então que o advento da climatização, ao invés de auxiliar a arquitetura nos períodos climáticos

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de real necessidade, passou a atuar por períodos mais longos, inclusive na primavera e no outono, gerando consequentemente edifícios com elevados consumos de energia elétrica durante para garantir as temperaturas internas de conforto. Um outro fator que potencializou o uso excessivo de eletricidade nos grandes edifícios, sobretudo edifícios do setor comercial, foi o aumento de área nos andares tipo causando e incrementando ainda mais os ganhos internos de calor. Resumindo, houve uma arquitetura sustentável no passado do ponto de vista da eficiência energética e do ponto de vista do clima e da sustentabilidade, mas isto se perdeu e a consequência foi a presença de um grupo significativo de edifícios com elevados consumos de energia, sobretudo nas grandes cidades, em todos os locais e em todos os climas do planeta.

O início da consciência: o apelo energético. O início de uma consciência global para repensar a oferta, os consumos e os custos da energia ocorreram com a 1ª. crise do petróleo que se iniciou em outubro de 1973. Nesta data os países membros da OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo decidiram impor ao mundo um embargo no fornecimento do insumo. O embargo foi em um primeiro momento direcionado aos Estados Unidos, Canadá, Japão Holanda e Reino Unido. Posteriormente foi expandido para África do Sul e Portugal, porém indiretamente afetou todo o mundo e a economia global e muitas ações benéficas ocorreram por conta deste episódio, e ente ela destaca-se a criação da Agência Internacional de Energia. O Brasil não foi inicialmente afetado pelo embargo, porém as suas consequências foram absolutamente desastrosas para os brasileiros e para a totalidade dos países dependentes do petróleo enquanto fonte primária e por praticamente todos os países dependentes dos produtos derivados de petróleo como os óleos lubrificantes, produtos para a indústria farmacêutica, produção de asfalto, impermeabilizantes, produtos de limpeza, produtos químicos para a indústria farmacêutica entre outros. Três aspectos devem ser considerados aqui para entendermos as

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consequências do embargo no setor dos edifícios na escala mundial. O primeiro aspecto é que o petróleo também era e continua sendo uma fonte adicional na produção de energia elétrica gerada em termelétricas, e, portanto, uma fonte adicional na geração de energia elétrica. O segundo aspecto é que o consumo de energia elétrica nos edifícios no início dos anos 70 estava atingindo níveis absolutamente insustentáveis. Como exemplo, citamos o consumo por unidade de área nos edifícios de escritório nos Estados Unidos que se situava próximo aos 100 kWh/m2. O terceiro aspecto gerado por esta crise foi a elevação no preço do barril de petróleo, que se situava próximo aos US$ 3 antes da crise e subiu para cerca de US$ 12 no dia 23 de dezembro de 1973, ou seja, uma elevação de quatro vezes em relação ao valor inicial. O embargo ocorreu em um momento de crescente consumo de petróleo pelos países industrializados, sobretudo Estados Unidos e gerou uma consequência altamente positiva que foi o desenvolvimento de uma consciência energética global e um redirecionamento das políticas energéticas nos países desenvolvidos que acabaram por fomentar alterações nas políticas energética dos países em desenvolvimento nas cinco décadas seguintes.

As consequências da consciência: os regulamentos energéticos. A resposta global foi absolutamente rápida e praticamente simultânea no continente americano, especificamente nos Estados Unidos da América, e no continente europeu, a resposta veio da França. Estes dois países lideraram as iniciativas globais e traçaram os rumos para os demais países. Mas no que consistiram estas mudanças? Antes da primeira crise do petróleo não havia restrições para o consumo de energia elétrica nos edifícios e como consequência não havia a obrigatoriedade por manter os edifícios dentro de uma dada faixa de consumo consoante a sua localização climática e o seu uso e sendo assim, o clima não era considerado um aliado, mas sim, algo que deveria ser anulado e por vezes vencido. Assim, em climas quente e secos, a opção não era o uso da massa térmica presente em materiais de construção mais pesados como solução para amenizar as temperaturas

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interiores durante o dia, ou para aquecer os edifícios durante a noite, mas a climatização artificial para aquecimento ou resfriamento, passou a ser a solução a ser adotada doravante. Da mesma forma, nos climas quente e úmidos, a ventilação não era mais uma opção para retirar parte do calor no interior dos edifícios, e a climatização passou a ser a única solução para desumidificar e reduzir as temperaturas internas. Os regulamentos energéticos nunca foram e nunca se propuseram a ser ferramentas limitadoras da criatividade arquitetônica e nem tampouco empecilhos para o desenvolvimento do mercado da construção civil. As suas exigências e recomendações foram concebidas na base de indicadores de desempenho, que por sua vez, não cerceiam a criatividade arquitetônica, pelo contrário, são elementos que incentivam a criatividade com base nas boas práticas já vigentes no mercado. Mesmo o ato de compulsoriedade na qual foram concebidos, não foi entendido pelos países que os adotaram, como um elemento negativo, mas foram encarados como uma solução altamente criativa para manter a qualidade de vida dos usuários no interior dos edifícios, reduzindo drasticamente os consumos energéticos, frente a crise global que se instalara em 1973. Hoje, cerca de 50 anos depois, a maior parte dos países desenvolvidos, senão a sua totalidade possui regulamentos energéticos compulsórios para a construção civil e nem por isso houve uma redução da qualidade arquitetônica, da criatividade e da qualidade de vida nos edifícios residenciais, comerciais ou se serviço. O Brasil, não deu ouvidos a isto na década de 70 e até o presente momento não possui um regulamento energético compulsório para o setor dos edifícios, mesmo sabendo dos benefícios que o país alcançaria com esta medida. Não foi por falta de conhecimento ou por falta de profissionais capacitados no país que isto ocorreu, mas por absoluto descaso com a causa. Hoje temos uma ferramenta voluntaria que foi lançada no mercado desta forma há cerca de 20 anos que é o selo Procel Edifica, instituído por Decreto Presidencial em 8 de dezembro de 1993 e criado pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica - Procel. É uma pena que o cenário ainda seja este, em um país com tanta proeminência em relação ao restante do mundo, como uma matriz mais renovável que a média dos países desenvolvidos e com avanços significativos para manter este

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patamar por meio de ações e de uma política agressiva na área da geração fotovoltaica e da geração eólica. Poderíamos ter alcançado benefícios muito maiores que os já alcançados, e ainda há tempo de fazê-lo.

A consolidação da consciência: as certificações ambientais para o setor dos edifícios. Paralelamente ao surgimento dos regulamentos energéticos em toda a Europa e os Estados Unidos a partir de 1973, as Nações Unidas estavam desenvolvendo um amplo programa de sustentabilidade e demonstrando com isto, uma ampla preocupação com o meio ambiente global. Essa preocupação culminou em 1972 com a proposta de reunir os líderes globais em uma conferência ambiental organizada pelas Nações Unidas entre 05 e 16 de junho de 1972 em Estocolmo. Esta conferência teve um papel crucial na agenda global pois ali foi proposto e criado o Programa das Nações Unidas para o Ambiente - PNUMA ou UNEP (United Nation Environmental Programe). Não se poderia imaginar que aquela ação fosse resultar em tantas políticas ambientais para os edifícios e para o planeta e reverberasse em tantas outras áreas como de fato ocorreu. A partir dali uma série de outras conferências foram propostas e realizadas pela UNEP, cada uma com um propósito específico, e muitas delas alcançaram notoriedade e adesão a sua pauta. Entre elas estão a Conferencia de Montreal em 1987 que culminou com a assinatura de um protocolo para a redução dos gases do efeito estufa; A Conferencia Rio 92 com a proposição da Agenda 21; A Conferencia de Quioto em 1993 com a proposição do Protocolo de Quioto e a Conferencia de Paris em 2015 que resultou na assinatura do Acordo de Paris onde foi ratificada a proposta de manter a temperatura média da Terra abaixo de 2 °C, acima dos níveis pré-industriais, além de esforços para limitar o aumento da temperatura até 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. As certificações ambientais para os edifícios nasceram em 1990 ambientadas neste cenário de mudança de consciência, entendendo que tornar um edifício energeticamente mais eficiente não era suficiente,

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tornava-se necessário atingir outras esferas do setor da construção civil como a energia embutida nos materiais, os consumos de água potável, a geração de energia por fontes renováveis na própria construção, a qualidade do ambiente interior, o impacto dos edifícios na malha urbana, entre outros. Então, no Reino Unido em 1990, foi dado um passo ambientalmente mais significativo que os regulamentos energéticos, e esta ação foi liderada e iniciada pelo BRE (UK) lançando o BREEAM - Building Research Establishment Environmental Assessment Method. Esta ferramenta de certificação voluntária, iniciou um processo global de inúmeras outras proposições formuladas por dezenas de países entre eles o Brasil com as suas certificações específicas, como por exemplo, o GBC Casa para o setor residencial; GBC Condomínio para novas construções de condomínios sustentáveis; GBC Brasil Zero Energy, para os edifícios com propostas de geração interna de energia; GBC Life para projetos na área da arquitetura de interiores com foco em conforto saúde e bem-estar e as certificações AQUA com as suas diversas aplicações. Para além destas certificações, algumas desenvolvidas no Brasil e outras adaptadas ao caso brasileiro, existem atuando no mercado nacional outras certificações internacionais como o BREEAM (UK), o DGNB (Alemanha) e o LEED (EUA).

A evolução da mentalidade dos profissionais da construção civil com relação aos regulamentos energéticos mandatórios. Em todo o mundo, quando surgiram os regulamentos energéticos na arquitetura, certamente que houve um estranhamento e até certo ponto um receio por parte dos arquitetos, dos urbanistas e dos profissionais da construção civil, de que aquelas ferramentas poderiam cercear a sua liberdade criativa individual ao impor limites de consumos por tipologia de edifícios. Entretanto, o que se verificou foi o contrário. Os regulamentos, como foram concebidos com bases em critérios de desempenho, abriram inúmeras possibilidades criativas em todos os setores da construção civil. Esta criatividade alcançou a área do desenho industrial, a área do

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desenho de novas luminárias; a área do desenho de novas telhas incorporando painéis fotovoltaicos; a área do desenho e da proposição de novos envidraçados, novas janelas ou a área do desenho e da concepção de novas paredes, com novos elementos, fazendo às vezes da massa térmica ou do isolamento térmico. Então, houve, na verdade, uma explosão de criatividade proporcionada pelos regulamentos energéticos, e pela necessidade de se reduzir energia no interior dos edifícios por força de lei. A mentalidade dos arquitetos foi adaptada e, na verdade, muitos arquitetos perceberam a necessidade do aparecimento destas ferramentas, aparentemente restritivas, mas que na verdade não o são. Os benefícios trazidos para o setor da construção civil foram imensos. Na década de 70, o consumo de energia nos edifícios alcançava valores cerca de 10 vezes maior por metro quadrado do que é hoje, mantendo o desempenho interno e suprindo as mesmas necessidades de iluminação artificial e de temperatura e então houve um enorme ganho com a introdução dos regulamentos em uma escala global. O Brasil ainda não vivenciou este momento. O Brasil está 5 décadas atrás do mundo desenvolvido e atrás de alguns países em desenvolvimento. Seria muito interessante para ao país e para todo o setor da construção civil que este momento ocorra o mais breve possível para que haja de fato, uma efetiva transformação no setor da construção civil nacional, contando com imensa criatividade de nossos profissionais na área da arquitetura e da engenharia na proposição de novos desenhos e até de novos materiais.

A evolução da mentalidade dos profissionais da construção civil com relação às ferramentas de certificação. A grande transformação na mentalidade do profissional arquiteto foi a introdução das ferramentas de certificação ambiental porque estas ferramentas, não só geraram um conjunto de ações criativas com relação à eficiência energética, pois elas possuem a questão da energia com muito peso, mas geraram transformações, adaptações em todas as outras áreas da construção civil. De uma forma surpreendente, a aceitação pelos arqui-

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tetos, pelos engenheiros, pelas construtoras, pelo mercado em geral por certificar edifícios e obter os selos verdes foi muito rápida no Brasil. Logo se percebeu que esses edifícios com selos incorporados teriam maiores valores de venda, maiores valores de revenda e maiores valores de locação. Da mesma forma, o setor de marketing das construtoras, das incorporadoras e até dos escritórios de arquitetura soube se beneficiar desta nova realidade, o que em si está absolutamente correto, muito embora alguns setores da academia critiquem a disseminação dos selos ambientais pelo forte apelo de marketing decorrente. Na realidade, se um dado edifício que possui um dado selo ambiental, de fato apresentou um menor consumo de energia elétrica, apresentou um menor consumo de água obtida da concessionária, resultou em um menor impacto na malha urbana que está inserido, não há nenhum óbice a uma propaganda de marketing que ressalte estes aspectos. Nota-se no Brasil hoje que o mercado para os edifícios que possuam selos ambientais tende a crescer cada vez mais.

Considerações finais. Como parte de um conjunto de ações pela busca e pela redução das emissões de carbono preconizada por inúmeras reuniões e assinaturas de protocolos capitaneados pelas Nações Unidas, os edifícios sustentáveis no Brasil, começam a atrair cada vez mais interessados, tanto por parte das construtoras e incorporadoras como por parte dos clientes e usuários finais. O Brasil tem hoje cerca de 3,5 mil edifícios certificados ou em processo de certificação, que cumpriram critérios mínimos de desempenho definidos pelos agentes certificadores nacionais e internacionais como o USGBC, o GBC Brasil o BREEAM, o AQUA, o HQE, o DGNB, entre outros. Vale ressaltar que este processo é bastante recente, cerca de duas décadas apenas. Além de atestar o projeto como sustentável e atrair investimentos, os selos têm valorizado estes imóveis e têm reduzido os custos financeiros na etapa de uso e operação e este talvez seja um dos motivos que mais tem atraído os usuários finais. O custo percentual para um

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empreendimento obter uma certificação ambiental também reduziu dos 10% iniciais para cerca de 3% em média na atualidade. Há hoje uma consciência ambiental no mercado da construção civil no Brasil e esta consciência alcançou as universidades, o que em si é um ótimo sinal, e isto por dois motivos. O primeiro é que os estudantes estão tomando conhecimento desta nova realidade enquanto estudantes e o segundo, é que com isto, passarão a desenvolver uma consciência crítica a este respeito, melhorando ainda mais todo o processo de desenvolvimento do setor da construção civil no Brasil.

Marcelo de Andrade Romero Arquiteto e Urbanista, Mestre e Doutor em Tecnologia da Arquitetura, Livre docente pela USP, Professor de Mestrado e Doutorado da FAU‑USP, Professor e Orientador do Mestrado em Habitação do IPT, Professor Colaborador no Mestrado da Belas Artes de São Paulo, LEED‑AP‑US Green Building Council, HBC-PRO-Health Building Certificate, Membro do Comitê de Mudanças Climáticas da PMSP, Pró-Reitor de Ensino do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

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Quem nunca, no decorrer de sua jornada, ao se deparar com uma ação prejudicial ao coletivo, pensou: “Como eu gostaria de poder mudar isso” ou até “Como eu gostaria de poder mudar este mundo...” Às vezes, demora-se uma vida toda para perceber que podemos sim mudar o mundo através de nossas ações rotineiras. Fazemos isso, sem nos dar conta, quando impactamos, positivamente ou negativamente, o ambiente social, familiar ou de trabalho. No ambiente pessoal, ao mudamos nossa postura perante ao próximo, não nos damos conta que nossas ações impactam a vida e as ações das outras pessoas, mudamos o seu interior e impactamos positivamente ou negativamente neste mundo. A nível de ações que impactam o planeta, pequenas mudanças em nossa postura rotineira ajudam a diminuir o impacto que cada um de nós causa na natureza. Através destas ações podemos estar impactando positivamente a sustentabilidade de nosso planeta. Atualmente é muito difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar sobre o tema sustentabilidade. É um tema muito amplo e vem ocupando cada vez mais as redes sociais, as pautas dos noticiários, programas de rádio e televisão; a sustentabilidade se tornou um dos “assuntos do momento”. Nos tempos de hoje, o avanço das mídias sociais nos impõe posturas de urgência em parecer ser feliz, parecer ser uma pessoa politicamente correta, socialmente correta, ecologicamente correta. Nas redes sociais, o que mais se encontra são pessoas adotando um lema: • • • •

Salvar o planeta; Salvar as baleias; Seguir a ciência; Respeitar a diversidade, entre tantos outros.

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Mas, em uma breve análise superficial, percebe-se que muito se fala e poucos estão realmente comprometidos em realizar ações a favor o lema que propaga. Talvez, porque é tanta informação, que as vezes a solução parece tão distante de nossa realidade cotidiana, como se fosse um problema a ser solucionado apenas pelos governantes e, na verdade, o impacto ambiental causado pelas ações humanas é responsabilidade de todos. Se todos nós assumirmos a responsabilidade individual de tomar uma atitude positiva com o impacto de nossas ações, provavelmente estaríamos tendo melhores resultados no coletivo, no planeta e nas relações interpessoais. O que descrevi à cima é um pouco de minha visão pessoal da vida e minha visão das relações interpessoais e dos tempos modernos, de como nos comportamos como coletivo e como estamos caminhando como humanidade. Esta é a visão de uma pessoa que vive e enxerga este mundo tão cheios de esquinas, em que tem que escolher entre o fácil e o difícil, entre o prazer ou a obrigação, entre o que se diz e o que se faz, tendo em contrapartida apelos urgentes de parecer feliz, de se adotar lemas, aparentar ou ser moralmente correto, socialmente correto, ecologicamente correto e por aí vai. A visão de uma pessoa que não tem conhecimento técnico ou cientifico sobre o assunto sustentabilidade, mas tem consciência de que pode ser um agente transformador através de pequenas ações seja no âmbito social, profissional ou em prol da sociedade. Meu conhecimento sobre o assunto se resume a aprendizados adquiridos ao ter a oportunidade de participar ativamente no processo de certificação de Alta Qualidade Ambiental conferido ao Espaço Immensità pela Fundação Vanzolini e pesquisas pessoais por me interessar pelo assunto. Quando fui convidada para escrever um capitulo neste livro, em um primeiro momento declinei do convite, pois sei que não tenho experiência técnica ou científica em sustentabilidade e minha resposta foi: “Quem sou eu para escrever sobre este assunto?” Porém, ao ouvir a explicação de que queriam um depoimento de alguém que não tenha experiência técnica no assunto, mas que se preocupa com a sustentabilidade e faz pequenas ações no seu dia a dia que poderiam ser replicadas, resolvi aceitar o desafio. Portanto, prepare-se, querido leitor, vamos fazer esta jornada juntos, e tenho certeza que teremos muito em comum, se você sonha em poder, de alguma maneira ajudar a” transformar o mundo”.

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Este capítulo será sobre práticas rotineiras sustentáveis, que acredito serem fáceis de aplicar, um pouco de minha experiência pessoal ao tentar me tornar uma pessoa mais proativa no tema sustentabilidade. Minha formação inicial profissional foi a odontologia. Mais tarde me aprimorei na área da administração onde permaneço até hoje. Meus pais eram dentistas e tinham uma clínica odontológica, onde tive minhas primeiras experiências sobre responsabilidade pelo coletivo. Aos 13 anos, como eu tinha um desejo de trabalhar, fui pedir ao meu pai que me desse uma autorização para um emprego. Ao me questionar o porquê deste meu desejo, respondi que queria muito participar da vida, ter mais responsabilidade, ajudar a melhorar o mundo. Ele, então me ofereceu um emprego na sua clínica odontológica. Esta foi a minha primeira experiência de trabalho. Lá eu ajudava na administração da clínica, elaborando e enviando cartas aos pacientes, ajudava, fazendo livro caixa, na organização dos materiais utilizados e outras atividades as quais eram solicitadas. Me lembro bem dos conceitos ensinados pelo meu pai que sempre dizia: “se você ganha 100, deve economizar 10”. “Você deve fazer bom uso do dinheiro pois é assim que se deve administrar suas atividades”. Com esta experiência, tive a oportunidade única de muito aprendizado, tais como: conceitos de administração de recursos financeiros, de planejamento financeiro pessoal, conceitos de responsabilidade com a comunidade e com o planeta (apagar a luz quando não há ninguém no ambiente, gerenciamento sustentável de custos, descarte do lixo adequadamente). Quando me formei e passei a exercer minhas atividades como cirurgiã dentista tive a oportunidade de adquirir outros conceitos de gerenciamento sustentável e também de utilizar muitos dos conceitos aprendidos na minha adolescência, tanto da administração dos recursos financeiros, como administração responsável de materiais itens de consumo do trabalho de dentista. A vida vai nos levando para onde somos chamados e onde somos necessários e, assim, há 25 anos, me tornei sócia de uma empresa onde minha atividade era a direção da administração da mesma. Tive que me aprofundar em conceitos novos, fazer cursos e treinamentos e, a cada curso que fiz, pude aprimorar os conceitos ensinados pelo meu pai e bem colocados em prática por mim. Boa parte do tempo destes 25 anos me dividi nestas duas funções: cirur-

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giã dentista e diretora administrativa. Hoje, atuo somente como diretora administrativo-financeiro do da empresa onde minhas funções vão muito além do meu cargo. Especificamente no Espaço Immensità, dentre as funções que exerço, a que mais gosto é a de conscientizar e engajar a equipe nas ações positivas rotineiras voltadas as relações interpessoais e atitudes que visam melhorar o meio ambiente. Vamos então aos conceitos: Mudando o mundo assumindo nossa responsabilidade sobre o lixo que produzimos: Hoje o mundo debate ações para a saúde do planeta, a solução para o lixo, o que pode ser feito para reduzir a poluição, e diversos outros itens para que haja sustentabilidade e condições de vida para as próximas gerações. A intenção desta experiência em forma de capítulo, é trazer uma consciência de que todos nós podemos fazer nossa parte em nosso ambiente profissional e doméstico, sem precisar sermos especialista em geografia, em meteorologia, em saúde pública ou outras áreas técnicas, mas podemos fazer muito pelo nosso planeta sendo mais conscientes de nossas responsabilidades. Mudanças simples na sua rotina podem ajudar a diminuir o impacto que você causa na natureza. Não é novidade que, se continuarmos no ritmo de consumo e descarte irresponsável de lixo, o planeta não aguentará.

Aterros sanitários, apesar de legais, estão em estado de esgotamento. Os lixões são aterros ilegais e estão em locais inapropriados causando efeitos

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negativos para o meio ambiente e, consequentemente, para as pessoas, tais como poluição do ar, água e solo, enchentes e doenças. Portanto se quisermos colaborar nas nossas práticas sustentáveis, podemos tentar diminuir nosso lixo. Em minhas leituras, percebi que existe um conceito chamado Logística Reversa que descreve uma maneira de diminuir a produção de lixo. Quem já ouviu falar de Logística Reversa? Mesmo para quem não é especialista na área é fácil compreender que a logística das empresas pensa em como fazer para os produtos cheguem aos consumidores e a logística reversa pensa em como os produtos usados possam retornar à origem, para serem reutilizados. O que fazer com os materiais após serem utilizados. Como fazer para que não haja esgotamento dos aterros, após jogarmos os produtos usados fora? Este é um desafio que o mundo está debatendo para encontrar soluções viáveis para a questão do lixo. O conceito de logística reversa é resumido em 3 Rs : I - Reduzir II - Reciclar III - Reutilizar I - Reduzir Relembrando meu passado profissional, percebi que utilizei muito estes conceitos de forma inconsciente, conceitos que tinha aprendido e fixado em minha mente desde cedo. Quando exercia a profissão de cirurgiã dentista, procurava comprar o estritamente necessário para evitar vencimento da validade dos produtos e ter que jogá-los fora. Fazendo uma análise do primeiro R, estava aplicando o “Reduzir”. O mesmo conceito usava em casa de maneira natural, sem pensar nos conceitos modernos de logística reversa. Conforme comentei, quando passei a fazer parte como sócia de uma

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empresa, tive que me aprofundar mais em administração, adquirindo conhecimentos por meio de cursos e treinamentos. Neste novo caminho em minha trajetória profissional, os conceitos de otimização de processos e melhor aproveitamento de tempo e de materiais, pude aprimorar minhas atitudes sobre eficiência e eficácia. Isso ajudou e muito no conceito “cuidados com o planeta” que abordo neste capítulo. Acredito que todos estão percebendo que também usam este conceito em sua rotina, sem se dar conta que, ao reduzir o consumo, está ajudando a diminuir o impacto ambiental que nós seres humanos causamos no planeta. Então, queridos leitores, fiquemos felizes pois estamos ajudando a reduzir a produção de lixo, mesmo que inconscientemente e podemos fazer muito mais, estando conscientes. Ao colocarmos isso à luz da consciência, qualquer um de nós pode parar, pensar e sempre questionar: “O que posso reduzir mais em meu consumo?” “Preciso comprar mesmo este produto?” “Preciso mesmo comprar esta quantidade de produto?” Como estes questionamentos, passamos a adotar uma ação sustentável conscientemente. Se repararmos, é uma ação simples que muitos já fazem e que faz uma diferença enorme na geração de lixo. É claro que não é para ser arrogante e dizendo, “olhem como eu faço correto“, mas sim, se tornar uma pessoa mais consciente de sua responsabilidade e envolvida no bem do coletivo. Separei outras práticas cotidianas para este item “Reduzir” que podemos usar para colaborar nesta tão esperada mudança, por exemplo, reduzindo desperdício de água, como: • A manutenção predial deve estar em dia para eliminar possíveis vazamentos; • Utilizar torneiras com desligamento automático; • Fazer captação da agua da máquina de lavar para lavar o quintal; • Tomar banhos mais curtos. Alguns exemplos de práticas rotineiras sustentáveis para reduzir o consumo da energia: • Trocar as lâmpadas fluorescentes d por lâmpadas LED; • Deixar os aparelhos eletrônicos, quando desligados, fora da tomada; • Desligar as luzes, quando sair do ambiente ou não há ninguém no ambiente;

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• Comprar de equipamentos domésticos ou eletrônicos com baixo consumo de energia. Alguns exemplos de outras práticas sustentáveis para a redução de lixo: • Não utilizar descartáveis; • Optar pela compra de produtos levando em consideração o material da embalagem, considerando o tempo de degradação do mesmo na natureza; • Reutilizando folhas de papel sulfite como rascunho, usando o verso para outra impressão. Estas são apenas alguns exemplos de ações fáceis de aplicar que se realizado pela coletividade impactam e em muito na sustentabilidade de nosso planeta. II - Reciclar Sobre o R “Reciclar”, este é talvez o item mais comentado para redução da quantidade de lixo atualmente. Acredito que todas as empresas estão mantendo recipientes de lixo para coleta seletiva e receberem os diferentes materiais como por exemplo recipiente para lixo orgânico, papel/papelão, vidro, metal, madeira entre outros.

Como exemplo, o Espaço Immensita mantém diferentes recipientes para coleta seletiva e uma empresa especializada recolhe semanalmente os resíduos e os leva para descartá-los em locais legais e adequados. Até aí, esta já é uma prática conhecida e em voga. Em casa fazemos algo semelhante, ou seja, temos dois recipientes de lixo sendo um para lixo comum e outro para materiais recicláveis. Pes-

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quisamos que aqui no bairro o caminhão que recolhe lixo reciclável passa as terças e sextas-feiras, as 7h00. Assim sendo, nós mantemos a rotina de recolher e colocar na porta de casa nosso lixo de materiais recicláveis para que este caminhão possa leva-lo. Isso pode parecer algo pequeno, mas podemos imaginar milhões de residências fazendo o mesmo, o quanto podemos aliviar de lixo para os aterros sanitários e, pior, para os lixões.

Tenho certeza, que muitos de vocês, leitores, também tomam estas simples medidas destas pratica sustentáveis em sua empresa e em sua casa, muitas vezes sem se dar conta que estão sendo agentes de transformação ambiental. Ao separarmos os materiais que podem ser reutilizados do lixo orgânico tais como vidros, garrafas pet, plástico, papelão e outros, e dando destinação correta à estes materiais, estamos colaborando para que estes materiais, ao invés de serem descartados nos aterros sanitários ou até mesmo em lixões, possam ser reciclados e reaproveitados Lendo mais a respeito da Logística Reversa, fiquei sabendo que existe uma Lei em nosso país que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos que atribuiu uma responsabilidade compartilhada para a gestão dos resíduos sólidos, envolvendo nós, cidadãos, no papel de consumidores, o setor privado que fornece os produtos e o poder público no papel de fiscalizador. E o que cada um deve fazer, a partir desta responsabilidade compartilhada? Como estou tratando de nossas ações para a mudança que queremos, nós, cidadãos, ficamos responsáveis por descartar os resíduos em locais adequados, dependendo de cada produto. Depois de descartarmos em locais adequados, o setor privado, de acordo com esta Lei, fica responsável pelo gerenciamento adequado dos resíduos sólidos e sua reincorporação na cadeia produtiva, mas, se nós, cidadãos, não descartarmos os resíduos em

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locais adequados, o setor privado não fará bem sua atribuição. Existem produtos que devem ser descartados em locais próprios, como por exemplo pilhas, baterias, pneus, eletroeletrônicos e seus componentes, entre outros. Para saber onde descartar estes produtos eletroeletrônicos, podemos pesquisar onde existem pontos de coleta. Em minha pesquisa rápida, encontrei a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (abree.org.br) e a Green Eletron, gestora de resíduos elétricos (greeneletron.org.br). Sobre descarte de medicamentos, existe um Decreto n° 10.388 de 5 de junho de 2020, que atribui aos comerciantes a definição dos pontos em que os consumidores podem fazer o descarte de medicamentos. Sobre descarte de pilhas e baterias, cabe aos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de pilhas e baterias a disponibilização de locais para o recebimento por parte dos consumidores. Sobre descartar pneus que já não tem mais serventia, cabe aos fabricantes e importadores o dever implementar pontos de coletas de pneus usados. O sistema de logística reversa pode funcionar por meio de parceria, em geral com prefeituras, que podem disponibilizar áreas de armazenamento temporário para estes pneus usados. Sobre embalagens em geral, também há boas notícias. Fabricantes importadores, comerciantes e distribuidores de embalagens de papel, papelão, plástico, alumínio, aço, vidro ou ainda pela combinação destes materiais e de produtos comercializados em embalagens, se comprometem a trabalhar de forma conjunta para garantir a destinação final ambientalmente adequada das embalagens que colocam no mercado. Assim sendo, no caso de dúvidas onde descartar seu produto, cabe a nós, cidadãos, pesquisar e perguntar, sabendo que há locais adequados para o descarte de vários tipos de resíduos sólidos. Estas ações são muito simples de se fazer, basta um pouquinho de boa vontade em “mudar o mundo”. Outra forma de dar destino aos materiais reciclados é fornecê-los à cooperativas de catadores pois, além de sabermos que os materiais estão

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indo para locais adequados, estaremos colaborando com emprego e renda de catadores. Antes de comentar sobre o R “Reutilizar”, tomei a liberdade de acrescentar mais 2 Rs no conceito da logística reversa que são “Repensar” e “Recusar”, conceitos que li em um gibi educativo recentemente e que cabem direitinho neste capítulo. REPENSAR Como podemos “Repensar”? O importante é parar, pensar, identificar nossos hábitos e, depois, repensar. Como posso mudar meus hábitos para ser um consumidor mais consciente? Como posso agir de modo à colaborar com o meio ambiente, o lugar onde vivo? “Preciso mesmo comprar isto?”. “Posso passar sem comprar isto?” “Preciso comprar tudo isso?” “Qual será o impacto que o descarte deste material vai resultar no planeta?“ O “Repensar” reforça o conceito “Reduzir” que está inserido nos 3 Rs.

RECUSAR Como podemos “Recusar”? Para elucidar o “recusar” usarei o exemplo da Certificação do Selo Ambiental que recebemos na empresa. O empreendimento Espaço Immensita foi certificado como de Alta Qualidade Ambiental e uma das exigências no processo de construção foi a análise dos produtos que a obra deveria comprar. A compra de madeiras, por exemplo, exigiu uma análise sobre se a mesma era de origem comprovada como de reflorestamento ou era de madeira de origem ilegal.

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Outros materiais também deveriam ser estudados, ou seja, se os produtos a serem adquiridos eram constituídos de materiais tóxicos e prejudiciais à natureza, se a empresa vendedora mantinha serviço escravo em sua produção e outros itens. Participei ativamente, deste processo e a satisfação de estar fazendo algo “para mudar o mundo” foi muito grande. Tais critérios foram utilizados para recusar comprar vários materiais, mesmo se apresentando com custos menores. Podemos utilizar estes mesmos critérios no momento de compra de produtos para nossa casa, para uso pessoal ou compras rotineiras em supermercados, por exemplo, ação que qualquer pessoa pode fazer. Podemos imaginar o que acontece quando o comprador passa a recusar comprar determinados produtos. Os fabricantes serão obrigados a atender às exigências do mercado se quiserem vender seus produtos e, deste modo, a consciência do consumidor vai ditando as regras que os fabricantes e comerciantes devem seguir. Ao nos tornarmos consumidores mais conscientes, podemos escolher produtos que não usam materiais que demoram décadas para se decompor, como por exemplo o plástico e substituir por produtos similares com embalagens de papel ou de produto dê biodegradável. Podemos rejeitar consumir produtos tóxicos para natureza numa simples troca do detergente neutro por sabão neutro em barra ou detergente biodegradável ou usar vinagre na limpeza, exemplos de ótimas práticas sustentáveis, evitando a poluição hídrica. Ao comprar móveis para nossa casa, podemos também recusar todo material que é retirado ilegalmente da natureza através de madeireiras clandestinas, exigindo moveis, por exemplo que possuam um selo de certificação legal (garantindo que a compra é segura e que está não contribuindo com o mercado clandestino.) Voltando aos 3 R, quero falar um pouco sobre o R “Reutilizar”: III - Reutilizar: Este é o R que mais me identifico. Quando paramos para pensar em nossa responsabilidade ao consumir

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os produtos do dia a dia, esbarramos no ‘problema do descarte da embalagem. Na primeira edição do Prêmio Consciência Ambiental/Immensità comecei a fazer uma experiência de reutilizar materiais e envolvi alguns dos colaboradores da empresa para esta atividade. Um empreendimento que é certificado internacionalmente como de Alta Qualidade Ambiental, deve seguir em sua caminhada sendo exemplo. Garrafas de vidro de refrigerantes, azeitonas, palmitos e outras, foram limpas, pintadas e ornamentadas. No final do processo, pudemos expor no evento do Prêmio, vários vasos feitos a partir das garrafas de vidro que iriam para o lixo. Além de ser uma atividade artesanal prazerosa, a satisfação de saber que evitamos aumentar a quantidade de lixo nos aterros sanitários foi muito grande para todos nós. Atualmente, conseguimos envolver em nosso projeto algumas pessoas de empresas afins e algumas pessoas físicas, que colaboram através de doações de vidros que iriam para o lixo e que serão transformados em vasos. Através de deste nosso pequeno projeto conseguimos transformar mais de de 80 vidros que iriam ser descartado no lixo, em vasos decorativos. Estes vasos serão utilizados como decoração de centro de mesas nos eventos promovidos pelo Espaço Immensita, como a segunda edição do Prêmio Consciência Ambiental/ Immensita 2023, além de ficarem a disposição de nossos clientes para utilizarem se desejarem. Dando continuidade ao primeiro, nosso segundo projeto, que está em fase de estudo, será utilizar vidros transformando-os em luminárias para decorar o Espaço Zen existente no Espaço Immensità. Fico surpresa como todos logo aderiram ás ideias de termos um projeto de sustentabilidade. Quando mostramos as fotos da transformação dos vidros que seriam descartados, logo de início as pessoas se ofereceram para ajudar. Esta é uma ação de conscientização ambiental que impacta todos os envolvidos. Há alguns meses, recebemos elogio de uma empresa cliente que fez evento no Espaço Immensità por meio da sugestão de que deveríamos levar este projeto para ser realizado junto às escolas públicas. Achei esta ideia maravilhosa! Fico pensando como esta ação poderia ser benéfica para os adolescentes que poderiam passar mais tempo nas escolas tendo esta experiência prazerosa, pois é praticamente um trabalho artesanal, onde eles se sentiriam úteis e parte de algo maior, colaborando para o futuro do planeta.

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A seguir apresento algumas garrafas que poderiam estar em aterros, que foram transformadas em vasos ornamentais através de nosso pequeno projeto: a) Entrega de vidros a serem trabalhados, fornecidos por Diego Baldo Ribeiro, Angélica Cardoso, Ivan Carvalho, Edilson Jesus e Adriano Silva.

Diego Baldo Ribeiro

Angélica Cardoso

Ivan Carvalho e Edilson Jesus

b) Limpeza e higieni- c) Pintura: zação dos vidros pelos Início do processo de colaboradores Assahide pintura e higienização: Alberto Tomimura e Fernando Lugov:

Adriano Silva

d) Acabamento e decoração pelas colaboradoras Caroline Souza e Júlia Santos:

e) Produto Final:

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Muitas vezes queremos fazer algo gigante que mude o mundo, esquecendo que podemos fazer, cada um, uma ação dentro de nossa própria casa ou em nossa empresa, algo que pode fazer a diferença para o planeta. Pode parecer coisa pequena mas se cada um dos 8 bilhões de habitantes do nosso planeta fizer sua parte em coisas pequenas e de forma consciente, podemos imaginar a transformação que poderá ocorrer pelo bem do planeta e das futuras gerações. Me despeço, agradecendo a oportunidade de servir, agradecendo também aos leitores e convidando a fazermos uma corrente de conscientização de práticas sustentáveis rotineiras e assim, juntos podermos mudar o mundo. Deixo aqui uma frase final que me motiva ainda mais a assumir a minha parte em relação aos desafios da minha vida: Não temos em nossas mãos a solução para todos os problemas do mundo, mas diante dos problemas do mundo temos nossas mãos” (Autor Desconhecido). Referências Bibliográficas: abree.org.br sinir.gov.br cetesb.sp.gov.br mundologistica.com.br

Sylvia Regina Bellintani Fontana Moyses Diretora Administrativo-financeira da MORI Administração e Participação Ltda, responsável pela administração e da coordenação de ciclo de palestras e cursos comportamentais da empresa, empresária responsável pela primeira construção certificada internacionalmente como de Alta Qualidade Ambiental (AQUA n° 001) e CFO do Espaço Immensità de Eventos.

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5 - O Ambiente Educacional como Agente de Transformação Ambiental João Batista Gomes de Lima Ilka Schincariol Vercellino

O ambiente educacional superior tem se mostrado como um agente de transformação ambiental em diversos aspectos. Desde a formação de profissionais mais conscientes até o desenvolvimento de pesquisas e projetos com foco na sustentabilidade, as instituições de ensino superior têm papel fundamental na construção de uma sociedade mais sustentável e consciente. Cada vez mais, as universidades, centro universitários e faculdades têm se preocupado em incluir em seus projetos pedagógicos e suas matrizes curriculares disciplinas eletivas ou obrigatórias relacionadas ao meio ambiente, à sustentabilidade e à preservação dos recursos naturais. Essas disciplinas têm como objetivo ampliar a visão dos estudantes sobre a importância da preservação da realidade local e, por extensão, o despertar de uma consciência planetária como forma de prepará-los para a atuação nas respectivas atividades profissionais de forma mais consciente e responsável. Além disso, as instituições de ensino superior têm investido em projetos e pesquisas com foco na sustentabilidade. Esses projetos podem abordar desde questões relacionadas à gestão de resíduos e eficiência energética até a produção de materiais biodegradáveis e estudos sobre as mudanças climáticas. Tais pesquisas têm como objetivo encontrar soluções para os desafios ambientais que enfrentamos atualmente e promover a adoção de práticas mais sustentáveis na sociedade como um todo. Outra forma como o ambiente educacional superior tem contribuído para a transformação ambiental é na adoção de práticas mais sustentáveis nos campi universitários. Muitas instituições de ensino têm investido em

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projetos de energia renovável, como a instalação de painéis solares nos telhados dos prédios, por exemplo. Além disso, muitas universidades têm adotado práticas de gestão de resíduos mais eficientes, como a coleta seletiva de lixo e a compostagem de resíduos orgânicos. Essas práticas não apenas contribuem para a conservação do meio ambiente, mas também proporcionam um ambiente mais saudável e agradável para os estudantes. Por fim, o ambiente educacional superior tem sido um catalisador para o desenvolvimento de políticas públicas ambientais. Muitos dos profissionais formados pelas instituições de ensino superior atuam em cargos públicos e privados em que têm a oportunidade de influenciar e implementar políticas ambientais. Além disso, muitas pesquisas e projetos desenvolvidos nas universidades são consultados pelos governos na elaboração de políticas públicas. É essencial que as instituições de ensino continuem a investir em ações que promovam a preservação do meio ambiente e a conscientização da sociedade sobre a importância de atuarmos de forma mais sustentável.

História e influência dos camilianos na saúde e educação no Brasil. O trabalho dos Camilianos no Brasil foi marcado pela luta contra doenças, incialmente a hanseníase, mais conhecida como lepra. Foram inúmeras atividades desenvolvidas instituições de saúde como leprosários e hospitais públicos, oferecendo cuidados médicos, psicológicos e espirituais aos doentes, muitas vezes como única opção de tratamento. A história dos Camilianos no Brasil também está ligada à modernização da saúde no país. Os religiosos foram responsáveis pela fundação da Policlínica São Camilo na Av. Pompeia em 1928, em São Paulo, que mais tarde, veio a se tornar o Hospital São Camilo, atualmente uma importante referência nacional e internacional em tratamentos clínicos e cirúrgicos, cirurgia robótica, transplante de medula óssea entre outras especialidades. Hoje, os Camilianos no Brasil continuam a dedicar-se à área da saúde,

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atendendo milhares de pacientes em hospitais, clínicas e outras instituições de saúde, sempre com a missão de cuidar dos enfermos com amor e caridade, segundo os princípios e ensinamento de São Camilo de Lellis de cuidar dos enfermos com mais “coração nas mãos”. A atuação dos camilianos nessa área se destaca pela qualidade dos serviços, com ações voltadas para prevenção e tratamento de doenças. Os hospitais mantidos pela Província Camiliana Brasileira têm atendimento humanizado e multidisciplinar, que visa a integralidade do ser e o acolhimento das demandas dos pacientes. Por isso, a instituição investe em programas de formação e treinamento de pessoal, além de estimular o desenvolvimento de pesquisas científicas na área médica, por meio de sua universidade corporativa. Outro ponto importante é a abordagem holística da saúde, ou seja, consideram que o bem-estar físico está diretamente relacionado ao equilíbrio emocional, mental e espiritual. Por isso, os hospitais mantidos pelos camilianos oferecem serviços que vão além do tratamento clínico, tais como atendimento psicológico e espiritual, grupos de apoio e orientações para cuidados com a saúde em geral. Essa abordagem tem sido cada vez mais valorizada, porque permite tratar não só a doença, mas o ser humano como um todo. Contudo, os Camilianos também se expandiram pelo país com a criação de unidades educacionais. A presença dos camilianos na área da educação é forte, sobretudo na formação de profissionais da saúde. A Congregação dos Camilianos mantém escolas técnicas e universidades que oferecem cursos de graduação e pós-graduação em diversas áreas da saúde, tais como medicina, enfermagem, fisioterapia, nutrição, entre outras. A formação de profissionais altamente capacitados e especializados é a grande contribuição dos camilianos para a saúde brasileira, já que o Brasil é um país que enfrenta problemas sérios de falta de profissionais de saúde em diversas regiões. Além disso, os camilianos também contribuíram para a formação de líderes e cidadãos comprometidos com os valores cristãos e com a promoção do bem-estar social. Suas instituições de ensino têm um forte enfoque

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humanista e ético, buscando formar pessoas capazes de contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Assim, podemos dizer que a influência dos camilianos na saúde e educação no Brasil é marcada por seu compromisso com a formação de profissionais da saúde e com a promoção do bem comum, por meio de uma educação humanista e ética. A Província tem um papel fundamental na formação de profissionais capazes de enfrentar os desafios da saúde no Brasil e na oferta de serviços de qualidade para a população. Os camilianos têm como princípio básico de sua missão cuidar e promover a vida, e essa atuação tem sido cada vez mais valorizada pela sociedade brasileira. Seu legado é visível na formação de profissionais da área da saúde e na formação de cidadãos comprometidos com a busca pelo bemestar coletivo.

Centro Universitário São Camilo São Paulo como exemplo de Instituição ambientalmente responsável. O Centro Universitário São Camilo São Paulo, situado na capital paulista, é uma instituição de ensino superior que oferece cursos de graduação e pós-graduação em diversas áreas do conhecimento. É um exemplo de instituição ambientalmente responsável que trabalha para minimizar o impacto ambiental de suas atividades, bem como na sensibilização de seus colaboradores e alunos acerca das questões ambientais. Todos os anos, o Centro Universitário incentiva alunos, professores, colaboradores e o público em geral são incentivados a participarem de atividades que ajudem no pensamento socioambiental e de inovação. O mais recente evento para a divulgação deste trabalho de integração, inovação e atividades socioambientais ocorreu no final de 2022, com o reconhecimento de ações promovidas e idealizadas colaboradores dos diversos departamentos nestas áreas, mostrando que o Centro Universitário São Camilo criou e continua efetivamente trabalhando para a que o ambiente educacional, a que se propôs a implantar, continue

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sendo um ambiente de transformação ambiental. A chegada do Padre João Batista Gomes de Lima no Centro Universitário São Camilo São Paulo representou um marco importantíssimo para a instituição, trazendo consigo uma vasta experiência em gestão educacional e uma visão inovadora o que levou a São Camilo a novos patamares de excelência acadêmica. Com um compromisso firme com a sustentabilidade, a instituição passou a desenvolver diversas iniciativas voltadas para a conscientização e a preservação do meio ambiente, tendo como objetivo principal o desenvolvimento de iniciativas junto à comunidade, envolvendo alicerces de ensino e pesquisa, direcionados à nossa linha temática principal: sustentabilidade e qualidade de vida. Seguindo o que tem se tornado uma forte tendência nos últimos em âmbito internacional, as questões ESG (Environmental, Social and Governance), que significa Ambiental, Social e Governança, vem sendo implementadas nas unidades educacionais programas como: coleta seletiva de resíduos comuns e infectantes, coleta de pilhas, baterias, lixo eletrônico e filmes radiográficos. Já em obras e reformas foram implementadas ações de reutilização e/ou destinação adequada dos resíduos da construção civil; nos campi foram implantados sistemas de coleta de água pluvial e realizado o controle do uso da água e da energia elétrica, entre diversas outras ações. Outras ações foram sendo implantadas tais como campanhas de conscientização sobre o uso racional de recursos naturais e a importância da conservação do meio ambiente realizadas com frequência nas unidades do Centro Universitário. Para o envolvimento e comportamentos voluntários. Essas campanhas procuraram envolver a comunidade acadêmica, os colaboradores da instituição e também a população do entorno dos campi, mostrando que a responsabilidade ambiental é dever de todos e, ano após ano, tal consciência veio crescendo. Quem não conhece a instituição pode pensar que a preocupação com as questões socioambientais e o investimento na formação de cidadãos ambientalmente responsáveis e engajados nos problemas sociais seja recente

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no Centro Universitário São Camilo mas para haver qualquer mudança, é preciso mudar hábitos e isso foi feito passo a passo, até que hábitos antigos foram sendo substituídos por novos hábitos. Desde 2005, o Centro Universitário participa da Campanha da Responsabilidade Social, promovida pela Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e é certificada com o Selo de Responsabilidade Social concedido pela entidade. Como foi comentado, para mudar um hábito ruim, é preciso colocar em seu lugar um hábito bom e a decisão pela obtenção do selo foi o marco que fez com que a instituição se tornasse uma organização socialmente responsável, comprometida com as questões sociais e que faz a diferença na educação superior e na comunidade onde está inserida. Se não houvesse um comprometimento neste sentido, um selo seria apenas mais um selo, mas a instituição nunca quis Ter um selo, mas sim, Ser um selo e contagiar o comportamento responsável e de consciência socioambiental de todos os envolvidos, o que acabou acontecendo. A Estação Ambiental São Camilo (EASC), utilizada principalmente pelo extinto curso de Ciências Biológicas, que funcionou de 2004 a 2013 como um centro de educação e pesquisa na área ambiental e um território para o desenvolvimento de atividades extensionistas. Durante o período em que foi utilizada, a EASC possibilitou o desenvolvimento de uma consciência e ética ambiental promovida pelas vivências e reflexões dos discentes e docentes que realizaram suas pesquisas naquela área, e os impactos daquela consciência se espalhou no ambiente educacional em outras áreas. Atuando no desenvolvimento da responsabilidade ambiental nas unidades educacionais do Centro Universitário, há o Programa 5Rs, um Programa de Extensão Universitária que tem como missão central promover a sustentabilidade no âmbito acadêmico e nas comunidades do entorno dos campi integrando ensino, extensão e pesquisa. Concebido nos anos 2000 pelo curso de Ciências Biológicas como Projeto 3Rs (Reciclar, Reutilizar e Reduzir), o atualmente denominado Programa 5Rs baseia-se na Política dos 5Rs que consiste em repensar os hábitos, recusar produtos que geram impactos, reduzir o consumo, reutilizar os materiais e reciclar

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os resíduos. Através de ações educativas, cursos e eventos busca promover a sensibilização e a conscientização ambiental da comunidade de modo a atender aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela Organização das Nações Unidas para a Agenda 2030. É gratificante olhar para trás e observar que todas estas ações foram fruto do incentivo da direção do Centro Universitário para que todos os envolvidos participassem não como apenas funcionários, mas como partícipes de um desenvolvimento conjunto e um crescimento do grupo. O repensar consiste em questionar os modelos de consumo e produção que geram impactos negativos no meio ambiente, buscando alternativas que sejam mais sustentáveis e viáveis a longo prazo. A recusa, por sua vez, tem como objetivo evitar a aquisição de produtos e serviços que não são essenciais ou que apresentam uma baixa durabilidade, reduzindo assim a quantidade de lixo gerado e o consumo de recursos naturais. A redução é outro aspecto importante do programa, uma vez que consiste em diminuir o consumo de energia, água e insumos em geral, promovendo ações que visam um uso mais consciente e racional desses recursos. A reutilização, trata-se de dar novos usos para materiais que seriam descartados, prolongando sua vida útil e reduzindo a demanda por novos produtos. Por fim, a reciclagem é a última etapa, na qual os materiais que não podem ser reutilizados são transformados em novos produtos, fechando assim o ciclo de produção e evitando que esses materiais sejam descartados em lixões a céu aberto ou em aterros sanitários, onde podem levar décadas ou até séculos para se degradar. A inclusão dos 2 Rs (reutilizar e reciclar) foi para atender o preconizado

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na Política Nacional de Resíduos Sólidos e em sua estrutura atual, o Programa 5Rs conta com duas linhas de Projetos: Gestão de Resíduos e Saúde e Meio Ambiente. Partindo desses dois eixos norteadores foram incentivadas e criadas diversas ações e atividades que envolveram alunos, professores, colaboradores do técnico administrativo e a sociedade em geral. Com a finalidade de atender aos objetivos de uma nova sociedade que ao se tornar ambientalmente responsável, preza pelo uso racional dos recursos naturais algumas mudanças foram feitas nas unidades educacionais. Foram formados grupos de estudo para a implantação de mudanças necessárias e o resultado foi gratificante. Entre as adequações destacam-se: a implementação de processos que levam a economia de água (exemplos: instalação de redutores de vazão em torneiras, substituição de válvulas antigas por caixas acopladas nos vasos sanitários, sistema de coleta de água pluvial) e o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos (ex: empresa de coleta que destina adequadamente os recicláveis, coleta e destinação final adequada de pilhas, baterias, lixo eletrônico e filmes radiográficos por empresas parceiras). Todas essas adequações foram realizadas pelas equipes internas de Operações, Manutenção e Obras e acompanhadas pela Equipe do Programa 5Rs. Tudo isso foi constatado e comemorado pelos envolvidos. Sabemos que apenas mudanças estruturais não são suficientes para tornar uma organização sustentável, para tal, faz-se necessário um trabalho estratégico de conscientização ambiental e de desenvolvimento de responsabilidade com o meio ambiente. Assim sendo, diversas ações de conscientização são realizadas, como, por exemplo, as que ocorrem anualmente no Dia Mundial da Água e no Dia Mundial do Meio Ambiente, muitas delas utilizando como ferramenta as mídias sociais. Além das ações mencionadas anteriormente, a política de sustentabilidade institucional inclui redução no uso de papel, uso de energia proveniente do mercado livre e economia de energia nos ambientes de trabalho, uso de canetas de quadro branco reutilizáveis e retirada de copos descartáveis nas copas. A direção do Centro Universitário São Camilo resolveu criar premiações anuais para que tais políticas fossem implantadas a partir

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da base e não impostas. A partir de 2021, as premiações anuais foram sendo um veículo excelente para a união dos grupos de trabalho e para que as ações ambientais fossem implantadas e mantidas. Projetos com a comunidade do entorno dos campi, foram levando conhecimento e capacitação técnica a grupos mais vulneráveis. Em 2021, o Programa 5Rs atuou em parceria com uma Organização Não Governamental que vem realizando nos últimos anos um trabalho social de empoderamento de lideranças comunitárias na Zona Norte de São Paulo. Contribuímos com cursos híbridos de capacitação em Saúde e Meio Ambiente, Resíduos Sólidos e Criação de Cooperativas de Reciclagem e tivemos a satisfação de perceber a melhora no nível dos capacitados em suas profissões. Em 2022, atuamos na capacitação de gestores, professores e cozinheiras de três centros de educação da Prefeitura mantidos pelo grupo São Camilo. Nesta capacitação sobre resíduos sólidos, oferecida em modelo híbrido, os colaboradores foram instigados a elaborar planos de ação a fim de resolver problemas enfrentados em suas comunidades. O Programa 5Rs do Centro Universitário São Camilo São Paulo tem tido um grande impacto positivo na comunidade acadêmica e na sociedade como um todo. Como ele tem por finalidade a promoção de uma cultura de sustentabilidade e o uso consciente de recursos naturais, vem contribuindo para a conservação do meio ambiente e a qualidade de vida das gerações futuras. Por fim, é importante ressaltar que a implementação de projetos como este é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável, na qual todos possam desfrutar de um ambiente saudável e recursos naturais de qualidade e é importante destacar que o Centro Universitário São Camilo segue uma política de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental em todas as suas atividades, o que evidencia o compromisso da instituição com o desenvolvimento sustentável e a preservação do meio ambiente. Com essas iniciativas, é possível contribuir para a construção de um mundo mais justo e equilibrado, onde a preocupação com o meio ambiente seja uma realidade presente em todas as esferas da sociedade. Como mencionado anteriormente, todos os anos, o Centro Universitário

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São Camilo incentiva alunos, professores, colaboradores e até parentes de alunos a participarem de atividades que ajudem no pensamento socioambiental e de inovação e podemos citar, como exemplo, alguns projetos premiados:

Mercado livre de Energia Com a implantação do “Mercado Livre de Energia”, o Centro Universitário conseguiu zerar a emissão de carbono proveniente do consumo de energia elétrica, através da aquisição de energia renovável de fontes incentivadas pelo governo (Eólica, Solar, Biomassa, PCH e CGH). Reduzimos a emissão de 189,13 tCO2e no meio ambiente proveniente do seu consumo de energia. Este valor é equivalente ao plantio de 1.324 árvores em um projeto de reflorestamento.

Captação de Energia Solar Em relatório realizado pela ONU, é enfatizado a anulação das emissões líquidas de carbono para que se possa conter o aumento da temperatura global. O relatório apontou que, em escalas maiores, a implantação de energia solar em telhados de prédios reduz a demanda de energia para o resfriamento do planeta em 12%, além de reduzir a ilha de calor urbana, trazendo benefícios à saúde. Conforme o documento publicado, destacase que se não houver um reforço de políticas, as emissões de CO2 devem aumentar nos próximos anos, o que causará um aumento médio de 3,2 °C na temperatura global até 2100. Pensando nisso, em 2021, a Coordenação de Operações do Centro Universitário iniciou a discussão de um projeto para a implementação de captação de energia solar e durante o ano de 2022, foi implementada a iluminação limpa e renovável, gerada com captação solar, nos ambientes externos.

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Coleta de Água Pluvial Implementamos um sistema de coleta e utilização de água pluvial, que foi desenvolvido no ano de 2020 pelas equipes internas de Projetos e Obras, Operações, Manutenção e contou também com a colaboração da equipe do Projeto 5Rs. Em fevereiro de 2023, chegamos a marca de 1.280 m³ na unidade Ipiranga e 953 m³ na unidade Pompeia, são mais de 2 milhões de litros de água coletada e reutilizada. Esses resultados nos motivam cada vez mais em projetos de ampliação do sistema de coleta de água de chuva. Continuando com o foco em economia de água, em nosso processo de limpeza e higienização semestral das unidades, realizamos investimentos em modernos equipamentos de conservação e limpeza, como o “i-mop”, equipamento compacto e versátil que combina a flexibilidade de um esfregão com a potência e a velocidade dos lavadores industriais. O mesmo possibilita a limpeza de qualquer ambiente até dez vezes mais rápido e econômico que um esfregão e um balde. Desta forma conseguimos diminuir a quantidade de água e produtos de limpeza utilizados em cada higienização. É gratificante perceber nos Centros Educacionais São Camilo o ambiente existente que faz com que todos os participantes, desde alunos, professores, profissionais de todos os departamentos e até pais e parentes de alunos, se sintam incentivados à pensar em novas atitudes, novos comportamentos, novos hábitos em prol do nosso planeta e isso só pode vir de um ambiente saudável. Olhando para trás, podemos afirmar que não foi uma tarefa fácil e a manutenção do que já foi conquistado é uma tarefa difícil mas temos certeza de que o objetivo de formarmos cidadãos prontos para melhorar a sociedade nasce na manutenção do bom ambiente educacional que permita a tão sonhada transformação ambiental que todos nós desejamos e iremos continuar investindo na manutenção de um bom ambiente educacional.

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João Batista Gomes de Lima Reitor do Centro Universitário São Camilo - SP, possui graduação em Filosofia – (Faculdades Associadas do Ipiranga), em Teologia (Instituto de Teologia do Estado de São Paulo – ITESP) e em Administração (Centro Universitário São Camilo). Especialista em Administração Hospitalar e Saúde Pública pelo Centro São Camilo de Desenvolvimento em Administração da Saúde é Mestre em Ciências Contábeis pela Fundação Instituto Capixaba de Pesquisas em Contabilidade com atuação nos temas: Educação, Saúde e Entidades Filantrópicas. Exerceu o cargo de presidente do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (SINEPE) e atuou como professor do programa de PósGraduação no Centro Universitário São Camilo – ES onde também foi reitor. Atualmente, é diretor presidente da ANEC (Associação Nacional de Educação Católica) e Reitor do Centro Universitário São Camilo, SP. Ilka Schincariol Vercellino Possui graduação em Ciências Biológicas pela UNESP-Botucatu (1996), mestrado em Conservação e Manejo de Recursos pela UNESP/Rio Claro (2001) e doutorado em Ciências Biológicas (Biologia Vegetal) pela UNESP-Rio Claro (2007). Atualmente desenvolve atividades didáticas em nível de graduação no Centro Universitário São Camilo com vínculo nos cursos de Biomedicina, Farmácia, Trilhas Institucionais e Tecnologia em Radiologia (disciplinas ministradas: (Biologia Celular e Tecidual, Estrutura Celular e Tecidual do Corpo Humano, Educação Ambiental e Sustentabilidade). Desenvolve atividades de extensão universitária no Centro Universitário São Camilo coordenando o Programa 5Rs cujo eixo temático é sustentabilidade e qualidade de vida. Atuou como consultora ambiental tendo participado em projetos de monitoramento da qualidade da água na Região Amazônica. Tem experiência na elaboração de projetos de pesquisa e análise de dados em Ecologia de Ecossistemas Aquáticos Continentais com ênfase nos estudos taxonômicos e ecológicos das comunidades perifíticas e fitoplanctônicas de sistemas brasileiros.

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6 - As Questões ESG e a Transformaçāo do Mundo Genival Francisco da Silva

Era um típico dia de visita a uma fazenda na Chapada dos Guimarães, https://www.chapadadosguimaraes.mt.gov.br/Turismo/Atrativos-Turistico/ naquele 21 de maio de 2021, em que alguns produtores rurais se reuniram para discutir resultado de suas produções e participarem de um churrasco comemorativo na “Casa de Pedra”, como era chamada a sede da fazenda do Ramiro Azambuja, produtor de pitaya na região.

Este encontro havia sido marcado duas semanas antes quando eu estava no escritório em Cuiabá e discutia aspectos de governança com os diretores da empresa de pitaya. Eles queriam falar dos resultados de suas produções, mas também, queriam falar sobre sustentabilidade no agronegócio e, também, terem mais informações sobre a realidade de um tal de “ESG” que tanto haviam ouvido falar nos contatos com as Tradings, bancos e fornecedores, com os quais tinham negócios. O dia começou ensolarado e quente, como e’ típico da região. Estávamos todos apreciando o “café da manhã”, quando de repente, com um gesto de muita ansiedade, um produtor de milho conhecido como “Janjāo”, falou em voz alta na mesa - “ moço, hoje eu quero saber tudo desse ESG, quando estiver pronto vamos começar”.

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Eu havia sido convidado para participar deste churrasco e trocar ideias com os participantes, um grupo de 30 produtores rurais vindos de cidades vizinhas, que se reuniam regularmente para discutir preços e volumes de suas produções. Achei que estivessem interessados no mercado de commodities de milho, soja e algodão, ou que sabe até trading de boi gordo na B3. Então, parei o café, e disse à todos: muito bem, vamos falar sobre o ESG e outros assuntos de governança que os senhores tenham interesse. Fui até um flip chart, assumi a postura de orador e naquele ambiente informal e rústico, iniciamos o bate papo. Antes de começar a conversa, vamos desmistificar o que é o ESG. Estas três letras advêm do termo em inglês: Environmental, Social, and Governance, ou como alguns gostam de tratar em português, ASG, que se refere a Ambiental, Social e Governança, e estes são os três fatores que formam a base de avaliação de uma empresa quanto a sua responsabilidade social e ambiental e sua governança corporativa. A adoção de princípios ESG, ou ASG na análise das empresas permite-nos trazer para a mesa, discussão de questões que, além de serem fatores cruciais para o bem da sociedade, manutenção do planeta e construção de um mundo melhor, afetam diretamente os resultados dos negócios, sejam eles produção, comércio, serviço ou qualquer outro. Empresas, grandes Agropecuárias, ou mesmo produtores rurais, serão vencedores, se os seus comportamentos em relação à questões ambientais, sociais e de governança forem colocadas em

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primeiro plano, o que de forma detalhada, podemos dizer que é o seguinte: 1. Fatores Ambientais (Environmental): Este fator avalia as práticas e impactos ambientais da empresa no uso de recursos naturais, emissões de gases de efeito estufa (CO2, gás metano), eficiência energética, gestão de resíduos e emissões de poluentes. 2. Fatores Sociais (Social): Este fator avalia a forma como a empresa impacta a sociedade em suas políticas e relações de trabalho, incluindo questões como diversidade e inclusão, treinamento da força de trabalho, direitos humanos, relações com comunidades, responsabilidade social, privacidade e proteção de dados. 3. Fatores de Governança (Governance): Este fator avalia a estrutura de governança da empresa e sua transparência, incluindo questões como ética, integridade, transparência e responsabilidade corporativa. Isso também inclui independência do conselho, política de remuneração da alta administração, diversidade na composição do conselho de administração, estrutura dos comitês de auditoria e fiscal, acionistas e divulgação de informações financeiras. Naturalmente, agora que já conhecemos estes três fatores, isto nos levará a refletir sobre o que é importante perguntar no ESG. O consenso geral é basicamente o seguinte: Ao avaliar o desempenho ESG de uma organização, que como já dissemos, seja ela qual seja seu mercado de atuação, existem várias perguntas importantes que os senhores podem fazer. Para obter uma compreensão mais completa da sua abordagem e desempenho em questões ambientais, sociais e de governança, como veremos a seguir: 1. Ambiental: Como a empresa está gerenciando seu impacto ambiental? Qual é sua estratégia de redução de emissões de gases de efeito estufa e de resíduos? Como a empresa está garantindo a sustentabilidade de suas fontes de matérias-primas? 2. Social: Como a empresa está garantindo a segurança e bem-estar de seus funcionários e comunidades locais? Como a empresa está lidando com questões de diversidade e inclusão na força de trabalho? Como a empresa está garantindo a transparência em seus relacionamentos com fornecedores e outros stakeholders? Stakeholders são todos os grupos de pessoas ou

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organizações que podem ter algum tipo de interesse pelas ações de uma determinada empresa. 3. Governança: Qual é a estrutura de governança da empresa e como ela está assegurando a responsabilidade e integridade em suas operações? Como a empresa está lidando com questões de conflito de interesses e corrupção? Como a empresa está garantindo a transparência em suas finanças e relatórios financeiros, contábeis e como são divulgados ao mercado para os investidores? Acho que estas perguntas são apenas alguns exemplos e podem ser ajustadas de acordo com o setor ou a empresa em análise. O importante é avaliar a abordagem e o desempenho da empresa em questões ESG e fazer perguntas que permitam obter uma compreensão completa e precisa da sua postura e desempenho em questões ambientais, sociais e de governança. Algumas empresas implementam práticas ESG através de medidas como investimentos sustentáveis, transparência de relatórios ESG, programas de responsabilidade social e outros. Além disso, muitas empresas são avaliadas e classificadas por agências de “rating” com base em seu desempenho ESG, o que pode afetar sua reputação no mercado em que atuam e, também, acesso à investimentos como capital de giro para seus negócios. Apesar de relativamente jovem, o ESG representa um apelo muito forte em todas as atividades do globo terrestre e vem ganhando cada vez mais importância em todo os mercados do mundo. A conscientização sobre questões ambientais, sociais e de governança vem crescendo, e muitos investidores, consumidores e outros stakeholders estão buscando empresas com práticas ESG estabelecidas e pontos fortes robustos para seu mercado de atuação. Além disso, a regulamentação e as expectativas dos stakeholders vem aumentando, levando as empresas a se preocuparem cada vez mais com questões ESG. Se nos concentrarmos em uma análise mais técnica, poderemos perceber que a incorporação de questões ESG em todas as atividades de uma empresa tem impactos positivos na sua performance financeira de longo prazo, bem como na sua reputação e relacionamento com os stakeholders. Além disso, a implementação de práticas ESG ajuda as empresas a se prepararem para futuras mudanças regulatórias e a mitigarem riscos financeiros e reputacionais. Portanto, desnecessário dizer que o ESG tem representado um apelo cada vez mais forte para as empresas em todo o mundo. Apontei o dedo para um deles e continuei, o senhor me perguntou no

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café, quais seriam os pontos fortes e fracos do ESG. Concordo que como toda evolução traz consigo aspectos positivos e negativos, então, vamos lá: Embora o ESG seja amplamente reconhecido como uma abordagem importante para avaliar e mitigar os impactos ambientais, sociais e de governança das empresas e investimentos, de forma mais didática, poderíamos analisar os seguintes prontos fracos: 1. Falta de padronização: A falta de padronização nas metodologias de avaliação ESG pode levar a uma ampla variação na avaliação de diferentes empresas e investimentos, o que pode prejudicar a comparação entre eles. 2. Falta de transparência: Muitas empresas ainda não fornecem informações suficientes sobre seus impactos ESG, o que pode dificultar a avaliação dessas questões. 3. Dificuldade de medição: As questões ESG podem ser difíceis de medir de forma objetiva e precisa, o que pode levar a uma avaliação imprecisa desses impactos. 4. Greenwashing: Algumas empresas podem se aproveitar da crescente atenção a questões ESG para se apresentar como mais sustentáveis do que realmente são, o que é conhecido como “greenwashing”. 5. Falta de consenso sobre prioridades: Pode haver diferenças de opinião sobre quais questões ESG são as mais importantes, o que pode dificultar a implementação de práticas ESG. 6. Riscos ao incorporar práticas ESG em suas operações, como exemplos: a) Custos elevados: Implementar práticas ESG pode ser custoso, especialmente para empresas que precisam realizar mudanças significativas em suas operações para atender aos padrões ESG. b) Dificuldade de implementação: Implementar práticas ESG pode ser complexo, especialmente se as empresas não têm uma cultura interna comprometida com questões ambientais, sociais e de governança. c) Desafios regulatórios: Pode enfrentar desafios regulatórios na implementação de práticas ESG, especialmente se as regulamentações não estiverem claras ou não estiverem alinhadas com as práticas internacionais. No entanto, é importante destacar que, embora os riscos existam, incorporar práticas ESG pode ter benefícios significativos para as empresas, incluindo a melhoria da reputação, aumento da confiança dos investidores e

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a geração de valor a longo prazo. Além disso, com a crescente preocupação com questões ambientais, sociais e de governança, as empresas que não incorporarem práticas ESG correm o risco de ficarem para trás em relação às concorrentes e de perderem acesso a novos mercados e investimentos. Por outro lado, até como forma de contrabalançar estas fraquezas, devemos considerar, e eu insiste sempre nisto, os seguintes pontos fortes: 1- O ESG ajudando a reduzir a pobreza de várias maneiras, incluindo: a) Promoção da igualdade de gênero: A igualdade de gênero é uma questão importante de ESG, e as empresas e investimentos que promovem a igualdade de gênero podem ajudar a reduzir a pobreza, já que as mulheres são muitas vezes mais vulneráveis à pobreza do que os homens. b) Inclusão financeira: O acesso a serviços financeiros básicos, como contas bancárias e empréstimos, pode ajudar as pessoas a sair da pobreza. As empresas financeiras que adotam práticas ESG podem ser mais propensas a fornecer esses serviços a comunidades carentes. c) Investimento em educação e treinamento: A educação e o treinamento podem ajudar as pessoas a sair da pobreza ao fornecer habilidades e conhecimentos valiosos. As empresas e investimentos que adotam práticas ESG podem ser mais propensos a investir em programas de educação e treinamento para comunidades carentes. d) Investimento em saúde: A saúde é uma questão importante de ESG, e as empresas e investimentos que promovem a saúde podem ajudar a reduzir a pobreza, já que a saúde do pobre pode impedi-los de trabalhar e ganhar dinheiro. e) Investimento em energia limpa: A energia limpa é uma questão importante de ESG, e o investimento em energia limpa pode ajudar a reduzir a pobreza, já que as comunidades pobres são muitas vezes as mais afetadas por fontes de energia sujas e insalubres. 2- O ESG sendo a chave para promover o crescimento tecnológico no futuro, por vários motivos: a) Investimento sustentável: O ESG incentiva as empresas a investir em tecnologias sustentáveis, como energias renováveis e soluções de eficiência

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energética, o que pode impulsionar o crescimento da indústria de tecnologia verde. b) Inovação responsável: O ESG incentiva as empresas a inovarem de forma responsável, levando em consideração as questões ambientais, sociais e de governança ao desenvolver novos produtos e tecnologias. Isso pode ajudar a garantir que a inovação seja sustentável e não cause danos de longo prazo. c) Desenvolvimento de mercados emergentes: O ESG pode ajudar a desenvolver mercados emergentes de tecnologia verde e sustentável, como tecnologias de energia renovável e soluções de eficiência energética, o que pode ajudar a impulsionar o crescimento da indústria de tecnologia verde. d) Melhoria da eficiência: O ESG incentiva as empresas a melhorarem a eficiência, por exemplo, ao investir em tecnologias que reduzam o desperdício e aumentem a eficiência energética. Isso pode ajudar a melhorar a eficiência e a competitividade da indústria de tecnologia a longo prazo. 3- O ESG gerando proteção e gerando valor para as empresas. a) Proteção contra riscos: Adotar práticas ESG responsáveis pode ajudar as empresas a minimizar seus riscos ambientais, sociais e de governança, como riscos de desastres naturais, reputação negativa ou problemas regulatórios. b) Melhoria da imagem e da reputação: As empresas que demonstram preocupação com questões ESG geralmente são vistas positivamente pelos consumidores, investidores e outras partes interessadas, o que pode melhorar sua imagem e reputação. c) Atração de investidores: Muitos investidores estão buscando empresas que adotem práticas ESG responsáveis, o que pode aumentar o interesse em investir na empresa. d) Melhoria da governança corporativa: A integração de questões ESG nas práticas de governança corporativa pode ajudar a melhorar a transparência, a responsabilidade e a eficiência das empresas, o que pode levar a um desempenho financeiro muito mais forte. e) Oportunidades de crescimento: A adoção de práticas ESG responsáveis pode criar oportunidades de crescimento, como a entrada em novos mercados ou a identificação de novas fontes de receita para a empresa.

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Agora vamos falar um pouco sobre o Impacto do ESG no conceito da economia circular. O conceito de economia circular é um modelo econômico que procura fechar o ciclo de vida dos produtos, matérias-primas e resíduos, buscando maximizar o uso de recursos e minimizar o impacto ambiental. Isso é alcançado através de práticas como a reutilização, a reciclagem e o reaproveitamento de materiais. Já o ESG, por sua vez, aborda questões ambientais, sociais e de governança de maneira integrada, buscando avaliar e mitigar os impactos das empresas e investimentos nessas áreas. A economia circular é uma das muitas questões abordadas pelo ESG, e é considerada uma das práticas mais importantes para abordar questões ambientais e sociais. O ESG e a economia circular são complementares e estão estreitamente relacionados, pois ambos buscam abordar questões ambientais e sociais de maneira inovadora e sustentável, e oferecem oportunidades para empresas e investidores que buscam fazer a diferença positiva no mundo. O investimento em empresas e projetos que seguem princípios de economia circular é considerado uma boa prática de ESG, pois contribui para a proteção do meio ambiente e para o desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis. Além disso, a economia circular também pode oferecer oportunidades de negócios rentáveis, o que pode ser atraente para investidores interessados em questões ESG. Estavam todos em silencio, mas um produtor de uvas, disse: - quero perguntar se isto não e’ mais uma “modinha” daquelas que movimentam muita gente e depois desaparecem... Pois bem, brilhante pergunta, então o que esperar do futuro para o ESG. É consenso no mercado que futuro do ESG parece extremamente promissor, com crescente conscientização e interesse em questões ambientais, sociais e de governança em todo o mundo. É esperado que as empresas e investidores continuem a dar mais atenção a questões ESG, e que ocorra uma crescente integração dessas questões em decisões de negócios e de investimento. Algumas tendências que podem influenciar o futuro do ESG incluem: a) Maior transparência: É esperado que haja uma crescente transpa-

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rência e responsabilização das empresas em relação a questões ESG, incluindo a divulgação de informações sobre práticas e desempenho ESG. b) Investimento crescente: É esperado que haja um aumento na demanda por investimentos ESG, incluindo fundos de investimento, títulos verdes e outros instrumentos financeiros que enfatizem questões ESG. c) Regulamentação: É esperado que ocorra uma crescente regulamentação em questões ESG, incluindo regulamentações que exijam mais transparência e responsabilização das empresas em relação a questões ESG. d) Integração em modelos de negócios: É esperado que as empresas integrem questões ESG em seus modelos de negócios, incluindo a incorporação de práticas e metodologias ESG em suas operações diárias. e) Novos mercados e oportunidades: É esperado que surjam novos mercados e oportunidades relacionadas a questões ESG, incluindo a criação de novas soluções e tecnologias para abordar desafios ambientais e sociais. Outra pergunta soou e agora eles estavam mais à vontade, mais interativos, menos ansiosos: ...moço ... isto parece coisa que só “pega” no estrangeiro, na Europa... Boa pergunta e comentário, eu também me pergunto sobre a razão de práticas ESG terem maior aceitação em Países Europeus que Latino-Americanos. Vamos analisar com mais atenção: É bem verdade que atualmente, a Europa tem uma atuação mais forte em relação ao ESG do que a América Latina. Algumas razões para isso incluem: a) Histórico de responsabilidade social: A Europa tem uma longa tradição de responsabilidade social e preocupação com questões ambientais, sociais e de governança, o que se reflete na atuação das empresas e no envolvimento dos investidores. b) Regulamentação mais rigorosa: A União Europeia tem uma regulamentação mais rigorosa em relação a questões ESG, o que incentiva as empresas a tomar medidas mais sólidas em relação a questões ambientais, sociais e de governança. c) Maior envolvimento dos investidores: Na Europa, os investidores têm um maior envolvimento com questões ESG e buscam ativamente investimentos sustentáveis. Isso incentiva as empresas a se concentrarem mais nas questões ESG e na melhoria de suas práticas.

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A América Latina ainda está em uma fase mais inicial de conscientização e implementacao das questões ESG, mas já há sinais de crescimento e um visível aumento de interesse nesta área. É importante destacar que a América Latina possui desafios únicos em relação a questões ambientais, sociais e de governança. No Brasil a conscientização e a atuação, são crescentes na área ESG e os números indicam uma tendência positiva, como podemos observar no gráfico abaixo, que consegui no site da XP Investimentos:

Fonte: Google Trends, XP Investimentos *Os números representam o interesse de pesquisa relativo ao ponto mais alto no gráfico. Um valor de 100 representa o pico de popularidade de um termo.

Mais uma pergunta: Este movimento está afetando os negócios financeiro pelo mundo? Bom, nos que lidamos com o mercado financeiro, local e no exterior, todos os dias, percebemos que o efeito e visível, vamos falar um pouco sobre isto: O ESG e a repercussão em Bolsas de Valores pelo Mundo. Nos últimos anos, os investidores em todo o mundo se envolveram cada vez mais com o conceito de “investimento responsável”, impulsionado pela crescente conscientização de questões como mudanças climáticas, diversidade de gênero e impacto do uso de plásticos no meio ambiente, sendo muito perceptível a crescente movimentação dos investidores para portfolios alinhados com os princípios ESG. Globalmente, mais de US$30 trilhões em ativos sob gestão (AuM, na sigla em inglês) são gerenciados por fundos que definiram estratégias sustentáveis. Isso representa um aumento de 34% em relação à 2016, de acordo com a Global Sustainable Investment Alliance. Sem dúvida, a repre-

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sentatividade das diferentes regiões do mundo não é homogênea, dado os diferentes estágios de maturidade em relação à percepção da importância dos fatores ESG e consequente incorporação de estratégias sustentáveis na gestão de ativos. Nesse sentido, temos o continente Europeu liderando, de longe, essa corrida. Dos mais de US$ 30 trilhões em ativos sustentáveis sob gestão globalmente, US$ 14,1 trilhões estão na Europa, montante este que representa mais de 50% do AuM total do continente. Nos Estados Unidos e Japão, por sua vez, a representatividade dos investimentos sustentáveis é menor do que quando comparado à Europa, girando em torno de 26% e 18%, respectivamente. Outro dado que vi recentemente no site da XP, evidencia a movimentação acelerada dos investidores para portfólios alinhados com os princípios ESG é o número de signatários do código de sustentabilidade do PRI – o PRI (Principles for Responsible Investment na sigla em inglês, ou Princípios para o Investimento Responsável, na tradução livre) representa o compromisso dos grandes investidores institucionais do mundo de investir em negócios sustentáveis. Desde 2016, o número de signatários do PRI mais do que dobrou, ultrapassando a marca de 3.000 membros e somando mais de US$100 trilhões em AuM, número 15 vezes maior do que em 2006. Quando olhamos para o número de bolsas de valores ao redor do mundo que tem implementado ativamente a divulgação de parâmetros ESG como requisito para listagem de ações, observamos um número que vem crescendo ano a ano. Estou convencido que tivemos um avanço. Mas acho que este número ainda tem espaço para crescer, dado que representa somente 24% das bolsas globais. Tendo em vista a relevância crescente dos fatores ESG, não seria de surpreender a divulgação de relatórios que abordam as perspectivas ambientais, sociais e de governança tornarem-se um requisito obrigatório para as empresas listadas. No Brasil já é obrigatório a divulgação de um relatório de Sustentabilidade, em conexão com a divulgação das demonstrações financeiras ao mercado de capitais. Quem tiver interesse pode pesquisar na internet o relatório do Banco do Brasil, tem lá um relatório de sustentabilidade que está bem robusto e bem em linha com estas praticas do ESG. E cada vez mais as empresas estão, ainda que não obrigatoriamente, divulgando informações relevantes sobre políticas que tangem os aspectos

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ESG. A bolsa americana (S&P500), por exemplo, não possui essa divulgação como mandatória, porém, quando analisamos a participação das empresas que possuem relatórios de sustentabilidade no índice, esse percentual evoluiu de apenas 20% em 2011, para 90% em 2019. Mas complementando a pergunta, o mercado financeiro de investimentos está bastante influenciado pelo ESG. A incorporação dos fatores ESG na estratégia de Investimentos. Sabemos que quando se trata de incorporação dos fatores ESG nos investimentos: a) não existe somente uma estratégia, b) as estratégias não são excludentes e c) o certo e errado não se aplica. Cada uma das estratégias tem suas vantagens e desvantagens, então vamos abordar as principais: (1) Filtro negativo: exclusão de investimentos em setores, empresas, países ou projetos que ferem critérios ESG específicos, como exemplo a exclusão dos setores de arma e fumo. (2) Filtro positivo: em vez de excluir investimentos como na estratégia anterior, os investidores incluem ativos que atendem aos critérios e normas estabelecidas, selecionando exemplos positivos de governança corporativa, cuidados com o meio ambiente e práticas comerciais socialmente responsáveis. (3) “Best-in-class”: essa estratégia difere do filtro positivo, pois funciona como um ranking, em que são selecionados critérios ESG para a avalição de um determinado ativo e, com base nessa análise, define-se os melhores de cada setor para receberem o investimento. (4) Integração ESG: incorporação dos fatores ambientais, sociais e de governança na análise financeira da empresa ou do projeto, capturando assim os impactos que determinados fatores terão no futuro da empresa. (5) Investimento de impacto: são aqueles direcionados à resolução de problemas sociais ou ambientais, com a premissa de que os impactos sejam mensuráveis – a performance do investimento é a combinação do impacto gerado na sociedade/meio ambiente e do retorno financeiro. (6) Engajamento corporativo: também conhecido como ativismo acionário, essa estratégia baseia-se na utilização da participação acionária que os investidores detêm para influenciar a estratégia da empresa na adoção

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de melhores práticas ESG – é a estratégia que mais se adequa a uma gestão passiva de investimento. Uma pesquisa realizada pela Global Sustainable Investment Review, indica que a estratégia de investimento sustentável mais utilizada globalmente é a do filtro negativo, em inglês, “negative screening”, com US$ 19,8 trilhões em ativos sob gestão, seguido pela estratégia de integração ESG, com US$ 17,5 trilhões. Quando analisamos por região, a estratégia de filtro negativo é a maior na Europa, enquanto a integração ESG comanda a maioria dos ativos nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Enquanto isso, no Japão, o engajamento corporativo constitui a estratégia predominante no país asiático.

Fonte: Global Sustainable Investment Review, XP Investimentos

Vamos falar agora sobre os Fundos de investimentos em ESG no Brasil. Uma pesquisa da ANBIMA realizada com gestoras* indica que a estratégia “best-in-class” é a mais utilizada, representando 47% da amostra. O tipo filtro negativo aparece em segundo lugar, com 42%.

Fonte: Pesquisa de Sustentabilidade ANBIMA, XP Investimentos *A pesquisa contou com 110 participantes, entre gestoras e administradoras de recursos. O patrimônio líquido sob gestão das instituições que responderam à pesquisa corresponde a 78,05% do total da indústria – um volume de 3,2 trilhões.

Outro dia, em uma reunião de conselho, ouvi uma pergunta: quais sāo as empresas que são referência na seleção ESG para a XP Investimentos no Brasil?

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Bom, o ESG é um processo e, portanto, não cabe, uma classificação binária ou estacionária - não se trata de ser ou não ser ESG, o que tem que ser considerado são diferentes empresas em diferentes estágios deste desafio. A XP Investimentos tendo como base o MSCI ESG Ratings, divulgou as 10 empresas listadas com os melhores ratings ESG:

Fonte: MSCI, Bloomberg, XP Investimentos

Bom, vamos falar sobre alguns impactos do ESG no caso do Brasil: Falando de Preços. A influência do ESG nos preços de consumo no Brasil pode ser significativa. Com a crescente conscientização dos consumidores sobre questões ambientais, sociais e de governança, muitos estão buscando produtos e serviços mais sustentáveis. Isso pode levar a uma mudança na demanda por bens e serviços, o que pode ter um impacto nos preços de consumo. Por exemplo, a demanda por alimentos orgânicos, produtos eletrônicos de baixo impacto ambiental e energia renovável pode levar a aumentos nos preços desses produtos. Além disso, a adoção de práticas mais sustentáveis por parte das empresas pode resultar em aumentos nos custos de produção, o que pode ser refletido nos preços de consumo. Por outro lado, a competição entre empresas para atender às demandas dos consumidores por produtos e serviços mais sustentáveis pode levar a uma redução nos preços. Além disso, a disponibilidade de alternativas mais acessíveis de fontes de energia renovável e de tecnologias mais eficientes pode contribuir para uma redução nos preços.

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Falando da Inflação. O impacto do ESG na inflação no Brasil é ainda incerto e pode variar dependendo das políticas econômicas do país e das decisões dos investidores. No entanto, é possível que questões ambientais, sociais e de governança tenham um impacto no aumento de preços de longo prazo. Por exemplo, as políticas de proteção ambiental e a mudança para práticas mais sustentáveis podem levar a aumentos nos custos de produção e, consequentemente, a aumentos nos preços de bens e serviços. Além disso, a demanda por bens e serviços sustentáveis pode levar a aumentos nos preços desses produtos. Por outro lado, investimentos em tecnologias e iniciativas que ajudam a mitigar impactos ambientais e sociais negativos podem ter um impacto de redução na inflação, já que podem levar a uma economia de recursos e aumentar a eficiência econômica. Falando do Setor Publico no Brasil. No Brasil, o setor público tem um papel importante na implementação e promoção de práticas ESG. Isso inclui a elaboração e implementação de políticas e regulamentos que promovam a sustentabilidade e responsabilidade social e ambiental, bem como a inclusão de critérios ESG em decisões de investimento e compras. Além disso, o setor público pode atuar como modelo para o setor privado, mostrando a importância e os benefícios da implementação de práticas ESG. Por exemplo, o setor público pode implementar políticas para garantir a sustentabilidade em suas operações, como a utilização de fontes de energia renovável ou a implementação de práticas de gestão de resíduos. No entanto, é importante destacar que o setor público no Brasil também enfrenta desafios na implementação de práticas ESG, incluindo falta de recursos financeiros e capacidade limitada para implementar políticas e regulamentos de forma efetiva. Além disso, existem questões de transparência e corrupção que precisam ser abordadas para garantir a efetividade e confiabilidade da implementação de práticas ESG no setor público.

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Falando do Agronegócio no Brasil. O agronegócio é uma importante indústria no Brasil e tem um impacto significativo no meio ambiente e na sociedade. Por esse motivo, é fundamental que as empresas do setor adotem práticas ESG sólidas para garantir a sustentabilidade a longo prazo. Algumas das áreas em que o agronegócio no Brasil pode abordar práticas ESG incluem a gestão de recursos hídricos, a preservação de florestas e outros habitats naturais, o bem-estar animal e a inclusão social de trabalhadores rurais. No entanto, o setor enfrenta desafios na implementação de práticas ESG. Por exemplo, muitas vezes há uma falta de recursos financeiros e capacidade para implementar medidas de sustentabilidade, especialmente em pequenas e médias empresas. Além disso, existe a pressão por resultados financeiros a curto prazo, o que pode levar a práticas insustentáveis. No entanto, o interesse em práticas ESG é crescente entre investidores e consumidores, bem como, é crescente a preocupação com a preservação ambiental e a responsabilidade social, está incentivando as empresas do agronegócio a adotarem práticas ESG mais sólidas. No geral, o agronegócio no Brasil tem um papel importante a desempenhar na promoção de práticas ESG e na construção de uma economia mais sustentável e responsável. No entanto, é importante enfrentar os desafios e trabalhar para implementar práticas ESG de forma efetiva e sólida a longo prazo. Falando da Questão Ambiental do Desmatamento no Brasil. Uma produção mais sustentável é chave importante para abrir uma porteira de investimentos novos e mais favoráveis ao produtor rural. As ações ESG e sua relação com o agronegócio são constantemente desenvolvidas a fim de manter o setor sempre à frente das demandas da sociedade como um todo. Com o intuito de incentivar a adoção dessas medidas de forma mais efetiva, bancos e financeiras passaram a adotar, com o aval do Banco Central, tais critérios como apoio para a avaliação e concessão de crédito. Hoje, quanto mais o produtor se enquadra nas práticas ESG, mais fácil é de obter

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o crédito. Isso porque a avaliação de crédito antes era baseada no risco – risco do produtor não pagar, risco de fazer algo errado, risco de não ter o retorno da produção. O impacto de cobrança do ESG na redução de desmatamento no Brasil tem sido considerável nos últimos anos. Com a crescente preocupação global com questões ambientais, empresas e investidores estão pressionando o Brasil a tomar medidas para reduzir o desmatamento. O País tem enfrentado pressão internacional para acelerar a proteção de suas florestas e mudar suas práticas agrícolas e pecuárias para serem mais sustentáveis. Isso tem levado a uma mudança na forma como o País é percebido pelos investidores internacionais e por aqueles que seguem práticas ESG rigorosas. Além disso, a crescente demanda por produtos sustentáveis tem motivado muitas empresas a buscarem fontes de matérias-primas certificadas como sustentáveis, o que tem um impacto direto na forma como a terra é usada no Brasil. Falando do Produtor Rural no Brasil. O impacto do ESG para vocês produtores rurais podem ser positivos ou negativos, dependendo da forma como a empresa ou o agricultor aborda as questões ambientais, sociais e de governança. Com o status de celeiro do mundo e, porque o Brasil é um dos maiores exportadores de commodities agrícolas, a produção do agronegócio chama a atenção e desperta anseios globais sobre o seu futuro. De acordo com pesquisa divulgada este ano pela PwC, as previsões para o setor em 2030 elencam um acréscimo de 50% na demanda por água e de 40% na demanda por energia, dados que desencadeiam uma pressão muito grande por maior sustentabilidade no agronegócio e uma busca pelo aprimoramento ESG no setor. Se a empresa ou o agricultor adotarem práticas ESG sólidas e responsáveis, eles podem se beneficiar no mercado, aumentando a demanda por seus produtos e, portanto, os preços. Além disso, a adopção de práticas ESG pode melhorar a imagem da empresa e/ou produtor rural e aumentar a lealdade dos clientes. E eu continuo achando que se a empresa ou o agricultor não adotarem

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práticas ESG adequadas, eles correm o risco de sofrer sanções econômicas, tais como perda de acesso aos mercados, multas ou dificuldades em obter financiamento. Além disso, a falta de práticas ESG adequadas pode levar a problemas sociais e ambientais, o que pode ter consequências negativas a longo prazo. De forma geral, acho importante que o produtor rural no Brasil aborde as questões ESG de forma proativa e responsável, a fim de garantir a sustentabilidade a longo prazo e aproveitar as oportunidades de mercado. Isso pode incluir a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, a gestão responsável dos recursos naturais e a inclusão social dos trabalhadores rurais. Duas horas agradáveis de “bate-papo” haviam passado. O capataz da fazenda interrompeu e disse: ... “Bora comer o churrasco se não queima”... e eu encerrei a palestra com uma satisfação grande em ter presenciado o interesse de todos eles em um assunto tão relevante para nossos negócios, nossa sustentabilidade e nosso progresso.

Genival Francisco da Silva Mestrando em Agronegócios pela FGV/ESALQ, Financial Advisory, na área do meio ambiente desenvolveu e implantou projetos para a construção de usinas de etanol de milho e usinas de energia solar – fotovoltaico, participou de projetos para a implementação de questões ESG em empresas do Agro e indústrias.

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É um fato que, nos dias de hoje, a sustentabilidade é um fator cada vez mais essencial para o sucesso de qualquer tipo de empresa, e os hotéis não são exceção. No entanto, ainda que as novas gerações não acreditem, nem sempre foi assim e os hotéis também não foram exceção. Atualmente, o principal esforço dos hotéis está focado, além de rentabilizar o negócio, na venda de experiências. Experiências compostas por diferentes tipos de serviços. Por um lado, os hotéis dispõem de áreas especializadas que focam no desenvolvimento de sistemas e processos que permitem uma maior produtividade, coordenando e aproveitando os recursos humanos e materiais disponíveis. As estruturas organizacionais dos hotéis variam em função do seu tamanho, da sua categoria, se pertencem ou não a uma rede, dos serviços que oferecem, entre muitos outros fatores. As relações entre as diferentes seções dessas estruturas são refletidas no que chamamos de organograma. Este organograma também marca as funções de cada uma delas. Cada se conta com um número menor de hotéis que não têm uma estrutura organizacional definida e por isso, entre outras coisas, a nossa atividade está cada vez mais organizada (e portanto, menos informal), mais focada na concretização de objetivos e rentabilidade do estabelecimento como negócio e, portanto, cada vez mais preparada para enfrentar o futuro. Portanto, em maior ou menor grau, um número crescente de estabelecimentos hoteleiros possui um sistema de gestão, que constitui em uma ferramenta integral voltada para o planejamento, execução, controle e melhoria de todos os processos da organização. É sabido que a base fundamental do nosso negócio é a existência de clientes. Sem clientes... não há negócio - e é por isso que os princípios fun-

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damentais do nosso negócio estão orientados para a plena satisfação das necessidades e expectativas do cliente - tanto o interno quanto o externo. Assim, os processos na hotelaria, estão – ou devem estar, vinculados ultimamente na satisfação do cliente, e repetimos, tanto dos clientes internos quanto dos clientes externos. No qual, ao longo dos tempos foi mudando. Houve um tempo em que um hotel era apenas isso… um hotel. Mas, assim como a clientela, a hotelaria evoluiu – obedecendo às necessidades desta clientela. Nunca na história da hotelaria houve o nível de especialização e, portanto, de segmentação que existe atualmente. Isso é gerado por conta do nível de conhecimento que temos sobre o cliente e suas necessidades, suas exigências e o tipo de experiência que ele busca. A mesma pessoa, em diferentes momentos da sua vida, de sua existência, pode buscar um tipo diferente de experiência – seja viajando a negócios, a lazer, para descansar, com os amigos, com a família, querendo passear, querendo ficar no hotel o tempo todo, etc. – e isso tem gerado diferentes nichos e segmentos na hotelaria. Por outro lado, a informação disponível também mudou. A humanidade nunca teve a disposição tanta informação! E esta informação tem gerado, em muitos casos… uma maior consciência… consciência em vários sentidos: consciência própria, consciência local, consciência nacional, consciência global, consciência social, dentre muitas outras... Mas nem sempre foi assim…. há uma geração ainda imersa na hotelaria, interna e externa – que cresceu num clima de “inconsciência”. Acho que posso me incluir entre eles. E nós crescemos assim por muitas razões. A forma mais simples de definir – como muitos faço, é simplesmente porque não viemos “com aquele chip”. Era, certamente, outra época, onde e quando os efeitos da deterioração ambiental não eram tão evidentes, não nos afetavam, ou não sabíamos que nos afetavam… não tínhamos informações. Passamos a percebê-los quando realmente começou a nos afetar. Afetam-nos de várias ou muitas formas: o aquecimento global, as alterações climáticas, as catástrofes naturais… ou em assuntos talvez um pouco mais simples ou mais cotidianos, como… o aumento de preços, o aumento dos custos da energia que nos afetaram – e nos afetam – no bolso – e digo no bolso das empresas ou no bolso pessoal. Estamos, portanto, em uma era “híbrida”. Uma época em que temos uma grande diversidade de clientes. Clientes que vem da chamada “era da

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inconsciência”, que aos poucos se conscientizaram, mas ainda encontram dificuldades... e por outro lado, clientes altamente conscientes. Clientes que estão altamente preocupados e ocupados com seu entorno. Felizmente para o nosso planeta, estes últimos são uma parte da população mundial que está em crescimento e a primeira, por razões naturais, é uma parte da população em constante decrescimento. O mesmo acontece nas empresas. É crescente o número delas que agregam aos seus valores e princípios tudo o que é relacionado à sustentabilidade e responsabilidade social. Embora as práticas tenham sido geradas como derivação de uma necessidade primordialmente econômica - a necessidade de baixar custos devido ao constante aumento dos preços dos energéticos, e a isso se somaram as exigências governamentais e legislativas (com as quais foram obrigadas a atender). Pois bem, agora além disso se somam as exigências da clientela, tanto corporativa quanto individual, que busca fazer negócios, ou “dar o seu negócio” para empresas que cultivam os mesmos princípios e valores que os seus. Para essa clientela, esse cultivo de valores torna-se uma necessidade – uma necessidade que os hotéis devem satisfazer oferecendo valor agregado. Desta forma, a clientela atual exige ser informada em todos os processos sobre as iniciativas de sustentabilidade: eles exigem isso quando comunicamos os serviços oferecidos pelo hotel (informações para o cliente e marketing), ao fazer uma reserva, quando o hóspede dá entrada em um hotel (check-in), quando requer serviços relacionados ao Guest Service durante a sua estadia, quando liga para ser atendido pelas centrais de atendimento ou quando faz seu check-out. Da mesma forma, quando solicita os serviços de café da manhã ou “Room Service” e por outro lado, quando tem demanda de outros processos de apoio: Manutenção, Limpeza, Compras, etc. Por outro lado, os hotéis foram obrigados a modificar e adaptar os seus processos aplicando diferentes práticas ambientais, tais como: controle do consumo de energia, controle do consumo de água, gestão de águas, gestão de resíduos, utilização de produtos químicos, alterações nas políticas de compra e contribuição à biodiversidade. Essas práticas ambientais são identificadas como aquelas que em seu conjunto são ações de baixo custo ou voltadas à redução de custos que são incorporadas aos processos e atividades da organização com o objetivo de

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reduzir os impactos negativos causados ao meio ambiente. Por esse motivo, estamos em uma nova era da hotelaria. Uma fase em que cada vez mais hotéis desenvolvem práticas ambientais. Isso porque o paradigma da sustentabilidade tornou-se um modelo de gestão necessário para o setor turístico e hoteleiro como uma alternativa de desenvolvimento integral. O termo sustentabilidade refere-se à conservação dos recursos para que possam satisfazer tanto as necessidades atuais como as das gerações futuras. A World Conservation Union (IUCN) sustenta que o desenvolvimento sustentável é o processo que permite o desenvolvimento, sem que isso implique o fim de todos os recursos que o tornam possível. Nesse sentido, o desenvolvimento sustentável implica uma visão de longo prazo que se baseia em três critérios fundamentais, que são ambientais, socioculturais e econômicos. Dessa maneira, uma forma de gestão que contempla os aspectos citados anteriormente é a Gestão Ambiental. Entende-se como as ações realizadas pelas organizações para reduzir os impactos negativos que causam em seu próprio entorno e melhorar a proteção ambiental, respeitando a legislação atual com relação ao meio ambiente. A norma ISO 14001 estabelece que um Sistema de Gestão Ambiental é a parte do sistema de gestão usada para gerenciar os aspectos ambientais, atender aos requisitos legais e outros e abordar riscos e oportunidades. Ocorre que, uma vez que os estabelecimentos hoteleiros operam com um Sistema de Gestão Ambiental, solicitam a realização da certificação que o credencia. Isto implica a realização de um processo onde a entidade certificadora garante o cumprimento de determinadas normas por parte da empresa requerente. A certificação de um sistema de gestão consiste num documento que atesta que o referido sistema cumpre a norma de referência. No início do século XXI, algumas associações hoteleiras começaram a lançar Programas de Certificação Ambiental para hotéis e, a partir de então, o número de certificações à disposição dos hotéis não parou de crescer. Esses programas de certificação foram validados por diferentes institutos encarregados de criar padrões e certificações para diferentes setores, incluindo os da hotelaria e, finalmente, os diferentes órgãos governamentais têm reconhecido esses programas e certificações. Até agora, em sua maioria, os programas são voluntários e a certificação é realizada por terceiros. Mas isso também está mudando. Cada vez

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mais cresce o número de empresas que exigem este tipo de certificação e validação na forma de Ecoetiquetas. Esses rótulos ecológicos reconhecem as boas práticas ambientais nos estabelecimentos que atendem aos requisitos estabelecidos pelo programa. Os programas de certificação possuem níveis de certificação e podem ser denominados de diferentes formas: por níveis e/ou por classificações, por exemplo, Ouro, Prata e Bronze - ou, Nível Um, Dois ou Três e estes dependem do nível de desempenho alcançado. Isso permite a implementação gradual e a melhoria contínua da gestão sustentável. O objetivo destes programas é que cada vez mais os hotéis e alojamentos turísticos gerem processos de melhoria contínua através da implementação de boas práticas de gestão sustentável, de forma a melhorar a qualidade dos serviços prestados, minimizar os impactos negativos e maximizar os benefícios para as comunidades locais onde se inserem. Os princípios que norteiam a maioria dos programas são: credibilidade, transparência e melhoria contínua. Dessa forma, os estabelecimentos que obtêm a certificação implementam práticas éticas, social e ambientalmente responsáveis em sua gestão operacional, alinhadas aos Critérios Globais de Turismo Sustentável para o setor de turismo e hotelaria. No entanto, o benefício da certificação não se encontra na própria certificação ou na utilização de um rótulo ecológico, mas sim na implementação de um programa de melhoria contínua que se deve traduzir, entre outras coisas, na redução do consumo de água e energia em geral, nas vantagens competitivas do ponto de vista comercial, na redução de custos através de práticas mais conscientes no estabelecimento certificado, etc. ... e não só isso, por derivação, a implementação de um programa de melhoria contínua em termos de sustentabilidade gera inovação e fomenta a criatividade, estimula e reconhece a participação de clientes externos e internos impulsionando o trabalho em equipe. Para o sucesso de um programa deste tipo nas organizações hoteleiras é fundamental a inclusão e participação de todos os elementos da equipe, a comunicação dos objetivos e realizações, a escuta e procura de soluções para os problemas e situações do quotidiano. Da mesma forma, a monitorização dos níveis de satisfação é fundamental, pois de forma alguma as práticas adotadas devem ter um impacto negativo na experiência do cliente.

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É uma realidade que o maior número de certificações está nas mãos de hotéis de maior porte e pertencentes a uma rede. Da mesma forma, essas certificações fazem parte de hotéis com maior formalização e consequentemente estabelecimentos com normas, procedimentos e devidamente documentados. Uma vez que ser ecologicamente responsável não só leva à conformidade moral e ética, mas também leva a uma vantagem competitiva que torna a organização mais lucrativa, os fatores-chave para uma gestão hoteleira sustentável são: • Um Capital Humano que dá vida a uma cultura empresarial e que motiva e promove boas práticas. • Uma análise aprofundada dos impactos ambientais que o hotel gera no meio ambiente. • Capacidade de inovação e mudança. • Relacionamento do hotel com os diferentes atores locais. Os estudos mais recentes indicam que os hotéis atualmente estão mais focados no uso da água, no uso de energia elétrica e na gestão de resíduos e a maioria das práticas ambientais são de baixo custo usando sistemas e tecnologias inovadoras. As práticas ambientais foram classificadas de acordo com a literatura revisada entre aquelas de baixo custo e aquelas que utilizavam sistemas e tecnologias inovadoras. O elemento mais monitorado é o consumo de energia elétrica e ao responder sobre os motivos que geram a implantação de práticas voltadas para a sustentabilidade, a grande maioria das respostas indica que os principais motivadores são a eficiência que as práticas ambientais melhoram suas operações e reduzem custos operacionais. Em relação ao principal obstáculo para aplicar a gestão ambiental, os estudos apontam a pouca conscientização dos gestores e a percepção de que acarreta um alto custo. Curiosamente, as respostas dos hoteleiros não consideram o consumidor e a clientela nas suas respostas apesar da crescente exigência por parte dos clientes e hóspedes de uma maior consciência e implementação de práticas ambientais nos hotéis. A pandemia reforçou a necessidade de práticas ambientais e de uma cultura voltada para a sustentabilidade em nossos estabelecimentos.

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Existe uma sensibilização por parte do consumidor para a necessidade de reforçar todos os aspetos relativos à higiene e limpeza e ao impacto que estes têm na saúde e na utilização consciente dos recursos nos hotéis. O que antes se escondia na indústria da hospitalidade (como os procedimentos de limpeza) agora se exibe, se faz evidente afim de criar um clima de segurança ambiental no hotel que seja altamente perceptível para o cliente. A tecnologia tornou-se uma aliada e cada vez mais os hotéis - pelo menos os das cadeias hoteleiras - levam a cabo implementações que permitem aos hóspedes maior autonomia e menos contato de forma a gerar menos oportunidades de transmissão e contágio. Ainda que algumas práticas tenham sido adotadas temporariamente, sem dúvida algumas delas permanecerão ao longo do tempo, principalmente quando novos consumidores já vêm demandando maior autonomia - inclusive pré-pandemia - e as exigem como parte da experiência de se hospedar em um hotel. A troca de lençóis de acordo com a demanda do hóspede, a utilização de sensores de presença nos corredores, lâmpadas de baixo consumo, redutores de consumo de água e outros, são práticas recorrentes na hotelaria. É necessário reforçar no que diz respeito à reciclagem, utilização de produtos biodegradáveis, gestão da reutilização de água, implementação de painéis solares e melhor gestão na utilização dos pisos para hospedagem dos clientes, entre muitas outras práticas. Parece óbvio e simplista, mas embora tenhamos percorrido um longo caminho, existem grandes diferenças em nossa geografia latino-americana entre o que alguns países conseguiram e outros – ainda há um longo caminho a percorrer. Como temos mencionado, nos últimos anos, a sociedade tornou-se mais consciente de que todas as ações que se realizam e todas as decisões que se tomam têm impacto no meio ambiente. Desta forma, cada vez mais turistas preferem ficar em hotéis sustentáveis. Da mesma forma, é possível afirmar que existe uma relação direta entre manejo sustentável e redução de custos. A nossa atividade depende em grande medida dos recursos naturais, razão pela qual práticas mais amigáveis ao meio ambiente estão sendo gradualmente adaptadas. No entanto, o contexto atual decorrente da pandemia, em que o turismo e a hotelaria estiveram entre os mais impactados do ponto de vista econômico, parece dificultar a adoção de medidas para uma gestão sustentável. Muitas vezes é considerado um custo e não um investimento. É por

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isso que ter pesquisas que mostrem como outros estabelecimentos fazem e as melhorias geradas pela certificação de um sistema de gestão sustentável é de grande valia para que assim se possa implementá-los em cada vez mais hotéis. Percorremos um longo caminho desde a “Era do Inconsciente” até o momento atual em que temos uma clientela que exige práticas sustentáveis, contamos com certificações, temos leis e regulamentos e contamos com tecnologia... e o mais importante, somos conscientes da necessidade de sermos mais amigáveis com o meio ambiente... mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Chegará o momento em que a gestão hoteleira sustentável será a única opção. A etapa seguinte já surgiu. Vamos dar as boas-vindas ao Turismo Regenerativo.

Eduardo Cruz Del Rio Administrador de empresas com MBA em vendas e marketing, fluente nos idiomas Espanhol, Inglês, Francês e Português, Experiências como Diretor Geral dos empreendimentos “The Brick Hotel - Buenos Aires/Argentina”, “Caesar Park Buenos Aires/Argentina”, “Caesar Park Rio Ipanema/Brasil”, “Viva AQUA Bosques - Cidade do México/ México”, “Live AQUA Cancún - Quintana Roo/Mexico”, “Hyatt Regency Cancún - Quintana Roo/Mexico”, “Fiesta Americana Grand Los Cabos - Golf & Spa Resort, Baja California Sur”, “Fiesta Americana Vacation Club Los Cabos, Cabos San Lucas/ México”, “Hotel Villa Magna - um Park Hyatt Madri/Espanha”, Experiências como Gerente dos empreendimentos “Hyatt Regency Belgrado/Ex Iuguslávia”, “Hyatt Regency Dubai & Galleria Dubai/Emirados Árabes Unidos”, “Hyatt Regency Guatemala / Guatemala”, “Hyatt Regency Mérida - Yucatan/Mexico”, “Hyatt Regency Guadalajara - Jalisco/Mexico”, assim como Vice-Presidente de Operações da Wyndham Hotel Group para América Latina e Caribe.

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8 - Conferências do Clima e os Efeitos para o Brasil Postura brasileira face à implementação da Convenção do Clima Antonio Fernando Pinheiro Pedro

Na qualidade de atual Secretário Executivo de Mudanças Climáticas do Município de São Paulo, tendo sido presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB/SP, do Comitê de Meio Ambiente da AMCHAM, consultor do governo brasileiro, entre outras funções, estou sempre exercendo pesquisas e acompanhando o que acontece na pauta “Clima” nas diversas conferências internacionais e os efeitos das decisões tomadas nos diversos órgãos formados para acompanhar este importante tema. Faço aqui, uma análise dos efeitos para o Brasil, das decisões tomadas nas conferências do Clima realizados pela ONU, suas armadilhas e contradições.

Um Cenário Contraditório. O esforço global para conferir resiliência à humanidade e adotar medidas de mitigação das atividades antrópicas, face às alterações do clima no planeta, implicou na alteração de paradigmas no

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campo das relações internacionais. O enfrentamento global ao fenômeno demandou a estruturação de um tratado-quadro tridimensional: a Convenção-Quadro é preenchida pelos acordos procedimentais e compromissos periódicos, firmados pelas partes com base nos relatórios de avaliação formulados por um painel científico intergovernamental. O Tratado Quadro de Mudança do Clima também adotou premissas “consensuais” para a tomada de decisão dos países-parte, que anualmente organizam uma conferência, cujo processo demanda complexas e incessantes negociações, com profundos efeitos geopolíticos, tecnológicos e socioeconômicos. Porém, o mecanismo diplomático de busca de consenso, lastreando a Conferência dos Países-Parte com as conclusões expressadas no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas - IPCC, terminou contaminando a busca por posições politicamente consensuadas para a esfera de domínio científico - gerando um cenário contraditório. O “consenso científico”, ao lastrear decisões políticas, pode gerar posturas dogmáticas, contaminadas por viés ideológico. Tais posturas, dentro de um método científico, podem ser tudo, menos algo científico... A armadilha diplomática decorre da natureza transdisciplinar do objeto da Convenção Quadro de Mudança do Clima: um fenômeno complexo e multifacetado, delimitado pela ciência, cuja dinâmica não se coaduna com o sistema de decisão adotado no Tratado pois o consenso não elimina a intrínseca conflitualidade de interesses difusos atingidos por decisões científicas que, por sua própria natureza, demandam constante confrontação. De fato, o método científico consiste no bombardeamento sistemático da teoria considerada, por meio da formulação indefinida de hipóteses e experimentos, de tal ordem que a teoria-tentativa se repete, ganhando confiabilidade. Nesse sentido, o ceticismo constitui a alma dinâmica do processo. Por sua vez, o mecanismo decisório politicamente consensuado da Conferência das Partes, demanda que o IPCC também construa um consenso científico. Nesse caso, a ciência é convenientemente guardada no armário... e os céticos tornam-se politicamente inconvenientes.

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Vem daí termos inquisitoriais como “negacionismo”, “certeza científica”, “heresia”, etc. As conclusões no âmbito da diplomacia climática têm base científica, por óbvio. Porém, guardam natureza política. E é o que ocorre na base da Carta de Paris.

O Termostato Diplomático. Baseado no 5o. Relatório de Avaliação do Clima do Planeta, emitido pelo IPCC em 2014, o Acordo de Paris, firmado em 2015 na COP 21, busca a estabilização do clima planetário em determinado patamar de temperatura. Estabeleceu-se um “ponto de não retorno”... como se o ser humano pudesse ter amplo controle sobre todo o sistema de interações climáticas a partir do controle sobre suas próprias emissões e os Estados Nacionais tivessem o Poder de comandar uma disrupção simétrica em meio a um turbilhão humano de conflitos assimétricos. O fato inspirou o termo “diplomacia do termostato” ou “acordo termostato”, que tomei a liberdade de criar num artigo que escrevi por ocasião da Conferência na França. Os pontos principais do acordo firmado na COP 21, no final de 2015, incluíram: 1. Iniciar a redução de emissões de gases de efeito estufa tão cedo quanto possível e atingir o equilíbrio entre emissões e absorções até a segunda metade deste século; 2. Manter o aumento da temperatura global “bem abaixo” de 2°C e perseguir esforços para limitá-lo em 1,5°C; 3. Revisar o progresso a cada 5 anos; 4. Alocar US$ 100 bilhões por ano em financiamentos para o clima em países em desenvolvimento, com o compromisso de maiores financiamentos no futuro. Com efeito, o Tratado cria um processo político “catastrofista”, sintomático de uma “síndrome do termostato de papel”. Esta síndrome contamina

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o esforço científico protagonizado pelo IPCC e academias mundo afora. Explico: Primeiro, o ciclo climático é maior que a atividade humana. Ainda que consideremos nosso envolvimento, o fenômeno envolve processos termogeológicos, atmosféricos, meteorológicos e cósmicos fora de nosso alcance, cujos ciclos e comportamentos passamos a desvendar há poucas décadas. Segundo, da forma como emitimos gases de efeito estufa com nossas atividades, podemos considerar que somos um vulcão em firme atividade no planeta há séculos. Mas vulcões de fato, em segundos, podem alterar o “quadro termostático” enfrentado nos relatórios do IPCC a qualquer instante. Terceiro, a arrogância contida na disposição de números e condicionantes, sem levar em conta os dois primeiros pontos, introduz um componente político, indutor de um dirigismo econômico incondizente com a metodologia científica e a geopolítica antrópica disposta assimetricamente na superfície do planeta. Eu já alertava para o problema em meados da década passada. Mas compreendo o quão difícil é para o IPCC alterar o rumo do seu raciocínio sem quebrar os próprios paradigmas ou afetar o regime de consenso.

Atenção às Circunstâncias. Respeito a Dra. Thelma Krug, cientista brasileira que responde pelo mais recente relatório de avaliação do IPCC - o AR6, revisado por 721 representantes, que faz uma compilação dos relatórios anteriores, e segue a linha do AR5, referenciado na Carta de Paris. Concordo que estamos num processo de alterações climáticas num avanço sinérgico. Também concordo que a tecnologia precisa nos tirar o quanto antes do ciclo de queima dos combustíveis fósseis. No entanto, não creio que um “freio de arrumação” por meio de marcos legais restritivos, nitidamente eurocêntricos, conterá o processo. E também

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discordo, absolutamente, do tom inquisidor e acusatório adotado, desde sempre, sobre o nosso processo civilizatório e industrial. Não fosse por toda a nossa sucessão de culpas... não estaríamos hoje em condições de produzir tamanho salto tecnológico e somar tamanho volume de conhecimento científico. Somos humanos, não somos divinos. Vivemos de nossas contradições. Devemos, repito desde sempre, carregar nossos esforços na construção de estruturas resilientes e processos de adaptação eficazes. Otimizar nossa previsibilidade e nossos meios de prevenção. Necessitamos conduzir uma política de TRANSIÇÃO sem nos deixar perturbar por ações catastrofistas ou submergir a pressões econômicas euroasiáticas. Um bom exemplo desse comportamento teratológico é a eletrificação à bateria a todo custo, sem atentar para os enormes custos ambientais da atividade, a conclusão do processo disruptivo rumo à célula de hidrogênio ou os ciclos industriais que geram renda e emprego... e formam a base da soberania socioeconômica das nações. Outro exemplo típico desse equívoco está no raciocínio hermético do “mais pão e menos galão”, relativo ao “uso da terra”, que pode servir a países europeus sem área suficiente de cultivo... mas destrói projetos agroenergéticos russos, brasileiros, americanos e africanos. O Brasil corre risco de se ver engajado no equívoco, de tal forma que o sistema automotivo movido a bateria de lítio (ou o minério que vier na composição) será um pesado andor a ser carregado pelos brasileiros na procissão climática, em prejuízo de uma condução agroenergética e industrial racional... até que alguém resolva largar o apoio para conferir se o santo é mesmo feito de barro.

Soberania Econômica. O Tratado de Paris só não tem destino similar ao documento de Copenhagen, naufragado na COP 19, por encontrar-se suportado no mecanismo concreto dos compromissos nacionais efetivos e embalado no

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berço do comprometimento global de se passar um cheque de 100 bilhões de dólares, anualmente, aos países fragilizados pelo aquecimento global, embora muito dessa quantia corra o risco de vir em forma de derivativos. Para o alcance do objetivo final do Acordo, os governos se engajaram na construção de seus próprios compromissos a partir das chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês). Por meio das NDCs, cada nação apresenta sua contribuição de redução de emissões dos gases de efeito estufa, seguindo o que cada governo considera viável a partir do cenário social e econômico local. Após a aprovação pelo Congresso Nacional, o Brasil concluiu, em 12 de setembro de 2016, o processo de ratificação do Acordo de Paris e no dia 21 de setembro, o instrumento foi entregue às Nações Unidas. A NDC brasileira é, no entanto, ousada. Compromete-se a reduzir emissões de gases de efeito estufa nacionais inventariadas, em 37% abaixo dos níveis apurados em 2005, até 2025, com uma contribuição indicativa subsequente, de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, em 2030. Visando atingir as metas, o país se comprometeu a aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, bem como alcançar uma participação estimada de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030. É possível que o enorme esforço de blockchain do agronegócio brasileiro, com a implementação de programas relacionados a biocombustíveis e matrizes energéticas renováveis, alavanque a meta nacional. Mas há um freio de arrumação embutido nessa meta. A auto ilusão de grandeza na participação brasileira escondeu o puro oportunismo contido no consenso, senão vejamos: Tendo promulgado em 2009 a Lei de Política Nacional de Mudanças Climáticas - 12.187/2009 - o país pouco ou nada avançou na estruturação de um sistema autônomo de governança climática eficaz, que permitisse firmar sua soberania e pudesse democraticamente avaliar o alcance das metas estabelecidas (e por democracia, não se entenda assembleísmo de

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militantes e, sim, concerto de setores produtivos, organismos públicos, academias e cidadãos interessados no progresso soberano do País). Perdido em ecologismos, ufanismos e populismos, o Brasil não desenvolveu mecanismos financeiros para fazer funcionar ciclos econômicos que conferissem funcionalidade de mercado às ações de redução até agora. As iniciativas iniciadas pelo governo federal circunscrevem-se a determinações normativas e fundos financeiros dispersos, atrelados à gestão ambiental ou à gestão de energia... sem haver regulação climática autônoma e articulada.

Contexto Antinacional. Nossa matriz ainda é a mais limpa do mundo, e ainda insuficiente para atender à demanda de alavancagem de nossa economia. Nosso potencial energético, a partir do controle soberano do fluxo dos insumos e matrizes, da água ao urânio, é privilegiada. Possuímos, em extensão, o maior volume de remanescentes florestais com a maior diversidade do planeta. Nessas circunstâncias, as metas nacionais de redução instituídas, se comparadas às demais NDCs de outros países, nos afetam em proporções muito maiores... pois, nossa realidade mostra que, proporcionalmente já ultrapassamos de fato qualquer meta. Os países desenvolvidos e historicamente comprometidos com as emissões de gases de efeito estufa, deveriam disponibilizar US$ 100 bilhões anuais, previstos no acordo de Paris, a partir de 2020. Mas o efeito covid e as assimetrias geopolíticas favoreceram os interesses eurocêntricos e chineses, de forma a distorcer, em seu favor, o comércio internacional. Posto isso, os programas de atingimento de metas, em curso, terminam pondo em risco nossa soberania econômica, a menos que se firme forte posição em prol da isonomia na implementação do mecanismo da NDC. Ingenuidade aqui é a morte. O chamado colonialismo climático age fortemente para erigir barreiras não tarifárias e reduzir a

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competitividade do Brasil. O Brasil é hoje pressionado a desconsiderar seus ativos e restringir ainda mais sua base de produção. Deve, portanto, mudar a postura de “devedor” para a de “cobrador” dos valores prometidos - incluso os pretéritos, oriundos de Quioto. O desacerto diplomático de gestões “baba-ovo” e “populistas”, bem como o destempero observado na gestão de Bolsonaro, fez o Brasil ignorar o valor de suas próprias, únicas e históricas contribuições voluntárias, legalmente instituídas, que já produziam efeitos climáticos antes do próprio Tratado Quadro de Mudança do Clima. Com isso, nossas “obrigações” foram, após e em função mesma deste, sensivelmente ampliadas. O Brasil é o único país do mundo a atribuir áreas inseridas em propriedades privadas à preservação florestal, e o faz por meio de legislação florestal sem equivalência em qualquer outro quadro legal do planeta. As arrogantes representações europeias insistem em desprezar o fato, rotulando-o desonestamente como “mandatório”, quando se trata de ato voluntário decidido soberanamente pelo país-parte. Não por outro motivo, desde o primeiro período de prova, vêm-se exigindo de nossos agentes econômicos adicionalidades redundantes, por meio de esforços “voluntários” de preservação dos agentes privados, duplamente sacrificados. Ou seja, as representações internacionais exigem do Brasil, MUITO ALÉM do que elas mesmas poderiam implementar. O item 4 do artigo 6, do Acordo de Paris, cria o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável (sucedâneo do MDL, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto). Pelo MDS, qualquer país, governo local ou mesmo empresa que adote ações de redução de emissões pode vender esse resultado como crédito de carbono. Esses resultados, porém, deveriam ser adicionais, ou seja, avançar além, das metas nacionais (NDCs) submetidas à Convenção do Clima - mas os colonialistas climáticos querem que só o Brasil seja incluído no termostato, pois pretendem que os compradores dos créditos possam fazer os chamados “ajustes correspondentes” em suas metas, para evitar dupla contagem (vale dizer,

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nossos ativos serão ou não considerados de acordo com a vontade do país comprador do mecanismo). Tergiversar com esse contexto... é ferir de morte nossa soberania.

A Base da Solução. O Prof. Aziz Ab’Saber, com quem pude contar com a honrosa colaboração quando coordenei a revisão do projeto de lei da PNMC - na relatoria do saudoso Deputado e amigo Mendes Thame, sempre alertava para a necessária consideração das bacias aéreas e dos microclimas na implementação de uma política climática séria em nosso território. Numa perspectiva econômica funcional, isso só poderia surgir apoiado em um amplo sistema regulado de compensações de emissões estabelecidas entre atividades territorialmente dispostas, um verdadeiro mercado de compensação perfeitamente mensurável e ambientalmente eficaz, para engajar as atividades econômicas no próprio solo brasileiro. Esse mercado, extremamente interessante, não é cultivado no Brasil por absoluta interferência dos interesses especulativos envolvendo bolsas, fundos de Investimento e atividades já consolidadas na cesta das grandes corporações e projetos imobiliários de “obra -feita”, que não admitem dividir espaço na apertada cesta de derivativos. Com isso, setores importantes, como o do agronegócio, literalmente “comem na mão” do capital internacional, que os engaja em seus projetos de limitação progressiva de áreas produtivas. Pessoalmente, constatei a disfunção quando elaboramos, em um grupo de consultores, proposta estruturada para implantar mercado doméstico de compensações - em trabalho patrocinado pelo Banco Mundial, Finep e a então bolsa de valores BM&F/Bovespa. O resultado ganhou aplausos... e foi para os anais da história dos bons projetos arquivados. Enfim com tantas batalhas a enfrentar, baixos orçamentos, pessoal desprovido de visão estratégica e barreiras de cunho biocentrista de difícil

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transposição, o naufrágio da política do clima brasileiro poderia mesmo tornar-se uma solução, e assim chegou quase a ser efetivado no governo Bolsonaro. Agora, quando os eventos extremos batem nossa porta... e o mundo é alertado para grandes processos de mudança que não respeitam o calendário juliano... precisamos reforçar nossa busca por resiliência e adaptação a partir das gestões locais, observando o microclima. Essa governança local deve se conectar em rede, com os atores interessados, nas correntes atmosféricas que condicionam os regimes de chuva, as massas de umidade e calor e os corredores ecológicos. Porém, deve focar no plano local de resiliência urbana e de segurança de insumos e alimentos para abastecer a população. As ações de prevenção, defesa civil, saneamento e controle territorial necessitam de regulação atenta ao vetor climático. Por sua vez, a gestão climática deve ter olhos postos na realidade local e na soberania nacional, razão de ser da governança de Estado. Devemos montar estruturas articuladas de governança climática em bases locais. Atentar para os regimes fundiários que afetam a população inserida no microclima. Gerar estruturas urbanas resilientes, sistemas de economia local sustentáveis, centralidades urbanas que reduzam tempo e energia do cidadão em longos deslocamentos; saneamento e segurança hídrica. É o que hoje procuramos implantar no Município de São Paulo, desde quando instituída uma secretaria executiva de clima no gabinete do Prefeito Ricardo Nunes. São Paulo não é uma cidade qualquer. É a quarta população concentrada numa cidade, inserida na quarta região metropolitana, no planeta. O que aqui se faz, reverbera para além do continente. Talvez assim, pela base, possamos corrigir as distorções que hora nos afetam, instituídas no topo do sistema de enfrentamento global que construímos.

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Referências Bibliográficas: 1- PEDRO, Antonio Fernando Pinheiro, “MUDANÇAS CLIMÁTICAS DE BIQUÍNI - O maior inimigo do IPCC - Painel Intergovernamental Para Mudanças Climáticas é a soberba ...e a tentação de se tornar ‘fashion’ ”, in Blog “The Eagle View”, visto em 12Dez2015, in http://www.theeagleview. com.br/2014/04/mudancas-climaticas-de-biquini.html 2- PEDRO, Antonio Fernando Pinheiro, “PERÍODO ANTROPOCENO ? SERIAM OS HUMANOS DEUSES OU DINOSSAUROS? - Por mais que possamos impactar a geomorfologia do planeta, ainda somos fruto das circunstâncias geológicas e climáticas e, não, protagonistas determinantes”, in Blog “TheEagleView”, visto em 12Dez.2015, in https://www. theeagleview.com.br/2013/02/periodo-antropoceno-seriam-oshumanos.html 3- PEDRO, Antonio Fernando Pinheiro, “MUDANÇAS CLIMÁTICAS: O ACORDO ‘TERMOSTATO’ DE PARIS - A ‘Diplomacia do Termostato’ do Acordo de Paris não resolve o problema crucial da mudança do clima no planeta”, in Blog “The Eagle View”, visto em 18Jun2019, in https:// www.theeagleview.com.br/2015/12/mudancas-climaticas-o-acordotermostato.html 4- PEDRO, Antonio Fernando Pinheiro, “É PRECISO MUDAR O CLIMA DA POLÍTICA DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS - Em meio ao naufrágio das negociações sobre o clima, o Brasil precisa reestruturar sua política e criar um sistema que gerencie o problema”, in Blog “Thee Eagle View”, visto em 18Jun2019, in https://www.theeagleview.com.br/2013/11/ e-preciso-mudar-o-clima-da-politica-de.html 5- PEDRO, Antonio Fernando Pinheiro, “A CRISE NO MERCADO DE CARBONO - A Crise do REDD+ não é Equatoriana, é conceitual”, in Blog

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“The Eagle View”, visto em 18Jun2019, in https://www.theeagleview.com. br/2013/09/a-crise-no-mercado-de-carbono.html 6- PEDRO, Antonio Fernando Pinheiro, “A Organização do Mercado de Créditos de Carbono no Brasil - Por um Mercado Nacional de Compensação de Emissões”, in Blog “The Eagle View”, visto em 18-jun-2019, in https://www.theeagleview.com.br/2015/05/a-organizacao-do-mercadode-creditos-de.html

Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista e consultor ambiental. Atualmente exerce o cargo pioneiro de Secretário Executivo de Mudanças Climáticas do Município de São Paulo. Sócio fundador do escritório Pinheiro Pedro Advogados. Membro do Instituto dos Advogados Brasileiros – IAB e Vice-Presidente da Associação Paulista de Imprensa - API. Foi presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB/SP, da Câmara Técnica de Legislação do CEBDS, do Comitê de Meio Ambiente da AMCHAM, consultor do governo brasileiro, do Banco Mundial, da ONU e vários outros organismos encarregados de aperfeiçoar o arcabouço legal e institucional do Estado no Brasil. Editor-Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo blog The Eagle View.

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INTRODUÇÃO Sustentabilidade. Sustentabilidade é uma palavra usada com frequência sem muita reflexão sobre seu significado. Esse conceito foi aprofundado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU liderada por Gro Brundtland em 1987 no relatório `Our Common Future´. O foco foi como manter o desenvolvimento de nossa sociedade sem esgotarmos os recursos naturais não renováveis. O relatório coloca que “A humanidade tem a capacidade de tornar o seu desenvolvimento sustentável de forma a assegurar que ele atenda às necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades´”. Mais ainda, esse relatório avança discutindo o desenvolvimento econômico e social e seus impactos no meio ambiente. Esses conceitos são os chamados ”Triple Botton Line.” A sustentabilidade só existe baseada na Gestão Ambiental, Desenvolvimento Econômico e Responsabilidade Social. As empresas são incentivadas a considerarem esses conceitos nos seus indicadores ESG, Environment, Social Responsibility and Governance. São indicadores, ainda não consolidados na data deste texto, que medem o quando uma empresa está comprometida e praticando os conceitos do Triple Botton Line. As ações de empresas bem colocadas nas escalas ESG têm um valor maior nas bolsas de valores, pois indicam que as empresas têm preocupação com o desenvolvimento sustentável e o mercado acredita que elas têm

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mais potencial de sucesso no médio e longo prazo. O relatório Brundtland - Nosso Futuro Comum, tem a ver com o fato de habitarmos o mesmo planeta e que as fronteiras entre os países não impedem que as agressões e danos ao meio ambiente se espalhem globalmente, como foi o caso do acidente nuclear de Chernobyl em 1986. Além disso as quantidades disponíveis no nosso planeta de recursos não renováveis como o petróleo, a agua potável, a terra agriculturável dentre outros, claramente indicam que se não avaliarmos de forma sistêmica a utilização desses recursos as gerações futuras terão problemas muito sérios para a manutenção de seu desenvolvimento. Tema abordado com muita clareza no trabalho publicado em 1972 pelo Clube de Roma “The Limits to Growth” onde se abordam os limites dos recursos não renováveis considerando o mundo como um todo. Na área social o relatório Brundtland ainda coloca que as desigualdades sociais tornam ainda mais difícil controlar as agressões ao meio ambiente tornando-se uma preocupação a ser tratada seriamente no desenvolvimento sustentável. Depreende-se desse relatório que não há uma condenação do desenvolvimento econômico, mas sim a recomendação de que ele seja conduzido levando em conta o conceito de desenvolvimento sustentável e da ”Triple Botton Line.” A Sustentabilidade na Construção Civil. As edificações são responsáveis por mais de 50% do consumo de energia elétrica no país segundo o Balanço Energético Nacional de 2019 sendo ainda grandes consumidores de energia em toda a sua cadeia produtiva. Muitos de seus insumos têm insumos de alta intensidade energética na sua produção e processamento, como o cimento, cerâmicas dentre outros. Ao longo da vida útil das edificações, durante seu uso, fatores como a iluminação e condicionamento de ambientes, consumo de água, geração de resíduos e saúde e conforto dos usuários são itens importantes a considerar na sustentabilidade. Não se pode desprezar inclusive os impactos indiretos da edificação como problemas ambientais na mineração de insumos, poluição com canteiros de obras inadequados, com interferências viárias gerando fluxos de transportes e até na sua desconstrução onde a disposição do

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entulho é um dos mais sérios problemas enfrentados pelas cidades. Apesar da construção civil aparentar ser o grande vilão do consumo e do desperdício de energia e impactos ambientais é onde as oportunidades de economia e uso racional dos recursos estão mais evidentes e fáceis de conseguir. Diferente dos demais ramos da indústria onde os processos são mais bem definidos e padronizados, a construção civil tem algumas particularidades: Os materiais variam muito em qualidade e composição de local para local devido ao alto custo de transporte. Em geral busca-se suprimento local para minimizar os custos com a logística e com isso fica-se sujeito à disponibilidade e qualidade dos materiais locais, A mão de obra também não tem a mesma qualificação dos demais setores da indústria em geral. Há uma prática de subcontratação disseminada nessa indústria com problemas de avaliação desses fornecedores e da qualidade dos serviços prestados Os canteiros de obras são localizados nos locais onde a edificação será realizada dificultando a otimização do layout produtivo ao contrário do que ocorre na indústria em geral. Os processos construtivos não são padronizados e apresentam grande variação de construtor para construtor. Há uma pulverização de atores no mercado de construção, desde pequenos empresários/empreiteiros que operam improvisando seus métodos de execução até grandes empresas com excelente nível de organização, levando a uma grande variação na eficiência e qualidade dos resultados da construção. A Transição para as certificações e selos ambientais. Conforme a sustentabilidade foi sendo colocada em relevância, muitas empresas começaram a se importar com ela, ou por exigência de compradores, do mercado ou dos próprios empresários. Teve início então a prática do chamado green washing. Empresas dizendo que suas edificações eram sustentáveis só porque empregavam lâmpadas fluorescentes nas suas construções ou porque tinham um bicicletário no subsolo ou tinham algumas placas de aquecimento solar na cobertura, dentre outras alegações.

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Essa prática com sua visão parcial e viesada, ora intencional ora por desconhecimento teórico, começou a desacreditar a sustentabilidade na construção. É uma visão restrita e esquece do olhar sistêmico que foi usado nos relatórios da ONU e do Clube de Roma, e prejudica a cultura de respeito ao meio ambiente por usar afirmações enganosas para vender mais os produtos relacionados sem que o resultado seja adequado. O processo da construção obedece à sequência da construção e uso. A construção depende de escolha do terreno, materiais, de um projeto, de uma execução, entrega, uso e finalmente a desconstrução. Cada uma dessas fases tem suas restrições e particularidades próprias. Uma construção sustentável deve levar em conta todo esse processo. Para contornar esse problema começaram a aparecer os selos de Green Building que são concedidos por organizações independentes. Essas organizações avaliam as edificações conforme uma norma específica, em geral denominada referencial e quando os requisitos colocados nesse referencial são atendidos a organização concede um selo de conformidade. O atendimento ao referencial poderá ser total ou parcial sendo que cada organização estabelece uma forma de diferenciar esses selos. Algumas chamam de selo platina. ouro e prata, outras diferenciam pelo número de estrelas colocado no selo ou certificado. De toda a forma o selo ou certificado é o reconhecimento externo de que aquela edificação atende aos requisitos de um dado referencial. Uma questão importante que foi relegada a segundo plano no início é a adequação do referencial utilizado como base para a avaliação da edificação à realidade do local onde a edificação se encontra. Por exemplo, valorizar a geração de eletricidade a gás natural pode ser relevante num país onde predomina a geração térmica a óleo ou carvão, mas não faz o mínimo sentido num país onde predomina a geração hidroelétrica. O mesmo raciocínio com o uso de brise soleil na face sul de edifícios esquecendo que estamos no hemisfério sul. Por isso devemos ter cuidado ao importar modelos estrangeiros sem avaliar corretamente a sua aplicabilidade ao nosso ambiente.

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Certificação de produto x Certificação de processo. Uma conceituação importante é a diferença entre certificação de produto e certificação de processo. A certificação de produto atesta que um determinado produto atende a uma determinada norma ou documento normativo. Ela em geral é feita no produto acabado testando suas características contra uma determinada norma ou documento normativo dentro de um padrão de avaliação. A certificação de um processo, que é uma sequência de atividades com uma finalidade definida, atesta que um determinado processo atende a uma determinada norma ou documento normativo de processo. Assim sendo, a certificação de produto olha o produto terminado e a certificação de processo olha as etapas para a elaboração do produto utilizando para isso de auditorias ao longo da elaboração do produto. Das certificações de Green Building, atualmente no mercado brasileiro, a única que olha o processo de produção da edificação é a CERTIFICAÇÃO AQUA que será descrita mais à frente. Isso apresenta uma grande vantagem pois, não é só olhado o produto final, mas as diversas etapas do processo construtivo permitindo ajustes quando necessário e, mais importante, verificar se o que foi construído atende ao que foi planejado. A Pesquisa acadêmica para a criação do referencial AQUA. O referencial AQUA teve seu início em 2005 a partir de uma pesquisa de Pós-doutoramento na Escola Politécnica da USP, Departamento de Engenharia de Produção. A pesquisa foi conduzida pela Profa. Dra. Ana Rocha Melhado sob orientação do Prof. Dr. José Joaquim do Amaral Ferreira com apoio da FAPESP Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A motivação decorreu da crescente preocupação do setor da construção civil com a sustentabilidade e a disseminação da prática do green washing que citamos anteriormente, além da chegada de modelos estrangeiros com referenciais inadequados à realidade brasileira. O estudo avaliou diversos modelos estrangeiros e procurou interlocução com as entidades que os aplicavam. Dentre os modelos estrangeiros

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avaliados, tivemos o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design norte americano), o modelo BREEAM, (Building Research Establishment Environmental Assesment Method inglês), o DGNB (Deutsche Gesellshaft für Nachhaltiges Bausen) e o modelo Frances da sociedade HQE. Tivemos abertura total com os franceses e, a partir daí o trabalho de doutoramento foi concluído com uma proposta ainda acadêmica de referencial. Na sequência, dentro da lógica de levar para a sociedade os resultados das pesquisas, a Fundação Carlos Alberto Vanzolini iniciou um projeto em conjunto com a Escola Politécnica da USP, Departamento de Construção Civil, para consolidar o referencial acadêmico como um produto que pudesse atender ás necessidades da classe empresarial dentro da realidade nacional. Em 2008 foi lançando o referencial AQUA para certificação de edificações não residenciais já em parceria com o CSTB França. Esse lançamento ocorreu no Brasil e na França. A certificação AQUA expandiu sua base de normas contando agora com referenciais para edifícios em construção, edifícios em operação, planejamento urbano, infraestruturas e condomínios residenciais em operação. Hoje a cooperação internacional se faz predominantemente com a França com as renomadas instituições, CSTB Centre Scientifique et Technique du Bâtiment, HQE Haute Qualité Environmentale e Association Qualitel. Construção Sustentável AQUA-HQE e ESG O que é uma construção sustentável de fato. O objetivo do HQE™ - Haute Qualité Environnementale (Alta Qualidade Ambiental – AQUA™ no Brasil) se confunde com os próprios princípios da Arquitetura: Promover a convivência harmoniosa entre as pessoas, num ambiente construído saudável, confortável e de baixo impacto ambiental. Construções saudáveis e confortáveis proporcionam para seus usuários mais qualidade de vida: no trabalho; na cultura; no esporte; no lazer; na educação; e na moradia. Além de mais harmonia com as atividades e pessoas

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do seu entorno. Tais benefícios são extrapolados para a sociedade, no aumento da produtividade individual e coletiva e numa menor recorrência aos sistemas de saúde públicos ou privados. Uma construção só pode ser caracterizada como de baixo impacto ambiental se forem reduzidos os impactos ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a extração dos recursos da terra, água e energia, necessários à produção dos materiais e sistemas construtivos, passando pelo canteiro de obras, pela operação e uso dessas construções ao longo de sua vida útil e pela desmontagem e reuso dos seus componentes. Os benefícios são muitos: • Economias de água, energia, gestão de resíduos, redução de desperdícios de materiais e insumos e maior produtividade no canteiro de obras. • Economias de sistemas construtivos, instalações e equipamentos prediais resultantes de um projeto que considere as condições sócio-econômico-ambientais do local do empreendimento a favor do melhor desempenho face ao contexto da inserção no território e do uso (programa de necessidades). • Economia de recursos públicos do pagador de impostos (toda a sociedade) pela redução das necessidades de geração e distribuição de energia e água, disposição de efluentes e gestão de resíduos de obra e de utilização da construção. • Economias diretas, para o usuário, pela redução dos consumos de água e energia; dos custos de manutenção, conservação, e gestão dos resíduos de uso; e pela adaptabilidade e durabilidade da construção. Bem como do acesso a infraestruturas e serviços no entorno do empreendimento. Bem, e como a construção pode ser ao mesmo tempo saudável, confortável e de baixo impacto ambiental? Como nasce uma construção sustentável? A construção sustentável não é uma coleção de materiais e sistemas construtivos ecológicos montados em um canteiro de obras de baixo impacto. Segundo o AQUA/HQE, antes de qualquer traço, de qualquer cálculo, é necessária uma reflexão considerando: • O programa de necessidades, incluindo os espaços e as atividades. • O contexto sócio-econômico-ambiental do território, incluindo

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ecossistemas, infraestruturas, redes, serviços, construções vizinhas e as transações dos ocupantes com o entorno e com área de influência do empreendimento - de onde vem ou para onde vão as pessoas, em busca de comércio, lazer, educação etc. • O contexto legal. • As necessidades das partes interessadas, particularmente o futuro cliente e os frequentadores do entorno, em termos de desempenho da construção pós-ocupação. • A avaliação preliminar da viabilidade técnica e econômica das soluções passivas e ativas, incluindo a análise econômica global e a disponibilidade dos recursos. • As prioridades do empreendedor, pensando no meio ambiente, na satisfação e fidelização do seu cliente e na imagem da empresa, além do valor do empreendimento e da empresa no mercado. Ao mesmo tempo, é necessário estabelecer um sistema de gestão do empreendimento que garanta o planejamento e o controle ao longo de todo o processo, até a entrega para uso. Esse sistema de gestão pode ser integrado a sistemas de gestão que o empreendedor já tenha, como qualidade ou meio ambiente, por exemplo. Ou mesmo o seu sistema de governança. Outra característica importante desse processo é a participação, desde as etapas iniciais, de todas as disciplinas de projeto, para que se encontrem as soluções ótimas que as integrem para o melhor resultado. E também é um requisito que as etapas transcorram de modo integrado. Isso garante a sinergia do processo, evitando as ilhas isoladas de disciplinas e fases, que comprometem os melhores resultados. Como se vê, a verdadeira construção sustentável utiliza os conhecimentos e as ferramentas de projeto e de gestão visando obter os objetivos de desempenho do projeto e da construção nos melhores níveis, e não somente para demonstrar que são atingidos tais desempenhos. Dessa forma, mobiliza os melhores profissionais do pensar e do fazer, desde o desenvolvimento das novas soluções de projeto e construção, dos materiais e sistemas, até as metodologias de gestão, para que contribuam para a melhor experiência do empreendedor e do cliente, aos poucos mostrando os caminhos da mudança de cultura da indústria da construção, sem alarde, na prática. A inovação e criatividade das soluções sustentáveis

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são totalmente incentivadas e permitidas, uma vez que os critérios, rigorosos, são de desempenho, e não prescritivos. E que desempenhos são esses? Vamos buscar a origem em um pouco de história. Embora as regulamentações térmicas tenham sido impostas na Europa a novos edifícios desde o primeiro choque do petróleo, foi somente no início dos anos 1990 e com o surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável que começou a reflexão sobre os impactos gerais que o edifício, e o mundo da construção de forma mais ampla, pode ter no meio ambiente. A constatação logo ficou clara: era preciso aproximar os atores para construir uma linguagem comum e uma postura proativa. Foi assim que a Associação HQE foi criada em 1996 para fornecer uma estrutura de referência, a abordagem HQE. Os fundamentos foram estabelecidos com a definição dos 14 objetivos que abrangem os desafios do desenvolvimento sustentável no setor da construção, depois transformada em critérios de desempenho para os Edifícios, publicada em 2002. Reconhecida como utilidade pública em 2004, a Associação HQE privilegia o trabalho colaborativo, garantindo uma abordagem global ao ato de construir e à partilha de práticas. É elaborado um sistema de referência de certificação, para um primeiro certificado emitido em 2005. Os sistemas de referência de certificação foram enriquecidos ao longo dos anos para constituir hoje uma referência essencial, posicionando-se a certificação HQE® entre as certificações mais utilizadas no mundo, em edifícios em construção, reforma e em operação. Desde então, o processo foi sendo aperfeiçoado, e nesse período nasceram os quatro compromissos, base do atual Quadro de Referência do HQE. Esses 4 compromissos reestruturam as 14 metas em um todo coerente com os pilares do desenvolvimento sustentável: • Pilar ambiental: respeito ao meio ambiente. • Pilar social: qualidade de vida. • Pilar econômico: desempenho econômico. • Governança: gestão responsável. Tendo-se tornado Alliance HQE-GBC em 2016 através da fusão da Association HQE com o France GBC, assume uma dimensão internacional e estabelece-se como o membro francês da rede

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global dos Green Building Councils. Após a construção e o planejamento urbano, um sistema de referência de certificação HQE é desenvolvido para infraestruturas em 2017. Hoje, a HQE-GBC France Alliance representa o lugar privilegiado de diálogo entre profissionais comprometidos, ávidos por trazer as melhores práticas. Ela está buscando ativamente seu trabalho de inovação colaborativo e voltado para o futuro em favor do design, construção - mas também da renovação de edifícios, desenvolvimento e infraestrutura sustentável, os alicerces da cidade de amanhã. (https://www.hqegbc.org/qui-sommes-nous-alliance-hqe-gbc/notrehistoire-alliance-hqe-gbc/) E no Brasil? Desde 2007, por meio de acordos de cooperação com o CSTB/Certivéa e QUALITEL/CERQUAL, a Fundação Vanzolini vem adaptando para o Brasil os referenciais de certificação HQE, sob o nome AQUA - Alta Qualidade Ambiental, mantendo a cultura de planejamento e gestão, única na certificação AQUA-HQE, e ajustando alguns critérios de desempenho para a cultura, clima, normas e regulamentações brasileiras, mantendo o nível internacional, de modo que os empreendedores recebem dois certificados, um brasileiro e outro internacional. Os marcos desse desenvolvimento foram os lançamentos dos referenciais: 2008 - Edifícios não residenciais 2010 - Edifícios residenciais 2010 - Edifícios não residenciais em operação 2011 - Bairros e loteamentos (planejamento urbano) 2014 - Empreendedor AQUA* 2015 - Instalações portuárias* 2018 - Condomínios residenciais em operação* 2019 - Infraestruturas 2022 - ESG para Empreendedores AQUA** Estes referenciais* foram lançados no Brasil, e oferecidos aos nossos

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parceiros da França, em transferência de tecnologia reversa. Este referencial** foi fundamentado na norma ISO 37000 - Governance of organizations - Guidance, além de outras normas dessa série e correlatas e dos e-books AQUA-HQE e ODS: https://vanzolini.org.br/wp-content/uploads/2022/06/e-book_AQUAHQE_ODS_.pdf e AQUA-HQE e ESG: https://vanzolini.org.br/wp-content/uploads/2022/06/e-book_AQUAHQE_ESG_.pdf Os Empreendedores AQUA e o ESG Quem são os Empreendedores AQUA? São alguns daqueles Empreendedores líderes que decidiram e assumiram o compromisso formal de obter a certificação AQUA-HQE para todos os seus empreendimentos. Para tanto, aplicam em nível corporativo o Sistema de Gestão de Empreendimentos AQUA-HQE, que se desdobra e detalha no planejamento e controle de cada empreendimento. Dessa forma, internalizam as boas práticas de reflexão, planejamento e projeto do produto e do processo de construção, gradativamente aumentando a qualificação de suas equipes e obtendo os melhores desempenhos com a máxima economia e eficiência no uso dos recursos. São um exemplo para os demais, que aos poucos se interessam e passam a seguir esse exemplo. Esses empreendedores relatam a grande contribuição do AQUA-HQE para a adoção na prática e de fato dos princípios de boas práticas ESG, bem como vários ODS, da ONU. Critérios de conforto e saúde nos ambientes construídos contribuem para a qualidade de vida das pessoas, aspecto social essencial, pois passamos a maior parte do tempo nesses ambientes (S). Critérios de canteiro de baixo impacto (E), formalidade dos contratos e qualidade de vida no trabalho (S), bem como baixos consumos de energia, água, baixas emissões, não poluição e redução e gestão de resíduos (E), além de gestão do processo de execução (G) também contribuem. Sistema de gestão com planejamento e controle de todas as etapas

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integradas, contribuem com a governança (G). Acessibilidade e qualidade da interação do edifício com seu entorno contribuem com o aspecto social (S). Materiais com baixo consumo de água e energia na fabricação, montagem, conservação e limpeza, baixa emissão de carbono, contribuem com o meio ambiente (E). E baixa emissão de compostos orgânicos voláteis, com a qualidade de vida dos usuários do edifício (S). Gestão apropriada dos resíduos de uso do edifício e manutenção e conservação dos sistemas e equipamentos prediais contribuem com o meio ambiente também (E). A escala dos materiais e sistemas construtivos. Pergunta: como escolher os melhores materiais e sistemas prediais para um determinado projeto? Na verdade, o processo é interativo, pois o desenvolvimento tecnológico oferece cada vez mais soluções com melhores desempenhos funcionais e baixos impactos ambientais, ao mesmo tempo que o mercado exige cada vez mais soluções saudáveis, confortáveis, de baixos consumos e econômicas no uso, além de duráveis. Como comparar as características ambientais, tais como consumos, durabilidade, desmontabilidade, circularidade, emissões de gases efeito estufa (GHG), entre outros, de diferentes materiais e produtos capazes de atender a mesma necessidade de aplicação? O método mais abrangente, conhecido e aplicado em todo o mundo é a Avaliação do Ciclo de Vida - ACV, que permite a elaboração da Declaração Ambiental de Produto - EPD. Aqui, utilizamos as siglas em português e inglês, respectivamente, tal como largamente adotadas no país. Um conjunto de normas ISO regulamente esse processo, e são seguidas por todos os países, para que as EPDs possam trazer resultados comparáveis. Nesse campo, a Fundação Vanzolini estabeleceu acordo de cooperação com o International EPD AB, da Suécia, o principal operador de EPDs do mundo, tornando-se o polo Brasil: EPD-Brasil. Com isso, as principais regras são traduzidas para o português, e as EPDs podem também ter uma versão em português, além do inglês, adotado no mundo todo. 0Junto com a EPD pode ser emitida uma Climate

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Declaration (declaração de clima). Todo o processo está descrito no site www.epdbrasil.com.br A escala do território. O planejamento urbano sustentável é um desafio gigantesco. Primeiro, no saber o que fazer. Pois queremos viver bem, juntos, mas como, se os conglomerados urbanos crescem mais e mais, criando distâncias e distanciamentos, entre as pessoas e para o meio ambiente? Lembrando que já em seu reinado a rainha Vitória, da Inglaterra, compreendeu o efeito benéfico na qualidade de vida e na produtividade no trabalho do acesso dos trabalhadores aos parques e à natureza.0 Segundo, no saber o como fazer, uma vez que não podemos passar uma régua e recomeçar a desenhar nossos assentamentos humanos do zero. Tomemos, por exemplo, São Paulo, que a partir de uma vila, numa bacia sedimentar a mais de 700m de altitude, cortada por córregos e rios, com suas matas ciliares, suas várzeas e suas planícies de inundação, teve essa rede transformada não em jardins, mas em vias e construções, pela retificação, canalização, construção de avenidas privilegiando o transporte automobilístico e a impermeabilização por meio das construções lindeiras, por décadas e décadas, chegando à sua atual condição. Os critérios de desempenho dos referenciais de certificação para planejamento urbano, portos e infraestruturas, acompanhados dos critérios de gestão, com foco em planejamento e controle desde as etapas iniciais do projeto, contribuem, no âmbito do seu espaço e vizinhanças, para melhorar essas condições, criando um movimento positivo visível, como é o caso recente das instalações portuárias do Super Terminais, em Manaus, região muito sensível ambiental e socialmente, recentemente certificado AQUA - Alta Qualidade Ambiental, pela Fundação Vanzolini, com os melhores desempenhos: https://www.portosenavios.com.br/noticias/portos-e-logistica/ regiao-amazonica-tera-o-primeiro-porto-sustentavel-certificadoaqua-no-brasil

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A sustentabilidade no dia a dia das pessoas. Uma sociedade, um país, o mundo, jamais serão cem por cento sustentáveis se apenas as organizações forem sustentáveis. No aspecto econômico, além da perenidade das organizações precisar incluir a exploração sustentável dos recursos da terra, há reflexos também no social, na medida em que tem sido muito lento o avanço, em escala global, na redução da desigualdade em termos de conforto e saúde das pessoas, incluindo aí moradia, saneamento, remuneração, alimentação, educação, segurança, tempo de deslocamento para realizar as atividades do dia a dia, entre outros. No tema desigualdade, há também a cultura, educação e o comportamento humano em relação aos diferentes de si próprio, que tem também um longo caminho a percorrer antes que sejamos todos mais iguais, embora diferentes. No aspecto ambiental, não só as organizações têm um importante papel a cumprir, pelo exemplo de como seus processos e produtos ou serviços se relacionam de maneira adequada com os ecossistemas onde se desenvolvem e também pela disseminação de como nós dependemos do meio ambiente. Mas também as políticas públicas de estado, conscientizando e fornecendo meios para que possamos mudar nosso comportamento de convívio com as pessoas e com nosso entorno, além de hábitos de consumo consciente. E, claro, buscando um nível global de respeito ao meio ambiente. E no aspecto social, muito é necessário. As aglomerações humanas cresceram, causando vários desafios, como: • A redução do tempo gasto em deslocamentos, que pressiona as políticas de transporte pela necessidade d0as pessoas passarem rapidamente por bairros, em detrimento do convívio, que seria a essência das comunidades - os bairros das cidades foram feitos para a convivência, não para passagem. • A universalização do saneamento e da energia para o conforto e a saúde pública. • A moradia saudável e confortável.

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• A educação universal e a disseminação da cultura • Na conscientização, na educação e no exemplo, muito, portanto, tem a contribuir as construções sustentáveis, desde a escala dos materiais, edifícios, até o território e as infraestruturas. Conclusão. Ainda há um longo caminho a ser percorrido para que a mentalidade de buscar o desenvolvimento sustentável seja predominante nas organizações e empreendedores. A busca pela sustentabilidade passa por inúmeras dificuldades. A maior delas é a existência de objetivos conflitantes entre o foco econômico, o foco social e o foco ambiental se olhados separadamente. O desenvolvimento econômico quer maximizar a eficiência reduzindo os custos e maximizando o resultado, a área social quer que todos tenham uma existência digna, mesmo que isso aumente o custo para a sociedade como um todo e os ambientalistas sem visão do sistema querem preservar o meio ambiente a qualquer custo criando o mito de uma natureza intocável. O desenvolvimento econômico, para o capitalismo selvagem o meio ambiente e a área social são entraves ao alcance de seus propósitos. Na busca de minimização de custos não se preocupa com o esgotamento dos recursos naturais, não se importa com a missão social da empresa nem assume nenhuma responsabilidade em preservar o maio ambiente. Apenas para lembrar uma resposta bastante pertinente se diz que as fontes alternativas de energia são caras é que o recurso mais caro é aquele que você precisa e não existe mais. Sem desenvolvimento social não haverá preservação do meio ambiente. Baixo nível educacional, salários insuficientes, moradia insalubres, condições precárias de trabalho, saúde ruim são incentivos destruição do meio ambiente. Mais ainda, o respeito ao meio ambiente tem de estar no pensamento de cada habitante de nosso planeta. A educação é a base dessa mudança de mentalidade. Quando as crianças repreenderem os pais por jogarem lixo no chão estaremos num bom caminho. E esse caminho também passa pelo comprometimento da alta

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administração das empresas, seja por forças de mercado, seja pela consciência ambiental dos dirigentes. Terminamos citando uma frase de um alto dirigente de uma rede francesa de material de construção quando perguntado se era mais caro fazer lojas sustentáveis. Respondeu: “não é mais caro porque não há outra alternativa”.

José Joaquim do Amaral Ferreira Engenheiro Mecânico de Produção (USP), Mestre e Doutor em Engenharia Industrial e de Produção (Stanford University e USP), Professor Sênior de Engenharia de Produção na USP, Vice-Presidente e Diretor de Certificação da Fundação Vanzolini, Conselheiro do Conselho Superior da Indústria da Construção na FIESP, Acadêmico da Academia Brasileira da Qualidade, com Experiência área de Engenharia de Produção, com ênfase em Qualidade, Meio Ambiente e Saúde. Manuel Carlos Reis Martins Engenheiro Civil (USP), Mestre e Doutor (Imperial College, London), Especialização em Construção Sustentável (CSTB e QUALITEL, Paris), Coordenador de Sustentabilidade (AQUA, PBE-Edifica e EPD Brasil) e experiência como coordenador de Sistemas de Gestão na Fundação Vanzolini, como Diretor da ABNT e Diretor da Engenharia Civil e Coordenador de Qualidade do IPT, e como Professor de pós-graduação na FIA/FEA-USP e IEE/USP, entre outras.

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Posfácio Sylvia e Claudio Moyses

Após a leitura dos capítulos escritos por diferentes autores, esperamos que a percepção sobre o tema e sobre a atuação de cada um de nós dentro do ambiente em que vivemos tenha sido ampliada. Se algo em algum capítulo o estimulou a fazer uma reflexão ou querer buscar mais informações sobre o assunto em questão, ótimo, pois foi esta nossa intenção quando da concepção deste Livro. Deixamos aqui mais alguns pontos para reflexão que entendemos como útil: será que o que chamamos de ambiente é somente a terra, as matas, as águas, os animais, a biodiversidade existente na natureza e o ar que respiramos? Lembrando do pensamento do pastor e escritor inglês John Donne do século VII “Nenhum homem é uma ilha”, será que relacionamentos fazem parte do meio em que vivemos? Sendo parte, podemos fazer mais uma reflexão: existe sustentabilidade nos relacionamentos? Se sim, o que torna um relacionamento sustentável? Esta é uma pergunta interessante pois, só citando um exemplo, ao analisarmos as estatísticas do Registro Civil de 2021, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ficamos sabemos que, de 932.500 casamentos registrados no Brasil, o número de divórcios atingiu recorde de 386.800 casos e isso somente de casamentos desfeitos registrados, sem falar nos não registrados, além das amizades desfeitas, dos relacionamentos desfeitos entre pais e filhos, brigas entre sócios, entre muitos outros relacionamentos rompidos que não fazem parte de estatísticas.

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Posfácio

Sem entrar no mérito sobre as diversas razões para o fato de haver rompimento de relacionamentos, tem lógica pensarmos que, para um relacionamento ter continuidade, é preciso que ele tenha sustentabilidade, ou seja, ações positivas da parte de cada envolvido para que os obstáculos que surgem durante o relacionamento possam ser superados ao longo do caminho. Vários fatores devem ser analisados e respeitados para esta sustentabilidade nos relacionamentos tais como: diferença de temperamentos, crenças, valores, cultura, respeito às diferenças, empatia para com o outro, confiança, etc., etc., etc. A intenção aqui não é ensinarmos ninguém e nem concluirmos o assunto, mas sim, estimular o início de uma reflexão sobre cada relacionamento para que haja sustentabilidade. Uma outra reflexão se faz necessária quando lembramos de uma das frases de Fernando Pessoa que é: “o ser humano é um cadáver adiado”. Somos só seres com data de validade sabendo que, mais dia menos dia, iremos morrer, ou iremos enterrar alguém que amamos. Qual o significado disso? Qual significado podemos dar a isso? Qual é o sentido de trabalhamos pela natureza, os bosques, as matas, tudo o que compõe a biodiversidade e os relacionamentos? Para que trabalharmos para que haja sustentabilidade se não iremos aproveitar nada disso depois que partirmos? Sem querer entrar na esfera da religião ou sobre a existência ou não de um Ser Superior, Criador, o que nos motiva a sermos pessoas melhores para com a natureza, para com outras pessoas, para mantermos nossa linha de conduta em nossos negócios e em nossos relacionamentos, se somos apenas “cadáveres adiados”? Deve haver algo que nos motive a trabalhar para a criação de um ambiente saudável onde exista empatia, boa vontade, ajuda ao próximo, respeito ao meio ambiente, respeito à diversidade, transparência nas ações e, repare, isso é tudo o que as questões ESG buscam. O que virá depois que encerrarmos nossa jornada aqui neste ambiente onde vivemos e convivemos? Precisa haver algo além, algo em que faça

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Sylvia e Claudio Moyses

sentido buscarmos ser melhores em nossas ações aqui e agora pois, do contrário, gera um vazio enorme em nossos corações Parafraseando Santo Agostinho “Existe um vazio do tamanho de Deus no ser humano” e sem a busca por este preenchimento, todo o resto fica sem importância. Façamos aqui mais uma reflexão: se nosso corpo humano é um verdadeiro ecossistema formado por diversas células, DNA de herança, um número imenso de comunidades microbianas e que o funcionamento sustentável desta maravilha depende do equilíbrio do corpo, mente e espírito, será que é válido ampliarmos nossa noção de meio ambiente e sustentabilidade para um nível mais elevado de pensamento sobre tudo o que envolve o nosso ser? E assim, caro leitor, esperamos que o conteúdo deste livro sirva de inspiração e estímulo para que você busque informações, pesquise, investigue o que for necessário para ser um agente de transformação em seu ambiente pessoal, familiar e profissional e que você possa fazer a sua parte para a sustentabilidade na natureza, sustentabilidade em suas relações com outras pessoas e, principalmente, buscar sentido para sua vida a partir de sua relação com algo maior, que podemos chamar de Deus.

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Superlivros Esta obra foi composta nas fontes Akrobat e Minion Pro pela Editora Superlivros em junho de 2023 e impressa pela Gráfica Viena. Clube dos Escritores / Superlivros Fones: (11) 3569-9194 / (11) 99684-9718 email: editora.cbe@clubedosescritores.com.br www.clubedosescritores.com.br www.superlivros.com.br

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Livro Sustentabilidade o MEIO para cuidarmos do nosso AMBIENTE by REVISTA IMMENSITÀ - Issuu