

Maísa Champalimaud
SORRIO

01. Se fosse certinho não seria eu Acrílico sb juta | 131 x 94 cm | 2025
SORRIO
Há uma memória antiga onde ser autêntica não era seguro. O corpo lembra-se antes de mim. Lembra-se do escuro, do medo, do subir um morro à procura de um lápis e de um papel. Lembra-se do que não podia ser dito - e de tudo o que, mesmo assim, eu disse. Desenhei. Falei. Mostrei.
E incomodei.
Desde cedo percebi que a verdade desorganiza. Que ver demais é perigoso. Que sentir em excesso não cabe num mundo polido. Então aprendi a oscilar: entre esconder e explodir, entre o silêncio e o furacão.
O meu trabalho nasce nesse lugar. Um território onde a infância ainda vive, crua e confusa; luminosa e escura. Onde o amor e a violência coexistem.
Onde a imaginação foi abrigo e sobrevivência.
Tudo o que faço é autobiográfico, mesmo quando são apenas “cadeiras”. As minhas pinturas não são sobre o mundo, mas sobre a forma como o mundo vive em mim, com toda a sua cor, todo o o seu amor. As telas crescem como o meu corpo nunca pôde crescer. O gesto alarga-se. A cor não pede licença. Ocupo espaço, ocupo o olhar do outro, ocupo para existir. Mas este ocupar não é conquista, é sobrevivência. O ego que se expande é uma armadura - é o mesmo que protege a criança chamada de frágil, de excessiva, de confusa. É o eco de todas as vozes que me tentaram reduzir.
Vivo entre extremos: entre a luz que ofereço e o escuro que me habita, entre o samba e o abismo, entre a alegria que contagia e a melancolia que me funda. Por isso aprendi a contar desgraças em tom de canção. A fazer da dor uma festa. A transformar queda em movimento.
Esta exposição é um grito contido durante anos. Um assumir. Um atravessamento. Aqui, as pinturas são corpo, memória, tentativa, erro, repetição, excesso. Vestígios de uma vida vivida intensamente, mesmo quando em fuga, em busca da beleza imperfeita. Uma beleza com história, com falha, que seduz e desarma. Que aproxima e permite. No fundo, o que me move é simples: levar cor onde falta luz. Levar presença onde há vazio. Levar verdade onde há silêncio.
Mesmo que seja apenas num pequeno círculo, numa casa, num corpo, num olhar.
Eu sou cor.
Eu sou furacão.
Eu sou sombra e luz.
Eu sou ego.
Eu sou amor.
E talvez, pela primeira vez, esteja a permitir-me ser inteira.
Maísa Champalimaud




06. Que bom que deu errado Acrílico e lantejoulas sb papel | 99 x 69 cm | 2026
08. Vivendo coisas Acrílico e lantejoulas sb papel | 99 x 69 cm | 2026
Sei
| 154
107 cm | 2026
03.
lá Técnica mista sb tela
x
06.
08.
Moita Macedo (1930-1983)
Maísa Champalimaud (n.
1987)
Nascida em Lisboa, Maísa Champalimaud é uma artista luso-brasileira cuja prática se distingue pela liberdade gestual, intensidade cromática e dimensão intuitiva do processo criativo. A sua obra desenvolve-se através de uma linguagem própria, onde memória, experiência pessoal e referências culturais se cruzam em composições vibrantes e expressivas.
José Albano Pontes Santos Moita Morais de Macedo nasceu a 17 de outubro de 1930, em Benfica do Ribatejo. Desde cedo revelou interesse pelo desenho e pela expressão artística, influenciado pelas paisagens do Ribatejo e do mar. Entre 1954 e 1957 cumpriu serviço militar voluntário na Índia Portuguesa, onde trabalhou com artesãos locais em barro e marfim e realizou trabalhos de restauro.
Licenciada em Pintura e Artes Plásticas pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, onde estudou entre 2006 e 2011, Maísa construiu a base da sua prática artística através de uma formação sólida em pintura, complementada por estudos de desenho, ateliers independentes e, posteriormente, por uma residência artística no MArt - espaço de projecto, aprendizagem e experimentação artística.
Em 1959 iniciou atividade profissional na Siderurgia Nacional, experiência que influenciaria posteriormente o uso do ferro e do aço na sua obra. Em 1963 conheceu Almada Negreiros na Cooperativa Gravura, onde estudou técnicas de gravura durante dois anos, realizando experiências de gravura riscada sobre vidro. Nesse mesmo ano foi premiado nos II Jogos Florais do Trabalho por trabalhos de gravação em marfim. Em 1965, o encontro com Artur Bual marcou a aproximação à tendência informalista da sua pintura.
Ao longo das décadas de 1970 e 1980 desenvolveu intensa atividade artística e cultural, dirigindo as Galerias Futura e Opinião, ilustrando capas de livros e escrevendo textos de apresentação e crítica para diversos catálogos de arte. Paralelamente dedicou-se também à poesia, publicando em 1983 o livro Cantares de Amigo. Faleceu em Lisboa, a 18 de maio de 1983.
Ao longo de quase quinze anos de percurso artístico, apresentou o seu trabalho em diversas cidades portuguesas, incluindo Lisboa, Braga, Seia, Gaia, Tavira e Faro, participando também em projetos internacionais no Brasil, Angola, Moçambique, Bélgica, Reino Unido e Estados Unidos. O seu trabalho integra coleções privadas e institucionais de relevo, entre as quais a Casa Branca. Paralelamente à produção em atelier, Maísa expandiu a sua prática para o espaço público através da realização de murais e intervenções artísticas em hotéis, edifícios e espaços culturais. Entre as exposições recentes destacam-se Foi um rio que passou na minha vida e Azul, no Coletivo 284, Underwater, no Hotel Verride, Wonderland, no Taguspark, e #Poptrait, na Oriq. Foi ainda finalista do Prémio de Tapeçaria de Portalegre.

Exposições Individuais: 2026 - Never Stop Dreaming; 2025 - #POPTRAIT; 2024 - Underwater; 2023 - Azul, Memórias; 2022 - Open Day, Foi um Rio que passou em minha vida; 2021 - When the World Goes Pop; 2018 - Exposição de Pintura na Livraria Ler Devagar; 2017 - Sobre livros, Devaneios oníricos; 2016 - Between Phases, Entre a distância e o presente, Entra a manhã e o anoitecer; 2015 - Pessoa; 2014 - Perdidos na Terra do Nunca, Love is the Answer, Malditos Burocratas, Em Lusofonia; 2013 - Leve-Leve.
Exposições Coletivas: 2026 - Leilão Esclerose Múltipla, Leilão Solidário Farol ATT; 2025 - Sentidos, Finalista Prémio Tapeçarias Portalegre, Capiti Art Mind, Leilão Solidário Farol ATT, Quinta Essência; 2023 - Imperfeita 1.3, Showcase, Quinta Essência, We Are Under Construction; 2022 - Imperfeita 1.2, Disquiet, Exposição de Pintura Sepion Cowork, Quinta Essência; 2021 - Quarentena Solidária, 5ª Bienal Gaia Internacional; 2017 - Paperworks IV, ARTIS XV, Escalas Desejantes, Capiti - Crescer para o Mundo; 2016 - Trabalhos em Papel, Exposição de Pintura na Fusca Concept Store, ARTIS XIV, MOSTRA’16, Draw Me a Fado Art Exhibition; 2015 - Obstáculos para um novo saber, Baht, Cidadela Art District, Projeto Mupi, Vaga Luz, Juntos para Ajudar; 2013 - ARTIS 13, Exposição de Fotografia, 2.º Salão Internacional de Arte do Estoril, Leilão AASUL; 2012 - Exposição de Finalistas de Pintura (10/11) da FBAUL, GAB-A, Drawing Hope, A Arte Vai ao Mercado, Exposição de Inauguração do espaço Ministerium Club; 2011 - XXIV Salão de Primavera.
Exposições Individuais (seleção) 1971 - Galeria Panorama; 1973 - Galeria Futura, Galeria Opinião; 1974 - Junta de Turismo da Costa do Sol (Estoril), Junta de Turismo da Costa da Caparica, Biblioteca Municipal de Sesimbra, Galeria Futura, Galeria Arte Nova; 1977 - Galeria Gioconda, Galeria Iberlivro; 1978 - Codilivro (Lisboa); 1980 - Galeria Peninsular, Codilivro (Lisboa); 1981 - Codilivro (Lisboa), Câmara Municipal de Vila Real de Santo António; 1982 - Coral Luísa Todi (Setúbal), Biblioteca Municipal de Sesimbra; 1991 - Galeria Diário de Notícias (Lisboa); 1993 - Galeria de São Bento (Lisboa); 1996Clube dos Empresários (Lisboa); 2001 - Enes Arte Contemporânea, Museu de Eletricidade da Madeira (Funchal); 2002 - Padrão dos Descobrimentos (Lisboa), Centro Cultural da Nazaré; 2003 - Galeria S. Mamede (Lisboa); 2004 - Galeria Artedoze; 2005 - Museu do Trabalho Michel Giacometti (Setúbal), Galeria S. Mamede (Lisboa); 2006 - Cordeiros Galeria (Porto); 2007 - Câmara Municipal de Almeirim; 2008 - Câmara Municipal da Amadora, Fundação Alentejo – Terra Mãe (Évora); 2009 - Palácio Rocha Conde de Óbidos (Lisboa); 2013 - Sociedade de Geografia de Lisboa; 2014 - Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Elvas; 2015 - Palácio Vila Flor (Guimarães); 2017 - Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo - MEIAC (Badajoz), Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva (Lisboa), Palácio da Bolsa (Porto); 2020 - Fundação D. Luís I, Centro Cultural de Cascais; 2021 - Sé de Lisboa, Sala do Tesouro; 2023 - Galeria Municipal Vieira da Silva (Loures); 2024 - Câmara Municipal de Barcelos, Reitoria da Universidade de Lisboa; 2025 - MU.SA - Museu das Artes de Sintra, Palácio Anjos - Centro de Arte

Técnica mista sb papel em tela | 57 x 37 cm | 1977
14. P*taquipariu
Acrílico sb caixa de acrílico | 169 x 159 cm | 2026
13. Olha o mateee
Acrílico sb caixa de acrílico | 169 x 159 cm | 2026

É
www.saomamede.com galeria@saomamede.com Junho - Julho 2026
R. Miguel Bombarda, 624 4050-379 Porto
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32.
sobre objectos casa - é sobre objectos seguros #11
Acrílico sb televisor | 30 x 44 x 36 cm | 2026
Capa:
16. Mapeando em lantejoulas
Técnica mista e colagem sb papel | 199 x 199 cm | 2026