EDIÇÃO COMEMORATIVA DOS
100
ANOS
DA PRIMEIRA EDIÇÃO
JOHN MEIN
A BÍBLIA e como chegou até nós
Há cem anos, John Mein nos presenteava com uma obra essencial sobre a origem, preservação e impacto da Bíblia. Nesta edição comemorativa, ampliada por Lourenço Stelio Rega, o leitor é conduzido em uma jornada histórica e espiritual pelas Escrituras, descobrindo o propósito eterno de Deus e o papel central de Cristo em toda a narrativa bíblica. Com linguagem clara e fundamentação sólida, esta obra revisita temas como os manuscritos originais, as traduções ao longo dos séculos e os princípios fundamentais de interpretação bíblica. Este clássico cristão de John Mein é revitalizado e ampliado por Lourenço Stelio Rega, e oferece uma visão abrangente e acessível das Escrituras. Com 13 capítulos revisados e atualizados, esta obra explora desde a origem dos manuscritos e o impacto das traduções até os princípios da interpretação bíblica. Ideal para estudiosos, pastores e cristãos de todas as idades, este livro é uma ferramenta preciosa para fortalecer a fé e aprofundar o conhecimento. A Bíblia e Como Chegou Até Nós é mais que um livro — é um guia indispensável para aqueles que desejam explorar as riquezas do maior legado espiritual da humanidade: a Bíblia.
A BÍBLIA e como chegou até nós
Lourenço Stelio Rega, nascido em 1953 em Suzano, SP, é escritor, teólogo e eticista. Neto do missionário Charles W. Cooper, iniciou cedo sua trajetória cristã. Licenciado em Filosofia, Bacharel e Mestre em Teologia, Mestre em Educação e Doutor em Ciências da Religião. É especialista em Bioética e Análise de Sistemas. Atualmente dedica-se à pesquisa e ao ensino, especialmente no campo da ética e bioética, cultura contemporânea, mobilização de igrejas, líderes, pastores e novas gerações para vida concreta no mundo por meio de valores bíblicos. É missionário da SEPAL e membro da Igreja Batista do Cambuí, Campinas, SP.
JOHN MEIN
A BÍBLIA
JOHN MEIN
John Mein nasceu em Newcastle-on-Tyne, Reino Unido, em 1883, e após converter-se ao Cristianismo e sentiu o chamado para o ministério pastoral. Formou-se no Moody Bible Institute e no Southern Baptist Seminary, pastoreando igrejas nos EUA antes de ser enviado como missionário ao Brasil em 1914. No Brasil, fundou escolas e pastoreou igrejas em Alagoas, Recife e Maceió, dedicando-se à evangelização e educação cristã. Foi diretor do Colégio Batista Alagoano e do Seminário Teológico Batista do Norte, liderando importantes avanços na formação teológica. Após se aposentar em 1953, atuou nas Bahamas antes de falecer em 1962.
e como chegou até nós
A Bíblia e Como Chegou Até Nós é um marco na história da literatura cristã, agora revisitada em uma edição especial comemorativa de 100 anos. Originalmente escrita por John Mein e atualizada pelo renomado teólogo Lourenço Stelio Rega, esta obra oferece um mergulho profundo na jornada das Escrituras Sagradas, desde suas origens até o impacto global que alcançou.
JOHN MEIN
A BÍBLIA e como chegou até nós EDIÇÃO COMEMORATIVA DOS
100
ANOS
DA PRIMEIRA EDIÇÃO
A Bíblia e como chegou até nós CNPJ 44.197.044/0001-29 • SAC 0800-7736511
ISBN 978-65-5655-536-2
9
786556
555362
Conhecimento Bíblico
Atualizado e ampliado por Lourenço Stelio Rega
Esta edição comemorativa apresenta uma abordagem renovada, abordando o papel histórico e espiritual da Bíblia na transformação de sociedades e na formação de valores universais. Além de revisitar os contextos culturais e históricos em que a Palavra de Deus foi transmitida, o livro reflete sobre a relevância da Bíblia em tempos modernos, convidando os leitores a explorarem sua profundidade e aplicabilidade. Com ênfase na conexão entre a grande narrativa bíblica e os desafios contemporâneos, o livro revela como a Palavra de Deus permanece viva e relevante. Por meio de reflexões práticas e teológicas, a obra oferece subsídios para compreender o impacto das Escrituras na vida pessoal e no ministério cristão, inspirando uma leitura que transforma e edifica. Descubra nesta obra como o livro mais influente da humanidade atravessou os séculos e continua a iluminar caminhos, sendo um testemunho vivo da fidelidade divina.
A BÍBLIA e como chegou até nós
JOHN MEIN
A BÍBLIA e como chegou até nós EDIÇÃO COMEMORATIVA DOS
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ANOS
DA PRIMEIRA EDIÇÃO
Atualizado e ampliado por Lourenço Stelio Rega
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© Geográfica Editora Todos os direitos desta obra pertencem a Geográfica Editora © 2025 O conteúdo desta obra é de responsabilidade de seus idealizadores. www.geografica.com.br Quaisquer comentários ou dúvidas sobre este produto escreva para: produtos@geografica.com.br Revisão Nataniel Gomes Giovanna Vido Nívea Alves da Silva
Diretora editorial Maria Fernanda Vigon Editor chefe Marcos Simas
Diagramação e Capa Rodrigo Massagardi
Gerente editorial Adriel Barbosa Preparação de texto Patrícia de Oliveira Almeida
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Mein, John A bíblia e como chegou até nós / John Mein. Atualizado e ampliado por Lourenço Stelio Rega – Santo André : Geográfica 2025. 16x23cm ; 144 p. ISBN 978-65-5655-536-2 1. Bíblia. 2. Estudo da Bíblia. 3. História. I. Rega, Lourenço Stelio. II. Título. CDU 22.014
A BÍBLIA e como chegou até nós
JOHN MEIN
A BÍBLIA e como chegou até nós
Iª Edição Santo André - SP 2025
Atualizado e ampliado por Lourenço Stelio Rega
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A BÍBLIA e como chegou até nós
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Sumário
ABREVIATURAS
8
APRESENTAÇÃO DA EDIÇÃO COMEMORATIVA
9
PREFÁCIO À EDIÇÃO COMEMORATIVA
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FAC-SÍMILE DA CAPA DA PRIMEIRA EDIÇÃO
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SUMÁRIO ORIGINAL
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PREFÁCIO ORIGINAL
15
INTRODUÇÃO
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1
A BÍBLIA E COMO CHEGOU ATÉ NÓS
2
AS LÍNGUAS ORIGINAIS DA BÍBLIA
23
As línguas do Antigo Testamento
24
A língua do Novo Testamento
24
OS NOMES DA BÍBLIA
25
3
4
5
6
7
8
19
Nomes técnicos
25
Nomes figurados
26
A AUTORIA DA BÍBLIA
29
A origem natural
30
A origem sobrenatural
30
O PLANO DA BÍBLIA
31
O Antigo e o Novo Testamentos
32
Cristo é o tema
33
O plano satânico descoberto
36
As trindades da Bíblia
39
OS MANUSCRITOS
41
Manuscritos do Antigo Testamento
43
Manuscritos do Novo Testamento
44
A BÍBLIA E SUA TRADUÇÃO
49
O valor das traduções
49
Algumas limitações das traduções
50
As equivalências das traduções
50
Exemplos comparativos de equivalência na tradução bíblica
53
Tradução e versão, qual a diferença?
57
AS ANTIGAS TRADUÇÕES DA BÍBLIA
59
A Septuaginta (LXX)
59
A Vulgata
61
Novidades no período da Renascença
62
A Bíblia de Tyndale
63
A tradução King James
64
9
A BÍBLIA CHEGA AO BRASIL
65
Quem foi João Ferreira de Almeida e a primeira tradução completa da Bíblia em português
66
Versões da tradução de Almeida
67
Outras traduções
71
Principais publicadoras das traduções em português
79
Principais traduções católicas
81
Quadro das equivalências nas traduções bíblicas em português
83
10 INTRODUÇÃO À INTERPRETAÇÃO BÍBLICA
85
Princípios essenciais e preliminares para nortear o seu trabalho de interpretação bíblica
87
Princípios gerais da interpretação bíblica
88
Análise do contexto
92
Significado das palavras na época bíblica e em seu contexto
96
11 BREVE LISTA DE TEMAS IMPORTANTES ABORDADOS PELA BÍBLIA
99
12 NOTAS IMPORTANTES SOBRE A BÍBLIA
107
13 PLANOS PARA LEITURA BÍBLICA
113
CONCLUSÃO
119
ROTEIRO PARA ESTUDOS
123
BIBLIOGRAFIA DESTA EDIÇÃO
129
BIOGRAFIA DO DOUTOR JOHN MEIN
133
BIOGRAFIA DO DOUTOR LOURENÇO STELIO REGA
139
8
A BÍBLIA e como chegou até nós
Abreviaturas ACF Almeida Corrigida Fiel AEC Almeida Edição Contemporânea ARA Almeida Revista e Atualizada ARC Almeida Revista e Corrigida AS21 Almeida Século 21 AT Antigo Testamento AVR Almeida Revisada (Versão Revisada de Acordo com os Melhores Textos em Hebraico e Grego) BJC Bíblia Judaica Completa BKJ1611 Bíblia King James Fiel 1611 BM Bíblia A Mensagem BP Bíblia Peshitta BTX Bíblia Textual BV Bíblia Viva KJV King James Version LXX Septuaginta NAA Nova Almeida Atualizada NBV Nova Bíblia Viva NKJV New King James Version NT Novo Testamento NTLH Nova Tradução na Linguagem de Hoje NVI Nova Versão Internacional NVT Nova Versão Transformadora TB Tradução Brasileira VFL Versão Fácil de Ler
A BÍBLIA e como chegou até nós
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Apresentação da Edição Comemorativa Em fevereiro de 2024, completamos cem anos do lançamento da importante obra do doutor John Mein. Após o seu lançamento, a obra teve inúmeras republicações e foi amplamente distribuída, para o benefício de milhares de cristãos que puderam aprender com seus ensinos sobre as Sagradas Letras. Em poucas páginas, John Mein conseguiu oferecer uma bela e consistente visão panorâmica da Bíblia, conectando todas as partes na grande narrativa de Deus que se lançou na missão (missĭo Dei) de restaurar sua criação após a rebelião no Éden. Todos os capítulos são importantes, mas não há como deixar de destacar o capítulo 5, em que, magistralmente, ele faz as conexões históricas da narrativa bíblica para demonstrar essa gigantesca obra restauradora de Deus. No início de 2023, os amigos editores Marcos Simas e Adriel Barbosa me desafiaram a revisar e atualizar o texto de John Mein, a fim de lançarmos uma obra comemorativa aos seus cem anos de publicação. Assim, procedi à revisão e atualização de todo o seu conteúdo, reescrevendo especialmente o capítulo 6, sobre manuscritos, no qual adicionei notícias de novas descobertas realizadas mais recentemente. O capítulo 7 é novo, e traz uma introdu-
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A BÍBLIA e como chegou até nós
ção aos principais conceitos relacionados à ciência da tradução bíblica, passando, inclusive, pelos diversos tipos de equivalências adotadas na elaboração das traduções. Assim, o capítulo 7 original, sobre as traduções antigas da Bíblia, tornou-se o capítulo 8 e foi completamente revisado e atualizado. Outros capítulos foram acrescentados para atualizar a obra original e ampliar o seu alcance. O capítulo 9 se destaca porque nele foi possível incluir todo o material atualizado acerca das traduções da Bíblia em português. Originalmente, esse conteúdo estava distribuído em diversos capítulos. Além disso, foi possível elaborar um quadro atualizado com a comparação entre as diversas traduções da Bíblia para o português, especialmente utilizadas pela tradição protestante e evangélica, considerando-se a classificação a partir do tipo de equivalência adotada em cada tradução. Ao todo, a obra agora possui 13 capítulos. Com a reformulação do roteiro de estudos, é possível sugerir que a obra seja utilizada em cursos bíblicos, na escola bíblica na igreja, em pequenos grupos de estudo, e até em classes para preparação de novos cristãos, classes de preparo para o batismo etc. A atualização da obra foi realizada conforme o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Os textos bíblicos citados seguem a versão Nova Versão Internacional (NVI 2000), da International Bible Society, salvo em indicações diferentes. Que o leitor não se deixe enganar, até mesmo pastores e pessoas formadas em cursos de teologia irão se surpreender com o conteúdo desta obra. Encontrarão muito material para seus sermões, estudos e até artigos para os boletins de sua igreja. Que tal experimentar ainda hoje a sua leitura? Como se pode ver, a obra teve um acréscimo no número de páginas de modo que possamos dar-lhe fôlego para mais um longo tempo de existência. Tive o prazer e o privilégio de participar da ampliação e atualização deste clássico texto de John Mein, para que tenha um novo fôlego e continue cumprindo o papel que conquistou nesses 100 anos da primeira edição. Assim, esperamos — meus amigos anteriormente citados e eu —, que esta obra seja de grande valia para a sua vida e o ajude a compreender o maravilhoso plano de Deus de resgatar toda a criação, inclusive o ser humano.
Atibaia, Natal de 2023 Lourenço Stelio Rega, PhD Instagram: @lourencosteliorega
A BÍBLIA e como chegou até nós
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Prefácio à Edição Comemorativa Ao ser convidado a escrever o prefácio desta edição comemorativa, pergunto-me o que levou o meu avô, quando ainda trabalhava com o missionário doutor A. B. Christie, dirigindo o Colégio Batista em Campos, RJ, a transformar suas anotações escritas em um livro a ser lançado em Alagoas. Imagino que, ao cavalgar por longas horas pelas trilhas que conectavam usinas de açúcar e pequenas vilas, além de pregar e testar seus sermões com seu cavalo companheiro, Marujo, ele devia refletir sobre o desafio de transmitir a mensagem do evangelho e proporcionar desenvolvimento espiritual a uma população que não tinha condições de ler a Bíblia, uma vez que, na década de 1920, o Estado de Alagoas apresentava o maior nível de analfabetismo do Brasil, e a Igreja Católica não permitia que leigos tivessem acesso à Bíblia. No entanto, essa era a população que John Mein queria evangelizar, ajudando-a a conhecer a mensagem de Deus por meio do entendimento da Bíblia. Durante 1923, um dos jornais diários de Maceió começou a publicar artigos que desafiavam os evangélicos a comprovar seu direito de pregar e organizar igrejas. As matérias ficaram cada vez mais agressivas, incluindo ofensas pessoais ao próprio John Mein e à sua esposa Elza. Em novembro de 1924, John recebeu uma mensa-
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A BÍBLIA e como chegou até nós
gem escrita desafiando-o a participar de um debate em praça pública no domingo seguinte. O missionário aceitou prontamente, com as seguintes condições: deveria haver proteção policial, uma pessoa qualificada e neutra para presidir o debate, e a data deveria ser adiada em razão de compromissos assumidos. No dia seguinte, o desafiante — o senhor Mato Serva, autor dos artigos do jornal — publicou a notícia, revelando quem seria o moderador do debate e que a data seria divulgada em breve. Sentindo necessidade de estar preparado, ele procurou os padres, que eram incentivadores do debate, a fim de pedir uma Bíblia, porém eles lhe negaram. Por fim, o senhor Mato Serva conseguiu uma Bíblia com um amigo e iniciou sua leitura. À medida que ia avançando, ele começou a ter dúvidas e decidiu procurar John Mein. Este o recebeu e o conduziu a um entendimento do evangelho que acabou levando-o à sua conversão. Anos depois, o senhor Mato Serva veio a ser o Secretário da Convenção Batista do Estado de Alagoas. Esse era o ambiente desafiador em que meu avô John Mein buscava difundir o conhecimento da Bíblia. Como homem de ação, John empreendeu dois grandes projetos: fundou um colégio e escreveu este livro introdutório para os que desejam conhecer a Bíblia. Esta obra foi escrita em estilo simples e acessível, mas lastreada por um profundo conhecimento do tema. O pastor Lourenço Stelio Rega, também profundo conhecedor do conteúdo, atualizou, complementou e enriqueceu o texto original publicado há cem anos, em fevereiro de 1924, com o propósito de ajudar aqueles que desejam conhecer melhor a Bíblia e suas origens nos dias de hoje. O estilo simples, mas bem fundamentada, vem servir ao momento atual em que, embora tenha diminuído o nível de analfabetismo no país, ainda existe uma grande falta de conhecimento da Bíblia. Na era digital presente, o estilo direto do texto deverá facilitar o entendimento e encorajar novos cristãos a assimilarem as mensagens que Deus nos presenteou por meio da Bíblia.
John Edwin Mein São Paulo, fevereiro de 2024
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Fac-Símile da Capa da Primeira Edição
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A BÍBLIA e como chegou até nós
Sumário Original
A BÍBLIA e como chegou até nós
Prefácio Original
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A BÍBLIA e como chegou até nós
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Introdução Qual a origem da Bíblia? Quem a escreveu? Quando e onde foi escrita? Essas perguntas normalmente são feitas por aqueles que desejam compreender o papel do livro mais lido do mundo — livro que tem atravessado os séculos, e que foi traduzido para quase três mil idiomas. Em toda parte do mundo, há milhões de pessoas que aceitam a Bíblia como a Palavra inspirada de Deus e a usam como o seu guia diário. Os abatidos acham nela conforto; os indecisos, conselhos; e as pessoas que a aceitam como a voz de Deus são transformadas. O mundo desfruta sempre dos atos de amor e sacrifício que ela inspira. Entre aqueles que amam a Bíblia, há pessoas de todas as classes, pois na Palavra elas encontram o sentido da vida, independentemente de sua origem ou condição econômica. Há pessoas que dariam enorme quantia para obter um exemplar da Bíblia, especialmente em países e regiões secularizadas e materialistas, que não reconhecem o aspecto religioso da natureza humana e alguns até proíbem a sua leitura e posse. Muitas dessas pessoas prefeririam sofrer qualquer prejuízo a perder a sua Bíblia. A história do Cristianismo está repleta de mártires que foram lançados na prisão por amarem os ensinos da Bíblia, enquanto vários outros se ocupavam, como ainda hoje acontece, na tarefa impossível de exterminá-la. Hoje, temos a Palavra de Deus devido aos sacrifícios que os nossos antepassados fizeram durante os séculos. Muitos estão prontos a padecer pelo amor leal que têm para com o Livro Inspirado, ainda que, em sua maioria, não possam responder a todas as perguntas sobre ele. Esta obra foi escrita para que o leitor saiba que a Bíblia que temos hoje é substancialmente a mesma que o nosso Mestre, seus apóstolos e os primeiros cristãos utilizaram. A Bíblia é em religião o que o telescópio é em astronomia. Ela não contradiz coisa alguma outrora conhecida. Ela conduz o olhar para novos mundos, revela as mais lindas visões e descobre belos sistemas onde pensávamos que houvesse somente coisas vagas ou escuridão.
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A Bíblia e como chegou até nós
Houve um tempo em que a Palavra inspirada de Deus não era escrita. O ser humano falhou na prova da consciência e entrou por uma nova época, debaixo de sua rebelião e da lei. Daí começou a necessidade da revelação escrita de Deus. Não há evidências de que o ser humano tivesse a Palavra escrita antes do dia em que Deus disse a Moisés: “Escreva isto num rolo, como memorial” (Êx 17.14a). Daquele tempo em diante, as pessoas “falaram inspiradas pelo Espírito Santo”. Davi foi o homem exaltado como ungido de Deus e amado salmista de Israel (2Sm 23.1). Lucas escreveu o Evangelho que tem o seu nome, e o Apocalipse foi a revelação de Jesus Cristo dada a João, que relatou fielmente tudo o que viu, testificando da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo (Ap 1.1,2). Entretanto, houve pessoas santas a quem Deus falou, como José, Ester e Rute. Várias vezes, Deus revelou a sua vontade oralmente, de maneira direta e pessoal, como a Adão, Caim, Noé, Abraão, Abimeleque, Isaque, Jacó e muitos outros. É importante lembrar que havia sempre duas testemunhas de Deus: (1) As “suas obras”: • “Os céus declaram a Glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos.” (Sl 19.1).
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• “pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis.” (Rm 1.19,20). (2) A consciência do ser humano: • “pois mostram que as exigências da lei estão gravadas em seus corações. Disso dão testemunho também a consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os.” (Rm 2.15). Portanto, o ser humano possuía desde o princípio o conhecimento de Deus, mesmo sem as leis escritas. No Éden, Adão e Eva se esconderam de Deus como resultado de sua consciência perturbada pela rebelião, a qual rapidamente os condenou: “Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim.” (Gn 3.8). Depois de matar o seu irmão, Caim foi interrogado por Deus sobre o paradeiro de Abel. Acusado pela consciência, Caim respondeu: “Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?” (Gn 4.9b). Entretanto, a consciência não serve como um meio seguro para manifestar a revelação divina, uma vez que pode ser cauterizada, tornando-se disfuncional. A natureza nos ensina que somente Deus é o Criador. Mas havia necessidade de uma revelação que durasse para sempre — tal é a Palavra escrita, a “palavra de Deus, viva e permanente” (1Pe 1.23b). Um estudo metódico da Bíblia mostrará que Deus escolheu um povo particular para ser o intermediário da revelação, um povo distinto e seu representante. Abraão, conhecido como “pai de todos que creem”, foi chamado para deixar a sua terra e seus parentes e dar origem ao povo de Deus (Gn 12.1ss). Para confirmar a sua aliança com o seu servo, Deus disse-lhe: “Não será mais chamado Abrão; seu nome será Abraão, porque eu o constituí pai de muitas nações.” (Gn 17.5). Deus escolheu e separou o povo hebreu para ser sua propriedade especial (Dt 14.2), repositório da sua verdade, influenciador dos povos vizinhos pela demonstração de obediência à perfeita lei de Deus. E isso ao longo de toda a sua história, desde os descendentes diretos de Abraão, os hebreus, seguindo adiante como israelitas, e depois como povo judeu (Rm 3.2). Após a família de Abraão ter sido provada, Deus permitiu que os hebreus fos-
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sem para o Egito em escravidão. No auge dos sofrimentos do seu povo, Deus preparou Moisés de forma maravilhosa, que recebeu as palavras de vida e as entregou ao povo (At 7.36). E lemos que Moisés escreveu com exatidão todas as palavras do Senhor (Êx 24.4). Na realidade, Deus havia escrito livros por meio da vida de pessoas, antes de lhes dar a palavra escrita. Adão contou a história da criação, bem como da rebelião, ao longo dos seus 930 anos; portanto, contou-a a Lameque (pai de Noé), de quem foi contemporâneo por 56 anos. Lameque, por sua vez, foi contemporâneo de Sem, filho de Noé, por mais de noventa anos. E a qualificação de Noé está também registrada nas palavras: “era homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus.” (Gn 6.9b). Toda essa sequência de transmissão oral mostra como Deus, por meio de um só pregador, garantiu a transmissão da sua revelação. Noé foi contemporâneo de 7 gerações antediluvianas e de 11 pós-diluvianas. Assim, ele viveu durante 58 anos da vida curta do patriarca Abraão e morreu 17 anos antes da partida deste para a terra da promessa. Não é difícil compreender como Abraão ouvia de seus antepassados sobre a grandeza e a longanimidade de Deus e, por sua vez, as narraria à sua descendência, incluindo as histórias do Dilúvio e da confusão de línguas. Desse modo, Abraão veio a saber de tudo e a ter sua fé fortalecida. Podemos imaginar Abraão narrando os fatos ao seu netinho Jacó, que tinha 14 anos quando o “pai dos que creem” faleceu. Quão interessantes ao menino teriam sido as histórias da criação, da trasladação de Enoque, do Dilúvio, da confusão das línguas, das próprias experiências de seu avô, como a saída de sua terra, o concerto, a mudança do seu nome, além da maior prova a que foi submetido, na dramática ocasião em que levou Isaque para a terra de Moriá e ali conheceu a Deus como “Jeová-Jiré” (“O Senhor proverá”, Gn. 22.14). Jacó jamais viria a esquecer essas coisas e durante todos os anos da sua vida meditaria sobre as maravilhas divinas. Ao narrar tudo ao seu neto Coate, Jacó pôde acrescentar as suas próprias experiências em Betel e no vale do rio Jaboque. Coate relatou a história a Anrão que, por sua vez, a transmitiu ao seu filho Moisés, que assim obteve todas as informações necessárias para escrever o livro de Gênesis. Portanto, podemos traçar a história da transmissão oral da Palavra de Deus desde o dia em que ele falou a Adão e Eva (Gn 1.28) até o tempo em que ordenou a Moisés que a escrevesse em um livro (Êx 17.14). Adão transmitiu-a a Lameque; Lameque a Noé; Noé a Abraão; Abraão a Jacó; Jacó a Coate; Coate a Anrão e Anrão a Moisés. Sete homens trouxeram a revelação desde a criação até que a Bíblia começou a ser escrita. Simbolicamente, sete
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A BÍBLIA e como chegou até nós
é o número bíblico que significa perfeição. Assim, Deus deu a sua Palavra — “pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo.” (2Pe 1.21).
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As línguas originais da Bíblia
O estudo das línguas é interessante e muito proveitoso, pois elas estão sempre se modificando com o desenvolvimento dos povos e promovendo a comunicação intercultural. É necessário partir desse conceito neste estudo. Deus não inspirou a Bíblia na língua portuguesa, embora tenhamos a Bíblia inspirada traduzida em nosso idioma. Originalmente, a Bíblia foi escrita em três línguas: hebraica, aramaica e grega. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico com algumas porções em aramaico. O Novo Testamento foi escrito em grego coiné. Segundo alguns comentaristas, Abraão, ao sair de Ur, provavelmente deixou de usar a velha língua semítica de sua terra — o caldeu — e passou a adotar a língua dos cananeus, em cujo meio foi morar (Gn 12.1-5). Essa língua cananeia utilizada por Abraão foi possivelmente a mesma, ou alguma forma variante dela, que mais tarde ficou conhecida como língua hebraica. Parece que a língua hebraica foi chamada de “a língua de Canaã” (Is 19.18). Algumas das tabuinhas de Tel-el-Amarna, descobertas no Egito em 1887 e assim chamadas em razão do nome do local em que foram achadas, datam de cerca de quatrocentos anos depois de Abraão, e foram escritas na língua cananeia ou língua hebraica. Mais tarde, durante o seu cativeiro na Babilônia, a descendência de Abraão —
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A BÍBLIA e como chegou até nós
os hebreus —deixou de falar a língua hebraica e adotou a língua aramaica, que continuou a ser falada até os tempos de Jesus Cristo. AS LÍNGUAS DO ANTIGO TESTAMENTO Com poucas exceções, o Antigo Testamento foi escrito na língua hebraica. Essa era a língua do povo de Israel, chamada “hebraico” (veja 2Rs 18.26). O hebraico continuou a ser falado e escrito pelos hebreus até o cativeiro, quando eles adotaram a língua aramaica ou siríaca, que são como línguas irmãs, pertencentes à família semítica. Devido a essa mudança, os versados na língua hebraica podem dividir a história do seu desenvolvimento em três períodos distintos: 1. Período em que foi escrito o Pentateuco. É a língua hebraica falada no tempo de Moisés. 2. Período em que a língua alcançou o ponto de maior desenvolvimento em pureza e refinamento. Nesse tempo, foram escritos os livros de Juízes, Samuel, Reis, Crônicas, Salmos de Davi, Provérbios e demais livros de Salomão, e as profecias de Isaías, Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum e Habacuque. 3. Período em que foram escritos os demais livros de profecias, bem como Ester, Esdras e Neemias. Durante essa época, palavras, frases e locuções próprias de línguas estrangeiras foram incorporadas à língua hebraica da segunda época, em consequência da comunicação dos judeus com as nações vizinhas. As passagens do Antigo Testamento que foram escritas em aramaico são: Esdras 4.8–6.18 e 7.12-26, Jeremias 10.11 e Daniel 2.4–7.28. Esse fato se explica pela residência de Daniel e Esdras na Babilônia e por suas relações com os governantes desse país. A LÍNGUA DO NOVO TESTAMENTO Os livros do Novo Testamento foram escritos originalmente na língua grega comum, ou coiné, conhecida como “helênica”, porque os gregos eram chamados “helenos” ou “povo de Helas”. Depois da grande conquista de Alexandre Magno, rei da Macedônia, filho de Filipe e Olímpia, a língua grega, em uma forma helênica, espalhou-se por toda parte do Egito e do Oriente, tornando-se a língua vernácula dos hebreus que residiam nas colônias de Alexandria e em outras partes. Há estudos que buscam descobrir se o Evangelho de Mateus foi escrito originalmente em aramaico e depois traduzido para o grego, mas não há confirmação dessa hipótese.
A BÍBLIA e como chegou até nós
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Os Nomes da Bíblia
A Palavra de Deus é conhecida por diversos nomes, que são originários da própria Bíblia e de outras fontes. O nome “Bíblia” foi usado pela primeira vez por Crisóstomo, no século 4 d.C., e é uma palavra derivada da palavra grega biblía (plural de biblos), que significa “livros”. Embora a Bíblia seja chamada “O Livro”, pois é um único livro, o nome plural “Bíblia” é mais adequado, pois a Bíblia é composta de vários livros reunidos por inspiração divina. No Salmo 40.7, é mencionada a expressão “livro”. A palavra “Testamento”, por sua vez, não se encontra como título na Bíblia. Ela é derivada do latim testamentum, cuja tradução é “pacto”, “aliança”, “concerto”. Na língua grega, essa palavra significa “aliança” ou “concerto” (Hb 7.22). Em 2Coríntios 3.6,14, ela é traduzida como “aliança”. Com o tempo, a palavra “Testamento” acabou se fixando em seu uso para nomear as duas grandes divisões da Bíblia. NOMES TÉCNICOS A Bíblia dá nomes a si mesma, tais como: • Palavra de Deus (Hb 4.12)
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A BÍBLIA e como chegou até nós
• Escritura (Êx 32.16, ARA) • Sagradas Letras (2Tm 3.15) • Lei (Mt 12.5) • Livro da Verdade (Dn 10.21) • Palavras de vida (At 7.38, ARC) NOMES FIGURADOS • Luz: “luz que clareia o meu caminho” (Sl 119.105b). O coração e a mente natural do homem vivem em trevas e não podem conhecer as coisas de Deus, “porque elas são discernidas espiritualmente” (1Co 2.14b). Por isso, a luz é necessária. • Espelho: Em Tiago 1.23, a Palavra de Deus é comparada a um espelho: “Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho.” Assim, a Bíblia nos mostra o que verdadeiramente somos, como o espelho mesmo faz. • Lavatório ou pia: "Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra" (Ef 5.25b,26). O texto remete à figura da pia de bronze em que os sacerdotes se lavavam antes de entrar no santuário para servir a Deus, e nos fala de como podemos ser limpos do nosso pecado. “Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado.” (Jo 15.3). • Pão de cada dia: “Não me afastei dos mandamentos dos seus lábios; dei mais valor às palavras de sua boca, do que ao meu pão de cada dia.” (Jó 23.12). Sabemos que há diversos tipos de alimentos. A Bíblia utiliza-os para retratar as provisões para as necessidades específicas dos cristãos: leite para as crianças espirituais (1Co 3.2); pão para os famintos (Dt 8.3); alimento sólido para cristãos maduros (Hb 5.12,14); e mel para adoçar a alma (Sl 19.10). • Ouro puro: “São mais desejáveis do que o ouro, do que muito ouro puro” (Sl 19.10a). • Fogo e martelo: “‘Não é a minha palavra como o fogo’, pergunta o Senhor, ‘e como um martelo que despedaça a rocha?’” (Jr 23.29).
Os Nomes da Bíblia
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• Espada: “a espada do espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6.17b). O próprio “Verbo de Deus”, que é Jesus Cristo (Ap 19.13, NAA), é associado à Palavra escrita. Nesse ponto, será proveitoso fazer algumas comparações: • Ambos têm existência eterna. · Cristo: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre.” (Hb 13.8). · Bíblia: “Pois vocês foram regenerados [...] por meio da palavra de Deus, viva e permanente.” (1Pe 1.23). • Ambos vieram como mensageiros de Deus para abençoar o mundo perdido. · Cristo: “[Deus] enviou-o primeiramente a vocês, para abençoá-los” (At 3.26b). · Bíblia: “Antes, felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e lhe obedecem” (Lc 11.28). • Ambos são infalíveis. · Cristo: “nele não há pecado” (1Jo 3.5b). · Bíblia: “Cada palavra de Deus é comprovadamente pura” (Pv 30.5a). • Ambos são fontes de vida. · Cristo: “Eu sou o pão da vida.” (Jo 6.35a). · Bíblia: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mt 4.4b). • Ambos são luz. · Cristo: “Eu sou a luz do mundo.” (Jo 8.12b). · Bíblia: “Pois o mandamento é lâmpada, a instrução é luz” (Pv 6.23a). • Ambos são a verdade. · Cristo: “Eu sou […] a verdade” (Jo 14.6b). · Bíblia: “a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17b). • Ambos são o alimento para a alma. · Cristo: “Eu sou o pão da vida.” (Jo 6.35b). · Bíblia: “para mostrar a vocês que nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca do Senhor.” (Dt 8.3b).
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• Ambos devem ser aceitos para a salvação. · Cristo: “Não há salvação em nenhum outro” (At 4.12a). “Se vocês não crerem que Eu Sou, de fato morrerão em seus pecados”. (Jo 8.24b). · Bíblia: “aceitem humildemente a palavra implantada em vocês, a qual é poderosa para salvá-los” (Tg 1.21b). A rejeição de Cristo ou da Palavra será perigosa. • Ambos são desprezados e rejeitados pelo ser humano natural. · Cristo: “Foi desprezado e rejeitado pelos homens” (Is 53.3a). · Bíblia: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecer às suas tradições!” (Mc 7.9). • Ambos finalmente nos julgarão. · Cristo: “Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou.” (At 17.31a). · Bíblia: “a própria palavra que proferi o condenará no último dia.” (Jo 12.48b). Este foi apenas um resumo acerca do que é a Bíblia e dos seus nomes. Quem desejar aprofundar-se no tema poderá consultar dicionários bíblicos e outros livros específicos.
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A Autoria da Bíblia
Em uma biblioteca com dezenas de livros, esperaríamos encontrar obras de diversos escritores, cada um com o seu roteiro, e as obras nem sempre seguiriam um caminho comum. A Bíblia é uma verdadeira biblioteca de 66 livros organizados em duas prateleiras iguais em valor, ainda que uma contenha 39 livros e a outra, 27. Chamamos essas prateleiras de Antigo Testamento e de Novo Testamento. Nos 66 livros, notamos o trabalho de aproximadamente quarenta pessoas que possuíam diferentes vocações. Ao escrever, cada escritor manifesta características e estilo próprios. Se considerarmos o intervalo de tempo desde que Moisés começou a escrever (Êx 17.14), entre os “trovões e raios” do Sinai, até 97 d.C., quando o apóstolo João, “filho do trovão” (Mc 3.17), escreveu o seu Evangelho na Ásia Menor, contaremos cerca de 1.500 anos para que todo o texto fique completo. Todos os escritores atuaram inspirados pelo Espírito Santo. Entretanto, há na Bíblia somente um plano, o que de fato mostra que havia apenas um autor divino que guiava os escritores humanos. Esse fato é o que garante a unidade da revelação e de seu ensino. É necessário que fiquemos bem esclarecidos a respeito do autor da Bíblia porque, se a autoria é de Deus, a Bíblia é dirigida a todo ser humano e não deve ser considerada um livro comum.
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A origem da Palavra de Deus pode ser compreendida de duas formas: A ORIGEM NATURAL Entre as quarenta pessoas que foram instrumentos do Espírito Santo para escrever as Sagradas Letras, encontra-se Moisés (Êx 17.14; 24.3,4,7; Nm 33.2; Dt 28.58,60). O próprio Senhor Jesus Cristo testificou que Moisés escreveu acerca dele (Jo 5.46). Também encontramos na Bíblia referência às crônicas de Samuel, Natã e Gade (1Cr 29.29). Em Provérbios 1.1 e 25.1, menciona-se o seu autor Salomão. Daniel escreveu a sua profecia (Dn 7.1). No Novo Testamento, alguns livros se referem aos autores, como, por exemplo, os escritos de Lucas (Lc 1.1-8; At 1.1). É necessário estudar a vida e o caráter dessas pessoas para compreendermos mais facilmente o teor dos seus escritos. As qualificações de cada autor permitem uma variedade de estilo e matéria, e cada um manifesta a sua própria individualidade em seus escritos. A ORIGEM SOBRENATURAL Apesar da existência de vários autores humanos, a unidade, simplicidade e singularidade da Bíblia indicam que houve uma única mente por trás de todos: a mente divina. “Toda a Escritura é inspirada por Deus” (2Tm 3.16). É como a construção de um grande prédio em que muitos operários estão trabalhando. Cada um sabe bem o seu ofício, porém todos dependem do plano do engenheiro. Não será incorreto afirmar que a Bíblia é humano-divina, pois significa que contém esses dois elementos. Sendo humana, ela está sujeita a princípios que regem a língua e a literatura, e, sendo divina, pode ser compreendida somente por pessoas espirituais (1Co 2.15). Os autores humanos fornecem variedade de estilo e matéria; o autor divino garante a unidade de revelação e ensino. Os autores humanos se referem à Bíblia em partes. O autor divino refere-se à Bíblia como um só livro.
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O Plano da Bíblia
Assim como o desenho e o plano do engenheiro são conhecidos na construção de um edifício, a Bíblia revela ao leitor o propósito de Deus, seu autor. Do princípio ao fim, há um único plano. Embora diversos escritores humanos tenham participado da obra, a Bíblia é uma unidade orgânica. O grande anatomista e paleontólogo francês Jean Leopold Nicolas Fréderic Cuvier afirmou que um organismo é formado por partes interrelacionadas e governado por três leis: (1) cada parte individual e todas as partes em conjunto são essenciais ao todo; (2) cada parte está relacionada e corresponde a outras partes, como no corpo humano, em que a mão direita corresponde à mão esquerda, um olho corresponde ao outro, e assim por diante; (3) todas as partes do organismo devem ser participantes da mesma vida. Se, de forma comparativa, aplicarmos essa mesma compreensão à Bíblia, ela será um organismo com apenas um único plano, em que todas as partes pertencem e contribuem para a beleza e perfeição do todo, e estão cheias do mesmo espírito de vida: “O Espírito dá vida […] As palavras que eu disse são espírito e vida.” (Jo 6.63). Diante de tamanha perfeição, fica evidente que não há necessidade nem espaço para acréscimos.
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O ANTIGO E O NOVO TESTAMENTOS Em certa ocasião, um cristão emprestou um exemplar do Novo Testamento a um amigo. Quando quis saber como estava indo a leitura, o amigo respondeu: “Quero o princípio deste livro.” O Novo Testamento está tão entrelaçado com o Antigo que ambos são inseparáveis. No Novo Testamento, há cerca de quatrocentas citações diretas do Antigo Testamento, além de inúmeras referências indiretas e alusões que aumentam significativamente esse número. Cada escritor no Novo Testamento se refere ao Antigo. Com exceção de sete, todos os escritores do Antigo Testamento são citados ou deles há referência no Novo Testamento. Os sete escritores são: Obadias, Naum, Esdras, Neemias, Ester, Cânticos e Eclesiastes. Em Mateus e em Marcos, há somente dois capítulos que não fazem referência ao Antigo Testamento. Em Lucas, há somente um, e em João são cinco. Em todo o Novo Testamento, somente 26 capítulos não fazem referência ao Antigo Testamento. A Bíblia começa com Deus: “No princípio, Deus criou os céus e a terra.” (Gn 1.1) e termina com o ser humano: “A graça do Senhor Jesus seja com todos.” (Ap 22.21). Assim, Deus está em uma extremidade e o ser humano, na outra. Na Bíblia, temos a mensagem de Deus ao ser humano para que este se volte ao seu Criador. No verso central da Bíblia, Deus e o ser humano são mencionados: “É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar nos homens.” (Sl 118.8). Esse versículo captura a essência do que a Bíblia ensina, revelando o elo da fé que liga o ser humano a Deus, pois “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6a). Também contém um aviso contra a raiz de todo o mal: “Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus.” (Rm 8.8). É a confiança na carne (a natureza pecaminosa em nosso interior) que nos separa de Deus. “Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor.” (Jr 17.5b). Na Bíblia, notamos o método de Deus para lidar com o ser humano. De Adão até o Dilúvio, temos a história da raça humana sob a lei da consciência. Do Dilúvio em diante, pelo Antigo Testamento, temos a história do povo escolhido, destacando-se personagens como Abraão, Moisés e Davi. O ser humano está debaixo da lei recebida no Sinai. Em seguida, temos o período da graça que começou com Cristo. No Éden, a dependência de Deus para obter conhecimento dos valores e princípios éticos e orientação para tomar decisões foi rompida pelo primeiro Adão. Seguidamente, a descendência de Adão violou o decálogo. Entretanto, o último Adão — Jesus Cristo — triunfou e tornou-se o fim da lei, para justiça de todo aquele
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que crê (Rm 10.4; 5.12-21; 1Co 15.45-48). Tendo Jesus morrido na cruz, ressuscitado dentre os mortos e subido aos céus, voltará um dia para tudo restaurar. O plano da Bíblia revela-se ainda na comparação entre o princípio e o fim. Moisés, o primeiro escritor, escreveu a sua parte cerca de 1.600 anos antes de João concluir os seus escritos. Além de representarem todas as camadas da sociedade, os escritores humanos nem sempre tiveram contato direto uns com os outros. A partir dos seguintes componentes é possível deduzir a perfeição do plano divino: NO PRINCÍPIO
NO FIM
Deus cria os céus e a terra.
Há novos céus e nova terra.
Satanás entra para enganar.
Satanás é lançado fora, para não enganar mais.
O ser humano afasta-se de Deus.
Deus busca o ser humano na pessoa de Jesus Cristo.
O ser humano esconde-se de Deus.
Deus habita entre os homens.
Entra o pecado, a separação, dor, tristeza e morte.
Não há mais morte, nem tristeza, nem dor.
A terra é amaldiçoada.
Não há mais maldição.
A árvore da vida — o ser humano é expulso.
A árvore da vida — o ser humano é privilegiado.
O paraíso é perdido.
O paraíso é recuperado.
A terra é destruída por água.
A terra é destruída por fogo.
CRISTO É O TEMA O Antigo Testamento teria perdido o seu valor se Cristo não tivesse chegado, e sem ele não haveria necessidade do Novo Testamento. O fio escarlate do sangue redentor encontra-se por todas as Sagradas Escrituras. O próprio Jesus declarou: “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito” (Jo 5.39). Pelas Escrituras, sabemos que convinha que o Cristo sofresse e entrasse na sua gló-
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ria (Lc 24.26). Quando percebemos Jesus como a chave da revelação de Deus em sua Palavra, arde o nosso coração enquanto o Espírito Santo abre o nosso entendimento das Escrituras. Jesus é anunciado por meio de tipos, e a respeito dele dão testemunho todos os profetas. No Antigo Testamento, ele é o Messias, e o Novo revela-o como Salvador. Ele é o descendente prometido (Gn 3.15) para ferir a cabeça da serpente: “"Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei” (Gl 4.4). Ele é a “descendência de Abraão”: “E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra” (Gn 22.18a, ACF). Essa promessa dada ao “amigo de Deus” teve seu cumprimento em Gálatas 3.16: “Assim também as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. A Escritura não diz: ‘E aos seus descendentes’, como se falasse de muitos, mas: ‘Ao seu descendente’, dando a entender que se trata de um só, isto é, Cristo.” Ele é a “descendência de Davi”, que há de reinar para sempre: “Mas ele [Davi] era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que colocaria um dos seus descendentes em seu trono. Prevendo isso, falou da ressurreição do Cristo, que não foi abandonado no sepulcro e cujo corpo não sofreu decomposição.” (At 2.30,31). Cada oferta e sacrifício no Antigo Testamento aponta para Cristo. Em Gênesis, temos o sacrifício pelo indivíduo: Abraão pegou o carneiro e “o sacrificou como holocausto em lugar de seu filho.” (Gn 22.13b). Cristo é o substituto do pecador. Em Êxodo, temos o sacrifício pela família na instituição da Páscoa: “todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa.” (Êx 12.3b). Em Atos 16.31, lemos: “Creia no Senhor Jesus Cristo, e serão salvos, você e os de sua casa". Quantas famílias já não têm experimentado essa verdade! Em Levítico 4.13-15, temos o sacrifício pela nação, em que Cristo veio primeiramente para redimir a Israel. A esse respeito, o sumo sacerdote Caifás deu testemunho, declarando aos judeus que convinha que um homem morresse pelo povo (Jo 18.14). Em João, temos a maior revelação: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16). Lemos sobre três arcas nas Escrituras que tipificam a Cristo: (1) A “arca de Noé”, em que foi preservada a família eleita. Em Cristo, há segurança contra a ira divina: “Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele!” (Rm 5.9). (2) A “arca dos juncos”, em que Moisés foi salvo da ira do faraó: “agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). (3) A “arca do concerto”, que continha a lei e por meio de Cristo a lei de Deus está dentro do nosso coração (veja Sl 40.8). Nas três festas principais da ordem levítica, existem verdades preciosas: (1) A “festa das cabanas” (Lv 23.34) é uma referência à associação de Deus, o Pai, com o
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seu povo. Ele habitou no meio de Israel e por isso ordenou a Moisés que construísse o tabernáculo: “E farão um santuário para mim, e eu habitarei no meio deles.” (Êx 25.8). Ela prenunciava um tempo ainda mais abençoado, acerca do qual lemos: “Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus.” (Ap 21.3). (2) A “festa da Páscoa” comemorava a redenção de Israel por meio do sangue passado no alto das portas e está associada com o Filho de Deus, que é a nossa Páscoa: “Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça.” (Rm 3.25a). “Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado.” (1Co 5.7b) (3) A “festa das semanas” também é chamada de Pentecoste e a festa das Primícias (veja Êx 34.22), porque era celebrada sete semanas ou cinquenta dias depois da Páscoa. Não há dúvida de que ela representa Deus, o Espírito Santo (At 2.1-4). A ordem em que essas festas foram comemoradas é particularmente notável. A primeira celebração foi a Páscoa, que marcou um novo princípio na vida do povo: “Este deverá ser o primeiro mês do ano para vocês.” (Êx 12.2). Da mesma forma, a pessoa que aceita Cristo, a nossa Páscoa, experimenta um novo começo em sua vida: “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!” (2Co 5.17). Na sequência, veio a festa das semanas, que tipificava a descida do Espírito Santo ocorrida depois da morte de Cristo. É pelo Espírito Santo que somos renovados (Tt 3.5), mas essa obra espiritual é impossível até que aceitemos Cristo como Salvador e Senhor. Depois disso, o “próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm 8.16). Na última festa, a festa das cabanas, as primícias eram apresentadas a Deus, o Pai, que detém a preeminência. “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo as primícias dentre aqueles que dormiram […] Pois da mesma forma como em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados.” (1Co 15.20--22). Essa ordem de celebração das festas está perfeitamente de acordo com a obra divina na salvação do pecador, como está apresentada nas três parábolas em Lucas 15. Na busca pela ovelha perdida, Cristo está representado na figura do pastor. Ele mesmo disse: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” (Jo 10.11). Em sua busca pelos perdidos, o Espírito Santo é tipificado na mulher que acende uma candeia e procura sua dracma extraviada (Lc 15.8-10). O pai amoroso, ao receber seu filho pródigo, tipifica Deus, que não quer que ninguém se perca, mas que todos venham ao arrependimento (veja Lc 5.11-32). Esta é a ordem pela qual o ser humano chega a Deus: Cristo é o caminho; o Espírito Santo convence o ser humano do pecado, da justiça e do juízo; o Pai perdoa (Jo 16.8-11).
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O PLANO SATÂNICO DESCOBERTO A Bíblia trata de assuntos concernentes à salvação do ser humano, conforme a missão de Deus de restaurar a sua criação. Ela não se ocupa em detalhar a história dos povos, muito menos pretende ser um manual científico. O ser humano natural encontra dificuldade ao ler a Bíblia porque está sempre voltado para si mesmo e para a satisfação dos próprios desejos, como resultado do afastamento da raça humana do plano original de Deus. Algumas perguntas como: “Qual a origem da mulher de Caim?” não são respondidas. A Bíblia não se ocupa com pormenores que não sejam relevantes para o seu propósito. Nem Caim nem a sua mulher tiveram importância no plano de Deus depois da morte de Abel. Deus deu a Eva um outro filho no lugar de Abel, chamado Sete, cuja descendência começou a invocar o nome do Senhor (Gn 4.25,26). A narração bíblica acompanha a descendência de Sete pela linhagem de Noé, mencionando apenas Sem e Abraão, o “pai dos que creem”, em quem todas as nações são benditas (Gl 3.8). E assim por diante, são mencionadas as pessoas e nações que entraram no plano da restauração de todas as coisas, plano que fora iniciado por Deus em Gênesis 3.15 — o protoevangelho. Esse plano de redenção e restauração teve início na eternidade e será concluído na eternidade. Jesus Cristo foi crucificado antes da fundação do mundo (1Pe 1.19,20). O arqui-inimigo da alma humana, que perdeu o seu primeiro estado diante de Deus por causa de seu orgulho (Is 14.13,14), tem feito guerra contra o plano divino desde a sua queda. Sem a compreensão desse fato, a Bíblia permanecerá um livro desconhecido, ainda que seja lida diariamente. Entender as diversas fases da atuação de Deus em sua missão de restaurar a criação é o meio mais eficaz de se compreender e interpretar a Bíblia. A obra de Cristo é revelada por meio de tipos em todas as fases do plano de Deus, e não menos evidentes são os esforços malignos de Satanás para frustrar a gloriosa obra divina. O casal no Éden caiu porque Satanás o enganou, mas Deus imediatamente providenciou uma roupa de pele para cobrir a sua nudez, apontando, assim, para o sacrifício de Cristo e a veste da sua justiça que nos é oferecida mediante a fé. Expulsos do paraíso, da presença de Deus, os primeiros pais da humanidade receberam a promessa confortadora de um remidor: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar” (Gn 3.15). Deus atentou para Abel e sua oferta, porque foi uma oferta de sangue (Gn 4.4). O inimigo logo se manifestou em Caim e tentou interromper o plano divino matando Abel, o verdadeiro adorador. Em lugar de Abel,
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teve Adão outro filho, “a quem chamou Sete, dizendo: ‘Deus me concedeu um filho no lugar de Abel, visto que Caim o matou’.” (Gn 4.25b). A descendência de Sete começou a invocar o nome do Senhor. Novamente, o maligno atuou, fazendo com que a maldade humana se multiplicasse na terra, de modo que toda a imaginação e os pensamentos dos homens fossem sempre inteiramente maus (Gn 6.5). Depois do Dilúvio, o Senhor deu continuidade ao seu plano por meio de Sem. Satanás ainda tentou fazer com que o mundo inteiro fosse um só povo, com um só nome e uma só língua, por meio da construção da torre de Babel (Gn 11.3,4,6). Nesse período da promessa, vários tipos de Cristo se destacam, tais como: Melquisedeque, Abraão, Isaque, Judá, José, entre outros. Basta-nos o sacrifício de Isaque para sabermos que Deus proveu um substituto para a humanidade: Deus ofereceu Jesus “como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue” (Rm 3.25a). A promessa em Gênesis 49.10, que diz: “O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes, até que venha aquele a quem ele pertence, e a ele as nações obedecerão", apontava para Cristo, descendente de Judá (Hb 7.14): “E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre.” (Is 9.6b,7). Nessa fase do plano redentivo de Deus, a astúcia satânica é bem visível. Por ela, Abraão mentiu, os irmãos de José o venderam a mercadores ismaelitas e o povo escolhido de Deus foi maltratado no Egito. O grande livramento ocorrido pela Páscoa é um tipo de nossa liberdade, mediante a fé no sangue de Jesus, pois “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado.” (1Co 5.7b). Libertado da escravidão, o povo de Deus entrou em uma fase de experiência. A peregrinação no deserto foi uma escola preparatória para a futura organização de Israel. E o inimigo não se poupou em tentar frustrar o plano de Deus. As murmurações, as saudades da terra do Egito, o bezerro de ouro, o incenso falso de Nadabe e Abiú, o esforço para tirar a vida de Davi e o cativeiro babilônico são evidências da astúcia do príncipe deste mundo. Nesse mesmo período, entretanto, encontramos evidências do plano de Deus na Lei, nas festas, na Tenda do Encontro, na serpente de bronze, na aliança dada a Davi pelos profetas (2Sm 7.16), e na misericórdia manifestada na vida de Daniel, Zorobabel, Esdras e Neemias. Notamos três ocasiões durante o período dos reis nas quais Satanás quase alcançou o seu propósito, visto que restava uma só pessoa na linhagem messiânica. O rei Jeorão exterminou toda a descendência real e, por sua vez, perdeu o reinado por causa do pecado. O seu filho Acazias foi morto por Jeú, logo “a família de Acazias não tinha mais ninguém que pudesse ser rei.” (2Cr 22.9b). Satanás apoderou-se de Atalia, mãe de
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Acazias, que destruiu toda a família real de Judá. A vitória satânica parecia completa. Não havia mais descendente de Davi para se assentar em seu trono. No entanto, Deus sempre provê. Enquanto Atalia massacrava os seus netos, Jeoseba, filha do rei Jeorão, pegou Joás, filho de Acazias, e o escondeu de Atalia. Joás permaneceu escondido no templo de Deus por seis anos (veja 2Cr 22.10,12). Passado algum tempo, o sacerdote Joiada apresentou o menino Joás ao povo e disse: “Reinará o filho do rei, conforme o Senhor prometeu acerca dos descendentes de Davi.” (2Cr 23.3b). A linhagem de Davi ficou estabelecida até o tempo do rei Ezequias, quando sofreu mais uma ameaça de ser exterminada. Ezequias foi acometido de uma enfermidade mortal, sem ter filhos. O inimigo certamente sentiu prazer em pensar que, finalmente, sua vitória era certa, mas seu plano maligno mais uma vez fracassou. Ezequias arrependeu-se de seu pecado, e a sua vida foi prolongada por mais 15 anos. Três anos depois de estar restabelecido, gerou o seu filho Manasses, por meio de quem a linhagem do Messias continuou. O que dizer da história de Ester? O livro que relata as experiências dessa rainha heroica não faz menção de Deus diretamente, porém narra a providência de Deus em preservar o seu povo. Hamã foi um instrumento na mão satânica para exterminar o povo de Israel e assim frustrar o plano divino. Quando parecia que Hamã triunfava, Ester, sob a orientação de Deus, conseguiu a salvação do seu povo e o fim do perseguidor. Não há dúvida de que na ocasião o diabo pensou que fosse ganhar, mas Deus não tinha determinado o que haveria de acontecer? Depois de quatro séculos de silêncio bíblico entre os Testamentos, após o livro de Malaquias, encontramos Satanás promovendo mais uma matança por meio do decreto de Herodes. O seu principal objetivo era destruir o descendente da mulher que esmagaria a sua cabeça; assim, planejou matar o Menino da manjedoura. Depois de ter seu propósito frustrado, ele foi mais uma vez exposto e vencido ao tentar o Filho do homem no deserto. Nesse confronto, a sua derrota ficou revelada para sempre, e não mais ousou enfrentar a Cristo; não obstante, manteve-se ativo durante todo o ministério do Senhor. Seu ataque era sempre covarde e traiçoeiro, como normalmente faz com os cristãos. Veja como ele usou Pedro quando este chamou Jesus em particular e o repreendeu. O Mestre lhe disse: “Para trás de mim, Satanás!” (Mc 8.33b). Em certa noite tranquila, o Mestre entrou em um barco com os seus discípulos. Cansado pelo muito trabalho, ele dormia na popa, quando houve uma tempestade tão grande que o barco era coberto pelas ondas. Todas as suas ciladas anteriores haviam falhado; portanto, novamente o inimigo tentava destruir o descendente real que viera salvar a humanidade e proclamar, na hora da sua morte: “Está consumado!” (Jo 19.30a).
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Finalmente, no Getsêmani, o adversário perdeu a batalha. Quando o cúmulo do pecado se manifestou na cruz, Cristo saiu vitorioso porque provou a morte em lugar de todos, e assim derrotou quem tinha o poder da morte, isto é, o diabo (veja Hb 2.9,14). “A morte foi destruída pela vitória”. (1Co 15.54b). E a obra de Jesus Cristo se completou com a sua ressurreição dentre os mortos, demonstrando a esperança de nova vida e da restauração de tudo. No período atual da graça, o príncipe deste mundo continua ativo, embora com poder limitado. Por duas vezes, tentou destruir a nova igreja em Jerusalém. Logo que todos os membros da igreja contribuíram liberalmente, Satanás entrou no coração de Ananias e Safira, induzindo-os a mentir e enganar (At 5.1-11). Mais tarde, com o progresso do trabalho em Jerusalém, os discípulos se esqueceram da ordem do Senhor de serem testemunhas também na Judeia, Samaria e até os confins da terra (At 1.8), para dar prosseguimento à aliança que Deus fizera com Abraão e que tinha sido reconfirmada várias vezes no Antigo Testamento (Gn 12; 15). E mesmo depois de a igreja ter sido dispersa, os apóstolos ainda resistiam à ideia de que o evangelho alcançasse os samaritanos e gentios (veja At 8; 10). O primeiro concílio da igreja realizado em Jerusalém mostra mais uma vez a tentativa de Satanás de frustrar a propagação das boas-novas e sua aplicação prática na vida dos primeiros cristãos (At 15). Sem poder atrasar a causa do Mestre de outra forma, Satanás está sempre pronto a convencer as pessoas de que muita atividade evangelística é desnecessária. Ele tenta impedir que o evangelho se enraíze no coração daqueles que se convertem, criando uma forma de Cristianismo nominal e sem expressão. A luta entre Deus e Satanás tem continuado através dos séculos. O plano divino prossegue, e Satanás, que se disfarça de anjo de luz (2Co 11.14), está sempre buscando interrompê-lo com as suas astutas ciladas. Mas, louvamos a Deus porque virá o dia em que o diabo será “lançado no lago de fogo que arde com enxofre”, onde será atormentado dia e noite para sempre (veja Ap 20.10). “Então virá o fim, quando ele [Jesus Cristo] entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, autoridade e poder.” (1Co 15.24). AS TRINDADES DA BÍBLIA A concepção de “trindade” também é proeminente na Bíblia, onde a Trindade divina e uma trindade de males estão presentes. O próprio ser humano é considerado uma trindade, visto que é “espírito, alma e corpo” (veja 1Ts 5.23). Desde o princípio, o ser humano tem sido atacado por uma trindade de males, que são: o mundo, a carne e o diabo. A própria carne, isto é, a natureza caída,
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constitui-se em uma trindade inimiga: a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens (1Jo 2.16). Essa trindade, que formou a tríplice tentação dos nossos primeiros pais no Éden quando caíram e arruinaram a raça, foi a mesma que o último Adão — Cristo — enfrentou no deserto, quando venceu e redimiu a raça. Também é a nossa tentação contínua. No Éden, a mulher viu que (Gn 3.6):
No deserto, o tentador disse a Jesus (Lc 4.1-10):
A árvore "parecia agradável ao paladar" — cobiça da carne.
“Mande a esta pedra que se transforme em pão” — cobiça da carne.
A árvore "era atraente aos olhos" — cobiça dos olhos.
“Eu lhe darei”, após mostrar-lhe todos os reinos do mundo — cobiça dos olhos.
A árvore era "desejável para dela se obter discernimento" — ostentação
“Jogue-se daqui […] Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, para lhe guardarem” — ostentação.
No Éden, a derrota ocorreu porque Adão e Eva duvidaram da Palavra de Deus e acentuaram o seu desejo por autonomia e independência. “Disse a serpente à mulher: ‘Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal’ […] [a mulher] tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.” (Gn 3.4b,5,6b). No deserto, Cristo triunfou porque confiou na Palavra de Deus. A sua réplica foi, seguidamente: “Está escrito.” A Bíblia nos ensina que esses três princípios do mal são incorporados em três personalidades, das quais também se originam: o diabo, a besta e o falso profeta, cuja destruição é predita (Ap 20.10). Contra essa trindade, há outra, que é a fonte de todo o bem: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (2Co 13.13). As três pessoas da Trindade santa foram reveladas progressivamente em sua plenitude ao ser humano. No Antigo Testamento, temos a revelação de Deus, o Pai. Isso remove a nossa incredulidade. Nos Evangelhos, é revelado Deus, o Filho, que tira o pecado do mundo. Em Atos dos Apóstolos, temos a revelação de Deus, o Espírito Santo, atuando na igreja em seus primeiros passos. Isso amolece o nosso coração. Nas epístolas, temos a plena revelação da santa Trindade em palavras conhecidas por todos os cristãos: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês.” (2Co 13.14). Isso consola a todos.
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Os Manuscritos
É comum falamos em “manuscritos originais”, quando, na verdade, não existe mais nenhum original de todas as Sagradas Escrituras, nem do Antigo nem do Novo Testamento. Esses textos originais que não mais existem são chamamos de textos autógrafos, isto é, que saíram da pena do escritor. Naquela época, não havia a facilidade que temos hoje em copiar textos e preservá-los, e os materiais da escrita eram raros e dispendiosos. Todos os textos eram escritos à mão, daí vem o nome “manuscritos”. Ao se tornarem velhos e ilegíveis, os textos eram copiados, e muitas vezes os originais eram enterrados ou mesmo queimados pelos próprios copistas ou escribas da Palavra de Deus. Mas, também há originais que provavelmente foram destruídos nas guerras e perseguições sofridas pelo povo de Deus de tempos em tempos. Ao que tudo indica, quando o Novo Testamento foi escrito, os documentos originais do Antigo Testamento já não existiam. Consequentemente, quando foi compilada pela primeira vez, a Bíblia completa consistiu em cópias hebraicas do Antigo Testamento, juntamente com uma tradução grega conhecida por Septuaginta, que significa “setenta”, em razão de ter sido elaborada por setenta eruditos.
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Podemos ver a providência de Deus na perda dos manuscritos originais, ou autógrafos, pois se existissem hoje documentos originais da letra de Moisés, Davi, Isaías, Daniel, Paulo ou João, o coração humano, que é tão suscetível à superstição, poderia adorá-los, como aconteceu com a serpente de bronze nos dias de Ezequias (veja 2Rs 18.4), anulando assim o seu propósito. A falta dos originais não deve nos assustar, porque há milhares de manuscritos gregos e hebraicos copiados dos originais e espalhados pelo mundo, os quais têm sido descobertos pela arqueologia e por pesquisadores do Oriente. Mais recentemente, foram descobertos os manuscritos de Qumran em algumas cavernas na Palestina. Eles também vieram a corroborar os textos que já haviam sido colecionados, que são chamados de recensão ou textos críticos. Os manuscritos que datam desde a antiguidade até a primeira metade do segundo século constituem os papiros mais antigos. No quarto século, temos os unciais, que foram escritos em letra maiúscula sobre pergaminho (pele de cabrito especialmente preparada). Quando as primeiras bíblias foram impressas, havia mais de dois mil desses manuscritos. Hoje, existem milhares, um número suficiente para estabelecer a genuinidade e a autenticidade da Bíblia. Além disso, com o passar do tempo, os especialistas passaram a empregar a crítica textual, uma ciência que analisa os manuscritos existentes, agrupa-os em famílias, e busca chegar ao mais próximo possível do que seriam os textos originais (os autógrafos). As avaliações feitas até o momento indicam que é possível alcançar cerca de 98% de precisão nesses textos. Os 2% restantes se referem a conteúdos que já existem em outras partes das Escrituras ou a temas não fundamentais. A existência de um livro antigo pode ser provada de muitas maneiras fora do original. Por exemplo, as referências a ele, suas citações, paráfrases, narrações, traduções, os catálogos que o mencionam, argumentos contra o seu ensino e as cópias existentes provam que tal livro existiu. É possível verificar a idade de um manuscrito: 1) pela forma da letra em que está escrito; 2) pela maneira com que as letras estão ligadas umas às outras; e 3) pela simplicidade ou ornamentação das letras iniciais. A crítica textual, que tem sido amplamente utilizada nas últimas décadas, fornece meios para se estabelecer a idade genuína dos manuscritos, com base nas versões e obras dos anciãos das igrejas cristãs dos primeiros séculos, pois eles citaram muitos textos das Escrituras. A crítica textual também estuda os manuscritos para verificar a sua exatidão, pois a sua cópia também trouxe imperfeições, uma vez que todo o trabalho era feito manualmente. Assim, a crítica textual aplica princípios científicos para realizar o trabalho de investigação da exatidão do texto.
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MANUSCRITOS DO ANTIGO TESTAMENTO Os escritos medievais do Antigo Testamento nos trazem uma forma padronizada do texto hebraico, que reflete o trabalho extraordinário dos escribas conhecidos como “massoretas”, os quais viveram entre 500 e 900 d.C. Assim, o texto resultante ficou conhecido como Texto Massorético. É importante ter em mente que praticamente todas as fontes primárias do texto hebraico foram obras escritas à mão, geralmente em pele de animais, em papiro ou, às vezes, em metal. O fato de serem escritos à mão é uma fonte de dificuldades para a crítica textual, que precisa trabalhar para compreender os diversos erros presentes nesses manuscritos. A existência do Texto Massorético, como o temos hoje, muito se deve à família de Ben Aser, que viveu em Tiberíades. Ao longo de aproximadamente seis gerações — da segunda metade do século 8 a meados do século 10 — essa família desempenhou um papel crucial na preservação do texto hebraico. O manuscrito massorético mais antigo é o Códice Cairensis, de cerca de 895 d.C., atribuído a Moisés ben Aser, contendo apenas os Profetas Anteriores (Josué, Juízes, Samuel e Reis) e os Profetas Posteriores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Profetas Menores). Mas há outro manuscrito importante ligado à família Ben Aser, o Códice Aleppo, que data da primeira metade do século 10. Ele continha o Antigo Testamento completo, mas infelizmente foi destruído de modo parcial em tumultos antijudaicos, em 1947. A parte do manuscrito que sobreviveu é objeto de trabalho para uma nova edição crítica da Bíblia hebraica a ser publicada pela Universidade Hebraica em Jerusalém. Outro importante manuscrito do Antigo Testamento é o Códice Leningradense, que está localizado na Biblioteca Pública de Leningrado. Ele é um importante testemunho para o texto de Ben Aser. Foi copiado em 1008 d.C., a partir de textos escritos por Aaran ben Moisés ben Aser. Esse manuscrito foi utilizado como a base textual para os textos hebraicos populares da atualidade: Bíblia Hebraica, editada por R. Kittel, e sua revisão, Bíblia Hebraica Stuttgartensia, editada por K. Elliger e W. Rudolf. Além desses importantes manuscritos, há vários outros de menor importância que refletem a tradição massorética. Entre eles estão o Códice Petersburgo dos Profetas e vários manuscritos que não mais existem, mas foram usados por estudiosos no período massorético. O maior achado arqueológico dos últimos tempos tem sido a descoberta dos manuscritos do mar Morto, ocorrida nas décadas de 1940 e 1950 em Uádi Qumran. Na ocasião, alguns pastores de cabras encontraram cavernas com vasos que conti-
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nham inúmeros manuscritos, que datam de cerca de trezentos anos após o fechamento do cânon do Antigo Testamento. Entre esses manuscritos, o rolo de Isaías recebeu o maior destaque, embora a coleção contenha fragmentos de todos os livros na Bíblia hebraica, com exceção de Ester. Os manuscritos do mar Morto se constituem em uma coletânea de textos bíblicos e extrabíblicos de Qumran, uma antiga comunidade religiosa judaica que existia próximo ao mar Morto. Antes do achado de Qumran, poucos manuscritos haviam sido descobertos na Terra Santa. Orígenes, pai da igreja primitiva (século 3), mencionou o uso de manuscritos hebraicos e gregos que haviam sido armazenados em jarros nas cavernas próximas a Jericó. No século 9, um patriarca da igreja oriental, Timóteo I, escreveu uma carta a Sérgio, metropolitano (arcebispo) de Elã, na qual também se referia a uma grande quantidade de manuscritos hebraicos encontrados em uma caverna perto de Jericó. Por mais de mil anos desde então, nenhuma outra descoberta significativa de manuscritos foi feita nas cavernas daquela região próxima ao mar Morto. MANUSCRITOS DO NOVO TESTAMENTO Os manuscritos do Novo Testamento são mais abundantes do que aqueles encontrados do Antigo Testamento. No início dos anos 2000, a estatística dos manuscritos do Novo Testamento já indicava uma ampla disponibilização. No Dicionário Bíblico Tyndale, o verbete “Bíblia” informa que há “99 papiros manuscritos, 257 manuscritos unciais e 2.795 manuscritos em minúscula”. Podem-se acrescentar a essa lista 2.209 conjuntos de lecionários gregos. Portanto, existem mais de 5.350 cópias manuscritas do Novo Testamento grego ou porções dele. Nenhuma outra obra da literatura grega pode apresentar números tão expressivos. Em sua maioria, os manuscritos no Novo Testamento eram feitos de papiro obtido dos caules de juncos, cuja parte interna era cortada em tiras. Essas tiras eram sobrepostas e coladas de forma cruzada para formar uma folha adequada para a escrita. Há importantes papiros, muitos deles como fragmentos, tais como: • • • • • •
P45 (PAPIRO CHESTER BEATTY I) P46 (PAPIRO CHESTER BEATTY II) P47 (PAPIRO CHESTER BEATTY III) P66 (PAPIRO BODMER II) P72 (PAPIRO BODMER VII-VIII) P75 (PAPIRO BODMER XIV-XV).
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Junto aos papiros, encontram-se os manuscritos unciais, também chamados de códices, caracterizados por sua escrita em letras maiúsculas. Dentre eles, é possível destacar: Códice Sinaítico (ou )א: Contém toda a Bíblia e, em geral, é datado de 350–375. Foi descoberto por Constantin von Tischendorf no Mosteiro de Santa Catarina, situado no sopé do monte Sinai. A história conta que, durante uma visita ao mosteiro em 1844, ele observou um cesto de lixo com algumas folhas de pergaminho que estavam sendo usadas para acender candelabros. Obteve permissão para levar o cesto, que continha 43 folhas com várias partes da tradução grega do Antigo Testamento. Em 1859, ele fez uma nova visita ao mosteiro e encontrou partes do Antigo Testamento e o Novo Testamento completo, conseguindo convencer as autoridades monásticas a apresentar os manuscritos ao czar, o grande patrono da Igreja Católica Grega, que os depositou na Biblioteca Imperial de São Petesburgo. Atualmente, esse códice está no Museu Britânico em Londres. O que tem sido descoberto por meio de sua análise textual é que ele apresenta estreita relação com o Códice Vaticano, visto que ambos possuem um tipo de texto mais coerente, comumente chamado de “tipo de texto alexandrino” ou “família alexandrina”. Códice Vaticano (B): O nome desse códice provém do fato de estar, desde pelo menos 1475, na Biblioteca do Vaticano, sendo o seu documento mais famoso. Esse códice continha toda a Bíblia em grego, incluindo a maioria dos livros da Apócrifa, mas perdeu muitas de suas folhas. Cada página deste códice contém três colunas (duas para os livros poéticos) com 40 a 44 linhas por coluna. Acredita-se que foi preparado por dois escribas diferentes e datado entre o início e o meio do século 4. Apresenta semelhança com o Códice Sinaítico. Esses dois códices são reconhecidos como dois dos mais importantes exemplos do tipo alexandrino do texto grego do Novo Testamento, e foram utilizados por praticamente todos os estudiosos textuais desde os dias de Brooke Westcott e Fenton Hort, que publicaram o seu Testamento Grego em 1881, incluindo também sua teoria de crítica textual baseada nessa avaliação do texto alexandrino. Eles reconheceram esse tipo neutro de texto como um texto bem antigo e puro, uma reprodução acurada que bem pode ter se aproximado do que teria sido o texto original. Desde essa época, a teoria de Westcott e Hort tem sido confirmada pela descoberta de alguns manuscritos, notadamente os Bodmer, descobertos na década de 1950. Códice Alexandrino (A): É um dos três códices mais importantes e contém toda a Bíblia em grego. O seu nome sugere que foi copiado no Egito durante a primeira parte do século 5. Ele não existe completo; há 773 das cerca de 820 páginas originais. A parte conservada contém uma tradução grega de todo o Antigo Testa-
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A BÍBLIA e como chegou até nós
mento, a Apócrifa (incluindo-se quatro livros dos Macabeus e o Salmo 151) e a maior parte do Novo Testamento, incluindo escritos cristãos primitivos, dentre os quais encontram-se a Primeira e a Segunda Epístola de Clemente aos Coríntios. Provavelmente, esse códice foi produzido por diversos escribas e contém muitas correções feitas no manuscrito, a maioria em data antiga. Algumas dessas correções foram introduzidas pelo próprio escriba, enquanto outras foram adicionadas posteriormente. Supõe-se que os escribas desse códice utilizaram exemplares de qualidade variada para o Novo Testamento. O que foi utilizado para os Evangelhos era de qualidade inferior, refletindo um tipo de texto bizantino. Por outro lado, as Epístolas e o Apocalipse apresentam uma qualidade melhor. Códice Ephraemi Rescriptus (C): É um códice do tipo palimpsesto, isto é, a escrita original foi apagada e palavras diferentes foram escritas sobre o mesmo material. Por meio de procedimento científico avançado, foi possível descobrir o texto original que tinha sido raspado e sobreposto por outro texto. O códice continha toda a Bíblia. Quando foi descoberto, continha parte de livros do Antigo Testamento e porções de todos os livros do Novo Testamento, com exceção de 2Tessalonicenses e 2João. O texto bíblico foi supostamente escrito no século 5 d.C. em uma coluna única, mas, no século 12, foi apagado e substituído por um texto em duas colunas contendo uma tradução grega de sermões e estudos de Ephraem, um líder eclesiástico sírio do século 4. Isso deu origem ao nome do Códice. O texto desse manuscrito é misto, ou seja, é composto pelos tipos textuais mais importantes e frequentemente alinhados com um texto coiné mais recente, conhecido como “texto bizantino” ou “família bizantina”. É considerado pela maioria dos especialistas como um tipo de texto menos valioso do Novo Testamento. Códice Bezae (D): Trata-se de um texto chamado de “diglota”, pois traz tanto o grego como o latim e contém, com lacunas, apenas os textos de Mateus a Atos e 3João. Sua data provável é cerca de 400 d.C. A análise do material revela que foi produzido por um escriba que conhecia o latim melhor do que o grego, e apresenta diversas correções feitas por vários escribas. Foi descoberto por Teodoro Beza, estudioso francês e sucessor de Calvino, o qual emprestou seu nome ao Códice. Por ser um códice independente, é considerado o mais controvertido dos unciais do Novo Testamento, especialmente em razão dos muitos acréscimos, omissões e alterações. Códice Washingtoniano ou Os Evangelhos Freer (W): Contém os quatro Evangelhos e data aproximadamente do ano 400 d.C. É também conhecido como “Os Evangelhos Freer”, por causa de seu proprietário Charles Freer. Ele foi copiado a partir de um manuscrito que podemos chamar de “progenitor” e de vários manus-
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critos diferentes, possuindo uma apresentação textual diversificada. Isso indica que ele se originou de várias fontes, sendo provável que tenha ligações com um texto do norte da África (o texto ou família “Ocidental”), especialmente para a primeira parte de Marcos. Mas também há probabilidade de que o seu escriba tenha utilizado textos originários de Antioquia para Mateus e a segunda parte de Lucas. Isso mostra que o texto é misto; contém ligações com a família bizantina e a família Ocidental. Atualmente, há disponível uma grande quantidade de literatura sobre esse tema para quem deseja se aprofundar no assunto.
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A Bíblia e Sua Tradução
Neste capítulo, teremos uma breve introdução sobre a tradução da Bíblia. É importante lembrar que as línguas da Bíblia possuem características próprias e que, nem sempre, são fáceis de aprender. Seria razoável que uma pessoa que se converte ao evangelho tivesse de aprender as línguas originais da Bíblia — o hebraico, o aramaico e o grego? Para a maioria das pessoas, isso representaria uma tarefa praticamente impossível. O VALOR DAS TRADUÇÕES Assim, surge a necessidade da transposição das língua originais do texto bíblico para a língua das pessoas que desejam ler e estudar a Bíblia. Por essa razão, existem as traduções da Bíblia em várias línguas, um trabalho que não é novo, pois há traduções bem antigas. Por exemplo, o Antigo Testamento, originalmente escrito em hebraico e aramaico, foi traduzido para o grego, resultando na conhecida Septuaginta. Esse foi um trabalho realizado no século 3 a.C. para atender especialmente os judeus que viviam no Egito, conhecidos como judeus da diáspora, pois eles não conseguiam mais ler as Escrituras em sua língua
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A BÍBLIA e como chegou até nós
original. Ao longo do tempo, muitas outras traduções surgiram para facilitar o acesso dos povos à Palavra de Deus. ALGUMAS LIMITAÇÕES DAS TRADUÇÕES A comunicação possui características distintas que variam de acordo com cada povo e suas línguas. Não foi diferente com os povos bíblicos. As línguas que Deus utilizou para escrever a Bíblia são mais profundas do que as línguas modernas, seja no campo da morfologia ou da semântica. Esse dado apenas já indica que a tradução da Bíblia para outra língua, especialmente para as línguas modernas, é um empreendimento descomunal, uma vez que as palavras da língua-alvo nem sempre possuem o mesmo sentido e as suas formas gramaticais muitas vezes não conseguem refletir o mesmo sentido da língua original. Além disso, é necessário ter mente que existe uma vasta distância de tempo entre o período atual e a época bíblica, o que demanda do tradutor um entendimento ainda maior para transpor a Palavra de Deus para a língua pretendida. Um dos meios para facilitar e diminuir essa distância foi o surgimento dos comentários e dicionários bíblicos que, ao trazerem explicações de especialistas, tornaram-se ferramenta necessária para o estudo da Palavra de Deus. AS EQUIVALÊNCIAS DAS TRADUÇÕES A palavra “equivalência” refere-se à busca constante do tradutor para aproximar as traduções dos textos originais e simultaneamente torná-las acessíveis ao leitor contemporâneo. Em outras palavras, podemos fazer duas perguntas: Qual é a equivalência das palavras, da gramática e do estilo entre o texto bíblico original e sua tradução? Além da fidelidade ao texto original, quanto a tradução se aproxima do leitor atual? Na prática, é possível compreender algumas formas de equivalência que foram adotadas ao longo do tempo no trabalho de tradução da Bíblia. (1) Equivalência literal: É o método mais simples de tradução, no qual o tradutor transpõe de forma pura e simples as palavras do texto original para o texto traduzido, seguindo sua sequência, sem se preocupar com o significado do texto para os destinatários ou leitores da tradução, mantendo-se fiel às palavras do original. Foi assim que Áquila traduziu o Antigo Testamento em cerca
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de 140 d.C. Atualmente, dispomos dos chamados textos interlineares, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, utilizados particularmente para estudos bíblicos. Nesses textos, sob cada palavra do texto original, encontra-se a tradução literal correspondente na língua transposta. Uma tradução baseada nesse tipo de equivalência torna-se praticamente difícil para a compreensão comum, e acaba sendo útil para especialistas treinados tanto nas línguas originais, quanto na língua da tradução. Veja a seguir o fac-símile de um texto bíblico interlinear, do Antigo e do Novo Testamento, no qual é possível ver na primeira linha o texto original e, logo abaixo, a tradução equivalente no português. Ao lado, há também uma tradução corrente, no caso a NTLH.1
1
O fac-símile traz Antigo e Novo Testamentos Interlineares publicados pela Sociedade Bíblica do
Brasil. Veja Bibliografia ao final desta obra.
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A BÍBLIA e como chegou até nós
(2) Equivalência formal: Também conhecida por “equivalência verbal”, é o método mais utilizado nas traduções até hoje. O foco consiste em considerar o conteúdo formal do texto original preservando seus aspectos e mantendo, tanto quanto possível, a sua sintaxe, a estrutura frasal e as expressões idiomáticas, que são reproduzidas na tradução para outra língua. Enquanto a equivalência literal não se atém à inteligibilidade do texto, a equivalência formal visa à clareza e transpõe o significado das palavras do texto original para o texto traduzido de forma que fique compreensível ao leitor da tradução. Em algumas situações, o tradutor pode levar em conta o contexto situacional dos autores e destinatários bíblicos para tornar a tradução mais compreensível aos leitores, o que pode ser indicado em uma nota de rodapé, entre colchetes, ou por outras formas convencionadas no trabalho editorial. Na equivalência formal, o objetivo é manter o texto traduzido o mais literal e formal possível, preservando as expressões em sua forma mais original e idiomática, evitando alterar as palavras entre as duas línguas ou adaptá-las à realidade cultural do leitor da tradução. Em resumo, na equivalência formal, a tradução é realizada verbo por verbo, substantivo por substantivo etc. Em português, a tradução de João Ferreira de Almeida adotou, desde o seu surgimento, a equivalência formal, assim como as principais traduções que surgiram ao longo do tempo, tais como: Almeida Revista e Corrigida (ARC), Almeida Corrigida Fiel (ACF), Almeida Revista e Atualizada (ARA), Almeida Revisada de Acordo com os Melhores Textos em Hebraico e Grego (AVR), Tradução Brasileira (TB), Almeida Contemporânea (AC), King James Fiel 1611 (BKJ Fiel). (3) Equivalência dinâmica, funcional ou comunicacional: Propõe-se a reproduzir o pensamento e o significado da mensagem original nas estruturas e formas características da língua para a qual se traduz. Nesse caso, a ênfase recai sobre a transposição do sentido da mensagem original, mais do que sobre as palavras e estruturas formais e idiomáticas. Em outras palavras, o tradutor busca descobrir e compreender o sentido original para quem a recebeu para, em seguida, convertê-la ao português, de modo que o leitor contemporâneo possa compreender a mensagem o mais próximo possível do leitor original. A equivalência dinâmica leva em consideração os avanços nas áreas da linguística, da comunicação e da semiótica, que demonstram a necessidade de se transmitir a mensagem traduzida de modo que o receptor a entenda da mesma forma que os seus leitores originais.
A Bíblia e Sua Tradução
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A equivalência dinâmica exige maior esforço do tradutor, pois precisa considerar o contexto situacional tanto dos autores e destinatários originais quanto dos receptores da tradução, a fim de manter o mesmo sentido para ambos os públicos. Enquanto a equivalência formal busca manter a fidelidade à forma do texto original, a equivalência dinâmica se dedica a manter a fidelidade ao seu sentido. No Brasil, a equivalência dinâmica foi adotada na tradução da Bíblia na Linguagem de Hoje produzida e publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil, representada atualmente pela Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH). (4) Equivalência mista ou otimizada: A tradução busca manter o equilíbrio entre a fidelidade formal e o sentido do texto. No Brasil, temos como exemplo a Nova Versão Internacional (NVI), a Nova Tradução Transformadora (NVT), a Nova Almeida Atualizada (NAA). (5) Equivalência livre ou informal: É o oposto da equivalência literal e ocorre quando a tradução evita o formalismo do texto original e busca transmitir aos leitores as ideias presentes no texto bíblico como se fossem escritas hoje. Em geral, o resultado é um texto independente em que o tradutor tem a liberdade de “recriar” o texto traduzido, usando o texto original apenas como referência. O foco é o receptor da tradução, com o objetivo de facilitar ao máximo a sua compreensão da Bíblia. Essa equivalência é utilizada em traduções conhecidas como “paráfrases”, a exemplo da Bíblia Viva (BV), A Mensagem, Nova Bíblia Viva (NBV), Versão Fácil de Ler (VFL).
EXEMPLOS COMPARATIVOS DE EQUIVALÊNCIA NA TRADUÇÃO BÍBLICA A seguir estão alguns exemplos para facilitar a compreensão dos diferentes tipos de equivalência:
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A BÍBLIA e como chegou até nós
Gálatas 1.16
Equivalência formal/verbal
“revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue” (ARA)
Equivalência dinâmica/funcional
“revelar para mim o seu Filho a fim de que eu anunciasse aos não judeus a boa notícia a respeito dele, eu não fui pedir conselhos a ninguém.” (NTLH)
Equivalência mista/otimizada
“revelar seu Filho a mim, para que eu o anunciasse aos gentios. Quando isso aconteceu, não consultei ser humano algum.” (NVT)
Equivalência livre/informal
“revelar o seu Filho em mim, a fim de que eu pudesse anunciá-lo aos gentios. Quando tudo isso me aconteceu, não fui discuti-lo com nenhuma outra pessoa.” (NBV)
A Bíblia e Sua Tradução
2Coríntios 4.16
Equivalência formal/verbal
“Por isso, não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” (ARC)
Equivalência dinâmica/funcional
“Por isso nunca ficamos desanimados. Mesmo que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia.” (NTLH)
Equivalência mista/otimizada
“Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia” (NVI)
Equivalência livre/informal
“Então, nós não desanimamos. Mesmo que os nossos corpos estejam se despedaçando, por dentro estamos sendo renovados a cada dia.” (BFL)
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A BÍBLIA e como chegou até nós
1Pedro 3:3,4
Equivalência formal/verbal
“O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura dos vestidos; Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus.” (ACF)
Equivalência dinâmica/funcional
“Não procure ficar bonita usando enfeites, penteados exagerados, joias ou vestidos caros. Pelo contrário, a beleza de você deve estar no coração, pois ela não se perde; ela é a beleza de um espírito calmo e delicado, que tem muito valor para Deus.” (NTLH)
Equivalência mista/otimizada
“Que a beleza de vocês não seja exterior, como tranças nos cabelos, joias de ouro e vestidos finos, mas que ela esteja no ser interior, uma beleza permanente de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus.” (NAA)
Equivalência livre/informal
“Não se preocupem com a beleza exterior que depende de joias, ou de roupas bonitas, ou de penteados exagerados. Ao contrário, sejam belas interiormente, em seus corações, com um espírito amável e manso, que é tão precioso para Deus.” (NVB)
A Bíblia e Sua Tradução
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Ao final deste capítulo, um gráfico mostrará a distribuição das traduções em português entre os vários tipos de equivalência. TRADUÇÃO E VERSÃO, QUAL A DIFERENÇA? É comum haver certa confusão entre as palavras “tradução” e “versão”, mesmo no âmbito internacional. A tradução refere-se à conversão de um documento ou texto para uma língua diferente. Assim, quando falamos que a Bíblia foi traduzida para o português, inglês, francês etc., queremos dizer que ela foi transposta das línguas originais (hebraico, aramaico e grego) para essas línguas. No entanto, quando uma determinada tradução recebe atualização, revisão ou ajustes, estamos nos referindo a uma versão. Em seguida, falaremos sobre a tradução de Almeida e suas várias versões que surgiram depois, como a Almeida Revista e Corrigida, Almeida Revista e Atualizada, Nova Almeida Atualizada, Almeida Corrigida e Fiel etc. Como se vê, a tradução de Almeida passou por diversas revisões ou atualizações. Também abordaremos a Nova Versão Transformadora (NVT) e a Nova Versão Internacional (NVI), que não são versões de fato, mas traduções que foram chamadas inapropriadamente de versões.
EDIÇÃO COMEMORATIVA DOS
100
ANOS
DA PRIMEIRA EDIÇÃO
JOHN MEIN
A BÍBLIA e como chegou até nós
Há cem anos, John Mein nos presenteava com uma obra essencial sobre a origem, preservação e impacto da Bíblia. Nesta edição comemorativa, ampliada por Lourenço Stelio Rega, o leitor é conduzido em uma jornada histórica e espiritual pelas Escrituras, descobrindo o propósito eterno de Deus e o papel central de Cristo em toda a narrativa bíblica. Com linguagem clara e fundamentação sólida, esta obra revisita temas como os manuscritos originais, as traduções ao longo dos séculos e os princípios fundamentais de interpretação bíblica. Este clássico cristão de John Mein é revitalizado e ampliado por Lourenço Stelio Rega, e oferece uma visão abrangente e acessível das Escrituras. Com 13 capítulos revisados e atualizados, esta obra explora desde a origem dos manuscritos e o impacto das traduções até os princípios da interpretação bíblica. Ideal para estudiosos, pastores e cristãos de todas as idades, este livro é uma ferramenta preciosa para fortalecer a fé e aprofundar o conhecimento. A Bíblia e Como Chegou Até Nós é mais que um livro — é um guia indispensável para aqueles que desejam explorar as riquezas do maior legado espiritual da humanidade: a Bíblia.
A BÍBLIA e como chegou até nós
Lourenço Stelio Rega, nascido em 1953 em Suzano, SP, é escritor, teólogo e eticista. Neto do missionário Charles W. Cooper, iniciou cedo sua trajetória cristã. Licenciado em Filosofia, Bacharel e Mestre em Teologia, Mestre em Educação e Doutor em Ciências da Religião. É especialista em Bioética e Análise de Sistemas. Atualmente dedica-se à pesquisa e ao ensino, especialmente no campo da ética e bioética, cultura contemporânea, mobilização de igrejas, líderes, pastores e novas gerações para vida concreta no mundo por meio de valores bíblicos. É missionário da SEPAL e membro da Igreja Batista do Cambuí, Campinas, SP.
JOHN MEIN
A BÍBLIA
JOHN MEIN
John Mein nasceu em Newcastle-on-Tyne, Reino Unido, em 1883, e após converter-se ao Cristianismo e sentiu o chamado para o ministério pastoral. Formou-se no Moody Bible Institute e no Southern Baptist Seminary, pastoreando igrejas nos EUA antes de ser enviado como missionário ao Brasil em 1914. No Brasil, fundou escolas e pastoreou igrejas em Alagoas, Recife e Maceió, dedicando-se à evangelização e educação cristã. Foi diretor do Colégio Batista Alagoano e do Seminário Teológico Batista do Norte, liderando importantes avanços na formação teológica. Após se aposentar em 1953, atuou nas Bahamas antes de falecer em 1962.
e como chegou até nós
A Bíblia e Como Chegou Até Nós é um marco na história da literatura cristã, agora revisitada em uma edição especial comemorativa de 100 anos. Originalmente escrita por John Mein e atualizada pelo renomado teólogo Lourenço Stelio Rega, esta obra oferece um mergulho profundo na jornada das Escrituras Sagradas, desde suas origens até o impacto global que alcançou.
JOHN MEIN
A BÍBLIA e como chegou até nós EDIÇÃO COMEMORATIVA DOS
100
ANOS
DA PRIMEIRA EDIÇÃO
A Bíblia e como chegou até nós CNPJ 44.197.044/0001-29 • SAC 0800-7736511
ISBN 978-65-5655-536-2
9
786556
555362
Conhecimento Bíblico
Atualizado e ampliado por Lourenço Stelio Rega
Esta edição comemorativa apresenta uma abordagem renovada, abordando o papel histórico e espiritual da Bíblia na transformação de sociedades e na formação de valores universais. Além de revisitar os contextos culturais e históricos em que a Palavra de Deus foi transmitida, o livro reflete sobre a relevância da Bíblia em tempos modernos, convidando os leitores a explorarem sua profundidade e aplicabilidade. Com ênfase na conexão entre a grande narrativa bíblica e os desafios contemporâneos, o livro revela como a Palavra de Deus permanece viva e relevante. Por meio de reflexões práticas e teológicas, a obra oferece subsídios para compreender o impacto das Escrituras na vida pessoal e no ministério cristão, inspirando uma leitura que transforma e edifica. Descubra nesta obra como o livro mais influente da humanidade atravessou os séculos e continua a iluminar caminhos, sendo um testemunho vivo da fidelidade divina.