GAZETA DA ZONA LESTE
nº 2.013
DESDE 1978
SÃO PAULO, 29 DE AGOSTO DE 2026
SEGURANÇA
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
gazetavirtual.com.br DIVULGAÇÃO
SEGIO BARZAGHI
Zona Leste lidera queda nos roubos de celular
ENTREVISTA
Sheron Menezzes vive médica que troca a carreira pela maternidade em ‘Por Você’ Sheron Menezzes mal começou a interpretar a batalhadora Bela e já reconhece na protagonista de “Por Você” uma mulher que aprendeu a decidir seus próprios caminhos. Ginecologista e obstetra bem-sucedida do Hospital & Maternidade Luz, a personagem construiu uma vida independente, fez da profissão sua prioridade e nunca planejou ser mãe. > VEJA + PÁGINA 7
SAÚDE
Genéricos da semaglutida ampliam acesso A Zona Leste da cidade de São Paulo registrou a maior redução nos índices de roubo de celular entre todas as regiões da capital no primeiro semestre de 2026, de acordo com dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública. Redução é fruto da parceria entre Prefeitura e Governo do Estado. > VEJA + PÁGINA 4
EXCURSÕES RODOVIÁRIAS
A chegada dos primeiros genéricos de semaglutida ao mercado brasileiro marca uma das mudanças mais importantes no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Após o fim da patente, a Anvisa aprovou o primeiro medicamento genérico da substância. > VEJA + PÁGINA 5
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editorial editorial
EDUCAÇÃO
FINANÇAS PESSOAIS
O silêncio Paradoxo Docente: o herói O brasileiro redescobriu o da intenção: com menos poderes e cada poder da compra à vista como a IA vez mais responsabilidades jamento em vez de endividamento. pode apagar Mas o dado mais importante e a indisciplina ocupa 21% do temestá na mudança de mentalidade. po de aula, segundo a OCDE. a voz humana Sempre digo que dinheiro precisa Mesmo enfraquecidos, recePOR THIAGO SAVIAN
POR ARTHUR V. F. FURTADO
POR JAMES MCSILL
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ivemos um paradoxo: nunca foi tão fácil produzir conteúdo, e nunca foi tão difícil produzir sentido. Entre automações, textos algorítmicos e narrativas moldadas para engajamento, surge a pergunta: o que acontece quando delegamos às máquinas não só a forma, mas a intenção do que comunicamos? O maior risco da IA não é substituir o humano, mas esvaziar o significado. Quando deixamos que sistemas decidam o que deve emocionar ou convencer, abrimos mão da responsabilidade sobre o porquê da mensagem. Sem intenção consciente, a comunicação vira apenas engenharia de estímulos eficiente, porém vazia e onde falta intenção, sobra manipulação. Nesse cenário, comunicar exige mais do que dominar ferramentas: exige ética de design. Tecnologias realmente úteis devem ampliar a consciência, não anestesiá-la. Sistemas de voz, algoritmos narrativos ou qualquer solução relevante precisam integrar saberes diversos, da engenharia à psicologia. Ainda assim, há algo insubstituível: o humano ético. Sem essa consciência, avanços técnicos viram instrumentos de persuasão cega. A responsabilidade é dupla: com o público, que confia no que recebe, e com a humanidade, moldada silenciosamente pelas escolhas tecnológicas que fazemos. A IA não é neutra; reflete valores e intenções de quem a cria. Para quem teme perder a própria voz, o primeiro passo é o silêncio: ouvir a si mesmo e ao outro. A IA replica estilos, mas não cria intenção e intenção é o núcleo da voz. Criar e comunicar continuam sendo atos profundamente humanos. A tecnologia amplifica, mas só o humano decide o que merece ser dito. James McSill é especialista mundial em narrativa e autor de “Storytelling & Inteligência Artificial”
EXPEDIENTE
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estreia o novo filme do Homem-Aranha, o herói que aprendeu que grandes poderes trrazem grandes responsabilidades. No Brasil, porém, os professores são tratados como heróis às avessas: perderam seus poderes, mas acumulam responsabilidades cada vez mais inalcançáveis. Todos os dias, são lançados em ambientes degradados e violentos, sem apoio real, enquanto os verdadeiros vilões assistem de longe. Nas últimas décadas, docentes foram atacados por ambos os flancos ideológicos, interessados em controlar escolas e mentes. De um lado, difundiu-se o mito do professor opressor; de outro, a imagem de doutrinador e inimigo da família. O resultado foi o esvaziamento da autoridade docente, essencial para o ensino. Paulo Freire já alertava que o professor que não propõe limites transgride sua função; Inger Enkvist reforça que, sem autoridade, não há bons resultados. Hoje, a liberdade de cátedra quase inexiste na educação básica. Professores estão presos a plataformas e materiais engessados; não podem avaliar com autonomia, já que resultados são alterados e alunos aprovados sem critério. O desrespeito e a violência se espalham,
bem mais incumbências. A Lei 13.185/2015 atribuiu às escolas a prevenção do bullying. A Lei Lucas tornou obrigatória a capacitação em primeiros socorros. As novas diretrizes digitais do ECA exigem educação midiática e proteção virtual. Em junho, o PL 4.088/2023 tornou obrigatório o ensino de educação política e cidadania. São iniciativas importantes, mas revelam a transferência de responsabilidades para uma escola depauperada e para professores adoecidos. Enquanto isso, 33% dos municípios não cumprem o piso do magistério, mais de 50% dos docentes são temporários, apenas 15,7% das escolas públicas têm psicólogos, e a própria Lei Lucas segue amplamente descumprida. Professores não são heróis: são profissionais que merecem respeito. Não se pode exigir poderes sobre-humanos enquanto políticos, gestores e muitos pais se omitem. É preciso garantir condições dignas, devolver autoridade aos docentes e valorizar o conhecimento escolar. Sem isso, a profissão seguirá inviabilizada, presa a uma teia de abandono e impotência que condena o país ao atraso civilizatório. Arthur V. F. Furtado é professor, coordenador pedagógico e doutor em Educação Escolar
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epois de anos acostumado a perguntar quanto cabe na parcela, o consumidor brasileiro começa a fazer outra pergunta: quanto custa pagar pelo dinheiro? Essa mudança ajuda a explicar o novo momento do consórcio. O Pix consolidou a lógica de que dinheiro disponível tem valor. Pagar à vista virou sinônimo de negociação, seja em um celular ou em uma refeição. E é por isso que digo que, de certa forma, o consórcio virou o novo Pix. Não porque façam a mesma coisa, mas porque ambos reforçam o poder de compra de quem tem recursos disponíveis. A pergunta muda quando a compra não custa dois mil reais, mas trezentos mil ou um milhão. Nesse ponto, deixamos de negociar o preço do bem e começamos a negociar o custo do dinheiro. Durante muito tempo, financiar foi o caminho automático para adquirir carro, imóvel ou investir no negócio. Poucos calculavam quanto pagariam pelo crédito ao longo dos anos. Com juros elevados, o brasileiro voltou para a calculadora. A reflexão mudou: vale antecipar um sonho a qualquer custo? Esse amadurecimento explica o crescimento do consórcio. Segundo a ABAC, o sistema avança impulsionado por consumidores que buscam plane-
ter nome. Quando não tem destino, vira gasto. Quando tem propósito, vira patrimônio. É isso que o consórcio estimula: transformar consumo em escolha. Costumo dizer que o consórcio é um boleto que você paga para você mesmo. No financiamento, você paga para usar um dinheiro que não tinha. No consórcio, constrói gradualmente o próprio poder de compra. Quando chega a contemplação, a negociação muda: você deixa de discutir parcelas e passa a discutir preço. Quem compra com recursos disponíveis tem mais liberdade para decidir. Isso vale para motocicleta, caminhão, consultório, máquina agrícola, apartamento ou empresa. Planejamento deixa de ser adiamento e passa a ser estratégia. Durante décadas, perguntamos quanto cabia na parcela. Agora começamos a perguntar quanto custa pagar pelo dinheiro. Essa mudança de comportamento transforma mercados — talvez seja exatamente isso que estamos vivendo.
Thiago Savian é formado em Direito e atua no desenvolvimento de estratégias comerciais, expansão de negócios, formação de equipes e fortalecimento da cultura organizacional
QUE ERA NOTÍCIA EM 3 de setembro de 2006 gazeta há 20 anos OEDIÇÃO Nº 1017 Prevenção contra dengue
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o dia 25 de agosto, o “Comitê da Dengue” - composto por coordenadores, supervisores da Saúde e membros da comunidade, realizou na sala de reuniões. da Subprefeitura Ermelino Matarazzo/Ponte Rasa reunião para combater os possíveis focos de dengue na região. Na reunião (que acontece mensalmente) foram discutidos planos de prevenção, como: eliminar e evitar que os moradores deixem plantas em vasos com água (substituir a água por terra), pneus ou recipientes expostos à chuva e que possam acumular água, inspecionar barris, filtros e caixas d’água. O Supervisor de Suvis (Supervisão
PRODUÇÃO GRÁFICA E MONTAGEM FINAL:
GRUPO LESTE DE COMUNICAÇÕES
RUA SERRA DE BOTUCATU, 1.690
TELEFONE: 2095-8202 (PABX) E-MAIL: CONTATO@GRUPOLESTE.COM.BR
de Vigilância e Saúde), João Ribeiro Guimarães, informa que este encontro é importante para a qualidade de vida dos moradores do Distrito de Ermelino Matarazzo/Ponte Rasa. MUSEU DE ARQUEOLOGIA E ETNOLOGIA DA USP PROMOVE CURSO DE FOTOGRAFIA De 4 a 29 de setembro estarão abertas as inscrições para o curso Fotografia Aplicada: Discussão de Critérios de Trabalho para a Prática Fotográfica de Apoio à Pesquisa, a ser realizado no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE), entre os dias 3 de outubro e 5 de dezembro.
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Editor e Diretor Responsável: Jaime Braz Romano | Diretora de Redação: Antonia Cristina Romano | Revisão: Fabiana Nascimento | Diretor-Comercial: Mauro Tadeu Silva
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DIREITOS DO CONSUMIDOR
Idosos de baixa renda garantem 50% de desconto em passagens interestaduais Divulgação
Decisão tem validade nacional e assegura acesso ao benefício sem restrições de horário ou antecedência
DA REDAÇÃO
O
Procon-SP alerta consumidores idosos de baixa renda que o direito ao desconto de 50% em passagens rodoviárias interestaduais na modalidade convencional não pode mais ser restringido por prazos de antecedência ou horários. A decisão dada pela Justiça Federal de Rondônia, assegurada pelo Ministério Público Federal (MPF), transitou em julgado e é válida em todo o território nacional. Com isso, pessoas com 60 anos ou mais e renda de até dois salários mínimos podem adquirir o bilhete com desconto de 50% a qualquer momento, sem a antiga exigência de compra com 6 a 12 horas de antecedência. O Procon-SP orienta que a
comprovação de renda pode ser feita por diversos documentos, como carteira de trabalho, contracheque, extrato de benefício do INSS ou documento emitido por secretarias de assistência social. A Carteira da Pessoa Idosa facilita o acesso, mas não é o único meio de comprovação - o documento pode ser requerido pelo site https://www.gov. br/pt-br/servicos/adquirir-carteira-do-idoso ou no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) mais próximo. O benefício está previsto no Estatuto do Idoso, assim quando as duas vagas gratuitas por veículo já estiverem esgotadas, o idoso que comprovar os requisitos , tem direito ao desconto mínimo de 50%. Vale ressaltar que a pessoa idosa com renda de até dois
salários mínimos também tem direito a duas vagas gratuitas por veículo em viagens interestaduais. Nesse caso, é preciso solicitar, no mínimo, com 30 minutos de antecedência, junto a empresa de transporte interestadual. No entanto, é importante verificar com antecedência, pois podem existir eventuais listas de espera para o acesso ao benefício. A Fundação Procon-SP, em parceria com a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (ARTESP), disponibiliza desde 2021 a cartilha “Passagem Gratuita para Idosos”, material que reúne orientações para que pessoas com 60 anos ou mais conheçam e exerçam seus direitos no transporte coletivo rodoviário de passageiros.
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ZONA LESTE
Roubos de celular caem na região DivuLgação
DA REDAÇÃO
A
Zona Leste da cidade de São Paulo registrou a maior redução nos índices de roubo de celular entre todas as regiões da capital no primeiro semestre de 2026, de acordo com dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). Entre janeiro e junho deste ano, foram contabilizadas 6.971 ocorrências do tipo, contra 9.584 registradas no mesmo período do ano anterior — uma diminuição de 27,3%, correspondente a 2.613 casos a menos. TRABALHO OSTENSIVO O destaque da redução no município concentrou-se justamente em áreas beneficiadas
A Zona Leste acumula redução de 69,3%, com os registros passando de 22.704 para 6.971 ocorrências
pelo trabalho ostensivo e de patrulhamento da Guarda Civil Munici-
pal (GCM) em cooperação com as diretrizes de segurança do EsDivulgação
Redução é fruto da parceria entre Prefeitura e Governo do Estado
tado. As três maiores quedas percentuais da cidade de São Paulo foram apuradas em distritos da Zona Leste: na área do 70º DP (Vila Ema), os registros despencaram 52,3% (de 321 para 153); no 69º DP (Teotônio Vilela), a diminuição foi de 51% (de 351 para 172); e no 42º DP (Parque São Lucas), a redução atingiu 50,5% (de 277 para 137). Em toda a capital, a média de queda foi de 14,8% (de 31.418 para 26.758 casos). ÍNDICES DE CRIMINALIDADE Na comparação de dez anos, se considerada a análise dos índices de criminalidade nos primeiros semestres, a Zona Leste acumula redução de 69,3%, com os registros passando
de 22.704 para 6.971 ocorrências. No mesmo intervalo, a queda foi de 68,6% na Zona Norte, 54,2% no Centro, 51,9% na Zona Sul e 37,4% na Zona Oeste. PATRULHAMENTO COMUNITÁRIO Para garantir a presença ostensiva e o suporte às operações de segurança locais, a Prefeitura mantém um efetivo robusto por meio da Guarda Civil Municipal. Os distritos de Vila Ema e Parque São Lucas são atendidos pela Inspetoria Regional da Vila Prudente (IR-VP), que dispõe de 83 guardas civis e 10 viaturas de quatro rodas. Já o distrito de Teotônio Vilela conta com a atuação da Inspetoria Re-
gional de Sapopemba (IR-SB), composta por mais de 100 agentes e 10 viaturas de quatro rodas. Somadas, as duas unidades locais totalizam 186 guardas e 20 viaturas dedicadas ao patrulhamento comunitário e à proteção dos cidadãos. FISCALIZAÇÕES E OPERAÇÕES ESTADUAIS Em um escopo mais amplo, a infraestrutura da GCM na Zona Leste integra o Comando de Operações Regionais Leste (COP-L), que soma 117 viaturas distribuídas entre as inspetorias da região. Esse contingente atua em sintonia com as fiscalizações e operações estaduais, colaborando de forma direta para o patrulhamento de áreas comerciais e corredores de grande circulação. RESULTADOS HISTÓRICOS A retração nos índices criminais reflete um movimento consistente de longo prazo. Na análise comparativa dos primeiros semestres em um período de dez anos, a Zona Leste acumula uma queda de 69,3% nos roubos de celulares, passando de 22.704 ocorrências para 6.971. O desempenho supera os recuos observados nas demais regiões da capital: Zona Norte (-68,6%), Centro (-54,2%), Zona Sul (-51,9%) e Zona Oeste (-37,4%).
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OBESIDADE E DIABETES
Semaglutida genérica pode ampliar acesso a tratamentos DA REDAÇÃO
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chegada dos primeiros medicamentos genéricos à base de semaglutida ao mercado brasileiro marca uma das mudanças mais importantes no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 nos últimos anos. Após o fim da patente da molécula, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro genérico da substância, além de novas versões sintéticas e similares, abrindo espaço para maior concorrência e redução de preços. A expectativa é de que os genéricos custem pelo menos 35% menos que as versões atualmente comercializadas. Na avaliação da a médica nutróloga Giovanna Spag-
nuolo Brunello, a principal consequência dessa mudança é tornar um tratamento altamente eficaz acessível a pacientes que realmente possuem indicação clínica. Segundo a especialista, a semaglutida é indicada principalmente para pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a doenças como diabetes, hipertensão, apneia do sono e outras comorbidades, sempre mediante avaliação médica. Ela ressalta que o medicamento não substitui mudanças de hábitos, mas funciona como uma ferramenta importante dentro de um tratamento multidisciplinar. “Nenhuma caneta emagrecedora faz milagre sozinha. O sucesso depende de alimentação adequada, atividade física, sono e acompa-
nhamento profissional.” MERCADO PARALELO Outro impacto esperado é a diminuição da procura por medicamentos adquiridos no mercado paralelo, especialmente à base de tirzepartida, produtos trazidos ilegalmente de países vizinhos ou vendidos pela internet sem qualquer garantia de procedência. CONCORRÊNCIA A concorrência também deve provocar um movimento de queda nos preços de outras marcas disponíveis no País. Desde o vencimento da patente, diversos laboratórios passaram a desenvolver versões da semaglutida e a própria Anvisa acelerou a análise de novos registros para ampliar a oferta de medicamentos com o mesmo princípio ativo.
Divulgação
Especialista diz que a principal consequência dessa mudança é tornar um tratamento altamente eficaz acessível a pacientes que realmente possuem indicação clínica
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TEATRO
Comédia ‘A filha da...’ comemora 60 anos de carreira de Regina Duarte
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streou na última quinta-feira, dia 27, a peça é A Filha da... uma comédia de Carlos Eduardo Silva premiada em 2000 num Concurso do Ministério da Cultura, adaptada e dirigida por Darson Ribeiro, que traz no elenco Vinicius Tardelli (marido) e Clau Carvalho (secretária), além de Regina Duarte (mãe) e Gabriela Duarte (filha). A Filha da... é uma comédia nonsense ambientada nos anos noventa, sobre uma mulher obcecada em querer ser a princesa Diana, que numa bela manhã ao ver a foto do Príncipe Charles estampada na primeira página do principal jornal do país, num ‘ato sintomático’ atira na foto em defesa da princesa pela traição do príncipe, e acaba por matar o próprio marido, que então lia o jornal. Tendo apenas a mãe, uma funcionária-pública, como aliada, começa um plano mirabo-
lante para se livrar do crime numa sequência de atos duvidosos que no teatro são até cabíveis, mas que na vida real têm sido normalizados, e assim, as duas levam o público ao delírio, até o bucólico final já em Londres, onde, sentadas no Hyde Park, compartilham do funeral da Princesa Diana. O projeto ainda é composto por um documentário idealizado por Gabriela em homenagem à mãe, que vai mostrar intimidades de uma Regina dona-de-casa, mãe, artista plástica, avó e atriz, além do processo de ensaio da peça. SERVIÇO Temporada: até 13/12/26, às sextas e sábados, às 20h; e domingos, às 18h Teatro BDO Jaraguá - Rua Martins Fontes, nº 71 – Centro – Fone: (11) 2802-7075. Ingressos: R$ 200,00 inteira e R$ 100,00 meia.
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ENTREVISTA
Sheron Menezzes vive médica que troca a carreira pela maternidade em ‘Por Você’
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heron Menezzes mal começou a interpretar a batalhadora Bela e já reconhece na protagonista de “Por Você” uma mulher que aprendeu a decidir seus próprios caminhos. Ginecologista e obstetra bem-sucedida do Hospital & Maternidade Luz, a personagem construiu uma vida independente, fez da profissão sua prioridade e nunca planejou ser mãe. Porém, tudo muda quando Juli, vivida por Lucy Ramos, sua melhor amiga desde a infância, morre após um acidente de carro e lhe confia, nos últimos momentos de vida, os quatro filhos. “Está sendo uma delícia mergulhar na Bela. Ela me faz rir tanto quanto me faz chorar”, celebra a atriz, diante do desafio que encara na nova novela das 19h da Globo, criada e escrita por Dino Cantelli e Juliana Peres. A partir da perda, Bela precisa lidar, ao mesmo tempo, com o luto, uma casa repentinamente cheia, quatro crianças em diferentes fases da vida e, principalmente, uma responsabilidade que jamais imaginou assumir. Para Sheron, a força da história está justamente na possibilidade de uma mulher rever escolhas sem que isso invalide tudo o que foi planejado anteriormente. A transformação da médica, no entanto, vai muito além de acrescentar uma nova função à própria rotina. “Ela passa a se importar com outras coisas além de si mesma”, antecipa Sheron, que acredita que a personagem possa provocar identificação justamente por suas contradições e mudanças. P – Como está sendo voltar às novelas e com outra protagonista? R – Eu estou muito feliz porque é mais uma mulher poderosa, que sabe de si e que eu tenho certeza de que todo mundo que se sentar para assisti-la vai se identificar em algum lugar. A Bela é uma obstetra muito bem-sucedida, que escolheu a profissão, escolheu batalhar pelos seus interesses profissionais. Ela deixou a vida pessoal um pouquinho de lado, como muitas de nós fazemos. Mas o destino dá uma reviravolta e cai no colo dela uma maternidade de quatro filhos. Uma realidade que ela não estava esperando, mas ela decide que vai ser mãe daquelas quatro crianças. P – É uma mudança muito grande. Como você vê isso? R – Acho que é isso que é o mais lindo: você pode escolher não ser mãe, você pode escolher ser mãe, como a Juli, e também pode mudar de opinião e falar: “ago-
Sheron Menezzes estreou nas novelas em “Esperança”, em 2002 ra eu quero ser mãe”. E a gente também vai falar de perda, porque a Bela perde a melhor amiga, que é tudo na vida dela, é a única pessoa que ela tem. Eu acho que essa novela vai tocar o coração de muitas pessoas e eu fico bem feliz com isso. P – Com o que? R – Eu gosto de interpretar personagens assim: mulheres que são capazes de tocar outras mulheres que estão assistindo. P – A Bela é uma médica negra. Como você vê isso? R – Eu não falo muito sobre isso, eu prefiro esperar que vocês, jornalistas, me perguntem. A gente tem de ser espelho. As
pessoas têm de se olhar na tevê, têm de se identificar e querer ser. Sempre teve aquelas meninas que queriam ser atrizes, que queriam ser bem-sucedidas nessa carreira por causa de mim. Agora, muitas meninas vão se olhar ali vão falar assim: “eu posso ser médica, eu posso ocupar esses espaços”. P – Como você se sente sendo essa inspiração? R – Nós estamos colocando mulheres pretas em posição de poder. Bela é uma médica, obstetra. Mas eu já fiz advogada, fiz cantora, são lugares que a gente acha que não pode alcançar. Mas pode sim! Eu quero mesmo que as meninas olhem
e se inspirem, que elas queiram ser advogadas, médicas, cantoras, professoras, empresárias, enfim, o que for. É o nosso lugar de direito e elas podem! Elas podem ser o que quiserem. E vão ter mais alguém para se identificar. É muito, muito bom e importante poder colocar a Bela nesse lugar. P – Qual lugar exatamente? R – No lugar de quem mora de frente para a Lagoa, da mulher que está muito bem na sua posição, na sua carreira. E que é amorosamente disputadíssima! Porque tem isso, não tem? Precisamos também falar dessa questão do amor. P – Você se enxerga na Bela? R – Eu me vejo muito na Bela na questão da maternidade. Na verdade, primeiro, da profissão, porque eu fui mãe um pouquinho mais tarde, fui batalhando na profissão. E, aí, eu decidi que queria ser mãe e fui. E decidi que quero ser as duas coisas. E eu sou! Eu acho que é isso, que eu me vejo nesse lugar de conseguir equilibrar esses pratos. Eu fico falando que eu vejo a Bela assim, equilibrando, mas nós, mulheres, somos assim. P – E o que esperar da relação dela com esses meninos? Parece que vai ser bem emocionante, não? Principalmente com Peixe, papel do Cauê Campos. R – Existe um lugar ali de confronto com o Peixe. Por um lado, ele questiona por que foi a mãe que morreu e não a Bela, né? Eu acho que a gente entende isso. Mas, por outro lado, a Bela também perdeu a melhor amiga dela, que era a pessoa mais importante da vida dela. E a gente precisa entendê-la. Quem cuida dessa mulher? Eu também me vejo nesse lugar, é algo que ecoa muito para mim. Quem cuida de quem cuida? A Bela vai cuidar de todo mundo. E eu tenho mania de fazer isso também, esse hábito. Mas quem cuida de quem cuida? Só que eu acho que eles vão, sim, construir uma relação de amor. Principalmente com o mais novo, que é uma coisa! P – O mote da novela é discutir até onde se vai por amor. E você? Até onde vai? R – Depende de sobre quem a gente está falando. Mas, assim, eu acho que quando a gente ama de verdade, não mede esforços. Quando a gente fala de amor, eu penso logo no meu filho. E eu faço qualquer coisa por ele. Qualquer coisa. Eu dou a minha vida por ele.
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