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Gazeta da Zona Leste - 1997

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GAZETA DA ZONA LESTE

nº 1.997 SÃO PAULO, 9 DE MAIO DE 2026

MAIO AMARELO

trânsito mais seguro

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

DIVULGAÇÃO

A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans reforçam o compromisso com a segurança no transporte por meio de uma programação especial dedicada ao Maio Amarelo. > VEJA + PÁGINA 3

ENTREVISTA

Thomás Aquino vive fase intensa na tevê com duas produções

Thomás Aquino vive um momento raro na carreira. Em “Coração Acelerado”, novela das 19h da Globo, interpreta o empresário musical Ronei, figura estratégica e manipuladora no universo sertanejo. Já em “Guerreiros do Sol”, que chegou agora à grade da emissora após exibição no Globoplay Novelas e no streaming, o ator assume o protagonismo como Josué, líder cangaceiro movido por amor e vingança. > VEJA + PÁGINA 7

Capacitação e experiências

Em comemoração ao mês do trabalhador, o programa Sampa+Rural preparou uma programação especial com ações de capacitação e conexão com agricultores e entusiastas do tema. > VEJA + PÁGINA 5

27/06 - BATE E VOLTA 27/06 - BATE E VOLTA

PARCELADO: PARCELADO: 4 X R$ 114,00 R$ 114,00 4 X

CARTÃO DE CRÉDITO OU CHEQUE

A herança colonial que trava o Brasil

POR THAÍS VIEIRA DE SOUZA

Atrajetória das nações é frequentemente moldada pelo conflito entre a realidade objetiva dos fatos e as narrativas construídas pelo poder. No Brasil, uma dessas dinâmicas reside na “Política de Segredo”. A estratégia robusta de Portugal em controlar a informação garantia sua exclusividade nas navegações. Esse controle foi reforçado após a descoberta do Brasil e da tal engenhoca de Gutenberg, que possibilitaria a “rápida” disseminação do conhecimento. Logo, a metrópole tratou de proibir oficinas tipográficas e vetou a alfabetização de sua preciosa colônia.

Enquanto a Espanha permitia gráficas no Peru e, posteriormente, universidades em suas colônias, Portugal ergueu uma barreira intelectual como ferramenta de controle, impedindo que a população tomasse consciência de sua própria força social e econômica. A barreira arrastou o atraso educacional por séculos. Em 1800, a alfabetização por aqui mal atingia 2%, enquanto nos EUA a taxa masculina já era de 70%. A verdade é que a cultura forma uma base tão sólida que seus ecos ressoam ao longo dos séculos. A ignorância estrutural, instituída no início da nossa história, exerce influência até hoje e, tal como uma maldição, torna o povo presa fácil do populismo, dada a baixa capacidade de avaliar o custo real de medidas sedutoras dos governantes. Historicamente, essas decisões levaram ao empobrecimento do país. O Brasil é endemicamente imediatista, comportamento que resulta em má alocação de recursos públicos. Por exemplo, o descontrole das contas e a baixa produtividade são “irmãos siameses da inflação”. Dizer que o Brasil foi programado para a ignorância é mais que atrevimento, é uma tentativa desesperada de livrar uma nação da inércia com a força de um chute do canhoto do Roberto Carlos em 3 de junho de 1997.

COMPORTAMENTO

Amor de mãe cura tudo?

Amor de mãe cura tudo. Essa é uma das frases mais repetidas — e raramente questionada. A crença de que o amor materno, por si só, é suficiente, é uma das maiores injustiças dentro da já complexa relação entre mãe e filha. A partir daí, a mãe precisa ser tudo. Forte o tempo todo. Segura. Sem falhas. Sem dores. Sem dúvidas. Precisa dar conta, proteger, resolver... sempre. E a filha?

Precisa ser grata. Compreensiva. Resiliente. Precisa entender, aceitar, perdoar.

Relações idealizadas são carregadas de culpa, peso e expectativas inatingíveis. O problema começa quando essa idealização sufoca a realidade. É preciso aceitar que nem todo amor acolhe. Nem toda presença é presente — há quem esteja ao lado sem nunca ter chegado perto. Há relações marcadas por controle disfarçado de preocupação, por silêncios que punem mais do que gritos e por uma ausência emocional que não vem necessariamente da falta de amor, mas da forma como ele se manifesta.

É nesse espaço que se formam inseguranças profundas. Pessoas que aprendem a se ajustar, a se diminuir, a se moldar, implorando para serem vistas e que, sem perceber, seguem em busca de validação no amor, no trabalho e nas relações.

Parece errado admitir que o amor também pode ferir. Mas pode. E reconhecer isso não é ingratidão e nem diminui o amor, só o torna mais leve e possível. Porque, no fim, se o amor de mãe nem sempre cura tudo, é a humanização que começa a curar a dor que nasce dele. Humanizar é reconhecer que, às vezes, quem feriu também estava ferida — e que por trás da mãe existe uma mulher real, com limites, medos e inseguranças. Mães que controlam, cobram ou silenciam, carregam histórias que não foram cuidadas. São mulheres que também não foram acolhidas, que tiveram que aprender a dar o que nunca receberam por inteiro.

Quando a idealização morre, a relação nasce. No fim, não é sobre culpar nem absolver. É sobre enxergar. Enxergar que nem todo amor soube amar do jeito que se precisava ou se esperava. E, sim, isso dói e marca — mas não precisa aprisionar.

Chega um ponto em que a história deixa de ser sobre o que faltou e passa a ser sobre o que se escolhe fazer com isso.

É essa escolha que rompe o ciclo e permite parar de buscar fora o que só pode ser construído dentro. É quando já não se espera mais ser visto — porque, aos poucos, se aprende a se enxergar.

Fernanda Salerno é professora e autora de “O Amor Que a Dor Pariu”

DESENVOLVIMENTO PESSOAL

O poder de começar pequeno

POR

Há dias que marcam a vida. Para mim, esse dia foi 24 de dezembro de 2018. Enquanto o mundo vibrava com o brilho do Natal, eu encarava o espelho interno que evitara por anos. A pergunta que rondava minha mente era direta, quase crua: que pai gostaria ser para meus gêmeos, Joaquim e Samuel, estando mergulhado na responsabilização do externo, em ressentimentos e nos fantasmas dos traumas do passado? Sabia que não podia continuar sendo o mesmo homem que colecionava promessas vazias. Precisava fazer algo, qualquer coisa. E a verdade é que, quando tudo parece demais, o simples se torna o único caminho possível.

Foi então que as perguntas, as ferramentas silenciosas da consciência, começaram a cutucar meus medos. Pensei comigo, o que eu posso fazer, com o que eu tenho aqui, agora? A resposta não veio em forma de um plano grandioso. Olhando para a mesa de jantar, tomei uma decisão que parecia simples, mas na realidade, lá na frente, mudaria tudo: eu deixaria de tomar o refrigerante que mais gostava por 30 dias.

Parece pouco? Para alguns, talvez. Para mim, era como mover uma montanha. Não pelo refrige-

gazeta

há

20 anos

rante em si, mas pelo que ele representava: costume automático, afeto infantil, fuga rápida, anestesia. Nos dias seguintes, comecei a perceber que me sentia menos inchado e mais disposto. Surpreendentemente, mexendo em um hábito, outros começaram a se rearrumar. Foi aí que entendi o padrão. E padrões, quando reconhecidos, deixam de ser prisão e viram mapa. Comecei pequeno, mudando um hábito. Depois, abandonei o açúcar como um todo, passei a tomar banhos gelados pra despertar o corpo, a ler mais pela manhã, a meditar, a escrever em um diário... Um fio puxa o outro, até que percebi que estava tecendo uma vida nova.

Enquanto eu mudava, o mundo ao redor reagia, com algumas pessoas apoiando, outras debochando, outras tentando me puxar de volta para o “normal” que sempre me fez mal. A verdade é que crescer incomoda quem está parado. No fim, percebi que toda grande transformação, aquela que resgata, que fortalece, que devolve o brilho, nasce de um gesto quase imperceptível. E talvez outras pessoas estejam agora exatamente no ponto onde eu estive naquele Natal. Para elas, ou para você que me lê agora, faço a pergunta que mudou a minha vida: qual decisão simples você pode tomar agora e que lá na frente pode mudar tudo?

Marcelo do Rego é pai de gêmeos, maratonista, empreendedor e palestrante

O QUE ERA NOTÍCIA EM 14 de maio de 2006

EDIÇÃONº 1001

METRÔ

Estação Chácara Klabin é inaugurada

Ogovernador Cláudio Lembo entregou na terça-feira, dia 9, a estação Chácara Klabin da Linha 2-Verde do Metrô. Ela vai funcionar no horário comercial padrão das demais estações metroviárias, das 4h40 à meia-noite, já com o bilhete único integra do em vigor. A estação Chácara Klabin é a 54 do Metro e faz parte do novo trecho, com três quilômetros de extensão, que vai da Linha 2-Verde, entre as

estações Ana Rosa e Imigrantes. A previsão é de que com a operação comercial das duas estações (Imigrantes e Chácara Klabin), haja 40 mil novos usuários no sistema metroviário. Implantada na Rua Vergueiro e parte em área desapropriada em frente ao Liceu Pasteur, a estação conta com dois acessos (um de cada lado do viário), uma bilheteria, oito bloqueios, sete escadas fixas, seis escadas-rolantes e três elevadores especiais para pessoas portadoras de deficiência física.

Revisão: Fabiana Nascimento
Mauro Tadeu Silva
Thaís Vieira de Souza é autora de “A maldição da mandioca”

SMT e SPTrans iniciam programação especial do Maio Amarelo

Terminais e ônibus da capital recebem intervenções lúdicas, orientações aos passageiros e campanhas focadas na empatia e segurança no transporte

ASecretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans reforçam o compromisso com a segurança no transporte por meio de uma programação especial dedicada ao Maio Amarelo. A participação da gestão no movimento internacional, que se tornou o período de referência para o reforço das ações e do compromisso para tornar o trânsito cada vez mais seguro, contará com diversas ações de conscientização. O tema da campanha é “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”. O Maio Amarelo, símbolo de alerta e advertência sobre os cuidados essenciais para um trânsito seguro, atua como um

convite à reflexão sobre a responsabilidade compartilhada por todos na construção de um transporte mais seguro.

A campanha de 2026 em São Paulo reforça o compromisso da administração municipal com a empatia e a educação voltada à mobilidade urbana.

O cronograma da SMT e da SPTrans para o Maio Amarelo 2026 reúne intervenções lúdicas com personagens nos terminais, alertas visuais na frota de ônibus municipal e promove dinâmicas de empatia entre ciclistas e motoristas para a identificação de pontos cegos. Além disso, as ações contemplam o transporte escolar, taxistas e o Aquático-SP.

Os terminais de ônibus de São Paulo receberão ações de prevenção de acidentes durante o Maio Amarelo, com foco nos

perigos da distração, travessia segura e atenção redobrada a crianças em áreas de grande circulação. Uma das iniciativas destaque é a dinâmica “Inversão de Papéis”, em que motoristas de ônibus vivenciam os desafios do ciclismo urbano e ciclistas conhecem na prática os pontos cegos dos coletivos, promovendo empatia entre os diferentes usuários das vias. A SMT e a SPTrans também levarão orientações a pontos de táxi e portas de escolas, com atenção especial às vans escolares e ao uso do cinto de segurança. Para ampliar o alcance das mensagens, toda a frota de ônibus municipal será adesivada com o selo do Maio Amarelo, circulando pelas regiões da capital como lembrete visual constante sobre a importância do transporte seguro.

Divulgação

Livros que aproximam famílias em todas as fases da maternidade

ODia das Mães é mais do que uma data comemorativa: é uma oportunidade de reconhecer a complexidade, a entrega e as transformações que atravessam a maternidade em todas as suas fases. Entre desafios cotidianos, descobertas e vínculos em constante construção, muitas mães buscam caminhos para se sentirem mais seguras, acolhidas e conectadas com seus filhos e também com seus parceiros nessa jornada. Nesse contexto, os livros se tornam aliados poderosos. Seja para compreender melhor o universo emocional das crianças e adolescentes, seja para dividir responsabilidades dentro de casa ou simplesmente encontrar acolhimento nas próprias inseguranças, a leitura

pode abrir espaço para diálogos mais saudáveis e relações mais conscientes. Pensando nisso, reunimos quatro obras que atravessam diferentes momentos da parentalidade do nascimento à adolescência e que oferecem ferramentas práticas, reflexões importantes e, principalmente, incentivo à construção de vínculos mais fortes e empáticos.

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA PARA PAIS DE ADOLESCENTES

A adolescência pode parecer um território desafiador, marcado por silêncios e conflitos, mas também é uma fase essencial para fortalecer vínculos. Nesta obra, a educadora parental Claudia Alaminos propõe um olhar mais consciente sobre esse período, ajudando mães a compreenderem as transformações emocionais e cognitivas dos filhos. Com exemplos

práticos e linguagem acessível, o livro orienta sobre como estabelecer diálogo, criar limites saudáveis e manter a conexão mesmo diante das dificuldades. (Autoria: Claudia Alaminos | Editora: Edipro)

EU MUNDO É UMA BOLA

A partir de uma partida de futebol, a obra revela o universo emocional de crianças que lidam com ansiedade, pressão e pertencimento. Com sensibilidade, a história mostra como o apoio familiar especialmente o olhar atento das mães é essencial para o desenvolvimento emocional dos filhos. Ao abordar temas como amizade, respeito às diferenças e autoestima, o livro se torna um convite para que mães se aproximem ainda mais do mundo interno das crianças. (Autoria: Liliane Mesquita e Regiane Alves | Editora: Ciranda Cultural)

Divulgação
Obras que vão da primeira infância à adolescência para presentear, acolher e transformar a relação entre mães, filhos e toda a família

E EXPERIÊNCIAS

Programa Sampa+Rural promove ações

As atividades são gratuitas mediante agendamento por meio da plataforma Sampa+Rural

Em comemoração ao mês do trabalhador, o programa Sampa+Rural, iniciativa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET) da Prefeitura de São Paulo, preparou uma programação especial com ações de capacitação e conexão com agricultores e entusiastas do tema. As atividades são diversas, oferecendo desde visitações guiadas até mutirões de capacitação.

A primeira atividade será no novo Cate Central em 11 de maio. A atividade será o início da trilha de capacitação empreendedora, uma iniciativa realizada em parceria com o SEBRAE que busca desenvolver habilidades gerenciais e preparar os participantes para a comercialização de seus pro-

dutos e serviços. O objetivo é compartilhar com os participantes técnicas de profissionalização de negócio, vendas e gestão financeira.

HORTA DA CIDADE

A mesma ação será realizada em diversos espaços e regiões da Capital, como a CAE Leste, no dia 13 de maio, CAE Sul, no dia 15. A participação é gratuita, mais informações, acesse a plataforma Sampa+Rural. Em 19 de maio, o programa Sampa+Rural realizará uma capacitação em boas práticas de pós-colheita, cujo objetivo é melhor atender o mercado consumidor. A atividade será voltada aos técnicos e agentes do POT da Prefeitura de São Paulo, e em breve será aberta novas turmas para o público geral. A Horta da Cidade, localizada na Câmara Municipal de São Paulo, estará aberta

para visitação de interessados em conhecer um pouco sobre o cultivo da agricultura urbana. O local conta com diferentes frutos, temperos, tubérculos, hortaliças, ervas medicinais e folhosas diversas, sendo uma oportunidade de sensibilização e vivências para todas as idades. Uma alternativa de sensibilização e experiências com a agricultura são as Estufas Escolas gerenciadas pela Prefeitura de São Paulo. São 6 unidades espalhadas por toda a cidade que oferecem uma imersão aos visitantes sobre cultivo, manejo e gerenciamento de espaços produtivos. A visitação dos espaços é totalmente gratuita, no entanto, é necessário agendar previamente na plataforma Sampa+Rural: sampamaisrural.prefeitura.sp.gov.br

Divulgação

Universo feminino entra em pauta no espetáculo ‘Elas São de Matar’

Abordando o universo feminino, com temas como etarismo, sexualidade, autoestima, menopausa, relacionamentos amorosos e amizade de forma leve, provocadora e extremamente atual, “Elas São de Matar” fica no Teatro Fernando Torres até dia 28 de maio, sempre às quintas. Em seguida, o espetáculo engata temporada no Teatro da Mooca, de 4 a 27 de junho (exceto no dia 13).

O espetáculo conta com um elenco de peso formado por grandes atrizes: Nany People, Angela Dippe, Michele Muniz, Carolina Stofella e Laura Proença.

Com texto e direção de Dan Rosseto, a montagem inédita apresenta uma narrativa dinâmica, envolvente e repleta de

reviravoltas, onde o riso surge tanto do absurdo quanto do reconhecimento.

A trama acompanha um grupo de amigas inseparáveis que se reúnem toda semana para conversar, celebrar a vida e jogar bingo. Ali, elas não são mães, filhas ou esposas. Ao lado das amigas, elas podem ser elas mesmas, sem máscaras. Inteiras.

Serviço

Teatro Fernando Torres - rua Padre Estevão Pernet, 588 - Tatuapé, São Paulo Ingressos: R$100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada).

Venda online em Sympla e Sampa Ingressos.

Bilheteria: De quarta a domingo, das 14h às 19h. Em dias de espetáculo, a bilheteria funciona até o início do espetáculo.

Peça é estrelada pelas atrizes Nany People, Angela Dippe, Michele Muniz, Carolina Stofella e Laura Proença

ENTREVISTA

Thomás Aquino vive fase intensa na tevê com duas produções

No ar simultaneamente em duas produções inéditas na televisão aberta, Thomás Aquino vive um momento raro na carreira. Em “Coração Acelerado”, novela das 19h da Globo, interpreta o empresário musical Ronei, figura estratégica e manipuladora no universo sertanejo. Já em “Guerreiros do Sol”, que chegou agora à grade da emissora após exibição no Globoplay Novelas e no streaming, o ator assume o protagonismo como Josué, líder cangaceiro movido por amor e vingança. “Estou feliz, acho que ‘Guerreiros’ era para ter entrado até antes na tevê aberta. E foi uma novela muito bonita e boa de fazer”, afirma.

A convivência entre os dois trabalhos também reforça uma parceria já consolidada com Isadora Cruz, com quem divide cenas nas duas produções. Se no épico nordestino eles formam um casal central, na trama das sete, ocupam lados opostos de um conflito. “É muito bom a gente se ver em outros lugares e o público ver a gente em outros lugares, percebendo o quanto a gente sabe fazer o casal que a gente fez lá, com o Josué e a Rosa, e o quanto a gente sabe fazer a rixa de hoje”, avalia. No caso de “Coração Acelerado”, Ronei surge como uma peça-chave no showbusiness retratado pela trama criada e escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento – ou seja, capaz de impulsionar carreiras e, em contrapartida, de controlar destinos. Ao longo da história, o personagem se envolve em disputas profissionais, estratégias de mercado e relações pessoais marcadas por interesse e obsessão. Inclusive na ligação com a vilã Zilá, vivida por Leandra Leal. “Rapaz, eu acho que ele é um cara muito ambicioso”, define o ator, que mergulha no sertão das décadas de 1920 e 1930 para dar vida ao herói de “Guerreiros do Sol”, e uma narrativa que mistura romance, violência e questões históricas brasileiras.

P – Como está o seu pensamento sobre o seu personagem? Você já disse que não sabia se ele era vilão ou mocinho...

R – Rapaz, eu acho que ele é um cara muito ambicioso. Eu, Thomás, sou ambicioso, só que a minha ambição tem um limite ético e eu acho que o Ronei, não. Ele vai fazer de tudo, inclusive mutretas e falcatruas, para conseguir o que quer. Só que eu acho que ele vai descobrir que tem um coração grande, vai se perdoar no futuro e entender que está passando de cer-

Thomás Aquino chega a uma fase de maior visibilidade nacional após um percurso marcado por persistência e trabalhos consistentes

tos limites. Bom, eu espero, né? Eu estou querendo defender o meu personagem.

P – Ele é doido na Zilá. Como está sendo a repercussão dessa relação?

R – Zilá é uma personagem muito marcante na vida dele. E ele não é apaixonado por interesse, ele realmente ama muito essa mulher. Viu em Zilá uma parceria, uma mulher inteligente, linda e maravilhosa, que também tem ambição e que mete esse jogo gostoso com ele. Ele está lutando, fazendo de tudo para ficar junto com ela.

P – Ronei ainda é um personagem hipocondríaco, o que rendeu cenas bem engraçadas...

R – Olha, eu estou amando fazer um personagem hipocondríaco! E isso é uma realidade, a do hipocondríaco! É um medo

mesmo, você tem de tomar remédio para se defender, talvez, do seu mental. Mas o que é a saúde mental? A gente tem esses medos e eu vejo que o Ronei, ele tem um momento da novela em que vai conversar com uma raizeira, uma pessoa que tem uma grande experiência e que trabalha com ervas e coisas naturais. Ela é calma, tem a paciência e, nossa, ele vira outro cara! Ele esquece de tomar os remédios, não tem mais as gastrites que tinha. Então, quando a gente trabalha a mente, acho que os remédios não são mais necessários.

P – Como é que você se preparou para esse trabalho? Você conheceu alguns empresários?

R – Eu conheci empresários, conversei com alguns. Claro que não tive a opor-

tunidade de falar o tanto quanto eu gostaria, principalmente de artistas grandes, mas conversei com um de artista grande. E vi realmente que é um jogo muito político e social de querer conseguir as coisas. É a proteção do artista, é o que o artista precisa, o melhor para o artista, o melhor para que o show dê certo e para dar o melhor ao público. É um jogo de vai e vem muito interessante para se conseguir tantas coisas. Tem de ter muita lábia, muito papo. E o Ronei tem papo, ele sabe lidar com pessoas, sabe lidar com gente. Ele foi radialista, é bom de raciocínio.

P – Você também tem experiência de rádio?

R – Eu fui radialista também quando tinha 20 anos de idade. Trabalhei em uma rádio comunitária e tem essa questão de saber improvisar, de saber como falar, de saber como se comunicar. Com certeza, o Ronei usa muito dessas experiências.

P – Como tem sido contracenar com Isadora Cruz, depois de ter protagonizado com ela “Guerreiros do Sol”? R – É muito legal contracenar de novo com a Isadora nesse outro momento que agora ela está vivendo, como uma cantora que vive uma paixão com o personagem do Filipe Bragança, o João Raul. É muito maneiro a gente se ver em outros lugares e o público ver a gente em outros lugares, perceber o quão a gente sabe fazer o casal que a gente fez lá, o Josué e a Rosa, e o quanto a gente sabe fazer a rixa hoje, porque o empresário defende muito o João Raul e não gosta muito da Agrado, inclusive por causa de Naiane, que é a filha de Zilá. Ronei é apaixonado por Zilá, então, faz tudo por aquela mulher. É muito legal esse enredo na novela e como isso tudo funciona. E a nossa amizade, minha e da Isadora, é massa, a gente já tem entrosamento, a gente dá risada.

P – Vocês estão no ar simultaneamente com “Guerreiros do Sol”. Como você recebe isso?

R – Eu estou feliz, porque eu acho que “Guerreiros” era para ter entrado até antes na tevê aberta. E foi uma novela muito bonita e boa de fazer. Estamos, realmente, com Ronei e Agrado, Josué e Rosa. Isso é sensacional.

P – Vocês levaram muito tempo gravando na época?

R – Rapaz, a gente gravou oito meses.

GAZETA

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