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Jornal barao de maua web 150

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OPINIÃO

O sucesso dos Tuc Tucs em Sertãozinho Tatiane Vaz Bomfim

SAÚDE Pesquisa revela que fisioterapia ajuda a diminuir sintomas da enxaqueca Pág. 5

jornal barão de mauá Pontos de ônibus sem cobertura causam reclamação de usuários Curso de Comunicação Social - Hab. em Jornalismo Centro Universitário Barão de Mauá

Ribeirão Preto - SP 1º semestre/2016

Deficiência deixa passageiros expostos ao sol e à chuva; Transerp promete providências  Pág. 3 Foto: Guilherme Galdino

CULTURA Livros editados por José Olympio serão reunidos em um mesmo espaço Pág. 10

ESPORTES Equipe de handebol de Ribeirão Preto leva os treinos até a madrugada Pág. 8

ECONOMIA Produtores de Ribeirão faturam com plantio sem o uso de terra Pág. 7

TRABALHO Roupas contribuem na contratação de candidatos a vaga de emprego Pág. 11

ESPORTE  Para-atleta do ciclismo de Ribeirão Preto tenta posição no ranking nacional  Pág. 9

Homens lideram mortes em acidentes de trânsito

Sonho do próprio negócio estimula jovens a tentar o empreendedorismo

Os homens estão entre as maiores vítimas de acidentes de trânsito na região de Ribeirão Preto. Do total de colisões fatais, 77% envolvem o sexo masculino.

As mulheres são 19% das vítimas. Na região, o número de acidentes aumentou 6,6% no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período de 2015.  Pág. 4

O número de pessoas no Brasil que se arriscam a montar o próprio negócio vem aumentando ano a ano, principalmente os mais jovens. Empreender é uma

Mapa racial revela concentração de brancos na zona sul de Ribeirão

Foto: Pamela Oliveira

LACTOSE  Cada vez mais o mercado ganha produtos sem lactose, açúcar presente no leite e derivados. Isso porque muitas pessoas, como o garoto Pablo Henrique Santos Pires, 4, têm deficiência de enzima que digere a lactose. Elas sentem náuseas, dores abdominais e diarreias, entre outros sintomas  Pág. 6

Foto: Barbara Pedro

Pág. 3

LITERATURA Paixão pelos livros aproxima jovens de todas as partes do Brasil Pág. 10

das opções para escapar do desemprego. Apesar da crise, especialista diz que momento pode ser oportuno para abrir empresas em diversos ramos. Pág. 7

ANIMAIS Ex-babá realiza campanha para criação de canil em Pradópolis Pág. 12


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1º semestre/2016

EDITORIAL

Transporte e dignidade É razoável defender que as pessoas deixem os automóveis em casa e utilizem transporte público. A cidade ganha quando essa medida se generaliza, pois o tráfego passa a fluir melhor e reduz-se a emissão de gases poluentes. Numa palavra: o uso do transporte público gera qualidade de vida às cidades. Essa medida, se adotada pelos cidadãos, seria muito benéfica para Ribeirão Preto. A frota de veículos local já ultrapassa 500 mil unidades, e as consequências podem ser constatadas nos constantes engarrafamentos nas vias urbanas da cidade. Mas para os moradores deixarem seus carros na garagem e se deslocarem em coletivos são necessários não apenas incentivos do poder público. Também que esse meio de transporte ofereça conforto, seja pontual e em quantidade adequada para atender a demanda. E os pontos de ônibus devem, obviamente, estar entre as preocupações do poder público. Esses locais devem oferecer segurança e proteger os usuários das variações climáticas, principalmente em uma cidade de altas temperaturas como Ribeirão Preto. Reportagem do jornal barão de mauá constatou, porém, que a maioria dos pontos de ônibus da cidade deixa, infelizmente,

a desejar nesse aspecto. Moradores ficam desprotegidos do vento, do sol e da chuva quando aguardam condução.

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Levar conforto aos pontos é uma maneira também de respeitar um dos valores mais altos dos cidadãos e protegido pela Constituição: a dignidade Nesse sentido, são positivos os esforços que a Transerp, o órgão responsável pelo setor, para que essa situação seja modificada. Espera-se que as providências para melhorar a situação dos pontos sejam adotadas o mais breve possível. Elas darão, sem dúvida, uma considerável contribuição para estimular as pessoas a usarem ônibus no lugar dos carros. Levar conforto aos pontos é uma maneira também de respeitar um dos valores mais altos dos cidadãos e protegido pela Constituição: a dignidade.

O jornal barão de mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. CHANCELER

Prof. Dr. Nicolau Dinamarco Spinelli (in memorian) REITORA

Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães VICE-REITOR

Prof. João Alberto de Andrade Velloso PRÓ-REITORA DE ENSINO

Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino PRÓ-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO

Antonio Augusto Abbari Dinamarco COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO

Profª. Ma. Renata Canales

REPORTAGEM, FOTOJORNALISMO E DIAGRAMAÇÃO

Alunos do curso de Jornalismo

PROFESSORES RESPONSÁVEIS Prof. Me. José Antonio Bonato PROJETO GRÁFICO E EDIÇÃO DE ARTE

Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA

Prof. Me. Jefferson Barcellos REVISÃO DE TEXTOS

Prof. Me. José Antonio Bonato Profª. Ma. Renata Canales Tiragem: 500 exemplares Os textos desta página, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.

EXPEDIENTE

EDIÇÃO E COORDENAÇÃO

Novo tempo; nova cara O chargista O jornal impresso, como conhecemos hoje, surgiu na virada do século xvi para o xvii. Notícias, classificados, anúncios e até fofoca já estavam presente nesse veículo desde seu período embrionário. O intuito: informar a crescente população urbana. De lá pra cá, se essa estrutura pouco mudou, sua apresentação visual sofre mudanças sempre que sua hegemonia comunicativa é ameaçada. Foi assim com a introdução de fotos no fim do século xix, com o uso de cores após

o advento da tv, e com a enxurrada de novos projetos gráficos, mais limpos e atraentes, após a surra que levou da popularização da internet nos anos 2000. Tudo sempre para manter por perto seu principal substrato: o leitor. O jornal barão de mauá chega em 2016 com uma nova cara, e um desafio parecido, porém do outro lado do front de batalha: tornar o jornal impresso mais atraente e relevante para aqueles que estarão em breve do outro lado das notícias: os estudantes de jornalismo.

TATIANE VAZ BOMFIM

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Comecei publicando charges aos 15 anos no jornal o diário de Ribeirão Preto - SP, participei de vários salões de humor (inclusive Piracicaba) e colaborei com jornais de sindicatos (bancário e metalúrgico). Paralelamente ao trabalho diário no jornal ilustro livros infantis e atuo como freelancer no mercado publicitário. Atualmente publico charges no jornal a cidade de Ribeirão Preto. Gosto muito de pintar telas também, onde esqueço um pouco da podre política. Renato Andrade

Tuc Tuc: da Índia para o Brasil Chacrinha dizia que na TV nada se cria, tudo se copia. O triciclo da Índia ou Tuc Tuc como mais comumente chamamos por aqui, veio para o Brasil mostrar que fora da TV também. O riquixá, como é peculiarmente conhecido o veículo no país asiático das históricas rotas comerciais, adentrou mundo e chegou a Portugal para diversão dos turistas, ao nosso vizinho Peru para transportar passageiros e finalmente por aqui, já que a brasileiro também copia. Mas se a ideia é boa, por que não? Foi o que pensou o fundador da Motocar, a empresa paulista pioneira na fabricação dos triciclos no Brasil. Entre projeto, desenvolvimento e regulamentação do produto, que foi homologado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), foram cinco anos, mas valeu a pena: 15 dos 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal contam com concessionárias autori-

zadas da empresa. Cada triciclo custa em torno de R$ 15 mil, usa um litro de gasolina para rodar até 30 km e para guia-lo o motorista deve ter habilitação na categoria A, a mesma de motocicleta. Com todas essas facilidades, quando o desemprego atingiu o ex-metalúrgico Fernando César da Cunha, 40 anos, de Sertãozinho - SP, ele não pensou duas vezes - comprou dois triciclos e foi para rua trabalhar de taxista. Com o negócio, Fernando se mantém e ainda emprega mais duas pessoas: “minha cunhada atende os chamados por telefone e um outro rapaz guia o outro veículo, em média atendemos 30 pessoas por dia” Como Fernando, vários outros empreendedores apostaram na ideia para fugir da crise em Sertãozinho, é possível avistar um Tuc Tuc a cada cinco minutos circulando pelo trânsito da cidade e a novidade agradou: “não precisa

jornal barão de mauá na internet:

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Horário de funcionamento segunda a sexta: 18h30 às 22h30

usar capacete, só o cinto de segurança” diz a aposentada Luzia Barbosa, que aciona um triciclo toda vez que precisa ir ao centro da cidade. E se Chacrinha tinha razão, Lavoisier não ficou atrás - no território tupiniquim os usos tradicionais do Tuc Tuc não se perderam, mas também se transformaram: em Brasília, um bar oferece serviço de táxi com o Tuc Tuc para os clientes mais beberrões que não querem ser multados pela lei seca. Tem lista de espera e tudo. E assim o brasileiro vai encontrando uma maneira de driblar a crise: copia daqui, cria dali, inventa uma moda de lá. Talvez a Índia nem saiba, mas seus charmosos riquixás estão fazendo muito sucesso por aqui. Tatiane Vaz Bomfim é estudante do curso de Jornalismo da Barão de Mauá.

Desde 1966, formando grandes profissionais, baseada em princípios éticos e humanísticos, a Organização Educacional Barão de Mauá é hoje referência em qualidade de ensino.


CIDADES 3

1º semestre/2016

Pontos de ônibus são alvo de reclamação

Usuários se queixam da falta de assentos, cobertura e sinalização; Transerp admite o problema e anuncia melhoras MARINA OLIVEIRA

Moradores de Ribeirão Preto que utilizam transporte coletivo reclamam da precariedade dos pontos de ônibus na cidade. Além da falta de assento e de cobertura, muitos pontos estão sem sinalização. São vários os bairros que enfrentam esse mesmo problema. Nos Campos Elíseos a situação não é diferente. Théo Mendes, estudante de engenharia, conta que o local onde ele pega ônibus para ir para a faculdade as condições são as piores. “Quando chove, eu não sei o que fazer. Tento me proteger da maneira que posso, já que a o ponto não tem cobertura”, afirma. Na zona norte da cidade o problema se repete. Mônica Pereira, empregada doméstica e estudante, sofre com a falta de assento no bairro Adelino Simioni. “Trabalho o dia inteiro em pé e, no período da noite, vou estudar. Sou obrigada a esperar o transporte em pé. Tem dias que minhas pernas ardem, e o jeito é sentar na guia da calçada mesmo. Isso é uma falta de respeito com o ser humano”, afirma Mônica. OUTRO LADO José de Araújo, diretor de

Transporte da Transerp, empresa responsável pelo setor de trânsito, disse que 25 abrigos são instalados todos os anos. “Desde 2012, nós já colocamos 75 abrigos pela cidade. Sempre que possível estamos ampliando. Ou abrigos de concreto ou de estrutura metálica, que inclui assentos e cobertura para os usuários”, afirma. “Ao receber alguma solicitação, é preciso fazer uma vistoria no local. Não são em todos os lugares que comportam o abrigo. Por causa de uma árvore, de uma calçada mais estreita ou até mesmo de um poste. São critérios que a gente utiliza para avaliar esses pedidos.” Araújo conta, também, que com o projeto de construção de corredores, previsto a partir do ano que vem, novos pontos ficarão disponíveis para serem instalados em locais de grande demanda. “Esses corredores receberão abrigos diferentes, e os mais de 230 abrigos que serão substituídos vão ser remanejados para os bairros”, diz. “De fato muito precisa ser feito ainda, mas nós estamos em um estágio muito avançado se comparado a outras grandes cidades”, afirma Araújo.

Foto: Marina Oliveira

Usuários de transporte coletivo aguardam o ônibus sob o sol na rua Duque de Caxias, no centro de Ribeirão

POLUIÇÃO DO AR

Frota cresce sem afetar qualidade do ar FRANCIELLE GUIDETTI

Apesar do número de veículos nas ruas de Ribeirão Preto ter ultrapassado 500 mil unidades, o ar da cidade está em condições adequadas para a saúde humana. “Em termos gerais os níveis observados para diversos poluentes são menores do que os observados nas décadas passadas”, informa a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). A empresa é o órgão responsável por fiscalizar o ar em Ribei-

rão Preto e é quem desenvolve o Plano de Controle de Poluição Veicular (pcpv). Na maior parte do tempo, o ar encontra-se em condições adequadas para a saúde humana, porém ao longo do ano podem-se observar alguns dias com altas concentrações de poluentes, o que favorece doenças cardiorrespiratórias e irritação aos olhos. A prefeitura, em nota, informou que existem vários modelos de campanhas que incentivam a mobilidade urbana

através do transporte público, o que contribui para reduzir os níveis de emissão de poluentes pelos carros particulares. A campanha que é reconhecida mundialmente e que se repete a cada ano, na semana de 16 a 22 de setembro, denomina-se "Dia Mundial sem Carro" (World Car Free Day), data internacional celebrada no dia 22 de setembro, em cidades do mundo todo. O objetivo é estimular uma reflexão sobre o uso excessivo

do automóvel, além de propor às pessoas que dirigem todos os dias que revejam a sua dependência em relação ao transporte individual. A bicicleta, o transporte público, o deslocamento a pé são alguns exemplos de que isso é possível e quem ganha é o meio ambiente e a qualidade de vida da população. Um dos resultados práticos dessa intervenção nos últimos anos é o crescimento de ciclovias e ciclofaixas nas cidades

de uma forma geral, além da crescente implantação de corredores de ônibus e faixas exclusivas, que visam diminuir o tempo de viagem, atraindo um maior número de usuários. “Vale acrescentar que intervenções técnicas no sistema possibilitam inúmeras melhorias que também colaboram para estimular a diminuição do uso do transporte individual motorizado”, declara Renata Barussi, assessora de imprensa da Prefeitura de Ribeirão Preto.

Mapa racial revela predominância de brancos na zona sul PEDRO GOMES

A agência de análise de dados Pata disponibilizou na rede um mapa racial do Brasil realizado através do censo de 2010 do IBGE. Em Ribeirão Preto, o mapa aponta que a Zona Sul possui grande parte dos brancos moradores do município, sendo que pardos, negros, asiáticos e indígenas estão em bairros mais pobres. De acordo com o sociólogo Wlaumir Souza, negros, pardos e mulheres tendem a compor as frações de classe mais baixas, ex-

ploradas e dominadas. “Eles são os mais explorados devido ao racismo e ao machismo. Ou seja, os negros tendem a ser mais pobres por serem os mais explorados socialmente com salários mais baixos devido à cor da pele, independentemente da qualificação, o que ocorre também com a mulher por ser mulher.” O jornalista e professor universitário Silas Nogueira diz que antes de se fazer a leitura sob a ótica dos dados estatísticos, é preciso considerar que, no Brasil, existe uma formação social racista e

uma história marcada pela violência e pelas profundas desigualdades. “O país nasceu a partir do confronto violento de portugueses contra os povos indígenas e, posteriormente, contra os povos negros. E a camada dominante, formada por brancos europeus, prosseguiu, escravizando, torturando, explorando, discriminando e segregando. Dessa forma foram plantadas as bases da sociedade que aqui se construiu.” Você pode conferir o mapa no site: patadata.org/maparacial

Foto: Pedro Gomes

Mapa racial de Ribeirão revela que zona sul tem mais brancos


4 CIDADES

1º semestre/2016

Aumentam acidentes na região de Ribeirão

No primeiro trimestre, foram 96 vítimas fatais. Maioria das mortes envolve homens, com idades entre 25 e 29 anos O número de mortes no trânsito na região de Ribeirão Preto aumentou 6,6% no primeiro trimestre de 2016, comparado ao mesmo período do ano passado, segundo o Sistema de Informações Gerenciais de Trânsito de São Paulo (Infosiga-SP). De acordo com o relatório, 90 pessoas morreram em toda a região em acidentes de trânsito, entre janeiro e março de 2015, contra 96 no mesmo período deste ano. Ribeirão Preto, Franca, Monte Alto e Barretos são as líderes em ocorrências fatais. Para o especialista em planejamento e gestão de trânsito Luiz Gustavo Correa, representante de Ribeirão no Observatório Nacional de Segurança Viária, o aumento no número de mortes no trânsito é motivado por falta de atenção do motorista, imprudência, e bebida alcóolica. “A questão é da falta de respeito à sinalização, nós vemos acidentes em que as pessoas não respeitam o sinal vermelho. O uso intensivo de celular na direção, o comportamento agressivo dos motociclistas, e a questão da bebida, estão entre os fatores mais agravantes para o aumento dos acidentes”, disse. A colisão entre veículos tem

um valor expressivo no relatório, registrando 42,70% dos casos, sejam em rodovias, ou ruas dentro das cidades. Os atropelamentos também marcam um alto índice com 22,91%. As vítimas são jovens, na faixa de 25 a 29 anos. A vendedora Tatiane Nascimento, conta que foi atropelada quando atravessava a avenida Independência por um motorista que avançou o sinal vermelho. “Ele passou no sinal, nem me viu. Na verdade ele estava até falando no telefone. É uma falta de respeito total com o pedestre.” BURACOS Correa afirma ainda que a má conservação do asfalto da cidade também contribui para o aumento no índice de acidentes. O especialista alerta também para a falta de campanhas de conscientização. "Essa situação atinge todos nós, de uma forma direta ou indireta, e não é feito nenhum programa de conscientização para o habilitado, para o motorista.” Ainda de acordo com o relatório, os homens representam 77% das mortes e as mulheres representam 19% dos casos. A maioria dos acidentes envolve carros (29%) e as motocicletas 26%.

Foto: Tainá Manna

TAINÁ MANNA

Levantamento revelou que os homens são a maioria dos motoristas envolvidos em acidentes

TECNOLOGIA

Plataforma ajuda pacientes a marcar consultas RENATA AQUINO

Com a finalidade de driblar a crise no sistema de saúde, tanto público como privado, um jovem universitário de Ribeirão Preto resolveu criar uma plataforma para fornecer atendimento médico com agilidade e preços mais acessíveis aos pacientes. O estudante de administração Raúlo Ferraz descobriu na necessidade a possibilidade de melhorar o atendimento da saúde no município.

"Após um acidente desagradável não conseguia agendar com nenhum médico do convênio, foi quando comecei a pensar em uma solução para melhorar o atendimento não só do paciente mas também o trabalho do médico," afirma Raúlo. A plataforma Hippo Drs atua com mais de 60 médicos, de 20 especialidades diferentes e laboratórios de exames clínicos. As consultas são realizadas no prazo de 48 horas, e os pacien-

tes podem agendar tanto online quanto por telefone. Os valores das consultas custam a partir de R$ 70 e variam para cada especialidade. De acordo com o estudante, o principal objetivo da plataforma hoje é humanizar a saúde, melhorando a remuneração dos médicos e entregar um serviço de qualidade para o paciente. A professora Lucimara Santos possuía dificuldades em agendar um médico no sistema público

para realizar um exame de rotina e buscou por atendimento na plataforma. Ela aprovou os serviços prestados durante a consulta. "O mais importante é que nem demorei pra ser atendida, vale muito a pena." SERTÃOZINHO A plataforma realiza o agendamento de consultas para vários moradores da região, mas os médicos que atendem pelo sistema são de Ribeirão Preto e Sertãozinho.

E-COMMERCE

Redes sociais ajudam micros a divulgar suas marcas JENIFFER SOUZA

Pequenos empreendedores de Ribeirão Preto utilizam as redes sociais para divulgarem suas marcas e obter um número maior de vendas, através das divulgações online. Eles apostaram no Facebook e no Instagram para trabalharem diferentes formas de anúncio. Para Kaio César da Silva, 33, proprietário de duas lojas de roupas no Centro, a plataforma que lhe trouxe mais resultados foi o Instagram. “Essas ferramentas possibili-

tam um maior contato com nossos clientes. Assim que postamos as fotos eles já têm acesso virtual. Recebemos vários pedidos de reservas por dia”, afirmou. A gerente de uma relojoaria que não quis ser identificada disse que qualquer coisa que for postada em uma rede social gera muita visualização. “Aqui na loja nós temos nossa fan page no Facebook. Mesmo sendo voltada para uso de acessórios de moda, temos muitas curtidas.”

Segundo Silva, nem todos os produtos, no entanto, são fáceis de vender nas redes sociais. “Meu pai trabalha no ramo de indústrias de ar-condicionado e já tentamos de várias formas utilizar a ferramenta Facebook, mas não gerou bons resultados.”

sem nenhum custo. “Esse benefício parece tão distante, mas, na verdade, não é. A publicidade online permite que o empreendedor faça ações íntimas com o cliente, gerando ainda o controle estatístico disso. ” Ele ainda declarou que o que empreendedor precisa para utiCUSTO lizar da melhor maneira essas Laércio Ferreira da Silva, ferramentas é passar ao cliente mestre em administração, co- a sensação de exclusividade. Os mentou que o marketing digi- internautas precisam achar que tal proporciona para as empre- aquele produto foi exclusivasas o acesso às redes sociais, mente feito para ele, afirma.

INTERNET Navegação limitada, se virar realidade, vai trazer prejuízo para os usuários FELIPE FARTO

Algo que está preocupando muitos internautas ribeirão-pretanos é a possibilidade de limitar a internet fixa no país. Se aprovada pela Anatel, as operadoras reduzirão a velocidade da internet ou bloqueariam a navegação ao atingir o limite de dados contratados no mês. A medida foi discutida em abril por grandes empresas. As operadoras de internet como Oi, Vivo e net anunciaram que passariam a utilizar o mesmo sistema já comum nos planos de internet móvel, que prevê bloqueio ou redução ao atingir o limite de dados. Para o professor de tecnologia da informação Giuliano Mendes, 34, o problema dos limites na banda larga fixa é que se usam cada vez mais serviços em streaming, como o Netflix ou YouTube, que numa conexão de velocidade de 25 Mb/s, considerada avançada, precisaria apenas de 11 horas de programação para atingir 130 GB de dados utilizados, que serão a quantidade limitada para um mês de contrato.”


1º semestre/2016

SAÚDE 5

Fisioterapia reduz sintomas de enxaqueca

Técnicas de alongamento diminuem a dor, revela pesquisa feita pela Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão

Profissional do HC faz massagem em mulher que sofre de enxaqueca: fisioterapia alivia as dores

Jornalista enfrenta dores desde os 15 A jornalista de Ribeirão Preto Patrícia Gentil, 30, convive com as dores desde a pré-adolescência. Segundo ela, os sintomas começaram a aparecer antes dos 15 anos. “Sofro de enxaqueca desde os meus 11 anos. Comecei a sentir dor com frequência, inclusive de passar mal na escola. Fui ao mé-

dico e ele diagnosticou enxaqueca. Tenho fortes dores num lado da cabeça. Geralmente do lado esquerdo. Sinto náuseas e calafrios, além da perda de apetite”, afirma Patrícia.

sensibilidade à luz. “Muitos vêm ao neurologista e falam que não conseguem ficar na claridade. Eles vão para um quarto escuro a fim de diminuir o impacto da dor”, afirma Débora. E se não for tratada da maSENSIBILIDADE neira correta, a enxaqueca pode Segundo a pesquisadora Dé- atrapalhar a vida social do pabora Grossi, uma das causas ciente, afirma a pesquisadora da mais comuns nos pacientes é a Universidade de São Paulo.

Hormônio do sono tem ação anti-inflamatória contra Chagas Pesquisa é pioneira na fase crônica da doença GABRIELA MAULIM

Recente pesquisa da equipe do Laboratório de Parasitologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP), da USP, demonstrou que o hormônio melatonina, conhecido como hormônio do sono, ajuda no tratamento à doença de Chagas, inflamação causada por um parasita encontrado em fezes do inseto barbeiro que pode causar insuficiência cardíaca e problemas digestivos. A pesquisa, liderada pelo professor José Clóvis do Prado Júnior, mostra que o hormônio também apresenta potencial antioxidante, o que ajudaria no controle do processo de morte celular. De acordo com a pesquisadora da equipe Vânia Brazão, as pesquisas foram realizadas em animais infectados pela doença. “Todos os dias, no período da manhã, procuramos administrar o hormônio sintético nos animais. O processo durou 60 dias”. Ainda não existe previsão para o estudo ser aplicado em humanos e os pesquisadores ressaltam que a melatonina não apresenta propriedade de cura da doença.

ENTENDA A DOENÇA DE CHAGAS A doença de Chagas é transmitida pelo inseto barbeiro. A inflamação é causada por um parasita presente nas fezes do inseto. A doença é apresentada em dois estágios: aguda e crônica. t FASE AGUDA

FASE CRÔNICA

A fase aguda pode apresenA fase crônica pode causar tar sintomas moderados ou ne- esses sintomas: nhum sintoma. Entre os principais sintomas estão: –– Constipação –– Problemas digestivos –– Febre –– Dor no abdômen –– Mal-estar –– Dificuldades para engolir –– Inchaço no olho –– Batimentos cardíacos –– Inchaço e vermelhidão no irregulares local da picada do inseto –– Fadiga Não há cura para a fase crô–– Irritação sobre a pele nica da doença. –– Dores no corpo –– Dor de cabeça –– Náusea, diarreia ou vômito –– Surgimento de nódulos –– Aumento do tamanho do fígado e do baço Esses sintomas podem desaparecer sozinhos, porém, se não tratados, a doença pode evoluir para sua fase crônica.

Gzuckier/Wikimedia Commons

Uma pesquisa feita por sete estudiosos do Departamento de Biomecânica da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto concluiu que a fisioterapia auxilia no tratamento da enxaqueca. Foi com técnicas de alongamento que os estudiosos visaram melhorar as condições de vida de quem sofre da doença. “Nosso projeto é entender um pouco, não apenas a dor no pescoço, mas todas as repercussões funcionais”, afirma a pesquisadora responsável, Débora Grossi. O tratamento foi realizado em mulheres, por ser a população que mais sofre com a doença. Cinquenta voluntárias com idades entre 18 e 55 anos participaram do processo. Foram oito sessões, com duração de 50 minutos, duas vezes por semana, no Ambulatório de Cefaleia e Algias Crânio Faciais do Hospital das Clínicas. As pacientes que participaram da pesquisa foram divididas em dois grupos. O primeiro recebeu medicação e passou por atendimento fisioterápico durante 30 dias. O segundo recebeu apenas a medicação. As pacientes que foram submetidas a fisioterapia tiveram 4,5 dias a menos de enxaqueca.

Já o grupo que teve apenas a medicação como tratamento reduziu a dor em 3,7 dias. No segundo mês, as pacientes que faziam o tratamento com o auxílio da fisioterapia diminuíram ainda mais a incidência da dor. Foram 5,2 dias a menos de dor. Aquelas que fizeram o acompanhamento somente com o remédio diminuíram 4,6 dias. Segundo a pesquisadora, os resultados positivos foram surpreendentes no estudo e comprovam que a fisioterapia é um auxílio a mais no tratamento da doença. “O que os nossos dados demonstraram é uma coisa que a gente já sabia. A fisioterapia pode ajudar no manejo da dor do paciente que tem enxaqueca”, diz Débora. A DOENÇA A enxaqueca é uma dor crônica que se desenvolve na pré-adolescência. As causas reais ainda são desconhecidas, embora estejam ligadas a alterações do cérebro e possuam influência genética, segundo estudos. As crises de cefaleia podem durar de 4 a 72 horas, e os sintomas mais comuns, são vômitos, náuseas e sensibilidade à luz e ao som.

Inverno pode ser fatal para quem não valoriza a saúde do coração LUANA SANTOS

O inverno pode ser fatal para pessoas com tendência a ter problemas cardíacos. Segundo o fisioterapeuta e professor especializado em cardiologia Paulo Cesar Bósio, de Ribeirão Preto, o infarto é causado por uma obstrução das artérias que irrigam o coração. O entupimento é causado por uma placa de gordura afetando um índice maior de pessoas no inverno. O infarto é resultado de um desequilíbrio entre a oferta de oxigênio e o consumo do músculo do coração, tornando o músculo sem função, sem conseguir bombear sangue para o restante do corpo. Há vários tipos de tratamento: o uso de medicamentos e colocação de ponte de safena estão entre eles. Os principais sintomas são dor no peito, dor no membro superior esquerdo, região do pescoço, suor frio, náuseas e vômito. O fisioterapeuta diz que há vários fatores para a doença, dentre eles a “hipertensão arterial, tabagismo, obesidade, estresse, diabetes e colesterol alto”. Para evitar a doença, afirma Bósio, as pessoas devem optar por um estilo de vida saudável, com realização de exercícios físicos e uma reeducação alimentar. André Luiz Faria de Souza, 52,

Foto: Luana Santos

Foto: Luiz Bombonato

LUIZ BOMBONATO

André Souza: infarto em 2010

morador do bairro Vila Virgínia, em Ribeirão, trabalha como supervisor técnico no laboratório de rádio do Centro Universitário Barão de Mauá. Ele teve infarto em 2010 e perdeu sua irmã mais velha pela mesma doença. Segundo ele, os principais sintomas foram dor no peito, dor de cabeça, falta de ar e pressão alta. Hoje, Souza leva uma vida normal e, para cuidar da saúde, faz dieta, caminhada, ciclismo e uso de medicamentos para controlar colesterol e pressão alta.


6 SAÚDE

1º semestre/2016

Intolerância à lactose causa inchaço, cólica e dores abdominais

Fotos: Pamela Oliveira

Problema está relacionado à falta ou escassez de enzima no organismo de sangue e teste de pele”, diz a mãe, Carina dos Santos Pires. A lactose é o açúcar presente Ela diz que precisa ler os rótuno leite e derivados digerido por los dos produtos do supermercauma enzima chamada lactase. do para ver se não têm leite na Quando essa enzima é pouco composição e que os alimentos produzida ou não está presente sem lactose são mais caros. no organismo, a pessoa torna-se intolerante à lactose e, portanto, ENVELHECIMENTO consumir leite e produtos lácteos Há três tipos de intolerância à pode lhe causar náusea, gases, in- lactose: a primária, resultado do chaço, cólicas, diarreia, distensão envelhecimento; a secundária, reabdominal, sintomas de má di- sultado de alguma doença ou fegestão e assadura na região anal. rimento, e a congênita, quando a O pequeno Pablo Henrique pessoa já nasceu com o problema. Santos Pires, de quatro anos, No caso da congênita, existe a convive com a doença desde o possibilidade de reverter a situanascimento. ção como ocorreu com Olavo, de “Para descobrir por que o sete anos, que hoje em dia come meu filho sentia dores abdomi- de tudo, sem ter reação. nais, tinha vômitos e diarreia “Quando bebê, ele ficava com foram realizados vários exames o bumbum todo assado, quase PAMELA OLIVEIRA

em carne viva, se tivesse contato com lactose. Procurei o pediatra e ele começou a realizar um tratamento, no qual eram dissolvidas algumas gotas do leite na água para começarmos a acostumar o organismo dele a aceitar a lactose”, relata a mãe, Daniela da Silva Lima. Os intolerantes à lactose devem fazer uma reaprendizagem alimentar. “Uma dieta balanceada com vegetais verdes, feijão, ervilha, lentilha, batatas, nozes, grão de bico, ovos, sardinhas, além de carne vermelha para suprir as necessidades do cálcio, fosforo, potássio e proteína. Já o uso de leite só o com baixa lactose, ou os leites de soja e de arroz”, ensina a nutricionista Debora Bueno Pereira.

O garoto Pablo Henrique Santos Pires consome leite sem lactose

Mercado oferece diversos produtos sem lactose para consumidores

Preocupação excessiva com Pilates ajuda na reeducação imagem é sinal de transtorno postural e acaba com dores BRUNA ARAÚJO

O Transtorno Dismórfico Corporal, tdc, conhecido também pelo termo dismorfofobia, atinge entre 1% a 2% da população mundial. É um transtorno relacionado à autoimagem que faz a pessoa imaginar um defeito na aparência ou tornar uma pequena anomalia física em obsessão. Esse transtorno traz um grande sofrimento ao indivíduo, que se torna inseguro, podendo provocar uma profunda depressão. As pessoas com esse problema podem abandonar a escola, evitar entrevistas de emprego, trabalhar em ocupações abaixo de suas capacidades ou evitar qualquer emprego. O Transtorno Dismórfico Corporal, em geral, inicia-se durante a adolescência e afeta tanto homens como mulheres. Essa doença já atingiu muitos famosos como as cantoras Demi Lovato e Miley Cyrus. Recentemente a jornalista Daiana Gardin, esposa do também jornalista global Tiago Leifert, criou um canal no YouTube para falar sobre o tdc.

ções específicas para o distúrbio de imagem corporal, algumas drogas ajudam a reduzir sintomas de depressão e ansiedade. ”A estratégia é fazer com que o dismórfico mude a forma de pensar e entenda que a aparência não deve ser o foco da vida e, principalmente, que pequenos defeitos não precisam ser levados a sério’’, afirma o psiquiatra. Segundo o especialista, a dismorfia corporal pode se manifestar de diferentes formas como a anorexia, a bulimia e a vigorexia (treino físico excessivo em busca do corpo perfeito). A estudante de administração Jéssica Correia, 21, foi diagnosticada com o transtorno quanto tinha 15 anos e se sentia acima do peso. “Senti a necessidade de procurar um especialista quando pessoas ao meu redor diziam me enxergar de uma forma diferente da qual me eu via no espelho. Percebi que as minhas preocupações foram aumentando conforme o tempo a ponto de não querer mais sair de casa. Fiz inúmeros regimes, usei muitos reTRATAMENTO médios para emagrecer”, relata. O psiquiatra e especialista Jessica teve ajuda da família e em transtornos corporais Má- também de um psiquiatra. rio Nunes diz que o tratamen“Quando fui diagnosticada to, em geral, requer uma abor- com dismorfia, eu nem sabia da dagem psicoterápica para que existência dessa doença. Sei que a pessoa possa compreender a não existe um tratamento espeverdadeira natureza dos senti- cifico, mas o acompanhamento mentos de inadequação. médico e a minha família me Apesar de não haver medica- ajudam muito.”

ADRIELE ALMEIDA

Segundo pesquisas especializadas, cerca de 80% dos adultos tiveram, têm ou terão dor nas costas. São várias as causas para este tipo de dor, sendo a mais frequente na região lombar, chamada de lombargia. A tensão e o estresse são razões para contraturas musculares, mas a má postura é a que se apresenta como a mais recorrente. Sete a cada dez pessoas que procuram fisioterapia apresentam dores por esse tipo de problema. A fisioterapeuta Franciele Lima Brito, de Ribeirão Preto, afirma que muitas dores são oriundas de musculatura tensionadas. “A postura está intimamente ligada à coluna vertebral, que, por sua vez, infelizmente só é lembrada quando já existe um quadro de dor ou até mesmo uma disfunção”, afirmou a fisioterapeuta. “Eu diria que a importância principal é lembrar que a postura está ligada a todo o corpo, e não tê-la é como um quebra cabeça sem a peça principal.” Uma alternativa para corrigir o problema é frequentar aulas de pilates. Este método, criado pelo alemão Joseph Pilates (18801967), proporciona o alongamento e o fortalecimento dos músculos, gerando também consciência corporal, pois o praticante mantém durante os treinamentos uma postura correta. Os exercícios são feitos coordenados com a respiração, diminuindo a ansiedade, são de baixo impacto e com

Tristeza permanente pode ser sintoma de depressão LETÍCIA LONGO

poucas repetições, resultando em Tristeza permanente pode ser menos desgate das articulações. sinal de depressão e um alerta sobre a necessidade de ajuda médica. EXERCÍCIOS “A tristeza interfere na vida “Mantemos por algum tem- pessoal e profissional. A pessoa po os mesmos exercícios co- com depressão não tem vontade meçando do simples até o mais de fazer absolutamente nada no complexo, desafiando cada vez seu dia a dia’’, afirma o médico mais o corpo e a mente, porém psiquiatra Henrique de Barros, agora com o corpo preparado e de Ribeirão Preto. com excelente postura.” Na maioria das vezes as pesTer boa postura nem sempre é soas convivem com isso e nem preocupação das pessoas e mes- sequer sabem. Como o caso da mo com tantas informações es- adolescente Yasmim Estela, que quecem que as dores podem ser descobriu que estava entrando evitadas, afirma a profissional. em depressão. A maioria dos pacientes afir“Teve uma época que eu não mou não imaginar ter a postura tinha vontade de fazer nada, inerrada. As fortes dores são uma ventava desculpas para não ir à das causas que leva à procura aula, evitava sair com meus amipor ajuda. gos, me sentia infeliz. Tudo era “Comecei a fazer pilates de- motivo pra ficar triste.” vido às dores nas costas. Na seOs doentes, nesse caso, pengunda sessão já percebi grande sam muitas vezes em colocar melhora, tanto da dor quanto fim à vida. da postura”, declarou a dona de “Eu pensava várias vezes em casa Maria Oliveira, 47. me suicidar. Cheguei a tomar reCamila Cintra, 28, afirma pra- médios e foi aí que minha mãe ticar pilates porque é uma ativi- resolveu me levar a uma psicódade focada na saúde, e não ape- loga, que me encaminhou para o nas na questão física. psiquiatra. Hoje posso dizer que Além da correção postural, o já não tenho mais pensamentos método pilates oferece várias suicidas”, afirma Yasmim. outras melhorias, tais como forPara cada pessoa existe um tipo talecimento muscular, promoção de tratamento, segundo o psida consciência corporal, aumen- quiatra. O médico afirma que “é to da flexibilidade, alívio das do- preciso uma avaliação clínica para res, principalmente na coluna. E saber quais são os métodos que também auxilia no tratamento serão utilizados” em cada caso. de incontinência urinária e meOs métodos são remédios anlhora do equilíbrio. tidepressivos e terapia.


1º semestre/2016

ECONOMIA 7

Produtores faturam com cultivo de verduras na água em Ribeirão Preto Vendas de horta na zona leste triplicam; higiene atrai consumidor

Dois produtores da zona leste de Ribeirão Preto que passaram a cultivar, há um ano, verduras na água, técnica chamada de hidroponia, viram as vendas triplicarem. Segundo Paulo Pereira de Sousa, um dos sócios da horta, no inicio, ele e seu parceiro precisaram estudar como fariam para produzir, já que o clima da cidade não é favorável. A dupla trouxe o método à cidade, que foi aprimorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). As mudas são comercializadas 25 dias após o cultivo. “Montamos a horta na época do inverno e então o começo foi

bem. Depois foi caindo por causa do clima. A gente sofreu um pouco, mas agora conseguimos retomar as venda”, diz Sousa. Na horta existem vários tipos de verduras. Só de alface, são sete tipos: a americana que é a mais procurada, a mimosa roxa, a frisante e uma exclusividade: a brunela. Segundo o nutricionista Luiz Sisníco, plantar na água é mais fácil. A maturação é 30% mais rápida do que o cultivo convencional. “São absolutamente iguais. É claro que depende muito do substrato que vamos fornecer para a planta desenvolver. Se o produtor fornecer os nutrientes junto com a água na medida adequada para cada planta, não se perde em nada o valor nutricional.”

'BICHINHOS' A dona de casa Janete Gomes dos Santos, de 46 anos, trocou os supermercados pelo varejão hidropônico há seis meses. Por ser mais fácil de limpar, a dona de casa parou de comprar as verduras convencionais, plantadas na terra. “Eu acho mais limpinho. Não tem terra e bichinhos, não tem lagartinho nem caramujo. A outra eu lavava com mais cuidado,” diz a dona de casa. O método hidropônico pode parecer novo, mas há indícios que há 2.000 anos os chineses e os sumérios usavam essa prática. Os agricultores que usam essa prática precisam instalar nas hortas estruturas de cano para cultivar as verduras.

Plantação de alface no sistema hidropônico: faturamento em alta Fotos: Luiz Bombonato

LUIZ BOMBONATO

O plantio de hortaliças sem uso de terra: produtos mais higiênicos

Sonho do próprio negócio Domínio do inglês facilita leva jovens a empreender Cresceu o número de empreendedores no Brasil, segundo a pesquisa “Global Entrepreneurship Monitor”. De acordo com o estudo, 34 em cada 100 brasileiros adultos estão envolvidos com a criação de um próprio negócio. Metade desses números é de novos empreendedores. A outra metade é de empresários que está há mais de três anos no mercado e se destacam, entre eles jovens entre 16 e 24 anos, que provaram ter disciplina e ousadia para alcançar o sucesso. Eduardo Ciccone, coordenador do curso de Administração do Centro Universitário Barão de Mauá, afirma que, devido à crise, é complicado para empreender, porém ao mesmo tempo pode ser a hora de aproveitar as oportunidades. “Nesses momentos que empreendedores preparados, capacitados, criativos e com senso de oportunidade podem crescer mesmo em momentos de adversidades”, afirma. Felipe Farias, 21 anos, colocou em prática no final do ano passado a ideia de investir no próprio negócio. Ele abriu uma empresa no ramo de comércio de metais e resíduos não ferrosos. Ele foi influenciado pela família, que há três gerações empreende. Marcel Felicio começou a prestar assistência técnica em eletrônicos quando tinha 18 anos.

Foi crescendo no ramo e há dois anos ele conseguiu abrir sua própria loja a “Digital Games”. Montar o próprio negócio é uma das opções para fugir do desemprego. Algumas áreas no mercado mostram-se em crescimento, mesmo com a crise econômica em que o país se encontra. Dentre elas estão consertos e reparos em roupas, pois muitas pessoas preferem fazer pequenos reparos do que comprar roupas novas. Destaca-se também a compra e venda de carros usados, loja de bicicletas e oficinas mecânicas. Uma grande opção, que é considerada a sensação do momento, são os food trucks, as lanchonetes ambulantes, que inovaram no ramo de alimentos. O Sebrae, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, pode contribuir com ideias e na gestão do negócio. O site é www.sebrae.com.br

AS DICAS DO SEBRAE

1.  Visite os menus “Ideias de Negócios” e “Tipos e Ramos” 2.  Clique em “Plano de Negócios” 3.  Acesse “Reúna Informações” e saiba quais dados pesquisar 4.  “Conheça o Mercado” ajuda a construir o plano de negócios e as estratégias 5.  Em “Consulte a Viabilidade”, há dicas de gestão financeira 6.  A última etapa é registrar o negócio. Veja “Registre a empresa”

o ingresso no mercado GIOVANNA ROSA ROMERO

Não é novidade que saber inglês é cada vez mais exigido dos candidatos a um emprego. A jornalista e publicitária Margarete Vendruscolo, 50, de Ribeirão Preto, decidiu aprender inglês antes de ingressar em uma universidade. “Eu comecei com 15 anos o inglês e frequentei até os 19. Depois fiz outros cursos de conversação e aprimoramento de gramática.” Margarete diz que o conhecimento da língua fez diferença em sua contratação. “Eu fui contratada por uma editora e fui logo trabalhar na editoria internacional. Na época eu pesquisava fotos e matérias e as negociava com agências noticiosas, como a Reuters e a Associated Press. Então o inglês foi de grande ajuda.” Como possui uma agência de publicidade, a jornalista diz que não exige o inglês no currículo ao contratar, mas dá preferência para aquele que tem noções do idioma. Em pesquisa publicada na revista “Exame”, realizada pela Robert Half em 2014, maior empresa de recrutamento especializado do mundo, 80% dos diretores de Recursos Humanos afirmam que a fluência em inglês é importante para os negócios. O professor Jean Rodrigo Galindo, 38, concorda. De acordo com

ele, o mercado está ficando cada vez mais globalizado, e as empresas estão optando por jovens capacitados em um segundo idioma. “Seja o inglês, o espanhol ou outra língua que tem demanda, a empresa vai precisar contratar pessoas que têm o conhecimento no idioma para suprir as necessidades dela, como o funcionamento e os negócios. E a tendência é só aumentar.” A estudante de psicologia Julia Avelar Rossetto, 21, de Morro Agudo, fez inglês na escola durante o ensino fundamental, mas só quando entrou na faculdade

reconheceu a importância da língua para o futuro na profissão. Julia afirma que teve muita dificuldade em aprender o inglês quando criança e que o estudo ainda é um desafio, principalmente ao se deparar com palavras novas. O professor de inglês concorda que é mais difícil para o adolescente e para o adulto ter uma fluência razoável, mas não impossível. Ele ainda diz que se eles optarem por fazer mestrado após a graduação, o conhecimento na língua inglesa será fundamental na questão de pesquisa.

Foto: Giovana Rosa Romero

GABRIELA COUTO

Aprender inglês pode fazer a diferença no mercado de trabalho


8 ESPORTES

1º semestre/2016

Equipe de handebol treina até a madrugada Atletas trabalham durante o dia e se reúnem à noite três vezes por semana na Cava do Bosque, em Ribeirão PEDRO GOMES

A equipe de handebol de Ribeirão Preto treina até a madrugada para garantir bom desempenho nas competições. A preparação ocorre três vezes por semana, das 22h45 às 0h45. A dedicação tem trazido compensações: os atletas ficaram 13 anos invictos nos jogos regionais. “A grande maioria de nossos atletas trabalha e estuda à noite. Eles saem da faculdade e vão treinar cansados. Com certeza tem de haver muito amor para encarar essa rotina e render nos treinamentos”, disse o técnico, Miguel Jabur. Ainda segundo o técnico, o problema do horário em que são realizados os treinos é o cansaço dos atletas. “Os jogadores vão dormir por volta de 2h e, às 7h30, já estão no trabalho. Depois vão para a faculdade e terminam a noite no treinamento.” Os treinos são realizados na quadra da Cava do Bosque, que não possui medidas oficiais, e os jogos de campeonatos ocorrem na quadra do Colégio Liceu Albert Sabin. TÍTULOS Com oito campeonatos regionais, um vice dos Jogos Abertos, campeão da Copa do Estado e vice dos Jogos Abertos da Juven-

tude no currículo, o atual pivô da equipe, Thiago Ribeiro, fala que os integrantes do time se viram com a boa vontade e o amor que têm pelo esporte. “Eu acredito que grande parte do meu caráter e da minha personalidade foi moldada no esporte. O motivo pelo qual treinamos até hoje de madrugada é a paixão”, diz. O jovem declara que para um atleta que joga em alto nível a preparação, nos horários citados, é complicada. “A prova do esforço coletivo é tamanha que ficamos invictos por 13 anos até que, em 2014, perdemos os jogos regionais, mas o conquistamos novamente em 2015”, conta. Paulo Fabricio Barboza dos Santos, o Paulão, diz que já está na equipe de Ribeirão Preto há 23 anos, pois entrou no time com apenas s 11 anos. “Atualmente sou o único remanescente do início do time, o mais velho entre os atletas e presente em todas as conquistas”, afirma. Paulão disse que fora das quadras possui uma vida normal ou pelo menos quase. “Devido ao horário de treinos e jogos nos fins de semana, temos de abrir mão de certas coisas. De dia possuímos uma vida normal, com trabalho e obrigações, nas madrugadas viramos atletas dedicados”.

Foto: Pedro Gomes

Capitão do time ribeirão-pretano de handebol conta detalhes sobre os treinamentos na madrugada

Projeto estimula prática de esporte e incentiva cidadania RENATA AQUINO

Com o objetivo de proporcionar melhor qualidade de vida para crianças e adolescentes, surgiu o projeto “Judô: Um golpe de solidariedade”, em Ribeirão Preto. O projeto atende cerca de 350 pessoas. Para o treinador Rogério Quintela, membro do corpo discente da Academia Brasileira de Treinadores do Comitê Olímpico do Brasil, houve uma grande aceitação do esporte. “As crianças já entendem como uma oportunidade de vida,

de se tornarem atletas, professores, árbitros, faixas pretas, o que contribui de forma relevante para a formação do cidadão.” O projeto é desenvolvido em dois núcleos. Em Ribeirão Preto, o treinamento ocorre na Creche Alvorada, uma instituição sem fins lucrativos que oferece suporte educacional às crianças do Jardim do Trevo. Em Cravinhos, o local é a Casa da Criança. Durante 25 anos trabalhando em uma escola particular, o treinador conta que teve a oportunidade de treinar crianças que se

Ribeirão já possui três times de futebol da "bola oval" GUILHERME DE AZEVEDO

Ribeirão Preto já conta com três times oficiais de futebol americano: o Barões de Ribeirão Preto, o Botafogo Challengers e a Associação Esportiva RP Alligators Footbal Team. Apesar do crescente interesse por esse esporte, o atual presidente do Barões de Ribeirão Preto, André Rigobello, aponta que ainda faltam campos na cidade para

treinamento. Em 2015, a equipe treinava na Cava do Bosque, mas este ano tiveram problemas com horários no local e mudaram-se para o bairro Manoel Penna. Agora instalada, a equipe realizou seus primeiros amistosos enfrentando o Diadema Diamonds e o São Sebastião do Paraíso Miners. “Agora, o objetivo é realizar o primeiro jogo em casa, contra a equipe do Uberaba Zebus”, afirmou Rigobello.

tornaram grandes profissionais, o que deu origem ao projeto. “Baseado nisso eu tive vontade de idealizar um projeto no qual eu pudesse contribuir com a formação de um número muito maior de crianças. Foi uma forma de retribuir aquilo que eu conquistei na minha carreira com o judô”, diz o treinador.

As atividades desenvolvidas nas aulas contribuem com o relacionamento pessoal de cada atleta com as pessoas que convivem. “Utilizamos a filosofia, os princípios e valores do judô, não só dentro, mas principalmente fora do tatame, na sala de aula, no convívio com os pais, na relação com os irmãos”, afirma o treinador. A dona de casa Maria do CarTREINOS mo relata que houve melhora Os treinamentos ocorrem nas atitudes da filha Gabriela, duas vezes por semana. Jovens de 12 anos, que pratica o esporde 5 a 16 anos podem se inscre- te. “Ela melhorou muito dentro ver para participar do projeto. de casa. Antes ela era nervosa,

não gostava de conversar.” O projeto conta com um coordenador técnico, um treinador, um auxiliar técnico e uma psicóloga. De acordo com Quintela, toda a equipe tende a proporcionar um futuro melhor aos participantes. “O objetivo é formar cidadãos em busca de uma sociedade melhor e mais organizada”, declara o treinador. Creche Alvorada: (16) 3617-0919 R. Alfredo Baldo, 41 - Ribeirão Preto Casa da Criança: (16) 3951-1202 R. Pedro de Gasperi, 200 - Cravinhos

Judoca surdo pede ajuda nas redes sociais para ir a mundial ANDRÉ CUNHA

O judoca Cleiton Silva, de Altinópolis, foi convocado para ser um dos representantes do Brasil no Mundial de Judô para Surdos que será realizado do dia 18 a 24 de julho em Samsun na Turquia. Sem um patrocinador, o atleta recorreu às redes sociais para fazer uma chamada campanha solidária.

"Infelizmente os atletas no Brasil não recebem nenhuma ajuda de custo do governo", declarou. No total, Silva conseguiu arrecadar R$ 4.035,00 que serão destinados à hospedagem, uniforme de seleção, taxa de campeonato e refeição. Ainda faltam cerca de R$ 6.300, que são para as despesas com passagens e quimonos. O atleta espera voltar para o Brasil com mais uma medalha

no peito e juntar à sua coleção, que tem o total de 75 prêmios entre troféus e medalhas. Silva, que é faixa roxa, é surdo profundo e judoca profissional desde 1998. Ele teve de interromper seu treinamento em 2006 por falta de verba. "Desde meus oito anos de idade pratico judô. Apesar de todas as dificuldades, nunca desisti dos meus sonhos", disse Silva.


ESPORTES 9

1º semestre/2016

Ciclismo de Ribeirão Preto ganha para-atleta GUILHERME GALDINO

A equipe de ciclismo de Ribeirão Preto, a partir deste ano, passa a contar com a primeira para-atleta no quadro de atletas que disputarão as competições ao decorrer da temporada. A ribeirão-pretana Mariana Garcia, 24, que passa a compor o time, compete na categoria H3, destinada a atletas com deficiências nos membros inferiores que utilizam a Handbike para competir. Mariana perdeu a sensibilidade e os movimentos das pernas após lesionar a coluna ao sofrer um acidente de moto em novembro de 2009. Na época, ela tinha 15 anos. Ficou internada durante 22 dias e mantinha a esperança em voltar a andar em seis meses, já que a lesão poderia ser revertida. Aos poucos, ela começou a se dedicar ainda mais às sessões de fisioterapia. Passado um ano do acidente, Mariana percebeu que os seis meses dados pelos médicos para a reversão se estenderam e parecia cada vez mais incerta a recuperação.

ÂNIMO Quando criança, Mariana praticou natação. Foi nesse esporte, em Brasília, que ela começou a ter ânimo para superar a grave lesão que a tirou o movimento das pernas. A para-atleta ficou internada por duas vezes em um hospital de reabilitação na capital federal. A primeira passagem teve 30 dias e a segunda, 45. Lá, redescobriu a natação e os outros esportes, com uma rotina regrada de treinos e avaliações. Ao receber alta, começou a competir. Nos Jogos Regionais de Mococa, foi campeã dos 100m e vice nos 50m. Pelas redes sociais e pelas amizades construídas no meio esportivo, encontrou o paraciclismo e se interessou. Mariana, então, integrou a equipe de Santa Cruz das Palmeiras no ano passado e, com quatro meses de treino, na Copa Brasil, foi prata e bronze em Brasília nas provas de resistência e contrarrelógio, respectivamente. Ela conquistou bronze nessas mesmas categorias em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. Assim,

terminou o ranking nacional na vice-liderança. Agora em 2016, integra o time da sua cidade natal, Ribeirão Preto. “A equipe acha muito importante apoiar e valorizar um talento como o da Mariana, que além de ser ribeirão-pretana, tem muita qualidade técnica e seus resultados comprovam isso. Dentro das possibilidades e limitações da equipe, queremos apoiá-la para que ela possa evoluir ainda mais na carreira”, disse o técnico Marcelo Donnabella. Ela já treina com sua handbike – bicicleta adaptada – junto com os novos companheiros de time. Agora, a paraciclista ribeirão-pretana espera melhorar ainda mais as técnicas dentro do esporte. “Minha expectativa é representar bem a equipe nas competições estaduais e nacionais, para conseguir colocação no ranking brasileiro de paraciclismo. Tenho uma relação bacana com todos. O Donnabella vai me ajudar bastante e já pude, também, trocar experiência com o Thiago Nardin, que é da Seleção Brasileira.”

Foto: Guilherme Galdino

Mariana Garcia, que vai participar de disputas estaduais e nacionais, quer conquistar uma posição no ranking nacional

Paraciclista Mariana Garcia durante treino em Ribeirão Preto

Apae usa esporte como tática para a inclusão social Através de experiências dos profissionais da associação, Apae de Ribeirão Preto usa prática esportiva para inclusão social GUILHERME GALDINO

Professor responsável pelos projetos que envolvem algumas modalidades, Cristopher Lima, 34, mostra satisfação no que faz e afirma que se sente bem compartilhando conhecimento com os estudantes especiais.

“Não há coisa melhor. Eu conto as horas para estar com eles. Às vezes, ultrapassamos os horários de treinamentos porque a hora voa e a gente não vê passar. Simplesmente, não há o que dizer da interação dos estudantes. É realmente incrível”, conta o professor.

EXPERIÊNCIA O projeto, que surgiu através da experiência de Lima no esporte, proporciona a crianças e adolescentes da Apae oportunidades de participar de competições em todo o Estado de São Paulo. “Fazemos rodízios nos campeonatos. Vamos disputar

a Copa SP com alguns atletas e deixaremos o Regional para os que ficaram de fora”, diz. Ideia que está fazendo diferença para os alunos que defendem a equipe de judô de Ribeirão Preto. “Hoje eles são federados e, aos poucos, vêm conseguindo

ótimos resultados nas competições que participam. Na última, a terceira edição do Open Aberto da Mogiana, tivemos três medalhas: uma de ouro, duas de bronze e um quinto lugar”, afirma o delegado e técnico da equipe de Ribeirão Preto, Cleber do Carmo.

Xadrez ignora idade e reúne várias gerações no tabuleiro LETÍCIA AGOSTINHO

Considerado um esporte, o xadrez vem ganhando espaço cada dia mais em escolas, creches, hospitais e clínicas de psicologia por auxiliar no comportamento de pessoas com déficit de atenção. A prática do esporte auxilia na melhora da atenção, concentração e habilidades lógicas na resolução de problemas. Estudos dizem que os jogadores apresentam melhora na sociabilidade, o que, de acordo com o pedegagogo e árbitro Paulo Henrique de Faria, diretor do Clube de Xadrez de Batatais, só é possível através da relação de igualdade entre os jogadores proporcionada pelo xadrez. “Aqui no Clube de Xadrez há crianças com menos de dez anos de idade jogando com adolescentes, adultos e idosos, numa relação de igualdade, o que na maioria dos esportes é praticamente impossível. No xadrez uma criança bem nova pode disputar de

Foto: Letícia Agostinho

Enxadristas de gerações diferentes disputam partida em Batatais

igual para igual uma partida com alguém de qualquer idade.” Faria, chamado de Paulinho pelos amigos, aprendeu a jogar xadrez com seu pai, Paulo de Faria, e participou de inúmeras competições, obtendo títulos nacionais e estaduais, individuais e por equipes, o que lhe deu base para iniciar seu trabalho no xadrez en-

quanto professor e treinador. Ele trabalha na área de ensino desde os 14 anos, quando houve a implantação do Projeto Xadrez nas escolas municipais de Batatais. Graças às especializações, cursos e acompanhamento de alunos, incluindo eventos no exterior, se tornou capaz de coordenar um projeto de grande relevân-

cia, voltado à prática de xadrez de alto rendimento e como ferramenta pedagógica para potencialização de habilidades cognitivas por crianças, jovens e adultos. “O xadrez é conhecido como arte, ciência e esporte. Arte porque é notória a grande possibilidade de posições artísticas, sacrifícios de peças de maior valor para poder chegar ao objetivo do jogo que é o xeque-mate e que encanta o espectador." Ainda segundo ele, o xadrez é ciência porque a cada dia investigam-se mais possibilidades, lançam-se livros, artigos, monografias sobre as mais diversas fases do jogo. E esporte porque, afirma, atrai em todo o mundo uma grande quantidade de atletas em competições escolares, amadoras e profissionais. Faria conheceu países, Estados e cidades do Brasil através de competições. Jogadores profissionais treinam de 8 a 12 horas por dia, enquanto que para iniciantes algumas horas por semana já é

um grande começo. Isso acontece através da dedicação aplicada no tempo de estudo, o que o faz transferir esta mesma dedicação à escola. Além disso o esporte exige reflexão, o tempo todo, antes de cada jogada e nas tentativas de xeque-mate, ajudando nas situações diárias. “Visto que tudo que fazemos no dia a dia tem uma ação e reação, a ideia é que o jogador possa aprender a antecipar algumas reações por refletir antecipadamente também”, afirma o diretor do Clube de Xadrez de Batatais. Mas se engana quem pensa que o xadrez deve ser aprendido quando criança e que não auxilia os mais velhos. Para eles, de acordo com Faria, o jogo é um grande aliado na prevenção e tratamento de doenças como Alzheimer, já que idosos quando praticam atividades físicas aliadas a atividades intelectuais têm menor chance de contrair doenças mentais ou auxiliam no bloqueio do desenvolvimento da doença.


10 CULTURA

1º semestre/2016

Livros expandem amizades entre jovens

Interesse pela leitura forma grupo de discussão de clássicos da literatura; texto em papel ainda é a preferência MATHEUS LIMA

Há pouco mais de dois anos, ele conheceu através de uma rede social um grupo de 26 pessoas de diversos Estados do país que mantêm contato entre si para falar sobre os livros. “No grupo nós conversamos sobre os livros que já lemos e os que ainda vamos ler. Então sempre tem alguém indicando um livro para o outro”, conta Luiz. Outra apaixonada pela leitura é a estudante de jornalismo Letícia Agostinho, 19, de Batatais. Ela e mais quatro amigos encontram-se semanalmente para discutir um livro. Ela conta que o grupo começou com uma lista com seis obras e que depois eles deram andamento e foram surgindo novas listas.

A era da informatização atingiu os livros. O formato que se conhece, o impresso, passou por uma transformação e hoje já se é possível realizar a leitura por diversos meios eletrônicos, seja em aparelho celular, táblete ou computador. São os chamados e­books (livros em formato digital). Porém toda essa tecnologia que está disponível no mercado não tira o gostinho de praticar a leitura através do livro de papel. É o caso do estudante Eginaldo Luiz, 22, de Dumont, que é um leitor voraz. “Toda vez que eu vou ao shopping necessito passar pelas livrarias e sempre saio com um livro em mãos. Meus amigos muitas das vezes chegam a implicar comigo.” Mas se alguns amigos acham ‘1984’ estanho sua paixão pela leitu“O nosso primeiro livro foi ra, foi exatamente por ela que ‘1984’, de George Orwell, e foi Eginaldo ampliou seu círculo uma delícia. A cada leitura, a de amizades. cada história que discutimos, é

um aprendizado, é um pontinho de conhecimento, de gratidão.” A paixão de Letícia pelos livros é tanta que já virou brincadeira na família. “Minha mãe vive me falando que a qualquer hora vou ter que sair de casa para dar espaço aos meus livros, pois sempre chega um novo. E isso é o gostoso, porque sempre que compramos um livro novo já comentamos um com os outros e vai dando gostinho de sempre querer ler mais.” Para a pedagoga Josiane Jardim, 30, de Dumont, o incentivo à leitura deve começar na infância e sempre ser estimulada por pais e professores para que desperte na criança a curiosidade e o desejo de ler livros. “As crianças de hoje já nascem sabendo utilizar a tecnologia que temos disponível. Muitas vezes os pais, em vez de dar um livro, dão um táblete, prejudicando a criança no seu desenvolvimento”, declara Josiane.

Foto: Acervo Pessoal

Jovens exibem livros de Kafka e George Orwell: amor pela leitura

Batatais estuda unificar acervo de livros de José Olympio LETÍCIA AGOSTINHO

As obras do editor de livros José Olympio Pereira, que lançou os maiores escritores brasileiros do século 20, podem ser reunidas num único espaço em Batatais, sua cidade natal. Atualmente, o acervo, que tem livros com dedicatórias de Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos e outros grandes autores, está dividido em dois locais: na Biblioteca Municipal e na Biblioteca do Centro Universitário Claretiano. O espaço que abrigaria os milhares de livros editados por JO, como o editor era conhecido, é a

casa onde a família dele viveu e comprada por ele, localizada no centro da cidade e hoje pertencente à família Mansur. “Fomos procurados porque a família tem o interesse de reunir aqui o acervo José Olympio. Eu e meus dois irmãos estamos estudando o processo de vendê-la. Acho que seria um belo projeto”, declarou André Henrique Mansur, um dos herdeiros do imóvel, hoje utilizado como depósito de material de construção. A possibilidade de unificação do acervo foi bem recebida por um dos filhos do editor, Lucila Soares, que esteve em Batatais neste ano por ocasião de uma homenagem ao escritor, organi-

zada pelo professor de história tatais, prazer em conhecer’, e, José Henrique Barbieri. quando ficamos sabendo disso, nos interessamos bastante”, afirMEMÓRIA ma Antônia Tofeti, 13, integrante “Seria de fato interessante da Comissão Mirim. simbolicamente que o acervo A intenção é dar visibilidade ficasse na casa que ele comprou a alguém tão importante para para a família quando começou a conhecer a cidade por meio de ganhar melhor no emprego que palestras, exposições e gincanas. tinha na Casa Garraux, em São Membros da comissão, formaPaulo. Mas o mais importante é da por adolescentes com idades a unificação e o enriquecimento entre 12 e 16 anos, irão para o Rio desse acervo”, disse Lucila. de Janeiro em novembro para a A proposta de unificação vai editora que foi de jo, que hoje se ao encontro de um projeto da chama Record. Comissão Mirim da Apae de Batatais, que pretende divulgar a JO COMPROU IMÓVEL memória de José Olympio. Nascido aos 10 de dezembro “A Apae sempre teve esse pro- de 1902 e falecido aos 3 de maio jeto em mente, intitulado ‘Ba- de 1990, José Olympio Pereira

Neto foi o fundador da editora que leva seu nome, a Livraria José Olympio Editora. O editor se mudou para a capital com a intenção de estudar direito, mas acabou trabalhando na Casa Garraux, na seção de livros e, aos 28 anos, mudou-se para a Rua da Quitanda, em São Paulo, fundando assim a Casa José Olympio Livraria e Editora, em 1931. Três anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro. Durante os anos 40 e 50 foi o maior editor do país, tendo publicado 2.000 títulos, com 5.000 edições. Nos anos 80, foram atingidos 30 milhões de livros, de 900 autores nacionais e 500 estrangeiros. Foto: Lorena Costa

Estudante universitário lança livro em Ribeirão Preto Amizades verdadeiras, além das redes sociais, inspirou o jovem escritor em sua primeira obra LORENA COSTA

Influenciado por John Green, um dos grandes escritores da atualidade, Álvaro Bruno, 20, estudante do Centro Universitário Barão de Mauá, escreveu o seu primeiro livro. A obra “Meu Potinho de Amigos” surgiu da admiração que o aluno tem por livros best-sellers e a vontade de contar histórias de grandes amizades. Embora a maioria dos livros hoje para o público jovem seja de romance, o jovem escritor decidiu fugir um pouco desse tema e inovar, mostrando algo diferente e que pode ser real. Bruno afirma que “esse mundo de amizade é muito legal e infelizmente as pessoas não enxergam isso”. E falar de amizades verdadeiras talvez pareça um grande cli-

chê no mundo marcado pela tecnologia. Com relações cada vez mais virtuais, as pessoas quase não têm mais tempo para sentar e conversar em uma roda de amigos. Segundo Bruno, “a essência de você está em um grupo pessoalmente, num momento único, traz uma emoção e uma vibração totalmente diferente de um grupo de amigos no WhatsApp”. Se tratando de relações pessoais e virtuais, a psicóloga Luciene Belleboni destaca que “o ciberespaço proporciona outra maneira de ser, de estar e de se relacionar”. Possibilita, de acordo com ela, convivência virtual quando, na ocupação desse outro espaço, as pessoas não têm o contato físico. Assim, é diferente quando nos relacionamos pessoalmente (corpo a corpo, face a face), e

quando a relação é mediada por tecnologias digitais”. Luciene ainda afirma que “uma forma de comunicação não substituirá a outra, em razão de que ambas possuem limitações e relevâncias para os relacionamentos interpessoais. O importante é sabermos utilizar, a nosso favor, os benefícios que cada tipo de relacionamento ou comunicação promove”. ‘AVENTURAS’ É realmente isso que o autor da obra quer mostrar, os benefícios de estar pessoalmente presente nos momentos extraordinários que a vida pode proporcionar. Por isso o livro cheio de aventuras vem acompanhado de algo inovador, uma variada playlist. São músicas que quando ouvidas no-

vamente vão relembrar os bons e velhos momentos vividos intensamente por aqueles amigos. “O livro tem um olhar diferente. E a intenção dele é justamente essa, mostrar para as pessoas que a vida é mais que uma rede social lotada de amigos. As verdadeiras amizades não estão ali, e sim com você nas maiores aventuras da sua vida”, diz o jovem escritor. Apaixonado por aventuras, Bruno afirma que mais do que fazer com que as pessoas se aventurem a sua intenção é fazer com que elas fiquem amigas dos personagens do livro. “Eu quero que as pessoas se divirtam com a história, se imaginem naquele mundo. E principalmente acreditem que podem realmente existir relações de amizades verdadeiras como as que são contadas ali.”

O universitário Álvaro Bruno


MODA 11

1º semestre/2016

Roupa faz a diferença na busca por emprego Blogueiras de Ribeirão Preto dão dicas de como se vestir para a entrevista e conseguir uma vaga no mercado Para causar uma boa impressão, os candidatos precisam usar looks que são adequados para entrevista de emprego. Hoje em dia, as entrevistas são mais comportamentais, e o figurino faz diferença na hora da contratação. Estar bem vestido é essencial para gerar boa impressão nos recrutadores. Para Carolina Ambrosio, 24, blogueira de moda de Ribeirão Preto, o visual é muito importante para a personalidade do candidato. “De certa maneira, o visual reflete a personalidade de cada indivíduo. Através do estilo, a pessoa consegue transmitir certas mensagens, como o estado de humor, por exemplo, se é romântica, obscura ou séria”, disse. O visual deixa grande parte dos candidatos preocupados. Por isso, o importante é caprichar na roupa e não só no currículo. É fundamental o candidato conhecer o ambiente da empresa para a escolha do visual ideal. A forma de se vestir também serve de ferramenta para transmitir uma mensagem. Segundo a blogueira Jessica Pantoni, 25, de Ribeirão Preto, o melhor traje para as entrevistas são as peças neutras e sem decotes. “Eu apostaria em peças menos

chamativas, mas ao mesmo tempo usaria um item que me representasse como, por exemplo, um colar, uma pulseira, um acessório, entre outras coisas.” Além das roupas, as cores dizem muito sobre um candidato. Para o estudante de contabilidade de Monte Alto Valmi Oliveira, 24, se o candidato estiver usando roupa chamativa na entrevista, passa uma imagem de que a pessoa não está preparada. “A aparência é fundamental, pois a roupa pode decidir se o emprego será da pessoa ou não.” TESTES A aprovação ou não do candidato se dá através de testes comportamentais e técnicos. As roupas não são critérios para a reprovação, mas contam como ponto negativo na soma do resultado final. De acordo com a consultora de carreira de RH Lorraine Ramos, de Ribeirão Preto, o visual é importante para as entrevistas de emprego. “O vestuário do candidato é um dos primeiros pontos analisados pelo recrutador, pois através dele conseguimos identificar a seriedade e comprometimento do candidato. A hora da entrevista exige certa formalidade no visual”, diz.

Foto: Barbara Pedro

BARBARA PEDRO

As roupas refletem o estado de espírito do candidato e são levadas em conta numa contratação

Material descartável vira fonte de renda

Copos de requeijão viram luminárias e fibras de bambu, blusas sustentáveis. Vendas garantem renda extra no fim do mês GABRIELA COUTO

Copos de requeijão, em vez de ir para o lixo, viram luminárias

Fotos: Gabriela Couto

Loja aposta na sustentabilidade

Roupas modernas e sustentáveis são feitas com material reciclável

Acessórios de material reciclado

A sustentabilidade, além de preservar a natureza, pode ser uma fonte de renda extra. A secretaria executiva de uma grande empresa Flávia Campos, 37, trabalha seis horas por dia e ganha em torno de R$ 1.500 por mês, salário que fica pequeno ao longo dos 30 dias. A dificuldade financeira fez com que ela procurasse uma segunda renda. Foi no dia a dia do trabalho que Flávia percebeu que poderia aproveitar copos de requeijão que funcionários descartam e fazer luminárias. “Aqui no escritório sempre teve muito copo de requeijão, então um dia pensei em reutilizá-los”, disse Flávia. Há aproximadamente um ano, a secretária optou pelas redes sociais para divulgar o trabalho. Foi então que amigas próximas começaram a se interessar e comprar. A partir disso as vendas cresceram. “A ideia de vender surgiu oferecendo para pessoas mais próximas. Aprimorei meu perfil nas redes sociais e outras começaram a se interessar”, afirmou. ROUPAS Um outro exemplo de sustentabilidade no comercio é o de Carolina Kotchetkoff, 30, que

há quatro anos trouxe uma inovação para a cidade: uma loja de roupas completamente sustentáveis, incorporando esse conceito também na moda. Blusas feitas de fibra de bambu, reciclagem de garrafas pet, bolsas fabricadas com tecidos automotivos e fitas VHS são os principais produtos da loja, que conta somente com marcas que trabalham de alguma forma com conceitos de preservação. “Todas as nossas roupas e acessórios têm a sustentabilidade atrelados de alguma forma, seja na origem do produto ou no seu processo produtivo. Nosso mix de acessórios segue o mesmo princípio, com peças em vidro, cápsulas de café, algodão, tudo reciclado. Fica difícil imaginar os produtos, mas são peças lindas, artesanais e, o melhor, tudo made in Brasil”, afirmou Carolina. “Quando pesquisei sobre os problemas causados pelo mundo da moda, a segunda maior poluidora do planeta, fiquei impressionada com a falta de informação que temos sobre isto e resolvi montar a loja com uma proposta contra o fast fashion”, informou. As roupas são de marcas brasileiras e de várias regiões do país. A empresária afirmou que pretende desenvolver sua própria coleção.


12 BICHOS

1º semestre/2016

‘Eu entreguei a minha vida aos animais’

Foto: Tainá Manna

Sônia Maria Machado, de Pradópolis, luta para realizar o sonho de conseguir um canil municipal para poder cuidar dos cachorros e gatos abandonados e doentes da cidade. Amor pelos animais vem desde a infância

Sônia Maria Machado, ex-babá, brinca com cachorro abandonado: ela luta para Pradópolis criar um canil municipal e abrigar animais de rua TAINÁ MANNA

gente segue lutando”, disse. A paixão pelos animais vem desde que tinha seis anos de idade e morava em uma fazenda, onde o contato com os bichos era inevitável. “Os animais são tudo para mim, é um amor muito grande que eu sinto por eles. É uma convivência muito maravilhosa, é uma coisa bonita, um dom de Deus.”

Acordar às 7h, fazer o café da manhã para o pai doente, trocar de roupa e sair para a rua em busca de alimento para os animais abandonados. Essa é a rotina de Sônia Maria Machado, ex-babá de 48 anos, que há 13 cuida de cachorros e gatos de rua na cidade de Pradópolis. Sônia percorre todos os bairros do município, visita as escolas e restaurantes em busca dos restos de comida para alimentar O que mais me cerca de 80 cães e gatos abando- dói é ver o sofrimento nados, com uma bicicleta elétrica cujo barulho é reconhecido deles. Eles precisam pelos animais de longe. de um lugar específico “Eu acordo cedo, faço café para morar para o meu pai, me troco e pego as ruas. Vou aos bairros da cidade, no Maria Luiza I, II e III, e subo a Avenida Monte Sereno. À Ela se mudou para a cidade tarde busco os restos de comida com 34 anos, após perder a mãe, nas escolas. Tem dias que a co- foi quando começou a cuidar dos mida não dá para todos, mas a animais de rua. “Eu caminhava e

‘‘

comecei a ver os animais na rua. Tinha cadelas dando cria, cachorros machucados, e eu ficava com dó. Decidi ir cuidando por conta própria.” Ela se manteve trabalhando em Ribeirão Preto (SP) por mais três anos, mas nunca deixou de lado os animais. “Eu trabalhava de manhã, e à noite eu cuidava dos cachorros, levava comida para eles. No outro dia eu não trabalhava, então cuidava o dia inteiro.” Aos poucos foi deixando o trabalho em outra cidade. Para sobreviver, hoje ela trabalha como vendedora a domicilio, recebendo comissão pelos produtos. VETERINÁRIO Quando os animais ficam doentes ou são atropelados, para manter os cuidados e atendimento veterinário, Sônia promove rifas, venda de pizza, pedágios em cruzamentos de ruas movimentadas da cidade, ações

no Facebook e bingos com produtos que ela arrecada através de doações de amigos pessoais e comerciantes de Pradópolis. “É tudo na base de rifa, pizza e pedágio. Quem ajuda a gente é o povo. Às vezes um dá R$ 10, o outro dá R$ 20. As pessoas doam remédios, ração. E assim nós vamos lutando”, diz. A ex-babá reclama da falta de compaixão de algumas pessoas, que apedrejam e até mesmo envenenam os animais. E fala sobre a dificuldade de seguir adiante com o trabalho realizado por ela na cidade. Mesmo com todos os empecilhos, Sônia diz que nunca pensou em desistir. “Tem muita gente que me diz para desistir, arrumar um serviço e abandonar os cachorros. Só meia dúzia de pessoas me aplaudem, e fala que eu faço um trabalho muito bonito e diz para eu não desanimar.” Sônia revela que o seu maior

sonho é conseguir para os animais de rua um canil na cidade. O primeiro passo já foi dado por ela e um grupo de voluntários que conseguiu o estatuto da ONG Patas & Garras. Um terreno para construção do canil foi doado a eles, mas o local fica a seis quilômetros da cidade, o que torna o acesso difícil. “O que mais me dói é ver o sofrimento deles na rua. Eles precisam de um lugar específico para morar. O momento que eu chego para cuidar deles e vejo que estão vivos é a maior alegria. E muitas vezes eu vou embora chorando porque eu não consegui ainda um local para tirá-los da rua.” E diante de todas as dificuldades que encontra, ela não desiste dos animais nem do sonho de conseguir o canil. “A minha vida eu entreguei para os animais. Só me dedico a eles. Se cheguei até aqui, eu não vou recuar. Vou até o fim, até eu conseguir.”


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