GAZETA DA ZONA LESTE
nº 2.019
DESDE 1978
SÃO PAULO, 10 DE OUTUBRO DE 2026
PREÇOS BAIXOS E INCLUSÃO
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
gazetavirtual.com.br DIVULGAÇÃO
SEGIO BARZAGHI
Armazéns Solidários em expansão
ENTREVISTA
Renato Góes entra em ‘Quem Ama Cuida’ e vira a trama do avesso Entrar numa novela que já está no ar exige do ator um exercício diferente: mais do que conhecer um personagem, é preciso encontrar espaço dentro de uma história que já tem ritmo, relações estabelecidas e uma equipe afinada. Para Renato Góes, que chega a “Quem Ama Cuida” como Heitor, filho perdido de Arthur Brandão, o desafio começa justamente por aí. > VEJA + PÁGINA 7 DIVULGAÇÃO
IPEM/SP
Cartilhas com dicas e orientações Armazéns Solidários atendem milhares de idosos com preços até 50% menores para famílias inscritas no CadÚnico. Programa amplia segurança alimentar na cidade. > VEJA + PÁGINA 4
Para auxiliar consumidores e comerciantes nas relações de consumo, o Ipem/SP disponibiliza cartilhas com dicas e orientações sobre a compra e a comercialização de diferentes produtos. > VEJA + PÁGINA 5
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GAZETA DA ZONA LESTE
editorial editorial
DIREITOS HUMANOS & JUVENTUDE
COMPORTAMENTO
Nem tudo merece segunda chance
Qual infância estamos protegendo?
Doutor, preciso de um antibiótico!
POR MELISSA ARTIOLI
R
ecentemente, enquanto aguardava meu filho sair da terapia, vi um casal deixando uma sessão. Ele caminhava firme; ela vinha atrás, com os olhos cheios de lágrimas. Não conhecia aquela história, mas reconheci aquele olhar — já foi o meu. Demorei a admitir que, às vezes, o mais difícil não é tentar de novo, mas perceber quando uma nova chance já custou demais. Também estive numa sala de terapia de casal tentando entender meu casamento e, principalmente, a mim mesma. Ao meu lado, um marido seguro e convincente; eu, pouco a pouco, virava a emocional, a difícil, a que precisava mudar para que tudo funcionasse. Esse desgaste não chega de repente. Primeiro o incômodo, depois conversas, promessas, acordos. Quando nada muda, começamos a duvidar da própria percepção e imaginar que o problema somos nós. Assim, muita gente permanece onde já não deveria estar, esperando que o esforço seja reconhecido. Crescemos ouvindo que quem ama não desiste, mas insistir não é amar quando o esforço é unilateral. Relações se reconstroem quando ambos se movem. Algo só mudou quando percebi que não salvaria sozinha um casamento sem cumplicidade. Doeu, mas trouxe lucidez. Se pudesse falar com a mulher que fui, diria: observe o que está acontecendo com você. Você ainda reconhece sua voz? Consegue dizer o que pensa sem medo? Quanto de si está sacrificando? Se já não sabe se permanece por amor, esperança ou medo, talvez a pergunta não seja se a relação merece outra chance, mas quando você dará uma chance a si mesma. Soltar o que não depende de você e aceitar finais que não são fracasso pode ser o caminho de volta para si. Melissa Artioli é executiva e empreendedora
EXPEDIENTE
POR JOSUÉ SOUZA
À
s vezes, penso que uma criança é, antes de tudo, uma promessa: de um corpo que vai crescer, de perguntas que ainda virão, de um mundo que ainda está por acontecer. Talvez por isso seja tão difícil aceitar quando uma infância termina antes da hora. Há números que deveriam nos impedir de seguir o dia normalmente. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Unicef mostrou que, em 2025, o Brasil registrou 2.079 mortes violentas de crianças e adolescentes de até 17 anos; 428 por intervenções policiais. Entre adolescentes de 12 a 17 anos, essas mortes representam 23,1% do total. Leio esses números e tento imaginar o que existe depois deles. Porque 428 não são apenas 428: são infâncias interrompidas, famílias que convivem com a ausência, histórias que deixaram de avançar. Quartos arrumados, brinquedos sem destino, fotografias guardadas. Famílias esperando ouvir uma chave na porta, mesmo sabendo que ninguém mais vai entrar. Os números também revelam a cor dessas infâncias: a maioria é negra. Há algo profundamente errado quando nascer negro e viver na periferia significa estar mais perto de uma morte evitável. A in-
fância negra segue exposta a riscos que deveriam gerar indignação coletiva. Foi pensando nessas ausências que escrevi Elefante. A história de Gugu e POC nasceu da memória de infâncias interrompidas. Não escrevi para explicar a violência, nem para transformar dor em vitrine, mas porque algumas histórias pedem para ser lembradas. Pela literatura, podemos perguntar: o que fazemos com aquilo que não conseguimos aceitar? A literatura não impede uma bala perdida, nem devolve uma criança à família. Mas se recusa a esquecer. Quando uma criança morre, perdemos o que ela era e tudo o que poderia ter sido. Nenhuma sociedade deveria se acostumar com isso. A pergunta talvez não seja quantas crianças estamos perdendo, mas qual infância estamos protegendo. Como Gugu, eu sonho que toda criança possa fazer o que parece simples: crescer. Mas sei que, para tantas, isso é privilégio. Meu sonho é que um dia falar de infâncias interrompidas exista apenas na ficção — e não mais na realidade. Josué Souza é acadêmico de Letras Português/Inglês na Universidade de São Paulo e autor de Elefante, obra que explora temas como luto, memória, infância, imaginação, diversidade, amor, perda e permanência
POR FABIANA C.O
A
bro o celular e recebo a solicitação de um artigo. “Fabi, consegue escrever sobre o silenciamento ou sobrecarga da mulher contemporânea?” Paro. Olho ao redor, e a minha cabeça pesada, de uma possível sinusite, sufoca qualquer animação para confirmar o desafio. Me conecto com os meus conteúdos e com todas as trocas. Lembro de algo que vi na internet: o mapeamento Esgotadas, da Think Olga. Nele, 60% das mulheres relatam perda da própria identidade diante da sobrecarga física e mental. Tento listar mentalmente o que seria físico e o que seria mental. Tudo está tão misturado que parece um feed ambulante, cheio de conteúdo aleatório. Somos afogadas pela rotina, pelo trabalho, pelas notícias de violência contra a mulher e pela responsabilidade de cuidar de alguém. Sem contar a pressão estética que surge de todos os cantos, dizendo que não somos suficientes ou que precisamos fazer mais. Todas as bolinhas que recebemos ao longo da vida e que precisam de equilíbrio giram em uma velocidade em que não há malabarismo capaz de sustentá-las em perfeita harmonia. O cansaço muda de nível e fadigamos. Corpo e mente entram em colapso!
Por mais que o tempo esteja seco, percebo uma negligência comigo mesma. Algo não está certo. Lembro da minha sinusite e isso me provoca. O artigo ganha um cunho pessoal. Se passo tanto tempo falando sobre a importância de olhar para os sinais, por que tenho ignorado os meus? Minha filha, com os mesmos sintomas, foi ao médico, fez exames e foi medicada. Eu a levei! Já eu, segui com a automedicação e não achei necessário “perder tempo” em um pronto-socorro. Por mais bandeiras que eu levante sobre o tema no meu dia a dia ou na minha literatura, eu escorreguei. Em meio a um período caótico, dei as mãos para mim mesma e me coloquei no fim da fila. As bolinhas saltando na minha frente não me permitiram enxergar com lucidez. Virei um trator para resolver todas as demandas. Claramente, sou um exemplo de mulher sobrecarregada. Que bom perceber isso a tempo… Minha cabeça segue pesada e a sinusite continua aqui. Preciso urgentemente organizar a rota, largar algumas bolinhas e voltar a cuidar de mim. Estou feliz com o artigo criado e mais ainda por me escutar. Deixarei o texto “dormindo” para corrigir outro dia. Pego o telefone e marco uma consulta com o otorrino: Doutor, preciso de um antibiótico! Fabiana C.O. é escritora, palestrante e voluntária
QUE ERA NOTÍCIA EM 15 de outubro de 2006 gazeta há 20 anos OEDIÇÃO Nº 1023 Vila Prudente festeja 116 anos
O
s moradores de Vila Prudente prestigiaram os eventos comemorativos dos 116 anos do bairro com muita animação. As festividades tiveram início, no último dia 4, com a entrega de flores a alguns dos moradores mais antigos do bairro junto ao monumento do Obelisco, na Praça Centenário. No dia 5, o evento Noites de Primavera ofereceu aos presentes uma das noites mais belas do aniversário. Estiveram presentes, nas alamedas da sede da Subprefeitura PRODUÇÃO GRÁFICA E MONTAGEM FINAL:
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de Vila Prudente/Sapopemba, a Camerata do Corpo Musical da Polícia Militar do Estado de São Paulo, vários corais, grupos de dança country e popular, além da apresentação, aplaudidíssima, da cantora lírico soprano Andrea Bien, encerrando a noite. Na sexta-feira, dia 6, várias famílias estiveram presentes na Noite da Pizza. Na manhã de sábado, dia 7, ocorreu a caminhada saindo do Clube da Cidade Arthur Friedenreich até o Parque Ecológico de Vila Prudente.
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Editor e Diretor Responsável: Jaime Braz Romano | Diretora de Redação: Antonia Cristina Romano | Revisão: Fabiana Nascimento | Diretor-Comercial: Mauro Tadeu Silva
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A ROTINA INVISÍVEL DOS PROFESSORES BRASILEIROS
Pesquisa revela sobrecarga e dificuldade de desconexão entre docentes Divulgação
Pesquisa nacional mostra que a jornada do professor vai muito além da sala de aula, com trabalho que se estende para além do expediente
DA REDAÇÃO
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o Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, uma pesquisa nacional divulgada em 2026 pelo Instituto Casagrande Social revela a dimensão da jornada invisível dos docentes brasileiros. Entre os 7.246 professores da Educação Básica ouvidos nas redes pública e privada, 76,5% afirmam trabalhar regularmente fora da jornada contratada. Além disso, 71,3% perceberam aumento das responsabilidades profissionais nos últimos anos e 68,9% relatam dificuldade de se desligar mentalmente do trabalho. Planejamento de aulas, preparação de materiais, correção de atividades, registros, atendimento às fa-
mílias e acompanhamento individual dos estudantes avançam sobre noites, fins de semana e períodos de descanso. Para o professor doutor Renato Casagrande, presidente do Instituto, esses dados evidenciam uma rotina que a sociedade raramente vê. “Existe uma jornada invisível, formada por atividades indispensáveis para que o ensino aconteça”, afirma. A pesquisa mostra também que novas demandas passaram a ocupar espaço crescente no cotidiano docente, como inclusão, saúde emocional dos estudantes, conflitos escolares, uso de tecnologia e comunicação com as famílias. Para Casagrande, discutir apenas a quantidade de aulas dadas é
insuficiente: é preciso avaliar se a organização do trabalho acompanhou o aumento das responsabilidades. O Instituto defende medidas práticas para reduzir a extensão recorrente do trabalho para além do expediente, como tempo protegido para planejamento, limites para solicitações fora do horário, revisão de processos burocráticos, fortalecimento de equipes de apoio e tecnologias que reduzam tarefas repetitivas. Para Casagrande, valorização docente envolve salário e carreira, mas também tempo, estrutura e condições reais de trabalho. Os dados mostram uma profissão em que as fronteiras entre vida pessoal e profissional estão cada vez menos claras.
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ARMAZÉNS SOLIDÁRIOS
Acesso de idosos a alimentos com preços até 50% menores na cidade Divugação
Armazéns Solidários oferecem alimentos e produtos essenciais com preços até 50% menores para famílias inscritas no CadÚnico
DA REDAÇÃO
O
s Armazéns Solidários da Prefeitura de São Paulo registraram mais de 900 mil atendimentos de pessoas entre 60 e 89 anos em pouco mais de dois anos, o que representa 46,2% dos 1,96 milhão de registros. O dado evidencia o alcance do programa entre idosos inscritos no CadÚnico, que compram alimentos e produtos essenciais com preços até 50% menores que os do varejo. A combinação de preços reduzidos e unidades instaladas em regiões periféricas ajuda a preservar renda de quem precisa conciliar alimentação com gastos como medicamentos e moradia. Segundo o secretário-executivo Vitor Arruda, o programa é essencial para
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garantir segurança alimentar e aliviar despesas de idosos com renda limitada. O levantamento da Sesana, realizado entre agosto de 2024 e setembro de 2026, contabilizou 523,8 mil atendimentos de pessoas entre 60 e 69 anos, 330,7 mil entre 70 e 79 e 55,2 mil entre 80 e 89 anos. Criado para atender famílias de baixa renda, o Armazém Solidário comercializa alimentos, hortifrutis e itens de higiene, limpeza e cuidados para animais, com preços monitorados diariamente para permanecer abaixo dos praticados no varejo. A economia nas compras amplia a capacidade das famílias de atender outras necessidades, como medicamentos e despesas básicas. O perfil dos consumido-
res mostra que pessoas entre 40 e 59 anos representam 33% dos atendimentos, enquanto a faixa de 20 a 39 anos responde por 16%. As mulheres são maioria, com 72,6% dos registros. Em relação à raça, 44,2% são pardos, 41,6% brancos e 10,6% pretos. A capital conta com oito unidades, que realizam em média 5,5 mil atendimentos por dia e têm aprovação de 90%. O acesso é exclusivo para inscritos no CadÚnico, com apoio de assistentes sociais para regularização do cadastro. A Prefeitura prevê abrir mais sete unidades até 2028. Os endereços e horários de funcionamento das unidades podem ser consultados no site da Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento.
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CONSUMIDORES E COMERCIANTES
Ipem/SP traz orientações por meio de cartilhas DA REDAÇÃO
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ara auxiliar consumidores e comerciantes nas relações de consumo, o Ipem/SP (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo) disponibiliza cartilhas com dicas e orientações sobre a compra e a comercialização de diferentes produtos. As publicações apresentam informações que ajudam o consumidor a identificar características e requisitos que devem ser observados antes da aquisição de produtos, além de orientações aos comerciantes para o cumprimento das normas e a prevenção de irregularidades. Durante a compra, é importante estar atento às informações dos produtos, especialmente no caso de brinquedos, eletrodomés-
ticos e produtos têxteis. A nota fiscal também deve ser exigida. No comércio eletrônico, o consumidor deve verificar a reputação da empresa, as informações disponibilizadas sobre o produto e as condições da oferta antes de finalizar o pedido. Entre os materiais disponibilizados pelo instituto, está o Guia Prático de Consumo, que reúne orientações sobre produtos embalados, itens têxteis e eletrodomésticos, além de informações sobre produtos que devem apresentar o Selo do Inmetro e sobre a utilização de balanças em supermercados, padarias, açougues e outros estabelecimentos comerciais. O Ipem/SP disponibiliza para download o Guia Prático de Consumo, publicação que reúne dicas sobre o que observar na compra de diferentes
produtos e orientações relacionadas à metrologia e à avaliação da conformidade. O material aborda, entre outros temas, produtos pré-medidos, produtos têxteis, eletrodomésticos, itens que devem apresentar o Selo do Inmetro e o uso de balanças utilizadas no comércio. Para os comerciantes, o Ipem/SP disponibiliza a cartilha “Orientações ao Comerciante”, elaborada para auxiliar lojistas no cumprimento das exigências aplicáveis à comercialização de produtos. A publicação reúne orientações sobre produtos de certificação obrigatória, eletrodomésticos, produtos embalados, produtos têxteis, balanças utilizadas no comércio e outros instrumentos de medição, além de informações que podem ajudar a evitar irregularidades e autuações.
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Publicações reúnem dicas e informações sobre a compra e a comercialização de produtos
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TEATRO Vladimir Brichta estreia ‘O Menor Palco do Mundo’
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istórias podem transmitir valores, nos conectar e, às vezes, nos ajudam a atravessar momentos difíceis das nossas vidas. Em O Menor Palco do Mundo, primeiro solo do ator Vladimir Brichta, contar histórias torna-se uma forma de enfrentar a distância e preservar vínculos. O espetáculo sobre paternidade, afeto e imaginação tem sua temporada de estreia no Teatro Vivo neste sábado, dia 10. A peça conta a história real do autor australiano, um pai que, após cometer um erro e ser preso, precisa encontrar uma maneira de permanecer próximo dos filhos. Da prisão, Kim Crotty começa a inventar narrativas e enviá-las às crianças por cartas. O que nasce como um gesto de desespero transforma-se em um exercício de amor e imaginação: pela palavra e pela fantasia, ele tenta vencer a distância e reconstruir os laços com os filhos. Esse é o primeiro espetáculo
solo encenado pelo ator Vladimir Brichta. “Tem coisas que só arte é capaz, como encurtar os espaços via afetos. Estive minha vida toda do outro lado do mundo dos australianos, imaginando, assistindo, vendo de sua cultura. Tive uma filha que visitou o país e sonhei em ter a mesma sorte um dia. Fui aconselhado pela minha agente a não estimular os filhos a irem viver na Austrália. Os filhos dela viveram lá e um deles casou e morou durante anos, para sofrimento dela por conta da saudade e da distância. Eis que já reverberava aí a peça de Kim Crotty, a nossa peça”. SERVIÇO Até 31 de outubro, às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. Teatro Vivo - Av. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi. Ingressos: R$150 (inteira), R$75 (meia-entrada), R$50 (ingressos populares - inteira) e R$25 (ingressos populares – meia-entrada). Vendas online em sympla. Duração: 80 minutos. Classificação: 14 anos
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ENTREVISTA
Renato Góes entra como Heitor em ‘Quem Ama Cuida’ e vira a trama do avesso
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ntrar numa novela que já está no ar exige do ator um exercício diferente: mais do que conhecer um personagem, é preciso encontrar espaço dentro de uma história que já tem ritmo, relações estabelecidas e uma equipe afinada. Para Renato Góes, que chega a “Quem Ama Cuida” como Heitor, filho perdido de Arthur Brandão, o desafio começa justamente por aí. “Entrar numa novela que já está rolando é quase como chegar numa festa depois que todo mundo já se conhece. As relações já existem, os personagens já têm uma história, a equipe já tem um ritmo”, compara. Na construção de Heitor, Renato também procurou escapar da imagem mais previsível que poderia surgir a partir da trajetória do personagem. Depois de abrir mão de uma vida confortável para viajar pelo mundo e viver com pouco, ele poderia facilmente cair numa representação excessivamente contemplativa. O ator preferiu outro caminho, apostando em alguém leve, curioso e com senso de humor. “Interpretei vários personagens em que os conflitos estavam muito para fora. Já no caso do Heitor, me parece que o mais interessante está justamente no que ele escolhe não mostrar”, explica. P – O que você procurou descobrir primeiro sobre o Heitor antes de começar a gravá-lo? R – A primeira coisa que eu fiz foi tentar fugir de uma leitura óbvia. Porque quando você lê que ele largou tudo, peregrinou pelo mundo, passou em lugares como China, Índia, Nepal e viveu com pouco por todos esses anos, imediatamente existe o risco de você associar e construir aquele personagem como muito contemplativo, quase um guru (risos). E eu não queria isso. Para mim é menos “Na Natureza Selvagem” e mais “Antes do Amanhecer”. P – Você sente que interpretar alguém assim, que observa mais do que explica, exige um tipo diferente de preparação? R – Acho que me traz um desafio muito grande porque ele não é um personagem que pede virtudes, ele pede presença. Eu interpretei vários personagens em que os conflitos estavam muito para fora, eles eram muito evidentes. Já no caso do Heitor, me parece que o mais interessante está justamente no
Mergulho no mistério A chegada de Heitor promete mexer com as relações e os mistérios que movimentam a trama de “Quem Ama Cuida”. Renato Góes, no entanto, prefere manter o suspense quando o assunto é o papel do personagem nesse novo momento da história e, principalmente, quando a conversa chega ao grande mistério envolvendo Arthur. “Não teria como falar muito da importância do Heitor para a trama sem dar spoilers. Só posso dizer que a chegada dele mexe no tabuleiro inteiro. Agora... quem matou Arthur? (risos). Isso aí é perigosíssimo para se fazer justamente para mim. Eu tenho meus suspeitos. Mas vou guardar para mim, porque qualquer nome que eu falar agora vocês vão achar que eu sei de alguma coisa. E talvez eu saiba (risos)”, desconversa.
Ainda em 2026, Renato poderá ser visto no longa “O Homem de Ouro” que ele escolhe não mostrar. Então é um trabalho muito baseado em presença, escuta e naquilo que acontece por baixo da cena. P – E como foi acompanhar a novela antes de entrar efetivamente na história? R – Foi bom demais! Eu estava super ansioso, não perdi nenhum capítulo. E tem uma coisa engraçada, porque entrar numa novela que já está rolando é quase como chegar numa festa depois que todo mundo já se conhece. P – De que forma? R – As relações já existem, os personagens já têm uma história, a equipe já tem um ritmo. Mas fui recebido com um carinho enorme. P – O fato de você já ter acompanhado a novela mudou a maneira como chegou aos colegas de elenco? R – Eu estava acompanhando, claro, e quando você sabe que vai entrar numa história acaba assistindo de um jeito diferente, né? Você começa a olhar pra aquelas pessoas tentando entender não
só a história, mas principalmente as relações que o seu personagem vai encontrar quando chegar na festa. Isso ajuda a chegar mais preparado para o encontro com aquele universo que já está acontecendo. P – O que mais interessa você no Heitor? R – É mesmo essa coragem de abrir mão de uma vida que estava praticamente pronta, escrita para ele. Ele diz não a muita coisa para buscar uma vida que valesse a pena de verdade. Isso é muito bonito. Porém, acho que vamos lidar com consequências gigantes. P – Como assim? Acho que essa escolha teve uma consequência gigante para as pessoas que ficaram, principalmente para o pai dele. Então o personagem vai falar muito sobre liberdade, mas também sobre responsabilidade. Até onde a gente pode escolher os nossos caminhos e decidir a nossa vida, sem se preocupar ou avaliar, sei lá, o impacto no outro? Acho que essa pergunta está muito presente nele, e para mim isso é legal demais.
Sustentável leveza A construção de Heitor também passa por fugir de expectativas mais óbvias para um personagem com uma trajetória marcada por acontecimentos importantes. Em vez de carregar uma postura misteriosa ou amargurada, ele chega à história com leveza, humor e uma curiosidade genuína sobre as pessoas e sobre a vida. Para Renato Góes, essa característica também determina a maneira como o personagem ocupa as cenas, muito mais interessado em escutar do que em oferecer respostas prontas. “Talvez seja justamente o fato dele não chegar com a energia que as pessoas esperam para alguém com a história dele. Ele não é um homem misterioso ou amargo, ele é um cara leve, que tem humor e muita curiosidade sobre a vida. Eu acho que ele nunca entra numa conversa trazendo boas respostas, acho que ele é o cara que valoriza o ouvir e vai sempre trazer boas perguntas”, afirma.
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