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Jornal Barão de Mauá 1° Bimestre/2020

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Foto: Arquivo Pessoal

jornal barão de mauá Curso de Comunicação Social - Hab. em Jornalismo Centro Universitário Barão de Mauá

Ribeirão Preto - SP 1º bimestre/2020

FOTOGRAFIA - Prêmio Vladimir Herzog marca carreira do fotógrafo Weber Sian - Pág. 2

Nascido em 2016, o coletivo sociocultural Cacareco Clã leva a cultura hip hop a jovens e adolescentes de Monte Alto. Além da batalha de rimas, o grupo promove saraus de poesia, cinema e incentiva a criação de grupos de estudos entre seus integrantes.

Foto: Cacareco Clã

Cacareco Clã leva arte para adolescentes de Monte Alto Ao longo dos últimos quatro anos, o Cacareco cresceu, ganhou espaço e realizou o sonho de ter uma Casa de Cultura, onde realiza seus eventos. Hoje, o coletivo tem em média 25 pessoas unidas com um só propósito: fortalecer a cultura da cidade de Monte Alto. Pág. 10

Mulheres enfrentam ‘via crúcis’ para encontrar parentes em penitenciária ECONOMIA

dos, deslocando-se de suas cidades para se dirigir aos presídios. Maria, uma estudante de 25 anos, gasta em torno de R$ 300 por mês para viajar de Orlândia à penitenciária de Serra Azul para

ver o irmão, condenado a oito anos de reclusão por tráfico de drogas. Uma dona de casa, que não quis se identificar, também tem um irmão preso, por tentativa de homicídio, mas, segundo ela, o ra-

Foto: Álvaro Momenso

MUNDO ANIMAL - Duas cachorrinhas de Ribeirão Preto da raça

daschund que sofrem de doenças raras viraram tema de estudo da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal; uma das doenças reduz o tempo de vida dos animais. Pág. 3

Cai número de crianças para adoção na cidade de Ribeirão Preto

Programas assistenciais como o Vale Leite, o Bolsa EsARTIGO cola e o Renda Mínima reduziLeia “Desinformação ram o número de crianças para adoção em Ribeirão Preto. é o vírus mais letal”, Segundo a Vara da Infância por Álvaro Momenso Pág. 2 e Juventude, atualmente existem oito crianças disponíveis para adoção, de um total de 30 que vivem no Serviço de Acolhimento InstituCIDADANIA cional a Crianças e Adolescentes. Aqueles que querem adotar Projeto Voar em uma criança devem procurar a Jaboticabal cria Vara da Infância e Juventude de seu município e se cadastrarem. jogos e oficinas Ribeirão conta hoje com para crianças apenas um único abrigo para crianças e adolescentes. No pasPág. 4 sado, já teve cinco. Pág. 4

as condições rígidas em que os parentes se encontram nas prisões, com banhos gelados, por exemplo. Uma delas afirma que se sente “culpada” a cada vez que toma banhos quentes em casa. Pág. 5

Abaixo-assinado questiona condições de bichos no zoo

Cresce adesão de jovens a transporte por aplicativos

Pela facilidade e também por economia, jovens de Ribeirão Preto estão substituindo carros por aplicativos de transporte como o Uber, 99 POP e Cabify. Os usuários reforçam uma tendência que pode ser constatada em todo o país, o segundo no mundo que mais utiliza essa modalidade de locomoção. A vantagem para quem circula em carros de aplicativos vão desde a economia, gastos com documentação, manutenção e despreocupação com vagas para estacionar. Pág. 6

paz ainda não foi a julgamento. Ela afirma que, além do sofrimento pela prisão, familiares ainda têm de suportar o preconceito contra os presos por parte da sociedade. Mulheres também relataram

Moradores de Ribeirão Preto fizeram um abaixo-assinado com 8 mil assinaturas contra as condições dos animais no Bosque Municipal, entre eles a elefanta Maison. As críticas vão desde a falta de higiene e a falta de fiscalização para evitar que visitantes alimentem os animais. A elefanta Maison, segundo

os signatários do abaixo-assinado, estaria abaixo do peso, irritadiça e fraca. A direção do bosque rebate as críticas. A elefanta, diferentemente do que argumentam alguns moradores, estaria até acima do peso. Todos os animais, segundo o bosque, recebem cuidados veterinários e de nutricionistas. Pág. 3

Assistente social cria canal para dar voz a pessoas com deficiência A assistente social Mayra Ribeiro de Oliveira, de Ribeirão Preto, criou um canal no YouTube para defender direitos de portadores de deficiência. Mayra perdeu a visão aos sete Urso em exposição no bosque de Ribeirão: público pede melhorias anos de idade. “Quem não viu a Mayra vê” é o nome do canal, que surgiu do incentivo dos alunos dela. ARTE ESPORTES Para ela, o canal também é mais uma forma de dar voz às Ex-catadora de lixo Pneu furado dá mulheres com deficiência. Em retira mais de 5 mil início a carreira seu canal ela conta sua trajetória, encoraja outras pessoas deficienpneus das ruas de vitoriosa de jovem tes a terem voz e discute polítiRibeirão Preto no ciclismo cas para ampliar a participação delas nas escolas e no mercado Pág. 5 Pág. 8 de trabalho. Pág. 7

Foto: Anna Carvalho

Das 531 mil pessoas cadastradas para fazer visitas às penitenciárias no Estado de São Paulo, 77% são mulheres. Muitas delas fazem verdadeiras maratonas para encontrar parentes ou maridos condena-


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OPINIÃO

1º bimestre/2020

EDITORIAL

Jornalismo, mesmo na adversidade Esta edição do Jornal da Barão foi concluída sob a onda devastadora da propagação da Covid-19 pelo mundo, com milhares de vidas ceifadas diariamente. O jornalismo, por ser prestação de serviço essencial, não entrou em quarentena. Por precaução, os profissionais vêm trabalhando longe das redações. E não foi diferente para os alunos do curso de Jornalismo da Barão de Mauá, que trabalharam em casa na produção de mais uma publicação bimestral, normalmente feita nos laboratórios da universidade.

A edição que chega às mãos dos leitores traz como principal notícia a saga que mulheres enfrentam para minimizar o isolamento de parentes que cumprem pena na penitenciária estadual de Serra Azul, a 40 quilômetros de Ribeirão Preto. O texto de Luana Camargos mostra o drama de quem está do lado de fora dos muros do presídio, os gastos com viagens para as visitas e o preconceito que a sociedade devota à situação dos condenados. Em Ribeirão Preto, Anna Carvalho voltou sua atenção

Foto: Weber Sian

para as condições dos animais no Bosque Municipal. Frequentadores do zoológico apontam o que julgam ser maus-tratos e abandono no local. Como todo bom jornalismo exige que se ouçam os dois lados de uma história, a direção do Bosque foi procurada e se manifestou sobre as críticas. No Fórum estadual de Ribeirão Preto a notícia, segundo Jamiele Cavalcante, é que o número de adoções de crianças diminuiu. De acordo com a Vara da Infância e Juventude, a queda se deve, em parte, aos programas assistenciais do governo,

que, possivelmente, ajudaram as famílias a cuidar dos filhos. Esta edição também traz reportagens a respeito do impacto da revolução tecnológica no cotidiano. Entre elas está o crescente interesse pelos podcasts como meio de informação. Reportagem de Juliano Gonçalves revela que a tecnologia colabora para a conscientização e o fortalecimento de direitos de portadores de deficiência, entre eles os cegos. Pelo YouTube, a assistente social Mayra Ribeiro de Oliveira criou um canal para se comunicar com pessoas na mesma situação. E é também pela internet que um time de futebol americano de Ribeirão Preto, o Challengers, cativa cada dia mais fãs, relata Vinícius Coró.

Os jogos do time, que já tem mais de 15 mil fãs, são transmitidos ao vivo pelos computadores. E o número de admiradores não para de crescer. E na área cultural Robert Siqueira informa que nem tudo que soa em Ribeirão, terra do agronegócio, é música sertaneja. Outros ritmos, revela a reportagem, se mantêm firmes e fortes no cenário musical, prova de que há espaço para todos os gostos. Em Monte Alto, informa Vitória Pierri, o hip hop é uma alternativa cultural que atrai jovens. O estilo musical é mais do que uma alternativa de entretenimento, pois transforma também as consciências. Essas e muitas outras opções de leitura podem ser encontradas nesta edição. Boa leitura!

GALERIA

Prêmio Vladimir Herzog consagra Weber Sian Hoje com 43 anos, o fotógrafo Weber Sian, que trabalha no Acidade On, começou sua vida profissional aos 17 anos, pelas mãos do pai, Júlio Sian, então fotógrafo da revista Revide. Weber conquistou o prêmio Vladimir Herzog de fotografia em 2011, quando cobriu uma reintegração de posse de uma área ocupada próxima ao aeroporto de Ribeirão Preto. *

Fotografia que rendeu o prêmio Vladimir Herzog a Weber Sian

O jornal barão de mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. REITORA

Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães VICE-REITOR

Prof. João Alberto de Andrade Velloso

Jornal da Barão - Quando você começou a se interessar por fotografia? Weber Sian - Eu tinha 17 anos e tralhava em uma perfumaria no centro de Ribeirão. Meu pai trabalhava na revista Revide como fotógrafo, então ele me chamou para aprender a profissão. JB - Qual a sua experiência profissional? Por quais veículos passou e quando?

Sian - Iniciei minha carreira em 1993 na revista Revide, trabalhei no jornal Enfim em 1995. Em 1996 fui trabalhar na extinta revista Expressão, onde fiquei por cinco anos. Em 2002 fui para o também extinto jornal Verdade e, em 2003, entrei no jornal A Cidade, onde estou até hoje. Com o fechamento do jornal impresso, atualmente faço captação de imagens e edição de vídeo para o portal A Cidade On. JB - Teve alguma fotografia ou algumas fotografias premiadas? Quando e quais prêmios? Sian - Em 2011 ganhei o prêmio Vladimir Herzog fazendo a cobertura de uma reintegração de posse em uma comunidade em Ribeirão Preto. Também ganhei menção honrosa no concurso Top Etanol com fotos de agronegócio. JB - O que é ser fotógrafo para você?

Sian - Captar uma imagem de um assunto ou de um acontecimento e poder levar esse registro para milhares de pessoas no intuito de informar é muito gratificante e importante. JB - Com a banalização dos telefones móveis, a fotografia se banalizou também? Sian - Um pouco. É o que eu chamo de foto passageira. As pessoas fotografam tudo e postam tudo, mas são fotografias que passam pelo feed e são esquecidas no dia seguinte. A verdadeira fotografia, além de informar, tem o valor histórico documental. Nos dias atuais, as pessoas não têm o hábito de imprimir as fotografias. Deixam todas fotos da sua vida em um aparelho e podem se perder com o tempo. A fotografia impressa é eterna e pode passar de geração para geração mantendo a história da família.

PRÓ-REITORA DE ENSINO

Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino

PRÓ-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli PRÓ-REITOR DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Prof. Dr. Dyjalma Antonio Bassoli PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO DIRETORAS INSTITUCIONAIS

Prof.ª Maria Debora Vendramini Durlo Prof.ª Meire Aparecida Pedersolli

Prof.ª Me. Carmen Silvia Porto Brunialti Justo

REPORTAGEM, FOTOJORNALISMO E DIAGRAMAÇÃO

Alunos do curso de Jornalismo

PROFESSORES RESPONSÁVEIS EDIÇÃO, COORDENAÇÃO E REVISÃO DE TEXTOS

Prof. Me. José Antonio Bonato

PROJETO GRÁFICO E EDIÇÃO DE ARTE

Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA

Prof. Me. Jefferson Barcellos

EXPEDIENTE

PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO

COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO

Desinformação é o vírus mais letal ÁLVARO MOMENSO

Antonio Augusto Abbari Dinamarco

Thiago Henrique de Moraes

ARTIGO

Os textos desta página, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.

Pandemia de coronavírus não se sabe ao certo de onde veio, para onde vai, o que causa nem como se trata. Não é hora de decidir quem está certo ou quem está errado, é hora de se pensar no coletivo. Diversas pessoas compartilham em suas redes sociais fotos de “jornais” relatando que o governador “fulano de tal”, em seu recente decreto, mandou os profissionais do Samu declararem mortes, atestadas por eles, como sendo por Covid-19. Notei uma semelhança: as mesmas pessoas também desconfiam de jornais que estão há anos cumprindo seu papel social com maestria, principalmente neste momento. Analisando a notícia, verifiquei duas coisas: não há sequer o nome da empresa jornalística e não se faz jornalismo sem ouvir os dois lados do assunto, coisa que se vê no pseudojornal acima mencionado. Logo, a história não

pode ser tratada como notícia e rapidamente foi desmascarada pelas agências de fast-checking, provando mais uma vez a indispensável função do comunicador. No Brasil, segundo o Instituto Reuters, cerca de 72% dos brasileiros se informam apenas pelas redes sociais. Cabe à sociedade contribuir com a exclusão de toda e qualquer notícia falsa. Pois bem, o que eu quero dizer é que o público está mais crítico, mas se deixa levar por notícias que têm mais motivos para serem falsas do que verdadeiras. Façamos uma rápida busca na história: quais acontecimentos mundiais ficaram na “boca do povo” sem o trabalho jornalístico? Gripe espanhola? Repórteres estavam lá. Primeira Guerra Mundial? Cobertura dos jornais, na medida do possível. Atentado às Torres Gêmeas? Jornalismo presente. Em tempos atuais, o jornalismo está em descrédito, pois, segundo parte da sociedade, ele fala mal dos governos. Saliento uma

coisa: jornalista que só fala bem de alguém é assessor, e não repórter. O jornalismo tem de se atualizar, mas não pode perder sua essência de levar a notícia ao maior número de pessoas possível, mas sem perder a qualidade e a veracidade das informações. Deve-se dar valor ao trabalho de quem vive isso diariamente, arriscando, muitas vezes, a vida para levar informação à sociedade. Desinformação mata! E morrer por desinformação em pleno século 21 é inadmissível. Jornalismo segue regras. Regras devem ser cumpridas. No jornalismo real, as regras são cumpridas. A sociedade não pode se basear pela opinião de quem governa, pois, há tempos, quem governa não tem credibilidade sequer para falar do seu passado. Se puder, fique em casa, é para o bem de todos. Álvaro Momenso é estudante do 5º semestre do curso de Jornalismo da Barão de Mauá.


1º bimestre/2020

CIDADES

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Zoológico de Ribeirão Preto é alvo de críticas

Abaixo-assinado indaga condições da elefanta Maison; administração diz que animal está bem e que local tem verba baixa ANNA CARVALHO

apresentando sinais muito fortes de irritabilidade.” A advogada Ana Paula Souza, 28, contou que, em uma visita ao zoológico, presenciou uma situação inusitada. “Quando cheguei, encontrei membros da Polícia Ambiental resgatando, do lado de fora do zoológico, um lagarto teiú, que provavelmente escapou e foi para a rua. Os carros passavam muito próximos ao animal, que por pouco não foi atropelado”, disse. Mas, para a advogada, o problema não estava só ao lado de fora. “Quando entrei no zoológico, o cheiro era muito ruim, foi difícil caminhar lá dentro. O mato estava alto dentro das jaulas e quase não consegui ver alguns animais”, afirmou. Um abaixo-assinado foi criado, ao final de 2019, com atualmente mais de 8 mil assinaturas, questionando a saúde da elefanta Maison, de 45 anos. Para os assinantes, o animal se encontra fraco e abaixo do peso, além de apresentar um comportamento agressivo. Outros comentários surgiram acerca da saúde das aves e do urso Renan, que tem apresentado grande incômodo com a presença de visitantes.

Munícipes de Ribeirão Preto questionam a falta de investimento e cuidado com os animais do Zoo Bosque Fabio Barreto. O zoológico, fundado em 1948, abriga cerca de 800 animais. Apesar de ser uma opção gratuita e educacional para a cidade, o ambiente começou a receber diversas críticas através de redes sociais devido à a uma suposta má gestão e administração do local e a respeito da saúde dos animais, resultando em um abaixo-assinado com mais de 8 mil assinaturas cobrando uma justificativa por comportamentos de um dos animais do zoológico, a elefanta Maison. O consultor de vendas Marcos Vinicius Alves, 30, se mudou recentemente para Ribeirão Preto e contou que, em sua primeira visita ao zoológico, se surpreendeu com a estética visual do ambiente. “Logo na entrada vi animais soltos e expostos em contato com os visitantes. Muitas crianças alimentavam os animais e não havia ninguém ali para assegurar que isso não aconteceria”, contou. Além disso, a limpeza e a segurança do local deixa a desejar, o que torna o passeio menos prazeroso e mais questionável. Para ele, o ambiente não OUTRO LADO parece ser adequado para os aniEm resposta, o diretor do mais. “Os espaços são pequenos, bosque, Alexandre Gouveia, exas condições de abrigo são ques- plicou que a alimentação e cuitionáveis e os animais estavam dado com os animais é previa-

Foto: Anna Carvalho

A saúde da elefanta Maison é uma das preocupações da população

mente indicado por veterinários e nutricionistas responsáveis por cada caso individualmente. “Cada animal possui uma alimentação específica. Os tamanduás, por exemplo, possuem uma alimentação o mais similar possível com o que se alimentavam na natureza. Tentamos tornar o habitat mais confortável para esses animais.” Para Gouveia, o principal problema para resolver no local é a falta de verba para realizar manutenções aos espaços. “Previamente, recebemos uma verba fechada da prefeitura, com valores já estipulados. Se tivermos alguma surpresa no meio do caminho, às vezes, é complicado resolver. Precisamos renovar algumas placas de orientação aos visitantes e ainda não tivemos verbas para isso.” Para Marisa dos Santos, bióloga do local, muitas pessoas comen-

tam sobre as situações, mas não procuram entender sobre as necessidades individuais de cada animal. “Os animais daqui [do zoológico] são, em maioria, resgatados. Não retiramos os animais da natureza. Alguns animais ficam soltos porque é mais confortável para eles. Temos placas explicando que não podem alimentar os animais. Eles [os animais] não precisam ficar presos. Mas alguns visitantes precisam se educar.” A bióloga também contou que muitos animais são recebidos de cativeiros e, alguns, como a elefanta, de circos e apresentações que agora são proibidas. “Alguns animais chegam aqui machucados, doentes, ou vieram de cativeiro. Não podemos simplesmente soltá-los na natureza sem cuidado. Depois de um tempo, eles se acostumam com as condições daqui. Sobreviver em locais naturais se-

ria quase impossível para eles.” Além disso, explicou que animais são exclusivamente retirados da natureza quando há risco de extinção. “Esses animais vêm para cá para serem preservados porque nós, humanos, muitas vezes destruímos a casa deles”, disse. Para ela, falta busca de conhecimento por parte de visitantes. “Temos programas de educação ambiental e poucos se inscrevem. Falam sobre a Maison, mas não sabem que ela já é uma elefanta com mais idade, que viveu algumas situações complicadas para a vida de algum animal.” Quando questionada sobre o abaixo-assinado, a bióloga afirmou que a elefanta está até um pouco acima do peso, desde que chegou. “Falam que ela fica triste e perto das portas, mas não sabem que ali fica localizada a área do cuidador que brinca com ela e a alimenta.” Quando questionado sobre a segurança do local, Gouveia explicou que os funcionários são terceirizados e orientados sobre como devem cuidar do espaço. “Dentro do zoológico temos alguns funcionários localizados em áreas específicas. Eles são instruídos a repreender comportamentos inapropriados de visitantes e se certificar de que a saúde deles seja preservada. Priorizamos, antes de qualquer coisa, a saúde e o conforto dos nossos animais.”

Cachorras com doenças raras são alvo de pesquisa da Unesp ÁLVARO MOMENSO

As cachorrinhas Kiara e Aylla da raça daschund, popularmente conhecida como “salsicha”, servirão de objetos estudos para a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal, para descoberta e tratamento de doenças raras que atacam a raça. Estudos serão iniciados no fim de março. A dona de casa Ana Cláudia Ribeiro, 49 e o empresário Rafael França, 39, de Ribeirão Preto, procuram manter o bem-estar das cachorras com alimentação balanceada e servem frutas frequentemente para as cadelas. Há quase três anos, o casal adotou, através de um amigo, a primeira cachorra com apenas 30 dias, Kiara. Ana Cláudia conta que ao iniciar a vacinação e banhos, a cachorra apresentou problemas de pele, e mesmo após procurar tratamento na cidade, não conseguiram descobrir a doença. A dona de casa Lúcia Barbieri, 61, muitas vezes associada como madrinha das cachorras, indicou a clínica veterinária da Unesp de Jaboticabal. Após diversos exames, constatou-se a doença atopia alérgica. A alergia causa prejuízos nos rins, fígado, vômitos, diar-

Foto: Álvaro Momenso

A dona de casa Ana Cláudia com a cachorrinha mais nova, Aylla

reia, além de queda de pelos e intensa coceira no animal. No caso de Kiara, os sintomas se acentuam quando são ingeridas, principalmente, proteínas animais. A partir daí a alimentação da Kiara passou a ser totalmente regulada e com a quantidade de proteínas calculadas. Segundo Ana Cláudia, os veterinários informaram que cachorros que possuem essa doença não ultrapassam um ano e meio de idade, mas Kiara completará três anos em abril.

LONGEVIDADE Devido à idade atingida, a cachorra se tornará objeto de estudos na universidade, para verificar a causa da longevidade. Aylla, a segunda cachorra do casal, possui uma característica especial, com uma coloração chamada de arlequim, a cachorra possui várias manchas características em seu corpo. A cachorra foi adotada em um canil, onde a proprietária relatou que Aylla seria de uma raça pura, derivada de um cruzamento de casal com a mesma pelagem.

Ao pesquisar, Ana Cláudia constatou que cães com essa pelagem não podem se reproduzir entre si, caso contrário, o cruzamento inadequado poderia causar problemas de má-formação nos filhotes. No último mês, Aylla encontrou um inseto no chão e começou a brincar. Horas depois, a cachorra começou a se sentir mal. Realizados exames ainda em Ribeirão Preto, os veterinários diagnosticaram que Aylla sofria de gastrite. Ana Cláudia entrou em contato com Lúcia, que após uma hemorragia, levou a cachorra também para a Unesp em Jaboticabal. Ao realizar mais exames, foi constatado que a cachorra possui inflamação gastrointestinal, mas não se sabe ao certo se é um problema crônico. Assim como Kiara, Aylla é cobaia na Unesp de Jaboticabal, devido à doença no intestino. Segundo a médica veterinária Laísa Borba, 31, as alergias não são exclusivas de raças, a genética e fatores externos podem desencadear tais doenças, podendo ser individuais de cada animal. Ainda de acordo com Laísa, cães da raça daschund possuem alguns problemas de saúde bem comuns, como sobrepeso, problemas de coluna, ortopédicos em geral, tártaros, e não é raro apre-

sentarem dermatites diversas. Por conta das cachorras, o casal prefere ficar em casa para fazer companhia e brincar com elas. Ana Cláudia e Rafael iniciam o dia bem cedo, pois precisam cuidar das cachorras e brincar com elas antes de ir ao trabalho. Os donos já tentaram colocar Kiara em uma escola para cachorros, porém, segundo Ana, ela tem medo de outros cachorros e não se adaptou à rotina. Uma nova alternativa que será adotada é a contratação de um adestrador, para melhorar o comportamento das cachorras e orientar os donos. “Não temos consciência pesada em gastar o que gastamos com elas”, conta Ana. Em viagens, Kiara e Aylla ficam com Lúcia, possuem malas, todos os documentos e receitas médicas necessários para passar a temporada fora de casa. Não ter filhos foi uma opção do casal, mas Ana afirma que as cachorras não foram adotadas para suprir essa posição. “Prefiro bicho do que gente. Bicho não quer tirar vantagem com ninguém”, disse Ana Cláudia. Os cães da raça daschund, segundo a veterinária Laísa, podem viver de 16 a 18 anos, desde que haja qualidade de vida e acompanhamento veterinário.


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CIDADES

1º bimestre/2020

Cai número de crianças destinadas à adoção Baixa se deve a programas como Vale Leite e Renda Mínima e a queda na natalidade; fila para adoção tem 300 candidatos JAMIELE CAVALCANTE

no cadastro local se há um pretenEm uma fila estão as criandente que exigiu aquelas caracte- ças aptas a adoção, e a outra perPolíticas Públicas como rísticas. Se não houver, recorre-se tence aos pretendentes. o Vale Leite, o Bolsa Escola, o ao cadastro estadual e ao CNA Por volta de aproximadaRenda Mínima e a queda da na- (Cadastro Nacional de Adoção). mente seis anos atrás, em Ribeitalidade reduziram o número de rão Preto existiam cerca de cinco crianças para adoção em RibeiFILAS abrigos. A Fundação Casa já cherão Preto. A informação é do juiz No Brasil existem filas de gou a ter 11 mil internos, e hoje da Vara da Infância e Juventude, adoção. São duas filas paralelas conta com 7 mil, ou seja, mais de Paulo César Gentile, 56. andando, independentemente 30% de queda. Em Ribeirão Preto um úni- uma da outra, mas com a finaHá alguns anos o processo co abrigo, o Saica (Serviço de lidade de se encontrarem em de adoção era visto mais em beAcolhimento Institucional a algum ponto. nefício do adotante, para satisfaCrianças e Adolescentes), recebe crianças em situação de vulnerabilidade e risco social. Ele é mantido pela prefeitura por verbas públicas. O abrigo possui 30 crianças, oito delas estão aguardando a adoção com 300 pretendentes cadastrados. O tempo médio de permanência nesses abrigos é de três meses, mas em alguns casos as crianças ficam anos nos mesmos. O juiz explica como funcionam os abrigos e diz que a primeira opção nunca é a adoção. “As crianças que ficam nessa instituição não ficam necessariamente esperando a adoção, mas sim a solução de um problema de vida. É comum haver negligência familiar, o pai preso, a mãe é alcoólatra e o filho que fica na rua o dia todo.’’ Quando isso ocorre, segundo o juiz, o Conselho Tutelar é acionado e passa a proteger a criança.

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Quando a criança vai para o abrigo, a família inteira se mobiliza

Se o conselho achar necessário que a criança vá para o abrigo, é solicitada à Justiça uma permissão e então começa-se um processo de tentar resgatar a família biológica do menor. Esse processo, diz Gentile, pode se arrastar por anos. Quando a criança vai para o abrigo, a família inteira se mobiliza. Tios e avós se colocam à disposição para cuidar, o que é chamado de “família extensa’’. Nos casos que são irrecuperáveis, os pais são processados pela Vara da Infância e Juventude e, como consequência, perdem o direito sobre o filho, o que é chamado de destituição do poder familiar. Aqueles que querem adotar uma criança devem procurar a Vara da Infância e Juventude de seu município e se cadastrarem. Os cadastros locais de cada fórum são centralizados em um cadastro estadual. Depois são unificados no cadastro central, em Brasília, no CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Dessa forma, quem está cadastrado em Ribeirão Preto está inserido em todo o Brasil. Se houver uma criança com características especificas disponível para adoção, o juiz verifica

zê-lo de alguma maneira. Com a vigência do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), essa visão se inverteu, pois a adoção é focada na criança, com o direito de ter uma família. Não é mais opção do Estado criar uma criança num orfanato, lugares que existiam antigamente, mantidos por ordens religiosas, onde os menores eram criados até a idade adulta.

Os orfanatos foram proibidos por leis. O juiz diz que hoje não existem barreiras para a adoção e que o processo é rápido e sem custo. A primeira criança adotada legalmente por um casal homossexual masculino no Brasil foi no final de 2005. A adoção pode acontecer por uma pessoa só, um casal com filhos, uma família já com filhos biológicos ou adotivos.

Foto: Abraão Gomes/Arquivo Pessoal

Membros da Igreja Comunidade Cristã de Jaboticabal com participantes do projeto Voar; cerca de 100 crianças são atendidas pela Ong

SOLIDARIEDADE

Projeto dá noções de cidadania para jovens de Jaboticabal LAYNE GRAZY

A Igreja Comunidade Cristã, em Jaboticabal, oferece projeto aos sábados com atividades educativas e culturais para crianças e jovens entre 5 e 18 anos. O projeto Voar é vinculado à Associação Ecoe, fundada em maio de 2017, uma Ong que visa dar voz à população em geral. No projeto são abordadas várias atividades como cuidado ao meio ambiente, respeito aos direitos humanos, saúde, artes e esportes através de oficinas de aprendizagem. O principal objetivo é promover uma melhoria nas relações sociais e familiares desses jovens. Segundo o fundador do projeto Voar, Ariel Rodrigues Meni “A ideia central é que a criança se desenvolva até bater asas e voar, fazendo as melhores escolhas que serão fundamentais para o seu futuro”, afirma. Atualmente o projeto atende cerca de 100 crianças, funcionando aos sábados das 8h às 11h e das 12h às 15h. São ofereci-

das várias oficinas, tais como, a recreação infantil, futebol, olaria, panificação e fanfarra. Além disso, são servidos café da manhã e almoço. “No início, atendíamos uma média de 50 a 60 crianças, no máximo”, declara a coordenadora do projeto Lilian Rosa Martins. O projeto é mantido através da associação Ecoe, que promove a Queima do Alho, no qual são vendidas comidas típicas na Festa do Quitute, evento que ocorre uma vez ao ano em comemoração ao aniversário da cidade de Jaboticabal. O Voar importa crianças, adolescentes e jovens de uma maneira diferente. As crianças têm nos jogos pedagógicos o estimulo necessário para obter seu desenvolvimento, enquanto observam os adolescentes que participam das oficinas. Deste modo, os jovens tornam-se líderes dos menores. Brunieli Gomes dos Santos, de 22 anos, é voluntária do projeto e auxilia na oficina de olaria. “As crianças fazem os vasos, e eu e outras crianças

pintamos e decoramos. Ser voluntária no projeto Voar é se sentir útil a qualquer tarefa, a qualquer desafio. É simplesmente você ajudar com o que você tem e nada mais, para mim é prazeroso”, afirma. Em cada oficina os participantes são desafiados a agir de forma que estimule a cidadania, respeito e amor ao próximo. FANFARRA “As nossas crianças são como páginas brancas, cabe a cada um de nós escrever uma coisa positiva nessas páginas, para que no futuro essas crianças se tornem ótimos cidadãos e sejam reconhecidas como pessoas”, diz Lilian. Nilsen, mãe de uma criança do projeto diz que seu filho descobriu o talento para a música através da fanfarra. “Foi maravilhoso o projeto na vida do meu filho, a fanfarra se tornou sua paixão”, relata. O trabalho acontece em um bairro carente da cidade, onde as crianças veem o consumo e o tráfico de drogas diariamente.

“Nós precisamos fazer alguma coisa para oferecer uma perspectiva de vida diferente para essas crianças”, afirma Ariel. Oliver Ferreira Velozo de Oliveira, de 16 anos, participante do projeto Voar, conta que o projeto para ele é uma casa e significa uma fuga da realidade. “O projeto Voar para mim é tipo uma casa, onde se vai para aprender várias coisas, estar em comunhão com os amigos, e sair um pouco da realidade que vivemos hoje”, declara. Mireli Karina Ferreira, voluntaria e mãe do Oliver, declara que seu filho tem se tornado um grande músico, graças a fanfarra, uma das oficinas oferecidas pelo Voar. “Para mim é superimportante e prazeroso vê-lo envolvido e engajado nisso, trabalha nele o coletivismo e princípios que são essenciais para a vida”, declara. “Ser voluntária do projeto Voar para mim, significa poder colaborar na edificação de um futuro melhor para tantos adolescentes que muitas vezes não tem perspectiva nenhuma” diz Mireli.


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CIDADES

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Familiares fazem maratona para ver presos Jovem que mora em Orlândia gasta R$ 300 por mês para visitar o irmão em Serra Azul, e o marido, em outro local e, como as viagens são feitas semanalmente, gasta em torno de Embora as condenações R$ 300 por mês. judiciais não possam passar da pessoa do réu, as consequências TEMOR das sentenças acabam, indiretaO principal temor das famente, recaindo sobre familia- mílias dos presos é que eles sores, que muitas vezes precisam fram algum tipo de represália e fazer maratonas para visitar en- venham a ser transferidos para tes queridos nas prisões. outros presídios. Ir para uma ciÉ o que ocorre com quem dade mais distante aumentaria tem familiares presos na Peni- os gastos e dificultaria as visitas. tenciária de Serra Azul. Nas filas para entrar nos Os parentes fazem de tudo presídios e ver um familiar, o para tentar garantir uma vida que predomina são as mulheres, melhor para quem está do lado muitas vezes com crianças. de dentro das paredes de concreSomente no Estado de São to e aço. A prisão fica às margens Paulo, por exemplo, estão cadasda rodovia Abraão Assed. tradas 531 mil pessoas para visiTodos os sábados Maria, que tação nas unidades prisionais. é estudante e tem 25 anos, visita Segundo a SAP-SP (Secreo irmão. O jovem foi preso por taria de Administração Penitráfico de drogas e pegou oito tenciária), 409.177 são do sexo anos de condenação. Ela mora feminino, o que representa 77% em Orlândia e há cinco meses do total. mudou totalmente a sua rotina. Uma dona de casa visita o “Eu saio às 5h de casa para irmão todo final de semana. entrar na visita às 9h e poder ver Ele que está detido no Ceno meu irmão. Saio daqui hoje já tro de Detenção Provisória de pensando na visita da próxima Serra Azul, que fica na mesma semana”, disse a jovem. região onde ela reside. Ela afirma que fica a sema“Ele está preso por tentativa na inteira se preparando para de homicídio e ainda não foi julas visitas. “É muito cansati- gado. A Justiça é muito lenta, é vo. Hoje eu visito meu irmão e muito cansativo, muita demora.” amanhã visito o meu marido em As visitantes relatam que há outra penitenciária.” muita falta de empatia e julgaSem ajuda e apoio de nin- mentos de amigos e até mesmo guém, ela gasta R$ 75 por visita da família.

Foto: Luana Camargos

LUANA CAMARGOS

A penitenciária de Serra Azul abriga presos da região; familiares têm dificuldades para chegar até o local

Isso ocorre, segunda elas, na porta dos presídios, nos ônibus, dentro de casa, nas redes sociais e até mesmo os políticos, que a todo o momento lançam bordões para atacar quem está preso e seus familiares. “É difícil porque a gente já sofre muito em saber que ele está aqui. Nós comemos as coisas que ele gosta e sei que ele não vai comer aqui”, afirma a estudante Maria. A irmã do preso também lamenta o fato de ele tomar ba-

nhos gelados e se sente culpada porque toma banhos quentes. “Tomamos banho quente e aqui ele toma gelado. Eu fico preocupada se ele está com fome, com frio, com calor. É muito sofrimento, é muita angústia. Mas as pessoas não se colocam no nosso lugar, elas só julgam.” A professora de educação física Flávia (nome fictício) mora em Santa Rosa de Viterbo. Ela faz visitas ao irmão quinzenalmente. Ele foi condenado a dez anos e nove meses de

prisão por tráfico e associação ao tráfico de drogas. Ele está preso há três meses. “Eu acredito na ressocialização dele por ele mesmo, não pelo que ele vive aqui. Minha família e eu estamos dando todo o apoio para que quando ele sair possa ter uma vida nova, mas as condições da penitenciária são precárias.” As visitas têm a finalidade de preservar e estreitar as relações do preso com a sociedade, a família, a companheira e os parentes, sob vigilância e com limitações.

Ex-catadora de lixo retira mais de 5 mil pneus das ruas A gestora ambiental Kelly Cristina, 46, já retirou cerca de cinco mil pneus das ruas de Ribeirão Preto em cinco anos com seu projeto chamado Eco Design, que transforma pneus usados em peças de arte, como lixeiras com temas de personagens infantis, bancos, poltronas e casinhas para cães, entre outros itens. Além disso, ela coordena o projeto Catasonho, que capacita catadores de recicláveis e moradores de rua em Ribeirão. Ela faz parte da Patrulha Ambiental da Guarda Civil Municipal. Antes, trabalhou 13 anos como agente de vetores. A ideia de reutilizar pneus surgiu na faculdade de Gestão Ambiental, na época ainda estava tentando entrar para a Patrulha Ambiental e tentar resolver o problema do lixo na cidade. Como agente de vetores Kelly recebeu “muita porta na cara” e percebeu que as pessoas não aceitam que são elas quem têm que cuidar do seu próprio “cantinho”. Na faculdade fez um trabalho de educação ambiental que criava pontos de descarte de lixo em seu bairro com o compromisso da prefeitura em recolher sempre que estivesse cheio e o chamou de “Operação Cata Treco”. Apesar de algumas críticas de pessoas próximas dizendo que o bairro estava virando um

Fotos: Kelly Cristina/Arquivo Pessoal

AMARILDO PIZZI

Kelly Cristina reutiliza pneus e transforma-os em peças de arte

lixão, Kelly conta que o projeto foi um sucesso, pois “estava educando as pessoas a descartarem o lixo no local correto”. Para sinalizar o local ela usou pneus e pedaços de madeira, pintou de amarelo e fez os “olhos” com CDs. Ficou bem parecido com um Minion. Estava criado seu projeto de arte. No começo fazia as peças somente para doação. Hoje ela continua doando para Ongs, praças de alguns bairros e também tem várias encomendas vendidas, que ajudam nas despesas da casa e pagam os materiais usados, suprindo os gastos que tem. Kelly conta com a ajuda do marido e faz as peças após o tur-

no de Guarda Municipal e aos finais de semana. A gestora busca os pneus em um ecoponto e também recebe doações de moradores.

Entre seus trabalhos, encontra-se a representação de um trator

vil, Kelly é coordenadora do projeto Catasonho, um projeto de coleta seletiva que capacita catadores de recicláveis e moradores de rua. “A ideia é que eles tenham isso como segunda renda”, afirmou Kelly. Além dos pneus, fazem joias com pó de café e peças Além de pneus, com garrafas pet. fazem joias com “Eu faço toda a parte administrativa, de incentivo. Uso a pó de café e peças minha história de vida para moscom garrafas pet trar que é possível acreditar nos sonhos e mudar a própria vida. Isso serve de modelo para segui“A ideia é que em vez de as rem em frente e acreditar na capessoas descartarem os pneus pacidade que eles têm.” no lixo, descartem em ecopontos ou doem para quem reutiliza.” INFÂNCIA DIFÍCIL No seu turno de Guarda CiKelly teve uma infância de

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muitos desafios. Quando não estava na escola ajudava seus pais nas despesas de casa catando recicláveis em caçambas. Morava em Osasco com os pais e mais quatro irmãos. Sua vida começou a melhorar quando veio para Ribeirão e, aos 12 anos, entrou para a Guarda Mirim. Kelly já passou fome, sofreu preconceito na escola e até hoje ainda recebe críticas até de pessoas próximas, por muitas vezes estar com as unhas e roupas sujas. “Companheiros de trabalho já viraram para mim e perguntaram se eu ando todo dia suja desse jeito. Sofro preconceito por às vezes ficar suja, mas isso não me desanima.”


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ECONOMIA/SAÚDE

1º bimestre/2020

Jovens trocam carros por ‘cliques’ no celular Transporte por meio de aplicativos como Uber, 99 POP e Cabify ganham adesão devido à comodidade e economia LUIZA ARAUJO

Os aplicativos de transporte como Uber, 99 POP e Cabify estão ganhando cada vez mais popularidade entre os jovens. No Brasil, a Uber é a empresa que mais se destaca nesse ramo, sendo ele o segundo país que mais consome seus serviços. Em abril de 2019, o empreendimento faturou no país cerca de 115% a mais em relação a 2017. As vantagens oferecidas são várias: não é preciso se preocupar com documentação de carro, vagas para estacionar ou aulas de direção. Isso leva muitas pessoas como a assistente de marketing Vânia Maria Silva, de 30 anos, a deixar o carro na garagem. Segundo Vânia, essas ferramentas de transporte são mais práticas, pois assim ela não precisa se preocupar com estacionamento, ganhando mais comodidade. A estudante e estagiária de jornalismo Tasnim Khaled, 21 anos, de Ribeirão Preto, costuma usar esses aplicativos para voltar à sua casa após a faculdade, pois os horários de circulação dos ônibus não correspondem ao seu horário de saída. Tasnim ainda afirma que usar os aplicativos é economicamente mais eficaz, por não precisar se preocupar com impostos do veículo, gasolina e manutenção. Ela gasta mensalmente R$ 225,00 com o transporte.

Foto: Luiza Araujo

“Outra vantagem é que você pode fazer o seu horário. Quando você pede um transporte de aplicativo, não precisa depender de carona ou ônibus”, diz a estudante. Estudo realizado pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) em 2017, sobre o perfil socioeconômico dos usuários da Uber, mostra que 76,3% dos usuários dessas ferramentas têm menos de 36 anos e quase 40% têm até 26 anos. Essa tendência é chamada por especialistas de “economia colaborativa”. Ela se trata, basicamente, do compartilhamento de serviços como uma alternativa diante de problemas sociais, econômicos e ambientais. AUTOMÓVEL Caio Aguilar Fernandes, mestre em multimeios pela Unicamp, diz que esse fenômeno é incentivado pela queda da renda entre os mais jovens. “A venda e consumo de prestação de serviços é um traço dessa mudança, de forma que manter um veículo próprio passa a fazer cada vez menos sentido”, afirma o especialista. Dessa forma, o consumidor economiza ao pagar apenas pelo serviço em vez de arcar com todos os custos de manter um automóvel. Fernandes diz que as mudanças tecnológicas e inovação

Frequentemente, Tasnim Khaled utiliza aplicativo de transporte para voltar à sua casa após a faculdade

também contribuem para esses novos padrões. “No caso dos jovens, a circulação de informações, as novas formas de se lidar com o entretenimento, o uso de redes sociais e aplicativos para proporcionar encontros afetivos, são itens que atravessam as formas de comportamento atual.” A economia colaborativa também é uma alternativa de renda para quem está desempregado. Maxwell Oliveira Santos,

26, diz que começou a trabalhar de motorista particular porque não conseguia achar trabalho. Santos relata que uma das principais vantagens de trabalhar com os aplicativos é a liberdade. “Você cria suas formas de trabalho dentro das condições da plataforma utilizada”, diz. Essas condições variam de empresa para empresa, incluindo, até mesmo tempo limite para trabalhar. Alguns aplicativos oferecem

suporte aos trabalhadores com descontos especiais em academias, postos de combustível e até em faculdades a distância. Maxwell diz que sua ferramenta de trabalho oferece essas vantagens. Além dos posicionamentos citados, Fernandes afirma que há diversas formas de questionar os padrões de consumo. “Há também o fato de que, com o uso das redes, o consumidor torna-se mais informado e exigente”, declarou.

Foto: Prefeitura de Ribeirão Preto

Dengue disputa atenção de Ribeirão Preto com coronavírus Em média uma fêmea do Aedes aegypti dura 45 dias, porém, nesse tempo coloca cerca de 150 a 200 ovos de uma vez. E os ovos podem permanecer inativo até oito meses, mesmo em um local seco e frio intenso. Até encontrar as condições ideais para eclodirem e darem lugar a larvas. O vírus da dengue pode interagir com doenças pré-existentes e levar ao quadro grave ou gerar complicações nas condições clínicas de saúde da pessoa. No caso, crianças e idosos são mais vulneráveis por isso. As regiões leste e oeste são as que onde se encontra o maior número de pessoas infectadas pelo Aedes aegypti. As faixas etárias com mais casos são entre 20 a 39 anos e 40 a 59 anos. Maria Aparecida de Souza, 46, dona de casa, moradora do Equipe da Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto recolhe lixo e entulho contra mosquito da dengue Parque do Servidores, na zona leste de Ribeirão, conta que seu RAFAEL RABELLO afirma o secretário municipal da pelas ruas e conscientizando a filho, de nove anos, acabou peSaúde, Sandro Scarpelini. população sobre a importância gando dengue. A dengue ainda é preocuApesar da preocupação, os de evitar deixar criadouros para “A gente fica preocupada, pação da Prefeitura de Ribeirão números da dengue diminuíram os mosquitos se proliferarem. ainda mais com criança. Meu Preto, apesar das medidas de na cidade em relação a 2019. SeEm 2020 foram realizadas filho hoje está melhor. Tem que isolamento impostas à popula- gundo o município, foram registra- mais de 60 mil vistorias em imó- conscientizar a população a evição em razão da Covid-19. dos 1.055 casos de dengue em mar- veis residenciais, comerciais e tar deixar água parada em casa. “Estamos passando por um ço, 43% a menos que em relação ao lugares onde possivelmente ha- Ficar esperta com calhas, pneus período no qual dois vírus amea- mesmo período do ano passado. via criadouros de dengue. Esti- e outras formas de criadouro.” çam a saúde na cidade, a dengue As equipes do combate con- ma-se que ao todo foram idenOs moradores estão pree o coronavírus. Devemos au- tra a dengue em Ribeirão Preto tificados e eliminados mais de ocupados, pois cada vez mais mentar mais ainda a proteção”, estão intensificando os trabalhos 5.000 focos do mosquito. vem crescendo os números de

casos de dengue. Muitos acabam tentando combater por conta própria e retirando os criadouros para evitar a proliferação do mosquito. Paulo Henrique Corrêa, 65, aposentado, morador do Parque do Servidores, conta como está aflito em relação a essa epidemia, pois a sua região é uma das que mais têm casos de dengue. “Fica difícil não se preocupar. Eu fico olhando para lixos que possam virar criadouros do mosquito. Retirei uns pneus que estavam aqui na esquina. Tem que começar com a gente também, porque não podemos relaxar.” MEDIDAS PARA COMBATER O MOSQUITO DA DENGUE –– Manter a caixa-d’água fechada –– Manter bem tampados toneis e barris d’água –– Encher de areia até a borda os pratos das plantas –– Colocar no lixo todo objeto não utilizado que possa acumular água –– Colocar o lixo em um saco plástico e manter a lixeira bem fechada –– Vire as garrafas vazias de cabeça para baixo –– Manter as calhas limpas –– Não deixar água acumulada sobre a laje Fonte: Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto


1º bimestre/2020

TECNOLOGIA

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TV alavanca audiência com famosos da internet MARIA CAROLINE FRANCISCO

Emissoras de televisão estão inserindo pessoas famosas da internet em seus programas para tentar alavancar sua audiência. Mais conhecidos como influenciadores digitais e youtubers, eles têm um público grande em suas redes sociais. O objetivo das empresas televisivas é atrair a visibilidade dessas pessoas para seus canais. Em janeiro deste ano, a rede Globo divulgou algumas personalidades populares da internet que foram convidadas para participarem do reality show “Big Brother Brasil”. Uma das convidadas foi a blogueira carioca Bianca Andrade, que já possuía mais de 8 milhões de seguidores em seu Instagram antes de entrar na casa. A convergência de mídias é um fator de relevância na atualidade. Com o crescimento da

internet, a televisão foi perdendo sua audiência para os novos meios digitais de comunicação. Segundo o especialista em marketing estratégico Cássio Carvalho, formado pelo Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa de São Paulo), os meios de comunicação tradicionais como a televisão, demoraram para perceber a relevância desses influenciadores em seus anunciantes. Ele ainda afirma que esse fator poderia ter sido rentabilizado há muito tempo. “Hoje eles estão tomando medidas paliativas em relação a isso. Portanto, será cada vez mais comum vermos celebridades digitais na televisão.” Segundo reportagem do portal UOL, a empresa de pesquisa GlobalWebIndex, localizada em Londres, afirma que o tempo gasto em média pelos jovens nas redes sociais aumentou em quase 60% nos últimos sete anos.

Porém o mercado televisivo ainda possui uma audiência relevante. “O Brasil ainda é um mercado muito grande para a TV, principalmente a TV aberta. Então com certeza as emissoras continuarão produzindo conteúdo em formato de parceria com os blogueiros e personalidades da internet”, afirmou Carvalho. A empresa GlobalWebIndex também afirma que os jovens estão tendo uma melhor percepção do conteúdo que acessam. Hoje o foco está em assuntos relacionados aos seus interesses pessoais, o que gera mais engajamento dentro das plataformas distribuidoras de conteúdo. Assim, os influenciadores e youtubers movimentam pessoas interessadas em suas postagens diárias, mas dessa vez dentro dos canais televisivos. Na tentativa de engajar ainda mais a visibilidade da televisão com o público dessas personalidades já

Foto: Reprodução/Instagram

Ideia de programas como Big Brother é atrair a atenção dos seguidores de youtubers e influenciadores digitais para o canal

A blogueira Bianca Andrade

famosas na internet, uma das estratégias usadas pelas empresas é inseri-las em seus quadros. Com isso os seguidores das redes sociais de Bianca Andrade, por exemplo, passam a assistir ao programa no qual ela está. Apesar de essas emissoras aumentarem sua audiência com

a visibilidade dessas celebridades digitais, os “famosos da internet” também acabam ganhando quando são apresentados nos canais de comunicação tradicionais. Carvalho diz que “o impacto da televisão pra essas pessoas é o reconhecimento muito maior do que se ficassem apenas no canal digital, pois a TV aberta, principalmente no Brasil, está presente em quase todos os lares. Então é uma via de mão dupla, um jogo de ganha-ganha”. Esse tipo de estratégia tende a aumentar durante os próximos anos. No momento os canais maiores estão aderindo à participação dos famosos digitais em sua programação, porém os canais menores, como emissoras regionais, seguirão o mesmo padrão de conteúdo. Carvalho afirma que “hoje o mundo é “multitelas”, e as celebridades digitais vão ter uma influência cada vez maior”.

VICTÓRIA MERIGUE

Mayra possui um canal no YouTube relacionado a acessibilidade

NO YOUTUBE

Deficiente visual cria canal em defesa da acessibilidade JULIANO GONÇALVES

Aos 27 anos, a assistente social Mayra Ribeiro de Oliveira, de Ribeirão Preto, fala em seu canal na internet sobre a importância da inclusão. Desde muito cedo, Mayra soube que seria necessário lutar por seu espaço na sociedade. Ela perdeu a visão aos sete anos, mas a dificuldade em enxergar não fez dela uma pessoa frágil. Com apoio da família, a jovem conseguiu chegar à universidade. Hoje, ela trabalha para mudar a realidade da acessibilidade no país e quebrar as barreiras impostas pelo preconceito. Engajada em debater cada vez mais a acessibilidade, Mayra resolveu criar um canal no Youtube no qual fala sobre o assunto. “Quem não viu a Mayra vê”, o nome do canal, surgiu do incentivo dos próprios alunos. A princípio, a ideia ficou apenas no papel, mas um vídeo postado por ela em que recita uma poesia foi o pontapé inicial.

“Quem não viu a Mayra vê, vê tudo: o preconceito velado das pessoas, o que as pessoas querem que a Mayra não veja, o que as pessoas acreditam que é o politicamente correto”, diz a assistente social. Para ela, o canal também é mais uma forma de dar voz às mulheres com deficiência. “Eu acredito que nós precisamos nos conhecer enquanto mulheres, tomar consciência da nossa força. Nós somos mulheres, mulheres fortes.” Em seu canal ela conta sua trajetória, encoraja outras pessoas deficientes a terem voz e discute políticas para ampliar a participação delas nas escolas e no mercado de trabalho. “Se as pessoas não estão abertas para ouvir, a convivência se torna cada vez mais complexa. Às vezes, essas pessoas [com deficiência] são barradas nos direitos básicos. Para mim, uma vida plena é uma vida onde todas as pessoas estão inseridas em diversos espaços”, diz.

Pela revista Exame, o Brasil é o segundo país onde a produção de podcasts mais cresce. Pelo público jovem é possível ver opiniões diversificadas. Israel Botelho, 19, estudante de engenharia elétrica, afirma que nunca ouviu podcasts por falta de tempo, mas que seus amigos sempre recomendam que o faça. Gabriel Gerim, 22, estudante de direito, disse que gosta dos podcasts, porém que ouve com pouca frequência. “Escuto de vez em quando, e o que costumo ouvir é sobre desenvolvimento interpessoal.” A estudante de engenharia mecânica Lívia Caetano,19, acredita que com a expansão da internet haverá uma extinção dos programas tradicionais de rádio. “A rádios atualmente estão sendo usadas mais para infor-

mação do que para música, por exemplo”, afirma. O professor André Luiz Sousa, especialista na área da comunicação, principalmente na área de rádios, tem notado um grande aumento na utilização dos podcasts, principalmente os de jornalismo. “Veio para ficar”, disse. Sousa ainda acredita que é uma grande oportunidade para quem está iniciando no mercado de trabalho como jornalista. “Como este é um mercado muito competitivo, essa é uma boa oportunidade de mostrar seus talentos e capacidades.” Ele acrescenta que é um meio que irá crescer cada vez mais no Brasil. “A praticidade desses podcasts faz com que tenha um grande público, por isso a tendência é crescer.”

Apesar de ser um produto relativamente novo no mercado, os podcasts estão conquistando públicos de todas as idades e nacionalidades, principalmente os brasileiros. O podcast tem bastante semelhança com um programa de rádio, porém o seu diferencial a gama de conteúdo e a maneira de ouvir, que é de forma digital, e a qualquer momento. Existem variados conteúdos que as pessoas podem pesquisar, entre eles educação, humor, notícias, negócio, esportes e conteúdo infantil, entre vários outros. Numa publicação feita pelo streaming do Spotify, o podcast “Café da manhã” da Folha de S.Paulo está entre os dez mais escutados no Brasil. A proposta é trazer as notícias do dia logo pela manhã. Nesta lista também estão “Não ouvo Podcasts”, “Nerdcast” e “Mamilos”, que também é um programa do gênero jornalístico. Levando isso em consideração, surge a dúvida: Os podcasts estariam substituindo os programas tradicionais de rádio? A praticidade e a variedade de conteúdo dos podcasts têm trazido uma legião de seguidores por ser um modelo inovador da indústria audiovisual. A opinião pública se divide, pois existe um público que prefere o modelo tradicional, com programas de rádio, à nova maneira de entretenimento. De acordo com uma pesquisa realizada pela Tilt, canal sobre tecnologia do portal UOL, o número de ouvintes de podcasts cresceu 63%. O serviço de streaming Spotify possui uma área destinada a podcasts

Foto: Victória Merigue

Foto: Juliano Gonçalves

Praticidade e variedade de contéudos impulsionam o consumo de podcasts


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ESPORTES

1º bimestre/2020

Internet se torna aliada de futebol americano Partidas do Challengers, time de Ribeirão Preto, são acompanhadas ao vivo por público de 15 mil pessoas no Facebook

Foto: Assessoria do Challengers

com o início das transmissões do canal ESPN. Trazendo transmissões divertidas e descontraídas, a emissora conquistou o público brasileiro, que passou a gostar e admirar o futebol da bola oval, como muitos chamam. Com a febre do esporte estrangeiro, começaram a surgir as primeiras equipes no Brasil, em meados dos anos 2000. O atual Campeonato Brasileiro de Futebol Americano (BFA) foi criado em 2017, e a equipe do Sada Cruzeiro foi a campeã. Hoje em dia, a liga conta com 33 equipes e cerca de 1.500 jogadores cadastrados. E para aumentar o crescimento do esporte no Brasil, a Liga Brasileira de Futebol Americano decidiu investir em transmissões de jogos. Com o esporte em alta, Challengers vem conquistado fãs do futebol americano com transmissões on-line VINÍCIUS CORÓ

Crescimento do esporte no Brasil é visto nas transmissões online das partidas. Em Ribeirão Preto, cerca de 15 mil pessoas acompanham as partidas ao vivo. O futebol americano vem ganhando cada vez mais força no Brasil, prova disso são as milha-

res de pessoas que acompanham o esporte nas transmissões online nas redes sociais. Em Ribeirão Preto, com o Challengers, cerca de 15 mil pessoas assistem às partidas ao vivo no Facebook. O esporte surgiu nos Estados Unidos em 1867 e se tornou o principal do país.

Milhares de pessoas acompanham as partidas em estádios que estão constantemente lotados. Estima-se que na NFL (National Football League), principal liga do esporte, a média de público seja de 67.591 pessoas por jogo. No Brasil, o esporte começou a ficar conhecido em 1992,

ESPN Por conta disso, foi firmado um acordo com a ESPN, que popularizou o futebol americano no país, para a transmissão exclusiva das finais da competição. Além disso, a liga exige uma transmissão HD de todos os times mandantes no campeonato. Ricardo Moreira De Almeida, 19, de Ribeirão Preto, comentou que começou acom-

panhar a BFA através de uma transmissão ao vivo. “Conheci a liga nacional brasileira através de uma transmissão ao vivo da final da liga LNFA (liga de acesso à BFA) em 2018, na qual o Challengers foi campeão e conseguiu o acesso para a BFA. Hoje, além de torcedor, me tornei um jogador do time.” As transmissões oficiais são realizadas nas páginas oficiais das equipes no Facebook. Um fato que chama a atenção é que o número de pessoas que assistem os jogos online é maior que o público de uma partida de outros esportes como vôlei, basquete e até o mesmo futebol. Segundo Thaynan Oliveira, diretor do Challengers, a média de visualizações por jogo da equipe é de 14.150 espectadores. A equipe de Ribeirão é dona da terceira maior página esportiva da cidade, com mais de 10 mil curtidas, atrás apenas de Botafogo e Comercial, times de futebol. Parte desse sucesso deve-se ao desempenho da equipe dentro das quatro linhas. Com 12 anos de existência, o Challengers tem nove títulos nacionais e um título sul-americano. A equipe é considerada uma das mais tradicionais do esporte no Brasil.

Pneu furado iniciou ciclista em carreira com vitórias JOÃO VICTOR MARQUES

Jovem ciclista bauruense se destaca entre os melhores atletas do país no esporte. Representando a equipe de ciclismo de Ribeirão Preto, já chegou a competir em diversos países pela América Latina, mas tudo começou com um pneu furado. Alessandro Ferreira Santos, 24, conheceu o esporte aos 13 anos após recém-chegar em Araçatuba. Ferreira ia à escola de bicicleta todos os dias, quando seu pneu furou, após o ocorrido levou sua bicicleta para consertar e na bicicletaria recebeu o convite para participar de uma equipe de ciclistas mirins. Ferreira conta que antes do ciclismo era uma criança muito tímida e que comia muito pouco. “Meus pais ficavam louco por eu não me alimentar direito, mas quando comecei a pedalar teve muitos benefícios.” Santos afirma que sua alimentação mudou muito, o apetite era de “leão” e começou a fazer muitas amizades a cada competição. “O ciclismo ajudou muito no meu desenvolvimento físico e mental”, declara o ciclista. A rotina do ciclista é bem exigente, com treinos que chegam a durar sete horas. A distância percorrida é de 500 a 1.000 km por semana. “Para cumprir essas cargas de treinamento é preciso fazer sacrifícios, mas já estou acostumado, pois são mais de dez anos

Foto: Luís Rojo Mallea praticando o esporte em caráter profissional, então abrir mão de baladas e festas para me dedicar ao esporte já é algo normal”, afirma Santos. O ciclista hoje está na Colômbia treinando para a “Vuelta a Chile” e logo depois seguirá para o Uruguai junto com a equipe de Ribeirão Preto. Neste ano, as competições pela equipe foram na Argentina e na Colômbia. “Neste ano já foram duas competições na América do Sul [com a seleção brasileira]. A equipe de Ribeirão Preto é a única no Brasil com a chancela de Equipe Continental da União Ciclista Internacional (Fifa do ciclismo). É uma chancela que permite competirmos como o segundo escalão mais importante das competições do circuito mundial de ciclismo.” Nas categorias de base Santos não era um talento que vencia tudo, mas com muita dedicação viajou por diversos países através do esporte. Ele já competiu nos seguintes países: Argentina, Uruguai, Chile, México e Colômbia. O lugar mais longe para o qual foi competir foi em Pachuca de Soto, no México. Já a maior distância percorrida em uma prova foi de 218 km no Uruguai. “Minha mensagem é que não podemos perder o foco daquilo que nos faz levantar todos os dias. Os sonhos estão lá, basta ir buscar”, declara o ciclista. À frente, Alessandro Ferreira Santos Guimarães, representante da equipe de ciclismo de Ribeirão Preto


1º bimestre/2020

EDUCAÇÃO

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Estágio é essencial e complementa educação Centro de Integração Empresa-Escola, associação sem fins lucrativos, insere estudantes no mercado de trabalho Foto: Vladmir Tasca

NÍKOLAS GUERRERO

Estudantes de jornalismo adquirem conhecimento na Rádio USP

O primeiro contato que o estudante de ensino superior tem com o mercado de trabalho é através do estágio. Segundo a lei 11.788/2008, o estágio “é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo”. Hoje, a maioria das empresas tem estagiários, de acordo com o serviço que prestam e a quantidade de funcionários. O número pode variar de um estagiário a 20% do total de funcionários. Um dos estagiários de uma agência de marketing é o estudante de publicidade e propaganda Marcos Felipe Rosa Veras, de Ribeirão Preto. Ele entrou na empresa por meio do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), que é uma associação, sem fins lucrativos, que insere os jovens e adolescentes no mercado de trabalho. Ele nos conta que o ambiente de trabalho é “confortável, agradável, divertido, alegre e propício para se exercitar a criatividade”. Diferente da universidade, na empresa ele convive com o “dia a dia e o cotidiano prático em uma agência.” E experiência é o que não pode faltar para o cotidiano do

estagiário. Isso deve ser seguido de acordo com a legislação. Para os estagiários acadêmicos é permitida a carga horária de seis horas diárias ou 30 horas semanais. A duração do estágio não pode exceder dois anos. A empresa determina qual será o valor da bolsa, bem como o auxílio-transporte ou algum outro benefício. Isso não significa que o estagiário terá vínculo com a empresa, como também nenhum benefício deve ser descontado do valor da bolsa.

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O estágio precisa mostrar que observa o que acontece ao seu redor

É dever, tanto da instituição de ensino quanto do aluno, escrever um relatório sobre as atividades desenvolvidas no estágio, num período mínimo de seis meses. USP Rosemeire Soares Talamone é jornalista e editora responsável pelo Jornal e Rádio USP em Ribeirão Preto. Ela também é responsável pela supervisão dos

seis estagiários que atualmente trabalham com ela. Ela explica que, na visão dela, o estagiário “deve procurar uma vaga na área que ele se identifique”. Ela diz que procura por estagiários que tenham bom conhecimento na norma culta da língua portuguesa e demonstrem ser curiosos, com vontade de aprender e com bom conhecimento do que acontece no país. “O estagiário [de jornalismo] precisa mostrar que observa o que acontece ao seu redor, assim vai também conseguir ser um bom repórter e conseguirá levantar boas pautas.” Os estagiários, dependendo de onde estão inseridos, enfrentam dificuldades. A estudante de jornalismo e estagiária da Rádio USP Flávia Coltri conta que seus obstáculos são a falta de experiência e de autoridade quando é necessário marcar entrevistas, por exemplo. Para ela é importante fazer o estágio desde cedo. “É como ele que realmente iremos aprender jornalismo na prática e entender como funciona o mercado de trabalho, assim como nas relações interpessoais no trabalho.” Ela ainda acrescenta: “O estágio foi fundamental para o crescimento da minha vida profissional e, até mesmo, pessoal”.


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CULTURA

1º bimestre/2020

Coletivo sacode o tédio com batalhas de rima

Cacareco Clã, que no futuro pretende se tornar uma organização cultural, surgiu para suprir falta de cultura periférica Foto: Cacareco Clã/Arquivo Pessoal

O grupo almeja patrocínios fixos para levar à Monte Alto cada vez mais artistas locais e da região, com um cachê digno, e assim movimentar seus projetos musicais e literários. Ainda em 2020, o CRC pretende possuir CNPJ, perdendo o “clã” do nome. “O futuro do Cacareco é ser uma organização cultural. E com CNPJ o plano é tentar caminhar mais dentro das leis de incentivo. São muitos caminhos para o coletivo”, diz Bruxo. Para integrar o Clã, é necessário o convite do grupo. “Sempre observamos possíveis novos integrantes, pessoas que compactuam da mesma ideia que nós”. Os participantes assinam um termo de compromisso que explica com clareza a ideologia do coletivo.

Bianca de Melo Baltazar, 17, que participa do Clã há quatro meses diz que o Cacareco significa força, e que a importância do coletivo se traduz em apresentar a cultura de rua às crianças, jovens e adolescentes de Monte Alto. “No mundo que vivemos hoje em dia, onde várias portas como o tráfico, a prostituição, o roubo e inúmeras outras coisas se abrem, o Cacareco e o hip hop estão aí para salvar. Cacareco leva cultura e conhecimento”, afirma. O Clã iniciou sua trajetória de forma humilde, mas cheia de perseverança, ideias e inconformismo. A vontade de crescer e a luta do coletivo faz com que digam abertamente “é ‘noiz’ por ‘noiz’”.

As batalhas de rima são uma das atividades culturais promovidas pelo Cacareco Clã em Monte Alto

Cacareco Clã (CRC) é o coletivo sociocultural que leva a cultura do hip-hop à cidade de Monte Alto. O grupo surgiu em 2015 nas praças da cidade, e em 2016 começou a investir na divulgação de seus trabalhos, fortalecendo sua identidade. Hoje o Clã conta com uma Casa de Cultura. O futuro do Cacareco é se tornar uma organização cultural. O coletivo começou principalmente pela falta de opções culturais que a sociedade entrega para os jovens, afirma o integrante do grupo, Yuri Andrei Freitas Borges, o Gigante, de 25 anos. “Começamos com cinco integrantes fazendo batalhas de rap, porque não encontrávamos essa atividade por aqui [em Monte Alto]”, disse Gigante. De início, o grupo começou a utilizar as praças da cidade para realizar as batalhas. “Foi aí que o pessoal começou a chegar e conhecer o Cacareco, e nós ganhamos essa estrutura de coletivo”, explica. A história do Clã é de longa data, marcando seu início em 2012, quando Bruno César Barato, mais conhecido como Bruxo, de 27 anos, assinava, independente, suas produções musicais com mais dois amigos, Maicon Vieira e Leonardo Ribeiro, com o selo fonográfico de “Cacareco Produções”. Porém, a identidade de coletivo veio apenas em 2015. “Entre 2012 e 2013, eu organizava batalha com a Drieli Dias, produtora e apresentadora de batalha na época e meu parceiro e MC Rk Zno. Posteriormente essa batalha se tornou a Batalha do Um Porcento.” Além disso, de 2013 para 2014, Bruxo fez parte de um coletivo chamado “Os vilão”, que também teve como ponto de partida as batalhas. Quando o grupo terminou, ele, Maicon e Leonardo, que também integravam o coletivo, decidiram criar o Cacareco Clã oficialmente. As primeiras batalhas foram realizadas no bairro Bela Vista,

levando o nome de “Batalha do Um Porcento”. Hoje, o coletivo tem em média 25 pessoas unidas com um só propósito: fortalecer a cultura periférica de Monte Alto. “Nós produzimos eventos para as comunidades da cidade, como saraus, cinema e batalhas de rap. Nosso carro-forte é a Batalha do Um Porcento, diz o integrante do coletivo Ycaro Pedro de Freitas Borges (Ycrin), 20. A Rinha dos MC’s é a maior inspiração para o Cacareco quando o assunto é batalha. Com o projeto da Batalha do Um Porcento, o CRC foi um dos dez ganhadores do concurso de apoio a projetos de hip hop no estado de São Paulo, do ProAc, programa da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, no ano de 2016. Com o prêmio de R$ 40 mil, o grupo conseguiu realizar três grandes eventos de hip-hop em Monte Alto, em 2017, finalizando com show do rapper Rashid. Buscando visibilidade e expansão da cultura hip-hop, fortalecimento de identidade do coletivo e mostrando sua luta, o Cacareco chega também a outras cidades. Ariranha, Jaboticabal, São Carlos e Belo Horizonte (BH) são lugares alcançados pelo grupo através de shows, batalhas de rimas e rodas de conversa. “O Cacareco desde o início sempre foi pensado em não ser apenas um coletivo que faz eventos. Sempre quis que a gente tivesse esse suporte para nossos artistas, e tanto que hoje a gente funciona como um selo também”, afirma Bruxo. ROTATIVIDADE O coletivo conta com várias tribos: músicos, grafiteiros, desenhistas, poetas e skatistas. “Durante os anos as coisas só foram agregando e a rotatividade dos membros também fez com que nos renovássemos várias vezes”, afirma Bruxo. Nas premiações das batalhas de rima e saraus que o Clã promove, o grupo sempre pode contar com apoio de patrocinadores. Além disso, o coletivo con-

quistou no final do ano de 2019, uma Casa de Cultura para desenvolver as atividades culturais, um sonho que o grupo tem desde o início de formação. “Passamos por uma renovação de membros e de ideias para esse projeto acontecer. Hoje já somos mais maduros, depois de bem dizer, cinco anos de cacareco. Sabemos como tem que ser feito as coisas”, explica Bruxo. O artista ainda conta que o pessoal mais jovem que entrou para o Clã agora, na fase da Casa de Cultura, tem sido fundamental para manter o gás. Por isso, no momento, o CRC está elaborando projetos para futuras parcerias que contribuam para manter a Casa. Atualmente a arrecadação de verbas vem através da venda de aperitivos para o público em dias de batalha, e a entrada na Casa no valor de dois reais, para aqueles que podem ajudar. Além disso, contam também com alguns patrocínios esporadicamente. A Casa já fazia parte da história de Bruxo, porque pertencia a sua avó. “Depois que ela morreu, eu fiquei alguns anos sem conseguir entrar lá. A casa ficou alugada por muito tempo, até que tive essa ideia do Cacareco usar o espaço. É uma casa de cohab bem velhinha. Precisa de muitas reformas, mas devagar estamos conseguindo melhorar ela.” Na Casa, localizada na Rua Jorge Auada 1780, no bairro Centenário (Lagoinha), acontece a Batalha do Um Porcento, Sarau Poesia de Rua, Cine Quiçaça, Grupo de estudos – que o coletivo tem planos de no futuro, transformar em um curso preparatório para o vestibular – uma horta no quintal, e também o projeto de um campeonato de jogos. O Cacareco mantém o ânimo estável do início da jornada e a vontade de alçar voos cada vez mais altos. “Temos planos de aumentar as atividades na nossa Casa de Cultura e conseguir estruturar nosso espaço com algumas reformas”, afirma.

Rock, pop e pagode abrem trincheiras na terra do sertanejo Foto: Arquivo Pessoal

VITÓRIA PIERRI

Banda Mr. Dam traz sucessos do pop rock para o interior de Ribeirão ROBERT SIQUEIRA

Ribeirão Preto é considerada, por muitos, a cidade do café. Para outros, Ribeirão é a terra do agronegócio. Até mesmo o tradicional chope pode ser a referência para quem não conhece muito bem o município. Com tantas referências do interior, não há como negar: Ribeirão é a cidade do sertanejo. E isso se conforme em qualquer volta pelas ruas, onde se pode encontrar inúmeras baladas do gênero espalhadas. Mas, apesar de ser vista como uma cidade do sertanejo, outros estilos musicais vêm conquistando a população. O rock, pop e até o mesmo o bom e velho pagode estão cada vez mais presentes nas casas noturnas de Ribeirão. E quem se aventura por outros estilos na cidade admite a dificuldade em competir com o sertanejo. Mas uma atitude acaba fazendo toda diferença: união. É o que garante Vinícius Ramos, guitarrista da Insane Trip, banda de rock da cidade. “O interior é surpreendente. Sabemos da grande procura da música sertaneja em cidades do interior paulista, porém a cena do rock nacional e da música brasileira, é unida e faz acontecer. Hoje, a principal dificuldade é a falta de incentivo cultural, em cidades menores e de interior, políticos e empresas

não conseguem ver que cultura e arte são investimentos e não gastos”, disse o guitarrista. Já para Rafael Puga, guitarrista da banda pop Motor Funk, as dificuldades de tocar outro estilo em uma cidade do interior acabam pendendo, também, para o lado financeiro. “As dificuldades são muitas. Mesmo Ribeirão tendo uma vasta lista de bares e boates, trabalhar em uma cidade de interior, com a música, tem que se submeter a tocar pouco e ganhar menos ainda”, destacou. O pagode também entra na lista de gêneros tocados nas baladas da cidade, mas engana-se quem pensa que o estilo não passa por dificuldades. Segundo Lucas Del Vechio, integrante do grupo Samba Zona Sul, por conta de tantos problemas, alguns músicos acabam desanimando. “As dificuldades dentro de nossa cidade são logísticas de montagem e de estrutura, falta de respeito das casas em relação ao cachê, alimentação e até mesmo do horário. Por conta desses problemas, os músicos ainda acabam tendo uma falta de comprometimento”, disse Del Vechio. Em uma cidade tão grande, há espaço para todos. Rockeiros, pagodeiros e, é claro, sertanejos. Basta procurar nas casas noturnas e bares da cidade que você encontrará música para todos os gostos.


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