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Relatorio_do_Gabinete_Alexandre_de_Moraes_08_de_janeiro____29-4-26-15h34

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RELATÓRIO 29 DE ABRIL DE 2026

RELATÓRIO

GABINETE DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES

A INDEPENDÊNCIA JUDICIAL EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DO ESTADO DE DIREITO

A independência judicial é um dos fatores essenciais à manutenção da Democracia, do Estado de Direito e do efetivo respeito aos Direitos Humanos e, exatamente, por esse motivo, nas últimas décadas passou a ser fortemente atacada por novos grupos políticos autocratas e extremistas, que, principalmente, utilizando-se de forte atuação digital nas redes sociais e atuando como verdadeiras organizações criminosas (“milícias digitais”), financiam, produzem e publicam massiva desinformação com a finalidade de atentar contra a Democracia e desestabilizar as instituições, em especial, o Poder Judiciário e as Cortes Constitucionais, pretendendo exclui-los do sistema de freios e contrapesos e torná-los um apêndice do autocrata de “plantão”.

Os ataques desse novo movimento populista extremista – por intermédio de suas “milicias digitais” – direcionam-se, também, à liberdade de imprensa e aos métodos de escolha dos dirigentes dos diversos países por intermédio de eleições livres; além da própria independência do Poder Judiciário.

Esse novo movimento populista extremista digital, sempre sob a chefia de um líder populista antidemocrático, constatou que a independência do Judiciário constitui um forte obstáculo para suas pretensões autocráticas e, consequentemente, passou a direcionar suas “milícias digitais” contra os magistrados, com a estruturação de ataques organizados, a partir de desinformação em alta escala e na convocação e organização de manifestações antidemocráticas, para a realização de ataques às instituições que possam, de qualquer maneira, exercer o sistema de freios e contrapesos previsto nas constituições, em especial, o Judiciário.

A massiva desinformação, com a produção e divulgação de notícias fraudulentas contra o Judiciário e seus membros (“fake News”), principalmente pelas redes sociais, tornou-se o maior, mais moderno e nocivo instrumento de ataque à independência dos juízes, com a finalidade de desacreditar os magistrados, em especial os de Tribunais Constitucionais e Supremas Cortes, e, consequentemente, com a finalidade de deslegitimar o Judiciário como Poder essencial à Sociedade e a proteção dos Direitos Humanos fundamentais, pretendendo, da mesma maneira, deslegitimar todas as eleições democraticamente realizadas.

Da mesma maneira, esse novo movimento populista extremista digital vem utilizando-se da desinformação massiva para a prática de inúmeras ameaças, coações e crimes contra a honra e dignidade de seus adversários, pretendendo confundir “liberdade de expressão” com “liberdade de agressão” e “liberdade de expressão” com “liberdade do discurso de ódio, discriminatório, nazista, racista, misógino”.

No Brasil, diversos juízes do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL foram ameaçados física e psicologicamente, inclusive com a tentativa de explosão da sede da CORTE, obstada pela atuação da Polícia Judicial, que acabou com a morte do agressor que explodiu seu próprio corpo na praça em frente ao Tribunal.

Em defesa da Democracia, do Estado de Direito e do Poder Judiciário, a Presidência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL instaurou o INQ 4.781/DF, referendado em sua constitucionalidade pelo Plenário da CORTE na ADPF 572/DF.

O desenvolvimento da investigação e a identificação do modus operandi de um grupo político que se transformou em verdadeira organização criminosa tornaram necessário que o INQ 4.781/DF investigasse todas as infrações penais conexas, englobando tanto a investigação de notícias fraudulentas (fake news), falsas comunicações de crimes, denunciações caluniosas, ameaças e demais infrações revestidas de animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi, que atingem a honorabilidade e a segurança do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, como também os vazamentos de informações e documentos sigilosos, com o intuito de atribuir e/ou insinuar a prática de atos ilícitos por membros da SUPREMA CORTE, por parte daqueles que têm o dever legal de preservar o sigilo; e, ainda, a verificação da existência de esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais, com o intuito de lesar ou expor a perigo de lesão a independência do Poder Judiciário e o Estado de Direito.

As investigações promovidas pela Polícia Federal, inicialmente no INQ 4.781/DF e, posteriormente, concentradas no INQ 4.874/DF, sobretudo após a Pet 12.100/ DF, resultaram na identificação dos principais eixos de atuação da organização criminosa condenada pela PRIMEIRA TURMA do STF: (a) ataques virtuais a opositores políticos; (b) ataques às instituições (notadamente o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL e o TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL), (c) ataques ao sistema eletrônico de votação e à higidez do processo eleitoral; (d) tentativa de Golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Desde o início das investigações no INQ 4.781/DF, os elementos de prova gradualmente colhidos demonstraram, inequivocamente, o funcionamento de um grupo criminoso que, de forma coordenada e estruturada, atuava nitidamente para viabilizar e concretizar a decretação de medidas de ruptura institucional e do Estado Democrático de Direito, resultando, finalmente, em um processo de planejamento e execução de um golpe de Estado.

No INQ 4.781/DF, inclusive, já se noticiava, em 27/9/2022, possível mobilização de pessoas, mediante o disparo em massa de mensagens, pregando a invasão do CONGRESSO NACIONAL e desta CORTE. Os atos praticados no dia 08 de janeiro de 2023 bem traduziram o que já estava sendo desenhado no INQ 4.781/DF.

Os referidos elementos de prova, colhidos inicialmente no INQ 4.781/DF, foram se robustecendo em outras investigações instauradas a partir dele, demonstrando, inclusive, a identidade do modus operandi da ampla organização criminosa e a identidade de diversos agentes que, recorrentemente, envolveramse nas diversas condutas adotadas com o objetivo de enfraquecer as instituições democráticas e possibilitar a instalação do arbítrio, com a manutenção do grupo vinculado ao então Presidente da República no poder.

Importantes procedimentos investigatórios foram instaurados a partir do INQ

4.781/DF, onde se identificou toda a atuação da organização criminosa, que se relacionam diretamente com a investigação e as ações penais que resultaram em diversas condenações criminais (INQ 4.828/DF, INQ 4.874/DF, INQ 4.878/DF, INQ 4.879/DF, INQ 4.888/DF, INQ 4.918/DF e INQ 4.919/DF, INQ 4.920/DF, INQ 4.921/DF, INQ 4.922/DF, INQ 4.923/DF, INQ 4.929/DF, INQ 4.930/DF).

A Procuradoria-Geral da República registrou a atuação dessa organização criminosa, que atuava nitidamente para viabilizar uma ruptura institucional e do Estado Democrático de Direito, sobretudo pela disseminação de notícias fraudulentas (fake news) em relação às decisões desta SUPREMA CORTE, além de incitar, até mesmo por meio de financiamento, um processo de planejamento e execução de um golpe de Estado, por meio da tomada de poder e de "invasão" ao CONGRESSO NACIONAL e ao SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

A sociedade, o Poder Judiciário e as instituições brasileiras mostraram sua força e resiliência, em que pese a lamentável manutenção de uma nociva, radical e violenta polarização política alimentada por grupos extremistas que persistem nas práticas criminosas, inclusive por meio de suas “milícias digitais” e que, permanecerão a ser investigados no âmbito do INQ 4781 e responsabilizados pelos ataques frontais ao Poder Judiciário, em especial ao SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, que continuará defendendo a independência judicial consagrada constitucionalmente e o Estado Democrático de Direito.

O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, a partir de acusação formal oferecida pelo Procurador Geral da República, e após o devido processo legal, com a garantia da ampla defesa e do contraditório, julgou diversas condutas dolosas de um grupo político que se transformou em uma verdadeira organização criminosa que, de forma jamais vista anteriormente no Brasil, agiu de maneira covarde e traiçoeira com a finalidade de tentar coagir o Poder Judiciário, inclusive com a existência de uma operação militar que visava o assassinato não só do Presidente e vicePresidente eleitos, mas também do Presidente do Tribunal Superior Eleitoral e Ministro do Supremo Tribunal Federal.

O presente relatório – DEMOCRACIA INABALADA – detalha os resultados das investigações, ações penais e execuções penais realizadas no combate aos atos antidemocráticos e tentativa de Golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Brasília, 29 de abril de 2026.

ALEXANDRE DE MORAES

Ministro do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

I.

DADOS GERAIS - 8 DE JANEIRO

Denúncias recebidas

Denúncias recebidas (Inquérito 4922 - Executores)

Denúncias recebidas (Inquérito 4921 - Incitadores)

Denúncias recebidas (Núcleos Principais) Investigação em andamento

Arquivamentos por ausência de justa causa

Denúncias em fase de recebimento 144

INQUÉRITO 4922 – CRIMES GRAVES: ARTIGOS 359-L, 359-M, 163, § ÚNICOS, INCISOS I, II, III E IV, 288 § ÚNICO, TODOS DO CÓDIGO PENAL; ARTIGO 62, INCISO I, DA LEI 9.605/1998

INQUÉRITO 4921 – CRIMES MENOS GRAVES: ARTIGOS 286, § ÚNICO E 288, CAPUT, AMBOS DO CÓDIGO PENAL

RÉUS RESPONSABILIZADOS

CRIMINALMENTE PELOS ATOS

ANTIDEMOCRÁTICOS E PELA

TENTATIVA DE GOLPE DE ESTADO

INQUÉRITO 4921 – CRIMES MENOS GRAVES: ARTIGOS 286, § ÚNICO E 288, CAPUT, AMBOS DO CÓDIGO PENAL AÇÕES PENAIS

RÉUS RESPONSABILIZADOS 1.402

INQUÉRITO 4922 – CRIMES GRAVES: ARTIGOS 359-L, 359-M, 163, § ÚNICOS, INCISOS I, II, III E IV, 288 § ÚNICO, TODOS DO CÓDIGO PENAL; ARTIGO 62, INCISO I, DA LEI 9.605/1998

NÚCLEOS PRINCIPAIS DA ORGANIZAÇÃO

CRIMINOSA ARTS. 359 L, 359 M, 163, DO CÓDIGO PENAL, ART. 2º, CAPUT, §§ 2º E 4º II, DA LEI 12.850/2013 E ART. 62, I, DA LEI 9.605/1998 29

CRIMES GRAVES

ARTS. 359 L, 359 M, 288 E 163, DO CÓDIGO PENAL, E ART. 62, I, DA LEI 9.605/1998 402

CRIMES MENOS GRAVES ARTS. 286 E 288 DO CÓDIGO PENAL 419 ANPPS (ACORDOS DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL), COM CONFISSÃO DE CULPA PELOS CRIMES DOS ARTS. 286 E 288 DO CÓDIGO PENAL 552

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ARMADA (ART. 2º, CAPUT, §§ 2º E 4º, II, DA LEI 12.850/2013)

TENTATIVA DE ABOLIÇÃO VIOLENTA DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO (ART. 359-L DO CP)

GOLPE DE ESTADO (ART. 359-M DO CP), DANO QUALIFICADO PELA VIOLÊNCIA E GRAVE AMEAÇA, CONTRA O PATRIMÔNIO DA UNIÃO, E COM CONSIDERÁVEL PREJUÍZO PARA A VÍTIMA (ART. 163, PARÁGRAFO ÚNICO, I, III E IV, DO CP)

DETERIORAÇÃO DE PATRIMÔNIO TOMBADO (ART. 62, I, DA LEI 9.605/1998)

ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA (ART. 288 DO CP)

INCITAÇÃO AO CRIME (ART. 286 DO CP)

431

PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE, MULTA E DANOS MORAIS COLETIVOS NO VALOR DE R$ 30 MILHÕES

SANÇÕES

(1402 RÉUS RESPONSABILIZADOS)

419

PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE CONVERTIDAS EM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO À COMUNIDADE, RESTRITIVAS DE DIREITO E 20 DIAS MULTA NO VALOR DE ½ DO SALÁRIO MÍNIMO E DANOS MORAIS COLETIVOS NO VALOR DE R$ 5 MILHÕES

552 ANPPS, COM APLICAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE, RESTRITIVA DE DIREITOS E MULTA

SANÇÕES IMPOSTAS

SANÇÕES APLICADAS AOS RÉUS

1.402

100% DO TOTAL DE RÉUS 1402

SENTENCIADOS

552 ANPPS

39,37% DO TOTAL DE RÉUS

320

EXECUTADOS COM EXTINÇÃO DA PENA 22,82% DO TOTAL DE RÉUS

232

SANÇÕES EM ANDAMENTO 16,55% DO TOTAL DE RÉUS

9

EXECUTADOS COM EXTINÇÃO DA PENA 0,64% DO TOTAL DE RÉUS

419

PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO

29,89% DO TOTAL DE RÉUS

410

SANÇÕES EM ANDAMENTO 29,24% DO TOTAL DE RÉUS

413

REGIME FECHADO 29,46% DO TOTAL DE RÉUS

431

PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE

30,74% DO TOTAL DE RÉUS

5

REGIME SEMIABERTO 0,36% DO TOTAL DE RÉUS

13

REGIME ABERTO 0,93% DO TOTAL DE RÉUS

190 presos – 10,12% do total de réus

PRISÕES ATUAIS

PRISÕES PROCESSUAIS 1,1% DO TOTAL DE RÉUS

5

PRISÕES PREVENTIVAS 0.27% DO TOTAL DE RÉUS

1

PRISÃO PREVENTIVA EM DECORRÊNCIA DA CONDENAÇÃO CRIMINAL 0,05% DO TOTAL DE RÉUS

21

PRISÕES PROCESSUAIS 1,12% DO TOTAL DE RÉUS PRESOS

10,12% DO TOTAL DE RÉUS

169

PRISÕES DEFINITIVAS 9% DO TOTAL DE RÉUS

PRISÕES DEFINITIVAS

15

PRISÕES DOMICILIARES ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO 0,79% DO TOTAL DE RÉUS

3 REGIME SEMIABERTO 0,16% DO TOTAL DE RÉUS

55

PRISÕES DOMICILIARES 2,93% DO TOTAL DE RÉUS 111 REGIME FECHADO 5,91% DO TOTAL DE RÉUS

29 CONDENAÇÕES PENAIS

CRIMES DE TENTATIVA DE ABOLIÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, GOLPE DE ESTADO, DANO QUALIFICADO, ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ARMADA E DETERIORAÇÃO DO PATRIMÔNIO TOMBADO *

AÇÕES PENAIS RELACIONADAS AOS NÚCLEOS CRUCIAL, ESTRATÉGICO, EXECUTORES E DESINFORMAÇÃO VI.

7anose6meses(1)3anose5meses(1) 17anos(3) 15anose6meses(1) 8anose6meses(1) 16anos,1mêse15dias(1)19anos(1)21anos(5)24anos(5) 27anos(5) 26anos(1)26anose6meses(1) 1413anose6meses(2) anos(1) 16anos(1)14anose6meses(1)

2anos(1)1anoe11meses(1)

* APs 2668, 2693, 2694 e 2696 – Crimes Graves: Art. 2º, caput, §§ 2º, 3º e 4º, II, da Lei 12.850/2013, Artigos 359-L, 359-M, 163, § únicos, incisos I, II, III e IV, todos do Código Penal; Artigo 62, inciso I, da Lei 9.605/1998

25 CONDENAÇÕES

Núcleo 1 - Crucial

Núcleo 2 - Estratégico

Núcleo 3 - Executores

Núcleo 4 - Desinformação

21

SESSÕES DE JULGAMENTO REALIZADAS NOS MESES DE SETEMBRO, OUTUBRO, NOVEMBRO E DEZEMBRO.

31

RÉUS, SENDO 25 CONDENAÇÕES TOTAIS, 2 CONDENAÇÕES PARCIAIS, 2 DESCLASSIFICAÇÕES E 2 ABSOLVIÇÕES. 127

ADVOGADAS E ADVOGADOS.

154

TESTEMUNHAS, SENDO 8 DE ACUSAÇÃO E 146 DE DEFESA.

ABSOLVIÇÕES DECISÕES 2 31 29

CONDENAÇÕES

2

2 DESCLASSIFICAÇÕES

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