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Jornal Barão de Mauá/2019_1°bimestre

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jornal barão de mauá Curso de Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo Centro Universitário Barão de Mauá

Ribeirão Preto - SP 1º bimestre/2019

OPINIÃO O que pode haver de errado com você? Josiele Batista

DINOSSAUROS  Museu de Paleontologia de Monte Alto atrai turistas Pág. 13

O espaço onde, no passado, funcionou a Companhia Paulista de Cerveja, no centro de Ribeirão, se transformou num espaço cultural para o desenvolvimento de projetos sociais, lazer e de educação e empreendedorismo, entre outros eventos.  Pág. 13

Foto: Divulgação

Foto: Samuel Gallo

Ex-cervejaria vira espaço de cultura e arte em Ribeirão

Evento no espaço cultural da antiga Companhia Paulista de Cerveja

Filhos deixam pais em asilos e somem

Familiares deixam telefones errados para não serem mais localizados; abandono na velhice fere a Constituição Federal Para se livrarem da obrigação de cuidar dos pais com idade avançada, filhos internaram os idosos em uma casa de repouso de Ribeirão Preto e nunca mais deram notícias.

“Os filhos nunca mais voltaram para visitá-los”, afirma a enfermeira aposentada M. G., dona de um espaço que cuida de idosos. Ela afirma que testemunhou casos em que os filhos deram os

números de telefones errados para não mais serem localizados. Uma idosa de 82 anos é uma das vítimas do descaso da família. Ela afirma que, em dez anos, os filhos a viram uma única vez.

“É muito triste você criar os filhos com tanto amor e se sentir tão desprezado”, afirma. A Constituição Federal diz que cuidar dos pais na velhice é obrigação dos filhos.  Pág. 4

JABOTICABAL Adolescente lança livro como terapia depois de tragédia que marcou família

Foto: Luís Rojo/Divulgação

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QUADRINHOS Autores de revista em quadrinhos da região de RP conquistam prêmios Pág. 5

ESPORTE Futebol de salão agita Jardinópolis e se transforma em tradição Pág. 10

CICLISMO  Atleta Alan Maniezzo, da equipe de Ribeirão Preto, vence etapa da Kalangas Cup disputada em Pedreiras, no interior do Estado de São Paulo  Pág. 11

Hospital veterinário da Barão HC permite que pacientes atende por preços acessíveis tenham contato com cães O hospital veterinário da Barão de Mauá, localizado na zona oeste de Ribeirão Preto, é uma alternativa para economizar no tratamento de saúde de animais de estimação, cujos preços costumam ser salgados nas clínicas particulares. Aberto de segunda a sexta-feira, o atendimento alia quali-

dade a preços acessíveis, segundo a veterinária Lenise Barban Zucoloto, responsável pelo hospital. “Gosto muito do hospital. Os profissionais fazem o que for possível”, afirma a aposentada Sandra Franco, dona da cadelinha Nani, atendida no local. Pág. 3

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto pretende liberar o contato entre animais e pacientes com o objetivo de humanizar o atendimento. A primeira experiência aconteceu em janeiro. Uma cadelinha foi levada para fazer companhia a seu dono, que ficou internado em decorrência de uma pneumonia.

TECNOLOGIA Parque ajuda quem quer empreender e vira vitrine internacional Pág. 8

O resultado foi positivo, segundo a médica e professora Maria Auxiliadora Martins. O contato entre bichos e pacientes, diz, ajuda na melhora da autoestima e na interação social entre pacientes. As raças que entram em contato com pacientes são dóceis. Pág. 3

HISTÓRIA Conheça Dioguinho, matador de aluguel que apavorou a região de Ribeirão Pág. 14


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EDITORIAL

1º bimestre/2019

Abandono afetivo de idosos se repete em todo o país. Desejosos de se desvencilharem da obrigação de cuidar dos progenitores, por motivos vários, os descendentes os internam nesses locais ou asilos e desaparecem. Como relata a reportagem, é comum filhos, ao internar os parentes, deixarem telefone errado com o objetivo de não mais serem localizados. Na legislação brasileira, há um curioso paradoxo nesse aspecto: se os pais não proverem aos filhos educação, alimentação e afeito, a conduta é tipificada como crime pelo Estatuto da

Criança e do Adolescentes (artigo 232-A). Mas e o contrário, seria crime também? Embora a Constituição Federal, em seu artigo 229, preconize que os filhos têm o dever de amparar os pais na velhice, o descumprimento desse imperativo legal não é, ao revés, considerado fato típico. Esta edição também traz uma boa notícia para quem tem bicho de estimação. O hospital escola do curso de Veterinária da Barão de Mauá oferece atendimento de qualidade por preços acessíveis, como relata reportagem de Letícia Marques.

Sabe-se que uma grande dificuldade de donos de pets são os preços das consultas veterinárias praticadas pelas clínicas particulares. E quem hoje não tem um mascote em casa? Gustavo Ricci, outro aluno do curso, narra a curiosa história de Dioguinho, um assassino que aterrorizou a região de Cravinhos no século 19. O criminoso deu trabalho à polícia. Apesar de dizer que o havia tocaiado e matado, o corpo do acusado de muitas mortes nunca foi encontrado. Esta edição também traz outras boas histórias, sobre eco-

IMAGEM

Brasileiro recebe prêmio Pulitzer de fotografia O prêmio Pulitzer de fotografia, um dos mais importantes do jornalismo e entregue anualmente pela Universidade de Columbia, nos EUA, teve como vencedor o brasileiro Ueslei Marcelino. Marcelino trabalha na agência Reuters e, junto com outros nove profissionais, acompanhou a saga dos imigrantes da América Central rumo aos EUA, na busca por

uma vida mais digna. Ao lado, uma das imagens que venceu o prêmio, instituído em 1917 pelo editor e jornalista Joseph Pulitzer. Os prêmios são para 21 categorias diferentes. Marcelino é o segundo fotógrafo brasileiro a receber a honraria. O primeiro foi Maurício Lima, em 2016. São premiados somente trabalhos publicados em jornais dos Estados Unidos.

O jornal barão de mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. REITORA

Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães

PRÓ-REITORA DE ENSINO

POR JOSIELE BATISTA

Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino

PRÓ-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli PRÓ-REITOR DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Prof. Dr. Dyjalma Antonio Bassoli PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO

Antonio Augusto Abbari Dinamarco DIRETORAS INSTITUCIONAIS

Prof.ª Maria Debora Vendramini Durlo Prof.ª Meire Aparecida Pedersolli

PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO

REPORTAGEM, FOTOJORNALISMO E DIAGRAMAÇÃO

Alunos do curso de Jornalismo

PROFESSORES RESPONSÁVEIS EDIÇÃO, COORDENAÇÃO E REVISÃO DE TEXTOS

Prof. Me. José Antonio Bonato

PROJETO GRÁFICO E EDIÇÃO DE ARTE

Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA

Prof. Me. Jefferson Barcellos Os textos desta página, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.

EXPEDIENTE

Thiago Henrique de Moraes Prof. Dr. Sebastião Geraldo

ARTIGO

O que pode haver de errado com você?

VICE-REITOR

Prof. João Alberto de Andrade Velloso

COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISMO

nomia, como o crescente número de cafeterias em Ribeirão Preto e o sucesso da incubadora de empresas que funciona dentro do campus da Universidade de São Paulo, cujo desempenho vem sido reconhecido mundialmente. Há notícias também de esportes e saúde, entre elas o texto de Bruna Melo sobre a liberação de “visitas” de bichos no Hospital das Clínicas para melhorar a autoestima de pacientes. Sem contar o toque de humanização que os animais conferem ao ambiente hospitalar. A todos uma ótima leitura. Foto: Ueslei Marcelino/Reprodução

Mais uma edição bimestral do Jornal da Barão concluída. O jornal, planejado e executado pelos alunos do 5º semestre do curso de Jornalismo, foi para a gráfica no intervalo entre duas datas comemorativas que agitam a economia e o ambiente doméstico: o Dia das Mães e o Dia dos Pais. Por essa razão, o assunto que mereceu destaque nesta edição é a reportagem de Leandro Isac, que relata situação de abandono de idosos pelos filhos numa casa de repouso particular de Ribeirão Preto. Essa situação, obviamente,

Na mitologia grega existe um conto chamado “O Leito de Procusto”, que conta a história de um bandido que vivia em uma floresta, e que possuía uma cama de ferro. Segundo a lenda, todas as pessoas que passassem por sua casa, eram obrigadas a se deitar nela. Caso não coubessem na cama, Procusto cortava ou esticava partes do corpo de cada uma, até que as pessoas se moldassem em seu padrão estipulado por sua cama de ferro. Podemos perceber que a lenda de Procusto faz uma analogia diretamente com a busca pela perfeição e enquadramento nos padrões que a sociedade impõe atualmente. Caso as pessoas estejam insatisfeitas com seus corpos, buscam imediatamente por uma forma de ajusta-los, aderindo assim, às cirurgias plásticas. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC) aponta em uma pesquisa que os jovens são os que mais estão insatisfeitos com o próprio corpo. Só no ano de 2017, o número de adolescentes brasileiros que já fizeram alguma alteração no corpo chega a 90 mil; ultra-

passando os Estados Unidos, que tinha o total de 66 mil processos realizados em jovens. Dessa forma, tornando o Brasil líder no ranking de cirurgias plásticas. A não-aceitação do corpo em meio aos jovens acontece, pois, eles estão passando por uma fase de transição de criança para adulto.

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O desejo de ser aceito(a) em uma sociedade é o que move as pessoas

A necessidade em pertencer e se destacar dentro da “ditadura da beleza” que a sociedade e mídia impõem diariamente faz com que jovens – e muitas outras pessoas - anseiem por ter o tal corpo perfeito. Este anseio por um corpo belo e dentro dos padrões estipulados vão aumentando conforme as pessoas vão envelhecendo, e é mais comum no gênero feminino. Uma pesquisa global realizada pela empresa Dove, com 6.400 mulheres, entre 18 e 64 anos, mostra que apenas 4% de-

las se consideram bonitas. Nesta mesma pesquisa, 80% das mulheres concordam que toda mulher tem algo bonito em si, porém, elas não conseguem enxergar quando se tratam delas mesmas. E 72% relatam que sentem uma grande pressão para serem bonitas. Muitas produções de filmes e séries que abordam o assunto sobre a mulher se sentir bela e confortável consigo mesma, sem querer interferir no seu corpo, estão fazendo muito sucesso e inspirando mulheres. Mas o desejo de querer tirar um pouco da barriga, afinar um nariz, mudar qualquer coisa em seu corpo, vai muito além do que a insatisfação consigo mesma. O desejo de ser aceito(a) em uma sociedade é o que move as pessoas. Mas devemos pensar por outro lado; nós não estamos sujeitos a uma cama de ferro como a de Procusto. Nós vivemos na liberdade de podermos ser como quisermos, e a aceitação deve vir unicamente do nosso bem-estar e saúde. Josiele Batista é estudante do 4º semestre do curso de Jornalismo da Barão de Mauá.


1 º bimestre/2019

CIDADES

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Animais auxiliam na recuperação de pacientes BRUNA MELO

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto poderá autorizar que pacientes entrem em contato com cães na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Esse contato ajuda na recuperação dos pacientes, humanizando tratamentos e o ambiente hospitalar. Segundo informações da médica responsável, Maria Auxiliadora Martins, o intuito do projeto é reduzir a dor física e emocional do paciente. Ela disse que, além de ajudar na reabilitação motora e humanizar o ambiente da UTI, a proximidade com os bichos eleva a autoestima e estimula a interação social dos pacientes O primeiro encontro entre paciente e um cão foi autorizado em janeiro deste ano. Uma cachorrinha de estimação foi levada ao jardim do hospital, onde pôde encontrar seu dono, que estava internado na Unidade de Terapia Intensiva. O paciente, que tem câncer de pulmão, ficou internado por mais de quinze dias após uma grave pneumonia.

Após se recuperar, ele teve vontade de ver sua cachorrinha e conseguiu autorização dos médicos para vê-la. Em meio à ansiedade e felicidade, na maca e com os aparelhos, ele foi encaminhado ao encontro de Lilica, em companhia de alguns familiares e da equipe médica. “O paciente foi melhorando pouco a pouco com a notícia de que iria encontrar a Lilica. Ele foi liberado da UTI no mesmo dia do encontro”, disse a médica. “Acho que a notícia de que iria encontrar a cachorrinha acabou influenciando bastante. Dias depois ele foi liberado para ir para casa, onde passa bem”, afirmou. ADESTRAMENTO O projeto foi apresentado de maneira formal ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto por Maria Auxiliadora. O objetivo é começar as visitações entre maio e junho, na UTI adulto, semanalmente. Labrador, pug e golden foram os cães específicos escolhidos para a atividade, já que eles são naturalmente animais dóceis e podem

Foto: Arquivo Dino

Projeto referente à atividade assistida por animais foi apresentado de maneira formal ao Hospital das Clínicas ser adestrados facilmente. Eles precisam ser maiores de dois anos, castrados, treinados e que sejam acompanhados pelo tutor, além dos cuidados necessários referente à saúde. “Com o cão do programa temos um maior controle. Pois é possível ter uma previsibilidade do que pode acontecer, porque ele é adestrado e pode ter uma melhor adaptação”, disse a médica. O tutor precisa ser voluntário e sem nenhum tipo doença que possa ser transmitida, além de ter um compromisso de sigilo, já que ele vai entrar em uma UTI. Já o paciente e os familiares precisam aceitar formalmente a decisão do encontro com os animais, além do aceite do médico plantonista.

Encontro emocionante: cão terapeuta alegra a tarde de alunos

OUTROS CASOS Adoniran Thomaz, mais conhecido como Dino Adestrador, trabalha como adestrador há mais de 20 anos. Ele faz parte do projeto “Pelos Outros” criado pelos professores do curso de Veterinária da Universidade de Franca (Unifran). O intuito do projeto é visitar creches, casa de idosos e hospitais

levando cães terapeutas, realizando interações físicas e psicológicas. “Nossos veterinários acompanham os cães por meio de exames clínicos para verificar a saúde do cão, limpeza de tártaro, sem contar os banhos antes das sessões com produtos antialérgicos, bactericidas e fungicidas”, afirmou Dino. O adestrador afirmou tam-

bém que o público alvo é direcionado a todos que se sentem à vontade em estar perto de um cão, independente de problema físico ou psicológico. “Nosso foco é ajudar no tratamento da depressão, melhorar o foco e a atenção, tornando as pessoas mais sociáveis. O projeto também ajuda as crianças a trabalharem a afetividade”, disse.

Hospital da Barão de Mauá atende pets por preços acessíveis O Centro Universitário Barão de Mauá oferece para a comunidade serviços de hospital veterinário como extensão do curso de medicina veterinária. O hospital traz hoje uma alternativa ao atendimento médico veterinário particular de Ribeirão Preto, oferecendo mais facilidade, bons preços e uma assistência de qualidade a todos os públicos. “Os nossos serviços são oferecidos com a segurança e a transparência esperadas para um hospital escola, aliados a valores acessíveis”, diz Lenise Barban Zucoloto, 43, médica veterinária responsável pelo hospital. De acordo com a veterinária, atualmente são tratados em média 20 animais por dia e entre as espécies domésticas atendidas estão a canina, a felina, a bovina, a equina, a caprina, a ovina, a suína e alguns animais selvagens. Dentre todos esses animais, os cães são os mais atendidos. SERVIÇOS O atendimento que a instituição oferece é direcionado para a clínica geral, oncologia e cirurgia geral. Além disso, segundo a veterinária, o hospital tem também seis ambulatórios para atendimento clínico, centro cirúrgico equipado com anestesia inalatória, laboratório clínico, setor de necropsia, radiologia e ultrassonografia.

No setor de grandes animais, há também sala de atendimento com tronco, sala de cirurgia, baias para internação e arena para cavalos, o redondel. Ademais, segundo Lenise, em breve deverá ser retomado um projeto de castração, oferecido pelo hospital e pelo curso de medicina veterinária. ATIVIDADES PRÁTICAS “Todo esse trabalho no hospital é importantíssimo para que o curso desenvolva todas as suas atividades práticas e o profissional tenha a segurança e a experiência necessária para o futuro”, disse a veterinária. Para Lidiane Silva, 28, estudante do 4° ano de medicina veterinária da Barão de Mauá, o trabalho no hospital é um diferencial. “Aqui a gente tem um suporte. Hoje em dia principalmente, depois que a gente se forma, querendo ou não ainda surgem dúvidas sobre alguns casos”, declara. Os alunos da graduação têm acesso ao hospital desde os primeiros semestres do curso e são sempre supervisionados por professores ou veterinários. “Todo dia eu acho que é uma emoção diferente. A partir do momento que você vê um animal dando entrada na faculdade e ele não está bem, é feito um tratamento. O proprietário fica feliz, o animal fica bem, a gente fica feliz, é um momento

de uma resposta positiva, que é o que a gente espera aqui”, disse a estudante. CONSUMIDOR A aposentada Sandra Franco, 59, começou a levar sua cachorrinha, Nani, para ser atendida no hospital há pouco tempo, mas já aprova o resultado. Em cerca de 15 dias, foram feitos diversos exames e então Nani começou a fazer um tratamento para drenagem de líquido abdominal. “Gosto muito do hospital. Lá eles fazem o que for possível. Já conhecia o hospital antes e achei muito fácil e rápido. Todos da equipe médica também são muito atenciosos e muito humanos.” Para ela, em outros hospitais os médicos veterinários também fazem o melhor, mas os preços são muito elevados em relação aos do hospital da Barão. Sandra pagou aproximadamente R$ 350 na primeira consulta e R$ 86 na segunda, contando com todos os exames e os procedimentos, como o ultrassom e drenagem abdominal. Existem alguns poucos serviços que o hospital não oferece hoje, mas que talvez possam ser incluídos futuramente. “Eu acho que lá deveria ter um laboratório de análises clínicas e internação, porque se precisar levar o seu animal eles não fazem esse tipo de serviço, aí você tem que levar em outro hospital”, afirmou Sandra.

Foto: Letícia Marques

LETÍCIA MARQUES

Sandra e a cadela Nani: atendimento satisfatório por valor acessível

SERVIÇO CBM - HOSPITAL VETERINÁRIO - COORD. ADMINISTRATIVA Recepção 3919-9906 Horário de funcionamento: Segunda a sexta 7:30 - 17:00 E-mail: lenisebz@baraodemaua.br


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CIDADES

1º bimestre/2019

Filhos abandonam pais em casas de repouso LEANDRO ISAC

Foto: Leandro Isac

Com o avanço da idade e com poucos recursos financeiros, muitos idosos têm sido vítimas de abandono por parte dos familiares em asilos em Ribeirão Preto. Os filhos não aparecem mais para as visitas semanais e nem ao menos telefonam para saber como os pais estão. Uma casa de repouso em um bairro da zona norte da cidade tem abrigado inúmeros idosos, com idade acima de 80 anos, que são abandonados

por suas famílias. Em sua grande maioria, são filhos que procuram esses locais para deixarem seus pais e nunca mais aparecem para visitas ou então simplesmente somem, deixando até mesmo números de telefones errados propositalmente. A enfermeira M. G., 64, é dona de um espaço onde, em 2002, começou a receber pessoas com idade entre 70 a 90 anos para ficarem sob os seus cuidados. A profissional, que é aposentada, se dedica integralmente a elas.

Diariamente os idosos se mantêm entretidos jogando bingo no salão

“Para mim, é muito prazeroso e ao mesmo tempo triste poder cuidar dessas pessoas que tiveram uma vida tão ativa e agora nem sequer se lembram do próprio nome.” M. afirma que os parentes procuram o local afirmando que não podem cuidar dos pais, pois viajam muito a trabalho e não têm o tempo necessário para ficar com eles. “Os filhos nunca mais voltam para visitá-los”. A enfermeira disse que uma vez uma filha procurou o abrigo para deixar o pai, que tinha mal de Alzheimer. A jovem, disse ela, alegou que não poderia ficar com ele, pois morava em outra cidade. “Como é de praxe, a pessoa faz um cadastro e deixa pelo menos dois telefones de contato. Esses telefones não existiam. Quando ligávamos, outra pessoa atendia e dizia que não conhecia ninguém com aquele nome.” A aposentada I. B., 82, é uma das moradoras da casa de repouso e também sente muita falta dos filhos. Ela disse que ninguém merece passar por algo assim. “É muito triste você criar os filhos com tanto amor e carinho e no fim da sua vida você se sentir tão desprezado. Desde que estou aqui, já há dez anos, meus filhos vieram apenas uma vez e nunca mais deram notícias.” Assim como I., M. A., 78, está na casa há três anos e tam-

Foto: Leandro Isac

Em alguns casos, os parentes dos idosos dão telefones incorretos para não serem localizados pelos familiares

Mães abandonadas na casa de repouso pelos filhos há mais de dez anos

bém não tem mais contato com a filha, que na época viajou para os Estados Unidos. “Ela não me ligou nem veio me visitar. Sou muito bem cuidado aqui na casa e fiz muitos amigos. Todas as tardes jogamos dama no pátio, mas sinto falta dela.” De acordo com M. G., 2010 foi o ano em que mais teve re-

gistros de idosos na casa de repouso e pelo menos quatro deles não foram procurados pelos familiares. “Aqui na casa, eu faço de tudo para os avozinhos e as avozinhas se sentirem bem e em família. Imagino que seja muito triste se sentir abandonado dessa maneira.”

ADÊNIA BATISTA

Tainá Sisto tinha 11 anos quando sua mãe foi assassinada pelo seu pai em março de 2015 em Jaboticabal, município localizado a 56 quilômetros de Ribeirão Preto. Desde então a adolescente, agora com 14 anos, usa a escrita como forma de terapia. Segundo a jovem, sua intenção não era expor seus sentimentos em relação à tragédia que resultou na morte de sua mãe, mas usava a escrita para “transbordar” o que havia dentro dela. Começou a escrever pequenos fragmentos em sua rede social e a resposta de seus seguidores foi muito positiva e então, começou a sentir motivada. “As pessoas vinham comentar comigo como as postagens tinham servido como inspiração ou feito a diferença, por menor que fosse, na vida delas” comentou a garota. Com a ajuda da coordenação e dos professores do colégio onde estuda, Tainá lançou o livro “O caos que há em mim” em outubro do ano passado. O livro não tem personagens específicos e com uma abordagem subjetiva, a autora descreve relatos onde todo leitor

pode se identificar. Todos seus conflitos acerca do assassinato da mãe estão expostos de maneira implícita “Por mais que isso doa muito, eu acho que a gente tem que aderir aos acontecimentos da nossa vida e de certa forma isso foi um grande aprendizado para mim. ” Foram produzidos 330 exemplares, sendo que desses, os 110 foram vendidos em dois dias e toda a renda foi doada para o Recanto Menina, ONG jaboticabalense que atende mais de 50 meninas em situação de vulnerabilidade.

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Eu sempre gostei de escrever, é uma forma de me expressar. Eu desabafo e tudo se encaixa depois

Para a Naraci Ziviani Diaz coordenadora da instituição, essa iniciativa além de contribuir com o trabalho da ONG serve de inspiração: “ As meninas que moram na instituição têm mais ou menos a idade da Tainá e além disso, os conflitos familiares também as unem. Quero que minhas meninas também

Foto: Adênia Batista

Jovem de Jaboticabal escreve livro como forma de desabafo encontrem meios positivos de superar isso.” A garota que sonha ser psicóloga diz que depois de perder os pais, adotou uma nova filosofia de vida e passou a enxergar a vida de maneira diferente: “Eu queria muito ter meus pais se orgulhando de mim, mas se eu tivesse eles aqui, eu não teria um livro. ” Depois da morte da mãe e da prisão do pai, Tainá e sua irmã passaram a ser assistidas judicialmente pela tia Josiane Sisto que apoiou a adolescente no projeto: “ Depois de toda dificuldade que passamos ver ela se desenvolver assim nos deixa muito orgulhosos. ” A jovem não pretende parar de escrever e já tem o projeto de lançar um novo volume. UM PRAZER TERAPÊUTICO Um dos grandes defensores da escrita como uma forma de terapia é James Pennebaker. Ele diz que escrever sobre experiências desagradáveis ajuda a melhorar o ânimo, diluir a raiva, e fortalecer o sistema imunológico. Ele também dá alguns conselhos para utilizar a escrita como terapia.

Tainá Sisto: estudante usa a escrita para expor emoções e conflitos


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CIDADES

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HQs autônomas ganham espaço no mercado

Autores independentes contam trajetória para a publicação de suas revistas, mas dizem que não é possível viver disso Ricardo Lobinho Barbiéri, 42, e Adilson Terrivel, 40, da região de Ribeirão Preto, são autores da premiada revista em quadrinhos “Escape para o perigo”, HQ publicada de forma independente pela editora Batonga. O tipo dos quadrinhos tenta resgatar o clima nostálgico dos arcos da Marvel e DC dos anos 60 a 80 e, apesar do pequeno retorno, é “a paixão por esse trabalho que os incentiva a continuar mesmo em meio às dificuldades”. Fãs de quadrinhos há muito tempo, os autores afirmam que têm o costume de desenhar desde crianças. Segundo eles, o desenho foi um dos fatores decisivos na escolha de suas profissões. Barbieri, que atua como projetista e vendedor de ambientes planejados, também diz que começou a trabalhar na área de projetos como uma maneira de se manter dentro do universo dos desenhos e ilustrações. Já Terrivel trabalha como designer gráfico e diretor de arte. Ele declara que a partir dos quadrinhos, descobriu a publicidade e logo depois o design. Segundo ele, essa foi uma alternativa para conseguir trabalhar com desenho de alguma forma. “Acabei me apaixonando pelo design. Foi uma escolha sem arrependimentos”, diz ele. No entanto, eles não consideram o investimento em quadrinhos como uma profissão parale-

la e, sim, como uma “produção artística paralela à profissão”. Eles declaram que o primeiro passo para a publicação de uma HQ é a vontade de fazer, e afirmam que ter o apoio de pessoas próximas a eles foi importante para seu desenvolvimento. “Em termos, a ‘Escape para o Perigo’ foi mais fácil porque além do repertório acumulado ao longo dos anos, os meios se democratizaram, as ferramentas baratearam e a internet facilitou os contatos e distribuição”, afirmam os autores. QUADRINHOS De acordo com eles, o processo de criação de suas obras tem início com a ideia para a história. “Acho que nosso pensamento é bem visual. Geralmente os roteiros já começam meio quadrinizados e depois os artistas contribuem com outras ideias quando assumem uma determinada HQ”, diz Terrivel. “Mas o sentimento de nostalgia norteia todo o projeto gráfico e editorial. É o DNA do gibi.” Atualmente, seu próximo projeto será em parceria com Carlos Reno, Osvaldo Ruiz, Vinil, Dan Medeiros, Paulo Fritoli e João Dinardi de Castro. Segundo Barbiéri, encontrar uma editora que publicasse suas obras nunca esteve em seus planos. “Nós nos auto publicamos através da Batonga, uma editora criada por Adilson Terrivel e Gustavo Acrani nos anos 90,

Foto: Tasnim Khaled

TASNIM KHALED

Escape para o perigo: HQ recebeu Troféu HQMix, uma premiação tradicional dos quadrinhos brasileiros

quando publicávamos fanzines. Depois a Batonga virou uma marca de camisetas no começo dos anos 2000. Agora virou editora novamente”. Ainda de acordo com eles, o maior desafio para a publicação de seus conteúdos é a falta de tempo, seja para produzir, participar de eventos ou interagir com os apreciadores pela internet. Por isso, eles lançam apenas uma revista por ano.

de publicações, o público ainda não alcançou o mesmo número. Tornando-se, assim, difícil viver exclusivamente de quadrinhos. “O mercado de quadrinhos está crescendo. O setor independente tem uma atividade grande também nos financiamentos coletivos, mas não achamos que esse modelo seja sustentável no longo prazo sem formação de público leitor.” Eles alegam que nenhum autor deve perder a sintonia com MERCADO o que está acontecendo no merOs autores dizem ainda cado e no mundo, e Terrivel deque, embora o mercado de HQs clara que “ter apenas o mercado tenha crescido em quantidade como norte é loucura”.

Dizem, também, que os quadrinhos nunca perderam seu apelo já que, atualmente, mais quadrinhos são publicados que há 20 anos atrás. “O desafio é que ninguém lê, seja jovem ou adulto, as pessoas leem pouco de uma forma geral”, diz Barbiéri. Apesar disso, ambos incentivam que novos artistas e quadrinistas invistam no sonho de publicar HQs. Para quem está começando, eles dão a dica: “Não desistam dos seus sonhos, mas não fiquem apenas sonhando. Acordem e corram atrás.”

Aulas de latim são oferecidas pela USP de Ribeirão Preto A Faculdade de Direito da USP de Ribeirão Preto oferece aulas de latim clássico gratuitamente. Não é necessário ter conhecimento prévio nem ter ligação com a universidade. As aulas acontecem no prédio do curso de Direito, bloco C, e são às segundas-feiras das 19h às 20h30. O curso é ministrado pelo professor Paulo Veiga, 32. É ensinado o latim clássico como língua materna dos romanos. E as aulas são voltadas à literatura, à retórica, mitologia e história. O curso é aberto para o público de modo geral, porém quem mais frequenta são os alunos do próprio curso de Direito, já que na grade deles não há essa disciplina. “Eles se interessam porque o curso ensina a ler o latim. Não se fala latim, se lê latim. É uma particularidade.” A intenção é dar acessibilidade e priorizar os textos do século II a.C. ao século II d.C., com materiais produzidos por poetas e oradores do período. “A proposta é que o aluno saia com um conhecimento mais humanizado de uma língua antiga”, diz o professor.

Foto: Vanessa Cicilini

FLÁVIA TOSTES

O professor Paulo Veiga durante aula de latim: o curso é disponibilizado na Faculdade de Direito da USP no campus de Ribeirão Preto

Veiga é bacharel e com licenciatura em Português e Latim pela Unesp de Araraquara. O material utilizado é produzido pelo próprio professor. A idealização do projeto é do coordenador da FDRP, Nuno Coelho. O curso tem duração de dois anos, é dividido por semestres e no fim de cada módulo o aluno tem direito ao certificado de mais ou menos 30 horas/aula. Em média são de 50 a 60

alunos no começo do ano, mas no final só metade conclui. “Mas o desfalque é maior principalmente em época de provas da faculdade”, afirma o professor. Pelo fato de o curso não ter um público alvo e não ter faixa etária para início, Veiga conta que já teve um “aluno de 14 anos e um de 65 anos, aposentado, que trouxe os amigos para fazer as aulas junto com ele”. Ele conta também que teve

uma aluna com um filho recémnascido que não tinha com quem deixar a criança e acabava levando para a aula. A estudante de biologia Carolina Amorim, 22, conta que ficou sabendo das aulas pela Rádio USP e se interessou: “eu achei legal saber que teria aula de latim aqui no campus e acabei me inscrevendo. Estou adorando as aulas, apesar de ser um pouco difícil”, disse a aluna.

Já a aluna de Direito Eduarda Guimarães, 23, disse que as aulas de latim ajudam bastante nas outras disciplinas da faculdade, “pois muitos dos termos que usamos vêm do latim e com essas aulas fica mais fácil para entender”. O professor conta ainda que essa disciplina optativa existe há mais ou menos seis anos. No início havia aulas de grego antigo, mas depois não conseguiram professores para o idioma.


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CIDADES

1º bimestre/2019

Lan houses se reinventam para sobreviver

Empresários de Jardinópolis tentam se manter no mercado mesmo com a facilidade para a aquisição de computadores nham acesso a um computador. dos anos as pessoas começa“Nesses últimos 20 anos a perderam movimento, tendo Foi quando começou a febre das ram a ter mais acesso a com- tecnologia teve uma evolução que procurar novas alternativas Há alguns anos frequentar a lan houses, trazendo para a peri- putadores e logo em seguida absurda, fazendo com que as para não baixarem as portas.” lan house em Jardinópolis era si- feria os famosos equipamentos os smartphones extinguindo as pessoas que não tinham acesso A internet completa 30 nônimo de jogar no computador. onde os meninos passavam horas famosas “lans”. a essas ferramentas passasem a anos este ano, e as lans que foDepois de rodar vários pon- conectados em jogos online, redes O professor em tecnolo- ter mais facilidades para com- ram as melhores ferramentas tos da cidade, a lan house Net 7 sociais, bate-papos, estudos para gia da informação Eric Dallala- prar computadores e dispositi- para que as pessoas que não tifoi uma das poucas casas do gê- a escola e impressão de trabalhos. na explica o motivo dessas lan vos eletrônicos com acesso à in- nham condições tivessem acesnero que restaram. No entanto, com o passar houses terem acabado. ternet. Com isso, as lan houses so estão praticamente extintas. Jorge dos Santos, 45, o Sete, como é conhecido, conseguiu sobreviver depois da extinção da concorrência. “Na época foi uma febre, pois as pessoas não tinham acesso a um computador e à internet. A molecada passava mais tempo aqui do que na própria casa, fazia corujão, ficava logada durante horas. Os anos passam e a realidade muda, tanto na banda larga brasileira quanto os requisitos necessários para rodar os games. O segurança Irapuã de Souza Júnior, 26, frequentava essas lan houses e se lembra das boas histórias que vivia na época de sua adolescência. “Era impressionante o tanto de gente que se reunia em um pequeno espaço para jogar e acessar a internet. A gente comprava salgadinho, refrigerante e passava horas jogando ‘CS’, ‘GTA’ e outros jogos. Mesmo que não jogávamos, a gente ficava assistindo os outros amigos. Era muito melhor que ficar em casa ou nas ruas. ” No final dos anos 90 e princípio dos anos 2000, as lan houses eram febre entre os jovens. Nem todas as pessoas ti- Mesmo em tempos de videogames e internet, João Lucas, Henrique e Rafael ainda utilizam as lans para se divertirem e jogar online

Foto: Weverton Goulart

WEVERTON GOULART

Canal no Youtube traz mais informações sobre o vírus HIV O que antigamente era um tema um tanto censurado e com pouca informação, hoje é totalmente falado e abordado em diversas plataformas digitais. É o caso do Youtuber e também publicitário Lucas Raniel, 26, que em seu canal no Youtube aborda temas relacionados a HIV. Em seu canal “Falo Memo!” ele fala sobre HIV e a vida de um soropositivo de maneira leve e descontraída. É possível ter acesso a informações pouco ditas em nosso cotidiano e com isso desmistificar todo o medo e preconceito que existe em torno do HIV. DESCOBERTA Segundo ele, a sua descoberta foi “bem traumática” e por conta disso ele decidiu criar o canal para comunicar e tranquilizar as pessoas sobre o vírus HIV. “Tive alguns sintomas clássicos nas primeiras semanas, porem como todos nós fazemos, acabei me automedicando”, conta o publicitário. “Eu nunca me liguei a ponto de achar que fosse algo sério. Alguns meses depois essa rotina foi atrapalhando o processo natural do meu corpo, então decidi buscar ajuda médica.” Ele diz que no início acre-

ditou que iria morrer, pois não tinha informação nenhuma de como era viver com o vírus ou sobre como é o tratamento. Rainiel declara que todas as suas referências eram baseadas em “relatos e livros escolares com pensamento antiquado mostrando pessoas no estágio avançado do vírus e já com AIDS”. CONHECIMENTO O publicitário diz que não ter muito conhecimento sobre o vírus é um dos motivos pelos quais, em um primeiro momento, as pessoas se assustam, pois não entendem muito sobre o tema em questão. “As pessoas para quem contei inicialmente lidaram de uma maneira tranquila e plena, me mantendo forte para que eu pudesse me tratar e acabar me entendendo como alguém que vive com HIV.” Nos últimos anos, novas estratégias de prevenção surgiram como ferramentas complementares no enfrentamento da epidemia de HIV. Elas ampliam a gama de opções que os indivíduos têm para se prevenir contra o vírus e oferecem mais alternativas cientificamente eficazes em relação aos preservativos masculinos e femininos.

TRATAMENTO Segundo o Boletim Epidemiológico HIV Aids 2018, que o Ministério da Saúde divulgou, mostra como a detecção do vírus entre os jovens aumentou em apenas dez anos. A notificação de casos de HIV de pessoas com 15 a 24 anos

aumentou em aproximadamente 700%. Especialistas acreditam que a explosão de ocorrências se deve à maior disponibilidade de testes e a campanhas de conscientização cada vez mais acanhadas “O vírus carrega um peso

social tão intenso que é muito mais difícil se tratar o preconceito das pessoas, do que se tratar de pessoas vivendo com o vírus no corpo, pois o tratamento hoje em dia é bem simples e quase sem efeitos colaterais, diferentemente de quando o vírus surgiu na sociedade”, diz o publicitário. Foto: Globo

LUAN ORTOLAN

Youtuber Lucas Raniel no programa Altas Horas: entrevista sobre como evitar contaminação pelo HIV


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CIDADES

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Roubos e furtos aumentam em Ribeirão Preto O Centro e os Campos Elíseos são os bairros mais afetados; Polícia Militar disse que vai intenssificar o patrulhamento JEAN CLEISER

Foto: Divulgação

No mês de janeiro de 2019 os casos de furtos de veículos em Ribeirão Preto tiveram um aumento de 43% em relação ao mesmo período de 2018. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública, o número de ocorrências desses tipos passou de 107 para 153. O aposentado Gilberto Clésio, 59, teve a moto e o carro furtados em menos de um mês. “Eu estava no dentista. Fiquei cerca de meia hora fora. Quando voltei, não vi mais a minha moto. Duas semanas depois fui fazer uma cirurgia no dedo da mão, deixei meu carro estacionado no centro da cidade e, depois de mais ou menos duas horas, tive a surpresa de não encontrar meu carro. Fiquei acabado. Vivo com medo de sair com meu carro agora e ter a possibilodade de ser assaltado.” Os veículos, segundo ele, não possuíam seguro. Outro tipo de furto, como de celulares, teve um crescimento de 6,8%, passando de 866 para 925. Em um levantamento feito pelo ACidade ON, com base em 1.391 ocorrências policiais registradas de janeiro a novembro de 2018, obtidas no Portal da Transparência da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, os bairros Campos Elíseos e o Centro são os mais perigosos. Celulares roubados em uma festa em Ribeirão Preto e recuperados pela polícia durante operação

Os roubos também aumentaram em Ribeirão Preto no primeiro mês de 2019, indo de 259 para 325 em um ano, um aumento de 25%. A professora Priscila Souza, 32, foi passear com os filhos em um parque quando um adolescente tomou o celular da sua mão. “Estava falando com meu esposo ao celular. Um moleque me tomou o aparelho, achei até que era brincadeira. Quando vi que não era, comecei a puxar meu celular, mas ele me deu vários socos no braço e saiu correndo.” O soldado Jefferson Moraes deu algumas dicas para evitar furtos e roubos nessas regiões.

Sempre ande acompanhado, se não tiver jeito, assegure seus pertences de baixo do braço e nunca fique disperso Segundo Moraes, as pessoas nunca devem ficar em pontos de ônibus com celulares na mão. Já a respeito de carros, os motoristas devem estacionar em lugares movimentados e, possivelmente, em estacionamentos particulares, que assim certamente os proprietários vão conseguir se livrar de alguma surpresa.


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ECONOMIA

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Startups ganham mercado com parque NATHALIA BOVI

Decoy Smart Control. Pele Nova. Kidopi. A primeira é uma startup focada no controle de pragas por meio de agentes biológicos. A segunda, elaborou produtos que aceleram o processo de cicatrização de feridas. A terceira, desenvolveu o Clever Care, uma inteligência artificial que coleta dados e acompanha pessoas com doenças crônicas. Três empresas. Três nomes distintos. Três áreas diferentes. Mas você sabe o que elas têm em comum? Tiveram seus projetos desenvolvidos no Supera Parque Tecnológico, de Ribeirão Preto. O QUE É? Para quem não sabe, o Parque Tecnológico, com o suporte de profissionais, mentorias, participação em eventos da área e a disponibilização de ferramentas tecnológicas, faz com que as empresas aprendam as demandas do mercado e adaptem suas soluções para melhor atendê-lo. De acordo com o gerente do Parque, Eduardo Cicconi, as empresas são atendidas antes até de se tornarem uma empresa. “O empreendedor tem uma ideia de negócio, mas não sabe se é viável. A Supera Incubadora trabalha para transformar a ideia em uma empresa.” Para o sócio fundador da Decoy Smart Control, Túlio Marcos

Nunes, o Supera ofereceu uma série de treinamentos, cursos, palestras e vivências, que foram fundamentais para transformar a ideia em realidade. “Com a incubação, temos acesso a toda estrutura do Parque, que vai muito além do espaço físico”, afirmou. Além de terem acesso a infraestrutura tecnológica, os empreendedores recebem orientação na elaboração do plano estratégico e na reestruturação do modelo de negócios, consultoria, organização de ações para apresentação do projeto aos investidores e gestão financeira. O cofundador da Kidopi, Hugo Pessotti, disse que buscou no Supera um auxílio para a inscrição de um projeto para conseguir verba do governo, mas que depois foram incubados. “Tivemos o projeto aprovado depois que o Supera nos auxiliou. Fora isso, o Parque sempre nos amparou desde dúvidas sobre contratos até apoio jurídico e financeiro”, disse. A estrutura do Parque fica localizada dentro da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, e surgiu em 2014 com o convênio entre a USP, a prefeitura e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. Os interessados podem participar dos processos seletivos que acontecem no primeiro e

Foto: Nathalia Bovi

Supera Parque Tecnológico, de Ribeirão Preto, auxilia empreendedores a desenvolver negócio sem risco de fracasso

O Parque Tecnológico fica localizado na Av. Dra. Nadir Aguiar, no Jardim Dr. Paulo Gomes Romeo

segundo semestres de cada ano. A seleção das novas empresas acontece em etapas, sendo que os candidatos devem ter feito o curso Empreende, oferecido pelo Supera Parque. No entanto, a oportunidade não é para qualquer um. A Supera Incubadora busca projetos que atuem nas seguintes áreas: biotecnologia, educação, serviços financeiros, serviços de saúde, serviços de TI, dispositivos e equipamentos médicos, software e agronegócio. As únicas exigências são que o projeto tenha base tecnológica e que as pro-

postas tenham caráter inovador. PREMIAÇÕES O Supera Parque recebeu prêmios nacionais importantes como a de melhor Incubadora do Brasil no Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador e a de melhor Incubadora da região Sudeste. Recentemente, foi indicado ao WSIS Prizes (Prêmio da Cúpula Mundial para a Sociedade da Informação), patrocinada pela ONU (Organização das Nações Unidas), concorrendo com outras 124 instituições de

todo o mundo. Para Cicconi, premiações como essas são importantes para o constante crescimento do Parque. “Mesmo que não sejamos contemplados, fomos escolhidos pelo trabalho executado. Nossas perspectivas para o futuro são bem arrojadas.” SERVIÇO O Supera Parque fica localizado na Av. Dra. Nadir Águiar, 1805, no Jardim Dr. Paulo Gomes Romeo, em Ribeirão Preto. Telefone: (16) 3315-0735

O aumento das cafeterias em Ribeirão Preto LUIZ FERNANDO FIGLIAGI

mesmo ler um jornal”, afirma. De acordo com o economista Gabriel Couto da Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto), de 2010 a 2017 os empreendimentos na área de alimentação aumentaram em 135 em Ribeirão Preto. Dessas 135, cerca de 77 estão restritas ao ramo das “Lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares”. MERCADO Para o gerente da cafeteria

Foto: Luiz Fernando Figliagi

Fernando Alves, 39, é formado em nutrição e dono de um negócio em Ribeirão que tem feito sucesso: cafeteria. O nutricionista trabalhou durante 16 anos na área comercial de uma cooperativa de café que fica em Altinópolis. Em busca de um empreendimento que fosse seu, ele viu uma oportunidade em abrir um negócio num dos locais mais privilegiados de

Ribeirão. Localizada no centro da cidade, Alves abriu em sociedade com seu amigo Henrique Zucolotto a cafeteria Altinópolis. Há cinco anos o gerente da cafeteria, que fica em frente ao Caium - centro cultural histórico de cinema da cidade -, vem preparando cafés para um público variado de pessoas. “A cada dia que passa as pessoas buscam mais esse tipo de local. Seja para pequenas reuniões, tomar um café ou conversar e até

A barista Carolina Abad trabalha como atendente na cafeteria Pagliaroni desde a estreia, em novembro

Altinópolis, o crescimento no mercado de cafeterias é notável. “Aqui no centro principalmente, por ser uma localização privilegiada, acredito que seja um negócio viável”, afirma. O mercado de cafeterias tem aumentado o número de empregos também. Em 2010, eram 2.829 vagas de trabalho e, até 2017, teve um salto de quase mil empregos gerados. Os salários chegam a R$ 1.517 por mês.

HISTÓRIA A cafeteria Pagliaroni, que fica ao lado do Theatro Pedro II, na região central, também é produtora da bebida mais famosa do país. A história da família proprietária começou em 1897 e só em 2018 resolveram abrir uma cafeteria. A gerente Letícia Zanutto, 32, formada em engenharia de alimentos, conta que a família Pagliaroni possui 350 hectares de plantação de café. “Nossa história começa em 1897 com a chegada do trisavô Pedro ao Brasil. Italiano nascido em Rocca San Giovanni e apaixonado por café”, diz. Segundo Letícia, anualmente a Pagliaroni também envia sacas de cafés especiais para todo o mundo. “A maior parte de nossa produção de cafés é exportada para os mais exigentes países do mundo”, afirma.

Eduardo Lima Oliveira, 43, é advogado e frequenta a Pagliaroni pelo menos duas vezes por semana. Para ele o café é indispensável na rotina semanal. “Não recuso um bom café. E sempre que posso passo por aqui para ler um livro e tomar um capuccino”, afirma.

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A cada dia que passa as pessoas buscam mais esse tipo de local. Seja para pequenas reuniões, tomar um café ou conversar e até mesmo ler um jornal

SERVIÇO A cafeteria Altinópolis ficalocalizada na rua São Sebastião, 899, em frente ao Cine Caium, no centro da cidade, e fica aberta das 8h as 18h. A Pagliaroni está ao lado do Theatro Pedro II, na rua Álvares Cabral, 322, em frente à praça XV de Novembro, no centro da cidade, e fica aberta das 8h até as 22h.


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ESPORTES

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RP Alligators faz rifa para ir aos Estados Unidos Equipe de futebol americano de Ribeirão Preto busca recursos para levar jogadores para torneio internacional FELIPE BOLITO

O RP Alligators, time de futebol americano de Ribeirão Preto, foi convidado para participar do Battle of Texas, que é uma competição de futebol americano, disputado em Dallas, no estado do Texas, nos Estados Unidos. O torneio acontecerá no próximo mês de maio e tem a duração de três dias. Mas, para embarcarem no sonho de jogar nos Estados Unidos, eles estão em uma corrida contra o tempo na busca por recursos financeiros. Segundo o treinador Leonardo Santos, o planejamento é ficar de quatro a cinco dias e o custo médio por atleta pode chegar a R$ 5 mil. Por isso, não será possível levar toda a equipe. “O custo médio por atleta pode chegar até R$ 5 mil. A quantidade de atletas que vamos levar varia de acordo com o que conseguirmos de apoio. Hoje atendemos 60 atletas no time de competição masculino, mas sabemos que infelizmente não vai ser possível levar todos. Temos como meta levar pelo menos 20”, afirmou o treinador. O time então decidiu organizar uma rifa, que tem como prêmio, uma bola oficial de futebol americano do Pro Bowl, que é uma partida entre os melhores jogadores da American Football Conference (AFC)

contra os melhores da National Football Conference (NFC). A rifa pode ser acessada e comprada online no site da campanha. Qualquer pessoa pode comprar quantos números quiser. Além disso, é possível dividir o valor da rifa no cartão de crédito. “Qualquer apoio é fundamental para conseguirmos re-

alizar o sonho dos meninos”, e sonham com o momento de disse Leonardo. embarcar para Dallas. “Estou muito feliz por essa REALIZANDO UM SONHO conquista enorme que tivemos. Os meninos que compõem Vai ser um prazer poder cona equipe já sonham com o mo- quistar esse sonho com os meus mento de atuar nos Estados Uni- companheiros de time. Certados. É o caso de Anthony Cassi- mente será a viagem da vida de miro, 17, e Angelo Lucca, 18, que muita gente. Para o RP Alligators estão no time há mais de um ano não há limites e nem obstáculos,

e essa será apenas a primeira viagem internacional de outras que virão”, afirmou Cassimiro, sobre a expectativa de participar do primeiro torneio internacional da equipe. “O futebol americano faz parte da minha vida, é algo que eu amo fazer, onde conheci pessoas incríveis e aprendi a ser uma pessoa incrível igual a elas. Foto: Divulgação Disputar um torneio em Dallas será maravilhoso, com certeza é o sonho de muita gente que pratica esse esporte no Brasil”, declarou Lucca. O time ribeirão-pretano tem se destacado nos últimos anos. Estreou em competições em dezembro de 2015, no 1º Torneio Regional Pioneiros do FA sub-16 - 5x5. A equipe foi campeã e iniciou sua coleção de troféus. No ano seguinte, venceu três torneios: 2º Torneio Pioneiros do FA (Regional Bowl – 5x5 sub-16), Avaré Bowl (Bowl Estadual – 5x5 sub-16) e Big Hit Bowl (Bowl Estadual – 8x8 Adulto). Em 2017 finalizou o ano invicto nos jogos 8x8 sub-19 e em 3º Lugar no Flag Cup Sixteen (Torneio Interestadual 5x5 sub16). Já em 2018, a equipe fechou o ano com 14 jogos, sendo 11 vitórias e três derrotas. Venceu o Garden Bowl, o UNIFAJ Bowl, o 3º Circuito das Águas Bowl, além de conquistar a classificação para a final do Torneio BrasiAngelo Lucca, atleta do RP Alligators: em treinamento se preparando para o torneio nos EUA leiro de Flag sub-16.

Bota inicia obras em instalações que Gueto FC sonha com servirão de centro de treinamento título da Liga Toca Bola KAUÊ FELIPE

PROJETO O Botafogo não apresentou nenhum projeto para a obra, porém o campo principal já está sem a grama antiga e em fase de preparação e revitalização do solo que após estar nivelado e com sistema de drenagem receberá a nova grama, do tipo Bermudas Celebration, utilizada na maioria das novas arenas, como por exemplo, Allianz Parque, Arena Fonte Nova, Maracanã, etc. Há a possibilidade da construção de alguns lances de arquibancada e a cima delas um pequeno complexo de alojamentos para os garotos da base, mas nada oficial ainda.

Foto: Imprensa Livre Nando Medeiros

O Botafogo conseguiu no ano de 2018 o acesso para a série B do campeonato brasileiro, e com isso terá que adequar suas instalações. Com a subida de patamar, o Botafogo terá que se adaptar rapidamente às exigências da CBF para clubes que disputam as séries A e B do brasileiro. Uma delas é a proibição de treinar no campo onde manda seus jogos, por isso a necessidade de um centro de treinamentos é urgente. A opção mais viável é a transformação dos campos de

apoio que hoje são ocupados pelas escolinhas do clube, no terreno cedido em comodato pela prefeitura, que fica em frente ao estádio Santa Cruz. Muita coisa precisa ser feita, porém os campos estando em condições de treino e atendendo aos padrões estabelecidos pela legislação vigente que rege o futebol, já é um bom início. Segundo o diretor das categorias de base do clube, Carlos Alberto Pimenta as obras nos campos de treinamento da base começaram sem nenhum aviso prévio e as categorias do sub-13 ao sub-20 não tem onde treinar e se alojar.

Campo anexo ao estádio Santa Cruz sem grama devido ao início das obras para do centro de treinamento

PAMELA SANTOS

Apaixonado por futebol, um adolescente de Ribeirão Preto montou um time de futebol com os amigos para disputar um campeonato que ocorre três vezes por ano na cidade. O Gueto FC, nome do time, é formado por 16 integrantes, um deles treinador, e liderado pelo autônomo Gabriel Hector. De acordo com Hector, o time participa do Campeonato Liga Toca Bola desde o ano passado e, até agora, não conquistou nenhum título. Segundo o rapaz, jogar futebol num grande clube é o sonho dos integrantes do time, entre eles os amigos Leonardo Duzzi, Daniel Aguilar, Tony Capatto, Vitor, Leonardo e o zagueiro Yuri. O time nasceu em março de 2018. Os garotos se reúnem uma vez por semana no Complexo Esportivo X10 em Ribeirão Preto para treinar e melhorar o entrosamento. O jovem apesar de ser tão novo e começando a sua carreira agora, acha que o futebol na cidade do interior não é valorizado, e não tem chance de um dia ser um jogador de futebol famoso. O CAMPEONATO No início tiveram muita di-

ficuldade, pois não tinham condições para manter o time. Havia despesas como uniformes, os horários de uso do campo durante os treinos, o pagamento do juiz do jogo. Por isso, precisaram arrumar patrocinadores. Com a ajuda do patrocínio pagam os treinos, compram os uniformes, chuteiras, bola, pagam o juiz e participam do campeonato. OS PATROCINADORES Os patrocinadores são donos de açougue e supermercado. Em troca do patrocínio eles colocam as suas marcas nos uniformes, visando publicar e divulgar a empresa. Os garotos só jogam em Ribeirão Preto e ainda não tiveram a oportunidade de jogar em outras cidades. Os principais times contra quem disputam o campeonato são o Napoli, o Juventus e Aliados, de Cajuru. O time participa do Campeonato Liga Toca Bola, no Campo 7, em Ribeirão Preto três vezes ao ano. Neste ano pretendem treinar duro para chegar em primeiro lugar e levar o prêmio que é R$ 3.000,00.Para o segundo colocado o prêmio é de R$ 1.500,00 e, o terceiro, leva R$ 500,00.


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ESPORTES

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Futsal sacode Jardinópolis no mês de janeiro Paixão pelo esporte passa de geração a geração, revela craques e lota ginásio de esportes no primeiro mês do ano

O advogado José Eduardo Gomes Junior, 36, está presente no universo do Janeirão desde pequeno, quando seu pai o levava para assistir aos jogos. E por ser tão envolvido com o evento, ele já passou pela fase de jogador e torcedor, e desde 2010 se tornou responsável pela página de esportes do jornal semanal da cidade.

BILHETERIA Outro benefício que o evento traz ao município é que todo o dinheiro que é arrecadado com os ingressos dos jogos é destinado ao Fundo Social da cidade. Assim, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população carente. Castro afirma que a média de público dos jogos é de 300 pessoas, e que nos confrontos de clássicos e partidas finais o público pode aumentar. PREMIAÇÕES A grande final deste ano aconteceu dia 1° de março, e os times que se enfrentaram e fizeram a melhor campanha durante o campeonato foram: Jurucê e Unidos Futebol Clube. Jurucê se saiu melhor na disputa e levou o troféu de campeão do Janeirão 2019 pela terceira vez com o placar de 1 a 0.

Foto: Josiele Batista Equipe Jurucê, que conquistou seu tricampeonato no Janeirão 2019 Foto: Josiele Batista

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Me considero um apaixonado pelo campeonato, pela sua história e por tudo que ele mobiliza na cidade

EXPERIÊNCIA Leonardo Felipe Guimarães, 24, o Léo Paulista, é jogador profissional desde os 19 anos. Já passou por times conhecidos na região, como Olé Brasil, Comercial e também a Francana, onde ficou até o final de 2017 e disputou o campeonato Paulista da segunda divisão. Apaixonado pelo Janeirão, ele participa do campeonato desde os 17 anos. O jogador afirma que a sensação quando ele era apenas torcedor é maravilhosa, principalmente pela rivalidade que há entre alguns times e por estar tão perto deles. Mas a preferência dele é estar dentro da quadra, defendendo o time do coração. “Jogar esse campeonato é uma das melhores sensações que existe, principalmente pela tradição que tem o famoso Janeirão. Já tive muitas experiências, mas a melhor foi em 2015, quando fui campeão com o Unidos Futebol Clube e ainda fui o me-

lhor jogador do campeonato.” O advogado Gomes Júnior conta que o campeonato já revelou atletas que seguiram carreira e se tornaram jogadores profissionais no futebol. Entre os craques, ele se lembra de Leandro, que iniciou no Botafogo e passou por grandes times, como Corinthians, Grêmio, Fluminense e São Paulo - onde foi destaque.

Time Unidos Futebol Clube, que foi vice-campeão no Janeirão 2019

Água no umbigo, sinal de perigo

Afogamento é uma das principais causas de morte infantil no Brasil PAOLA FREITAS

Comprovado que nos ultimos anos, a segunda maior causa de morte infantil é provocada por afogamentos. Todos os dias, 17 pessoas morrem afogadas - sendo que três delas são crianças - de acordo com o Ministério da Saúde. Aliado a isso, a natação é uma modalidade de esporte indicada para pessoas de qualquer idade, principalmente crianças. Uma forma de ajudar a prevenir afogamentos, é, mostrando desde cedo que a criança pode aprender a se salvar em casos mais complexos, como se caísse em uma piscina, ou em algum rio. Mesmo em casa, há relatos de afogamentos quando acontece algum descuido dos pais, casos utilizando baldes, banheiras, piscinas de plástico. A professora Ronéia D’Avila, que há mais de oito anos se relaciona com essa modalidade, complementou as suas aulas de natação infantil com uma programação de auto-salvamento, assistida pelos pais. “No meu trabalho, todo mês realizamos a campanha da segurança aquatica, onde treinamos os alunos para realizarem

nados de sobrevivencia. Os alunos entram inclusive, de roupas, para vivenciarem como seria cair despreparados e como se salvar” disse a professora. Através de vários ocorridos, há um projeto de lei que disciplina a prevenção de acidentes em piscinas no território nacional que tramita no Congresso desde 2014. A falta de regras definidas a todos os Estados é duramente criticada por pessoas que perderam entes queridos em afogamentos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o afogamento esta entre as principais causas de morte de crianças pequenas. Cerca de 360 mil pessoas morrem por afogamento ao ano no mundo, em todas as faixas etárias. No entanto, especialistas afirmam que esse é um valor subestimado, podendo chegar até 1 milhão de óbitos. Quem já passou por um susto de ver o filho se afogando, jamais esquece. A secretária Maria Ines, mãe do pequeno Pedro de 3 anos, ja passou por esse desespero de ver o filho se afogando. “Foi questão de segundos, que eu deixei o Pedro na piscininha inflavel e fui pegar uma

toalha para seca-lo, quando voltei, ele ja estava se debatendo, pois havia caido caido com o rosto dentro da agua. Meu desespero foi enorme e depois disso, nunca mais deixei sozinho para nada. Também alerto outras mães, para que nao passem pelo mesmo susto” concluiu Maria. Além da natação ajudar a prevenir afogamentos, as crianças que praticam essa modalidade de esporte tem um melhor desenvolvimento fisico, motor e do equilibrio. A partir dos 4 anos de idade já é possivel aprender a nadar. Antes dessa faixa etaria, os pais podem fazer aulas de natação junto com o pequeno, incentivando e também aprendendo os cuidados. PREVENÇÃO A primeira forma de prevenção quando se trata de crianças, os pais devem ficar atentos a qualquer lugar que tenha água e a criança pode se afogar. Mesmo que tenha guarda-vidas no local, os pais nunca devem ficar a mais de um braço de distancia da criança. Não se distrair com alguma conversa aleatoria, celular, ou algo que prende sua atençao, tambem é uma forma de prevenir um acidente. Com brincadeiras também se aprende: alunos da natação infantil

Arte: Antonio Freitas

A paixão pelo futsal é passada de pais a filhos em Jardinópolis. O Janeirão, como é conhecido o campeonato realizado anualmente na cidade, reúne dez times e lota o principal ginásio no Centro Esportivo Newton Reis. “A realização deste campeonato contribui para a interação e integração social de crianças e adolescentes que vão sempre prestigiar os jogos, gera lazer para famílias e estimulação a atividades físicas”, afirma o chefe do Departamento de Esportes e Lazer, Waldiney de Castro, 36.

O advogado também é responsável pela página do Facebook “Janeirão – Esporte Jardinópolis” desde 2013. Nela ele atualiza as tabelas dos jogos, compartilha curiosidades, faz entrevistas com os jogadores em destaque dos jogos e mantém todos informados sobre as novidades do evento.

Foto: Paola Freitas

JOSIELE BATISTA


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Ciclista de Ribeirão Preto vence etapa da Kalangas Cup 2019 Alan Maniezzo foi o melhor em topografia com muitas subidas na cidade de Pedreiras; prova serviu de treino LINCOLN LIMA

O ciclista da equipe de ciclismo de Ribeirão Preto Alan Maniezzo faturou a segunda etapa da Kalangas Cup 2019. A etapa aconteceu na cidade de Pedreira, no dia 17 de março, e teve percurso total de 52 km. O atleta ribeirão-pretano participou da prova como forma de preparação para a próxima competição em que vai disputar com o time de Ribeirão Preto. A etapa na cidade de Pedreira é caracterizada pela altimetria elevada e com subidas bem íngremes, características da prova seguinte, realizada em Florianópolis. A prova contou com muitas subidas e descidas técnicas. Alan e mais um atleta se desgarraram do pelotão principal logo no início da prova e vieram num ritmo forte até a reta final. O duelo particular entre os atletas foi decidido no sprint final, no Maniezzo terminou na frente e garantiu a vitória. Segundo ele, sua participação na prova foi visando a preparação, mas o atleta não escondeu

Foto: Luís Rojo/Divulgação

Alan Maniezzo, à esquerda, faturou a segunda etapa da Kalangas Cup 2019 seguido por Alessandro Guimaraes

a felicidade por faturar mais uma competição em sua carreira. “Participei porque é uma prova com altimetria alta e com bastante subida, focando na próxima competição que vou participar com a equipe. A melhor forma de se preparar é competindo em alto nível. Estou muito feliz com essa vitória. Agora é continuar treinando pesado para a próxima competição”, disse Maniezzo. CICLISMO E INCENTIVADORES A equipe de ciclismo de Ribeirão Preto tem como patrocinadores a São Francisco Saúde, Klabin, SOUL Cycles e Usina Batatais, copatrocinadores a RP Capital, Passaredo e AOO Energia e o apoio da Líber Capital, Ourofino Agrociência, Ourofino Saúde Animal, Passalacqua, Molyplast, LOL Sports Bar, ERT Uniformes, Botafogo Futebol Clube e Prefeitura de Ribeirão Preto. Os atletas têm apoio institucional Lei de Incentivo ao Esporte e Ministério da Cidadania/ Secretaria Especial do Esporte.

RODRIGO VIEIRA

Não é de hoje que a cidade de Sertãozinho se destaca dentre algumas modalidades do esporte. Dentre eles está a figura da corredora de maratona Maria Zeferina Baldaia, campeã em diversas competições em torneios desta modalidade de corrida de rua.Por conta de suas diversas vitórias, tem em sua homenagem o Centro Olímpico Maria Zeferina Baldaia. Um centro de treinamento específico para área do atletismo com formação para crianças (iniciação) projeto em parceria com Governo Municipal para atrair jovens para o esporte, distanciando-os do caminho de criminalidade e marginalidade social. O projeto visa também adultos que queiram voltar a prati-

car atletismo ou simplesmente alcançar um condicionamento físico como forma de obter uma vida mais saudável.

Foto: Arquivo Pessoal

Atletismo em Sertãozinho conquista mais uma vitória ORIGEM Maria Zeferina Baldaia nasceu no município mineiro de Nova Módica, interior do Estado de Minas Gerais, mas veio para Sertãozinho, interior do Estado de São Paulo, ainda criança trazida pelos avós. O início numa nova cidade de realidade tão distante não foi nada fácil. Maria Zeferina trabalhou como doméstica e ajudante geral em uma Maria Zeferina Baldaia, maratonista indústria de Sertãozinho. Para conseguir se alimentar, traba- gar, a 7ª posição na classificação lhou um bom tempo como bóia geral. Em 2001 venceu a prova, fria, último trabalho antes de co- tornando-se a terceira atleta brameçar a correr. sileira a vencer a corrida. TamComo atleta disputou duas bém em 2001, venceu a Volta edições da maratona de São Sil- Internacional da Pampulha, em vestre, em 2000 alcança o 11º lu- Belo Horizonte.

NOVOS ATLETAS O Centro Esportivo Maria Zeferina Baldaia tem atletas como professores, conta em seu quadro de funcionários campeões em vários títulos e categorias regionais, nacionais e até alguns internacionais, como o caso do professor Diego Araújo dos Santos que exerce tanto a função de técnico para crianças como para adultos. O Técnico Diego, como é comumente chamado, é campeão Pan-americano juvenil, fazendo parte do grupo da Seleção Brasileira de 2004 a 2009. Uma das alunas de Diego, Bruna de Andrade Leite, hoje com 22 anos, começou a treinar com apenas 11 anos de idade, sua modalidade inicial predileta foi o heptatlon. “Eu preferia no início, lá com pouco mais de dez anos, lançamento de dardos e corrida

de 200metros rasos. A estrutura é muito boa porque a pista é sintética”. Mesmo tendo saído já há três anos, a atleta sente falta, pois acha triste ver que não há estímulo da parte da iniciativa privada, e não ter mais investimento nem mesmo de outras áreas. Por mais estranho que pareça, nem o Atletismo que todos os anos ganhava medalhas nos jogos regionais, não via e não vê essa modalidade ser mais reconhecida. Lamenta a atleta Bruna Leite, temporariamente afastada dos treinos, mas ainda praticante de corrida. O Atletismo de Sertãozinho, invariavelmente traz medalhas em quase todas as categorias,da modalidade, os atletas sempre trouxeram medalhas, muitas das quais de ouro, maioria de primeiros lugares reforçando a pontuação de todo o grupo.


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Coletivo realiza palestras em Jardinópolis Projeto promove encontros com o intuito de fazer pessoas participarem e pensar sobre vários assuntos gratuitamente BIANCA COLLUCI BELGE

O coletivo “Café com ideias” é realizado por um grupo de pessoas na cidade de Jardinópolis. Com a proposta de fazer com que o público dialogue sobre temas como poesia, cerveja, relacionamentos abusivos, cultura, homenagens a escritores, entre outros. Os assuntos são abordados conforme a disponibilidade dos palestrantes. O projeto acontece desde março de 2017, às quintas- feiras, às 20h. Atualmente é realizado em um pub de Jardinópolis, com a capacidade máxima de 120 pessoas. Segundo um dos organizadores e juiz do trabalho João Baptista Cilli Filho, 46, os debates já foram realizados em escolas e atualmente é realizado em um bar no centro de Jardinópolis. “O local é cedido gratuitamente pelo bar. Quando não é feito no bar, fazemos em escolas públicas. Sempre fazemos divulgações de onde será realizado em redes sociais e mídias locais.” Para Cilli, o Café tem a importância de fazer com que o público participe das palestras para

Foto: Bianca Colluci Belge

Luciana Paschoalin em palestra promovida pelo coletivo Café com Ideias

que assim todos tenham voz. E com esse mesmo objetivo o coletivo foi convidado a se apresentar na Casa das Artes, em Ribeirão Preto. “Pensar livre, coletivo, participativo e gratuito. Esse é o lema do café e será feito pela primeira, no mesmo padrão agora em Ribeirão Preto, na Casa das Artes”, afirma o juiz.

PALESTRA Na última palestra foi convidada a assistente social Luciana Paschoalin, 48, para discutir o tema “A literatura como ferramenta de transformação social”. Para ela, o café desenvolve um papel construtivo na sociedade. “Acho muito importante poder dividir histórias de coisas que eu já vivi, dos projetos e de

Ex-faxineira descobre prazer da leitura e publica primeiro livro em Ribeirão Preto ANA BEATRIZ MOREIRA

Maris Ester de Souza, 53, Ribeirão Preto, é professora e escritora, mas nem sempre foi assim: ela começou com cartas e pouco a pouco o amor pela língua portuguesa foi surgindo. Para a escritora, escrever era uma fuga e a cada escrita ela lia para as vizinhas e o terapeuta, que a incentivaram. “O começo não foi fácil, foi de luta, de acreditar em seu trabalho, de buscar uma editora e achar que valia a pena insistir”, conta. Segundo Maris, os professores têm muita importância na vida dos alunos. “O interesse veio por meio da escola, pois tínhamos listas de livros para ler e mais tarde no supletivo a produção de texto foi fundamental para minha vida”, diz.

Foto: Fundação do Livro e Leitura

Professora Maris Ester em entrevista à Fundação do Livro e Leitura

Maris também enfatiza a importância do incentivo que as pessoas para quem ela lia lhe davam: “Devo muito às pessoas que me incentivaram e queriam ver meu livro publicado. Atualmente, tenho visto pessoas indo COMEÇO à luta. Recordando-me do pasFaxineira por 14 anos antes sado, acredito que essas pessoas de se tornar escritora, a facilida- fizeram com que eu acreditasse de com a escrita foi uma grande em mim”. surpresa. “Nesse momento me vem à cabeça Sandra, uma das DIFICULDADES moças com quem eu trabalhava: A maior dificuldade, se“Você não é mais a Maris que co- gundo a professora, foi bancar o nhecemos, está usando palavras próprio livro: “Na época sem padiferentes”. trocínio, uma diarista, dona de E adiciona: “Sempre me re- casa e mãe de três filhos fazendo cordo do dia que voltei para casa curso de telemarketing à noite, chorando porque minha classe o livro na editora tendo que ser bateu palmas, após a leitura de pago. Tantos desafios e tantas uma redação minha e eu pensa- histórias”, afirma. va: ‘Sou apenas uma faxineira o Sobre o processo de escrita, que essas pessoas estão vendo ela conta que sempre foi baseano que escrevo?’”. do no momento. “Amo escrever

na calada da noite, o silêncio é um grande parceiro. Na verdade a escrita era uma porta e quando lia e gostava do que escrevia, sentia ali a liberdade que sempre busquei. Hoje percebo que é um processo de amadurecimento.” Hoje, com 15 trabalhos publicado em antologias e um livro, Maris é presidente da Casa do Poeta e do Escritor, uma entidade que incentiva escritores, e professora. “Converso com muita gente, conheço histórias e procuro sempre incentivar as pessoas a estudarem, a acreditar que concretizar sonhos é possível”, declara. Para quem está começando, Maris afirma: “A leitura é vital em todo processo da escrita. Nosso país tem grandes escritores. Não deixemos que matem o senso crítico, a poesia, o pensamento”.

poder trocar ideias. Ninguém é dono do saber e essa é a preocupação do Café: poder dar voz a todos e compartilhar suas experiências.” Luciana conta que sua palestra foi sobre como podemos transformar a realidade através da literatura e tornar a sociedade mais crítica. Para ela, a literatura não é tão privilegiada como deveria ser e por isso aceitou o convite de participar da palestra. “A área da literatura e da educação é tão desprivilegiada. Quando encontramos coletivos que proporcionam essa fala de quão importante elas são, acho que devemos participar. Essa é uma das bandeiras que eu carrego”, afirma assistente social.

novas e reúnem o pessoal. Fora que no café você pode sempre dar sua opinião sobre vários assuntos.”

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Pensar livre, coletivo, participativo e gratuito: esse é o lema do Café

No final de cada palestra é servido cafés aos convidados e sempre há sorteios de livros. Aline foi uma das sorteadas. “Acho muito legal essa ação. Nunca achei que ia ser sorteada. Meu número foi o primeiro, isso nunca tinha acontecido comigo. Fiquei muito surpresa e feliz.” Aline acredita que essa OPINIÃO ação serve como um incentivo O Café com Ideias consegue para leitura. atingir desde jovens a adultos em razão de sua variada grade PARTICIPE de programação. Para participar das palesA aluna de letras Aline Pa- tras é necessário ligar para o trícia Resende, 22, conta que telefone (16) 3663-6184 e reseradora participar dos eventos. var lugar. O coletivo também “Sempre que possível parti- tem uma página no Facebook, cipo do Café. O interessante de na qual são divulgados os temas participar dessas palestras é que das palestras e os locais onde ficamos por dentro das novida- irão acontecer: Café com ideias des. Sempre nos trazem ideias – Jardinópolis/ SP.

Arte é um ‘exercício de liberdade’, diz professor NATÁLIA MORAES

A cultura, no Brasil, não costuma ter muito incentivo. De acordo com o estudo do Panorama Setorial da Cultura Brasileira (PSCB) de 2017-2018, somente 48% das pessoas entrevistadas afirmaram ter interesse em arte. O professor universitário Quico Soares, de Ribeirão Preto, diz que “no Brasil, qualquer atividade artística é difícil. Não é um país que investe muito em cultura e quase não tem polítixcas de incentivo”. Entre as artes, há o grafite, normalmente encontrado em muros nas ruas, prédios e pontes. Essa manifestação artística é muito usada por pessoas de classe social mais baixa como uma forma de expressão.

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Qualquer forma de arte é válida como liberdade de expressão

Para Soares, que também é artista plástico, isso acontece porque “elas não têm acesso a quase nenhum tipo de cultura”. “Muitos movimentos artísticos nascem de camadas sociais com menos dinheiro por causa dessa falta de oportunidade e espaço para se envolver com outras artes. É uma forma de expressão razoavelmente barata”, declara.

Segundo o professor, é difícil para os artistas que decidem viver de seu trabalho: “Eu conheço pessoas que abandonaram carreiras em empresas para poder se dedicar à arte e vivem hoje com o mínimo possível”, conta. VALORIZAÇÃO Ainda de acordo com ele, é importante que a arte seja valorizada. “Eu costumo dizer que a arte é o espelho da sociedade no momento em que nós estamos vivendo, reflete a uma característica da época.” Além disso, para Soares, a arte traz liberdade para quem a faz: “independente de qual forma você vai usar para se expressar, é um exercício de liberdade. Todas as artes são válidas”. Para o artista plástico, hoje em dia a arte é mais valorizada. Segundo ele, dos anos 60 aos 80 ela era marginalizada. “Tinha pessoas presas pela polícia quando pegas grafitando ou pichando muros.” Soares diz que “o Brasil está em um circuito mundial de grandes grafiteiros, Ribeirão mesmo tem muitos artistas reconhecidos”. Por fim, ele conta que toda arte tem seu contexto histórico. “Quando você pega manifestações do homem primitivo na caverna de anos atrás, já vemos que ele precisava eternizar de alguma forma a sua memória ou contar uma história”, afirma.


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Antiga cervejaria é revitalizada no centro de RP

Espaço recebe ações sociais, culturais e educacionais, além de startups com foco em projetos sustentáveis e inovadores GLEICE LIRA

O Instituto SEB inaugurou oficialmente sua nova sede, denominada “A Fábrica”, uma referência ao local que abrigou a antiga Cia. Paulista de Cerveja. O prédio onde era localizado os antigos Estúdios Kaiser de Cinema e a Cervejaria Paulista foi totalmente revitalizado e mantidas suas principais características históricas como patrimônio tombado. Além de receber os projetos sociais, culturais e educacionais desenvolvidos pela instituição, o espaço estará aberto ao público com oficinas de arte-educação para crianças, um café com cardápio natural, além de um auditório com capacidade para 400 pessoas e uma ampla praça de eventos. VESTIBULAR A Fábrica também abrigará os projetos sociais mantidos pelo Instituto SEB, com destaque para o NAU Pré-Vestibular, que prepara jovens de escolas públicas para o ingresso no ensino superior, e o NAU Mercado de Trabalho, projeto para in-

Foto: Grupo Thathi

com foco no impacto social. E o Espaço Maker será aberto para oficinas de criação e prototipagem para adultos e crianças, entre outras atividades. Durante a cerimônia de inauguração, acompanhada por convidados e imprensa, a vice-presidente do Instituto, Thiciana Zaher, afirmou que a nova sede foi criada para deixar às próximas gerações o legado da educação transformadora, inovadora e humana.

ENERGIA SOLAR “São 11 mil metros quadrados para criar, imaginar e realizar os sonhos de muitas pessoas que passarão por aqui. Nosso objetivo é que esse sonho que é nosso passe a ser o sonho de toda a cidade, que siga unida por criar projetos de educação efetivamente inovadores e transformadores”, declarou. A vice-presidente inforInauguração do espaço cultural A Fábrica, no Instituto SEB, localizada no centro histórico de Ribeirão Preto mou ainda que 100% da enerserção dos jovens no mercado toria Social, que oferece apoio produtos sustentáveis para o gia consumida pelo prédio será de trabalho, levando em conta e capacitação para organizações desenvolvimento de crianças. gerada a partir de painéis fotosuas habilidades e competên- do terceiro setor. O Espaço Pluris abrigará voltaicos (energia solar). Hoje cias socioemocionais. Além dela, existirá a Fábri- um moderno coworking e ace- já são 70% de autossuficiência No espaço, haverá a Men- ca de Brinquedos, que utiliza leradora que atenderá startups energética.

Museus de Monte Alto são atrações turísticas Foto: Samuel Gallo SAMUEL GALLO

Os museus de Monte Alto são os principais pontos turísticos do município, localizado na Região Metropolitana de Ribeirão Preto. Situados no Centro Cívico e Cultural da cidade, o complexo é composto pelos Museus de Paleontologia, Arqueologia e o Histórico e Cultural. Excursões escolares ou grupos que agendam suas visitas antecipadamente assistem a palestras didáticas sobre todo o material existente. Muitos cientistas e estudiosos de diversos países também visitam o local, uma vez que contém um rico material para o patrimônio histórico brasileiro e mundial, com peças únicas. Após dois anos fechados para reforma, os Museus de Paleontologia e o Histórico e Cultural foram reinaugurados em julho de 2018. No total, foram investidos cerca de R$ 400 mil, com recursos federais e orçamento próprio da Prefeitura de Monte Alto. “Os museus receberam obras de infraestrutura, como cobertura do prédio, pintura, construção de sala de mídia e de ação educativa, instalação de elevador para acessibilidade, modernização da exposição e troca de janelas”, afirma a secretária municipal de Turismo e Cultura, Aparecida Constâncio. O local obteve até janeiro deste ano, 25 mil visitas (cerca de 4.100 visitantes por mês) en-

Alunos de uma escola de Bebedouro durante explicação sobre os fósseis do Museu de Paleontologia

tre estudantes de escolas e universidades, associações e projetos sociais, especialmente de Ribeirão Preto, São Carlos, Araraquara e São José do Rio Preto. OS MUSEUS O Museu de Paleontologia Professor Antônio Celso de Arruda Campos é um dos mais importantes espaços voltados à conservação de fósseis do Brasil. Contém vestígios de dinossauros descobertos em pesquisas realizadas na região e em outras cidades do oeste paulista. Durante a visitação, as pessoas têm acesso a fotos e

painéis explicativos, reconstruções artísticas de animais pré-históricos e a coleção de ossos de diversas espécies, como crocodilos, tartarugas e moluscos bivalves, que também foram encontrados nas rochas de Monte Alto. “Fósseis de dinossauros, como o titanossauro denominado Aeolosaurus maximus, estão expostos para o público em uma grande vitrine, representando o modo como ele foi preservado, ou seja, com partes do seu esqueleto articulado, simulando o campo de escavação”, declara a diretora do museu,

Sandra Tavares. O museu ainda possui uma sala de multimídia equipada com cadeiras, computador e datashow para melhor instruir visitas em grupos, principalmente a de professores e estudantes que vão em busca de complementar os conteúdos aprendidos em sala de aula. “Réplicas de impressão 3D de fósseis e suas reconstruções, produzidas pelo Centro de Tecnologias da Informação (CTI) Renato Archer, de Campinas, foram disponibilizadas para que os visitantes, especialmente os que possuem deficiência visual,

possam ter um contato mais direto com a paleontologia”, disse a diretora. Já no Museu de Arqueologia Hypólito Barato, estão expostos fósseis de antigas tribos indígenas que habitaram o território há milhares de anos, além de instrumentos de pedras e cerâmica. A instituição representa a extensão museológica do conhecimento da pré-história regional, através de escavações desenvolvidas no sítio do bairro Água Limpa (zona rural), desde 1993. Por fim, no Museu Histórico e Cultural Dr. Fernando José Freire de Andrade é possível encontrar a galeria dos prefeitos e antiguidades que despertam a curiosidade dos visitantes. Móveis antigos, fotos, vestuário, utensílios, obras de arte, documentos, dentre muitos outros objetos, são alguns dos materiais doados pelos munícipes. SERVIÇO

Museus de Paleontologia, Arqueologia e Histórico e Cultural Quando: De terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Sábado, domingo e feriados, das 13h às 17h. Onde: Centro Cívico e Cultural Praça 15 de Maio, s/nº, Monte Alto - SP Informações: (16) 3244-4060 (Secretaria de Turismo e Cultura) *A entrada é gratuita para visitas individuais, com familiares e amigos.


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Dioguinho, o assassino dos punhos de renda Conheça a história do criminoso que aterrorizou o interior paulista com assassinatos e conseguiu fugir da Justiça

Foto: Gustavo Ricci

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O PRIMEIRO CRIME Com 20 anos, Dioguinho mudou-se para Tatuí com a sua esposa e seu irmão mais novo, João Dabney e Silva (Joãozinho). Um dia, ao chegar do trabalho, encontrou seu irmão Joãozinho chorando e perguntou a ele o que havia acontecido. O garoto contou que o gerente de um circo que estava na cidade o tratara mal, dando-lhe ainda um tapa no rosto. Ao saber Morro do Dioguinho: localizado na fazenda das Flores, em Cravinhos, onde o bandido se refugiava da Justiça disso, imed i a t a m e n t e de graça tentando enganá-lo. Depois mudou-se para a cidade os réus nas audiências, fazendo Dioguinho foi Dioguinho carregava um chi- de São Simão trazendo esposa e diligências e intimações. Mataacertar as contas com o gerente cote consigo e açoitou-o. O ge- seu irmão mais novo. Nessa cida- va por sadismo ou a mando de do circo, levando o garoto (João- rente do circo tentou pegar uma de, tornou-se conhecido no meio coronéis para ganhar dinheiro e zinho). Chegando lá, o gerente arma, mas não teve tempo. Dio- dos coronéis de café, os quais o fama. Cometeu muitos assassiconfirmou o que havia feito, di- guinho foi mais rápido e fincou- usavam como matador de aluguel. natos. Segundo pesquisa, mais zendo que o garoto queria entrar -lhe uma faca no peito, matanDioguinho era tão íntimo dos de cem em toda São Simão e redo-o na hora. Foi processado coronéis do café que foi nome- gião, onde chegou a ser julgado e a Justiça aceitou a tese de ado a exercer o cargo de oficial por muitos dos crimes que pralegítima defesa. de justiça em 1884, divulgando ticou, mas nunca foi condenado.

Foto: Acervo de Antonio Fernando Pereira Pereira no Facebook

o final do século 19, mais precisamente no dia 9 de outubro de 1863, na cidade de Botucatu, nascia Diogo da Rocha Figueira, o Dioguinho, um assassino muito conhecido na região de São Simão, Cravinhos e Ribeirão Preto. Ele aprendeu as primeiras letras na Escola Botucatuense. Era um garoto inteligente, mas briguento e participava de muitas brigas na saída e fora da escola. Aos 15 anos, Dioguinho foi trabalhar com um engenheiro e mestre agrimensor que prestava serviços para a Estrada de Ferro Sorocabana, que chegava à região de Botucatu, por volta de 1878, e aprendeu a profissão de agrimensor. Casou-se aos 18 anos, na cidade de Itatinga, com a jovem Antônia de Mello, moça de boa formação. Dioguinho foi trabalhar com o seu concunhado Antônio Canrardelli, que na época tinha uma fábrica de lamparinas. Como era bom agrimensor,

Dioguinho foi convidado para trabalhar para fazendeiros de café na região de Tatuí.

Diogo da Rocha Figueira, o Dioguinho: bandido aterrorizou a região

O SEGUNDO CRIME O segundo crime do Dioguinho envolveu sua sobrinha. Ela contou que era apaixonada por um rapaz, mas este depois de tê-la seduzida não quis casar com ela e desapareceu. Depois de ouvir a história, Dioguinho investigou o paradeiro do rapaz, vindo a descobrir que ele estava morando na casa de parentes num distrito de Tatuí. Dioguinho foi para lá e o encontrou num bar. Quando o rapaz saiu do local era noite. Ele caminhava sozinho num lugar escuro. Foi abordado por Dioguinho montado a cavalo e agredido com um porrete. Outro processo. Mas, a exemplo do primeiro, foi absolvido. BAILE Para participar de um baile, Dioguinho foi comprar um chapéu que era a última moda na época, pois naquele dia haveria um baile no clube em Tatuí. Ele deixou o chapéu sobre uma cadeira e foi dançar. Um desconhecido distraído não se deu conta e sentou-se sobre a palheta. Dioguinho então abandonou o seu par e partiu para cima do rapaz e, com um só golpe, cravou-lhe o punhal no peito até o cabo. O desconhecido morreu ali mesmo. Por esse crime também não foi condenado. A sua absolvição foi muito discutida pela opinião pública e sua fama de valente se espalhou em Tatuí. Em um dos processos, quando perguntado pelo juiz quantas pessoas havia matado, respondia somente vinte e quatro pessoas.

O DESAPARECIMENTO Todo o estado já tinha conhecimento do famoso bandido Dioguinho, mas nada de providência pelas autoridades. Sua última e de seu bando foi o caso da Balbina, mulher muito bonita, mandona, que não aceitara ser sua. Ela mudou-lhe talvez a sorte e o destino. Isso foi no mês de março 1897. Balbina, namoradeira, tinha um caso com Marciliano Pereira Machado, o Marciliano Fogueteiro. O comerciante Manuel Ferreira, de ciúmes da mulher pediu ao famoso bandoleiro que resolvesse a questão. No dia seguinte Marciliano estava desembarcando na Estação do Cerrado e, ao sair da estação, foi seguido pelos bandidos e Dioguinho, que deram tiros nas costas dele. Balbina foi judiada pelos bandidos e no outro dia fugiu para Casa Branca, onde tinha parentes, que a aconselharam a ir a São Paulo dar parte no departamento especializado. A fama do bandido alastrou-se por todo o estado de São Paulo. Até que em 1º de maio de 1897, o delegado Antônio de Godoy veio à região de Cravinhos e São Simão para capturar os bandidos. Consta que eles se escondiam às margens do rio Mogi Guaçu. Os policiais armaram uma tocaia e, ao cair da tarde, balearam o irmão de Dioguinho, Joãozinho, que estava remando a canoa na qual Dioguinho estava em fuga. Porém, só acharam o corpo do irmão do Dioguinho. O corpo do famoso bandido nunca foi encontrado, fato que alimentou várias lendas, e de Dioguinho ninguém teve mais notícias. Historiadores relatam que ele continuou vivo, aparecendo em diversos lugares do Brasil. Relatórios policiais atestam que Dioguinho morreu, mas nunca encontraram o corpo.

Foto: Acervo de Antonio Fernando Pereira Pereira no Facebook

GUSTAVO RICCI


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