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Nesta edição da Genoa.estudantes tivemos a alegria de poder publicar dois projetos de TCC, que coroaram a caminhada acadêmica de seus autores no ano de 2016. O primeiro uma obra de revitalização de edifício patrimônio histórico, de Tiago da Cunha Rosa. O segundo uma fazenda urbana que se destaca pela seu conceito de integração com a natureza e pela abordagem arquitetônica sensorial, de Dândara Pôrto. Ambos agora arquitetos formados pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, Minas Gerais, que nos proporcionaram a oportunidade de aprender e compartilhar suas pesquisas. A restauração e revitalização é abordada rapidamente na maioria da universidades. Publicar o projeto desenvolvido por Tiago para o edifício do Príncipe Hotel é uma chance de apresentar para muitos estudantes um pouco das etapas desse tipo de empreendimento. Restaurações exigem muita pesquisa junto à órgãos públicos, conhecimento histórico sobre a cidade e técnicas construtivas referentes às épocas de construções e intervenções na estrutura, documentação de todo o processo, além de determinar os tipos de patologias estruturais e as soluções mais adequadas. Fazendas urbanas e fazendas verticais são assuntos que ainda carecem de referências teóricas para pesquisa acadêmica. Por isso, o projeto de Dândara pode auxiliar outros universitário em seus trabalhos de conclusão ou de outros semestres. Além disso, Dândara trabalhou os conceitos de Slow Food, arquitetura bioclimática e arquitetura sensorial, explorando a arquitetura nos cinco sentidos, de uma forma que seu trabalho também é referência nesses assuntos. Ainda em Juiz de Fora, apresentamos o projeto de torre comercial de Diego Liberato e Pablo Almeida, também alunos do CES/JF. Um projeto de excelente qualidade gráfica pela racionalidade com que foi abordado, com destaque para a separação entre os fluxos de funcionários de escritórios, clientes da galeria e visitantes do mirante no topo do prédio, e a elegância no trabalho de cores das fachadas. Indo para o sul do país, temos o projeto de Intervenção no Largo Adair Figueiredo, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, de Aline Oliveira Schaidhauer e Vanessa Ardengue. As alunas da Feevale, de Novo Hamburgo, projetaram uma praça que explora as diagonais para criar visuais e espaços interessantes para pedestres e frequentadores e fizeram sugestões muito criativas para os mobiliários e equipamentos urbanos. Bem vindos à revista Genoa.estudantes! Leonardo Juchem


FEVEREIRO 2017 - #03

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PROJETO PRÍNCIPE HOTEL - REVITALIZAÇÃO CONSERVAÇÃO E RESTAURO, por Tiago da Cunha Rosa CES/JF (MG)

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INTERVENÇÃO NO LARGO ADAIR FIGUEIREDO, por Aline Oliveira Schaidhauer e Vanessa Ardengue FEEVALE (RS)

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TORRE COMERCIAL, por Diego Liberato e Pablo Almeida CES/JF (MG)

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RESTAURANTE RAÍZES + FAZENDA URBANA. por Dândara Pôrto CES/JF (MG)

Página 02 e 03: Perspectiva para o projeto da Torre Comercial. Imagem: Diego Liberato e Pablo Almeida


PRÍNCIPE HOTEL REVITALIZAÇÃO, CONSERVAÇÃO E RESTAURO A restauração de edifício histórico no centro de Juiz de Fora (MG), apresentada como TCC, levantou as principais patologias da edificação e propôs um novo uso que busca a integração com a comunidade, requisito para que as obras de restauração sejam bem sucedidas.

Acima e ao lado: fachadas após a proposta de restauração, sugerindo usos culturais, gastronômicos e de lazer.

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O Trabalho de Conclusão de Curso do aluno Tiago da Cunha Rosa tratou da revitalização, conservação e restauro do Príncipe Hotel, em Juiz de Fora (MG). Tiago graduou-se no CES/JF no segundo semestre de 2016 e teve orientação da Professora Milena Andreola de Souza. Projetos de restauração ou conservação do patrimônio arquitetônico histórico apresentam desafios de pesquisa muito particulares. Plantas e cortes da edificação, quando disponíveis, se encontram em poder de órgãos públicos e museus. Versões digitalizadas desses documentos podem não existir, sendo necessário analisar esse material no próprio local de armazenamento. O estudante ou profissional precisa de um bom conhecimento histórico para determinar origem de materiais, elementos e ornamentos conforme as técnicas construtivas praticadas na época. Essa pesquisa também precisa abranger o período posterior da conclusão da obra

visto que, ao longo das décadas, alterações, demolições e reformas podem ter sido feitas, muitas vezes sem acompanhamento técnico. Durante a visita técnica à edificação para diagnóstico é preciso fazer um levantamento das patologias na estrutura além de identificar, com base nas pesquisas históricas, quais elementos são originais e quais são frutos de intervenção posterior. Todo o trabalho exige registro, documentação e descrição precisas, pois é desse relatório que sairão diretrizes e recomendações para futuras intervenções no patrimônio. Mais do que nunca, a multiplicidade de conhecimentos se faz necessário para o arquiteto. “O desenvolvimento deste projeto, desde o início, foi visto como uma grande oportunidade de aprendizado tendo em vista que não há um aprofundamento do estudo do restauro durante a graduação. Desenvolver esse projeto exigiu muita

leitura de livros técnicos, teóricos, p a r t i c i p a ç ã o e m e v e n t o s n a FA O P (Fundação de Arte de Ouro Preto) e debates. Foi uma experiência extremamente e n r i q u e c e d o r a ” , c o m e n t a Ti a g o . O levantamento arquitetônico do edifício foi fornecido pelo PERMEAR, Programa de Estudos e Revitalização da Memória Arquitetônica e Artística, auxiliando o estudante durante a elaboração do TCC. Como bases teóricas para o TCC, Tiago utilizou obras de Beatriz Kuhl, Professora da USP, de Flávio Carsalade, Professor da UFMG, de Cesare Brandi e Salvador Viñas, teóricos da restauração, além da Carta de Veneza, de 1964, sobre a conservação e restauro de monumentos e sítios. As ideias extraídas de tais autores e documento mostram que o sucesso na conservação da edificação histórica está na forma como ela é utilizada em benefício da sociedade. O patrimônio histórico restaurado e conservado deve atender e se conectar com a vida da comunidade de forma social e economicamente sustentável.

Acima: atual fachada da Rua Hafeld. Ao lado: atual fachada voltada para a Praça Dr. João Penido

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Quanto à metodologia do projeto, Tiago utilizou as propostas do programa Monumenta, do Ministério da Cultura, que atua na preservação e recuperação do patrimônio histórico através de ações como financiamentos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e formação de agentes locais de turismo e cultura, agentes de programas educativos e profissionais especializados em restauro. O Iphan disponibiliza cartilha digital sobre o programa para download. As etapas recomendadas pelo Monumenta para um projeto de intervenção no patrimônio edificado consistem em: identificação e conhecimento do bem; diagnóstico; e proposta de intervenção. A edificação em questão se localiza na esquina das ruas Hafeld e Dr. Paulo Frontin, na região central de Juiz de Fora. É intenso o fluxo de veículos e pedestres. Há diversos pontos de ônibus sendo que a própria Praça da Estação, em frente ao edifício, abriga um terminal. A Praça Dr. João Penido, nome oficial da Praça da Estação, foi criada no final da década de 1870, após a inauguração da Estação Ferroviária da Estrada de Ferro Dom Pedro II, que trouxe desenvolvimento sócio-econômico para a região com o escoamento da produção agrícola e industrial. Em 1915, o prédio foi inaugurado como Hotel Central, para atender a classe mais social, e posterior tornou-se o Príncipe Hotel. Com o fim dos investimentos em ferrovias em 1960, a área da praça passou a ser freqüentada por setores marginalizados da sociedade. O hotel encerrou as atividades no início dos anos 2000. Atualmente abriga atividades comerciais no pavimento térreo enquanto o pavimento superior está desativado e em estado de deterioração. Toda essa região urbana se constitui em um rico e importante patrimônio cultural histórico. Predominam edifícios baixos, de até três pavimentos. Todo esse conjunto foi tombado, o que limita o gabarito de novas edificações a 10 metros, dos quais 8,90 m para a altura máxima da última laje e 1,10 m a altura de elementos superiores como coberturas e platibandas. O alinhamento do conjunto proíbe elementos salientes como marquises.

Acima: projeto original do edifício elaborado por Raphael Arcuri. Fonte: Identificação e Conhecimento do Bem PERMEAR Ao lado e abaixo: levantamento desenvolvido pelo PERMEAR

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O projeto do edifício do Príncipe Hotel é do arquiteto Raphael Arcuri, formado na Itália. “Era recorrente na obra de Raphael uma forte influência da arquitetura italiana e do ecletismo, como se pode notar na rica ornamentação das fachadas, com cimalhas, balaustradas, balcões ricamente decorados com motivos florais, constituindo um importante elemento da arquitetura em Juiz de Fora”, comenta Tiago em seu TCC.a parede ao fundo do altar principal.


Após a pesquisa histórica sobre a edificação, era necessário realizar o diagnóstico da estrutura do Prédio. Nesse levantamento, o estudante fez registros fotográficos e desenhos de elementos e ornamentos, incluindo revestimentos de pisos, detalhes de esquadrias, etc. O diagnóstico de Tiago apontou os principais problemas e suas causas como sendo: Ÿ

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perda e quebra de ornamentos – causadas por atos de vandalismo e falta de manutenção; fissuras estruturais e de revestimento – devido à intervenções inadequadas e à umidade; perda de camada pictórica – intempéries e falta de manutenção; manchas enegrecidas e sujidade generalizada – pela umidade e poluição; presença de microflora e vegetação de pequeno porte – umidade; perda de vidros – vandalismo e falta de manutenção; ataque de insetos xilófagos – qualidade dos materiais e umidade;

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Ao diagnóstico técnico e à pesquisa sobre a arquitetura e história da edificação foi somada uma pesquisa informal realizada com freqüentadores da Praça da Estação. A pesquisa buscou saber sobre quais eram os principais problemas da região, os pontos positivos, os edifícios de maior interesse público e quais seriam os melhores usos para o prédio do Príncipe Hotel. Tiago, então elaborou a proposta de intervenção. Ela “mantém a característica comercial da área, mantendo a padaria, e propõe uma atividade noturna, além do uso social do segundo pavimento, uma Casa do Patrimônio, um espaço de pesquisa, difusão e apropriação do patrimônio em Juiz de Fora”. As Casas do Patrimônio promovem ações educativas e oferecem espaços para essas atividades de forma a conscientizar a população sobre a importância da preservação do patrimônio cultural e histórico. “A viabilização do uso público em um edifício privado se daria através do direito de preempção, previsto no estatuto das cidades, ou através de contrato de cessão de uso do imóvel”.

01 - Perda de ornamento 02 - Inclinação do torreão 03 - Manchas enegrecidas 04 - Apodrecimento das esquadrias 05 - Perda da camada pictórica e manchas enegrecidas 06 - Perda de relevo dos ornamentos metálicos por excesso de tinta 07 - Perda da camada pictórica 08 - Argamassa pulvurulenta 09 - Buracos nas paredes de taipa do segundo pavimento 10 - Cupins de madeira na estrutura do torreão 11 - Anexos espúrios

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PROPOSTA DE INTERVENÇÃO As propostas projetuais elaboradas são baseadas nas determinantes físicas e sociais identificadas na fase de identificação e conhecimento do bem e de diagnóstico, e englobam ações de: Conservação – conjunto de ações destinadas a prolongar o tempo de vida de determinado bem cultural. Engloba um ou mais tipos de intervenções. Reabilitação – conjunto de operações destinadas a tornar apto o edifício a novos usos diferentes para os quais foi concebido. Restauro – conjunto de operações destinadas a restabelecer a unidade da edificação, relativa á concepção original ou de intervenções significativas na sua história. O restauro deve ser baseado em análises e levantamentos inquestionáveis e a execução permitir a distinção entre o original e a intervenção. Premissas projetuais: Distinguibilidade – a restauração não propõe tempo como reversível, não pode induzir o observador ao engano e deve documentar a si própria. Reversibilidade – deve facilitar qualquer intervenção futura, portanto não pode alterar a obra em sua substância. Mínima intervenção – não pode desnaturar o documento histórico nem a obra como imagem figurada. Compatibilidade de técnicas e materiais – levar em conta a consistência física do objeto e tratamento com técnicas compatíveis não nocivas, com eficácia comprovada através dos anos. Sustentabilidade – ambiental e principalmente social, sendo inclusivo desde as decisões projetuais até o uso do edifício. Melhoria urbana – na escala em que se insere, beneficiando o público padrão da área, evitando o processo de gentrificação.

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Na intervenção serão mantidas as paredes autoportantes do pavimento térreo e uma série de anexos no centro do lote será demolida. Eles foram diagnosticados pelo estudante como espúrios por não acrescentar valor estilístico, histórico ou funcional ao edifício, além de se encontrar em estado de conservação precário. Segundo Tiago, em um destes anexos foram encontrados vestígios que levantam dúvidas se fazia ou não parte da concepção original do prédio ou foi uma intervenção para melhoria funcional com a inserção de sanitários. A melhor opção técnica pra a restauração foi manter o anexo, transformando-o em um núcleo de circulação vertical. Para o segundo pavimento foram propostas demolições pontuais visando atender às normas de proteção contra incêndios e acessibilidade. Assim, a largura dos corredores foi alterada para 1,65 m, foi instalada uma nova escada para dar vazão ao fluxo de visitantes e um elevador com capacidade para 6 pessoas. Algumas esquadrias retiradas das demolições foram reaproveitadas visto que atendem às normas técnicas de acessibilidade. Essa atitude cumpre as premissas de sustentabilidade e busca manter o valor documental do edifício. Para evitar o falseamento histórico, elas serão instaladas nas novas paredes em drywall, projetadas para permitir a distinguibilidade. A proposta de intervenção de Tiago para o edifício manteve o pavimento térreo com o caráter comercial, aquele que de maior integração com a comunidade. Em ambas as fachadas foram previstos espaços para estabelecimentos gastronômicos. Na fachada da Rua Hafeld, de maior movimento, ficou a padaria. Na fachada voltada para a Rua D r. P a u l o F r o n t i n f o i c r i a d o u m bar/restaurante, aproveitando a vista para a Praça da Estação. Ambos os estabelecimentos possuem saída para o novo jardim multiuso no centro do lote, com decks de madeiras e mesas, um ambiente mais reservado. O acesso à Casa do Patrimônio é pela esquina do edifício, onde está o hall expositivo principal, que também leva ao jardim multiuso. Subindo as escadas para o segundo pavimento chega-se ao restante do complexo, organizado em formato de L. O público que utiliza a casa do patrimônio para pesquisas e eventos ocasionais pode usufruir as salas de oficina e salas de consulta ao acervo localizadas na fachada da Rua Hafeld. Os funcionários da Casa do Patrimônio, que permanecem no edifício por muito mais tempo, trabalham na área da fachada próxima à praça, aproveitando a vista tanto para a praça quando para o jardim multiuso. Na região da esquina estão as demais salas de exposições, separando os dois tipos de públicos anteriores.

CES/JF - Juiz de Fora (MG) 2016/02 Disciplina: TCC Prof.: Milena Andreola de Souza Aluno: Tiago da Cunha Rosa Contato: tiagocunhar@hotmail.com

Ao lado: plantas baixas da nova proposta de utilização do edifício.

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Abaixo: Jardim multiuso

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Ao lado: cortes da nova proposta de utilização dos espaços.

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Acima: perspectiva apresentando uso do bar/restaurante e sua integração com a praça.

Abaixo: fachada voltada para a Rua Hafeld, onde estão a padaria, um dos acessos ao Hall Expositivo. No segundo pavimento ficam as salas de oficina e as salas de exposições.

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Abaixo: Hall Expositivo e nova escada de acesso ao segundo pavimento.


INTERCÂMBIO A

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Nesta página: alguns detalhamentos e especificações técninas da restauração desenvolvidos por Tiago para os elementos de fachada e volume interno da circulação vertical.

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INTERVENÇÃO NO LARGO ADAIR FIGUEIREDO Através de uma malha geométrica ordenadora, marcada por linhas diagonais que respeitam os fluxos naturais, a proposta de intervenção em largo na capital gaúcha oferece visuais interessantes da praça aos visitantes e permitem que o pedestre tenha maior percepção da mesma.

Acima: playground com blocos coloridos e balanço de crochê, reprodução da obra da artista japonesa Toshiko Horiuchi. Ao lado: perspectiva de aérea da praça.

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As alunas Aline Oliveira Schaidhauer e Vanessa Ardengue, da Feevale, desenvolveram o projeto de intervenção no Largo Adair Figueiredo, em Porto Alegre (RS), em proposta desenvolvida na disciplina Paisagismo, ministrada pela Professora Mariana Pavlick. O largo está localizado entre as ruas Vicente da Fontoura e Cel. Lucas de Oliveira, próximo da Av. Ipiranga, em Porto Alegre (RS). O entorno apresenta perfil residencial, com edifícios multifamiliares em sua maioria, poucas residências unifamiliares e uma grande rede de supermercados na quadra à frente. Prédios e residências respeitam alinhamentos nos recuos da fachada. As ruas da região são densamente arborizadas, o que proporciona uma paisagem agradável para quem transita no local. Alonga-se no sentido leste – oeste, o terreno une as duas ruas, sendo a rua Cel. Lucas de Oliveira 9 metros mais alta que a rua Vicente da Fontoura. Na metade leste, divide espaço com um edifício e se torna um corredor até o encontro com a calçada. Toda área é sombreada ao norte por construções vizinhas, com altura média de 8 pavimentos. As divisas dessas edificações oferecem potencial para expressões de arte urbana, como o grafite já explorado no local atualmente.

Ao lado: levantamento fotográfico do Largo Adair Figueiredo

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Após analisar a área do largo e realizar levantamento fotográfico, Aline e Vanessa desenvolveram a intervenção através de uma malha geométrica ordenadora. Essa malha obedeceu os caminhos naturais que os moradores utilizam em seus trajetos rotineiros. As linhas geradoras resultaram em diagonais, pois é a forma mais fluída de percorrer um espaço aberto. Os traçados da malha têm como objetivo guiar o visitante através desses eixos dominantes no terreno e proporcionar lugares e visuais interessantes para quem passa pelo local. A malha geométrica fica clara na paginação do piso o que torna possível determinar dois eixos principais na nova praça. O primeiro eixo segue o sentido leste – oeste, passando pelo estreitamento próximo da rua Cel. Lucas de Oliveira. Ele foi trabalhado com escadarias, rampas e canteiros de grama decorativa. A escolha por esse tipo de vegetação baixa permite que essa área receba o máximo de iluminação natural, já que perde grande parte da insolação norte devido à altura das edificações vizinhas. O segundo eixo segue o sentido sudoeste – nordeste a partir da rua Vicente da Fontoura até encontrar-se com o primeiro, no início do estreitamento para o corredor. Ele divide a praça em duas metades iguais no lado oeste do terreno, levando o visitante até um deck com pergolado que serve de abrigo para uma loja ou bar com cadeiras e mesas. Os demais caminhos também possuem um sentido diagonal, guiando o público que se dirige à praça para realizar atividades específicas. É o caso de skatistas que vão para a pista e pessoas que querem aproveitar alguns momentos de descanso na área de leitura, por exemplo. As linhas diagonais oferecem visuais da praça e permitem que o pedestre tenha maior percepção da mesma. Ao final de todos os entrelaçamentos dos caminhos e eixos da praça sobram espaços triangulares que são utilizados para a criação de gramados e espaços de lazer.

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Apesar dessa organização diagonal, perceptível na paginação do piso, é possível perceber um zoneamento por faixas horizontais no que diz respeito às funções dentro da praça. As áreas de descanso foram colocadas próximas à rua Vicente da Fontoura, como um convite ao pedestre que caminha pela calçada para deter-se alguns momentos e relaxar. As opções de descanso são diversas: bancos de concreto, espreguiçadeiras no deck elevado e rede para descansar ao sol. Todas próximas à área de esguichos o que, além de refrescar o ar, oferece um barulho relaxante de água corrente. A área de descanso que fica na frente da calçada com mesas é protegida visualmente com os pinheiros que ficam entre ela e a pista de skate. Na faixa central da praça estão as áreas destinadas a atividades específicas. Os skatistas podem aproveitar a pista ao sul, seguido pelo playground, a área de leitura, a academia comunitária e o deck do pergolado da loja/bar. O playground é separado da pista de skate por uma fonte, evitando que as crianças adentrem na área e se machuquem. A área de leitura, pela proximidade com o playground, também pode ser utilizada para que os pais e responsáveis possam permanecer nos bancos cuidando das crianças enquanto brincam. Ao afastar essas atividades do tráfego de veículos da rua Vicente da Fontoura, as alunas ofereceram segurança contra acidentes de trânsito, em caso de um skate escapar ou alguma criança correr em direção aos carros. Aliado com a vegetação, esse afastamento também proporciona silêncio dos barulhos dos motores. Por fim, as escadarias e rampas que levam os pedestres à rua Cel. Lucas de Oliveira seguem o trajeto linear ladeadas por espaços de descanso, com bancos e canteiros de vegetação ao sol.

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Ao lado e abaixo: imagens de referĂŞncia para os mobiliĂĄrios do projeto.

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As luminárias possuem um modelo de desenho orgânico, como que inspirados em árvores secas. Sua disposição no lote segue os principais eixos de circulação. Também são utilizadores balizadores ao longo dos caminhos e arandelas nos muros da divisa com os vizinhos. Quanto ao mobiliário, o projeto de Aline e Vanessa propôs novas formas de aproveitar os espaços urbanos através do uso de referências criativas. Próximo da área de esguichos, as pessoas podem deitar em rede esticada e elevada do gramado, compondo a diagramação de piso do projeto. O deck oferece espreguiçadeiras, de suave formato ondular, para relaxar junto às sombras das árvores e dos edifícios. Mas é no playground onde as referências fizeramse notar com mais ênfase. Há brinquedos que imitam elevações esféricas no solo, gerando pequenos túneis e pontes, e blocos coloridos para as crianças escalarem. A maior inovação fica por conta do balanço de crochê, uma reprodução da obra da artista japonesa Toshiko Horiuchi, onde as pessoas podem pendurar-se e caminhar como se estivessem em uma teia de aranha colorida, um grande playground para crianças e adultos. Essas escolhas ajudam a criar um equilíbrio orgânico com a malha geométrica da paginação do piso. Entre a rigidez de uma linha e outra do trajeto há espaços com fluidez, seja na água que esguicha do solo, nas ondulações de mobiliários e luminárias ou nos tecidos esticados que se deformam no interagir das pessoas.

FEEVALE - Novo Hamburgo (RS) 2016/02 Disciplina: Paisagismo Prof.: Mariana Pavlick Alunas: Aline Oliveira Schaidhauer Vanessa Ardengue Contato: schaidh@hotmail.com vanessaardengue@gmail.com

Acima e ao lado: detalhamento dos bancos da área de leitura.

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TORRE COMERCIAL Com conceitos racionalistas , estudantes projetam torre corporativa no centro de Juiz de Fora. O edifício, sendo o mais alto do seu entorno, oferece um mirante que contempla toda a paisagem urbana e natural da cidade. A estratégias arquitetônicas guiam e separam os diferentes perfis de públicos que frequentam a torre e as fachadas destacam suas funções lúdicas.

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Acima: fachada voltada para a Av. Barão do Rio Branco, mostrando o acesso da área de embarque/desembarque.


Na proposta da disciplina Projeto Arquitetônico e Urbanístico VI, do CES/JF, o tema era o projeto de um edifício corporativo no centro de Juiz de Fora (MG). A região é de uma urbanização altamente consolidada e o terreno atualmente é um estacionamento com um acesso pela Rua Oscar Vidal e outro pela esquina da Avenida Barão de Rio Branco com a Rua Rei Alberto. O programa solicitava diversos usos como galeria de lojas, restaurante, estacionamento, escritórios, auditórios e mirante. Por se tratar de um estacionamento privado, o lote não possui massa de vegetação considerável hoje. Sua área ocupa a porção leste da quadra entre as ruas Oscar Vidal, Barão do Rio Branco e Rei Alberto. A Av. Barão do Rio Branco é principalmente composta por edifícios altos, entre 17 e 19 pavimentos, com intenso tráfego de veículos e pessoas, com um corredor de ônibus central. Nas ruas Oscar Vidal, ao norte, e Rei Alberto, ao sul, a altura das edificações já reduz para 12 a 15 pavimentos, com algumas residências de 02 pavimentos nas divisas do lote. A nordeste da quadra existe um conjunto de edifícios, recortando a área do projeto. Eles bloqueiam os ventos nordeste, predominantes na região, e criam áreas de sombra na porção sul do lote. Topograficamente o centro urbano de Juiz de Fora apresenta alguns desníveis e está circundado por diversos morros, tendo o Morro do Cristo como principal ponto de referência natural. Os alunos Diego Liberato e Pablo Almeida trabalharam em dupla nessa disciplina e contaram com o assessoramento da Professora Aline Pimenta e do Professor Carlos Eduardo Mattos. O projeto trabalha com uma proposta racionalista quanto à estrutura e recursos utilizados, tendo como resultado um projeto de grande qualidade gráfica e arquitetônica.

Acima: estudos dos fluxos nas ruas onde estão os acessos. Na primeira imagem a esquina da Av. Rio Branco e Rua Rei Alberto. Na segunda imagem o acesso pela rua Oscar Vidal.

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O partido adotado pode facilmente ser dividido em base e torre. O desenho do lote faz com que a base se espalhe no sentido sudeste – noroeste e sua altura é de 03 pavimentos. Isso faz com que o edifício se comunique visualmente com as residências e prédios de pequeno porte próximos. A torre está situada no centro da base, tendo um formato de “L”. Seus 23 pavimentos, junto com os 03 andares da base, tornam o edifício o maior no seu entorno. O recuo de mais de 20 metros da torre em relação ao alinhamento da rua permite com que boa parte da luz solar ilumine a rua movimentada. Ações como essa trazem qualidade de vida para os centros urbanos. O zoneamento vertical do projeto reforça a racionalidade arquitetônica que Diego e Pablo buscaram. O subsolo foi designado para as funções de estacionamento, carga e descarga e manutenção técnica do edifício. Os pavimentos da base são dedicados ao público geral, onde estão a galeria de lojas, o auditório, o mirante da base e um restaurante. Os primeiros pavimentos separam os diversos fluxos de visitantes dos trabalhadores corporativos e de serviço. Os funcionários dos escritórios são direcionados para os pavimentos tipo da torre enquanto os visitantes do mirante da cobertura chegam até lá por meio de elevadores exclusivos. Com os pavimentos de escritório iniciando a partir do quarto andar, as empresas ganham silêncio e privacidade afastando-se do nível da rua. Já o mirante, que abriga um café e um pub, além da privacidade e silêncio totais, proporciona acesso à melhor vista da paisagem natural e urbana da cidade. As fachadas são trabalhadas com aberturas em fita. A insolação é bloqueada através de brises horizontais na fachada norte, da rua Oscar Vidal, e brises verticais nas fachadas leste e sul. As lajes são demarcadas com lâminas revestidas de ACM em cores definidas estrategicamente para revelar externamente a função lúdica de alguns pavimentos. Enquanto os pavimentos tipo são com revestimento escuro, os pavimentos destinados a momentos de lazer possuem revestimento verde. O tratamento externo do edifício contou com recuos suficientes para criar uma área de embarque e desembarque no acesso principal pela rua Barão do Rio Branco. Diego e Pablo trabalharam o paisagismo em canteiros em ambos os acessos. O mirante na cobertura também recebe paisagismo com jardins e árvores.

Acima: maquete e desenhos de estudo. Ao lado: inserção da torre no contexto da Av. Barão do Rio Branco.

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Os acessos ao subsolo são por meio de rampas ao norte e ao sul, nas ruas de menor de movimento. São 03 pavimentos que atingem quase 10 m de profundidade e recebem luz e ventilação natural através de quatro poços de luz que terminam em jardins internos. São 192 vagas para carros, 19 para motos, 02 para caminhões em carga e descarga e 40 para ciclistas no terceiro pavimento do subsolo. Os funcionários das empresas da torre de escritórios podem tomar banho e se trocar nos vestiários próximos ao bicicletário. Isso incentiva as pessoas a utilizarem a bicicleta como meio de transporte para o trabalho. Equipamentos elétricos, de telecomunicações, casa de bombas e geradores também ficam no subsolo. O acesso principal na área de embarque e desembarque leva a uma pequena escadaria que dá acesso à galeria de lojas no térreo. A galeria possui um tratamento de piso que indica uma circulação fluida, com um pequeno espelho d'água posicionado junto à parede com revestimento vegetal e à cascata interna. Bancos de desenhos levemente sinuosos compõem um ambiente central que marca o acesso ao Lobby do Mirante. Esse lobby permite a comunicação direta do pavimento térreo até os pavimentos da cobertura, onde está o mirante, criando uma circulação exclusiva. Seguindo para o acesso da extremidade norte, há uma praça coberta, com rampas, escadarias, bancos e espelhos d'água. Foi prevista uma área para Food Truck próxima à calçada externa.

Estudos para criação de poços de luz no subsolo e plataformas acima do pavimento térreo. Abaixo: acesso da área de embarque/desembarque.

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Acima: imagens do tÊrreo, apresentando a fachada de uma das lojas da galeria, as plataformas dos pavimentos acima do tÊrreo e a praça coberta no acesso da Rua Oscar Vidal.

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Uma escada helicoidal nessa praça coberta leva para a varanda no segundo pavimento que permite o acesso direto ao foyer e ao auditório com capacidade para 281 pessoas e pé direito duplo. Do foyer é possível seguir para o mirante da base do edifício, na área sudeste, onde fica um mezanino, o acesso ao térreo por meio de escada rolante, e o acesso ao Lobby Corporativo. O mirante da base oferece uma visual para a rua Barão do Rio Branco. O Lobby Corporativo, assim como o Lobby do Mirante, serve para separar o público de trabalhadores do escritório do público de clientes da galeria. Ali está o acesso aos elevadores corporativos exclusivos para os pavimentos tipo. O pavimento 03, acessível pela escada na área central do pavimento 02 ou pelos elevadores das garagens, é onde funciona o restaurante. A cozinha possui seu próprio jardim de ventilação e iluminação natural. Na área sudeste, ao centro do volume da base, há uma copa para funcionários e vestiários.

Acima: acesso à praça coberta na Rua Oscar Vidal, mostrando a escada helicoidal para varanda e o volume do auditório. Ao lado: lobby corporativo, que dá acesso aos pavimentos de escritórios.

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A torre de escritórios, com acesso pelo lobby corporativo e seus elevadores, é composta por 20 pavimentos tipo, divididos em 03 conjuntos de ambientes de trabalho mais a circulação central, onde estão os elevadores e sanitários. Cada conjunto possui recepção, salas de reunião, sala de chefia, financeiro, marketing, e área de trabalho para 15 a 19 funcionários. Os móveis são modulares e cada conjunto apresenta uma diagramação de mobiliário própria. No centro da torre está o pavimento intermediário, voltado para atividades recreativas. Ele oferece uma sala multiuso, na área noroeste, com espaços para leituras, home cinema, área para relaxamento e para grupos. Na área sudeste, na extremidade oposta, está o espaço de lazer. Amplo, conta com café, espaço para relaxar e uma grande sala de jogos. Tanto nos pavimentos tipo quanto no pavimento intermediário, o elevador de serviço é precedido de uma sala que o separa da circulação principal desse ambientes. Por fim, a cobertura, onde está o mirante, é composta por dois pavimentos. O primeiro pavimento, com acesso exclusivo pelo Lobby do Mirante no térreo, possui um café no sudeste e um jardim na extremidade noroeste. A mesma disposição segue no segundo pavimento, onde estão o pub e também um jardim. O pub recebe intensa iluminação natural graças a um pergolado envidraçado. Por ser o mais lato edifício do entorno, a vista do mirante é privilegiada, com visuais para o Morro do Cristo e a paisagem urbana de Juiz de Fora. Para a climatização do edifício corporativo foi previsto o uso de equipamentos chilers posicionados no alto da cobertura do prédio. Eles trabalham com o a produção de água gelada permitindo o controle da temperatura e da umidade relativa, a movimentação, a filtragem e a renovação do ar.

Acima: interior de um dos escritórios do conjunto 03. Ao centro: pub do segundo pavimento do mirante.

CES/JF - Juiz de Fora (MG) 2016/02 Disciplina: Projeto Arquitetônico e Urbanístico VI Prof.: Aline Pimenta Carlos Eduardo Mattos Alunos: Diego Liberato Pablo Almeida Contato: liberatodiego2@gmail.com pabloalmeida185@gmail.com

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Vista da esquina, apresentando o projeto para a cidade.

RESTAURANTE RAÍZES + FAZENDA URBANA No meio do cinza da cidade, estudante propõe uma arquitetura que contrasta com o ritmo acelerado da vida urbana. A torre comporta-se como uma árvore, melhorando a qualidade climática da região e convidando as pessoas a deter-se alguns momentos e saborear os seus frutos. A proposta inicial era apenas um restaurante slow food mas que, no final, acabou abastecido por uma fazenda urbana que traz colorido natural, sombra e alimentos frescos para todos.

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Em meio a tantos edifícios comerciais no centro de Juiz de Fora (MG), a estudante Dândara Pôrto apresentou seu TCC pelo CES/JF trabalhando uma síntese de conceitos que quebra completamente com o ritmo urbano das grandes cidades. Com a orientação da Professora Júlia Hallack, Dândara projetou um restaurante de temática baseada no movimento “Slow Food”, que busca uma oposição ao estilo de vida “Fast Food” das metrópoles atuais. O conceito de fast food está ligado a um ritmo acelerado de vida, onde não há tempo para parar e apreciar o alimento. O slow food propõe uma integração da pessoa com o ato de cozinhar e degustar a refeição. Busca-se sentir os aromas dos temperos no momento do preparo, a mistura de ingredientes, enfim, todo o processo que acaba resultando numa melhor qualidade de vida e alívio das tensões da rotina diária. Dândara vai além nessa proposta. Já que o terreno escolhido, um lote de aproximadamente 1571 m² na esquina da Av. Rio Branco com a Rua Rei Alberto, está localizado numa área movimentada, de caráter comercial e, assim sendo, nobre da cidade, a estudante propõe também a criação de uma torre. As torres comerciais são, aliás, as edificações típicas da região. No entanto, essa será destinada a uma fazenda urbana, com o objetivo de produzir os alimentos consumidos no restaurante slow food.

Os empreendimentos foram batizados de Restaurante Raízes e Fazenda Urbana Raízes. O nome partiu da alusão à uma árvore. As raízes são responsáveis por toda a sua estruturação e nutrição. Os nutrientes sobem pelo tronco e pelos galhos, atingindo as alturas. Dos mais altos galhos vêm os frutos que a natureza produz e esses caem na terra, servindo de alimentos para outros seres vivos e adubando o solo para manter as raízes fortes. O edifício busca essa relação, quebrando a monotonia do cinza da cidade. “Assim como a árvore, gera beleza, sombra e encantamento. Chama atenção por suas formas e suas cores. Convida ora pelo aroma, ora pelo visual. Local de chegar, se sentar e ficar, pelo menos um breve momento e apreciar o que a natureza tem de melhor a oferecer”.

Acima: terreno em relação ao contexto. Abaixo: detalhe da fachada norte.

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O primeiro conceito síntese do projeto de Dândara é, portanto, o Slow Food. O edifício se coloca como uma referência ao estilo de vida natural, conectado à natureza. Além do restaurante, há um espaço para feira de produtos orgânicos, produzidos na própria fazenda, localizado no acesso principal, visando facilitar o acesso aos produtores locais. Essa valorização é uma das premissas do Slow Food. O restaurante explora as transparências e trabalha recuos na esquina para apresentar aos pedestres um recanto para permanência e experimentar novos sabores. O segundo conceito síntese é a arquitetura sensorial, também vindo das ideias do Slow Food de sentir os aromas, sabores, texturas e cores dos alimentos desde o seu preparo até a degustação. Os espaços foram projetados de forma a serem experimentados pelos cinco sentidos, não apenas com um rápido olhar. A cozinha é aberta em pontos estratégicos para permitir que os cheiros do preparo preencham o salão principal do restaurante, estimulando o apetite dos clientes. Além disso, os jardins internos e externos possuem paisagismo com ervas e temperos, além do fato de que a ventilação natural se encarrega de espalhar seus aromas no interior dos ambientes. O paladar na arquitetura não está apenas no restaurante, mas também no paisagismo. As pessoas podem colher frutas e ervas dos canteiros para consumo próprio, como se colhessem os frutos da de uma árvore durante o percurso para o trabalho, por exemplo. O próprio restaurante permite que o cliente possa colher os temperos que serão utilizados no preparo do seu prato.

Acima: feira dos produtos orgânicos Ao lado: restaurante no térreo. Abaixo: acesso na fachada oeste.

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As texturas utilizadas nos revestimentos do edifício estimulam o tato. Para o piso há decks de madeira, pisos intertravados, grama, concreto liso, entre outras texturas que podem ser sentidas no pisar. O fato das pessoas terem acesso aos temperos dos jardins para colher já cria e intensifica a experiência sensorial do toque. O edifício oferece diferentes integrações entre usuários e os sons ambientes. Desde o térreo exposto aos sons da cidade, filtrando-os por meio das árvores do paisagismo, o restaurante mais reservado no segundo pavimento, portanto mais silencioso, até o lounge mais elevado, com diferentes atrações musicais. Por fim, a visão é estimulada na mistura de materiais e texturas e nas aberturas de lajes que trabalham luzes e sombras, modificando a percepção espacial ao longo do dia. O terceiro conceito síntese que Dândara trouxe para o projeto foi o da arquitetura bioclimática. Foram adotadas diversas estratégias visando diminuir o impacto da construção. A própria criação da torre da fazenda urbana beneficiará os moradores visto que o excedente de sua produção será escoado pelo comércio local. Tal ação minimiza os custos e o impacto ambiental do transporte de produtos do meio rural para o meio urbano, aliviando o trânsito e melhorando a qualidade dos produtos que chegarão mais frescos ao consumidor.

Acima: imagem 03 - restaurante a la carte no segundo pavimento. Ao lado: restaurante no térreo. Abaixo: imagem 05 - fachada oeste do restaurante.

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Quanto ao partido arquitetônico, o restaurante raízes forma um bloco com altura de quatro pavimentos integrado à calçada. Já a torre de 23 pavimentos é recuada para o centro do lote. Essa escolha quebra o gabarito da Av. Barão do Rio Banco de edifícios de 17 a 19 andares alinhados com a calçada, o que permite maior iluminação no meio urbano e garante um destaque ao empreendimento. Assim, a fazenda urbana se torna um ponto de referência na cidade, reforçado pelo fato de que é observável a partir da esquina próxima onde está o cruzamento de duas importantes avenidas de Juiz de Fora: Rio Branco e Itamar Franco. O paisagismo no tratamento externo cria um espaço de transição da rua para os ambientes internos, de alta transparência por conta das fachadas envidraçadas. Como já mencionado anteriormente, convida o pedestres a deter-se alguns momentos, colher frutas e ervas ou descansar à sombra das árvores.

Ao lado: divisão entre restaurante e fazenda definindo o partido arquitetônico. Abaixo: vista da esquina do restaurante.

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O acesso de serviço acontece pela Rua Rei Alberto, de menor movimento. Por meio de rampas, os funcionários que trabalham na fazenda urbana podem estacionar na garagem do subsolo, deixando o térreo livre para acesso do público geral. O projeto busca estimular formas alternativas de transporte, por isso não foi criado um pavimento de subsolo para esse tipo de público mas, sim, um bicicletário à disposição no acesso principal. Toda a região, de contexto urbano consolidado, oferece muitas opções de transporte público como ônibus e táxis. Os fluxos de usuários de diferentes perfis se divide já no pavimento térreo. Os visitantes podem usufruir do restaurante e do lounge, mais integrados à avenida. Os trabalhadores da fazenda urbana acessam os pavimentos superiores por meio de circulações verticais separadas. Já as funções administrativas e educacionais estão no terceiro pavimento, mais afastadas dos barulhos urbanos. Dessa forma o prédio comporta diferentes tipos de atividades que, mesmo integradas visualmente em alguns momentos, não têm suas rotinas afetadas umas pelas outras. Por sua maior integração com o público externo, o pavimento térreo é onde está localizado o serviço de selfservice do restaurante. Mesmo com as opções naturais e orgânicas, é um tipo de ambiente mais dinâmico, com grande público e de breve permanência. Já no segundo pavimento está o serviço “a la carte” do restaurante que recebe um tipo de público disposto a permanecer um tempo maior usufruindo do local. Por isso é um ambiente mais reservado, com pé direito duplo. Ainda assim possui conexão visual com o pavimento térreo e a esquina graças à diferença de recuo da laje e da pele de vidro da fachada. Além disso, possui contato visual com a recepção da fazenda urbana graças a uma abertura com pele de vidro no terceiro pavimento. O último ambiente do Restaurante Raízes é o lounge no quarto pavimento, onde está o bar. É um espaço que oferece uma atração gastronômica mais noturna e informal.

Acima: imagem 02 - acesso de serviço na fachada sul. Ao centro: imagem 04 - bar no 4º pavimento.

Pavimento Térreo

Pavimento 02

Pavimento 04

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PLANTA BAIXA - SUBSOLO

PLANTA BAIXA - TÉRREO

PLANTA BAIXA - PAVIMENTO 02

PLANTA BAIXA - PAVIMENTO 04


PLANTA BAIXA - PAVIMENTO 03

PLANTA BAIXA - PAVIMENTO 06

PLANTA BAIXA - PAVIMENTO 04

PLANTA BAIXA - PAVIMENTO 07

PLANTA BAIXA - PAVIMENTO 05

COBERTURA

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CORTE AA

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CORTE BB


Acessível por meio de circulação vertical exclusiva do térreo e do subsolo, a Fazenda Urbana raízes inicia-se no terceiro pavimento. Da recepção, com vista para o restaurante do segundo pavimento, é possível chegar ao setor educacional, com auditório para 78 pessoas e cozinha escola, e ao setor administrativo. Os funcionários ainda têm acesso a um terraço na porção noroeste do edifício, com acesso à árvores frutíferas, ervas e temperos existentes no paisagismo. A circulação vertical da torre foi locada na periferia da fachada norte. Um elevador panorâmico oferece visuais para a cidade e para as hortas e pomares da fazenda. Essa estratégia, aliada às pele de vidro com visual para o mezanino do restaurante e às vitrines em pontos específicos do bar, serve como elemento educativo mostrando às pessoas o diaa-dia da fazenda urbana.

Pavimento 03

Pavimento 04

O quarto pavimento é dedicado à preparação das mudas destinadas ao plantio nos pavimentos superiores. A partir dele, todos os pavimentos superiores possuem planta livre para adaptar-se aos mais diversos usos. No quinto pavimento iniciamse as plantações, das pequenas hortas até as árvores mais altas. Os pisos, então, são elevados para aplicação de substrato em toda a sua superfície. Os pavimentos 06 e 07 compõem os pavimentos tipos da torre, que se repetem até o último andar. Para viabilizar o plantio das vegetações de grande porte é previsto a alternância na extensão das lajes, criando áreas de pé direito duplo, de 06 metros de altura. Esses pavimentos ainda possuem uma abertura para receber iluminação zenital desde a cobertura, que chega até os pavimentos mais baixos por meio de rebatedores, sendo essa uma das decisões que visam a sustentabilidade do complexo.

Pavimento 05

Na cobertura do edifício está localizada uma área de compostagem onde os resíduos orgânicos são transformados em adubo que é utilizado nas plantações da fazenda. Buscando reduzir os impactos ambientais e aproveitando a altura superior às edificações vizinhas, a cobertura também abriga uma série de painéis fotovoltaicos para gerar energia limpa para o edifício e o sistema de climatização dos seus ambientes públicos. Pavimento 06

Vitrine no 4º pavimento.

Pavimento 07

Imagem 05 - varanda para funcionários da fazenda urbana

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As fachadas do edifício são o que traz destaque ao conjunto e apresentam as grandes soluções sustentáveis. Nos primeiros pavimentos exploram a madeira de reflorestamento e o concreto aparente, com especial atenção nas peles de vidros do restaurante. Já a torre da fazenda urbana, em síntese não apresenta fechamentos, apenas guarda corpos metálicos. Os elementos responsáveis por bloquear ventos e raios solares são as próprias árvores e demais vegetações. Essa decisão faz com que os ambientes internos recebam a ventilação norte-sul, dominante, de forma que ela é filtrada e umidificada naturalmente. Essa ventilação cruzada, além de gerar conforto interno, diminuindo a sensação térmica, melhora o microclima da região e as diversas espécies vegetais proporcionam um colorido nas fachadas que contrasta com o concreto da paisagem urbana. Na fachada sul foram criadas jardineiras com tirantes de viga a viga para servir de suporte para espécies trepadeiras, como o chuchu e o maracujá. Esses tirantes também possuem importante função formal e estética compondo a fachada junto com a parede dos DML's de cada pavimento. Ainda sobre a fachada, a alternância no recuo das lajes gera uma modulação diferente na fachada da Av. Barão do Rio Branco, a oeste. O contraste só é percebido a partir da fachada sul, onde ficam evidentes as áreas de pavimento duplo em relação às demais. A estrutura metálica aparente, assim, cria uma proporção nova deixando o conjunto mais harmonioso. Sua utilização está alinhada com os conceitos de sustentabilidade que Dândara propôs, já que não necessitam de fôrmas no local da obra e diminui seu tempo de execução. “Foram trabalhados pilares em perfil 'I' de no máximo 45x15 cm e lajes em steel deck com piso elevado para permitir a passagem da tubulação de irrigação por gotejamento e vigas de no máximo 40 cm dependendo do tamanho do vão. Não houve necessidade de aplicação de vigas de transição para a modificação da locação de pilares. Isso permite ainda mais economia.”

Acima: imagem 06 - detalhe do recuo na fachada oeste. Ao centro: estrutura metálica aparente. Ao lado e abaixo: sistema de iluminação zenital com rebatedores.

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Para auxiliar na climatização, além do trabalho de ventilação cruzada, a fachada oeste possui chapas metálicas microperfuradas, com altura de dois pavimentos. Elas são instaladas em trilhos que permitem a sua movimentação lateral, manual ou mecanicamente, para gerar sombreamento de acordo com a radiação solar que invade as zonas de plantio no momento. Finalmente, quanto à drenagem do projeto, é trabalhado pisos permeáveis tanto no térreo quanto na cobertura. Parte da água da chuva é aproveitada na irrigação das hortas e nos jardins e canteiros. A cobertura conta com um terraço jardim, atingindo uma área permeável de cerca de 230 m².

Acima: detalhe da fachada sul, mostrando os tirantes. Abaixo: imagem 07 - detalhe da fachada oeste.

CES/JF - Juiz de Fora (MG) 2016/02 Disciplina: TCC Prof.: Júlia Hallack Aluna: Dândara Pôrto Contato: dandaramporto@hotmail.com

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Genoa.estudantes é uma publicação da Genoa Maquetes Eletrônicas. As imagens publicadas nos artigos pertencem a seus respectivos autores. Para a Genoa.estudantes #3, a Genoa Maquetes Eletrônicos desenvolveu a arte para a capa da publicação utilizando o projeto acadêmico do estudante Tiago da Cunha Rosa como inspiração. Telefone / WhatsApp: +55 51 99839 2912 e-mail: genoa-arq@outlook.com Skype: genoa-arq Rua Olavo Bilac, 2183 Bairro Ferroviário Montenegro - RS - Brasil CEP 95780-000


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