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Revista Triunfo - nº 66

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Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus

Ano XXVI

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JULHO/DEZEMBRO 2018

Curitiba-PR


RECADOS DO LEITOR

Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus

Ano XXVI

66

JULHO/DEZEMBRO 2018

Curitiba-PR

Atenção! É Com você: “E Madre Clélia Vai...” Saudações aos leitores da Revista “TRIUNFO”!

Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus - Província do Paraná Publicação Semestral Ano XXVI - n.º 66 Julho - Dezembro / 2018 Superiora Provincial – Paraná: Ir. Carmem Lourdes Cestonaro Editorial: Ir. Rosania Cole Colaboraram nesta edição Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus e amigos Revisão: Suelen Oltramari Editoração: AD9 Comunicação Impressão: Ajir Gráfica Tiragem: 6 mil exemplares Circulação dirigida. Para cópia e publicação, favor entrar em contato. Correspondência: comunic@apostolas-pr.org.br Triunfo do Coração de Jesus Av. Visconde de Guarapuava, 4747 80240-010 - Curitiba-PR Fone: (41) 3112-1400 www.apostolas-pr.org.br

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inda embalados pelos hinos de louvor e de profunda alegria que vivemos pela beatificação de nossa querida Madre Clélia Merloni, somos interpelados a nos perguntarmos: o que espera de nós a Igreja? O que deseja de nós a Bem-Aventurada Clélia Merloni? Qual é o contexto histórico deste momento em que Madre Clélia é beatificada? Que resposta eu, você, todos nós somos chamados a dar e se faz necessária hoje? A beatificação de Madre Clélia não é só uma página a mais para a história da Igreja e do Instituto, é sim uma nova missão que se abre e nos chama neste momento da história em que Deus parece descartável, desnecessário, o último a ser procurado no meio de um mundo de coisas e necessidades... O Santo Padre está a nos dizer todos os dias o que o mundo mais precisa: amor, doação, dedicação, cuidado, acolhida, solidariedade, oração, fé, entrega, serviço... Todos esses gestos dependem de ouvidos que escutem os apelos dos irmãos, de corações que se deixam tocar por esses apelos, de olhos que veem o que ouviram, de mãos que se abrem e se estendem aos necessitados e de pés que nos levem e nos permitam sair, partir, chegar até onde o coração nos pede para ir. A humanidade precisa de nós. Precisamos engrossar as fileiras dos que seguem o Coração de Jesus a exemplo de Madre Clélia. Venha você também fazer parte desta grande Família das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, como Leigo Cleliano, GFASC (Grande Família do Coração de Jesus), PJC (Pastoral Juvenil Cleliana). Você tem coração aberto para o amor gratuito? Então é de você mesmo que o mundo precisa! Venha nos conhecer. Cante conosco a canção de autoria de Ir. Ofélia de Carvalho – ASCJ: “E Madre Clélia vai, anunciando Jesus, vai através das Apóstolas e ‘Apóstolos’ que seguem seus passos. Levando vai, o Coração de Jesus! Seja onde for, nós vamos também, porque Clélia vai sempre mais além”... IR. NELI FACCIN, ASCJ


EDITORIAL

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esus bate às nossas portas, diariamente, convidando-nos a percorrer a largos passos o caminho da santidade. Com nossas forças e fragilidades, prontamente respondemos ou fazemos ouvidos de mercador, deixando para

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depois o convite que Ele nos faz. Jesus atraía multidões! Percorrendo atentamente os Evangelhos percebemos a força e o poder de seu chamado, de seu olhar, sempre envolto em amor, bondade, misericórdia e perdão. Se examinarmos com calma as passagens bíblicas com o desejo sincero de ver Jesus e deixar-se olhar por Ele compreenderemos o quão infinito é o Seu amor para conosco. Escutar e praticar a Palavra de Jesus é o caminho que nos aproxima da santidade! O jovem quer ser escutado, as famílias querem ser atendidas. As modernas tecnologias afetam diretamente as novas gerações e criam diversas formas de relações e de valores. É desafiador, mas torna-se necessário encontrar formas de evangelizar a juventude e a família por meio desses recursos. A Espiritualidade do Coração de Jesus torna-se um caminho de Santificação quando, conscientemente, consagramos a Ele nossas ações, intenções, tudo o que somos e fazemos. O rosto da misericórdia de Deus Pai se revela na Palavra, nos gestos, nas atitudes e em toda a pessoa de Jesus. Ele próprio afirma: “Ide, aprendei o que significam estas palavras: Eu quero misericórdia e não o sacrifício. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.” (Mt 9,13). A Bem-Aventurada Madre Clélia em consonância com o Evangelho viveu e demonstrou “ternura especial, compaixão inata por todas as formas de sofrimento, submetendo-se a qualquer desconforto e cansaço para supri-las, extinguindo assim, aquela sede de caridade e de zelo que ardia nela”. Nas obras de solidariedade, não conhecia limites e “identificava-se plenamente com os problemas dos outros”. Viver cada dia conscientes da presença misericordiosa e amorosa de Jesus e corresponder a esse Amor não é tarefa fácil. Contudo, alicerçados na promessa de Cristo e na força de seu Espírito, mesmo em meio a tantos desafios é possível descobrir com os olhos da fé, sua presença junto a nós. Que o Espírito Santo nos fortaleça e transforme para que possamos testemunhar Jesus no mundo de hoje, atentos ao apelo do Papa Francisco quando nos diz: “cada um de nós é chamado a viver a santidade no cotidiano, fazendo o bem, com amor e com alegria, mesmo em meio às contrariedades, aos sofrimentos, às humilhações e até às perseguições que possam cruzar nosso caminho.” (Gaudete et Exsultate).

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ESPIRITUALIDADE O olhar fascinante de Jesus toca profundamente os corações

IGREJA Evangelizando os jovens

FAMÍLIA Família - Primeira escola das virtudes

CORAÇÃO DE JESUS Coração de Jesus cheio de misericórdia

FUNDADORA Vocacionada ao amor e à caridade

BEATIFICAÇÃO Reconhecimento e gratidão.

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REFLEXÃO Ser sinal da presença de Deus

NATAL Um natal de paz para todos...

VOCACIONAL Jesus espera por você!

MENSAGEM Bem-aventura Clélia Merloni, rogai por nós

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ESPIRITUALIDADE

Querer ver Jesus e deixar-se ver por Ele Um olhar que nos atrai! O Coração de Jesus olha para mim, para você, para cada pessoa, em particular. Esse olhar é fascinante, bondoso, regenerador...toca profundamente os corações. Flávio Josefo, um historiador romano que escreveu sobre os judeus na Palestina, assim descreve Jesus: “... pelos lados da Galileia, apareceu um pregador, um profeta, um andarilho... aqueles que o veem de longe, sentem um certo constrangimento, um mal-estar, mas todos aqueles que dele se aproximam e trocam com Ele um olhar, sentem-se de tal modo envolvidos, unidos, presos a Ele que já não podem se separar.”

O que há de tão poderoso no olhar?

coração ao nos criar e presentear-nos com o dom da vida.

visão é o sentido que mais nos permite receber, além de enriquecer-nos com novos e variados conhecimentos, muitas vezes, acompanhados de experiências profundamente significativas. O olhar inclina-se para o chamativo, o valioso, o belo, o curioso, o inefável, o infinito.

O olhar do Coração de Jesus possui uma força extraordinária, um poder de atração transformador e inexplicável! O seu olhar humano-divino que nos ultrapassa, abrange a plenitude do nosso ser, mesmo no lugar em que não conseguimos enxergar ou não desejaríamos ver.

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O Evangelho nos mostra que o coração fala pelo olhar. O olhar do Coração de Jesus ultrapas-

sa todas as barreiras, limitações e pecados do ser humano e vê muito além, lá em nossa intimidade!

Busca e valoriza a mínima centelha de bem que possa existir numa vida criada à sua imagem e semelhança, mas deformada e embrutecida pelas fragilidades da natureza humana. Ele ultrapassa “o barro” que somos e, além das imperfeições e pecados, vê o desejo e a sede que temos do bem, do bom e do belo, do inefável que Deus imprimiu, com infinito amor, em nosso 4

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Assim aconteceu com Pietro Sarubbi, ator italiano que, a convite de Mel Gibson, assumiu o personagem Barrabás, no filme “A paixão de Cristo”. No seu livro “DE BARRABA A GESÚ” (De Barrabás a Jesus), narra o exato momento de sua conversão e o início da prática da fé cristã. Esse fato ocorreu ao ser libertado, quando descia as escadas do palácio de Poncio Pilatos e se deparou com o olhar profundo de


ESPIRITUALIDADE

Jesus; olhar firme, questionador, porém que refletia tanta dor e ternura com sadia inquietação! Esse olhar o tocou de tal forma, que mesmo visto, por meio de um personagem, foi tocado no íntimo a ponto de não poder resistir. Assim é o olhar de Jesus! Deixamo-nos olhar por Ele? Prestemos atenção, Ele sempre indica o caminho pelo qual devemos andar.

A força da palavra está no olhar. Jesus atraia multidões! Percorrendo o Evangelho, percebemos melhor a força e o poder de seu olhar, sempre envolto em amor, bondade, misericórdia e perdão.

“Quem me tocou...” (Mc.5,24-34) Jesus continuou olhando ao seu redor... Então, ela lhe contou toda a verdade! – “ Filha, a tua fé te curou. Vai em paz!” O olhar de Jesus continua o mesmo, hoje. Ele se compadece do sofrimento de todas as pessoas; Ele é fonte de paz. Ele atrai os corações que O buscam.

“Ela deu mais do que todos...” (Mc.12,41-44) Jesus olhou para o coração e a existência desta mulher. Assim Ele olha para nós! Quando nos deixamos olhar por Ele, sentimos que somos compreendidos, amados, agraciados. É importante perceber as ocasiões ou momentos em que Cristo me olhou profundamente e se correspondi a esse olhar. Os olhos trazem para dentro de nós coisas boas e ruins. São as janelas que nos colocam em sintonia com o mundo. “O olhar é a luz da alma” (Mt.6,22)

“ Zaqueu, desce depressa...” (Mc.10,21) Zaqueu queria ver Jesus, mas Ele o olhou primeiro, porque viu o desejo do seu coração, não só de ver, mas de

deixar-se olhar por Jesus. Profundamente tocado por esse olhar, sua vida mudou...” vou devolver quatro vezes mais...!” O olhar misericordioso com que Jesus chamou Zaqueu, neste dia, o salvou para sempre.

“Uma só coisa te falta; vai, vende o que tens... segueme!” (Mc. 10, 17-30) Jesus olhou para o jovem rico, com muito amor! Ele ouviu a resposta, porém não se deixou tocar. Optou por não segui-Lo por causa de seus bens, mas o seu coração ficou triste, ferido... O olhar de Jesus é a maior riqueza da vida! Quem se desvia dele, terá, com certeza, o coração repleto de inquietação e de amargura.

tão dispostos a acolher este olhar revelador de si mesmos que os impulsiona a assumir uma nova realidade, uma nova forma de viver, mais coerente com os valores do evangelho. Olhemos, sempre, para Jesus! Deixemo-nos olhar por Ele! Coloquemos a nossa vida sob a luz do Seu olhar que tudo ilumina e abrasa o nosso coração. Percebamos em que parte do nosso ser, da nossa vida, Ele nos toca e, acolhamos as irradiações do seu amor, da sua graça que emana dessa força poderosa do seu olhar pleno de ternura, de compreensão e de misericórdia. IR. ALZIRA RASIA, ASCJ

Poderíamos continuar meditando nos olhares de Jesus em muitas outras circunstâncias...

Olhos fixos em Jesus! Seria muito interessante e compensador percorrer, com calma, as páginas do Evangelho com o desejo sincero de ver Jesus e deixar-se olhar por Ele. Só assim compreenderíamos o quanto o Coração de Jesus nos ama com amor infinito. Muitos se deixam ver e curar por Ele. Há também, os que fogem, porque não esJULHO - DEZEMBRO / 2018

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IGREJA

Sínodo: Uma Igreja aberta para ouvir

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utubro de 2018 foi marcado por um importante acontecimento para a Igreja: a realização do Sínodo com o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. O evento foi o ponto alto de um processo de escuta e de aprendizado com as novas gerações e continuará motivando reflexão e novas formas de evangelização. Desde que foi anunciado, em 2016, os jovens foram convidados a participar ativamente do Sínodo. Foram abertos questionários voltados aos responsáveis por pastorais juvenis e aos jovens e os seus acompanhantes. Houve também o seminário que contava com a presença de especialistas e de jovens do mundo inteiro. Depois, 300 jovens de diversos países e expressões juvenis, inclusive ateus, foram convocados para uma Reunião Pré-Sinodal da qual surgiu um Documento. Todo o material produzido foi analisado e serviu de base para as reflexões e decisões da Assembleia Sinodal. Além disso, todos foram motivados a unirem-se em oração e puderam acompanhar o processo no site oficial preparado exclusivamente para a juventude. O Sínodo ouviu e contou, também, com a colaboração direta do jovem. A Igreja que, embora buscasse formas de evangelizar a juventude, nem sempre esteve atenta para entender o que esses

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jovens realmente necessitam e pedem. Dessa vez, a voz da juventude se fez ouvir, gerou discussões, reflexões, discernimento. Nas várias etapas, as discussões levaram à conclusão de que:  O jovem cristão vive em realidades bastante diferentes: jovens migrantes, jovens excluídos, jovens do campo, jovens inseridos no mundo digital, jovens sem acesso à educação, jovens trabalhadores, jovens estudantes, jovens cristãos perseguidos... Com tanta diversidade, não existe fórmula pronta, todavia, e em todos esses contextos, a pastoral juvenil requer um caráter vocacional, ou seja, que o ajude a passar da infância para a vida adulta de forma sadia e encontre o seu lugar na comunidade cristã e na sociedade.  A família é o porto seguro para a juventude. Mesmo quando não é modelo ideal, ela é a que mais influencia na formação da personalidade do jovem. Ele precisa e quer ter essa referência. Na família, também há o convívio entre as gerações e os avós são destaque por contribuírem, com sua sabedoria, na formação dos netos. A reflexão vem de encontro às conclusões do Sínodo anterior, sobre as famílias, e ressaltou a importância de assisti-las em suas dificuldades.

 Escola e paróquia são lugares de encontro e precisam estar preparados para serem ambientes de acolhida, de convívio, de crescimento humano e espiritual, além de ajudar a descobrir o que o jovem tem de melhor para colocar a serviço da humanidade e da Igreja.  Discernimento e acompanhamento andam de mãos dadas na caminhada do amadurecimento. Por isso, a Igreja, que é cada cristão, precisa de preparo e de disponibilidade para estar ao lado do jovem.  O acompanhamento vocacional não implica apenas no discernir a vocação específica, mas em decidir o próprio projeto de vida mediante à experiência do amor ilimitado de Deus que responde à sua chamada com liberdade. Inclusive os jovens noivos precisam de acompanhamento para abraçar o matrimônio com maior consciência de que esta é uma vocação.  As novas tecnologias afetam diretamente as novas gerações e criam novas formas de relações e de valores. É desafiador, mas torna-se necessário encontrar formas de evangelizar a juventude por meio desses recursos. Entender os novos conceitos, falar a “mesma língua” dos nativos digitais é fundamental para


IGREJA

ajudá-los no seu desenvolvimento integral.  Escutar é o caminho! O jovem quer ser ouvido. Ele quer ser protagonista dos processos de mudança. Muitas vezes, ele se sente desconsiderado pelos adultos a quem cabe a paciência e o acompanhamento para uma gradativa inserção nas responsabilidades e no amadurecimento de suas formas de expressão. No Sínodo, também se refletiu sobre as relações de poder que dão margem a todo tipo de abuso (econômico, sexual, de poder, de consciência) e se abriu a questão da imigração forçada, aquela que afeta o jovem e a sua família. São problemas que estão no coração do Papa há tempos e se fazem sentir pelos jovens, o que cria certo desapontamento por parte deles. Requer conversão!

Todas as reflexões e decisões sinodais têm em vista ajudar o jovem a assumir sua verdadeira vocação: a santidade! Os jovens são chamados a transformar o mundo pela santidade de suas vidas porque esta é a linguagem “que todos os homens e mulheres de todos os tempos, lugares e culturas podem compreender, porque é direta e luminosa” (Documento final 166 – Tradução livre). Como inspiração e modelo da evangelização juvenil, o documento final do Sínodo apresenta o texto do caminho de Emaús, em que Jesus, após um paciente trajeto de escuta e retomada de valores, apresenta-se no partir do pão,

ou seja, na Eucaristia, para depois sair e anunciar a experiência do encontro com o ressuscitado. Eis o modelo para evangelização da juventude: caminhar junto, escutar, orientar, partilhar a vida e o pão eucarístico na vida de comunidade. Como Igreja, inspirados por Jesus Ressuscitado que caminha conosco, assumamos todos o desafio de evangelização das juventudes para que a beleza do seguimento de Cristo continue atravessando os tempos de forma sempre nova porque “Deus é jovem”. IR. VALÉRIA ANDADE LEAL, ASCJ

A arte, o esporte, o lazer são reconhecidos como formas de evangelização do jovem. É a beleza que encanta e valoriza o que há de melhor em cada um. Entretanto, a beleza não é apenas aparência. O jovem quer conteúdo, quer sentido, quer entrar com profundidade espiritual nas celebrações de que participa, quer entender o Evangelho em sua profundidade para, assim, poder anunciá-lo com criatividade e colocar seus talentos a serviço da Palavra de Deus. JULHO - DEZEMBRO / 2018

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FAMÍLIA

A tecnologia no cotidiano das pessoas

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sociedade baseada em princípios cristãos deve ser entendida como o espaço do diálogo, do respeito à pluralidade, da fraternidade e da liberdade. Constitui-se como ambiente de encontro e de atuação política dos cidadãos, sendo também uma das esferas que caracteriza a própria natureza humana: o viver em sociedade. Em oposição a uma sociedade fragmentária de “tempos líquidos”, nos quais as relações perderam sua solidez, propõe-se uma sociedade que preze por seus valores tradicionais sem, contudo, fechar os olhos para o mundo contemporâneo que a cerca. A respeito disso, Pereira afirma: Mesmo diante das circunstâncias não favoráveis, seja por cegueira, seja por determinabilidade ou por culpa própria, o homem é convidado a olhar o seu rosto verdadeiro e único, real e divino, mesmo que esteja distorcido pelas marcas profundas da racionalidade moderna. A face humana de Jesus revela a face divina em contornos muito marcantes, apontando a partir de si o caminho ao Pai invisível, inefável e inominável. Os cristãos encontram Deus, sobretudo em Jesus Cristo. (PEREIRA, 2012. p. 25) Nesse cenário, o ser humano apresenta-se como uma possibilidade de

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esperança de profundas e rápidas mudanças; cabe a ele, também, trazer em si a perspectiva da melhoria rumo à justiça social, para que a esperança e a expectativa, outrossim, não sejam dissolvidas na liquidez da sociedade atual. “A família é, portanto, a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades têm necessidade” (GE, 1965, n. 3). Acredita-se nesse valor atribuído à instituição familiar como consta no documento Gravissimum Educations: ...é dever dos pais criar na família aquela atmosfera, de tal modo animada pelo amor e pela piedade para com Deus e para com os homens, que favoreça a completa educação pessoal e social dos filhos. A família é, portanto, a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades têm necessidade. (GE, 1965, n. 3) Sendo assim, a família compartilha com a sociedade “o dever de educar retamente” e de formar cidadãos aptos para o exercício consciente da cidadania.

Família e tecnologia O século XXI iniciou-se com vários desafios aos pensadores da contemporaneidade. Uma dessas objeções, adversidades diz respeito à conceituação da sociedade na qual o ser humano está inserido. Tradições e uma suposta solidez da era moderna esfacelaram-se naquilo que hoje denomina-se como pós-modernidade. A rigidez do passado deu lugar à fluidez e a uma sociedade na qual as fronteiras tornam-se cada vez mais borradas (BAUMAN, 2001; HARVEY, 2005). Em meio à pós-modernidade, a sociedade sofre com as recentes demandas, em um tempo sempre mais acelerado. No cotidiano das famílias existe uma batalha de gigantes entre as relações e a tecnologia, visto que as conversas se resumem num click, poucas são as interações que acontecem olho no olho, ou seja, há pouco diálogo e flexibilidade, o que marca um comportamento de tolerância zero no tempo de reflexão. O uso do computador e da Internet influenciou expressivamente as relações humanas, especialmente no que


FAMÍLIA

bros de uma família, num processo saudável, verdadeiro, coerente com os valores cristãos enraizados quando paulatinamente as relações tornam-se distantes?

se alude à comunicação. Dessa forma, qualquer outra forma de interação pode ser considerada mais natural do que aquela que acontece presencialmente. Para Knock (2001), as demais formas de comunicação, as quais abrangem aquelas mediadas pelo computador, mandam um esforço cognitivo muito maior do que aquele que seria exigido naturalmente na comunicação “cara a cara”. Nesse contexto de relações tecnológicas, a escrita formal foi perdendo seu espaço – e por que não – até mesmo sua importância para as pessoas; as frases são transformadas em palavras, expressões, abreviações, símbolos; a pontuação quase não existe e, em muitas ocasiões, o diálogo que deveria ser presencial está sendo digital dentro do mesmo espaço. Paradoxalmente, a tecnologia aproxima quem está longínquo e distancia quem está próximo.

A tecnologia tem impactado na conduta e na vida das pessoas em sociedade, pois elas passam tanto tempo conectadas aos recursos tecnológicos como smartphones, tablets e similares que perdem a capacidade de interagir socialmente fora das redes. É inegável que os recursos tecnológicos, suas inovações e avanços tornam-se, sem dúvida essenciais, porém é preciso utilizá-los com precaução. Somado a esse fator, e muitas vezes de maneira contraditória, o mesmo ser humano preso aos modelos tecnológicos inovadores, almeja a liberdade, assim como uma sociedade mais desenvolvida e avançada em muitos aspectos científicos. Por outro lado, essa mesma população, em sua maioria, preocupa-se em não perder valores éticos ou morais. A partir de todo esse cenário, volta-se a questão da relação familiar: como promover a interação entre os mem-

É preciso uma reflexão mais aprofundada a respeito do papel da família na formação das sociedades. Não se trata de haver uma adaptação do seu papel em relação aos fenômenos científico-tecnológicos, mas o reconhecimento deles como ferramentas para o acesso ao diálogo, à formação de caráter e à valorização dos preceitos morais cristãos.

A família é, de fato, a primeira escola de todo ser humano, mas a ela cabe permitir ao indivíduo o crescimento que extrapola os limites geográficos de um lar. Assim, o acesso à internet e aos meios de comunicação e interação modernos precisa ser reconhecido e conhecido por todos os membros, percebendo-os como recursos possíveis, e não únicos. É tratar de limites para valorizar mais o humano que o consumidor; o ser que o ter. Dado o exposto, a busca pelo equilíbrio entre os recursos para a comunicação e para a interação dentro da família é o primeiro passo de uma sociedade que avança para o crescimento humano em todos os aspectos, sem perder os valores norteadores de suas ações. IR. LUCIANE TAFFAREL GOMES, ASCJ JULHO - DEZEMBRO / 2018

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CORAÇÃO DE JESUS

Jesus revela o rosto misericordioso do Pai córdia, só Ele é totalmente misericordioso. Por isso, podemos dizer: Senhor, misericórdia. Em Jesus Cristo revela-se o rosto da misericórdia do Pai. Com a Sua palavra, os Seus gestos e toda a Sua pessoa, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus Pai. Mais ainda, Jesus não veio ao mundo pelos justos, mas sim pelos pecadores, como Ele mesmo disse: “Ide, aprendei o que significam estas palavras: Eu quero misericórdia e não o sacrifício. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.” (Mt 9,13) Entendemos aqui que todos somos atingidos pelo amor misericordioso de Deus à medida que abrimos nossos corações para acolher sua misericórdia.

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uando olhamos para a pessoa de Jesus, O vemos com o Coração cheio de misericórdia. A Igreja tem como missão primordial comunicar a misericórdia do Coração de Jesus a todos os homens. Entendemos que, ao falar que essa é missão da Igreja, significa dizer, também, que é missão de cada batizado que se coloca como aprendiz dessa misericórdia e, com generosidade de coração, O revela aos irmãos de caminhada. Jesus nos antecipou no amor e pede a cada um de nós uma resposta corajosa e pessoal quando nos lembra que tudo o que fizermos aos outros Ele tem como feito a si mesmo: “Todas as vezes que fizestes isto a um desses meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.” (Mt 25,40). Olhando para Cristo em sua vida, seus ensinamentos, sua morte na cruz, e na contemplação do lado aberto, encontramos um significado para nossa vida de cristãos dispostos a seguir os passos do mestre e que tem um coração desejoso de percorrer o caminho que Ele nos aponta para levar o amor misericordioso do Pai aos homens de hoje sedentos de amor, de misericórdia e de compaixão. Tornar presente o Pai como Amor e Misericórdia foi, para Jesus, o cerne de sua missão. Podemos, com certeza, afirmar que toda a sua vida foi uma eloquente demonstração da misericórdia divina para com a humanidade.

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Jesus propõe um modo de ser humano inseparável da misericórdia do Pai: “Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso” (Lc. 6,36). Ser misericordioso como Deus constitui o mais elevado convite e a mensagem mais profunda que o ser humano recebe sobre como tratar a si mesmo e aos outros. A medida que Jesus nos propõe é a mesma com a qual o Pai nos trata, ou seja, sempre com um coração misericordioso. “A misericórdia de nosso Senhor se manifesta sobretudo quando Ele se inclina sobre a miséria humana e demonstra sua compaixão, para quem necessita de compreensão, cura e perdão. Tudo em Jesus fala de misericórdia; mais ainda, Ele mesmo é a misericórdia” (Papa Francisco). Deus é a fonte e a origem da verdadeira miseri-

Quando fazemos a experiência do amor misericordioso do Pai revelado em Jesus, não podemos deixar de anunciar aos outros, anúncio que se dá não somente com palavras, mas com nosso testemunho de um coração também capaz de acolher e perdoar, um coração capaz de misericórdia. A experiência da misericórdia se dá sobretudo no perdão acolhido e doado aos irmãos. Quando tomamos consciência que o amor de Deus supera nossas fragilidades humanas e que somos acolhidos sempre que dele nos aproximamos, somos impelidos a ser para os irmãos essa extensão da misericórdia do Pai. Dessa forma, compreendemos que nossa missão consiste também em converter a tendências do espírito humano que são muitas vezes de condenação, de acusação, de vingança, de desamor. Precisamos abrir nossos corações e deixar que sejam iluminados sempre pela misericórdia,


CORAÇÃO DE JESUS

to, mas um ser ‘sensível à miséria’; um coração atento à necessidade do outro, sobretudo do frágil, do pobre, daquele que mais precisa. Um coração que é capaz de alargar os espaços e compreender a urgência do amor.

pela vontade de jamais deixar que se apague a pequena chama do amor que brilha mesmo no coração mais endurecido. É essa a misericórdia que deve prevalecer sobre qualquer forma de julgamento e que supera a simples lógica da justiça humana. Em síntese, é essa a misericórdia de Deus para conosco. É como afirma o Papa Francisco: “Deus nunca se cansa de perdoar”. O perdão precisa ser compreendido não apenas como um problema de justiça; o perdão é algo que nasce do amor; o perdão é fruto da compreensão, da misericórdia acolhida e da partilhada. Quando falamos em coração misericordioso, significa ter coração sensível. Não se trata aqui de uma sensibilidade no sentido de um simples sentimen-

A misericórdia, conforme o ensinamento de João Paulo II, é o sentimento e a atitude com os quais alguém reage diante da falta de respeito e de consideração pela dignidade da pessoa humana a quem Deus tanto ama. Só há verdadeira misericórdia quando se dá uma consciente e sincera identificação daquele que ama com a situação dramática da pessoa amada. Podemos entender aqui o cuidado e o interesse para com a pessoa humana. Nesse sentido, podemos trazer à mente a parábola do filho pródigo que, ao sentir-se necessitado dos bens exteriores, percebe também que está sendo afetado na sua interioridade. Vê que, com sua ação de esbanjar a herança, perdeu também a dignidade de filho, vivendo pior que os servos que estão na casa do pai. Caindo em si mesmo, decide-se a retomar o caminho de volta e assim vai ao encontro do amor misericordioso do Pai que espera, acolhe, perdoa e faz festa com sua chegada. (“era necessário fazer festa” – (Lc 15). Deus é um Pai que possui um amor zeloso por seus filhos e que sempre está pronto para acolher todo aquele que se decide a retomar o caminho na direção de casa. Nenhum pecado humano está fora do alcance da misericórdia de Deus. Basta que o ser humano deseje encontrá-la e ser por ela envolvido. O princípio da misericórdia experenciada e partilhada deverá iluminar e

conduzir a vida dos seguidores de Jesus, e da Igreja como comunidade misericordiosa. A misericórdia é, pois, um sentimento profundo e dinâmico, que não permite que quem o sente permaneça imóvel ou passivo diante de tanto sofrimento que existe na humanidade. A misericórdia deverá ser vista e sentida como sendo a alma da solidariedade, da promoção social, do compromisso com a justiça. A misericórdia é propriamente uma atitude permanente que se revela em qualquer situação, sempre que há fraternidade e amor. Mediante a oração, na contemplação do próprio Jesus, nosso olhar de misericórdia deve ser continuamente reavivado para poder perceber a nobreza escondida no interior de cada um, sobretudo naqueles que mais necessitam de nossa presença. Para despertar este olhar cristificado, necessitamos de uma revolução do afeto e da ternura do coração; só assim poderemos olhar a nós mesmos e as outras pessoas com o olhar carregado de misericórdia e livres de julgamentos e de preconceitos. Que possamos nos deixar envolver pelo amor misericordioso de Deus e sejamos portadores desse mesmo amor para com nossos irmãos de caminhada. IR. MARIA IRENE DO NASCIMENTO, ASCJ JULHO - DEZEMBRO / 2018

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FUNDADORA

Madre Clélia Merloni: Apóstola do Amor vite e apelo à santidade. O ideal de vida de Madre Clélia era a Santidade: “Quero ser santa”, dizia para cumprir plena e totalmente a vontade de Deus, junto com suas filhas religiosas. Nesse seu percurso, teve que passar por tempos de purificação e enfrentar provações difíceis, como profundas humilhações, dores físicas, morais e espirituais. Aceitou tudo com amor e por amor ao Sagrado Coração de Jesus, ao qual dedicara toda a sua vida.

Decreto de Beatificação

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iveu na Itália, entre os anos de 1861 e 1930, com generosa gratuidade no desapego de si mesma. Sendo criativa no amor, se abriu a muitas possibilidades e oportunidades para ajudar concretamente as pessoas necessitadas.

Em 1894 na cidade de Viareggio (Lucca-Itália), construiu uma obra de amor que se fortalece nos continentes europeu, americano, asiático e africano: o Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus. Ser apóstola do Amor é estar disposta a testemunhar o Mestre, sempre e em toda parte, com a palavra e com a vida. É chamada a viver intensamente a experiência de amor no Coração de Cristo, por meio de uma vida de união com Ele e em conformidade com Seu Evangelho.

No dia 26 de janeiro de 2018, o Papa Francisco assinou o decreto de Beatificação de Madre Clélia e a Missa da Beatificação foi marcada para 3 de novembro. Alegria e gratidão foram os sentimentos que emergiram em nossos corações e a boa notícia não parou por aí...

Corpo incorrupto No dia 23 de abril, representantes da Causa dos Santos, o Governo Geral do Instituto e Irmãs presentes na Casa Geral, em Roma, participaram da reabertura da urna mortuária de Madre Clélia. Para a surpresa dos presentes, seu corpo foi encontrado incorrupto. Esse sinal demonstrou o grande amor de Deus por Madre Clélia, pois ela foi esquecida, deixada de lado, ignorada e “apagada” da história do Instituto nos doze anos que ficou exilada, como também, depois que foi reintegrada no Instituto, esteve no anonimato.

O fato do corpo de Madre Clélia estar incorrupto, o fato de todas nós, Apóstolas, podermos ver seu real rosto nos dá a certeza de que ela é a Fundadora e, por mais que tenha sido tentado apagar seu nome e sua boa reputação na história, ela está aqui hoje a nos dizer com seu silêncio profundo “Deus só!”, “Deus só é minha força! Depositei no Sagrado Coração de Jesus toda a minha confiança e esperança, por isso Ele fez grandes coisas em mim! Esse sinal, vocês, minhas filhas, podem ver, tocar e sentir. Sou eu mesma, sua Madre Fundadora”.

Divulgando a Beatificação Ao tomarmos conhecimento da data da Beatificação, os Bispos das Dioceses onde as Irmãs realizam sua missão foram contatados para obter a licença a fim de divulgar a vida e a santidade de Madre Clélia, nas diversas Paróquias, bem como fazer o convite para a participação na Vigília (02/11) e da Missa da Beatificação transmitida de Roma (03/11). Agradecemos as Paróquias que acolheram as Irmãs e Leigos, pois o testemunho da santidade de Madre Clélia trouxe muita esperança às pessoas. Entregávamos folhetos da novena à Madre Clélia e ao Sagrado Coração de Jesus, também distribuíamos um folder com o relato do milagre ocorrido no Brasil, o qual levou à confirmação da Beatificação de nossa Madre.

Como Jesus, ela teve a coragem de morrer como o grão de trigo para gerar vida ao Instituto. Amando, agiu integralmente por um coração maior que o seu: o Sagrado Coração de Jesus, servindo e se sacrificando como Cristo.

A preparação da Beatificação de Madre Clélia Merloni, nossa Fundadora, aconteceu em meio a muita alegria. Sentimos que ela ia contagiando as Irmãs e Leigos que compartilham do Carisma da Congregação com um sentimento de esperança, de luz e de paz. Parecia que a Madre estava entre nós, de uma forma mais sensível e perceptível; algo difícil de expressar.

A vida da Bem-Aventurada Clélia Merloni foi e é um contínuo con-

Para a preparação da Beatificação de Madre Clélia aconteceram:

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FUNDADORA

desafiados para um dia de reparação como presente à Madre Clélia!

Catequeses Clelianas Uma proposta de preparação à Beatificação foi a vivência mensal de uma virtude de Madre Clélia com reflexões, testemunhos, hora santa e lectio da Palavra de Deus; todos esses subsídios estavam reunidos em um livreto intitulado “Catequese Cleliana”. As Catequeses Clelianas aconteceram nas comunidades com os diferentes grupos em que as Irmãs e os Leigos que compartilham do Carisma de Madre Clélia realizam sua missão. Em alguns momentos, as Catequeses foram regionais e agruparam assim grande número de participantes, afervorando o esperado dia da Beatificação.

Camiseta de Madre Clélia Uma camiseta comemorativa com o rosto de Madre Clélia e a frase de autoria da Madre “Levai a todos um raio da ternura do Coração de Jesus” foi confeccionada com o objetivo de divulgar esse importante acontecimento. As pessoas que participaram da divulgação da Beatificação nas Paróquias usavam a camiseta. Nas Unidades Educacionais, educandos e educadores também receberam a camiseta que pôde ser usada como parte do uniforme, principalmente nos dias: 10 de cada mês (data do nascimento 10/03/1861), dia 21 de cada mês (morte 21/11/1930) e nas sextas-feiras (dia especial do Sagrado Coração de Jesus).

“Clelia’s Day” O Dia de Clélia foi uma provocação às Unidades Educacionais: “Que presente poderíamos dar à Madre Clélia, no Ano Cleliano da Reparação no Instituto? Olhemos para a realidade no entorno e pensemos: o que Madre Clélia faria se estivesse aqui? Que situações precisamos reparar? “Os jovens foram

A partir desses questionamentos, mobilizou-se a comunidade para ações concretas em prol das famílias. Os demais grupos de jovens da PJC (Pastoral Juvenil Cleliana) de Curitiba-PR envolveram-se na campanha por arrecadar alimentos e fundos para a realização da missão na região. Foram 3 dias de missão, tendo na programação: visita às famílias, escuta, atividades para jovens e crianças, vigília eucarística, missa, teatro sobre a vida de Madre Clélia, apresentações artísticas e refeição para os participantes. Madre Clélia foi a grande homenageada e divulgada.

Vigília e Missa da Beatificação Irmãs e Leigos prepararam a Vigília para o dia 02 de novembro, até o momento da Missa transmitida diretamente de Roma, pela TV Canção Nova, às 7h, no dia 03. O convite para esses momentos especiais foi aberto ao povo em geral, no Centro de Eventos Expounimed. Quem não pôde se fazer presente na grande concentração, pôde acompanhar a Beatificação pela TV, em sua casa. Antes da Vigília, aconteceram apresentações artístico-culturais. Depois, a Vigília Eucarística adentrou a noite. Pela manhã, antecedeu a Missa transmitida pela TV, a oração de Laudes e a alvorada musical. Após a Missa, as relíquias da Bem-aventurada Clélia Merloni foram entregues a todas as pessoas que a desejaram ter para si. Bem-Aventurada Clélia Merloni, rogai por nós! IR. MARIA VILMA RAVAZZOLI, ASCJ

A Educação é Obra de Amor! MADRE CLÉLIA

Unidades Educacionais das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, na Província do Paraná.

Paraná Colégio Imaculada Conceição Santa Felicidade - Curitiba - PR Fone: (41) 3091-1400 Colégio Sagrado Coração de Jesus Água Verde - Curitiba - PR Fone: (41) 3112-9300 Escola Santa Teresinha do Menino Jesus Batel - Curitiba - PR Fone: (41) 3112-9222 Colégio Social Madre Clélia Capão Raso - Curitiba - PR Fone: (41) 3111-1500 Colégio Coração de Jesus Nova Esperança - PR Fone: (44) 3252-4994 Colégio Sagrado Coração de Jesus Ponta Grossa - PR Fone: (42) 3227-4433 Centro de Educ. Infantil Pe. Carlos Zelesny Ponta Grossa (PR) Fone: (42) 3236-3356 Escola Social Clélia Merloni Florestópolis - PR Fone: (43) 3662-1485 Escola Social Coração de Jesus Piraquara - PR Fone: (41) 3557-3402

Rio Grande do Sul Colégio Mater Amabilis Nova Araçá - RS Fone: (54) 3275-1387 Colégio Sagrado Coração de Jesus Bento Gonçalves - RS Fone: (54) 3449-1500 Escola de Educ. Inf. Lar do Bebê Pupileira Porto Alegre - RS Fone: (51) 3222-1574 Escola de Educ. Básica São Domingos Torres - RS Fone: (51) 3664-1865 Colégio Sagrado Coração de Jesus Garibaldi - RS Fone: (54) 3462-1415 JULHO - DEZEMBRO / 2018

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BEATIFICAÇÃO

Experiência afetiva-espiritual

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ma experiência espiritual é também afetiva, mas nem sempre uma experiência afetiva é espiritual. A celebração da Beatificação de Madre Clélia Merloni, nossa amada Fundadora, permitiu-me vivenciar uma profunda experiência afetiva-espiritual, contagiada pela Alegria, Reconhecimento e Gratidão tangíveis em cada pessoa que teve a oportunidade de conhecer a Jornada de Madre Clélia, e agora, participar da sua bem-aventurança. Vocacionada ao amor, Àquele Amor que se encarnou para revelar o Coração de Deus, colocado numa cruz e transpassado, tornou-se fonte de salvação e modelo da entrega livre e plena.

O Reconhecimento maior vinha da Igreja, a quem ela serviu com amor filial e obediente; no respeito e na fidelidade ao Papa, aos seus representantes e ministros do Senhor! Tal reconhecimento, porém, foi precedido pelo de suas filhas espirituais, as Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, que pouco a pouco trabalharam para recuperar e tornar conhecido o verdadeiro rosto da mulher sábia e forte na fé, que deu vida a uma família religiosa; reconhecimento à Mãe e Mestra espiritual, seja no seio de sua família ou exilada por ela. O clima de paz vivido é fruto do perdão praticado heroicamente por Clélia, agora reconhecida.

A alegria estava no rosto de cada Apóstola, de cada “familiar” e amigo de Clélia Merloni, a nova Bem-Aventurada que é apresentada como modelo de configuração a Cristo! Que alegria poder participar da vida e missão de pessoas santas!

Gratidão ao Senhor que acompanha seus escolhidos e os conduz à Sua Casa; nunca é tarde para quem ama. Gratidão ao Instituto, na pessoa de todas as Superioras Maiores que se interessaram em dar a conhecer o rosto da mãe, de Madre Hildegarda

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Campodonico à Madre Miriam Cunha Sobrinha. Gratidão a quantos que trabalharam e contribuíram na descoberta da real Clélia Merloni, Fundadora e Apóstola do Sagrado Coração de Jesus. Gratidão pela santidade vivida na coragem de dar vida a uma família religiosa dedicada ao Coração de Jesus; gratidão pela Fundadora que, como Mãe espiritual, soube amar até o fim, superar traições, calúnias, privações e abandono, amar ilimitadamente, perdoar, pois “não sabem o que fazem”, como Jesus do alto da Cruz. Gratidão por ser sua filha e poder aprender dela que é sempre possível amar servindo e servir amando, na imitação daquele que nos amou por primeiro. Desta rica experiência afetiva-espiritual nasce o apelo à santidade nos passos de Madre Clélia, dócil aos ensinamentos de Jesus vividos na alegre missão de manter vivo o Carisma, reconhecido como atual e fascinante. Sinto-me eternamente agradecida pela vocação de Apóstola do Sagrado Coração de Jesus!

IR. CARMEM LOURDES CESTONARO, ASCJ


BEATIFICAÇÃO

Mensagem - homilia da Missa de Beatificação

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Legados de santidade alegria e a gratidão a Deus ainda ecoam em nossos corações pela inesquecível festa da Beatificação de Madre Clélia.

O Cardeal Angelo Becciu, representante do Papa Francisco para a Beatificação de Madre Clélia Merloni, durante o rito presidido por ele, na manhã de sábado, 3 de novembro, na Basílica de São João de Latrão, definiu Clélia como mulher inteiramente de Deus e toda dos irmãos, sobretudo dos pequeninos, dos pobres, dos simples, dos indefesos”.

A fundadora das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, observou na homilia, o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, tinha um coração aberto a todos, especialmente aos doentes e aos sofredores. “Soube fazer próprias as necessidades dos outros, chegando a privar-se até mesmo das coisas básicas.” Demonstrou sempre “ternura especial, compaixão inata por todas as formas de sofrimento, submetendo-se a qualquer desconforto e cansaço para supri-las, extinguindo assim, aquela sede de caridade e de zelo que ardia nela”. Nas obras de solidariedade, acrescentou, não conhecia limites e “identificava-se plenamente com os problemas dos outros”. Os que viveram ao seu lado afirmavam que: “se via um necessitado e não podia ajudá-lo desfalecia por causa da compaixão que sentia”. A palavra de Deus, sublinhou ainda o Cardeal, “ajuda a compreender o coração da experiência humana e cristã

da Bem-Aventurada Clélia Merloni”, evidenciando os elementos essenciais do seu “rosto ” espiritual. “É o rosto de uma mulher, cuja existência foi marcada de forma impressionante por sofrimentos e tribulações”. De fato, “a cruz foi o selo de toda a sua vida. Mas o seu olhar, especialmente na hora da provação, estava sempre dirigido para Deus”. O Cardeal recordou também que Madre Clélia sofreu calúnias que determinaram a sua destituição do governo e até o afastamento do instituto por ela fundado. “Foi o período do seu calvário, um calvário pessoal, duro e extenuante, marcado pela solidão e pelo isolamento, pelo enfraquecimento da saúde e pelas dificuldades, ao limite do desespero”. Acrescentou que aquele foi “o momento do encontro com o seu esposo, Jesus Crucificado”. Com efeito, “é difícil não equipará-la Àquele que na cruz padeceu o abandono, o desprezo, a ignomínia, a falência, o despojamento de qualquer dignidade humana”. A Bem-Aventurada Clélia, seguindo o exemplo de Maria, ficou firme e inabalável aos pés da cruz, “não duvidou da sua fé em Deus, Naquele que nunca abandona os seus filhos em qualquer situação, sobretudo, na hora dolorosa, que muitas vezes é difícil de compreender e dura de aceitar”. Ela partilhou “a ferida do Coração de Jesus, respondendo às hostilidades e ao desprezo com a caridade”. Aliás, a religiosa costumava colocar aos pés do tabernáculo “todas as contrariedades, era o seu ponto de apoio”. Diante do coração de Jesus “reconhecia a sua vontade de reconciliação com todos, encontrando a força para perdoar quantos a perseguiam”. Mesmo tendo um caráter forte, reafirmou o purpurado, “demonstrou ter uma ternura extraordinária, esquecendo as ofensas sofridas, testemunhando deste modo a força vencedora da caridade, que não se irrita, não leva

em consideração o mal recebido, tudo perdoa, tudo suporta”. Na sua vida, a Bem-Aventurada nunca falou em detrimento de alguém, mesmo de quantos, “especialmente no seio da sua congregação se demonstravam hostis”. Abraçava os sofrimentos, “oferecendo-os ao Senhor e vendo neles as várias faces do amor de Deus por ela”. Assim, com a sua vida entregue “em oblação total”, foi a fundadora das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, “testemunhando na sua carne o Carisma do Instituto”. Um Carisma atual e fascinante: “oferecer-se total e jubilosamente ao Coração de Jesus para ser sinal vivo e credível”.

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REFLEXÃO

“Eis que estou convosco!”

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CRER NA PRESENÇA DE DEUS...

inda vivendo a jubilosa experiência da Beatificação de Madre Clélia Merloni e, inspirada em suas palavras e no exemplo de sua vida, contemplo essa verdade tão consoladora: a presença constante de Jesus no caminho, na vida, na história... especialmente daqueles e daquelas que se deixam conduzir por Seu Espírito.

Madre Clélia viveu intensamente a fé na Presença do Senhor. Mesmo nos momentos mais difíceis, como o desastre financeiro do Instituto e os longos anos de exílio, ela tinha certeza de que o Coração de Jesus não a abandonava, mas a sustentava, por isso teve tanta força e coragem para percorrer o

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caminho estreito dos Santos – o que agora foi reconhecido solenemente pela Igreja com a sua Beatificação. Diante desse luminoso testemunho de nossa Madre, é importante que cada um de nós se pergunte: e eu, como tenho vivido a fé na presença de Jesus? Acredito realmente que Jesus está comigo e não me abandona? Fiz a experiência do encontro com Ele, do Seu amor que me criou e me salvou? Mais que isso... Tenho consciência de que, pelo Batismo, sou chamada (o) a ser sinal da presença Dele e do Seu amor e misericórdia no mundo, por meio do meu testemunho de fé e vida?

VIVER NA PRESENÇA DE DEUS NOS DESAFIOS DA VIDA... As respostas a essas perguntas, se sinceras, farão toda a diferença na caminhada de vida de qualquer cristão, porque é impossível crer em Jesus, experimentar Seu amor e permanecer indiferente... o encontro com o Senhor muda a nossa vida, e Seu amor nos lança para a missão. É como Madre Clélia falava: “Quando o amor existe verdadeiramente no coração, desperta um grande desejo de ver Deus conhecido, amado e servido” (Antologia Espiritual, p.144 – Mg.I p.99).

Viver cada dia conscientes dessa Presença que corresponde a esse Amor, no entanto, não é tarefa fácil. Num mundo que nos empurra cada vez mais para o isolamento, para relações virtuais e descartáveis, para o consumismo desenfreado com a satisfação imediata de nossos desejos, para a preguiça intelectual e espiritual, para a falta de responsabilidade e de compromisso com o outro, com a vida, com o planeta... viver os valores propostos por Jesus e assumir a missão de manifestar a Sua presença e Seu amor nesse mundo é um desafio gigantesco e impossível de ser realizado, se contarmos apenas com nossas forças. Ele nos prometeu estar conosco, todos os dias, até o final dos tempos, porque sabia que sem Ele nada podemos fazer (cf. Mt 28,20 e Jo 15,5). Assim, alicerçados na promessa de Jesus e na força de Seu Espírito em nós, é possível, mesmo em meio a tantos desafios, descobrir com os olhos da fé Sua presença junto a nós e no meio da humanidade. Lá onde existe uma mão estendida para levantar os que estão caídos, vemos a presença de Jesus, Bom Samaritano da humanidade; lá onde um coração acolhedor escuta com atenção as dores e sofrimentos do próximo, está o Coração de Jesus acolhendo as lágrimas dos que choram; lá onde pessoas comprometidas com a paz lutam por um mundo mais justo e mais fraterno, manifesta-se a


REFLEXÃO

presença de Jesus, Profeta do Reino... e poderíamos citar tantos exemplos mais! Realmente, é preciso olhar para além do que a grande mídia nos apresenta todos os dias, com suas notícias desalentadoras e com as fake news que nos chegam diariamente pelas redes sociais e espalham o veneno do ódio... Se ultrapassarmos esses limites, descobriremos quanto bem é feito no escondimento, um bem que “não faz barulho”, que é sustentado pela graça de Deus e que manifesta a Sua presença e misericórdia entre os que sofrem. E como o nosso mundo está necessitado desses gestos concretos de amor que curam, promovem, resgatam, animam e salvam vidas! Estamos nós entre aqueles que descobrem e, ao mesmo tempo, revelam essa presença silenciosa, amorosa e misericordiosa do Senhor nos desafios da nossa vida e da nossa missão?

SER SINAIS DA PRESENÇA DE DEUS Ali está, justamente, o cerne da nossa vocação à Santidade, o sentido de nossa vida cristã: revelar para os outros, no lugar onde estamos e para além das fronteiras, a presença salvadora e misericordiosa de Jesus. Recordo-me agora de um conto muito simples, de cuja autoria desconheço, mas que muito nos ensina sobre o “ser sinais de Cristo”: “Em um aeroporto, uma jovem cega vendia maçãs em uma pequena banca. Certo dia, um

grupo de executivos atrasado para o embarque atropelou a banca, espalhou as maçãs pelo hall e pisoteou-as enquanto corria para não perder o voo. Um deles, ao notar o desespero da jovem vendedora diante do prejuízo que lhe causaram, parou, avisou um dos colegas que embarcaria no próximo voo e voltou para ajudar a jovem. Ele montou novamente a banca, juntou as maçãs e pagou as que haviam sido pisoteadas pelos outros executivos. Ao despedir-se da jovem vendedora, ela lhe perguntou, ainda secando as lágrimas: ‘Moço... o senhor é Jesus?’ Ele não respondeu, mas partiu para o seu destino com lágrimas nos olhos e o coração cheio de alegria por ter entendido o alcance daquele pequeno gesto de caridade para com aquela garota.” Essa história deveria nos levar a uma verdadeira reflexão: quantas vezes já fomos “confundidos” com Jesus por nossas palavras, nossos sentimentos, nossas ações? Se somos verdadeiros discípulos do Mestre, isso deveria acontecer frequentemente... Deixemos então que o Espírito Santo nos transforme a tal ponto que possamos refletir Jesus no mundo de hoje. É o que o Papa Francisco nos diz em sua última Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate: “cada um de nós é chamado a viver a santidade no cotidiano, fazendo o bem, com amor e com alegria, mesmo em meio às contrariedades, aos sofrimentos, às humilhações e até às perseguições que possam cruzar nosso caminho.” É um processo longo e doloroso, como do grão de trigo que morre para dar frutos... foi o caminho percorrido pelos santos, por Madre Clélia... mas só assim, o mundo reconhecerá – também por meio de nós – que Jesus vive e está presente em nosso meio hoje, porque Ele é o Emanuel – O Deus conosco! IR. EMILY LUCI BUCH, ASCJ JULHO - DEZEMBRO / 2018

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NATAL

Preparando o Presépio de Natal

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elebrar o Natal é renovar o mistério da nossa salvação. A comemoração deve provocar em nós a dinamização do nosso interior para a proteção e promoção da vida, onde quer que ela se encontre. Todos os personagens ligados ao Natal, se desinstalaram e se puseram a caminho para servir a Vida. O próprio Deus tomou a iniciativa de se pôr a caminho em nossa direção para nos oferecer a vida plena, a salvação. O anjo Gabriel se pôs a caminho de Maria para anunciar a Vida. Maria se pôs a caminho de Isabel para servir a Vida. José e Maria se puseram a caminho de Belém para nascer a Vida. Os anjos se puseram a caminho dos pastores para anunciar a Vida. Os pastores se puseram a caminho da gruta para adorar a Vida. A estrela se pôs a caminho dos magos para indicar o rumo da Vida. Os magos se puseram a caminho de Belém para encontrar, adorar e presentear a Vida. Que essa data celebrativa nos coloque, também, a caminho da nossa vida interior, para que possa acontecer a transformação necessária em nossos corações.

CONTEMPLANDO ALGUNS PERSONAGENS DO PRESÉPIO 1 - Gruta: simboliza o lugar do abrigo. Coloquemo-nos a caminho. Meditemos na gruta de Belém, símbolo da mãe natureza que acolhe o mistério da Encarnação. O Messias nasceu numa gruta.

Cristo é o germe da vida nova. A gruta só pode ser entendida como obra divina, proteção e abrigo de nosso ser interior. 2 - Manjedoura: Símbolo do Acolhimento, da abertura do coração, do acolhimento que oferece espaço para o Senhor. Jesus, envolto em panos e colocado na manjedoura, nos ensina a revestir-nos de simplicidade e humildade, virtudes necessárias para libertar-nos das tendências instintivas que impedem o crescimento de nossa vida interior. 3 - Maria: Sinal de Silêncio e oração. O “Sim” de Maria repercute continuamente no mundo. Maria é o templo da Nova Aliança, templo vivo que encerra, não a arca santa, mas o Filho de Deus. Ela representa a humanidade toda neste desejo de salvação. Somente a fé torna capaz de acolher na adoração, o mistério de um Deus feito homem. 4 – São José: José, presença contemplativa diante do mistério, homem justo que não quer simplesmente cumprir a lei, mas

está atento aos desígnios de Deus. Como José, que sempre foi dom para Maria e Jesus, por intermédio de sua presença contemplativa, por sua ação prudente, sejamos também nós, dom do Deus Menino para todas as pessoas que fazem parte de nossa vida e missão. 5 – Anjo: Os anjos são figuras importantes nas tradições religiosas. Sua missão é ajudar a humanidade em seu processo de aproximação de Deus. Sua existência é aceita, dando-lhes nomes variados, nomes que são descritos com características e funções diferentes. Assim ao anjo Gabriel coube a função de ser o mensageiro, o anunciador do nascimento de Jesus. 6 – Os Pastores: Simbolizam o serviço e a vigilância. Eram pessoas simples, boas, de coração aberto, por isso acolheram com prontidão a mensagem do anjo. Levavam sempre consigo o necessário para atender prontamente as ovelhas e defendê-las dos perigos, a ponto de arriscarem a própria vida. 7 – A Estrela: Simboliza a Fé. Os magos seguem a estrela e chegam de longe para adorar o Messias. Adoram porque reconhecem, isto é, acreditam na sua divindade. “Viemos adorar o Senhor!” É na adoração que se conhece a Deus. A luz da estrela simboliza a luz interior, a fé que nos move. Sigamos a estrela da inspiração interior para encontrar o presépio no coração de cada irmão ou irmã e ali adorar Jesus. 8 – Jesus: simboliza a pobreza e humildade. O Menino deitado entre as palhas, na manjedoura é um pálido símbolo do grande presente que é Jesus. No Natal, trocamos presentes e mensagens, damos e recebemos, porque queremos com esses gestos significar que Jesus é o grande dom do Pai para nós. Que a vivência do mistério do Natal aumente em nós o desejo de sermos sinais luminosos do amor de nosso Deus e Salvador: sinais de esperança para a Igreja e para o mundo. Amém! IR. IRACI BRUGNAROTO GUERRA, ASCJ

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VOCACIONAL

NOSSA VIDA, UMA VOCAÇÃO DIVINA!

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Vocação é Vida!

eus nos chama à vida plena, feliz, realizada e realizadora; esse é o projeto do Pai Criador para cada pessoa humana. “A nossa vida e a nossa presença no mundo são frutos de uma vocação divina”, destaca o Papa Francisco neste ano em que acontece o XV Sínodo dos Bispos dedicado à Juventude, Fé e Vocação. Portanto, “é preciso ESCUTAR, DISCERNIR e VIVER a Palavra que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo, nos permite fazer render nossos talentos, faz de nós instrumentos de salvação no mundo e orienta-nos à plenitude da felicidade”. Contudo, esse “chamado do Senhor não é evidente, como tantas coisas que podemos ouvir, ver ou tocar na nossa experiência diária. Deus vem de forma silenciosa e discreta, sem se impor à nossa liberdade. Assim pode acontecer que a sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração” – afirma o Papa. Prestar atenção aos detalhes, abertos às surpresas do Espírito! Para perceber a presença de Deus, é preciso “preparar-se à uma escuta profunda da sua Palavra, prestar atenção

aos seus detalhes diários e aprender a ler os sinais dos tempos com os olhos da fé, sempre abertos às surpresas do Espírito”, enfatiza o Papa: “Cada um de nós pode descobrir a própria vocação por meio do discernimento espiritual. Hoje temos grande necessidade do discernimento para superar as tentações da ideologia e do fatalismo. Todo cristão deveria desenvolver a capacidade de ler os acontecimentos da vida e de identificar o que o Senhor quer de nós, para continuar a sua missão”. JOVEM! Você sente o desejo de discernir sua vocação? Nós, Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, podemos oferecer a você encontros vocacionais, momentos de oração, conversas individuais, orientação, material para leitura e discernimento, acompanhamento personalizado, visitas à sua família, experiências junto à comunidade das Irmãs e das jovens em formação e retiro espiritual. Entre em contato conosco!

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MENSAGEM

O altar e a urna da Bem Aventurada Clélia Merloni

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Coração de Jesus no altar representa a meta – objetivo de toda a sua vida. Aquele a quem entregou sua vida, agora a acolhe no céu.

A forma do coração no alto representa a realidade divina que se une a essa espécie de triângulo que aparece por trás da urna com o corpo de Clélia e sobe como duas mãos em oração que se encontram em contemplação; como duas formas complementares que se procuram, semelhante ao dia e à noite. É o encontro da beleza e da contemplação. A cruz pousada no Coração de Cristo sobre a urna representa, na espiritualidade de Clélia, o lugar de encontro com Cristo. Nessa cruz realiza-se o encontro do coração de Clélia com o Coração de Cristo. Na cruz de Cristo ela encontra segurança, proteção e refúgio. Aos pés do coração dourado sobre a urna estão espigas de trigo, que descrevem a humildade e a oferta de Madre Clélia que se doou ao Coração de Jesus pela conversão dos pecadores e para a vida de seu Instituto. A oferta produziu muitos frutos: “Se o grão de trigo caído na terra, não morre fica só; se ele morre, produz muito fruto” (Jo 12,24). A urna está sobre um altar que na concepção bíblica é o lugar da oferta e do sacrifício; Madre Clélia é a oferenda agradável ao Senhor e ao mesmo tempo ela se faz oferta com Jesus pela salvação dos pecadores. Seu rosto é de uma mulher entre 45 e 50 anos; anos da beleza e maturidade do Carisma; um rosto em contemplação da beleza e santidade de Deus, portanto, não é mais um rosto que mostra a morte, mas a vida, a ressurreição e a transmissão do Carisma. As duas mãos: uma fechada, outra aberta; uma acolhe, a outra doa; a mão fechada acolhe Cristo, e a outra aberta sobre as Constituições nos dá o Carisma e representa a beleza da oração e a ação da caridade. Os dois pés descalços: mostram-nos que seu corpo está completo. Os pés estão em movimento e representam a vida da Apóstola que está sempre a caminho para levar a todos o Amor do Coração de Cristo. 20

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