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Comunicado Oficial Ofendidos

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COMUNICADO OFICIAL

LCW Advogados, na qualidade de representante dos ofendidos no episódio ocorrido na noite de 20/09/2026 nas imediações do Espartano Skatepark, na Av. Protásio Alves, 3839, em Porto Alegre, vem a público, em razão da nota oficial divulgada pelo estabelecimento, esclarecer a realidade do ocorrido. A nota publicada atribui aos ofendidos a responsabilidade pelo que aconteceu e afirma que o autor dos disparos já teria sido identificado e não teria qualquer ligação com o estabelecimento. Nenhuma dessas afirmações corresponde ao que a investigação policial informa, e nenhuma delas resiste às próprias imagens que o bar escolheu divulgar. Diante disso, e porque os ofendidos vêm sendo publicamente acusados de algo que não fizeram, esta nota expõe o que de fato ocorreu naquela noite. 1. DA IDENTIDADE DO ATIRADOR Ao contrário do que o bar publicou, a informação prestada pela própria investigação policial aos advogados dos ofendidos é a de que o autor dos disparos ainda não foi identificado, tanto que os ofendidos sequer foram chamados para reconhecimento. O que a investigação sabe até aqui, e informou, é que o homem que atirou integrava a equipe da empresa terceirizada de segurança que prestava serviços ao bar naquela noite, ou seja, estava ali a trabalho. A afirmação de que o atirador "não possui qualquer ligação" com o Espartano Skatepark não veio da polícia e é de responsabilidade exclusiva de quem a publicou. O bar não pode, ao mesmo tempo, afastar preventivamente os seguranças daquela noite, como diz ter feito, e sustentar que ninguém ligado a ele estava presente quando os tiros foram disparados. 2. DA DIVULGAÇÃO DE IMAGENS CORTADAS O bar não divulgou as imagens brutas do ocorrido, divulgou somente os trechos que lhe interessavam. O primeiro vídeo mostra o jovem que depois seria baleado pagando a sua comanda no caixa, sem qualquer problema, e mostra um único integrante do grupo discutindo com o atendente. Foi apenas essa pessoa que teve um desentendimento no caixa, de modo que não houve recusa coletiva de pagamento nem expulsão do grupo, como a nota tenta fazer crer. O segundo vídeo, das 23h28, mostra outros dois integrantes saindo sozinhos, sem incidente algum, depois de o colega já ter sido retirado pelos seguranças. Esses dois jovens, que saíram do bar em paz, também seriam agredidos minutos depois na rua. 1


O que o bar não mostrou é justamente o momento em que o integrante que discutiu no caixa é retirado pela equipe de segurança para a área externa, e qualquer momento das agressões que os seus seguranças praticaram contra ele em seguida. Nas imagens que existem, o que se vê é um único rapaz alterado e os amigos em volta dele fazendo apenas uma coisa: tentando contê-lo e afastá-lo dali. Toda a confusão daquela noite parte de uma pessoa, e nenhum outro integrante do grupo tentou brigar com segurança algum ou provocar qualquer tumulto. A "postura manifestamente agressiva" do "grupo", descrita na nota, simplesmente não existe nas imagens que o próprio bar selecionou. 3. DOS ACONTECIMENTOS NA PARTE EXTERNA Depois de ser conduzido pelos seguranças à área externa do estabelecimento, o rapaz alterado foi levado por dois amigos para a via pública, com o único objetivo de afastá-lo do local. Policiais que estavam nas imediações aproximaram-se para abordá-lo e, durante a abordagem, policiais e abordado tropeçaram na calçada e caíram juntos, dinâmica que os próprios policiais já esclareceram. Não houve enfrentamento contra a guarnição, muito menos a "rebelião contra os comandos legais" que o bar descreve com tanta convicção sobre um trecho que, segundo ele mesmo, suas câmeras não alcançavam. Os seguranças do bar, entendendo que havia uma briga com os policiais, partiram para cima do rapaz caído, e quatro deles passaram a agredi-lo no chão, o que levou os amigos a intervir para impedir que ele fosse linchado. Houve luta corporal nesse momento, logo em seguida dois dos ofendidos já tentavam encerrar a briga de mãos erguidas, como as imagens registram, e o jovem que seria baleado deixava o local de costas, sem oferecer risco a ninguém, em uma rua onde já havia policiais presentes. Foi nesse instante, com a briga terminando e policiais presentes, que um dos seguranças armados sacou a arma, saiu em perseguição a esse jovem que se afastava de costas e disparou contra ele. Não se tratou de conter uma agressão, porque não havia agressão em curso. Tratouse de um homem armado, contratado para trabalhar na porta de um bar, que perseguiu e alvejou pelas costas um jovem desarmado que ia embora. A trajetória dos ferimentos confirma a posição em que o jovem foi atingido. Um dos projéteis entrou pela parte posterior da coxa e saiu pela frente, na altura do quadríceps; o outro entrou pela planta do pé e saiu pela parte de trás. Os dois disparos, portanto, atingiram um corpo que estava de costas para o atirador e em movimento de fuga, o que afasta qualquer hipótese de reação a ataque e revela a covardia do ato.

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Nada disso aparece no material que o bar divulgou, mas diversos vídeos já foram coletados e entregues à Polícia Civil, e neles estão claramente visíveis as agressões praticadas pelos seguranças, o momento em que o segurança saca a arma e a perseguição ao jovem que foi baleado. 4. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, o que se tem até aqui é o seguinte: a confusão daquela noite partiu de uma única pessoa, que os demais integrantes do grupo tentaram conter o tempo todo; as agressões foram praticadas pelos seguranças do bar contra um rapaz caído no chão; e o disparo partiu de um segurança armado, a serviço do estabelecimento, contra um jovem desarmado que já se afastava de costas, em via pública e na presença de policiais. A nota do bar inverte cada um desses pontos e, para sustentar a inversão, divulga apenas os trechos de imagem que lhe convêm e atribui à polícia uma conclusão que a polícia não chegou a formular. Os ofendidos colaboram com a Polícia Civil para que os fatos e as provas sejam integralmente apurados, já prestaram depoimento e confiam que a verdade será esclarecida a todos em breve, com a responsabilização do atirador que praticou um ato criminoso que somente não acabou com a morte de um dos jovens, por sorte. Até lá, pedem que a imagem e a identidade de todos os envolvidos sejam preservadas. Além do que sofreram naquela noite, os ofendidos vêm sendo alvo de represálias em razão das alegações falsas do bar, e de "memes" e montagens que circulam em diversos grupos, como se fossem eles os agressores. Nenhum deles é figura pública. São pessoas comuns que saíram para se divertir em um domingo e voltaram para casa com um amigo baleado. Por fim, em razão da fase inicial do inquérito e do sigilo que lhe é próprio, e para não comprometer o andamento da investigação, estas são as únicas informações que podem ser divulgadas até o momento. Novos esclarecimentos serão prestados quando a apuração permitir. Porto Alegre, 24 de setembro de 2026.

Phillip Richard Worthington OAB/RS 126.739

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