GAZETA DA ZONA LESTE
nº 2.018
DESDE 1978
SÃO PAULO, 2 DE OUTUBRO DE 2026
ZONA LESTE
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gazetavirtual.com.br DIVULGAÇÃO
SEGIO BARZAGHI
Feiras de artesanato no mês de outubro
ENTREVISTA
Lázaro Ramos aposta nas nuances de tirano Jendal, de ‘A Nobreza do Amor’ Além de construir um vilão que foge do caminho mais óbvio, Lázaro encontra na própria novela um estímulo para continuar experimentando. O ator destaca a maneira como os autores desenvolvem as histórias a partir das relações criadas no set e diz ter se surpreendido com os novos rumos de Jendal. “Eu acho que os autores foram entendendo as relações que foram sendo criadas a partir da sintonia dos atores. E eles foram propondo outras coisas”, afirma. > VEJA + PÁGINA 7
EMPREGO TEMPORÁRIO
Vagas de trabalho na Fórmula 1 A Prefeitura de São Paulo promove ao longo do mês de outubro uma série de feiras de artesanato na Zona Leste, levando ao público produtos feitos à mão por artesãos e manualistas credenciados no programa. > VEJA + PÁGINA 3
A Prefeitura de São Paulo oferece mais de 2.700 vagas de emprego temporário para o Grande Prêmio São Paulo de Fórmula 1, programado para novembro deste ano no Autódromo de Interlagos.> VEJA + PÁGINA 5
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GAZETA DA ZONA LESTE
editorial editorial
Quando o clima muda, a educação precisa mudar também POR SILMARA CASADEI
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egundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, há mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno El Niño alcance intensidade muito forte nos próximos meses. 2026 já reúne uma sucessão de eventos extremos em diferentes partes do planeta, com ondas de calor, secas, incêndios florestais e chuvas intensas. Para quem está crescendo agora, compreender esse cenário será cada vez menos uma questão de acompanhar notícias e mais uma necessidade para a vida cotidiana. É nesse ponto que a alfabetização climática deixa de ser um assunto complementar na educação. Saber o que é uma onda de calor, por que uma floresta seca fica mais vulnerável ao fogo, de onde vem a água que chega às nossas casas ou como uma chuva intensa pode provocar um desastre ajuda a compreender relações de causa e consequência, reconhecer riscos e tomar decisões mais responsáveis. Isso não significa formar especialistas em meteorologia desde cedo, mas oferecer instrumentos para interpretar informações, diferenciar conhecimento de desinformação e perceber que nossas escolhas fazem parte de um sistema maior. Há também uma dimensão que considero fundamental: ensinar a olhar para um problema sem enxergá-lo apenas como ameaça. O reaproveitamento de materiais é uma atividade simples, mas carrega uma aprendizagem importante: antes de descartar, podemos imaginar. Essa mudança de olhar aproxima a educação ambiental da criatividade. Cuidar do planeta não se resume a decorar regras. Envolve observar, experimentar, criar, consertar, compartilhar e encontrar alternativas. Também envolve convivência. Economizar água, proteger uma área verde, lidar com uma enchente ou se preparar para uma onda de calor exige cooperação.
BEM-ESTAR EMOCIONAL
direito
Nem todo amor cura mas a verdade cura o que o amor não alcançou
O teto constitucional e a coerência do Sistema de Justiça
POR FERNANDA SALERNO
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mor de mãe cura tudo. Essa é uma das frases mais repetidas — e raramente questionada. A crença de que o amor materno, por si só, é suficiente, é uma das maiores injustiças dentro da já complexa relação entre mãe e filha. A partir daí, a mãe precisa ser tudo. Forte o tempo todo. Segura. Sem falhas. Sem dores. Sem dúvidas. Precisa dar conta, proteger, resolver... sempre. E a filha? Precisa ser grata. Compreensiva. Resiliente. Precisa entender, aceitar, perdoar. Relações idealizadas são carregadas de culpa, peso e expectativas inatingíveis. O problema começa quando essa idealização sufoca a realidade. É preciso aceitar que nem todo amor acolhe. Nem toda presença é presente — há quem esteja ao lado sem nunca ter chegado perto. Há relações marcadas por controle disfarçado de preocupação, por silêncios que punem mais do que gritos e por uma ausência emocional que não vem necessariamente da falta de amor, mas da forma como ele se manifesta. É nesse espaço que se formam inseguranças profundas. Pessoas que aprendem a se ajustar, a se diminuir, a se moldar, implorando para
POR THIAGO MASSICANO
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art. 37, XI, da Constituição fixou limite objetivo de remuneração no serviço público, o subsídio de ministro do Supremo Tribunal Federal. A prática, porém, converteu o teto em referência decorativa. Rubricas criadas por atos internos, pagamentos retroativos, conversão de licenças em pecúnia e adicionais por tempo de serviço são apresentados, isoladamente, como verbas indenizatórias e, somados, produzem contracheques de centenas de milhares de reais. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, de 12 de agosto de 2026, que alcançou sete tribunais, cobra o cumprimento do acórdão de março, que limitou as verbas indenizatórias a 35% do subsídio, e determina a devolução do que foi pago em desacordo. O fundamento assenta na legalidade estrita da Administração Pública e na vedação ao enriquecimento sem causa. A tese da boa-fé objetiva do beneficiário não socorre quem recebeu após decisão plenária expressa, com prazo de adequação concedido. O problema, contudo, é estrutural. Há uma dimensão normativa, a fragmentação do modelo
remuneratório; uma dimensão institucional, a fragilidade da fiscalização; e uma dimensão cultural, a naturalização de uma remuneração paralela ao subsídio, tratada como direito adquirido. Sem lei federal que defina o que se qualifica como verba indenizatória, sem transparência ativa e sem fiscalização permanente do Conselho Nacional de Justiça, novas rubricas ocuparão o espaço das anteriores. Para a advocacia, o tema tem peso próprio. O advogado é indispensável à administração da justiça, por força do art. 133 da Constituição, e convive com cenário oposto, de honorários em disputa permanente, ataques à sucumbência e valores aviltantes na atuação dativa. Não se trata de disputa corporativa, e sim de coerência. Quando o teto vale para todos, sem distinção de carreira, ganham o Estado de Direito, o cidadão que financia a máquina pública e a própria advocacia, cuja legitimidade nasce da defesa firme da isonomia e da moralidade administrativa. Thiago Massicano, especialista em Direito Empresarial e do Consumidor, sócio-presidente da Massicano Advogados e presidente reeleito da OAB Subseção Tatuapé. Acompanhe outras informações sobre o Direito Empresarial e do Consumidor no site www.massicano. adv.br, que é atualizado semanalmente
QUE ERA NOTÍCIA EM 8 de outubro de 2006 gazeta há 20 anos OEDIÇÃO Nº 1022 VILA MATILDE - Carnaval da Nenê vai falar das comunicações
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história da comunicação brasileira, com destaque Laos profissionais que ajudaram a construi-la, estará no sambódromo durante o carnaval 2007. É que o GRCES Nenê de Vila Matilde escolheu como enredo “A Águia radiante com um pioneiro das comunicações João Jorge Saad 70 anos de conquistas e realizações”. A ousadia do empresário João Jorge Saad, ao criar, a Rádio Bandeirantes (1948) e a TV Bandei-
Silmara Casadei é doutora em Educação e psicanalista
EXPEDIENTE
serem vistas e que, sem perceber, seguem em busca de validação no amor, no trabalho e nas relações. Parece errado admitir que o amor também pode ferir. Mas pode. E reconhecer isso não é ingratidão e nem diminui o amor, só o torna mais leve e possível. Porque, no fim, se o amor de mãe nem sempre cura tudo, é a humanização que começa a curar a dor que nasce dele. Humanizar é reconhecer que, às vezes, quem feriu também estava ferida — e que por trás da mãe existe uma mulher real, com limites, medos e inseguranças. Mães que controlam, cobram ou silenciam, carregam histórias que não foram cuidadas. São mulheres que também não foram acolhidas, que tiveram que aprender a dar o que nunca receberam por inteiro. Quando a idealização morre, a relação nasce. No fim, não é sobre culpar nem absolver. É sobre enxergar. Enxergar que nem todo amor soube amar do jeito que se precisava ou se esperava. E, sim, isso dói e marca — mas não precisa aprisionar. Chega um ponto em que a história deixa de ser sobre o que faltou e passa a ser sobre o que se escolhe fazer com isso. É essa escolha que rompe o ciclo e permite parar de buscar fora o que só pode ser construído dentro. É quando já não se espera mais ser visto — porque, aos poucos, se aprende a se enxergar. Fernanda Salerno é professora
PRODUÇÃO GRÁFICA E MONTAGEM FINAL:
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rantes (1967), o pioneirismo de apostar no jornalismo, em 1955, com o projeto “Radiojornalismo 24 horas no Ar”, a iniciativa de apresentar programas populares de auditório como “Chacrinha”, tudo isso estará representado nas 25 alas e cerca de 3.700 componentes da Nenê da Vila Matilde. Apresentar a trajetória dos profissionais de rádio e televisão significa visitar acontecimentos representados pela programação das emissoras.
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EMPREENDEDORES MANUAIS
Prefeitura leva feiras de artesanato para a Zona Leste Divulgação
DA REDAÇÃO
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As feiras são uma oportunidade para que moradores e visitantes conheçam o trabalho de empreendedores manuais da capital e adquiram o artesanato local
Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho e do programa Mãos e Mentes Paulistanas, promove ao longo do mês de outubro uma série de feiras de artesanato na Zona Leste, levando ao público produtos feitos à mão por artesãos e manualistas credenciados no programa. As feiras são uma oportunidade para que moradores e visitantes conheçam o trabalho de empreendedores manuais da capital e adquiram o artesanato local. Entre os ítens comercializados, estão peças de decoração, acessórios, artigos de moda, presentes, brinquedos, pro-
dutos temáticos e diversas criações autorais desenvolvidas por artesãos paulistanos. Durante o mês de outubro, a programação contará com feiras em parques, mercados municipais, praças e espaços de grande circulação, distribuídos por todas as regiões da cidade. SERVIÇO Feira de Artesanato Mercado Municipal da Penha Datas: 10 e 24 de out. Horário: 10 às 19 horas. Local: Mercado Municipal da Penha, Av. Gabriela Mistral, 160, Penha de França Feira de Artesanato Mercado Municipal Antônio Meneghini Datas: 03, 09, 10, 16,
17, 23, 24, 30 e 31 de out. Horário: 10 às 19 horas. Local: Mercado Municipal Antônio Meneghini, Praça das Canárias, s/nº, Vila Formosa Feira de Artesanato Parque do Carmo Datas: 12 e 18 de out.. Horário: 10 às 17 horas. Local: Parque do Carmo, Av. Afonso de Sampaio e Sousa, 951, Itaquera Feira de Artesanato Mercado Municipal de São Miguel Paulista Datas: 05 a 10; 13 a 17; 19 a 24; e 26 a 31 de out. Horário: 10 às 17 horas. Local: Mercado Municipal de São Miguel Paulista, Avenida Marechal Tito, 567, Cidade Nitro Operária.
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VAGAS DE ESTÁGIO
Ipem/SP anuncia novo processo seletivo Divugação
DA REDAÇÃO
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O período de inscrições segue até as 12 horas do dia 15 de outubro, os interessados devem se candidatar por meio do portal do CIEE
Ipem/SP (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo anuncia a abertura de novo processo seletivo para contratação de estagiários, em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). A iniciativa é voltada a estudantes do ensino médio, ensino técnico e ensino superior interessados em atuar nas unidades do Ipem/SP localizadas nos municípios de São Paulo, Araçatuba, Presidente Prudente e Ribeirão Preto. O período de inscrições segue até as 12 horas do dia 15 de outubro. Os interessados devem se candidatar por meio do portal do CIEE, onde estão disponíveis informações detalhadas sobre requisitos,
valores da bolsa-auxílio, benefícios e demais condições do processo seletivo. A ação reforça o compromisso do Ipem/SP com a formação de novos talentos e a promoção de oportunidades de desenvolvimento profissional para estudantes em diferentes regiões do Estado. O Ipem/SP é uma autarquia do Governo de São Paulo, vinculada à Secretaria da Justiça e Cidadania, e órgão delegado do Inmetro, que atua em apoio à Cidadania e ao Desenvolvimento Econômico. Fortalecendo o desenvolvimento, o diálogo, e a dignidade no estado de São Paulo. A instituição promove a IQ (Infraestrutura da Qualidade) fornecendo suporte às empresas e apoio ao cidadão nas áreas da avaliação da con-
formidade, na metrologia, na vigilância de mercado e no atendimento às normas técnicas compulsórias. Na vigilância de mercado, o Ipem/SP atua na fiscalização metrológica de instrumento de medição usados nas relações de consumo, como bombas medidoras de combustíveis, balanças e taxímetros, e das quantidades fornecidas de produtos embalados, inclusive, os que compõem a cesta básica, entre outros. Na vigilância da qualidade, são fiscalizados 540 tipos de produtos regulamentados, como brinquedos, materiais escolares, componentes automotivos, entre outros, assim como produtos têxteis, entre eles, roupas, itens de cama, mesa e banho.
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FÓRMULA 1
Cate fará seleção para mais de 2.700 vagas DA REDAÇÃO
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Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, oferece mais de 2.700 vagas de emprego temporário para o Grande Prêmio São Paulo de Fórmula 1, programado para novembro deste ano no Autódromo de Interlagos. As vagas abrangem cargos como auxiliar de limpeza, bombeiro civil, controlador de acesso e vigilante. Os ganhos são por diárias que variam de R$ 110 a R$ 250. A carta de encaminhamento para o processo seletivo pode ser retirada em uma das 46 unidades
do Cate – Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo ou ir diretamente à unidade Interlagos, Avenida Interlagos, 6122, local das seleções. SETOR DE LIMPEZA No setor de limpeza são 600 vagas para auxiliar. Os processos seletivos ocorrerão todas as terças e quintas-feiras, até o dia 29 de outubro, às 9 horas. VIGILANTE Para vigilante, o Cate oferece 1.300 vagas, e no setor de segurança há 500 oportunidades para controlador de acesso. Para ambas as atividades os processos ocorrem até 23 de outubro, às 9 horas. CONTROLADOR DE ACESSO O processo para contro-
lador de acesso continuará entre os dias 5 e 9 de outubro, das 9 às 13 horas. BOMBEIROS CIVIS O Cate selecionará 100 bombeiros civis. Os processos ocorrerão de 5 a 9 de outubro, das 9h às 13h, na unidade Interlagos. SERVIÇO Processo Seletivo para vagas no GP de Fórmula 1 Até o dia 29 de outubro, conforme a área de atuação. Local: Cate Interlagos - Avenida Interlagos, 6122, Interlagos. Retirada de cartas de encaminhamento pode ser feita no Cate mais próximos. Apresentar RG, CPF e carteira de trabalho (física ou digital), além de certificados conforme a atividade.
Divulgação
As atividades ocorrem em novembro no Autódromo de Interlagos
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TEATRO Cansei de Ser Belo, comédia de Emílio Boechat
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jornada cômica de um ator “bonito demais” para ser levado a sério é ponto de partida de Cansei de Ser Belo, novo texto de Emílio Boechat, com direção de Kleber Montanheiro e com os atores Fernando Pavão, Erica Montanheiro, Wilson de Santos e Marcelo Goes no elenco. O espetáculo tem sua temporada de estreia iniciando neste sábado, dia 3 de outubro, no Teatro YouTube (na Galeria Magalu), com apresentações às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. A trama acompanha a jornada de Rodrigo Contreiras (Fernando Pavão), o homem que todo brasileiro conhece, o galã absoluto das novelas, um rostinho que as marcas exploram para vender qualquer tipo de produto. Mas, por trás do sorriso de porcelana, ferve uma crise existencial: cansado de ser apenas um “corpo
sarado com milhões de seguidores”, ele decide destruir sua imagem de perfeição para ser levado a sério pela crítica especializada. Ele escolhe fazer uma peça de teatro por um motivo prático: é mais rápido de produzir do que um filme ou uma série. Sua jornada cômica, a busca obsessiva pelo “prêmio de melhor ator”, se converte em uma descida voluntária ao que, para ele, é o submundo: o teatro alternativo e experimental. SERVIÇO Cansei de Ser Belo, de Emílio Boechat. Teatro YouTube (Galeria Magalu - Conjunto Nacional) - Av. Paulista, 2073 - Bela Vista. Temporada: 3 de outubro a 22 de novembro de 2026 Sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. Ingressos: R$120,00 (inteira) e R$60,00 (meia-entrada) Vendas online: Eventim. Classificação: livre. Duração: 70 minutos
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ENTREVISTA
Lázaro Ramos aposta nas nuances de tirano Jendal, de ‘A Nobreza do Amor’
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nterpretar um vilão depois de tantos personagens marcados pela simpatia é, para Lázaro Ramos, uma oportunidade de brincar justamente com a expectativa do público. Em “A Nobreza do Amor”, Jendal chegou para ocupar um lugar bem diferente na trajetória do ator: é um tirano, capaz de atitudes cruéis e de jogar seus inimigos no poço das serpentes, mas que Lázaro faz questão de não ficar preso a uma única característica. Na relação com a filha, por exemplo, ele encontra espaço até para o humor e para um inesperado jeito de pai de menina. “Eu estou brincando agora de descobrir algumas maneiras de deixar as pessoas em dúvida”, explica. A chegada de Jendal ao Brasil acrescenta mais uma camada à trajetória do personagem, especialmente por colocá-lo novamente diante de Alika, por quem nutre um sentimento que o próprio ator define como um amor doentio. Antes mesmo de gravar esse encontro, Lázaro já vinha estudando as cenas e pensando nos caminhos dessa virada. Para ele, o interessante está justamente em não entregar respostas fáceis sobre o personagem. “São cenas que reúnem muita maldade, muita ação, muito sentimento”, adianta. P – Há algum tempo você manifestava o desejo de viver um vilão. O que tem descoberto sobre Jendal ao longo da novela? R – Acho que ele tem sido uma grata surpresa e uma grande alegria para mim. Eu imaginava um personagem no começo, fui aprendendo a fazer e descobrindo outras facetas. Mas existe um desafio grande, que é não transformar Jendal em um personagem com uma camada só. Ele é um tirano, então poderia ficar apenas naquele cara que grita e maltrata. Ele tem isso como principal, mas eu tento inventar uma característica diferente para ele a cada semana de gravação. P – A relação com a filha acabou trazendo uma faceta inesperada para o personagem. Como foi construir esse lado? R – Quando ele está com a filha, eu tento trazer um pouquinho de humor e um tipo de pai de menina. Teve alguém na internet que falou: “muito pai de menina”. Eu assumi isso. E toda vez que vou fazer cena com a Nikolly (Fernandes), que é uma grande parceira de cena, a gente cria isso. Foi uma relação
Na reta final de “A Nobreza do Amor”, Lázaro Ramos ainda contracena com a mulher, Taís Araújo, que entra na novela como a Rainha Menemi, do Reino de Zinga que ganhou uma sintonia que não era prevista e acabou trazendo um afeto para as cenas. Isso foi um problema até certo ponto. P – Como assim? R – Eu confesso que tive dificuldade de fazer algumas cenas (mais pesadas) porque eu e Nikolly ganhamos uma sin-
tonia que não era prevista. Ganhamos um amor torto que fomos criando. A gente criou uma relação de amizade, de afeto, e isso acabou inundando as cenas sem a gente prever. Quando chegaram as cenas em que ela se rebela e eu a maltrato, foi difícil. Tomei esporro de diretor dizendo: “Para de defender, a função é essa ago-
ra”. É essa a história que a gente precisa contar. P – Você sente que o público consegue separar seu carisma da maldade de Jendal? R – Meu objetivo era esse. Eu não estava querendo usar os elementos de carisma para quase perdoar o personagem. Acho que é um personagem que não tem perdão. As coisas que ele faz são imperdoáveis. O jeito que ele trata a filha, jogar as pessoas no poço das serpentes... Acho legal cumprir essa função. Claro que fazendo assim, com alguns artifícios, para as pessoas terem prazer em assistir e não ficar insuportável de ver ele. Mas é um personagem que tem de ser punido. P – A trama do Jendal no Brasil começa a se desenrolar nas próximas semanas. O que essa movimentação provoca nele? R – Tem muita maldade, muita ação, muito sentimento. No começo, quando o personagem começou, ele queria matar a Alika porque ela o tinha abandonado. A gente foi construindo isso em outro lugar, e ele passou a ter alguma paixão. É um amor doentio. Não é um amor que a gente aplaude, que a gente quer que aconteça, mas deixou o personagem um pouco mais complexo. Então acho muito legal pensar no que vai acontecer quando ele der de cara com ela. P – Você costuma preparar Jendal como se estivesse ensaiando uma peça de teatro. Por que essa escolha? R – Eu estou tratando a novela como uma peça de teatro. Vou para uma sala de ensaio com um preparador que é meu amigo e diretor de teatro. A gente lê as cenas, eu levanto, penso e faço mais de um formato. Depois chego ao estúdio e aceito o comando dos diretores e o que os colegas trazem. Eu tinha parado de fazer isso por um mês, mas depois voltei porque acho que o personagem exige. O Jendal me instiga a certos experimentos. P – De que forma? R – Queria que Jendal chorasse pela primeira vez. Vou tentar plantar isso. Não sei se o diretor vai aceitar, mas estou achando que é bacana para poder ir se surpreendendo, porque senão fica um personagem muito previsível. Tenho vontade de fazer a maldade toda, com a cara fechada, mas as lágrimas caindo. Porque doeu nele também.
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