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Jornal Barão de Mauá - 2019_2°B

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Curso de Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo Centro Universitário Barão de Mauá

Ribeirão Preto - SP 2º bimestre/2019

SAÚDE Empresa incentiva exercícios físicos com aulas de graça em estacionamento

Igreja de Ribeirão agora é basílica Título é reconhecimento pelo trabalho dos monges olivetanos, que chegaram à cidade em 1922 Foto: Flávia Tostes

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TRÂNSITO Cresce número de mortes provocadas por acidentes com motocicletas

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CIDADANIA Crianças carentes aprendem música e inglês em ação comunitária

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ECONOMIA Mulher percorre até 100 km por mês de bicicleta para fazer vendas

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MEMÓRIA Massacre de boias-frias em Guariba mudou corte da cana

Vista da igreja Santo Antônio de Pádua, em Ribeirão Preto: Papa reconhece trabalho de monges olivetanos

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A região Sudeste, e em particular o estado de São Paulo, segue sendo o destino preferencial de migrantes que querem melhorar de vida. Ribeirão Preto está entre os locais escolhidos pelos nordestinos, que encontram na cidade

oportunidades e chances de mudar de vida. Ao chegarem ao Sudeste, os migrantes tendem a sofrer preconceito e a preencher vagas com remuneração baixa. Mesmo assim, o desafio tem compensado. Pág. 4

Pesquisa aponta que 64% da Ribeirão atrai nordestinos população recorre a ‘bicos’ que buscam vida melhor Pesquisa do SPC Brasil aponta que 64% dos brasileiros apelam a trabalhos extras a fim de complementar a renda. Os chamados “bicos” estão cada vez mais comuns no Brasil em razão da situação econômica atual. Entre esses trabalhos ex-

tras estão as vendas de doces, de produtos de beleza e a panfletagem. Apesar de render dinheiro extra, o trabalho pode ser cansativo, principalmente quando também há um emprego fixo. Pág. 3

Fotos: Paola Freitas

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CINEMA Ruas e avenidas de Ribeirão viram cenário para filme de terror

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JARDINÓPOLIS Prédio da Santa Casa se deteriora e sofre invasão de mendigos

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A igreja de Santo Antônio de Pádua de Ribeirão Preto foi elevada a Basílica Menor por decisão do Papa Francisco. A mudança de status ocorre 100 anos após a chegada dos monges olivetanos ao Brasil. A basílica de Ribeirão Preto está entre outras 19 existentes no Estado de São Paulo. No Brasil, são 63. Os monges olivetanos são os responsáveis pela igreja de Santo Antônio e seguem as regras de São Bento. O título de basílica menor é honorífico e em reconhecimento ao trabalho religioso dos monges. Dentro da arquitetura, as basílicas eram os espaços grandes e cobertos em que as assembleias eram realizadas, cuja origem remonta à Grécia.

TAMBAÚ   Canonização de padre incentiva turismo religioso à cidade  Pág. 2

Rádios se aliam às redes sociais para sobreviver Ameaçado pelas novas tecnologias, o rádio tem tentado permanecer no mercado da comunicação se aliando a essas tecnologias. A solução encontrada foi migrar para outras plataformas e abandonar as ondas AM e FM,

apelando para as redes sociais. Atualmente, grande parte das rádios de Ribeirão Preto já estão fazendo transmissões simultaneamente pelo AM, FM, Facebook a aplicativos das próprias emissoras.

Aparelho facilita perfuração de veias sem dor

Software ajuda na pronúncia de palavras

Um pediatra de Itu, no interior de São Paulo, desenvolveu um aparelho capaz de localizar veias periféricas de seres humanos e animais. O aparelho tem como objetivo facilitar a vida de profissionais da área de saúde e evitar que pacientes sintam dor durante procedimentos com agulhas. Pág. 7

Um aplicativo desenvolvido pela USP de Ribeirão Preto ajuda no aprimoramento da fala de crianças que têm dificuldades de comunicação. O SofiaFala é um sistema inteligente, interativo e gratuito que está em fase de testes há seis meses e já foi aplicado em 16 pacientes. Pág. 7

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RELIGIÃO

2º bimestre/2019

Ribeirão Preto recebe sua primeira basílica Igreja de Santo Antônio de Pádua celebra centenário da chegada dos monges olivetanos com título honorífico do Vaticano FLÁVIA TOSTES

Localizada na rua Paraíba ao lado da Avenida Saudade, nos Campos Elíseos, em Ribeirão Preto, está a igreja de Santo Antônio de Pádua. No mês de março de 2019, ela foi elevada a Basílica Menor, o anúncio foi feito em coletiva pelo arcebispo da cidade, Dom Moacir Silva. O título passou pela aprovação da Congregação do Culto Divino e Sacramentos e foi concedido pelo Papa Francisco. A igreja Santo Antônio é a primeira da cidade a receber o mérito. Em todo o estado de São Paulo há 19 basílicas menores, já no Brasil há cerca de 63. Segundo Dom Bernardo Maria Bergami, monge que vive no local, o processo para que a paróquia recebesse o título começou em setembro de 2018, quando o bispo da arquidiocese, por meio da conferência episcopal, enviou o pedido para a Santa Sé no Vaticano. O motivo do pedido é devido ao centenário da chegada dos monges olivetanos que em 1919 construíram o primeiro mosteiro em Ribeirão Preto. Os responsáveis pela igreja são os monges olivetanos e que seguem as Regras de São Bento,

Foto: Flávia Tostes

Lateral da Basílica menor de Santo Antônio de Pádua, localizada no bairro Campos Eliseos, em Ribeirão

sendo assim chamados de olive- utilizado e amplamente desentanos beneditinos. volvido pelos romanos, quando mais tarde foi adaptado como BASÍLICA, O QUE É? modelo para o cristianismo. Dentro da arquitetura, as Já historicamente, o termo basílicas eram os espaços gran- que vem do grego e significa des e cobertos em que as as- “lugar do rei”. Depois que passembleias eram realizadas, cuja sou a integrar o catolicismo, são origem remonta à Grécia Hele- denominadas como basílicas as nística. O modelo foi bastante grandes igrejas de Roma, que

são: São Pedro, São João do Latrão, São Paulo Fora dos Muros e Santa Maria Maior. Essas são as quatro basílicas maiores que existem até hoje, elas não dependem de nenhum território e estão ligadas diretamente ao Papa. Pois possuem uma função e um significado dentro da Igreja Católica. Com o

passar do tempo, outras igrejas passaram se destacar pelo trabalho realizado dentro da religião e pelo tamanho das construções, assim a Santa Sé concedia um título honorífico de basílica menor. “Não é um título fácil para conseguir, depois que a entrada para o processo é dada, a igreja recebe um questionário de aproximadamente 14 páginas e todas as perguntas precisam ser comprovadas com documentos,” diz Dom Bernardo. Além disso, esse é um dos mais importantes reconhecimentos para uma igreja local. Pois, ela passa a ser território do Vaticano e por isso deverá acrescentar símbolos da Santa Sé em seu brasão. IGREJA DE SANTO ANTÔNIO A comunidade foi fundada em 1919, quando os monges olivetanos beneditinos vieram para Ribeirão Preto e fundaram a igreja de Santo Antoninho, que fica na Avenida Saudade. Ficaram por lá até meados da década de 30. A igreja de Santo Antônio de Pádua começou a ser construída em 1922, levou oito anos para ficar pronta. E em 1930, os monges foram para lá e assim foi celebrada a primeira missa.

Tambaú: beatificação atrai turistas à cidade REITORA

Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães VICE-REITOR

Prof. João Alberto de Andrade Velloso PRÓ-REITORA DE ENSINO

Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino

PRÓ-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli PRÓ-REITOR DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Prof. Dr. Dyjalma Antonio Bassoli PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO

Antonio Augusto Abbari Dinamarco DIRETORAS INSTITUCIONAIS

Prof.ª Maria Debora Vendramini Durlo Prof.ª Meire Aparecida Pedersolli

PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO

COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISMO

Prof. Dr. Sebastião Geraldo

REPORTAGEM, FOTOJORNALISMO E DIAGRAMAÇÃO

Alunos do curso de Jornalismo

PROFESSORES RESPONSÁVEIS EDIÇÃO, COORDENAÇÃO E REVISÃO DE TEXTOS

Prof. Me. José Antonio Bonato

PROJETO GRÁFICO E EDIÇÃO DE ARTE

Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA

Prof. Me. Jefferson Barcellos Os textos desta página, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.

EXPEDIENTE

Thiago Henrique de Moraes

PAOLA FREITAS

Neste ano, Tambaú ganhou um novo sopro de esperança para a economia local com a beatificação, pelo papa Francisco, do padre Donizetti Tavares de Lima, o que deve atrair mais turistas para o município. O padre ficou muito conhecido na década de 1950 graças a conversões e possíveis milagres e curas atribuídos a ele, que, por sua vez, os atribuía a Nossa Senhora de Aparecida, de quem ele era muito devoto. Há muitos anos que pessoas de outras cidades visitam Tambaú com o propósito de pagar promessas e realizar pedidos de cura. Quando era vivo, o padre era muito atencioso com seus seguidores, sempre atento a pedidos e agradecimentos e, mesmo depois de sua morte, o maior movimento de pessoas que há na cidade é por conta dele. Aos domingos, são formadas próximo ao cemitério barracas que comercializam objetos ligados ao padre como terços, estatuetas, imagens e muitas outras coisas que ajudam o comércio interno a funcionar. ROMEIROS Mas a cidade não possui muitos recursos que ajudem a abrigar esses romeiros ou dar mais conforto a eles. No cemitério há o túmulo do padre e um local, parecido com uma fonte, onde os turistas realizam seus pedidos, acendem velas

Foto: Paola Freitas

O jornal barão de mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá.

Local de devoção ao padre Donizetti: milagres incentivam turismo

e levam a “água benta” para casa, como uma lembrança do lugar. João Batista, 59 anos, morador de Santa Rosa de Viterbo, é devoto do Padre Donizetti desde sua infância e sempre está na cidade para agradecer todas as graças já alcançadas. Ele reconhece que a cidade não tem tanto recursos caso haja um evento maior para receber mais romeiros. “Venho a Tambaú há mais de 20 anos, e a a cidade está sempre igual, mesmo se o número de pessoas aqui aumentar nada muda. A cidade é acolhedora, mas não temos opções para refeição, descanso ou laser, o que acho uma pena, pois seria de agrado de todos e poderiam aumentar as visitas na cidade” disse Batista. Há também moradores da cidade que concordam com a fal-

ta de estrutura, como a dona de casa Eliana Silva, 48 anos. “Tambaú é uma cidade pequena, onde todo mundo se conhece e que já está acostumado com a visitação de pessoas de cidades vizinhas para ver como o padre vivia aqui. Mesmo assim, muitos ainda não se deram conta do numero de visitantes que temos”, disse Silva. Tambaú é também conhecida pela cerâmica de tijolos e telhas, fábrica de pastilhas, mas o que chama mais a atenção certamente é a história do padre junto ao caminho da fé, que se tornou ainda mais conhecido depois de várias emissoras transmitirem o circuito que é feito pelos fiéis de Tambaú até Aparecida do Norte, em homenagem ao padre e a Nossa Senhora da Aparecida, a quem ele era extremamente devoto.


2 º bimestre/2019

ECONOMIA

3 Foto: Ana Beatriz Moreira

Crise faz brasileiro buscar ‘bicos’ para reforçar renda

Trabalhos vão desde entrega de panfletos em shopping a venda de doce

Quando se tem um ganho extra é bom separar da sua renda fixa para administrar melhor os ganhos Gastrônoma formada, Ana Paula trabalha como vendedora

em uma loja de roupas. Ainda conforme a CNDL, a maioria dos brasileiros vive no limite do orçamento familiar e somente 9% conseguem pagar as despesas do começo de ano com aquilo que recebem. Por essa razão a estudante de jornalismo Ananda Silva Revece, 25, procura trabalhos fora de sua área de atuação. Como estagiária, o dinheiro que recebe não é o suficiente para que ela se mantenha. “Trabalho como promotora de eventos panfletando em cancelas de shopping, em recepções de evento”, conta.

Foto: Ana Beatriz Moreira

Em 2018, o número de pessoas que procuraram por uma renda extra cresceu mais de 20%, segundo pesquisa da Serasa Experian. Um dos principais motivos seria o cenário econômico atual do país. Já de acordo com dados do SPC Brasil e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 64% dos brasileiros utilizaram trabalhos extras a fim de complementação de renda no primeiro semestre de 2018. Um exemplo é Ana Paula Moreira, 31, de Ribeirão Preto.

O dinheiro extra é para concluir um sonho: abrir sua tão sonhada doceria. Ela vende doces, ovos de Páscoa e com tempo extra faz doces para festa.

A vendedora Ana Moreira prepara doce em busca de renda adicional: crise econômica alavanca ‘bicos’

Luiza Araújo vende doces na faculdade: trabalho traz dinheiro extra.

FINANÇAS Já em pesquisa realizada em 2017 também pela CNDL 59% dos brasileiros sentem dificuldades para organizarem suas finanças. Também estagiária, Luiza Araujo, 20, acha que o governo tem papel fundamental nisso. Para ela, “o que o governo pode fazer é maiores oportunidades não só de emprego, mas programas para incentivar a educação financeira. O que eu sei hoje, que é pouca coisa, é porque aprendi sozinha”. A CNDL também afirma que o número de brasileiros que conversam sobre orçamento familiar vem crescendo nos últimos anos. Para Cintia Freitas Tamburus, 39, que trabalha com vendas de cosméticos e organizações de eventos, a atividade é “uma maneira de complementar a renda familiar e ajudar com custos”. Mesmo sendo gratificante, o processo de se fazer dinheiro fora da sua principal renda pode ser cansativo e trabalhoso.

Luiza conta que além de dedicar horas do seu dia preparando suas trufas ainda precisa se preocupar com vendas, compras de ingredientes e a pesquisa para melhores receitas. “Quando a gente pensa em renda extra precisa pensar também no tempo extra que vai consumir e estar preparado para lidar com isso”, afirma. Para Ananda, no entanto, os trabalhos dependem do contratante. Ela diz que participa de grupos em redes sociais onde envia uma foto de si mesma e dados como altura e manequim. Os contratantes depois decidem se vão chamá-la ou não. De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), pelo menos 28% do orçamento familiar de quem trabalha com vendas diretas vem dessa atividade. Cada vez mais o cidadão brasileiro vem dependendo desses meios.

Jovens tatuados são vitimas de preconceito LEANDRO ISAC

Apesar da diversidade cultural que se manifesta na maneira de se vestir, tatuar o corpo e nos cortes de cabelo, esses fatores podem pesar na hora de contratar os candidatos a uma vaga de trabalho. As empresas, no geral, ainda são conservadoras e, na hora de escolher o ocupante da vaga que procuram, optam pelo visual padrão. Hoje em dia para conseguir uma chance numa grande empresa, onde o atendimento ao público é essencial, algumas pessoas precisam forçadamente mudar o visual e manter o estilo tradicional de antigamente. Gabriela Moreira, 21, é estudante de administração de empresas de Ribeirão Preto. Seu grande sonho era cursar Direito, porém teve que mudar de curso

ao saber que advogados não podem ter tatuagens à mostra. “Sempre sonhei em fazer Direito, mas tenho duas tatuagens nas mãos e uma perto da orelha. Quando uma colega disse que o professor dela havia pedido para os alunos removerem suas tatuagens, tive que desistir do curso. É muito caro fazer um procedimento deste, mas quem sabe um dia as coisas mudam e este preconceito acabe.” Mesmo com todo o conservadorismo ainda em alta, muitos lugares levam em conta o currículo do candidato, em vez de seus estilos. A coordenadora de RH Carla Diamantino, 40, de Ribeirão Preto, por exemplo, diz que nas entrevistas leva sempre em consideração a sinceridade do profissional e suas experiências anteriores.

“Acho muito fútil deixar de contratar alguém só pelo modo como essa pessoa se veste. De que adianta eu contratar um candidato apenas pela roupa que ele veste e ele não ter um bom desempenho no trabalho?” Carla também acredita que empresas que lidam diretamente com o público tem um preconceito maior em contratar pessoas que sejam diferentes. “O preconceito em empresas que prestam atendimento direto ao público é muito maior, pois os chefes sabem que as pessoas rejeitam o diferente e não vão querer voltar num lugar onde existam diferentes tipos de pessoas, mesmo o atendimento sendo bom. Mas creio que um dia isso acabará, e as pessoas vão aceitar com mais facilidade todos o tipo de gente.”

Gabriela mostra sua tatuagem com símbolos no antebraço esquerdo

Foto: Leandro Isac

ANA BEATRIZ MOREIRA


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ECONOMIA

2º bimestre/2019

5 milhões de nordestinos vivem hoje em SP NATÁLIA MORAES

A região Sudeste do país tem sido a principal escolha para os migrantes de outras regiões, principalmente do Nordeste, que procuram por uma qualidade de vida melhor. Os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em outubro de 2011, mostram que mais de 45% da população do estado de São Paulo são imigrantes. E segundo as informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, feita em 2015, o estado possui mais de 12% de migrantes nordestinos. De acordo com o antropólogo e professor de história Rodrigo de Andrade Calsani, de Ribeirão Preto, essa migração interna acontece desde o século passado. “Na segunda metade do século 20, os nordestinos migraram em significativa proporção para o Sudeste”, afirma. Para ele, os migrantes buscam sua sobrevivência: “quando o indivíduo tem condições desumanas em seu lugar de origem, seja por guerra, fome ou outro fator, a migração passa a ser a única condição de sobrevivência”. A cabeleireira Agostinha dos Santos, 50, nasceu em Tabira, em Pernambuco, e se mudou com sua família para Ribeirão Preto em 1982, aos 13 anos de idade. Seus pais saíram no Nordeste junto com os filhos devido às condições financeiras. “Na época, fazia mais de cinco anos que não chovia lá, a seca era muito grande e não tinha como ganhar dinheiro. A gente saiu de Tabira para poder sobreviver”, conta a cabeleireira. Maria Lucia Batista Ferreira, 44, saiu da Bahia em 1995 para

a capital de São Paulo. Catorze anos depois se mudou para Ribeirão Preto. A comerciante conta que estava grávida na época e a mudança foi para que seus filhos tivessem uma vida melhor. “Na Bahia era muito bom, mas não tinha como trabalhar. Viemos em busca de melhorias para nós e meus filhos.” Marluce Fernandes Cordeiro, 39, que também é de Pernambuco, mudou-se para Ribeirão com seu marido aos 22 anos. “Aqui tem muitas oportunidades. Consegui estudar, fiz cursos e tirei minha habilitação.” Na opinião do antropólogo, os tipos de trabalhos que estão mais disponíveis para esses migrantes são os serviços com remuneração baixa: “trabalhos como na área rural, empregada doméstica e construção civil, porque eles não exigem uma formação superior”, conta. Marluce, que hoje é manicure, afirma que teve dificuldades em conseguir emprego na cidade. “No começo foi muito difícil porque eu não tinha nenhuma experiência. Depois de um tempo arrumei meu primeiro emprego de faxineira até conseguir estudar e abrir meu próprio salão.” Com Agostinha não foi diferente. Mesmo adolescente começou a trabalhar com sua irmã mais nova fazendo faxinas em casas de família para ajudar os pais. PRECONCEITO Segundo o professor, ao chegar ao Sudeste, os nordestinos sofrem algum tipo de discriminação. “Talvez esse preconceito ocorra pela má educação e a formação cultural patriarcal de alguns”, diz. Marluce declara que no início foi muito desprezada. “As

Fotos: Natália Moraes

Historiador de Ribeirão Preto afirma que a migração ocorre desde o século passado e é uma forma de sobrevivência

Agostinha abriu seu próprio negócio: a cabeleireira saiu do Nordeste há 37 anos devido à seca na região

pessoas faziam piadas e diziam que eu não sabia falar. Nos lugares que eu procurava emprego, mencionavam que não tinha serviço porque eu nunca trabalhei antes e não possuía experiência. Me olhavam com desprezo como se eu não conseguisse trabalhar por ser nordestina.” Agostinha afirma que nos anos 80 era comum essa rejeição em Ribeirão: “naquela época, nordestino era muito discriminado. Eu pedia para as pessoas me ensinarem a falar as palavras corretamente para que não sofresse tanto”. A comerciante Maria Lucia também sentiu o desprezo. “Me chamavam de ‘baianinha arretada’ e vários outros apelidos.”

O mesmo estudo do Ipea mostrou que mais de 50% das pessoas que saem do Nordeste para São Paulo não concluíram o ensino fundamental e somente 5% têm o ensino superior. Marluce é uma das que não conseguiram completar seu estudo em Tabira. “Eu até chorava porque via o pessoal indo para a escola e tinha muita vontade de estudar também, mas não tinha condições.” Ela diz que uma grande parte das pessoas que vivem no Nordeste “tem uma vida muito difícil e sofrida”. E complementa: “eu trabalhava na roça e não tinha dinheiro pra nada. A gente plantava as coisas e depois perdia porque não chovia. Era complicado”.

No Nordeste não tinha condições de chegar onde chegamos aqui Agostinha também conta que não foi fácil morar em Tabira. “As condições financeiras não tem nem comparação, porque lá era difícil para sobreviver. Nós éramos muito pobres e meus pais não tinham condições de comprar roupas ou calçados para nós.”

Marluce hoje é manicure e cabeleireira: ela se mudou para Ribeirão Preto em busca de uma vida melhor

DIFICULDADES Ao chegar ao Sudeste, os nordestinos enfrentam algumas dificuldades, como moradia. “Quando cheguei aqui fui morar com a minha sogra porque minha casa ainda não estava pronta. Foi um pouco difícil para me acostumar, mas depois fui aprendendo e conhecendo os lugares”, afirma Marluce. Agostinha diz que uma de suas tias ajudou a família quando se mudaram. “Foi minha tia que ajudou a nós quando chega-

mos aqui em Ribeirão. Depois todos começaram a trabalhar e conseguimos financiar um casa.” Maria Lucia também teve que ser acolhida por outras pessoas: “primeiro eu vim para casa de uma pessoa e só mais tarde comecei a trabalhar”, conta. MUDANÇAS De acordo com o historiador, “mesmo em solo paulista, os migrantes nordestinos vivem em situação de dificuldade e desafios”, mas que normalmente essas pessoas não voltam para suas terras. “A maioria dos nordestinos migra sozinho e depois, quando financeiramente possível, a família vem. Alguns pesquisadores dessa temática afirmam que muitos migrantes não conseguem retornar para seu lugar de origem”, declara. Hoje, morando em Ribeirão Preto, a cabeleireira Agostinha diz ter mudado de vida. “Agora as condições de vida é outra coisa. Se a gente não tivesse se mudado, não teríamos as coisas que temos hoje. Lá não tinha condições de chegar aonde chegamos aqui. Descobrimos o mundo e todos conseguiram estudar.” A vida de Maria Lucia também mudou após deixar o Nordeste: “consegui melhorar meu padrão de vida. Hoje tenho minha casa e meu próprio negócio. As coisas lá eram muito difíceis e foi melhor ter vindo para São Paulo”, conta. Marluce declara que aprendeu diversas coisas ao se mudar: “Ribeirão é uma cidade muito boa, tem oportunidades. Eu construí minha família e tenho meu próprio negócio. Eu sou muito feliz aqui.” Por fim, o professor Andrade diz: “São Paulo tem muitas características culturais desse povo. Precisamos entender e respeitar mais os migrantes”.


2 º bimestre/2019

ECONOMIA

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Mulher percorre 100 km para vender gelinhos

Roberta Eliano trabalha de segunda a sexta-feira no bairro Ipiranga, na zona norte de Ribeirão, para sustentar os pais Uma mulher de 50 anos vende refresco de bicicleta no bairro Ipiranga em Ribeirão Preto. Roberta Eliano autônoma, mora com os pais, não tem renda fixa e vende gelinhos para complementar a renda da casa. Sua profissão é cozinheira, mas teve de deixar o emprego em 2015 para cuidar dos pais, que estão doentes. Então teve a idéia de fazer gelinhos e vender porque os pais não são aposentados, recebem apenas um salário mínimo referente ao auxílio-doença. Roberta paga o carnê da Previdência como autônoma para ter direito a aposentadoria um dia. SABORES Os gelinhos têm vários sabores: goiaba com morango, laranja com acerola, abacaxi com hortelã, groselha azul, uva, maracujá, limão e caju. Cada gelinho é vendido por R$ 1,00. O sabor mais vendido é o de groselha azul. Roberta tem cerca de 200 clientes. Ela vende em média de 50 a 60 gelinhos por dia. As vendas dependem da temperatura: quando está muito calor, ela vende mais. Na parte da manhã ela faz os gelinhos e os coloca para gelar no freezer. Na parte da tarde sai para vendê-los. Roberta trabalha

cinco horas por dia, de segunda á sexta-feira das 13h às 18h. Roberta percorre cinco quilômetros por dia. No caminho de volta à casa, passa na Escola Alfeu Gasparini na Avenida Dom Pedro I no bairro Ipiranga, onde tem clientes. Roberta não revela quanto fatura com as vendas. Ela tem despesas na compra dos ingredientes para fazer os gelinhos. Essas despesas e os gastos na manutenção da família a impedem de poupar algum dinheiro. VENDAS Ela faz 200 gelinhos a cada dois dias. O trabalho consome três horas, na parte da manhã. São utilizados dois pacotes de açúcar de cinco quilos, dois litros de suco líquido e quatro saquinhos de suco. Gasta no total R$ 30,00 para fazer 200 gelinhos a cada dois dias. Conforme vão acabando os gelinhos, vai fazendo e repondo os sabores que faltam. Ela sai da sua residência na Rua Javari e caminha até o final da avenida Dom Pedro l. A vendedora de gelinhos percorre 25 km por semana, de segunda a sexta-feira, o que perfaz 100 km por mês. Roberta nunca foi assaltada na rua, mas tem medo da violência. No inverno as vendas dos gelinhos caem bastante. Ela acaba ficando em casa parada. Está pensando em fazer lanche natural ou cachorro-quente para vender no inverno.

Foto: Pamela Santos

PAMELA SANTOS

Roberta Eliano, autônoma, percorre 100 km por mês de bicicleta para vender gelinhos em Ribeirão Preto


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ECONOMIA

2º bimestre/2019

Massacre de boias-frias completa 35 anos ADÊNIA BATISTA

No entardecer de 15 de maio de 1984, em plena ditadura militar, um movimento grevista em Guariba, a 50 quilômetros de Ribeirão Preto, chamou a atenção do Brasil e para a situação precária dos lavradores que trabalhavam no corte da cana no interior do Estado, uma das regiões mais ricas do país. A violência na repressão do movimento, por 150 policiais militares, que usaram armas de

ros, para otimizar a operação de carregamento e transporte da cana. “Aumentavam em quase três metros a quantidade de cana para buscar. Teríamos um prejuízo de 37% na nossa produção”, afirma José de Fátima, líder dos boias-frias na época. O professor e pesquisador de Desenvolvimento Agroindustrial e Política Agrícola José Giacomo Baccarin conta que essa determinação não levou em conta as condições dos trabalhadores.

Guaribenses reunidos na sede da Sabesp por diminuição de taxas

fogo e bombas gás lacrimogênio, deixou 30 pessoas feridas e matou o metalúrgico aposentado Amaral Vaz Meloni, atingido com uma bala na cabeça. O motim dos boias-frias recebeu várias denominações: alguns o chamam de “greve de Guariba”, outros preferem “levante de Guariba” e ainda há quem conheça o episódio como “o massacre de Guariba”.

Ele estava no lugar errado, na hora errada A rebelião teve como estopim as condições de trabalho impostas pelos donos de usinas de açúcar e álcool aos trabalhadores rurais. Os patrões queriam mais produção de cana sem apresentar vantagens remuneratórias aos lavradores. Os usineiros decretaram que os cortadores de cana deveriam derrubar não mais cinco ruas de cana, como era de costume, mas sete ruas, sem significativo aumento de ganho para os canaviei-

“Eu e um colega da Unesp [Universidade Estadual Paulista] estávamos estudando as mudanças no corte de cana e escrevemos um artigo que tratava dos benefícios para os usineiros e dos prejuízos para os trabalhadores decorrentes das sete ruas. Um dos pontos que destacamos foi o caráter autoritário com que o novo sistema foi imposto.”, lamentou a esposa do metalurgico morto durante a manifestação. MULHERES Na década de 80, as condições de trabalho dos trabalhadores nas usinas de açúcar eram, além de precárias, instAveis. Os baixos salários e a falta de transporte e equipamentos adequados para a lavoura foram os principais motivadores das manifestações que tomaram as ruas do município. As mulheres foram as primeiras a se rebelarem e a paralisarem o corte da cana. No dia 15 de maio de 1984, o movimento até então pacífico tomou proporções que não estavam previstas. “A greve, com a dimensão que tomou, foi uma surpresa,

Boias-frias reivindicando melhores condições de trabalho e EPI’s

para nós pesquisadores. Ela não teve uma organização prévia e se espalhou rapidamente, comprovando o grande descontentamento entre os trabalhadores rurais”, afirmou Baccarin. “Embora o governo do Estado tenha cumprido um papel importante na negociação, ao mesmo tempo reprimiu com muita violência os trabalhadores, com muitos deles sofrendo fortes agressões da Polícia Militar”, declarou Baccarin. Quando a greve estourou não havia sindicatos ou políticos na sua organização. Por isso, na época, foi considerada uma ação espontânea. As condições degradantes do trabalho e a tomada de consciência de seus direitos foram as causas que levaram os trabalhadores a paralisarem suas atividades para mostrar que queriam condições dignas de trabalho. Esses trabalhadores eram em sua maioria dos Estados da Bahia, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Maranhão e Minas Gerais. Eles reivindicavam a volta ao regime de apenas cinco ruas de cana cortada, registro em carteira de trabalho, roupas adequadas e equipamentos de segurança de trabalho, alimentação e moradia decente enquanto estivessem em trabalho temporário. CARTA DE GUARIBA Segundo Baccarin, no Sindicato Rural de Jaboticabal, após a deflagração da greve em Guariba, aconteceram reuniões entre patrões e empregados com intermediação do governo do Estado. Chegou-se a um acordo inédito fruto de uma negociação específica para os canavieiros. Antes as negociações que ocorriam, com pouco espaço para os trabalhadores, diziam respeito a todos os trabalhadores rurais e eram muito genéricas. No documento chamado de Carta de Guariba, ficou acertado que as sete ruas não mais seriam usadas como critério de remuneração. Chegou-se a um acordo também quanto ao pagamento pelo corte e fornecimento de material de trabalho (botas, facões, podões, meias e luvas). Ainda de acordo com o pesquisador, mulheres maiores de 16 anos passaram a receber pelo quilo da cana cortada o mesmo que ganhavam os homens. Apenas os menores de 16 anos, continuaram a receber 60% do valor pago aos adultos. Férias, descanso semanal, 13º salário e equipamentos de proteção individual (EPIs) são alguns dos direitos garantidos a quem trabalhava na colheita da cana-de-açúcar depois da greve de 1984. MECANIZAÇÃO Segundo reportagem do jornal O Globo, em 2014, justamente no ano em que a greve de Guariba completou três décadas, teve início no Estado de São Paulo a

Fotos: Site Memorial da Democracia

Greve de cortadores de cana teve repercussão nacional e levou a mudanças na relação de trabalho com usinas

O metalúrgico Amaral Vaz Meloni de 46 anos foi morto durante a greve

mecanização total das lavouras de cana, resultado de um acordo entre o governo estadual e os produtores para eliminar as queimadas, indispensáveis ao corte manual. Alvo de intensa migração de trabalhadores para os canaviais no passado, Guariba hoje já tem grande parte da colheita mecanizada. Com isso, houve uma grande redução no número de empregos e agora o município exporta mão de obra. Os antigos boias- frias vão trabalhar em outras cidades da região, no Paraná ou em Minas Gerais e até mesmo no Paraguai. Muitos, porém, têm dificuldade de arrumar emprego, devido à pouca escolaridade. A crise no emprego surgiu com a mecanização das lavouras. Cada máquina substitui entre 80 e 100 trabalhadores. O avanço tecnológico veio para fazer frente a uma reivindicação ambiental, a de acabar com as queimadas, que lançam gases tóxicos, fumaça e fuligem. Segundo o presidente da Socicana (Associação dos For-

necedores de Cana de Guariba), Bruno Rangel Geraldo Martins, entre 2007 e 2011, cada avanço de 1% na mecanização na colheita correspondeu à demissão de 1.027 trabalhadores. O fato é que a monocultura canavieira, motor da economia de Guariba, já não garante vaga para a maioria de seus moradores. Na época da greve, Guariba tinha 10 mil cortadores de cana. Hoje, não passam de 500. A mecanização também impôs novas exigências de produtividade. Na época da greve, cada trabalhador cortava, em média, sete ou oito toneladas de cana por dia. Hoje, quem corta menos do que 10 toneladas por dia não conseguem trabalho. As mulheres foram as primeiras a ficar de fora. “Hoje tem muito direito, mas no papel. Sem emprego, não tem como cobrar”, diz José de Fátima Soares, que presidia o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guariba quando iniciou a greve e que não teve uma participação efetiva no movimento.

Direitos garantidos após greve fez com que diminuissem lavradores


2 º bimestre/2019

CIDADES

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App ajuda pessoas com dificuldades de fala Software, desenvolvido pela Universidade de São Paulo, é gratuito e ainda está em fase de teste em Ribeirão Preto

Um software desenvolvido pela USP de Ribeirão Preto promete facilitar a vida dos pais com filhos que têm dificuldade de se comunicarem. O SofiaFala é um sistema inteligente, interativo e gratuito que está em fase de testes há seis meses e já foi aplicado em 16 pacientes.

O software capta sons e imagens produzidos durante a execução do exercício fonoaudiológico e depois os analisam, oferecendo respostas sobre o desempenho da criança. A autônoma Juliana Morandini Vitório, 36, é uma das beneficiadas pelo aplicativo. Ela é mãe de Thamires, garota de oito anos que tem síndrome de Down. Quando Thamires nas-

ceu, muitas escolas se recusaram a matriculá-la, conta a mãe. “Foi difícil achar uma escola na qual ela se sentisse bem”, afirma. O aplicativo, segundo Juliana, melhorou a pronúncia das palavras da filha. Agora, afirma a mãe, a criança consegue se comunicar melhor e interagir mais em sala de aula, o que antes não acontecia a contento.

Fotos: Jean Cleiser

JEAN CLEISER

O aplicativo é parecido com um jogo e tem até recompensas

A coordenadora do projeto Sofiafala, Alessandra Alaniz, 37, diz que o protótipo do aplicativo também está sendo testado por usuários da ONG RibDown-RP. “O SofiaFala pode ser utilizado pelas pessoas no treino em suas próprias residências, seja com supervisão dos pais ou até mesmo sozinhas. O aplicativo ensina a criança a pronunciar corretamente as palavras.”

A paciente Thamires junto com a mãe brincando e testando o aplicatico SofiaFala: facilidade na pronúncia

adequado de produção desses sons. Em caso de dúvidas, criança ou tutor podem acessar imagens, vídeos e sons de orientação com um simples toque. O grupo ainda busca parcerias com empresas para aprimorar os recursos do aplicativo. “A gente precisa investigar a possibilidade desse aplicativo ser estendido para a população e essa questão de você também tornar o aplicativo de uso global. PRÊMIO A gente quer ver todo mundo Ainda segundo, Alessandra, usando”, afirma Alessandra. quando a criança consegue reCom cerca de 46 mil fonoproduzir o som das palavras cor- audiólogos cadastrados no Conretamente, ela ganha estímulos selho Regional de Fonoaudiolocomo estrelinhas e outros prê- gia, 5.000 já procuraram a USP mios dados pelo aplicativo. para ter o aplicativo que busca a O app manipula a informa- facilidade entre o profissional e ção e compara com um modelo o paciente.

Foto: Divulgação

Pediatra cria aparelho que localiza veias de forma precisa TASNIM KHALED

Uma empresa brasileira é responsável por desenvolver e patentear aparelho médico capaz de localizar veias periféricas de forma mais precisa. O dispositivo foi criado pelo pediatra e empreendedor no ramo de tecnologia e saúde, José Humberto Moromizato, da cidade de Itu. Moromizato é proprietário da empresa Duan, que há mais de 30 anos atua nas redes de saúde pública e privada no Brasil. A empresa, a partir de 2000, iniciou a fabricação do primeiro modelo do venoscópio.

Eu acredito que quem faz o bem, recebe o bem O aparelho é responsável por facilitar o processo de encontrar as veias dos pacientes, principalmente em casos de obesidade, doenças crônicas como o câncer ou em bebês prematuros, que em casos mais específicos precisam tomar algumas doses de medicamentos com maior frequência. “Ao aproximar o aparelho da pele dos pacientes, a luz de led deixa as veias bem mais visíveis. Dessa forma, o profissional da saúde que vai realizar algum procedimento com agulhas intravenosas consegue realizar um trabalho mais rápido e indolor.”

Profissional utiliza venoscópio: o aparelho facilita o procedimento de encontrar as veias dos pacientes sem provocar estresse

APARELHO O venoscópio foi patenteado pelo empresário e, de acordo com ele, ainda não possui concorrentes no Brasil, apenas no mercado externo. Segundo Moromizato, sua maior concorrência é composta por aparelhos que custam mais caro ou são menos eficazes. “Temos um concorrente que o produto é parecido com o nosso, mas é muito mais caro. Então o que o cliente iria desembolsar para comprar um único aparelho desse concorrente

ele acaba comprando vários da minha empresa com o mesmo valor. O que acaba compensando mais no quesito financeiro.” Atualmente, ele tem investido em vários protótipos diferentes do mesmo produto como, por exemplo, o aparelho Venos Beauty, que visa buscar a melhor aparência da pele no combate às varizes, e uma versão utilizada em cães e gatos baseada no modelo usado em recém-nascidos. De acordo com ele, cré-

dito limitado, difícil acesso, inexperiência no mercado internacional, recursos limitados para investimento em marketing e a viabilização do produto final são apenas alguns dos desafios que enfrenta quando tenta expandir a sua marca. Quando questionado sobre parcerias com empresas de produtos de incubadora ou neo-natal, ele diz já ter pensado nisso, mas que seu foco é “trabalhar a divulgação para decolar as vendas de seus produtos”.

FUTURO Sua patente já ganhou inúmeros prêmios, entre eles o ISHL e o 99 Soluções Inovadoras. Além disso, Moromizato realiza diversos projetos sociais e espera um dia realizar o sonho de participar do programa Médicos sem Fronteiras. “Eu acredito que quem faz o bem, recebe o bem. Creio que a melhor parte do nosso trabalho deve vir da satisfação pessoal por ter realizado coisas boas. Por isso gosto de fazer projetos sociais.”


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CIDADES

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Projeto incentiva idosos a praticar exercícios

Foto: Letícia Marques

Rede de hortifrútis Cenourão utiliza estacionamento da loja para dar aulas de educação física e orientação alimentar lem e estejam fazendo sempre esses movimentos.” Cada aluno é incentivado a seguir conforme seu próprio ritmo, sem exceder seus limites. “O nosso trabalho é realizado conforme a individualidade da pessoa, porém os comandos dos exercícios são sempre os mesmos. Sabemos que cada uma tem um histórico, algum tipo de restrição então dentro dessas condições que ela desenvolve toda a capacidade física da aula”, disse o educador.

Alunos durante dinâmica: atividades variadas estimulam amizades LETÍCIA MARQUES

A rede de hortifrúti Cenourão desenvolveu em Ribeirão Preto o projeto “Cenourão Saudável”, que tem como objetivo oferecer para a comunidade a prática de exercícios físicos aliada à boa alimentação. A ação promove aulas semanais no estacionamento interno do Cenourão da Henrique Dumont e conta com acompanhamento de educador físico e nutricionista. As aulas são abertas para a população em geral, independentemente da faixa etária ou gênero. No entanto, hoje elas abrangem mais pessoas idosas e predominantemente do sexo feminino. Durante todas as atividades há a presença de um professor,

formado em educação física, responsável pelas turmas e por elaborar cada atividade das aulas. Elas acontecem sempre às terças e quintas, com uma turma às 7h30 e outra às 8h30. Participam em média 80 pessoas por dia. Gustavo Chaguri, 41, é o professor responsável e traz para as aulas circuitos variados com ou sem equipamentos, dinâmicas, atividades em grupo e exercícios em sua maioria funcionais, com foco em movimentos do dia a dia, como andar, agachar e movimentar-se lateralmente. “São exercícios que a gente faz no dia a dia mas com o passar do tempo acabam se tornando um pouco mais difíceis para as pessoas então a gente tenta desenvolver a capacidade neural e motora para que elas estimu-

ALIMENTAÇÃO A nutricionista do Cenourão, Pâmela Coelho, 30, dá dicas para quem quiser e se coloca à disposição caso alguém precise de informações ou tenha dúvidas sobre alimentação. “A gente também se preocupa com a questão da alimentação e dá as dicas sempre que possível”, disse ela. De acordo com Pâmela, a hidratação é outro fator muito importante. “Durante as nossas aulas a gente também tem a questão da hidratação, então a gente deixa disponível água natural e suco de frutas sem açúcar todas as vezes que tem o projeto.” A nutricionista explica que a participação no projeto é aberta e gratuita a todos os públicos, sejam eles clientes ou não. É necessário somente um atestado médico que comprove a aptidão física e autorize a pessoa a participar do projeto. E assim,

juntamente com a análise do preparador físico durante as aulas, pode-se perceber como está o desenvolvimento e a resposta de cada aluno. RESULTADOS Para o professor, dentro de todo esse período de projeto eles tiveram muitos resultados e feedbacks positivos. Ele diz que com o decorrer do tempo é possível perceber que a procura das pessoas pelo projeto causa uma mudança considerável na vida delas. Para o engenheiro mecânico Marcos Antônio Dias, 63, a convivência é o fator mais importante do projeto. “A gente não tinha antes um problema que hoje é muito comum. Hoje você fica mais no celular que com as pessoas, então você tem aqui o que vale de verdade, que é o convívio”, disse ele Além disso, ele acredita que outro ponto forte de se exercitar dentro do prédio do Cenourão é a segurança. “Aqui você tem um lugar protegido de sol, um lugar seguro, então por isso vai atrair mais pessoas. A gente se sente melhor aqui do que na rua, a segurança faz o diferencial”, disse o aluno. A aposentada Maria Helena de Souza Ventura, 84, participa das atividades desde o início do projeto, por morar próxima ao local. Aliado aos exercícios no Cenourão, ela pratica também pilates como forma de alongamento e assim,

consegue maiores resultados. Segundo ela, o nível das aulas é bem tranquilo para todos. O professor está sempre ajudando e assim ela não tem nenhuma dificuldade. Para Maria o contato com os outros também é um ponto importante e ela acredita que apesar de se encontrarem mais nas aulas, as amizades feitas ali vão permanecer. “Recomendo porque é uma coisa muito boa, muito importante pra nossa idade, nossa cabeça e gênio mental. A gente faz amizade, é muito gostoso aqui”, afirmou a aposentada. A participante reconhece também que seria bom ter mais iniciativas como essa. “É importante divulgar e ter mais projetos, porque Ribeirão é muito grande.” Inicialmente há somente a unidade na Henrique Dumont, mas a equipe está em estudo para desenvolver novas ideias e atividades, segundo o educador físico Gustavo Chaguri. E de acordo com Pâmela, por enquanto eles só têm a atividade no Jardim Paulista devido a uma questão de espaço físico, pois as outras lojas são menores. No entanto, a intenção é seguir expandindo. “Nossa ideia é continuar porque tem dado muito certo e futuramente abrir em outras unidades do Cenourão, para que outros clientes de outros bairros possam usufruir desse projeto”, disse a responsável.

Ação social leva música e inglês a crianças desfavorecidas Foto: Nathalia Bovi

NATHALIA BOVI

O Núcleo Comunitário Futuro Aberto, localizado na rua Vicente Golfeto, 453, nos Campos Elíseos, zona norte de Ribeirão, oferece aulas de violão, flauta, teclado, pintura em tecido, dança, inglês, informática e o projeto “sopa de letrinha”, que é um reforço escolar. Segundo a responsável pela ação social, Iria das Graças Gomes, o projeto, que atualmente conta mais com mais de 30 voluntários, tem como intuito promover um ambiente de aprendizado destinado às crianças desfavorecidas que residem próximas aos bairros que circundam a paróquia. “É uma forma de oferecer e criar um ambiente seguro e aconchegante para as crianças, cujos pais trabalham o dia inteiro.” O projeto faz parte de uma ação social da Paróquia Bom Senhor Jesus da Lapa que, atualmente, atende mais de 30 crianças desfavorecidas da região. Ainda segundo Iria, a iniciativa do padre Estevão Remi Bruyland, da Paróquia Bom Senhor Jesus da Lapa, teve início em 1979, após perceber que

A ação oferece aulas de música, inglês, informática, dança e reforço escolas às crianças desfavorecidas

muitas crianças e adolescentes viviam em regiões próximas de maneira desfavorável. “Todas as atividades desenvolvidas têm como objetivo abrir um futuro ideal e real aos adolescentes e crianças aqui assistidos”, afirmou. De acordo com o voluntário e advogado Nicholas Pereira Carva-

lho, de 31 anos, o núcleo disponibiliza lanche da tarde e janta para as crianças após as atividades, que são realizadas de segunda a sexta-feira no período da tarde. “Essas e outras atividades só são possíveis graças ao trabalho que agrega vários voluntários, muitos deles membros da própria comunidade.”

Carvalho explicou ainda que cada criança é apadrinhada por uma pessoa que, nas datas comemorativas como aniversário, Natal e Dia das crianças, a presenteia com brinquedos, roupas e material escolar. “No Natal do ano passado, por exemplo, vários integrantes da Paróquia contribuíram para a

realização da festa para as crianças. Além de bolo, refrigerante e salgadinhos, convidamos um papai noel para entregar os presentes”, afirmou Carvalho. Além disso, com o auxílio das pastorais da paróquia, os voluntários orientam as famílias com visitas e doações de alimentos e roupas. “Com as visitas, vemos como é o relacionamento da família. Nossa prioridade é identificar se há violência no lar. Por isso, trabalhamos na orientação”, afirmou Iria. SERVIÇO O Núcleo Comunitário Futuro Aberto é um projeto social da Paróquia Bom Senhor Jesus da Lapa. Ambos ficam localizados na rua Vicente Golfeto, 453, nos Campos Elíseos, zona norte de Ribeirão Preto. Segundo Iria, interessados podem contribuir por meio de doações ou trabalho voluntário. Para mais informações, entrar em contato pelo e-mail iria.gomes@hotmail.com ou pelo telefone (16) 3626-8377.


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CIDADES

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Era digital obriga rádios a se reinventarem Emissoras começaram a migrar para as multiplataformas e redes sociais para não desaparecerem por completo Buscando voltar ao mercado, o rádio foi obrigado a se reinventar para não ser sucumbido pelas novas tecnologias. A soluINTEGRAÇÕES ção encontrada foi migrar para O profissional ainda explias plataformas digitais e aban- cou que com essas novas tecdonar as ondas do AM e do FM. Um dos exemplos mais claros desse avanço é a rádio Rede Fé 94,9 FM de Altinópolis, que tem sede em Ribeirão Preto. Ela foi a pioneira no Brasil a transmitir futebol em multiplataformas digitais, fazendo a transmissão dos jogos de Botafogo e Comercial pelo FM, pelo site da rádio, pelo aplicativo para smartphones e o pelo Facebook, que é a rede social mais popular do mundo atualmente. ESTRUTURAS Toda a estrutura da emissora, que pertence ao Grupo Moraes de Comunicação, foi feita pelo projetista Roger Lovetro, que trabalha para a Opictelecom. Ele explicou como são feitas as transmissões pelas multiplataformas. “Hoje nós trabalhamos com os melhores equipamentos existentes no mundo. Desde o microfone do locutor até a mesa de som há controle via IP através de um computador. As transmissões para o aplicativo e para o Facebook contam

nologias é possível ter interações entre estúdios em lugares distintos. “Nossos equipamentos hoje permitem que tenhamos um estúdio em Ribeirão e outro em Sertãozinho, mas que ambos conversem simultaneamente

através de um software de áudio e vídeo chamado VMIX.” Ainda segundo Lovreto, é possível fazer uma transmissão de futebol com o narrador em um estúdio e o comentarista em outro por exemplo. Tudo isso mostra, de acor-

do com Lovreto, que todos os veículos de comunicação estão sendo obrigados a se reinventar para não desaparecer. “Em sua grande maioria, como está sendo o caso do rádio, o meio teve que migrar para as plataformas digitais.” Foto: Divulgação

com imagens que são geradas através de câmeras acopladas nos microfones presentes no estúdio”, afirmou Lovreto.

Equipe da Rede Fé FM durante programa exibido diariamente pelas multiplataformas da emissora em Ribeirão Preto (Foto/Reprodução)

Ribeirão tem aumento em Família de Ribeirão Preto vende brigadeiro mortes causadas por motos para pagar tratamento de saúde de criança LINCOLN LIMA

Com uma das maiores frotas proporcionais de motocicletas no Estado de São Paulo, Ribeirão Preto registrou nos primeiros meses de 2019 um crescimento no número de vítimas fatais em acidentes envolvendo motos. Entre janeiro e março, 11 motociclistas morreram em acidentes, contra 7 no mesmo período de 2018. Além das vítimas fatais, existem aqueles que sobrevivem aos acidentes, mas ficam com sequelas graves para o resto de suas vidas. Este é o caso de Marcos Vinicius, 27, que perdeu uma das pernas num acidente de trânsito em dezembro do ano passado. Vinicius relata as dificuldades de reinserção na sociedade e afirma que está buscando motivação no esporte e na academia. “Tudo ainda é muito novo para mim. Ainda é recente. Tenho tido dificuldades, mas prefiro me apegar às coisas boas. Se acostumar com uma nova maneira de viver não é simples, mas não tenho outra escolha. Estou me apegando ao esporte e aos treinamentos físicos. Tenho pegado firme na academia”, disse. Vítima de um motorista imprudente, o jovem prefere não falar tanto sobre o fato, mas ressalta sua indignação pela impunidade. “Foi uma imprudência. Infelizmente ele não agiu da manei-

ra correta e acabou acontecendo isso. Eu fui o prejudicado, perdi uma perna, mas ele não sofreu praticamente nada. Me ajudou com algumas poucas coisas, mas não está passando o que eu estou. Fica uma sensação de impunidade”, afirmou. Atualmente, Ribeirão conta com uma frota de 138 mil motos, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Só nos três primeiros meses do ano, o emplacamento de veículos zero quilômetro somou 1.283. Ainda segundo o órgão, Ribeirão Preto é o terceiro município do Estado de São Paulo em número de motos. Para Luiz Gustavo Correia, especialista em planejamento e gestão de trânsito e membro do Observatório de Segurança Viária, o aumento nos acidentes com motos tem relação direta com o crescimento de 13% na venda desses veículos no primeiro trimestre, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave). “São vários fatores, mas a falta de um transporte público de qualidade e de uma opção como ciclovia para transitar no município acabam levando as pessoas a comprarem a motocicleta como meio de transporte barato. Só que ela traz um grande risco. Quanto mais motocicletas, mais risco de acidentes”, diz.

LUAN ORTOLAN

Com o custo do tratamento muito alto, os pais de Henri Heres, 3, de Ribeirão Preto, tiveram então a ideia de vender brigadeiros para ajudar a pagar as despesas. Eles criaram o “Brigadeiro do Bem”, que foi um sucesso e despertou comoção na sociedade. Henri tem síndrome de Down e foi diagnosticado com cardiopatia congênita ao nascer. Em sua 12ª semana de gestação, Caroline, mãe de Henri, fez um exame conhecido como translucência nucal e mostrou que o bebê era portador de uma doença, mas sem saber qual. Na época, a mãe foi orientada a realizar um exame mais específico. A ideia do “Brigadeiro do Bem” teve surgimento quando a família precisava de uma quantia no valor de R$ 500,00 para o garoto realizar algumas seções de fonoaudiologia que eram indispensáveis ao seu tratamento. “Criamos o Brigadeiro do Bem quando o Henri estava já havia quase 90 dias em UTI e precisava de uma Fono para poder ter alta sem a sonda que o alimentava. Postei em um grupo de Facebook, o que provocou uma repercussão muito grande”, afirma Carolina.

Foto: @fabiodfotografia

KAUÊ FELIPE

Henri comemora aniversário: brigadeiro para pagar tratamento

Atualmente, Henri ainda realiza alguns tratamentos de fisioterapia, fonoaudiologia, homeopática orgânica e terapia quântica. Todos os tratamentos foram alcançados através do projeto “Brigadeiro do Bem”. Hoje em dia a família consegue vender aproximadamente 20 caixas de brigadeiro por semana. Os doces são de fabricação própria. A caixa de brigadeiro com 4 unidades é vendida no valor de R$ 10,00. “Os nossos brigadeiros são

de extrema qualidade. São produtos feitos com muita dedicação. Várias empresas apoiam a causa e acabam comprando para presentear os funcionários em datas comemorativas”, diz mãe. De acordo com Carolina, a ideia já começou a render mais frutos. “No momento estamos montando nosso Buffet Delivery. Contamos com 26 fornecedores e realizaremos festas fechadas para os clientes que desejarem”, declara.fechadas para os clientes que desejarem”, declara.


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ESPORTES

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Hipista de Ribeirão é campeão Sul-Americano

Com vitória na Argentina, Lucca dá um passo na carreira e passa a integrar o ranking da Federação Equestre Internacional

Foto: Arquivo Pessoal

GLEICE LIRA

O hipista ribeirão-pretano Lucca Pereira Lima ganhou o Campeonato Sul-Americano do Concurso Completo de Equitação (CCE) realizado em Campo de Mayo, na Argentina. O estudante de 16 anos venceu na categoria uma estrela, com obstáculos que chegam a 1,1 metro de altura.

Educa Judô investe em futuros campeões FELIPE BOLITO

Foto: Murilo Bernardes

O Educa Judô é um projeto social gerido pela Associação de Judô Corpore Sano, em Ribeirão Preto, e é mantido através da lei do incentivo ao esporte, que visa ensinar crianças de 4 a 12 anos de idade a lutar judô. A proposta do projeto é, principalmente, a educação através do esporte. Com quatro anos de existência, o projeto está em constante crescimento. Desde o seu

surgimento, já beneficiou mais de 5.000 alunos. Atualmente está presente em seis cidades: Ribeirão Preto, Franca, Sertãozinho, Morro Agudo, Cajuru e São Simão. Para 2020, o projeto pretende dobrar sua capacidade, e 12 cidades já foram confirmadas como sedes. A expectativa é de que 4.000 crianças sejam beneficiadas. Além das aulas, o Educa Judô disponibiliza quimono, camisetas e mochilas totalmente grátis para todos os alunos.

Fotos: Murilo Bernardes

VITÓRIA FORA DE CASA Pela primeira vez o jovem campeão participou de uma prova fora do Brasil. Por aqui, já conquistou diversos prêmios nacionais e, atualmente, lidera os rankings da Confederação Brasileira de Hipismo e do Campeonato Olímpico do Amanhã, ambos na categoria nível 1. “Além de exigir do atleta e do cavalo uma grande preparação física, essa competição requer uma grande logística para o transporte”, declara Lucca. Segundo ele, esses desafios são muito importantes para o crescimento profissional. Para que se consiga um bom desempenho no hipismo, o atle- Lucca Pereira Lima durante treino para futuros campeonatos: atleta ribeirão-pretano foi campeão na Argentina e passa a integrar ranking ta destaca virtudes como a paciência e dedicação aos treinos e mais planos para o futuro: quer fundamental porque “faz com atenda às necessidades escolares va é das melhores, principalmena confiança no cavalo. “Com o cursar engenharia. Por isso, não que o aluno valorize e distribua e extraescolares”, afirma. te no Guega Centro Hípico, onde tempo, desenvolvemos uma re- deixa a escola de lado e concilia as horas do dia para administrar o jovem treina com o atleta olímlação incrível, e ele se torna nos- o esporte aos estudos. DEVER CUMPRIDO pico Serguei Fofanoff, o Guega. todas as atividades”. so melhor amigo e um grande Com a vitória na prova na “Ele é um orgulho. Sempre “Por entendermos a imcompanheiro.” ATLETA E ESTUDANTE portância do esporte, inclusive, Argentina, Lucca dá um passo foi dedicado e, desde que soube Falando em tempo, o estuPara o coordenador do colé- para os níveis de concentração na carreira e passa a integrar o que iria representar o Brasil na Ardante do terceiro ano do ensino gio onde estuda, Eduardo Gula do aluno, preparamos com os ranking da Federação Equestre gentina, vem redobrando o cuidamédio de Ribeirão Preto tem Sobrinho, a prática esportiva é pais um calendário paralelo que Internacional (FEI). A expectati- do com os treinos”, diz o técnico.

Além das aulas, o projeto disponibiliza quimonos, camisetas e mochilas grátis para os alunos

Alunos do Educa Judô em ação: projeto recebe mais de 4 mil alunos

O coordenador do projeto, Cleber do Carmo, é vice-campeão mundial de judô e, segundo ele, o principal motivador na manutenção do projeto é a quantidade de crianças que recebem a oportunidade de serem educadas através do esporte que o projeto alcança. “É um trabalho duro. Fazemos tudo dentro das nossas limitações, principalmente financeira. Mas tudo é feito de coração, pelo amor ao esporte e

queremos dar a chance de crianças mais pobres terem acesso à educação através do esporte. Formamos cidadãos, antes de grandes atletas”, afirmou. PEQUENOS FRUTOS Um dos exemplos de atletas que surgiram do projeto e tem conseguido conquistar resultados expressivos em nível nacional está Victor Rocha, que tem apenas 18 anos. O judoca da Corpore Sano

atualmente é vice-líder do ranking paulista e está classificado para o campeonato brasileiro de judô. Rocha credita os bons resultados a toda a estrutura que recebe dentro da equipe. “Meus resultados estão crescendo significativamente. Desde que comecei no projeto, até hoje, é muito clara minha evolução. Conquistei títulos, disputei grandes competições, isso é fruto do ótimo trabalho e das condições que recebi da equipe”, afirma Rocha.


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CULTURA

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Ribeirão Preto vira cenário de filme de terror Foto: Divulgação

‘Mal Nosso’, do diretor Samuel Galli, venceu festival internacional do México de melhor filme de terror latino-americano

Avenida Luiz Galvão Cézar, próxima à Dom Pedro I, palco de uma das cenas principais do longa-metragem ‘Mal Nosso’, que estreou em março desse ano no Brasil

O longa-metragem “Mal Nosso”, que foi produzido e dirigido em Ribeirão Preto, teve destaque em festivais de cinema internacionais. O filme estreou em março e ficou três semanas em cartaz no Brasil. O trabalho tem roteiro e direção assinados por Samuel Galli, fotografia de Victor Molin e produção de Tato Siansi. O longa produzido pela Kauzare Filmes e distribuído pela O2 Play venceu o prêmio de melhor filme de terror da América Latina em festival no México. Para Siansi, produtor do longa, a ideia do projeto era chamar a atenção para o cinema nacional e atrair o público ribeirão-pretano para as telas do cinema. “Ainda não tínhamos ideia de como realizar o filme. Quando sentamos para conversar e estruturar o projeto, decidimos que seria um terror”, diz.

Imprevisível e assustador Screen Daily, portal de crítica internacional

de audiovisual Marcos Pitta, 23, o filme merece nota 9 pela coragem. “A nota tão alta se dá pela ousadia. Foi completamente inovador uma equipe de Ribeirão Preto ir atrás do sonho de filmar um longa de terror no interior de São Paulo”, diz. Pitta acredita que a narra-

tura e das grandes ferrovias. Ficou conhecida por receber imigrantes italianos que vinham para o Brasil em busca de oportunidades nas lavouras de café da região, na Estação Barracão. Já a Luiz Galvão Cézar começa quando a Dom Pedro termina. Uma das maiores empresas de be-

de sua filha, ele toma medidas drásticas, contratando um serial killer nas profundezas da deep web para ajudá-lo. PÚBLICO José Piutti, 20, estuda jornalismo na UNAERP e conta que não esperava que o filme fosse surpreender tanto. “Eu gostei do filme. Por ser terror brasileiro, ele é mais audacioso do que imaginei que seria”, comenta. Para o jornalista e estudante

Cena de Arthur (Ademir Esteves) com o vilão (Walderrama dos Santos)

pressões culturais não acontecerem de forma regular na cidade. “Não é costume do ribeirão-pretano ver um filme sendo gravado”, diz.

O primeiro ato é muito bem escrito, muito bem dirigido e editado Cinema Ferox, especialista em filmes de terror

bidas do mundo está situada ali. A Companhia de Bebidas Ipiranga, fabricante da Coca-Cola em Ribeirão, completa 70 anos de história em 2019. Agora as avenidas são reconhecidas mundialmente em festivais internacionais de cinema. Uma das dificuldades para gravar o filme eram as locações. “A gente enfrentou alguns problemas de apoio. Por gravarmos em espaços públicos, não conseguimos a energia necessária e era preciso pedir para alguns moradores emprestado”, afirma o produtor. Para Siansi, a falta de apoio acontece devido ao cinema e ex-

Com custo estimado de R$ 350 mil, o longa já contabiliza a participação em mais de 30 festivais internacionais. O filme estreou primeiro lá fora, como estratégia para abrir o mercado e ganhar reconhecimento tanto nacional, como internacional. Finalizado no meio de 2016, o longa foi exibido em Moscou e Cannes, passando também por Londres e Barcelona. No México, o longa venceu a categoria de “Melhor Filme de Terror da América Latina” no Macabro Film Festival. Já no Brasil, a produção só estreou em 14 de março de 2019, ficando três semanas em cartaz. Um recorde para um filme do gênero, produzido no país. “Para que esse público respeite o filme de gênero nacional, tem que ter um selo de qualidade dado pelos festivais aqui e de fora. Foi o que aconteceu com o ‘Mal Nosso’ e várias outras produções recentes que fizeram, acredito eu, que o terror entrasse de vez nas salas e outras plataformas aqui”, explica Galli, diretor do filme.

MERCADO Para o professor, produtor audiovisual, bacharel e mestre em Imagem e Som pela UFSCar Cid Machado, as chances para quem quer produzir um filme no Brasil ainda existem. “O filme ‘Mal Nosso’ é uma prova disso. Mas como tantos outros mercados, o de cinema é bastante competitivo, portanto demanda prepa-

ro, persistência e oportunidade”, afirma. Segundo Siansi, o filme irá explorar novas plataformas como Netflix, ITunes e Now. Então quem ainda não teve a oportunidade de assistir, não precisa ficar decepcionado. “O filme estará disponível na internet e muitas pessoas terão acesso à produção nas plataformas digitais”, comenta.

Victor (à esq.), Samuel (centro) e Tato (à dir.), produtores do longa-metragem gravado em Ribeirão

Foto: Divulgação

As referências para o terror são inúmeras, seja dentro dos gêneros mais punk até os suspenses macabros, “Mal Nosso” se encaixa em um terror que explora gênero espiritual e passa por pitadas de mistério e assombração noir. “Se você faz um filme de terror aqui no Brasil, tem a grande chance de ser comparado com o

cinema americano. Mesmo assim optamos por esse gênero por ser mais barato e também por gostarmos muito”, afirma Siansi. Em “Mal Nosso”, Arthur é um homem com poderes mediúnicos. Avisado pelo seu mentor espiritual que uma entidade demoníaca pretende destruir a alma Foto: Keren Hapoque/Divulgação

LUIZ FERNANDO FIGLIAGI

tiva foi construída de uma maneira em que o filme não se torna algo comum, mas que passa uma mensagem no final e se importa com o pensamento crítico do espectador.

Filme cria um clima pré horror utilizando da trilha sonora que aumenta e abaixa sem que nada se revele Cinemação, site de crítica brasileiro “O filme vai além e apresenta os personagens de maneira adequada”, afirma. PRODUÇÃO Uma das cenas do filme foi realizada próximo a um ponto de ônibus entre as avenidas Dom Pedro I e Luiz Galvão Cézar. A Dom Pedro, é o local que remonta aos tempos da cafeicul-


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CULTURA

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Nem só de música se faz uma orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto tem um pé em projetos que visam aproximar comunidade do mundo da arte

Com o intuito de levar a música erudita aos ribeirão-pretanos, a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto conta com projetos sociais que permitem apresentações gratuitas à população. A orquestra realiza mensalmente, desde 1996, apresentações pela série Juventude tem Concerto, no Theatro Pedro II, voltado a crianças e adolescentes. Trata-se de um momento interativo entre plateia, músicos e maestro, na tentativa de aproximar os jovens da música erudita e popular, já que o repertório é explicado a quem está assistindo. Outro concerto realizado pela orquestra é a Música Solidária, em que os músicos fazem apresentações em asilos, creches, orfanatos, escolas e hospitais, com objetivo de levar a música clássica a quem não tem condições de ir a um teatro. Além disso, toda sexta-feira que antecede o concerto principal, nomeado Concerto Internacional, a série Ensaio Aberto de Orquestra se apresenta para alunos das escolas públicas e privadas de Ribeirão Preto e região. Outro projeto conhecido na casa é a série Ciranda Sinfônica, que leva apresentações gratuitas a diversas cidades com repertórios diversificado. Há também um projeto edu-

Foto: Arquivo Orquestra

BRUNA MELO

Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto em concerto no Teatro Municipal de Sertãozinho: músicos querem proximidade com o público

cativo chamado Tocando a Vida, no qual é voltado para comunidades carentes. Esse projeto visa oferecer aos jovens um conhecimento na área da música, por meio de aulas gratuitas de canto coral, flauta doce, teoria musical e instrumentos de orquestra. Reginaldo Nascimento é formado em música pela Universidade de São Paulo (FFCLRP - USP). Iniciou sua carreira na orquestra como violinista e em seguida passou de regente assistente a titular.

“Quando a gente se apresenta pra pessoas que nunca tiveram a oportunidade é muito interessante ver a reação delas. O mais importante da nossa arte é que ela transforma”, afirmou o maestro. Além dos projetos sociais, a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto realiza mensalmente apresentações da série Concerto Internacional, que conta com a presença de renomados solistas e maestros brasileiros e estrangeiros. A realização é feita no The-

atro Pedro II, e os ingressos ficam à venda no site do ingresso rápido e na própria bilheteria do teatro. José Antônio Francisco, gestor administrativo financeiro da Associação Musical de Ribeirão Preto, mantedora da orquestra, disse que os músicos são sempre bem recebidos pela população. “Quando acontece uma apresentação dentro de escolas, todos adoram, especialmente os da terceira idade. Eles começam a cantar juntos, porque a música erudita acaba

retomando ao passado deles. É emocionante”, afirmou. HISTÓRIA

A Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto completa este ano 98 anos. É considerada patrimônio cultural da cidade e mantida pela Associação Musical de Ribeirão Preto. A pratica de projetos educacionais, didáticos e socioeducativos é dada através da Lei de Incentivo à Cultura e pelo ProAC. A orquestra é uma entidade privada e sem fins lucrativos.

Escritor de 89 anos ainda impressiona fãs com suas histórias BIANCA COLLUCI BELGE

Já escreveu também para os jornais O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e Shopping News, entre outros. Também colaborou muitos anos no jornal A República. Apesar de sua grande e extensa obra, Lucchetti não parou por aí. “Atualmente, estou escrevendo “A possuída”, será o volume 12 da Coleção R. F. Lucchetti”, afirma.

Foto: Arquivo pessoal

Nascido em Santa Rita do Passa-Quatro e atualmente residente de Jardinópolis, o escritor ficcionista e roteirista Rubens Francisco Lucchetti, 89, já escreveu mais de 1.500 livros com seu nome e pseudônimos, 40 scripts de rádio, 50 roteiros de cinema, 300 roteiros de histórias em

quadrinhos e roteiros para o Zé do Caixão. “Demoro em média dez dias para escrever um livro. Antigamente terminava em dois ou três dias.” Lucchetti iniciou sua carreira nos jornais Diário da Manhã, A Tribuna, A Cidade, O Diário, Diário de Notícias e A Palavra, de Ribeirão Preto.

O escritor Rubens Francisco Lucchetti durante entrevista em sua casa: obras de terror e suspense atrai o público

O escritor diz que não tem planos de deixar de escrever. HOMENAGENS Paulo Biscaia Filho, 49 anos, professor da Unespar e diretor de teatro e cinema, desenvolveu recentemente um curta baseado em várias histórias de Lucchetti. “Projeto realizado pelo Rumos Itaú Cultural chama-se A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti. Era composto de uma peça de teatro (está em nosso repertório desde 2017), uma HQ desenhada pelo José Aguar e adaptada de Museu dos Horrores e dois curtas: uma adaptação do conto O Caso de Paul Clossidy e uma entrevista com o Lucchetti. Os curtas estão disponíveis para todos na plataforma de vídeo Vimeo.” REFERÊNCIA A psicóloga, escritora e roteirista Morgana Alessandra, 38, é uma grande fã do escritor e conta que sempre conheceu suas obras e se identificou com o gênero. “Quem é escritora e amante de horror, terror e suspense, no Brasil sempre conheceu o Lucchetti. Desde minha pré-adolescência aprendi a gostar dessas obras e me identifiquei com esse tipo de literatura.” A roteirista conta que sua

obra favorita do escritor é “A mansão de Sorona” e que acha o escritor é um verdadeiro mestre do gênero. “Ele é um dos mestres do mundo e o do Brasil. Acho que não temos nenhum escritor que tenha a obra tão completa quanto a dele.” Presta um serviço para a literatura que é inenarrável. Lucchetti é um ícone vivo do que apresenta a literatura de horror, suspense e terror nacional. Ele é nosso mestre, que a nós escritores passamos de um para o outro. Lucchetti é uma referência. Ele é uma pessoa incrível, um autor magnífico e de primeira categoria.” NOVOS PROJETOS Lucchetti conta que mesmo com alguns problemas de saúde e atrasando ao escrever, a literatura ainda é o que o diverte. “A única coisa que ainda me mantém vivo é querer ver os 15 volumes da Coleção R. F. Lucchetti publicados. Em minhas histórias eu procuro sempre misturar realidade e ficção, a fim de baratinar a cabeça dos leitores. É um jogo de aparências que me diverte e muito.” O escritor possui uma página no Facebook - Rubens Francisco Lucchetti, onde responde a seus fãs e recebe e pedidos de compra de seus livros.


2 º bimestre/2019

JARDINÓPOLIS

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Prédio da Santa Casa desmancha aos poucos Antigo hospital era referência na região em seus tempos de atividade, atualmente serve de moradia para andarilhos JOSIELE BATISTA WEVERTON GOULART

O prédio do Hospital Santa Casa de Jardinópolis se encontra em completo abandono há dez anos. Um lugar que antes era local para salvar vidas, referência na região e contava com um completo atendimento médico, hoje é ocupado por moradores de rua, andarilhos e usuários de drogas. O espaço é tomado por lixo e sujeira que as pessoas deixam ou descartam lá. Equipamentos quebrados que eram usados nos atendimentos também fazem parte do cenário atual do hospital. As paredes estão quebradas e os telhados têm risco de desabamento. O hospital foi fechado em 2009 por conta de dívidas que a gestão acumulou. Mesmo sendo um hospital público, que também atendia convênios particulares, a Santa Casa era -e é até hoje- um patrimônio particular. Segundo o engenheiro civil e secretário de Infraestrutura da Prefeitura de Jardinópolis, Rafael Castaldini, o prédio já foi a leilão algumas vezes, a última vez foi em 2014. “A prefeitura sempre deu lances para comprar o antigo prédio e pretendia construir no local um lugar para abrigar moradores de rua e pessoas necessitadas, porém as propostas de compras nunca foram aceitas.” RISCOS Muitos moradores de rua se abrigam nos quartos do hospital

Fotos: Weverton Goulart

Frente da antiga maternidade da Santa Casa; local está entregue ao vandalismo e a usuários de drogas

abandonado à noite, o que amedronta a população e a inibe de sair de casa. Ali também é usado como ponto para usuários de drogas, o que aumenta o risco para os moradores do bairro. A dona de casa Alzira Mancini, 63, conta que morou sua vida inteira naquele bairro e que sempre foi muito tranquilo. Mas depois que o hospital ficou abandonado, a calmaria da vizinhança se foi. “Já pularam na minha casa duas vezes, graças a Deus não tinha ninguém lá.” E essa situação de perigo também atrapalha comércios que estão ao redor do antigo hospital. Como o caso de Antônio Rodrigues dos Santos, que tem um bar em frente ao prédio

há 54 anos. O comércio sempre foi seu sustento, mas depois que o hospital fechou o movimento caiu bastante. Ele conta que é necessário até encerrar o expediente mais cedo. “Perdi muita clientela depois que o hospital ficou abandonado, por ser um lugar mais perigoso à noite, acabo sendo obrigado a fechar as portas mais cedo para evitar que o pior aconteça”, afirma Santos. Como o local é totalmente esquecido pelas autoridades, as questões de cuidados com higiene e limpeza da área também estão em falta. Os matos estão altos, caixas-d’água sem tampas e os materiais deixados no local acumulam água que servem

Fogueira acesa por usuários de drogas e andarilhos se alastrou pela sala principal do prédio do hospital

Patrimônio histórico da cidade Inicialmente denominado de Distrito de Ilha Grande, ao alçar a condição de município, desmembrando-se de Batatais, em 1898, Jardinópolis, assim passou a se chamar, em homenagem ao republicano Silva Jardim, o qual, em 1896, morreu ao cair no vulcão Vesúvio, no sul da Itália. Tudo começou na capela da igreja matriz, que foi construída para as pessoas que ali moravam. A cidade tem vários patrimônios históricos. Um deles é o antigo cemitério da cidade, que foi criado pelo baiano João Muniz Sapucaia, que curiosa-

mente morreu logo em seguida e foi o primeiro a ser enterrado na cidade. Existem patrimônios na cidade que ainda se mantêm impecáveis, como a atual prefeitura, que está na ativa há 29 anos Construído em 1913 para educar gerações de meninas, o prédio é um dos patrimônios mais antigos da cidade e também foi a primeira escola de Freiras da região. No mesmo ano foi criado também o Hospital Santa Casa, que atualmente está abandonado, a capela que posteriormente se tornou a Igreja Matriz, o co-

de criadouro para o mosquito da dengue, oferecendo perigo à saúde da população. A prefeitura diz que não cabe a ela executar a tarefa de limpar o local, mas pode pedir para os proprietários tomarem as devidas providências. NOVO ‘HOSPITAL’ Em 2013, foi inaugurado o Hospital “Leni Balan Jacomine” sob o mandato do prefeito José Jacomine. Ele construiu o novo prédio usando a verba que era destinada para quitar as dívidas da Santa Casa. A intenção era que o atual hospital suprisse a demanda da Santa Casa, oferecendo um atendimento completo hospitalar, mas não foi assim que aconteceu.

O hospital atual de Jardinópolis na verdade é um Pronto-Socorro, o que faz com que os moradores sofram com a falta de um atendimento médico completo. Em casos de alta complexidade, os pacientes são enviados para hospitais de Ribeirão Preto e região, dependendo de regulação de vagas. A estrutura do hospital contém salas para cirurgias com equipamentos prontos para uso, porém, é necessário um alvará de funcionamento para que essas salas sejam ativadas.

Há 10 anos não nascem mais jardinopolenses porque a maioria dos partos são realizados nas maternidades de Ribeirão Preto PRESERVADO O prédio da antiga Santa Casa já foi tombado como patrimônio histórico da cidade. Fundada em 1913, a arquitetura tem traços autênticos do século XX. Dentro do hospital foi construído uma capela, onde as pessoas iam orar enquanto estavam com parentes internados no hospital. A pequena capela foi lacrada quando o hospital foi fechado. Ela está conservada com suas pinturas originais e é o único lugar do prédio que os moradores de rua e usuários de droga não entraram.

Andarilhos ocupam salas que já foram quartos para os pacientes

légio Américo Sales e o antigo teatro da cidade, onde hoje funciona um comércio. A atual rodoviária, que é bastante movimentada, já foi uma estação ferroviária, onde as pessoas embarcavam para irem trabalhar nas cidades da região como Ribeirão Preto e Batatais. Reformada recentemente, causou alguns transtornos entre os moradores que não aceitavam a ideia de modificar algo tão importante para a história dos antigos, que se lembram com carinho do famoso berço da Maria Fumaça, que ali dormia todos os dias depois das 11 horas. Capela do hospital está lacrada e conserva suas pinturas originais


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