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Gazeta da Zona Leste - 2017

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GAZETA DA ZONA LESTE

nº 2.017

DESDE 1978

SÃO PAULO, 26 DE SETEMBRO DE 2026

ZONA LESTE

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

gazetavirtual.com.br DIVULGAÇÃO

SEGIO BARZAGHI

Escolas recebem peça sobre economia circular

ENTREVISTA

Milhem Cortaz enfrenta o tormento de um homem corroído pela culpa em ‘Por Você’ Em “Por Você”, novela das 19h da Globo, o feirante interpretado por Milhem Cortaz provoca o acidente que mata Juli, papel de Lucy Ramos, foge sem prestar socorro e só depois descobre a identidade da vítima. A tragédia transforma em tormento a rotina de um homem até então íntegro, trabalhador, dedicado à mulher Iara e à filha Dalila, feitas por Noemia Oliveira e Lívia Silva. Para Milhem, era fundamental que o público conhecesse o homem antes de julgá-lo pelo erro. > VEJA + PÁGINA 7

MAIS CRÉDITO NA CAPITAL

Prefeitura oferece consultoria e crédito facilitado

Escolas municipais da Zona Leste receberão o espetáculo teatral “Fim Que Vira Começo Que Vira...’, ação artístico-cultural que compõe o projeto Recicla Cultural e que conta com o apoio da Tetra Pak. > VEJA + PÁGINA 4

A Prefeitura de São Paulo ampliou o apoio a micro e pequenos empreendedores com iniciativas que unem orientação financeira gratuita, preparação para o crédito e condições facilitadas para obtenção de recursos.> VEJA + PÁGINA 3


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26 de setembro de 2026

GAZETA DA ZONA LESTE

editorial editorial

EDUCAÇÃO & SUSTENTABILIDADE

QUALIDADE DE VIDA

O crime Educar para sobreviver: ocupa o vazio o elo entre cultura e clima que a escola a sobrevivência humana. Nesse sentido, a pergunta não preenche que ecoa nas Conferências das

Acupuntura: tradição milenar e aplicações modernas

POR DON POLICARPO

POR BRUNO PANDA LOPES

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evasão escolar raramente começa dentro da escola. Começa antes, quando o jovem deixa de enxergar sentido em estar ali. Quando falta perspectiva, a sala de aula deixa de ser caminho e passa a ser obrigação — e é aí que o risco aumenta. Não porque a ausência do ensino empurre diretamente para o crime, mas porque derruba uma das principais barreiras de proteção que o jovem possui. Na prática, o crime não surge do nada: ele ocupa espaços. Onde faltam oportunidades, presença e vínculos reais, alguém ou algo preenche o vazio, e o jovem que já se sente invisível torna-se alvo fácil. Há um ponto pouco discutido: o pertencimento. Todo indivíduo precisa sentir que faz parte de algo. Quando esse sentimento não vem da escola, da família ou da comunidade, tende a surgir em outros lugares, e o crime organizado explora isso. Por outro lado, quando o jovem encontra um espaço onde é visto, cobrado e valorizado, o cenário muda. O esporte, além de técnica, constrói disciplina, rotina, referência e identidade; muitas vezes é o primeiro ambiente em que esses jovens percebem seu valor e que alguém acredita neles. Não resolve tudo, mas é um ponto de partida. Segurança pública, educação e políticas sociais precisam caminhar juntas, contínuas e integradas. Ignorar o pertencimento é ignorar parte essencial da equação. A questão não é só evitar que o jovem entre no crime, mas garantir que ele tenha outras possibilidades antes de precisar escolher — e isso começa quando deixa de ser invisível. Bruno Panda Lopes é especialista em Direitos Humanos e autor do livro “Protetores: o livro das magias ambíguas”

EXPEDIENTE

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izia-se, tempos atrás, que “é cedo que se desentortam os pepinos” quando o assunto era educar crianças. A metáfora funciona bem para o cultivo agrícola, mas quando falamos de educação não formal — aquela que nasce no seio familiar — os ditos populares precisam ser revisitados e atualizados. A tradição oral já nos ensinou que a família é o primeiro espaço de aprendizado. É na sala de casa que se molda a forma de como viveremos o resto de nossas vidas. Educação e cultura caminham juntas, dialogam constantemente e mostram que não há fronteiras rígidas entre ensinar e aculturar: aprendemos tanto fora dos bancos escolares quanto dentro deles, e levamos esses saberes por onde passamos. Se pensarmos em Jean Piaget, Maria Montessori ou Auguste Comte, vemos reflexões sobre educação. Já o agricultor que acompanha o ciclo do pepino até a mesa reflete sobre cultura do plantio. Ambos, no entanto, tratam de subsídios essenciais para

Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COPs) é inevitável: ainda há tempo de salvar a humanidade? O modelo econômico e energético que escolhemos é responsável por grande parte da destruição ambiental. Tornamo-nos reféns dele e, para piorar, são justamente os agentes desse sistema que financiam qualquer reação contrária. Em outras palavras: “deixam chorar, mas não deixarão cantar”. Em conferências internacionais sobre clima, não houve destaque para o papel da educação e da cultura na formação de cidadãos ambientalmente conscientes. É nesse ponto que a família educadora assume protagonismo: ela dá os primeiros passos na formação preservacionista, oferecendo exemplos concretos — contar e ler histórias, cuidar da fauna e da flora, tratar os resíduos com responsabilidade, cultivar de forma sustentável e transmitir práticas que possam se tornar perenes. Don Policarpo é geógrafo, professor e consultor em meio ambiente, com pós-graduação em História da África

POR JOSÉ A. RINALDI

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acupuntura é uma ciência que nasceu na China há aproximadamente 5.000 anos e consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo. Esses pontos são chamados de “Acupontos” ou pontos energéticos. A acupuntura é uma técnica milenar que trabalha o corpo no seu aspecto energético equilibrando a função energética dos órgãos e por modulação neuronal estimulando substâncias dentro do cérebro para melhorar a dor, inflamação, alergias, alterações endócrinas, sistema imunológico e a regeneração tecidual, assim como a prevenção de doenças. A acupuntura é uma técnica minimamente invasiva, onde são colocadas agulhas finas na pele e o organismo reconhece aquele estimulo e envia o mesmo ao cérebro e então ocorrerá a liberação de substâncias através dos neurotransmissores. Substâncias como endorfinas, serotoninas, dopaminas, opiáceos endógenos, cortisol endógeno e muitas outras para que haja uma resposta imediata sobre qualquer agressão ou processo patológico que venha acometer o organismo. O que a acupuntura trata? Doenças da região cervical e mem-

bros superiores: ombro congelado, mialgias, cervicalgia, rigidez no pescoço, artrose cervical e do ombro, tendinites do ombro, síndrome do túnel do carpo. Doenças da região lombar e membros inferiores: lombalgias agudas e crônicas, ciatalgia (dor ciática), artrose de joelho e quadril, fascite plantar e esporão de calcâneo, e dor pós-cirúrgica. Dores agudas e crônicas: fibromialgia, artrite reumatoide, dor devido ao herpes zoster, dor de cabeça, dor da ATM (articulação temporomandibular). Sistema geniturinário: irregularidades menstruais, TPM, cistites, endometriose, menopausa e seus sintomas, ejaculação precoce, disfunção erétil, dor pélvica. Náuseas e disfunções do sistema gastrointestinal: gastrite, má digestão e problemas do fígado, síndrome do cólon irritável, náusea devido a quimioterapia, prisão de ventre, diarreia. Alergias e aparelho respiratório: rinite, bronquite e sinusite. Dermatologia: coceiras, acne vulgar, alopecia, psoríase e alergias cutâneas. Consultórios: Rua: Serra de Botucatu, 113, Tatuapé; Rua: Voluntários da Pátria, 654, Sala 317, Santana. Contato: Whatsapp: (11) 97372-3325 / www.rinaldinaturopata.com / dr.rinaldinaturopat

QUE ERA NOTÍCIA EM 1 de outubro de 2006 gazeta há 20 anos OEDIÇÃO Nº 1021 VILA MARIA ZÉLIA Restauro cada vez mais perto

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Secretaria Municipal do Trabalho iniciou na terça-feira, dia 26, o processo de vistoria dos imóveis que vão abrigar o Complexo Maria Zélia, onde serão instalados um Centro de Capacitação Profissional e de Fomento ao Empreendedorismo e um Centro de Memória do Trabalho. A liberação dos seis imóveis da Vila Maria Zélia à Prefeitura ocorreu após quase dois anos de negociação, em agosto, por PRODUÇÃO GRÁFICA E MONTAGEM FINAL:

GRUPO LESTE DE COMUNICAÇÕES

RUA SERRA DE BOTUCATU, 1.690

TELEFONE: 2095-8202 (PABX) E-MAIL: CONTATO@GRUPOLESTE.COM.BR

intermédio de um convênio assinado com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os imóveis retratam um pedacinho do início da industrialização na cidade de São Paulo. O plano de trabalho a ser desenvolvido pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), ligado à Secretaria da Cultura, é fornecer um quadro atual da situação dos móveis, visando definir precisamente que serviços deverão ser contratados.

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Editor e Diretor Responsável: Jaime Braz Romano | Diretora de Redação: Antonia Cristina Romano | Revisão: Fabiana Nascimento | Diretor-Comercial: Mauro Tadeu Silva

Impressão:

Não nós responsabilizamos pelas ideias ou opiniões emitidas em matérias assinadas


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GAZETA DA ZONA LESTE

APOIO AO PEQUENO NEGÓCIO

Prefeitura amplia apoio a micro e pequenos empreendedores Divulgação

Rede de apoio para apoiar o crescimento dos pequenos negócios inclui a Academia de Finanças, Fundo de Aval e parceria com o Banco do Povo Paulista

DA REDAÇÃO

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Prefeitura de São Paulo ampliou o apoio a micro e pequenos empreendedores com iniciativas que unem orientação financeira gratuita, preparação para o crédito e condições facilitadas para obtenção de recursos. Por meio da ADE SAMPA, ligada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, os empreendedores contam com um ecossistema que começa na Academia de Finanças, segue com o novo CRED SAMPA Fundo de Aval e inclui linhas de microcrédito em parceria com o Banco do Povo Paulista. A Academia de Finanças, realizada em parceria

com a Planejar, oferece atendimentos individuais com planejadores financeiros certificados, que ajudam moradores e empreendedores a organizar receitas, despesas e dívidas, definir prioridades e escolher alternativas de crédito adequadas. As próximas edições acontecem em 25, 26/09 e 02/10, com inscrições pelo site app.adesampa.com.br. Para negócios prontos para investir, o CRED SAMPA Fundo de Aval permite que a Prefeitura atue como avalista, garantindo até 80% do valor da operação em caso de inadimplência. A expectativa é atender mais de quatro mil empresas em cinco anos e viabilizar até R$ 80 milhões em crédito.

Os empréstimos chegam a R$ 150 mil, com pagamento em até 48 meses e carência de seis meses. Mulheres empreendedoras têm prazo ampliado para até 60 meses. Outra frente é a parceria com o Banco do Povo Paulista, que disponibiliza R$ 200 milhões em microcrédito produtivo, com valores de até R$ 21 mil, juros entre 0,35% e 0,80% ao mês e prazo de até 36 meses. Os recursos podem ser usados para investimentos, compra de equipamentos, mercadorias e capital de giro. Com essas ações, a Prefeitura estrutura uma jornada completa de apoio ao empreendedor, da organização financeira ao acesso ao crédito.


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DIA DA SUSTENTABILIDADE

Escolas públicas de São Paulo recebem peça sobre economia circular Divugação

DA REDAÇÃO

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A peça, voltada ao debate da sustentabilidade, será levada a escolas municipais da Zona Leste

RN Produções Artísticas e a ONG Espaço Urbano apresentam o espetáculo teatral “Fim Que Vira Começo Que Vira...’, ação artístico-cultural que compõe o projeto Recicla Cultural e que conta com o apoio da Tetra Pak. A peça, voltada ao debate da sustentabilidade, será levada a escolas municipais da Zona Leste. Uma oportunidade para que crianças tenham contato com o tema no mês em que se celebra o Dia Mundial da Sustentabilidade, comemorado ontem, 25 de setembro. No Brasil, apenas 4,5% dos resíduos são efetivamente reciclados no País, segundo dados divulgados em 2025 pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). Ainda que a economia circular hoje seja um pilar estratégico

na formulação de políticas públicas no país — como o Plano Nacional de Economia Circular (Planec), aprovado em 2025 —, a conscientização individual ainda é um passo importante para um futuro mais verde. TEMAS COMPLEXOS DO COTIDIANO Por isso, iniciativas culturais e educativas ganham relevância ao aproximar temas complexos do cotidiano. Destinada a crianças de 6 a 12 anos e construída por artistas, pedagogos e profissionais especializados em sustentabilidade, o esquete teatral tem duração de 25 minutos, debatendo temas como o descarte correto das embalagens e o impacto social e ambiental das ações individuais. Para além da reciclagem, o roteiro também aborda um tema tão atual quanto sensível: a cultura do descarte e do imediatismo,

em que objetos são tratados como facilmente substituíveis. Ao provocar essa reflexão, a peça convida as crianças a repensar hábitos de consumo e a reconhecer o valor de escolhas mais conscientes no dia a dia. O projeto também oferece três ações de acessibilidade, como sessões com áudio descrição para atender cegos e pessoas de baixa visão e intérpretes de libras para atender a surdos. A iniciativa conta com o patrocínio da Tetra Pak, multinacional reconhecida por suas soluções em processamento e envase de alimentos e bebidas. Além de seu compromisso com a sustentabilidade e a promoção da economia circular, a companhia acredita que conscientizar crianças e jovens por meio da cultura é um caminho essencial para a construção de hábitos ambientalmente responsáveis.


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8º FÓRUM E FESTIVAL LONGEVIDADE

Atendimento integrado, vagas de emprego e economia criativa DA REDAÇÃO

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Prefeitura de São Paulo participa da 8ª edição do Fórum e Festival Longevidade, no Pavilhão da Bienal, que acontece até hoje, dia 26 de setembro, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, oferecendo atendimentos gratuitos, serviços públicos e atividades voltadas à população 60+. A presença municipal é estruturada pelo Vitalidade+ São Paulo, política que reúne mais de 70 programas dedicados ao envelhecimento ativo. Em 2025, a cidade recebeu da OMS o título de Cidade Amiga da Pessoa Idosa. No eixo da saúde, o estande oferece testagem e prevenção, orientação sobre a Rede Sampa Trans, distribuição de

kits de saúde bucal, práticas integrativas, ações do PAVS, avaliação preventiva e estratégias de prevenção de quedas. Há vacinação para idosos, maquiagem, atendimento oftalmológico e o espaço “Cantinho Cuidando de Todos”. Na área de empreendedorismo, o público encontra informações sobre o São Paulo Afroempreendedor, apoio a negócios e inclusão produtiva. O Observatório da Gastronomia selecionou cinco restaurantes para comercialização de alimentos durante o evento. A ADE SAMPA presta atendimento para formalização, emissão de notas e orientações sobre programas municipais, além de palestra sobre mercado de trabalho sênior. Direitos Humanos oferece oficinas,

atividades culturais e debates sobre envelhecimento, cuidado, autonomia, redes de apoio e economia do cuidado. A Educação realiza triagem oftalmológica para pessoas 50+. A Secretaria de Esportes orienta sobre atividades físicas gratuitas e práticas corporais voltadas à longevidade. O Vitalidade+ São Paulo apresenta suas ações integradas de saúde, trabalho, educação, esporte e cultura. O evento também reúne artesãos e empreendedores dos programas Mãos e Mentes Paulistanas, Afroempreendedor e Observatório da Gastronomia. Startups apoiadas pela Prefeitura exibem soluções voltadas à economia da longevidade. A SP Negócios participa com debates e informações sobre investimentos e inovação para o público sênior.

Divulgação

No Fórum & Festival Longevidade, a Prefeitura de São Paulo oferece serviços, atividades e orientações para promover envelhecimento ativo e ampliar oportunidades para a população 60+


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TEATRO O Dilema de Sidgwick no Teatro Cacilda Becker

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a Inglaterra vitoriana, em meio ao impacto das ideias de Darwin, o filósofo Henry Sidgwick enfrenta uma profunda crise de fé e cogita deixar a Universidade de Cambridge, que exigia de seus professores fidelidade ao credo anglicano. Em busca de uma resposta, mergulha em um dilema que coloca em confronto a razão, a moral, Deus e a possibilidade da vida após a morte. Com texto de Paulo Gustavo Guedes Fontes e direção de Bruno Perillo, a peça tem no elenco: Adriana Lessa, Augusto Zacchi, Amazyles de Almeida, Carlos de Niggro, Luiz Amorim, Silvio Giraldi, Tuna Dwek. Ao unir rigor histórico, dramaturgia contemporânea e uma profunda investigação sobre a condição humana, O Dilema de Sidgwick apresenta ao público um personagem pouco conhecido fora do universo acadêmico, um dos mais importantes pensadores da Inglaterra Vitoriana: o filósofo

Henry Sidgwick (1838–1900). Referência mundial nos estudos sobre ética e utilitarismo, sua trajetória foi marcada pelo constante embate entre convicções religiosas, investigação filosófica e compromisso com a justiça social. Suas ideias permanecem fundamentais para compreender muitos dos debates éticos e sociais do presente. Mais do que uma biografia, o espetáculo propõe uma reflexão sobre temas que atravessam diferentes gerações. Questões como o que significa agir corretamente, como equilibrar o bem individual e o bem comum, os limites entre fé e razão e o papel da ciência diante das inquietações humanas tornam-se o eixo central da narrativa. SERVIÇO O Dilema de Sidgwick - Teatro Cacilda Becker - Rua Tito, 295 – Lapa. Temporada: de 07 a 22 de outubro, quartas e quintas-feiras, às 20h. Duração: 90 minutos. Ingressos: R$ 30 inteira | R$15,00 meia. Ingressos online: sympla


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ENTREVISTA

Milhem Cortaz enfrenta o tormento de um homem corroído pela culpa em ‘Por Você’

ma única decisão é suficiente para desmontar a imagem que Juarez construiu de si mesmo ao longo de uma vida. Em “Por Você”, novela das 19h da Globo, o feirante interpretado por Milhem Cortaz provoca o acidente que mata Juli, papel de Lucy Ramos, foge sem prestar socorro e só depois descobre a identidade da vítima. A tragédia transforma em tormento a rotina de um homem até então íntegro, trabalhador, dedicado à mulher Iara e à filha Dalila, feitas por Noemia Oliveira e Lívia Silva. Para Milhem, era fundamental que o público conhecesse o homem antes de julgá-lo pelo erro. “Busquei construir um caminho humano para o Juarez, para quando esse acontecimento trágico acontecesse na vida dele, virando seu mundo de cabeça para baixo, eu pudesse estar aberto e receber isso – uma situação em que o personagem realmente não sabe o que fazer”, explica. Quanto mais Juarez tenta preservar a família, mais o segredo o isola. O comerciante chega a ir a uma delegacia disposto a confessar, mas recua diante do medo de ser preso e perder tudo o que construiu. Ao mesmo tempo, permanece perto dos filhos de Juli e acompanha o sofrimento provocado pela ausência da amiga. “Juarez tem um amor muito grande pela família da Juli. Em tudo que ele podia ajudar, ele ajudava aquela amiga tão especial para ele. Ele se sente responsável por todas as coisas ruins que aconteceram”, ressalta Milhem. Mais do que escapar das consequências legais, o maior temor do feirante está dentro de casa. “Se a família dele resistirá a tudo isso, eu não sei. E esse é o maior medo do personagem”, completa. P – Como você vê o Juarez e essa tragédia que ele enfrenta, desde o primeiro capítulo de “Por Você”? R – É uma tragédia, mas é uma tragédia muito humana. E eu acho que todo mundo tem um pouco dela dentro de si. De alguma forma, todas as pessoas, sendo elas felizes ou não, já morreram um pouquinho. E é essa pequena morte que ele vive. P – Que tipo de morte? R – Para um homem que é justo, íntegro, que é família, aberto para a modernidade da vida, solar, que desce o morro feliz, monta aquela barraca da melhor forma possível e que faz a mulher dele ser uma rainha, que trata a filha com liberdade e, ao mesmo tempo, disciplina, tudo isso torna mais difícil lidar com as culpas dele, com as coisas que ele causa. Para conseguir di-

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Milhem Cortaz começou no teatro ainda criança, em uma igreja da Mooca vidir com a mulher, ele tem de estar muito seguro do que fez. Eu acho que ele demora bastante tempo para ter essa consciência. Tem uma cena linda, que eu acho que é a virada do Juarez nessa história toda, de como ele encara esse lugar. Depois dessa virada, acho que ele consegue. P – Você veio de um papel bem-sucedido em “Volta por Cima”, mas falava que vivia uma solidão no Rio porque sua família e amigos ficavam em São Paulo. Como fica isso agora? R – De alguma forma, para mim, isso é bom. Cada vez estou me levando menos a sério, tentando aproveitar mais o Rio de Janeiro, os meus amigos e fazer disso um impulso para os meus trabalhos dentro da televisão. Essa leveza está fazendo com que eu me torne um ator melhor. Eu acho que eu nunca me preocupei com

o sucesso ou com o tamanho que “Volta por Cima” trouxe para mim. Nessa novela (“Por Você”), essa solidão que eu tenho em casa me traz, dentro desse mergulho, para a solidão que esse personagem (Juarez) tem. Apesar de ser um cara muito amado, que tem uma família muito bem estruturada, ele não vai se sentir sozinho de pessoas: ele vai se sentir sozinho dele mesmo. P – Como assim? R – Juarez vai descobrir, nesse trajeto dele, um monte, uma série de coisas pessoais que ele já vem buscando. Apesar de ser um homem de favela, que trabalha em feira e motorista de aplicativo, ele é de uma família preta, casado e com duas mulheres guerreiras em casa. Uma esposa guerreira e uma filha muito livre. Ele aprende com tudo isso, porque é um homem aberto para a vida. Essa

liberdade na rua, do trabalho dele ser colorido, com frutas, alimentando as pessoas, tendo não de se preocupar com a qualidade do produto, mas sim com o que ele entrega no dia a dia delas, faz dele um observador de pessoas. Juarez sabe dialogar e o que entregar àquelas pessoas que ele conhece. Esse tipo de observação é muito próxima da de um ator. Traz um apuramento maior para a vida, apesar de ele não ter uma escolaridade. A escolaridade nem interessa, o que interessa é essa delicadeza da vida e desse olhar. Isso traz um amadurecimento junto com essa família de mais de 20 anos, onde ele é feliz, onde ele concretizou a vida dele e que faz dele, hoje, um homem pleno. Tudo isso traz uma maturidade que nenhum outro personagem meu teve. P – Você se identifica com isso? R – Eu sou casado há 25 anos e tenho uma filha de 18. Com toda essa liberdade, ser um homem inserido dentro do feminismo, em busca da transformação desse machismo estrutural, eu acho que o meu personagem carrega isso inconsciente – e muito consciente pelas informações que vêm da família dele. Então, assim, é um personagem complexo, desafiador, pobre, favelado, que trabalha inserido dentro da classe média alta da Zona Sul, mas que sabe o espaço que ocupa e, com isso, ele consegue dar para as pessoas o que elas precisam. Isso é maturidade, isso é sabedoria, uma sabedoria popular. E é nesse lugar que eu quero trabalhar – no popular. P – Por quê? R – Hoje, o que me interessa são as pessoas, o povo, os marginalizados, os idosos, as crianças, os adolescentes, as travestis, os refugiados, os moradores de rua… é com essas pessoas que eu quero falar, é com essas pessoas que eu tenho comunicação imediata nas ruas. Eu represento um pouco essas pessoas e quero representar cada vez mais. Quero fazer sempre novelas mais populares, com personagens mais populares. A minha meta é essa: me tornar popular. Dessa novela para a outra, teve uma entrevista que eu dei falando do meu projeto social, um milionário assistiu e assistiu uma entrevista minha ao Marcelo Tas, que é meu amigo e me deixou muito à vontade para expor a minha vida. Daí, nasceu um projeto e hoje, na minha padaria, trabalham dois meninos da Fundação Casa e uma travesti. Agradeço sempre a imprensa, a comunicação independente, os veículos menores, sites, por me dar espaço para que eu possa fazer isso.


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