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E-BOOK_GESTÃO_URBANA_GABRIEL E MONYCK

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GESTÃO URBANA AUTORES: POR UMA GESTÃO SUSTENTÁVEL, INCLUSIVA E INTEGRADA GABRIEL VINÍCIUS E MONYCK SLOWVYCK 1


APRESENTAÇÃO Este trabalho corresponde ao estudo realizado no 8º período do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Pernambuco, na disciplina de Gestão Urbana. Foi desenvolvido pelos alunso Gabriel Vinícius e Monyck Slowvyck, com orientação das professoras Clarissa Duarte. Em essência, o objetivo foi articular diferentes atividades e características do território dentro de um sistema integrado, promovendo seu desempenho e impulsionando a renovação de áreas degradadas, ociosas e vazios urbanos

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SÚMARIO 1.POR UMA GESTAO SUSTENTAVEL 1.1 Compreendendo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 1.2 Definindo uma Estratégia de Sustentabilidade 1.3 Aplicando a Estratégia no Território de Estudo

2.POR UMA GESTAO INCLUSIVA 2.1. Compreendendo o conceito de Planejamento Participativo e Inclusivo 2.2. Compreendendo as percepções e necessidades da população local 2.3. Propondo Diretrizes para uma gestão inclusiva

3.POR UMA GESTAO INTEGRADA 3.1. Compreendendo o conceito de Planejamento Integrado 3.2 Compreendendo a Estrutura da Gestão Municipal do Recife 3.3. Investigando o Grau de Integração do Planejamento Urbano no Recife: a Gestão dos Espaços Públicos Viários 3.4 Efeitos da nova estrutura na gestão público

REFERÊNCIAS

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INTRODUÇÃO O desenvolvimento deste primeiro capítulo foi guiado por uma metodologia organizada em etapas bem definidas. O ponto de partida foi a introdução ao bairro de São José, no Recife, que serviu como campo de estudo para compreender a realidade urbana local. A partir daí, o processo foi dividido em quatro fases principais:

1. Observação do território: Por meio de visitas e conversas com moradores, foram identificadas as principais dificuldades e também os potenciais do bairro. 2. Análise das origens dos problemas: Investigamos o que está por trás dos desafios enfrentados, como a falta de políticas públicas adequadas, o abandono de patrimônios e os efeitos da especulação urbana. 3. Criação de propostas: Foram elaboradas diretrizes com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), focadas em soluções que respeitam a identidade do bairro e que possam ser aplicadas de forma prática. 4. Estudo das percepções locais: As entrevistas realizadas foram organizadas para identificar temas comuns e entender o que a população realmente espera em termos de melhorias.

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Essa abordagem permitiu construir uma proposta de planejamento urbano mais conectada com as necessidades reais dos moradores, ao mesmo tempo em que segue princípios sustentáveis e de inclusão. O raciocínio por trás da proposta foi estruturado considerando diferentes escalas: o bairro, a cidade do Recife, a Região Metropolitana e o estado de Pernambuco. O objetivo foi transformar os ODS em ações aplicáveis ao cotidiano do bairro. Problemas como o saneamento precário e o abandono de imóveis exigem mais do que soluções técnicas isoladas — é necessário um conjunto de intervenções articuladas, como ocupção dos vazios urbanos, ativação de térreos, densificação habitacional e a implantação de áreas verdes. Essas ações visam resgatar o valor cultural e econômico da região. O segundo capítulo se dedica a ouvir quem vive e trabalha em São José. Foram 39 entrevistas que revelaram o quanto o planejamento urbano precisa estar alinhado com a vida das pessoas. As diretrizes sugeridas no trabalho são respostas diretas às preocupações, desejos e esperanças desses moradores. Na etapa final, o foco foi entender por que tantas iniciativas urbanas esbarram em barreiras dentro do próprio poder público. É preciso criar mecanismos que garantam esse diálogo constante, usando os ODS como linguagem comum entre os setores. Este trabalho apresenta um caminho possível, testado na prática, e propõe uma nova forma de pensar a cidade — uma forma que coloque as pessoas no centro da gestão urbana.

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1. POR UMA GESTÃO SUSTENTÁVEL

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1.1 Compreendendo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um plano global para erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e garantir paz e prosperidade para todos até 2030. Compostos por 17 objetivos e 169 metas, os ODS abordam desafios interconectados, incluindo a ação climática, igualdade social, consumo responsável, desenvolvimento econômico e justiça. Esses objetivos servem como um guia para governos, empresas e sociedade civil na construção de um futuro mais equilibrado, promovendo um crescimento sustentável que respeite os limites do planeta e assegure qualidade de vida para as gerações presentes e futuras. Para que os ODS sejam alcançados, é fundamental o engajamento de governos, setor privado, instituições acadêmicas e sociedade civil. No campo da arquitetura e urbanismo, por exemplo, os ODS influenciam a criação de cidades mais sustentáveis (ODS 11), projetos que promovam eficiência energética, mobilidade urbana, habitação digna e espaços públicos inclusivos. Assim, os ODS representam não apenas um compromisso global, mas um chamado à ação, exigindo inovação, cooperação e responsabilidade compartilhada para a construção de um mundo mais justo, equilibrado e sustentável até 2030.

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Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

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1.2 Definindo uma Estratégia de Sustentabilidade O bairro São José apresenta um alto índice de vazios urbanos, que, quando bem planejados, podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento sustentável da cidade. No entanto, quando subutilizados ou abandonados, esses espaços contribuem para a exclusão social, a precarização das condições de vida e a carência de áreas de convivência e lazer para a população Diante desse cenário, o objetivo principal é fomentar cidades e comunidades sustentáveis, alinhando-se diretamente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11 da ONU: "Cidades e comunidades sustentáveis", que busca tornar os centros urbanos mais inclusivos, seguros, resilientes e ambientalmente responsáveis. Além disso, é possível destacar outros ODS que se relacionam com essa abordagem: 1.ODS 10 - Redução das desigualdades: A criação e revitalização de espaços públicos podem ajudar a diminuir as desigualdades sociais, garantindo acesso a áreas de lazer, transporte e cultura, especialmente para comunidades marginalizadas. 2.ODS 3 - Saúde e bem-estar: Espaços públicos bem planejados e acessíveis são fundamentais para promover a saúde física e mental da população, incentivando a prática de atividades ao ar livre e proporcionando um ambiente mais saudável. 3.ODS 9 - Indústria, inovação e infraestrutura: A requalificação de vazios urbanos pode estimular a inovação e melhorar a infraestrutura local, contribuindo para a criação de espaços urbanos mais modernos e sustentáveis. Dessa forma, a implementação dessas estratégias visa não apenas melhorar a qualidade de vida dos moradores do bairro São José, mas também reduzir desigualdades sociais e promover uma cidade mais integrada e sustentável.

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Estratégia de Sustentabilidade

Fonte: Autores, 2025.

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1.3 Aplicando a Estratégia no Território de Estudo Garantir qualidade de vida e bem-estar para todos. Estratégia: Promoção de espaços que incentivem hábitos saudáveis e qualidade de vida. Ações: Construção de ciclovias e rotas para pedestres, estimulando a mobilidade ativa. Implantação de áreas para prática esportiva, como academias ao ar livre e quadras comunitárias. Criação de hortas urbanas e espaços verdes, proporcionando contato com a natureza e melhoria da qualidade do ar.

Desenvolver infraestrutura sustentável e fomentar inovação urbana. Estratégia: Requalificação de áreas degradadas para incentivar a economia local. Ações: Revitalização de prédios industriais abandonados, transformando-os em polos de inovação e coworking. Criação de mercados e feiras de economia criativa, incentivando o empreendedorismo local. Instalação de internet pública gratuita nas áreas revitalizadas para estimular a conectividade digital.

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Diminuir desigualdades dentro das cidades, garantindo acesso equitativo a espaços e oportunidades. Estratégia: Democratização do uso dos espaços urbanos e garantia de acessibilidade universal. Ações: Criação de equipamentos públicos multifuncionais, como centros comunitários e espaços culturais. Habitação acessível e inclusão de moradia estudantil, garantindo diversidade social no bairro. Promoção de eventos culturais e feiras populares, incentivando a ocupação democrática do espaço.

Tornar os centros urbanos mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Estratégia: Requalificação dos vazios urbanos para transformá-los em espaços públicos ativos. Ações: Criação de praças e parques urbanos, promovendo áreas de lazer e convivência. Reabilitação de edificações subutilizadas, destinando-as para habitação social, comércio e serviços. Implementação de infraestrutura verde, como telhados verdes e corredores ecológicos, para aumentar a resiliência climática.

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POR UMA GESTÃO SUSTENTÁVEL Aplicando a Estratégia no Território de Estudo

TETO VERDE

CICLOVIAS E ROTAS

PRAÇAS E PARQUES PÚBLICOS

ACADEMIAS AO AR LIVRE

MERCADOS E FEIRAS DE ECONOMIA CRIATIVA

EVENTOS CULTURAIS COWORKING PÚBLICO

HORTAS URBANAS E ESPAÇOS VERDES

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2. POR UMA GESTÃO INCLUSIVA

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2.2 Compreendendo as percepções e necessidades da população local O Planejamento Participativo e Inclusivo é uma abordagem que busca envolver a comunidade local na tomada de decisões sobre o desenvolvimento urbano, assegurando que as vozes dos diversos atores sociais sejam ouvidas e consideradas ao longo do processo. Seu objetivo principal é promover a equidade, a justiça social e a sustentabilidade, contribuindo para a construção de cidades mais justas e resilientes. A disciplina de Gestão Urbana foi estruturada com base no livro Guia de Introdução ao Planejamento Urbano Integrado, do programa Cidades Sustentáveis. Inicialmente, foram abordados conceitos teóricos do planejamento urbano, com destaque para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em escala global, e os Planos Setoriais do Recife, em escala local. Complementando os estudos, foi realizada uma imersão prática voltada à elaboração de um esboço de gestão urbana integrada, aplicada ao território analisado em outras disciplinas: o recorte do bairro de São José. Diante disso, ao se analisar e gerir um espaço — especialmente em contextos comunitários —, é fundamental realizar um processo de reconhecimento da identidade local. Essa abordagem pode ser conduzida por meio de pesquisas de campo e do diálogo com líderes comunitários. Tais ações não apenas funcionam como instrumentos essenciais para orientar políticas urbanas, como também visam promover o desenvolvimento local e estabelecer diretrizes para o uso e ocupação do território.

QR code com o formulário completo

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Registro fotográfico da aplicação dos formulários. Fonte: Autores, 205

A metodologia adotada inclui a aplicação de questionários cuidadosamente elaborados na área de estudo, com perguntas estratégicas voltadas à compreensão dos colaboradores e das dinâmicas de suas comunidades. As pesquisas abordam tanto os aspectos positivos quanto os negativos percebidos pelos entrevistados, identificam demandas por melhorias e analisam os benefícios existentes, bem como o grau de interação dos moradores com o entorno. Essas perguntas são fundamentais para identificar as reais necessidades da população e contribuir de forma eficaz para o aprimoramento das propostas voltadas à comunidade.

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Registro fotográfico do camelódromo. Fonte: Autores, 205

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Este relatório apresenta a síntese das respostas coletadas por meio de questionários aplicados na área central do Recife, com foco no bairro de São José e adjacências. A pesquisa teve como objetivo identificar as necessidades, percepções e propostas da população local em relação ao uso do espaço urbano e aos possíveis caminhos para um planejamento urbano mais inclusivo e participativo. O perfil dos entrevistados é bastante diversificado. A maioria está na faixa etária entre 35 e 59 anos, com predomínio do gênero masculino. Em relação à raça, observou-se um equilíbrio entre pessoas pretas e brancas. A escolaridade variou significativamente, indo desde o ensino fundamental incompleto até o ensino superior completo. Quanto à relação com o bairro, os entrevistados se distribuem entre moradores, trabalhadores locais e visitantes frequentes. As percepções sobre o bairro de São José revelam um forte apego a elementos culturais e patrimoniais. A Estção Central do Metrô e os mercados públicos foram apontados como estruturas que não devem ser modificadas, dada sua importância histórica e simbólica. No entanto, a segurança como pedestre foi amplamente avaliada como insatisfatória, com destaque para travessias consideradas perigosas em pontos como o cruzamento da Guararapes com a Dantas Barreto, a área da Casa da Cultura com a Tobias Barreto, e as imediações dos Correios e da Praça do Diário. A mobilidade urbana também se destaca como um tema central. O transporte público é o meio mais utilizado pelos entrevistados, seguido por veículos particulares (carros e motos) e a caminhada. Apesar disso, a infraestrutura voltada aos pedestres é vista como deficiente, o que reforça a urgência de melhorias nesse aspecto.

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Em relação aos espaços públicos e à oferta de lazer, os locais mais mencionados como utilizados pela população foram o metrô, a Praça do Diário e a Casa da Cultura. Ainda assim, a maioria dos entrevistados avaliou a quantidade de praças e parques como insuficiente ou mal distribuída. Surgiram sugestões de novas áreas verdes em frente ao metrô (atualmente um estacionamento), nas proximidades da Casa da Cultura, e na região de Sergio Loreto, além da necessidade de requalificação das praças já existentes. As visões sobre o futuro das principais vias também revelam um desejo de transformação. Para a Avenida Dantas Barreto, os entrevistados manifestaram interesse em maior arborização, instalação de mobiliário urbano, ciclofaixas e mais segurança durante a noite. Em relação à Rua da Concórdia, foi apontada a necessidade de alargamento e reorganização, especialmente considerando o comércio informal que ocupa parte das calçadas e vias. De forma geral, a análise demonstra que a população tem consciência tanto das potencialidades quanto das deficiências da região central. Os dados indicam a urgência de melhorias em mobilidade, segurança, oferta de espaços públicos e infraestrutura urbana. A aprovação unânime da ideia de transformar o estacionamento do metrô em uma praça demonstra não apenas o anseio por mais áreas de convivência, mas também a disposição da comunidade em contribuir com propostas significativas para a revitalização urbana da cidade.

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(Quando falo "Av. Dantas Barreto do Futuro", quais 3 primeiras "coisas" vêm à sua cabeça?)

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2. POR UMA GESTÃO INCLUSIVA 2.3 PROPONDO DIRETRIZES PARA UMA GESTÃO INCLUSIVA CATEGORIA

DIRETRIZES

USO E OCUPAÇÃO

Garantir que 45–50% do solo urbano seja destinado a ruas e espaços públicos (30–35% vias/calçadas, 15–20% áreas abertas). Adotar fachadas ativas e usos mistos no térreo.Reservar áreas para comércio informal com infraestrutura mínima e circulação. Integrar rampas, calçadas largas e sinalização tátil para acessibilidade universal.

CONSERVAÇÃO

Estabelecer marcos legais para impedir privatizações indevidas e definir responsabilidades de manutenção. Requalificar áreas verdes com espécies nativas e solos permeáveis

MOBILIDADE

Instalar faixas elevadas, extensões de calçada e travessias seguras. Criar ciclofaixas conectando os principais pontos.

ARTICULAÇÃO

Planejar corredores verdes ligando os principais marcos urbanos (metrô, mercados, praças, centros culturais). Promover participação popular por meio de audiências e oficinas de co-design em cada etapa de projeto.

ESPAÇOS POLARES

Fortalecer polos urbanos como Estação Central, Casa da Cultura e Mercado de São José com mix de usos (cultura, comércio, serviços). Conceder incentivos urbanísticos (como maior potencial construtivo) atrelados a melhorias públicas

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3. POR UMA GESTÃO INTEGRADA

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3.1 COMPREENDENDO O CONCEITO DE PLANEJAMENTO INTEGRADO O planejamento integrado, conforme apresentado no Guia de Introdução ao Planejamento Urbano Integrado, constitui um processo que articula diferentes políticas territoriais, tendo o plano diretor como eixo estruturante. Essa abordagem envolve a coordenação entre os diversos planos setoriais, promovendo uma gestão territorial coerente e orientada à redução das desigualdades urbanas. É uma estratégia essencial para viabilizar a implementação da Nova Agenda Urbana, ao fomentar economias de escala, fortalecer a resiliência das cidades e assegurar a conservação ambiental. Mais do que uma diretriz técnica, o planejamento assume o papel de instrumento estratégico para orientar o desenvolvimento urbano sustentável, com foco em resultados de médio e longo prazo, sempre respaldado pela legislação vigente. A elaboração de um plano urbano integrado requer o uso de tecnologias inovadoras e técnicas de gestão compatíveis com os objetivos propostos. O processo metodológico segue etapas bem definidas: Estruturação interna e organização dos trabalhos; Mobilização social e estratégias de comunicação; Diagnóstico do território (leitura técnica e participativa); Integração efetiva com os planos setoriais existentes. Como parte da metodologia da disciplina de Planejamento Urbano Integrado, nossa equipe realizou uma análise detalhada da estrutura administrativa da Prefeitura do Recife, com ênfase nas secretarias municipais. Essa abordagem permitiu compreender como a gestão pública local se organiza para atender às demandas da população e implementar políticas públicas eficazes.

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3.2 COMPREENDENDO A ESTRUTURA DA GESTÃO MUNICIPAL DO RECIFE O planejamento integrado, conforme apresentado no Guia de Introdução ao Planejamento Urbano Integrado, constitui um processo que articula diferentes políticas territoriais, tendo o plano diretor como eixo estruturante. Essa abordagem envolve a coordenação entre os diversos planos setoriais, promovendo uma gestão territorial coerente e orientada à redução das desigualdades urbanas. É uma estratégia essencial para viabilizar a implementação da Nova Agenda Urbana, ao fomentar economias de escala, fortalecer a resiliência das cidades e assegurar a conservação ambiental. Mais do que uma diretriz técnica, o planejamento assume o papel de instrumento estratégico para orientar o desenvolvimento urbano sustentável, com foco em resultados de médio e longo prazo, sempre respaldado pela legislação vigente. A elaboração de um plano urbano integrado requer o uso de tecnologias inovadoras e técnicas de gestão compatíveis com os objetivos propostos. O processo metodológico segue etapas bem definidas: Estruturação interna e organização dos trabalhos; Mobilização social e estratégias de comunicação; Diagnóstico do território (leitura técnica e participativa); Integração efetiva com os planos setoriais existentes. Como parte da metodologia da disciplina de Planejamento Urbano Integrado, nossa equipe realizou uma análise detalhada da estrutura administrativa da Prefeitura do Recife, com ênfase nas secretarias municipais. Essa abordagem permitiu compreender como a gestão pública local se organiza para atender às demandas da população e implementar políticas públicas eficazes.

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Fotos: Rodolfo Loepert e Edson Holanda/Prefeitura do Recife

A Prefeitura da Cidade do Recife é composta por 34 secretarias, organizadas de forma setorial. Para a realização deste trabalho, a professora, em conjunto com a turma, selecionou 15 dessas secretarias, com base em sua relevância para o bairro de São José e sua relação com temas ligados à sustentabilidade urbana. As secretarias escolhidas foram: Meio Ambiente e Sustentabilidade Saneamento Desenvolvimento Urbano Licenciamento Habitação Saúde Educação Mobilidade e Infraestrutura Ciências, Tecnologia e Inovação Cultura

e

Articulação Política e Social Ordem Pública e Segurança Secretaria da Mulher Relações Institucionais Gabinete do Centro Gabinete de Inovação

Cada equipe ficou responsável por uma ou mais secretarias. No presente trabalho o foco foi a Secretaria da Mulher e a Secretaria de Ordem Pública e Segurança.

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Obs: As informações e organograma sobre A Secretaria de e Ordem Pública e Segurança, são referentes a dados de abril de 2024.

A Secretaria de Segurança Cidadã do Recife (SESEC) - antigo nome - foi criada com o propósito de desenvolver políticas integradas de prevenção à criminalidade, promovendo uma cultura de paz e não violência. Parte do princípio de que a violência não é um problema exclusivo da polícia, mas uma questão social que exige ações articuladas e preventivas. O principal programa da SESEC são os Centros Comunitários da Paz (Compaz), voltados para o fortalecimento da cidadania, especialmente entre crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, residentes em áreas de maior risco. Atualmente, o Recife conta com quatro unidades do Compaz: Compaz Eduardo Campos (Alto Santa Terezinha) Compaz Ariano Suassuna (Cordeiro) Compaz Miguel Arraes (Caxangá) Compaz Dom Hélder Câmara (Coque) A Secretaria da Mulher tem como missão promover políticas públicas que assegurem os direitos das mulheres no Recife. Sua atuação é pautada por valores como igualdade, justiça social, solidariedade, transformação das relações entre Estado e sociedade civil, transparência, criatividade, inovação, respeito, ética, participação e democracia. A Secretaria da Mulher do Recife é responsável por promover políticas públicas que garantam os direitos das mulheres e a igualdade de gênero. Atua no combate à violência contra a mulher, na promoção da autonomia econômica, na educação para a igualdade e na ampliação da participação feminina na sociedade. Suas ações são guiadas por valores como justiça social, ética, transparência, inovação e democracia. O objetivo central é construir uma cidade mais justa, segura e inclusiva para todas as mulheres.

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ORGANOGRAMA DA SECRETARIA DA MULHER

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ORGANOGRAMA DA SECRETARIA DE ORDEM PÚBLICA E SEGURANÇA

36 Obs: As informações e organograma sobre A Secretaria de e Ordem Pública e Segurança, são referentes a dados de abril de 2024.


ORGANOGRAMA GERAL DAS SECRETARIAS DA PREFEITURA DE RECIFE

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3.2 INVESTIGANDO O GRAU DE INTEGRAÇÃO DO PLANEJAMENTO URBANO NO RECIFE: A GESTÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS VIÁRIOS Para compreender, na prática, o grau de integração do planejamento urbano na cidade do Recife, utilizou-se como base de análise a gestão dos espaços públicos viários. A partir desse recorte, buscou-se investigar como as secretarias principais — juntamente com suas secretarias executivas e autarquias vinculadas — se relacionam com os elementos que compõem o planejamento das ruas, a saber: Natureza e Solo Urbano Mobilidade e Infraestrutura Arquitetura e Atividades Para representar essa análise, foi elaborada uma tabela classificatória, na qual os níveis de relação foram organizados em quatro categorias: Alto (A): quando a relação é direta, constante e significativa; Médio (M): quando há uma interação relevante, porém não contínua ou prioritária; Baixo (B): quando a relação ocorre de forma pontual ou com pouca relevância; Inexistente (I): quando não há qualquer interface ou vínculo direto. Essa metodologia permitiu visualizar, de forma clara, quais setores da administração pública possuem maior conexão com a gestão dos espaços públicos e quais ainda operam de maneira isolada. Apesar da existência de iniciativas voltadas à integração — como o Gabinete de Inovação Urbana —, ainda há órgãos cuja participação no planejamento viário é limitada ou mesmo inexistente. Essa constatação reforça a necessidade de fortalecer a articulação entre os diferentes órgãos da gestão municipal, de modo que o planejamento urbano no Recife avance de forma integrada, promovendo maior eficiência, qualidade dos espaços públicos e melhores condições urbanas para a população. 38


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Foi realizada uma pesquisa junto aos representantes das secretarias municipais com o objetivo de compreender suas percepções sobre a gestão dos espaços públicos viários. A investigação buscou identificar como esses gestores enxergam o papel de suas respectivas secretarias na administração das ruas da cidade, bem como de que forma se relacionam com os diversos elementos que compõem o planejamento urbano viário. A pesquisa procurou levantar, entre outros aspectos, o grau de envolvimento e responsabilidade de cada secretaria na definição, implantação e manutenção de componentes essenciais das ruas, como a infraestrutura de mobilidade, o uso do solo, a arborização, o mobiliário urbano, a acessibilidade, a segurança e a integração entre diferentes modais de transporte. Além disso, foi analisada a percepção dos entrevistados quanto à articulação intersetorial dentro da própria gestão municipal, buscando entender se há cooperação efetiva entre as secretarias ou se o trabalho ainda ocorre de maneira fragmentada. A partir dessas informações, foi possível traçar um panorama mais detalhado sobre os desafios e as oportunidades existentes para uma gestão mais integrada e eficiente dos espaços públicos viários no contexto urbano do Recife.

Formulário com todas as respostas

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SÍNTESE DAS RESPOSTAS 1.Que percentual das secretarias considera DIRETA a relação de suas políticas com o tema “Planejamento Viário”? A maioria das secretarias respondeu que existe uma relação direta entre suas políticas públicas e o tema do planejamento viário. Das 10 respostas analisadas, 8 secretarias consideraram essa relação direta, o que representa 80% do total. 2. Qual o elemento considerado com maior relação com as políticas das secretarias? O elemento mais citado como tendo maior relação com as políticas das secretarias foi “Mobilidade e Infraestrutura”, com menções frequentes a: Transporte público e circulação viária Pavimentação e manutenção de vias Infraestrutura cicloviária Acessibilidade e segurança no trânsito Esse resultado evidencia que a mobilidade urbana ainda é o foco central da maioria das ações relacionadas às ruas. 3. Como você resumiria a “compreensão” dos representantes das secretarias em relação ao termo “Rua”? A compreensão do termo “Rua” pelos representantes varia, mas pode ser resumida como uma visão multifacetada, que reconhece a rua não apenas como espaço de circulação de veículos, mas também como: Espaço público de convivência e interação social Elemento estruturante da cidade, com funções urbanísticas, sociais, econômicas e ambientais Infraestrutura essencial à mobilidade, mas que deve ser pensada de forma integrada com paisagem, acessibilidade e uso do solo Essa visão indica um avanço conceitual, com tendência à valorização da rua como espaço urbano completo, embora ainda haja predominância de enfoques técnicos em algumas respostas. 43


CONCLUSÃO DA ANÁLISE

A análise das respostas do questionário sobre a gestão dos espaços públicos viários no Recife revela um cenário de forte conexão institucional com o tema do planejamento viário, ainda que com enfoques variados entre as secretarias. Principais Conclusões: Alto Reconhecimento de Relevância: Aproximadamente 80% das secretarias afirmaram que suas políticas têm uma relação direta com o planejamento viário. Isso indica um bom nível de conscientização sobre a importância da rua como componente estratégico do espaço urbano. Mobilidade como Elemento Central: O elemento “Mobilidade e Infraestrutura” foi o mais mencionado pelas secretarias como o aspecto com maior interface com suas políticas. Isso mostra que o viés técnico e funcional ainda predomina, refletindo um olhar voltado principalmente à circulação e ao transporte. Compreensão Ampliada do Conceito de Rua: Apesar da predominância da mobilidade, muitos representantes demonstraram uma visão ampliada da rua, reconhecendo-a como espaço de convivência, infraestrutura urbana e elemento integrador da paisagem, da arquitetura e das atividades sociais e econômicas. Essa diversidade de compreensões é um indicativo positivo de evolução conceitual dentro da administração pública. Em síntese, os resultados apontam para uma base institucional favorável à construção de uma gestão urbana mais integrada e multidimensional. No entanto, ainda há espaço para fortalecer a articulação intersetorial e ampliar a visão sistêmica sobre o papel das ruas na qualidade de vida urbana, indo além do viés da mobilidade e incorporando aspectos sociais, ambientais e culturais.

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REFERÊNCIAS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável | As Nações

Unidas

em

Brasil.

Disponível

em:

<https://brasil.un.org/pt-

br/sdgs#:~:text=Os%20Objetivos%20de%20Desenvolvimento%20Susten>. Acesso em: 12 mar. 2025. PREFEITURA DO RECIFE. Novo secretariado do Recife é empossado nesta quinta-feira (2). Disponível em: https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/02/01/2025/novo-secretariado-dorecife-e-empossado-nesta-quinta-feira-2. Acesso em: 21 maio 2025.Jamildo+5Prefeitura do Recife+5PORTAL CBN RECIFE+5 CBN RECIFE. Câmara do Recife aprova reforma administrativa com criação de novas secretarias

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https://www.cbnrecife.com/aldovilela/artigo/camara-do-recife-aprova-reformaadministrativa-com-criacao-de-novas-secretarias-e-cargos-comissionados. Acesso em: 21 maio 2025. RADIO OLINDA. Prefeitura do Recife empossa novo secretariado para gestão 2025-2028. Disponível

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https://radioolinda.com.br/blog/prefeitura-do-recife-empossa-novo-

secretariado-para-gestao-2025-2028/. Acesso em: 21 maio 2025. FOLHA DE PERNAMBUCO. Câmara do Recife aprova reestruturação administrativa que segue

para

sanção

de

João

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Disponível

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https://www.folhape.com.br/colunistas/blogdafolha/camara-do-recife-aprovareestruturacao-administrativa-que-segue-para-sancao-de-joao-campos/48597/. Acesso em: 21 maio 2025.Jamildo+2Folha PE+2Movimento Econômico+2 JORNAL DO COMMERCIO. Novo secretariado do Recife é empossado em cerimônia na Prefeitura. Disponível em: https://jc.uol.com.br/politica/2025/01/02/novo-secretariado-dorecife-e-empossado-em-cerimonia-na-prefeitura.html. Acesso em: 21 maio 2025.PORTAL CBN RECIFE+3JC+3Prefeitura do Recife+3 PORTAL RECIFE NEWS. Câmara do Recife aprova por unanimidade projeto de reforma administrativa da Prefeitura. Disponível em: https://portalrecifenews.com/camara-dorecife-aprova-por-unanimidade-projeto-de-reforma-administrativa-da-prefeitura/. Acesso em: 21 maio 2025.Blog Edmar Lyra+3portalrecifenews.com+3Jamildo+3PORTAL CBN RECIFE PREFEITURA DO RECIFE. Prefeitura do Recife propõe nova estrutura administrativa para avançar

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https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/21/12/2024/prefeitura-do-recife-propoe-novaestrutura-administrativa-para-avancar-com-mais. Acesso em: 21 maio 2025 45


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