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Quem nunca falou sozinho no Twitter?

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REPORTAGEM

Domingo 17.4.2011 JORNAL ABC

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A VIDA EM REDE

Quem nunca falou sozinho no Twitter? Gabriel Guedes

uma tuitada que resolve

Gabriel Guedes/GES-Especial

Não publicar tópicos pessoais, nem fazer críticas ácidas, muito menos entrar nos assuntos mais comentados que figuram entre os dez dos trending topics. A receita da jornalista Bruna Provenzano, 25 anos, de Novo Hamburgo, é a forma como espera atrair a atenção para seus tweets por meio da relevância. Amante de esporte, principalmenBRUNA PROVENZANO te futebol, ela Há postagens que não causam reação em ninguém também evita ironizar den-

Utilização “feliz” protege de frustrações

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6%

ternet, que é a comunicação. “As pessoas estão conectadas, mas isso é nada se não houver interação. É uma rede pobre de capital social”, conceitua. Também é fundamental fazer uma utilização das redes sociais da maneira que lhe mais agrada. “É buscar a utilização que te faz feliz, que seja o contato ideal. Do contrário, você só irá arranjar inimigos”, recomenda a consultora.

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ferramentas para adicionar usuários massivamente não funcionam. “Falar muito também não adianta se não tiver conteúdo”, ressalta. Martha lembra ainda de uma citação no livro Economia da Atenção, de Thomas Davenport e John Beck, para melhor ilustrar. “Quanto mais informação, menos atenção”, exemplifica. Então, fica a dica de que nem o número de seguidores e nem o volume de tweets são determinantes na hora de ser reconhecido como um tuiteiro de sucesso. O ideal, segundo a especialista, é que as pessoas lembremse sempre do essencial na In-

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Em busca da popularidade no Twitter, há quem faça de tudo para se tornar uma celebridade virtual. O sonho dos vidrados em obter seguidores é se igualar a líder no ranking, a cantora Lady Gaga, que possuía até a última quinta-feira 9.371.588 usuários a seguindo. Mas da prática para a realidade há diferenças. Quem não se destaca no mundo real, se vale de métodos para agregar seguidores à força e assim parecer prestigiado ante seu mundo. Segundo a consultora da ADVB/ RS, Martha Gabriel, há quem fique deprimido quando não consegue se destacar. “Até o número de seguidores causa comparações e deixam as pessoas infelizes”, alerta. De acordo com a consultora,

NECESSIDADE Há quem também use o Twitter para impulsionar os acessos ao 92% seu blog. Contudo, a falta do feeretuitam na dback dos visitantes, de acordo ganham primeira hora com Martha, faz também retweet o blogueiro abandonar o ofício pela falta de diálogo. “Tem pes1,53% quisas que mosganham três 10,7% tram que falar respostas ganham na rede, mesduas mo sem direspostas reção, é uma necessidade, sem reação mas que conforme o temganham po e a atenção resposta dada pelos demais internautas, vai deixando 85% a pessoa mais trisganham uma te”, alerta. resposta Sobre as corporações, Martha lembra que a postura de marcas na web é diferente da de uma pessoa. “Não podem responder a provocações, ofensas ou a um pequeno grupo. Na gestão de A Sysomos, companhia norte-americana de pesquisa em crise, o melhor é não responder.” mídias sociais, na análise mais recente, varreu 1,2 bilhão Pelo jeito, o silêncio também faz de tweets entre agosto e setembro de 2009 para chegar ao escola nas redes sociais. resultado. Ter mais seguidores não é sinônimo de influência

71%

tro dos 140 caracteres. “Sou bem discreta. Procuro colocar coisas relativas à minha profissão e ao esporte. Claro, há várias situações em que posto algo que julgo interessante, mas ninguém responde”, conta Bruna, que diz não se abater com a situação. “Eu já consegui, por exemplo, resolver um problema com a Azul usando o Twitter, após não obter solução via telefone. Era por causa de uma mala danificada durante uma viagem que fiz no ano passado”, pontua.

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Sete em cada dez mensagens enviadas à rede do microblog Twitter são ignoradas por seus usuários. Isso significa que grande parte das coisas que você tuita e julga interessantes são solenemente deixadas de lado pelos seus seguidores, que não respondem, sequer dão retweet (RT). Há até quem se desanime e passe a ser apenas um mero espectador, depois de muitas tuitadas desiludidas. Também há aqueles que não conseguem obter a resposta de uma empresa ou organização sobre um produto ou serviço. Mas não se preocupe se você faz parte das estatísticas. Afinal, quem nunca falou sozinho na rede? O fenômeno no Twitter, segundo a consultora da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil no Rio Grande do Sul (ADVB/RS), a especialista em Internet e Marketing Martha Gabriel, parte de uma transformação da sociedade. “Hoje estamos hipersociais. Éramos socializados. Não se perde mais contato com as pessoas como antigamente”, explica. Martha afirma ainda que o Twitter, no papel de socializador, é o que tem a melhor vocação entre as redes sociais. “O Twitter ecoa mais”, avalia. No entanto, segundo Martha, para provocar o eco, é necessário ser bem conceituado. “Se não tiver boa reputação, os seus amigos, os contatos não irão ecoar sua mensagem”, aponta. Apesar disso, a especialista garante que o Twitter não é um monólogo. “Há diálogo, sim”, ratifica.

MARTHA GABRIEL No Twitter e no Facebook, não vale falar muito se não tiver conteúdo relevante

“Eu me sinto falando com as paredes virtuais” Reprodução

23%

Retweets e respostas

A internet é um dos melhores meios de manter contato com quem está longe. Mas nem tudo são flores. Pelo menos no caso da psicóloga Fabiana Keller, 32 anos, natural de Novo Hamburgo. Ex-moradora de Nova Petrópolis e hoje em Bento Gonçalves, ela conversou com o ABC Domingo pelo Twitter. “Eu utilizo mais o Facebook e o MSN para conversar com o pessoal de Novo Hamburgo e Nova Petrópolis”, descreve. No

entanto, no Twitter, Fabiana conta que logo que abriu a conta era mais ativa. “Eu comentava de tudo. Mas eu sou sincera, até demais às vezes. Mesmo assim, quase nunca tenho resposta. Eu me sinto falando com as paredes virtuais, por isso desanimei”, conta a psicóloga, que hoje mais lê do que posta tweets. “No Facebook, recebo respostas e os cliques no botão curtir, o que é prazeroso para quem escreve ter esse retorno”, confessa.


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Quem nunca falou sozinho no Twitter? by Gabriel Zanin Guedes - Issuu