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Gazeta da Zona Leste - 2016

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GAZETA DA ZONA LESTE

nº 2.016

DESDE 1978

SÃO PAULO, 19 DE SETEMBRO DE 2026

LEI SECA

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

gazetavirtual.com.br DIVULGAÇÃO

SEGIO BARZAGHI

O que muda para o condutor

ENTREVISTA

Dan Stulbach busca diferentes camadas no Ademir, de ‘Quem Ama Cuida’ Fazer um vilão que o público simplesmente odeie pode até parecer fácil. O desafio maior está em encontrar as contradições que fazem esse personagem se aproximar da vida real. E é justamente nesse terreno que Dan Stulbach vem trabalhando em “Quem Ama Cuida”. Na pele de Ademir, o ator constrói um homem que não se enxerga como vilão e que, por isso mesmo, consegue ser ainda mais incômodo. > VEJA + PÁGINA 7

SOCIAL

Vivaleite amplia atendimento no estado

Contran atualiza regras da Lei Seca e inclui triagem e reteste. Ipem-SP orienta condutores sobre o uso correto do bafômetro. Equipamentos devem estar verificados para garantir resultados válidos. > VEJA + PÁGINA 3

EXCURSÕES RODOVIÁRIAS

Programa estadual distribui leite fortificado para crianças e idosos em vulnerabilidade. Famílias podem cadastrar até duas crianças e receber 30 litros por mês. Inscrições são feitas no CRAS e entregas ocorrem em municípios e entidades parceiras. > VEJA + PÁGINA 4

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19 de setembro de 2026

GAZETA DA ZONA LESTE

editorial editorial

O Especialista Invisível POR RONALDO LOYOLA

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o teatro das organizações, há um personagem recorrente: o especialista invisível. Profissionais brilhantes, técnicos impecáveis, mas que permanecem estagnados por ignorarem a dimensão teatral do trabalho. O mundo corporativo é um palco sem ensaio, e quem acredita que “o bom trabalho fala por si” esquece que conteúdo é só metade da cena; a outra metade é percepção. Quem não é visto não é lembrado — e não é promovido. Sem iluminação, até o maior talento fica nas sombras. Em ambientes guiados por confiança e leitura subjetiva, quem evita ocupar espaço é excluído do roteiro da ascensão. Cada reunião, apresentação ou conversa de corredor é uma cena onde credibilidade é testada. Se a voz falha, o olhar se esconde ou a postura transmite insegurança, a técnica perde força. É nesse ponto que surge a Inteligência Cênica: a habilidade de ler contextos, ajustar comportamentos e comunicar com intenção. Não se trata de fingir, mas de expressar a própria verdade com clareza. O ator ajusta a forma; o impostor disfarça o conteúdo. Essa competência envolve quatro dimensões: Leitura de Contexto, Comunicação Estratégica, Presença Cênica e Ética. E torna-se ainda mais crucial na era da Inteligência Artificial, onde máquinas não decodificam silêncios, tensões ou dinâmicas de poder. Desenvolver Inteligência Cênica não diminui mérito — amplifica. Transforma competência em visibilidade com propósito. O sucesso pertence a quem assume o protagonismo da própria trajetória. A maior falha não é errar o texto, mas permitir que o talento se torne irrelevante por falta de coragem de entrar em cena.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

SAÚDE MENTAL

Fila menor do INSS: quem está pagando a conta da velocidade?

A epidemia da ansiedade e a hipnoterapia como contenção

POR PRISCILA A. REINO

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abe o que me preocupa quando vejo o governo comemorar a redução da fila do INSS? Não é a fila diminuir. Quem está doente e precisa de um benefício não pode esperar meses por uma resposta. O problema é começarmos a tratar a quantidade de processos analisados como sinônimo de qualidade da análise. Uma coisa não significa necessariamente a outra. Em abril de 2026, chegamos a cerca de 3,1 milhões de pedidos represados. Em junho, o INSS anunciou que o estoque havia caído para 1,8 milhão de requerimentos, o menor patamar em 21 meses. O governo atribui a redução ao aumento da capacidade de análise e às medidas adotadas para acelerar a conclusão dos processos. É uma redução expressiva. Mas existe uma pergunta que precisa acompanhar esse número: o que está acontecendo com o segurado depois que o INSS analisa o pedido? Porque uma fila menor significa que mais requerimentos receberam uma resposta. E essa resposta pode ser positiva ou negativa. O Portal da Transparência Previdenciária mostra a dimensão das negativas. Em março de 2026, foram registrados 796.798 benefícios indeferidos, correspondentes

POR EDUARDO R. TRIGO

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ados científicos mostram que o Brasil, líder global em transtornos de ansiedade, vive uma epidemia silenciosa que começa na infância e acompanha milhões de pessoas até a vida adulta, afetando famílias, escolas e ambientes de trabalho. Uma pesquisa publicada no The Lancet Regional Health – Americas, com dados do GBD 2023, revelou que mais de 15 milhões de brasileiros de 5 a 29 anos convivem com algum transtorno mental, mais de 20% dessa população. O estudo alerta que uma criança brasileira tem mais chance de sofrer incapacidade por ansiedade do que por doenças físicas antes dos dez anos. A ansiedade, junto com a depressão, foi responsável por grande parte dos afastamentos do trabalho em 2025, ficando atrás apenas das doenças da coluna. Diante dessa epidemia, cresce a busca por tratamentos eficazes. Entre eles, a hipnoterapia tem se destacado como recurso terapêutico capaz de reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida. Ao contrário do mito que associa hipnose à perda de controle, a hipnoterapia é um estado de atenção focada e relaxamento que reduz a hipervigilância e permite acessar padrões emocionais e gatilhos

de estresse armazenados no subconsciente. Para quem vive em constante “luta ou fuga”, a técnica atua tanto no corpo reduzindo cortisol e frequência cardíaca quanto na mente, ao ressignificar crenças limitantes, traumas e pensamentos catastróficos que alimentam a ansiedade. A ciência respalda essa prática: estudos de neuroimagem mostram alterações funcionais em áreas ligadas à regulação emocional durante a indução hipnótica. A hipnoterapia integra as Práticas Integrativas e Complementares (PICS) do SUS e tem ganhado reconhecimento da população, impulsionando o mercado de terapias complementares no país. Esse crescimento exige formação sólida. A hipnoterapia lida com vulnerabilidades emocionais, e a atuação sem preparo pode gerar riscos, como retraumatização ou erros de avaliação clínica. Por isso, centros de formação precisam garantir domínio técnico, ética, compreensão linguística, manejo emocional e conhecimento em psicopatologias. O cenário brasileiro de saúde mental abre espaço para profissionais que buscam diferenciação com a hipnoterapia. A técnica tem potencial para ser uma das principais ferramentas no enfrentamento da epidemia de ansiedade, desde que aplicada com rigor científico e responsabilidade. Eduardo Rene Trigo é diretor do ACT Institute

QUE ERA NOTÍCIA EM 24 de setembro de 2006 gazeta há 20 anos OEDIÇÃO Nº 1020 Parabéns, São Miguel!

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ão Miguel Paulista, o bairro com maior população nordestina fora do Nordeste, completou este mês seus 384 anos. Com aproximadamente 380 mil habitantes, o bairro também abriga diversas famílias tradicionais de descendência estrangeira, como portuguesas, japonesas e libanesas. A estrutura do bairro é orgulho para seus moradores. “Contamos com uma diocese, à qual estão subordinadas 86 paróquias e 360 comunidades. Também temos uma universidade, um Centro de Referência do Idoso, uma vasta

Ronaldo Loyola é executivo multidisciplinar

EXPEDIENTE

a 47% das decisões. Entre os principais motivos de indeferimento do benefício por incapacidade temporária aparece a não comprovação da incapacidade para o trabalho ou para a atividade desempenhada. Esse número, sozinho, não permite afirmar que todas essas negativas sejam indevidas. Quem chega ao INSS por incapacidade já percorreu uma longa trajetória. Existe uma doença, tratamento, exames, atestados e, muitas vezes, meses tentando continuar trabalhando apesar das limitações. Por isso, a análise da incapacidade não pode ser tratada como uma simples etapa burocrática. Uma pessoa pode estar doente há meses ou anos e ter poucos minutos para explicar sua situação. Os documentos médicos e o histórico do adoecimento são fundamentais para que essa realidade seja compreendida. O Tribunal de Contas da União identificou problemas no sistema de concessão automática de benefícios do INSS e apontou que os resultados esperados de redução da fila e do tempo de análise não foram plenamente alcançados. A auditoria também identificou situações em que o segurado não tinha oportunidade de corrigir determinados documentos antes da análise automática. A busca por eficiência é necessária. Mas velocidade não pode substituir análise adequada. Quando o benefício é negado, o trabalhador continua doente. Priscila Arraes Reino é advogada

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rede bancária, redes de ensino estadual, municipal e particular e um fortíssimo comércio que nos trouxe uma distrital da Associação Comercial de São Paulo”, enumera Eurico dos Santos, membro da Associação Cultural Beato José de Anchieta e Anos de São Miguel Paulista e pela Comissão dos 384 anos. Santos também destaca a presença da Companhia Nitro Química Brasileira, do Grupo Votorantim, a primeira do mercado nacional de nitrocelulose, que instalou-se no bairro em 1935. “Foi em torno desta companhia que o bairro se desenvolveu e prosperou.

GAZETA DA ZONA LESTE

Editor e Diretor Responsável: Jaime Braz Romano | Diretora de Redação: Antonia Cristina Romano | Revisão: Fabiana Nascimento | Diretor-Comercial: Mauro Tadeu Silva

Impressão:

Não nós responsabilizamos pelas ideias ou opiniões emitidas em matérias assinadas


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GAZETA DA ZONA LESTE

SEGURANÇA VIÁRIA

Lei Seca: novas regras e orientações ao motorista Divulgação

Nova regulamentação do Contran atualiza procedimentos de fiscalização de álcool no trânsito

DA REDAÇÃO

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Contran atualizou os procedimentos da Lei Seca pela Resolução nº 1.031/2026, criando etapa de triagem, regras para reteste e normas para identificação de álcool e outras substâncias. Para o motorista, o etilômetro continua sendo o principal instrumento de fiscalização e permanece obrigatório nas operações de trânsito. O Ipem-SP, órgão delegado do Inmetro, reforça que todos os bafômetros usados em blitz precisam passar por verificação metrológica anual. Essa checagem garante que o equipamento esteja funcionando corretamente e que

o resultado apresentado ao condutor seja confiável e válido para fins legais. O motorista pode verificar se o equipamento está dentro da validade observando o selo de verificação fixado no etilômetro. ÁLCOOL RESIDUAL A nova norma também prevê cuidados em situações de possível álcool residual na boca, que podem ocorrer após o uso de enxaguantes bucais, medicamentos, sprays ou produtos com álcool. Nesses casos, o agente pode solicitar uma nova avaliação antes de qualquer conclusão, evitando autuações indevidas e garantindo que o resultado reflita apenas o álcool metabolizado pelo organismo.

ORIENTAÇÕES AO MOTORISTA Se beber, não dirija. – Não existe método para “enganar” o bafômetro. – O equipamento deve estar verificado e dentro do prazo de validade. – Produtos com álcool podem gerar resíduos temporários. – A triagem não substitui o teste oficial que gera autuação. O Ipem-SP reforça que a verificação dos instrumentos é essencial para garantir segurança, transparência e confiança nas fiscalizações da Lei Seca, protegendo tanto o condutor quanto a sociedade e contribuindo para a redução de acidentes relacionados ao consumo de álcool.


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ASSISTÊNCIA SOCIAL

Vivaleite amplia atendimento e reforça suplementação alimentar para crianças e idosos DivuLgação

DA REDAÇÃO

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amílias em situação de vulnerabilidade social podem participar do Projeto Vivaleite, voltado à suplementação nutricional de crianças na primeira infância e de pessoas idosas em condição de insegurança alimentar. Implantado pelo Governo do Estado de São Paulo, o Vivaleite entrega 15 litros de leite fluido, pasteurizado, fortificado e integral por mês, a cada beneficiário inscrito, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS). Crianças residentes em todos os municípios do estado podem participar, desde que se enquadrem no projeto. Atualmente, o atendimento a idosos, ocorre somente aos residentes na capital e na região metropolitana de São Paulo. O objetivo do Vivaleite é oferecer um complemento alimentar seguro e de alto valor nutritivo, enriquecido com Ferro e Vitaminas A e D, às crianças e pessoas idosas de baixa renda, que vivem em situação de vulnerabilidade social. Presente em todo o estado, o programa atende mensalmente mais de 270 beneficiários. Somente de janeiro a julho de 2026 foram distribuídos mais de 28,4 milhões de litros de leite, com investimento superior a R$

Vivaleite atende crianças de seis meses a seis anos em todo o estado, além de idosos com 60 anos ou mais na capital e região metropolitana, em situação de vulnerabilidade social 158,5 milhões. QUEM PODE PARTICIPAR? Podem se cadastrar no Projeto Vivaleite as famílias com crianças de seis meses a seis anos de idade de todo o estado de São Paulo e renda familiar de até dois salários mínimos. Estão aptas também as famílias, da capital e região metropolitana, com pessoas idosas, de 60 anos ou mais, que tenham renda familiar de até um salário mínimo. Essas informações são verificadas no momento do cadastro, mediante consulta à base de dados do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), para ga-

rantir que o atendimento chegue àqueles que realmente precisam. É POSSÍVEL INCLUIR MAIS DE UMA CRIANÇA? O Vivaleite ampliou o programa, em setembro de 2025, permitindo a inclusão de uma segunda criança que se enquadre nos critérios do projeto. Com essa mudança, famílias que possuem duas crianças na faixa etária de seis meses a seis anos de idade podem receber 30 litros mensais. COMO O PROJETO FUNCIONA? A atualização cadastral, a gestão do público e o monitoramento das entregas do leite são rea-

lizados pela parceria entre o estado, municípios e entidades sociais voluntárias, garantindo que o produto chegue com regularidade aos beneficiários cadastrados. Para o coordenador do Vivaleite, Marco Antonio Brabo, esta é uma política pública consolidada no enfrentamento à fome, garantindo um alimento essencial para milhares de famílias paulistas. “Com essa política pública, reforçamos o compromisso do Governo de São Paulo com a segurança alimentar e com o desenvolvimento saudável de crianças e idosos em situação de vulnerabilidade”, destaca.

Os municípios do interior, litoral e região metropolitana, são grandes aliados do Vivaleite, sendo responsáveis pelo cadastro, acompanhamento e entrega dos litros destinados ao público cadastrado. Eles também organizam os pontos de distribuição e asseguram que os critérios de elegibilidade sejam cumpridos. A parceria é estabelecida por meio do termo de convênios junto a SEDS e fortalece a descentralização das ações, facilitando o atendimento direto às famílias. As entidades sociais voluntárias também são grandes aliadas do Vivaleite, e, em sua grande

maioria, estão inseridas em regiões extremas do território, reforçando o braço do Governo do Estado na execução da política pública, onde as pessoas mais necessitam. O QUE É PRECISO PARA SE CADASTRAR? Para se inscrever, os interessados devem procurar o CRAS mais próximo de sua residência, munidos de um documento pessoal, que pode ser o CPF ou RG, para atualizar os dados ou se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) - requisito necessário para ter a possibilidade de acesso aos programas socioassistenciais, entre eles, o Projeto Vivaleite, que garante um alimento essencial para a segurança alimentar do público prioritário. O interessado deve se certificar da documentação no CRAS da sua cidade porque alguns municípios podem exigir também a documentação da criança como certidão de nascimento e carteira de vacinação. Em seguida, o cidadão deve se dirigir à prefeitura ou procurar entidades sociais parceiras do programa - responsáveis pela distribuição do leite às famílias. A consulta à entidade mais próxima da residência pode ser feita por meio do mapa geolocalizador.


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DIREITOS DO CONSUMIDOR

Fraude em empréstimos: como identificar refinanciamentos sem autorização DA REDAÇÃO

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consumidor que possui empréstimo pessoal ou consignado deve ficar atento ao seu extrato. Há denúncias em todo o Brasil de clientes que perceberam que bancos e correspondentes bancários estariam renovando ou refinanciando contratos sem autorização. O advogado Fabricio Posocco explica que a fraude do refinanciamento consiste na liquidação antecipada de um empréstimo antigo mediante a contratação de um novo contrato. Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) manteve a condenação de um banco após reconhecer sucessivos refinanciamentos

considerados abusivos realizados contra um consumidor com deficiência auditiva. O consumidor deve observar alguns sinais de alerta: • 1 O número de parcelas do empréstimo aumenta repetidamente.; • 2 O contrato parece nunca terminar; • 3 Há depósitos inesperados na conta bancária; • 4 O valor da parcela permanece praticamente igual por muitos anos; • 5 Surgem novos contratos no extrato do INSS sem pleno conhecimento do beneficiário;4 • 6 O consumidor não recebeu explicações claras sobre a renovação da dívida. “Outra recomendação é consultar periodicamente o aplicativo Meu INSS e so-

licitar ao banco cópia integral dos contratos assinados e do histórico de evolução da dívida”, indica Posocco. Caso identifique uma renovação irregular, a orientação é reunir toda a documentação disponível, registrar reclamações nos canais administrativos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do banco – anotando os números dos protocolos, e buscar ajuda jurídica. Quando a Justiça reconhece que houve refinanciamento irregular ou contratação abusiva, é possível anular os contratos, cancelar os refinanciamentos indevidos, ser restituído em dobro dos valores descontados, ser indenizado por danos morais e fazer o recálculo da dívida quando houver necessidade de adequação contratual.

Divulgação

Consumidores devem conferir regularmente extratos bancários e o aplicativo Meu INSS para identificar possíveis refinanciamentos feitos sem autorização


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19 de setembro de 2026

TEATRO

XV Circuito de Teatro em Português

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á 23 anos promovendo o encontro entre artistas, culturas e territórios, o Circuito de Teatro em Português e Outras Línguas chega à sua 15ª edição no Centro Cultural São Paulo, até 27 de setembro. Neste ano, esse grande intercâmbio amplia seu olhar para outras manifestações artísticas e para as línguas originárias da África e do Brasil. A programação gratuita reúne espetáculos nacionais e internacionais, apresentações de música, dança e teatro, cerimônias ritualísticas, oficinas, seminários e atividades formativas voltadas ao empreendedorismo e à economia criativa, à literatura, ao teatro de bonecos, à dança, à música e à internacionalização de artistas e obras. Acompanhe a programação completa em @circuitodeteatroemportugues O Circuito de Teatro em Português e Outras Línguas consolida-se como um espaço de refle-

O primeiro espetáculo da mostra é “Damas da Noite – Uma Farsa de Elmano Sancho”

xão, troca de conhecimentos e construção de redes de colaboração entre artistas, pesquisadores, produtores, gestores culturais, coletivos, iniciativas independentes e comunidades dos países de língua oficial portuguesa. Mais do que um festival, o Circuito de Teatro em Português e Outras Línguas é um território de encontros, escuta, criação e cooperação. Um espaço que celebra a diversidade cultural, fortalece o patrimônio imaterial, amplia o diálogo entre povos originários e reafirma a cultura como ferramenta de transformação, memória e construção de futuros compartilhados. SERVIÇO XV Circuito de Teatro em Português e Outras Línguas - até 27 de setembro de 2026. Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, 1.000, Liberdade. Ingressos gratuitos, com distribuição uma hora antes de cada sessão, na bilheteria do CCSP.


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ENTREVISTA

Dan Stulbach busca diferentes camadas no Ademir, de ‘Quem Ama Cuida’

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azer um vilão que o público simplesmente odeie pode até parecer fácil. O desafio maior está em encontrar as contradições que fazem esse personagem se aproximar da vida real. E é justamente nesse terreno que Dan Stulbach vem trabalhando em “Quem Ama Cuida”. Na pele de Ademir, o ator constrói um homem que não se enxerga como vilão e que, por isso mesmo, consegue ser ainda mais incômodo. Entre as relações de poder, as escolhas profissionais e a maneira como se coloca diante do filho Pedro, interpretado por Chay Suede, Dan aposta em diferentes camadas para fugir de uma representação caricata. “Me interessa ser um vilão múltiplo, tem qualidades que o deixam mais interessante. E você molda isso tudo junto com os diretores e o público”, afirma. A parceria com Chay é um dos pontos centrais desse trabalho. Desde as primeiras cenas, os dois buscaram uma relação marcada simultaneamente por afeto, conflito, amor e discordância, deixando espaço para que pai e filho não fossem definidos apenas pela oposição entre certo e errado. A construção também ganhou força nas cenas de maior tensão da trama, incluindo o embate de Ademir com Dora, vivido por Mariana Ximenes, e o julgamento que colocou o comportamento do personagem diante do assédio no centro da história. Para Dan, lidar com um tema tão delicado exige justamente abandonar respostas fáceis e permitir que o desconforto apareça de forma natural. “Eu queria trabalhar um cara, acho que não só eu, depois tive esse apoio da direção, também, com o Chay, a gente construiu juntos essa história”, aponta. P – O que mais tem o instigado ao viver o Ademir? R – Me interessa ele ser múltiplo. É um personagem que tem qualidades que o deixam mais interessante. Não é uma coisa caricata do bom e do ruim, do vilão e do herói. A gente pode trabalhar isso deixando cada vez mais humano. Na mesma cena, eu posso brigar com ele e chorar no final de dor porque ele não me entende. É humanizar essas aspas vilanescas que ele tem. O Ademir não é um vilão com consciência de vilão. Ele é um homem que acredita no que acredita e faz o que entende que tem de fazer para ter sucesso na vida, na carreira e na profissão. P – Como foi a composição dessa relação de pai e filho com o Chay Suede?

Em 2014, Dan assumiu a bancada do “CQC”, substituindo Marcelo Tas na Band R – Estou gostando muito de trabalhar com o Chay. Ele é aberto à criação e toda cena que a gente faz tem uma ideia e uma proposta dele. Fica tudo muito facilmente verdadeiro com ele. A gente construiu essa coisa de amor, afeto e discordância, como acontece com muitos pais e filhos. Ele quer um caminho próprio e o pai quer um caminho para o filho. Tem amor e tem ódio, tem um empurrão e um abraço. A gente trabalha muito com esses elementos. Tem sido incrível também a parceria com a Julia (Stockler). P – De que forma? R – A Julia é uma ótima atriz. A gente

se conheceu no dia da gravação, na verdade. Não nos conhecíamos antes, mas todo mundo me falava: “Você está fazendo com a Julia, Julia é ótima”. E a gente foi construindo cena a cena, gesto a gesto. Tudo com muito cuidado. Eu precisava fazer um personagem sem culpa, sem pensar, porque senão a minha cena não acontece. Eu também precisava de uma liberdade que ela tinha de me dar, mesmo a gente mal se conhecendo. E isso aconteceu, foi muito legal. P – O Ademir é um personagem controverso. Como tem sido a repercussão entre o público?

R – As pessoas estão odiando. Em todo lugar que eu vou, estão me dando bronca, me alertando, falando. Mas, em seguida, o que é diferente do Marcos (“Mulheres Apaixonadas”), elas dão parabéns. As pessoas já me conhecem, conhecem o trabalho. Então vêm, xingam, criticam, reclamam, mas depois dão parabéns. Em geral, as pessoas são muito carinhosas comigo. E eu gosto disso, de mexer com as pessoas. Hoje em dia, as redes sociais também são um termômetro importante. P – Como assim? R – Gosto muito de acompanhar a repercussão nas redes. Na televisão, quando você chega nos outros, tem a impressão de que sua plateia é enorme, mas você não vê, não sabe. E também não gosto de ficar restrito à rede social, que é boa, mas pode ser enganosa, porque é uma parcela pequena. Na rua, às vezes, é mais bacana porque é verdadeiro, é intenso. O que acontece, não acontece, está acontecendo. É muito bom. P – A trama de “Quem Ama Cuida” retoma discussões do universo feminino que já estiveram presentes em outros trabalhos da sua carreira. Como é revisitar essas questões tantos anos depois? R – É uma coisa muito especial poder mencionar e lembrar um personagem, mas também é muito triste. Quando fizemos o Marcos, em “Mulheres Apaixonadas”, eu fui para Brasília e teve a Lei. A gente ficou muito motivado, inspirado com a ideia de que estava fazendo um trabalho importante, que podia mudar um pouco a nossa sociedade e mexer com ela de uma maneira positiva. Aí você vê, tantos anos depois, que a gente está aqui falando das mesmas coisas, com números iguais ou piores. Existe uma tristeza que acompanha tudo isso, mas também existe a relevância de poder tratar desse assunto na televisão, porque ela chega em todo lugar. P – Como o enredo do Ademir entra nessas discussões? R – A única inocência que o Ademir tem é que, muitas vezes, ele não percebe o que faz. Pelo menos essa é a minha ideia de construção. Isso não faz com que ele seja inocente, mas faz com que ele seja menos pior. A grande discussão é qual o grau de consciência ele tem. Acho que ele tem bastante em algumas áreas e menos em outras. Tem mais na questão prática e menos na questão sentimental.


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