GAZETA DA ZONA LESTE
nº 2.015
DESDE 1978
SÃO PAULO, 12 DE SETEMBRO DE 2026
CONSUMO
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SEGIO BARZAGHI
Ipem-SP orienta sobre balanças irregulares
ENTREVISTA
Renata Sorrah investiga os limites do amor materno com a Pérola de ‘Por Você’ Aos 79 anos, Renata Sorrah não mede a própria experiência pelo que já sabe, mas pelo quanto ainda pode descobrir. Depois de décadas dedicadas à televisão, ao cinema e ao teatro, ela segue encarando cada personagem como um terreno a ser explorado. Pérola não escapa dessa lógica. “Eu continuo aprendendo e isso é maravilhoso” > VEJA + PÁGINA 7
SAÚDE
Comer bem sem gastar muito
O uso de balanças fora das normas pode prejudicar o consumidor. Ipem-SP explica como identificar irregularidades e garantir o peso correto. Saiba quando denunciar e proteger seus direitos. > VEJA + PÁGINA 5
EXCURSÕES RODOVIÁRIAS
Nutricionista explica como manter uma alimentação saudável sem pesar no bolso. Planejamento, escolhas naturais e produtos da estação fazem diferença. Veja cinco estratégias simples para economizar sem perder qualidade. > VEJA + PÁGINA 4
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GAZETA DA ZONA LESTE
editorial editorial
Educação: caminho para a autonomia feminina POR CARLA DE NAZARÉ
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mulher, na busca para sair da “proteção” masculina e obter valorização pessoal, historicamente enfrentou desafios sociais, culturais e econômicos. Nesse percurso, um dos mais sólidos instrumentos mediadores para a conquista de sua autonomia é a educação. Ela oferece às mulheres não apenas conhecimento das ciências, mas também ferramentas para alterar suas realidades. Em uma sociedade ainda marcada por desigualdades de gênero, o acesso à educação é mais que um direito, é uma estratégia de liberdade. Através dela, a mulher ocupa cada vez mais espaços antes exclusivos dos homens. A formação acadêmica e profissional possibilita qualificação para agarrar oportunidades de trabalho. Assim, firma poder de decisão e independência financeira, ampliando sua capacidade de escolha. Contudo, o conhecimento adquirido não se limita ao aspecto econômico. Ao desenvolver consciência crítica, mulheres letradas questionam padrões impostos, reivindicam direitos e participam com mais intensidade da vida política e social, o que ressoa em comunidades inteiras. Persistem barreiras, como desigualdade de acesso e sobrecarga doméstica, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à inclusão educacional, sobretudo em regiões onde meninas enfrentam maiores dificuldades para permanecer na escola ou ingressar em universidades. Investir em educação é investir em liberdade e futuro, pois, ao garantir que mulheres tenham acesso pleno e igualitário ao ensino, a sociedade fortalece não apenas a independência, mas também o avanço coletivo. O essencial é ampliar políticas de incentivo para combater desigualdades estruturais e valorizar o papel da mulher como protagonista de sua própria história. Carla de Nazaré é professora aposentada
EXPEDIENTE
PENSAMENTO & CULTURA
MERCADO & CONSUMO
O custo de não ler
A experiência virou o verdadeiro luxo
POR THAÍS V. DE SOUZA
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trajetória das nações é frequentemente moldada pelo conflito entre a realidade objetiva dos fatos e as narrativas construídas pelo poder. No Brasil, uma dessas dinâmicas reside na “Política de Segredo”. A estratégia robusta de Portugal em controlar a informação garantia sua exclusividade nas navegações. Esse controle foi reforçado após a descoberta do Brasil e da tal engenhoca de Gutenberg, que possibilitaria a “rápida” disseminação do conhecimento. Logo, a metrópole tratou de proibir oficinas tipográficas e vetou a alfabetização de sua preciosa colônia. Enquanto a Espanha permitia gráficas no Peru e, posteriormente, universidades em suas colônias, Portugal ergueu uma barreira intelectual como ferramenta de controle, impedindo que a população tomasse consciência de sua própria força social e econômica. A barreira arrastou o atraso educacional por séculos. Em 1800, a alfabetização por aqui mal atingia 2%, enquanto nos EUA a taxa masculina já era de 70%. A verdade é que a cultura forma uma base tão sólida que seus ecos ressoam ao longo dos séculos. A ignorância estrutural, instituída no início da nossa história, exerce influência até hoje e, tal como uma maldição, torna o povo presa fácil do populismo, dada a baixa capacidade de avaliar
o custo real de medidas sedutoras dos governantes. Historicamente, essas decisões levaram ao empobrecimento do país. Mas não é só a ignorância que fragiliza nações. A falta de planejamento de longo prazo abre espaço para escolhas baseadas apenas no presente — cheias de boas intenções, mas economicamente danosas. O Brasil é endemicamente imediatista, comportamento que resulta em má alocação de recursos públicos. Por exemplo, o descontrole das contas e a baixa produtividade são “irmãos siameses da inflação”. O crescimento do Brasil mostrou-se medíocre pela ausência de visão estratégica. Os ciclos do açúcar, ouro e café foram apenas réplicas do extrativismo imposto por Portugal. Com um plano e visão de futuro, estes teriam sido muito mais expressivos. Estas novas informações sobre o passado ajudam a recalcular a rota. Se a ignorância programada e o imediatismo são os grandes entraves, a solução viria da correção de pelo menos um desses pilares: a educação. O Brasil ainda não viveu seu ciclo educacional de crescimento, o que permitiria crescer 5% ao ano por duas décadas. Dizer que o Brasil foi programado para a ignorância é um choque necessário para romper a inércia. Thaís Vieira de Souza é autora de “A maldição da mandioca”
POR GLAUCIA FERNANDES
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conceito de luxo sempre esteve ligado à exclusividade: produtos raros, marcas de prestígio e objetos que simbolizavam status. Durante muito tempo, possuir algo raro, caro ou difícil de alcançar era visto como a maior aspiração de consumo. Hoje, essa lógica vem sendo substituída por uma nova percepção de valor. Em um mundo onde quase tudo está a poucos cliques de distância, o verdadeiro luxo deixa de ser aquilo que possuímos e passa a ser aquilo que vivemos. Pesquisas mostram que a maioria dos brasileiros prefere investir em experiências a adquirir bens materiais. Mais do que comprar, as pessoas querem sentir, compartilhar momentos, construir memórias e viver histórias que permanecem além do instante do consumo. Essa mudança representa uma grande oportunidade para empresas de diferentes setores. Quando falamos em experiência, não estamos nos referindo apenas a entretenimento ou turismo, mas a toda interação entre pessoas e marcas. A experiência começa antes mesmo da compra e continua depois que ela termina. Na gastronomia, isso se torna ainda mais evidente. A pandemia ensinou o valor da conveniência. O delivery aproximou restaurantes dos consumidores e
mostrou que tecnologia e eficiência podem caminhar juntas. Mas também revelou algo essencial: uma refeição pode ser entregue em casa; a experiência, não. Nenhuma embalagem transporta o olhar acolhedor de quem recebe o cliente, o ambiente preparado, a conversa ao redor da mesa, o tempo desacelerado, o aroma que antecede o primeiro prato ou o reencontro entre amigos. É nesse conjunto de detalhes que nasce o verdadeiro luxo contemporâneo e o mais interessante é que ele é acessível. Não depende de ostentação nem de formalidades, tampouco está necessariamente ligado ao valor da conta. Está na capacidade de uma marca fazer alguém sentir que aquele momento foi especial. Essa percepção também transforma a forma como empresas constroem seus negócios. Durante anos, qualidade bastava para diferenciar. Depois vieram preço e conveniência. Hoje, esses fatores seguem importantes, mas deixaram de ser exclusivos. A tecnologia democratizou processos, e a inteligência artificial tende a democratizar ainda mais. Produtos podem ser copiados; experiências, não. É por isso que tantas empresas passaram a investir em hospitalidade, atendimento, personalização e cultura organizacional, entendendo que o verdadeiro valor está na emoção que conseguem despertar e nas histórias que ajudam a criar. Glaucia Fernandes é diretora executiva do L’Entrecôte de Paris
QUE ERA NOTÍCIA EM 17 de setembro de 2006 gazeta há 20 anos OEDIÇÃO Nº 1019 METRÔ - Tatuapé entra na campanha de prevenção de acidentes
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partir de amanhã, dia 18, o Metrô inicia a “Campanha de Prevenção de Acidentes 2006”. O objetivo é reduzir o número de acidentes nas estações, em especial nas escadas fixas e rolantes, área que hoje responde por 60% das ocorrências no sistema metroviário. Em 2005, foram registradas 400 ocorrências nas escadas fixas e 866 nas escadas rolantes. A campanha começará com um trabalho de conscientização dos PRODUÇÃO GRÁFICA E MONTAGEM FINAL:
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usuários das estações Portuguesa-Tietê, Santa Cruz, Luz, Brigadeiro e Consolação, por meio da distribuição de folhetos com o título “Saiba como e use bem”. Esse corpo-a-corpo, previsto para começar às 8 e terminar 16h30, será feito por dez jovens estagiários que fazem parte do Programa de Educação para o Trabalho, uma ação de responsabilidade social criada pelo Metrô para estimular a inserção de jovens no mercado de trabalho.
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Editor e Diretor Responsável: Jaime Braz Romano | Diretora de Redação: Antonia Cristina Romano | Revisão: Fabiana Nascimento | Diretor-Comercial: Mauro Tadeu Silva
Impressão:
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SUSTENTABILIDADE
Projeto de reciclagem de Arujá quer se expandir pelo estado Divulgação
Projeto “Vale Reciclar” já existe na cidade de Arujá há quatro anos
DA REDAÇÃO
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lau Camargo, advogada e idealizadora do projeto “Vale Reciclar”, implantado há quatro anos no município de Arujá, deseja que esse modelo de negócio seja replicado em todo o estado de São Paulo. O programa permite que os cidadãos troquem materiais recicláveis — como papel, papelão, isopor e óleo de cozinha — por uma moeda social chamada “Vale Verde” que, depois, pode ser usada nos estabelecimentos parceiros para adquirir produtos e serviços, incluindo vestuário, alimentos, itens de higiene, brinquedos e até serviços
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de salão de beleza, como escova, manicure e massagem. “O projeto fortalece a dignidade e o acesso das famílias, ao mesmo tempo em que estimula a consciência ambiental”, explica a advogada. No final do ano passado, o sucesso do projeto foi reconhecido pelo Governo do Estado de São Paulo e, pela primeira vez, Arujá recebeu o certificado do programa Município VerdeAzul - iniciativa coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), com o objetivo de medir e apoiar a eficiência da gestão ambiental dos municípios paulistas, auxiliando-os na elabora-
ção de políticas públicas estratégicas para o desenvolvimento sustentável do Estado. De acordo com Clau, desde sua implantação, mais de 250 toneladas de materiais recicláveis foram retiradas do fluxo de descarte irregular, contribuindo para a preservação ambiental e fortalecendo a economia circular, além de estimular a conscientização da população. Isso promove igualdade e, ao mesmo tempo, incentiva a sustentabilidade. Funciona tão bem em Arujá que, segundo ela, o modelo pode ser replicado em outros municípios.
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SAÚDE & BEM-ESTAR
Como comer bem gastando menos Divugação
DA REDAÇÃO
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Uma alimentação equilibrada não depende de alimentos caros, mas de escolhas inteligentes e planejamento
aumento do custo dos alimentos tem feito muitas famílias repensarem a forma como compram e organizam suas refeições. Diante da ideia de que comer saudável é necessariamente mais caro, cresce uma dúvida comum: é possível manter uma alimentação equilibrada sem comprometer o orçamento? Segundo a nutricionista Andrezza Botelho, a resposta está menos em produtos considerados “da moda” e mais em escolhas estratégicas do dia a dia. “Uma alimentação saudável não precisa ser baseada em alimentos caros ou suplementos. O segredo está em planejamento, variedade e boas combinações”, explica. Confira cinco estraté-
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gias para economizar sem abrir mão da qualidade nutricional. TROQUE ALIMENTOS INDUSTRIALIZADOS POR VERSÕES NATURAIS E MAIS ECONÔMICAS Produtos prontos e ultraprocessados muitas vezes parecem uma solução prática, mas podem representar um custo maior no fim do mês. Priorizar alimentos básicos, como arroz, feijão, ovos, legumes, verduras e frutas da estação, ajuda a montar refeições completas e nutritivas. USE PROTEÍNAS ACESSÍVEIS NO PLANEJAMENTO DAS REFEIÇÕES A proteína é um nutriente essencial para manutenção da massa muscular, saciedade e funcionamento do organismo, mas não precisa
vir apenas de cortes mais caros de carne. APROVEITE ALIMENTOS DA ESTAÇÃO Frutas, verduras e legumes da época costumam ter melhor preço e qualidade. Além disso, variar conforme a disponibilidade ajuda a ampliar o consumo de diferentes nutrientes. PLANEJE COMPRAS E EVITE DESPERDÍCIOS Organizar o cardápio da semana, fazer uma lista antes de ir ao mercado e aproveitar integralmente alguns alimentos são atitudes que impactam diretamente a economia doméstica. FOQUE NO EQUILÍBRIO, NÃO NA PERFEIÇÃO Uma alimentação saudável precisa ser possível dentro da realidade de cada pessoa.
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DIREITOS DO CONSUMIDOR
Peso certo é direito do consumidor, alerta Ipem-SP DA REDAÇÃO
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uso de balanças irregulares ainda pode gerar prejuízos e comprometer os direitos do cidadão. Diante disso, o Ipem-SP (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo), autarquia do Governo do Estado, vinculada à Secretaria da Justiça e Cidadania, e órgão delegado do Inmetro, que tem como objetivo promover a confiança nas relações de consumo, orienta consumidores e comerciantes sobre a importância do uso correto desses equipamentos e apresenta dicas práticas para garantir que o peso cobrado seja exatamente o peso entregue. Toda balança utilizada no comércio precisa, obri-
gatoriamente, ser aprovada pelo Inmetro e passar por verificações periódicas. Esses procedimentos garantem que o equipamento esteja funcionando corretamente e que o peso indicado seja exatamente o que está sendo entregue ao cliente. Quando essas regras não são respeitadas, o consumidor pode ser prejudicado ao pagar por uma quantidade diferente da que está recebendo, e o comerciante fica sujeito a sanções administrativas e às penalidades previstas em lei. Por isso, o Ipem-SP apresenta, a seguir, orientações práticas para ajudar consumidores e comerciantes no uso correto desses equipamentos. USO CORRETO E MANUTENÇÃO
A manutenção da balança deve estar sempre em dia. No momento da pesagem, o produto precisa ser colocado delicadamente no centro do prato, que deve estar limpo e seco, aguardando a estabilização do visor. O peso indicado deve corresponder somente ao produto, com o desconto obrigatório da embalagem. Em restaurantes self-service, é obrigatória a fixação de um cartaz informando o valor da tara, que também deve estar devidamente registrado na balança. O Ipem-SP reforça: peso certo é direito de todos. Caso desconfie de alguma irregularidade, informe para Ouvidoria do Ipem-SP no número de telefone 0800 013 05 22, por e-mail ouvidoria@ipem.sp.gov.br ou no site www.ipem.sp.gov.br.
Divulgação
Balanças comerciais devem estar calibradas e aprovadas pelo Inmetro para assegurar pesagem correta ao consumidor
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TEATRO
Feliz Ano Velho estreia dia 19 de setembro O premiado romance autobiográfico Feliz Ano Velho, do escritor, dramaturgo e jornalista paulista Marcelo Rubens Paiva — autor de Ainda Estou Aqui, livro que deu origem ao filme vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional — está prestes a ganhar sua primeira versão musical com direção de Gustavo Barchilon e adaptação de Marilia Toledo. O elenco protagonista é formado por Hugo Bonèmer (Marcelo Rubens Paiva), Bruno Garcia (Marcelo Rubens Paiva / Rubens Paiva) e Heloísa Périssé (Eunice Paiva). Completam o elenco Bárbara Sut, Bibi Tolentino, Giselle Lima, Ingrid Gaigher, João Côrtes, Lázaro Menezes, Lia Canineu, Luciano Mallmann, Mateus Ribeiro, Mattilla, Renan Mattos, Sabrina Korgut e Tuna Dwek. O musical, que terá sua temporada de estreia no Teatro Sabesp Frei Caneca, de 19 de
setembro a 22 de novembro de 2026, tem ingressos à venda. O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura e Petrobras e tem produção da Barho Produções. Escrito em 1982, o primeiro livro de Marcelo Rubens Paiva marcou diversas gerações, sobretudo a dos anos 1980, por retratar tão bem a juventude da época e por contar sem tabus a história do acidente que o autor sofreu em uma lagoa em Campinas e que o deixou tetraplégico. Serviço Local: Teatro Sabesp Frei Caneca - Rua Frei Caneca, 569, 7º andar - Consolação Datas: 19 de setembro a 22 de novembro de 2026 Horários: sexta-feira, às 20h | sábado, às 17h e às 20h | domingo, às 15h e às 18h Capacidade: 600 lugares Classificação: 14 anos Abertura da casa: 1 hora antes de cada espetáculo.
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ENTREVISTA
Renata Sorrah investiga os limites do amor materno com a Pérola de ‘Por Você’
mar uma filha não significa necessariamente concordar com as escolhas dela. Muito menos quando essas decisões começam a ameaçar princípios construídos ao longo de uma vida. Em “Por Você”, novela das 19h da Globo, Pérola, personagem de Renata Sorrah, enfrenta esse dilema ao perceber que Vanessa, vivida por Alinne Moraes, está cada vez mais distante da mulher que gostaria de ter criado. Presidente do Hospital & Maternidade Luz, a empresária defende uma gestão humanizada, comprometida também com quem não pode pagar pelos serviços da instituição, enquanto a filha prioriza lucro, status e projetos voltados a pacientes de maior poder aquisitivo. A divergência profissional amplia feridas de uma relação familiar já delicada e faz Renata perseguir uma pergunta sem resposta simples. “Vanessa é filha da Pérola, a Pérola tem amor por ela, sim. Mas, até quando? É algo que está sempre na minha cabeça, quando estudo: é para sempre esse amor de mãe? É mesmo um amor incondicional?”, questiona. A situação se torna ainda mais complexa quando Pérola começa a reconsiderar a sucessão do hospital. Decepcionada com a conduta de Vanessa, ela passa a enxergar em Bela, papel de Sheron Menezzes, valores mais próximos daqueles que deseja preservar na instituição. Mas, em uma obra aberta, nem mesmo Renata sabe exatamente até onde esse afastamento entre mãe e filha poderá chegar. Para a atriz, descobrir os limites de Pérola à medida que a história avança é justamente parte do prazer da construção. “Eu acho bom quando você não tem respostas. Eu vou ter essa resposta fazendo junto com a Alinne, com os escritores e com o público”, afirma. Aos poucos, as próprias cenas ajudam a dimensionar o tamanho dessa decepção. “Essa troca é muito importante para eu entender como é ser mãe de uma vilã, de uma mulher que não é bacana, que não é boa”, completa. P – Como é, para você, fazer a mãe de uma vilã, depois de ter feito tanto sucesso como a Nazaré? R – Essa é a primeira vez que tenho uma filha vilã, personagem que Alinne Moraes está fazendo lindamente. E eu estou tomando muito cuidado nessa construção, porque ela tem amor pela filha, mas até quando? Isso sempre está na minha cabeça quando eu estudo. Vanessa pode fazer o que ela quiser que
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Foi através do trabalho que Renata viu sua vida profissional e pessoal atravessar diferentes fases P – A Pérola é mesmo uma mulher a mãe vai estar ali? Pérola ama a filha, 100% do bem? mas o que ela espera na vida é que a filha R – Totalmente! É uma mulher direita, possa mudar e ser uma pessoa melhor. que quer o melhor para o hospital. Tanto Essa relação é muito delicada e a mãe que ela se dá bem com a Bela. O que a tem muito desgosto com a filha, que reBela quer é transformar o hospital, ter uma conhece tantos erros. Não é uma relação ala ali que atenda mulheres grávidas em fácil para se construir. situação de vulnerabilidade, tipo o SUS. É P – Como você enxerga as diferenuma unidade particular, mas Pérola quer, ças entre Pérola e Vanessa? sim, que tenha essa ala, que atenda mulheR – As duas moram na mesma casa, res que estejam precisando. Já a Vanessa Pérola é a dona do hospital e Vanessa uma pensa oposto. Ela quer criar uma ala onde das diretoras. Mas elas têm visões totalse bota maquiagem nas parturientes. E a mente diferentes. Pérola é ética, mas não Bela não. O primeiro capítulo já deixou dá para falar a mesma coisa da Vanessa. A bem clara essa diferença entre elas. Pérola tem uma ideia humanista do hospiP – Como? tal, enquanto a Vanessa quer uma ala PreR – A primeira sequência dela na novemium Baby. E a mãe faz a pergunta clássila, da Bela, foi de um parto que ela faz no ca: “onde foi que eu errei?”. É difícil isso.
supermercado, de uma mulher que está precisando. Eu acho isso muito bonito. P – Isso caminha bastante com sua vida, porque sua filha, Mariana, é médica e também faz trabalho voluntário. R – Sim, que bom poder falar sobre isso! Minha filha é totalmente voltada para o atendimento social, com médicos voluntários. Conversei muito com ela, ela também está me dando muitas dicas. Eu tenho muito orgulho da minha filha, da Mariana, é muito legal o trabalho que ela faz. Ela faz um trabalho lindo mesmo, porque vai para lugares onde a medicina, os médicos normalmente não chegam. Ela é pediatra, vai com um grupo de voluntários e viaja pelo Brasil. Ela vai à África também. Para mim, está sendo muito bom poder fazer uma diretora de hospital que defende a mocinha nesses ideais. P – “Por Você” tem três atrizes com vilãs marcantes no currículo: você, Regiane Alves e Alinne Moraes. Entre Nazaré (“Senhora do Destino”), Dóris (“Mulheres Apaixonadas”) e Sílvia (“Duas Caras”), qual você acha a melhor – ou a pior, no caso – vilã? R – Ah, eu adoro a Nazaré! Ela tem um humor. Não é que ela seja melhor, porque todas dessa lista são ótimas! Mas tem algo que o Aguinaldo escreveu e que é muito legal: a Nazaré é engraçada. Não é maniqueísta, não é só má. Ela quebra isso! Mas dizer qual das três ganharia? As outras duas atrizes, tanto Regiane quanto Alinne, fizeram lindamente! Assim como Adriana Esteves, Patrícia Pillar, Fernanda Montenegro, temos várias vilãs incríveis! Não é porque eu fiz, mas eu acho a Nazaré maravilhosa. P – Nazaré virou um ícone pop... R – Pois é, já tem mais de 20 anos. E ela é isso no mundo todo! A Nazaré é pop total! P – E você tem preferência entre interpretar antagonistas ou encarnar papéis de heroínas? R - Não, eu quero bons papéis. Aqueles em que você pode transmitir alguma coisa. A arte é incrível, é onde toca. E a gente está precisando disso: de se unir, se dar a mão. Através da arte, a gente consegue! São pontes que a gente constrói entre as pessoas. E a gente tem de fazer um mundo melhor, o que está difícil! É tão bonito ir ao cinema, ao teatro, ler um livro, uma poesia... Isso dá um alívio, dá um ombro para você. É muito bom!
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