GAZETA DA ZONA LESTE
nº 2.021
DESDE 1978
SÃO PAULO, 24 DE OUTUBRO DE 2026
PREFEITURA E SEBRAE-SP
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
gazetavirtual.com.br DIVULGAÇÃO
SEGIO BARZAGHI
Parceria fortalece o empreendedorismo
ENTREVISTA
Amaury Lorenzo exalta o foco de ‘Por Você’ na educação A experiência como professor não ficou para trás quando Amaury Lorenzo passou a dedicar mais tempo à atuação. Durante 19 anos, ele trabalhou com educação e acompanhou de perto as dificuldades de jovens para permanecer na escola. Essa vivência ajuda a explicar por que a história de Lucas, em “Por Você”, tem um significado tão particular para o ator: o personagem não se limita a ensinar, mas procura compreender os conflitos que atravessam a vida dos alunos. > VEJA + PÁGINA 7 DIVULGAÇÃO
CARTÃO FIDELIDADE
Tarifa mais barata A Prefeitura de São Paulo e o Sebrae-SP firmaram um convênio de cooperação técnica que amplia cursos, atendimentos e ações de inclusão produtiva para fortalecer pequenos negócios e apoiar quem deseja empreender na cidade. > VEJA + PÁGINA 4
Para os passageiros que utilizam exclusivamente o transporte sobre trilhos, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, por meio de suas vinculadas CPTM e Metrô, oferece o Cartão Fidelidade, que permite economia em suas viagens diárias. > VEJA + PÁGINA 3
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editorial editorial
A importância dos laços afetivos para a roda girar no mercado de trabalho POR FABIANA RATTI
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aparelho psíquico sente-se mais confortável com quem é semelhante. É fácil conversar ou trabalhar com quem compartilha valores, interesses ou experiências. No ambiente corporativo, isso aparece claramente: quando há identificação, tudo flui; quando não há, o trabalho trava. Freud, em Psicologia das massas e análise do eu (1921), explica que não basta alguém estar diante de nós — é preciso um laço afetivo para que o outro seja realmente visto e ouvido. Sem esse vínculo, a pessoa olha, mas não vê; escuta, mas não ouve. Muitos relatam que repetem instruções e o funcionário não entrega, como se falassem ao vento. Falta ligação emocional mínima. Criar esse laço é essencial para a roda girar. Sem identificação, ninguém acompanha um conteúdo, personagem ou ideia. Não há vínculo, nem motivação. A partir da identificação, surge o ideal — o “vir-a-ser” — que se traduz em admiração, respeito e, muitas vezes, parcerias e amizades. Por isso, diante de alguém desconectado das relações de trabalho, vale observar o que essa pessoa gosta: comida, hábitos, pets, esportes. Puxe assunto, troque referências, mostre que entende. Crie pontos de encontro. Discutir apenas tarefas, sem laço emocional, torna tudo mais difícil e gera sintomas no trabalho. O aparelho psíquico é simples: para funcionar, precisa sentir-se visto e incluído. Fabiana Ratti é psicóloga
EXPEDIENTE
IMIGRAÇÃO E SOCIEDADE
SAÚDE
O alfaiate que costurou dignidade com trabalho e persistência
Seguir tendências estéticas pode custar a naturalidade do rosto
POR CRISTINA SEIXAS
rogredir em uma profissão exige foco, empenho e conhecimento. No entanto, não é preciso ser famoso para conquistar reconhecimento. Quando exercido com propósito e dedicação, o trabalho vai além da geração de renda e torna-se uma ferramenta essencial para transformar realidades, garantir respeito e dignidade de quem o pratica. A trajetória do alfaiate Vittorio Ficara ilustra essa determinação. Italiano nascido no Egito, ele atravessou o Atlântico e chegou ao Brasil, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. É a história de um homem comum que revela como a profissão pode contribuir para a construção de uma vida digna e para a definição de um lugar na sociedade. É uma história de vida, marcada por guerra, imigração, reconstrução e amor. Sua caminhada teve como força principal a persistência, aliada à capacidade de enfrentar e superar situações das mais adversas, com uma habilidade laboral e inventiva extraordinária, movida por seu espírito otimista e resiliente, que o levou a enfrentar situações adversas e transformou dificuldades em possibilidade de recomeço. Alfaiate exclusivamente mas-
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culino, Vittorio chegou ao Brasil sem referências, construiu sua trajetória até ingressar na então renomada Casa Canadá de Luxe, um estabelecimento de moda feminina, que ele ainda não conhecia. Seu preparo técnico, aprendido e praticado no Egito, foi decisivo para esta conquista e lhe permitiu não só ingressar no estabelecimento, onde atuou na modelagem feminina, como também compartilhou seu conhecimento com a equipe, formando novos profissionais. Com certeza, seu perfeccionismo e sua dedicação contribuíram para o desenvolvimento técnico e profissional da costura. A trajetória de Vittorio não é apenas uma narrativa. Vai além de uma história pessoal. Ela preserva um legado, marcado por passagens históricas, sociais e emocionais do século XX, que transformam a sua caminhada em testemunho e memória a serem transmitidos. Mas, principalmente, a sua experiência mostra a importância da profissão no Brasil e deixa uma mensagem para quem enfrenta períodos de incertezas: é preciso continuar em frente, mesmo diante das dificuldades. Como ele dizia: “Um dos segredos para sobreviver é ter a habilidade de continuar e não de se sentir um náufrago. Sempre há uma saída”. Cristina Seixas é jornalista, tradutora e produtora de eventos de moda
POR GEORGEN HAUAGGE
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rocedimentos estéticos deixaram de ser apenas decisões individuais e passaram a ocupar o território das tendências. Um rosto aparece nas redes sociais, um procedimento viraliza e, de repente, surge a sensação de que aquela técnica é o próximo passo para quem quer se sentir melhor diante do espelho. O problema é que tendência passa e a intervenção fica. Na medicina, a lógica deveria ser outra: primeiro o diagnóstico, depois o tratamento. Cada paciente precisa ter uma experiência única, focada nas próprias necessidades. Uma queixa aparentemente simples pode ter diferentes causas e, por isso, não existe um procedimento universalmente melhor. Há situações em que um preenchimento é indicado, outras em que a cirurgia faz mais sentido, casos que exigem os dois e aqueles em que nenhum procedimento deve ser realizado. O mesmo vale quando falamos em envelhecimento, que envolve alterações ósseas, perda de gordura facial, mudanças musculares, flacidez da pele e transformações estruturais profundas. Tentar resolver um processo complexo com uma única intervenção pode comprometer a harmonia e a identidade facial.
Outro erro frequente é levar para a consulta a foto de uma celebridade como modelo. Copiar características de outra pessoa não significa harmonizar! Cada rosto tem proporções, estrutura e expressão próprias. O objetivo de um procedimento deve alcançar sua melhor versão. Existe ainda um equívoco recorrente, de acreditar que naturalidade significa não fazer nada, mas a verdade é que a naturalidade é o equilíbrio. Por isso, considero que uma das atitudes mais importantes na estética moderna é saber dizer não. Nem todo desejo do paciente é uma indicação e nem toda insatisfação precisa terminar em um procedimento, muitas vezes, o melhor procedimento é justamente aquele que não fazemos por impulso ou só porque é uma tendência entre influenciadores nas redes sociais. Afinal, existe um ponto perigoso na busca pela perfeição: quando já estamos muito próximos de um resultado equilibrado, insistir pode nos levar para o exagero e a estética facial harmônica é saber também exatamente quando parar. Por isso, antes de perguntar “qual procedimento está na moda?”, talvez seja mais importante perguntar: “qual é o meu diagnóstico?” e “e o que é melhor para o meu caso?”. Georgen Hauagge é médico especialista em Cirurgia
QUE ERA NOTÍCIA EM 29 de outubro de 2006 gazeta há 20 anos OEDIÇÃO Nº 1025 Saiba como ficou o trânsito em Itaquera
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lgumas ruas do centro de Itaquera tiveram suas mãos alteradas devido às novas obras que foram inauguradas recentemente. Saiba o que mudou. Foi liberado para o tráfego de veículos os dois acessos da Avenida José Pinheiro Borges, aos baixos do Viaduto Itaquera. O novo projeto viário visa proporcionar articulação entre as principais vias do subcentro de Itaquera, tais como as avenidas Pires do Rio e José Pinheiro Borges e as ruas Gregório Ramalho, Padre Viegas de Menezes e Augusto Carlos Baumann.
PRODUÇÃO GRÁFICA E MONTAGEM FINAL:
GRUPO LESTE DE COMUNICAÇÕES
RUA SERRA DE BOTUCATU, 1.690
TELEFONE: 2095-8202 (PABX) E-MAIL: CONTATO@GRUPOLESTE.COM.BR
ALTERAÇÕES A circulação de veículos na Rua Dois de Dezembro passou a operar em mão única, no sentido da Avenida José Pinheiro Borges para a Rua Padre Viegas de Menezes. A circulação de veículos Rua Sábado D’Angelo agora opera em mão única, no sentido da Rua Davi Domingues Ferreira para Rua Augusto Carlos Baumann, e em mão dupla no trecho entre a Rua Augusto Baumann e a Rua José Oiticica Filho.
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Editor e Diretor Responsável: Jaime Braz Romano | Diretora de Redação: Antonia Cristina Romano | Revisão: Fabiana Nascimento | Diretor-Comercial: Mauro Tadeu Silva
Impressão:
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TRANSPORTES METROPOLITANOS
Cartão Fidelidade garante tarifa mais barata Divulgação
Descontos podem chegar a até R$0,72 por tarifa, a depender da quantidade de viagens adquiridas na recarga
DA REDAÇÃO
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ara os passageiros que utilizam exclusivamente o transporte sobre trilhos, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM), por meio de suas vinculadas CPTM e Metrô, oferece o Cartão Fidelidade, que permite economia em suas viagens diárias. O cartão com desconto pode ser utilizado em todas as linhas de trem e metrô da Região Metropolitana de São Paulo. O bilhete pode ser adquirido no Posto Fidelidade de Atendimento, localizado na estação Sé, e no Posto Central de Atendimento da SPTrans, no Centro Histórico de São Paulo. Para a solicitação, basta apresentar um do-
cumento de identificação e realizar o cadastro na hora. O cartão pode ser recarregado nos postos de atendimento do Cartão Fidelidade e nas cabines de recarga do Bilhete Único localizadas em 32 estações das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata do Metrô e em 20 estações das linhas 4-Amarela e 5-Lilás. É possível carregar 8, 20 ou 50 viagens com descontos progressivos e, em vez de pagar os valores cheios de R$43,20, R$108 e R$270, respectivamente, o passageiro paga R$40, R$97,20 e R$234. Ou seja, quanto mais viagens no bilhete, maior a economia. O des-
conto por viagem pode chegar a até R$0,72. Quando usado mais de uma vez em um curto período de tempo, há um intervalo que deve ser respeitado entre uma utilização e outra: • 10 minutos se o usuário embarcar na mesma linha e estação diferente do embarque anterior; • 20 minutos se o usuário embarcar na mesma linha e mesma estação do embarque anterior; • 20 minutos em estações integradas com a CPTM, ViaQuatro, ViaMobilidade ou TIC Trens. Ao solicitar o bilhete é necessário pagar uma taxa única de R$2,00 e colocar uma recarga inicial equivalente ao número mínimo de viagens.
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EMPREENDEDORISMO
Prefeitura e Sebrae-SP ampliam ações para inclusão produtiva na capital Divugação
Jovens e adultos participam de atividades de formação oferecidas em parceria com o Sebrae-SP
DA REDAÇÃO
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Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET), firmou com o Sebrae-SP um convênio de cooperação técnica voltado ao fortalecimento do empreendedorismo e da inclusão produtiva na capital. Assinada oficialmente em agosto de 2026, a parceria estabelece uma agenda conjunta de ações para ampliar o acesso da população a capacitações, orientação técnica e desenvolvimento de pequenos negócios. Com vigência inicial de 24 meses, o acordo prevê 1.760 vagas em cursos, oficinas e soluções de capacitação empreendedora,
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além de 1.200 atendimentos voltados ao desenvolvimento de competências e ao fortalecimento de empreendimentos locais. Também estão previstas iniciativas de inclusão produtiva para pelo menos 250 beneficiários, contribuindo para ampliar oportunidades de geração de renda em diferentes regiões da cidade. A colaboração abrange áreas estratégicas da SMDET, como trabalho e renda, economia criativa, artesanato, agricultura urbana e periurbana, qualificação profissional e empreendedorismo. A expectativa é que a parceria fortaleça políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico, ampliando o alcance
das ações municipais por meio da expertise do Sebrae-SP na formação e no apoio a empreendedores. Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart, a união de esforços potencializa o impacto das iniciativas. “O trabalho em conjunto com o Sebrae-SP fortalece a capacidade da Prefeitura de levar qualificação, orientação e oportunidades para quem deseja empreender ou desenvolver seu negócio”, afirma. Com cursos, atendimentos e ações práticas, o convênio busca estimular novos caminhos profissionais, apoiar pequenos negócios e contribuir para uma economia mais dinâmica e preparada para os desafios do mercado.
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ANIMAIS SILVESTRES E A CIDADE
Prefeitura promove curso sobre convivência DA REDAÇÃO
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Prefeitura de São Paulo promove, a partir de 6 de novembro, a primeira edição do Curso Municipal Cidade Amiga da Fauna. A formação, ministrada pela equipe técnica da Divisão da Fauna Silvestre (DFS), em parceria com a Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz (UMAPAZ), apresenta conhecimentos e práticas para reduzir os impactos da urbanização sobre a biodiversidade e favorecer a convivência entre a população e a fauna silvestre que ocupa os espaços urbanos. As inscrições podem ser realizadas diretamente pelo site da UMAPAZ. A convivência com ani-
mais silvestres é uma realidade cada vez mais presente nos centros urbanos, especialmente em regiões próximas a parques, praças, rios e demais áreas verdes. Baseado no Manual Cidade Amiga da Fauna, o curso apresenta estratégias para ampliar e conectar habitats, qualificar espaços verdes e incentivar práticas que favoreçam a conservação da biodiversidade. Serão quatro encontros semanais, das 9 às 12 horas. A programação começa em 6 de novembro, com o tema “Proteção e conexão de habitats / Manejo de áreas verdes”. No dia 13, serão abordados “Urbanização e infraestrutura / Tráfico de fauna e caça”. Em 27 de novembro, o encontro trará
como tema “Coexistência Humano-Fauna / Políticas públicas de fomento à proteção da fauna silvestre”. O último encontro, em 4 de dezembro, será dedicado à temática “Educação pela fauna / Práticas ligadas à fauna”. Essa convivência também exige cuidados por parte da população. Ao encontrar um animal silvestre ferido ou em situação de risco, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) orienta que o munícipe não tente realizar o resgate por conta própria. A ocorrência pode ser comunicada à GCM Ambiental, pelo número 153, da Central de Atendimento de Urgência e Emergência, ou à Divisão da Fauna Silvestre (DFS), pelo WhatsApp (11) 95220-0219.
Divulgação
Formação gratuita começa em novembro e apresenta práticas para proteger a biodiversidade e reduzir impactos da urbanização sobre a fauna
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TEATRO Macbeth em versão drag estreia no Sesc Pompeia
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ma das mais famosas tragédias de William Shakespeare (1564-1616), Macbeth, acaba de ganhar sua versão em linguagem drag queen pela Cia. Extemporânea. O espetáculo, dirigido por Ines Bushatsky e com texto de João Mostazo, estreou no Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas (com todos os ingressos esgotados) e agora ganha sua primeira temporada no Sesc Pompeia. A montagem é o segundo trabalho do projeto Shakespeare in Drag, inaugurado pelo sucesso Rei Lear, que foi vista por mais de 10 mil pessoas em diversas cidades brasileiras e rendeu a Alexia Twister o prêmio Shell 2025 de Melhor Ator. Além da Alexia, estão em cena as drags Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores e Xaniqua Laquisha, todas integrantes do elenco da primeira peça.
SINOPSE Ao voltar da guerra, o general Macbeth se depara com três bruxas num descampado, que profetizam o seu futuro como rei da Escócia. Motivados pela previsão, ele e sua esposa, Lady Macbeth, tramam o assassinato do rei Duncan e a usurpação da coroa. O crime, no entanto, leva o casal a ser consumido pela culpa, precipitando o reino em uma espiral de terror e despotismo. Tomado pela angústia e paranoia, à medida que vê sua coroa ameaçada, Macbeth se converte em um tirano. SERVIÇO Macbeth - De 22 de outubro a 15 de novembro, às quintas-feiras e aos sábados, às 20h; às sextas, às 16h e às 20h; e aos domingos, às 18h. Sesc Pompeia - Rua Clélia, 93 - Água Branca. Ingressos: R$ 60 (inteira). Venda online em sescsp.org.br Classificação: 14 anos - Duração: 105 minutos.
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ENTREVISTA
Amaury Lorenzo exalta o foco de ‘Por Você’ na educação
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á personagens que exigem do ator uma investigação sobre universos distantes do seu. Outros parecem abrir uma porta para dentro de casa. Em “Por Você”, Amaury Lorenzo, que vive o Professor Lucas, encontra um pouco dessa segunda experiência. Um educador que busca aproximar os jovens da escola e entende o afeto como parte do aprendizado tem muito em comum com ele, que passou 19 anos em sala de aula. “O personagem Lucas, quando chega, nada mais é do que a história da minha vida. Ele acredita que a educação salva as pessoas, e é tudo que também eu acredito”, defende. A identificação, porém, não apaga o tamanho da conquista. Com mais de 30 anos de carreira e quatro novelas no currículo, o ator vive uma fase de maior visibilidade, com o carinho de um público que acompanha seus trabalhos desde “Terra e Paixão”. A trajetória foi construída longe de atalhos, em meio a dificuldades que ele não tenta disfarçar, e tem na educação pública uma referência decisiva. “Eu venho de um lugar de muita dificuldade, da fome, mas nunca desisti do artista que sou”, afirma.
P – Você foi professor de Artes Cênicas e Teatro por quase 20 anos. Como essa experiência se conecta ao Lucas, de “Por Você”? R – A gente nunca deixa de ser professor, nunca deixa de educar. Educação é troca, é aprendizado, é cidadania, é afeto. Eu formei a cada ano mais de 600 alunos. Foram 19 anos, então multiplica quanta gente já passou por mim. O Lucas é um personagem muito próximo de mim nesse sentido. Eu tive a educação pública na minha vida, graças à educação que meus pais puderam me oferecer. A educação me salvou. E ele acredita nisso também. Não usa a escola apenas como instituição, mas como um lugar para levar cidadania e afeto às pessoas. P – Você também trabalhou com jovens que resistiam a permanecer na escola. O que dessa vivência aparece na novela? R – Eu cansei de ir atrás de aluno na casa dele, bater na porta, aqui nas comunidades do Rio de Janeiro. Já resgatamos alunos junto com psicólogos e colegas da coordenação de algumas escolas. Alunos que estavam nas drogas, por exemplo, e que trouxemos de volta para a escola. Hoje, alguns deles me ligam e dizem: “Professor, estou te vendo na tevê, estou super feliz porque hoje eu tenho a minha pizzaria”. Contam que
te. Eu digo que não preciso fazer muito esforço para me apaixonar pela Bela, porque a Sheron é apaixonante. Além disso, ela é uma amiga que me dá dicas e conselhos até para a vida.
Amaury é bailarino, formado pela Royal Academy Dance Brasil, e foi hostilizado na juventude pelos vizinhos por fazer balé estão trabalhando, casados, construindo a vida. É muito bonito perceber que a educação fez diferença. E é isso que o Lucas tenta fazer: resgatar esses jovens, entender seus conflitos e mostrar que a educação é um direito de todos.
quando Lucas vem para o Rio de Janeiro para se reconstruir e encontra a Bela. Esse casal preto se encontra a partir das dificuldades da vida. É muito bonito ver essa história tão bem amarrada. Não é só um casal que se apaixona.
P – Lucas é o quarto personagem que você faz na televisão. O que torna esse trabalho tão especial? R – É o personagem mais próximo de mim. Ele é um brasileiro que não desiste nunca, um educador que não trabalha só com crianças, mas também com jovens. É um homem que veio de uma tragédia, um educador preto que tira dinheiro do próprio bolso para a educação. Eu me reconheço muito nele. E tem também a história de amor com a Bela. Tudo começa no luto,
P – Como tem sido construir essa relação com Sheron, que interpreta a Bela? R – A Sheron é, sobretudo, uma atriz extraordinária. Por fazer televisão há muito tempo, ela entende muito da questão técnica e me ajuda generosamente. Às vezes, estou num posicionamento de câmera em que a luz não está pegando muito bem no meu rosto, e ela me orienta. É uma parceira de trabalho que colabora tecnicamente para a gente fazer o nosso melhor. E o trabalho dela na construção da Bela está apaixonan-
P – Você também contracena com Regiane Alves, que interpreta Margot. Como tem sido essa parceria? R – A Margot é o braço direito do Lucas na escola. E a gente sabe que, numa novela, o casal principal se apaixona, mas chega uma hora em que precisa dar uma separadinha. Acho que a Margot vai entrar um pouco nesse lugar. Sobre a Regiane, é uma felicidade trabalhar com ela. É uma atriz maravilhosa, com muita experiência na televisão, que me dá dicas, está junto e me acolheu. Todos me acolheram nesse lugar. Estou muito feliz com a possibilidade de trabalhar com tanta gente que admiro e respeito, tratando de um texto tão importante. P – Desde “Terra e Paixão”, você vem tendo contato com a repercussão do público. Como lida com esse reconhecimento depois de tantos anos de carreira? R – Acho que, primeiro, é muito trabalho. Trabalhei muito para isso. Sou um ator com 32 anos de carreira e venho de um lugar de muita dificuldade, mas nunca desisti do artista que sou. Quando consigo colocar comida na minha mesa e também na mesa de outras pessoas, ajudar amigos e atores que não estão tendo as mesmas oportunidades que eu, já é uma conquista. E ainda tenho o público me abraçando desde “Terra e Paixão”. Tenho notícias de fã-clube na Espanha, de pessoas que acompanham meu trabalho na América Latina inteira. Não chamo de fãs, mas de amigos e amigas que emanam amor para mim. Sem eles, eu não resistiria até aqui, porque a luta é longa. P – Você considera que está vivendo o melhor momento da carreira? R – O melhor momento eu acho que é sempre agora. O Lucas é o melhor personagem da minha carreira porque é agora. O melhor momento da minha vida é agora. Até me emociono um pouco, porque é muita luta. A gente vive num país onde os artistas não são muito bem cuidados, infelizmente. Preciso entender o privilégio que ocupo, mas também tenho a responsabilidade de chamar todos os outros artistas juntos. É preciso que todos nós tenhamos dignidade para viver a nossa profissão.
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