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Gazeta da Zona Leste - 2000

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GAZETA DA ZONA LESTE

RECREIO NAS FÉRIAS

Inscrições abertas

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

DIVULGAÇÃO

Estão abertas as inscrições para mais uma edição do Recreio nas Férias. As inscrições devem ser realizadas presencialmente em todas as unidades da Rede Municipal de Ensino até o dia 1º de julho. > VEJA + PÁGINA 5

gazetavirtual.com.br

ENTREVISTA

Leticia Spiller se vê na batalhadora Janete de ‘Coração Acelerado’

Leticia Spiller admite que o convite para “Coração Acelerado” surgiu em um momento especial. Entre séries, cinema e teatro, a atriz vinha sendo frequentemente questionada sobre sua ausência nas novelas. “Foi bastante tempo mesmo”, reconhece ela. > VEJA + PÁGINA 7

DIVULGAÇÃO

FEIRA DA SAÚDE

Atendimento gratuito na Zona Leste

A Faculdade Santa Marcelina realiza, hoje, dia 30, das 8 às 13 horas, a Ação Social Voluntária | Feira de Saúde, iniciativa promovida pela Pastoral Universitária com foco em acolhimento, promoção da saúde e fortalecimento do compromisso social acadêmico. > VEJA + PÁGINA 3

editorialeditorial

A força que guarda o miolo

POR MARIA DE LOURDES

Como observadora da alma humana, percebo que a vida muitas vezes nos obriga a criar uma arquitetura de sobrevivência semelhante à de uma noz. Desenvolvemos uma casca rígida para suportar pressões externas, silenciamentos e as intempéries de uma realidade que exige das mulheres uma força desproporcional. Num cenário em que a violência contra a mulher ainda assusta, essa proteção emocional não é estética; é vital. O “endurecimento” nasce dos enfrentamentos diários, das pequenas e grandes lutas que moldam quem somos. Em um mundo que tenta limitar nossos passos, a resiliência torna-se pele. Muitas vezes confundem essa proteção com frieza, mas ela é fruto de uma sensibilidade que precisou virar coragem para não se quebrar. A casca é resposta ao medo e à necessidade de preservar a própria identidade. Ainda assim, a analogia da noz nos lembra: a casca não define o fruto; apenas o guarda. O risco está em nos confundirmos com a armadura e esquecermos que ela existe para proteger o que é vivo e potente dentro de nós. A violência tenta nos esvaziar, mas nossa natureza é regenerativa. A esperança surge quando reconhecemos que a proteção cumpriu seu papel e podemos romper limites. Mesmo em tempos áridos, vejo mulheres transformando dor em autonomia e luto em luta. A beleza feminina está nessa dialética entre resistência e delicadeza: endurecemos para sobreviver, mas guardamos força para florescer quando encontramos solo seguro.

Não estamos sozinhas nessa jornada de “quebrar cascas”. A união e o reconhecimento dessas batalhas silenciosas fortalecem nossa estrutura. Que possamos honrar nossa resiliência sem perder de vista a liberdade que existe além da barreira. A vida pode ser dura, mas a luz sempre encontra uma fresta para atravessar o que tenta nos fechar.

A ‘caneta da vez’ deve ser a consciência

Hoje, cerca de 20% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, e mais de 50% apresentam excesso de peso. Não se trata de uma questão estética, mas de uma doença crônica, complexa e multifatorial, associada a diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e vários tipos de câncer. Nesse cenário, as chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam destaque. Medicamentos como os análogos de GLP-1 e a tirzepatida atuam no controle do apetite, aumentam a saciedade e melhoram a resposta metabólica à glicose. São ferramentas modernas e eficazes, mas não são mágicas e nem indicadas para todos. Essas medicações têm critérios claros de indicação: geralmente para pessoas com IMC ≥ 30 kg/ m² ou ≥ 27 kg/m² associadas a comorbidades, sempre com avaliação médica. Usá-las apenas por motivação estética, sem acompanhamento, é um erro que pode custar caro. Náuseas, vômitos, desidratação e alterações metabólicas são efeitos possíveis. Mais grave ainda é o risco de medicamentos falsificados. Produtos sem controle de qualidade podem conter doses incorretas, contaminantes ou substâncias desconhecidas, levando a

reações alérgicas severas, infecções, hipoglicemia, coma e até risco de morte.

É fundamental reforçar: todo procedimento ou medicamento para perda de peso aumenta a chance de emagrecimento, mas nenhum garante a manutenção do peso a longo prazo. Nem mesmo a cirurgia bariátrica impede o reganho se não houver mudança consistente no estilo de vida. O tratamento da obesidade se sustenta em um tripé: atividade física regular (mínimo de 150 minutos por semana), acompanhamento nutricional individualizado e seguimento médico contínuo, com ou sem medicamentos ou cirurgia. Há ainda um pilar muitas vezes negligenciado: a saúde mental. Comer envolve emoções, rotina, estresse e relações. Sem cuidar da mente, qualquer intervenção tende a ser temporária.

No meu livro Mente e Movimento, abordo justamente essa conexão entre corpo, exaustão emocional e escolhas diárias. A obesidade não é falta de força de vontade; é um reflexo de múltiplos fatores biológicos, sociais e psicológicos. Informação de qualidade, acompanhamento responsável e mudança de mentalidade são caminhos mais seguros do que soluções rápidas.

Marcelo Rocha Nasser Hissa é médico endocrinologista, mestre e doutor em Cirurgia e autor do livro “Mente e Movimento”

DIREITOS HUMANOS

Acessibilidade não é marketing

Vamos imaginar uma cena comum: a copa moderna de uma empresa de ponta. O cheiro de café no ar, conversas sobre metas, pôsteres coloridos exaltando “diversidade” e selos de “great place to work” nas redes sociais. Tudo parece alinhado ao discurso da inclusão. Mas a realidade por trás da fachada é outra. Processos seletivos que, sob a máscara da meritocracia, mantêm barreiras invisíveis. Rampas que não levam a lugar algum, softwares inacessíveis. Essa é a inclusão performática: a que finge mudança, mas não altera estruturas.

A Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência foi um avanço, mas, décadas depois, ainda é tratada como obrigação burocrática, um item a ser marcado no RH. Poucos a entendem como o que é: um mínimo de dignidade e uma porta para inovação.

A pergunta não é se as cotas são preenchidas, mas como. Contratar alguém para subutilizá-lo, apenas para evitar multas, revela uma sociedade que simula justiça, mas evita praticá-la.

O debate precisa ir além dos números. A barreira real não está na deficiência, e sim no capacitismo que molda empresas, escolas e ci-

dades. É a cultura que valoriza um único modelo de produtividade e ignora a riqueza de corpos e mentes diversas.

Sob qualquer perspectiva — especialmente a econômica — exclusão é má estratégia. Ambientes diversos são mais criativos, resilientes e eficazes. Ignorar talentos por preconceito não é só antiético; é um erro de gestão.

Mas a questão vai além da utilidade. No centro está a dignidade: enxergar potência onde o preconceito vê falta. Entender que a experiência da pessoa com deficiência não é tragédia, mas perspectiva valiosa. Acessibilidade não é favor; é direito que viabiliza todos os outros.

Inclusão real não é checklist. É processo contínuo de escuta, adaptação e mudança cultural. Começa quando líderes removem barreiras que a própria organização criou, quando equipes aprendem novas formas de colaborar e quando pessoas com deficiência são contratadas, ouvidas, promovidas e reconhecidas em sua inteireza.

Precisamos ir além da planilha e abrir espaço para ideias diversas e talentos plenamente realizados. A verdadeira inclusão se mede na qualidade do encontro humano — é ali que um futuro mais justo começa a ser visto.

André Naves é defensor público federal

gazeta há 20 anos O QUE ERA NOTÍCIA EM 1 de junho de 2006

EDIÇÃONº 1004

ITAQUERA - Cidadania na terceira idade é discutida na Subprefeitura

Uma tarde de descontração. Assim pode ser definida a abertura do “Fórum do Idoso” em Itaquera, onde foram levantadas questões temáticas importantes para o dia-dia dos idosos. O tema da última reunião foi “Osteoporose e Diabetes”. O “O Fórum do Idoso” foi implantado em setembro de 2005 e existe em todas as regiões de São Paulo. O objetivo consiste em trazer oportunidades para garantir a cidadania através das discussões de propostas. Além disso,

visa interagir o idoso a atividades que possam desenvolver experiências junto à comunidade em que vive. Paralelos a esses encontros, também são realizadas pequenas oficinas com aulas de artesanato, ginástica, canto, costura e bijuterias. Os grupos conveniados que ao todo são sete recebem recursos para que continuem as atividades. Já os que não são conveniados se mantêm voluntariamente e com o atendimento semelhante aos outros (esses são chamados de grupos informais).

Jaime Braz Romano
Diretora de Redação: Antonia Cristina Romano
Revisão: Fabiana Nascimento
Mauro Tadeu Silva
Maria de Lourdes Rabelo Cruz, escritora, psicanalista e autora do livro Noz Mulheres

Feira da saúde terá atendimento gratuito

Evento organizado pela Pastoral Universitária prestará atendimentos gratuitos e ações solidárias para famílias assistidas pelo SASF Itaquera

AFaculdade Santa Marcelina realiza, hoje, dia 30, das 8 às 13 horas, a Ação Social Voluntária | Feira de Saúde, iniciativa promovida pela Pastoral Universitária com foco em acolhimento, promoção da saúde e fortalecimento do compromisso social acadêmico. A ação acontecerá de forma gratuita na Vila Carmosina e será voltada às famílias acompanhadas pelo Serviço de Assistência Social à Família e Proteção Social Básica no Domicílio (Sasf) Itaquera, com ações de fortalecimento de vínculos familiares, apoio comunitário e acompanhamento social. Atualmente, o SASF da região é administrado

pela Congregação das Irmãs de Santa Marcelina, parceira histórica da Pastoral Universitária da instituição.

Durante a programação, serão oferecidos atendimentos básicos de saúde realizados por alunos e professores dos cursos de Medicina, Enfermagem e Nutrição, com apoio de nove ligas acadêmicas da instituição. Entre os serviços disponíveis estarão aferição de pressão arterial, exames de glicemia, verificação de peso, orientações sobre alimentação saudável e ações educativas em saúde. Caso necessário, médicos presentes no local poderão realizar encaminhamentos para atendimento especializado.

Entre as iniciativas previstas estão a distribuição de aproximadamente 100 ces-

tas básicas, entrega de cerca de 150 kits infantis com brinquedos e doces, doação de roupa, especialmente peças de inverno e a realização de um lanche comunitário preparado por cerca de 40 jovens voluntários da Pastoral Universitária.

A programação também contará com atividades recreativas para crianças e ações educativas voltadas à conscientização em saúde.

O atendimento será destinado exclusivamente às famílias acompanhadas pelo Sasf Itaquera, que já estão realizando agendamento prévio junto ao serviço social. Atualmente, o projeto atende aproximadamente mil famílias da região.

A ação acontecerá na Rua Rio do Oeste, 110, Vila Carmosina.

Divulgação

Inscrições abertas

Inscrição automática para alunos concluintes do Ensino Médio da rede pública é novidade deste ano

SICREDI EM EXPANSÃO

Sicredi expande soluções de câmbio e comércio exterior

Soluções completas e personalizadas para as operações de câmbio da empresa

DA REDAÇÃO

OSicredi ampliou o portfólio de câmbio e comércio exterior com soluções integradas à conta pessoa jurídica e apoio especializado. A instituição financeira cooperativa oferece financiamento à importação (FINIMP), com prazos alinhados ao ciclo financeiro e opção para gastos locais, que financia a nacionalização por até 360 dias. Para exportadores, disponibiliza ACC e ACE, que antecipam recursos antes e depois do embarque, garantindo

liquidez. O portfólio inclui câmbio pronto, para liquidações imediatas, e câmbio futuro, que permite travar a cotação e proteger a operação da volatilidade.

Também oferece remessas internacionais

Oprazo para estudantes de todo o País se inscreverem para a edição 2026 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começou na última segunda-feira, dia 25, e segue até o dia 5 de junho, pelo site do Enem. A taxa de inscrição é R$ 85,00. A aplicação das provas está programada para os dias 8 e 15 de novembro. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o número de locais de prova será ampliado para cerca de 10 mil em todo o país, com 80% dos alunos da rede pública fazendo as provas na própria escola em que estudam.

Uma das novidades

deste ano prevê que os alunos concluintes do Ensino Médio da rede pública terão inscrição automática no exame. Os estudantes do 3º ano serão inscritos a partir de dados encaminhados pelas redes de ensino. Com essas medidas, o Ministério da Educação (MEC) espera, pelo menos, que 70% dos concluintes das escolas públicas participem do Enem em 2026, consolidando o exame como parte importante da avaliação da educação básica. O aluno terá apenas que confirmar a participação no exame e escolher o idioma da prova de língua estrangeira que deseja fazer, informar o município onde quer fazer a prova, além de solicitar recursos

de acessibilidade, se necessário. O MEC informou que estuda apoio de transporte e deslocamento para aqueles estudantes que precisarem fazer o exame em outras cidades.

O Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. A prova é considerada a principal forma de entrada na educação superior, por meio de programas federais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados destas provas para selecionar estudantes.

para pagamentos e transferências ao exterior, com suporte regulatório. As soluções são conduzidas por especialistas em câmbio, que estruturam as operações com mais segurança e previsibilidade.

Divulgação
Agência Sicredi da Avenida Paulista

Programa para crianças e adolescentes de 0 a 14 anos

Neste ano, a expectativa é atender mais de 50 mil participantes, ampliando o acesso ao lazer e fortalecendo a convivência durante as férias escolares

Estão abertas as inscrições para mais uma edição do Recreio nas Férias, programa gratuito da Prefeitura de São Paulo que oferece atividades de cultura, esporte, lazer e recreação para bebês, crianças e adolescentes de 0 a 14 anos durante o período de recesso escolar.

As inscrições devem ser realizadas presencialmente em todas as unidades da Rede Municipal de Ensino até o dia 1º de julho. Após essa data, as vagas remanescentes estarão disponíveis apenas nos polos dos Centros Educacionais Unificados (CEUs). Para se inscrever, é necessário apresentar RG do responsável, RG ou certidão de nascimen-

to do participante e comprovante de residência. As atividades acontecem entre os dias 13 e 17 de julho, em 133 polos distribuídos por toda a cidade, sendo 63 deles em CEUs. Bebês de até 3 anos serão atendidos nos Centros de Educação Infantil (CEIs), das 7h às 17h, com cinco refeições diárias. Já as crianças a partir de 4 anos participam das atividades das 8h30 às 16h30, com oferta de café da manhã, almoço e lanche da tarde. Nessa faixa etária, também podem se inscrever crianças que não estão matriculadas na rede municipal.

CAMINHOS DO BRINCAR

Nesta 48ª edição, o programa tem como tema “Caminhos do Brincar: Entre

Trilhas, Ritmos e Descobertas” e contará com uma programação diversificada, incluindo atividades culturais, esportivas e recreativas, além de passeios a museus, teatros, cinemas, parques e outros espaços da cidade. A expectativa é atender mais de 50 mil participantes, ampliando o acesso ao lazer e fortalecendo a convivência durante as férias escolares. O programa também garante alimentação adequada, com cardápios elaborados por nutricionistas. Na edição mais recente, realizada em janeiro, o Recreio nas Férias registrou mais de 52 mil inscritos, com a oferta de mais de 1,5 milhão de refeições e cerca de 1.500 passeios em equipamentos culturais e espaços públicos da cidade.

Divulgação

TEATRO

‘Crime

e

Castigo’ 11:45 estreia em junho no Sesc Ipiranga

Cime e Castigo 11:45 surge do encontro da atriz Liliane Rovaris com o clássico absoluto do autor russo Fiódor Dostoiévksi (1821-1881). Apesar de já conhecer a obra, a atriz embarcou na releitura, durante o período de luto pela perda de seus pais, motivada intuitivamente por um sentimento de solidão e uma possibilidade de recomeço, ações que encontram eco na trajetória de Raskólnikov, o protagonista do romance.

Assim, tendo como princípio aproximar o livro do público de forma descomplicada, acolhedora e inclusive, bem humorada, à medida em que Liliane conta a história criada pelo genial autor russo, traça paralelos com histórias sobre seus pais, tornando a ideia do luto um tipo de celebração da vida.

Dostoiévski conduz seus personagens com um sentimento de compaixão, mostrando suas con-

A atriz mescla Crime e Castigo com a história de seus pais, fazendo

um tipo de celebração da vida

tradições sem jamais julgá-los ou encerrá-los em uma definição.

Dostoiévski narra a história de Raskólnikov, um jovem estudante que comete um duplo assassinato e é perseguido por sua própria consciência até que conhece uma prostituta, Sônia, única pessoa para quem consegue contar sobre o crime cometido.

É essa trajetória que a artista narra e encena em paralelo com suas próprias memórias, incluindo uma experiência que envolve o ídolo da música, David Bowie, cujas músicas atravessam o solo. Serviço

Temporada: 9 de junho a 9 de julho, às quintas e sextas, às 21h30; aos sábados, às 19h30; e aos domingos e feriados, às 18h30.

Sesc Ipiranga – Auditório –Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga Ingressos: disponíveis no portal. Classificação: 14 anos Duração: 70 minutos.

ENTREVISTA

Leticia Spiller se vê na batalhadora Janete de ‘Coração Acelerado’

Depois de sete anos afastada das novelas, Leticia Spiller encontrou em Janete um retorno que considera à altura do reencontro com a televisão diária. Em “Coração Acelerado”, novela das 19h da Globo, a atriz vive uma mulher marcada pela violência machista, afastada da própria família e determinada a proteger a filha dos traumas que viveu no passado. “Eu fiquei encantada com a história da Janete, uma heroína cheia de nuances”, afirma Leticia, que vê na personagem uma figura feminina marcada por força e vulnerabilidade. “É um prato cheio para qualquer atriz, um desafio para mim”, completa.

Mãe do também ator Pedro Novaes, de 29 anos, e de Stella, que completou 15 anos em janeiro, Leticia admite que o tema da proteção feminina atravessa sua vida pessoal e fortalece a conexão com Janete. Na trama, a personagem tenta impedir que Agrado, interpretada por Isadora Cruz, enfrente dores parecidas com as suas. “Minha filha agora é a minha maior preocupação nesse sentido. Vemos tanta coisa acontecendo que a gente fica apavorada. Qual é o equilíbrio que a gente precisa ter entre o soltar e o proteger? Educar é a função mais difícil da vida”, reflete a atriz, que também vê na novela uma oportunidade de discutir violência simbólica e machismo estrutural. “Nossa sociedade ainda é muito machista. Não basta ser feminista, tem de ser antimachista”, defende.

P – Como surgiu o convite para “Coração Acelerado”?

R – Quem me chamou foi o Carlinhos e a Dani Pereira, que é a produtora de elenco. Eles entraram em contato comigo primeiro.

P – O que mais chamou sua atenção nessa história?

R – Eu fiquei encantada com a história da Janete. Carlinhos disse para mim que ela era o pássaro de fogo da história, uma heroína cheia de nuances. E ela é realmente uma heroína que vai do riso ao choro, do drama à alegria. É um prato cheio para qualquer atriz, um desafio para mim. Eu gosto de coisas que me desafiem e nas quais eu possa dar o meu potencial máximo como atriz. P – Você fala da Janete com muito orgulho. Por quê?

R – Eu estou muito feliz de estar vivendo uma heroína tão complexa quanto a Janete. Ela não é uma heroína simples, comum, ela é uma heroína com muita vulnerabilidade, tem muitas coisas com as quais ela precisa se reencontrar e se de-

parar. Ela tem de encarar muitas verdades escondidas nesse percurso e que atrapalham o crescimento, a evolução dela em relação à filha e a todas as pessoas com quem ela se relaciona. Então, tem muita fragilidade aí. Mas muita força também, que veio através dessa vulnerabilidade.

P – E quais são seus maiores desafios?

R – Janete é muito complexa. Tenho de fazer um exercício de atenção muito grande, porque não quero que ela fique uma

heroína melosa. E, às vezes, a gente tende, por causa da nossa própria personalidade, a entrar nesse lugar. Então, meu exercício de atenção é dobrado tanto na maneira de falar, de se portar, de pensar, de tudo. Em tudo ela é diferente de mim, exceto pelo lado maternal superprotetor, porque aí eu também tenho. E sei que é difícil a gente não ter no mundo que a gente vive.

P – Você esperava essa experiência musical na tevê de novo?

R – Quando Carlinhos me falou que tinha de cantar, eu já fiquei enlouquecida! Eu adoro, já é a terceira novela musical que eu faço. Estive em “Joia Rara”, em “Sol Nascente” e, agora, nesta. A Lenita, de “Sol Nascente”, tinha um bar e cantava rock’n’roll. Agora é sertanejo, um outro universo. “Joia Rara” era anos 1930, então, imagina, era um tipo totalmente diferente de música! E eu gosto muito de atuar no teatro musical também. Usar essa ferramenta do canto, para mim, é um prazer muito grande. Tenho parcerias musicais com meus amigos, com meu ex-companheiro também, que é violonista flamenco, e é muito bom estar colocando isso em prática na novela também.

P – “Coração Acelerado” fala muito de força feminina. Como você explora isso em cena? Afinal, a Janete é uma personagem com um histórico de enfrentamento ao machismo.

R – É muito bacana a gente falar sobre isso nesta novela. Sobre esse protagonismo feminino, essa força feminina ascendente. Eu acredito que o feminino é ascendente, ele é para cima, é uma força evolutiva. Então, é importante a gente abordar esse tema. Nossa sociedade ainda é muito machista. Não basta ser feminista, tem de ser antimachista. Assim como no racismo, também não basta não ser racista, a gente tem de ser antirracista. A gente tem de desconstruir esse machismo que está incrustado na nossa sociedade. São pequenos atos, coisas sutis que a gente nem percebe. Às vezes, é uma expressão, uma piadinha, um gesto inoportuno, são coisas que agridem sem agredir, sutilmente. E a gente cresceu normalizando isso. Agora, a gente fica muito mais ligada no que é intolerável. E tem várias mensagens sobre isso ali. De uma forma leve, porque novela das sete aborda assim, mas não deixa de ser sério.

P – “Coração Acelerado” se passa em Goiás. Como era a sua relação como estado antes da novela?

R – Eu tenho uma influência de Goiás desde muito tempo na vida. Tenho grandes amigos goianos, um especialmente há mais de 30 anos. E estou sempre em contato com essa cultura através deles. Tanto que a prosódia para mim é muito fácil por conta deles, dessa escuta de tantos anos. Tenho inclusive projetos com esse amigo que tenho há mais de 30 anos, o Paulo Vespúcio Garcia, que é um excelente ator e diretor, uma cabeça pensante e criativa.

Leticia fez teatro amador ainda na fase escolar

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