Editorial
Caro Leitor No cenário educacional atual, em que predominam discussões sobre a qualidade da educação – educação para todos -, a educação promovida de maneira integrada pelas instituições (Família, Escola e Estado), a partir de uma relação dialogal, habilita o ser humano, enquanto cidadão e parte inerente da sociedade, a exercitar a cidadania de forma consciente. O que significa que, a pessoa, isto é, o cidadão ciente de seus direitos e deveres, está preparado e habilitado a conhecer a Constituição, com seus direitos e deveres e, ao mesmo tempo, a cumpri-los e requerê-los, sem acarretar danos ou prejuízos aos seus semelhantes. A Constituição Federal de 1988, art. 205, evidencia que a educação, além de preparar para o exercício da cidadania, qualifica também para o mundo do trabalho. A LDBEN, Título I, art. primeiro, parágrafo segundo, coaduna com essa ideia ao afirmar: “educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”. A beleza da educação, portanto, consiste em tornar o ser humano consciente de si, de seus deveres, de seus direitos, da prática social e, por fim, em vinculá-lo ao mundo do trabalho. Ressalta-se, assim, que a educação é um dos subsídios essenciais para a edificação de uma cidadania eficaz e efetiva, admitindo que os processos educativos permeiam a vida dos indivíduos, habilitando-os a fazer uma leitura crítica da realidade que defende e, ao mesmo tempo, promovendo a vida em condições dignas. O SAGRADO – Rede de Educação, concebe o ensino como arte de instruir e de mediar a construção de conhecimentos, que ocorre de maneira espontânea (a partir do conhecimento prévio) ou sistematizada, intencional e organizada (conhecimento científico), sempre mediada pelo educador. Nessa 4ª edição da Revista SAGRADO apresento como tema de Estudo: Ato de avaliar: ação inerente à vida, que aborda como a avaliação promove o desenvolvimento global da pessoa humana e estimula a aquisição do conhecimento para a construção de uma sociedade mais fraterna e humanizada. A avaliação interroga a relação entre o processo de ensino e o de aprendizagem e busca identificar os conhecimentos construídos e suas dificuldades de uma forma dialógica. “Há necessidade de se avaliar para se desenvolver qualidade e há necessidade de se avaliar e inovar a própria avaliação”. (DIAS SOBRINHO; BALZAN, 2005, p.12) Desejo uma atenta leitura! Ir. Luciane Taffarel Gomes Diretora da Central de Gestão Educacional SAGRADO – Rede de Educação
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Estudos: Ato de avaliar: ação inerente à vida ................... Educação Infantil: O despertar do futuro leitor ............... Saúde: Desenvolvendo a saúde física na Escola ............... Espiritualidade: “Valores do Coração” – uma forma Cleliana de educar para as virtudes .................................. Cidadania: “Sou pequeno, mas um grande cidadão” ....... Unidade Educacional Destaque: Colégio Sagrado Coração de Jesus em Garibaldi, a mais nova Unidade Educacional ...................................................................... Entrevista: A nova data de corte no Paraná: por quê? ..... Valores: Criando laços com a natureza ............................. Missão: Missão na Amazônia ........................................... Para Sempre Cleliano: “Alegrei-me muito por minha filha ter tido os mesmos professores” ............................... Formação Humana: Falando de bullying ......................... Filantropia: Projeto Socioeducacional Bolsa de Estudos ............................................................................. Educação Infantil: Projeto de leitura – Maleta Viajante ..... Pastoral Escolar: Pastoral Escolar e o desafio de evangelizar ........................................................................ Aprendizagem e Pesquisa: Clubes de Estudo: a aprendizagem alicerçada à pesquisa no Ensino Médio ...... Formação: Por que cursar o Ensino Médio no Sagrado? ...... Orientação Profissional: Minha Profissão: e agora? ........ Educação Ambiental: A Educação Ambiental na Unidade Educacional Escola de Educação Básica São Domingos ...... Inclusão: Educação Inclusiva – um ato de amor ............... Tecnologias: Tecnologia a favor da construção do conhecimento ...................................................................
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Central de Gestão Educacional do SAGRADO – Rede de Educação Carla Ariella de Oliveira – Gestão de Comunicação do SAGRADO – Rede de Educação Colaboração das Unidades Educacionais do SAGRADO – Rede de Educação Daiane Nara de Oliveira Giselda Pellanda Duetto Comunicação Maxigráfica 10.200 exemplares Gratuita © Ideabug | istockphoto.com
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Estudos
Ato de avaliar: ação inerente à vida
Thiago Paim Gestão Pedagógica Central de Gestão Educacional
Provas, trabalhos científicos, exercícios de fixação, portfólios, todos estes instrumentos de investigação do processo avaliativo são recursos pedagógicos comuns, associados a qualquer sistema de avaliação. Muitos pais e educadores se perguntam: qual o modelo avaliativo capaz de verificar com fidedignidade a aprendizagem de nossas crianças e educandos? Mas, e se um determinado instrumento não apresentar um resultado satisfatório, como recuperar? Neste contexto, percebe-se que são vários os questionamentos plausíveis ao abordar itens de um sistema de avaliação. Entretanto, primeiro faz-se necessário discorrer sobre a ação de avaliar no SAGRADO – Rede de Educação. Ao longo do seu desenvolvimento, o ser humano passa por um processo de amadurecimento e constantemente se autoavalia. Hoje, ao levantar da cama, quantas vezes você se avaliou? Olhou no espelho, verificou como estava seu cabelo, julgou se a roupa estava adequada, emitiu um juízo ao sentir o sabor do café da manhã. Portanto, “a avaliação está presente nos diferentes âmbitos da vida humana pela capacidade inerente ao ser humano de observar, refletir e julgar.” (SAGRADO, 2015 p. 87) Sabe-se que a avaliação deve ser praticada tendo clareza de teorias que orientam a ação pedagógica. Vários autores embasam diferentes processos e métodos de avaliação em diversas instituições de ensino espalhadas pelo mundo. Dentre tais, o SAGRADO – Rede de Educação corrobora com uma perspectiva de avaliação como ação provocativa (Cf. HOFFMANN, 2011a) e de ato amoroso (Cf. LUCKESI, 2007) que só faz sentido na vida quando há compreensão e respeito das dimensões cognitivas, psicomotoras, afetivas (Cf. BLOOM, 1956) e também espirituais do ser humano. Avaliar, então, é um processo contínuo e que exige um olhar constante e reflexivo do educador e da equipe pedagógica, pois respeita a diversidade, os direitos humanos, prioriza o diálogo, a presença, a participação e o envolvimento, acreditando no potencial de todos e na maior premissa que o ser humano é a “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26). (SAGRADO, 2015 p. 75) Para atender a esta ideia de processo e de promoção do ser humano em sua integralidade, por meio da avaliação da aprendizagem, o SAGRADO – Rede de Educação orienta
seus educadores à reflexão da finalidade do ato de avaliar, ou seja, cunho diagnóstico, formativo ou somativo. Uma avaliação de caráter diagnóstico requer a obtenção de informações prévias sobre o conhecimento, as habilidades e as competências de cada educando para a organização do processo de ensino e de aprendizagem. “Dessa forma, identificam-se os pontos fortes e as fragilidades dos educandos num determinado componente curricular com a finalidade de adequar às práticas pedagógicas.” (SAGRADO, 2015 p. 74) Já uma avaliação formativa busca a construção da aprendizagem, através do processo de ensino, respeitando a retroalimentação conforme afirma Perrenoud (1999, p. 123), a avaliação formativa tem como finalidade fundamental a função ajustadora do processo de ensino-aprendizagem para possibilitar que os meios de formação respondam as características dos alunos. Pretende-se detectar os pontos fracos da aprendizagem, mais do que determinar quais os resultados obtidos com essa aprendizagem. Outra possibilidade de avaliação é a somativa, uma expressão de resultado, geralmente entendida como nota, conceito e/ou parecer, em detrimento de um resultado alcançado pela criança e/ou educando em uma simples execução de atividade, ou seja, durante o processo de ensino e de aprendizagem. Todos estes modelos de avaliação estabelecem uma relação a fim de alcançar o proposto no artigo 24 da LDBEN, 9394/96, Parágrafo V. A verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. Assim, a avaliação apresenta-se como um instrumento de reflexão e tomada de decisão para a melhoria dos caminhos do processo de ensino e de aprendizagem e não como controle de educandos, por meio de notas e/ou conceitos. [...] Aprender bem não se restringe apenas a bons desempenhos quantitativos, mas implica em qualidade formal e qualidade política. Por isso, se a avaliação se restringir apenas à função de controle, sua finalidade ficará descaracterizada. Revista Sagrado | 2015
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Passaremos a avaliar para atribuir um resultado e o aluno passará a estudar, apenas para obter uma nota. (RABELO, 1998, p. 80) Portanto, diante da busca pela qualidade educacional frente a avaliação e na perspectiva de um ser humano integral, o SAGRADO – Rede de Educação insere no processo avaliativo a verificação constante dos conteúdos de aprendizagem (Coll, 1986) conceitual, procedimental e atitudinal. A avaliação dos conteúdos conceituais prevê a significação de fatos, dados, informações, e está restrita as capacidades cognitivas dos educandos. Neste contexto, uma aprendizagem significativa de fatos envolve sempre a associação de fatos aos conceitos que permitem transformar este conhecimento em instrumento para a concepção e interpretação das situações ou fenômenos que explicam. (ZABALA 1998, p. 202) Já para a avaliação de conteúdos procedimentais faz-se necessário uma exercitação múltipla e repetição, até que os objetos de estudo sejam assimilados. Em termos gerais, pode-se dizer que se aprendem os conteúdos procedimentais a partir de modelos especializados. A realização das ações que compõem o procedimento ou a estratégia é o ponto de partida (cf. ZABALA, 1998, p. 44). Quando se pensa em avaliação, sabe-se que a moralidade, a ética, entre outros valores são também desenvolvidos pela interação com os conteúdos conceituais e procedimentais. O SAGRADO – Rede de Educação prioriza, também, em sua prática avaliativa, a observação constante do desenvolvimento de conteúdos atitudinais. Entretanto, o problema da avaliação dos conteúdos atitudinais não está na dificuldade de expressão do conhecimento que os meninos e meninas têm, mas na dificuldade da aquisição deste conhecimento. Para poder saber de que os alunos realmente precisam e o que valorizam e, principalmente, quais são suas atitudes, é necessário que na classe e na escola surjam suficientes situações “conflitantes”, que permitam a observação do comportamento de cada um dos meninos e meninas. (ZABALA, 1998 p. 208) Portanto, para avaliar os conteúdos atitudinais, nossos educadores verificam constantemente o comportamento das crianças e educandos durante a interação em atividades e debates, por exemplo, a fim de concluir quais são as necessidades reais a serem trabalhadas, atendendo a perspectiva de educação integral. Neste contexto percebe-se então que, falar sobre avaliação é uma tarefa difícil. Difícil por ser um assunto que gera controvérsias entre alunos, professores, diretores, especialistas e outros elementos, ligados direta ou indiretamente ao processo ensino-aprendizagem; as posições geralmente são radicais: alguns defendem a avaliação como se ela significasse a resolução de todos os problemas educacionais; outros a atacam bradando “Morra a avaliação!”, desconsiderando seu importante papel de informação e orientação para a melhoria do Revista Sagrado | 2015
ensino. Difícil, também, em virtude da extensa gama de variáveis que a avaliação abarca, desde as que se referem a macroaspectos socioeconômicos e, sobretudo, políticos, até as que se relacionam a aspectos metodológicos mais específicos, ligados à definição de critérios, elaboração de instrumentos, formas de análise e interpretação de resultados. (DEPRESBITERIS, s. d.) Assim, os instrumentos de investigação do processo avaliativo são entendidos pelo SAGRADO – Rede de Educação como recursos que permitem a discussão de todo o processo avaliativo. A utilização dos mesmos permite refletir os resultados e isto faz com que os erros e as dificuldades apresentadas pelos educandos sejam levados em consideração, motivando os mesmos e seus educadores a uma ação de autoavaliação. Pode-se então considerar que ao avaliar o educando, o educador avalia sua própria prática pedagógica, reorientando-a, ou seja, como Luckesi (1995) propõe “verificar as falhas, compreender as causas e propor soluções, para mudar a situação que dificulta o êxito da ação educativa”. Por meio da autoavaliação do trabalho pedagógico, o SAGRADO – Rede de Educação busca atender o objetivo expresso na missão da Instituição: “Oferecer uma educação acadêmica, cristã que assegure a formação de cidadãos, reflexivos, autônomos, éticos, criativos, solidários e socialmente responsáveis”. Neste sentido, deposita atenção especial nas práticas pedagógicas desenvolvidas em sala e nos instrumentos de investigação do processo avaliativo utilizado por nossos educadores. Afinal, uma escola de qualidade demonstra também seriedade e comprometimento com a educação em suas variadas formas de avaliar. O SAGRADO – Rede de Educação apropria-se da Taxonomia de Bloom (1952) para a construção de seus instrumentos de investigação do processo avaliativo, ou seja, não entendemos uma avaliação com itens fracos, médios e/ou fortes. A discussão que fazemos é qual a categoria cognitiva (conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese, avaliação) do mesmo. Dessa forma, ao elaborar qualquer instrumento de investigação do processo avaliativo, além de definir a finalidade do mesmo, os educadores estabelecem critérios que são rigorosamente avaliados pelo Serviço de Orientação Pedagógica. Tais critérios, após aprovação do serviço responsável, são explicados aos educandos a fim de orientar o estudo. Afinal, se estes critérios não são obedecidos corre-se o risco de que o educando e/ ou a criança não tenha clareza do que está sendo avaliado, tornando-se, portanto uma das causas de fracasso diante do instrumento. Refletir sobre o tempo diante do instrumento é prática essencial dos nossos educadores, entende-se esse como um estimulador da discussão entre educador e educando, pois quando bem avaliado favorece a análise, a interpretação e a utilização do erro como estimulador da aprendizagem.
sa perspectiva atender integralmente nossas crianças e educandos, uma vez que o processo avaliativo é extremamente complexo e, o que se objetiva na Escola é uma aprendizagem significativa. Diante do exposto, faz-se necessário também discutir sobre a importância da relação Família-Unidade Educacional para a validação deste objetivo primordial da avaliação. Nesse sentido, educar junto à Unidade Educacional trata-se, para além de um privilégio, de um dever constitucional contraído pela família. Mesmo que não estivesse expresso em lei, é sabido que as instituições familiar e escolar devem ser corresponsáveis para que haja o desenvolvimento integral do ser humano. A princípio, porém, “os pais são os primeiros e os principais educadores dos filhos. A escola tem consciência disso”. (DRE, n. 43) (SAGRADO, 2015, p. 47) Ainda sobre o tema, Hoffmann (2013, p.44) afirma: Participar da escolarização dos filhos não é decidir os rumos da escola, assim como professores não devem delegar aos pais a função pedagógica. Pais e professores devem redefinir o papel que de fato lhes cabe na luta por uma educação de qualidade para milhares de crianças e jovens deste país. Dessa forma, em consonância com a autora supracitada, a família, estabelece com as Unidades Educacionais do SAGRADO – Rede de Educação uma relação simbiótica, porque divide com estas a missão de educar e de formar seres humanos aptos para o exercício ético da cidadania. Assim, por meio da responsabilidade assumida frente ao processo de avaliação da aprendizagem, o SAGRADO – Rede de Educação deixa claro que entende a amplitude do processo avaliativo, porque enxerga avaliação além de notas, e/ou instrumentos de investigação do processo avaliativo. Acreditamos, portanto em movimentos metacognitivos que favoreçam a aprendizagem e o desenvolvimento da autonomia, do autoconhecimento, da autopercepção. Permitindo aos nossos discentes não só compreender e/ou aplicar algum conceito, mas vir a refletir, interpretar e validar o aprendizado do mesmo em seu cotidiano – uma aprendizagem significativa.
Estudos
Ao determinar a observação destes “passos” para elaboração do instrumento de investigação do processo avaliativo, o SAGRADO – Rede de Educação zela pela qualidade e fidedignidade do mesmo, em consonância com o objetivo da Missão Institucional. Para tanto, as Equipes Pedagógicas das Unidades Educacionais que compõem a Rede, fazem uma verificação constante do desempenho das crianças e educandos frente aos instrumentos de investigação do processo avaliativo e caso necessário reorientam o educador quanto ao processo de avaliação, para a elucidação do instrumento mais adequado ao educando. Ou seja, o SAGRADO – Rede de Educação entende que devemos a todo o momento, investigar seriamente o que os alunos “ainda” não compreenderam, o que “ainda” não produziram, no que “ainda” necessitam de maior atenção e orientação denota compromisso do educador com a continuidade do processo, permite oferecer-lhes apoio na hora certa sem deixar ninguém para trás. Da mesma forma, possibilita ao grupo de professores que lidam com um mesmo aluno conhecê -lo melhor, definir estratégias conjuntas, sugerir novas leituras ou tarefas, enfim, localizar cada estudante em seu momento e trajetos percorridos alterando-se radicalmente o enfoque avaliativo e as “práticas de recuperação”. (HOFFMANN, 2013, p. 68) Outra constante dúvida de educadores, pais, responsáveis legais e comunidade educativa em geral, diz respeito a como recuperar a aprendizagem de objetos de estudo que não foram bem assimilados. Qual seria o caminho para melhor atender a necessidade de nossas crianças e educandos? Compreende-se que durante um processo avaliativo, podemos constatar habilidades em defasagem diante de resultados insatisfatórios em diferentes instrumentos de investigação do processo avaliativo. Neste caso, atendendo as exigências legais (Lei 9394/96, artigo 24), o SAGRADO – Rede de Educação oportuniza aos seus educandos Recuperações de Estudo “que visam atender ao ritmo de aprendizagem de cada um, uma vez que possuem experiências singulares e a assimilação do conhecimento acontece em tempos diferenciados”. (SAGRADO 2015, p. 84) Como um instrumento de investigação do processo avaliativo é também um meio para constatação de uma possível defasagem no processo de ensino e de aprendizagem, ressalta-se que as recuperações na Rede, acontecem paralelamente ao processo de ensino e de aprendizagem, por meio de intervenções do educador, observações, entre outros encaminhamentos e não somente após e execução de uma atividade proposta durante as aulas e/ou no contra turno. Ao final de cada trimestre, o SAGRADO – Rede de Educação também oportuniza uma Recuperação Trimestral aos seus educandos, de forma a rever aspectos quantitativos e qualitativos do processo avaliativo. Mas não há fórmula mágica. Busca-se dentro des-
Referências BLOOM, B. S. et al. Taxonomy of educational objectives. New York: David Mckay, 1956. 262 p. (v. 1) DEPRESBITERIS, Lea. Avaliação da aprendizagem do ponto de vista técnico-científico, e filosófico político. s.l. s.d. HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do caminho. 14 ed. Porto Alegre: Mediação, 2011a. _____. Avaliar: respeitar primeiro, educar depois. 4. ed. Porto Alegre: Mediação, 2013. _____. O jogo contrário em avaliação. 7. ed. Porto Alegre: Mediação, 2011d. LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: um ato amoroso. 2007. Disponível em <http://pt.shvoong.com/humanities/505724-avalia%C3%A7%C3%A3o-da-aprendizagem -escolar-um/>. Acesso em 29 jun. 2015. PERRENOUD, Phillippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1999. RABELO, E. H. Avaliação: novos tempos, novas práticas. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998. SAGRADO, Rede de Educação. Proposta Pedagógica – Volume Institucional. Curitiba, 2015. ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.
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O Despertar do Futuro Leitor
Rose Mary Arakaki Severo Serviço de Comunicação Escola de Educação Infantil “Lar do Bebê – Pupileira” Porto Alegre – RS
A Unidade de Educação Infantil “Lar do Bebê Pupileira” atende a uma faixa etária entre os quatro meses até os seis anos de idade. O pleno desenvolvimento destes pequenos é o objetivo primordial da Equipe Pedagógica, que conta com o apoio dos serviços afins. Engajados em oferecer uma educação de qualidade e, alicerçados na Pedagogia Cleliana, tem como meta a promoção do educando dentro dos princípios humanistas e cristãos. O atendimento a essa clientela específica, cujas famílias entregam diariamente seus pequenos tesouros, e onde alguns ainda sequer conseguem pronunciar alguma palavra, faz recair sobre a escola uma imensa responsabilidade. Atender às necessidades dos que a ela recorrem e estabelecer ações significativas tornase um desafio diário. Nessa busca incessante de zelar por aprimoramento, colocou-se em prática o trabalho orientado por projetos de aprendizagem. Assim, todo incentivo e acompanhamento são dados aos projetos desenvolvidos pelos educadores. Tendo como eixo norteador a contação de histórias, o Projeto da Literatura Infantil desperta a atenção das crianças. Tornou-se então, importantíssima ferramenta para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social dos mesmos. No Infantil I, a tenra idade faz com que vejam o espaço da sala de aula como algo muito diferente. Os horários definidos para as atividades, a convivência com outras crianças e seguir uma rotina causa certa retração, o que é absolutamente natural. Situação esta que demanda tempo, que, pedagogicamente, é chamado de adaptação. Nessa fase, tem início a transmissão dos contos de fadas, com a finalidade da socialização. As histórias contadas e dramatizadas servem de apoio. Uma das preferidas do grupo é a dos Três Porquinhos. O cenário planejado e ao alcance da mão permite a interação. São incentivados a soprar a casa de palha, a casa de madeira e, ao imitar o sopro do lobo mau, gesto este que repetem várias vezes, são transformados de simples ouvintes para coadjuvantes do enredo. Para experimentar novas sensações e aguçar a curiosidade, são levados a deslizar as mãozinhas nas gravuras, nas cores, desenhos e nas texturas do livro que se oferece ao manuseio, tornando-se, assim, um exercício irresistíRevista Sagrado | 2015
Infantil I – O cenário favorece o reconhecimento e compreensão dos contos de fadas.
vel. As histórias cumprem, nessa fase, o papel de inserir o educando em uma nova realidade. A cada atividade há novas experiências, e com elas, a segurança de poder expressar em plenitude as sensações. Em outra etapa, o infantil II, por intermédio da coleção “O Mundinho” da autora Ingrid Bellinghausen, está tendo a oportunidade de conhecer um pouco mais da composição do mundo que os rodeia. As educadoras realizam a leitura e, apoiadas pelas ilustrações do livro, nomeiam e apresentam os objetos e as coisas que compõem o universo. Na narrativa, a atenção foi direcionada para o planeta Terra, a casa de todos, que necessita de muitos cuidados, uma vez que nem sempre as pessoas colaboram para que ela seja saudável. Alertados pelas notícias apresentadas na roda de leitura, os pequenos ouvintes foram convocados a cuidar dela. Tendo em mãos muitas fotos de revistas e jornais, eles conheceram a realidade. Entristeceram-se com as fotos de lixos jogados nos rios, da mortandade dos peixes e do desmatamento. Os olhos brilharam ao ver as imagens das matas preservadas, animais no seu espaço natural e os cuidados tornando os lugares mais bonitos. A partir da noção adquirida, a proposta foi elaborar dois cartazes:
o das boas e o das más atitudes com o planeta. A cada apresentação de imagem o questionamento era feito: esta atitude é boa ou má com o planeta? E, depois de classificadas, foram coladas. Receberam também a explicação de que as boas atitudes são necessárias no convívio diário, de pessoa para pessoa. Após um tempo para pensar sobre comportamento atitudinal começaram a surgir respostas e alguém disse: cumprimentar os colegas, pedir desculpas, saber ouvir os colegas e a educadora. Para estabelecer a norma de convivência, criada por eles, tudo foi registrado em um cartaz e lido para que todos estivessem cientes. De comum acordo, comprometeram-se a zelar pela sala e, por conseguinte, do nosso planeta. Nesse grupo, a literatura está impregnando seus pequenos da consciência social e ambiental, lembrando que das pequenas atitudes depende a saúde do planeta e o bem estar de todos. Falar dos sentimentos, aprender a expor as sensações reveladas no cotidiano é o objetivo do Infantil III no projeto. Para que a experiência seja segura ela está ocorrendo gradualmente: a cada momento de atividade, algumas das facetas emocionais tais como alegria,
Infantil III – Expressar e partilhar sentimentos por meio de dinâmicas e brincadeiras.
amor, saudades e ansiedade estão sendo trabalhadas e guiadas pela coleção “Sentimentos”, do autor Fábio Gonçalves Ferreira. Com muita disposição, e na condição de mediadoras, as educadoras oferecem espaço para que os educandos possam falar do que sentem e se reconheçam como sujeitos dotados de sentimentos. Para dar leveza e, ao mesmo tempo, alcançar a profundidade necessária, entrou em cena um amigo batizado pela turma como “Gato Feliz”, protagonista de todas as histórias que, criado em aula, tornou-se aquele com o qual expressam por meio de brincadeiras e dinâmicas as suas emoções. Com as descobertas aflorando, as crianças são levadas a compartilhar o aprendizado em suas casas. Assim, foi preparada a sacola viajante, que faz com que as crianças tenham a oportunidade de, no seio familiar, trocar informações do conhecimento adquirido no livro e nas atividades acerca dos sentimentos, fundamentando, assim, nos coraçãozinhos, que a busca por
Infantil III - Apresentação da sacola viajante para a turma.
felicidade é um direito fundamental. O resultado dessa experiência e da troca de informações será em forma de relato dos pais, registrado em fotos e desenhos para a elaboração de um portfólio coletivo sobre os sentimentos experimentados por eles. A história do Batalhão das Letras, de Mário Quintana foi o impulso necessário para que as crianças do Infantil IV fossem introduzidas no processo da alfabetização para, em seguida, serem apresentadas ao livro “Maricota e o Mundo das Letras”, do autor Frei Betto. O desvendamento do mundo encantado das palavras gerou nos educandos o desejo de fazer descobertas escritas. O livro, habilmente manuseado pelas educadoras, tornou a personagem familiar na sala de aula. Sendo parte integrante da turma, a personagem ganhou vida e convive diariamente com o progresso alcançado por eles. Desta maneira, na ocasião do reconhecimento do grupo das vogais, todo alfabeto foi oferecido e a tarefa Revista Sagrado | 2015
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proposta era agrupar somente as vogais na ordem indicada. Após muito esforço, e atenta observação, as fileiras de “a”, “e”, “i”, “o”’, “u” começaram a surgir. A alegria tomava conta de cada um, compartilhada por todos. Fizeram também uma significativa descoberta que elas, “as vogais”, necessitam dar as mãos para outras colegas, “as consoantes” e, assim, construir infinitas palavras. Para estimular ainda mais a imaginação e promover a criatividade, construíram a “Caixa da Maricota” coletivamente e, dentro dela, todo o alfabeto. A cada aula, a educadora sorteia uma letra. Após o reconhecimento e a sonorização da mesma, tem início a construção de uma história coletiva. Quando da letra M, produziram uma história em que a personagem arrumava sua mala para uma viagem. A pretensão ao término do reconhecimento de todo o alfabeto será a elaboração de um livro com as histórias produzidas por eles, contando o progresso alcançado no caminho da leitura. Em fase de aprimoramento da leitura e da escrita, o infantil V continua a sua caminhada por meio da Coleção Armando, da autora Mônica Guttmann. No primeiro livro, Armando e as Letras, estas são apresentadas de maneira atrativa e, a cada letra, o repertório é ampliado com a leitura das imagens, verbalização da nomenclatura e associação do fonema apresentado. O alfabeto construído pela turma a partir do livro, disposto em placas coloridas pela sala é observado continuamente, favorecendo, então, a memorização dos traços
Infantil V – O manuseio do alfabeto em placas coloridas favorece a memorização dos traços para a prática da escrita.
para a prática da escrita. Aos educandos que já escrevem com letra em caixa alta tem a disposição a forma cursiva, que estimula a zona de desenvolvimento proximal. A tentativa de leitura e escrita através do alfabeto explorado permite a eles novas hipóteses de escrita. Desta forma, a oralidade e a escrita se complementam, impulsionando a valiosa descoberta: “Eu já sei ler!”, mesmo que na realidade esteja ocorrendo a leitura da figura, que antecede a leitura convencional, uma vez que “as propriedades do
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Infantil IV – Após muita observação as vogais foram identificadas e agrupadas.
texto fornecem indicadores que permitem sustentar a antecipação feita a partir da imagem”. (FERREIRO e TEBEROSKY, 1999, p. 73) A partir dos fonemas explorados no alfabeto, os educandos se arriscarão, com a mediação da educadora, a confeccionar o convite para a festa do Armando. Nessa comemoração, o personagem principal ganhará forma e vida. Na oportunidade, após as apresentações, ocorrerá uma roda de conversa quando o Armando e as crianças do infantil V, trocarão informações sobre como estão vivenciando o processo de aprendizagem da leitura e da escrita. É nítido que o projeto de Literatura Infantil, em pleno andamento, abrange todos os níveis, de diversificadas maneiras está oportunizando as crianças entrar em contato com o código escrito. Por intermédio deles estão sendo estimulados a desenvolver a criatividade, despertar sentimentos, sensações e, primordialmente, cultivar valores que os diferenciarão enquanto cidadãos do mundo.
Referências BELLINGHAUSEN, Ingrid Biesemeyer. O mundinho. 3. ed. São Paulo: DCL, 2009. FERREIRA, Fábio Gonçalves. Coleção Sentimentos. 1. ed. Belo Horizonte: Cedic, 2012. FERREIRO, E. & TEBEROSKY, A. A Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre, RS: Artes Médicas, 1999. FREI BETTO. Maricota e o mundo das letras. São Paulo: Publicações Mercuryo Novo Tempo, 2009. GUTTMANN, Mônica. São Paulo, 2011. (Coleção Armando) QUINTANA, Mário. O batalhão das letras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.
Saúde
Desenvolvendo a Saúde Física na Escola
Declei Carmen Padova Educadora Colégio Mater Amabilis Nova Araçá – RS
Durante muito tempo, na sociedade ocidental, a divisão do homem em corpo e mente foi algo comum. Estudiosos afirmavam que o corpo devia subordinar-se à mente, uma vez que esta era o centro da inteligência, tornando, sob esta ótica, a experiência menos importante que a razão. Mais tarde, na contramão dessas ideias, surgiram pensadores como Espinosa, para citar um exemplo, que apontam a íntima relação e a indissociabilidade corpo e mente, evidenciando que a experiência é fator extremamente importante para que o homem se construa como um todo. “A inovação da filosofia espinosista consiste em romper com a ideia cartesiana da alma como uma substância dotada de um conjunto de funções ou faculdades autônomas como a imaginação, a memória, o pensamento, sentimento e a vontade, mas apreendê-la como o próprio conhecimento.” (GOMES; MELLO, 2010, p. 682) Assim, sabe-se, hoje, que é necessário compreender o corpo como totalidade, concebendo o sujeito como um ser biológico, cognitivo, histórico e cultural, compreendendo sua forma de lidar com este corpo, e que este cuidado é também uma construção que resulta de processos históricos e que está condicionada a fatores sociais e culturais. Os Parâmetros Curriculares Nacionais, cientes da importância de cuidar da saúde do corpo, introduziram o tema “saúde” com destaque na escola, objetivando tornar o cidadão apto a “conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação a sua saúde e à saúde coletiva” (PCNs, 1997, p. 8), tendo em vista que a saúde é construção permanente e não mera ausência de doença. Na escola, a Educação Física é vista como a disciplina que ajuda a construir a saúde do corpo, pois trabalha “os conhecimentos sobre o corpo, seu processo de crescimento e desenvolvimento [...], construídos concomitantemente com o desenvolvimento de práticas corporais [...], e dão subsídios para o cultivo de bons hábitos de alimentação, higiene e atividades corporais” (PCNs, 1997, p. 29-30). A Educação Física mostra que o conhecimento sobre o corpo, e vivido no corpo, possibilita compreen-
der a importância de manter a saúde física, pois é o corpo que oportuniza à pessoa estar no mundo, construir significados, ocupar espaços, comunicar-se e interagir com o outro e com o ambiente. E esta compreensão é tão importante que Guedes destaca: “A principal meta dos programas de educação para a saúde através da educação física escolar é proporcionar fundamentação teórica e prática que possa levar os educandos a incorporarem conhecimentos, de tal forma que os credencie a praticar atividade física relacionada à saúde não apenas durante a infância e a adolescência, mas também, futuramente na idade adulta.” (GUEDES, 1999, p. 13) Despertar para a importância da saúde física é dever da escola, através de seu currículo de Educação Física. Tomando por base a afirmativa de Guedes, é necessário encorajar o educando a adotar um estilo de vida ativo, habilitando-o a praticar exercícios físicos e esportes com o conhecimento de sua importância para a saúde, incentivando-o a construir um estilo de vida ativo que beneficiará não só a ele, mas à sociedade onde se insere. Referências GUEDES, Dartagnan Pinto. Educação para a Saúde Mediante Programas de Educação Física Escolar. Revista Motriz – Volume 5, Número 1, Junho/1999. GOMES, Cláudia Aparecida Valderramas. MELLO, Suely Amaral. Educação Escolar e Constituição do Afetivo: algumas considerações a partir da Psicologia Histórico-Cultural. PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 28, n. 2, 677-694, jul./dez. 2010 PARÂMETROS CURRTICULARES NACIONAIS. Educação Física. Volume 7. Brasília: MEC/SEF, 1997. _______. Meio Ambiente e Saúde. Volume 9. Brasília: MEC/SEF, 1997.
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Espiritualidade
“Valores do Coração” ‒
uma forma Cleliana de Educar para as Virtudes Ir. Lucilene Chiciuc Pastoral Escolar Colégio Imaculada Conceição Curitiba – PR
Entendida como processo, a educação é um contínuo estar a caminho, e assim se instala a reflexão entre o que já se sabe e o que está por vir. Em educação, não pode haver lugar para a conclusão, para a última palavra. O processo educativo deve ser permanente. Educação é movimento através do qual nos reconhecemos abertos, inacabados e nos projetamos ao sempre mais. “Transformar cada ponto de chegada em ponto de partida.” (LIBERATORE, 1983) O ato de educar requer que o educando aprenda a desenvolver suas capacidades cognitivas, afetivas, psíquicas e sociais. Exige um constante exercício de expressar seus pensamentos, sentimentos para que assim esteja apto para enfrentar as situações da vida. “Não se trata de ensiná-las a suportar as dificuldades, mas de exercitá-la para senti-las.” (ROUSSEAU, 2004, p. 16). Esse processo favorece uma prática pedagógica integral e significativa, tornando o educando capaz de pronunciar-se. O projeto educativo da escola católica é o anúncio explícito da pessoa de Jesus Cristo, a compreensão e aquisição dos valores por Ele anunciados e vividos. Numa sociedade marcada pelo individualismo, materialismo e de relações líquidas, uma vida pautada em valores é um alicerce para relações afetivas e humanizadoras. “Não basta desejar as virtudes, é preciso que te esforce para praticá-las.” (Clélia Merloni). Nos Evangelhos, recordamos várias passagens em que Jesus utiliza-se de imagens como forma pedagógica para falar de um valor e tornar “visível o invisível”. “Ensinava-lhes muitas coisas em parábolas.” (Mc 4,2) Na sociedade contemporânea, a imagem possui um grande poder de estímulo dando origem a atitudes e comportamentos. Estamos cada vez mais aparelhados com iPhones, tablets, notebooks, cuja marca principal é de uma vida virtual e não real. O SAGRADO – Rede de Educação pauta seu Perfil Institucional nos seguintes valores: o Evangelho, a Espiritualidade do Coração de Jesus, a Pedagogia Cleliana e o Ser Presença. Desenvolve, em suas Unidades Educacionais, o Projeto VALORES DO CORAÇÃO que tem como cerne a espiritualidade e a devoção ao Sagrado Coração
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de Jesus, utilizando-se da Pedagogia das Imagens expressas nos seus respectivos símbolos, pensamentos e valores espirituais que a Fundadora Clélia Merloni nos deixou como herança espiritual. Mensalmente uma virtude é proposta por meio de uma imagem, para que seja vivenciada no ambiente Educacional pelos educandos, educadores e suas famílias. A Pastoral Escolar, no momento de Espiritualidade que a Unidade Educacional realiza diariamente, faz a abertura do mês explicando a virtude que será refletida e vivenciada. A virtude proposta perpassa toda ação pastoral, é retomada nos momentos de celebração eucarística, na adoração ao Santíssimo Sacramento, na relação educador e educando, na formação mensal e nas reuniões pedagógicas com educadores e serviços. Os educandos participam do projeto confeccionando cartazes, símbolos, murais, colaboram com mensagens referentes à virtude para que sejam refletidas na espiritualização, envolvem a família na construção de símbolos, textos, desenhos, entre outras ações. Dessa forma, a virtude torna-se um meio para orientar a vida espiritual daqueles que desejam percorrer os caminhos que Clélia nos indica para a santidade diária. Assim, a Comunidade Educacional se empenha em tornar-se mais parecida com o Sagrado Coração de Jesus, em seus sentimentos e atitudes a exemplo de nossa querida Fundadora Clélia Merloni.
Referências Cadernos de Espiritualidade das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus. A Pedagogia das Imagens. n. 6, p. 17- 44. Caminhando à luz dos ensinamentos de Madre Clélia. Curitiba, 2011. FARIAS. Pierpaula de. Clélia Merloni Mãe e Mestra. Tese de Doutorado. São Paulo. 1990. Volume I. LIBERATORE, Pascuale. ( CEASCJ, n. 3, 1983, p. 29) ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou da Educação. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995. SAGRADA Congregação para a Educação Católica. A Escola Católica. Março de 1977.
Chave: “Lembra-te que a chave com a qual se abrem os tesouros espirituais é pensar nos outros mais que em si mesmo; com esta mesma chave se fecha a porta ao egoísmo e da aridez da mente, quando existem por nossa culpa; porque não vêm de Deus, unem-se com os outros tesouros do coração.” (Madre Clélia)
Chave da Confiança em Jesus: “Hoje Jesus me fez sentir uma ilimitada confiança no seu Divino Coração, e eu fico muito feliz, sabendo que a confiança é a chave que abre os tesouros de sua infinita misericórdia. Abandone-se, portanto, com toda confiança em Jesus. (Madre Clélia)
Boas sementes: “Esteja atento para que os ventos das contrariedades e preocupações não dispersem as boas sementes que Jesus semeou no teu coração. Esforça-te e trabalha para que germinem no teu coração as boas sementes.” (Madre Clélia)
Árvore e Frutos: “Pelos frutos se conhece a árvore. Sê prudente com as suas amizades e cuida dos teus relacionamentos para não perderes teu tempo nem te arrependeres com aquelas que não são positivas.” (Madre Clélia)
Fisionomia do Amor: “Pratique a caridade com o semblante suave e sereno, com fisionomia afável, com palavras doces e cordiais, e tua caridade seja indulgente. Deves ter para com todos um rosto acolhedor, sorridente, benévolo, modos cordiais e amáveis.” (Madre Clélia)
Fogo: “Sem a prática da caridade, a mútua união dos corações é simplesmente impossível, assim como é impossível a fusão da água com o fogo, da luz com as trevas.” (Madre Clélia) Revista Sagrado | 2015
Espiritualidade
Sentinela de Paz: “Coloque uma sentinela de paz sobre os teus sentimentos; isto te conduzirá a grandes coisas sem nenhum esforço, antes com muita tranquilidade e segurança.” (Madre Clélia)
Recorrer a tua querida mãe: “Recorre a tua querida mãe Maria; dize-lhe que queres amar o seu Jesus, e que o queres amar muito: que te emprestes seu materno coração, a fim de que com Ela tu possas amá-Lo sinceramente.” (Madre Clélia)
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Cidadania
“Sou pequeno,
mas um grande cidadão
Autores: Adriana Cardoso Paz, Antonia Regina, Fernanda Gabriele, Keila Martins Reis, Marcela Bezerra, Márcia Luz Schiavone, Marcinda Gregório, Maria Cristina Vieira, Maria Selma Nóia, Mariely Fabrini dos Santos Educadoras Escola Social Clélia Merloni Florestópolis – PR
O trabalho com projetos ganhou um lugar de maior interesse em sala de aula, pois, tem como característica: um objetivo compartilhado por todos os envolvidos, que se expressa num produto final em função do qual todos trabalharam e que terá, necessariamente, destinação, divulgação social na Unidade Educacional e fora dela. Segundo Zabala (1998, p. 12-15), “o segredo de tudo está na participação dos educandos no processo”. Dessa forma, a proposta para o trabalho com projetos vê na participação dos educandos o diferencial para o sucesso de relação ensino e aprendizagem. Para o SAGRADO – Rede de Educação, o projeto compreende um convite à descoberta, à construção do conhecimento, valores e princípios. Necessita ser compreendido como aspiração, anseio, busca de soluções. Conforme Silva (2003), fazer projetos é natural, intrínseco ao ser humano. A construção do conhecimento efetiva-se, também, por meio de projeto, que é um plano de trabalho, uma investigação com articulação de propósitos didáticos e sociais, que por meio de situações-problemas, dão sentido à prática pedagógica e desenvolvem nos educandos autonomia de aprendizagem. Segundo Castro e Matos, o trabalho com projetos […] deve partir de uma situação concreta, que se configure como uma questão relevante e significativa a ser tratada pelo grupo. Um tema que seja de interesse geral da classe e cujo estudo vá se traduzir em resultado que faça sentido e tenha utilidade para todos. (CASTRO e MATOS, 1997, p. 50) Crescer na vida é tudo o que queremos, a partir disso forma-se uma sociedade sem escrúpulos e sem sentimento pelo próximo. O lado egoísta de cada pessoa entra em ação e todos temos um único objetivo, o de sermos melhores do que os outros. Estamos cada vez mais individualistas, sem ao menos nos importar com as consequências de nossos atos. Nossas futuras gerações vêm crescendo e aprendendo a viver em meio a todo esse desrespeito com o meio ambiente, com as pessoas com as quais convivemos. Crentes de que formar cidadãos se começa desde cedo, nos lares e Unidades Educacionais, procurou-se desenvolver um projeto com a finalidade de construir conhecimento sobre cidadania e sua importância. A partir dessa premissa desenvolvemos o pro-
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jeto: “Sou pequeno, mas um grande cidadão” um desafio possível aos Educandos do Ensino Fundamental I da Escola Social Clélia Merloni, de Florestópolis. Nossos educandos, desde pequenos, são formados para reconhecer o seu papel social como cidadãos responsáveis e participativos, contribuindo para a vida em sociedade, respeitando as diferenças. Para atingir os objetivos, o projeto foi dividido em cinco etapas: 1ª Cidadania e Meio Ambiente; 2ª Conscientização sobre a Dengue; 3ª Direitos e Deveres do Cidadão; 4ª Inclusão, um ato de Cidadania; 5ª Cidadania no Trânsito. A primeira etapa iniciou com os trabalhos dos 1° anos, enfatizando a temática da preservação do local onde vivemos e de que só o ser humano pode defender seu território. Para isso são necessárias ações permanentes que promovam o fortalecimento de uma consciência ambiental, com a participação de todos. O trabalho desenvolvido foi relacionado com as comemorações do Dia da Água e Semana do Meio Ambiente. Por meio da interpretação da música “Planeta Azul”, os educandos realizaram questionamentos relacionados com boas práticas de preservação e, para finalizar, confeccionaram instrumentos musicais utilizando diferentes materiais recicláveis, tais como garrafa pet, lata, papelão, entre outros. O futuro da sociedade depende da relação estabelecida entre a natureza e o homem. A natureza precisa do homem e o homem precisa da natureza. Portanto, precisamos educar as crianças e conscientizá-las da necessidade de reduzir lixo, reutilizando e reciclando. Só assim
Cidadania deixarão um mundo melhor para os que ainda virão. A segunda etapa se deu através de estudos sobre a Dengue porque percebemos a necessidade de nossa comunidade saber sobre os perigos dessa doença, que afeta não apenas a nossa região, mas o nosso estado e o País inteiro. Segundo a Agência Brasil, de Brasília, até o dia 30 de maio deste ano, 1.021.004 casos de dengue foram notificados em todo o país. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde durante audiência pública no Senado. Para abordagem e fixação foram utilizados vários recursos envolvendo pesquisas, prática de limpeza em seus quintais e produção de panfletos para distribuição na comunidade, tornando-se pequenos cidadãos participativos, pois sabemos que as ações preventivas e eliminação de focos dependem de cada um e do empenho de todos.
Exercer a cidadania é ter consciência de seus direitos e deveres cumprindo com suas obrigações e lutando para que esses sejam colocados em prática. A quarta etapa foi desenvolvida envolvendo a temática da Inclusão. Por meio de discussões e pensando no rompimento de paradigmas para uma realidade mais vigente, os educandos do 4º ano promoveram um convívio mais humanista, acreditando que suas diferenças os fazem únicos, pois a escola deve ser uma comunidade aberta, onde todos são valorizados exatamente por suas diferenças. Os trabalhos iniciaram-se com a pesquisa sobre as duas palavras chave: Inclusão e Cidadania. Após a pesquisa, os educandos elencaram situações de inclusão e, para melhor compreensão, optaram por conhecer a rotina de uma Escola de Educação Básica na Modalidade Es-
A terceira etapa partiu do questionamento: Quais são meus direitos? Por que tenho deveres? Durante algumas aulas, os educandos dos 3° anos estudaram e sobre nossos direitos e deveres. Dentre os vários direitos do cidadão, foram abordados: saúde, educação, moradia, lazer, emprego, segurança pública, liberdade de escolha e crença. Entre os deveres do cidadão: cumprir as leis, votar e escolher os nossos governantes, proteger a natureza e os patrimônios públicos e sociais. Os educandos participaram com empenho, responderam a enquetes, confeccionaram painéis, fizeram também uma atividade envolvendo a família, respondendo juntos: Qual o nosso papel como cidadão? As respostas foram claras e objetivas, mostrando a compreensão de todos.
pecial. Puderam observar que o processo é o mesmo, que realizam atividades de sala, que possuem regras, também tiveram a oportunidade de participar das oficinas e dos projetos que são desenvolvidos como teatro, dança e arte. A assimilação de tudo que viram e ouviram fez com que os educandos vivenciassem diferentes experiências para, acima de tudo, respeitar o próximo. A quinta e última etapa elencou a temática: Cidadania no Trânsito. O trânsito é, sem dúvida, resultante das aglomerações humanas, tendo surgido o veículo justamente para facilitar o deslocamento, a comunicação e a interação entre os indivíduos e os grupos. Mas o convívio das pessoas nas vias públicas envolve uma série de fatores, que se não forem levados em consideração, acabam Revista Sagrado | 2015
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por tornar o trânsito violento e propenso a acidentes. O bom cidadão é geralmente um bom pedestre, um bom ciclista, motorista, pois reconhece os seus deveres e direitos também no trânsito. No trânsito não dá para brincar: não é autorama e nem videogame! É necessário respeito e cordialidade. É muito importante que cada um faça sua parte, respeitando e se fazendo respeitar. Pensando nessa problemática, os educandos do 5º ano desenvolveram algumas atividades com ações educativas e preventivas sobre trânsito, contribuindo, assim. para um mundo melhor. As atividades realizadas contemplaram todos os Componentes Curriculares: leitura e
Não somente na educação formal que a escola oferece, mas também a que vem do LAR, DA FAMÍLIA. E é aí que entra a formação do caráter, princípio fundamental para a prática do bem, para a busca dos direitos individuais e coletivos e para o cumprimento dos deveres. Segundo Candau (1995), o exercício da cidadania implica no reconhecimento e formas pelos quais os direitos são constantemente violados em nossa sociedade. Educar para a cidadania exige educar para a ação de não ser somente individual, nem individualista. Educação e família são a base para a formação de um bom cidadão, aquele que joga o papel no lixo certo;
interpretação, confecção de cartazes, pesquisas de índices e regiões onde houve mais casos de acidentes, análise de gráficos, ilustrações mostrando as boas condutas que devemos ter no trânsito, participação em palestra ministrada por Agentes de Trânsito. Também circularam pelas ruas do bairro, recebendo orientações sobre como proceder em situações reais vivenciadas no dia a dia. Sendo assim, educar as crianças para a Cidadania no Trânsito é fundamental, pois implica em ensiná-las a se proteger evitando acidentes e contribuindo para a sensibilização para a conquista de um trânsito mais seguro. Cidadania, palavra cujo real significado e importância questionamos durante todo o desenvolvimento do Projeto. Apesar de ter efeitos coletivos, é muito “difícil” de ser realizado, tal qual o pensar sobre a própria vida e os próprios atos. Estas são ações extremamente particulares e que, se praticadas por todos, têm um grande poder. Devemos firmar mais nosso papel como cidadãos. Pode-se afirmar que “ser cidadão” está na moda.
aquele que pratica uma ação pensando em um grupo, na comunidade, e não somente nele próprio. Diante disso, que nossos educandos se tornam agentes transmissores de conhecimento, assumindo seu papel como cidadãos na comunidade e visando construir um mundo mais justo e fraterno, transformando a sociedade, que está sempre em processo de reeducação.
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Referências Aprender, socializar e agir para transformar. Disponível em: <https:// aprendereagir.wordpress.com/2013/07/29/cidadania-qual-e-o-meu-papel/> . Acesso em: 25 mai. 2015. CANDAU, Vera Maria. Tecendo Cidadania: oficinas pedagógicas de direitos humanos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. Casos de dengue ultrapassam 1 milhão. Disponível em: <http://noticias. bol.uol.com.br/ultimas-noticias/ciencia/2015/06/10/casos-de-dengue-no-pais -ultrapassam-1-milhao.htm>. Acesso em: 10 jun. 2015. PROPOSTA PEDAGÓGICA. SAGRADO – Rede de Educação. Volume1, 2015. Trânsito: uma aula de cidadania. Disponível em: <http://educador.brasilescola. com/orientacoes/transito-uma-aula-cidadania.htm>. Acesso em: ZABALA, A. A Prática Educativa. Porto Alegre: Artmed, 1998.
A mais nova Unidade Educacional Gestão Educacional e Associação de Pais e Mestres (APM) Colégio Sagrado Coração de Jesus Garibaldi – RS
A mais nova Unidade Educacional do SAGRADO – Rede de Educação está localizada na cidade de Garibaldi, com denominação Colégio Sagrado Coração de Jesus, sito à Rua 1º de maio, 195, Bloco A, bairro Centro. Garibaldi está localizada a 105 km da capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, a 640 metros de altitude e tem uma população de 32.578 habitantes. É um município com características peculiares. Colonizado por imigrantes italianos, teve forte influência da cultura francesa, transmitida pelas congregações religiosas de origem francesa, responsáveis pela educação dos habitantes durante décadas. Além disso, veio a receber aporte dos sírio-libaneses, no que diz respeito ao comércio. Esses são alguns dos fatores que contribuíram para o que Garibaldi é hoje, um município com diversidade econômica e cultural, rico de história e memória. Garibaldi inicialmente recebeu o nome de Colônia de Conde D’Eu, em homenagem ao genro do Imperador D. Pedro I, casado com a Princesa Isabel.
Com o propósito de torná-la habitável e cultivável, o governo buscou estender seu foco para além do horizonte, povoar a região com europeus habituados ao mesmo clima do sul, ao frio e às dificuldades do terreno para o cultivo agrícola. A Colonização da Colônia Conde D’Eu aconteceu no final da fase imperial, com os imigrantes prussianos (alemães), suíços, italianos, franceses, austríacos e poloneses. No entanto, o maior número de imigrantes era proveniente da Itália. A Colônia Conde D’Eu foi o primeiro núcleo de colonização na região serrana do Rio Grande do Sul. A oferta brasileira vinha ao encontro das expectativas dos imigrantes europeus, pois acreditando que o quadro de miséria vivido na Europa ficaria no porto, o imigrante “encheu sua bagagem de sonhos, fechou-a com esperança e coragem e partiu, como um peregrino, em busca de um caminho que resignificasse sua vida”. (Marina 2004, inédito) Do embarque na Itália, até a chegada às terras do
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Unidade Educacional Destaque
Colégio Sagrado Coração de Jesus em Garibaldi
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Unidade Educacional Destaque 16
Sul, as histórias relatadas pelos imigrantes falam, no entanto, de desamparo, de exploração, de muito sacrifício. Novos estudos apontam, que o maior sofrimento estava ligado à saudade da terra e a incerteza do novo. O fato é que foi necessário muito trabalho para que os imigrantes transformassem esta região em colônias e, consequentemente, em cidades. Nos primeiros tempos foi na religião, na reza do terço, que o habitante renovou seu vigor e encontrou alento para enfrentar a saudade de sua pátria e buscar o convívio com outras famílias. Foi a partir de 1890, com a Colônia já estabelecida, que as casas, os prédios, que hoje compõem o Centro Histórico, foram construídos. Em 31 de outubro de 1900, o governo eleva Conde D’Eu à condição de município, que passa a chamar-se Garibaldi em homenagem ao italiano Giuseppe Garibaldi, que participou da Revolução Farroupilha e é considerado “herói dos dois mundos”. Já no início de 1900, houve um novo fluxo de imigração, com a chegada de famílias sírio-libanesas, que desenvolveram o aspecto comercial do centro da cidade. Ainda hoje, a quase totalidade dos habitantes do município é descendente dessas levas de imigrantes, o que fez com que Garibaldi desenvolvesse alguns aspectos peculiares, em parte por esta mescla com suas respectivas culturas. Quando chegaram a Garibaldi trazendo como hábito a viticultura, os imigrantes italianos talvez não tivessem a idéia do efeito que esta contribuição teria sobre a história do município. Hoje, Garibaldi é conhecida como a capital nacional do champagne. A cada estourar é celebrado o trabalho de obstinados, que a cada ano perseguem o ciclo das uvas. Esse trabalho tem como pioneira a família Peterlongo, que em 1913 elaborou o primeiro champagne brasileiro, em Garibaldi. Revista Sagrado | 2015
UM SONHO POSSÍVEL... O Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Garibaldi, teve sua origem na ousadia visionária de um grupo de pais que constituíram o CPM (Círculo de Pais e Mestres) da Escola Santa Inês, de Garibaldi, cuja mantença estava a cargo da Sociedade Caritativo Literário São José – Congregação das Irmãs de São José, por 86 anos. Com o encerramento das atividades do Colégio Santa Inês, os pais, por unanimidade, optaram por buscar uma mantenedora de cunho cristão, carisma e tradição educacional. A opção foi pelo Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, que mantém Unidades Educacionais em todo Brasil. Tendo em vista a urgência de prazos para concepção de uma escola nova, foi criada uma Associação em 23 de julho de 2009, denominada ASSOCIAÇÃO PRÓ-EDUCAÇÃO DE GARIBALDI – APEG. Criada a Associação, teve início toda tramitação para viabilizar e concretizar o “sonho” dos pais em dar continuidade à escola privada, com valores cristãos, de qualidade pedagógica e educacional de acordo com as expectativas da Associação Pró-Educação de Garibaldi. Com o apoio da comunidade Garibaldense, Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores, Empresas locais e simpatizantes à causa, tornou-se possível a concretização deste sonho. Foi locado um prédio público da Prefeitura Municipal de Garibaldi, que sofreu reformas e adaptações necessárias para adequar-se às normas legais exigíveis a fim de ofertar toda Educação Básica: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. As reformas e adequações só foram possíveis e viáveis contando com o apoio financeiro dos pais dos educandos, que aderiram e optaram pela nova escola. As empresas de Garibaldi, região e a comunidade, sensibilizadas com o “movimento” participaram mobiliando e equipando a escola.
“E o momento chegou a hora de passar por mais uma transformação grandiosa, a transição para SAGRADO – Rede de Educação. Confesso que fiquei com um pouco de medo, novas regras, novos fundamentos, novas rotinas. Mas no momento em que fui entendendo o processo de aprendizagem da Rede Sagrado, tudo foi ficando melhor a cada dia. Aos poucos fui percebendo que todo processo pedagógico prioriza a educação integral do aluno, oferecendo uma estrutura física e educacional completa e em constante atualização para favorecer o processo educativo. A educação com base na ‘humanização’ do aluno, fundamentada na moral, ética, espiritual, intelectual, afetiva, social e cognitiva. Todas as atividades realizadas contemplam um trabalho
dinâmico, construído e vivenciado por todos os envolvidos no processo educativo, sempre visando resultados de excelência. As propostas são estimuladas com criatividade levando o aluno à construção da autonomia e do pensamento crítico, o que busca garantir que cada pessoa seja respeitada na sua dignidade e singularidade, proporcionando condições para que nossos filhos criem um modelo de mundo com sentido e significados solidários. Uma escola que acima de tudo mantém e aplica a toda comunidade educativa a vivência da fé, justiça, respeito, perdão, fraternidade, esperança,sensibilidade e do amor a Deus e ao próximo. A cada dia que passa, tenho a certeza que fiz a melhor escolha para a formação da minha filha Carolina. Vocês, pais, que buscam uma educação de qualidade para os seus filhos, tenhama certeza de que podem contar com o Sagrado, um Colégio com experiência na formação de gerações”. Lilian Mello Mãe da educanda Carolina Mosna do 5° ano EF I “Após uma longa caminhada de cinco anos em parceria pedagógica entre a APEG Associação Pró Educação de Garibaldi e o SAGRADO – Rede de Educação, o Colégio Sagrado Coração de Jesus de Garibaldi torna-se uma das Unidades Educacionais desta Instituição. O sonho da Comunidade Educacional de Garibaldi agora é realidade, e com isso novas oportunidades de crescimento se abriram. Além disso, a integração que já acontecia entre Irmãs, educadores, educandos, funcionários e famílias do Colégio com as demais Unidades Educacionais, torna-se efetiva. Com isto novos caminhos, novos horizontes se abrem para dar continuidade a belíssima história iniciada no ano de 2010. A mesma confiança impressa no coração das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus pela sua fundadora Madre Clélia Merloni acerca da fé e dos valores cristãos, agora é reavivada com a ampliação do projeto de ensino Cleliano em mais uma Unidade Educacional”. Bernardete Rigo Weschenfelder Educadora de Geografia
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Unidade Educacional Destaque
Com o prédio concluído, pintado, equipado e adequado às exigências da legislação do Conselho Estadual de Educação do Estado do Rio Grande do Sul – CEED-RS, a escola habilitou-se a acolher crianças e jovens que buscam uma formação integral baseada em princípios morais, éticos, religiosos e sociais. Em 08 de fevereiro de 2010, o Colégio Sagrado Coração de Jesus inicia suas atividades como uma Unidade “Co-Irmã” do SAGRADO – Rede de Educação, recebendo orientações na parte de Pastoral Escolar, Religiosa e Pedagógica da Central de Gestão Educacional, administrativos e legais do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus. Os contatos com a Rede e o Instituto continuaram a ser mantidos em Curitiba, pois o “sonho”, ano após ano, era que a Unidade se tornasse parte do SAGRADO – Rede de Educação. Em 1º de outubro de 2013 a então Madre Provincial, Maria de Lourdes Castanha, comunicou oficialmente a mudança de mantenedora para o Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, que assumiria o Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Garibaldi, como a mais nova Unidade Educacional do SAGRADO – Rede de Educação, a partir de 1º de janeiro de 2015.
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Entrevista
A nova data de
corte no Paraná: por quê?
A mudança na data de corte no Estado do Paraná ainda gera dúvidas e certa polêmica. Para elucidar alguns pontos a respeito do assunto, a Revista Sagrado conversou com a Profª Drª Daniele Saheb, Coordenadora do Curso de Pedagogia da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUCPR, Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Teoria e Prática de Ensino – Mestrado Profissional – Universidade Federal do Paraná e participante do Grupo de Pesquisa: Educação, Meio Ambiente e Sociedade – Universidade Federal do Paraná.
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1- O que é a data de corte, por que gera tanta polêmica e falta de unanimidade entre os Estados Brasileiros, quanto à sua aplicação? De forma muito simples, pode-se dizer que a data de corte é um limite da data de aniversário da criança, para que ingresse no Ensino Fundamental. A data de corte diz respeito ao ingresso da criança na escola, determinando a idade estabelecida pela legislação nacional, para escolas da rede pública e privada. Com a finalidade de aprimorar a qualidade da educação no Brasil, o Ministério da Educação (MEC) teve, como uma de suas ações, a ampliação do ensino fundamental para nove anos de duração, aumentando assim portanto a duração da escolaridade obrigatória. E, em 6 de fevereiro de 2006, a Lei nº 11.274 institui o ensino fundamental de nove anos de duração, com a inclusão das crianças de seis anos de idade, no Primeiro Ano do Ensino fundamental de Nove Anos. Um documento importante que regulamenta e orienta a implementação deste processo, é o Parecer CNE/CEB nº 4/2008, o qual reafirma, entre outros, o seguinte princípio: [...] O Ensino Fundamental de nove anos, de matrícula obrigatória para crianças a partir dos seis anos – completos ou a completar até o início do ano letivo – deverá ser adotado por todos os sistemas de ensino, até o ano letivo de 2010, o que significa dizer que deverá estar planejado e organizado até 2009, para que ocorra sua implementação no ano seguinte. Desta forma, reafirma com maior clareza a data de corte, para ingresso no Ensino Fundamental para seis anos completos, até o início do ano letivo, objetivando, sobretudo, a garantia à criança do direito à infância e da escolarização na idade adequada. No Paraná, a polêmica diz respeito ao fato da existência de uma decisão judicial, que está em vigor, que permite o ingresso da criança no Ensino Fundamental sem a data de corte, ou seja, que complete seis anos durante o ano letivo do Primeiro Ano.
2- Em sua opinião, por que é importante estabelecer uma data de corte na faixa etária das crianças, que ingressam na Educação Infantil e 1º ano do Ensino Fundamental? A data de corte é importante, visto que as crianças passam por fases com características diferenciadas, durante seu processo de desenvolvimento. Nesse sentido, é importante que a criança e o respeito à infância sejam
o aspecto central nessa discussão, e que isso se sobreponha aos interesses dos adultos envolvidos na decisão referente ao corte. 3- Em relação à aprendizagem, ao convívio social e a todo o contexto do sistema educacional, existem diferenças entre a criança que completa a idade necessária de ingresso na Educação Infantil ou no 1º ano do Ensino Fundamental, em março ou em dezembro? Quais seriam? Pode-se dizer que, de uma forma geral, existem diferenças importantes no que se refere ao desenvolvimento cognitivo, emocional e biológico, além das influências sociais e culturais. Basta observar o desenvolvimento e as possibilidades de aprendizagem de um bebê de quatro meses e outro, de um ano. Deve-se levar em consideração ainda, que a aprendizagem é influenciada por fatores emocionais e pela qualidade da interação, que a criança estabelece com seus pares. Nesse sentido, não é suficiente que a criança apresente habilidades satisfatórias, no que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo, se ela não dispõe de maturidade emocional, para lidar com as questões condizentes a esse nível de ensino.
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Entrevista
A polêmica foi retomada em junho deste ano (2015), quando entrou em vigor a Lei Estadual nº 18.492/2015, que instituiu o Plano Estadual de Educação (PEE) e, em consonância com a legislação nacional estabeleceu a data de corte de 31 de março do ano letivo, revogando a norma que permitia matrícula, no Paraná, para crianças nascidas em qualquer mês. Porém, o Ministério Público Estadual considera que ainda se encontra em vigor a liminar, que não permite a data de corte no Paraná. Ressalta-se, portanto, que a maioria dos Estados Brasileiros insere-se na norma do Conselho Nacional de Educação, de acordo com a qual, a criança ingressa no Ensino Fundamental com seis anos completos, até o início do ano letivo.
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Valores
Criando laços Viviane Kepper Educadora Colégio Sagrado Coração de Jesus Curitiba – PR
com a natureza
A educação ao ar livre é uma experiência única, que leva os jovens a perceberem o mundo que os rodeia, e a Mata Atlântica é um laboratório vivo, onde se tem a oportunidade de criar fortes laços com a natureza, por meio da formação de conceitos e valores e da criação de um senso de responsabilidade pelos recursos naturais. O Projeto Volta Velha foi realizado pelos educandos da 2ª e 3ª séries do Ensino Médio da Unidade Educacional Sagrado Coração de Jesus e teve a intenção principal de resgatar a cultura da região do Parque Indígena do Xingu, localizado ao Norte do Estado de Mato Grosso. Atualmente, vivem na área do Xingu 6.000 índios de quatorze etnias diferentes. O Parque Nacional do Xingu é considerado a maior e uma das mais famosas reservas do gênero do mundo. Além de resgatar a cultura indígena do Xingu, este projeto oportunizou aos educandos uma intensa vivência com a natureza, apresentando valores de respeito e harmonia.
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Volta Velha é uma unidade de conservação particular, com 586 hectares, criada em 1992 com o propósito de servir de base para pesquisas, para a educação e para o ecoturismo. A Reserva é uma RPPN (Reserva de Patrimônio Particular) e está localizada na cidade de Itapoá, Santa Catarina. A presença da cultura indígena é ressaltada pelos vestígios das populações primitivas que habitaram a área da reserva, como o “sambaqui Volta Velha”, com cerca de 3 mil anos de idade. No mês de março de 2015, os educandos da 2ª e 3ª séries do Ensino Médio deram início ao projeto multidisciplinar, o que consistiu em abranger o maior número de componentes curriculares que pudessem se envolver com o tema proposto. Os educadores desenvolveram trabalhos nos diversos eixos didáticos, envolvendo a cultura indígena e os diferentes aspectos apresentados na Reserva Ambiental Volta Velha. O resgate da cultura indígena, mais especificamente do Xingu, deve-se à presença de um habitante, Yawaritsaua
Trumai Wuaura, que chegou à Reserva em 2005. Juntamente com seu pai, construíram no local uma moradia indígena (Oca) similar às encontradas no Xingu. Yawa, como é conhecido, casou-se com a proprietária da Reserva, Ana Maria Machado, e, a partir deste momento, torna a Reserva um ambiente com influência e caráter dos índios do Parque Nacional do Xingu. Inicialmente, ainda no ambiente de sala de aula, os estudantes foram divididos em grupos para trabalharem a mesma temática em componentes curriculares distintos. Cada grupo foi orientado por um educador, o qual apresentou de forma particular o encaminhamento metodológico adotado. No mês de abril, os educandos da Unidade Educacional Sagrado Coração de Jesus foram à Reserva Volta Velha, para realizar uma pesquisa in loco, de acordo com a proposta de cada componente curricular abaixo descrita: • Biologia: a educadora propôs que os educandos fizessem a coleta de vestígios de animais (pegadas) encontrados nas trilhas, bem como ainda explorassem a grande quantidade de bromélias típicas de Mata Atlântica. • Química: o educador orientou a análise da qualidade da água da região, explorando também as substâncias químicas usadas pelos índios para a caça com flechas, prática utilizada pelos índios do Xingu. • Matemática: desenvolveram-se estudos utilizando as medidas da Oca, planejando posteriormente a construção de uma maquete dessa moradia. • História: os educandos foram orientados a fazer a comparação entre a cultura indígena do Xingu com outras tribos indígenas. • Sociologia, Filosofia e Ensino Religioso: realizaram-se estudos quanto às tradições, rituais e mitos da cultura indígena. • Geografia: foi abordada a questão da legislação ambiental em uma Reserva de Patrimônio Particular. • Arte: as equipes desenvolveram pesquisa quanto ao significado das danças e pinturas corporais. • Língua Inglesa: realizaram estudo quanto a escrita
Valores
de palavras indígenas, comparando-as posteriormente com a escrita em Língua Portuguesa e seus respectivos significados. • Língua Espanhola: elaboraram o resumo do projeto, montando uma cartilha utilizando a língua espanhola. • Educação Física: o educador explorou o significado dos esportes e lutas realizadas pelos índios do Xingu. O resultado das pesquisas foi, em seguida, apresentado nas respectivas salas de aula, como uma forma de avaliação trimestral, realizada individualmente pelos diferentes educadores. Dando sequência ao projeto, as equipes foram unidas para que uma única apresentação fosse realizada no dia 02 de agosto, no anfiteatro da Unidade Educacional. Os estudos desenvolvidos foram partilhados com os demais educandos do 9º ano e Ensino Médio de nossa Unidade Educacional. Por meio das explicações dos educandos, pôde-se perceber o interesse e o respeito à cultura indígena. A apresentação do trabalho contou com a presença significativa da proprietária da Reserva Volta Velha, Ana Maria Machado, do índio Yawa e do Biólogo responsável pela Reserva, Celso Seger. Nossos educandos, além de desfrutarem do ar puro e da beleza da Mata Atlântica, da magia e do rito, do contato com a terra, o ar, a água e o fogo, resgataram a história com a experiência viva de um índio do Xingu, tiveram momentos singulares de conversas e debates enriquecedores, aprenderam a respeitar diferenças entre os povos e sua importância na construção do conhecimento e na formação de opiniões. Oportunidades como essas, criam, resgatam e fortalecem valores para toda a vida de um estudante.
Referências Parque Indígena do Xingu. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_do_Xingu>. Acesso em: 10 abr. 2015. Reserva Volta Velha. Disponível em: <www.reservavoltavelha.com.br>. Acesso em: 20 abr. 2015.
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Missão
Missão na Ir. Valéria Andrade Leal Gestão de Pastoral Central de Gestão Pedagógica
A alma que, sinceramente, ama a Jesus jamais diz “basta”, na prática do bem: quer fazer sempre mais. Se pudesse, atirar-se-ia por toda parte, para fazer amar e honrar o seu Deus
Amazônia
Cercados pela Floresta Amazônica, pelo rio e diversos igarapés, o povo tem sede de Deus. É pobre, tem difícil acesso à saúde e educação de qualidade, assiste a degradação de suas riquezas naturais por grandes empresas, muitas vezes com consentimento dos governos, mas não perde a alegria, a fé e a esperança. Alegram-se ao ver as Irmãs ou qualquer missionário que lhe vai falar da Palavra de Deus. Como são poucos os padres, reúnem-se para meditar a Palavra, para realizar as novenas e festas dos padroeiros das comunidades e conviver. Plantam mandioca, pescam seu peixe, colhem os frutos da floresta e constroem suas vidas ao “ritmo do rio”.
(Madre Clélia) Movidas pelo zelo da Madre Fundadora, que abriuse para a missão além fronteiras já no início da fundação, as Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus se espalharam pelo mundo com a missão de fazer conhecido, amado e servido o Sagrado Coração. Da Itália para o Brasil, EUA, Argentina, Suíça, Albânia, Chile, Uruguai, Moçambique, Paraguai, Benin, Filipinas, Taiwan e Haiti, as Irmãs atendem ao clamor do povo e da Igreja atuando na educação, saúde, ação social e promoção humana e evangelização. São crianças, jovens, idosos, famílias e doentes atendidos pela caridade que brota do lado aberto do Senhor. Neste espírito de serviço missionário, neste ano de 2015, as Apóstolas começaram a marcar sua presença na região amazônica, tão necessitada de cuidados, seja com a natureza, seja com seu povo, muitas vezes esquecido e explorado. Na festa do Sagrado Coração de Jesus, 12 de junho, foi aberta, oficialmente, a comunidade de Apóstolas na cidade de Juruti, diocese de Óbidos, Pará. Três Irmãs atenderão o hospital da cidade, a ação evangelizadora e assumirão também o Projeto Justiça e Paz que atende crianças e jovens em contraturno escolar nas dependências das paróquias de toda a diocese.
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DEPOIMENTO Durante a Semana Santa, juntamente com outros religiosos jovens, de outras congregações, tive a oportunidade de estar junto ao povo do interior da cidade de Óbidos, às margens do Rio Amazonas, no Pará. Quando me dispus a essa missão, não imaginava o que iria encontrar, estava cheia de expectativas de como seria o lugar, o povo, o quê iríamos fazer... Quando lá cheguei, descobri um mundo totalmente novo, (talvez outro país!?) com costumes e paisagens muito diferentes do que eu havia previsto. Chegamos na pequena cidade portuguesa, fundada em 1697, depois da viagem de 3 horas de lancha e encontramos muitos traços da colonização e uma bela paisagem do imenso Rio Amazonas. A simplicidade e a acolhida do povo
De início tivemos palestras sobre as condições socioeconômicas e os costumes do povo do local. Gente pobre, cheia de esperança e fé. A grande maioria, pescadores. Divididos em equipes, fomos para as comunidades da periferia da cidade e também para o interior. Fui envida para uma das regiões com menos recursos, sem energia elétrica e mais longe da cidade. Algumas comunidades estavam bem organizadas como Igreja e outras dando os primeiros passos. O Padre celebra a missa a cada dois meses em cada uma das 7 capelas que visitamos. Era Semana Santa, tempo especial de reflexão e oração. Visitávamos as famílias durante o dia e de noite realizávamos celebrações nas pequenas capelas, às vezes à luz de velas. Visitamos comunidades às margens dos lagos e igarapés e também mais “em terra firme”, como eles dizem. Dormimos em redes, como é o costume da maioria absoluta das pessoas, comemos o peixe, as frutas da floresta e a farinha de mandioca feita pelas famílias. Vimos a luta do povo para viver. Muitos cavam poços para ter água para beber, outros bebem a água dos riachos. Às margens dos igarapés, toma-se banho.
Lindo era ver as crianças com livros e cadernos em mãos nos dias em que não tinham aulas. Acreditam na educação. Vão de barco, às vezes longe, em escolas construídas de madeira, sem nenhum conforto e no calor escaldante. Ofereci uma bala que ganhei a uma criança e, em tempo de pegar outra em minha bolsa, ela já havia cortado a que ganhou no meio para dar à sua irmãzinha. Exemplo marcante de partilha e alteridade.
Missão
foram impressionantes. Estavam todos ansiosos pela chegada dos 12 missionários de diversas partes do Brasil.
Havia chegado com expectativas de levar algo de Deus para o povo, mas foi o povo quem me falou de Deus. Completamente fora da lógica de consumo, aqueles pescadores e suas famílias dizem que “precisam de muito pouco para viver” e isso testemunhávamos ao entrar em suas casas que não tinham muitos móveis apenas mesas com cadeira para as refeições, redes e cadeiras plásticas ou algum sofá diante da televisão. As panelas ficavam penduradas na cozinha e as roupas, muito poucas, permaneciam dobradas em uma sapateira. Em meio a esta simplicidade toda, aprendi a olhar com o “olhar de Deus”, pois demorou até que eu entendesse a diferença de um rio e um igarapé. Era o olhar que distinguia. Eu via água, correnteza e a possibilidade de cair, eles viam possibilidade de encontro (de barco é que vão à casa dos compadres), o alimento, a vida.
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Para Sempre Cleliano 24
“Alegrei-me muito por minha filha ter tido os mesmos professores” Adriane Visintin Sabatke Ex-aluna do Colégio Social Madre Clélia Curitiba – PR
Eu iniciei meus estudos no Madre Clélia quando a escola ainda era de madeira. Desde o começo, senti-me acolhida. Meus pais, sempre muito católicos, me matricularam lá, pois achavam o colégio ótimo. Iniciei em 1982 e saí em meados de 1997, por decorrência da gravidez. O ano do centenário foi o mais marcante, eu já estava cursando o magistério, e, tínhamos a responsabilidade de preparar as festividades para homenagear a nossa querida fundadora, “Madre Clélia”. Lembro-me com saudades da época em que estava no Ensino Fundamental. Tínhamos que cumprir algumas horas de ação evangelizadora, durante as quais íamos a casas de repouso e orfanatos, brincar com as crianças e conversar com os idosos. Foi muito importante para o meu crescimento, pois vi que muitas famílias não se importam com as pessoas idosas, e como existem
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crianças abandonadas precisando de carinho. Um simples gesto de afeto para eles faz muita diferença. Sinto saudades das orações, das missas que tínhamos nas primeiras sextasfeiras em louvor ao Sagrado Coração de Jesus, sinto falta dos professores que incentivavam e eram amigos. Quando coloquei as minhas filhas aqui, revivi vários momentos e fiquei muito feliz com a acolhida que todos dedicaram a elas. Alegrei-me muito por minha filha ter tido os mesmos professores. Minhas filhas, Gabrielle e Nathalia, amam demais esse ambiente educacional, Gabrielle concluiu o Ensino Médio e hoje, cursando Fisioterapia, não cansa de falar o quanto foi útil o que aprendeu, sente falta, principalmente, do ambiente acolhedor, das orações e dos seus educadores, afirma que as irmãs, os educadores os funcionários, ensinaram muitos valores, que carregaremos para a vida toda. Por fim, minhas filhas e eu agradecemos, principalmente, por nos mostrarem o amor que a nossa querida “Madre Clélia” tinha com os outros. Nossa história continua no SAGRADO – Rede de Educação, pois tenho mais uma filha que só trouxe alegria estudando nesse Colégio.
Josiane Lopes Froehlich Serviço de Orientação Educacional Escola Santa Teresinha do Menino Jesus Curitiba – PR
Segundo a Constituição Federal, artigo 5º, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade à igualdade, à segurança e à propriedade...” e isso preserva os direitos dos cidadãos a viverem de forma adequada na sociedade. Nos últimos anos percebe-se um aumento assustador da violência em todo o mundo, um dos principais e mais complexos problemas a serem superados por todos nós, principalmente pais e educadores. Nunca se falou tanto em bullying, o qual se caracteriza por atos de violência física ou verbal, ocorrendo de forma repetitiva e intencional contra uma ou mais vítimas. O fenômeno começou a ser estudado na Suécia, na década de 1970. No cenário nacional, foi, sobretudo, em meados de 1990 que o bullying passou a ser discutido. Segundo Sônia Maria Souza Pereira, na obra Bullying e suas implicações no ambiente escolar, a palavra bullying é utilizada para determinar um fenômeno bem peculiar, com características definidas: ela não indica um conflito normal ou uma simples briga entre estudantes, mas sim as ameaças com violência física, verbal e psicológica que causam grandes transtornos aos envolvidos. Atualmente ouve-se falar em bullying tanto em crianças como em jovens e adultos. Essas pessoas sofrem momentos de agressão, tristeza, medo, desrespeito, entre outros. Porém, pais, filhos, amigos, vizinhos, educadores, todos precisam analisar com coerência a situação vivenciada para poder caracterizá-la, uma vez que o bullying não trata brincadeiras inconvenientes, conflitos ou ofensas pontuais, que resultam em mágoa ou raiva passageira. Trata-se de violência gratuita, persistente e cruel. O bullying pode ser provocado com total exposição do agressor ou pode ser praticado envolvendo o uso de tecnologias de informação e comunicação, definido como cyberbullying.
Citado no livro Bullying sem blablablá, de Marcos Meier e Jeanine Rolim, Dan Olweus, reconhecido como pioneiro e precursor de pesquisas científicas sobre o assunto, descreveu três características, sempre presentes neste tipo de agressão: • As ações são repetidas, sistemáticas; • O agressor tem a intenção de causar dor física ou emocional; • O agressor tem mais poder ou mais força que a vítima. Porém, o desconhecimento, a precipitação na análise e a divulgação de casos têm colaborado para a generalização e banalização do uso do termo. Ainda segundo o autor, pode-se descrever os envolvidos na prática do bullying, como: Líderes – aqueles que dão início a agressão; Acompanhantes – aqueles que apoiam a ação dos líderes; Apoiadores – aqueles que não participam da ação de agressão, mas apoiam; Indiferentes – aqueles que observam, mas mantêmse reservados; Passivos – aqueles que desaprovam, mas não agem; Colaboradores – aqueles que procuram auxiliar a vítima. É extremamente necessário estar atento a alguns comportamentos das crianças e jovens, pois, com raras exceções, desencadearão atitudes que prejudicam ao próximo. A falta de tolerância, o uso de apelidos pejorativos e a exposição de ações são exemplos que levam à prática do bullying. E o segredo para dissipar esses comportamentos? Cremos que está no dia a dia, em ensiná-los que nem tudo acontece do jeito que a gente quer. É preciso saber vencer obstáculos e todos devem saber lidar com as frustrações. O diálogo se faz necessário para que pais e educadores possam conhecer as Revista Sagrado | 2015
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Falando de bullying
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ideias das crianças e assim orientá-las, precisamente, em suas ações no ambiente social no qual estão inseridas. Incentivo aos valores como respeito às diferenças, amizade, solidariedade e cooperação devem ser praticados desde muito cedo em família, dando continuidade na escola para que isso se torne uma prática corriqueira. É importante ressaltar que família e escola, juntas, são os maiores responsáveis por essa questão. Percebe-se, também, que muito se tem debatido sobre as pessoas que sofrem bullying. Mas como trabalhar e orientar quem está praticando, o agressor? Será que um cuidado maior com esse outro lado não seria o começo para mudarmos uma situação, por vezes crítica? Em Bullying sem blablablá, os autores Marcos Meier e Jeanine Rolim chamam a atenção e recomendam o procedimento a ser adotado para com o agressor, que deve sim, ser responsabilizado por suas ações. Porém, o enfoque não deve limitar-se apenas na vítima, ou somente em ações de punição do agressor: “Nem só as vítimas apresentam sintomas importantes. O agressor também pode nos dar sinais de que algo não vai bem, e de que precisa de ajuda. Se estivermos atentos e percebermos tais pedidos de socorro poderemos antecipar situações, diminuindo significativamente o sofrimento dessas crianças e adolescentes, além de evitar problemas”. (MEIER; ROLIM, 2013 p. 29) Atentos a esses aspectos estaremos promovendo o respeito, a responsabilidade e a tolerância entre todos os envolvidos. O bullying é um problema global, hora ou outra se faz presente em todas as escolas, independendo do tipo de instituição a que está subordinada: pública ou privada. Muitas são as consequências causadas pela presença desta prática no ambiente escolar e na vida pessoal dos educandos. Uma forma preventiva de combater esse mal é investir em ações que resultem na conscientização e no comprometimento por parte dos educandos e educadores. Os educandos do 7º ano do ensino Fundamental da Escola Santa Teresinha do Menino Jesus, Unidade Educacional do SAGRADO – Rede de Educação trabalharam, durante várias semanas, com leituras de livros a respeito dos cuidados que devemos observar ao usarmos as redes sociais, como MySpace, Facebook, Twitter e Windows Live Spaces. São serviços que as pessoas podem usar para se conectar umas com as outras, a fim de compartilhar informações, como fotos, vídeos e mensagens pessoais. Porém, o uso inadequado dessas ferramentas tem colaborado com os índices alarmantes de casos da prática de cyberbullying. O tema bullying atraiu o interesse das crianças, adolescente e educadores. Para registrar e divulgar o que aprendeu sobre o combate a essa prática, a turma realizou debates, confecção de cartazes, construção de poesias no idioma Espanhol e gravação de campanhas de prevenção aos riscos que o uso indevido do mundo virtual pode causar. Com o objetivo de discutir e apresentar aos educandos alternativas para prevenir qualquer tipo de violência e disseminar a cultura da paz, a Equipe Pedagógica trouxe à escola a Banda do PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas, desenvolvido pela Polícia MiRevista Sagrado | 2015
litar do Paraná) para uma manhã muito animada, que resultou em inúmeras aprendizagens. A contribuição foi muito apropriada, com diversas e importantes informações e mensagens. Numa mescla de palestra e apresentação musical, todos os educandos da Unidade Educacional participaram e cantaram com os policiais militares durante o evento intitulado “POP PREVENÇÃO”. Além do show musical, os palestrantes apresentaram vários exemplos e dicas de segurança quando se utiliza as redes sociais: • Atenção redobrada com os falsos perfis; • Restrição e cuidado com a disponibilização de informações pessoais; • Ter sempre em mente que o que é postado nas redes sociais tem caráter permanente (se alguém copiou a informação, torna-se difícil não se propagar); Esclarecimentos das leis e instituições que amparam as vítimas de “cyberbullying”. Na introdução da publicação SAGRADO Orienta, a Gestora Executiva do SAGRADO – Rede de Educação, Ir. Luciane Taffarel Gomes, afirma que “a educação é responsável pela ‘humanização do humano’. Sem ela, o ser humano está privado de se desenvolver em sua plenitude.” (SAGRADO, 2014 p. 7). Portanto, pais e educadores, não deixem de voltar os olhares para quem sofre e, igualmente, para quem pratica o bullying. Acreditamos que a mudança da nossa sociedade em relação à atitude firme, porém com ternura e formação de valores, é que fará a diferença no nosso amanhã. Referências BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. MEIER, Marcos; ROLIM, Jeanine. Bullying sem blá-blá-blá. Curitiba: InterSaberes, 2013. PEREIRA, Sônia Maria de Souza. Bullying e suas implicações no ambiente escolar. São Paulo: Paulus, 2010. SAGRADO – REDE DE EDUCAÇÃO. Sagrado Orienta. Curitiba, 2014.
Filantropia
Filantropia Suely Nascimento Coordenadora de Projetos Irmã Solange Menegazzo Ecônoma Provincial IASCJ – Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus Província do Paraná Curitiba – PR
O Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus – mantenedora do SAGRADO – Rede de Educação, em consonância com o objetivo institucional de favorecer o acesso a uma educação de qualidade a crianças, adolescentes e jovens oriundos de famílias em situações de vulnerabilidade e risco social, concede bolsas de estudos integrais e parciais aos educandos da Educação Básica, de forma continuada, planejada e sem discriminação, o que contribui de maneira efetiva para o processo de inclusão social por meio da educação, constituindo-se em uma política pública de acesso. O Projeto Socioeducacional Bolsa de Estudos tem como objetivo melhorar a qualidade de vida das famílias, garantindo-lhe o direito à educação, a formação humana, a emancipação e consolidação da cidadania. Este Projeto desde sua criação concedeu oportunidade a milhares de educandos de fazer parte do SAGRADO – Rede de Educação, que tem como missão oferecer uma educação acadêmica, cristã, que assegura a formação de cidadãos reflexivos, autônomos, éticos, criativos, solidários e socialmente responsáveis. O Projeto Bolsa de Estudos é desenvolvido pelas 14 unidades do SAGRADO – Rede de Educação nos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul, sendo que 3 destas unidades são exclusivamente Escolas Sociais: a Escola Social Coração de Jesus em Piraquara, a Escola Social Clélia Merloni em Florestópolis e o Centro de Educação Infantil Pe. Carlos Zelesny em Ponta Grossa, onde 98% do público atendido é beneficiado com bolsa integral. Atualmente contamos com 13 assistentes sociais, que avaliam cada situação através de entrevista com a família, visita domiciliar e análise dos comprovantes documentais, emitindo parecer social para que juntamente com a Comissão de Seleção e Acompanhamento possam definir os educandos que serão beneficiados e o percentual da bolsa educacional. É muito gratificante contribuir na formação humana, estimular o desenvolvimento das potencialidades de cada educando e verificar ao longo dos anos o resultado deste trabalho, conforme demonstrados nos relatos dos três ex-alunos que foram estudantes do Colégio Social Madre Clélia e Colégio Sagrado Coração de Jesus
– Curitiba, beneficiados com bolsas de estudos durante todo o período da Educação Básica. JAQUELINE PEREIRA MACHADO estudou do 1º ao 3º em Escola Pública e a partir do 4º ano do Ensino Fundamental passou a estudar no Colégio Social Madre Clélia, onde concluiu o Ensino Médio em 2009. Foi beneficiada com bolsa de estudos durante todo o período que estudou no SAGRADO – Rede de Educação. Há dois anos, atua como estagiária de Educação Física no Colégio Social Madre Clélia e agradece muito esta oportunidade, sentindo que mais uma vez o Colégio lhe acolheu e lhe deu a chance de atuar como profissional contribuindo na formação de novos educandos e partilhando todo o carinho e conhecimentos adquiridos no decorrer da sua vida educacional.
“A bolsa de Estudos que recebi do Colégio Social Madre Clélia transformou a minha vida, foi através dela que hoje estou cursando o último ano da Graduação em Educação Física, pois tive a oportunidade de estudar e ter um ensino de qualidade, não somente em conteúdos disciplinares, mas também na minha formação como ser humano através dos valores trabalhados no Colégio, visto como essenciais para a vida. Agradeço ao Colégio Social Madre Clélia por toda a oportunidade e serei eternamente grata por esta benção em minha vida”. Jaqueline Revista Sagrado | 2015
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Filantropia
LUANA DOS SANTOS BOA NOVA concluiu o Ensino Fundamental no Colégio Social Madre Clélia em 2009, e com o desejo de ser professora foi cursar Magistério no Colégio Sagrado Coração de Jesus – Curitiba. Durante toda a sua trajetória no SAGRADO – Rede de Educação foi contemplada com bolsa de estudos. No momento está cursando o 5º período de Pedagogia na Universidade Federal do Paraná e trabalha como Professora e Auxiliar de Coordenação na Escola Pedro Apóstolo – Curitiba.
JOÃO VICTOR DA CRUZ estudou no Colégio Social Madre Clélia, da Educação Infantil ao Ensino Médio, sendo beneficiado com bolsa de estudos durante todo este período. Em 2012, já formado em Desenvolvimento Web, teve a oportunidade de retornar a Unidade Educacional fazendo parte do quadro de funcionários. Atualmente exerce a função de Técnico de Informática e como colaborador está contribuindo com a construção da história do SAGRADO – Rede de Educação.
“Desde muito cedo entendi o valor que a educação tinha na minha vida e sou muito grata por ter sido beneficiada com a bolsa de estudos. Devo toda a minha formação humana e didática aos professores do Colégio Social Madre Clélia e do Colégio Sagrado, que sempre estiveram presentes, orientando e incentivando a minha vida educacional. Hoje me sinto realizada como professora, sendo que os valores e princípios que repasso aos meus alunos são decorrentes do aprendizado que tive durante o período que estudei no SAGRADO – Rede de Educação”. Luana
“Posso dizer que, com grande mérito, o programa de bolsa de estudos do SAGRADO – Rede de Educação favoreceu uma educação privilegiada pautada em valores e iluminada pelo carisma de Madre Clélia, permitindo concretizar sonhos, não acreditando que cada passo é uma simples descoberta, mas sim, que a vida faz parte de um plano muito maior. Reconheço também que fui beneficiado pelo estímulo a formação acadêmica e ao desenvolvimento integral das minhas capacidades, onde, graças à oportunidade concedida pela instituição através do Programa de Bolsa de Estudos, portas foram abertas para a conquista de uma boa colocação profissional atendendo aos princípios éticos, morais, reconhecendo meu papel perante a sociedade”. João Victor
É muito gratificante contribuir na formação humana, estimular o desenvolvimento das potencialidades de cada educando e verificar ao longo dos anos o resultado deste trabalho. 28
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O aprendizado e os vínculos formados durante o período escolar se estendem por toda a vida, hoje esses ex-alunos desenvolvem papel importante na sociedade, levando não somente os conhecimentos adquiridos, mas os valores apreendidos que perduram e se multiplicam no meio em que vivem. Esses depoimentos nos trazem a certeza de que estamos no caminho certo, formando cidadãos responsáveis que através dos seus exemplos positivos, ajudam a construir uma sociedade melhor, mais justa e igualitária.
Maleta Viajante
Danielle Cristina Thomaz Sperafico Carneiro Magda Moleta Garcia Educadoras Centro de Educação Infantil Pe. Carlos Zelesny Ponta Grossa – PR
Entendemos que é necessária a realização de um trabalho que desperte, desde cedo, o gosto e o hábito de leitura. Sabemos o quanto é difícil competir com as tecnologias do mundo atual em relação aos diversos chamarizes que eles utilizam para manter a criança entretida, porém, acreditamos que fazendo a utilização de estratégias certas (estimular os educandos a manusearem mais os livros, utilizar meios como os fantoches de tecido ou de vara, dedoches, avental e tapetes coloridos, imagens diversas, “baú-prateleiras” com livros chamativos e fazer com que compreendam que dentro dos livros é possível encontrar um mundo cheio de encantamentos) essa batalha com certeza poderá ser ganha. Optamos por desenvolver o projeto “Maleta Viajante”, com o intuito de oferecer uma alternativa prazerosa para auxiliar na alfabetização das crianças. Escolhemos essa temática pela importância que a leitura de histórias tem para ajudar no processo de alfabetização. Esse projeto começou a ser colocado em prática no mês de maio, quando as crianças, juntamente com as educadoras começaram a conversar sobre ele e a pesquisar sobre os personagens que chamavam mais atenção. Após a escolha dos personagens, decidimos confeccionar os fantoches com caixas de leite e pudemos demonstrar de forma lúdica para as crianças como reutilizar materiais reciclados na confecção de brinquedos. As crianças acompanharam e participaram de todo o processo de construção do projeto, e até duvidaram que pudessem ser confeccionados fantoches utilizando caixas de leite. As crianças mostraram-se curiosas e desconfiadas durante a confecção dos fantoches, mas quando as caixas de leite começaram a tomar forma de personagens, elas queriam brincar e, mesmo ainda não concluídos os fantoches, começaram a inventar histórias e utilizá-los como personagens para suas histórias. Quando terminamos os fantoches, fomos para segunda etapa: escolher livros que as crianças pudessem levar dentro da maleta, pois como afirmam Sandroni & Machado (1998, p. 15) “os livros aumentam muito o prazer de imaginar coisas. A partir de histórias simples, a criança começa a reconhecer e interpretar sua experiência da Revista Sagrado | 2015
Projeto Educação Infantil
Projeto de leitura ‒
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vida.” A cada instante que passava ficava mais visível a ansiedade das crianças em ver o projeto concluído. A importância da literatura na Educação Infantil é muito ampla e é através dela que se pode estimular a criança em seu desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Segundo Abramovich (1997) quando as crianças ouvem histórias, passam a visualizar de forma mais clara, sentimentos que têm em relação ao mundo. As histórias trabalham problemas existenciais típicos da infância, como medos, sentimentos de inveja e de carinho, curiosidade, dor, perda, além de ensinarem infinitos assuntos. Era visível o interesse dos educandos pelo projeto. Quando chegava o dia do sorteio para ver quem levaria a “Maleta Viajante” para casa, todos ficavam ansiosos e demonstravam de várias formas o interesse em levá-la para casa. Quando a criança era sorteada, as outras não ficavam decepcionadas, pelo contrário ficavam contentes, aguardando ansiosas para sua vez chegar. Seguia dentro da maleta viajante as orientações, fantoches, cadernos de desenhos, lápis de cor, giz de cera e três livros. De acordo com Sandroni & Machado (1998, p. 16) “o amor pelos livros não é coisa que apareça de repente”. É preciso ajudar a criança a descobrir o que eles podem oferecer. Assim, pais e professores têm um papel fundamental nesta descoberta: serem estimuladores e incentivadores da leitura. A leitura e a interpretação dos livros deveriam ser feitas junto com os pais, para que despertasse a busca pela leitura por parte dos educancos. Teberosky (1991) afirma que o trabalho com a leitura e produção textual ocorre através da interação social e isto pode certamente ajudar na valorização da criatividade, na independência, na emoção do sujeito social e elaborar o chamado pensamento crítico. Quando a “Maleta Viajante” voltava para a sala de aula era uma alegria, pois a educanda que a havia levado iria contar à história que havia escutado em casa, e mostraria para a turma o desenho que havia feito no caderno. José (2007, p.12) suscita que a “a narração é uma arte que diverte, educa, ensina, desperta na criança o espírito ético para a verdadeira cidadania e, sobretudo, a leitura literária”. Os pais tiveram boa aceitação do projeto. Citamos aqui alguns comentários dos pais. “Ficamos felizes em fazer parte da educação da escola com minha filha. Foi muito bom ver o rostinho de minha filha escutando a história. Na próxima vez, quero mostrar a maleta para todos da família”, disse a mãe da aluna Victória, de quatro anos. “Tivemos a oportunidade de observar o desenvolvimento da nossa filha, ela prestava atenção em cada detalhe da história, e depois, utilizando os fantoches, contou a histórias também. Ela se divertiu muito fazendo o desenho da parte que mais gostou da historinha”, comentou a mãe da Eloisa, quatro anos. Aproximar os educandos do universo da leitura e dos portadores da escrita para que eles pudessem manusear, fez com que pudéssemos perceber que o aprendizado se torna mais significativo quando os educandos tem algo concreto e Revista Sagrado | 2015
que possam tocar. Com auxílio dos pais no desenvolvimento do projeto pudemos perceber que nossos objetivos em relação ao processo de aprendizagem foram alcançados. A Literatura Infantil tem fator importantíssimo para a formação intelectual e emocional dos educandos. O trabalho da família e do educador é incentivar que a prática seja diferenciada e motivadora. A “Maleta Viajante” proporcionou às crianças a realização da compreensão das histórias ouvidas. O projeto foi utilizado como uma ferramenta bastante rica na ampliação do conhecimento, pois através deste as crianças tiveram oportunidade de ouvir as histórias contadas pelos seus pais, e de recontá-las em sala de aula. Para que este projeto tenha continuidade, será necessário o estímulo contínuo desta prática, a qual contribuirá para o despertar do interesse pela leitura e pela busca de novos conhecimentos.
Referências ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil: gostosuras e bobices. 4 ed., São Paulo: Ed. Scipione, 1997. JOSÉ, Elias. Literatura infantil. Ler contar e encantar crianças. Porto Alegre: Mediação, 2007. SANDRONI, L. C.; MACHADO, L. R. (orgs). A criança e o livro: Guia prático de estímulo à leitura. 4ª ed. São Paulo: Ática, 1998. TEBEROSKY, Ana. Psicopedagogia da Linguagem Escrita. 4. ed. Tradução por Beatriz Cardozo. São Paulo: Trajetória Cultural; Campinas: Edit. da UNICAMP,1991.
Desafio de Evangelizar
Odailson Volpi Pastoral Escolar Colégio Coração de Jesus Nova Esperança – PR
Experiência de missão desperta educandos do Colégio Coração de Jesus para o amor ao próximo A Pastoral no Colégio Coração de Jesus, de Nova Esperança, região Noroeste do Paraná, tem como principal objetivo evangelizar educandos, educadores, família e comunidade em sua diversidade de crenças, status social e cultural, algo que figura como um verdadeiro desafio, mas também como resposta a essa nova forma de ser Igreja, que vem sendo suscitada nos últimos
tempos. Em outubro de 2014, em pleno mês missionário, a Pastoral, atendendo ao apelo do Papa Francisco que conclama a Igreja a ser uma “Igreja de saída”, diversificou sua forma de se fazer presença, por meio de seus educandos, na comunidade, na paróquia e na arquidiocese, sobretudo junto àqueles que ainda não conhecem o amor do Coração de Jesus. “Feitos para sermos livres, não escravos”, esse foi o tema do Dia Nacional da Juventude (DNJ) do ano de 2014, comemorado na Arquidiocese de Maringá entre os dias 18 e 19 de outubro, na paróquia São Paulo Apóstolo, na cidade de Sarandi, uma comunidade simples, pobre e muitas vezes marginalizada, mas rica em acolhimento, boa vontade e fé.
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Pastoral Escolar
Pastoral Escolar e o
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Atentos às propostas da Igreja local e ao convite do arcebispo, Dom Anuar Battisti, os agentes de Pastoral do Colégio Coração de Jesus, Odailson Volpe de Abreu e Irmã Marilza Barrios dos Santos apresentaram aos jovens da Pastoral Juvenil Cleliana o convite de levar a Boa Nova e o amor de Jesus às pessoas daquela comunidade, isso porque, inspirados pelo Dia Mundial das Missões e animados pelo tema relacionado à liberdade, os coordenadores juvenis da Arquidiocese de Maringá, ao programarem o DNJ – Dia Nacional da Juventude 2014, deram prioridade para a vivência missionária e para a Igreja jovem que vai ao encontro do próximo em suas realidades, sofrimentos e alegrias, promovendo a liberdade ofertada a todos pelo próprio Cristo. Para os agentes de Pastoral desta Unidade Educacional essa era uma ótima oportunidade para que os educandos colocassem em prática tudo aquilo que já vinham meditando, refletindo e rezando ao longo do ano por meio dos encontros, das campanhas, das celebrações eucarísticas e dos momentos celebrativos. Era hora de ir além dos muros da escola e de buscar o Cristo no próximo. Os educandos atenderam prontamente ao convite e ao longo de duas semanas se prepararam de forma intensa para a missão realizada na cidade de Sarandi, isso porque sair em missão é atitude de humildade e de prontidão, é preciso estar com o coração e alma preparados, pois, em cada casa e em cada conversa é preciso ofertar o que temos de melhor, que é o amor.
A missão do DNJ, como ficou conhecida entre os educandos, começou semanas antes, mas se concretizou plenamente nos dois dias do DNJ, quando os jovens chegaram à cidade de Sarandi, foram acolhidos pela comunidade e ficaram hospedados nas casas das famílias, onde receberam refeições, pouso e tiveram o primeiro contato com a comunidade. Neste dia, no início da noite, participaram de um Luau com toda a juventude da Arquidiocese, foi um momento forte de oração, louvor, celebração e partilha.
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No dia seguinte, ainda bem cedo, eles receberam as orientações para a Missão Jovem, um momento de profunda experiência missionária, coordenado pelo Projeto Desperta Jovem, onde os grupos de missionários saíram às ruas, com seus instrumentos musicais, abordando as pessoas em suas casas com canções e deixando como recado principal o amor de Deus. Após a Missão, no período da tarde, a programação do DNJ contou com apresentações musicais, partilha e muita animação. O encerramento do evento aconteceu com a Santa Missa presidida pelo arcebispo dom Anuar Battisti, que é o Bispo Referencial da juventude no Paraná. Foi um momento de intimidade entre a juventude e seu Arcebispo, que entregou aos jovens uma carta especial abordando temas relacionados à vida e a liberdade. Cada vez mais inserida na vida paroquial e arquidiocesana, a Pastoral Escolar do Colégio Coração de Jesus busca com essas atividades possibilitar uma integração entre os educandos e a Comunidade, fazendo com que se identifiquem com a vida e com o serviço na Igreja. Abaixo, seguem alguns relatos dos participantes da PJC que integraram a Missão do DNJ 2014 – Arquidiocese de Maringá. “Evangelizar no mundo atual é algo desafiador, principalmente em meio a tantas desigualdades e criminalidade, aspectos que devem ser vencidos para alcançar o próximo com a palavra de Jesus. Nós, da PJC, ao sairmos do nosso comodismo, experimentamos o amor de Deus no sorriso do povo da cidade de Sarandi, povo este que nos acolheu muito bem. Uma comunidade que, mesmo com suas dificuldades, busca vivenciar o amor e a fraternidade. Ao passar por uma casa, durante a missão, me deparei com uma criancinha que estava com uma bala na mão, subitamente
ela me ofereceu. Lembrei-me do Evangelho que diz que a mulher foi depositar no templo sua oferta, que era tudo o que lhe restara. Jesus fala que ela foi quem fez a maior oferta. Aquele gesto da menina foi uma prova do amor de Deus. Em nossa região, Sarandi é uma cidade famosa por causa dos altos índices de violência. Penso que falta mais investimento nas pessoas, nas famílias e na educação, mas vejo que a realização da missão naquele local foi uma oportunidade de chamar atenção para essa realidade e de oferecer um alento para aquele povo tão sofrido, em Jesus, que é o verdadeiro porto seguro.” (Guilherme Monteiro de Moura – EM2) “Essa foi minha primeira experiência de sair de casa para participar de uma missão. Mesmo a missão tendo ocorrido numa cidade relativamente perto da minha foi algo inesquecível, pois eu conheci pessoas especiais com quem tenho contato até hoje. A família que me acolheu fez o máximo para que eu me sentisse em casa. Nessa casa também ficou a querida Irmã Marilza e, juntas, tivemos a oportunidade de conhecer a vida das pessoas e da comunidade, ao mesmo tempo em que pudemos falar do amor de Deus e de Jesus Cristo. Espero poder participar de outras missões para conhecer mais pessoas e criar laços por meio da fé.” (Maria Gabriela Fumagali – EM1) “Quando fomos convidados para participar do Dia Nacional da Juventude e a ajudar a evangelizar durante a missão, achei muito legal a ideia, por isso fui para Sarandi, uma cidade, que de certa forma, sofre preconceito por aqui, por ser vista como uma cidade violenta. Ao chegar lá, percebi que não era bem assim e que a realidade era completamente diferente. Fomos muito bem acolhidos, tão acolhidos que me senti em casa, mas tínhamos uma missão: EVANGELIZAR. Juntamos o nosso aos demais grupos de outros lugares e cidades, rezamos, recebemos instruções e saímos para as ruas, cantando, lendo passagens bíblicas, como a de Zaqueu e falando de Deus para as pessoas. O melhor dessa experiência é pensar que estamos falando de Deus, plantando uma semente no coração de cada pessoa que evangelizamos. São essas sementes que um dia irão crescer, brotar e que darão frutos.” (Matheus Moro – EM2)
“Ir ao DNJ foi uma experiência ímpar na minha vida, pois participar de retiros e fazer amizades na Igreja é uma coisa, agora ir para um encontro que proporciona a experiência de missão e permite que você se envolva totalmente com outras pessoas, seu cotidiano e realidade, é outra completamente diferente e maravilhosa. A família que me acolheu realmente me adotou. Quando os dias de missão chegaram ao fim, todos ficamos tristes por termos de nos separar. Durante o encontro, vários momentos permitiram uma aproximação com pessoas que estão perto de mim todos os dias, mas que nem sempre nos falávamos. Antes de ir para Sarandi eu estava preocupada, pois não sabia se alguém ia nos tratar mal ou algo assim, entretanto, o que encontrei foi uma população carente de atenção, algo que eu tinha para oferecer gratuitamente. Isso foi incrível! Espero que essa tenha sido a primeira de muitas missões. Obrigado Pastoral Escolar por essa oportunidade.” (Isabela Salazar – EM3) “A missão realizada no Dia Nacional da Juventude, na cidade de Sarandi, foi para mim uma experiência especial e acredito que tenha sido especial também para as pessoas que nos acolheram em suas casas, em suas realidades e em suas vidas. A maneira como a missão foi realizada foi uma forma de sair da zona de conforto, sair da minha casa, para visitar casas e pessoas que nunca vi antes, algo que eu nunca faria na minha vida se não fosse a missão. Acredito que nós, PJC do Colégio Coração de Jesus, ao deixar nosso lar e sair para falar de Deus ganhamos de presente novas famílias, novos irmãos, não apenas por dois dias, mas para uma vida toda. Concluo que nesses dias aprendemos a nos doar ao próximo, indo ao encontro de Jesus na pessoa do outro, seja ele quem for, necessitado ou não. Reconheço que a cidade sede da missão, como tantas outras, é um lugar carente de amor e atenção, algo que procuramos levar a cada casa, a cada pessoa, com uma evangelização inovadora, oferecendo alegria, música e o evangelho. Uma forma criativa de falar de Deus e de pregar o evangelho.” (Amanda Yumi Valderrama Ono – EM3) Revista Sagrado | 2015
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Aprendizagem e Pesquisa 34
Clubes de Estudo:
a aprendizagem alicerçada à pesquisa no Ensino Médio
Altemir Schwarz, Miriam Andrade Mocelin, Tiago Zilio Educadores Julia Tomedi Poletto e Viviane Lanfredi Serviço de Orientação Pedagógica Colégio Sagrado Coração de Jesus Bento Gonçalves – RS
Pensar em uma proposta para o Ensino Médio, por si só, já é um tema desafiador. As variadas tecnologias e o mundo pluricultural em que nossos adolescentes estão imersos possibilitam o acesso rápido às informações, as quais, por vezes, encontram-se desconectadas da aprendizagem. E essa “desconexão” geralmente acontece porque aquilo que eles recebem de informação não é analisada pelo viés científico e, portanto, não é problematizada. Considerando esse desafio e essa necessidade de fazer com que nossos jovens olhassem de maneira mais crítica e com fundamentação teórica para o mundo, bem como cientes da realização da Olimpíada Estadual de Filosofia, no ano de 2015, os educadores e o Serviço de Orientação Pedagógica do Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Bento Gonçalves, decidiram pensar em uma proposta diferenciada de trabalho para o Ensino Médio, na tentativa de ampliar os conhecimentos construídos em sala por meio do olhar científico, ou seja, pela pesquisa. Dessa forma, foram criados “Clubes de Estudo”. A ideia dos clubes teve como embasamento teórico Ronaldo Mancuso (1996), o qual trabalha com essa proposta, apresentando, inclusive, o processo histórico do surgimento dos clubes. Além disso, para este ano, os assuntos abordados em cada clube estarão vinculados com a temática da Olimpíada, “O cuidado com o outro: que diferença isso faz para nossas existências?”, visto que o Colégio sediará este evento. Para se ter uma ideia, com as mudanças ocorridas no ensino de ciências a partir dos anos finais da década de 1950, reflexo do contexto político e econômico, surgiram os primeiros clubes de ciências no Brasil, que tinham como objetivo favorecer a vivência do método Revista Sagrado | 2015
Neste período, predominava o discurso da neutralidade científica refletido nas atividades dos clubes, as quais se davam basicamente pelo trabalho de construção de artefatos tecnológicos, secundarizando ou ignorando processos investigativos (MANCUSO, 1996). Após o golpe militar de 1964, as políticas educacionais direcionaram o papel da escola para produção de mão de obra tecnocientífica, visando o desenvolvimento econômico do país. Contudo, de modo geral, a concepção atual de clube mudou. Anteriormente, essa proposta visava atender os avanços tecnológicos, agora tem como objetivo tornar o ensino significativo, dando-lhe sentido pela associação entre teoria e prática, por meio de processos de investigação que enfatizam o cotidiano de realidades locais e regionais e ressaltam a interação do conteúdo científico com a dimensão social. O clube agora tem caráter interdisciplinar. Dessa forma, pode-se sinalizar como objetivos comuns dos clubes, independente das orientações que apresentem: a oferta de espaço e o suporte para o aprofundamento da curiosidade, o fomento à interação com a comunidade e o entorno de seu local de atuação, o estímulo para que o indivíduo possa reconhecer, questionar e buscar soluções para os problemas do seu
contexto, a divulgação das implicações da área de conhecimento proposta no cotidiano, a complementação do aprendizado escolar, o estímulo às ações coletivas e o desenvolvimento de uma postura questionadora. Com esses princípios, os clubes de estudo do Colégio Sagrado Coração de Jesus contemplam diferentes componentes curriculares, intitulados: “Bioética” (Filosofia e Biologia), “Imigração” (Geografia, História e Sociologia) e “Relatividade” (Física, Química e Matemática). Os clubes são constituídos por educandos que, orientados por educadores, buscam realizar atividades de investigação e divulgação científica, com o propósito de despertar ou incrementar o interesse pela área de estudo proposta. Cabe salientar que os Clubes de Estudo são uma proposta do contraturno e, portanto, não obrigatória, uma vez que têm como objetivo produzir pesquisas sobre áreas de interesse do educando, para além do espaço escolar. Quem decide participar dos Clubes de Estudo necessita, prioritariamente, ter interesse pela pesquisa e estar aberto a aprender pelo viés da investigação, da análise de casos e da reflexão sobre situações do cotidiano. Como culminância desse trabalho, os educandos que participam dos Clubes de Estudo apresentarão suas pesquisas em um seminário interno do Colégio e na Olimpíada de Filosofia, a ser realizada no mês de outubro. Ainda é cedo para falar em resultados, visto que essa proposta foi criada neste ano de 2015. Entretanto, pelo interesse dos participantes e pelo envolvimento da comunidade educativa nesse projeto, é possível afirmar que a pesquisa passou a fazer parte da vida desses jovens de maneira mais intensa e qualificada. Pesquisa, portanto, é a construção de um novo conhecimento, de uma nova técnica, criação ou exploração de uma nova realidade. Pensando nisso, a pesquisa se faz muito importante para desvendar novos mundos, e o educando do Ensino Médio necessita aprender e apreender o significado disso, para que em sua caminhada acadêmica dê por continuidade o espírito pesquisador, pois sem pesquisa não há ciência, muito menos tecnologia. Se não houvesse pesquisa, todas as grandes invenções e descobertas não teriam acontecido.
Aprendizagem e Pesquisa
científico e incentivar a reprodução do que era feito em laboratórios de pesquisa pelos cientistas, uma concepção intimamente ligada ao contexto histórico marcado pelos avanços tecnológicos.
Referências MANCUSO, Ronaldo (Coord.); LIMA, Valderez Marina do Rosário; BANDEIRA, Vera Alfama. Clubes de Ciências: criação, funcionamento, dinamização. Porto Alegre: SE/CECIRS, 1996. BAGNO, Marcos. Pesquisa na Escola: o que é como se faz. 5 ed. São Paulo: Loyola, 2000.
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Formação
Por que cursar o
Ensino Médio no Sagrado?
Eduardo Antonio de Camargo Educador Rede Sagrado Curitiba – PR
“O SAGRADO – Rede de Educação tem como missão oferecer uma educação acadêmica, cristã, que assegure a formação de cidadãos reflexivos, autônomos, éticos, criativos, solidários e socialmente responsáveis.” (Proposta Pedagógica Cleliana 2012, p. 14). Com o intuito de seguir nesta direção, o Ensino Médio do SAGRADO – Rede de Educação, conta com diferentes mecanismos de abordagem pedagógica, sem perder a essência acadêmica ou o humanismo cristão. O Ensino Médio tem por objetivos: possibilitar ao educando a compreensão do mundo em que vive em sua complexidade, para que possa nele atuar visando sua transformação; aprimorar no educando a consciência da cidadania, a formação ética, a autonomia intelectual e o pensamento crítico; propiciar a compreensão do conhecimento historicamente construído, nas suas dimensões filosófica, artística e científica, em sua interdependência nos diferentes componentes curriculares. (Proposta Pedagógica Cleliana 2012, p. 27) Então por que cursar o ensino médio conosco? São muitas as justificativas. O Ensino Médio da Rede Sagrado conta com uma organização estrutural que distribui os assuntos curriculares em dois anos e meio. No último semestre da 3ª série, os educandos entram em um período de revisões conceituais, em uma modalidade conhecida como Semi-Extensivo. Neste período, os educadores trabalham com material específico de retomada conceitual, proporcionando maior segurança aos educandos que se preparam para os testes seletivos e exames nacionais, como o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). É importante ressaltar que o humanismo cristão nunca é deixado de lado. O carisma da fundadora Madre Clélia permeia todo o desenvolvimento do trabalho dos educadores da Rede Sagrado, que lecionam desenvolvendo conteúdos atitudinais e procedimentais, vinculando o afetivo e o acadêmico. Ainda na direção acadêmica, no ano de 2015 o SAGRADO – Rede de Educação deu um importante passo na busca da excelência acadêmica e cristã. Com material personalizado, o Ensino Médio passou a utilizar um material didático “apostilado”, que segue a Proposta Pedagógica do SAGRADO – Rede de Educação, facilitando a organização dos educandos para a execução das atividades e compreensão dos conteúdos de aprendizagem conceitual, procedimental e atitudinal. Com o intuito de pluralizar as ferramentas e metodolo-
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gias pedagógicas, desde 2012, são planejados e executados “Aulões Temáticos”, eventos que apresentam um dinamismo diferenciado do encontrado em sala de aula, misturando conteúdo, entretenimento e profundo envolvimento entre o corpo docente e discente das Unidades Educacionais do SAGRADO – Rede de Educação. No ano de 2015, ocorreram dois destes eventos, com o tema “Poder e Educação”, e contou com educadores de diferentes componentes curriculares e educandos das Unidades Educacionais de Curitiba e de cidades do Rio Grande do Sul. Em comparação com os anos anteriores, a adesão aos aulões foi massiva, com muitos aspectos positivos e aprovação geral dos educandos. O SAGRADO – Rede de Educação entende que a educação é um dos subsídios essenciais para a edificação de uma cidadania eficaz e efetiva, compreendendo que os processos educativos permeiam a vida dos indivíduos, habilitando-os a fazer uma leitura crítica da realidade que defende e ao mesmo tempo promove a vida em condições dignas (Proposta Pedagógica Cleliana 2012, p. 51). Nesta perspectiva, o poder está com a educação que visa preparar cidadãos éticos, criativos e solidários, presentes na missão da Rede Sagrado. Os cidadãos habilitados, para a mudança de uma sociedade, mais justa e fraterna. Percebendo os fatos ocorridos no Estado do Paraná, como a greve dos educadores estaduais, crise com os legisladores e membros do poder executivo estadual, justificou-se o tema “Poder e Educação”. No dia 20 de junho, foi realizado no Colégio Sagrado Coração de Jesus, o Primeiro Aulão em preparação para os vestibulares de Curitiba e região. O evento contou com a apresentação de cinco aulas diferenciadas, em intervalos que contavam com a apresentação de música ao vivo e momentos de sorteio de brindes. Este evento contou com a participação de aproximadamente 300 educandos do 9º ano do Ensino Fundamental a 3ª série do Ensino Médio das Unidades Educacionais de Curitiba (Colégio Sagrado Coração de Jesus, Colégio Social Madre Clélia, Escola Santa Teresinha do Menino Jesus e Colégio Imaculada Conceição). Este evento contou com a participação dos educadores de Física, Geografia, Sociologia, Matemática e Língua Inglesa. No evento do dia 19 de setembro, os educandos das Unidades Educacionais do SAGRADO – Rede de Educação estiveram presentes no Colégio Social Madre Clélia no pe-
“Bom, minha história no Sagrado se deu no início de 2003. Ingressei na época do antigo ‘jardim III’ e vivi dentro da rede inúmeras histórias e acontecimentos. Foi na Rede Sagrado em que pude aprender, de fato, como a vida funciona de maneira diferenciada, fora dos quatro muros do colégio, onde aprendi a lidar com circunstâncias além de uma sala de aula. Desde 2013 participo engajado com a música nos Aulões da Rede Sagrado, não apenas tocando, mas dando ideias, sempre e com iniciativas para o crescimento, tanto educacional quanto estudantil. Sempre tive muito zelo pela Rede, pelas Irmãs, pela equipe docente e pelos funcionários. Só quem estuda/ estudou sabe do que se trata. O tratamento é diferenciado. No Sagrado nunca tive a sensação de ser apenas mais um aluno cumprindo afazeres pedagógicos, mas obtive também, espaço mais do que suficiente para expandir esses conhecimentos para fora de sala de aula. Hoje estou cursando Ciências Aeronáuticas na Positivo, me sinto muito feliz e realizado com o que faço. Sou muito grato a todo tratamento recebido por todos e, por causa disso, como diz o ditado: ‘O bom filho a casa torna’, eu retorno SEMPRE ao Sagrado e a Rede. Continuo tocando nos aulões, conhecendo e incentivando os alunos que estão passando pela
pressão do vestibular, indecisão, dúvidas, entre outras responsabilidades que vão pesando ao longo do tempo e são muito bem gerenciadas pela equipe Sagrado. Em todos os Aulões da Rede, pude participar ativamente com a música, porém, isso não foi um fator que de modo algum tirava o meu foco do vestibular, pelo contrário, estava participando ‘de perto’ das aulas, sentado nos cantos do palco, mas com os ouvidos atentos sempre tirando dúvidas com os professores em cada dia. Só tenho agradecimentos a realizar pela educação que recebi e espero participar dos eventos da Rede sempre a todo vapor! Muitíssimo obrigado!” Vitor Emanuel Rebellato (Ex-aluno da Unidade Educacional Colégio Sagrado Coração de Jesus – Curitiba/PR) “Os Aulões promovidos pelo SAGRADO – Rede de Educação são muito úteis para a preparação ao ENEM, vestibulares e também para o aprendizado de sala de aula, como uma aula complementar. Estas oportunidades tem nos ajudado a revisar e compreender o conteúdo englobado com mais dinamismo e descontração. É uma oportunidade aberta a muitos educandos, mas acaba por atender àqueles que realmente estão focados em seus objetivos de melhorar suas habilidades para a realização das provas. Os Aulões das quintas-feiras, por exemplo, ajudam a desenvolver capacidades de melhor compreensão das questões apresentadas, dos textos, tabelas, gráficos e daquilo que se precisa para administrar o tempo, que não é muito, especialmente no segundo dia, quando se tem a Matemática e a Redação juntas. Observamos nestes encontros a interação entre educandos e educadores da Rede Sagrado e aqueles que se destacam na participação e envolvimento com o trabalho proposto. Há também a interação dos objetos de estudos trabalhados, onde uma mesma questão pode ser desenvolvida por diferentes componentes curriculares, levando-nos ao mesmo resultado desejado. Isso ajuda muito. Oportunidades como estas fazem a diferença e devem continuar acontecendo.” Ana Carolini Toporowicz Soares | Guilherme Antônio Hinça Nathália de Andrade Schleder Gonçalves (Educandos do Ensino Médio – Unidade Educacional Colégio Social Madre Clélia – Curitiba/PR)
Formação
ríodo da tarde em um encontro recheado de conteúdo, entretenimento e emoção. O Segundo Aulão Temático, assim como o primeiro deste ano, teve a mesma temática, “Poder e Educação”, e contou com a participação dos professores de Língua Portuguesa, Filosofia, Biologia, História, Espanhol e Química. Entre outras propostas, os aulões promovem aprendizagem significativa, com maior integração entre os educandos e educadores, em situações diferentes das encontradas no cotidiano escolar. Os resultados foram muito satisfatórios, e no ano de 2016, teremos mais. Outro mecanismo de preparação acadêmica ofertado pela Rede Sagrado são “Aulões Preparatórios para o ENEM”, que ocorrem nos meses de setembro e outubro, semanalmente. Nestas aulas, o perfil didático-pedagógico é diferente dos aulões temáticos. Com direcionamento mais crítico, aprofundado e específico, os educandos são convidados a resolver situações-problema em aulas que exigem o conhecimento científico abordado no Exame Nacional do Ensino Médio. Professores das diferentes Unidades Educacionais são convidados para este trabalho, aumenta o referencial teórico dos educandos. Neste mesmo período que antecede os principais testes seletivos da região de Curitiba, ocorrem também as Oficinas de Produção Textual. São ofertados dois encontros para as turmas de 9º ano do Ensino Fundamental e 1ª série do Ensino Médio, e outros dois para as turmas de 2ª e 3ª séries do Ensino Médio. Este momento de produção é desenvolvido com turmas pequenas, priorizando o atendimento personalizado e buscando desenvolver diferentes habilidades na construção de textos e redações específicas. Temos ainda o “Aulão de Véspera da UFPR”, momento de tirar a ansiedade e nervosismo dos educandos em aulas descontraídas, com os últimos detalhes e dicas essenciais ao educando do SAGRADO – Rede de Educação, futuro acadêmico e profissional requisitado no mercado. Espera-se que, após toda esta dedicação, empenho, organização e competência dos educadores, os educandos tenham um final de ano abençoado, e que possam carregar as boas lembranças, valores e conhecimento deste ano sagrado.
“Achei os Aulões bem produtivos e divertidos. Não foram cansativos e os alunos gostaram. As dinâmicas chamaram bastante atenção e tornaram o Aulão divertido. O Professor Rafael se preocupou em perguntar aos alunos as músicas que gostariam que tocassem, para agradar os alunos. Quando foram colocadas algumas perguntas de vestibular para resolvermos juntos, foi uma forma de preparo para o ENEM, o vestibular da Federal e outras instituições. Gostei bastante do Aulão.” Natalia Pires (EM 22 – Unidade Educacional Colégio Imaculada Conceição – Curitiba/PR) “O último Aulão do ano foi muito bom, ao mesmo tempo as aulas conseguiram ser divertidas, descontraídas e principalmente bastante produtivas. Além das aulas, todos curtiram uma boa música e foi possível interagir com alunos de outras Unidades do SAGRADO – Rede de Educação. Com certeza, os Aulões foram de grande ajuda nessa reta final, com muitos vestibulares. Com todos esses pontos positivos, deixou um ‘gostinho’ de quero mais.” João Vitor Pereira (EM 21 – Unidade Educacional Colégio Imaculada Conceição – Curitiba/PR)
Referências PROPOSTA PEDAGÓGICA. SAGRADO – Rede de Educação. Volume 1, 2012.
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Orientação Profissional
Minha profissão: e agora?
Claudia Maria Jordan Serviço de Orientação Educacional Colégio Imaculada Conceição Curitiba – PR
Mudanças, escolhas, vestibular, metas, profissões, realização pessoal são conflitos enfrentados por muitos adolescentes nessa fase de transição da adolescência para a vida adulta. Quando o Ensino Médio chega ao final, surgem as dúvidas: E agora? Que caminho seguir? Que profissão escolher? A globalização e o amplo leque de opções de profissões contribuem para aumentar a indecisão do adolescente sobre o que escolher. Além disso, os jovens são bombardeados por informações sobre as melhores profissões, sofrem a pressão da família e a influência dos grupos de afinidade. A influência da família muitas vezes interfere nas escolhas, o nível de formação dos pais, suas aspirações em relação ao filho, suas expectativas e limites socioeconômicos. Há pais que obrigam os filhos a seguir uma profissão por ser financeiramente rentável ou pelo status que representa. Desse modo, impossibilitam a escolha consciente, afastam o jovem das dificuldades impedindo o aprendizado e o amadurecimento com as experiências. A escolha profissional deve fazer parte do projeto de vida, onde o jovem constrói uma perspectiva de futuro, que lhe permite vislumbrar o estilo de vida que sonha
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em ter e a profissão que lhe atrai. A perspectiva de futuro é fundamental para que o adolescente compreenda a importância de investir nos estudos. O papel da família é muito importante. Ela deve deixar o jovem pensar, para que consiga superar as dificuldades e fazer a a escolha. Os pais devem compartilhar experiências sobre a profissão, seu ingresso no mercado de trabalho, identificar as habilidades dos filhos, cuidando para não impor os seus desejos e sonhos. Oferecer apoio, dialogar e orientar para que as escolhas aconteçam de forma segura e consciente. Para tomar a sua decisão, o jovem deve buscar informações em fontes diferentes: escola, família, universidades e profissionais experientes. A profissão certa é aquela que tem a ver com você e que vai atender suas expectativas. O primeiro conhecimento deve ser de si mesmo, seus gostos, habilidades e até limitações. Precisa estar consciente de quem é e da sua visão de futuro. Os testes vocacionais normalmente trazem ótimos resultados, auxiliam na escolha de um curso relacionado a sua personalidade e aspirações para o futuro. Elaborar uma lista do que gosta de fazer com seus amigos, das disciplinas preferidas, dos filmes e livros
CIEE Paraná, para a realização de palestras sobre temas diversificados, entre eles: Projeto de Vida, Dicas de Entrevista. Fazemos uma visita à Feira de Profissões de algumas universidades e finalizamos o projeto com o Encontro de Ex-alunos e Profissionais, onde os nossos educandos do Ensino Médio participam inicialmente de uma palestra sobre um tema de interesse ligado às escolhas, metas. Em seguida eles têm a oportunidade de conversar, esclarecer dúvidas e realizar trocas sobre as universidades, cursos e profissões do interesse de cada um. Ao longo da vida fazemos muitas escolhas, mas a escolha profissional é a primeira grande decisão tomada, exige paciência, cuidado, reflexão e responsabilidade. “A vida é a soma de todas as suas escolhas.” Albert Camus “É um período complicado, pois estamos dando nosso primeiro passo rumo à independência, um passo com nossas próprias pernas. Esta é a nossa primeira grande conquista onde ninguém mais vai batalhar por nós, depende única e exclusivamente de nossos esforços. Existem variadas pressões ao nosso redor, seja por parte da família ou dos amigos. O meio em que vivemos já nos coloca em uma situação rigorosa. Durante um tempo minha família me ajudou, fizeram tudo o que podiam. É um momento tão delicado. Indicaram-me alguns testes vocacionais, acompanhados por uma psicóloga. Isto me trouxe muitas opções, me guiou até aqui e foi justamente com o auxílio dela que pude ter certeza do que faria.” (Jonathan Miranda Venâncio – EM31)
Orientação Profissional
que chamaram sua atenção também ajudam muito no processo de autoconhecimento. Procurar profissões que combinam com o seu perfil e buscar todas as informações possíveis sobre elas, assistir palestras, ler a respeito, participar de congressos, pesquisar sobre o mercado de trabalho, campos de atuação, remuneração, conversar com profissionais da área em fóruns sobre o assunto nas redes sociais pode ajudar e, se possível, acompanhar de perto o dia a dia de trabalho. Ser feliz e fazer o que gosta deve ser a prioridade enquanto busca informações sobre o futuro profissional. Sucesso profissional e financeiro podem caminhar juntos. Conhecer universidades, avaliar a grade curricular dos cursos e ler a ementa das disciplinas para obter informações sobre todas as possibilidades dentro de uma profissão dará uma boa noção sobre os conhecimentos exigidos. Não se deixe seduzir pelas profissões da moda, a sua escolha não deve ser feita apenas com base na oferta de empregos ou na expectativa de um retorno financeiro quase que imediato. Todo o processo de tomada de decisão é trabalhoso, mas pode levar a garantia de uma felicidade e sucesso ao longo da carreira profissional. Depois da escolha da profissão, é preciso definir o caminho que pretendemos dar a nossa carreira,pois nem sempre escolhemos os critérios corretos. Historicamente, o termo “carreira” significa “caminho rumo a um objetivo”.No meio corporativo, referese ao percurso profissional pretendido para atingir os objetivos pessoais e profissionais e chegar à satisfação e realização. “Ou seja, tudo o que se aprende e se faz durante a trajetória profissional é a construção da carreira pretendida.” (PORTAL DA EDUCAÇÃO, 2012) “Portanto, o planejamento antecipado da ‘carreira’ é fundamental para que o caminho percorrido tenha uma direção bem definida, por uma via a ser estabelecida por meio do autoconhecimento, de forma a contemplar as particularidades de cada pessoa, e capaz de conduzir o indivíduo à auto-realização profissional.” (EQUIPE RHIO’S) Se você pretende ser um profissional bem sucedido, que se destaque no mercado, deve buscar o crescimento contínuo para o desenvolvimento da sua carreira. Algumas atitudes importantes são: metas definidas, comunicação eficiente, leitura constante (atualização) e bons relacionamentos interpessoais. O Serviço de Orientação Educacional elabora anualmente um Projeto de Orientação Profissional com uma série de atividades para os educandos do Ensino Médio. Inicia com a orientação individual dos educandos que chegam ao Ensino Médio com dúvidas, sugerindo alguns passos que devem seguir para realizar o processo de escolha profissional. Realizamos testes vocacionais online em alguns sites avaliados antecipadamente. Esses testes traçam um perfil da pessoa e sugerem algumas profissões. Em seguida, os educandos podem pesquisar e ler sobre elas. Também realizamos um trabalho em parceria com o
“Este momento de escolha, para mim, está sendo o mais agonizante e desesperador, em razão da indecisão. Escolher o curso em que eu me encaixo melhor, algo que vai definir meu futuro a partir de agora, que eu vou ter que estudar pelo resto da minha vida e que me satisfaça social e economicamente. Mesmo com o grande incentivo e apoio da família e amigos, o nervosismo é inevitável. Porém, este período de indecisão é temporário e espero estar satisfeita após minha escolha.” (Bárbara do Prado – EM31) “Sempre me interessei pelo espaço de justiça social. Já tinha em mente que escolheria algo que me colocasse em contato com as problematizações que a sociedade está enfrentando. O processo para escolher essa área foi árduo. Escolher esse caminho, tomar uma decisão não foi nada fácil. Enfrentei muitas críticas e em certos momentos até pensei em desistir. Muitos ainda dizem que o curso é muito difícil e que certo dia irei Revista Sagrado | 2015
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Orientação Profissional
me arrepender. Nessa perspectiva, encontrei suporte na minha autoconfiança. Decidi o que eu quis sem seguir as influências ao meu redor. A pessoa que mais me apoiou nessa decisão foi a minha mãe. Ela comenta que sempre teve a “sensação” de que eu escolheria esse curso, pois muitas vezes defendi as minorias e tive base em fortes argumentos. Sinto que estou fazendo o que é certo. Escolhi algo que eu amo e espero ter sucesso executando minha atividade.” (Júlia Bueno Figueiredo – EM31) “A escolha da profissão, do curso mais especificamente, tem sido difícil. Apesar de tantas opções, escolher algo que combine com o que eu gosto não foi nada fácil. Ainda, quando decidi, percebi que o curso escolhido não estava disponível em todas as universidades e, de novo, a indecisão surge para escolher uma segunda opção. Meus pais me apoiaram bastante, me incentivaram a escolher o que eu gosto, sem pressa e sem me preocupar. Agora, na reta final, é impossível ficar sem aquele nervosismo. Percebo que a maior parte da pressão que sofro vem de mim mesma, pois costumo me cobrar demais. Mas enfim, é um momento que logo vai passar. Espero ter feito a escolha certa e, se não fiz, só eu posso mudar meu futuro.” (Larissa Ramos Hunter – EM31) “A escolha do meu futuro curso começou a ser construída desde o primeiro ano que entrei no Ensino Médio. Apesar disso, ainda não estou seguro sobre o que farei, porque sei que será uma decisão que vai apontar e construir toda a minha carreira profissional. Algo que me deixa mais tranquilo é a confiança que meus familiares me passam. Além disso, meu irmão está sempre me dando boas referências sobre meu futuro estudantil e profissional, pois ele já passou pelo mesmo caminho e sabe o tamanho da dificuldade.” (Lucas Boaventura Garcia – EM31)
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“A dúvida permanece, é algo constante. Escolhi o Curso de Formação de Oficiais porque o meu sonho desde criança é ser policial. Além da dúvida, a pressão é grande, meus pais dizem que não tem futuro, mas na minha percepção, é totalmente o oposto. Permaneço firme. Se você trabalha com amor, terá futuro, tornará o seu trabalho exemplar.Caso ainda esteja na dúvida, corra atrás de informações assim como eu fiz e, no final, você conseguirá optar pelo curso certo para você.” (Matheus de Carvalho Chagas – EM31) “A escolha do curso que vou seguir foi uma decisão que conta com o total apoio dos meus familiares, que percebiam minha facilidade na área de exatas e, por isso, me aconselharam a seguir o ramo da engenharia. Além disso, a profissão casa exatamente com a empresa do meu pai e, pensando por esse lado, estaria bem encaminhado no mercado de trabalho. A certeza total dessa decisão só não existe por conta da Química, que realmente me fascina. Mas a princípio a minha opção é por Engenharia Civil.” (Gustavo Lopes Balbinot – EM31) “Desde que o assunto profissão se tornou sério, eu já sabia o que ia fazer: Medicina, o curso da minha vida. Não me via fazendo outra coisa. Quando entrei no Ensino Médio as dúvidas começaram a surgir devido à dificuldade do ingresso em uma universidade e o excesso de desmotivação que existia por parte de muitas pessoas. Depois de uma conversa, quando estava na 2ª série do Ensino Médio, com meu professor de Biologia e com uma profissional da área, decidi que iria enfrentar as dificuldades que o curso impõe e seguiria meu sonho.” (Marina Flores Soares de Almeida – EM31)
Referências PORTAL DA EDUCAÇÃO. O que é uma carreira profissional? Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/iniciacao-profissional/artigos/24195/ o-que-e-uma-carreira-profissional>. Acesso em: 05 jun. 2015. EQUIPE RHIO’S. O conceito de carreira. Disponível em: <http://blog.rhios. com.br/2011/08/11/o-conceito-de-carreira/>. Acesso em: 05 jun. 2015.
Unidade Educacional Escola de Educação Básica São Domingos Benedito Salvador Ataguile Educador Escola de Educação Básica São Domingos Torres – RS
A Educação Ambiental é um tema muito discutido atualmente devido ao fato de se perceber a necessidade de uma melhoria do mundo em que vivemos, pois é facilmente notado que estamos regredindo cada vez mais em nossa qualidade de vida. Frequentemente, o termo “meio ambiente” é visto como um sinônimo de ecologia, de forma que a educação ambiental passa a ser tratada como um assunto que envolve exclusivamente a área da Ecologia. No entanto, tal ideia é equivocada. A Ecologia é o estudo das interações dos seres vivos entre si e com o meio ambiente. No
Educação Ambiental
A Educação Ambiental na
caso do tema “educação ambiental”, pode-se trabalhar com a problematização do lixo, por exemplo, que se insere numa área de questão social. A questão ambiental vem sendo considerada como cada vez mais urgente e importante para a sociedade, uma vez que o futuro da humanidade depende da relação estabelecida entre a natureza e o uso, pelo homem, dos recursos naturais disponíveis. Nos últimos tempos, a educação ambiental é preocupação das pessoas no mundo todo, pois cada vez mais se vê os efeitos negativos da ação do homem sobre a naRevista Sagrado | 2015
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Educação Ambiental 42
tureza, colocando em risco a vida dos seres humanos. A Educação Ambiental promove, efetivamente, a mudança de atitudes e comportamentos, pois só assim uma sociedade sustentável será possível. A Educação Ambiental tem por prioridade colaborar na formação de pessoas que ajam com responsabilidade, autonomia e criatividade, assim como construir uma consciência crítica e fomentar conhecimentos como parte dela e, assim, usar seus recursos com sabedoria. A importância da educação ambiental é contribuir para a formação de cidadãos conscientes de seu papel na preservação do meio ambiente e aptos para tomar decisões sobre questões ambientais necessárias para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável. Em nossa Unidade Educacional, a Educação Ambiental iniciou no ano de 1998, as aulas foram ministradas na chácara das Bouguenvíleas, na Estrada do Mar, propriedade experimental da Escola. A chácara tinha uma produção orgânica, com criação de galinhas caipiras, porcos, co-
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dornas de granja e hortaliças como cenoura, rabanete e beterraba, utilizados para conservas e comercialização in natura, além de uma estufa com produção de pimentão e pepinos. Também eram cultivadas frutas como o maracujá doce e o azedo, bergamotas e laranjas. Esses produtos eram comercializados na escola, nos restaurantes e feiras locais. No ano seguinte, as aulas também foram realizadas na Escola em turno inverso, os educandos tinham aulas semanais pela manhã. Nesse ano fizemos um convênio com a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) através do CECLIMAR e passamos a realizar cursos de Extensão Acadêmica em Imbé – Tramandaí, Barra do Ouro em Maquiné e Florianópolis (posteriormente com a implantação do Ensino Médio estendemos esses cursos para a Ilha do Mel, no Paraná e Angra dos Reis – RJ). Para os educandos de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, as aulas começam na sala de aula, estendendo-se para o laboratório de Biologia, local onde a fauna
Atualmente, as aulas são ministradas quinzenalmente para as turmas do Infantil III até as turmas dos 5ºs anos, as aulas práticas nos biomas citados acima são realizadas também para os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental II a 3ª série do Ensino Médio. As aulas de Educação Ambiental oferecem meios efetivos para que cada educando compreenda os fatos naturais e humanos e desenvolva suas potencialidades, adotando posturas pessoais e comportamentos sociais que lhe permitam viver numa relação construtiva consigo mesmo e com o meio ambiente, colaborando para que a sociedade seja ambientalmente sustentável e socialmente justa; protegendo, preservando todas as manifestações de vida no planeta: garantindo as condições para que ela prospere em toda a sua força, abundância e diversidade.
Ao decorrer de todo esse tempo, houve uma grande sensibilização dos educandos sobre a preservação ambiental e o papel que cada um desempenha na preservação do lugar onde vive, tanto na cidade quanto no planeta. O compromisso de preservar é uma constante e passa pela responsabilidade de preservar a partir daquilo que somos e do que consumimos, afinal de contas, consumir produtos naturais é também nossa forma de preservar o ambiente que vivemos. Torres tem uma vocação natural muito grande de conscientização e preservação ambiental. A cidade respira meio ambiente, depende diretamente do turismo natural para sua sobrevivência e isso induz a um compromisso socioambiental muito grande na maioria dos habitantes. Como educadores, somos também referência ambiental muito grande, nosso público estudantil está muito atento às nossas atitudes. Devemos caminhar rumo a sustentabilidade, pois nossas atividades em sala de aula e no nosso dia a dia refletem no compromisso que temos em preservar e formar indivíduos conscientes, que contribuem para a construção de uma sociedade mais consciente e solidária no uso dos recursos naturais, lembrando-os sempre que estes recursos não estão disponíveis para todos em todos os lugares do planeta, uma vez que são esgotáveis. As aulas de Educação Ambiental assumem, assim, o compromisso com mudanças de valores, comportamentos, sentimentos e atitudes junto à comunidade escolar, estimulando o espírito de cooperar uns com os outros e com a natureza.
Educação Ambiental
marinha, lacustre e terrestre são estudadas; em um segundo momento, as aulas acontecem na horta, onde são cultivadas hortaliças e espécies de plantas nativas. As espécies nativas são doadas para o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, dentro do Projeto Nascer e Crescer na Onda do Meio Ambiente. Para cada criança que nasce, a família recebe uma muda de planta nativa para acompanhar o crescimento tanto da planta, como do (a) filho (a), revelando a importância de uma relação de equilíbrio e harmonia entre o ser humano e a natureza, percebendo a interdependência em nossa existência. A finalização da aula ocorre com momentos lúdicos, com brincadeiras como “Tubarão e peixinhos”, “Morcego vampirão que horas são?” e “Viva a Terra”. Para os educandos do Ensino Fundamental II e Ensino Médio os encontros de Educação Ambiental acontecem na Lagoa do Violão, Praia da Cal, Praia Grande e Parque Estadual da Guarita, Pântano Salgado no Passo de Torres SC, Parque Estadual de Itapeva e Parque Nacional dos Aparados da Serra – RS.
Referências BOFF, Leonardo. Ecologia: Grito da Terra, Grito dos Pobres. São Paulo: Ática, 1995. BOFF, Leonardo. Ética da Vida. Brasília: Letra Viva, 1999. BOFF, Leonardo. Saber Cuidar. São Paulo: Vozes,1999. Parâmetros Curriculares Nacionais – Meio Ambiente. Disponível em: <http:// portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro091.pdf>. Acesso em: 03 jun. 2015.
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Inclusão
Educação Inclusiva ‒
Um Ato de Amor
Hanna C. Panzarini Silveira Serviço de Orientação Educacional Colégio Sagrado Coração de Jesus Ponta Grossa – PR
O processo de exclusão de pessoas com qualquer deficiência, consideradas “diferentes”, tem origem histórica. Elas eram tidas como incapazes, muitas vezes viviam escondidas e sempre estiveram em situação de desvantagem perante a sociedade, sendo alvo de pena e gestos de caridade. Considerando o processo histórico da humanidade, chegamos ao ponto onde as pessoas vistas como “diferentes” passaram a ser sujeitos de direitos sociais, entre eles, o direito à educação. Esses direitos são resguardados por leis e documentos, entre eles a Constituição da República de 1988, que prevê o direito ao pleno desenvolvimento dos cidadãos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, garantindo o direito à escola para todos. Desta forma, todas as pessoas devem ter o direito ao acesso e permanência na escola, recebendo uma educação de qualidade. Em uma sociedade cheia de diversidade, nos perguntamos: o que é ser diferente? Quem define o que é diferente? Afinal, cada indivíduo é único, é um ser individual inserido numa totalidade. Portanto, todos precisam de uma educação especial que atenda às suas necessidades para que se desenvolvam em sua integralidade. Nessa
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perspectiva podemos dizer que todo indivíduo deve estar inserido no processo de inclusão, recebendo uma educação especial e de qualidade. Como bem comenta Marinho (2007) educação inclusiva é o caminhar para uma escola aberta à diferença, de modo que todos possam fazer o seu percurso de aprendizagem, independentemente das desvantagens de natureza biológica, sociocultural, psicológica e educacional que possam apresentar. O processo de Inclusão Escolar, tão debatido na sociedade atual, pode ser resumido nas palavras de nossa querida Madre fundadora, Clélia Merloni: “exigir de cada um o que cada um pode dar”, reconhecendo a educação como obra de amor. O Santo Padre, Papa Francisco, diz que o dever de um bom professor é amar com mais intensidade os estudantes mais difíceis, mais frágeis, mais desfavorecidos. O Papa pediu que os professores “amem mais os que não querem estudar, os que estão em situações complicadas, os que têm menos capacidades e os estrangeiros, que hoje são um grande desafio para a escola” e diz ainda que os professores devem ser “capazes de dar sentido à escola, ao estudo e à cultura, sem reduzir tudo à transmissão de conhecimentos técnicos, e sim, com o objetivo de construir uma relação educativa com cada estudante, que tem de se sentir acolhido e amado pelo que é, com todos os seus limites e potencialidades”. Ao tornar a Unidade Educacional um espaço para a educação inclusiva, é necessário realizar adaptações curriculares, que, segundo o Ministério da Educação, são respostas educativas que devem ser dadas pelo sistema educacional, de forma a favorecer a todos os educandos e, dentre eles, os que apresentarem necessidades educacionais especiais. As adaptações devem ter como objetivo permitir que o educando frequente a Unidade Educacional com autonomia, rompendo barreiras arquitetônicas e metodológicas para que ele possa participar das atividades acadêmicas propostas. O SAGRADO – Rede de Educação realiza adaptação curricular a
possível identificar os objetos de estudo ou processos ainda não apreendidos pelo educando para que possam ser retomados no processo de ensinar. Também é importante ressaltar que o sucesso na educação inclusiva depende, além das medidas já citadas, da parceria entre família e Unidade Educacional. A família também deve ser responsável e estar disposta a acolher a necessidade especial, promovendo adaptações em casa, prestando o auxílio necessário em relação aos estudos e providenciando os atendimentos especializados necessários a fim de favorecer o desenvolvimento educacional, emocional e social do educando. Os desafios na educação são muitos, principalmente na educação inclusiva. Para superá-los podemos buscar ânimo e coragem nas palavras do Papa Francisco quando diz que “ensinar é um trabalho belíssimo porque permite ver o crescimento diário das pessoas confiadas ao nosso cuidado”. Devemos ser conscientes de que o trabalho realizado com compromisso e seriedade, dá sentido à missão educativa a nós confiada e torna-se o fio condutor do sucesso no processo de aprendizagem.
Inclusão
partir de criteriosa avaliação, para que se possa constatar a real necessidade do educando; a relação entre o nível de competência curricular do educando, a proposta curricular regular e o caráter processual do desenvolvimento humano e da aprendizagem, permanecendo aberto para alterações nas decisões tomadas. A partir dessa avaliação cuidadosa, inicia-se o desafio de fazer as adaptações adequadas a cada educando com necessidade educacional especial. Dentre as adaptações necessárias a serem realizadas estão: • Adaptação de habilidades cognitivas: corresponde à possibilidade de se eliminar, inserir ou complementar habilidades cognitivas a fim de favorecer os educandos com necessidades educacionais especiais para que possam beneficiar-se o máximo possível das possibilidades educacionais ofertadas; • Adaptação de indicadores de aprendizagem: permite ao educador trabalhar com um plano de ensino básico para a turma e versões um pouco modificadas que atendam às necessidades educacionais de um ou outro educando; • Adaptações do encaminhamento metodológico: considera a adoção de métodos bastante específicos de ensino, de acordo com a exigência da necessidade especial; • Adaptação do sistema de avaliação: talvez esta seja a adaptação mais desafiadora a ser pensada, pois não avalia o educando e sim o processo de aprendizagem dele. A avaliação da aprendizagem se dá durante o processo de ensino e de aprendizagem, nas relações dinâmicas de sala de aula. Para a elaboração dos instrumentos de investigação do processo avaliativo é necessário observar: a finalidade da avaliação, os critérios, o tempo, a qualidade dos instrumentos e o aproveitamento dos resultados. (Proposta Pedagógica, SAGRADO – Rede de Educação). Pensar na construção de um instrumento de investigação do processo avaliativo adaptado é pensar que cada educando é único, portanto, a adaptação feita para um, nem sempre servirá para outro. É necessário observá -los e descobrir quais são suas potencialidades e dificuldades para melhor avaliar seu conhecimento. Através dos resultados obtidos a partir da avaliação, deve ser
Referências AS LEIS sobre diversidade. Disponível em <http://revistaescola.abril.com.br/ formacao/leis-diversidade-424523.shtml.> Acesso em: 18 mar. 2015. Papa (2013- : Francisco). Um bom professor ama com mais intensidade o aluno difícil. Disponível em: <http://www.zenit.org/pt/articles/francisco-um -bom-professor-ama-com-mais-intensidade-o-aluno-dificil>. Acesso em: 21 mar. 2015. PROJETO Escola Viva – Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola – Alunos com necessidades educacionais especiais, Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, C327 2000. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/cartilha05.pdf.> Acesso em: 18 jun. 2015. PROJETO Escola Viva – Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola – Alunos com necessidades educacionais especiais, Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, C327 2000. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/cartilha06.pdf.> Acesso em: 18 jun. 2015. PROPOSTA PEDAGÓGICA. SAGRADO – Rede de Educação. Volume1, 2015. VITALINO, C.R.; MONROY, A.; TOLEDO, E.H.; REGIANI, E.A. Educação Inclusiva e neuropedagogia. ESAP, 2014.
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Tecnologias
Tecnologia a Favor da
Construção do Conhecimento
João Victor da Cruz Gestão de TI Central de Gestão Educacional
Códigos de barras bidimensionais capazes de armazenar números, letras e caracteres, assim como URLS da internet. A esse recurso damos o nome de QR Code. Um conjunto de portais com diversos conteúdos complementam as informações apresentadas. Para acessá-los, baixe um leitor de QR Code em seu smartphone, tablet ou dispositivo com acesso à internet, abra o programa, aponte a câmera do seu dispositivo para a imagem e acesse o conteúdo.
Um mundo tecnológico tem o poder de apresentar diferentes soluções para o dia a dia que, alteram nosso jeito de pensar, agir e principalmente a maneira de relacionar-se com a sociedade. Criou-se uma nova e diferenciada visão de mundo com incontáveis perspectivas. Nunca se compartilhou tanta informação e nunca estivemos tão conectados. Nesse contexto, segundo Giardelli (2012, p. 15) “todos estão conectados o tempo todo, e isso nos deixa, ao mesmo tempo, extasiados e angustiados”.
Social Bakers é um portal que apresenta estatísticas sobre compartilhamentos.
A medida que as TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação) se massificam, como no caso da popularização do acesso à internet através de diferentes dispositivos, o que era impossível já se torna possível e expande nossos limites (NEPOMUCENO, 2013). Muitas ideias revolucionárias, que mistificam o poder das tecnologias, devem ser analisadas com cautela, pois após serem testadas, podem não surtir o efeito desejado e causar grandes frustrações. É o caso de algumas tecnologias educacionais como a lousa interativa, que mesmo oferecendo inúmeros recursos, não garante a aprendizagem. Portanto, é hora de firmar os pés no chão e entender que o sucesso da tecnologia no ambiente educacional é proveniente do uso consciente e planejado, pois a inovação por si só não faz milagres.
Cetic.br disponibiliza indicadores sobre a disponibilidade das TIC’s no Brasil.
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As tecnologias nos permitiram inventar, reinventar e, principalmente, evoluir. Toda essa revolução em meio as novas descobertas regidas por um ritmo acelerado, deixa a sensação de sempre estarmos atrasados (GIARDELLI, 2012). É nítido que os hábitos da população mudaram, principalmente entre os mais jovens. A crescente necessidade de estarem sempre conectados, presentes nas mídias sociais, buscando novos conteúdos, trocando e compartilhando informações, tudo em tempo real, em qualquer lugar, a qualquer momento. MAS O QUE ENTENDEMOS POR COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES? HÁ LIMITES? O SAGRADO – Rede de Educação apoia o uso responsável das mídias sociais, assim como todo o conjunto de recursos tecnológicos que o torna possível, reconhecendo os potenciais benefícios profissionais, institucionais e sociais em decorrência do uso consciente de ferramentas tão ricas e poderosas. Nesse sentido o SAGRADO – Rede de Educação vem trabalhando na construção de bases sólidas para o desenvolvimento multidimensional da instituição, investindo na formação continuada dos seus educadores para que continuem a aprender novas competências à medida que a tecnologia evolui. O principal desafio é: como utilizar todo esse potencial tecnológico para a construção do conhecimento em um mundo cada vez mais colaborativo? Separamos aqui uma tendência que corresponde a várias práticas com significativos resultados na educação em grande parte do mundo: a utilização de “Ambientes Colaborativos”. Essa é apenas uma das 10 tendências apontadas no estudo “As Perspectivas Tecnológicas para o Ensino Fundamental e Médio Brasileiro de 2012 a 2017: Uma Análise Regional do NMC Horizon Project”, que foi um esforço de pesquisa colaborativo entre o New Media Consortium (NMC) e o Sistema FIRJAN.
AMBIENTES COLABORATIVOS Ambientes colaborativos são, de modo geral, espaços virtuais online, baseados em tecnologias computacionais, organizados de uma forma que garante acessibilidade a informação de qualquer lugar do mundo, tendo como principal objetivo facilitar a colaboração e o trabalho em grupo.
O projeto REA (Recursos Educacionais Abertos) da Dante Aleghieri High School (São Paulo) fornece materiais educacionais livres, criados e selecionados por professores e alunos.
O projeto internacional eLanguages possibilita o compartilhamento de ideias com professores do mundo todo.
Partindo deste princípio, com a Internet, criou-se um novo ambiente cognitivo mais interativo, também trouxe aos educandos maior proximidade a um mundo de conhecimentos que só era habitado por professores. É possível mobilizar pessoas de qualquer parte do mundo a participar de um esforço coletivo e trocar experiências, ideias, tirar dúvidas e trabalhar nos mesmos projetos sem a obrigação de estar fisicamente juntas. Transpondo esse modelo para a escola, todos acabam se reeducando e adequando a nova forma de absorção do conhecimento por meio de canais alternativos e descentralizados, mostrando que o conhecimento está em todos os lugares e não mais em poder de uma única pessoa, oferecendo aos educandos uma variedade de perspectivas de trabalho, mostrando como lidar com a informação, como selecioná-la, filtrá-la, sintetizá-la e produzir sentido. Portal do Professor é uma iniciativa do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência e Tecnologia no Brasil que fornece aos professores ferramentas para colaboração. As principais características das tecnologias neste contexto é o de ser viabilizadora, possibilitar o compartilhamento de interesses e ideias, dispondo recursos para facilitar o monitoramento do progresso coletivo, permitindo a observação da evolução das ideias durante o decorrer de todo o processo. Hoje esses recursos são cruciais para que se tenha êxito no desenvolvimento colaborativo, sendo amplamente utilizados, não apenas por serem práticos, mas porque custam pouco ou são gratuitos e exigem poucos requisitos para sua execução.
Tecnologias
Estudo do NMC Horizon Project sobre Perspectivas Tecnológicas.
A inovação e atualização tecnológica são fatores fundamentais para que o processo de ensino e aprendizagem atendam o atual modelo de educandos. Em contrapartida, a modernização das instituições de ensino não é suficiente para garantir uma aprendizagem significativa, por mais expressivos que sejam os investimentos em melhorias na infraestrutura e no suporte a atividades em todos os níveis. Adequar-se ao cenário educacional é crucial na motivação dos docentes a enfrentar esse ambiente cada vez mais dinâmico e desafiador, para que entrem em sala munidos de ferramentas eficientes que encurtem a distância entre a teoria e a prática, contribuindo positivamente para o sucesso no desenvolvimento científico, acadêmico e na promoção da integralidade dos educandos.
Apesar do uso cada vez maior da tecnologia, a principal mudança é cultural, e não tecnológica. A tecnologia se tornou um catalisador de mudanças, por outro lado não é ela que vai dar maior prestígio e destaque a educação, mas certamente vai permitir que isso seja possível. Portanto, o SAGRADO – Rede de Educação oferece o uso direcionado das tecnologias para que se cumpra a missão da Instituição: oferecer uma educação acadêmica, cristã que assegure a formação de cidadãos reflexivos, autônomos, éticos, criativos, solidários e socialmente responsáveis. Referências GIARDELLI, Gil. Você é o que você compartilha: e agora: como aproveitar as oportunidades de vida e trabalho na sociedade em rede. São Paulo: Editora Gente, 2012. NEPOMUCENO, Carlos. Gestão 3.0: a crise das organizações. 1 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. SAGRADO, Rede de Educação. Manual de Conduta em Mídias Sociais. Curitiba, 2013.
Revistas DEUS, Lara. Relação entre professor e aluno nas redes sociais: é melhor se aproximar ou se preservar? Educação, São Paulo, v. 19, n. 217, p. 11, mai. 2015. DUARTE, Juliana. Falando com os especialistas. Educação, São Paulo, v. 19, n. 217, p. 102, p. 105, mai. 2015. CHUCRE, Marcelo. Tradição e Modernidade. Linha Direta, Belo Horizonte, v. 18, n. 202, p. 6, jan. 2015. CASTRO, Antônio Sergio Martins de. A tecnologia potencializando o aprendizado. Linha Direta, Belo Horizonte, v. 18, n. 202, p. 54, p. 56, jan. 2015.
Artigos
NMC, New Media Consortium. Perspectivas tecnológicas para o ensino fundamental e Médio Brasileiro de 2012 a 2017: Uma análise regional por NMC Horizon Project. Austin, Texas: The New Media Consortium Estados Unidos, 2012. 41 p.
Sites
• http://goo.gl/PwELrP • http://goo.gl/HFlsV0 • http://goo.gl/uNsA0u • https://goo.gl/sQe7oT • http://goo.gl/Gfb2Ia • http://goo.gl/FcCwCy • http://goo.gl/35jWB • http://goo.gl/v9J5PK
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