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SANTA LUZIA DEZEMBRO - 2018
PROPOSTA DEDEREQUALIFICAÇÃO REQUALIFICAÇÃODA DA PROPOSTA DE REQUALIFICAÇÃO DA RUÍNA INDUSTRIAL DO FRIGORÍFICO DE MINAS GERAIS – SANTA LUZIA PROPOSTA DE TRABALHO DE CONCLUSÃO ARQUITETURA E URBANISMO
DE
CURSO
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GABRIEL QUEIROZ VIDAL Orientadora: SIMONE PARRELA TOSTES
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DEDICATÓRIA À minha mãe Ana, seu carinho por mim me deu esperança para seguir em frente, e meu pai Francisco, sua presença me deu segurança. Ao meu irmão Saulo, com quem partilhei bons momentos. À minha família, por sempre acreditar em mim, e me amparar em todos os momentos.
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AGRADECIMENTOS Agradeço à Deus, que está comigo mesmo nos momentos de incerteza. Aos meus mestres e professores, pela experiência compartilhada e preciosa. À professora Simone Tostes, pela paciência na orientação е incentivo que tornaram possível а conclusão deste projeto. Aos meus amigos que encontrei e reencontrei nessa jornada.
SUMÁRIO RESUMO 6 INTRODUÇÃO 7 OBJETIVOS 8 objetivos gerais 8 bjetivos específicos 8 JUSTIFICATIVA 9 METODOLOGIA 10 CONTEXTO HISTÓRICO 11 LINHA DO TEMPO 22 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 25 1.Vazios urbanos e industriais 26 2 O Patrimônio Industrial 28 3 O Retrofit e a Restauração Arquitetônica 29 ESTUDO DE CASO 31 1 Sesc Pompeia – São Paulo 31 2 Armazém Xintai - Xangai 33 3 La Fabrica – Barcelona 34 4 Pinacoteca de São Paulo 36 DIAGNÓSTICO 38 INSERÇÃO URBANA 40 Estrutura físico-ambiental 43 Estrutura físico-funcional 46 MAPA DE USOS 56 USOS ATUAIS 57 Caracterização social, econômica e culturaL 59 PROPOSTA 69
RESUMO Este projeto tem o principal objetivo de apresentar as pesquisas técnicas e teóricas, cuja importância é indispensável para a preparação do Trabalho Final de Graduação ao curso de Arquitetura e Urbanismo do IFMG, e também elaborar uma proposta de intervenção e requalificação. Parte das pesquisas consistem em apresentar um diagnóstico que abordará os aspectos físico-ambientais e econômico-sociais, bem como a inserção urbana, infraestrutura, aspectos construtivos e funcionais. O objeto de estudo em questão é caracterizado como uma ruína industrial, isto é, parte de sua estrutura encontra-se abandonada ou subutilizada, o que o caracteriza como vazio urbano. Ao mesmo que esse espaço carece de manutenção e usos, o antigo Frigorífico de Minas Gerais de Santa Luzia é um marco da história da economia e cultura da região, pode ser incluído em uma nova vertente do patrimônio histórico e atualmente é sediado pela Prefeitura Municipal de Santa Luzia. Como produto final, será apresentada uma proposta de requalificação desse sítio industrial à sociedade. 6
INTRODUÇÃO
N
o Brasil e no mundo, são inúmeras as áreas industriais e parques empresariais que se encontram em estado de abandono. Vazios urbanos que afetam a paisagem que têm potencial de serem transformados e revitalizados, para agregar novos usos e melhorar o desenvolvimento da região, muitas vezes são o foco de empreendedores, e de até mesmo órgãos municipais, para realizar uma requalificação dos espaços e potencialização dos usos no território. Nos tópicos a seguir, serão retratados os objetivos a serem alcançados deste projeto, bem como a justificativa da escolha do tema e o contexto histórico do objeto em estudo.
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OBJETIVOS
objetivos gerais • Elaborar um estudo preliminar e um anteprojeto de requalificação do complexo industrial FRIMISA; • Incentivar novos usos nas edificações do FRIMISA.
bjetivos específicos • Aprimorar os usos e estrutura existentes; • Integrar os aspectos físicos e a vegetação ao redor com o espaço; • Integrar o FRIMISA com os modais de transporte e entorno; • Propor o tombamento do bem material e sua restauração adequadadando início ao laudo e diagnóstico do sítio industrial.
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JUSTIFICATIVA Em um bairro que surgiu e se desenvolveu a partir da instalação de um espaço industrial, é evidente que essa indústria faz parte da história dos habitantes e moradores que estão ali desde sua criação. O objeto de estudo tem um referencial histórico muito grande, pois foi considerado a maior indústria do ramo de frigoríficos da região. O FRIMISA, hoje, é memória e ruína, e ao mesmo tempo, um abrigo temporário para a Prefeitura de Santa Luzia. Na verdade, essa é a impressão quando visitamos pela primeira vez esse centro administrativo. Tem-se a sensação que há uma trama improvisada de divisórias e paredes em cima da ruína industrial. É evidente que o objetivo de alocar todas as secretarias para aquele espaço não envolvia uma restauração sistemática e sim um modo de alojar todos os servidores naquele lugar. Trabalhar na reforma e na ‘recolocação’ de um edifício na sociedade, propondo novos usos em relação aos usos antigos é um desafio para o arquiteto e urbanista, porém os resultados podem trazer muitos aspectos positivos para sua vida profissional e acadêmica, sem contar com a mudança significativa da qualidade de vida que poderá ser oferecida à população. A estrutura que possui mais de 30 mil metros quadrados de área e tem um potencial para abrigar diversos empreendimentos e usos. Em relação ao patrimônio, este trabalho de conclusão de curso promove a discussão acerca do inventariado e do tombamento de ruínas e parques industriais. Quando escolhi esse tema para realizar o trabalho de conclusão, foram pensadas em possibilidades que incluíssem cada pavimento abandonado e subutilizado daquele espaço. Seria um projeto que reviveria o Frimisa em todos os âmbitos e parâmetros. Porém é evidente que um pensamento ambicioso como esse teriam muitas viés, entre elas, o tempo e a real necessidade do lugar, principalmente. O que mais me motivou a fazer esse projeto foi a capacidade que ele tem de gerar integração, aspecto pelo qual me apaixonei pela arquitetura. A arquitetura é plural, e pode ser explorada junto a várias outras instâncias. Assim, essa revista não optou por explorar apenas a intervenção do projeto em si, mas também levantar dados e questionamentos acerca do edifício e o que ele trouxe para a sociedade luziense.
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METODOLOGIA Para a realização do projeto arquitetônico da edificação são necessárias algumas etapas que facilitam o processo, tais como a coleta de informações, desenvolvimento de estudos e serviços técnicos e emissão dos produtos finais. De acordo com o Roteiro para o Desenvolvimento do Projeto de Arquitetura da Edificação do IAB, é importante avaliar a compatibilidade do projeto com o programa de necessidades, no que se refere principalmente à funcionalidade, dimensionamentos e padrões de qualidade, custos e prazos de execução da obra. Além disso, é necessário providenciar, em tempo hábil, as reformulações necessárias à concretização dos objetivos estabelecidos no programa de necessidades, evitando-se posteriores modificações que venham a onerar o custo do projeto e/ou da execução da obra, e também construir o conjunto de informações necessárias ao desenvolvimento da fase subsequente. O produto final foi desenvolvido a partir de um estudo preliminar, etapa na qual são feitos os levantamentos de dados necessários, tanto do porte da intervenção quanto um diagnóstico da área em questão, realizando fotos, medições, analisando plantas e relatos de moradores e trabalhadores. Dadas as questões propostas acima, são lançadas as ideias para a solução arquitetônica (desenhos conceituais, layouts, perspectivas e croquis), ainda podendo se basear em algumas referências, outros projetos que sirvam de inspiração. Por fim é proposto em anteprojeto: solução final do projeto arquitetônico sugerido para a obra, considerando todas as exigências contidas no programa de necessidades e no Estudo Preliminar. Uma possível proposta para a optimização dos usos já existente também será adicionada aos produtos finais, visto que é necessário adaptar as atuais formas de utilização do espaço, tendo em vista a justificativa de manter o que já existe, mas aprimorar suas formas de ocupação do espaço.
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CONTEXTO HISTÓRICO A cidade de Santa Luzia foi fundada em meio às excursões de bandeirantes que exploraram todo o território brasileiro. A bandeira de Borba Gato (1649 – 1718) instaurou, em 1692, a vila que originara Santa Luzia, durante o ciclo do ouro. A primeira aparição do núcleo urbano na região foi às margens do Rio das Velhas, devido à extração de ouro de aluvião pelo garimpo. A história da economia de Santa Luzia foi marcada por investimentos que impulsionaram o capital dessa região. Com um passado caracterizado pela exploração do ouro, a cidade tem uma vocação econômica antiga, onde se instauraram diversas industrias de matéria prima e de agropecuária. Em 1950, a decisão do governo em fortalecer a política econômica da região metropolitana de Belo Horizonte aumentou o índice populacional luziense e o mercado de industrias. A construção de uma dessas companhias - o FRIMISA (Companhia Frigoríficos Minas Gerais S.A.) - trouxe fama e mais investimento para o lugar. Autorizada pela lei n° 883, de 17 de dezembro de 1951 e inaugurada com a presença do governador da época, Juscelino Kubitschek, a indústria tinha como objetivo a construção e exploração de uma rede de matadouros para a industrialização da carne e produtos derivados para armazéns e açougues de todo o país, que se tornou a maior da América Latina nesse ramo. Eixos viários importantes da região, tais como a avenida Brasília e atual avenida Frimisa, se desenvolveram com a instalação do matadouro, o qual necessitava impreterivelmente de gado e dos currais mais próximos de outros municípios. O então prefeito de Santa Luzia da época, Raul Teixeira da Costa, foi uma peça importante para a instalação do FRIMISA na região.(DINIZ, 2008)
Frigorífico Minas Gerais S.A (Finalização de suas obras início anos 50) Foto: Claudio Cruz
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Apesar da intenção dos governantes de Minas era em diversificar o empresariamento na região, o estado até então não possuía tal tradição, o que dificultou a implantação rápida da empresa e o investimento imediato dos setores governamentais. A regularização só ocorreu em meados do ano de 1953, com o Decreto nº 3981. Uma grande quantidade de trabalhadores, sendo eles mão-de-obra especializada até peões, vieram a Santa Luzia pela construção do Frigorífico de Minas Gerais. Por essa situação, surgiu o conjunto habitacional de Carreira Comprida. Casas de madeira eram erguidas para abrigar os operários, enquanto do outro lado, foram construídas residências de alvenaria de várias tipologias para os servidores da administração e diretoria. Foi construído também um hotel para abrigar investidores, negociantes e visitantes que vinham na finalidade de comprar os produtos. Logo na construção desse conjunto habitacional, foi planejado também a construção de casas de apoio, edifícios com serviços de alimentação e infraestrutura para receber esses trabalhadores, e também compradores dos produtos que o frigorífico possuía.
Frigorífico Minas Gerais S.A vista do complexo ao fundo e em primeiro plano as pocilgas e currais Foto: Revista America Magazine
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Em 21 de agosto de 1955, ocorreu um grande incêndio em suas instalações, mesmo antes de ser inaugurado efetivamente, em 1959. Após o controle das chamas, a empresa fez o levantamento dos danos causados, e foi a pioneira em criar uma política preventiva para eventuais incidentes.
Incêndio no Frimisa. Foto: America Magazine Houve uma crescente demanda de serviços quando muitas famílias se deslocaram a Santa Luzia, em uma época quase que simultânea à instalação do antigo maior conjunto habitacional da América Latina, localizado no Bairro Cristina e Palmital. A atuação da COHAB MINAS – Companhia de habitação do estado de Minas Gerais, na década de 80, no distrito de São Benedito gerou a construção de mais de 4 mil unidades habitacionais na região do Cristina e Palmital, o que ocasionou na fixação de muitas famílias no município. Com a demanda da população crescendo ainda mais, surgiu a necessidade de desenvolver novos serviços públicos e equipamentos urbanos, tais como educação, saúde, transporte, dentre outros. (RESGALA,2011). Tudo isso ocorreu a apenas alguns quilômetros do objeto de estudo, o que proporciona consequências até hoje no desenvolvimento de comércio e outros recursos da infraestrutura urbana. É bastante possível que o crescimento repentino do distrito de São Benedito tenha forte ligação com o frigorífico, já que as transportadoras tinham como um dos principais acessos para o FRIMISA a avenida Brasília.
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A Frimisa foi de tamanha importância para Santa Luzia, que por causa de sua instalação, as administrações municipais seguintes logo no final da década de 50 conseguiram trazer para o município a energia da Cemig, cuja fundação havia sido no ano de 1953, também no Governo Estadual de Juscelino Kubitscheck, e ainda a construção de mais uma rodovia, ou seja, a estrada por São Benedito que, após sua localização e abertura no final da década de 50, teve sua pavimentação concluída e inaugurada em 1961. Ainda para atender seus funcionários a empresa Frimisa construiu o Estádio Vitor Andrade Brito e criou um belo clube de futebol que, por décadas, representou a sociedade no cenário esportivo do município e fora dele. “ Álvaro Diniz (2008)
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Com o propósito de atrair outras companhias a investirem na região, foram criadas políticas fiscais que incentivaram as empresas. O município foi dividido em quatro glebas, chamados de distritos industriais, que sediam industriais de diversos ramos. O primeiro distrito é de Simão da Cunha com 34 empresas, a Avenida das Indústrias, é o segundo distrito com 15 empresas. O terceiro está localizado na rodovia MG-145, e por fim, o distrito industrial de Carreira Comprida, que estão sediadas as instalações do frigorífico de Minas Gerais, que hoje está instalado o Centro Administrativo de Santa Luzia. O FRIMISA foi desativado alguns anos depois, devido à forte concorrência e pela falência do estado. Por consequência, suas instalações foram absolvidas pela CODEMIG - Companhia de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais, e alguns anos depois, o atual prefeito da época, Carlos Alberto Calixto, propôs a instalação da sede da prefeitura para o
distritos industriais de santa luzia
CARREIRA COMPRIDA Distrito de Carreira Comprida (marrom) e marcação do terreno Frimisa (vermelho)
JORGE DUPRAT DESEMBARGADOR MELO JUNIOR SIMÃO DA CUNHA
Localização dos distritos de Santa Luzia Fonte: Setor de geoprocessamento PMSL, 2017
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frigorífico abandonado, em 2014. Em 2015, um incêndio ocorreu no prédio central do frigorífico, que assolou os dois últimos pavimentos da edificação, levando os bombeiros a apagarem efetivamente as chamas seis dias depois do início do desastre. Essa dificuldade se deve pelo fato do prédio possuir paredes revestidas em isopor, altamente inflamável, e vedações espessas, de até 60 centímetros, além de não possuir muitas aberturas. O motivo do incêndio é incerto, mas acredita-se que ocorreu devido ao acúmulo de gás nas tubulações, que gerou uma grande explosão.
Atualmente, boa parte dessas instalações se encontram abandonadas e sem previsão de reforma.
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Material usado no revestimento da estrutura de prédio dificulta extinção de incêndio (Foto: Corpo de Bombeiros de Minas Gerais/ Divulgação) O frigorífico instalado na região conta, de certa forma, a história da economia da cidade de Santa Luzia. O projeto dos edifícios tem mais de 1.200 pranchas, que foram “resgatadas” do incêndio e atualmente estão guardadas em péssimas condições de conservação. São folhas que mostram o desenvolvimento arquitetônico e estrutural dos blocos ali instalados, além dos projetos elétricos e hidráulicos de todos os pavimentos. Algumas folhas estão danificadas pelas más condições de uso e conservação e devem passar por restauração. Essa parte da história tem grande importância para a cidade, já que foi a partir da criação dos distritos industriais e da instalação de grandes empresas, que Santa Luzia começou a se desenvolver economicamente, trazendo mais infraestruturas, comércios e moradores para a região.
Estado das pranchas encontradas do Frigorífico
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Apesar das antigas instalações do frigorífico abrigarem o centro administrativo de Santa Luzia, muitos espaços ainda se encontram vazios e abandonados. Escombros, entulhos, restos de maquinaria, paredes e passarelas depredadas e enferrujadas, esquadrias envelhecidas, são algumas das muitas patologias construtivas que é possível identificar no local. Desse modo, a Prefeitura de Santa Luzia fica alojada apenas nos primeiros pavimentos, onde boa parte foi reformada para comportar diversos setores administrativos. Mesmo assim a região carece de manutenções, e pode ser caracterizada como um grande espaço subutilizado, um vazio urbano. Os espaços livres do antigo matadouro, na área externa, quando não são usados pelos veículos para estacionamento, não possuem muitos equipamentos urbanísticos e elementos paisagísticos.
Imagem ortofoto do Frimisa, com o limite e cercamento do terreno destacado em vermelho. A seta indica seu acesso principal 18
Foto: vista aérea do parque industrial Fonte: America Magazine, 1960
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Na área construída com quase 10.000 metros quadrados, havia espaço para salas de matança, fábrica de conservas, fábrica de gelo, câmaras frigoríficas, oficina mecânica, carpintaria, garagens e espaço para setor administrativo. Construiu ainda uma enorme caixa d’água com captação direto do rio das velhas, cujo volume ali capitado dava para abastecer uma cidade de 100 mil habitantes.” Álvaro Diniz (2008)
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Planta de locação do FRIMISA com a nomeação dos setores Fonte: Frigoríficos de Minas Gerais SA
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No auge de seu funcionamento, de abril de 1959 a agosto de 1960, o Frimisa já abatera mais de 100 mil bovinos. As pocilgas, que tinham capacidade para mais de 3 mil porcos, viviam sempre cheias. O complexo industrial tinha a capacidade de abate de 1500 bovinos e 500 suínos. Milhares de animais foram abatidos no matadouro. O reaproveitamento dos seus corpos era quase total; da carcaça à gordura dos bois e porcos. Até hoje, o maquinário de beneficiamento, sangria, graxa, lavanderia, enfim, todos os setores do frigorífico se encontram no complexo. Alguns foram removidos e até mesmo furtados, devido ao seu alto valor comercial do metal.
Fotos da maquinaria em funcionamento. Fonte: Revista America Magazine, 1960
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LINHA DO TEMPO
Juscelino Kubitschek assina a lei de incentivo e de implantação do Frigorifico de MInas Gerais.
Em primeiro plano está o fr Ao fundo, o conjunto habitacional Comprida - vila de operários
1953
1959
1955
Um incêndio assola as obras do Frimisa, comprometendo parte do canteiro e estrutura
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rigorĂfico. Carreira
A prefeitura se instala no complexo
2014 2018 2015
Pela segunda vez o Frimisa sofre um incĂŞndio que perdura por mais de uma semana
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vista parcial da chaminĂŠ das caldeiras Fonte: Revista America Magazine (1960)
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Esse
tópico utiliza de alguns conceitos que foram importantes para a escolha do tema, e justificam os parâmetros que serão utilizados para o projeto. As definições listadas servem de argumento na forma que põem em pauta a importância do reuso de espaços sucateados, bem como a adoção de novos sistemas que otimizam locais subutilizados.
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Um dos primeiros autores a introduzir o conceito de vazios sociais, "friches sociales", foi o geógrafo francês Jean Labasse, na França. Em 1966, ele associou aos conceitos de "ciclos industriais", e de "descentralização industrial", e também fez uma importante análise sobre "mutações", movimentos e estabilidade da localização industrial, no qual a desindustrialização é abordada nas suas dimensões sociais, econômicas e espaciais. Segundo a definição do Service Technique de l’Urbanisme (STU), o conceito "friches industrielles," é utilizado geralmente para designar "um espaço, construído ou não, desocupado ou muito sem utilização; antes ocupado por atividades industriais ou outras atividades ligadas à indústria. A reinserção deste espaço no mercado imobiliário, independente do seu uso, implicará num novo planejamento, salvo a utilização precária ou provisória" . O conceito de ‘friche’ também foi usado para diferenciar as novas atividades industriais com os vazios decorrentes da velha atividade agrícola, onde os vazios são entendidos como de origem
VAZIOS URBANOS E INDUSTRIAIS
1.Vazios urbanos e industriais
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direta da industrialização do espaço rural, ou por causa das migrações em direção às cidades que causaram o abandono de vilas inteiras nos campos no período da industrialização. As experiências francesas sobre esses vazios sociais foram muito bem estudadas, visto que é possível perceber processos de reanimação que alteraram o perfil e o funcionamento das cidades e regiões desindustrializadas, sobretudo onde a crise se agravava. Grande quantidade de material teórico e empírico pode ser encontrado a partir das primeiras experiências com "friches" industriais. A constituição de friches industriais em regiões antes industrializadas induz a uma grande variedade, tanto sobre plano das características espaciais dos terrenos abandonados quanto sobre seu potencial de revitalização. Gatineau & Gaudriault (1981), se preocupam em integrar as friches industriais ao meio, afim de proporcionar melhor "qualidade urbana e restaurar a atratividade por uma política voluntarista". Este estudo de 1981, feito basicamente sobre a região de Ile-de-France, utiliza outras experiências tais como Anonary,
VAZIOS URBANOS E INDUSTRIAIS
Lille e Grenoble na França, e Rochdale na Grã-Bretanha. Para o caso de Ile-de-France, o objetivo mais visado era o de reconstruir indústrias, mas a proposta que recebeu maior apoio foi a de "utilizar estes terrenos de maneira mais racional, a fim de diminuir a depauperação, e melhorar a qualidade de vida na zona central". (MENDONÇA, 2001) No Brasil, alguns estudos de caso foram feitos pelo autor, como exemplo em São Gonçalo – Rio de Janeiro, onde utilizaram os “friches” para a elaboração de supermercados, no setor de serviços. Até o momento, não há na região nenhum espaço voltado para o lazer, por exemplo, ou para serviços específicos à demanda de cada bairro, que se apoiam a setores públicos.
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PATRIMÔNIO INDUSTRIAL 2 O Patrimônio Industrial
De acordo com o Beatriz Kühl (2006), o debate sobre a preservação industrial começou a ser feito na Inglaterra em meados dos anos 1950, com o advento da expressão “arqueologia industrial”, a partir do momento em que a atenção pública se virou para a demolição de arquiteturas industriais. No Brasil o primeiro tombamento de um patrimônio nessa categoria pelo Iphan, em 1964, foi o conjunto formado pelos remanescentes da Real Fábrica de Ferro São João de Ipanema, no município de Iperó. As industriais têm introduzido à sociedade um extenso material para o patrimônio, sejam eles as técnicas e ofícios empregados nesses canteiros de trabalho, quanto as edificações e maquinarias presentes nos mais diversos ramos da economia. Durante mais de um século, os historiadores não encaravam o patrimônio industrial como uma classe a ser estudada. Os tipos de testemunho que os interessavam basicamente eram as estruturas onde fossem possíveis extrair material para reutilizá-los, e a própria escrita, a qual é imprescindível para a elaboração da história da indústria. “A arqueologia industrial interessa a várias áreas do conhecimento, em especial às humanidades, estando ligada à antropologia, à sociologia e à história – social, do trabalho, econômica, das ciências, da técnica, da engenharia, da arte, da arquitetura, das cidades etc. Pode ser entendida como o esforço multidisciplinar – de inventários, de registro, de pesquisas histórico-documentais e iconográfica, de entrevistas, de levantamento métrico e análises de artefatos e de edifícios e conjuntos e de sua transformação no decorrer do tempo, de seus materiais, de suas estruturas, de suas atuais patologias, de sua inserção na cidade ou território, de sua forma de ligação com os variados setores da sociedade, de suas formas de recepção e percepção, sendo reconhecidos como bem cultural, de projeto de restauração – para se estudar as manifestações físicas, sociais e culturais de formas de industrialização do passad, com o intuito de registrá-las, revela-las, preservá-las e valorizá-las. Estudos dessa natureza alcançam maior profundidade se forem realizados esforços consistentes pelos variados domínios do saber de maneira articulada.” (KÜHL,2006)
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O objeto arquitetônico é caracterizado como um patrimônio histórico quando sua significância é originada pelo valor de uma determinada época, que reflete um símbolo ou uma história de um povo. Este edifício, então, possui um caráter, que traduz os valores da sociedade e está intrinsecamente ligado a função e à forma da edificação. Os valores presentes no patrimônio arquitetônico traduzem o modo de uso e também as relações sociais presentes naquela sociedade. A restauração é caracteriza em recuperar uma obra, que pode ser de duas formas: 1) ‘reversão’ ao estado original – reconstituição histórica; ou 2) uma intervenção da obra em si, respeitando seu caráter, função e forma. (CASTELNOU,1992) Segundo AZEVEDO (1987), a recuperação é caracterizada pela intervenção que é destinada a eliminar a obsolescência física e funcional de uma estrutura a ponto de permitir seu pleno uso social, evitando sua disfunção, abandono e, consequentemente, destruição. Assim, restauração trata-se do conjunto de trabalhos de regeneração de uma ou mais edificações de importância histórica, cujo resultado deve refletir as condições reais em que tais obras eram
ORETROFIT E A RESTAURAÇÃO URBANA
3 O Retrofit e a Restauração Arquitetônica
utilizadas. Antonio Castelnou (1992) recomenda que, para preservar o existente, e ao mesmo tempo evitar o desperdício de material e o gasto excessivo de energia, os atos de remodelação são importantes intervenções arquitetônicas. “(...) A preservação, em termos econômicos, revela-se mais em conta do que 29
ORETROFIT E A RESTAURAÇÃO URBANA
uma demolição realizada para a construção de um novo prédio. Uma revitalização ou reciclagem, feitas para que a distribuição espacial de uma edificação seja compatibilizada com novas funções a serem a ela destinadas, permitem uma economia em torno de 20% do valor total da obra, além de menor tempo de execução.” (CASTELNOU,1992) Seguindo o conceito de revitalização e da retirada da obsolescência de obras arquitetônicas no meio urbano, surgiu um processo que consiste em adaptar edifícios às demandas atuais presentes na sociedade. A requalificação de edifícios, preservando aspectos originais e atendendo necessidades e parâmetros atuais, gerou um conceito chamado de Retrofit. Esse conceito é uma ferramenta para atualizar um espaço sem comprometer a sua importância como patrimônio, e ainda, ele contempla algumas formas interessantes de reformar esses edifícios visando a qualidade de vida, redução de custos operacionais. Além disso, o retrofit apresenta novas soluções para fachadas, proteção contra incêndio, circulações etc. Apesar de ser uma ideia ambiciosa agregar novas tecnologias a construções antigas, o retrofit pode apresentar novas formas de potencializar espaços inutilizados e sucateados. Tem-se o exemplo do uso de tecnologias eco-friendly, as quais podem poupar muitos esforços ocasionados pelas reformas e demolições convencionais.
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ESTUDO DE CASO 1 Sesc Pompeia – São Paulo O SESC Pompeia é uma obra da arquiteta Lina Bo Bardi que foi inaugurado em 1986. Dando início ao projeto em 1977, essa obra foi considerada um projeto inovador ao redor do mundo, assim como o MASP (Museu de Arte de São Paulo) O SESC (Serviço Social do Comércio) é uma rede de complexos de lazer e cultura, com unidades no país inteiro, sendo que no estado de São Paulo são 19 unidades construídas, com a maioria delas na capital.
Sesc Pompeia - Lina Bo Bardi Foto: ArchDaily
A ideia de Lina era de preservar a fabrica para também manter um espaço da história da cidade, sem disfarces, sustentando o que pra ela valorizaria o típico e simples da fábrica de tambores. Em primeira instância, a proposta era de demolir a fábrica que existia ali, antes mesmo de Lina assumir a obra, mas como o Sesc já utilizava a espaços industriais para suas unidades, houve uma sensibilização para a instituição manter o edifício. Dez anos foram necessários para a conclusão da obra, desde a compra do espaço até sua inauguração. A obra trazia um conceito de preservação, tanto que Lina fez questão de manter a estrutura original da fábrica. A fabrica original foi moldada por François Hennebique, o pioneiro em uso de concreto armado 31
A arquiteta criou no espaço de convivência um riacho e uma lareira, criando um aspecto autêntico e aconchegante no lugar. Funcionam nos galpões uma choperia e os ateliês, e as torres de concreto abrigavam as atividades esportivas e demais usos para o Sesc. A ligação entre as duas torres é feita com oito passarelas de concreto protendido que criam até 25 metros de vão. Baseando-se no impacto da obra em sua inauguração, muitos estranharam o conceito de manter a estrutura original da fábrica e intervir em alguns pontos da mesma. Os chamados buracos de caverna, que são as aberturas postas no lugar das janelas, foram um choque para aqueles que presavam a altimetria e defendiam uma requalificação mais rígida. Lina conseguiu realçar a estrutura do edifício, de forma que é possível observar nos ambientes as formas metálicas dos componentes estruturais; os detalhes em vermelho nas esquadrias marcam alguns pontos da intervenção.
Sesc Pompeia - interior do projeto (fonte: Google)
SESC Pompéia, a fábrica abandonada ano 1972
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2 Armazém Xintai - Xangai O armazém, que é uma instalação britânica do início do século XX para a produção têxtil está entre as poucas estruturas ainda remanescentes da história industrial na região. Com cerca de 6 mil metros quadrados distribuídos entre os três pavimentos, o edifício se tornou um patrimônio industrial protegido. “Para sobreviver, o prédio teve de ser reaproveitado em novas funções, modernizado tecnologicamente e transformado em espaços comerciais e de escritório flexíveis, readaptado a um contexto radicalmente transformado e diferente do que originalmente pertencia.” (Fonte: Arch Daily)
Fachada do armazém (Foto:Dirk Weiblen) O projeto localizado em Xangai – China se encontra próximo à margem do rio de Suzhou. No período colonial, essa área era um forte núcleo industrial que passa atualmente por um processo destrutivo do tecido urbano histórico, no qual apresentavam obras industriais que resgatavam a memória e a cultura urbana da região, substituída por torres residenciais e escritórios. No entanto, esse projeto seria um resgate do antigo, sem descartar técnicas construtivas mais avançadas, tais como a fachada de vidro, já que foi utilizado para novas funções e assim modernizado. Em primeira instância, o armazém sofreu um cuidadoso processo de levantamento, limpeza, remoção de adições não originais, reconstrução de peças danificadas ou perdidas, sempre reversíveis e distinguíveis do original. Em adição, foi criada uma varanda de aço em balanço na fachada da antiga alvenaria, no átrio principal foi desenvolvido uma cobertura de vidro. “Sob estes dois átrios de vidro convivem o passado e o presente, reivindicando ambos seus direitos à expressão. As duas línguas complementam-se em um todo coerente e equilibrado.” – Kokaistudios 33 Arquitetos
3 La Fabrica – Barcelona O projeto de La Fabrica é uma indústria de cimento localizada perto de Barcelona, que agora é a residência bastante singular do arquiteto Ricardo Bofill. A edificação foi construída pós Segunda Guerra Mundial I tem se expandido ao longo dos anos, em vários estilos e novas funções. O complexo agora proporciona vários espaços que remetem ao brutalismo e surrealismo, com uma pegada industrial que aos poucos é invadida pela vegetação e pelo paisagismo. Uma das propostas do arquiteto consiste em renovar o local com pequenas demolições e remoção de certos elementos, de modo que os espaços perigosos e partes da fábrica não usadas se tornem inacessíveis, tais como os silos para armazenagem de cimento. O próximo passo era o processo de plantio, os ‘oásis nas coberturas’, porções vegetativas que lentamente encapsulam o complexo. Como resultado, a estrutura de concreto aparente trouxe uma arquitetura bruta e moderna, e ao mesmo tempo deu novos usos a lugares inusitados. Apesar da requalificação apresentar um uso muito restrito, foi interessante descobrir o resultado do projeto, que se tornou tão singular. O projeto é um exemplo de transformação de espaços industriais subutilizados, que foram aproveitados sem extrair totalmente o aspecto industrial do local. Um ponto interessante do projeto de Bofill foi a integração harmoniosa do paisagismo com o concreto.
jardins são plantados no projeto, que se juntam com os elementos arquitetônicos (Foto: Ricardo Bofill Taller de arquitectura) 34
“O processo de transformação começou com a demolição de parte da estrutura antiga para deixar formas até então ocultas, visíveis, como se o concreto tivesse sido esculpido. Uma vez que os espaços foram definidos, limpos de cimento e de terem sido englobados pela vegetação, o processo começou com a adaptação ao novo programa. Oito silos permaneceram, os quais se tornaram escritórios, um laboratório de modelos, arquivos, uma biblioteca, uma sala de projeções e um espaço gigantesco conhecido como "A Catedral", utilizado para exposições, shows e uma vasta gama de funções culturais ligadas às atividades profissionais do arquiteto. O complexo está no meio de jardins com eucaliptos, palmeiras, oliveiras e ciprestes. Este projeto é a prova de que um arquiteto imaginativo pode adaptar qualquer espaço para uma nova função, não importa o quão diferente ele pode ser a partir do original.” (Fonte: Arch Daily)
Fábrica antes da reforma, em 1973 (foto: Pinterest)
Grandes halls expõem a escala e as estruturas do uso original da construção
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4 Pinacoteca de São Paulo A Pinacoteca do Estado de São Paulo ocupa um edifício de 1900, no Jardim da Luz, o qual foi projetado por Ramos de Azevedo e Domiziano Rossi para ser a sede do Liceu de Artes e Ofícios. Na década de 90, a reforma conduzida por Paulo Mendes da Rocha transformou o espaço em uma instituição bastante conhecida no país, integrando-a ao circuito internacional de exposições. Antes da transformação do edifício, ele passou a receber diversos tipos de ocupação e indícios de agressões e abandono, pois o projeto nunca chegou a ser concluído. O prédio sofreu estragos do tempo, devido a água de chuva, goteiras no telhado e entupimento das prumadas.
Interior Pinacoteca - ponte de acesso (foto: Nelson Kon)
“
O objetivo primordial da obra foi a adequação do edifício às necessidades técnicas e funcionais para receber definitivamente a Pinacoteca do Estado, cujo perfil funcional estava perfeitamente delineado pela sua localização urbanística, pelos espaços internos, pelo público potencial e pela idéia de ampliação do acervo, recepção de exposições temporárias e dotação do prédio de toda a infraestrutura necessária.” (fonte: ArchDaily)
36
As intervenções propostas são muito nítidas no projeto, o que distingue perfeitamente o que era antigo com o projeto atual. Elas também possibilitaram novas utilizações do espaço, libertaram a rígida planta original com as pontes acessando o pátio central e transformam os grandes salões em expositores com pé-direito triplo. No vazio central, foi desenvolvido um auditório que se articula com as passarelas dos pavimentos acimo devido à sua cobertura. A escolha em retirar algumas esquadrias das janelas internas deixou o espaço mais fluido e destacou as paredes grossas e autoportantes de alvenaria de tijolos.
Detalhe da intervenção de claraboias translucidas no telhado do edifício
Inserção Urbana
37
DIAGNÓSTICO O
diagnóstico do lugar é uma análise de diversas dimensões da estrutura espacial, na qual, além do texto, são construídos mapas objetivos e mapas subjetivos. Enquanto os mapas objetivos revelam estruturas físicas do espaço (infraestrutura, circulação, ocupação, usos, vegetação, insolação, etc), os mapas subjetivos destinam-se a revelar o medo, a agradabilidade, a surpresa, a beleza, a liberdade, a opressão, a violência, a exclusão, os sons, os cheiros, o misticismo, enfim, sensações experimentadas pelas pessoas na fruição da estrutura física. A construção destes últimos pressupõe a análise dos dados objetivos. 38
39 Malha das edificaçþes de parte de Santa Luzia, com destaque o Frimisa
INSERÇÃO URBANA A Região Metropolitana de Belo Horizonte é uma aglomeração urbana constituída atualmente por 34 municípios, incluindo Santa Luzia, que por sua vez, encontra-se localizada no Vetor Norte. Essa região sofreu uma expansão urbana devido a diversos investimentos de interesse público e econômico, os quais consequentemente geraram um intenso fluxo de veículos e pessoas.
44.000°W
43.500°W
20.500°S
20.000°S
19.500°S
44.500°W
0
10
20
30 km
Mapa com os limites dos municípios da região e colar metropolitanos de Belo Horizonte, com destaque em hachurado de Santa Luzia 40
O sítio industrial está localizado entre o Bairro Frimisa e Carreira Comprida (logradouro: Avenida VIII, 50 - Carreira Comprida - Santa Luzia / MG - 33045-090 ) e faz divisa com o distrito industrial IV- Carreira Comprida. Antes de sua desativação, o frigorífico fazia parte desse distrito, que até hoje conta com a instalação de empresas e empreendimentos. O único acesso disponível para o bairro é pela avenida Frimisa, que possui conexão com a avenida Brasília e Rua Rio das Velhas. O atual bairro Frimisa era um grande conjunto habitacional, o chamado conjunto habitacional Carreira Comprida, que foi planejado para abrigar as famílias de funcionários do frigorífico. É possível identificar na porção norte do sítio industrial uma grande massa de vegetação. O único acesso, tanto para veículos quanto para pedestres, se encontra na avenida VIII.
Limite de Santa Luzia ( em vermelho), com os limites de cada bairro
0
10
20
30 km
carreira comprida
carreira comprida
BAIRRO FRIMISA
BAIRRO FRIMISA
BOA ESPERANÇA
BOA ESPERANÇA
DUQUESA II
DUQUESA II FRIMISA
Demarcação em marrom da localização do frigorífico, e delimitação dos bairros próximos a ele Fonte: Open Street Maps, 2018
FRIMISA
Limite Municipal de Santa Luzia Avenida Frimisa Avenida Brasília FRIMISA RIO DAS VELHAS
41
Mapa de Edificações existentes no local - em relação aos cheios e vazios, destacado de vermelho na figura ao lado, encontra-se o frimisa 42
Estrutura físico-ambiental
ERNO
O Frigorífico de Minas Gerais está localizado próximo a dois bairros, na região sul. Entretanto, existe uma massa muito grande de vegetação, localizada ao norte e oeste do complexo. Essa mata é quase divisa do limite municipal de Vespasiano, o que faz com que não exista núcleos urbanos nessas direções. Foi constatado nos arquivos cadastrais da Prefeitura que existe uma fazenda de mais de 2 milhões de metros quadrados localizada próxima ao frigorífico.
3
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No mapa acima, destacado me laranja, a mata chamada de Fazenda Carreira Comprida, e em amarelo, o complexo industrial do frigorífico. Fonte: Prefeitura de Santa Luzia V107
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Para a implantação do Frigorífico de Minas SA, a região sofreu uma movimentação de terra muito grande, fazendo-se necessário o uso de muros de contenção em alguns pontos do terreno. O muro de contenção, localizado na região oeste do complexo de edificações do Frimisa, limita as áreas verdes e ainda separa a parte mais alta do terreno da região mais baixa.
Muro de Arrimo com densa vegetação na parte posterior
Localização dos muros de contenção no complexo do Frimisa 44
Com a predominância de ventos direcionada para Leste-Oeste, as regiões livres presentes entre as principais edificações criam um fluxo de vento, que mantém essas áreas mais arejadas. Entretanto alguns locais ficam grande parte do dia sem a presença de luz solar, devido a altura e sombreamento do frigorífico, o que deixa o local muito frio durante boa parte do dia. Esse fenômeno foi mais perceptível nas regiões sudoeste, próximas às edificações principais.
Corredor de transição entre as três pincipais edificações que gera um fluxo muito grande de ventos
O oposto ocorre na região nordeste, próxima ao galpão do refeitório, onde a falta de sombreamento ocasionado pela vegetação impede de ter um ambiente mais fresco e confortável. De fato, esse local é utilizado exclusivamente como área de transição, o pedestre que precisa atravessar esse perímetro encara uma atividade maçante. Não há uma distinção precisa entre trânsito de veículos com o de pedestres nesse local.
Esqueama dos corredores de vento ( em amarelo) percebidos no local.
45
VEGETAÇÃO Com características do Cerrado e Mata Altlântica, o Frimisa e seu entorno possui uma vasta quantidade de espécies de plantas arbóreas e arbustivas. Entretanto, muitas foram alocadas para aquela região, como exemplo as ornamentais encontradas nos canteiros e jardins de entrada. Foram catalogadas algumas delas, ao todo 61 espécies que servirão de estudo para as propostas e futuras intervenções.
Caryota mitis Cariota
Cassia spectabilis Cassia
Bertholletia excelsa Castanheira
Cupressus Clerodendron Sempervirens splendens Cipestre Clerodendo
Agave atenuata Morus nigra Latania verschaffeltii Asparagus Agave Amora Areca latania densiflorus Asparagos Todas as fotos foram tiradas do site jardineiro.com
Bauhinia variegata Bauinha branca 46
Fênix (o) Flambayant Flamboyant mirim Goiabeira Grama batatais Hibisco Ipê amarelo Ipê mirim Ipê rosa Iuca Jamelao Jatobás Latan Leia Leucena Licuri Malva visco Clusia fluminensis Dracaena marginata Erythrina Speciosa Dracena baby (o) Eritrina Clusia Mama de porca Manga Mangueira Moreia (o) Oiti Paineira Palmeira Areca Palmeira imperial Pata de Vaca Pingo de ouro (o) Preumeli (o) Proton Rabo de raposa Raffis Ravenalis (o) Reseda- rosa Sagu (o) Sanção do campo Sete Copas Sete copas Sibipiruna Schizolobium Bougainvillea Luffa operculata Tipiri parahyb spectabilis Buchinha Birosca
Buganville
Outras espécies encontradas 47
Estrutura físico-funcional Entorno Com a implantação da sede da Prefeitura Municipal na antiga fábrica do frigorífico, alguns ambientes receberam novas funções e usos. Como apresentado nas próximas imagens, o complexo recebeu uma nova proposta para sua utilização, em relação ao projeto criado na década de 50. O Frimisa possui apenas um acesso, mostrado na foto ao lado, tanto para veículos quanto para pedestres.
Aos fundos do complexo, é encontrado um campo aberto com mata alta e ervas daninhas,.Na foto à esquerda, é possível visualizar ao fundo a chaminé e a antiga caldeira, e a oficina mecânica da prefeitura com os veículos estacionados.
acesso principal
MAPA CHAVE
48
49
DISTRITO INDUSTRIAL - CARREIRA COMPRIDA PÁTIO DE CARROS DO DETRAN DETRAN POCILGAS E CURRAIS DO ANTIGO FRIMISA
MAPA DE USOS ATUAIS
50
ZONA RESIDENCIAL
RIO DAS VELHAS
ESTRUTURA DO FRIMISA
CAMPO DE FUTEBOL
ESTACIONAMENTO
PRAÇA DA PREFEITURA
ESTACIONAMENTO OFICINA MECÂNICA 51
0
EDIF. FRIMISA
EDIF. PARTICULAR
RELIGIOSIDADE
PERÍMETRO TERRENO
INDUSTRIAS INSTITUCIONAL
VIA ARTERIAL VIAS COLETORAS LINHA FÉRREA
COMÉRCIO E EMPRESAS
MAPA DE TIPOLOGIAS
0
52
0.25
0.5 k m
Observou-se que a maioria das edificações nos bairros Frimisa e Carreira Comprida são residências de 1 ou 2 pavimentos. Não existe uma região significativa de comércio no local, apenas alguns pontos de venda, tais como padarias e mercearias. Na Avenida VII, via de principal acesso ao frigorífico, existe alguns restaurantes próximo ao acesso principal. Ela está caracterizada como a via arterial do bairro, o que de fato implica em um grande fluxo de veículos.
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SETORIZAÇÃO E USOS ATUAIS PELA PREFEITURA des. urbano
sec. esportes
H=120
sec. saúde 360X180/120
ARQUIVO
COPA
H=210
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ARQUIVO H=120
CIRCULAÇÃO
H=210
H=210 ARQUIVO
CIRCULAÇÃO
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BANCADA
HIPÓLITO
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ARMÁRIO ARMÁRIO
ARMÁRIO
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ARMÁRIO ARMÁRIO
CIRCULAÇÃO
INSTALAÇÃO SANIATÁRIA MASC.
9 ARMÁRIO
INSTALAÇÃO SANIATÁRIA FEM.
6
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8
360X180/120
360X180/120
SECRETARIA DE SAÚDE
D
CIRCULAÇÃO SALA SECRETÁRIO SECRETARIA DE OBRAS
INFORMÁTICA
ANEXO FISCAL
CIRCULAÇÃO
510.6104
obras TI
SECRETARIA DE FINANÇAS - GABINTETE 2º PAVTO
Gabinete
1º PAVIMENTO
sec. des. econômico
Oficina
PRÉDIO 9 - TERREO EXTINTOR DE CARGA DE PÓ A/B/C - 4 Kg (2-A:20-B:C) PONTO DE ILUMINAÇÃO DE EMERGÊNCIA
RH
Transporte sobe
DIRETORIA DE TRANSPORTES sobe
510.6104
CIAMEI
dep. de trânsito
TÉRREO
CRAS
S
SEC. DE EDUCAÇÃO
RESTAURANTE
i=18%
SECRETARIA DE FINANÇAS - GABINTETE TÉRREO
Educação
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Os edifícios principais, com os anexos possuem 15.635 m² de área construída. (coloridos em laranja na foto acima) Além dele, as edificações que o rodeia possuem cerca de 7300 m². A área total do terreno é de aproximadamente 133 mil metros quadrados.
Anteriormente à instalação da prefeitura na industria, o Frimisa possuía um complexo formado por um galpão de garagem de carros, posto de manutenção e desinfecção de veículos, almoxarifado (que tem a mesma função atualmente), depósito de diesel, caldeira, carpintaria, casa de máquinas, o frigorífico, o matadouro, a área de conservas e a estamparia, organizados conforme figura acima. A região onde ocorriam as estamparias hoje abrigam setores da prefeitura, tais como o setor de Desenvolvimento Econômico, Desenvolvimento Urbano e Patrimônio. As área do frigorífico atualmente são utilizadas pelo setor de Obras, Saúde, Recursos Humanos, DETRAN, TI e outros pequenos usos.
55
ESTRUTURA O edifício do Frigorífico de Minas Gerais A.S. foi construído em concreto armado, com pilares que possuem um vão de cerca de cinco metros entre eles. Esse mesmo edifício possui 240 pilares. As vedações de alvenaria nesse edifício variam de 12 centímetros, e em alguns pontos onda há as câmaras de refrigeramento, possuem cerca de 60 centímetros.
Interior do edifício do frigorífico 56
Corte esquemático do matadouro (à esquerda) com o passadiço no centro e à direita, o prédio de conservas
MAPA CHAVE
corte
Corte esquemático do frigorífico, onde mostra a estrutura viga-pilar
MAPA CHAVE
corte
57
cobertura Com o incêndio sofrido em 2015, a estrutura em concreto do telhado sofreu graves danos. Com mais de 5 mil metros quadrados de extensão, hoje o telhado foi recomposto em cerca de 40% na região onde a prefeitura se alojou. Um ponto muito relevante apontado por alguns usuários do espaço é a poluição visual ocasionada pela estruturas exposta. As estruturas incendiadas e destruídas geram desconforto e insegurança para as pessoas que transitam no local.
Imagem satélite do FRIMISA Fonte: Google 2007
Imagem satélite do FRIMISA Fonte: Ortofoto, PMSL 2017 58
A destruição é bastante evidente, visto que parte da estrutura de vedação e as vigas caíram. Na foto acima é possível perceber a grande destruição sofrida no prédio principal.
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acessos, ESCADAS E RAMPAS Atualmente, com o frigorfífico sendo usado pela Prefeitura de Santa Luzia, somente as rampas do complexo estão abertas e disponíveis para o acesso aos outros pavimentos. Dessa forma, os pavimentos 2 e superiores encontram-se interditados. As rampas são feitas de concreto, e possuem esquadrias metálicas com folhas de vidro em toda a sua extensão. Estão em bom estado no térreo e 2 pavimento. Nos pavimentos seguintes ela se encontra em estado de abandono, como mostra as figuras abaixo.
Fachada da rampa principal Fonte: Frigorificos de Minas Gerais - SA 60
Os passadiços entre pilares, em toda a área do complexo, estão interditados. Ao que se sabe, não possuem uma função para acesso, visto que ele faz a ligação dos prédios subutilizados com o s galpões da parte superior do terreno.
Corte do passadiço entre o prédio de estamparia com matadouro Fonte: Frigorificos de Minas Gerais - SA
61
VEDAÇÃO A vedação em alguns pontos se encontram com perda de material e danificados. Nas áreas abandonadas, é possível perceber algumas paredes quebradas. Os blocos das vedações originais são de tijolo furado comum, com argamassa de areia e cimento.
Foram encontradas muitas paredes com fisurações e muita sujidade. O revestimento de tinta à base de cal em algumas vedações está com perda de material e bastante deteriorado. Em alguns trechos, as paredes estão bastante mofadas devido à inflitração.
62
esquadrias As esquadrias do complexo s찾o em ferro cromado, onde algumas janelas possuem peitoril em ard처sia. Muitas janelas est찾o com o vidro quebrado, nas regi천es abandonadas.
63
64 Fachada lateral do prĂŠdio de conservas
Caracterização social, econômica e culturaL A Prefeitura de Santa Luzia é um local administrativo que tem o intuito de realizar a gestão pública e a realizações de serviços relacionados ao meio urbano em questão. É evidente que não há uma preocupação direta em desenvolver algum espaço de convivência, tanto para os funcionários quanto aos usuários e cidadãos que vão ao local. Foram encontradas algumas áreas informais onde as pessoas desenvolvem algum tipo de permanência. Essas áreas se encontram próxima ao refeitório e às rampas de acesso. O único espaço em que há de fato um ambiente para descanso e contemplação é a praça localizada na entrada do edifício, onde alguns funcionários passam seu tempo durante o horário de almoço. Não há áreas de lazer nas proximidades, pois o terreno industrial carece de praças e salas de entretenimento e descanso. O comércio também não é característico da região, pois não existe lanchonetes ou lojas comerciais no terreno. Os únicos prontos encontrados estão localizados na entrada principal. A prefeitura conta com caixas eletrônicos nas suas dependências, e também uma lotérica.
Identificação dos principais pontos de descanço e convivência dos serviores, localizados ao ar livre 65
ZONEAMENTO E LEIS IMPORTANTES
A implantação do Frigorífico de Minas Gerais S.A. foi autorizada pela lei nº 833, de 17 de dezembro de 1951. A lei promove sociedades de economia mista para a construção e exploração de uma rede de matadouros frigoríficos no Estado. A região do frigorífico está localizada na ZOE – Zona de Ocupação Especial que é destinada à instalação de indústrias e grande equipamentos urbanos. Esse zoneamento está relacionado com uso industrial que o complexo possuía. De acordo com a Lei Complementar 2835 de 2008 alterada pela Lei 3463 de 2013, a extensão máxima de qualquer face de uma quadra deverá estar compreendida entre 200 a 500 metros lineares, porém em ZOEs, a extensão máxima pode ser superior. Em parcelamentos industriais, os espaços livres de uso público deverão somar, no mínimo, 10% da área total da gleba. O código de obras de Santa Luzia, instituído pela lei N. 2262/2001, define os afastamentos: Art. 82– Para o uso industrial implantado em lote com área igual ou superior a 2.000,00m², os afastamentos laterais e de fundo deverão ser de, no mínimo, 3,00m
66
Lei 3.342-2013 Aprova plano municipal de cultura Em 2013, a Prefeitura de Santa Luzia cria a lei 3.342-2013, onde é aprovado o plano Municipal de Cultura, uma cartilha que estabelece metas e diretrizes a serem alcançados até 2022 no âmbito cultura no município. “O Plano Municipal de Cultura de Santa Luzia (2013-2022) é fruto de uma ação pioneira da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo em conjunto com a comunidade cultural luziense. Em 2012, o poder público e a sociedade civil se uniram com o propósito de efetivamente construir uma leitura da vida cultural da cidade e de organizar as necessidades e anseios de todos em um planejamento oficial, que possa ser acompanhado e monitorado. Santa Luzia é por natureza uma cidade de ação e sua comunidade cultural se mostra inquieta e produtiva. Valores culturais, talentos diversos, criatividade e muita harmonia decoram o universo cultural de nosso município, contudo, sentiu-se falta de uma ferramenta que vislumbrasse o desenvolvimento contínuo, ritmado e crescente da política cultural do município sem os riscos tenebrosos das nuances e vontades políticas decorrentes.” Plano Municipal de Cultura - Santa Luzia(2013) Entretanto não se tem uma evolução significativa no estabelecimento dessas metas nesses anos para cá. Atualmente, não existe um espaço cultural ativo na região de Santa Luzia. Essa afirmação gerou a possibilidade de criar algum uso cultural que fizesse parte do complexo do Frimisa.
67
68
PROPOSTA
69
O
que se nota na região de estudo é a ausência de delimitação de fluxos de pedestres ou veículos em alguns ambientes, o que causa um desvio de fluxo de pessoas em detrimento da movimentação de automóveis. As principais vias de acesso possuem de fato um caminho que as direcionam para os setores da prefeitura. Entretanto, pela falta de sinalização, muitos se perdem pelo caminho. Boa parte do transporte público municipal tem o itinerário na Avenida VIII, o que de certa forma facilita o acesso dos cidadãos à Prefeitura. Nenhum dos ônibus têm acesso ao complexo, sendo assim, o usuário deve parar no único ponto mais próximo e se encaminhar aos setores. A acessibilidade configura uma questão muito complexa nos departamentos instalados nos pavimentos superiores. Por ser um antigo matadouro, o FRIMISA possui rampas que eram utilizadas para a entrada de bovinos nas edificações, fazendo com que alguns lances sejam mais inclinados que o admitido pela norma 9050 da ABNT. Com base nos fluxos e acessos analisados, foi elaborado um fluxograma com as principais demandas e vias encontradas no complexo. Um estudo realizado em 2017 pelo departamento de trânsito apontou os setores mais procurados no Centro Administrativo, sendo eles o Desenvolvimento Social, Tributos, Departamento de Trânsito, Receita Federal, e o Procon.
70
71
PROPOSTAs gerais: Pavimentação e hierarquia das vias Com o intuito de melhorar o fluxo tanto de pedestres quanto de veículos, foi elaborada uma pavimentação e uma sinalização mais diversificados, que converse com as principais necessidades dos usos atuais e o do uso proposto.
Planta Geral - Pavimentação e Vegetação
72
A proposta para essa ambiência é de criar uma área de convivência, com vegetação e espaços de descanso, para as pessoas que transitam a região e também para os servidores da prefeitura. O espaço se encontra próximo ao estacionamento de veículos.
73
A ideia de criar um espaço externo de convivência na parte posterior do complexo foi necessária para conversar com a nova proposta de intervenção no galpão da caldeira. O ambiente possui uma área gramada e também um novo estacionamento.
74
75
PROPOSTA: centro cultural - galpão das caldeiras A intervenção proposta buscou criar um espaço cultural destinado a diversas atividades, dentro do complexo industrial. Tendo em vista a lei que regulamenta o plano cultural do município, citado nos tópicos anteriores, a ideia surgiu na necessidade de criar um novo centro de cultura que se tornasse uma referência para Santa Luzia. O projeto conta com espaços de exposição de arte e de venda de artesanato e livros. Possui ainda um espaço literário/café localizado no mezanino. No térreo, há duas salas de multimídia e expositores de arte, fixados nas paredes. Optou-se por preservar a estrutura metálica do mezanino e reaproveitá-la para um novo piso. Algumas tubulações da antiga caldeira foram mantidas a fim de preservar a identidade do local. No subsolo estão as instalações sanitárias, administração e espaço de intervenção cultural.
Localização do galpão no complexo do Frimisa
76
IMPLANTAÇÃO
25%
VIA VEÍCULOS
25%
Acima
ESTACIONAMENTO
INTERTRAVADO ACESSO PEDESTRES
GRAMADO
0
1
2
3 M
4 E
5 T
20% 20%
10 R
O S
77
PLANTA TÉRREO
30 40 85 20 80 20 80 20 80 20 80 20 80 20 80 20
1640 1580 180
30 20 80 20 80 20 80 20 80 20 80 20 80 20 65 40
Acima
249
acesso mezanino
-3,89
ÁREA DE EXIBIÇÃO
380
guarda corpo h=90 cm
239,79
PROJEÇÃO MEZANINO 0,12
0,12
228
CIRCULAÇÃO 0,12
SALA MULTIUSO 27,89 m²
392 12
149,21
758
140
12
N
451,03
PROJEÇÃO MEZANINO
0,12
PROJEÇÃO MEZANINO
392
ÁREA DE EXIBIÇÃO
SALA MULTIUSO 27,89 m²
346,97
acesso subsolo
ACESSO PRINCIPAL S
UP
78
PLANTA MEZANINO 0
1
2
3
4
5
M E T R O S
1,74
2,95
-3,99
MEZANINO 4,17
CAFÉ
ELEVADOR
79
PLANTA SUBSOLO 0
1
2
3
4
5
M E T R O S
SALÃO DE EVENTOS -3,89
ADM
-3,99
IS MASC.
IS FEM.
ALMOXARIF.
-3,99
80
SEÇÕES
CORTE BB
B
25%
CORTE AA
VIA VEÍCULOS
25%
Acima
A
A
ESTACIONAMENTO
INTERTRAVADO
B
81
ACESSO PEDESTRES
Situação atual da caldeira
Situação porposta
82
PROPOSTA DO MEZANINO
83
CIRCULAÇÃO ENTRE AS SALAS MULTIUSO
84
CONCLUSÕES : a questão do reuso do patrimônio industrial como meio para sua preservação
Com o passar dos anos, civilizações de todo o planeta praticavam o reuso de antigas construções para sobreviver, conquistar e reutilizar. Adaptar e intervir em uma construção atualmente se tornou necessário para a preservação de obras arquitetônicas. Muitas obras sofrem uma adequação nas suas utilidades para se encaixarem nas normas e exigências contemporâneas. Dado essa questão, o desenvolvimento de um projeto de requalificação em um edifício abandonado pode apresentar diversas segmentações no seu resultado de reinserção ao perímetro urbano. Em outras palavras, muitos aspectos positivos podem ser desenvolvidos a partir da revitalização do complexo industrial em questão, mas muitos desafios podem tornar o projeto de reforma e requalificação inviável para as questões funcionais do espaço. As práticas de retrofit e revitalização, como citadas no tópico de referencial teórico, propõem muitas alternativas que competem a solucionar patologias construtivas e vazios urbanos sucateados. Preencher uma ‘fissura’ urbana, entretanto, vai muito além das reformas sistemáticas propostas nessas soluções. Um dos tópicos importantes para o desenvolvimento dessa proposta de requalificação é a adequação do edifício às necessidades da população.
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REFERÊNCIAS ADAM S BERWID. Edição Especial Frigoríficos Minas Gerais S.A. America Magazine, São Paulo, n. 10, 1960. AZEVEDO, P.O.D. A recuperação do patrimônio habitacional como alternativa complementar para a solução do problema da moradia no Brasil. In: SIMPÓSIO SOBRE BARATEAMENTO DA CONSTRUÇÃO HABITACIONA, 1987. Tema II, trabalho 67. CASTELNOU NETO, A.M. A intervenção arquitetônica em obras existentes. Semina: Ci. Exatas/Tecnol., Londrina, v. 13, n. 4, p. 265-268, dez. 1992. DINIZ, ÁLVARO. Santa Luzia/ Minha Terra, Sua História/ Histórias de Minha Terra. Santa Luzia2008 p. 38-39 IBGE. Biblioteca IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2007. Disponivel em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/minasgerais/santaluzia.pdf>. Acesso em: 08 Abril 2018. KÜHL, Beatriz Mugayar. Algumas questões relativas ao patrimônio industrial e à sua preservação. Revista do IEEE América Latina, Brasília, v. 4, p. 1-10, 2006. MENDONÇA, A. D. M. Vazios e ruínas industriais - Ensaio sobre friches urbaines. Vitruvius, 2001. Disponivel em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ arquitextos/02.014/869>. Acesso em: 30 Maio 2018. The Factory / Ricardo Bofill" 15 Nov 2012. ArchDaily. Accesso 15 Jun 2018. <https:// www.archdaily.com/294077/the-factory-ricardo-bofill/> ISSN 0719-8884 VITRINE, S. L. 60 Anos Depois ,Frigorifico Volta A Pegar Fogo Em Santa Luzia. Vitrine Santa Luzia, 2015. Disponivel em: <http://www.vitrinesantaluzia.net/2015/09/60anos-depois-frigorifico-volta-pegar.html>. Acesso em: 18 abril 2018. Fotos Todas as fotos são de autoria do autor, exceto as que possuem fonte demarcada. Plantas Frimisa - Frigoríficos SA
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