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Vítor Ribeiro - Raízes da Ma

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VÍTOR RIBEIRO Raízes da Matéria


07. Densidade 50 x 30 x 30 cm | Mármore branco | 2026


Raízes da Matéria Há pedras que parecem ter sido esperadas durante milénios até que uma mão as reconhecesse. É esse o gesto que atravessa a obra de Vítor Ribeiro: mármore, travertino, lioz e brecha, trabalhados até revelarem, por baixo da dureza mineral, formas que respiram como corpo vivo — troncos que se ramificam, ninhos que se enrolam sobre si próprios, montanhas que guardam a memória da erosão. O escultor não impõe a forma à pedra: escuta-a! Deixa que a firmeza, o poro e a veia do material sugiram o caminho do desbaste. Nesta exposição, a árvore surge como motivo recorrente — não como representação literal, mas como estrutura de pensamento. Os troncos emolduram-se a si mesmos, as raízes entrelaçam-se em nós que resistem à leitura de cima para baixo, e cada obra parece crescer para fora do bloco original, como se a pedra ainda estivesse a decidir os seus próprios limites. A sua obra trabalha por adição de vazio: o que é retirado importa tanto quanto o que permanece. Ao lado das formas arbóreas, o “Ninho” e as peças de superfície porosa aproximam o olhar de uma escala geológica e microscópica em simultâneo; texturas que lembram travertino em bruto, favos, ou a casca de um fruto seco, convocando associações com o trabalho de escultores que, como Medardo Rosso, procuraram capturar o instante de transformação da matéria antes que ela se fixe numa forma definitiva. Há nestas peças uma tensão entre o polido e o áspero, entre a pele lisa da pedra trabalhada e a crosta original deixada intacta, que testemunha o processo da escultura e a origem do material. A “Densidade” e a “Transição”, títulos que o próprio artista escolhe com precisão — apontam para o cerne desta pesquisa: como pode a pedra, símbolo maior de permanência, expressar o movimento, a passagem e o crescimento? Vítor Ribeiro responde com formas que parecem estar sempre a meio de um gesto; um braço que se estica, uma raiz que se desenrola, uma montanha que ainda respira. O visitante é convidado a rodear cada peça porque nenhuma se revela por inteiro num único ponto de vista. Mais do que obras de arte, estas esculturas são guardiãs de memórias, de tempo geológico e de um diálogo silencioso entre o artista e a pedra. Diálogo que, por vezes, dura anos. Esta exposição propõe um momento de pausa diante dessa paciência e é um convite a olhar cada escultura não como algo inerte, mas como algo que ainda está a acontecer. Álvaro Silva Agosto 2026

14. Casa/Ninho 16 x 33 x 35 cm | Brecha de Sto. António | 2026


11. A Medardo Rosso 93 x 32 x 32 cm | Travertino | 2026

08. Transição 60 x 25 x 27 cm | Travertino | 2026


Vítor Ribeiro (n. 1957) Escultor, nasceu no Porto e formou-se no AR.CO em 1985. Trabalha sobretudo a pedra e a madeira, num percurso marcado desde cedo pela participação em simpósios internacionais de escultura e por uma extensa obra de carácter público, em Portugal e no estrangeiro. Vive e trabalha em Mafra. Exposições individuais (desde 2010): “Raízes da Matéria”, Galeria São Mamede, Lisboa (2026); “Pedra Nua”, Museu de Arqueologia e Etnografia de Setúbal e Casa da Cultura Jaime Lobo, Ericeira (2025); “O Caminho das Pedras”, Galeria São Mamede, Lisboa (2022); Galeria Augusto Cabrita, Seixal (2021); “Árvores Improváveis”, Galeria São Mamede, Lisboa (2019); “Florestas Brancas”, Galeria do Espírito Santo, Loulé (2018); “É de Pau É de Pedra” (com Álvaro de la Vega), Biblioteca FCT – Universidade Nova de Lisboa, Monte da Caparica (2018); Galeria Municipal de Barcelos (com Álvaro de la Vega) (2017); “Lugar de Silêncios”, Mosteiro da Batalha (2016); “Florestas Brancas”, Galeria São Mamede, Porto (2016); “A Brincar com o Fogo”, Galeria São Mamede, Lisboa (2015); “Por Dentro, Por Fora” (com Rui Matos), Galeria Municipal de Matosinhos (2013); Galeria São Mamede, Porto (com Rui Matos) (2012). Exposições coletivas (seleção desde 2010): Participa em exposições coletivas desde 1981. “Transfronteiras”, Galeria La Catedral, Lugo, e Sala Carlos III, Fundación Expo Nave, Ferrol (2026); Espacio Benny (com Álvaro de la Vega) (2025); Galeria Municipal do Montijo (com o fotógrafo Francisco Pereira Coutinho) (2023); Art Madrid, stand da Galeria São Mamede, Madrid (2022); “Cinco Escultores”, Galeria de Arte do Convento do Espírito Santo, Loulé (2020); Galeria São Mamede, Lisboa

03. Guardador de Memórias II 85 x 30 x 30 cm | Travertino | 2026

e Algarve (2019); Museu Nacional Soares dos Reis (Jardins), Porto (2015); “Déjeuner sur l’herbe”, Campus da Universidade Nova de Lisboa, Monte da Caparica (2014); “Três Escultores”, Museu Alberto Sampaio, Guimarães (2012). Coleções e obra pública (seleção): Comissão de Coordenação da Região do Norte, Porto; Câmaras Municipais de Almada, Albufeira, Alfândega da Fé, Cascais, Aveiro, Oliveira de Frades, Braga, Seixal, Vila Pouca de Aguiar, Penafiel, Portalegre, Vila Nova de Gaia, São Pedro do Sul, Grândola, Porto, Sines e Matosinhos; Presidência da República do Uruguai; Iwate Park, Japão; Fundação Mário Soares; Centro Cultural Morgadinhos, Vilamoura; Escola D. Dinis, Lisboa; Museu Peter Diem, Amesterdão; Universidade Nova de Lisboa, Monte da Caparica; CAMB – Centro de Arte Manuel de Brito, Oeiras; Coleção PLMJ, Lisboa; entre outras coleções públicas e privadas, em Portugal e no estrangeiro. Prémios: 1.º Prémio da Association Internationale des Arts Plastiques/UNESCO (1999). TEXTO

Álvaro Silva

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FOTOGRAFIA E GRAFISMO

Galeria São Mamede

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IMPRESSÃO

Gráfica Vilar do Pinheiro

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TIRAGEM

300 Exemplares


06. Janela para um Jardim 35 x 72 x 21 cm | Lioz | 2026

www.saomamede.com galeria@saomamede.com Setembro - Outubro 2026

Capa: 04. Erosão da coisa sonhada 83 x 31 x 29 cm | Travertino | 2026

R. Miguel Bombarda, 624 4050-379 Porto Tel/Fax +351 226 099 589 M +351 934 388 500

R. Escola Politécnica, 167 1250-101 Lisboa Tel +351 213 973 255 Fax +351 213 952 385


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