revista
Ribeirão Preto – SP
barão de mauá
nº. 6 nov./2019
produzida por alunos do 6º semestre do curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá
Um banho de solidariedade
Reitora Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães Vice-Reitor Prof. João Alberto de Andrade Velloso Pró-Reitora de Ensino Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino Pró-Reitora de Pós-Graduação, Extensão e Iniciação Científica Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli Pró-Reitor de Educação a Distância Prof. Dr. Dyjalma Antonio Bassoli Pró-Reitor Administrativo Antonio Augusto Abbari Dinamarco Coordenador do curso de Jornalismo Prof. Dr. Sebastião Geraldo Reportagem, fotojornalismo e diagramação Alunos do curso de Jornalismo
Professores responsáveis Edição, coordenação e revisão de textos Prof. Me. José Antonio Bonato
Revista Barão de Mauá na internet:
Projeto gráfico e edição de arte Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira
http://jornalismo.baraodemaua.br / jornalismobaraodemaua Contato: jornal@baraodemaua.br
Foto: Ana Beatriz Moreira
Crescimento desordenado.................................... 6
A Revista da Barão sai do forno neste final de ano com uma reportagem para esquentar os corações daqueles que têm compaixão pelo próximo. Reportagem de Bianca Colluci Belge, estudante do sexto semestre de Jornalismo, narra as ações de um grupo de voluntários de Ribeirão Preto para melhorar a autoestima de moradores de rua. Batizada de Banho Solidário, a iniciativa leva banho de chuveiro, corte de cabelo, de barba e unhas para uma parcela de pessoas que são, na maior parte das vezes, anônimas e invisíveis, perambulando ao deus-dará nas cidades. O trabalho dos voluntários merece aplausos, mas não só. Merece ser copiado. E foi o que fez um grupo de voluntários de Londrina (PR), que resolveu montar um veículo idêntico ao utilizado em Ribeirão para colocar em prática essa meritória atitude. Mas não só de solidariedade vive esta edição. Nas páginas seguintes os eleitores poderão encontrar uma boa variedade de assuntos: textos sobre comportamento, saúde, esportes, leitura, trânsito, segurança e beleza, entre outros temas. Todo o material produzido pelos alunos tiveram o toque da competente diagramação de Gustavo Ricci, também estudante do terceiro ano de Jornalismo. Nos textos, como é praxe nas revistas, a liberdade de opinar sustenta a narração objetiva, numa liberdade que o texto jornalístico diário não permite, pois preso ao factual. Liberdade que aqui é também um desafio. A todos, uma excelente leitura!
Ensino Integral....................................................10 Pessoas especiais no mercado de trabalho......... 13 Curso Técnico ou Faculdade?...............................15 Era uma vez.........................................................16 Representando bem, que mal tem..................... 20 Quando a fantasia sexual se torna sua inimiga.22 Transição capilar................................................ 24 Mulheres-gato................................................... 26 Salão Alternativo................................................ 30
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Marcas de uma arrependimento Foto: Luan Ortolan
Chanceler Prof. Dr. Nicolau Dinamarco Spinelli (in memorian)
Banho Solidário.................................................... 4
No fundo do poço............................................................34 Segurança de bairro........................................................36 Trânsito de Ribeirão Preto.............................................. 37 É caro mas é gourmet..................................................... 41 Mundo amador................................................................42 Uma mina atrás do gol....................................................44 O chamado da natureza..................................... 46 Equilíbrio para todos.......................................... 48 Reuso de água
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Paixão sobre rodas Foto: Letícia Marques
A Revista Barão de Mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá.
Sumário
Solidariedade de exportação
Fotos: Lucas Souza
Expediente
A maquiagem da autoestima
Edição de fotografia Prof. Me. Jefferson Barcellos
Os textos desta publicação, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.
Centro Universitário Barão de Mauá Unidade Independência Rua José Curvelo da Silveira Jr., 110 Jd. Califórnia – Ribeirão Preto - SP Fone/Fax: (16) 3602-8200
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5 ser tratados com dignidade. Isso faz bem para nós e também para quem nos ajuda.” Silva conta também que sempre é muito bem tratado pelos voluntários e sempre que pode avisa seus amigos do banho para que eles também participem do banho. “Sou muito grato ao projeto. Posso tomar meu banho tranquilo e me sentir melhor. Antes dele já fiquei quase duas semanas sem banho. Eu dependia da chuva para ficar limpo.” HOMENAGEM organizador do projeto em Ribeirão Preto, Fernando Rocha, 49, empresário, explica que a carreta é ocupada em três finais de semana, uma em Serrana com outro grupo de pessoas, também na favela do Brejo e na catedral de Ribeirão Preto. “Mandamos a carreta para outros lugares com intuito de ajudar mais pessoas. A carreta já vai com o reservatório de agua cheio e gás. O outro grupo de pessoas só fica responsável por fazer o trabalho.” O projeto de Ribeirão foi idealizado pelo Felipe Gui Rocha, que faleceu no dia 30 de julho de 2017 durante uma viagem para Belo Horizonte. Dentre uma das coisas que ainda estava nos papéis havia o projeto do banho que ele já estava pesquisando. Os amigos e familiares do Gui Rocha decidiram tirar sua ideia do papel e dar seu nome como homenagem a ele.
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Banho Solidário
Além de cuidar da higienização das pessoas em situação de rua, os voluntários também oferecem assistência psicológica e de enfermagem pelo projeto e então o pessoal do banho fez uma proposta para eles nos ajudarem com a mão de obra e projeto ribeirão-pretano Banho Solidário by nós entraríamos com os recursos. ” Felipe Gui Rocha, que melhora a autoestima A estrutura da carreta para Londrina foi montada de moradores de rua com serviços de higiene, exatamente como a de Ribeirão Preto, com capacifoi adotado por uma entidade de Londrina. dade de 35 banhos por dia. No dia 10 de março de 2019, reO projeto de Ribeirão Preto presentantes do Amigos do Banho “Não temos nenhum existe há dois anos, atende mais de Londrina estiveram presentes de 40 pessoas por domingo. É em uma das ações do Banho So- cunho político ou oferecido o banho com um kit lidário para conhecer o projeto e, religioso. Para nós o mais higiênico e, além disso, eles reassim, poder oferecê-lo em sua cebem corte de cabelo, barbeaimportante é o amor cidade. ria, corte de unha, enfermagem Fabio Luiz Gambarotto, 38, carinho e energia boa.” e sempre tem um psicólogo para funcionário público e idealizador poder conversar. do projeto em Londrina, conta De cada dez beneficiados, sete são homens na faique foi arrecadado o valor de R$ 15 mil através de xa de 40 a 60 anos, a maioria, infelizmente, viciada ações como venda de canecas, comidas e doações. em drogas. “Quando conhecemos a ação pudemos ver o jeiÁlvaro Alexandre da Silva, 36, diz que começou to que eles tratam as pessoas, com carinho, atenção, a frequentar o banho, pois está em situação de rua estão sempre olhando olho no olho, chamando pelo e participa do projeto há cinco meses. “Acho muito nome as pessoas, que são tratadas de um jeito huimportante o banho, pois todos precisam do banho, mano como elas merecem. Por isso nos apaixonamos não é só porque estamos na rua que não podemos BIANCA COLLUCI
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DOAÇÕES ernando Rocha explica que divulgar o projeto é necessário, pois eles precisam de doações e também espera inspirar mais pessoas a trabalhar, mas não tem intuito nenhum de se promover ou esperar algo em troca. Melissa Coimbra, 43, voluntária do projeto e engenheira, conta que sempre há uma área para ajudar no projeto e sente-se muito bem em ajudar. “Eu vejo que o projeto ajuda muito os moradores que realmente precisam de um banho, mas acaba fazendo melhor para nós voluntários, do que para os moradores. Muitos voluntários que nos ajudam estavam em um momento de inércia antes do projeto, ninguém participava de nenhum projeto e isso motivou a gente. Muito bom poder ajudar o próximo. É gratificante, a gente se sente muito bem, trabalhamos a manhã toda e não ficamos cansados. ”
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Informações Para ajudar como voluntário entrar em contato com o WhatsApp (16) 99218 8838 ou pelas redes sociais Facebook e Instagram: ‘banhosolidarioRP’. Entrega de doações, como roupas e produtos de higiene, pode ser feita no posto AV. Meira Junior, 1181 de segunda á sexta das 8:00h ás 17:00h
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Crescimento desordenado O bairro Jardim Cristo Redentor é um bairro novo em Ribeirão Preto. PAMELA SANTOS
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TRANSPORTE PÚBLICO exemplo de Valéria, Daiane depende do transporte público e reclama que todos os dias o ônibus está lotado. “Quando eu pego o ônibus, fico com meu filho de dois anos no colo e seguro a mão de minha filha de cinco anos. Essa situação é muito difícil, não tem lugar para sentar no ônibus e isso é um absurdo, já que também pessoas idosas usam o coletivo”, diz. “ A prefeitura tem que tomar uma providência quanto a isso. Colocar outra linha no bairro ou mais ônibus para melhorar o transporte público.” NÃO DA PARA FICAR ASSIM.
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A ORIGEM Jardim Cristo Redentor é resultado do Vida Nova Ribeirão, um empreendimento conjunto da prefeitura de Ribeirão Preto, Cohab e Construtora Pacaembu, em parceria com o governo federal. Trata-se de um empreendimento com 2,8 milhões de m² em área urbanizada. A construtora Pacaembu en-
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Foto: Pamela Santos
ardim Cristo Redentor na zona norte de Ribeirão Preto, reclama de falta de escola, creche e da precariedade do transporte público. Daiane Looze, de 28 anos, mora no bairro Jardim Cristo Redentor, localizado na zona norte de Ribeirão Preto, há oito meses com sua família. Todos os dias ela acorda cedo e pega o ônibus, a linha 808 para ir ao trabalho e levar os dois filhos para uma creche e um escola no Ipiranga, bairro vizinho, separado do Cristo Redentor pela rodovia Alexandre Balbo. Daiane leva os filhos ao bairro vizinho porque no local onde mora mora não tem esses serviços públicos. Assim como ela, outros moradores reclamam da falta de serviços municipais do bairro e, a exemplo de Daiane, se deslocam para outros bairros em busca de serviços municipais. Reijane Costa dos Santos, 37 anos, assistente de manutenção, tem uma filha de três anos.
A exemplo de Daiane, ele reclama que o bairro não tem creche para colocar a sua filha. A creche está fechada ainda e não funciona. A sua filha tem que ir para o serviço com a mãe porque não tem creche no bairro e não tem com quem deixar a criança, afirma o assistente de manutenção. Valéria Cruz, 29 anos, atendente, tem uma filha de quatro anos. Ela diz que mora no bairro há dez meses e considera o transporte urbano ruim. Segundo ela, só tem uma linha Jardim Cristo Redentor e que o ônibus demora para passar e está sempre cheio. O coletivo passa a cada intervalo de 40 minutos. “Falta creche e tenho que levar a sua filha para outro bairro, no Orestes Lopes de Camargo”, declara. De acordo com a moradora, ela tem que atravessar a pista para levar sua filha para a escola. O posto de saúde que abriu no mês passado só atende meio período. “Quem trabalha o dia inteiro não tem direito à saúde, não tenho tempo para ir ao posto porque fecha às 13h.
Novo posto de saúde do bairro Jardim Cristo Redentor inaugurado mês de setembro deste ano.
tregou 6.991 casas para 30 mil habitantes e também quatro prédios: o Centro de Educação Infantil (CEI), a Escola de Ensino Infantil (Emei), Unidade Básica de Saúde (UBS) e Centro de Assistência Social (Cras). A Secretaria da Educação prevê inaugurar a unidade escolar do Cristo Redentor no início de fevereiro de 2020. O Cras começou a funcionar em janeiro deste ano. A unidade de saúde foi inaugurada na última semana, e o Centro de Educação Infantil (CEI) do bairro Cristo Redentor já está pronto. A responsável pelo Cras no bairro Jardim Cristo redentor é a assistente social Marcia Regina Maturano Santoro Chioratto. No cargo de coordenadora, ela fica no horário das 8h às 12h, de segunda a sexta. No mesmo prédio funcionarão CEI e EMEI, sendo 436 vagas para crianças de zero a três anos de idade e 600 vagas para crianças de quatro e cinco anos. As matrículas devem ocorrer entre dezembro e janeiro, sendo que a data será amplamente divulgada pela Secretaria da Educação assim que for definida. A unidade contará com 80 professores PEB I e 24 PEB II.
SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE falta de atendimento médico era uma queixa constante dos moradores do bairro até setembro, quando o posto médico passou a funcionar. O atendimento local está a cargo de uma equipe médica composta por três médicos: um ginecologista, um pediatra e um clínico geral, dois enfermeiros, sete técnicos em enfermagem, um farmacêutico, um auxiliar de farmácia, um cirurgião dentista, um auxiliar de consultório dentário e dois recepcionistas. A Secretaria Municipal da Saúde informa que no momento não há previsão para ampliação do horário de funcionamento da unidade básica de saúde Jardim Cristo Redentor. O horário no momento é de segunda a sexta das 7h até 13h. A unidade de saúde possui 695 m² e ainda conta com estrutura física ociosa. Caso haja aumento da demanda por atendimento, a prioridade será aumentar o número de equipes de atenção primária no horário de funcionamento já estabelecido. Para atendimentos de urgência
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e emergência, a população da região tem como referência durante as 24 horas do dia a UBDS Quintino Facci II e o Samu, através do telefone 192. Por enquanto no momento é o que pode ser feito. A TRANSERP A Transerp (Empresa de Transportes Urbano de Ribeirão Preto) relata que vai colocar mais veículos para circular nos finais de semana. A linha 808 - Jardim Cristo Redentor vai ter mais horários principalmente nos finais de semana. Pelo bairro ainda ser novo, a Transerp não irá colocar novas linhas, pois depende de a demanda crescer. A Transerp informa que o bairro Jardim Cristo Redentor é atendido pelo serviço de transporte coletivo urbano desde quando foi entregue, ocorrido em dezembro de 2018. A oferta de transporte está condicionada à demanda registrada, conforme os moradores ocupem suas casas. A frota de ônibus, segundo a Transerp, vem sendo ampliada gradativamente e já conta com 11 ônibus nos horários de pico da manhã e opera com intervalo médio de 11 minutos e nos finas de semana principalmente.
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Reuso de água
contar a quantidade de aparelhos arcondicionado e os recursos que nós tínhamos. A intenção era utilizar o que a gente tinha, os tubos de PVC, as canaletas, tudo foi de reuso, até a caixa-
Empresa de Orlândia aproveita gotejamento de aparelhos de ar-condicionado para lavar instalações e regar jardim LUCAS SOUZA
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água é um recurso essencial para a sobrevivência humana. O que faz com que sua preservação e conservação seja de extrema importância para a garantia da sustentabilidade das próximas gerações. E a crescente problemática da escassez de recursos hídricos faz com que naturalmente a sociedade busque alternativas do uso sustentável da água. Esse uso de maneira racional pode ser definido por práticas, técnicas e tecnologias que propiciam a melhoria da eficiência do seu uso. Sendo a água um bem tão valioso, sua economia também gera economia financeira para seus usuários. Uma das unidades em Orlândia do Grupo Intelli,
empresa que atua nos setores de transmissão de energia, sistema de aterramento e transmissão de dados, encontrou sua forma de ajudar na preservação da água. A empresa começou a utilizar por volta de cinco anos atrás a água produzida por aparelhos de ar-condicionado para realizar a limpeza e jardinagem dos estabelecimentos. Michelle Carneiro Razanaukas, 36 anos, coordenadora do sistema de gestão integrado e incentivadora do projeto, conta que a ideia veio de um ex-funcionário, que replicou o processo de um hospital. “A ideia veio de um hospital de Orlândia que também pegava a água do ar-condicionado para realizar a limpeza. Um funcionário da Intelli viu e decidiu replicá-la para a empresa. Então começamos Fotos: Lucas Souza d’água foi uma caixa de água de reuso.” Cada arcondicionado, dependendo da quantidade de tempo que fica ligado e a quantidade de BTUs, vai gerar uma quantidade de litros de água. Se pegarmos um ar-condicionado de 24.000 BTUs funcionando durante oito horas, ele gera cerca de 25 litros de água, se pegar um de nove BTUs, vai gerar cerca de 7 a 10 litros, quantidade mais que necessária para realizar tais práticas como limpeza e jardinagem. “Em alguns lugares nos fizemos algumas tubulações que vai diretamente ligada por um cano de PVC. Alguns têm um reservatório e há outros que têm uma caixa-d’água. Essa água a gente usa pra limpeza e em algumas poucas unidades usamos na parte de jardinagem. Porque são poucas que têm o ar-condicionado próximo ao local de jardinagem. Portanto a maior parte é limpeza.” O gotejamento gerado pela instalação indevida desses aparelhos gera incômodo e método de utilizar a água proveniente do sistema de refrigeração dos aparelhos de ar-condicionado é uma alternativa mais que viável, uma pratica que concilia a economia tanto da água quanto da parte financeira da empresa. O aproveitamento da água proveniente destes aparelhos de ar-condicionado deve ser considerado uma solução para a escassez no Brasil. O projeto apresenta uma solução simples e de baixo custo para o empreendedor, sendo seu maior benefício a redução do consumo de água. Desse modo, se faz essencial o incentivo de políticas públicas a sociedade e os empresários para a implementação de modelos como este, para a proteção de um recurso natural tão importante como a água.
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Fotos: Sandra Fernandes
Ensino integral LUIZ FERNANDO FIGLIAGI
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reforma do Ensino Médio é discutida desde 2013, ainda na época da então ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). A reforma foi imposta em 8 de fevereiro de 2017 através de uma Medida Provisória aprovada pelo Senado. O governo de Michel Temer (MDB) sofreu duras críticas pela imposição do modelo de ensino integral e muitos discutiram se era viável ou não escolas da rede pública terem como base este tipo de ensino. O atual governador de São Paulo, João Dória (PSDB), vem buscando uma ampla frente de justificativa para impor esse novo retrato às escolas do Estado. O professor de história e também diretor estadual da APEOESP, Fábio Sardinha, 35, alega que a política pública desenhada pelo governo de Dória desconsidera os problemas de infraestrutura nos colégios e
não promove o diálogo com a comunidade e os professores. “Para que a política seja mais efetiva e eficaz, é fundamental que as pessoas envolvidas sejam ouvidas, infelizmente não é o que acontece nesses modelos, a prioridade deveria ser o ensino fundamental – da 1ª ao 9º ano – ao contrário do que propõe o Governo para os anos terminais, fase em que os alunos começam a ir para o mercado de trabalho”, afirma Sardinha. O que vem gerando confusão e protestos tanto de professores como de alunos é a mudança repentina sem consulta à sociedade, o que acaba causando certo desconforto, pois, quem vive isso todos os dias não são os governantes, mas sim a população que usa esses ambientes públicos socioeducativos. Para a aluna Sandra Fernandes Maciel dos Santos, 17, da Escola Estadual Santos Dumont,
que fica no Sumarezinho em Ribeirão Preto, onde o projeto será implantado, o novo modelo de escola em tempo integral apresentado pelo Estado de São Paulo é um desmonte da educação pública. “As consequências serão ruins para nós alunos e também para os nossos professores. Os alunos que trabalham realizam cursinhos preparatórios e/ ou técnicos não poderão permanecer na escola, sendo desta forma, um projeto excludente”, diz Sandra. De acordo com a adolescente foi feito um levantamento com todos os alunos do ensino médio da escola Santos Dumont e mais da metade não estariam inclusos no projeto, porque ou eles estão se preparando para o vestibular ou ocupados com tarefas de casa e trabalhos profissionais. “Faço questão de dizer que esse é mais um golpe contra a educação pública, um desmonte onde não é visado realmente
o desempenho ou avanço, ou até mesmo a visão crítica e a formação, e sim que nos tornemos massa de manobra e mão de obra barata para o mercado”, comenta Sandra. Procurada, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc) enviou uma nota de esclarecimento alegando que o Programa de Ensino Integral (PEI) será expandido a partir de 2020. Com isso, as escolas terão de demonstrar interesse. A expectativa da secretaria é atender cerca de 100 escolas pelo menos no começo e conta que em média elas tenham apenas 500 estudantes para cada unidade escolar. De acordo com a Seduc, os estudantes passam a ter uma matriz curricular diferenciada que inclui preparação para o mundo do trabalho, orientação de estudos, experiências práticas de ciências, tutoria personalizada com um professor, além de clubes juvenis, em que os alunos se auto-organizam de acordo com seus temas de interesse como dança, xadrez e debates, entre outras atividades. A carga horária é de até nove horas e meia – na rede regular a jornada é de cinco horas. Enquanto o projeto ainda não toma corpo, professores como Fernanda
Colafemina, 45, que dá aula na Escola Estadual Nair Guilhermina Pinheiro Nogueira, em Ribeirão Preto, escola essa que também irá passar pela reformulação da grade e em breve será integral, tem recusado a aceitar o projeto que, segundo eles, não mudaria muita coisa tanto na qualidade como no salário do professor. “Tenho vários amigos que trabalharam na PEI durante um ano ou um ano e meio e largaram o projeto. No início até ficaram animados, mas perceberam que o programa era uma farsa”, diz Fernanda. Para ela, a única vantagem seria para funcionários que trabalham nos altos cargos como a direção, que teriam 75% do salário base aumentados com a PEI. Segundo Fernanda os professores perdem aulas em projetos paralelos e teriam que se dedicar apenas a uma única escola, o que cortaria boa parte da renda de profissionais da educação que precisam dar aulas em inúmeras escolas para complementar o salário. Marina Caprio, 41, é pedagoga, mestre e doutora além de docente
no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP, e para ela a PEI traria benefícios sim, caso efetivamente fosse realizada a partir de um projeto pedagógico, o que não acontece aqui com a que será aplicada pelo Estado. “Um projeto pedagógico possui diferentes áreas do conhecimento, ou seja, a ciência, tecnologia, esporte, cultura e artes. Deveria ser um projeto que aliaria formação científica e cultural ao mesmo tempo, além da formação para o mundo do trabalho, não para o mercado de trabalho”, afirma Marina. Para a pedagoga não há como formar para uma única profissão, sem abordar o lado humano do indivíduo. Os conhecimentos são integrados e com isso, a vida também é integrada. “Ao mesmo tempo que você é trabalhador você também é um ser social, um indivíduo que está inserido na sociedade questionando e sendo crítico. E com isso o projeto pedagógico de ensino integral não deveria passar apenas por uma área, mas sim por todas”, diz a
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Pessoas especiais no mercado de trabalho A cada ano cresce a quantidade de pessoas especiais em empresas LEANDRO ISAC
S GIOVANA FARIA Alunos da Escola Santos Dumont protestam contra a reforma do ensino médio em Ribeirão Preto. doutora do IFSP. O colégio estadual Santos Dumont não é o único que irá passar por essa transformação. A Escola Estadual Professor Cid de Oliveira Leite também passou por protestos contra a PEI. A aluna Ticiane dos Santos Fabre, 16, vê que a carga horária mais extensa poderá acarretar um cansaço desnecessário aos alunos. “As escolas não possuem estrutura e, além deste fator, há pouco planejamento de atividades, que quando ocorrem são negativas, pois não se consegue executar a contento. A falta de material, aulas e alimentação que a instituição e o Governo deveriam ser capazes de prover, não são oferecidos”, comenta Ticiane. Para a aluna do segundo ano do colegial, os pais e os alunos deveriam ser informados com a realidade do que seria o projeto, mas segundo ela essas informações são escondidas pelo Governo e secretarias de educação. “Deveríamos ter uma ideia do que a PEI tem a nos oferecer. As coisas estão correndo rápidas demais sem ao menos termos informações corretas do que se
trata”, afirma Ticiane. Para a doutora em pedagogia, não adianta colocar os alunos das 7h da manhã até às 17h da tarde e transformar isso em um depósito de pessoas e não oferecer estrutura. “A escola precisa ter um sentido e um significado. Nós temos a educação formal dentro da escola para sair do achismo e do senso comum. Infelizmente, a ciência e o conhecimento científico têm perdido espaço dentro da escola” afirma Marina. É fato que temos uma educação esvaziada de conhecimentos historicamente acumulados e que os alunos têm passado quatro ou seis anos dentro da escola e mesmo assim muitos saem sem ler e escrever. Segundo a professora do IFSP, não adianta colocar esses estudantes durante um período integral sem envolver todas as estruturas, senão no final, nada será resolvido. A Seduc vê vantagens no Ensino Integral e estudos apontam que ele ajuda a melhorar a aprendizagem dos alunos aumentando a empregabilidade e a renda dos egressos. Os alunos do Ensino Médio
das escolas do PEI tiveram desempenho no último Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp) 1,2 ponto maior em relação aos estudantes das escolas regulares. Uma das novidades que foram apresentadas junto ao Ensino Integral foi a matrícula online, que será feita por plataformas digitais do Governo. “Queremos que o cadastro seja todo feito online a partir do ano que vem. Estamos ampliando o leque de opções, uma vez que o pai ainda terá a escola e a secretaria como apoio para realizar a matrícula. Queremos otimizar o pessoal e também tornar o processo mais automático”, afirma o Secretário de Educação Rossieli Soares. A dirigente responsável pela Diretoria Regional de Ensino de Ribeirão Preto (DRERP), Darlene Stocco Colonesi Gonçalves, foi procurada durante uma semana através de ligações e até foi informada por membros da assessoria da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo a respeito da reportagem realizada pela revista do Centro Universitário Barão de Mauá, mas não quis se manifestar a respeito do assunto.
egundo o IBGE, no Brasil existem mais de 45 milhões de pessoas com necessidades especiais, o que representa cerca de 24% da população. Porém, no mercado de trabalho elas são apenas 0,9% do total em cargos em empresas. A boa novidade é que essa realidade vem mudando nos últimos anos graças a uma nova política de contratações das empresas. Para a gestora de RH Carla Lopes, 40, as empresas ainda tomam a iniciativa de contratar pessoas com necessidades especiais baseadas em questões pessoais ou pela obrigação legal. “Muitas vezes, as empresas não enxergam essas pessoas como profissionais qualificados”, argumenta. COMO FUNCIONA lei brasileira determina que empresas com mais de 100 funcionários
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reservem de 2% a 5% das vagas para essas pessoas. Em geral, Carla diz que há preconceito tanto da sociedade quanto de empresas. “O preconceito ainda existe e precisa ser combatido”. Uma questão a ser discutida é que a qualificação é fundamental para começar a trabalhar. Mais do que simplesmente garantir renda, a inserção no mercado é uma questão de cidadania para as pessoas portadoras de deficiências. “Ter um trabalho é muito importante para a cidadania. E essa dificuldade que o deficiente tem tira dele a cidadania”, afirma Carla. NA PRATICA ulia Batista, 32 anos, é um exemplo de como a inserção de pessoas com necessidades não deve ser tabu. Portadora de nanismo, ela é auxiliar de escritório em uma empresa médica de Ribeirão Preto. “Eu disse ‘vou conseguir um em-
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Julia conseguiu ser independente e ganhar seu próprio dinheiro no mercado de trabalho.
prego e ser independente”, lembra. Para ela, o mercado de trabalho para portadores de deficiências tem melhorado no Brasil, apesar das dificuldades. Julia diz que a admissão é como a de qualquer outro funcionário. “Eu fiz processos mistos, para não haver essa diferenciação. Participei das entrevistas normais como outro qualquer, e as entrevistas não tiveram a intenção de avaliar a deficiência. Eles avaliaram a questão profissional”, explica. Carla diz que a inclusão não é apenas inserir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, mas sim elevar a autoestima dessas pessoas que muitas vezes se sentem muito inferiores aos demais. “Dando-lhes a oportunidade de conviverem em um ambiente onde eles se sintam acolhidos, eles poderão também ter a chance de mostrar suas aptidões profissionais e serem mais felizes”.
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Curso técnico ou faculdade? Muitos ficam na dúvida, mas o segredo é que um complementa o outro e, juntos, têm o poder de impulsionar o estudante para o mercado de trabalho
JOSIELE BATISTA
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escolha da profissão é algo que cresce conosco desde muito cedo. Construída baseada nas brincadeiras de quando criança e inspirações nos desenhos, filmes e novelas preferidas, o favoritismo por áreas específicas já vai se formando na fase infantil de cada pessoa. Porém, quando se aproxima o momento de se despedir do ensino médio, a dúvida sobre por onde começar e a indecisão sobre por qual curso optar toma conta do pensamento do adolescente. Entre tantas opções disponíveis para garantir uma formação para acessar o mercado de trabalho, os cursos técnicos vêm se destacando cada vez mais nas possibilidades de escolhas de um adolescente. Segundo uma pesquisa feita pelo Ministério da Educação, a busca por cursos técnicos aumentou 70% na última década no Brasil. A justificava para essa pro-
que concluí, pude me especializar em algo e enriquecer meu currículo, que faz toda a diferença para me classificar no mercado de trabalho”, conta o estudante. A importância que a realização de um curso técnico traz para o estudante que ainda cursa o ensino médio é grande e garante um diferencial quando ele vai formular seu currículo. Além de ampliar a visão de liderança, gestão e habilidades comportamentais, o estudante já entra no meio profissional capacitado e pronto para exercer as atividades que lhe forem direcionadas. MERCADO curso técnico muitas vezes é o suficiente para entrar no mercado de trabalho, porém muitos estudantes preferem ir além, seja para adquirir mais conhecimento, seja para conseguir um cargo maior na sua empresa. A escolha por fazer uma graduação depois do técnico é muito comum para quem curtiu a área escolhida e decidiu se espe-
O cura ter um aumento tão alto se deve aos pontos positivos que a realização de um curso técnico oferece. Além de poder ser cursado paralelamente com o ensino médio e oferecer um baixo valor de investimento – e alguns serem até gratuitos – a duração dele varia entre 12 e 24 meses, ou seja, traz um rápido acesso ao mercado de trabalho e, consequentemente, um rápido retorno do investimento feito no curso. Segundo o coordenador de atividades técnicas do Senai de Ribeirão Preto, Valdeir Borges, 85% dos alunos que terminam o curso já saem empregados ou estagiando, pois o embasamento profissional é rico em habilidades práticas que os cursos técnicos proporcionam e deixam o estudante mais preparado para iniciar sua vida profissional. “Vale ressaltar que os cursos técnicos são as melhores oportunidades de entrada para o mercado de trabalho atualmente.”
O coordenador também enfatiza o fato de a economia brasileira estar se aquecendo e, com isso, gerando mais destaque para os profissionais do ramo técnico, como técnico em informática, eletrônica e mecânica. Esses profissionais estão sendo cada vez mais valorizados, tanto dentro de uma empresa como na área autônoma, e, consequentemente, incentivando mais pessoas que queiram seguir por este caminho. PRIMEIRO ACESSO estudante Lucas Eduardo, Jardinópolis, está cursando o segundo ano do ensino médio e viu as portas se abrirem quando uma empresa lhe ofereceu a oportunidade de ser jovem aprendiz. Por meio desse programa, Lucas teve a oportunidade de ingressar em um curso técnico oferecido pela empresa e adquirir mais conhecimentos para colocar em prática. “Através do curso de logística
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cializar e aprofundar mais nela. Como a estudante de administração Gabrielly Camargos, também de Jardinópolis, decidiu fazer. Ainda no ensino médio, enquanto estava trabalhando em uma empresa como jovem aprendiz, ela decidiu realizar um curso de recursos humanos por gostar da área que estava trabalhando. Após concluir o ensino médio e o curso técnico juntos, ela optou por fazer a faculdade de administração, que, segundo seus professores, iria oferecer ainda mais conhecimento na área que tanto gosta e poderia se aprofundar mais em outros campos específicos. “A importância que o curso técnico teve na abertura da minha vida profissional foi de grande relevância, tendo em vista que foi um complemento para o trabalho que eu desenvolvia para a empresa naquela época, e também porque ampliou minha visão em questão do mercado de trabalho e seus colaboradores”, afirma a estudante, que atualmente trabalha efetivo
na área financeira de uma empresa de contabilidade. Passando por um caminho parecido, Paula Laís fez um curso técnico de nutrição logo depois que terminou o ensino médio. Ela conta que estava em dúvida do que queria, mas, como sempre gostou de nutrição, optou pelo curso técnico. Como já trabalhava no Hospital da Sociedade Portuguesa de Beneficência, de Ribeirão Preto, logo depois que fez o curso conseguiu subir de cargo e atualmente é técnica em nutrição da instituição. “Através do curso, pude perceber o quanto gosto de nutrição e minha intenção é fazer uma graduação na mesma área e me aprofundar nela”, afirma Paula. Entrar em um curso técnico é a melhor porta de abertura para o mercado de trabalho. Quando se está em dúvida do que quer, vale muito a pena investir e se preparar em um técnico, pois ali, com certeza, você saberá identificar qual a melhor área profissional para a sua vida.
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ra uma vez, há muito tempo atrás, uma destemida princesa que aos doze anos descobriu o prazer da leitura. Essa é a história da estudante de jornalismo Laura Fernanda de Oliveira, atualmente com 18 anos. Segundo ela, seu primeiro contato com os livros se deu através da escola e o fascínio não surgiu de imediato. Laura diz que, apesar de não gostar muito no início, a situação mudou no momento em que ganhou uma coleção de livros pela qual estava interessada e então, como num conto de fadas, descobriu que a leitura era seu amor verdadeiro. “Desenvolvi um amor muito grande. A ponto de ler quase 20 livros por ano.” Incentivada pela família e por sua professora de português da época, Laura afirma que todas as pessoas gostam de ler, o problema é que ainda não encontraram o livro certo. “A leitura definitivamente mudou quem eu sou, não só no nível acadêmico, melhorando a minha leitura, escrita e interpretação, como também no
nível pessoal. Com a leitura eu aprendi muita coisa, mesmo que sutilmente. O livro tinha algo a me ensinar em todas as páginas, escondido atrás de cada aventura. Seja uma nova forma de enxergar as pessoas e o mundo, ou como lidar com algumas situações.” E NO REINO BRASILEIRO? egundo a quarta edição da pesquisa Retratos do Leitor, realizada em 2016, cerca de 56% da população acima dos 5 anos de idade leu pelo menos partes de um livro nos últimos três meses. A pesquisa revela ainda que houve aumento nos índices de leitura per capita. Entre os anos de 2011 e 2015, a média de livros lidos por um brasileiro aumentou de quatro livros para 4,96. Adriana Silva, vice-presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, diz que os aumentos – tanto da população leitora quanto dos índices de leitura – foram sentidos nas regiões sul, sudeste, centro-oeste e norte. Já o nordeste manteve os mesmos índices dos anos anteriores. Ainda de acordo com ela, em Ribeirão Preto a média de leitores
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é maior, alcançando 67%. “O aumento ainda não é significativo se pensarmos que 44% da população brasileira não é leitora. Se considerarmos a queda no número de analfabetos, a universalização do acesso à educação fundamental, os índices deveriam ser bem maiores.” Ela afirma que os livros no Brasil têm um custo elevado e as bibliotecas são obsoletas. “Muitas escolas públicas, apesar da legislação obrigando, não tem biblioteca.” CLUBE DO LIVRO isando incentivar a leitura e ajudar a movimentar a cultura da cidade, a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, criou um clube do livro. Segundo Gabriela Pedrão, curadora do Clube do Livro, a iniciativa é gratuita e traz uma programação fixa, que acontece todo mês e o acesso é livre para quem se interessar. Uma das propostas do clube é de desmistificar a leitura, especialmente de clássicos, e mostrar que essas leituras podem se transformar em experiências quando discutidas em conjunto. “Esse era um projeto que eu
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Era uma vez...
tinha vontade de desenvolver há tempos, mas não tinha um espaço que coubesse e que fosse bacana para receber um grupo.” Segundo ela, durante uma conversa com a direção da Fundação do Livro e Leitura, que já tinha experiência com outros grupos de leitura, viram que essa era uma vontade em comum entre eles, e que o espaço da entidade seria perfeito para receber o projeto. “Assim, iniciamos em 2016 com as atividades mensais e estamos até hoje.” Gabriela afirma que o diferencial de um clube do livro é a experiência da discussão em grupo. Para ela, a leitura se torna algo social e, dessa forma, deixa de ser uma atividade solitária. Diz também que, poder conversar sobre opiniões e pontos de vista é sempre enriquecedor e dá outros significados para uma mesma história. De acordo com ela, o clube, que tem entre dez e vinte participantes, ajuda as pessoas a saírem da zona de conforto. “As leituras propostas são desafios e nem sempre estão dentro dos gêneros ou temas que são do costume do leitor. Isso abre as
portas para experiências diferentes e para que o grupo conheça novos autores, novas histórias e discuta temas variados.” UMA TERAPIA DIFERENTE om tantos benefícios, a leitura passou a ser utilizada em áreas além da recreativa, inclusive como um método alternativo de terapia. Quando questionada sobre a prática, Adriana disse que existem profissionais psicanalistas que utilizam obras literárias como fio condutor em suas sessões, debatendo a vida do paciente a partir da moral da história de algumas obras. “É uma conexão com o real advinda da fantasia literária. Seria possível uma sessão terapêutica intensa a partir do livro Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski.” Maria Aparecida Pardini, 61, de Araraquara, declara que seu contato inicial com a biblioterapia se deu em 2001, enquanto folheava uma revista Cláudia. De acordo com ela, foi amor à primeira vista. “Imediatamente comecei as pesquisas à respeito e no ano seguinte apresentei um traba-
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lho sobre o tema no Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, que aconteceu no Recife.” Com práticas que visam o aprimoramento pessoal e pedagógico, a biblioterapia segue os mesmos princípios das clínicas terapêuticas, sendo livre para pacientes de todas as idades. Segundo Maria, o método funciona de forma individual ou em grupo, com a utilização de leituras cuidadosamente selecionadas para o tema do encontro em questão. A biblioterapeuta afirma que o resultado é muito positivo, principalmente, por parte de quem se beneficia da prática da biblioterapia. Ela declara que a prática traz inúmeros benefícios, entre elas a mudança de comportamento e atitudes, além de melhorar o relacionamento com as pessoas. De acordo com Maria, as pessoas mergulham nos textos, interagindo com o conteúdo, identificando-se em algumas situações, fazendo introspecção e realizando mudanças através da interação com o texto selecionado. “Na biblioterapia não existe julgamento, há apenas respeito e acolhimento pelo ponto de vista de cada um.”
Em um reino não tão distante, livros recrutam jovens para uma vida de aventuras, conhecimento e ação
Foto: Divulgação
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Representando bem, que mal tem? Existe certo e errado na representação de minorias na cultura pop?
Fotos: Tasnim Khaled
similares e que expresse verdadeiramente o que esse grupo é. Suas histórias, suas dores, suas conquistas”. Quando alguém encontra uma pessoa ou personagem que tenha características em comum com as suas e que esteja em uma posição de sucesso ou destaque, pode ser então motivada a seguir esse exemplo, além de se orgulhar de quem é e do que faz. Em uma entrevista, a comediante Leslie Jones e a atriz Whoopi Goldberg contaram o quão importante e inspirador foi para elas, duas mulheres negras, verem na televisão outra mulher negra quando ainda eram crianças. Segundo Precy Anne, o mesmo aconteceu com ela e foi por ter uma pessoa famosa com a qual se identificava quando era criança que ela escolheu trilhar o mesmo caminho. “Hoje me vejo artista justamente por ter consumido todos os filmes da Whoopi”, disse. DO JEITO CERTO egundo o estudante universitário de Cravinhos Fernand Motta, 19, a falta de representatividade gera a falta de conhecimento. “Se você não mostra ao mundo que algo existe, o mundo não vai atrás para descobrir por si só. Não vai sair da sua zona de hábito e procurar coisas novas.” No entanto, quando essa representação é feita de forma errônea pode causar os efeitos contrários ao que se estava esperando alcançar, surtindo efeitos caóticos. Abadio afirma que “a resposta das pessoas pode mudar conforme os produtos culturais passem a representá-las”. A má representação de um personagem pertencente a uma determinada minoria pode reforçar estereótipos negativos para todos daquele mesmo grupo social, criando danos infinitamente maiores que a total inexistência dessa representação.
S Representação de minorias na área cultural pode trazer benefícios...
TASNIM KHALED
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uito se tem discutido a respeito da representação de minorias no que diz respeito ao que conhecemos como “cultura pop”. Mas o que é a representatividade? A representatividade, em sua essência, é representar os interesses, ideias e características de um povo, grupo ou classe social. Ter dentro de algo que goste um bom exemplo para se espelhar é fundamental por ser capaz de inspirar e motivar as pessoas a conquistarem seu espaço dentro da sociedade, além de gerar a
sensação de reconhecimento. Segundo Wanderlei Abadio de Oliveira, psicólogo e doutor em Ciências de Ribeirão Preto, sempre que falamos da expressão cultural de um grupo “estamos nos referindo a um modo de agir e se comportar em sociedade que deve ter seus direitos de representação valorizados pela chamada maioria”. O psicólogo afirma que a representatividade pode ajudar as pessoas a se relacionarem de uma forma mais positiva e inclusiva umas com as outras desde que não se silencie um determinado grupo.
“Muitas vezes, pensamos em como inserir as minorias, mas elas já estão aí, só não são vistas ou reconhecidas.” Para a atriz e produtora de Ribeirão Preto Precy Anne Gabriel Ferreira, 33, ser representada é quando enxerga em outra pessoa suas próprias características: “uma mulher negra que fala como falo, se veste como me visto, que entenda a minha realidade social e econômica e esteja a frente de um trabalho ou fala específica. E consequentemente isso ser representatividade. Ou seja, alguém que representa um grupo com características
“A meu ver, uma pessoa crua e sem total conhecimento de um determinado grupo está mais propensa a sentir algo positivo ao conhecer mais sobre o mesmo. No entanto, se ela se deparar com uma caracterização negativa logo de cara, pode ser mais difícil mudar sua visão a respeito daquilo”, aponta o estudante. Nascida em Matão e descendente de árabes Nevyn Mostafa Hassan, 48, conta que já sofreu preconceito devido ao pouco conhecimento que as pessoas têm sobre sua origem. “Como sou muçulmana já ouvi muitos comentários maldosos. Geralmente relacionando minha religião com terroristas. Isso me incomoda bastante, mas tento lembrar que a maior parte das crenças deles vem de estereótipos.” De acordo com ela, esses estereótipos são acentuados pela forma como pessoas do Oriente Médio são representadas nos mais variados meios de comunicação. “A nossa figura muitas vezes é associada a esses padrões nos cinemas, nas séries, nos livros e até mesmo na TV. Agora faça o inverso e pense em quando foi a última vez que você viu um árabe ou um muçulmano sendo representado de forma positiva na
ficção ou nos noticiários? E com que regularidade?” RELUTÂNCIA recy Anne acredita que a realização de projetos que procurem dar mais visibilidade a produções e atividades culturais mais representativas é algo urgente. Abadio afirma que as produções mais plurais e que incluem maior diversidade ainda não são tão valorizadas quanto as outras porque há uma tendência humana à busca pela uniformização, e aquilo que diverge é retirado do grupo. Para Motta, as empresas ainda relutam em incluir diversidade em seus projetos por medo de perder consumidores que não aceitariam bem essa inserção. Já o psicólogo aponta que a resistência das empresas em representar as minorias em seu trabalho pode ser explicada pelo movimento social e como a sociedade encara as diferentes manifestações da diversidade. “Para combater isso o foco deve recair sobre o reconhecimento dos potenciais da diversidade e como cada pessoa pode contribuir com o maior desenvolvimento ou, em termos capitalistas, maior lucratividade no mundo do trabalho”, diz ele.
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... desde que sua pluralidade seja expressada de forma positiva.
ACompulsão Sexual é considerada um disturbio de saúde mental ADÊNIA BATISTA
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arados, pervertidos, ninfomaníacos e depravados. Esses são os rótulos que geralmente são usados para definir pessoas que apresentam sintomas da compulsão sexual. Esse assunto ainda é tratado como tabu, porém, esse transtorno atinge homens e mulheres de todas as idades. A necessidade de fantasiar a todo momento sobre sexo, é uma das caracteristicas da pessoa que sofre com a compulsão sexual, ou desejo sexual hiperativo,que acaba resultando em uma inquietude da pessoa. “Demorei muito para perceber o que realmente acontecia comigo. Nas conversas com amigos, fazia de tudo para que o papo fosse para o lado sexual. Eu me sentia mais seguro, mais tranquilo ao falar só disso.” relata E.S.R (39). Podemos dizer que fantasias são contruídas e alimentadas durante toda a vida. Isso permite evoluir e desenvolvimento da criatividade das pessoas. Para o Psicólogo especialista em terapia
de casal João Fornasieri, a fantasia está no pensamento abstrado do indivíduo “O sexo há muito vem sendo utilizado pelo homem como um elemento fundamental para que ele atue no meio em que se insere, de maneira mais elaborada e complexa.” E.S.R conta que nunca conseguiu chegar ao estágio de um relacionamento sério pois seus pensamentos eram sempre voltados ao sexo. Então logo após alcançar seu “objetivo” durante a conquista, se afasta da companheira sem nenhum pesar. “Na hora em que fico com uma mulher o pensamento é somente no sexo. Todos os impulsos, desejos e pensamentos levam à putaria. Sem me preocupar com o lugar, sem me importar com quem está em volta. Apenas quero saciar a minha vontade. Não há controle. É mais forte que tudo.” conta o jornalista. No ano passado, A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente que pela Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, a compul-
são por sexo é um distúrbio de saúde mental. Também conhecido como conduta sexual compulsiva, o problema faz a pessoa falhar em controlar suas necessidades sexuais mas não remetemisso á saude mental.
COMO SURGE A COMPULSÃO SEXUAL?
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ão diversos os fatores que favorecem o surgimento da Compulsão Sexual. Por exemplo história familiar de compulsão sexual, dependência ao álcool ou dependência a drogas e outros comportamentos como; famílias com funcionamento problemático; experiências de contato sexual com adultos na infância. Para o Psicólogo especialista em Terapia de Casal João Fornasieri, esses fatores promovem desajustes psicológicos “ Acredita-se também que estejam associados a alterações
de neurotransmissores cerebrais. Tudo isso leva ao início do quadro de compulsão sexual no final da adolescência ou início da vida adulta.”Os pacientes que apresentam vício em sexo podem ter diferentes manifestações: o comportamento solitário, o consumo execisso de pornografia e masturbação; e aquele que foco tem busca incessante por parceiros. Vale a pena ainda ressalta que o comportamento sexual compulsivo pode prejudicar o cotidiano das pessoas. O jornalista E.S.R relata que depois de uma situação constrangedora no trabalho, decidiu procurar por ajuda: “ Um dia minha chefe que era casada, me chamou em sua sala para uma conversa. Quando entrei comecei a fantasiar uma cena de sexo selvagem com ela. Não consegui prestar atenção em absolutamente nada do que me dizia. Talvez pela minha inquietude e expressões faciais ela percebeu. Alguns dias depois, fui demitido. Ela usou outros argumentos para justificar a demissão mas eu sabia o motivo. Naquele momento entendi que precisava de ajuda”
A quantidade de atos ou fantasias sexuais não é o fator determinante para se determinar a normalidade da expressão sexual. “O que pode ser considerado normal é aquele que
está muito mais ligado à vivência da sexualidade de forma plena e prazerosa, sem experimentar conflitos e angústias emocionais”, complementa o psicólogo João Fornasieri.
TRATAMENTO
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médico Marco Scanavino, coordenador do Ambulatório de Impulso Sexual Excessivo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, orienta que o tratamento consiste em drogas antidepressivas inibidoras de serotonina. São utilizados esses medicamentos, pois,segundo o médico, cerca de 70% dos pacientes viciados em sexo também apresentam ansiedade e depressão, assim, as duas patologias são tratadas. Porém, para que a resposta ao tratamento seja melhor,”A psicoterapia precisa estar envolvida no tratamento, afirma Scanavino. Além disso, o médico garante que o tratamento tem resultados positivos e conta que, nos últimos anos, houve um grande aumento na procura por ajuda.
Foto: Adênia Batista
Quando a fantasia sexual se torna sua inimiga
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Foto: Adênia Batista
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Transição capilar A procura pelos cabelos naturais BRUNA MELO
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busca pelo cabelo ideal cresce cada vez mais. A diferença é que o cabelo liso deixou de ser a única referência do que é belo, dando abertura aos cabelos afros e cacheados. Essa mudança ajuda na afirmação da própria identidade da mulher e no melhoramento da autoestima, tornando uma espécie de grito de liberdade contra os padrões de beleza preestabelecidos pela sociedade. A transição capilar é o momento em que uma pessoa deixa de alisar o cabelo com produtos químicos e passa a aceitar os fios naturais, seja ele enrolado, cacheado ou crespo. Muitas vezes o cabelo chega a ficar com duas texturas, liso e crespo ao mesmo tempo. Segundo dados do Google Brandlab (Especialistas em Planejamento Digital), o interesse pelos cabelos afros cresceu mais de 309% nos últimos dois anos. Aponta também que quatro entre dez mulheres já sentiram
vergonha por ter esse tipo de cabelo e, muitas vezes, optam pelo alisamento ainda na adolescência. Angélica Santos, assistente acadêmica e criadora de conteúdo no Youtube, alisou o cabelo durante dez anos. Em 2014 decidiu retornar à liberdade e recuperar os fios que já estavam esquecidos a memória. O motivo se deu por conta do cansaço, já que não aguenta va mais deixar de nadar, correr da chuva, ou qualquer assunto relacionado à água e calor, já que desejava ter o cabelo mais liso possível e esses aspectos atrapalhavam. “Eu não lembrava dos meus cachos. E o mais difícil nesse processo foi saber que ele não ficaria com o cacho modelado aceito pela sociedade. Depois comecei a ver referências de mulheres com cabelos iguais ao meu e decidi me assumir assim. Uma vez me disseram: ‘vou tirar um pedaço do seu cabelo para lavar a louça daqui de casa.’ No começo eu me magoava muito, mas agora é uma coisa que entra em um ouvido e sai no outro, pois eu me sinto confortável nessa pele que eu habito”, afirmou. Já a atleta e militar Flávia Cruz alisou o cabelo por seis anos, dos 16 aos 22. Optou pelo alisamento pela falta de conhecimento de cuidados necessários, resultando aos cabelos sempre presos. Na primeira ida ao cabeleireiro usou um produto para reduzir o volume e após ir repetidamente acabou tendo o cabelo alisado por completo. “Confesso que também adorava meu cabelo liso e me sentia mais bonita, pois era um padrão que a maioria das pessoas gostavam. Mas com o tempo meu cabelo foi danificando cada vez mais, caindo, arrebentando e ficando cada vez mais ralo”, disse. Flávia foi motivada pela internet ao acompanhar outras jovens que já estavam passando pelo processo de transição. “Hoje amo meu cabelo e digo que valeu a pena passar por tudo isso.” O cabelo cresce. Não existe cabelo ruim”, afirmou. Especialistas afirmam que o uso de produtos químicos podem gerar grave risco à saúde. Segundo informações da dermatologista Paola Borges Pereira Yochida, a substância utilizada é altamente irritante ao couro cabeludo, podendo cau-
sar dermatites, descamação, reações alérgicas e até infecção. “O formol que realmente é usado nesses procedimentos pode gerar uma irritação na mucosa nasal, laringe, faringe e ocular, podendo provocar alergia fora do local aplicado, já que o produto tem que ficar no cabelo durante minutos”, afirmou a dermatologista.
Arquivo: Flávia Cruz
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Mulheres-gato Foto: Flávia Tostes
A tendência do momento são as unhas em gel; conheça o procedimento e cuidados com as mãos
‘É viciante, eu não consegui tirar porque a sensação é muito boa’, diz Andrielly
FLÁVIA TOSTES
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interesse em cuidar das mãos é uma das coisas que aprendemos desde pequenos, hábito que segue pela vida adulta. O principal cuidado com as mãos é ter proteção contra as nocivas radiações solares. Usando sempre filtro solar e também cremes hidratantes, cria-se uma barreira protetora na pele, deixando-a hidratada por mais tempo. As mãos são bastante sensíveis a mudanças bruscas de temperatura e de agentes agressores que afetam sua maciez, e com a hidratação nessa região é possível prevenir o aparecimento de manchas e o envelhecimento causado pelo sol. Segundo a dermatologista Laila Castro, de Cravinhos, as mãos estão em contato direto com fatores ambientais que acabam deixando essas marcas,
desde sabonetes até o ar-condicionado, além da luz do sol que estão constantemente agredindo nossas mãos. Além de passar cremes hidratantes e filtro solar, as mãos recebem outros zelos especiais. Só pela quantidade de salões de beleza e clínicas de estéticas espalhada por Ribeirão Preto, já é possível perceber como a procura pelos cuidados é grande. Esses lugares, embora ofereçam outras opções de serviços, uma maior busca pelo profissional que cuida das mãos tem sido percebida em diversos locais. E o que tem sido tendência e está ganhando cada vez mais espaço nas mãos por aí são as unhas alongadas feitas em gel. Ou seja, é colocado uma prótese de gel idêntica à unha natural que faz com que ela fique “perfeita” por cerca de 12 dias. O estilo garante um aspecto lisinho e com alta durabilida-
de, deixando-a firme. Mas esse procedimento sem os cuidados necessários pode prejudicar as unhas de verdade. A técnica é feita pela aplicação de uma camada de gel translúcido próprio para unhas em cima da unha verdadeira. Depois de feita a modelação até alcançar o formato desejado, a secagem é feita em uma cabine de luz ultravioleta, feita apenas para inserir a mão. Após a secagem, ela pode ser lixada e decorada com o esmalte desejado. A manicure Rosi Silva, 28, de Ribeirão Preto, trabalha há oito anos fazendo unhas e há três faz o procedimento em gel. “Fiz curso no salão onde eu trabalho atualmente, ainda vou montar meu próprio negócio.” Ela fala sobre a preparação e o procedimento para a aplicação desse estilo de unha. Mas antes, Rosi lembra que a unha é uma parte do corpo e a hidratação faz toda a diferença.
“Essa história de que a unha precisa respirar é mentira. A unha precisa ficar sem esmalte, sem gel porque a unha tem uma camada lisa que é uma proteção e por baixo tem a queratina. E nossa unha precisa da oleosidade do corpo, dos cremes. A unha é igual à pele, precisa estar sempre hidratando”, diz Rosi. APLICAÇÃO Sobre a aplicação do gel nas unhas, a profissional conta que é passada uma camada de antifungos, um tipo de primer e Ph que servem para retirar a oleosidade do local. Depois a unha toda é lixada para ficar mais áspera e só então que o gel é aplicado. O procedimento faz com que as unhas fiquem mais resistentes, mas elas são macias ao toque, arranhando e machucando menos que as unhas naturais. Existem três tipos de técnicas de gel, a fibra de vidro, o acrigel com tip e o acrigel moldado. Rosi diz ainda que as mulheres de hoje querem essa praticidade que a unha de gel oferece, porque o esmalte não solta, não descasca e não perde o brilho, então a unha fica arrumada por muito mais tempo além de comprida. Apesar de todas essas vantagens garantidas, o que torna a técnica talvez um pouco menos atrativa para algumas pessoas é pelo valor que é cobrado, que acaba sendo mais alto que outros procedimentos, podendo variar bastante, mas em média, o serviço é oferecido por R$ 70 a R$ 200. A manutenção é feita normalmente pela metade do valor de aplicação ou dependendo da quantidade de danos. A estudante de jornalismo Andrielly Ferro, 20, de Ribeirão Preto, adepta da técnica há um ano diz que “ter a unha de gel foi um dos melhores investimentos do meu último ano”. Ela contou que a primeira vez que colocou foi apenas para fazer uma viagem e queria estar com a unha bonita. Mas depois ela disse que não quis mais ficar sem. “É vician-
te, eu não consegui tirar porque a sensação é muito boa. Você se sente muito mais bonita, não sei explicar, mas a mão parece que faz toda a diferença no resto do corpo. Eu nunca tirei e nem pretendo tirar”, afirma ela. A manutenção é feita todo mês, pois os cuidados precisam ser feitos antes, durante e depois da aplicação. A profissional fala que para a reaplicação “a unha é lixada onde aparece uma espécie de bolinha, ela fica uniforme novamente e só então que passa o gel”, diz. A recomendação é que seja feita a cada três semanas, dependendo do crescimento da unha. Isso é importante porque além de cuidar da beleza da unha, e é uma maneira de verificar se houve algum deslocamento e também para prevenir infiltrações. “Pessoas alérgicas aos componentes usados, com a pele sensível ou com alguma infecção, por exemplo, devem evitar.
O trauma é capaz de piorar uma doença da pele ou unhas”, explica a dermatologista Laila. E diz também sobre o risco de o gel cobrir tudo e a pessoa não ver a própria unha, que pode aparecer alguma mancha. “Em 2016, teve o caso de uma modelo americana que devido à unha estar coberta com o gel, ela não percebeu que uma marca escura abaixo da unha era na verdade um melanoma, um tipo de câncer”, conta. Esteticamente, é considerado um dos melhores processos, por dar um ar mais natural, ser mais flexível, permitir que você escolha o formato e se manter com muito mais brilho. Mas esse procedimento conta com prós e contras. Além de todos os cuidados que estão ao alcance, fazer uma esfoliação é fundamental para tirar células mortas, para a pele ficar mais lisa. Esse processo é simples e pode ser feito em casa, confira a receita.
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A maquiagem da autoestima Até onde o uso da maquiagem em busca desses rosto é saudável?
Fotos: Ana Beatriz Moreira ANA BEATRIZ MOREIRA
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ão é de hoje que as mulheres usam cosméticos para realçar suas belezas naturais e esconder imperfeições. De acordo com a revista SuperInteressante, os mais antigos indícios disso achados por arqueólogos datam do Egito Antigo, por volta de 3.000 antes de Cristo. Em 2016, o consumo de maquiagem cresceu em mais de 2 milhões de novas mulheres comprando produtos e cosméticos. Em campanhas pela internet, internautas se juntam a criadores de conteúdos promovendo o uso dos produtos como forma de melhora da autoestima. O problema é quando as exposição nas redes sociais se torna prejudicial à saúde mental e a maquiagem se torna a única amiga da autoestima. Em alguns deslizes nas redes sociais, meninas pelo mundo encontram rostos perfeitos e não se sentem satisfeitas com seus próprios. É o que aponta a Royal Society for Public Health, uma instituição de saúde pública do Reino Unido.
De acordo com uma pesquisa realizada em maio de 2017 pela instituição, 9 em cada 10 meninas se sentem infelizes com seus corpos. Para a maquiadora Tayná Colturato, 19, a influência da mídia é nítida nas mulheres. “As influenciadoras são as principais. Muitas pessoas se inspiram no estilo de vida, no rosto e na técnica.” A maquiadora afirma, no entanto, que o resultado do uso de cosméticos depende muito de cada mulher: “o que esquecem de ver é que existem vários tipos de rostos e técnicas específicas, e que muitas vezes o resultado não fica igual o que a pessoa espera e viu”. EXPOSIÇÃO ÀS REDES pesquisa ainda afirma que o público que mais está ligado às redes sociais são jovens de 14 a 24 anos: pelo menos 90% das pessoas nessa faixa etária possuem e acessam redes sociais. O que pode ser preocupante é a exposição numa idade tão jovem. Ana Luíza Mastrângelo, de 14 anos, é um exemplo vivo da exposição às redes. A garota possui uma
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conta no Instagram, que é monitorada pelos pais. E quanto à maquiagem? Ana Luíza também usa. “Todos os dias eu passo rímel. Eu uso porque eu amo maquiagem e isso faz eu me sentir mais bonita”, ela afirma, mas mesmo assim a pequena não se deixa levar pelas imagens e opiniões. “Eu me sinto linda mesmo sem maquiagem. Para mim, todas as mulheres são bonitas, com ou sem maquiagem.” A estudante de jornalismo Luiza de Araújo, 21, também não se sente pressionada, mas não nega que a pressão existe. “Acho que eu sou um caso isolado e é preciso entender isso, pois tem gente que sente essa pressão e desenvolve sérios problemas com a autoestima.” Por outro lado, a publicitária Malena Tirp, de 22 anos, conta que começou a usar maquiagem aos 13 anos porque se tornou algo comum no seu ciclo social. Hoje, ela se sente pressionada a usar. “Cada vez que vejo a Marina Ruy Barbosa com aquelas sobrancelhas pintadas e maravilhosas me sinto mal pelas minhas”, diz.
Por que a publicitária usa? “Para corrigir pequenas coisas que não gosto no meu rosto, como uma vermelhidão que tenho na bochecha e os fios dos meus cílios e sobrancelhas serem quase invisíveis de tão loiro. Eu me sinto muito mais bonita e confiante usando maquiagem. Nunca iria a um encontro ou entrevista de emprego sem”, conta. Malena também acha que as mulheres são pressionadas a usar maquiagem: “recentemente fiz minha prova de toga e todas as meninas estavam maquiadas, enquanto apenas três homens usaram maquiagem.” MAS E ELES? ão são só as mulheres que estão se preocupando com a sua aparência. Em pesquisa realizada em 2019 pela empresa de marketing JWT, entre mil homens entrevistados na Inglaterra e Estados Unidos, mais da metade usa cremes faciais e aproximadamente 19% usa corretivo ou base. O estudante de jornalismo Luan Ortolan, 19, acredita que as
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marcas estão focando mais em seu público masculino. “Hoje em dia você consegue comprar base feita especialmente para homens e propaganda de grandes marcas usando a imagem de homens como modelo”, afirma. Ele conta que mesmo se tornando cada vez mais comum entre os homens, ainda existe muito preconceito. “Já ouvi bastante pessoas falando que maquiagem não era coisa de homem, principalmente por familiares.” Apesar de ter nascido como forma de expressão religiosa e de status para ambos os sexos, a maquiagem acabou tornando-se “coisa de mulher”. Luan aposta que o preconceito faz parte da masculinidade estruturada. “Infelizmente as pessoas acham que vão deixar de ser ‘masculinas’ por usar uma base e acabam se esquecendo que maquiagem é apenas uma questão estética”. Embora as garotas sejam as que mais sofrem com a construção de sua imagem corporal e a pressão social, Luan afirma que ele também se sente mal com seu próprio rosto.
Luiza Araújo usando maquiagem
“Hoje eu me sinto, infelizmente, escravo de maquiagem. Não consigo ir na padaria sem maquiagem e uso maquiagem todos os dias sem exceção. Sinto como se minha pele não fosse a mesma e a minha aparência muda completamente quando uso maquiagem”, afirma. Já para Tayná, o uso dos cosméticos é apenas paliativo para a baixo autoestima. “Existem questões internas que a maquiagem não cobre.” A estudante de jornalismo Luiza concorda. Para ela a autoestima é uma coisa de dentro para fora e, se você não se sente bem, você não vai ficar feliz – com maquiagem ou sem maquiagem. PELES NEGRAS m contrapartida, a estudante se sente triste com a falta de maquiagem para peles negras. “Ou a base me deixa muito clara ou vermelha, e às vezes são as únicas opções que as marcas disponibilizam. Quando acho, sou o último tom. Se é difícil pra mim que ainda tenho a pele negra clara – como a da Taís Araújo –, imagina para as pessoas de pele negra retinta?” E, segundo uma reporwwtagem de 2014 da Folha de S.Paulo, Luiza não é a única negra que se sente assim. Muitas outras meninas reportaram suas dificuldades de encontrar produtos para suas peles. Na realidade, em apenas alguns minutos dentro de uma loja de maquiagem é possível perceber a diferença entre a cartela de cores para peles brancas e a de cores para peles negras. Uma das maiores marcas de maquiagem no mundo, Lâncome, teve sua primeira garota propaganda negra apenas em 2014 – a atriz Lupita Nyong’o. É difícil para meninas negras se encontrarem em propagandas de beleza ou em posts do Instagram. A falta de representação pode acabar prejudicando a autoestima delas. Não se ver em uma tela digital pode criar a interpretação de que não somos bonitos.
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Salão alternativo RODRIGO VIEIRA
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través de um salão denominado Julietas Saloon, em Sertãozinho, encontramos um novo tipo de serviço de cabeleireiro e barbearia alternativo, pensado e criado para ser inovador, desde sua concepção. Em 2015 a ideia inicial era atrair um público diferenciado voltado para os mais jovens, “todas as tribos”, desde punks, grunges, apreciadores do estilo de épocas desde vintage, sixties, rockers e tudo mais. No entanto agregou de forma muito natural todo tipo de pessoas da vizinhança e de toda região. Porém, como um ponto fora da
curva acabou por atrair de forma incomum todos os tipos de pessoas da sociedade em geral como: senhoras de idade mais avançada (acima dos 60), donas de casa das redondezas e pais que levam seus filhos tranquilamente de forma assídua para cortar o cabelo, circulando na sala de espera e conversando com frequentadores de ideologias e estilos bem diferentes. Inaugurado em dezembro de 2015, o empreendimento já nasceu com essa ideia de ser alternativo e bem diferenciado, um salão que adequasse e atraísse todos os tipos de estilos que circulam comumente no nosso dia a dia pelas ruas da cidade. “O
Sócio proprietários Paula Rosa e Paulo Batista inovando em estética
público que era esperado realmente apareceu, e além desse público veio um pessoal que não esperávamos.” É isso que nos motivou, montar algo que não existia nessa região, para um público carente de opções. Agora o fato das pessoas comuns aderirem ao empreendimento foi uma surpresa muito feliz para nós”; disse a proprietária Paula Rosa, 35, atuando desde a inauguração, observando as mudanças positivas da sociedade, desde o início do empreendimento do salão alternativo Julieta’s Uma questão muito importante hoje em dia é aliar a vida profissional, e o ganho através do trabalho sem obter a tão almejada realização pessoal. Sobre esse assunto o proprietário Paulo Batista diz sentir-se realizado. “Mesmo não sendo fácil lidar com pessoas, eu tenho gostado bastante, eu que vim de um emprego totalmente diferente como metalúrgico e investi nesse novo ramo é uma experiência engrandecedora” Hoje eu trabalho muito mais motivado com algo que gosto, com pessoas que gosto. “As coisas foram acontecendo de uma forma aonde a gente nem esperava. Uma profissão que eu nunca imaginei trabalhar na vida me trouxe uma realização pessoal. Ainda não alcancei a expectativa em tudo que buscava, mas tem me trazido bons frutos e reconhecimento”. Como já existia tantas barbe-
arias tradicionais, a gente quis juntar tudo num mesmo lugar. Mas a ideia inicial foi do meu irmão que morou em Dublin, na Irlanda, que ficava muito observando barbearias e pubs de lá para juntar o retrô misturado com o moderno”. Reitera Paulo Batista, proprietário do salão “Desde quando abriu eu venho aqui, uma barbearia bem diferente, até porque, antes nem fazia a barba com todo esse cuidado. Recomendo para todo mundo, um ambiente muito legal, salão muito bom. Eu achei um diferencial muito legal aqui na cidade, aonde a gente se sente bem, comenta Felipe Martelo, amigo e cliente desde o início do Julieta’s Saloon”
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Marcas de um arrependimento Tatuagens são uma moda cada vez mais presente em nossa sociedade. Mas o que fazer quando se arrepende de ter feito uma tatuagem? LUAN ORTOLAN
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eja para cobrir uma cicatriz, registrar um momento importante da sua vida, desejo de mudança ou, simplesmente estético, a tatuagem representa um momento único na vida de quem escolhe abrigar em seu corpo um símbolo, ou mesmo um desenho de alguém especial. Não há faixa etária distinta, apenas o desejo de ter a autoestima ainda mais valorizada. Devido a sua grade popularidade, com preços cada vez mais acessíveis e cada vez mais possibilidades e técnicas, cresceu também o número de pessoas arrependidas por terem feito algum procedimento definitivo em sua pele. “Hoje em dia o número de clientes que buscam alterar algo na tatuagem aumentou muito. No entanto, também aumentou muito
o número de pessoas tatuando seus corpos e de tatuadores qualificados”, conta o tatuador Seko Ortolan, 40. ARREPENDIMENTO eja por conta de um final de relacionamento ou até mesmo por um desenho que hoje já não faz tanto sentido como antes, o número por buscas de profissionais qualificados para fazer a remoção aumenta cada vez mais. Segundo o tatuador, o processo ideal é realizar sessões a laser em uma clínica especializada para clarear bem a tatuagem e poder então fazer qualquer tipo de desenho que o cliente deseja por cima do anterior. Porém, existem vários fatores que dificultam essa etapa, entre eles o valor das sessões a laser e a dor.
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33 “A escolha do desenho para a cobertura é um pouco complexa, não tendo opções aleatórias do cliente e sim desenhos estratégicos que somente o tatuador profissional pode oferecer, conversando com o cliente e explicando como é o processo”, explica o tatuador.
“Se eu pudesse dar um conselho para as pessoas que pensam em realizar tatuagens com nome do namorado, seria para nunca realizar nenhuma tatuagem com esse tipo de significado.” A estudante Ana Beatriz Neves, 20, conta que tatuou o nome do namorado e que depois de alguns meses após fazer a tatuagem acabou terminando o namoro e percebeu que aquela tatuagem estava incomodando. “Eu estava em um relacionamento totalmente abusivo e por conta de uma briga nossa de casal, ele disse que só voltaríamos se eu realizasse o sonho dele de fazer uma tatuagem com o nome dele”, conta. Ana diz que chegou a procurar procedimentos de remoção, mas “os valores são muito caros e acabam saindo em média R$ 300 mais caro que uma alteração de tatuagem realizado com um tatuador profissional”. “Foi então que procurei a ajuda de um profissional e consegui fazer outro desenho por cima. ”
REMOÇÃO operadora de telemarketing Larissa Jorcico, 25, conta que se arrepende de ter feito uma tatuagem com o apelido do namorado como forma de amor e que sofre por não conseguir achar um desenho que combine para cobrir o anterior. “Estou procurando alguns modelos de tatuagem junto com o meu tatuador e procuro uma tatuagem que represente uma nova fase da minha vida. Um novo momento de felicidade. ” A remoção de tatuagem está a cada dia evoluindo, e não é para menos, já que nas últimas décadas a tatuagem por si só também tem se popularizado, mas é preciso ter cautela e alguns cuidados com relação à remoção independente da forma que você tenha escolhido para fazer essa remoção. “Se eu pudesse dar um conselho para as pessoas que pensam em realizar tatuagens com nome do namorado, seria para nunca realizar nenhuma tatuagem com esse tipo de significado. No calor do momento, tudo é lindo, só que o final acaba saindo caro. ”
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Fotos: Luan Ortolan
Ana Beatriz mostra sua nova tatuagem
Tatuador Seko em seu estúdio de tatuagem
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No fundo do poço Pesquisas da Organização Mundial de Saúde revelam que o mundo nunca esteve tão deprimido e preocupado como agora; Brasil é o país mais triste da América Latina
Foto: Nathalia Bovi
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Além disso, Ana ainda comenta sobre os danos que a ‘cultura da felicidade’, potencializada pelas redes sociais, acarreta na vida dos usuários. Esse movimento mostra que você tem que estar sempre bem e muito feliz. Isso não condiz com a experiência humana, mas muitas vezes as pessoas podem se ver cercadas por diversas exi gências que não são passíveis de serem alcançadas”, afirmou. “Além disso, para a psicóloga, o estilo de vida adotado pela população após o capitalismo pode ter uma forte correlação com os índices de depressão, uma vez que é esperado que o trabalhador produza como uma máquina. FARDO RECORRENTE ma estudante de engenheira civil, que também não quis ser identificada, mora em Ribeirão Preto e conta que foi diagnosticada com depressão três vezes em sua vida. A primeira vez quando tinha oito anos, a segunda com 15 e a última com 19 anos. O sentimento de culpa pelas ações do passado e o medo e a insegurança do que poderia acontecer no futuro a atormentaram durante muito tempo e foram o estopim para episódios constantes de depressão.
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De acordo com a OMS, 11,5 milhões de pessoas sofrem com a depressão no Brasil NATHALIA BOVI
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elancolia, preocupação, medo, raiva e tristeza foram os sentimentos que mais predominaram no mundo em 2018, segundo uma pesquisa produzida pelo Instituto Gallup. As estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS) comprovam ainda mais que o mundo nunca esteve tão triste como agora. Cerca de 322 milhões de pessoas foram diagnosticadas com depressão em 2015. E na terra do samba e do sorriso estampado no rosto isso não é diferente. Segundo a OMS, 11,5 milhões de brasileiros sofrem com a depressão, fazendo com que o país seja considerado o mais triste da
América Latina e o segundo mais depressivo das América, ficando atrás somente dos Estados Unidos. Diante desses números, nos perguntamos: por que estamos ficando cada vez mais tristes?. Para alguns, as segundas-feiras são os que nos deixam tristes. Para outros, as redes sociais são a causa da infelicidade, mas para o jornalista americano Andrew Solomon, muitos aspectos da vida moderna contribuem para a depressão. Dentre eles, o ritmo de vida intenso, o isolamento e o convívio constante com máquinas. Foi o que aconteceu com o estudante P.N.M., de 29 anos, que mora em Ribeirão Preto, e que não quis ser identificado,
aos 22 e aos 25 anos teve problemas com o excesso de ansiedade que a vida acadêmica e a pressão de terceiros exerceram sobre sua vida e carreira. “Eu acredito que esses episódios aconteceram por eu não me conhecer e por não saber lidar com a situação. Não saber se frustrar é algo que fatalmente leva a sofrer muito mais em ocasiões como as que eu vivi”, disse. A psicóloga Ana Luísa Guimarães explica que o ritmo de vida acelerado prejudica a saúde mental da população. “O trabalho, hoje em dia, exerce uma pressão desumana no indivíduo. De ter que produzir, estar bem e ter que ser infalível em vários aspectos.” .
“Eu era uma criança muito agitada e eu fui deixando de ser assim rapidamente. Eu me sentia culpada por qualquer coisa que acontecesse com a minha família. Eu pedia desculpa constantemente por algo que não haviafeito”, disse.
“Os Centros de Atenção Psicossocial oferecem atendimento e atividades destinados a auxiliar a recuperação do indivíduo”. Depois que os pais perceberam que o comportamento da filha havia mudado, resolveram procurar ajuda profissional, e foi nesse contexto que a estudante foi diagnosticada com depressão pela primeira vez. Logo aos 15 e depois aos 19 anos, a estudante enfrentou períodos difíceis: a pressão de ter que escolher uma carreira e a morte da melhor amiga. Hoje, com 27 anos, ela conta que, com a ajuda de profissionais da área da saúde mental e com o apoio da família e dos amigos, conseguiu superar a depressão. “Querer ver minha família bem
foi o principal motivo para eu querer melhorar”, afirmou. PREVENÇÃO Ana explicou que a pré-disposição genética e alguns fatores sociais, como morte de entes queridos, podem corroborar com o surgimento da depressão. No entanto, disse ainda que estudos científicos comprovam que a rotina regular de sono, uma alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos podem ajudar no funcionamento psíquico do indivíduo.
“Se conhecer, entender de onde está vindo determinado sofrimento e cuidar de algum conflito interno podem ajudar o fortalecimento da pessoa, para que ela possa desenvolver recursos para lidar com as dificuldades, antes que elas se tornem algo muito maior”, disse. COMO BUSCAR AJUDA? médico psiquiatra Alcion Sponholz Junior, explica que existem os chamados Centros de Atenção Psicossocial (Caps)fornecem um cuidado multiprofissional ao portador de transtorno depressivo ou, até mesmo, com comportamentos suicídas. “Os Centros de Atenção Psicossocial oferecem atendimento e atividades destinados a auxiliar a recuperação do indivíduo”, afirmou. O médico ainda fala da importância de prestar atenção no comportamento de pessoas depressivas e, caso apresentem pensamentos de mortes, devem ser levadas para avaliação médica. “Se a pessoa está prestes a se suicidar, chame imediatamente o SAMU, ligando para o número 192”, afirmou.
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Segurança bairro Moradores da pequena cidade de Jardinópolis estão inseguros e temem serem assaltados a qualquer momento. LINCOLN LIMA WEVERTON GOULART
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ideia de que as cidades pequenas são tranquilas e pacatas já não corresponde mais à realidade. Em Jardinópolis, por exemplo, a 18 quilômetros de Ribeirão Preto, muitas pessoas, assustadas com a criminalidade se escondem dentro das próprias casas para se proteger. Furtos, roubos e assaltos à mão armada se tornaram comuns na rotina da cidade que, hoje, conta com 40 mil habitantes. Antigos hábitos como deixar a porta da casa destrancada não são possíveis nos dias de hoje. Algumas dessas ocorrências, conforme as vítimas vêm relatando, são praticadas por menores de idade. É muito comum a participação de menores em crimes de furtos praticados por adultos. Seu Francisco é casado com dona Lourdes e vivem há três anos no bairro São Lucas. Ambos são aposentados e preferem não revelar o sobrenome. O local é
afastado do centro de Jardinópolis e, segundo eles, não tem segurança. “Já pularam na minha casa três vezes e a última vez levaram a minha Princesa, a cachorrinha que eu considerava como uma filha para mim”, diz Lourdes. “Não tenho condições de colocar cerca elétrica e nem subir meu muro, mas acho um absurdo eu ter que gastar dinheiro para ficar preso dentro de minha própria casa”, comenta Francisco. Seu José Francisco, 52, engenheiro de produção, transformou sua casa em um verdadeiro castelo, com cerca elétrica, concertina, câmeras de segurança e alarme. O motor do portão basculante abre e fecha em apenas quatro segundos. “O que eu puder fazer para evitar a visita de ladrões eu vou fazer. Já morei em cidade grande e sei o que é correr risco por não ter uma casa protegida”, afirma Francisco. Dona Maria Lima teve sua casa assaltada há quatro meses, justamente após investir em um
muro mais alto com portão fechado, tudo para dificultar a ação dos criminosos, porém não foi o suficiente. Os criminosos invadiram a residência na ausência de todos, levando vários pertences pessoais e eletroeletrônicos. “Me sinto com medo e muito insegura dentro de minha própria casa. Não investirei mais em segurança na casa, a única solução que penso é mudar-me para um condomínio”, diz Maria. O policial militar Fernando Stiip, 38, diz que a polícia faz o patrulhamento adequado em todos os bairros e que vai reforçar a segurança nos mais afastados do centro. “Fazemos o possível para manter os bairros protegidos por igual. Infelizmente o índice de roubos e furtos aumentou nos bairros mais novos em decorrência das casas ficarem mais tempo sozinhas. O que nós orientamos é para os moradores ficarem atentos ao chegarem em casa e evitar deixar coisas de valor à vista ”, comenta Stiip. Foto: Weverton Goulart
CIdadãos têm investido em mais formas de segurança.
O caos do trânsito de Ribeirão Preto e sua infraestrutura em horário de pico
Trânsito de Ribeirão Preto KAUÊ FELIPE
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trânsito em Ribeirão Preto vem se tornando um caos nos últimos anos, principalmente na zona norte da cidade onde grandes bairros vem sendo construídos sem nenhum planejamento urbano. Um grande exemplo desse planejamento é a Avenida Doutora Nadir Aguiar que cruza quatro bairros de Ribeirão, ligando a rodovia Alexandre Balbo ao Campus da USP, a Avenida tem duas vias, porém um pedaço de pouco mais de dois quilômetros que fica no bairro Jamil Cury não foi asfaltada. Procurada para falar sobre o assunto, a Prefeitura ainda não se pronunciou, mas questionada sobre a infraestrutura geral do trânsito na cidade deu
algumas explicações. Segundo o Secretário da infraestrutura Luís Eduardo Gárcia, a Prefeitura de Ribeirão Preto já começou a executar, por meio do Programa Ribeirão Mobilidade, uma série de 11 obras de infraestrutura e mobilidade urbana em todas as regiões da cidade. O investimento é proveniente do Programa de Aceleração do Crescimento PAC, com contrapartida da Prefeitura. No total, são R$340 milhões investidos. Os primeiros efeitos desses investimentos podem ser vistos na Avenida Francisco Junqueira, três pontes foram construídas para facilitar o fluxo de veículos pela zona central da cidade. As pontes interligaram as ruas Jose Bonifácio e Paraíba, Visconde de Inhaúma e Tamandaré, além de a Barão do Amazonas e Benja-
min Constant. Segundo o secretário, outra obra que vai melhorar a vida do ribeirão-pretano é a da Avenida Antônia Mugnatto Marincek “Uma grande e importante obra em andamento é a duplicação da avenida Antônia Mugnatto Marincek, demanda antiga da população que vive no complexo Ribeirão Verde, com diversos bairros beneficiados com esta obra. Única via de acesso ao local, a avenida tinha apenas uma pista para os dois sentidos bairro- centro e centro-bairro . Em horário de maior movimentação, os moradores demoravam muito tempo para se deslocar. Com a duplicação, que já está em fase final, a Prefeitura vai desafogar o trânsito e melhorar a qualidade de vida de quem mora ou trabalha no entorno”
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Paixão sobre rodas LETÍCIA MARQUES
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antigomobilismo caracteriza o amor das pessoas por carros antigos, juntamente à prática de restauração e a preocupação em preservar a essência e beleza desses veículos. O automobilista ainda se preocupa em pesquisar e resguardar essa grande história por trás dos carros, retratando uma época sem dúvida de muito estilo. Há muitos adeptos do antigomobilismo no Brasil e esse número só vem crescendo. A estimativa é de cerca de dez mil participantes oficiais de grupos que visam relembrar, conservar e comemorar esses carros. SENTIMENTO paixão do advogado Guilherme Villela, 39, pelas quatro rodas começou quando ainda era criança. “Lembro de ir em concessionárias de veículos com meu pai e ficar admirando os veículos novos e usados, hoje antigos como Landau.” Atualmente ele é sócio do clube Auto Mogiana desde 2009 e tem seus carros há mais de 22 anos. Quando tinha 17 anos, adquiriu o primeiro, juntamente com seu primo. Os dois compraram e restauraram uma Pick
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Foto: Letícia Marques Up Chevrolet Brasil de 1963, que depois acabou sendo vendida. “Hoje tenho alguns veículos antigos principalmente da década de 60 e da marca Chevrolet. Em meados de 2000 adquiri um Chevelle Malibu 1964, branco, e continuo com ele até hoje.” Apesar disso, ele infelizmente não consegue usá-los no dia a dia, devido às grandes complicações do nosso trânsito e ainda pela alta quantidade de combustível que os carros consomem. Guilherme tem também o receio de que em meio à correria diária, os veículos venham a ter algum tipo de pane ou outros problemas no funcionamento. Por esse motivo, prefere curtir seus carros aos finais de semana, com mais tranquilidade e sem o trânsito ou a pressão dos horários. Como todo bom veículo, os carros antigos também precisam de manutenção e ela é mais difícil do que parece. “Manter um veículo antigo não é fácil. Tem que ter dedicação e gostar muito.” O advogado costuma andar com eles toda semana e fazer alguns reparos sozinho. Mas, quando é preciso ele sempre tem um mecânico que vai até a sua garagem e faz o conserto ali mesmo. “Não gosto de levar esses veículos antigos nos estabelecimentos dos mecânicos
pois os clientes costumam ser curiosos e quando veem querem entrar no carro, bater na lataria e isso pode causar danos”, diz ele. “Existe também o problema de ocorrer a quebra de peças e não ter mais a pronta entrega ou mesmo alguma original à venda. Daí tem que esperar chegar ou mesmo encontrar algum profissional que faça o reparo.” Outro fator importante para quem tem ou pensa em ter esse tipo de carro em casa, é justamente o espaço que eles tomam. É necessário que eles tenham um local próprio, que não os deixem suscetíveis à deterioração por condições climáticas. Villela declarou: “Tem que ser um ambiente fechado e mesmo assim os veículos tem que ser limpos constantemente”. Normalmente por trás de quem coleciona carros antigos há sempre uma história e um sentimento. “Como tenho os veículos antigos há mais de 20 anos, é inegável o valor sentimental, até porque não apenas curtimos o carro, mas conhecemos amigos.
Quando casei já tinha veículos antigos e inclusive o Malibu 1964 foi o carro da noiva e no enfeite do bolo ali estava ele”, disse o advogado. Para ele, todo veículo é uma história sobre rodas e por isso é importante que as novas gerações conheçam sobre eles, como foram fabricados, quais eram os modelos e as inspirações por trás deles. Villela, para fazer sua parte em levar essa história à frente, costuma levar suas filhas nos encontros de carros antigos e usar eles para andar com elas aos finais de semana. CUIDADO delson Benetti, 69, é engenheiro mecânico e participa do Auto Mogiana Clube de Carros Antigos há dez anos, desde que foi fundado em 2009 e para ele a melhor experiência é a da socialização. “Conhecemos pessoas dos mais diversos segmentos da sociedade, culturas e atividades”, disse ele. O gosto dele por carros começou na juventude, com a influência das corridas e com a atividade de sua família, que tinha oficina de automóveis. Os atuais carros antigos ainda não eram considerados antigos e segundo Benetti, representam essa época. Ele tem seu carro mais antigo desde meados dos anos 70, outros desde os 80 e o último adquirido foi no começo de 2000. Seus veículos são um Fiat 500 Topolino de 1946, um Ford F100 Pick Up de 1958, um Ford F1 Pick Up de 1951 e um Puma GTS de 1978. O engenheiro conta que não tem dificuldades para manter seus carros pois ele mesmo faz a manutenção, mas concorda que é algo difícil, por existirem poucos profissionais especializados nesse segmento. “Quando já está restaurado a manutenção é bem simples, somente cuidados de limpeza, trocas de lubrificantes, cargas de bateria. O muito trabalhoso é realmente a restauração que
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Guilherme Villela com seus carros, um Chevrolet Impala e um Chevelle Malibu, em exposição no 9° Ribeirão Auto Collection, realizado em Ribeirão Preto no Shopping Iguatemi quanto mais criteriosa mais difícil, mais demorada e mais cara”, disse ele. Ainda que não tenha muitas complicações para manter os carros, ele não costuma usá-los com frequência, deixando apenas para eventos e exposições. “Tenho em casa carros atuais como todo mundo, que são os usados no dia a dia”. Porém, para ele não há como comparar o desempenho dos novos com os antigos. “Eles representam a tecnologia da época de cada um. Os modernos são, evidentemente mais ágeis e seguros que os antigos”, afirmou. Segundo Edelson, os carros também são importantes para a preservação da história e cultura das épocas de cada um deles, e que assim, pode-se contar a história e a evolução tecnológica e da humanidade através deles. TRADIÇÃO oi por influência de um de seus tios que o dentista Lucas Soutello, 38, se interessou por carros antigos. “Ele tinha um Galaxie 500 e eu
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adorei aquele carro porque ele era enorme e macio, parecia um sofá”, disse ele. “Tudo começou em 1991 quando meu pai adquiriu o primeiro carro antigo dele, um Ford Landau 1980, movido a gasolina, que na época não era tão antigo, mas tinha desvalorizado bastante no mercado. Era bem usado e o motor tinha complicações, o dono fez o melhor negócio e meu pai, o pior. O carro não pegava de jeito nenhum.” Além do Landau do pai, o dentista tem ainda hoje desde 1990 um LTD verde e outro dourado, ambos de 1979; um Dodge Dart 1972 desde 1993; um Miura Saga II 1989 desde 1996 e tem também desde 2003 uma Variant de 1973. “Eu também já tive um Voyage 1994 que meu pai deu pra mim na faculdade. Enquanto meus colegas tinham carros novos, eu chegava de carro antigo”, disse. Um dos carros que já teve ele precisou vender para fazer uma reforma na casa, infelizmente então abrindo mão de sua Mercedes.Segundo ele,
Fotos: Letícia Marques
Aficionados por carros antigos compartilham experiências sobre esse hobby cheio de história, estilo e admiração
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É caro, mas é gourmet
Cardápios com ‘gourmets’ e ‘artesanais’ têm chamado mais atenção ao escolher um prato
NATÁLIA MORAES
Foto: Natália Moraes
para conseguir guardar os carros, foi necessário construir um barracão, onde os carros ficam de segunda a sexta e em todo fim de semana algum precisa ser lavado e colocado para funcionar. “Temos que deixar bem guardados com capa e abastecidos com pouca gasolina de alta qualidade pois não pode envelhecer no tanque.” Lucas afirmou ter um mecânico particular que dá assistência em parte da manutenção. Porém, a restauração é mais complicada, então ele diz que a maior dificuldade está em achar alguém que faça um trabalho de restauração de qualidade, em qualquer parte. “Existem muitos que dizem que sabem fazer e no fim da história dão prejuízo pra gente.” Soutello frequenta o clube Auto Mogiana desde 2017 e em março de 2019 se tornou presidente do mesmo. Para ele, participar do clube lhe trouxe conhecimento de como a vida era nas outras épocas, de como era difícil a comunicação e como viver era mais difícil em alguns aspectos, por nada ser muito prático e sim mais complicado. Ele fala também sobre as viagens que o clube faz: Viajamos para eventos na região, tendo assim algo para fazer de fim de semana, conhecendo as cidades próximas e suas culturas”.
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Veículos em exposição no 9° Ribeirão Auto Collection
comida gourmet tem se tornado mais conhecida e procurada pelos brasileiros. Segundo o gastrônomo Quico Soares, de Ribeirão Preto, o termo significa “uma comida mais elaborada, com mais técnica e sofisticação”. E ainda de acordo com ele, essa inovação, assim como várias na gastronomia brasileira, foi influenciada por franceses: “a grande escola de técnica que temos na gastronomia é a escola francesa. Os franceses pensaram na cozinha com outra forma de produção, mais organizada”. A gourmetização foi precisa para que alguns pratos se destacassem nos cardápios, e isso tem funcionado. De acordo com um estudo da revista acadêmica “Journal of Consumer Research”, feito em 2011, muitas pessoas optam por comidas que não parecem ter grande quantidade de calorias, porém, os mesmos alimentos são aceitos se mudarem os nomes deles. Segundo Soares, “a palavra ‘gourmet’ está sendo usada há mais de dez anos e como vem aparecendo muito, já está quase banalizada”. Por isso, “devemos tomar cuidado com o termo, porque de tanto usar, desgastou”. Paulo Ricardo Balieiro é dono de um foodtruck de churros gourmets que opera em Ribeirão Preto há oito anos. De acordo com o microempreendedor, a ideia do
trabalho é “valorizar a comida que já existe, só que com sabores diferentes”. Uma pesquisa da Kantar Ibope Media, mostrou que em 2017 os espaços publicitários em programas culinários televisivos tiveram um aumento de mais de 17%, e para que haja todo esse acréscimo, podemos afirmar que os programas têm se tornado atrativos ao público. Nas exibições é muito usado o termo “gourmet”, o gastrônomo conta que o conceito mudou nos últimos anos: “para tornar uma comida popular, colocamos ela para ser vendida na rua com um preço acessível. Depois, isso se inverte e gourmetizaram a comida popular. Hoje, vamos pagar muito mais caro em uma comida que antes tinha um valor menor”. GOURMET X ARTESANAL utra gastrônoma, Ana Paula Moreira, também de Ribeirão Preto, afirma que muitas pessoas confundem esse tipo de comida com as artesanais. “O artesanal é quando você mesmo prepara os alimentos, como por exemplo fazer uma
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massa de pizza e assá-la em um forno a lenha. O gourmet é quando queremos recriar algo, ou seja, reinventar diferentes sabores usando mais técnicas.” O empreendimento de Balieiro, além de gourmet, também é artesanal. “Os produtos são feitos artesanalmente, com receita exclusiva e recheado com doce de leite ou nutella que eu mesmo faço”, conta. O investimento feito nos alimentos gourmets e artesanais faz com que os pratos fiquem mais caros, pois é agregado um valor a mais neles. Ana Paula diz que isso ocorre porque “foi utilizado um tempo maior, mais ingredientes ou ingredientes caros”. Dados do levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em maio de 2018 mostraram que oito em cada dez brasileiros procuram alimentos mais saudáveis ainda que mais caros. Soares concorda. Para ele, “as pessoas estão evitando o excesso de alimentos industrializados”. Se pensar nos benefícios, vale a pena pagar um preço elevado em uma comida mais saudável.
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Fotos: Felipe Bolito
Arthur Fraccadosso em ação pelo Toiss, um de seus times na carreira amadora
Mundo Amador Times de futebol amador têm feito cada vez mais investimentos na busca por títulos FELIPE BOLITO
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ão é segredo para ninguém que o futebol é uma paixão nacional. Dificilmente encontramos alguém que não sonhou em se tornar um grande craque do futebol mundial, ganhar milhões, ser um popstar, ter uma vida de luxo e possuir milhares de fãs no mundo todo. Mas muitas vezes o sonho se perde no caminho, seja por alguma lesão, por poucas condições financeiras para se manter ou até por não atender as expectativas que os clubes procuram. Muitos decidem deixar de lado o objetivo de ser jogador para viver uma vida normal, trabalhando, estudando, mantendo uma família e conquistando outras metas.
“Comecei na escolinha do bairro onde eu morava com sete anos e fiquei até os meus dez anos. Depois disso entrei na escolinha do Botafogo de Ribeirão Preto e lá fiquei até os 14. Então subi para o time sub-15, ali já comecei a enxergar que eu poderia seguir carreira no futebol. Quando fui jogar minha primeira Copa São Paulo, acabei machucando, então saí do time. Fiz o tratamento, já que havia sofrido uma fratura no menisco, mas dali em diante não retornei mais. Então comecei a trabalhar e encerrei minha carreira no futebol, mas em seguida comecei no futebol amador”, contou Arthur Fraccadosso, 28, que atualmente é engenheiro mecânico, mas já fez parte das categorias de base do Botafogo.
Porém, o futebol é uma caixinha de surpresas. Existe no mundo do esporte o chamado Futebol Amador. Se trata do futebol não profissional, que algumas vezes paga valores atraentes e coloca o sonho de ser jogador mais próximo de quem um dia se imaginou como astro do esporte. Fraccadosso já passou por muitos times e já participou de inúmeros campeonatos sejam eles pequenos como por exemplo Liga Só Tapa, Toca Bola, Vai Dar Jogo e Liga Ouro, e outras maiores como Copa Ipiranga e a Liga Regional. “Passei por muitos lugares, joguei pelo José Sampaio, onde fui campeão da Copa Ipiranga. Joguei no Colorado, no Cruzeiro, no Bayern, no Balbo. Passei pelo Thóis, Bonfinense, Stars, Real
Madrid, Turma do Corumbá, CRI, Jandaia. Disputei vários campeonatos e conheci muita gente da região”, explicou o engenheiro, que é zagueiro nas horas vagas. Clubes amadores como por exemplo, Jandaia, Quintinense, Simioni, entre outros que se dividem pelos bairros e cidades da região, fornecem compensação financeira por cada partida e até premiações caso seja alcançado alguma meta. Fraccadosso não chegou a receber dinheiro atuando em Ribeirão, mas já conseguiu compensações financeiras disputando competições pela região. “Em Ribeirão Preto não cheguei a receber para jogar igual muita gente ganha. Agora em Cajuru e São Simão, os times me pagavam cem reais por jogo. Disputei o campeonato que eles chamam de Regional. Em Bonfim eles me pagavam uma quantia por jogo para colocar combustível”, revelou. A grande questão é: como os times conseguem bancar os gastos para cada jogador? Os times vivem de premiações conquistadas nos campeonatos e alguns tem até sua própria marca
e comercializa roupas, acessórios e vários outros produtos, além de receberem ajuda de patrocinadores, que fornecem serviços e ajuda financeira. Conforme tem o nome mais conhecido, mais o público acompanha e consequentemente, consome os itens vendidos. “As premiações são voltadas mais para o time, não para os jogadores, os times conseguem se manter assim. No campeonato em Serra Azul cheguei a ganhar uma premiação de duzentos reais por ter feito um gol que levou nosso time para a semifinal do campeonato, mas fora isso eles usam o dinheiro para manter o time. ORGANIZAÇÃO Não é muito difícil achar uma competição para colocar um time. Anualmente mais campeonatos surgem, cada um com suas próprias particularidades, tentando se reinventar e fazer coisas diferentes, tudo para atrair interesse das equipes. É o caso da Liga Só Tapa, que teve sua primeira edição realizada em 2019, na Quadra D10, no bairro Ipiranga, em Ribeirão Preto. Segundo Arthur Cestaro, 20, um dos idealizadores do projeto, os
desafios são diários, ainda mais para quem está iniciando a vida no mundo “amador”. “Passamos muitas dificuldades no início do nosso campeonato. Em algumas situações ficamos perdidos por nunca termos feito algo do tipo. É muito complicado trabalhar com outras pessoas. Nosso campeonato tem 20 times, com pelo menos 10 jogadores cada, então são muitas pessoas para administrar”, afirmou o organizador. A liga busca usar um pouco mais a tecnologia para inovar. A cada rodada é fornecido fotos dos jogos, além de artes de apresentação para cada partida e até vídeos. Tudo postado pelas redes sociais desenvolvidas para o torneio. “Nós tentamos fazer algo para destacar nossa liga. O comum às vezes pode não chamar a atenção, então se não é notado, não é lembrado e nem reconhecido. Querendo ou não a notícia se espalha, mal acabamos de fazer essa edição e outros times já vieram atrás de nós para inscrever times no ano que vem. É algo que se for feito direito, rende e cresce muito”, explicou Cestaro.
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Uma mina atrás do gol
Foto: Gleice Lira GLEICE LIRA
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eu segundo jogo fora de Ribeirão Preto. A ansiedade consumia meu corpo na noite anterior e todas as anotações sobre os times pareciam rasas, medíocres e insuficientes. Decidi separar um comprimido tarja preta para tomar antes do jogo -o que parece uma ideia bastante inconsequente levando em conta as alterações que uma droga que gera dependência psíquica pode causar na cabeça da gente para reportar uma partida de futebol -ou reportar qualquer coisa. O remédio era do meu ex-namorado na época. A psiquiatra receitou para o cara pela dificuldade dele em aceitar o término e, em uma das idas ao meu apartamento, acabei suplicando para ele alguns comprimidos devido a minha incrível tendência hipocondríaca. O cara, no desespero e na pena, me cedeu alguns. Acordei para jogo, tomei um banho quente e vesti uma calça justa o bastante para me sentir incrível e larga o suficiente para não ser tachada de vulgar. Não adiantou: todas as calças ficam vulgares em mim. Me culpo apenas pela
soberba do texto, não pela genética ou pelo corpo que tenho. Não me preocupei com o efeito do remédio. No máximo, ficaria lerda e colocaria a culpa no horário tosco que a Federação Paulista de Futebol determinou para o jogo: nove horas da manhã. Na redação, antes de partir com a equipe, me maquiei de forma impecável e apliquei o batom marrom fosco que uso em ocasiões especiais. Contornei a boca, imprimi os papéis, pintei de rosa as bochechas e fui para o campo. A imprensa de forma geral é composta por homens, arrisco dizer que fora do estádio nunca cruzei com outra mulher pelas cabines de transmissão, além das tias frustradas da limpeza. Os homens? São sempre os mesmos. A imprensa não se renova no gramado quente de Ribeirão Preto porque o medo de perder espaço para jovens esperançosos e apaixonados pelo futebol barra as oportunidades. Chego no meu posto atrás de uma conta composta por duas traves, uma rede e um travessão. Me chamou atenção o goleiro. Além de atraente o moleque era bom no trabalho e bastante
agressivo e violento. E agressividade com violência é uma coisa ab-sur-da-men-te atraente. Juiz apita e começa o jogo em uma manhã fria, triste e sonolenta. O comprimido tarja preta para ansiedade surgiu efeito e percebi um delay entre o chamado do narrador e minha fala, mas nada grotesco ao ponto de perceberem que a mina atrás do gol era uma depressiva que vive a base de remédios controlados comprados de forma ilícita por um farmacêutico corrupto. O vento cortava meu rosto e a tristeza de estar ali também. Meus olhos contornados de preto em uma espécie de moldura estavam atentos a cada lance do jogo. Fiz comentários burros. Fiz comentários inteligentes. Fiz comentários desnecessários. Tive pensamentos depressivos. Tive pensamentos vulgares. Tive pensamentos suicidas. Os vulgares foram meus preferidos.. É incrível como a nitidez da atração sexual masculina contribui para a autoestima vazia das mulheres. As feministas me ateariam fogo por essa escrita, mas não me importo. Sou canhota então na época da inquisição seria
queimada pela Igreja Católica de qualquer forma. A primeira foi no travessão. A segunda na trave. A terceira para linha de fundo. Escanteio. Travessão. Linha de fundo. Trave de novo. Mesmo com o frio dava para notar o suor brilhante e salgado escorrendo entre as sobrancelhas loiras e os olhos azuis da peça mais bonita do elenco. Foram noventa e quatro minutos de jogo, quinze de intervalo e uma eternidade de pensamentos sexuais em um nível quase patológico. Movida por uma impulsividade que dramatizava a idiotice do meu ato, rasguei um pedaço de papel da prancheta e anotei meu número de telefone. Enquanto caminhava em direção a saída do gramado ouvi um “hey, hey! moça?!” olhei por cima dos vidros dos meus olhos e molhada -pela chuva fina, veio o “prazer, Tiago.” -sem o “t”. Ele sentou ao meu lado no banco de reservas e começou a tirar as luvas devagar em movimentos confusos de delicadeza e impaciência. O pedaço de papel rasgado da prancheta caiu de forma intencional entre nossos pés e em
uma troca de olhar entre o azul e o castanho foi o bastante para que em uma fusão de cores nada mais precisasse ser dito. O ápice da atração, caros leitores: silêncio e troca de olhar. Jogo? Só dentro das quatro linhas brancas que contornam a grama desgastada do estádio pobre. Nos envolvemos com uma atração animalesca, de uma ferocidade que não raro destrói reputações de figuras quase públicas -como as nossas. Liberdade feminina para envolvimento libidinoso com um atleta jovem que goza do auge de seu condicionamento físico? Não. Não pode. É errado. Coisa de vadia. Desvaloriza. A imprensa é (e sempre será!) sinônimo de hipocrisia, pois é movida pelo que lhe convém. Fofoca vende e vender gera cliente e cliente gera renda e renda gera lucro e lucro enriquece os ricos e os ricos são donos da imprensa. Lembro da fragrância do perfume que ele usava, amargo, que mesclava com o cheiro de suor do seu próprio corpo pós-jogo. Meus sentimentos estavam a ponto de transbordar e me sufocava um dilema crescente, não porque me importasse com opiniões alheias ou
sentisse algum afeto especial por aquela peça do esquema defensivo, mas sim, porque só a mim cabia decidir sobre o viés moral ou imoral daquele ato. E a imoralidade sempre atraiu mais os humanos. Marchei até o banheiro para verificar se minha aparência continuava apresentável. Notei que o ex-usuário daquele banheiro nojento, após esvaziar por completo a bexiga, não tinha puxado a descarga. Encarando aquela solene poça de urina alheia, cujo centro uma amarelecida ponta de cigarro se desintegrava como um insulto supremo a presença feminina em um estádio de futebol. Imagino que o arqueiro ficaria triste ao saber que, pouco tempo após nosso envolvimento, sofri um novo acesso de insanidade -se é que esse termo cruel pode ser aplicado a uma sensação insuportável de melancolia e opressão profissional. O jogo? Vitória. Três pontos. Alguns avanços na tabela no campeonato que ninguém se importa. Uma boca marrom manchada, olhos azuis de prazer e uma prancheta jogada no chão da sala de um apartamento frívolo da zona sul da Califórnia brasileira.
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O chamado da natureza
subclínico, e o médico disse "desacelera, pratica algum hobby". Então em 2010, comprei minha primeira câmera, uma Sony HX1 e fiz minha primeira viagem ao Parque Nacional da Serra da Canastra. Aí foi pura paixão, foi onde comecei a fotografar natureza”, conta o artista. Fotografar gera realmente uma transformação muito incrível e válida de se experimentar. De repente você começa a notar a luz, formas, cores, texturas, pessoas, árvores, flores, tudo ao seu redor parece diferente quando você começa a ver o mundo como um fotógrafo. “No começo eram somente aves, agora fotografo tudo que tem vida, e em especial os lepidópteros (borboletas) e os coleópteros (besouros)”. Todas as pessoas veem as coisas de forma diferente. Coloque cem fotógrafos em uma sala e você vai ter cem fotos diferentes. A maneira como você vê o mundo é única, e a fotografia permite que você compartilhe essa perspectiva com os outros.
LUCAS SOUZA
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fotografia é uma das formas de arte mais únicas e belas que conseguimos dominar. Capturar um momento, um milésimo de segundo no qual o mundo se encaixa perfeitamente num quadro vivo e sem molduras, não é para qualquer pessoa. É necessário mais que um bom olho, é preciso muita sensibilidade e técnica. E essas características se fazem mais necessárias ao trabalho com a natureza, sendo necessário lutar contra todos os obstáculos que ela oferece. Mas engana-se quem pensa que esse é um trabalho penoso, muito pelo contrário. Estar em contato direto com os animais, vegetação e ter a oportunidade de expressar esses momentos pode ser algo extremamente prazeroso e gratificante. O fotógrafo Marcos Cesar Campis, que realiza trabalhos com a natureza, acredita que a fotografia não tem barreiras e que é um meio para mostrar e conscientizar as pessoas em muitos aspectos. “Eu fotografo a vida selvagem, amo estar em contato com a natureza, é um casamento perfeito.” Nascido e criado na cidade de Morro Agudo, interior de São Paulo, o fotógrafo, de 50 anos, formado em tecnologia da informação, começou a praticar o hobby quando recebeu uma notícia de seu médico: “Nos meados do ano de 2009, eu estava muito acelerado, trabalhava muito, não desligava, estava a mil por hora e fui diagnosticado com hipertireoidismo
Contudo as qualidades de um bom fotógrafo não estão apenas em seu ponto de vista. É necessário estudar, entender métodos de enquadramento para conseguir a melhor captura de uma imagem. “Estudo e pesquiso muito, assisto vídeos dos mais renomados fotógrafos de Vida Selvagem, isso agrega um olhar diferente quando você está em campo. Hoje na internet tem muito material excelente sobre isso.” “Estar em contato com a Natu-
reza e criar nas pessoas a conscientização de respeito à mesma. Criei um slogan que evidencia isto: Quando cuidamos da natureza, estamos cuidando de nós mesmos." Com suas imagens o fotógrafo pode fazer as pessoas pararem e pensar. Basta um olhar para uma imagem poderosa para tirar uma pessoa da sua rotina. ‘‘Já vendi fotos para Rússia, Malásia, Colômbia, Alemanha, Estados Unidos e outros países. Estas fotos são publicadas em livros revistas. Ultimamente tenho parcerias com várias universidades aqui do Brasil e cedo minhas fotos para serem publicadas em artigos científicos.’’ Algumas imagens podem mudar a forma como um indivíduo vê o mundo para o resto de sua vida. Fotógrafos como Marcos podem exercer um papel essencial na conscientização ambiental. É preciso pensar numa cultura ecologicamente correta, isso requer a elaboração de modos de vida que dialoguem. Uma imagem é capaz de passar uma visão, uma visão que crie uma conscientização da natureza, uma visão que compartilhe um modo de vida.
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prática de yoga pode ser uma forma fácil e eficaz de relaxar o corpo e a mente, lidar com o estresse e aumentar a saúde física. “Yoga é uma filosofia indiana com mais de 5.000 anos que visa a integração corpo-mente-espírito. Para atingir esse objetivo, fazemos uso de posturas psico-físicas que alongam e fortalecem o corpo e purificam o organismo; práticas respiratórias e técnicas de relaxamento e meditação”, afirma a professora de yoga Taisa Ferraz, 40, de Ribeirão Preto.
Equilíbrio para todos O bem-estar mental, físico e espiritual através da yoga
AULAS epois de três anos como praticante, Taisa decidiu fazer um curso de formação em Hatha Yoga, que é uma forma de yoga pré-clássica, com o desejo de compartilhar com as outras pessoas algo que sempre fez e continua fazendo tão bem para ela.
e emocional, melhora da concentração, diminuição da insônia, entre outras características. MEDITAÇÃO meditação é um fator muito importante dentro das aulas, que está sempre presente em toda prática de yoga. A professora Taisa diz ainda que toda a prática da atividade leva naturalmente as pessoas a um conforto físico e mental, e portanto, a um estado meditativo. “Podemos até arriscar a dizer que, se a prática não for meditativa ou não incluir a meditação propriamente dita, seria um equívoco chamá-la de yoga, como tantos modismos atuais tentam fazer”, afirmou ela. Ana Laura dos Santos é aluna no Ananda Espaço de Yoga e pratica a atividade duas vezes por semana. Além disso, ela ainda complementa com outras atividades, como pilates, trilha, dança, caminhadas e também frequenta a academia.
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Foto: Letícia Marques
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Hoje ela dá aulas no Ananda Espaço de Yoga. As aulas permeiam o chamado Hatha Yoga e suas derivações. “Geralmente a aula envolve uma breve explanação teórica sobre algum assunto relativo à yoga, uma prática de exercícios de aquecimento (exercícios leves de yoga) e posturas psicofísicas (asanas), práticas respiratórias (pranayamas) e técnicas de relaxamento e/ou meditação”, diz Taisa. As aulas dela são em grupo e duram entre uma hora e uma hora e meia, dependendo da modalidade. Os alunos são homens e mulheres entre 18 e 90 anos, inclusive gestantes. De acordo com a professora, há mais mulheres do que homens, mas ainda assim o número de praticantes homens vem crescendo bastante. Através do convívio diário e dos relatos dos próprios alunos é que ela avalia os resultados e o desempenho deles, observando se houve diminuição de dores, aumento da capacidade respiratória, melhora no equilíbrio físico
Foto: Letícia Marques
Instrutora de yoga Sonia ensinando a postura do cachorro olhando para baixo