revista nº. 4 set./2017
produzida por alunos do 7º semestre do curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá
barão de mauá
Ribeirão Preto – SP
O CÉU É O LIMITE IDADE NÃO É MAIS OBSTÁCULO PARA A PRÁTICA DE ESPORTES, PELO MENOS PARA A APOSENTADA THEREZINHA MARTUCCI, DE JABOTICABAL, QUE CORRE DIARIAMENTE E SALTA DE PARAQUEDAS
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Expediente A Revista Barão de Mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. Chanceler Prof. Dr. Nicolau Dinamarco Spinelli (in memorian) Reitora Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães Vice-Reitor Prof. João Alberto de Andrade Velloso Pró-Reitora de Ensino Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino Pró-Reitora de Pós-Graduação, Extensão e Iniciação Científica Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli Pró-Reitor de Educação a Distância Prof. Dr. Dyjalma Antonio Bassoli Pró-Reitor Administrativo Antonio Augusto Abbari Dinamarco Coordenador do curso de Jornalismo Prof. Dr. Sebastião Geraldo Reportagem, fotojornalismo e diagramação Alunos do curso de Jornalismo
Professores responsáveis Edição, coordenação e revisão de textos Prof. Me. José Antonio Bonato Projeto gráfico e edição de arte Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira Edição de fotografia Prof. Me. Jefferson Barcellos
Os textos desta página, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.
Missão cumprida Chega às mãos dos nossos leitores mais uma edição da Revista Barão de Mauá, produzida pelos alunos do sétimo semestre do curso de Jornalismo. Aqui busca-se uma linguagem que não seja a dos jornais diários, e sim textos próximos dos literários, em que a subjetividade deixe suas marcas no que faz. Os futuros profissionais trabalharam bastante para oferecer boas histórias ao distinto público. Histórias que emocionam, como a da idosa que, aos 81 anos, segue firme na prática esportiva. Histórias curiosas, como a da mulher que contribuiu para a revelação de Vera Fischer, consagrada pela beleza e pelo talento artístico. E narrativas outras e variadas não faltam ao longo das páginas: textos de serviço, boas práticas para a comunidade, como a manutenção de áreas públicas abandonadas, e o potencial turístico de cidades da região de Ribeirão Preto e do sul de Minas. Moda e beleza, cuidados com a saúde, são temas também que não faltam nesta edição. A julgar pelo resultado, os alunos cumpriram bem seu papel de informar a comunidade com o compromisso da verdade e da qualidade. Cabe agora aos leitores fazer seu julgamento. Boa leitura!
Foto: Gabriela Maulim
Sumário
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Sem medo da idade ...................................4 Do posto para as passarelas .....................6 Quente e com estilo...................................8 Do anonimato aos holofotes ................... 10 Quem são e o que comem? .......................11
Qual a relação entre Maria de Lourdes e Vera Fischer?
Pág. 10
Foto: Guilherme Galdino
Mudança de hábito .................................. 14 Ansiedade: um monstro que ninguém vê, mas mora ao lado ............... 16 Doação ilimitada ..................................... 17 Herança do sol nascente ......................... 18 Cordel solidário ...................................... 20 Terror nas telas ...................................... 22 Dificuldades na hora da entrevista de emprego ............................23 Microempreendedor por ocasião ............ 24 Mercado pet sobressai à crise econômica.. 26 De malas prontas ................................... 28
Paulo Vieira Neto e a superação pelo esporte adaptado Pág. 30 Foto: Marina Oliveira
Superação no esporte adaptado .............30 Índios e dinossauros ............................... 31 Escola cidadã ...........................................32 O rei das placas ....................................... 33 Parques em situação oposta ...................34 Paraíso mineiro .......................................36 Cachoeiras estão entre as belezas naturais de Capitólio Pág. 30
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Sem medo da idade Therezinha Martucci, de 81 anos, corre dez quilômetros por dia, salta de paraquedas e contraria previsão de médicos de que estava condenada a passar o resto da vida numa cadeira de rodas
PEDRO GOMES RENATA SANTOS
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atação, musculação, corrida, visitas a necessitados, atletismo. Essas e tantas outras atividades tornam Therezinha Nazario Martucci, de 81 anos, uma das idosas mais saudáveis da região de Ribeirão Preto. A aposentada diz que tudo o que faz, independentemente do que for, é por amor. Sua última aventura foi saltar de paraquedas, em maio. “Eu não tenho dificuldades. Com dor ou sem, procuro esquecer tudo que possa me atrapalhar. Todas as minhas atitudes são feitas por amor e por minha fé. Fiquei dois anos sem andar. Os médicos falavam que eu nunca mais sairia da cadeira de rodas, mas nunca desisti. Além das atividades físicas, ajudo na recuperação de alcoólatras, faço visitas a doentes e até toco violão nas horas de lazer”, diz Therezinha. A aposentada de Jaboticabal tem o fôlego de uma menina. A
mulher afirma que, por dia, são no mínimo dez quilômetros de corrida e que disputa todas as maratonas possíveis. Com 26 anos de carreira no atletismo, Therezinha já competiu sete maratonas de 42 quilômetros e 21 meias maratonas de 21 quilômetros. Os destaques vão para as quatro São Silvestres que a aposentada participou, ficando à frente de milhares de competidores. O salto de paraquedas na cidade de Boituva, no interior de São Paulo, pela primeira vez, foi o último grande desafio da idosa. Ela conta detalhes de sua experiência. “Minha vida não para. Saltei e andei de avião pela primeira vez. A experiência foi algo maravilhoso, a melhor coisa que já senti, sem dúvidas. Parece que eu estava voando”, fala Therezinha. Therezinha fala que, sem medo, já planeja sua próxima
aventura. “Eu estava planejando o primeiro salto havia mais de dez anos e, agora, depois de muito tempo, conseguimos realizar esse feito com a ajuda da minha neta e de parceiros. Naquele momento eu não pensei em nada, apenas aproveitei a oportunidade”, conta. Por fim, Therezinha fala que em sua cidade já é conhecida por todos e que as pessoas a param na rua para perguntar sobre sua coragem e como consegue ser uma pessoa tão ativa. “É muito emocionante, pois enquanto eu tiver forças para me exercitar, continuarei. Espero que a minha história motive mais pessoas a se arriscarem em busca de seus sonhos.” SAÚDE FÍSICA egundo o personal trainer Bruno Buzalo, a atividade física é essencial para qualquer faixa etária, mas normalmente a partir dos 40
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Fotos: Caio Martucci
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anos o indivíduo entra em um estado clínico chamado sarcopenia, em que ocorre a degeneração da musculatura, perda de força mais a queda da produção hormonal. “A partir do esporte, da prática de atividade física, ou de atividades diferenciadas de preferência orientada, o indivíduo pode fazer uma manutenção desse quadro, não o deixando avançar. Pode fazer com que esses problemas venham mais tarde ou, ainda melhor, tenha efeitos reduzidos de forma que não venha a se sentir limitado no futuro.” Buzalo diz que é imprescindível que antes do início das atividades a pessoa faça uma avaliação física, pois somente assim o profissional responsável poderá fazer uma periodização para manipular e controlar as variáveis de treinamento. Therezinha no preparo do salto
MODA
Foto: Agência Joy Model
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Do posto para as passarelas Kadu Soares desfilou na SPFW 2017 pela grife LAB, do rapper Emicida TAINA MANNA
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oreno alto, bonito e sensual, Kadu Soares trocou um trabalho num posto de combustíveis em Ribeirão Preto pelas passarelas de moda mais disputadas do país. O belo tem raízes no Jardim Irajá, na zona sul da cidade. O rapaz deixou de abastecer os carros para encher os olhos das admiradoras trabalhando como modelo para grandes marcas da indústria da moda. Criado pela avó, Kadu diz que nunca teve o sonho de trabalhar no mundo da moda. Seu sonho de menino era ser jogador de futebol. O rapaz jogou muitas peladas nas ruas do bairro. “Eu fui uma criança muito feliz em Ribeirão. Sempre sonhei ser jogador de futebol. Eu jogava desde os seis anos de idade”, diz. Conseguir destaque no concorrido mundo do futebol se tornou algo muito difícil. O gato decidiu ir em busca de
outro tipo de trabalho e conseguiu uma vaga de frentista em um posto de combustível. “Era uma rede pequena, tinha só três postos em toda cidade”, conta. Entre abastecimentos e calibragem de pneus, o porte atlético e o charme nunca passaram despercebidos pelas motoristas que frequentavam o local. “Perguntei para a cliente se ela queria trocar o óleo ou completar a água. Ela disse: ‘meu carro está bem. Quem precisa desses cuidados sou eu’. Fiquei sem jeito e falei: ‘Ôoooo trem! ’ – para descontrair, e saí rapidinho dando muita risada.” A beleza que atraía as clientes também chamou atenção de um amigo, fotógrafo, que se propôs a incentivá-lo. “Ele fez uma foto minha e começou a dizer: ‘você tem perfil de modelo’. Ele me levou até uma agência em Ribeirão e logo depois fui apresentado para a Joy Model, de São Paulo. Acabei sendo aprovado e desde então não parei mais de trabalhar”, afirma.
Fotos: Agência Joy Model
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Entrando em um novo mundo, com o qual nunca tinha tido contato ou intimidade, o moreno passou por grandes mudanças – a primeira delas foi deixar a casa e a família no interior para se mudar para a capital. “Quando eu disse que me mudaria para São Paulo, minha família ficou receosa, mas me apoiou. Tenho 13 tios, e os tenho como irmãos pelo fato de ter sido criado pelos meus avós. Eles entenderam a mudança, mas, no fundo, tinham uma insegurança. Tive o apoio de todos, como sempre.” A rotina foi outro grande desafio para o new face – termo usado pelos profissionais do mundo da moda para as novas apostas. Com vários testes para escolha do casting de campanhas e desfiles, ele precisava estar atento aos nomes da moda e sentir confiança para conquistar os trabalhos. “No começo eu ralei bastante. Não sabia o nome dos profissionais de moda. Não imaginava o quão grande é esse mercado. A maior dificuldade foi no início, na fase de conhecer os clientes. Levei algum tempo até me sentir seguro.”
Mesmo com a falta de intimidade com as grifes e as tendências, o moreno não se deixou abalar e revela que sempre foi preocupado com a aparência, embora roupas caras e sofisticadas não fizessem parte da sua rotina. O próprio futebol ajudou o modelo a manter a forma e a conquistar a barriga de tanquinho tão cobiçada. “Eu sempre me cuidei, sou um cara vaidoso. Meu armário já era cheio de perfumes e hidratantes. Eu só não me importava muito com as roupas. Era adepto de bermuda com chinelo, era meu look preferido.” No currículo, o gato coleciona campanhas para Riachuelo, C&A, Triton, Levi’s e Calvin Klein. No entanto, a estreia na passarela de moda mais importante do país aconteceu no dia 18 de março. A São Paulo Fashion Week teve um valor especial para o modelo, já que a família toda ficou empolgada com o desfile. APOIO
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Todos ficaram nostálgicos, me mandando mensagens e me dese-
jando sorte. Muitos queriam vir assistir ao desfile. Fiquei sem ação. Me senti muito querido pelas pessoas. Não consigo explicar, somente agradecer pelo carinho.” Para o sensualíssimo, o trabalho entre fotógrafos, produtores, maquiadores, designers e outros modelos como ele supera todas as expectativas. “Quando comecei a fazer os trabalhos com moda, fui pegando gosto e senti que isso me fazia tão feliz quanto o futebol. Tenho recebido muitas mensagens de motivação e de agradecimento por ter inspirado outras pessoas. Acredito que esse é o grande retorno que a vida me ofereceu: poder mostrar que, quando se acredita, somos capazes de tudo.” Aos outros jovens gatos que sonham em conquistar um espaço no mercado, o modelo deixa um recado. “É necessário acreditar em você. Se você sente, se você gosta, se isso mexe com você, então faça o possível para realizar seu sonho. Prove a si mesmo que você fez o seu melhor.”
Foto: Bárbara Pedro
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Moda chokers: complementa os looks mais básicos e dá um toque fashion nas produções mais sofisticadas
Quente e com estilo Gargantilhas, tênis branco com vestido e estampas floridas vão dar o tom da moda primavera-verão BÁRBARA PEDRO
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cada temporada do ano a moda vem com tudo e o que aparece sempre vira tendência. A estação mais colorida é a primavera-verão, afinal, vem cheia de cores, estampas, texturas, estilos e modelagem para todos os gostos. Babados, maxicalças, tênis branco e metálico, texturas metalizadas, chokers (gargantilhas), slides, meia arrastão, ombro a ombro, bodys, estampa de flamingo e as famosas pantalonas serão o hit da próxima estação. Nos dias quentes, vale optar
por tecidos leves e cores mais vibrantes. Os coletes também fazem parte das peças mais usadas: longos ou curtos, garantem uma sobreposição bem bacana. E, claro, a combinação entre vestido e tênis continua forte. CORES No verão, as cores claras continuarão em alta e vão trazer mais sofisticação e modernidade aos looks. O azul tiffany, o rosa quartzo, os tons terrosos e os tons preto, branco, cinza, nude, verde, vermelho, rose e outros tons de rosa são cores indispensáveis e muito usadas em todas as estações.
ESTAMPAS Não é preciso ter receio de abusar das peças de estampas com flores, listras, chevron, grafismos e geométricas. As bold flowers (floral) também são tendência para 2017. As estampas aparecem com flores mais extravagantes e coloridas. SAPATOS Os modelos que prometem fazer grande sucesso são os tênis, pois continuam em alta. Além de deixar o look despojado, são confortáveis. Os slides, as sandálias com saltos grossos, as anabelas com cores fortes e alegres e os mules também esta-
9 rão bem populares no momento, cheios de estilo para a sua produção ganhar muito destaque.
DICAS A estudante de moda Slana
Bovo Minto, 20, de Dumont, deu dica de como se vestir bem gastando pouco. “A dica é garimpar em brechós e bazares. E o mais importante: não ter preguiça de procurar”, disse. Já a estudante de moda Paula Camargo, 23, de Ribeirão Preto, diz que a dica é apostar sempre nas lojas fast fashion. “Sempre tem os achados com preço bacana e peças estilosas. Também tem a opção dos brechozinhos, que estão crescendo com preços bons e muitas opções legais”, disse.
Foto: Bárbara Pedro
ACESSÓRIOS Os acessórios também marcam a presença da mulherada, deixando-as mais fashions. As bolsas, por exemplo, são peças fundamentais para fechar qualquer estilo com mais produção, seja de alça grossa ou tamanho médio/ pequeno. Os brincos grandes, chokers e as bolsas sacos continuam como acessórios queridinhos da primavera-verão 2017.
MAQUIAGEM Essa estação quente pede uma beleza mais colorida, porém leve. O foco está no bronze e no iluminador, sem dúvidas usar e abusar. Os tons pastel de rosa, azul, metalizado, laranja e marrom estarão em alta. O blush deve ser bem suave na cor bege ou rosa mais claro para dar um ar natural em pele clara. Nas peles morenas o ideal seria um tom dourado ou alaranjado.
As roupas listradas são uma das peças chaves do verão 2017
Foto: Gabriela Maulim
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Maria de Lourdes em seu apartamento, em Ribeirão Preto
Do anonimato aos holofotes GABRIELA MAULIM
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udo começou no município de Blumenau (SC), quando Vera Fischer entrou no concurso de beleza para concorrer ao título de mulher mais bonita da cidade. A aposentada Maria de Lourdes da Silva, que mora em Ribeirão, fazia parte da comissão de Miss Blumenau e conheceu Vera por meio do concurso. Como naquela época não podia haver interferência da comissão em relação às misses, Maria de Lourdes pode instruir pouco a futura Miss Brasil 69. Após ter conquistado o título de miss Blumenau no mesmo ano que se tornaria a mulher mais bela do país, Vera Fischer foi para a segunda etapa dos concursos de beleza para se tornar a miss Santa Catarina. “Nesta época, eu também não pude fazer muita coisa por
ela, pois era um concurso estadual no qual eu fazia parte”, afirma Maria de Lourdes. O título de Miss Santa Catarina a levou para concorrer o Miss Brasil 69, o qual a tornaria uma das atrizes de novelas mais conhecidas do Brasil. “Foi nesse momento que comecei a levá-la para estudar, saber desfilar, a se arrumar, a ter postura e, principalmente, algo que eu acho que toda pessoa deve ser, pontual com seus compromissos. Além disso, também ajudei a montar todo o figurino do concurso, inclusive o vestido principal, que era de Guilherme Guimarães e patrocinado pela Artex. Foi dessa forma que eu a instrui para conquistar o título”, diz Maria de Lourdes. As lembranças são muitas e
Ex-gerente dos Diários Associados e hoje moradora de Ribeirão Preto, Maria de Lourdes da Silva transformou Vera Fischer em estrela Maria de Lourdes as recorda como se tivessem acontecido ontem. “Naquela época, após ela ter ganhado o concurso de Miss Brasil, ela foi concorrer ao Miss Universo e, como eu era gerente dos Diários Associados de Santa Catarina e não podia realizar as viagens com a Vera, coloquei minha irmã, Elenita, para ajudá-la”, conta. A experiência rendeu emocionantes histórias e uma amizade que permanece até hoje. Atualmente Maria de Lourdes se dedica aos filhos, netos e bisnetos, mas Vera Fischer carrega todo o ensinamento que obteve por meio de dos concursos e continua sendo uma mulher elegante, bonita e repleta de glamour. Além disso, Elenita, que foi escolhida para levar Vera nas viagens do Miss Universo, continua sendo amiga e secretária da atriz.
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Quem são e o que comem?
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er vegetariano vai muito além de paladar ou da simples ideia de não comer carne, como a maioria das pessoas pensa, afirma empresária de Batatais Miraní Bertanha, 32, vegetariana há nove anos. A moça não cresceu em casa de vegetarianos e nem veganos, mas conheceu o movimento ainda na adolescência e, na universidade, conheceu sua estrutura. “Nos tornamos vegetarianos porque passamos a olhar a vida como um bem precioso e não queremos mais que animais morram para termos comida”, afirma. A empresária diz que sua opção alimentar não significa intolerância em relação a não vegetarianos. “Não critico quem não pensa assim, o vegetarianismo ou o veganismo é fruto de um processo muito individual de cada pessoa. Cada um sabe o que quer para si”, afirma. A FILOSOFIA prática do vegetarianismo se popularizou na década de 1960 através do movimento hippie, influenciada pela cultura indiana, alcançando grande destaque e aceitação na cultura norte-americana. Os jovens da época divulgavam a preservação do meio ambiente e respeito à natureza e aos animais, lutando pelo fim da guerra, do uso de armas e do consumo de carne. Existem quatro classificações de vegetarianos: o ovolactovegetarianismo (consomem ovos, leite e laticínios), lactovegetarianismo (integram apenas leite e laticínios na alimentação),
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Vegetarianos e veganos tem sido o assunto do momento há algum tempo. O assunto trás curiosidades à tona bem como inúmeras críticas dos que não conhecem o assunto LETÍCIA AGOSTINHO
Foto reprodução: Facebook
Andrea e seu namorado, Pedro, comemorando a dieta vegana sobre a “Operação Carne Fraca”
ovovegetarianismo (introduzem apenas ovos em seu cardápio) e vegetarianismo estrito, o famoso veganismo (não utilizam nenhum produto de origem animal na sua alimentação). VEGANISMO egundo o site “Seja Vegano”, as pessoas que adotam o veganismo como estilo de vida comem muito bem e de forma variada, ao contrário do que muitos pensam. Quem confirma isso é a engenheira ambiental de Ribeirão Preto Andréa Bombonato. “Pessoas que não costumam ter uma variabilidade alimentar não se atentam à quantidade de opções que é possível encontrar em um supermercado qualquer. Frutas, verduras, legumes, grãos e castanhas são todos excelentes fontes dos nutrientes que preci-
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samos consumir.” Andréa é a criadora e editora da Revista VegRibeirão, cuja proposta é levar informação acessível e de qualidade ao público de modo geral, seja ele vegano, vegetariano, aos que estão em transição alimentar e até mesmo aos que não aderiram a esse estilo de vida, para tentar quebrar os paradigmas sobre as supostas dificuldades deste tipo de alimentação. INTRODUÇÃO AO ESTILO DE VIDA ndréa nasceu em família vegetariana, por isso nunca comeu nenhum tipo de carne durante a vida. “A questão sempre foi tratada com muita naturalidade, tendo como principal motivo o amor e respeito aos animais. Em 2005 assisti ao documentário “A carne é fraca”, do Instituto Nina
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12 Rosa e me deparei com uma realidade que até então não tinha tomado conhecimento: a de que a indústria de leite e ovos era tão ou mais cruel que a indústria da carne”, afirma. O processo de transição de Andrea para a alimentação vegana durou seis anos, no qual foram excluídos os poucos alimentos que possuíam leite e ovos em sua composição. Ainda segundo Andrea, depois de assistir à palestra do ativista Gary Yourofsky, com o título “A melhor palestra que você irá ouvir na sua vida”, resolveu fez a transição definitiva da retirada de alimentos derivados de animais. Miraní ainda está em transição, mas a considera difícil por morar no interior, já que a variedade de produtos acaba sendo pequena. “Nesse sentido, o que escolhi fazer é não ter nada que tenha derivado de animal dentro da minha casa. Não compro mais leite, ovos e leio todos os rótulos dos produtos que compro. Fazer mercado ficou bem mais demorado”, afirmou. DIETAS CARNÍVORAS ara ambas, o respeito a quem não é adepto desse tipo de alimentação é essencial, já que nem todas as pessoas têm a mesma evolução espiritual para entender essa escolha. O mesmo se encaixa a quem ainda está em processo de transição alimentar, visto que cada um tem seu tempo.
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APRENDIZADO ara Miraní, o maior aprendizado é perceber que o ser humano não é o centro do mundo e sim parte dele, por isso a necessidade da busca pela harmonia com os outros seres viventes através da alimentação. “A coisificação da vida é o que me pauta nessa escolha. Para mim, acreditar que os animais existem para nos dar alimento é muito antropocêntrico.”
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Além disso, é necessário aprender a conviver com as críticas e olhares tortos de quem não entende a filosofia. “Gostaria de dizer que ser vegetariano é normal. Não temos nada de especial. Está tudo bem. Além disso, queria dizer que todos podemos concordar ou discordar, mas o respeito e a sororidade são o princípio de qualquer conversa. Sobriedade é cada vez mais uma virtude nesse mundo raivoso e doente que vivemos.”
Foto: LetĂcia Agostinho
MiranĂ preparando crepe vegano
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Foto: Henrique Félix
Mudança de hábito Estudante de direito de Ribeirão Preto desiste de cirurgia bariátrica e, com reeducação alimentar, perde 30 quilos; dieta saudável evita doenças LORENA COSTA
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alimentação é uma grande aliada para viver bem. Segundo a nutricionista Solange Esteves, professora de nutrição do Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, uma alimentação saudável previne várias doenças, como as cardiovasculares e diabetes tipo 2. Mas será que as pessoas têm se preocupado com as escolhas dos alimentos que vão ingerir? Quem tem preocupação com a saúde não pode se esquecer de caprichar nessa hora. Mas essa não tem sido a regra. A maioria das pessoas, devido à correria do dia a dia, opta por consumir alimentos industrializados, com conservantes, aromatizantes, agrotóxico etc. Mas a matéria-prima para o organismo funcionar adequadamente são os nutrientes, que infelizmente estão sendo esquecidos na alimentação moderna.
A alimentação saudável não é só salada com peito de frango grelhado. Existe uma combinação deliciosa de alimentos. Basta estar aberto para conhecer mais sobre eles e ter vontade de fazer uma mudança de comportamento alimentar. Mas qual será o grande segredo para a mudança da alimentação? Para Solange, o primeiro passo é a pessoa querer. “Não tem que ser imposto. A vontade dela é mais importante. Isso ajuda na reeducação alimentar.” A nutricionista ainda afirma que não é difícil perder peso sem fazer dietas malucas. “É simples: a pessoa tem que aprender a comer. Ter uma dieta equilibrada, incluindo todos os tipos de alimentos e evitar frituras, excesso de gordura animal, doces e refrigerantes.” O atual estilo de vida da maioria das pessoas consiste em uma rotina intensa de atividades profissionais, neces-
sitando de opções práticas para se alimentar. Alimentar-se bem tem sido uma preocupação constante na rotina de muitas pessoas. Seja para obter um estilo de vida mais saudável, seja para perder peso, melhorar a saúde ou simplesmente satisfazer uma necessidade fisiológica: comer é sempre bom. O estudante de jornalismo Luiz Bombonato, 22 anos, de Ribeirão Preto, mudou há oito meses não só a alimentação, mas também a rotina. Ele diz que, no começo, era uma questão mais estética do que de saúde. “Na época, estava com peso a mais, precisava lidar com as gozações da galera na escola, mas hoje posso dizer que não é estética, e sim uma questão de saúde.” Bombonato perdeu três quilos desde que mudou a alimentação. Pode não parecer muito, mas ele já sente uma grande diferença. “Ainda faltam mais dois quilos.
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EXEMPLO lana Capuzzo estudante de direito, 22 anos, de Ribeirão Preto, diz com muito orgulho: “Eu sou uma nova pessoa”. Há dois anos ela também reeducou a alimentação e mudou de vida. Em 2014, Alana chegou a pesar 120 quilos. Foi aí que ela deu início ao acompanhamento para realizar uma cirurgia bariátrica. No entanto, para fazer a cirurgia precisou perder peso. De setembro a dezembro, ela conseguiu emagrecer dez quilos e então cancelou a cirurgia um dia antes. “O procedimento estava marcado para o dia 15 de janeiro de 2016. Falei para mim mesma: vou emagrecer e desmarquei a cirurgia. Agora eu tenho que criar vergonha na cara e conseguir o que eu quero sozinha. Eu senti a responsabilidade em cima de mim.” Hoje a estudante pesa 90 quilos. Ela faz acompanhamento com um nutricionista, que é muito importante, e tem uma meta: o peso que ela considera ideal. “Eu não quero emagrecer para ficar magrela. Sempre achei mais bonito a mulher no estilo gordinha. Devagarzinho, com o tempo, eu estou em processo de mudança comigo mesma”, afirma.
Alana segue a própria dieta. “Cortei refrigerante, bebida alcoólica e frituras. O doce, para mim, continua sendo o mais difícil, porque eu amo chocolate.” Pelo menos duas vezes por semana a estudante faz crossfit e drenagem linfática. Todos os dias no café da manhã ela toma suco detox. As mudanças também apareceram no guarda-roupa. O manequim 58 deu espaço ao 46, e a tarefa de comprar roupas passou de difícil a divertida. “Eu só tive uma calça jeans dos meus 17 até os 21 anos, porque minha numeração era muito
difícil achar. Quando eu encontrava eram R$ 200 uma calça simples, então eu usei a mesma calça a vida inteira. Agora, com manequim 46, meu prazer é poder comprar uma calça jeans. Isso é muito satisfatório para mim.” Hoje a jovem vê a vida com outros olhos. Ela sente-se renovada e orgulhosa do que já conseguiu. “Eu sou uma pessoa nova. Ainda não cheguei ao meu objetivo que são os 80 quilos, mas já sou outra pessoa e estou muito feliz com isso. Não importa o que eu emagreci, o importante é que eu fiz a mudança de hábito.” Foto: Arquivo Pessoal
Minha meta é perder cinco, mas independentemente de qualquer coisa, eu sou muito feliz agora.” Adquirir uma alimentação saudável requer quantidades certas, sem exageros e também sem exclusões, rotina de horários e alimentos que forneçam ao corpo proteínas, carboidratos, gorduras, fibras, cálcio, vitaminas e outros minerais. “A alimentação saudável é composta de todos os nutrientes e, para obtê-los, precisamos de diferentes alimentos diariamente, ou seja, uma alimentação variada composta de frutas, legumes, tubérculos, cereais, folhas, carnes, ovos e leite e derivados”, afirma a nutricionista.
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Do manequim 58 ao 46: meta de Alana é chegar aos 80 quilos
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Ansiedade: um monstro que ninguém vê, mas mora ao lado foto: Tanja Heffner
LETÍCIA LONGO
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que vem na sua cabeça quando falamos de ansiedade? Muitos não sabem explicar o que é exatamente o transtorno de ansiedade. Confundem a ansiedade como um simples fato de “estar ansiosa para uma entrevista de emprego “, mas na verdade a ansiedade vai muito mais além do que se imagina. Um sentimento que aparece de mansinho e devasta aos poucos caso não seja controlado. A psicólogaTatiana Forlenza explica o que é esse transtorno: “a ansiedade é uma resposta fisiológica a situações de estresse em função da liberação de adrenalina no organismo”. Cinthia Ribeiro,18, tinha uma vida agitada, estudava 24 horas
por dia e sempre tinha preocupações diárias: se iria entrar na faculdade e arrumar um bom emprego. “Eu sempre fui uma pessoa estressada, me cobrava demais e, com as provas chegando, eu só conseguia me sentir exausta. Eu queria estudar mais e não tinha forças. Faltava algo que eu não sabia o que era”, relata a jovem. As pessoas portadoras desse transtorno podem ser afetadas aos poucos, começando com o desempenho das funções do indivíduo e a sua qualidade de vida, afirma Tatiana. “Não existe apenas um transtorno, é muito mais complexo do que imaginamos. Existem vários outros bloqueios,
entre eles o medo, a fobia social, o pânico, o medo de locais abertos (agorafobia), os transtornos de ansiedade generalizados e o transtorno de estresse pôs traumático”, diz a psicóloga. São transtornos que interferem na vida do paciente e causam tamanho sofrimento e precisam de ajuda psicológica. Entre todos esses transtornos, a psicóloga relata que o pânico é o mais delicado, pois ele gera um intenso medo e desespero incontrolável da morte. “A contribuição da psicologia é fundamental para o tratamento dos transtornos de ansiedade, pois atua nas causas emocionais da doença, favorecendo a diminuição dos sintomas e da probabilidade de recaída”, afirma.
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Doação ilimitada Hospital de retaguarda sobrevive praticamente com a ajuda da comunidade FRANCIELLE GUIDETTI
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á confirmado como o único hospital de retaguarda de Ribeirão Preto, o Cantinho do Céu abriga pessoas com paralisia cerebral, algumas quando estavam na barriga da mãe, e outras quando adultas. Tudo começou com o amor e carinho que Sonia teve quando viu Elaine pela primeira vez, uma garota com cinco anos já com a paralisia cerebral. E foi através desse amor e carinho que se iniciou a entidade Cantinho do Céu. O objetivo principal é oferecer os cuidados necessários e indispensáveis a essas PCDs (Pessoas com Deficiências Múltiplas e Severas) enquanto seus pais ou familiares estivessem trabalhando. A paralisia cerebral é uma das desordens permanentes que afetam movimentos e posturas. Os sintomas ocorrem devido a um distúrbio que acontece durante o desenvolvimento do cérebro, na maioria das vezes antes do nascimento. A instituição foi fundada em 10 de setembro de 1983. Funcionava apenas em dois cômodos alugados por Sonia, e com três crianças. Com o passar do tempo foi necessário um espaço maior. Com a ajuda de amigos, conseguiu um terreno no bairro Vila Albertina, onde está até hoje. Neste ano o hospital faz 34 anos e abriga 60 crianças que não andam, não falam que não
têm capacidade nenhuma de viver sozinhas sem o monitoramento de pessoas. Elas não vivem muito tempo. O máximo que já chegou a sobreviver uma criança na instituição com a paralisia cerebral foi até aos 52 anos. Para Sonia, a força de vontade que elas têm de viver é imensa e é isso que as mantêm vivas. “Elas lutam para viver”, disse Sonia. ABANDONO hospital abriga crianças, adultos e adolescentes. A maioria deles é abandonada pela família. E são adotados financeiramente por voluntários que vão até o local cuidar, dar carinho, amor, além de ajudar com comidas, remédios e roupas. Sonia disse que, para conseguir manter o hospital, ela não pode contar com o governo, pois a renda é muito pouca. “Graças a Deus as pessoas nos ajudam com várias doações. Então fazemos alguns bingos e rifas para tentar arrecadar mais dinheiro porque o mais caro de tudo são os remédios”, afirma Sonia. E com isso algumas mães abandonam seus filhos, muitas vezes logo depois do parto. Elas os deixam nos hospitais. E nunca mais voltam, nem para saber para onde foi levado o recém-nascido abandonado.
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No Brasil existe uma carência de estudos que possam investigar especificamente a paralisia cerebral, segundo o site Minha Vida. Nos dias de hoje o hospital tem vários cadastros de voluntários, mas nem todos que se cadastram conseguem seguir com o trabalho, pois têm medo das crianças. Então dá para contar nos dedos aquelas pessoas que estão lá todos os dias ajudando com o que podem. Os voluntários não têm dia certo nem hora marcada para ir ajudar. Eles podem ir à hora que querem e podem. Sempre tem alguma coisa para ajudar e fazer pelo hospital. Uns ajudam a cuidar das crianças, outros a lavar, costurar, cozinhar e por aí vai. Para Daniela Sanches, 35, farmacêutica, é impossível explicar o prazer que é estar na instituição ajudando. Daniela é mãe de coração e financeiramente de André, abandonado quando criança no hospital. “Já faz 14 anos que minha vida mudou completamente. Quando cheguei aqui achava que as pessoas que eram voluntárias eram loucas e, com o tempo, fui me apegando e cada dia mais agradecendo a Deus por ter me dado essa oportunidade de ser uma pessoa melhor na vida. Estar aqui me fortalece a cada dia.”. Daniela é voluntária há 15 anos na instituição.
CULTURA Foto: Gislaine Fortunna/Divulgação
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Apresentação no palco principal
Herança do sol nascente Maioria dos imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil em 1908 veio para a região de Ribeirão Preto, cuja contribuição cultural pode ser vista no Festival Tanabata GUILHERME BARBOSA
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história da imigração japonesa no Brasil começou em 1908, quando o navio Kasato Maru desembarcou em Santos com 158 famílias, um total de 781 imigrantes. Desses, 551 foram para a região de Ribeirão Preto trabalhar nas lavouras de café, já que com o fim da escravidão os fazendeiros necessitavam de mão de obra. Entre os anos de 1908 e 1958, cerca de 210 mil japoneses vieram para o Brasil, dos quais aproximadamente 75% foram para o interior do Estado de São Paulo. Apesar disso, as condições de trabalho muito duras, o desconhecimento do idioma e as diferenças alimentares fizeram com que muitos japoneses fugissem
das plantações de café para outras regiões como o Cinturão Verde (na Grande São Paulo) e a cidade de Curitiba (PR), entre outras. Mesmo com as diversas dificuldades, os imigrantes conseguiram se estabelecer no Brasil e popularizar sua cultura. Em Ribeirão Preto, por exemplo, o Festival Tanabata, que foi introduzido no calendário oficial de eventos da cidade desde 1994, tenta trazer um pedaço do Japão para os ribeirão-pretanos. Depois de ser cancelado em 2016 por conta da crise econômica e pela falta de verba de patrocínio do Proac (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo), o evento, que atrai cerca de 60 mil pessoas, retorna em 2017 com sua 23ª edição. A celebração ocorrerá nos
dias 14 (sexta-feira), 15 (sábado) e 16 (domingo) de julho, no Morro do São Bento. O evento é aberto ao público, com entrada gratuita e uma excelente oportunidade de encontro com a tradição japonesa, sua culinária exótica, shows de dança, shows de taikô (tambores japoneses) músicas tradicionais, oficinas de ikebana, origami, bonsai, pipas, exposições de artes plásticas e uma variedade de objetos e produtos japoneses. LENDA ma antiga lenda oriental conta que o Festival Tanabata teve origem a partir de uma história de amor entre a linda princesa Orihime e Kengyu. Eles se apaixonaram profundamente e, a partir daí, a
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19 vida de ambos girava apenas em torno do amor, esquecendo completamente de suas obrigações. Os deuses, vendo a atitude dos dois, resolveram castigá-los e transformá-los em estrelas (Vega e Altair), separando-os em pontos distantes da Via Láctea. Para aliviar o sofrimento do casal apaixonado, foi concedido um encontro anual que ocorre no sétimo dia do sétimo mês do ano. Nesse período, o Festival Tanabata ou Festa das Estrelas, como também é conhecido, é comemorado. O evento tem como objetivo estreitar as relações entre a colônia japonesa e a comunidade em geral, ao mesmo tempo em que desperta e reforça o interesse da sociedade na formação e transferência do conhecimento desta cultura milenar. INFRAESTRUTURA estrutura conta com expositores distribuídos em três áreas distintas. Duas delas destinadas à alimentação e uma a produtos secos: objetos artesanais, decoração e serviços. Um palco montado na parte mais alta do Parque Municipal Morro do São Bento proporciona ao público maior visibilidade dos espetáculos. Toda a área que compreende o Parque Municipal Morro do São Bento, inclusive o espaço aéreo, é decorado com kussudamas (enfeite confeccionado com flores e fitas de papel colorido representando as estrelas Vega e Altair). Também são montados arcos verdes de bambu com enfeites que lembram cometas com cauda (referindo-se às estrelas da lenda), todos confeccionados pela comunidade japonesa e expositores durante os dois meses que antecedem a comemoração. Recentemente, o evento ganhou um segundo palco, montado na Praça Alto do São Bento e voltado para o público jovem. Lá, acontecem as apresentações do famoso concurso de cosplay (ato de se caracterizar com seu personagem favorito do uni-
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verso dos animes, ficção cientifica e fantasia). Também há o espaço Seinen Kai (espaço jovem), onde serão realizadas oficinas de furoshiki, kirigami, mangá, origami. CULINÁRIA s comidas típicas, com cada vez mais apaixonados, são uma boa pedida para quem visita o festival e conta com:
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Sashimi - Fatias finas de peixes ou de frutos do mar crus. Existem sashimis de polvo, lula, camarão, salmão, atum etc. Normalmente temperadas com shoyu e uma pequena porção de wassabi (raiz forte) que tem função bactericida. Sushi - Bolinhos de arroz temperados com vinagre e cobertos por uma fatia de peixe cru, misturados com algas ou frutos do mar. Dependendo do formato, recheio e modo de preparo recebem diversas denominações. Sushi (Hossomaki) - É o arroz e o recheio envoltos em alga marinha. “Hosso” quer dizer “fino” e “maki” significa “enrolado”, daí, “enrolado fino”. Conforme o recheio usado, o hossomaki leva um nome diferente: Tekamaki - de atum Kapamaki - de pepino Shakemaki - de salmão Sushi (Uramaki) - Arroz sobre folha de nori (alga), tiras de peixe ou outros ingredientes, enrolado de forma que o arroz fique na parte externa. “Ura” quer dizer “fora”. O “uramaki” normalmente vem com gergelim. Temaki - é o cone de alga recheado com arroz, peixe e pepino. O nome quer dizer “enrolado na mão” (Te = mão). Niguiri - bolinho de arroz em forma alongada coberto com fatias de peixe cru ou ainda polvo e camarões. Tempurá - Empanado frito de le-
gumes, carnes ou frutos do mar. O tempurá pode ser feito com vários tipos de peixes, moluscos e vegetais que são envolvidos por uma fina camada de massa e fritos em muito óleo quente. Yakisoba - Trata-se de uma variação de macarrão semifrito na chapa, servido com legumes e molho de shoyu. Costuma ser preparado também com carnes e frutos do mar. DANÇAS mais famosa é o Bon-odori, que antigamente era feita nos templos budistas e xintoístas, onde as pessoas fazem um grande círculo e dançam ao ritmo da música folclórica e do tambor japonês, para consolar os espíritos ancestrais. A leveza dos movimentos e as roupas típicas são as marcas registradas das danças tradicionais japonesas (mai ou odori), que surgiram na antiguidade como parte das cerimônias religiosas. Dançava-se, sobretudo, para pedir fartura na colheita aos deuses. Só no período Edo (1603-1867), com o desenvolvimento do teatro Kabuki, a dança ganhou expressão artística. As ruas e praças públicas ganharam grandiosos bailes.
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TAIKO ercussão tradicional japonesa milenar. A palavra tanto pode definir a música de percussão executada com tambores japoneses, como o instrumento em si. Coberto por uma superfície de membrana animal, o taiko pode ser encontrado em diversas formas e tamanhos. É usado normalmente em cerimônias religiosas, festividades e em academias de artes marciais. Usado atualmente em danças típicas das províncias do Japão, cada uma delas possui estilos diferentes de dançar e tocar os tambores. As coreografias dos grupos associadas às batidas dos tambores revelam as peculiaridades de cada região.
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Cordel
solidário Artistas ribeirãopretanos adaptam estilo literário popular do Nordeste às histórias em quadrinhos GIOVANNA ROMERO
Foto: Divulgação
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literatura de cordel são rimas populares muito conhecidas no nordeste do País por tratarem de assuntos corriqueiros na região. Com linguajar despreocupado, regionalizado e informal nos textos, essa modalidade de literatura nem sempre foi respeitada, mas hoje ganha espaço no País, com a criação da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Em Ribeirão Preto, dois desenhistas foram além: transformaram a literatura de cordel em histórias em quadrinhos. Arnaldo Junior, 56 anos, e Cordeiro de Sá, 44, são os idealizadores do álbum “Cospe Fogo!”. Para Arnaldo, a produção artística do álbum é feita a partir do conceito do cordel. “Nós visamos o tipo de texto e ilustração. Depois criamos as histórias, as rimas, os esboços e a arte final, que passa pelo processo de computação gráfica para aplicar textos e texturas.” Depois disso, o trabalho deve ser transformado em álbum. Os artistas conseguiram apoio financeiro para a impressão diretamente com público por meio do financiamento coletivo pelo site Catarse (www.catarse.me/ cospefogo), que promove a ajuda com recompensas. Os tipos de prêmios variavam
conforme o valor doado, que oscila de R$ 15 a R$ 500. Basicamente, todos os colaboradores ganharam um álbum. O produto, porém, se sofistica de acordo com a doação. “Sem depender de incentivos governamentais ou de grandes patrocinadores, divulgamos o projeto no site, com transparência, e os interessados puderam contribuir. As recompensas são os nomes nos créditos, envio a obra às casas e até desenhos originais assinados, gravuras e outras artes”, afirma Cordeiro. Participaram ainda do projeto os desenhistas Camilo Borges Junior e Renato Andrade, a jornalista Analídia Ferri e a pedagoga Andrea Rabello. O álbum é uma iniciativa do selo Ribeirão Preto em Quadrinhos (RPHQ) que, de acordo com o ilustrador
Cordeiro de Sá, “é um selo de quadrinhos alternativos, criado para juntar gente, dar espaço ao alternativo e provocar a reflexão sobre nossa cultura. Nesse sentido, tinha tudo a ver abrir espaço para esse projeto.” Completando cinco anos desde o lançamento da primeira publicação, em 2011, o RPHQ abre espaço para que escritores, ilustradores e roteiristas locais retratem cenários, casos e figuras da cidade, de forma documental ou fantasiosa, por meio de palestras, workshops e oficinas gratuitas. E o que era para ser apenas um encontro de amigos hoje se tornou um selo alternativo de quadrinhos – das quatro obras publicadas, três foram indicadas ao Troféu HQ Mix – o “Oscar” nacional dos quadrinhos.
21 Para os artistas ribeirão-pretanos, o trabalho do “Cospe Fogo!” ressalta o que o Brasil tem de melhor – sua cultura. “O legal e desafiador desse tipo de literatura é lidar com o realismo fantástico, a religiosidade e as questões sociais, tudo em
um imenso liquidificador literário e com figuras como dragões, sertanejos, justiceiros, donzelas, santos, milagreiros e demônios”, diz Arnaldo.
Como funciona o Catarse? Apoiadores: São amigos, familiares e interessados no projeto. Recompensas: É o que você oferece em troca dos apoios. Meta: O quanto você quer arrecadar no Catarse. Tempo: É o período que sua campanha estará aberta a receber apoios. - Há uma taxa para realização das campanhas. Você pode escolher entre dois modelos, com 13% sobre o total arrecadado. - Com o modelo “Tudo ou Nada” você só recebe o dinheiro se atingir a meta, com prazo de seis meses. - Com o modelo “Flex” você recebe o dinheiro arrecadado, mesmo não atingindo a meta de arrecadação, com prazo de doze meses. - Qualquer pessoa acima de 18 anos pode utilizar o site e realizar uma campanha de arrecadação.
Fotos: Divulgação
CINEMA
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Terror nas telas Foto: Divulgação
Filme ‘A Bruxa’ é o primeiro sucesso do produtor Lourenço Sant’Anna uma área remota do Canadá. Mas também, sem dúvidas, uma experiência incrível”, disse. Realizado pela produtora brasileira RT Features, o longa “A Bruxa” foge do terror clichê e apavora a mente – provavelmente o que conquistou a cena mundial. “O diretor criou esse mundo e dirigiu toda a equipe para alcançarmos esse resultado. Claro que é muito importante o fato de sermos a primeira produtora brasileira a receber os prêmios, e isso com certeza abrirá portas”, diz Lourenço. NOVA INGLATERRA ituado na Nova Inglaterra no ano de 1630, a história é narrada por Thomasin, irmã mais velha dos cinco filhos de família rígida e religiosa.
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Produtor de cinema ribeirão-pretano Loureço Sant’Anna
GABRIELA COUTO
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filme “A Bruxa”, do diretor Robert Eggers e produção executiva do ribeirão-pretano Lourenço Sant’Anna, ganhou destaque no cenário cinematográfico internacional. A obra mostra diferentes aspectos de um longa de terror – com suspense psicológico do início ao fim. Sant’Anna, 29 anos, começou a trabalhar com cinema em Florianópolis – estudou na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – e a paixão pela carreira vem conquistando espaço em muitas produções – já são 14 longas realizados
– o filme “A Bruxa” é um deles. Premiado pelo “melhor roteiro de estreia” e pelo “melhor filme de estreia” no Spirit Awadrs – considerado o “Oscar independente” – na Califórnia, o filme estreou em março do ano passado nos cinemas brasileiros. O terror se passa em uma fazenda no século 17, em que uma histeria religiosa toma conta da família de Thomasin, acusada pelo desaparecimento do irmão menor. Para Lourenço, a experiência foi complexa. “Foi difícil, desde o roteiro, que era escrito em inglês vitoriano do século 17, quanto em relação à produção, que foi em
Após serem banidos do povoado em que moravam, são obrigados a viver às margens de uma floresta em que, logo, começam a aparecer sinais de uma força sombria: animais tornam-se malévolos, a plantação morre e um dos filhos ainda bebê desaparece inexplicavelmente. E a culpa cai em Thomasin. Os atores Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson e Kate Dickie estão no elenco do longa que premiou Robert Eggers como “melhor diretor” no Sundance Festival, em 2015. E para o produtor ribeirão-pretano muito pode mudar daqui para frente. “A empresa vai ficando mais conhecida, mas o trabalho continua o mesmo: encontrar histórias únicas e trabalhar com diretores que admiramos.”
TRABALHO
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Dificuldades na hora da entrevista de emprego Foto: Rawpixel.com
Pode parecer clichê, mas as antigas dicas ajudam a garantir a vaga ADRIELE ALMEIDA
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s deslizes na hora da entrevista de emprego são bem frequentes. As dicas de como se comportar na entrevista é clichê e ainda assim existem muitos que cometem esses erros. A analista de recursos humanos Andreia Argeri, 34, de Ribeirão Preto, explica o porquê desses acontecimentos. “Alguns deslizes ainda são cometidos por falta de informação ou por achar que essas regras não se aplicam, mas na hora da entrevista tudo está sendo avaliado.” Em tempos de crise econômica o mercado ficou ainda mais cauteloso na hora das contratações e concorrido também. A taxa de desemprego no pais em 2017 já atingiu cerca de 13,2%, segundo informações do IBGE, esse índice faz com que cada vez mais os candidatos fiquem mais apreensivos na hora da seleção. O professor de gestão de recursos humanos do Centro Universitário Barão De Mauá de Ribeirão Preto Silvio Luiz de Flório explica os caminhos que a empresa segue na hora de contratar na crise. “Buscando realizar um processo seletivo criterioso para não contratar aleatoriamente, cometendo o erro de ter que refazer o processo e ainda pagar as custas demissionais”, afirma. Brenda Pirini 19, estudante de direito de Ribeirão Preto, está à procura de estágio e já passou por várias seletivas. Ela acredita que o que esteja atrapalhando seja a ansiedade.“Eu sou uma pessoa muito ansiosa, muito mesmo, então acho que isso me
atrapalha. Não sei lidar com isso na hora, então acabo me sentindo um pouco perdida, no que falar e como lidar”, declarou. Além do nervosismo, mentir na hora da seleção é algo que prejudica e pode levar até a desclassificação. “O maior erro cometido pelos candidatos num processo de seleção é mentir. Para os selecionadores é não definir corretamente o perfil da vaga e errar no processo seletivo”, afirma Silvio. A atenção na hora da entrevista deve ser redobrada. São tantas outras preocupações que muitos acabam não dando importância. “Esses cuidados são fundamentais: apresentação pessoal, roupas discretas, barba feita,
cabelos cuidados e, o principal, ser verdadeiro e sincero nas respostas”, afirma Andreia. Fiori explica um pouco quais os pontos que são mais analisados nos candidatos, porém, tudo dependerá do perfil da vaga definido pela empresa contratante. “O analista irá investigar todos os fatores que puderem influenciar no perfil do candidato definido pela empresa contratante. Desde a disponibilidade de trabalhar em horário de trabalho extra até na forma de se relacionar do candidato”, diz Fiori. Conseguir a vaga tão desejada não é um bicho de sete cabeças, lembrando que toda seleção é passível de erros.
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Microempreendedor por ocasião Ribeirão-pretanos apostam em vendas extras para fugir da crise BRUNA ARAÚJO
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iante do atual cenário financeiro do país muitas pessoas estão se destacando por buscar uma renda extra. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego foi a maior desde 2012 chegando a 13,7%. Apesar da gravidade da situação e à consequente redução dos empregos formais fez com o lado microempreendedor de algumas pessoas despertasse. Há dois meses, Aparecida do Nascimento de 53, anos que trabalha como empregada doméstica na cidade de Ribeirão Preto resolveu encarar o desafio de
vender caldos para complementar sua renda mensal. Os caldos viraram um sucesso e com o lucro Aparecida conseguiu terminar de reformar sua casa e também ajudar o seu filho que estava há quase um ano desempregado. “Ele nunca ficou tanto tempo desempregado e com essa dificuldade para encontrar emprego eu precisava ajudar de alguma forma, foi aí que veio a ideia”, disse. Segundo Aparecida, o empreendimento está dando tão certo que foi necessário a ajuda do restante da família para administrar os pedidos que foram só crescendo. “Eu não tinha ideia que tudo
iria tomar essa proporção enorme, comecei apenas para ajudar na renda de casa e de repente tudo foi aumentando, pensei até que não fosse dar conta”, concluiu. “É uma experiência nova e também bastante cansativa, mas infelizmente não tem outro jeito diante dessa crise que estamos vivendo. Tenho sorte porque consegui unir o meu ganha-pão com o que eu gosto de fazer. Então acredito que estou me saindo bem nessa nova caminhada”, complementou. Com a crise a criatividade das pessoas começam a florir. Bons microempreendedores sabem que para conseguir se destacar é preciso, além de muito esforço
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Foto: Divulgação No começo era mais por gostarmos de fazer, mas com o tempo realmente começamos a precisar do dinheiro, tanto para ajudar em casa como para pagar nossa faculdade. Antes vendíamos só no shopping, e agora recentemente estamos vendendo na faculdade também. A aceitação foi muito boa”, contou Fernanda. “Apesar de muitas pessoas conhecerem nossos doces foi bem difícil porque muitas outras pessoas já vendiam, tivemos que
encontrar um diferencial, abrir o leque para coisas novas e ideias. Um deles foi a internet: começamos a divulgar tudo por lá e tudo isso foi agregando. Os produtos também são todos feitos no dia da venda e acompanham um cartão fidelidade que a cada dez doces comprados o cliente paga somente nove. Tudo isso até agora está nos ajudando bastante a conquistar e fidelizar nossos clientes”, disse Heloisa.
Foto: Divulgação
ter um diferencial. Foi assim que as vendedoras e também irmãs Fernanda Pereira, 19, e Heloisa Pereira, 21, resolveram se unir para aumentar os números em suas contas bancárias. Ambas trabalham em um shopping na cidade de Ribeirão Preto e começaram há quase seis meses a fazer doces e bolos para vender. “Como antes já fazíamos os doces e muitas pessoas pediam, resolvemos fazer para vender.
ECONOMIA
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Mercado pet sobressai à crise econômica Apesar do mau tempo enfrentado pela economia brasileira, segmento apresenta crescimento e números animadores TATIANE BOMFIM
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ocê sabia que o Brasil é o quarto país do mundo em população total de animais de estimação e que o mercado pet brasileiro é o terceiro maior do globo, ficando atrás apenas de EUA e Reino Unido? Pois é, os dados são do IBGE e da Associação Brasileira da Industria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Apesar da crise econômica que atinge o Brasil desde 2014, os números do mercado de animais de estimação seguem crescendo. Em 2016 o faturamento foi de 18,9 bilhões com um crescimento de 4,9% sobre 2015 e a estimativa é de que até o final deste ano, a receita chegue a 19,2 bilhões. Em Sertãozinho, por exemplo, é visível o aumento na quantidade de petshops espalhados pela cidade, há alguns anos eram, em média, quatro ou cinco, hoje, o Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Sertãozinho e Região) contabiliza quase cinquenta, isso contando especificamente os que comercializam artigos e alimentos para animais de estimação. A Abinpet apresenta uma explicação para este crescimento em seu site “O desenvolvimento do mercado reflete o reconhecimento dos benefícios da interação entre humanos e animais para a saúde de ambos. Os animais de estimação, hoje,
são parte da família. As mudanças do perfil das famílias brasileiras têm grande impacto nessa relação entre humanos e pets. Houve um aumento de casais que optam por não ter filhos, ou somente um filho, e buscam a companhia de um pet. Como membro da família, o bicho vive cada vez mais dentro de casa, especialmente em apartamentos, por conta da verticalização dos centros urbanos. Isso faz com que os donos aumentem os cuidados com a saúde do animal e invistam mais em alimentação, idas ao veterinário e em creches e profissionais do ramo” Para Ana Carolina Magnani,30 anos, que é proprietária
Labradora, Rosa
de um petshop em Sertãozinho há três anos, a convivência tão próxima com o animal de fato reflete em maiores cuidados “o animal em si não precisa de banho toda semana, é sim uma necessidade mais do dono porque o bichinho fica dentro de casa junto com a família” A loja de Ana fica anexa a uma clínica com atendimento médico veterinário e além do serviço de banho e tosa, oferece produtos que vão desde ração até carrinho de passeio para cachorro. A proprietária acredita que a qualidade dos serviços prestados, como banho e tosa, foram o diferencial que conquistaram os clientes desde o iní-
27 tarde, ela me chama pra poder fazer xixi, ela faz xixi nos tapetinhos higiênicos dela e volta me chamando pra por ela na cama de volta” conta Marilda e completa “São meus amores mesmo, eu trato como se fossem meus filhos, são minha companhia. Eu chego elas estão felizes, não me xingam, tão sempre de bem comigo, eu amo de paixão essas cachorrinhas” Os números animadores são resultados de pessoas como Marilda e naturalmente estimulam o aparecimento de mais estabelecimentos oferecendo serviços e produtos, mas Ana Carolina alerta “ todo mundo acha que é muito fácil, que é só gostar de animal e tá tudo certo, na verdade ás vezes você também tem que lidar com cachorro bravo e difícil, com as exigências dos donos dos animais, não é simples como parece”
A veterinária Mariane Vaz Bisson, 26 anos, que atende na clínica ao lado do petshop, diz que os cuidados médicos com os bichinhos acompanharam o crescimento do mercado “Atualmente podemos observar um grande número de pessoas donas de animais de estimação que procuram por serviços diferenciados e de ponta”. Mariane fala da necessidade de fazer escolha criteriosa na hora de levar o pet ao veterinário e orienta “procurar sempre um especialista na área respectiva ao problema detectado no animal, que seja, conceituado e que possua técnicas renomadas. Além disso, o local e o ambiente devem ser verificados, a fim de que se perceba a qualidade do atendimento e dos procedimentos utilizados, afinal o pet é um animal de estimação e deve ser tratado como tal”.
fotos: Tatiane Bomfim
cio e também aposta no espaço físico da loja “a estrutura chama muita atenção também, porque a pessoa chega num local limpo e organizado ela confia mais” A empresária Marilda Moreno (52) que o diga, ela tem em casa uma labradora e uma shih- tzu que são seus verdadeiros xodós e toda semana os leva para o banho no petshop de Ana e à clínica veterinária ao lado sempre que necessário. Rosa, a labradora, tem sete anos e veio morar com Marilda há mais ou menos cinco meses, quando a companheira da raça collie que ficava na chácara com Rosa morreu. July, a shih-tzu, tem lugar cativo dentro de casa, dorme na cama de Marilda e desde filhote é acostumada a usar os tapetinhos higiênicos espalhados em pontos estratégicos da casa “Fim de semana às vezes eu fico na cama até um pouco mais
Marilda e sua shih-tzu, July
VIAGEM Foto: Steven Lewis
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De malas prontas Aprender outro idioma no exterior pode fazer a diferença na hora de enfrentar o mercado de trabalho; mas candidatos devem ter cuidado na hora de escolher a agência de intercâmbio LUIZ BOMBONATO
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ontade de ir para outro país conhecer uma cultura nova, conviver com pessoas diferentes, histórias e adquirir experiência é o desejo de muita gente. O jeito de realizar esse sonho é investir em um curso no exterior. Uma pessoa de qualquer idade que quer aprender um idioma diferente pode aproveitar esta experiência para conhecer um ambiente novo. Há três anos, Tales Aparecido Silveira, 21, de Ribeirão Preto, teve a vontade de conhecer um país novo. Ele se programou durante 12 meses para encarar uma mudança para o exterior. “Eu sempre tive vontade de conhecer outros lugares. Eu gosto muito de viajar. Quando comecei a estudar inglês na escola fiquei fascinado e queria explorar essa língua’’, diz o estudante O destino escolhido por ele foi Augusta, capital do estado do Maine, localizado no extremo
nordeste dos Estados Unidos. Uma cidade com menos de 20 mil habitantes, colonizada pelos ingleses em 1754. A decisão de embarcar nessa viagem veio enquanto Silveira ainda cursava o ensino médio. O programa escolhido foi o high school, equivalente ao colegial nos EUA. Ele morou durante seis meses na casa de uma família americana. “Morar com pessoas nativas faz toda a diferença, além de estar envolvido totalmente na rotina que a família vive, você vai observando a cultura deles, o que é comum, como se comportam. Eu recomendo que quem tenha interesse de fazer intercâmbio fique em uma casa de família”, afirma Silveira. Hoje em dia existem várias agências de intercâmbio que oferecem diversos tipos de programas para fazer em outro país, como os de férias e os programas de grupo que são realizados no verão, durante as férias de julho. “São vários programas. Hoje
em dia tem programas ligados ao esporte. Tem várias atividades, culturais, esportivas, passeios, viagens, então eles [alunos] têm o dia inteiro tomado’’, diz a diretora da agência de intercâmbio Experimento, Teresa Hayashida, de Ribeirão Preto. Buscar a experiência na faculdade é outra forma comum. Alguns universitários têm a opção de embarcar nesta aventura por meio de um programa do governo, em parceria com as faculdades. Foi o caso da Noemi Tales Quintino, 26, também de Ribeirão Preto, que aproveitou o programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal, para estudar seis meses inglês e ainda cursar algumas matérias do curso de graduação. EUA “Sempre tive o sonho, mas nunca tinha data definida. Quando estava no quarto ano de faculdade, comecei a procurar mais as oportunidades porque pretendia ir depois da formatura, mas
29 do destino escolhido. Nesse planejamento entram as questões de orçamento. É necessário ver o tempo que vai ficar para que o estudante não passe dificuldades fora do país de origem. Outra dica importante é a busca por uma agência confiável, que tenha referências. É bom ir até a sede, conhecer os profissionais, pesquisar sobre empresa para evitar dor de cabeça. “Tem que tomar muito cuidado com essas compras on-line. Tem que saber onde está comprando. A Experimenta começou em 1932 no Brasil. Ela já está com mais de 50 anos. É uma empresa muito idônea”, afirma Tereza. A experiência de estudar fora faz uma grande diferença na vida pessoal e profissional. Mesmo com a crise econômica que o Brasil enfrenta, muitas pessoas aproveitam para se especializar lá
fora e aumentar as qualificações. “Além de agregar no currículo, traz maturidade, flexibilidade. A pessoa vivencia outra cultura. Ela volta muito diferente. É uma experiência para toda a vida, abre a cabeça. O mundo é muito maior do que o mundo em que vivia’’, declara Tereza. Outro detalhe importante é que uma experiência no exterior pode ajudar na hora de conseguir uma vaga de emprego. ‘’É um diferencial valioso. Duas pessoas em iguais condições, como decido na escolha? Procurando diferenciais. Como exemplo: a empresa tem negócios com a Itália, o candidato que domina a língua italiana será priorizado. A vantagem é concreta’’, fala o professor de Recursos Humanos Luiz Carlos Moreno, do Centro Universitário Barão de Mauá.
Fotos: Arquivo pessoal
acabei indo antes”, diz Noemi. A ideia inicial de Noemi era fazer o intercâmbio em Portugal, mas um problema no programa mudou os planos dela e o jeito foi estudar nos Estado Unidos. “Minha primeira escolha tinha sido Portugal, porém o edital foi cancelado e todos foram realocados para os EUA. É um país incrível de conhecer. A cultura deles é muito rica.” Para encarar a mudança de país é bom que o interessado se prepare antes de embarcar na aventura. Fazer um planejamento com pelo menos seis meses de antecedência é essencial para que nada dê errado. A pesquisa pelo destino também deve partir de acordo com o gosto do viajante, já que é a parte mais importante na hora de se fazer intercâmbio. É preciso, também, se atentar ao clima
Nutricionista de 26 anos fez intercâmbio enquanto cursava faculdade
ESPORTES
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Superação no esporte adaptado
Foto: Guilherme Galdino
Paulo Henrique Neto, de 32 anos, e Kauê da Silva Vieira, de 7, encontram no basquete de cadeiras de rodas forças para ultrapassar a barreira do preconceito GUILHERME GALDINO
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ítima de acidente de carro, Paulo Vieira Neto, de Ribeirão Preto, reencontrou no basquete de cadeira de rodas a oportunidade de voltar a sonhar aos 32 anos. “Pensei que estava tudo perdido, mas o esporte me fez olhar que não é porque estou impossibilitado de andar que devo parar de viver”, contou. Apaixonado por esportes, mas agora tetraplégico, Neto afirma que ficou cinco meses trancado no quarto e, com a ajuda do amigo Anderson Belotti, saiu em busca da felicidade e de voltar a fazer que mais gosta. “Antes eu só praticava basquete e jogava rúgbi. Depois do acidente, fiquei sentido por achar que não poderia voltar a vencer na vida”, afirmou. Uma das coisas que poucas pessoas não sabem é que, além de dar a volta por cima, Neto foi convocado para defender a Seleção Brasileira de Rúgbi Adaptado. Hoje, com olhar positivo e pronto para sonhar novamente, ele afirma que a intenção é continuar com o mesmo entusiasmo para ser campeão defendendo as cores brasileiras nas paraolimpíadas de Tóquio, em 2020. “Não passa pela minha cabeça desistir. Me sinto bem praticando atividades regulares. Hoje nada me para. Se eu soubesse, teria começado logo após minha recuperação. Meu objetivo é dar alegria ao meu povo, ver as pes-
Paulo Vieira Neto, 32, reencontrou no basquete a oportunidade de sonhar novamente
soas sorrirem. É claro que falta um pouco mais de visibilidade aos esportes paraolímpicos, mas iremos superar essa barreira.” PAIXÃO PELA NBA utra história engrandece a equipe de basquete adaptado de Ribeirão Preto é a de Kauê da Silva Vieira, de apenas sete anos, que pratica esportes desde os dois anos. Quando criança, o jovem perdeu os movimentos das pernas, mas, mesmo assim, não ficou parado e a vontade de superação foi maior. “Não podemos deixar de sonhar. Hoje pratico porque gosto e me faz ficar ocupado sem pensar nas coisas que poderia fazer se não estivesse na cadeira de rodas”, contou.
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O pequenino ressalta que a paixão pelo basquete começou quando assistiu à final entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers, na temporada 2015-2016. “Fiquei encantado com o basquete. Foi, sem dúvidas, um dos melhores jogos que assisti. Espero um dia jogar igual ao Stéfi [risos]”, disse Kauê, que é fã nato de Stephen Curry, do Golden State, e ainda sonha em conhecer o ídolo. A equipe de basquete adaptado de Ribeirão Preto é comanda pelo técnico Jonathan Fernandes Carvalho, de 35 anos. Ao todo, 13 atletas fazem parte do time que treina às terças e quintas-feiras, das 19h às 20h30, na quadra de esportes da Faculdade de Educação Física da USP, de Ribeirão Preto.
MUSEU
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Índios e dinossauros Exposição sobre os primeiros habitantes da região e fósseis pré-históricos são uma verdadeira viagem no tempo para turistas que visitam Monte Alto Foto: Pamela Oliveira
PAMELA OLIVEIRA
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onte Alto, a 80 quilômetros de Ribeirão Preto, possui dois museus como atração turística. Os visitantes poderão conhecer um pouco da história dos primeiros habitantes do Brasil e dos dinossauros que viviam na região. A região é rica em restos de animais pré-históricos. Podem ser encontrados centenas de ossos fossilizados de dinossauros de diversas espécies. Esse material está no Museu de Arqueologia, localizado no Centro Cultura da Cidade. Já o Museu Histórico, a outra atração turística, mostra aos visitantes um pouco do que foi o cotidiano dos índios. “O acervo arqueológico conta com aproximadamente mil peças e se referem a uma cultura pré-colonial dos povos que viveram naquela região há mais ou menos 2.000 anos e que desenvolveram uma cultura cerâmica chamada aratu-sapucaí”, afirma Marcos Penharbel Marquete, guia do museu. ESQUELETO principal peça do museu é o esqueleto de um índio de 14 anos de idade datado do ano 1.200, 300 anos antes do descobrimento do Brasil. Segundo Marquete, o museu atrai mensalmente cerca de 3.000 visitantes de diversas regiões do país, entre adultos , crianças e estudantes. Moradora de Monte Alto, graduada em história e professora de educação infantil, Francine Marangoni declara a importância do museu para a cidade.
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Artefatos do Museu de Paleontologia
Esqueleto do índio
“É importante para aqueles que se interessam pela história. É possível fazer uma viagem no tempo.”
Serviço O museu fica aberto de terça à sexta-feira das 8h às 17h e aos sábados, domingos e feriados das 13h às 17h.
CIDADES
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Escola cidadã Além de educar, creche Irmã Izolina incentiva a participação da comunidade em trabalhos sustentáveis CHUVA lém disso, a creche reutiliza pneus. Todos eles são pintados e servem de vaso para as plantas que ficam dentro do Lar, e até mesmo são utilizados para confeccionar alguns brinquedos. A sustentabilidade faz parte até da casinha usada pelas crianças: no teto são plantadas mudas e, em época de chuva, o escoamento da água serve como regador natural. “A cidadania já começa com o envolvimento das crianças com as questões simples do bairro e isso é importantíssimo para a formação da deles. Os pequenos acabam valorizando ainda mais o espeço que eles vivem”, relatou o coordenador da creche.
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Instituição de ensino cuida de praça na zona norte de Ribeirão Preto MATHEUS LIMA
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O trabalho realizado na creche Irmã Izolina vai além dos portões da casa, localizada no bairro Vila Elisa, em Ribeirão Preto. A instituição, que atende atualmente 80 crianças, ensina aos pequenos desde cedo como cuidar do bairro e do ambiente onde vivem. Foi o coordenador da creche, Americo Ikeada, quem teve a iniciativa de revitalizar e cuidar da Praça Armando Lopes, que fica próxima à instituição. Esse trabalho contou com a ajuda de todos os moradores do bairro. O local se transformou em um ponto de lazer da comunidade. “É um lazer para as crianças, um local bem cuidado e conservado. Hoje em Ribeirão não tem praças boas, embora existam bastantes, a qualidade não é tão boa igual a essa, bem cuidada e bonita”, afirmou o gerente Rogério Silva, que mora no bairro e
utiliza a praça todos os dias. A comerciante Wilse Pereira Cunha, 57, mora no bairro há 15 anos. Ela foi uma das moradoras que contribuíram para a revitalização da praça. Segundo Wilse, desde a transformação do local, os vizinhos passaram a se reunir com mais frequência e as crianças da comunidade têm um lugar a mais para se divertir. “O pessoal se alegra e utiliza a praça sem estragar, além de ser um lugar agradável. Todos os vizinhos colaboram e ajudam a cuidar.” Além da praça, a creche Lar Irmã Izolina tenta cada vez mais conscientizar seus alunos e trazê-los para essa realidade, dentro e fora da instituição de ensino. A maioria dos brinquedos é feita pelos próprios funcionários, com material reciclável, como garrafas.
Pneus são reutilizados
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O rei das placas Foto: Luana Saantos
Sinalização de ruas feita voluntariamente deu o primeiro mandato de vereador para Nelson Stefanelli em Ribeirão Preto
Vereador Nelson com algumas placas fabricadas por ele LUANA SANTOS
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a calçada de uma casa nos Campos Elíseos, zona norte de Ribeirão Preto, começa o trabalho de Nelson Stefanelli, 76, mais conhecido como Nelson das Placas, que em 2016 se tornou vereador pelo PDT com 3.283 votos. Aposentado, nascido em Ribeirão Preto, casado há 30 anos com Lindomar de Oliveira Stefanelli, 61, pai de três filhos, começou em 2004 a ajudar a população sinalizando ruas e avenidas. A iniciativa ocorreu após observar muitos moradores com dificuldades para localizar ruas, bairros, avenidas e até mesmo acesso a rodovias. “Devido à muita procura que tinha nas ruas, as pessoas perguntavam muito. Então eu comecei a fazer as plaquinhas.” Segundo Stefanelli, as primeiras placas foram feitas nas ruas Dom Luis do Amaral Mousinho e Roberto Mange, nos Campos Elí-
seos. Depois disso, não parou mais e hoje já são mais de 9 mil placas colocadas em toda a cidade. Sempre com o apoio da esposa, Nelson todos os dias pega uma mesa e uma cadeira e passa no mínimo duas horas escrevendo nomes de ruas em placas de PVC, material que algumas vezes vem de doações ou até mesmo do próprio bolso, já que a prefeitura diz não ter verba para ajudá-lo. Outra situação interessante: o aposentado explica que com o passar do tempo essas placas podem ir se apagando ou até cair, mas isso não é o problema, pois ele faz a reposição para que tudo fique do jeito que estava. Após pintar as placas, Stefanelli as instala, mas toma cuidado para que fique bem visível, facilitando o dia a dia da população. E não para por aí. O dono de todas essas placas brancas que vemos no dia a dia tem muitos projetos futuros como o de arborização da cidade, devido ao calor
excessivo. Outro plano é confeccionar placas com tintas refletoras para uma melhor visualização. TRABALHO APROVADO orador de Ribeirão Preto há 38 anos, Antonio Severino dos Santos, 59, trabalha como mototaxista nos Campos Elíseos há15anos. Ele diz que a cidade não era como é atualmente. “Ribeirão Preto era bem sinalizada, as placas de trânsito muito bem colocadas, mas, com o tempo, essa situação foi mudando, e a prefeitura muito pouco fez”, conta. Ele reconhece o trabalho de Stefanelli, “Está fazendo bastante benfeitorias”, para a cidade. A prefeitura reconhece o descaso que existe com a sinalização de Ribeirão Preto. O poder público credita a situação à crise financeira. “Não temos uma ideia do quanto será necessário para regularizar a cidade”, informou a Secretaria de Comunicação.
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Parques em situação oposta
Área cuidada pelo poder público está em situação precária e contrasta com local que recebeu apoio de shopping, na zona sul de Ribeirão
FELIPE FARTO
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A incapacidade e ineficiência do setor público abre a necessidade de parceria com a iniciativa privada”, diz especialista em administração publica Já pensou em frequentar um parque pelo lazer ou para praticar atividades físicas mas não conseguir porque o local encontra-se em situação precária ou sem a mínima segurança? Essa tem sido a realidade do Parque Tom Jobim, que fica no bairro José Sampaio, em Ribei-
rão Preto. A comunidade e também quem frequenta o espaço sofrem com o descaso do local. A aposentada Marlene Aparecida, 54, faz exercícios por ali, mas caminha com cuidado para não se machucar com a baixa iluminação e o mato alto. Quando Marlene precisa descansar, evita sentar-se nos bancos que estão em situação de abandono. A Coordenadoria de Limpeza Urbana de Ribeirão Preto informou que está sem contrato de manutenção do parque e corte
de gramados e que esses serviços vêm sendo realizados de acordo com a programação do “Passa Limpo Ribeirão” e que não pode prever uma data para a manutenção ou revitalização do local. Em outra situação, no entanto, se encontra o bairro Nova Aliança, zona sul da cidade. O Parque das Artes, localizado ali, apresenta outro cenário, com um espaço que foi revitalizado e está em boas condições para a população utilizar. Foto: Felipe Farto
Imagem do Parque das Artes em Ribeirão Preto-SP
35 A estudante de enfermagem e moradora próxima do parque Jacqueline Santos, 18, diz que gosta de frequentá-lo pela ótima localização e pelos bons cuidados do local, mas que nem sempre foi assim. “Antes tinha condições precárias, animais transmissores de doenças e vários casos de furto”, diz. Mas essa mudança só foi possível devido ao apoio e ao investimento de empresas privadas. O parque Doutor Fernando de Freitas Monteiro da Silva, o Parque das Artes, recebeu investimento de um shopping da cidade de R$ 3 milhões em junho de 2016. A iniciativa partiu do grupo Multiplan. Para o superinten-
dente do RibeirãoShopping, Felix Diez, “foi uma honra” presentear a cidade com uma nova área de convivência, lazer e de cultura. LAGOS estrutura do Parque das Artes conta com 45 mil metros quadrados de área de vegetação e cerca de 23 mil metros cobertos por uma series de três lagos artificiais interligados, o que deixa a caminhada dos frequentadores mais bonita e agradável.” E o lugar ainda tem quatro praças de conveniências cobertas, espaço para food trucks, banheiros com acessibilidade bem cuidados, base para a
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Guarda Civil Municipal e, diferentemente do Parque Tom Jobim, a iluminação está ótima e com lâmpadas de led, que são mais sustentáveis, consumindo menos energia. Para o especialista em administração pública Junior Gaspar, a crise política atual influencia na busca por empresas privadas no apoio a parques públicos. “O gestor público necessita de criatividade, inovação e de eleger prioridades que inevitavelmente não fogem de saúde e educação.” O especialista também sugere, que o município crie legislação incentivando que a iniciativa privada adote e se responsabilize por determinadas áreas.
Fotos: Felipe Farto
Parque Tom Jobim em situação precária na Zona Norte de Ribeirão Preto-SP
Parque das Artes na Zona Sul de Ribeirão Preto-SP
TURISMO
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Paraíso mineiro
Belezas naturais atraem turistas e movimenta a economia. Prefeitura investe em melhorias MARINA OLIVEIRA
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apitólio está localizada no Sul de Minas Gerais e oferece lazer, diversão e sossego para quem quer escapar da rotina corrida e cansativa de Ribeirão Preto. A cidade, conhecida também como “Rainha dos Lagos”, fica a quase 300 quilômetros de Ribeirão Preto. Com vários pontos turísticos, as cachoeiras à beira da estrada, os restaurantes de comida típica e os passeios em verdadeiros cartões-postais são lugares que todo visitante deve conhecer. O mar de Minas, como ficou conhecida a represa que banha mais de 30 municípios no Sul do Estado, surgiu na década de 60, quando inundaram a região para levar água até a hidrelétrica
de Furnas. E a viagem turística começa, exatamente, pelo mar de água doce. O passeio de lancha é o principal atrativo dos visitantes. A viagem começa em Escarpas do Lago, um bairro luxuoso da pequena cidade que atrai muitas pessoas e onde fica o Clube Náutico. O passeio com a lancha é feito com algumas paradas até chegar aos Canyons. A cachoeira da Lagoa Azul é ponto de encontro, com um restaurante flutuante. O destino final é para fechar com das rochas. Em média o passeio custa R$ 90 por pessoa e dura duas horas. Mariana Garcia mora em Ribeirão Preto e visitou o lugar apenas uma vez, o que já foi suficiente para se apaixonar pela cidade. “Definitivamente é um lugar inesquecível. Com certeza
quero voltar outras vezes e trazer minha família para conhecer”, conta a esteticista. Se por baixo o tamanho dos Canyons impressiona, por cima a altura dá até medo. O mirante é próximo da estrada Newton Penido e permite enxergar boa parte da extensão do Mar de Minas. A trilha até a vista é acessível e rápida. Se pelo mar o passeio é inesquecível, por terra não poderia ser diferente. As estradas até o famoso Morro do Chapéu reserva quedas d’águas escondidas e paisagens de tirar o fôlego. O mirante natural a 1.293 metros de altitude permite avistar boa parte do Lago de Furnas e algumas cidades por ele banhada. A caminhada é longa, mas a vista é recompensadora.
37 “Parte da minha família mora em Capitólio, mas não é sempre que a gente faz esse passeio. A maioria das vezes a gente vem para ficar dois dias, então é muito corrido, mas quando dá certo, eu faço questão de tomar banho de cachoeira e fazer trilha, me sinto uma nova pessoa, uma pessoa mais forte, mais disposta. Parece engraçado, mas é o que eu sinto ” revela João Oliveira, motorista de Uber. Além dos pontos turístico, não poderiam faltar os restaurantes que, também, atraem muitas pessoas. Na parte rural da cidade de Capitólio, o restaurante Cozinha da Roça apresenta um cardápio variado de peixes. A beira da estrada, outro lugar para quem gosta de uma culinária mineira é o restaurante Rio Turvo, com vista para o imenso Lago de Furnas. Diante de tanta diversidade, o turismo se tornou uma das principais fontes de renda e geração
de emprego no município e a estimativa, segundo a prefeitura da cidade mineira, é que quatro mil turistas visitem o local aos finais de semana e mais de 30 mil aos feriados. E quem ganha é a economia de Capitólio. Segundo os dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), atualmente, o terceiro setor corresponde a quase 70% da economia de Capitólio. Com o crescimento explosivo nos últimos dois anos a cidade tem tido dificuldade para comportar as pessoas. “Durante o último período de alta temporada muitos turistas acabaram se hospedando em cidades vizinhas, pois nossa rede hoteleira estava cheia, tivemos um aumento de áreas de campings, hostel e a população, também, começou a alugar quartos para os turistas. Os restaurantes passaram a atender excursões somente com reservas antecipadas”, afirma a secretária de turismo de Capitó-
lio Andreia Rodrigues. E para acompanhar o crescimento e pensar em estratégias para melhorar o atendimento aos turistas, o departamento de Turismo realiza reuniões mensais com os empresários do trade e isso possibilita uma integração e troca de experiências. Além do trabalho de regulamentação de algumas áreas, como por exemplo, os passeios náuticos. É o que afirma a secretária: “a prefeitura tem investido em obras para melhorar a imagem da cidade, além de oferecer espaços de lazer e contemplação, como a orla da cidade, uma praça em cada bairro, Centro de Apoio ao Turista e piers públicos”. Ainda segundo Andreia esse sucesso se deu graças a Escarpas do Lago. “Foi o ponta pé inicial para o desenvolvimento do turismo no município, Escarpas é um grande gerador de empregos, foi sem dúvida o grande divisor de águas de Capitólio.”
Foto: Prefeitura de Capitólio
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Foto: Marina Oliveira
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