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Caso Ronaldinho - ZH - 10/01/2011

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www.zerohora.com

BRINQUEDOS RECICLÁVEIS

A CHEGADA DO SEGUNDO FILHO

PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 10 DE JANEIRO DE 2011 - ANO 47 - Nº 16.563 - 2ª EDIÇÃO

CARLOS EDLER

Meufilho

SC/PR - R$ 2,50/ DEMAIS REGIÕES - R$ 3,50/ URUGUAI - $ 48

R$ 2,00

Indústria gaúcha prevê Trânsito Acidente irmãs e investir R$ 3,6 bi no ano de filha causa

Pesquisa da Fiergs com 182 empresas do Estado aponta que empresários gaúchos destinarão R$ 800 milhões a mais à produção do que em 2010. Página 16

comoção

Choque na Capital mata educadoras Débora (E) e Ana Rita Gurski e Gabriela, 10 anos, filha de Ana. PÁGINA 24

Habilitação MP ameaça infratores com prisão Ministério Público exige que os motoristas com mais de 20 pontos devolvam a carteira. Páginas 4 e 5

CARLOS EDLER

Exibindo notas de dinheiro, torcida aproveitou treino de ontem para se solidarizar com o clube e protestar contra os Moreira

Diálogo por torpedo Na madrugada, Assis tenta novo ✓ encerrou ✓ ✓ negociações mais R$ 6 milhões contato com Grêmio Caderno de Esportes e coluna de Paulo Sant’Ana (43)


esportes@zerohora.com.br

Editor Executivo: David Coimbra > 3218-4350. Editor: Sérgio Villar > 3218-4361 > Diagramação: Aluísio Pinheiro

ARTE SOBRE FOTO DE FERNANDO GOMES

> SEGUNDA | 10 | JANEIRO | 2011

Um torpedo com 157 letras encerrou um dos capítulos mais conturbados da história do futebol gaúcho. Foi através de mensagem de texto no celular que o Grêmio comunicou a Assis a desistência na contratação de Ronaldinho e sua saída de um negócio de R$ 100 milhões em quatro anos. Ainda ontem, emissários dos Assis Moreira procuraram reaproximação. Sem sucesso. Essas são revelações levantadas pelos repórteres David Coimbra, Luiz Zini Pires e Leandro Behs que você acompanha nesta edição especial.

46956 - NOTÍCIAS DO GRÊMIO OU INTER NO CELULAR Envie torpedo com FUTEBOL para 46956 e escolha seu time. O custo por mensagem recebida é R$ 0,31 + tributos para todas as operadoras. Para cancelar as assinaturas, envie SAIR para 46956.


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ZERO HORA > SEGUNDA | 10 | JANEIRO | 2011

POR

DAVID

COIMBRA

LEANDRO

BEHS

LUIZ ZINI PIRES

E Assis negociava com o Flamengo N Antes do fim de semana, já na noite de sexta-feira, o Grêmio acreditava que o negócio da contratação de Ronaldinho estava solidamente acordado. O presidente Paulo Odone, o vice Antônio Vicente Martins e o empresário Ricardo Vontobel apenas aguardavam a prometida chegada de Ronaldinho para a assinatura derradeira. Um jato o traria para Porto Alegre. Nada disso aconteceu.

oite de sexta-feira, 7 de janeiro. O presidente do Grêmio, Paulo Odone, jantava em companhia de amigos no elegante restaurante francês Le Bateau Ivre,na Rua Tito Lívio Zambecari, em Porto Alegre.Entre os comensais ponteava o ex-presidente do Flamengo, Kleber Leite, que havia viajado à Capital gaúcha para comparecer à festa de casamento da filha do técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes,no dia seguinte. Do outro lado da cidade, num condomínio fechado da Zona Sul, o vice de futebol Antônio Vicente Martins provava uma massa de sua lavra regada à cerveja gelada, em companhia da mulher e das filhas. No ultramar, em Orlando, Estados Unidos, o empresário Ricardo Vontobel, um dos membros do Conselho de Administração do clube, preparava-se para o primeiro happy hour que,acreditava, seria realmente happy, depois de uma semana tensa de negociações, enquanto deveria estar curtindo férias. Os três dirigentes gremistas sentiam-se felizes e aliviados. Depois de incontáveis idas e vindas, acertos e desistências, depois de redigir sete contratos diferentes com mudanças inesgotáveis, o acordo com os irmãos Assis Moreira fora consolidado. Ronaldinho estava contratado “verbalmente”pelo Grêmio. O irmão e procurador do jogador, Roberto de Assis Moreira, informara que um jato para nove passageiros esperava por eles no aeroporto Santos Dumont, no Rio. Os dois iriam para Porto Alegre em algumas horas. No sábado pela manhã,Ronaldinho assinaria contrato no Olímpico, participaria de uma coletiva e, de imediato, se apresentaria ao técnico Renato Portaluppi no hotel em que os demais jogadores estavam concentrados. Nada disso aconteceu. No mesmo

momento em que os três dirigentes do Grêmio relaxavam na noite de Porto Alegre e no fim de tarde da Florida, Ronaldinho e Assis negociavam com o Flamengo,no Rio. Mais: segundo o diretor-executivo de futebol do Flamengo, Luiz Augusto Veloso, o jogador “já estava acertado” com o clube carioca quando garantiu a Odone,Vicente e Vontobel que havia fechado com o Grêmio. A negociação entre os irmãos Assis Moreira e o Grêmio sempre foi tortuosa. Começou em setembro passado, meio que casualmente. Um amigo do diretor de futebol gremista, César Cidade Dias, é amigo de Ronaldinho. Cidade costumava brincar com esse amigo dizendo que,quando seu grupo fosse eleito para a direção do Grêmio, recontrataria Ronaldinho.

Reuniões se iniciaram na casa de Assis Depois da eleição de Paulo Odone, em 7 de outubro, o amigo de Ronaldinho procurou Cidade e perguntou: – Aquela ideia de trazer o Ronaldinho está de pé? Cidade respondeu que sim e consultou Vicente Martins.Que fez os primeiros contatos com Assis e consultou Odone. Que deu o aval para que fossem feitas sondagens.A partir daí, as conversas evoluíram.Assis gostava de fazer as reuniões na casa dele,na Zona Sul.Oferecia água mineral e café. Quando os encontros ocorriam nos escritórios dos dirigentes do Grêmio, Assis carregava sempre três ou quatro celulares, que passavam o tempo inteiro tocando. Quase sempre ele atendia.

O DIRETOR DE FUTEBOL CÉSAR CIDADE DIAS DIZIA A UM CONHECIDO SEU, TAMBÉM MUITO AMIGO DE RONALDINHO, AINDA EM SETEMBRO DE 2010:

‘‘

Quando nós ganharmos as eleições (presidenciais do Grêmio) vamos trazer o Ronaldinho de volta DEPOIS, QUANDO ODONE ELEGEU-SE PRESIDENTE EM 7 DE OUTUBRO, O CONHECIDO DE CÉSAR CIDADE DIAS O PROCUROU E O SURPREENDEU ENGATILHANDO A QUESTÃO:

‘‘

Aquela ideia de trazer o Ronaldinho está de pé?

O celular tocava nos encontros

Nem sempre eram ligações importantes. Quase sempre tratava-se de amigos convidando para cervejadas e pagodes.Assis interrompia a reunião e perguntava como estava o tempo em Florianópolis ou no Rio, se queixava do calor de Porto Alegre e prometia visitar logo os amigos saudosos. Depois desligava e retornava aos números do futuro contrato do irmão. Quinze minutos mais tarde, atendia uma outra ligação de outros amigos. – Como está Floripa? Calor? E o Rio? A interrupção quebrava o ritmo das negociações,como se aquilo fosse feito deliberadamente para embaralhar o assunto e não sacramentar qualquer acordo em definitivo. Em um dos encontros da semana passada, Assis levantou-se sem dar explicações e saiu da sala, deixando todos perplexos. Era início da noite. Voltou meia hora depois com uma pizza e uma garrafa de guaraná debaixo do braço,sorrindo: – Números dão fome... Outra vez as negociações tiveram de partir de algum ponto incerto, de quando Assis saíra da sala durante a madrugada. Além desse comportamento desconexo,Assis se mostrou detalhista e,em certo momento, chegou a ser elogiado pela esperteza ao conduzir a redação dos contratos. O evidente era que a opinião de Ronaldinho,que nunca falou com os dirigentes, pouco se fazia sentir durante o negociação dos contratos. Tudo parecia sair da cabeça do seu representante, dos detalhes aos valores do futuro de Ronaldinho.

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Mais difícil do que negócio da Arena A

Dirigentes gremistas tiveram a certeza de que tudo estava certo por mais de uma vez.Atenderam às exigências de Assis e só começaram a desconfiar de que“a coisa tinha ido para o brejo”– conforme as palavras de Ricardo Vontobel – quando, na coletiva do Copacabana Palace, Ronaldinho não falou nada do que o seu irmão e empresário havia dito que ele falaria.

pesar dos percalços, o negócio evoluiu bem. O vice-presidente Ricardo Vontobel revelou que o “Projeto Ronaldinho” estava bem fechado, que tinha “possibilidades muito boas de ser um grande sucesso”. A OAS, parceira do clube na construção da Arena, era uma das maiores interessadas nas tratativas. Queria o jogador como garoto-propaganda do novo estádio gremista e ainda tinha ideias para usar a sua imagem em projetos fora do Brasil. A nova fornecedora de material esportivo, Topper, também topou desde o primeiro momento. Negociou a camisa, a nova 10 de Ronaldinho, que teria até um patrocinador especial, diferente dos demais, e seria lançada na última semana de fevereiro. Na venda da nova camisa, 40% seria de Ronaldinho, 40% da Topper, e 20% do Grêmio. Na noite de 19 de dezembro de 2010, o contrato entre clube e jogador foi concluído. Na residência de Vontobel, num condomínio de luxo da Capital, reuniram-se o dono da casa, Paulo Odone, Antônio Vicente Martins, o vice de marketing Paulo César Verardi e Assis. Trincharam costelas muito elogiadas, beberam cerveja, água mineral e vinho. E brindaram o sucesso do negócio, cada um com sua bebida. Um dia depois, na casa de shows que Assis ergueu na Zona Sul, ocorreu um fato que embeveceu os dirigentes gremistas. Durante a apresentação do cantor Belo, Ronaldinho pegou o microfone e avisou que iria cantar.Quando todos esperavam um samba, a banda atacou com o Hino do Grêmio. Ronaldinho levantou os braços e entoou a plenos pulmões os versos compostos por Lupicínio Rodrigues.A plateia delirou. O vídeo da performance parou na internet,

os acessos foram às alturas, e a torcida gremista começou a acreditar cada vez mais que o jogador voltaria para a casa que o formou. Nos dias seguintes, porém, a situação começou a ficar nebulosa. A todo momento Assis pedia que fosse incluída nova cláusula no contrato. – Ele parecia não saber o que queria – observou Vicente Martins – Numa negociação, as partes sempre têm um objetivo. O Assis, não. Ele vai e volta a todo momento.

Havia cada vez mais exigências Na segunda-feira, dia 3, Vicente Martins participou de uma reunião na empresa de Assis, na zona sul da Capital. O encontro começou às 22h e terminou à 1h.Vicente foi para casa com a certeza de que tudo estava alinhavado. Na terça, Assis pediu para que fosse feita nova rodada de conversas – tinha outras exigências. Desta vez, a reunião se estendeu das 18h às 3h da madrugada. Ao sair da empresa do irmão de Ronaldinho, um dirigente gremista comentou: – Como é difícil negociar com o Assis. Nunca vi nada parecido nos meus anos de Grêmio... – Difícil? – rebateu o outro. – Foi mais fácil fechar as negociações do projeto da Arena com a OAS! O negócio da Arena remonta a quase R$ 1 bilhão. O de Ronaldinho envolveria cerca de R$ 100 milhões entre todas as partes. Os ganhos de Ronaldinho seriam de R$ 10 milhões por ano em salários e mais R$ 10 milhões em publicidade.

DIÁLOGO ENTRE DIRIGENTES DO GRÊMIO AO SAIR DA EMPRESA DO IRMÃO E EMPRESÁRIO DE RONALDINHO:

‘‘

Como é difícil negociar com o Assis. Nunca vi nada parecido nos meus anos de Grêmio...

‘‘

Difícil? Foi mais fácil fechar as negociações do projeto da Arena com a OAS!

Mas, aparentemente, o acerto agora era definitivo. A essa altura, porém, os jogadores já estavam sentindo a invasão contínua do assunto Ronaldinho no próprio vestiário do Olímpico. Falava-se muito no projeto da contratação e muito pouco da disputa da Libertadores 2011, prioridade do clube nesta temporada e cuja estreia está cada vez mais próxima – o jogo de ida contra o Liverpool, em Montevidéu, será no próximo dia 26.

Do Rio, Assis mandaria uma senha Na quarta-feira, Assis viajou para o Rio a fim de conversar com o vicepresidente do Milan,Adriano Galliani, para obter a bênção italiana e, enfim, assinar com o Grêmio. A primeira grande surpresa foi o anúncio da entrevista coletiva no Salão Cristal do Copacabana Palace, na quinta-feira, às 15h. Vontobel ligou para Assis, preocupado: – O que significa isso? Assis pediu que ficasse tranquilo. E combinou uma senha com o dirigente gremista: – O Ronaldo vai dizer que está voltando para casa. Isso quer dizer que está tudo certo com o Grêmio. Mas, durante os 39 minutos da entrevista, Ronaldinho não deu essa declaração. – Senti que a coisa tinha ido para o brejo quando o Ronaldinho respondeu: “O Grêmio está na minha cidade, o Palmeiras tem o Felipão e o Flamengo tem esta torcida. E o Flamengo é o Flamengo” – recordou Vontobel.

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Na madrugada, mais R$ 6 milhões E

A coletiva do Copacanaba Palace, quinta-feira, deveria ser uma mera formalidade, na verdade, um pedido do Milan para justificar a seus torcedores a saída de Ronaldinho. Assis havia avisado à direção do Grêmio que devia este favor a Adriano Galliani.Foi um desastre, no ponto de vista do Grêmio. O craque colocou Grêmio, Flamengo e Palmeiras no mesmo nível. A negociação estava por um fio.

m meio à coletiva no Copacabana Palace, uma figura de terno e gravata não desviava os olhos de Assis: Leonardo Ribeiro, o capitão Léo, presidente do Conselho Fiscal do Flamengo. Depois de acompanhar a mobilização de centenas de flamenguistas em frente ao Copacabana Palace, ele teve acesso livre ao Salão Cristal (algo que só os jornalistas credenciados tinham direito) e acompanhou todas as respostas do trio. Antes da entrevista, havia dito: – O Grêmio está anunciando o Ronaldinho, né? Aposto que até a segunda-feira ele será apresentado com a 10 do Flamengo na Apoteose. Estava seguro que a parceria com a Traffic bancaria o craque. A empresa teria apresentado a Assis garantias bancárias mais sólidas que assegurariam os pagamentos milionários a Ronaldinho – e as do Grêmio não seriam tão fortes quanto às da Traffic. Um escritório da Traffic seria montado no Rio para cuidar apenas dos contratos futuros de Ronaldinho. A declaração de Galliani dizendo-se torcedor do Flamengo já teria sido uma jogada ensaiada para desencadear os fatos do dia seguinte. Na sexta-feira, por volta das 22h, capitão Léo garantiu: um dos pontos da reunião de Galliani com a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, e Assis, seria montar uma estratégia para responsabilizar os italianos pelo desfecho do negócio. – O Assis não pode ficar mal com a torcida do Grêmio. A ideia é apontar o Milan como o grande responsável por mudar os rumos da nego-

ciação, tirar o foco sobre ele e sobre Ronaldinho. O ambiente para Assis em Porto Alegre não será bom depois disso – afirmou o presidente do Conselho Fiscal do Flamengo. Logo após a entrevista, Assis recebeu um telefonema dos gabinetes do Grêmio. – Assis, esta entrevista foi um desastre – afirmou Vontobel. – Fica tranquilo, que está tudo encaminhado para fecharmos a negociação. Uma providência dos dirigentes do Grêmio foi recorrer a comunicadores pedindo-lhes que tivessem paciência com o andamento da negociação. Não queriam que uma opinião mais apimentada em jornal e rádio pudessem azedar ainda mais o acordo. Mas em algumas horas as notícias vindas do Rio estouraram no Brasil inteiro. Ronaldinho estava se acertando com o Flamengo. As horas seguintes foram de tensão. Vontobel acabou montando um escritório em seu apartamento na Flórida.

Nova ligação: um outro desmentido Trabalhando com três telefones celulares (sempre na tomada, sendo recarregados), ele tentava definir a negociação de uma vez por todas. Perto da meia-noite, horário brasileiro, falou com Assis:

RICARDO VONTOBEL, INDIGNADO COM AS DECLARAÇÕES DE RONALDINHO NO CAPACABANA PALACE

‘‘

O projeto só teria sentido com o sentimento de gremista do Ronaldinho

ASSIS MOREIRA, EM RESPOSTA A VONTOBEL, APÓS A COLETIVA DO RIO:

‘‘

Fica tranquilo, que está tudo encaminhado para fecharmos a negociação

– O que está acontecendo? Vocês estiveram reunidos com o Flamengo. Toda a imprensa está dizendo isso. Não é possível que todos estejam mentindo... – Mas não há nada com o Flamengo, te garanto... O clube já demonstrava preocupação com a desvalorização da imagem de Ronaldinho., – Nosso erro foi não ter abortado as negociações após a entrevista no Rio. O projeto só teria sentido com o sentimento de gremista do Ronaldinho. Venderíamos a ideia do cara que volta para recuperar a sua imagem com a torcida, que volta também pelo sentimento, e não apenas um profissional de futebol. Quando ele nivelou o Grêmio ao Palmeiras do Felipão e à torcida do Flamengo, não havia mais o que fazer. Não era o sentimento que queríamos – admitiu Vontobel.

Cansado, Odone aborta a transação Mesmo assim, entre a madrugada da sexta-feira e a manhã de sábado Vontobel fez um último esforço e, por telefone, conseguiu levantar mais R$ 6 milhões exigidos por Assis. Assim que foi informado dessa nova pedida, Odone ligou para Vontobel: – Vamos abortar esta negociação, a coisa já foi longe demais, já passou dos limites. – Presidente, concordo. Mas primeiro me deixa tentar falar com o Assis mais uma vez. – Está bem, está bem.

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No casamento, o torpedo de Assis RicardoVontobel tentou contatar Assis no sábado e saber da verdade sobre o Flamengo.Não obteve resposta.Chamou então o presidente do Grêmio.Ouviu que ele pretendia abortar a negociação e anunciar a desistência do clube numa entrevista. Vontobel mandou um torpedo para Assis informando da coletiva. Desta vez,o empresário respondeu.Escreveu: “Não fechamos nada com o Flamengo.”

CARLOS EDLER

E

m seguida, Ricardo Vontobel telefonou para Assis, que não atendeu à ligação. O telefone chamou, chamou... O empresário, então, enviou uma mensagem por SMS para o irmão de Ronaldinho: “Preciso falar contigo com urgência. Me liga.” Não houve resposta. A negociação que antes parecia estar muito bem encaminhada, de repente, não parecia mais seguir um curso normal. Ainda mais para um contrato milionário e que vincularia o atacante ao Grêmio por quatro temporadas. Vontobel voltou a ligar para Paulo Odone, que estava em Porto Alegre. Ele não queria acreditar que depois de tanto esforço, intermináveis reuniões do corpo jurídico do Grêmio com os advogados de Assis, Tales Simonatto e Sérgio Queiroz, para confeccionar e reconfeccionar o contrato do craque, Ronaldinho havia se inviabilizado para o Grêmio. O presidente gremista estava decidido a marcar uma entrevista coletiva para as 15h de sábado, na sala de conferências do Olímpico, embaixo das sociais do estádio, ao lado do vestiário dos profissionais, e declarar o final das negociações. Vontobel então concordou, mas fez uma ressalva: – Odone, não quero pegar o Assis de surpresa com a coletiva do Grêmio. Deixa eu tentar falar com ele de novo. – Faz como você achar melhor, Ricardo. O segundo torpedo de Vontobel: “Assis, é muito importante, preciso falar contigo.” Nenhuma resposta. O terceiro torpedo disparado por Vontobel desde Orlando, por volta das 13h, foi definitivo: “Já que tu não me responde, te aviso que estamos convocando uma entrevista coletiva. Estamos abortando a negociação. A contratação do Ronaldinho está abortada e estamos saindo da negociação.”

Odone anunciou o fim das negociações com Assis sábado Em minutos, finalmente uma resposta de Assis: “Beleza. Ok. Não fechamos nada com o Flamengo”. No meio da tarde de sábado, Odone anunciou o fim das negociações na frente de dezenas de repórteres, alguns de fora do Rio Grande do Sul.

Irmão tentou reabrir negociações À noite, durante a festa de casamento de Camilla, filha de Mano Menezes, na Associação Leopoldina Juvenil, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, divertiu os convivas mostrando-lhes mensagens que Assis estava lhe enviando naquele momento por celular. O irmão de Ronaldinho informava ao dirigente paulista que não ha-

DIÁLOGO ENTRE RICARDO VONTOBEL E PAULO ODONE, QUANDO O PRESIDENTE DECIDIU CONVOCAR UMA COLETIVA PARA ANUNCIAR O FIM DAS NEGOCIAÇÕES COM ASSIS, NO SÁBADO

‘‘

Odone, não quero pegar o Assis de surpresa com a coletiva do Grêmio. Deixa eu tentar falar com ele (Assis) de novo.

‘‘

Faz como você achar melhor, Ricardo

via se acertado com o Flamengo e queria entabular negociações com o clube paulista. Ronaldinho Gaúcho poderia fazer parceria com Ronaldo Nazário. Os Ronaldos unidos outra vez, como na Copa do Mundo de 2002. Minutos depois dos torpedos de Assis, que sempre impediu o acesso do Grêmio ao Milan dizendo que com o clube italiano estava tudo bem e que Ronaldinho seria liberado, os principais dirigentes do Grêmio, presentes no casamento, ficaram sabendo da história dos torpedos para Sanchez. – Fizemos a coisa certa.A sensação é de alívio com esta decisão. Seriam quatro anos de preocupações – disse Odone ao chegar no Juvenil. Ontem, o diretor de futebol César Cidade Dias foi procurado por telefone e torpedo por emissários de Assis. Os irmãos Moreira queriam uma reaproximação com o Grêmio. Cidade informou que isso seria impossível.


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Amy e balada em Jurerê

Enquanto um furacão varria os corações gremistas e o Grêmio anunciava a desistência,Ronaldinho desembarcava de jatinho em Florianópolis para curtir a agitada noite. Com atores da Globo, modelos e celebridades, na casa noturna de Jurerê recebeu vaias e moedas de gremistas. Sua noite seguiu com show de Amy Winehouse e balada numa danceteria.

Ronaldinho chegou a Florianópolis de jatinho para curtir show de Amy Winehouse e badalar em Jurerê, onde gremistas o xingaram em casa noturna

ALAN PEDRO

E

nquanto gremistas inundavam redes sociais, como Twitter, Orkut e Facebook de mensagens indignadas contra o Ronaldinho, no meio da tarde de sábado o craque desembarcava de um jatinho em Florianópolis para curtir mais um fim de semana. Nem lá escapou da revolta da torcida. Foi xingado e recebeu moedas no seu camarote no Café de la Musique, casa noturna na badalada Jurerê Internacional. A passagem pelo Café de la Musique durou 10 minutos. Ronaldinho chegou com grupo de celebridades como os atores Caco Ciocler e Ricardo Macchi, a modelo Alessandra Ambrósio, a ex-panicat Piu-Piu e Mirela Santos, mulher do cantor Latino. Ao todo, sua trupe tinha cerca de 30 pessoas. O grupo pediu camarão de tira-gosto e saiu quando moedas e gritos como “mercenário” e “traíra” eram dirigidos ao camarote. A segunda escala de Ronaldinho na noite da Ilha foi no show da inglesa Amy Winehouse, no Stage Music Park.Instalado em um camarote com amigos, teria pedido duas garrafas de champanha Dom Pérignon. A noite acabou na danceteria Posh, outro endereço concorrido em Jurerê. Ontem, o craque passou o dia no Hotel Majestic, no centro, almoçou por lá e voltou para Jurerê. Enquanto Ronaldinho curtia Florianópolis, Assis seguia no Rio, em negociações com o Flamengo. O clube pretende apresentar Ronaldinho ainda hoje.Três locais são planejados para a festa: a Praça da Apoteose, a praia de Copacabana e o Maracanãzinho. Haverá show da banda de pagode Revelação, uma das preferidas do craque. Mesmo que o vice-presidente do Milan,Adriano Galliani, tenha dado a negociação “99,9%” acertada, o contrato ainda precisa ser assinado. O documento está sendo redigido pelos advogados, uma etapa que consumiu duas semanas no Olímpico. Mesmo com tudo indicando o acerto com o Flamengo, Assis enviou torpedo no sábado à noite para o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, avisando: “Não tem nada definido”. Ontem, o Palmeiras saiu da disputa. O clube divulgou nota, em que o presidente Luiz Gonzaga Beluzzo garantia:“No dia 2 de janeiro,Assis nos afirmou que estava tudo acertado”. O vice-presidente Salvador Palaia foi além e detonou o craque e seu irmão em entrevista: – O que eles estão fazendo é uma vergonha. O Assis e o Ronaldinho deveriam abrir um circo no Rio Grande do Sul, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.

Torcida vai ao treino abraçar o time LUCAS RIZZATTI

Afinado com Paulo Odone, o torcedor gremista colocou em prática já no domingo as palavras dadas pelo presidente na tarde anterior. Segundo Odone, o Grêmio teria de fazer do limão, que seria a volta frustrada de Ronaldinho, uma doce limonada. Ontem, mais de 200 gremistas se espremeram para ver o treino no campo suplementar. Cantaram sem parar e deram ares de jogo ao trabalho comandado por Renato. Em meio às centenas de torcedores, apenas uma faixa recordava os irmãos Assis Moreira:“R10 e Assis,

que Deus perdoe vocês, porque a nação gremista não vai perdoar”.De resto,imperou a velha e contundente tática de ignorar a quem não se quer bem.Valia até comemorar gol como se fosse decisão. Diego Clementino chutou cruzado, venceu Marcelo Grohe e foi festejado. Com o retorno do craque frustrado, os gremistas usaram a Libertadores como consolo. Para o publicitário Diosefer Freitas, 24, quem perdeu mais com toda a novela foi o jogador: – Ronaldinho é passado. E foi ele quem mais perdeu, não jogará a Libertadores.

O sentimento espalhava-se como os cânticos da Geral.Parecendo uma frase ensaiada,os torcedores reiteravam o desdém por Ronaldinho afirmando,com o peito estufado: – O Grêmio é maior do que ele. A manifestação, além de confortar o clube, ganhou eco no vestiário. Os jogadores usaram o mesmo tom do outro lado da tela. Jonas resumiu o sentimento no vestiário: – Seria maravilhoso, mas não aconteceu.Agora, o trabalho continua, temos uma Libertadores pela frente.E isso é o mais importante. lucas.rizzatti@zerohora.com.br

DIEGO VARA

ENTREVISTA

Roberto de Assis Moreira - Irmão e procurador de Ronaldinho

“O problema foi o Milan” DAVID COIMBRA

Esta é a entrevista exclusiva concedida por Assis logo depois de o presidente Paulo Odone,do Grêmio,ter convocado entrevista coletiva no sábado à tarde para anunciar desistência na contratação de Ronaldinho. Leia trechos: Zero Hora – Já está certo que Ronaldinho jogará no Flamengo? Assis Moreira – Não tomamos decisão alguma. Hoje (sábado) à tardinha vou falar com o (vice-presidente Adriano) Galliani.Só depois posso dizer algo. ZH – Você sabe como o caso está repercutindo em PortoAlegre? Assis – Sei,sim. ZH – E o que acha? Assis – Nunca falei que o negócio seria barbada. Infelizmente, tem o Milan

na negociação. Ronaldo é do Milan, tem que cumprir o que o Milan determina. ZH – Você ouviu a entrevista do presidente do Grêmio? Assis –Acompanhei todas as perguntas que foram feitas, tudo. O presidente foi muito feliz nas suas colocações. ZH – Mas ele disse que você mudou o acordo. Assis – Existe uma indenização devida ao Milan, que está criando certa dificuldade. Estávamos acertados, mas o Milan entrou no negócio.O presidente falou que o Grêmio não queria indenizar o Milan e é isso mesmo.Entre nós estava tudo bem, mas, quando o Galliani veio ao Brasil, viu a situação e endureceu.Foi por isso que a situação chegou a esse pé . ZH – Mas, se estava tudo acertado, o que mudou?

Assis – Sabe o que aconteceu? Quando tudo estava na surdina, estava tudo bem. Tudo estava certo. Disse para todo mundo: “Vocês querem o Ronaldo no Rio Grande do Sul? Vai ser bom para todo mundo? Então precisamos manter tudo em sigilo.” Não estou culpando a imprensa.Você mesmo tinha todas as informações, sabia de tudo que acontecia. Aí tudo foi divulgado, os outros se alertaram, o Milan ficou sabendo e tudo mudou. Foi isso de colocar as notícias que atrapalhou. ZH – A divulgação do negócio fez surgir a concorrência e o Milan passou a exigir indenização,é isso? Assis – É isso.O cara, o Galliani, estava aqui no Rio. Estava vendo tudo. Perdemos o timing, entende? Estava tudo certo para ele ser liberado. Mas o Milan ficou com medo da Inter, de Milão. O Leonardo chegou lá, e eles ficaram com

medo de o Ronaldo ir para a Inter.Então a liberação começou a se complicar. ZH – Vocês não temem a reação da torcida do Grêmio? Assis – Eu estou apanhando há 10 anos,estou acostumado com isso.

Gol contra

Assis pisou na bola, despertou a revolta da torcida do Grêmio e criou um ambiente de constrangimento e risco para sua família, especialmente para o irmão famoso Ronaldinho Gaúcho – ao que tudo indica na iminência de se tornar Ronaldinho Carioca. Aparentemente embriagado pela fama e pela riqueza conquistadas graças ao futebol de Ronaldinho, o jovem empresário protagonizou um jogo de ganância e engodos sem medir as consequências de seus atos. Ao iludir a boa fé dos dirigentes do Grêmio pela segunda vez, transformando um negócio já acordado em injustificável leilão,Assis acabou pisoteando no mais caro sentimento do torcedor: a paixão pelo clube.Da frustração ao ódio,o passo é pequeno, como infelizmente já se pôde constatar no tratamento hostil dispensado por gremistas ao craque no último sábado,numa casa noturna de Florianópolis.Também não é o caminho adequado. Se é lamentável que o exjogador Assis,por absoluto despreparo ético para lidar com uma negociação de tal complexidade,tenha feito um gol contra a sensatez, também é inaceitável que a amargura dos torcedores degenere para a violência.

No Olímpico, gremistas assistem ao treino comandado por Renato: sinal de protesto em uma tarde de carinho ao clube

FLAUTA NO AR E NA INTERNET

ZH – Existe chance de o Ronaldinho se acertar com o Grêmio? Assis – Nesse momento,diria que não. Mas sabe como é,o futebol é paixão.

A montagem explica: “Contrato – O Grêmio continua redigindo”

ZH – Qual a chance de acerto com o Flamengo? Assis – O Flamengo não conversou conosco. Conversou direto com o Milan. Ronaldo não tem acerto nenhum,nada. ZH – Quando ocorrerá esse acerto? Assis – Logo, espero. Preciso colocar o Ronaldo para jogar. Nosso projeto é a Seleção.Preciso vê-lo jogando logo.

OPINIÃO DA RBS

Em Atlântida, no Litoral Norte, aviãozinho cruzou o céu com uma faixa provocativa: “Vendem-se caixas de som sem uso”

Paródia da novela das 8h: Totó, do Grêmio, conversa com Clara, do Flamengo, e pensa: ”Pela segunda vez não dá”

A comemoração de Kidiaba, símbolo do tombo do Inter no Mundial, ganhou na internet o rosto de Ronaldinho e a camiseta do Flamengo


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ZERO HORA SEGUNDA-FEIRA, 10 DE JANEIRO DE 2011

Há 30 anos em ZH

Paulo Sant’Ana

AS NOTÍCIAS ABAIXO FORAM PUBLICADAS NA EDIÇÃO DE SÁBADO, 10 DE JANEIRO DE 1981

Será conhecido hoje o melhor dos Campeões do Mundo.Brasil e Uruguai entram em campo às 18h,para disputar a final do Mundialito,ou Copa de Ouro,criada pela Fifa para marcar o cinquentenário da Copa do Mundo.O time de Roque Máspoli já está definido, mas Telê Santana ainda precisa saber se Edevaldo estará recuperado.Há 20 anos sem perder para o Uruguai,o Brasil foi derrotado em Montevidéu por 1 a 0,em julho de 1960.

REPRODUÇÕES

Mundialito será disputado hoje

psantana.colunistas@zerohora.com.br

Listão dos aprovados

Banrisul suspende operações de crédito

Confira o listão dos aprovados na Universidade Federal do Rio Grande (Furg),na Faculdade de Filosofia,Ciências e Letras Imaculada Conceição (Fic),de Santa Maria,e na Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora Medianeira (Facem),também de Santa Maria.

O presidente do Banrisul,Jorge Badot Miranda,anunciou ontem o encerramento de todas as operações de empréstimo do banco,para se adaptar ao novo sistema imposto pelo Banco Central.A medida limita em 5% o crescimento das instituições financeiras no primeiro trimestre deste ano.

OUTROS DESTAQUES Será promovido no próximo dia 17 o primeiro passeio de motos entre Porto Alegre e Tramandaí.O percurso começará às 8h,no entroncamento da Avenida Assis Brasil com a freeway,terminando em frente ao restaurante Panorâmico de Tramandaí. ●

A atriz Cheryll Ladd (foto), da série de TV As Panteras, foi escalada para interpretar no cinema Jean Seberg – atriz que se suicidou em setembro de 1979, em Paris.

O Irã informou ontem que a cidade petrolífera de Abadan foi alvo de intensos bombardeios da artilharia iraquiana.Segundo a agência iraniana Pars,além de os ataques terem sido dirigidos contra alvos civis,zonas residenciais da cidade também foram bombardeadas. ●

Famoso por interpretar o Incrível Hulk na TV,o ator Lou Ferrigno (foto) esteve no início desta semana no Rio, depois de passar por Buenos Aires, onde fez algumas apresentações de halterofilismo.Sem querer chamar atenção,o ator foi reconhecido pela imprensa ao sair do Hotel Sheraton. ●

● As obras do corredor de ônibus da Avenida Bento Gonçalves vêm causando transtornos aos moradores da região.Há dois dias,o barulho de um compressor se tornou alvo de muitas reclamações. Pessoas que moram próximo à PUC afirmaram que o ruído é ensurdecedor e que será solicitada à Secretaria da Saúde uma verificação dos decibéis.

● Depois de fugir do Uruguai,na madrugada do dia 1º deste mês,o cientista uruguaio Claudio Benech conseguiu ontem a proteção do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).O órgão da ONU,com sede no Rio,concedeu a ele e a sua família o status provisório de refugiados políticos. Benech,a mulher e os filhos mais velhos encontram-se em Porto Alegre.

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Pesquisa: Cristiane Medeiros (Centro de Documentação e Informação/ZH) >cristiane.medeiros@zerohora.com.br > 3218-4792

Cara de palhaço

A

atitude de Assis Moreira com o Grêmio não pertence ao padrão humano. A atitude dele contém um ódio que deve remontar ao tempo em que seu pai era zelador de carros no Estádio Olímpico. O ato agora dúplice de Assis é intrigante, inexplicável sob o ponto de vista do comportamento normal e esperado dos humanos. ▼ Assis ludibriou por duas vezes o Grêmio, engrupiu por duas vezes o Grêmio,fez o Grêmio,o presidente Odone e nós, os gremistas,de bobos e de palhaços, exatamente como no samba celebrizado pelo cantor Miltinho:“Cara de palhaço/ pinta de palhaço/ roupa de palhaço/ foi este o meu amargo fim/ cara de gaiato/ pinta de gaiato/ roupa de gaiato/ foi o que arranjei pra mim/ estavas roxa/ por um trouxa/ pra fazer cartaz/ na tua lista/ de golpista/ tem um bobo a mais/ quando a chanchada/ deu em nada/ eu até gostei.E a fantasia/ foi aquela que esperei./ Mas se ele quiser voltar/pra mim/ vai ser assim/ cara de palhaço/ pinta de palhaço/ roupa de palhaço/ até o fim...”. ▼ Não é normal a atitude de Assis,porque agora ele não poderá mais pisar em Porto Alegre,tal a revolta popular causada pelo seu ludibrio. Cá para nós,leitores,é normal a conduta de Assis? Não é mórbida? Exemplifico: se eu tirasse a Mega Sena daVirada,de que me adiantariam os R$ 194 milhões se eu não pudesse pisar em Porto Alegre,a minha terra natal? Eu com esta fortuna toda seria mais infeliz que um mendigo embaixo da ponte. ▼ É preciso que o Grêmio e os gremistas tenham agora a serenidade dos sábios que reiniciam suas vidas depois de uma tragédia. O Grêmio não pode desanimar.A massa tricolor,aliada aosVontobel,aos Gerdau,aos Grendene,todo o Grêmio de ricos e pobres,

de negros e brancos,tem de tirar deste episódio lastimável forças para tornar o clube ainda maior do que já é e pretendia ser até a segunda negaça de Assis. ▼ Sorte só dos leitores desta coluna que viram escrito aqui nos últimos dias que“Assis enganará o Grêmio pela segunda vez”e que “cachorro ovelheiro,só matando”. Está certo:sou um pessimista.Mas eu tinha o cutuco de que o caráter deAssis não era torto só para uma edição.Ele faria isso com o Grêmio três vezes,20 vezes,1 milhão de vezes. Pau que nasce torto morre torto. ▼ Quando o presidente Odone anunciou, sábado,o fim das negociações com Assis,eu estava no Litoral. Vi pessoas amaldiçoando Assis aos gritos, em Capão Novo.Vi pessoas revoltadas até com baba de ódio a umedecer as palavras de impropério em Atlântida.Vi pessoas em um bar de Capão da Canoa gritar em coro: “Traidor,traidor”... Uma revolta assustadora. ▼ Desfrute Ronaldinho o Flamengo ou outro qualquer clube.Sejam felizes os irmãos Moreira,aproveitem sua fortuna ganha em cima da dor e do desconsolo dos gremistas. E,quando um dia no futuro Assis e Ronaldinho se reunirem com seus filhos e netos,evitem por favor de pronunciar a palavra Grêmio. Livrem pelo menos as crianças desta lembrança trágica. ▼ Inédito na história do jornalismo esportivo: há três dias,David Coimbra deu em primeira mão a notícia de que Ronaldinho já era do Grêmio.Sábado,o mesmo David Coimbra foi quem deu a notícia,em primeira mão,de que Ronaldinho não vinha mais,definitivamente, para o Grêmio. Uma martelada no cravo,outra na ferradura.

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Caso Ronaldinho - ZH - 10/01/2011 by GZH Digital - Issuu