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Gazeta da Zona Leste - 2004

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GAZETA DA ZONA LESTE

SMART SAMPA

Prefeitura lança app e helicóptero inteligentes integrados

Gratuito e disponível para Android e iOS, o Smart Sampa Cidadão permite que qualquer pessoa identifique veículos roubados, furtados ou clonados usando a câmera do celular, com ocorrências analisadas e alertas enviados diretamente às forças de segurança pela Central Smart Sampa. > VEJA + PÁGINA 4

ENTREVISTA

Rodrigo Simas se diverte com a dinâmica de ‘A Nobreza do Amor’

Entre romance, aventura e reviravoltas, Rodrigo Simas vive uma das jornadas mais intensas em “A Nobreza do Amor”. O ator dá vida a Omar, um jovem turco que chega a Batanga para uma negociação ao lado do pai, mas tem o destino transformado ao se apaixonar pela Princesa Alika, papel de Duda Santos. Ao ajudá-la a fugir de um casamento arranjado, se envolve em uma série de acontecimentos que mudam completamente os rumos de sua história e despertam um sentimento de vingança após uma tragédia familiar. > VEJA + PÁGINA 7

Rede de solidariedade em todo o estado

Com a chegada do inverno, o Governo de São Paulo reforça o chamado à população para participar da Campanha do Agasalho 2026. A iniciativa arrecada roupas, cobertores e acessórios destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade social em todas as regiões do estado. > VEJA + PÁGINA 3

Passeios em Caxambu, São Lourenço e Carmo de Minas pela Rota do Café com visita à Fazenda Cafeeira 04

DIVULGAÇÃO

Na era da IA, o diferencial será humano

Transformações tecnológicas sempre alteraram a forma como trabalhamos. A diferença é que, desta vez, estamos diante de sistemas capazes de produzir textos, imagens, análises e respostas em poucos segundos. Isso provoca uma sensação inédita de concorrência com algo que se aproxima de processos antes considerados exclusivamente humanos.

A discussão sobre inteligência artificial costuma girar em torno das profissões que desaparecerão e das novas exigências do mercado de trabalho. Curiosamente, à medida que as máquinas se tornam mais eficientes, características antes consideradas subjetivas passam a ganhar valor estratégico. Pensamento crítico, criatividade, flexibilidade cognitiva, capacidade de colaboração e inteligência socioemocional deixaram de ser apenas habilidades desejáveis e tornaram-se competências essenciais.

Mesmo entre aqueles que cresceram cercados pela tecnologia, permanece a percepção de que informação não é sinônimo de discernimento. Discernimento não nasce do acúmulo de respostas prontas, porque ele se desenvolve por meio da experiência, da reflexão, do contato com diferentes perspectivas e da capacidade de duvidar antes de chegar a conclusões. Trata-se de um processo que envolve maturação intelectual e emocional, algo que não pode ser terceirizado a uma ferramenta. Por essa razão, preparar crianças para o futuro não significa expô-las cada vez mais cedo às telas ou treiná-las para competir com algoritmos. Significa ajudá-las a desenvolver aquilo que os algoritmos não conseguem reproduzir. A criatividade, por exemplo, não surge apenas da produção de ideias. Ela depende de repertório, imaginação, experimentação e contato com situações reais.

CULTURA

Quando uma voz se cala, uma memória desaparece

POR

JUNIOR AGUIAR

Vivemos uma época obcecada pelo novo. Novas tecnologias, novas tendências, novas formas de consumir informação. No meio dessa velocidade, existe uma pergunta que raramente fazemos: o que acontece quando uma sociedade deixa de ouvir aqueles que carregam suas histórias?

Durante séculos, a memória humana foi transmitida pela oralidade. Antes dos arquivos digitais, das redes sociais e até da popularização dos livros, eram as pessoas que preservavam o passado. Histórias de família, acontecimentos da comunidade, lendas, tragédias, conselhos e experiências atravessavam gerações pela voz de quem viveu.

Hoje, temos mais informação do que em qualquer outro momento da história. Paradoxalmente, talvez estejamos ouvindo menos. Quando um idoso morre, não desaparece apenas uma pessoa. Desaparece uma biblioteca que nunca foi escrita. Muitas vezes, desaparecem detalhes de uma época, formas de enxergar o mundo, memórias de acontecimentos locais e experiências que não estão registradas em lugar nenhum.

A oralidade tem uma caracte-

rística que nenhum banco de dados consegue reproduzir: ela transmite não apenas fatos, mas significado. Uma mesma história contada por alguém que a viveu carrega emoção, contexto, hesitações, silêncios e interpretações que ajudam a compreender o que aconteceu de forma muito mais profunda.

Isso é especialmente importante em cidades pequenas e comunidades tradicionais. Grande parte da identidade desses lugares continua sendo preservada por pessoas que contam histórias. São relatos que explicam de onde viemos, quem fomos e por que determinadas memórias continuam importantes. Ao ignorarmos essas vozes, corremos o risco de produzir uma sociedade tecnicamente informada, mas emocionalmente desconectada da própria trajetória.

Talvez o desafio do nosso tempo não seja apenas registrar mais informações. Talvez seja reaprender a escutar. Porque uma cultura não desaparece quando perde seus documentos. Ela desaparece quando deixa de transmitir suas histórias. E nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, consegue substituir completamente uma geração contando à outra quem ela foi.

Junior Aguiar é professor universitário, escritor e autor de “Os Segredos do Pintor Medeiros: os Mistérios da Gruta Silenciosa”

COTIDIANO

Entre o 6 e o 9: quando

a política atravessa

POR BEATRIZ BREVES

Apolarização política no Brasil é inegável. O país se vê dividido entre esquerda e direita, e essa cisão tem atravessado relações de forma profunda. Amizades antigas acabaram, famílias se desentenderam, casais se separaram. A divergência de ideias, quando acompanhada de emoções intensas, cria ruídos que se acumulam e provocam um verdadeiro “curto-circuito” nas relações.

Do ponto de vista psicológico, a polarização surge, muitas vezes, da insegurança diante do diferente: o medo de que, ao escutar o outro, se perca o próprio rumo. Soma-se a dificuldade de lidar com sentimentos intensos, o que torna o diálogo mais árduo. Ainda assim, quando falamos de pessoas de boa índole, temos algo em comum: embora as ideias divirjam, muitos dos ideais se aproximam — justiça, dignidade, liberdade e acesso a direitos básicos.

É nesse ponto que a metáfora do número 6 ganha força. Duas

relações

pessoas, frente a frente, podem olhar para o mesmo símbolo e enxergar coisas diferentes: uma vê um 6, a outra um 9. Assim também ocorre com as ideias: diferentes interpretações podem emergir a partir de um mesmo ideal. Quando aproximamos essas visões, surge o número 69 — não há disputa sobre quem está certo, porque aquilo que antes era oposição se transforma em complementar.

Talvez seja justamente essa a habilidade que falte ao Brasil: transformar o embate em encontro.

Aceitar que discordar não significa desarmonia e que ninguém enxerga tudo sozinho. Entretanto, somos seres complexos, e sentimentos mal administrados podem gerar novas disputas.

Mesmo quando 6 e 9 se integram, pode surgir alguém dizendo que o número é 96 — e tudo bem. Entre integração e divergência, aparecem novos caminhos.

Beatriz Breves é psicóloga, psicanalista e escritora, autora do livro “Eu Fractal – conheça-te a ti mesmo”

gazeta há 20 anos O QUE ERA NOTÍCIA EM 2 de julho de 2006

EDIÇÃONº 1008

Hospital Tiradentes será gerenciado pelo Estado

OGoverno do Estado e a Prefeitura de São Paulo firmaram novas parcerias na segunda-feira, 26 de junho. Em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, o governador Cláudio Lembo e o prefeito Gilberto Kassab assinaram 11 documentos, nas áreas da Cultura, Saúde, Segurança Pública, Transportes, Transportes Metropolitanos, Emprego e Energia.

CULTURA

Na área da Cultura, o convênio prevê a uti-

lização dos espaços físicos de espaços culturais dos Centros de Educação Unificada (CEUs) para a implantação do programa Fábricas de Cultura. ENERGIA E RECURSOS HÍDRICOS Na área de Energia e Recursos Hídricos, o Estado assinou convênio com a Prefeitura para a construção do Piscinão Sharp, na Estrada do Campo Limpo. O objetivo é minimizar as enchentes da região da Bacia do Córrego do Pirajussara.

Braz Romano
Diretora de Redação: Antonia Cristina Romano | Revisão: Fabiana Nascimento
Diretor-Comercial: Mauro Tadeu Silva
Silmara Casadei é doutora em Educação e psicanalista

Campanha do agasalho 2026

As doações são encaminhadas a entidades assistenciais cadastradas, responsáveis pelo atendimento direto à população

Com a chegada do inverno, o Governo de São Paulo reforça o chamado à população para participar da Campanha do Agasalho 2026. A iniciativa arrecada roupas, cobertores e acessórios destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade social em todas as regiões do estado.

Podem ser doados roupas, cobertores, meias, toucas, cachecóis e calçados, desde que estejam em bom estado de conservação. Após a arrecadação, os itens passam por triagem e são distribuídos de forma contínua ao longo da campanha.

As doações são encaminhadas a entidades assistenciais cadastradas, responsáveis pelo atendimento direto à população. Parte dos itens

também é mantida em estoque estratégico para respostas rápidas em situações emergenciais.

COMO DOAR

Quem quiser contribuir com roupas, acessórios de inverno ou cobertores deve entregar peças limpas e em bom estado em um dos pontos oficiais de arrecadação da campanha espalhados pelo estado.

Além da entrega de itens físicos, a campanha de 2026 também recebe doações financeiras por meio da chave Pix doacoesfussp@sp.gov. br.

Todo o valor arrecadado será destinado integralmente à compra de cobertores, ampliando a capacidade de atendimento da ação solidária.

ONDE ENTREGAR

A Campanha do Agasa-

lho conta neste ano com uma ampla rede de arrecadação em todas as regiões paulistas. Ao todo, são centenas de pontos de coleta distribuídos pelo estado, incluindo unidades físicas do Poupatempo e postos mantidos pelos Fundos Sociais Municipais. Na capital, também é possível doar na estação Estação Sé do metrô e em todas as 17 estações da Linha 7-Rubi da CPTM.

Outra opção é realizar a entrega diretamente no Centro de Distribuição do Fundo Social de São Paulo, responsável pela triagem e encaminhamento dos itens arrecadados. Os endereços completos dos postos de arrecadação podem ser consultados nos canais oficiais da campanha (https:// www.campanhadoagasalho. sp.gov.br/).

Divulgação

Visando aumentar a segurança na cidade, Prefeitura apresenta o SmartCop e lança o Smart Sampa Cidadão

Um helicóptero equipado com câmera de alta precisão e um aplicativo que permite à população verificar veículos roubados em tempo real

APrefeitura de São

Paulo dá mais um passo importante para a segurança com o lançamento de duas ferramentas significativas. Na última terça-feira, dia 23, o prefeito lançou o Smart Sampa Cidadão, aplicativo que permite à população colaborar na identificação de veículos roubados, furtados, clonados ou com outras restrições por meio da câmera do celular e apresentou o SmartCop, helicóptero equipado com nova plataforma de inteligência aérea integrada ao ecossistema do Smart Sampa. O evento aconteceu no Vale do Anhangabau.

APLICATIVO

O Smart Sampa Cidadão é uma ferramenta que amplia a atuação do Smart Sampa, maior sistema de videomonitoramento da América Latina, e incorpora os cidadãos à rede de inteligência que já auxilia diariamente as forças de segurança na capital. Gratuito e disponível para dispositivos Android e iOS, o aplicativo utiliza a mesma tecnologia de Leitura Automática de Placas (LPR) empregada pelas câmeras inteligentes do Smart Sampa. Após realizar cadastro e login, o usuário aponta a câmera do celular para a placa de um veículo e o sistema consulta automaticamente as bases de dados integradas.

Caso seja identificada alguma restrição, a ocorrência é encaminhada para análise da Central Smart Sampa. Após validação das equipes técnicas, alertas são emitidos para as forças de

segurança responsáveis pelo atendimento da ocorrência.

PROTEÇÃO DE DADOS

Embora exija cadastro para utilização, a participação ocorre de forma protegida. O usuário não recebe informações sobre a natureza da restrição identificada nem tem sua identidade exposta às equipes operacionais ou às pessoas envolvidas na ocorrência.

O lançamento fortalece uma estrutura que atualmente reúne 50 mil câmeras inteligentes distribuídas pela cidade, sendo 20 mil equipamentos próprios e 30 mil integrados de parceiros públicos e privados.

“O que estamos fazendo hoje é um marco para a história da segurança pública da cidade de São Paulo, do Estado e do Brasil. Estamos ampliando uma rede que já integra Prefeitura, Governo do Estado, Polícia Militar,

Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério Público e Tribunal de Justiça. Agora, a população também passa a fazer parte desse esforço coletivo de combate ao crime”, afirmou o prefeito Ricardo Nunes.

SMARTCOP

O SmartCop é um helicóptero equipado com nova plataforma de inteligência aérea integrada ao ecossistema do Smart Sampa: tecnologias de reconhecimento facial, leitura automática de placas a longas distâncias, sensores térmicos e transmissão de imagens em tempo real. O sistema conta com visão térmica e infravermelha para operações noturnas ou em condições adversas, além de recursos de realidade aumentada, georreferenciamento e tecnologia de padrão militar.

A ferramenta está em fase de Prova de Conceito (POC) e será utilizada em

apoio a ações de segurança pública, monitoramento ambiental, fiscalização de áreas de preservação, acompanhamento de grandes eventos, operações integradas e atendimento a ocorrências emergenciais.

COMBATE À CRIMINALIDADE

O prefeito Ricardo Nunes destacou que o SmartCop representa mais um avanço na estratégia de integração tecnológica adotada pela cidade no combate à criminalidade.

“A gente tem aqui uma tecnologia enorme que vai fazer com que a gente possa ter várias ferramentas de apoio à atividade policial. Leitura de placas, reconhecimento facial, detecção por calor, alcance a longas distâncias. É um nível tecnológico bastante avançado que vai ajudar a não deixar espaço para o crime”, afirmou. O sistema poderá operar durante o dia e à noite e conta com sensores capazes de identificar fontes de calor em áreas de mata ou locais de difícil acesso. O equipamento possui alcance de até 40 quilômetros em condições operacionais favoráveis e transmite as imagens diretamente para a Central de Monitoramento do Smart Sampa. Além do monitoramento preventivo, a plataforma poderá ser acionada para apoiar buscas por suspeitos, acompanhamento de ocorrências em andamento, operações conjuntas das forças de segurança e ações de fiscalização ambiental.

Integrada ao Smart Sampa, nova ferramenta poderá apoiar operações policiais, monitoramento ambiental, grandes eventos e situações de emergência

Divulgação
Divulgação
Na última terça-feira, dia 23, no Vale do Anhangabaú, a Prefeitura lançou o SmartCop e o Smart Sampa Cidadão

CURSO DE FÉRIAS

Conheça as dicas do Procon-SP antes de contratar

No caso de atividades infantojuvenis, consumidores devem ter a atenção redobrada

Desde aulas intensivas de conversação noutro idioma até introdução ao balé ou jazz. Com a chegada das férias de julho, aumenta a procura por cursos de curta duração. Se para crianças e adolescentes, essas atividades podem ser uma alternativa lúdica durante o recesso escolar; já para os adultos, representam uma oportunidade de ampliar conhecimentos, desenvolver novas competências e investir na qualificação profissional. Entre a variedade de cursos em artes, esportes, capacitação e especialização e oficinas recreativas, o Procon-SP ressalta que, antes de fazer a contratação, é fundamental ficar atento às orientações:

• 1 Verificar qual o conteúdo oferecido e se atende às expec-

tativas de quem irá participar;

• 2 Quais profissionais irão ministrar o curso e se há necessidade de comprar materiais ou equipamentos;

• 3 Checar quais as data de início e término do curso; locais e horários são aspectos que devem ser observados;

• 4 Recomenda-se ainda pesquisar preços e forma de pagamento. E, caso não conheça a instituição que oferece o curso, é importante procurar por informações seguras antes de contratar, checando com amigos e conhecidos e órgãos de defesa do consumidor, por exemplo. Visitar o site oficial e as avaliações feitas nas redes sociais também são alternativas para conhecer melhor a empresa. No caso das crianças ou adolescentes, os seus responsáveis devem ainda observar alguns aspectos específicos como a faixa etária a que se destina o curso; se

existe profissional especializado para ministrar as aulas e cuidar dos alunos; se o material a ser usado já está incluso ou deverá ser trazido pelos alunos, se é fornecida alimentação; e checar qual o tipo de atendimento médico caso ocorra algum acidente. Todas as informações e ofertas feitas pela empresa devem constar do contrato, que deve ser lido, assinado e entregue ao consumidor, pais ou responsáveis pelo menor de idade. Confira também demais dicas na cartilha do Procon-SP voltada a cursos livres em: https://www.procon.sp.gov. br/wp-content/uploads/2022/06/ CursosLivres-eleicoes2022.pdf Em caso de problemas ou descumprimento à oferta, o consumidor pode procurar o órgão de defesa do consumidor de sua cidade. O Procon-SP disponibiliza atendimento na plataforma www.procon.sp.gov.br

Divulgação

‘Elefante’ une drama e suspense para debater racismo, memória e apagamento social

Oque acontece quando o esquecimento é uma doença biológica para uns, mas um apagamento histórico e social imposto a outros? É essa a premissa de “Elefante”, espetáculo do Grupo de Pesquisas Entre Atlânticas, que inicia temporada gratuita com apresentações em São Paulo e Mairiporã.

Com dramaturgia e direção de Beatriz Nauali, a obra instaura um verdadeiro terror social cotidiano no palco para abordar o racismo, a complexa relação entre memória e esquecimento, e as dinâmicas do trabalho escravo muitas vezes disfarçado no ambiente doméstico brasileiro.

A narrativa se passa no aniversário de 70 anos de Célia, uma matriarca branca que sofre de Alzheimer e vive o abandono familiar. Ela recebe a visita ines-

perada do neto, que desconhecia sua condição, e do amigável vizinho Qayin. É nesse cenário de tensões familiares que a memória de Xhosa, uma mulher preta, paira no ar de maneira misteriosa. Enquanto a matriarca perde suas lembranças para a doença, a história da trabalhadora doméstica revela um apagamento diferente: a invisibilidade estrutural imposta àqueles que historicamente sustentam milhões de casas em nosso país.

SERVIÇO

Duração: 90 minutos. Classificação: 14 anos. Teatro Arthur Azevedo - Av. Paes de Barros, 955 – Mooca. De 2 a 5 de julho (quinta a sábado às 20h; domingo às 19h). Ingressos gratuitos disponíveis na plataforma Sympla ou retirada 1 hora antes na bilheteria do teatro

ENTREVISTA

Rodrigo Simas se diverte com a dinâmica de ‘A Nobreza do Amor’

Entre romance, aventura e reviravoltas, Rodrigo Simas vive uma das jornadas mais intensas em “A Nobreza do Amor”. O ator dá vida a Omar, um jovem turco que chega a Batanga para uma negociação ao lado do pai, mas tem o destino transformado ao se apaixonar pela Princesa Alika, papel de Duda Santos. Ao ajudá-la a fugir de um casamento arranjado, se envolve em uma série de acontecimentos que mudam completamente os rumos de sua história e despertam um sentimento de vingança após uma tragédia familiar. “Ao se apaixona por Alika, a trajetória dele muda. Ele quer ajudá-la a fugir do casamento armado, o que causa uma briga com o Jandal. E depois ele também quer vingar o pai”, explica.

Após o ferimento sofrido durante a fuga de Alika, Omar enfrenta um período de recuperação que marca uma nova fase para ele. Embora seja apresentado inicialmente como um jovem leal e de bom coração, o personagem acaba impactado pelos acontecimentos ao seu redor. “A partir dessa virada de chave na vida dele, os caminhos do personagem se abrem de muitas formas. Isso me encanta também como ator”, afirma.

P – Em “A Nobreza do Amor”, Omar tem sua trajetória transformada a partir do amor por Alika. Como essa paixão influencia a trama do personagem?

R – O amor por Alika faz Omar tomar decisões importantes, incluindo ajudá-la a fugir de um casamento arranjado. A partir daí, ele enfrenta consequências que provocam uma grande virada em sua história.

P – De onde partiu seu processo de composição para o Omar?

R – Eu gosto de partir muito do texto. Claro que o figurino, o cenário, a direção e a preparação ajudam bastante. Tudo isso contribui para encontrar a postura e a essência do personagem. Também criei algumas referências dentro da minha cabeça.

P – Quais?

R – Eu e a Duda brincamos que ele lembra o príncipe de “Enrolados”. Mas, no geral, procuro construir o personagem a partir do material da novela e das orientações da equipe.

P – Como foi o trabalho de construção da prosódia?

O ator chegou a morar nos Estados Unidos por nove anos

R – A decisão foi fazer uma prosódia mais neutra. Como a novela reúne personagens de diferentes lugares, entendemos que isso facilitaria a comunicação e ajudaria a contar a história.

P – Você estava de folga das novelas desde “Renascer”, que foi ao ar em 2024. O que chamou a sua atenção na atual produção das seis?

R – É uma novela que mistura fantasia

e realidade de uma forma muito bonita. Ela traz temas atuais e importantes, mas sem perder o encantamento e a liberdade poética que fazem parte da arte. É uma novela que traz referências importantes para a sociedade através da ficção.

P – Como assim?

R – Acho muito bonito o objetivo de transformar a Princesa Alika em uma referência de força, liberdade e representatividade para meninas pretas. Fazer parte dessa história me deixa muito honrado.

P – De que forma esse período longe das novelas contribuiu para seu crescimento artístico?

R – Acho que estou tendo uma volta muito gostosa. É um ambiente familiar para mim, mas também é bom voltar depois de ter feito teatro e séries. Isso dá uma bagagem interessante. Retornar às novelas sempre tem um sabor especial.

Projetos futuros

Com mais de uma década de trajetória na televisão, no cinema e no teatro, Rodrigo Simas construiu uma carreira marcada pela versatilidade. Atualmente no ar como Omar em “A Nobreza do Amor”, o ator segue ampliando seu repertório com personagens que transitam por diferentes universos e narrativas. Ao longo dos anos, Simas consolidou seu espaço no audiovisual brasileiro e passou a enxergar a profissão sob uma perspectiva cada vez mais alinhada aos seus interesses artísticos. Em vez de estabelecer metas ligadas a tipos específicos de papéis, o ator afirma que seu foco atual está na qualidade dos projetos e na possibilidade de fazer escolhas mais conscientes. Para ele, o momento representa um privilégio conquistado após anos de trabalho e dedicação. “Faltam muitos personagens. Eu acho que a busca agora é de bons personagens, de trabalhos que eu possa escolher, que é um privilégio poder escolher, poder falar: ‘isso eu quero fazer, isso eu não quero fazer’. Então acho que a busca é mais nesse lugar do que me atravessa como arte”, afirma.

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