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Folcloriando

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Amir Piedade

Andréa Vilela Mirela Spinelli ilustrações

Lendas, adivinhas, parlendas, trava-línguas, brincadeiras, provérbios, etc. Folcloriando convida as crianças a conhecerem nosso folclore, preservando as tradições e costumes.


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l o c l riando o F Andréa Vilela Mirela Spinelli ilustrações


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Direção Executiva Elisabete Kawano Editor Amir Piedade Preparação Ricardo Kato Mendes Revisão Oneide M. M. Espinosa Editor de Arte Mauricio Rindeika Seolin

© Book Station C. L. Ltda. Telefone: (0xx11) 3966-7155 Fax: (0xx11) 3966-9633 Rua Ferreira de Almeida, 43 • Casa Verde 02517-150 São Paulo-SP, Brasil e-mail: bookst@terra.com.br 1a edição: 2004 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Piedade, Amir Folcloriando / Amir Piedade; ilustrações de Andréa Vilela e Mirela Spinelli. — São Paulo: Editora Elementar, 2004.

ISBN 85-88044-37-4

I. Folclore — Literatura infanto-juvenil — I. Vilela, Andréa. II Spinelli, Mirela. III Título. 04-4309

CDD-028.5 Índices para catálogo sistemático:

1. Folclore: Literatura infantil 2. Folclore: Literatura infanto-juvenil

028.5 028.5


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Às professoras e professores do ensino infantil e do ensino fundamental que, no trabalho cotidiano da sala de aula, formando as novas gerações, preservam as tradições e costumes que formaram nossa nação.


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Você sabe o que é folclore ? A palavra folclore vem do inglês folk, que significa povo, nação, raça, e lore, que significa instrução, ato de ensinar, educação. Portanto, folclore é um conjunto de costumes, crenças, lendas, provérbios, danças, cantos, músicas, brincadeiras de um povo, transmitidos de uma geração para outra. O folclore contribui para manter a unidade e a cultura de um país ou região, pois suas manifestações populares fazem parte de uma tradição que preserva a memória dos antepassados. Não se sabe onde começou, mas sabe-se que é importante preservá-lo. No Brasil, o Dia do Folclore é comemorado em 22 de agosto.

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Lendas São relatos da tradição oral, antigos, anônimos, e persistem de uma época para outra. Contam sobre as origens míticas dos seres e das coisas ou relatam alguma crendice.

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O nascimento do rio Amazonas Há muito, muito tempo, o sol e a lua se apaixonaram. E apaixonados como estavam ficaram noivos e pretendiam se casar e viver juntos para sempre. Só que o sol é muito quente e vive de dia; a lua, por ser mais suave, vive de noite. Se eles se casassem, destruiriam o mundo, pois o sol é muito quente e ficaria muito perto da Terra. Quando perceberam não poder ficar juntos, sofreram bastante, mas decidiram separar-se, para não prejudicar o mundo. Cada um foi para um lado. A lua começou a chorar. O sol, entristecido, foi para o outro lado do mundo. A lua chorava, chorava, chorava tanto, que suas lágrimas formaram um rio que desceu as montanhas, atravessou uma enorme floresta e queria chegar ao mar. Zangado, o mar não deixou as lágrimas da lua se misturarem em suas águas. As lágrimas, então, formaram um rio imenso, o rio Amazonas. 6


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A vitória-régia Se g u n d o os índios tupis, a lua era um guerreiro muito bonito. Vestia-se todo de prata e gostava de passear pela floresta à noite, brincando com as árvores e as flores. Numa aldeia, vivia uma indiazinha jovem e muito bonita chamada Naiá. Ela cresceu vendo a lua no alto do céu e ouvindo as histórias que os mais velhos contavam. De tanto olhar para a lua, Naiá apaixonou-se por ela. Toda noite ela admirava a lua e tentava alcançá-la subindo nas árvores, correndo pela floresta. Tudo em vão. A indiazinha ficava triste e chorava. Uma noite, cansada de correr atrás do guerreiro prateado, Naiá parou à beira de um rio para beber água. Quando olhou, viu a lua refletida nas águas. Imaginou, então, ser o guerreiro de prata chamando-a para viver juntos. Sem pensar, Naiá jogou-se nas águas, morrendo afogada. A lua, que do céu olhava tudo, ficou comovida com o amor de Naiá e resolveu transformá-la na mais bela flor, que só se abre à noite, para receber a luz da lua, o guerreiro prateado idealizado por Naiá. Foi assim que surgiu a vitória-régia.

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A moça e a vela Numa cidadezinha do interior, onde as pessoas se recolhem cedo para dentro de suas casas, porque a noite não foi feita para os homens, havia uma moça muito bonita, mas muito desobediente. O que ela mais gostava de fazer era ficar até tarde na janela, vendo se passava algum conhecido ou olhando a lua. A mãe, preocupada, sempre a alertava para não fazer isso, pois poderia acontecer-lhe algum mal. Mas não adiantava. Uma vez, ela estava na janela distraída, quando olhou um vulto todo de branco vindo rapidamente em sua direção com uma vela acesa. Quando a moça olhou, viu que era um rapaz muito bonito. O desconhecido cumprimentou-a, apagou a vela e, sorrindo, pediu que guardasse a vela até sua volta. A moça, encantada com o sorriso do rapaz, foi correndo guardar a vela no criado-mudo, ao lado da cama. Quando voltou à janela, o rapaz tinha sumido. Ficou pensando aonde ele teria ido, quem era e o que queria. Na certa, ele tinha-se encantado com ela. Nesse devaneio, ela nem viu o tempo passar. De repente, avista o moço voltando apressado. Eram quase duas horas da madrugada, que é quando as almas se recolhem. Ele chegou e pediu-lhe a vela. Ela correu para buscar no criado-mudo. Quando ela pegou a vela, soltou um grito de pavor,8 pois deitado em sua cama estava um esqueleto, que se ergueu e saiu correndo pela janela com a vela na mão. Chorosa, acordou os pais e, contando tudo que acontecera, prometeu nunca mais ficar na janela durante a noite.

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O uirapuru Numa tribo, o filho do cacique era o mais forte, bonito e valoroso guerreiro. Todas as índias jovens olhavam-no e suspiravam, esperando a hora em que ele escolheria uma para se casar. Quando chegara a hora, o cacique avisou que o filho se casaria com a índia que tivesse a melhor pontaria no arco e flecha. Duas índias se habilitaram. Só uma ganhou. O filho do cacique pegou a vencedora pelas mãos e levou-a para sua oca. A outra índia foi para a mata e começou a chorar muito, pois amava o filho do cacique desde criança. Então, suplicou ao deus Tupã que a transformasse em um pássaro, para poder, ao menos de vez em quando, ver o filho do cacique. Tupã atendeu a seu pedido. Porém, cada vez que visitava o amado, ela observava que ele estava feliz com a esposa. Entristecida, resolveu partir para longe, para a floresta do Norte, e esquecer seu amor. Comovido, Tupã deu-lhe um canto tão bonito e melodioso, que os outros pássaros param para ouvi-lo cantar. É um canto de saudade.

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Folcloriando by Gabriel Seabra - Issuu