revista nº. 5 nov./2017
produzida por alunos do 6º semestre do curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá
barão de mauá
Ribeirão Preto – SP
AGRICULTURA HI-TECH Com ajuda de robôs e aplicativos, agricultores estão protegendo suas plantações do ataque de pragas e controlando o uso de água e de tratores. A tecnologia permite o uso controlado de pesticidas e insumos e, com isso, gera economia
Expediente A Revista Barão de Mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. Chanceler Prof. Dr. Nicolau Dinamarco Spinelli (in memorian) Reitora Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães Vice-Reitor Prof. João Alberto de Andrade Velloso Pró-Reitora de Ensino Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino Pró-Reitora de Pós-Graduação, Extensão e Iniciação Científica Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli Pró-Reitor de Educação a Distância Prof. Dr. Dyjalma Antonio Bassoli Pró-Reitor Administrativo Antonio Augusto Abbari Dinamarco Coordenador do curso de Jornalismo Prof. Dr. Sebastião Geraldo Reportagem, fotojornalismo e diagramação Estudantes do curso de Jornalismo
Professores responsáveis Edição, coordenação e revisão de textos Prof. Me. José Antonio Bonato Projeto gráfico e edição de arte Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira Edição de fotografia Prof. Me. Jefferson Barcellos
Os textos desta publicação, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.
Magazine da Barão Desde o século 18, algumas revistas incorporam o termo “magazine” em seus títulos inspiradas em locais que vendiam uma variedade de produtos. E a multiplicidade de temas continua sendo uma das características dessas publicações. Não poderia ser diferente para a Revista Barão de Mauá que, nesta edição, contempla seus leitores com assuntos de amplo interesse, de tecnologia a saúde, de violência a meio ambiente. O tema da capa são reportagens que tratam do impacto dos computadores no campo, no bolso dos agricultores e na saúde dos consumidores porque o cultivo com menos agrotóxico gera economia para produtores e redução desses resíduos no produto final. Se o campo dá a Ribeirão a fama de capital do agronegócio, essa reputação pode ficar abalada pela crescente indústria cervejeira, que vem seduzindo apreciadores da bebida de todas as partes, tema que vale a pena conferir nas próximas páginas. E você, mulher, sabe identificar quando a relação amorosa se torna abusiva? Quando, em vez de felicidade, o parceiro é razão para ficar de baixo astral? E quem gosta de ficar com a saúde em dia precisa conhecer os benefícios da vitamina D, um dos conteúdos desta edição. E tem também outras reportagens sobre saúde, como o risco do uso compartilhado de fones de ouvido. E não fica nisso. Estética, religião, queimadas urbanas e reutilização de madeira são outros assuntos que estão nesta edição. Boa leitura!
Revista Barão de Mauá na internet: http://jornalismo.baraodemaua.br / jornalismobaraodemaua Contato: jornal@baraodemaua.br
Centro Universitário Barão de Mauá Unidade Independência Rua José Curvelo da Silveira Jr., 110 Jd. Califórnia – Ribeirão Preto - SP Fone/Fax: (16) 3602-8200
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Robôs nas lavouras Eles identificam pragas, doenças e até perdas no campo Foto: Giovana Faria
GIOVANA FARIA
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ue a tecnologia já faz parte do nosso dia a dia e está a cada dia mais atualizada não é novidade. Mas quem imaginava que chegaríamos ao ponto de utilizar “minirrobôs” para supervisionar lavouras? Pois os minirrobôs são os drones e é exatamente essa a função que eles estão exercendo na agricultura de precisão. A agricultura de precisão é uma nova forma de gerenciamento da propriedade agrícola que utiliza a tecnologia da informação baseada no princípio da variabilidade do solo e clima. Os microprocessadores e os aparelhos GPS, acoplados a colheitadeiras e semeadoras, compõem esse tipo de gerenciamento. Atualmente, a novidade que faz parte desse grupo de tecnologias, é o drone. O drone é um veículo aéreo não tripulado e controlado remotamente que pode servir como um suporte de câmera para fazer imagens aéreas. Foram criados inicialmente para uso em missões militares e atualmente possuem utilidade para a realização de uma infinidade de atividades. Como na captura de fotos e vídeos em ângulos antes impossíveis de se registrar com uma câmera normal, em resgates em áreas de desastres como alagamentos, desmoronamentos e incêndios,
por exemplo, e na agricultura para o controle de plantações. COMO FUNCIONA? drone é combinado com câmeras fotográficas de alta resolução com sensor infravermelho e uma plataforma para processamento dos dados. Isso resulta em um mapa detalhado das áreas plantadas, dos quais se podem identificar pragas e doenças, mensurar perdas e até mesmo obter dados para comando automático dos tratores e sistemas de irrigação. Johann Coelho, diretor de desenvolvimento de negócios da Bembras Agro, de São Paulo, diz que o controle de lavouras através dos drones pode detectar, também, invasores como ervas daninhas, pode facilitar a contagem de plantas e gado, a altimetria e até mesmo avaliar a declividade e drenagem após a colheita. “O kit que inclui drones, acessórios, câmeras, software para tratamento de imagens e suporte dos engenheiros agrônomos e cartógrafos gira em torno de R$ 5.000 até R$ 12 mil mensais, dependendo do drone utilizado”, afirma Coelho. De acordo com o engenheiro agrônomo Cristiano Zerbatto, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Jaboticabal, o controle feito com drones pode ser utilizado em qualquer tipo de cultura.
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“Com o desenvolvimento dos sistemas de posicionamento global por satélite e softwares que interpolam os dados e geram os mapas, hoje é possível monitorar qualquer tipo de lavoura trazendo maior poder e decisão ao agricultor.” Segundo Coelho, devido à quantidade de funções que o drone e os softwares podem exercer, a tecnologia agrega muito, pois pragas e falhas no gerenciamento da lavoura podem ser identificadas e corrigidas antes de chegar a causar problemas econômicos para o agricultor. O consultor tecnológico Lucas Tittoto, da Usina Ipiranga de Descalvado, optou pelo uso dos drones pela facilidade que essa inovação trouxe para o dia a dia. “Estava buscando uma solução para o mapeamento e gestão de áreas para a realidade de uma usina e uma prestadora de serviços. Fiquei impressionado com a facilidade que a tecnologia traz para o dia a dia e o modo interativo que é possível trabalhar com os dados coletados em campo”, disse Tittoto. Para Zerbatto, “apesar e ter um investimento muito alto, visto que a maioria das tecnologias não são nacionais, há um retorno econômico ao longo dos anos com a diminuição de gastos com insumos agrícolas e o aumento da produtividade”.
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Foto: Priscilla Gonçalves
Pragas na mira da tecnologia
Aplicativo gratuito desenvolvido por engenheiro de Ribeirão Preto ajuda o produtor rural a usar produtos químicos corretamente
Aplicativo está disponível e pode ser baixado em qualquer smartphone PRISCILLA GONÇALVES
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oje no Brasil já existem aproximadamente 4 milhões de estabelecimentos em agricultura familiar. Mas os pequenos e médio produtores rurais enfrentam um grande problema para encontrar assistência especializada no combate às pragas no campo, em parte pela falta de engenheiros agrônomos no país. Foi pensando nessa grande demanda que Murilo Bettarello, engenheiro agrônomo de Ribeirão Preto, desenvolveu um aplicativo de fácil uso e que não precisa da internet para acessar seu banco de dados para ajudar o trabalhador rural a cuidar melhor das plantações. Esse novo aplicativo tem a função de fornecer informações e fotos das principais pragas e doenças das 13 principais culturas agrícolas do Brasil e também as soluções para tais problemas. O aplicativo é gratuito para o
produtor rural e possui uma plataforma customizada, podendo ser baixado somente com as informações úteis naquele momento, para o celular não ficar sobrecarregado com muitos arquivos. COOPERATIVAS inda segundo o engenheiro, as vantagens de ter o aplicativo “são de poder fazer uma consulta rápida para checar uma dose de produto que ele irá utilizar, e também poder cotar produtos para revendas e cooperativas locais. Com isso o agricultor ganha tempo para fazer o que ele sabe mais que é cuidar de sua lavoura”. O engenheiro agrônomo e produtor rural Thiago Duarte Noronha, de Ribeirão Preto e usuário do aplicativo, falou sobre a melhoria da eficiência dos produtos utilizados na plantação. “Um ponto muito importante é a aplicação dos produtos na
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dose certa, nada a mais e nada a menos, pois como eu tenho a bula dos produtos no aplicativo, posso consultar e aplicar sem desperdícios”, afirma. Além dessa vantagem, segundo ele, ocorre também a melhora da qualidade da lavoura e, consequentemente, de toda a sustentabilidade da cadeia produtiva. “Isso gera um alimento mais saudável ao comprador final.” O serviço está no mercado desde maio de 2016 e já possui aproximadamente 27 mil usuários no Brasil e na América Latina. Quem mais utiliza o produto são os pequenos e médios agricultores, pois na maioria das vezes não possuem recursos para contratar os serviços personalizados de agrônomos e revendas de produtos. Segundo o Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), há um déficit anual de 20 mil engenheiros no Brasil.
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Da terra do café para a rota da cerveja Tour leva grupos a bares e cervejarias para degustação de bebidas DESIREE NASCIMENTO
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terra aberta ao sol pelas enxadas, conhecida antigamente como “Ribeirão Preto, terra do café”, hoje conhecida também como a terra do chope, ganha mais um título atrativo para os amantes de bebidas, o de ‘Rota da Cerveja’. O título foi agregado a partir da iniciativa de uma agência de turismo local em 2015, com o intuito de divulgar o mercado de cervejas artesanais de Ribeirão. A cidade vem crescendo e ganhando espaço na produção das cervejas especiais. Das 122 microcervejarias do estado de São Paulo, 10 encontram-se em Ribeirão Preto. Sendo algumas delas conhecidas regionalmente e em todo estado. E para apresentar esses locais a cidade já conta com três empresas que apresentam as cervejarias locais a turistas, empresas e grupos de estudantes. Um dos projetos é o Tour Cervejeiro, um projeto idealizado pela profissional de comunicação Carla Valentim que tem passagem pelo marketing da Cervejaria Colorado. A ideia principal é cultuar a tradição de capital do chope e tornar o consumidor cervejeiro em um “profissional” e um bom entendedor e consumidor de cervejas artesanais. “Promover o conhecimento e experiências memoráveis aliando boas cervejas e gastronomia”, afirma Carla. Com um público de homens e mulheres entre 25 e 50 anos que já tiveram algum contato com a
cerveja artesanais, seja produzindo em casa ou degustando. A maior parte dos visitantes, é de outras cidades, principalmente São Paulo capital e interior. Mas com registros de visitantes do Rio de Janeiro, Florianópolis, Curitiba, Belém do Pará e até do exterior. Para Josué Barbosa, empresário de Belo Horizonte que participou de uma visita às cervejarias Lund, Pratinha, SP330, Colorado e a Walfänger, a cerveja é uma bebida democrática, que possui uma relação íntima com a comida e o entretenimento. “Além disso sempre tive curiosidade de conhecer o processo produtivo e desvendar os mistérios dessa bebida, que está tão presente no nosso convívio.” O passeio é acompanhado por sommeliers, que vão contando a respeito da história da cerveja, curiosidades, como é a produção, seus ingredientes, levando o público a uma imersão nesse segmento do agronegócio, terminando sempre com degustação dos sabores disponíveis nos cardápios. “Conhecer novos sabores e poder entender mais sobre as cervejas artesanais, como suas famílias foi muito bom. Agora posso sentar no bar com tranquilidade de escolher uma cerveja mais adequada ao meu gosto, ” afirma o estudante Caio Moraes, que participou do último tour da Rota da Cerveja. Para a sommelier Taiga Cazarine, a ideia é começar o tour apresentando um primeiro conhecimento sobre os sabores,
as famílias das cervejas, quais são mais amargas, mais fortes, com sabor de fruta, qual a escola que ela segue, para que os participantes possam ao menos saber como escolher os sabores que vão degustar. É um conhecimento importante considerando que a cidade possui cervejarias bem diferentes entre si, com cervejas que seguem receitas de vários países, podendo causar um estranhamento inicial para quem degusta pela primeira vez. Durante visita à cervejaria Walfänger, os turistas também derrubam o mito da diferença entre chope e cerveja. Tiago Baliero, que recepciona os convidados, conta que a palavra chope nada mais é que a derivação da expressão alemã “schoppen”, medida usada para especificar uma quantidade de líquido equivalente a 300 mililitros. TIPOS DE PASSEIO om tours para todos os gostos e bolsos, é possível encontrar passeios de R$ 40,00 até R$ 200,00. Diferenciados pela quantidade de cervejarias visitadas e quantidade de cerveja disponível para degustação. Pela Tour Cervejeiro há disponibilidade de pacotes com transporte, com água à vontade, almoço em boteco gourmet e brindes cervejeiros.
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Tour Cervejeiro Carla Valentim (16) 9 8178-7722 contato@tourcervejeiro.com.br
7 Foto: Desiree Nascimento
Cerveja artesanal produzida em Ribeirão Preto: cidade possue diversos rótulos e atrai turistas
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De olho no sucesso A publicitária Carol Domenicis criou canal ao descobrir paixão por vídeos e se sustenta financeiramente por meio das redes sociais
Carol produz vídeos e mostra novidades diáriarimente para o público
ALESSANDRA ROTOLO
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Youtube é uma das mídias sociais mais utilizadas no mundo todo e por pessoas de várias idades. Tornou-se o queridinho principalmente dos jovens que se mantém conectados ao mundo digital e tecnológico, gerando conteúdos diversos para públicos específicos. Os famosos canais no Youtube, além de serem uma ferramenta de entretenimento, se tornaram fontes de renda para a maioria de seus usuários. Essa renda é gerada através da quantidade visualizações que o proprietário tem em seu canal, podendo variar em cada vídeo publicado. Os conteúdos postados podem ser variados ou sobre o mesmo tema e, mesmo assim, cada youtuber, nome dado aos proprietários dos canais, passarão as informações de acordo com sua
personalidade. Atualmente milhares de youtubers se tornaram famosos, gerando grande influência em seus seguidores. Essa influência existe e pode ser notada de várias formas como por exemplo os fãs que assistem ao canal e seguem as orientações fornecidas por seus ídolos. Alguns se inspiram nesses ídolos e acabam criando o seu próprio canal, se tornando um concorrente. Esse foi o caso de Carolina Cau Domenicis, 28, publicitária de Ribeirão Preto e blogueira formada pelo Centro Universitário Barão de Mauá. Ela seguia vários canais e se apaixonou pelo que viu. Então decidiu criar o próprio canal para falar sobre compras, moda e beleza. Além do canal Carol Domenicis, como é conhecida, possui Instagram, blog e página no Facebook. Atualmente seu canal no Youtube contém aproximadamente
28 mil inscritos. Carol diz que não produz vídeos apenas por dinheiro. Ela afirma que esse trabalho é uma maneira de interagir com pessoas e partilhar experiências sobre os assuntos abordados por ela em seu canal. “Eu seguia vários canais e desde o primeiro vídeo que assisti me apaixonei não só pelo conteúdo, mas por toda a produção, incluindo a edição. Depois disso comecei a gravar meus próprios vídeos e, ao ver o resultado final, decidi criar meu canal. Tudo aconteceu em uma época na qual o Youtube ainda não era muito conhecido e muitas pessoas ainda não tinham acesso a essa ferramenta”, diz Carol. IMPACTO s conteúdos expostos nas mídias sociais causam grande impacto na vida das pessoas, inclusive na vida das futuras gerações porque a tecno-
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logia já está dominando o mundo e não para de crescer, aumentando a tendência da comunicação por vídeos, aplicativos e redes sociais em geral. Esse crescimento na área da tecnologia induz ao aumento de youtubers no Brasil e no mundo. De acordo com Carol, a tendência é aumentar cada vez mais, porém ela não enxerga como um ponto negativo e vê essa mudança como uma oportunidade de crescimento. “Quanto maior a quantidade de pessoas conectadas à internet, mais chances eu e outros profissionais dessas áreas teremos de ser vistos, aumentando nosso número de seguidores, nos incentivando a melhorar cada dia mais para oferecer conteúdo de ótima qualidade”, afirma Carol. Para o professor de comunicação social José Melo Junior, pode acontecer de uma grande parte dos youtubers deixarem de existir à medida que novos canais de comunicação e novas figuras de entretenimento apareçam. “É possível que um grupo ou uma parte deles se estabilizem e continuem fornecendo esses conteúdos por um longo período. Isso vai depender não só do conteúdo oferecido por eles, mas também do destino que a própria mídia vai seguir nos próximos anos”, afirma Junior. Ele complementa que a grande segmentação de audiência promovida pelo Youtube e outras plataformas que oferecem vídeo continuarão existindo. Outras áreas de comunicação como blogs, dentre outros, vão se multiplicar e os canais de figuras, de pessoas e até mesmo grupo de pessoas aumentarão no futuro. Com o rápido avanço na tecnologia, os proprietários de canais no Youtube deverão se manter sempre antenados no surgimento de novas plataformas de comunicação para continuar mantendo seu trabalho, estimulando seu público além de aprender como se manter nas mídias sociais com o passar dos anos.
Fotos: Carol Domenicis
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Carol ama moda e sempre mostra looks novos e inspiradores
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Mundo sem fronteiras Jovens da região de Ribeirão Preto descobrem no intercâmbio uma maneira de interagir com outras culturas e aprender idiomas Fotos: Fernanda Oliveira
Tipos de intercâmbio variam de acordo com idade e objetivos
FERNANDA OLIVEIRA
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isto como maneira de ampliar o conhecimento e ter contato com outras culturas, o intercâmbio chama cada vez mais a atenção dos jovens. De modo geral, pessoas de 14 a 30 anos podem fazer um intercâmbio de acordo com a faixa etária e objetivo de cada um. Os mais comuns são intercâmbios high school, destinados a estudantes de 14 a 16 anos que estejam cursando o ensino médio. Já o intercâmbio de idiomas é bastante procurado pelos brasileiros com o objetivo de melhorar
a fluência e conviver com pessoas nativas. Esse tipo de intercâmbio pode durar de um mês a um ano. Para a professora de inglês Letícia Lunardello, 26, de Cajuru, o intercâmbio veio em um bom momento. Ela conta que sempre quis ser professora, porém não sabia exatamente em que área atuar. Após a oportunidade de ministrar aulas de inglês para educação infantil em uma escola, a vontade de fazer um intercâmbio aumentou ainda mais. “Eu sempre quis conhecer o Canadá, pois sempre ouvia das pessoas que é mais receptivo que os Estados Unidos. Fiquei in-
decisa entre ir para Toronto ou Vancouver, mas pela beleza da cidade resolvi ir para Vancouver, onde fiquei de novembro de 2015 a março de 2016.” Durante a estadia, a professora ficou um mês em uma casa de família, o que é muito comum nos intercâmbios. Ela relembra a hospitalidade dos pais estrangeiros e conta que logo que chegou começou a se habituar aos costumes locais. “Lá eles tiram os sapatos antes de entrar em casa, então eu comecei a praticar os costumes deles e também fazia isso.” Segundo a professora, tudo mudou após o intercâmbio, tanto
11 na área profissional como pessoal. Ela conta que. Ela relembra que fez novos amigos brasileiros, mexicanos e coreanos e destaca que na vida pessoal também houve mudanças. “Mudei meu jeito de pensar, tenho muita vontade de voltar, pelo lugar e pelas amizades que fiz. Foi uma experiência incrível,” afirma. Após os conhecimentos adquiridos na viagem conseguiu mais aulas e também se tornou mais independente. O estudante de engenharia ambiental André Almeida, 23, de Limeira, também vivenciou a experiência do intercâmbio ensino médio, mas não tinha um lugar específico. “Quando entrei na faculdade vi que as chances eram maiores e fui atrás de tudo que era preciso.” INTERCÂMBIO VOLUNTÁRIO om o objetivo acadêmico Almeida ficou seis meses na Espanha, fazendo cursos relacionados à sua área e também de espanhol pela Universidad de Jaén. O intercâmbio realizado de janeiro a julho de 2016 despertou ainda mais no jovem a vontade de conhecer o mundo e outras culturas. Após a viagem, o jovem conheceu o Aiesac, um programa de intercâmbio voluntário em parceria com a ONU (Organização das Nações Unidas) que visa formar lideranças jovens para atuar em comunidades do mundo todo. O estudante não teve dúvidas: se uniu à organização e já se prepara para o próximo intercâmbio, que será em dezembro deste ano. “Vou para o México para ensinar educação para crianças carentes da comunidade, mas tenho amigos que irão para o Egito trabalhar o empoderamento feminino ou impulsionar a cultura local para o mundo, quebrando preconceitos.” Para ele, o intercâmbio além da troca de cultura e conhecimento, trouxe a possibilidade de transformar a vida das pessoas a partir de projetos sociais. Mais
que o desejo de viajar e conhecer novos lugares, o intercâmbio assume para ele uma missão: buscar a paz mundial. Para quem está pensando ou planejando
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Jovens investem em intercâmbio
fazer intercâmbio ele deixa uma mensagem: “Não pense duas vezes. Vá atrás dos seus sonhos, acredite e faça acontecer. Você é o único limitante para isso”, disse.
Quando o amor se torna obsessão Vítimas relatam experiência em relacionamentos com parceiros violentos e o que fizeram para superá-los
Agressões fisicas e verbais podem ser sinal de relacionamento abusivo LUANA MARCELINO
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telefone 180 da Secretaria de Políticas em Apoio às Mulheres atende uma média diária de cerca de 3 mil denúncias referentes a agressões. Quando se fala em relacionamento abusivo, logo se imagina a cena de uma mulher sendo agredida. No entanto os homens também sofrem, mesmo que em menor proporção. Isso ocorreu com R. G. S., 45, motorista de Guaíra. Ele se sentiu obrigado a chamar a polícia e pedir uma medida protetiva para que a ex-esposa não se aproximasse dele. Segundo ele, os ciúmes eram exagerados. Ela era controladora e agressiva. “Ela é muito ciumenta, controlava os horários que eu voltava do
trabalho. Até que em meio a uma discussão ela me agrediu, com tapas, socos e empurrões”, disse R. G. S. Existem dois tipos de relacionamento abusivo. Aqueles em que ocorrem as agressões físicas e aqueles em que essas agressões são psicológicas. Em ambas a vítima sofre muito. Porém a que atinge a mente pode durar mais tempo, porque para a pessoa identificar leva um tempo maior. Um exemplo disso é a história da advogada M. C., 25, de Guaíra, que sofreu em um relacionamento abusivo pressões psicológicas e percebeu após um ano de namoro. Ela se sentia culpada por tudo o que acontecia. “Ele dizia que eu era problemática, que tudo era culpa minha e brigávamos muito. Com isso me sentia muito mal e acreditava no
que ele me dizia. Até que terminamos depois de um ano”, falou M. C. Mas além de afetar a vítima, o agressor também pode atingir entes da família como, por exemplo, os próprios filhos. Porque eles acabam presenciando brigas e agressões que as mães sofrem. Fato que aconteceu com a professora Thereza Cristina de Jesus, 42, do Rio de Janeiro. “Eu apanhava por tudo, por ter conversado com uma amiga. Até que um dia ele me agrediu muito, quase me matou e meu filho presenciou. Hoje ele é hiperativo por causa disso, faz um tratamento psicológico e fonoaudiológico. Me separei depois de dez anos entre idas e vindas”, contou Thereza. Muitas vítimas saem desse tipo de relacionamento neces-
Foto: Luana Marcelino
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13 Ciúme, sentimento de posse, agressões verbais e físicas, além de outras condutas violentas, podem ser sinal de que a relação é abusiva. Pessoas nessa situação devem procurar ajuda e sair da relação, afirma a Aurora Santa Manzano, 52, de Ribeirão Preto. Leia, abaixo, trecho de entrevista concedida à Revista da Barão. Revista da Barão - O que é um relacionamento abusivo? Aurora Santa Manzano - É difícil definir quando um relacionamento é abusivo, porém os principais indicativos de uma
sitando de tratamentos para as doenças que desenvolveram como, por exemplo, a síndrome do pânico e a depressão. Esse foi o caso da dona de casa T. D. C., 30, de Santa Cruz da Esperança. “ Ele sempre me agredia, mas uma noite o vi usando maconha na frente dos nossos filhos, pedi para parar e ele me agrediu. Eu estava com a nossa caçula no colo, corri para a vizinha e meus outros dois filhos ficaram lá. Esperei amanhecer e ele sair. Aí peguei meus filhos e fui embora. Fiz o boletim de ocorrência e hoje moro em outra cidade, mas sinto muita vergonha e medo. Acabei desenvolvendo a síndrome do pânico e não saio de casa, me sinto um nada”, disse T. D. C.
pessoa abusiva são ciúme exagerado e sentimento de posse. Também controle das decisões e ações do parceiro. Querer isolar o parceiro até mesmo do convívtio com amigos e familiares. Ser violento verbalmente ou fisicamente e pressionar ou obrigar o parceiro a ter relações sexuais. Então podemos dizer que relacionamento abusivo se trata de relações baseadas no abuso emocional, verbal, físico e sexual. Como identificar que estou dentro de um relacionamento assim? Você pode identificar que está em um relacionamento abusivo se tem sido criticada constantemente pelo companheiro, sente-se tensa, triste, angustiada, temerosa, rejeitada, ignorada, pouco importante, sem controle de sua vida, obrigada a se mostrar feliz. Quando você deixa seus gostos e interesses de lado para evitar brigas é porque sua relação não anda nada bem e você tem medo de se expressar. Quando não concorda com o que o companheiro diz você pode ouvir coisas como: “você é louca”, “isso é coisa da sua cabeça” ou “você está fazendo drama à toa”. Isto é abuso emocional, e a pessoa chega até a questionar sua própria compreensão da realidade. Fique atenta se você começou a se sentir diminuída, feia, burra e percebe que sua autoestima é destruída por ele o tempo todo. Sente medo, algumas vezes, de como seu parceiro irá agir. Muitas pessoas acreditam que quem está em um relacionamento abusivo está porque quer”. Entretanto, muitas vítimas não conseguem sair dessa situação. Por que será que isso acontece? A Pesquisa Data Senado mostra que 30% das mulheres disseram não confiar nas leis e nas medidas formuladas para protegê-las da violência.
Somado a tudo isso, a nossa sociedade persiste na cultura de culpar as vítimas. É comprovado pelas pesquisas que 99% das pessoas que procuram por atendimentos relatam cansaço extremo e desgaste na relação, porém, ainda questionam se esse abuso teria sido por culpa delas ou se o parceiro de fato é assim. Questionam também seus papéis sociais, e a visão dos outros: “o que vão achar” e se acharão que o erro foi delas. Acreditam inicialmente na mudança desse parceiro. As vítimas, principalmente da violência física e abuso sexual, quando relatam a possibilidade de denunciar o parceiro, sentem medo diante de um processo que ainda é juridicamente longo. Portanto, a dificuldade em sair de um relacionamento abusivo pode passar por questões econômicas, emocionais e afetivas, legais e burocráticas. Embora as dificuldades estejam presentes é essencial que a pessoa busque ajuda psicológica especializada e conte com o apoio, seja de amigos, familiares, colegas ou grupos específicos.
Onde buscar ajuda?
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apoio familiar, dos amigos e conhecidos é essencial, pois no momento em que a vítima vem principalmente de uma relação desgastada, rompida, é importante criar laços sociais, que a façam sentir segura, ouvida e acolhida. Infelizmente no Brasil há muito pouco onde buscar ajuda, mais algumas mulheres se organizaram em redes sociais pela internet e algumas campanhas também tem ajudado. Além disso, existe o disque-denúncias que é o 180. As ligações são gratuitas em qualquer lugar do país.
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Carlos Hebrique de Oliveira Salvador trabalha em um novo móvel
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a ideia de fazer uma cerca para a horta da casa, surgiu a construção de móveis com paletes. Carlos Henrique de Oliveira Salvador, operador de torno em uma empresa de Jaboticabal, resolveu plantar algumas hortaliças, para isso ele precisava de um espaço cercado, no qual o seu cachorro não estragasse a plantação. Foi feita uma cerca com palete para a horta. Durante a construção, Salvador conversou com sua tia e teve a ideia de começar a produzir móveis com aquele estrado de madeira, o palete. O operador diz que a ideia surgiu no início deste ano, quando começou a construir a cerca para uma horta. Foi então que, pesquisando na internet, viu que era possível a construção de vários objetos para casa com a madeira. “Eu sempre gostei de trabalhos manuais, de mexer com artesanato. O palete, além de me ajudar financeiramente, com a venda dos móveis, é uma espécie de terapia”, disse Salvador. Sabendo mais ou menos o que iria fazer com o palete, ele criou uma página no Facebook, a “Ecopalete Art”, na qual são publicados exemplos de móveis que podem ser feitos com a madeira e também para facilitar a comu-
nicação com as pessoas, já pensando em fornecer informações e orçamentos. Foi por meio da página que a bióloga de formação e empresária Juliana Marino, também de Jaboticabal, conheceu o trabalho do Salvador. Ela encomendou uma cama de palete. “Eu gosto bastante dessa parte de reciclagem, de reaproveitamento de materiais, e quando vi essa ideia, eu quis mandar fazer a cama. Um outro fator que me levou a comparar o móvel foi a questão do estilo. Eu gosto de coisas mais rústicas para decoração, e o palete se encaixou perfeitamente.” SUSTENTABILIDADE uito tem se falado em sustentabilidade, mas o que isso significa? Segundo a ONG WWF-Brasil, sustentabilidade "é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro". Uma das formas de desenvolvimento sustentável é o uso do palete como objeto de decoração. O palete é um estrado de madeira que é utilizado por empresas no manuseio, na locomoção e no armazenamento de cargas pesadas.
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Do lixo ao luxo O palete deixou de ser um simples pedaço de madeira para virar objeto de decoração Com o tempo, o palete vai ficando gasto e as empresas o descartam, normalmente viram entulhos que acabam prejudicando o meio ambiente e quem vive nele. Porém, o palete está ganhando novas funções e destaque nos objetos de decoração e na transformação de móveis. A arquiteta e urbanista Mariana Célico, de Jaboticabal, destaca que a madeira pode ser transformada em qualquer objeto, como mesas de centro, mesas de jantar, com a combinação de um vidro, estantes, racks e até mesmo um jardim compondo o paisagismo. “A decoração tende a ser mais rústica, por conta do material, mas além de lixar e envernizar, que faz parte do processo contra pragas, fungos e bactérias, pode ser feito alteração de cor, transformando em algo um pouco mais sofisticado. Tudo depende da função do ambiente que receberá o palete e do que o profissional pensa em propor para o seu cliente”, disse Mariana. A arquiteta destaca outros cuidados: saber sobre o tratamento do palete, se foi um tratamento térmico (HT) ou se foi um tratamento químico (DB). Para saber quais dos processos foram utilizados, a madeira vem marcada com a sigla indicando qual processo foi utilizado.
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Ameaças aos ouvidos Falta de higienização de fones pode provocar infecções e levar à surdez ADAILSON NASCIMENTO
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uitos acreditam que os fones de ouvido prejudicam a audição somente quando utilizados no último volume. Porém, uma pesquisa feita pela faculdade de biomedicina de Dervy Metrocamp, em Campinas, mostra que um fone de ouvido sem higienização também gera graves problemas auditivos e pode acumular cerca de 10 mil fungos e bactérias, causando sérias infecções, coceiras, micoses e, o pior de tudo, a perda de audição. De acordo com a bióloga e professora Rosana Siqueira, 40, a pesquisa avaliou por três meses 40 fones, sendo 30 auriculares (que ficam dentro da cavidade da orelha) e 10 headphones (os que se encaixam na cabeça), todos pertencentes a jovens e adultos. Nas amostras de cada aparelho foi encontrado candida, um fungo responsável por gerar infecção no conduto auditivo externo, que gera coceira e secreção no ouvido do usuário. Segundo os pesquisadores, por ficar em contato mais com a parte externa da orelha o headphone apresenta uma quantidade menor de bactérias, o que o torna mais seguro com relação aos demais modelos. VÍTIMA estudante Bruna Nascimento, 17, de Cravinhos, passou por sérios problemas auriculares no início de 2016. Após constantes dores e realização de exames, foi constatada a infecção por bactérias. “Desde os 13 anos utilizava fones boa parte do dia para ouvir músicas, assistir vídeos e conversar com minhas amigas. Ao descobrir a infecção, eu e minha
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Fotos: Adailson Nascimento família ficamos assustados”, diz. USO PESSOAL e acordo com a otorrinolaringologista Márcia Campos, 38, de Ribeirão Preto, o compartilhamento de fones não é recomendado, pois o risco de pegar uma infecção se torna mais propício. “A predisposição de uma pessoa é diferente da outra, assim como a flora auditiva, por isso sempre recomendamos o uso individual do aparelho”, disse. A adolescente Bruna diz seguir corretamente as orientações. “Tinha o costume de compartilhar meus fones no intervalo da escola, e descobri que isso é errado. Hoje, diminuí o tempo de utilização do aparelho e priorizo a higienização.”
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HIGIENE BENÉFICA higienização deve ser feita antes e depois do uso, ou, no mínimo uma vez por semana, como indica o site TecMundo.
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Higienização inadequada pode danificar o aparelho Os fones auriculares geralmente possuem uma parte de proteção removível. Ela deve ser retirada e limpa com algodão e álcool. Sem a proteção, a parte que fica em contato com a orelha deve ser gentilmente escovada com uma escova de dente para soltar as sujeiras acumuladas. Em seguida, o usuário deve aplicar álcool em um cotonete ou algodão para limpar o aparelho e os fios. Para que os contatos eletrônicos do aparelho não sejam danificados, é recomendada a utilização de álcool isopropílico. Álcool comum, sabão e água não devem ser utilizados.
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Vitamina D, pra que e por quê? Exposição ao sol ou consumo da substância na forma de pílulas ou gotas ajuda na prevenção de várias doenças, entre elas o câncer
GABRIELLA MANZANO
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uando se fala em vitamina D, você pensa em quê? A maioria das pessoas irá responder: “penso em sol”, com toda certeza. O pensamento não está errado, mas o que muitos não sabem é que essa vitamina pode ser obtida por outras fontes além do sol. Mas vamos por partes. O que, na realidade, é a vitamina D? É provável que durante os anos escolares você aprendeu que a vitamina D é essencial na formação dos ossos e dentes. Mas isso deverá ser reformulado, acrescentando uma longa lista de benefícios descobertos recentemente, que revelam que a substância faz muito mais pelo organismo do que se imaginava. Segundo a endocrinologista Laryssa Andrade, de Ribeirão Preto, a vitamina reduz o risco de câncer, reduz o risco de AVC, aumenta a hipertrofia, auxilia no processo de emagrecimento. É fundamental em doenças au-
toimunes assim como em psoríase, artrite, reumatoide, lúpus, esclerose múltipla. Além de ser muito importante para pacientes que tem Alzheimer, mal de Parkson, fibromialgia, além de estar associada a uma vida mais longa. “Por ser tão importante, receito a vitamina D em cápsulas para meus pacientes sempre quando há necessidade”, afirma a médica. Hoje no Brasil a suplementação se torna necessária, já que alimentos ricos em vitamina D como peixes, frutos do mar e cogumelos não são rotineiros na nossa cultura alimentar. E mesmo se fossem, não seriam totalmente úteis, já que a concentração é pequena e seria suficiente para fornecer apenas 20% das necessidades diárias. Mas moramos em um país tropical, o sol é intenso na maior parte do ano. Por que ainda assim temos deficiência dessa vitamina?, você deve estar se perguntando.
A enorme deficiência se deve principalmente à pouca exposição ao sol que as pessoas têm atualmente. Com os constantes alertas sobre os buracos na camada de ozônio e atenção ao câncer de pele, o medo do sol tornou-se maior de uns anos para cá. Em pesquisas de rua feitas em Ribeirão Preto, de cada 10 pessoas 8 passam protetor solar ou fogem do sol mesmo quando estão na praia ou piscina. “Quando eu era jovem ficava horas no sol, mas agora com 45 anos já morro de medo de pegar um câncer de pele, não tomo mais sol de jeito nenhum”, diz a secretária Janete Siqueira. Já o aposentado Emilio Silva prefere o sol da manhã e sempre passa protetor solar, além de suplementar com a vitamina. “A gente vê muito na televisão os perigos do sol, por isso eu sempre passo protetor solar quando saio de casa, além de tomar minhas cápsulas amarelinhas da vitamina”.
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Foto: Gabriella Manzano
Sol: vilão ou mocinho?
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medo do sol é plausível diante de tantos alertas, porém ele é necessário, e pode ser aceito em pequenas quantidades e em horários específicos como afirma a médica Laryssa Andrade. O sol é o principal estimulo para a produção de vitamina D no corpo. “Vinte minutos de roupa banho sem protetor gera grade quantidade da vitamina no corpo. O estimulo que o sol dá é potente e basta cinco a 10 minutos de exposição entre ás 10h da manhã há 16h da tarde.” Mas por que preciso tomar sol ou suplementar com vitamina D? Há várias doenças que podem ser desencadeadas a partir do défict da vitamina, dentre elas aumento da pressão arterial, osteoporose, diabetes, obesidade, depressão, esclerose múltipla, câncer de
próstata, ovário e mamas, doenças renais, hepáticas, além de alergias de pele, gengiva e asma. Só por ajudar no controle da diabetes e da obesidade, fatores de risco para doenças cardíacas, a vitamina já poderia ser chamada de amiga do coração. No entanto, descobriu-se que ela combate também a hipertensão, bloqueando a ação de uma enzima envolvida na elevação da pressão arterial. “Por isso, pode ser dada como coadjuvante no tratamento da doença, se for comprovado seu déficit”, afirma Aluízio Carvalho, professor de nefrologia da Unifesp. Além desse fator, na Unifesp, mais de 800 portadores de esclerose múltipla estão recebendo doses do composto, sob responsabilidade do neurologista Cícero Galli Coimbra. “São doentes com déficit comprovado e resistência genética à vitamina”, afirma o médico. “É uma terapia eficiente, que precisa ser divulgada”, diz
Coimbra, criador do Instituto de Autoimunidade, voltado a esse tipo de tratamento. Fora do país já há pesquisas e estudos avançados com resultados positivos relacionados com a vitamina D e câncer na Universidade da Carolina do Norte (EUA). Há suspeita de que a vitamina regule genes ligados aos tumores de próstata e pesquisas mostrando doses deficientes em mulheres com câncer de mama. Um estudo mostrou que o aumento de sua quantidade poderia impedir aproximadamente 58 mil novos casos de tumor de mama e 49 mil novos casos de câncer de próstata a cada ano. Só há benefícios quando se trata de manter os níveis de vitamina D regulados. A coleta para saber se há deficiência da vitamina no corpo é feita por exame de sangue. No SUS, o procedimento é gratuito e os convênios médicos particulares em geral costumam cobrir o exame também.
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Alimento sem risco Cresce oferta de produtos para pessoas intolerantes à lactose
O leite e seus derivados não são digeridos pelo organismo intolerante por causa da falta de uma enzima RENAN ROSA
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magine você levando uma vida normal. Poder ir para festas, comer de tudo um pouco sem se preocupar em ter que saber se na receita vai leite. Pode participar de rodízios de pizza, comer todos os docinhos da festa e vários pedaços de bolos e de repente, tudo isso é interrompido do nada por conta de uma dor que surgiu depois de comer algo. Primeiro você pode pensar que é apenas uma indigestão, e que apenas um remédio pode ajudar. Mas, eis que a dor vira calafrios, dor de barriga com sintomas de cólicas, vômitos e diarreia. Você corre para o pronto-socorro e descobre que pode
estar sofrendo de intolerância a algum tipo de alimento, e após uma bateria de exames é descoberto que o real problema das dores é a intolerância à lactose. Foi exatamente assim que Priscilla Figueiredo, 25, e Alessandra Volpin, 29, descobriram que entraram para o grupo dos brasileiros que sofrem da doença. Para quem não sabe, a intolerância à lactose é a dificuldade do organismo em digerir produtos lácteos, que nada mais é que leite e seus derivados, como queijo, por exemplo. Isso acontece quando o organismo não produz lactase, que é uma enzima digestiva, gerando a dificuldade em digerir a lactose, ocasionando os sintomas anteriores citados. Com isso, todo cuidado é pou-
co na hora de se alimentar. ROTINA
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ara a Priscilla, que durante o dia trabalha como estagiária em uma empresa que fica dentro de um shopping de Ribeirão Preto, o mais difícil em comer fora de casa, é ter que ficar selecionando o que pode ou não comer, porque quase todos os alimentos oferecidos são derivados do leite. “Quando vou comprar algo, procuro perguntar qual a procedência do alimento, do que ele é feito”, diz. Nos restaurantes e barzinhos, o cuidado também é muito, já que eles não oferecem comidas sem lactose, “Eu procuro comer mais coisas naturais. Uma salada ou
19 Fotos: Renan Rosa
Os sintomas provocados pela ingestão dos alimentos com lactose são dores de barriga e vômitos
carne, sem nenhum tipo de creme, se tem purê de batata eu também não posso, porque vai leite”. Além da dificuldade de comer fora de casa, ela também tem dificuldades em comprar alimentos na hora e fazer a despesa do mês. Os mercados têm disponibilizado mais opções de produtos para os intolerantes, porém, o preço acaba dificultando na hora da compra. “A diferença de preço é bem gritante. Um produto sem lactose ás vezes custa o dobro do que um produto normal”, afirma. Alessandra também sentiu na pele as dificuldades de uma pessoa intolerante. Ela descobriu a doença depois de sentir dores de estomago e ter ataques no fígado toda vez que tomava leite e comia pão no café da manhã. Ao ir ao médico, ela descobriu a intolerância depois de fazer o exame. No caso dela, a intolerância é hereditária, já que o pai dela também sofre do mesmo problema. A rotina dela foi bastante afetada com a descoberta. E sua alimen-
tação precisou ficar mais rigorosa. Ela é secretária em um escritório medico e almoça fora todos os dias por conta da casa dela ficar muito longe da clínica. Mesmo com várias comidas mais saudáveis, ela também enfrenta a barreira de achar comida sem lactose. “As variedades que tem são bem simples, não tem por exemplo, uma lasanha com algo que substitua o creme de leite ou o queijo. As variedades que tem em grande parte, são apenas as saladas mesmo”, diz. Ela também relata que tanto perto do serviço, quanto longe, não tem restaurantes com produtos sem lactose, enfrentando a mesma barreira que a Priscilla na hora de alimentar. “Eu como quase todos os dias as mesmas coisas, evito molhos e sobremesas por saber que tem leite na receita”. Ela evita comprar produtos sem lactose em supermercados pela falta de opções e também pelo preço que é alto. Em lojas especializadas ela consegue achar
preços mais em conta. “Nos supermercados o preço em relação aos produtos normais, chega até R$ 5,00”, afirma. Mas por conta da rotina bastante apertada, ela acaba cortando o máximo de produtos com lactose. “Eu não tenho tempo de ir em supermercado e ficar olhando produto por produto e nem paciência, por isso, já prefiro cortar isso da lista de compras, ajudando assim, atém mesmo no meu financeiro”. Como dica para as pessoas que também tem a intelorância, elas deixam bem claro. “Não é impossível se alimentar fora de casa, mas é só ter cuidado que no final, acabamos até esquecendo da intelorância. Basta comer coisas mais naturais e mais saudaveis”, conclui Priscilla. “Não é impossível se alimentar fora de casa, basta tomar cuidado, escolher alimentos mais naturais. A gente até acaba esquecendo que tem a lactóse e fica a vontade”, conclui Alessandra.
  Foto Liliane Nicolau
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Vale tudo pela beleza?   Bårbara Rivera fez e aprova o procedimento
21 Até que ponto você iria para se sentir bela? LILIANE NICOLAU
Imagem: Divulgação
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egundo dados de 2014 da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (Isaps, na sigla em inglês), o Brasil é o segundo país no ranking mundial em cirurgias plásticas – mais de 1,3 milhão de operações foram realizadas naquele ano, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Entre os procedimentos estéticos mais realizados está a Bichectomia, uma cirurgia plástica onde são retiradas duas bolsas de gorduras presentes em cada lado da boca, entre o maxilar e a mandíbula. A retirada pode ser total ou parcial. Essas bolsas de gordura estão presentes no corpo, não importa se a pessoa está ou não acima do peso. A finalidade da Bichectomia é puramente estética. Conhecidas também como “bolas de Bichat”, o procedimento diminui as bochechas e afina o rosto conforme os desejos da paciente. Por ser um procedimento simples, e com duração média de uma hora, cada vez mais pessoas estão aderindo a este procedimento estético. Algumas personalidades como Jennifer Aniston, Jennifer Lopez, Kim Kardashian e Madonna, já passaram pela intervenção. Após ouvir sobre a Bichectomia, ver divulgações na internet e procurar por conselhos de especialistas, a Miss São Paulo Gay, Barbara Rivera, afinou o rosto e aprovou o procedimento. “Amei! O resultado é rápido. Um procedimento simples, não muito agressivo e os resultados foram na hora”, relata Barbara. Em 2014, foram realizadas cerca de 10 bichectomias por mês. Já em 2016 o numero chegou a 30 cirurgias por mês. Cada procedimento custa em média R$ 10 mil. Vivendo em um ambiente onde
Demonstração de como ocorre a bichectomia
existe os padrões de beleza a Miss São Paulo Gay, sentiu a necessidade de buscar esse ideal. “A busca pela perfeição, por participar e disputar um concurso de beleza, saber que hoje varias pessoas procuram por recurso estético para chegar a perfeição. Isso me levou a decisão de fazer a bichectomia, a necessidade de estar perfeita”. Barbara Rivera acrescenta que conheceu a cirurgia pelas redes sociais. “Também vi pelo Instagram dos médicos. Isso era muito compartilhado, então vi, gostei, entrei em contato e foi excelente.” O PROCEDIMENTO obre o procedimento, em si, Barbara conta não ter sentido dores e que a recuperação foi fácil. “Não me impediu de fazer nada, continuei meu trabalho normalmente, comendo normalmente. Só no primeiro dia que comi uma sopinha mais leve.” Mesmo com facilidades e por ser um procedimento simples, especialistas alertam para os cuidados e que as pessoas busquem por profissionais credenciados. “O ideal é que seja realizado em ambiente cirúrgico e por um cirurgião plástico”, diz Rafael
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Hayaxibara Sturaro, especialista em reabilitação de Odontologia de Ribeirão Preto. Ainda de acordo com o especialista, toda cirurgia oferece riscos, mesmo que seja classificada como simples. O profissional deve deixar o paciente ciente de todas as possibilidades de complicações. “Porém hoje em dia está ocorrendo a massificação dessa cirurgia realizada principalmente por dentistas, sem as indicações adequadas que pode acarretar em consequências futuras, uma vez que a presença de gordura na face tem papel muito importante no processo de envelhecimento facial”, acrescenta o médico. Para quem esta pensando em se submeter ao procedimento da Bichectomia, os resultados variam de acordo com a reação de cada organismo, mas em 3 meses ele pode ser visível. Isso ocorre quando a musculatura da face fica totalmente reposicionada. De acordo com Rafael Hayaxibara, o tempo de recuperação é de uma semana e o perfil mais indicado para esta cirurgia é claro. “As pessoas com rosto mais cheio são as consideradas ideais a esse procedimento”, conclui.
Foto Laura Bucci
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Princípio de incêndio pode ser iniciado com bitucas de cigarro
Cresce o número de incêndios criminosos Provocados por ação humana, baixa umidade do ar e tempo seco contribuem para a propagação do fogo LAURA BUCCI
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á 400 milhões de anos, quando o fogo foi descoberto, foi uma evolução da humanidade. Os homens começaram a utilizá-lo de maneira produtiva, ajudando a caminhar rumo à civilização. Provavelmente, foi observando
as árvores atingidas por raios que o homem primitivo descobriu o fogo. Porém, não era algo que se dominava. Lentamente foi descoberto que do atrito de pedras ou madeira se produziam faíscas e, daí, chamas. Esse avanço permitiu que os primatas começassem a usufruir do fogo na alimentação, para
construir ferramentas e a se defender de predadores. Mas o que antes era usado como proteção hoje pode ser considerado um perigo à humanidade. O uso indiscriminado do fogo e a destruição dos recursos naturais levam a humanidade à ruína. O homem passou a destruir seu habitat por questões
23 de interesse próprio ou até sem interesse algum. Uma queimada sem controle causa sérios danos à fauna e à flora. Ela reduz a cobertura vegetal do solo, diminuindo sua fertilidade e compromete a qualidade do ar. No meio rural, o uso do fogo é uma prática muito comum, utilizada para limpeza da terra, renovação, aumento de capacidade produtiva e redução de pragas. Muitos produtores rurais decidem como, onde e quando queimar. Ocorre que a queima nas áreas rurais só é permitida no período noturno e desde que seja autorizada pelos órgãos ambientais. Aquela história de que o tempo seco colabora no aumento dessas queimas é verdade, mas não dá para esquecer que grande parte desses fogos são criminosos. Acabar com a biodiversidade vem sendo uma atividade comum hoje em dia. São danos irreparáveis no equilíbrio ecológico. De acordo com dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), durante a semana de 28 de agosto a 1° de setembro de 2017 foram 30 focos de incêndio em Ribeirão Preto. Do dia 1° ao dia 5 de setembro foram registrados 34. Isso porque os satélites do Inpe só identificam incêndios de grandes proporções. Segundo dados da Polícia Ambiental, de janeiro deste ano até 31 de agosto foram 2.463 casos de incêndio na cidade, com 1.800 ha (hectares) de mata queimada. Atingindo mais de 14 mil ha de cana, sendo que cada hectare corresponde aproximadamente um campo de futebol. O tenente Diogo Araújo, da Polícia Ambiental de Ribeirão Preto, afirma que os prejuízos causados são enormes, tanto na parte do cultivo de cana quanto no caso dos biomas, dos animais e de toda a flora atingida. O autor desses incêndios criminosos poderá responder judicialmente por tal fato. Mas não é só quem provoca o fogo que pode ser responsabilizado. O dono da área
também pode responder, caso não tome as medidas de segurança necessárias. “Se o proprietário não tomou as devidas cautelas para que esse fogo tivesse sido de menor tamanho, provocasse menos danos, se os aceiros não estavam limpos, estavam menores do que a lei prevê ou não houve um combate. Mesmo ele não colocando o fogo, o proprietário poderá ser responsabilizado, devido à sua omissão pela sua responsabilidade na propriedade”, afirma o tenente. A partir do momento que a polícia recolhe as informações e consegue identificar quem foi o autor do fogo criminoso, será aplicada uma multa. Caso esse autor não seja identificado, o que acontece na maioria dos casos, será feito um levantamento de informações a respeito da ocorrência no local. Entretanto, se essa atividade ilegal for pega em flagrante pela polícia, o suspeito será encaminhado a uma delegacia e responderá pelo crime. Ao atingir uma mata ou vegetação, será considerado crime ambiental. Agora, caso o fogo atinja o canavial, será julgado como crime ao patrimônio particular. “O autuado pode ser preso, vai depender das circunstâncias da ocorrência que for naquele momento. Fica a cargo do delegado avaliar, podendo o indivíduo ficar preso ou responder em liberdade. A fiança também vai depender do caso.” Caso seja avistado um indivíduo em atitude suspeita, a polícia pede que seja feita uma denúncia, podendo, inclusive, ser anônima. A partir daí serão tomada as devidas cautelas para poderem realizar seu trabalho e, então, tentar evitar que essas pessoas prejudiquem a vegetação e as pessoas. O TEMPO SECO oltando um pouco a falar sobre o tempo seco, que propicia o surgimento e a propagação dos incêndios criminosos ou não, a baixa umidade
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do ar e a poluição das queimadas prejudicam muito a saúde das pessoas. A população deve se conscientizar e evitar jogar pontas de cigarro às margens de rodovias, não colocar fogo em lixo e não realizar queimadas de autoria própria, entre outras medidas. Segundo o clínico geral Walther de Oliveira Campos Filho, de Ribeirão Preto, a época da colheita da cana atravessa praticamente todo o inverno, que é a estação mais seca do ano. Com isso, a baixa umidade facilita ainda mais a ocorrência de queimadas. “Associadas à reduzida umidade do ar, as baixas temperaturas próprias da estação, por si, já desencadeiam maior número de problemas respiratórios em toda a população, com especial aumento da gravidade quando se trata dos extremos da idade”, afirma o médico. Diante aos fatos, Campos explica que as queimadas, principalmente próximas aos centros urbanos, como ocorre nas regiões produtoras de cana-de-açúcar, como é o caso de Ribeirão Preto, projetam para o meio ambiente toneladas de resíduos tóxicos que, por sua vez, atingem as cidades extensivamente, sendo inalados por grande parte da população – desencadeando, assim, problemas respiratórios a um número expressivo de pessoas. “Esse processo traz ameaça à integridade do meio ambiente, grandes custos financeiros, além do custo social pelo desencadear ou exacerbar de doenças respiratórias, muitas vezes de difícil controle, limitando a qualidade de vida das pessoas.”
Serviço Em caso de incêndios contatar: Corpo de Bombeiros - 193 Polícia Ambiental: (16) 3996-0450
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Ser parte de uma religião de matriz africana requer desafios e uma vida dedicada ao culto dos orixás
ANTÔNIO GERMANO
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candomblé é a religião de Maria Bethânia, Gilberto Gil e de outros grandes nomes brasileiros. Mas o que poucas pessoas sabem, é que dentro dos terreiros são cultuadas as manifestações da natureza como o ar, fogo, água e terra, que são representados pelos orixás como a Iansã, Oxalá e Ogum, três dos deuses que fazem parte da história da religião de matriz africana. Luciano Carlos Raminele é pai de santo, chamado de babalorisa, na cidade de Franca. Descendente da Casa de Oxumaré, a primeira casa instalada e instaurada pelos negros africanos, nasceu em Ribeirão Preto e foi iniciado na religião quando era criança, em 1980. “Passei pelos processos de
aprendizagem da cultura, dança, ritos litúrgicos que é praticado dentro do Candomblé”, disse o babalorisa. Filho do orixá Oxaguian e Iansã, ele é pai do Ilê Asé Aketu Oguian Ofururu, que completará 30 anos no ano que vem. “Eu tenho 37 anos de dedicação ao Candomblé. Percebi qual era a minha missão na terra em 1988. Fundei em Franca a minha casa, em uma cidade que não tinha nenhum terreiro”. A INICIAÇÃO Para se iniciar em um terreiro, é necessário passar pelo jogo de búzios, que é chamado de meredinlogun, para descobrir o orixá que responde na cabeça e nos caminhos que a pessoa tem. São 16 tipos de odus, que se intercalam. “Temos 256 tipos de
NA PAZ DE OXALÁ caídas que fazem combinações entre elas. Assim, podemos chegar ao entendimento do que é o caminho ou destino daquela pessoa. Não existe nenhum processo de intuição, é apenas matemático”, afirmou. Após descobrir o orixá que rege os destinos do iniciante, ele é preparado para os atos litúrgicos e religiosos que o recolhimento inclui, que são rituais próprios do candomblé, sem contato com a vida lá fora. “Essa pessoa é levada para a preparação do iniciante, para que possa ficar recolhido em um período de tempo dentro do terreiro, dentro de um quarto, sem contato nenhum com o mundo externo e aprendendo os xirês, que são as cantigas e as danças, entre outras situações que é necessário passar”, disse.
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Fotos: Antônio Germano
A fé move montanhas
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costureira Maria Aparecida, de Sertãozinho, frequentava todos os domingos as reuniões do Salão do Reino das Testemunhas de Jeová. Após 18 anos, uma outra forma de praticar a fé entrou na vida dela, o candomblé. “Primeiro jogamos no búzio para descobrir de quem somos filhos e definimos os nossos orixás. Após a definição, ficamos recolhidos dentro de um quarto e passamos por diversas situações, como a de tomar banhos gelados e comer em certas horas do dia, realizando orações e agradecendo pela comida”, declarou a costureira. Ela detalha que sofreu problemas de saúde, físicos e espirituais, que define como perturbações, caminhos fechados, falta de rumo e desespero para encontrar soluções ao longo dos anos. O filho dela, que é um estudante de 18 anos, sofria com um tratamento após sofrer uma serie de convulsões e desmaios. Ela encontrou na religião de matriz africana um amparo e uma força para ela e o filho, que estão no mesmo terreiro há três anos.
“O candomblé me curou e curou o meu filho. Hoje ele não é mais dependente de remédios e acreditamos fielmente no poder dos orixás sobre as nossas vidas. Somos outras pessoas e dedicamos parte das nossas vidas aos orixás e à minha mãe de santo, cumprindo o nosso dever dentro do ilê axé, comparecendo nas funções”. Já Joselda José, 56, de Ribeirão Preto, identifica no candomblé um contato mais íntimo, mas, afirma, não precisa seguir uma mãe de santo. Ela retirou o útero há 32 anos, porém, sofreu uma grave infecção e entrou em coma três vezes. Na primeira vez, ficou nove dias em coma e, nas outras duas seguintes, dez dias. Já debilitada, sem expressão e sem vida, ela enfrentou uma grande jornada espiritual e reveladora, ao ter contato com o orixá que a rege enquanto estava desacordada com as maquinas do hospital a mantendo viva. “Me levantei do meu corpo espiritualmente e fui visitar a minha família. Cheguei em casa e vi a minha irmã e o meu irmão encaixotando as minhas coisas e chorando, dizendo que eu não voltaria. Com a força do meu pensamento, decidi que iria voltar e viver e que não seria nenhum comedor de feijão que
falaria para mim que eu não iria voltar.” Segundo Joselda, ela atravessou a parede do hospital e caminhou até uma cachoeira enquanto permanecia desacordada. “Atrás da cachoeira havia dois negros lindos. Eu pedi licença para eles e continuei, mais para frente havia outro negro, que olhava para mim com uma expressão serena. Senti uma paz imensa. Logo ele me chamou e disse que iria me curar. Colocando as mãos sobre a minha barriga e retirando vários pedaços de linhas, cacos, enquanto eu sentia muita dor.” Ela conta que aquele que a curou se chama Ogum Xoroque, um orixá do candomblé. “Ele olhou para mim e disse que eu poderia ir. Mas antes me disse: ‘toda sua casa é minha casa e toda minha casa é sua, mas eu e você não temos casa nenhuma’. Então eu despertei no hospital”. Hoje, a ajudante de serviços gerais se tornou kardecista, mas possui uma conexão especial com o orixá, após passar por diversos terreiros. “Passei por muitos lugares, como a quimbanda, umbanda e candomblé. É muito raro o Xoroke ter uma filha mulher, mas tudo que eu vivo é com ele e por ele. Eu não me desligo dele e ele não se desliga de mim.”
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Intolerância Religiosa
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egundo os dados da Secretaria dos Diretos Humanos, entre janeiro e setembro de 2016 foram registradas 300 denúncias de intolerância religiosa pelo canal Disque 100. Um aumento de 105% comparado com 2015. As religiões de matriz africana são as que mais sofrem com os crimes. Em 2015, uma garota de 11 anos foi vítima de um ataque violento no Rio de Janeiro, que ganhou destaque na mídia. Ela e a família estavam vestidos com os trajes típicos do candomblé, roupas brancas e guias e foram surpreendidas com o crime. De acordo com o sociólogo Wlaumir Donizete, professor do Centro Universitário Barão de Mauá, intolerância é um fruto da ausência de um conhecimento das outras crenças e pela falsa ideia de que certa religião é certa e a outra é errada. “A construção do outro como erro ou mesmo o demoníaco é feita de forma reiterada pelo discurso excludente, que gera
violência disfarçada de amor, que constrange a conversão ao religioso dominante”, afirmou. Renata de Souza, 29, secretária em Sertãozinho, sofreu preconceito dentro de casa. “Quando eles me viram toda vestida de branco e souberam da minha opção religiosa, surtaram. Começaram a dizer que eu ia para o inferno e que ‘Deus condenava’. Mas eu fui forte e bati o meu pé. Porque eu respeito que a minha família seja evangélica e eu insisto no respeito que eles me devem”, disse a secretaria. Mas há quem não tenha sofrido problemas dentro da família.
A estudante de Ribeirão Preto Vânia Maria, 27, nasceu na religião, mas iniciou-se no candomblé aos 18 anos de idade, no ano de 2008. “Eu e a minha mãe somos da religião, diferente do meu pai, que apesar de não ser, respeita muito a gente. A família da minha mãe é da Congregação Cristã e também sempre tiveram muito respeito”, afirma a estudante.
Vânia Maria é filha de Oya (Iansã), a deusa das tempestades e dos raios