jornal barão de mauá Voluntários ajudam alunos a ingressar em universidades
Foto: Luiza Helena Braga
João Pedro Camargo dos Santos
Ribeirão Preto - SP 2º bimestre/2017
Foto: Larissa Nunes
Alunos de escola pública recebem dicas de como ingressar em universidades Pág. 3
André de Jesus, em pé, orienta garotos que aprendem basquetebol no João Rossi Pág. 6
ESPORTE Pôquer sai da ilegalidade, e bar se torna referência em Ribeirão Preto Pág. 6
CULTURA Cordel estimula jovens a escrever melhor e a fazer desenhos Pág. 3
Quadra no Jardim João Rossi incentiva prática do basquete Um ex-jogador de basquete e um advogado montaram um projeto para ensinar o esporte a jovens com idades entre 6 e 17 anos numa quadra no bairro João Rossi, na zona sul de Ribeirão Preto. Para frequentar, o candidato deve comprovar que está ma-
Uma ONG no bairro Monte Alegre, na zona sul de Ribeirão Preto, incentiva crianças a trocarem as ruas por local seguro para brincar. O objetivo é evitar que os jovens corram risco de atropelamento e outros tipos de
triculado em escola. O objetivo da iniciativa é desenvolver a cidadania nos jovens. Um deles caminha 45 minutos para ir aos treinos, realizados à tarde. Vanderson de Oliveira, 14, mora no bairro Parque Ribeirão e se destaque na quadra. Pág. 6
Museu Casa de Portinari atrai público com oficinas Localizado em Brodowski, terra natal do pintor, o Museu de Portinari oferece oficinas de pintura, música e escultura para aproximar o público da
ONG afasta crianças das ruas para evitar atropelamentos Meninos atendidos pela ONG Criança Futura Nação: longe das ruas Pág. 5
Foto: Murilo Bernardes
OPINIÃO Aprender inglês abre portas no mercado
Curso de Comunicação Social - Hab. em Jornalismo Centro Universitário Barão de Mauá
violência. Meninos e meninas têm como opção se divertirem em uma quadra esportiva e piscina, entre outras atividades. A Criança Futura Nação, nome da ONG, foi idealizada no final dos anos 90. Pág. 5
arte. Os eventos são para pessoas de todas as idades, moradores da cidade e também de um presídio na rodovia Cândido Portinari. Pág. 6
SAÚDE Núcleo de Ribeirão promove reabilitação para mulheres com câncer de mama Pág. 5
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EDITORIAL
Uma contribuição à cidadania Os problemas sociais, que são muitos em quantidade e complexidade no Brasil, não podem ficar à espera de uma solução por parte do poder público. Até porque o Estado brasileiro atravessa um período de dificuldades financeiras graves – a reforma da Previdência, em debate, é uma prova disso. Nesse contexto, sobressaem-
-se as iniciativas do terceiro setor para amenizar a difícil situação das pessoas carentes, de todas as idades. Nesta edição do Jornal da Barão de Mauá, alunos do curso de jornalismo apontam vários exemplos de trabalhos que vêm contribuindo para melhorar a realidade social de Ribeirão Preto e região. São voluntários que dedicam
parte de seu tempo amenizando o sofrimento de idosos, doentes ou propiciando condições de as pessoas evoluírem como seres humanos. É o caso, em Ribeirão Preto, do projeto Salvaguarda, conduzido por universitários, cuja meta é favorecer o ingresso de jovens de escolas públicas nas universidades. Também da ONG Criança Futu-
ra Nação, que estimula as crianças a brincar em local seguro, longe das ruas. Elas usufruem de quadra esportiva, piscina, computadores e jogos que estimulam a inteiração. Iniciativa de uma família. O Centro Cultural Paineiras, de Ribeirão Preto, segue a mesma linha: ajudar o próximo e, por tabela, a sociedade. Pessoas bem cuidadas desenvolvem harmonia social. Em Viradouro, o grupo Vira Risos oferece o melhor de si para alegrar a vida de pacientes com
câncer atendidos no hospital de Barretos, cidade próxima. Os voluntários visitam os doentes em casas nas quais ficam hospedados. Há outros exemplos louváveis no mesmo sentido que o leitor encontrará nesta edição. A lição que fica do esforço dos alunos de jornalismo é o quão importante são os trabalhos que a sociedade desenvolve para sanar as deficiências do poder público. Trabalhos que proporcionam às pessoas um valor fundamental: o sentimento de cidadania.
Chargista Stefan Pastorek nasceu com lápis na mão
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Responder como fiz a escolha pra essa profissão, não escolhi, acho que toda criança nasce um desenhista. É só dar um lápis pra qualquer uma que ela sabe o que fazer. A diferença foi que eu continuei e aos 33 anos digo que ilustro há 32. Profissionalmente é outra coisa, aí comecei quando tinha 17 anos, fui convidado durante um workshop de ilustração que estava acontecendo num shopping para ilustrar estampas de camisetas para uma grife de roupas. Era a Mel & Hortelã, da dupla Sandy & Júnior. Foi aí que segui em frente. Em 1998 me tornei ilustrador no jor-
O jornal barão de mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. CHANCELER
Prof. Dr. Nicolau Dinamarco Spinelli (in memorian) REITORA
Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães VICE-REITOR
Prof. João Alberto de Andrade Velloso PRÓ-REITORA DE ENSINO
Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino
PRÓ-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E INICIAÇÃO CIENTÍFICA
Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli PRÓ-REITOR DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Prof. Dr. Dyjalma Antonio Bassoli PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO
Antonio Augusto Abbari Dinamarco COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISMO REPORTAGEM, FOTOJORNALISMO E DIAGRAMAÇÃO
Alunos do curso de Jornalismo
PROFESSORES RESPONSÁVEIS EDIÇÃO, COORDENAÇÃO E REVISÃO DE TEXTOS
Prof. Me. José Antonio Bonato
PROJETO GRÁFICO E EDIÇÃO DE ARTE
Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA
Prof. Me. Jefferson Barcellos Tiragem: 1.000 exemplares Os textos desta página, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.
EXPEDIENTE
Prof. Dr. Sebastião Geraldo
nal “Correio Popular”, em Campinas, logo comecei também a fazer para revistas e outros jornais. Desde então já ilustrei pras mais conceituadas mídias impressas do Brasil, como as revistas “Veja”, “Vip”, “Placar”, “4 Rodas” e “Recreio”, entre mais outras 21 revistas e também para seis jornais, entre eles “Folha de S.Paulo”. Publiquei também em jornais na Califórnia, Portugal e uma revista em Berlim. O que torna uma profissão sensacional é o ritmo do trabalho, nunca se repete, sempre se está a fazer um novo desenho, uma nova ideia, um novo estilo.
ARTIGO
A importância e o descaso da língua estrangeira O inglês, como já sabemos, é fundamental na busca de um bom emprego. Em contrapartida, é um fato que não são todas as escolas que oferecem aulas de inglês de qualidade desde o ensino mais básico, tampouco todos conseguem fazer um curso extra. Na busca por emprego, devido à concorrência, o fato de possuir no currículo o inglês fará com que você seja mais bem avaliado em relação a quem não tem: uma segunda língua já o deixa em vantagem. A importância de uma segunda língua nos tempos de hoje se assemelha muito com o que chamávamos de inclusão digital alguns anos atrás: precisamos ter para ocuparmos um lugar de ponta no mercado de trabalho. Hadassa Marques da Costa, coordenadora de atendimento ao cliente da Cical Veículos, em
Porto Ferreira, fluente em inglês e espanhol, comenta a importância desse conhecimento. “Se comunicar é a grande necessidade de hoje. Ter uma segunda língua é definitivamente fazer parte do mundo”, disse. Em entrevista ao site “A Tarde”,a especialista Maria Lucia Willemsens diz que ter conhecimento do inglês se tornou um quesito básico nos dias de hoje. “Atualmente, o que seria a diferenciação para o profissional? O que mais ele tem que irá favorecê-lo? Definitivamente acho que seria uma segunda língua”, afirma.
jornal barão de mauá na internet:
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mesmo devido à falta de interesse, muitas pessoas pararam com a procura. “Eu percebi que teve uma queda na procura do inglês porque a primeira coisa que as pessoas cortam para economizar gastos são cursos particulares”, comenta. Além do fato de cortar gastos, Silvestrini fala que muita gente não entende a importância do inglês. “Muita gente não se importa porque não entende como o inglês é importante e como um novo idioma pode ajudar na área profissional, por isso acaba não se importando por pura ignorância”, diz.
A CONTRAPARTIDA O professor de inglês Raul Silvestrini comenta que percebia um aumento na procura pelo João Pedro Camargo dos Santos é idioma, mas, devido à crise eco- estudante do 3º semestre do curso nômica nos últimos anos, e até de Jornalismo da Barão de Mauá.
Horário de funcionamento segunda a sexta: 18h30 às 22h30
Desde 1966, formando grandes profissionais, baseada em princípios éticos e humanísticos, a Organização Educacional Barão de Mauá é hoje referência em qualidade de ensino.
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CIDADANIA
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Projeto ajuda alunos de baixa renda em vestibular Universitários da USP de Ribeirão Preto dão dicas para estudantes da rede pública de como chegar ao ensino superior Foto: Luiza Helena Braga
LUIZA HELENA BRAGA
Um projeto idealizado por estudantes da USP de Ribeirão Preto pretende favorecer o ingresso de alunos das escolas públicas nas melhores faculdades do país. Batizada de Salvaguarda, a iniciativa já atingiu 1.300 estudantes de Ribeirão e Jardinópolis e conta com 200 voluntários. O fundador do Salvaguarda é o aluno do curso de economia Vinicius Andrade, 22. Ele próprio um estudante de baixa renda que enfrentou dificuldades para ser aprovado na USP e, agora, quer ajudar pessoas na mesma condição e com o mesmo objetivo. Andrade diz que percebeu que muitos estudantes acham que ingressar no ensino superior é coisa de outro mundo e privilégio de ricos. “O objetivo do Salvaguarda é desmistificar isso. Notei que falta informação sobre os caminhos para atingir esse sonho. Existem muitas facilidades que os estudantes desconhecem, entre elas ajudas de custo, moradia, alimentação e transporte”, afirma. Por isso nasceu o projeto Salvaguarda, no qual Andrade e a estudante de psicologia, também
Vinicius Andrade (à esquerda), idealizador do projeto: principal foco é empoderar alunos de baixa renda
da USP, Hariff Barbosa, 22, visitam escolas públicas para conversarem com os alunos mostrando que eles têm capacidade de entrar em uma universidade, assim como os dois conseguiram. “Não pensava em faculdade. Pensava que não era para mim. Principalmente por não ter condições de bancar uma faculdade. Quando me falaram que tem bolsas e auxílios para gente, minha visão mudou. Com a visita deles
e as conversas percebi que não é algo só para gente de escola particular, é para mim também”, diz Pedro, um dos alunos do projeto. “O principal intuito do projeto é mostrar que eles são capazes de chegar longe. Nós queremos empoderar esses alunos mostrando caminhos e oferecendo ajuda”, diz Andrade. Uma ajuda prática que o projeto oferece é a correção de redações. Funciona assim: cada es-
cola tem um grupo de Whatsapp com alunos e alguns voluntários que estão ali para tirar qualquer dúvida. A cada 15 dias um tema é liberado nesses grupos para os alunos fazerem uma redação. Nas semanas seguintes Andrade e Hariff vão as escolas, recolhem as redações, entregam para os voluntários corrigirem e depois voltam às escolas para a entrega. Outra ajuda que conseguiram para os alunos do projeto foi o
acesso gratuito no cursinho online do site Descomplica. Um dos problemas enfrentados é o financeiro. Todos os gastos são pagos dos bolsos dos organizadores e voluntários. Um exemplo é a visita que eles conseguem para os alunos irem à USP. O gasto de ônibus e lanche são eles que bancam, por isso estão em busca de patrocinadores. “Eu to achando o projeto salvaguarda muito ótimo. Eles estão ajudando a gente muito. Ano que vem a gente ta aqui e a gente quer ajudar mais e mais pessoas igual eles estão ajudando a gente” Ana, aluna da escola Jardim Joquei Clube. Um ponto alto para a divulgação nacional do projeto foi a ida dos futuros economista e psicóloga ao programa “Encontro com Fátima” da Rede Globo. Além, também, do reconhecimento que o MEC deu ao projeto ao postar uma matéria enaltecendo a atitude dos jovens no site e redes sociais. “A partir de agora queremos conhecer os alunos de uma forma mais aprofundada para entender o que cada um precisa. Queremos fazer uma mudança mais eficaz na vida deles”, conclui Hariff.
Voluntários amenizam sofrimento de pacientes com câncer LEONARDO RODRIGUES
Um grupo de amigos de Viradouro, cidade que fica a 70 quilômetros de Barretos, se reúne para arrecadar guloseimas e visitar instituições que abrigam pacientes com câncer. Vira Risos, como o grupo é chamado, foi criado em 2015 e é formado por cerca de quinze integrantes. Ana Carla Pagotto Piva, 49, uma das fundadoras do Vira Risos, conta que a ideia surgiu a partir do desejo de fazer um tra-
balho voluntário. “Eu frequentava outros grupos que visitavam doentes e via o sofrimento daquelas pessoas em uma situação tão difícil e resolvi convidar alguns amigos para podermos nos unir e levar um pouco de alegria a elas.” O grupo faz campanha para arrecadação todos os meses, usando principalmente as redes sociais para conseguir as guloseimas. “Nós contamos com o apoio da comunidade, que, por sinal, nos ajuda muito com as doa-
ções”, afirma Carla. Eles visitam a Casa Acolhedora do Vovô Antônio, entidade que acolhe cerca de 50 crianças e 50 acompanhantes. Visitam também a Casa Assistencial Santa Madre Paulina, que abriga cerca de 150 pacientes, entre jovens e adultos. Em suas visitas, fazem festa e levam doces, bolachas e refrigerantes. Vestidos de palhaços, identidade do grupo, tentam levar alegria aos pacientes, principal objetivo do Vira Risos. “Nas festas levamos DJ, mágicos e organizamos tudo com
muito amor e carinho”, diz a inteGrande parte dos atendidos grante Lidiane Renosto Faria, 33. pelo Hospital de Câncer de Barretos, polo nacional e internacional OUTRAS ENTIDADES no tratamento dessa doença, não Além da Casa Acolhedora do possui condições para se instalar Vovô Antônio e da Casa Assis- ou se manter na cidade durante o tencial Madre Paulina, eles visi- período de tratamento e procuram tam também, todos os meses, o acolhimento nessas entidades. Ao asilo de Viradouro, comemoran- todo, são 13 casas que os recebem. do os aniversariantes do mês. “Temos a intenção de doar Fazem ainda um trabalho de um pouco de atenção e conforto acompanhamento e assistência, àquelas pessoas que tanto sofornecendo alimentos não pere- frem, mas na realidade somos cíveis às famílias que se mudam nós quem saímos transbordando para Barretos para que o parente de amor”, afirma a também intese trate. grante Paula Porcionato, 37.
Literatura de cordel ganha reconhecimento Grupo de Ribeirão oferece dentro e fora do país através de cursos aulas de capoeira gratuitas JOHNATA GOULART
da própria mãe as histórias que ela decorava, já que ela era analfabeta e tomava conhecimento dos textos por outras pessoas. Luciano está envolvido com a literatura fazendo recitais, cantando, escrevendo sobre o cordel brasileiro.
O cordel foi tema de um curso voltado a professores de Ribeirão Preto com o objetivo de estimular alunos a escrever poesia e a desenhar. O cordel é literatura popular do Nordeste do Brasil veiculada em folhetos. O curso, realizado no dia 23 de ENSINO maio, foi apresentado por Ade“Lido com o ensino do cordel raldo Luciano, 52, doutor em li- há dez anos, quando do término teratura pela Universidade Fede- do meu doutorado em Ciência ral do Rio de Janeiro (Uerj). da Literatura pela UFRJ.” Quando Luciano escreve proPAIXÃO cura refletir sobre elementos Luciano afirma que o cordel sociais, as lutas, os costumes, foi muito importante em sua usando o cordel como única trajetória intelectual. Ele se en- forma poética genuinamente cantou pelo cordel quando ouvia brasileira.
Para ele, o cordel ainda sofre resistência das elites culturais. “Nas faculdades de letras do país, a grade curricular não reconhece o cordel como poesia brasileira e ele não é estudado.” Em 2011, Luciano foi convi-dado pelo Ministério das Relações.Exteriores e pelo Ministério da Cultura para integrar a comitiva que representou o Brasil na Europalia na Bélgica, no ano do Brasil na Bélgica. Aderaldo Luciano é doutor em Ciência da Literatura e escreveu o livro “Uma História Crítica do Cordel Brasileiro”, que está sendo usado na universidade de Princeton, nos Estados Unidos.
NATAYSLLA GARCIA
A ONG Vivacidade está ocupando a cerâmica São Luiz de Ribeirão Preto. O local está sendo reconstruído por artistas que se juntaram à ONG. Algumas salas já estão finalizadas, uma delas é reservada ao grupo Ceca (Centro Esportivo Capoeira Angola) que oferece aulas de capoeiras ministradas pelo professor Alex Coelho. As aulas acontecem às segundas, quartas e sextas-feiras a partir das 19 horas e são inteiramente gratuitas para público de todas as idades. A capoeira praticada é a Angola (tradicional), que é a que
mais se aproxima da forma que os africanos jogavam. O jogo de Angola é caracterizado por ser mais lento, movimentos furtivos executados perto do solo. Para Renato Vital, um dos colaboradores da ONG Vivacidade, “oferecer troca de experiências e conhecimentos é fundamental para que a população possa exercer sua cidadania.” Além disso, um grande acervo de discos e livros estão sendo organizados no local. Em breve, outras oficinas funcionarão ao público. Mas primeiro, será feito uma pesquisa que identificará a necessidade artística dos bairros ao redor da cerâmica.
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COTIDIANO
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Museu Casa de Portinari desenvolve programação coletiva Os educadores propõem ao público atividades de lazer com pintura, música, trabalhos manuais e esculturais LETÍCIA PINATTI
O Museu Casa de Portinari, antiga casa do artista plástico Candido Portinari em Brodowski, resguarda um patrimônio histórico e artístico. O museu preserva a memória de Portinari, além de promover ações e projetos sociais que visam a cultura e a educação. A faixa etária do público com quem o museu desenvolve relações vai de crianças até a terceira idade. De acordo com a gerente Cristiane Patrici, o museu realiza ações específicas para o público em vulnerabilidade social, idosos, portadores de necessidades especiais, além de ações desenvolvidas com estudantes de educação infantil e ensino fundamental. No segundo domingo de cada mês, o museu oferece uma programação voltada para o lazer cultural. Os educadores propõem atividades com pintura, música e trabalhos manuais e esculturais. “Esse papel social é justamente aproximar o público da arte, com o fazer artístico. Estimular novos talentos e a descoberta de novas vocações”, diz Cristiane.
Foto: Letícia Pinatti
Pincéis do ateliê do pintor Candido Portinari, em Brodowski: oficinas para incentivar a arte junto ao público
As oficinas andantes ocorrem nos bairros de Brodowski com a periodicidade quinzenal para aqueles que não podem ir até a instituição. Há também o projeto em um presídio localizado na rodovia Candido Portinari. “Atendemos esse público priva-
do de liberdade porque acreditamos que a arte transforma o ser humano”, afirma Cristiane. As demais programações do museu estão contidas no site museucasadeportinari.org.br. A casa do artista foi tombada em dezembro de 1968 pelo Iphan
(Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), adquirido pelo governo do Estado de São Paulo em 1970 e tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo)
nesse mesmo ano. O museu foi instalado e inaugurado em 14 de março de 1970 e obteve restauração em 2013 a 2014. O museu contém cerca de 30 obras, conservando um acervo único de pinturas feitas em técnicas de afresco e têmpera. Abriga, também, mobiliário e utensílios da família adaptados para exposições. Além disso, a casa tem quatro salas, três banheiros, dois quartos, cozinha, ateliê, hall, capela e jardim e, ainda, espaços para auxílio ao público. A capela da Nonna foi construída em 1940 e abrange relação sentimental do artista com a avó. Nas paredes foram pintados os santos prediletos da avó que, por problemas de saúde, não podia se locomover à igreja. Portinari retratou os santos com a fisionomia de amigos e parentes. PROGRAMAÇÃO O museu fica aberto de terça à domingo, das 9h às 18h, e recebe o público com um guia responsável para auxílio. O número de visitantes em grupo é limitado a 20 pessoas segundo especificações do regimento do corpo de bombeiros.
Profissionais se dedicam a trabalhos sociais em centro GABRIELA GARRIDO
Profissionais de diversas áreas de Ribeirão Preto dedicam seu tempo para ajudar o próximo, compartilhando seus conhecimentos com crianças de baixa renda, desenvolvendo atividades culturais e educativas. As voluntárias levam carinho, conforto em visitas destinadas a idosos e aos doentes. Segundo a diretora do Centro Cultural Paineiras, Márcia Cristina Mendes, bióloga e pesquisadora de Ribeirão Preto, o objetivo da instituição é formar as mulheres em todos os aspectos: social, humano, profissional e espiritual. Desenvolvendo atividades com workshops de saúde, atualidade,
cuidados com o lar e família. Para as meninas, de 7 a 11 anos, há o “Clube Porto Seguro”, no qual executam atividades de artesanato, culinária, música, passeios, desenvolvendo capacidades e aptidões. Além de uma orientação familiar dedicada às mães, para ajudar as famílias a viverem bem e a educar os filhos. Realizam visitas a hospitais, onde conversam e ouvem os doentes, dando conforto a eles. Na casa de idosos, as voluntárias pintam as unhas das idosas, cantam, tocam violão, levando a elas diversão. “Além de ouvi-los, pois são pessoas sozinhas que gostariam de falar, e principalmente dar carinho”, disse Márcia. Frequentemente, realiza-se a
“Tertúlia Literária”, trata-se de uma reunião de estudantes em que se escolhe um determinado livro de literatura com a finalidade de analisá-lo e discuti-lo. Com as crianças o mesmo projeto é desenvolvido, porém utilizam-se livros infantis. “Existem vários livros interessantes que fazem você ter uma visão da vida, às vezes, até como resolver os problemas, então à ideia é as pessoas lerem o livro de literatura depois definimos o dia para discuti-lo”, disse a diretora. A casa oferece uma sala de estudos para o projeto “Tutoria de estudos”, onde há o acompanhamento dos estudos, para estudantes de ensino médio, vestibulandas e universitárias ajudando-as a organizar os estu-
dos, com critérios e orientações. Aos sábados acontece um trabalho social no bairro Jardim Progresso, às voluntárias desenvolvem atividades de recreação, artesanato, além de um reforço escolar destinado às crianças. “Hoje a maior carência das crianças é brincar, já que elas têm horário para tudo. Então, aqui além das atividades de artesanato, culinária elas brincam”, disse Márcia. No período das férias escolares ocorre as “Férias Solidárias”, projeto em que voluntárias, que são universitárias e estudantes de ensino médio, visitam uma cidade próxima a Ribeirão Preto. Durante uma semana, permanecem em um bairro, onde há um
maior numero de pessoas de baixa renda. Realizam visitas às famílias e um trabalho de saúde, recreação, artesanato, jogos e teatro. “As crianças do local aproveitam bem as férias, não ficando somente na TV ou fazendo coisas que não se deve, e para as voluntárias é uma oportunidade de se doar aos outros, elas ficam cansadas, mas ficam muito felizes.” PAINEIRAS O Centro Cultural Paineiras de Ribeirão Preto, fundado em 2008, é uma instituição sem fins lucrativos, que existe dentro da Igreja Católica, mantida pela Fasc - Fomento da Assistência Social e Cultural.
Grupo de Ribeirão Preto arrecada alimentos para famílias carentes ISADORA FRANCELINO
Adolecentes de 10 a 15 anos arrecadam alimentos e doam a famílias carentes em Ribeirão Preto. Os jovens, que pertencem ao grupo chamado Desbravadores Ebenézer, fazem a coleta nas casas do bairro José Sampaio, na zona oeste. Além disso, o grupo também realiza campanhas e passeatas de cunho social. “Já fizemos campanhas como a do agasalho, contra a dengue, o bullying, a violência doméstica e o desperdício de água”, declara Thiago Macedo, líder do grupo do bairro José Sampaio. “Os Desbravadores estão no mundo inteiro. Nosso clube sur-
físicas, mentais e espirituais em crianças de 10 a 15 anos. São pequenos grupos espalhados pelo mundo inteiro, que ensinam disciplina de escoteiros. Muitas dessas ações são feitas ao ar livre ou em acampamentos, entre elas caminhadas, escaladas e finais de semana na mata. Os participantes recebem contemplações.
Foto: Isadora Francelino
Jovens do Desbravadores Ebenézer, que fazem campanhas filantrópicas
giu em 12 de fevereiro de 2000. Fazemos acampamentos, atividades de condicionamento físico e tentamos resgatar da criança o desejo de fazer atividades sem computador e videogame,
para tirá-las de casa. Com a tecnologia, muitas coisas têm se perdido.” Os Desbravadores são um departamento da igreja adventista, que realiza diversas atividades
DIVULGAÇÃO Macedo faz a divulgação do grupo pessoalmente nas escolas mais próximas ao bairro. “Nos encontramos todos os domingos às 9h. Apesar de ser um departamento da igreja adventista, são aceitas pessoas de quaisquer classes sociais, cor, ou
religião.” “O clube me ajudou a ter liderança e facilidade de falar em grupo, por causa das aulas. Entrei aqui com 10 anos, hoje sou secretária e ajudo nas tarefas do grupo. O mais legal são as provas e as competições. Fiz amizades que duram até hoje”, afirma Dayane Gonçalves, membro dos Desbravadores. Em Ribeirão Preto existem mais de dez clubes desbravadores. “Este ano no mês de julho, grupos do Estado de São Paulo se encontraram no Parque do Peão em Barretos para acampar e cumprir atividades. Somente este ano são esperadas mais de 25 mil pessoas no local”, comenta Macedo.
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CIDADES
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ONG ajuda crianças a brincar com segurança
Local fica no bairro Monte Alegre, zona oeste de Ribeirão Preto, e oferece piscina, quadra de esportes e computadores A Oscip Criança Futura Nação é uma ONG sem fins lucrativos cujo principal objetivo é tirar as crianças de Ribeirão Preto das ruas para evitar que elas se envolvam com a criminalidade, drogas e, principalmente, não sejam vítimas de atropelamentos. Por volta de 1997 Leubio Faria Gonçalves, 52, e sua família se comoveram com o fato de as crianças que ficavam pelas ruas, já que o risco como atropelamentos e o crime era constante. Gonçalves possuía ao redor de sua residência uma área com gramado, então teve a ideia de chamar as crianças para brincar com seus filhos. “Crianças não fiquem nas ruas, venham jogar bola e brincar com meus filhos”, disse. A ONG, que fica na zona oeste de Ribeirão Preto, no bairro, Monte alegre, abre aos sábados e domingos das 9h às 17h. A ONG possui piscina, quadra de esportes, computadores com internet, videogame, tênis de
mesa e pebolim. Essas são algumas das diversões que as crianças podem desfrutar enquanto estiverem presentes. Alguns cursos também são realizados durante a semana para quem procurar aprender mais. CESTAS Fazem parte da ONG comemorações dos aniversariantes do mês, Páscoa, Dia das Crianças e Natal. As entregas de cestas que ocorrem no mês natalino ajudam as famílias das crianças, principalmente das mais carentes. “Eu confio muito no suporte que eles dão para meus filhos tanto nos cursos como nas brincadeiras. Fico tranquila e feliz em saber que eles estão na ONG e não brincando nas ruas, já que moro na favela”, diz Angélica Lameira Tavares, 27, que é mãe de duas crianças que frequentam a ONG. O trabalho tornou-se reconhecido por todos e até mesmo pela prefeitura da cidade, porém o local ainda tem partes que não estão acabadas, mas que levam o Crianças se refrescam em piscina da ONG Criança Futura Nação, no bairro Monte Alegre principal foco às crianças.
SOLIDARIEDADE
Crianças vítimas de violência recebem abrigo de famílias ISABELLA BORGES
Há mais de 30 anos, o Centro de Reabilitação de Ribeirão Preto (Carib), localizado na zona norte da cidade, atua em prol de crianças e adolescentes abandonados ou vítimas de violência doméstica, desenvolvendo projetos que reconstroem valores essenciais para a formação da identidade humana e reinserindo-os na sociedade. Sensibilizadas com o cenário de abandono infantil da década de 70, as fundadoras do Carib Yara Palmieri, Rita Faleiros, Izaura Latuf e Wilma Queiroz começaram a abrigar as crianças em suas próprias residências. A partir de então, a onda de preocupação em torno de menores que, por algum motivo, viviam à margem da sociedade, foi se intensificando na medida em que a necessidade em ampará-las também se acentuava. Passaram-se 15 anos, até que a iniciativa de abrigo improvisado se consolidou em uma entidade de atendimento que atualmente cuida
Foto: Larissa Nunes
LARISSA NUNES
de mais de 40 crianças e recebe incentivo financeiro municipal e federal. A vitória foi ainda maior em 2014, quando a instituição começou a desenvolver paralelamente dois projetos: Família Acolhedora e Serviço de Convivência. Firmada a instituição civil sem fins lucrativos, o grupo de fundadoras iniciais ampliou-se e hoje mantém um trabalho dividido entre auxiliar administrativa, assistente social, psicóloga e duas educadoras sociais. Visando a proteção, reestruturação social e psicológica da vítima de abandono ou maus tratos, os projetos propõem atividades no período oposto ao escolar e em casos mais severos, promovem o acolhimento a partir de famílias voluntárias. “Em consenso com o Juizado de Menores da Comarca de Ribeirão Preto, selecionamos através de entrevistas quais famílias cuidarão das crianças ou adolescentes por até dois anos, enquanto a família de origem se reestrutura”, explica a psicóloga Laura Novais.
Rema promove evento para mastectomizadas EMILY CARDOSO
O Rema, entidade de Ribeirão que dá assistência a mulheres que tiveram câncer de mama, promove toda semana atividades culturais e físicas para vítimas da doença. O Rema faz parte da escola de enfermagem da USP (Universidade de São Paulo) e mobiliza estagiários de psicologia, enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional e nutrição para o atendimento. “Nosso objetivo é ajudar na parte física, emocional, social e familiar das mulheres”, afirma a coordenadora do Rema Marislei Sanchez Panabianco, 56. O projeto realiza atividades em grupo com as mulheres três vezes por semana, oferecendo exercícios físicos, grupo de apoio, roda de conversas e assistência médica. Todas essas atividades são comandadas pelos alunos estagiários. EXPERIÊNCIAS Segundo a enfermeira Antonieta Spinoso Prado, 60, responsável pelas atividades do Rema, o grupo de apoio é um lugar para essas mulheres trocarem experiências e exporem seus sentimentos. Elas geralmente comentam sobre a radioterapia e a quimioterapia, sobre o medo da morte e até mesmo problemas familiares. “Quando analisamos e vemos que algum tema está se sobressaindo nas conversa do grupo, procuramos trazer palestrantes sobre o assunto e todas as pacientes são convidadas a assistir.”
“Depois que conheci o Rema, minha vida mudou. Quando passei pelo processo de remoção da mama me sentia mal, porque hoje em dia as pessoas não sabem conversar sobre o câncer. Elas sentem medo de dizer algo que nos deixe magoadas. No grupo, conheci pessoas que me deram mais forças para continuar”, afirma Maria Marlene, 48, que passou pelo processo de mastectomia em 2014. “Com o Rema aprendi que, apesar de estar doente, nunca posso tirar o sorriso do rosto”, afirmou uma paciente do Rema que se identificou apenas como Rosimeire. APOIO Outro serviço prestado pelo Rema é o apoio psicológico a familiares das mulheres mastectomizadas. Uma vez por mês, os familiares são reunidos no espaço da entidade para uma bate-papo sofre o tratamento e até mesmo dificuldades que eles enfrentam para ajudar o parente doente. “Sentiu-se a necessidade de dar assistência ao familiar porque ele também sofre durante o processo de tratamento. Nessas reuniões alguns grupos familiares são levados a compartilhar seus momentos e suas dificuldades”, disse a enfermeira responsável. A faixa etária média das mulheres que frequentam o projeto é de 50 anos, idade em que a incidência do câncer de mama é maior. O projeto atende mulheres tanto da rede pública de saúde quanto da rede privada.
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ESPORTES
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Projeto social ensina basquete para crianças na zona sul de Ribeirão Preto MURILO BERNARDES
Desde o encerramento do COC em 2006, o basquete em Ribeirão Preto vive dias difíceis. Mas um projeto social tem chamado a atenção na luta pelo esporte na cidade. O projeto NBR (Novo Basquete Ribeirão), fundado há cerca de dois anos pelo advogado Gustavo Menegueti, 35, e pelo ex-jogador de basquete André de Jesus, 45, mantém viva a prática do basquete em Ribeirão. A ideia de iniciar o projeto surgiu pela falta de locais onde se possa praticar o esporte na cidade e o amor pela bola ao cesto. “Quando cheguei a Ribeirão tive grande dificuldade em encontrar onde jogar. Me reuni com alguns amigos e decidimos montar um time”, afirmou Menegueti. Mas a ideia não ficou apenas em ter um local e jogadores para manter o hobby. Eles foram além e, com a dedicação do ex-jogador Andrezão, iniciaram as aulas para crianças e adolescentes.
A iniciativa tem atraído muitos participantes, principalmente, crianças e adolescentes. Boas notas, respeito e obediência são os critérios básicos para poder participar. O garoto Vanderson de Oliveira, 14, é um dos destaques do projeto. Dentro das quadras o menino mostra talento e fora dela uma comovente história de vida. “Venho do Parque Ribeirão a pé todos os dias. Caminho cerca de 45 minutos até chegar aqui na quadra”, disse o garoto. Filho único, o menino conta que sua mãe já foi pedreira e hoje é frentista de um posto de combustível. “Quando meu pai foi embora, minha mãe fez de tudo pra gente não passar fome. Trabalhou como pedreira durante seis anos e hoje trabalha no posto.” A história de Vanderson vai ao encontro do que idealizam os fundadores do projeto. Segundo Menegueti, o mais importante é o lado humano e não apenas o esportivo.
“O lema do projeto é educação através do esporte. A nossa intenção não é fazer novas estrelas do basquete, mas sim cidadãos”, afirma. Apesar de atrair muitos participantes, o projeto tem uma estrutura precária e pouco in- Garoto arremessa bola durante treino em quadra no bairro João Rossi vestimento financeiro. Todo material é fruto de doação feita por alguns parceiros e jogadores do time adulto. “Cada um ajuda como pode. Uma camisa, um tênis ou uma bola. O que importa é vontade de querer ajudar. Às vezes a pessoa não tem dinheiro para colaborar, mas vem pelo menos uma vez no mês jogar com os meninos e mostrar um bom exemplo.” O projeto NBR fica localizado na Praça 2, no Jardim João Rossi, zona sul de Ribeirão Preto. As aulas são ministradas todos os dias no período tarde, das 15h às 17h. Podem participar crianças e adolescentes de seis a 17 anos que estejam matriculadas e frequentando a escola. Pelo menos Trabalho realizado em quadra pública atrai mais de quarenta crianças 40 jovens participam.
Fotos: Murilo Bernardes
Trabalho realizado em quadra pública atrai mais de quarenta jovens
Foto: Murilo Bernardes
Ribeirão Preto é referência em pôquer no interior de SP Dono de bar afirma que interesse pelo esporte cresce na cidade MURILO BERNARDES
O pôquer desenvolve habilidades como o raciocínio lógico e estratégico
Muitas pessoas associam o jogo de cartas a práticas proibidas, mas isso não se aplica ao pôquer, que, além de legalizado, é considerado um esporte da mente, assim como o xadrez e o jogo de damas. A cidade de Ribeirão Preto é hoje uma das principais referências em pôquer no Brasil, seja em relação a jogadores ou a locais de prática do jogo. O ribeirão-pretano Marcelo Ribas, 35, jogador profissional de pôquer e um dos proprietários da maior casa do esporte em Ribeirão, o LoL Sports Bar, conta que o crescimento do esporte é positivo. “Desde 2010 o pôquer vem numa crescente e foi a partir daí que eu resolvi abrir a casa. De lá para cá, só temos evoluído. É muito positivo”, conta Ribas. Esse crescimento fez do LoL uma referência e colocou a casa no cenário nacional do pôquer. “Hoje Ribeirão é a capital do pôquer no interior de São Paulo.
Estamos no cenário nacional do esporte”, disse Ribas. Nos meses de junho e julho acontece o principal evento do pôquer mundial, o WSOP (World Series of Poker), que é realizado em Las Vegas, EUA. Ribas irá participar do evento representando o Brasil. LAS VEGAS “No início do mês eu estou indo para Las Vegas e fico até o final de julho. Lá é a Meca do esporte, lá eu aprendo não só a melhorar meu jogo, mas aprendo novidades sobre o pôquer em si”, disse Ribas. O pôquer vem ganhando cada vez mais espaço na mídia e hoje é motivo de estudo. Cristiano Torrezan, 38, professor da Unicamp (Universidade de Campinas), é responsável pela disciplina “Fundamentos do Pôquer”. Ele exemplifica em entrevista ao site UOL a importância da matéria na formação do aluno. “O pôquer é um jogo de estratégias, que exige concentração,
paciência e coragem para tomar decisões inteligentes num cenário de informações incompletas. Cada decisão tomada em um jogo de pôquer envolve um conjunto de fatores como matemática, estratégia e análise de conjuntura”, afirmou. Bruno Assunção, 33, outro proprietário do bar, é considerado um dos precursores do pôquer no Brasil e afirma que o sucesso da casa veio com o tempo. “Nós começamos em uma roda de amigos e hoje aqui no LoL temos o recorde de maior premiação do interior do Brasil e também o de maior número de inscritos em torneios”, disse Assunção. Segundo ele, esse crescimento passa pelo aprendizado e conhecimento das pessoas em relação ao esporte. “O pôquer é legalizado há aproximadamente dez anos e, nesse tempo, as pessoas aprenderam sobre o jogo e entenderam que ele não é um jogo de azar”, diz Assunção.