Priscilla Gonçalves
MELHOR IDADE Vôlei adaptado tonifica musculatura de idosos e incentiva convívio social Pág. 8
AMBIENTE Profissionais dão vida a madeira achada no lixo em Ribeirão
jornal barão de mauá Parceria diminui entupimento de esgoto por óleo de cozinha Ribeirão Preto - SP 2º semestre/2016
Uma parceria entre o Daerp, autarquia de Ribeirão, e empresas poderá reduzir o número de entupimentos na rede de esgoto provocado por óleo de cozinha. A
ideia é estimular as pessoas a estocar o óleo usado e trocá-lo por sabão em pó, detergente ou água sanitária. O óleo de cozinha usado vai
virar sabão ou óleo diesel. Ele será recolhido pelas empresas nas moradias, mas os moradores poderão levá-lo também a locais de coletas, chamados ecopontos.
Além de provocar entupimentos na rede de esgoto, o produto reduz o nível de oxigênio de rios, córregos e lagos, provocando a morte de peixes. Pág. 3
Foto: Wagner Veríssimo
OPINIÃO O uso de tecnologias na educação dá jogo?
Curso de Comunicação Social - Hab. em Jornalismo Centro Universitário Barão de Mauá
Pág. 3
SAÚDE Saiba quais são os sintomas do déficit de atenção e procure auxílio Pág. 6
TRÂNSITO Oficinas de carros faturam alto com danos causados por buracos Pág. 4
CAJURU Morador monta drone com pipa e câmera de fotografia Pág. 11
SALES OLIVEIRA Cidade altera a direção de ruas no Centro para agilizar tráfego
Fazer poupança com moedas Trabalho transforma vida prejudica troco no comércio de moradores de Guaíra Hábito de ajuntar moedas como forma de poupança atrapalha comerciantes de Ribeirão Preto, que, em alguns casos, são obrigados a arredondar valor das mercadorias “para baixo” para
contornar o problema. Banco Central afirma que reduziu a emissão de moedas como forma de conter as despesas devido ao período de baixa expansão da economia. Pág. 9
A vida de duas pessoas de Guaíra portadoras de deficiência intelectual se transformou quando conseguiram emprego num supermercado. Paulo Saccon é empacotador e
Priscila Ferreira faz reposição de mercadorias. Eles estão entre os melhores funcionários, segundo a empresa. Está previsto em lei que todo tipo de deficiente tem direito a vaga de emprego. Pág. 12
SOLIDARIEDADE Steet Store: loja de rua para moradores carentes Pág. 12
Foto: Luana Marcelino
Pág. 5
AMOR AOS BICHOS AVA completa 20 anos de serviços à causa animal em Ribeirão Pág. 11
Foto: Laura Bucci
PSORÍASE Doença de pele pode provocar aparecimento de artrite
Pág. 4
Paulo Saccon e Priscila Ferreira: emprego mudou a vida dos dois
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EDITORIAL
Um bom exemplo A presente edição do Jornal Barão de Mauá traz uma notícia muito boa para Ribeirão Preto. Trata-se da parceria feita pelo Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto) com empresas para reduzir os problemas de entupimento nas redes de esgoto na cidade provocados por descarte de óleo de cozinha. O projeto, embora não abranja toda a cidade, tem também o mérito de evitar que o óleo chegue aos cursos de água e, assim, ameace a vida de peixes e plantas, conforme informam as repórteres Gabriella Manzano e Laura Bucci na página ao lado.
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principalmente do poder público, cujo descumprimento fere, como se sabe, o direito de todos a um meio ambiente saudável, previsto na Constituição. Esta edição do Jornal Barão de Mauá veicula também outros assuntos de interesse dos leitores, nas editorias de saúde, esporte e de cidadania, entre outros. Dicas de prevenção de doenças, como câncer de pele e do útero, acidentes vasculares (o AVC) são alguns dos temas que os leitores poderão encontrar nas páginas seguintes. Todos eles, sem dúvida, de grande importância.
Proteger o meio ambiente é dever de todos, principalmente do poder público
As coisas funcionarão assim: a cada 50 litros de óleo que os moradores acumularem, terão direito de trocá-los com a empresa por sete quilos de sabão em pó, 15 litros de detergente ou água sanitária. Uma excelente iniciativa que merece ser apoiada e estendida a toda a cidade. Ela vai poupar o município de gastar recursos e tempo, que andam escassos na atual conjuntura, com atividades de desentupimento das redes de esgoto, um problema recorrente. E também proteger o meio ambiente, que é dever de todos,
Na última página reportagens mostram como é possível melhorar a qualidade de vida de quem vive em condições de vulnerabilidade, como moradores de rua. São iniciativas que proporcionam a pessoas carentes adquirir roupas e se alimentarem, melhorando assim a autoestima e, em alguns casos, encontrar alternativas à vida nas ruas. Esses exemplos mostram que as questões sociais não podem ficar à mercê do poder público para serem equacionadas e, também, a importância do trabalho voluntário.
O jornal barão de mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. CHANCELER
Prof. Dr. Nicolau Dinamarco Spinelli (in memorian) REITORA
Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães VICE-REITOR
Prof. João Alberto de Andrade Velloso PRÓ-REITORA DE ENSINO
Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino
PRÓ-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E INICIAÇÃO CIENTÍFICA
Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli PRÓ-REITOR DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Prof. Dr. Dyjalma Antonio Bassoli PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO
Antonio Augusto Abbari Dinamarco COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISMO REPORTAGEM, FOTOJORNALISMO E DIAGRAMAÇÃO
Alunos do curso de Jornalismo
PROFESSORES RESPONSÁVEIS EDIÇÃO, COORDENAÇÃO E REVISÃO DE TEXTOS
Prof. Me. José Antonio Bonato
PROJETO GRÁFICO E EDIÇÃO DE ARTE
Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA
Prof. Me. Jefferson Barcellos Tiragem: 1.000 exemplares Os textos desta página, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.
EXPEDIENTE
Prof. Dr. Sebastião Geraldo
O chargista: Thomate, de Ribeirão Preto
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Comecei a desenhar quan- cos, como Cako Facioli e Renato do criança, copiando tirinhas e Andrade. cartuns dos jornais na casa da minha vó. As tirinhas eram do Henfil, Comecei a desenhar Glauco, Angeli e Laerte, entre quando criança, cooutros. Não entendia as piadas, mas piando tirinhas e gostava do traço e passava tardes cartuns dos jornais nessa árdua função. na casa da minha vó Na adolescência conheci o Pelicano, que se tornou uma espécie de guru pra mim. Desde então fazia uns cartunA partir do Pelicano fui conhecendo outros desenhistas malu- zinhos e tirinhas esporádicos
expondo de vez em quando em alguns salões, como o de Piracicaba, e publicando nas revistas Bundas e Pasquim. Em 2006, o Renato me indicou pro jornal A Cidade e estamos fazendo a dobradinha até hoje. Atualmente moro em São Paulo e estou trabalhando na produtora Coala Filmes, fazendo storyboard e direção de animação do longa metragem em stop motion baseado no Bob Cuspe, personagem do Ange li, e dirigido por Cesar Cabral.
ARTIGO
Tecnologia e educação infantil Com a tecnologia cada vez mais presente na vida de todos foi preciso reinventar a forma de ensinar e aprender. O aluno Diego Sbordoni Palareti, de Ribeirão Preto, do último ano de Ciências da Computação do Centro Universitário Barão de Mauá, aborda em seu TCC como os jogos educacionais influenciam na aprendizagem das crianças hoje em dia. Diversas pesquisas sobre o assunto já estão em andamento, mas é notável a influência que os games exercem sobre as crianças, tanto da forma positiva quanto da negativa. E aproveitando isso, os professores começam a explorar essa tecnologia a favor da educação. Segundo a pedagoga e especialista em informática como ferramenta na área da Educação, pela Unifran, Cláudia Helena Araújo Baldo, os jogos educacionais eletrônicos contribuem, de forma decisiva, para o letramento digi-
tal e alfabético da criança. A pedagoga também orienta o aluno Palareti em sua pesquisa que já aponta alguns resultados positivos. “Apesar dos jogos utilizados não estarem no mesmo nível dos mais famosos, percebemos que todas as crianças entrevistadas gostam muito de jogar durante as aulas, aceitando muito bem a junção do aprendizado fornecido pelas matérias presentes em sua grade e a fantasia do jogo digital”, diz o aluno autor do TCC. Não se tem um tipo específico de jogos para ajudar no desenvolvimento do ensino, mas, quando bem elaborados, podem prender muito mais a atenção do aluno sem precisar forçar. Apesar disso, pode-se perceber que as crianças aprendem mais com jogos mais simples, que fornecem grande abertura para a criação de mundos e cenários. Isso oferece um canal para o livre crescimento da criativida-
jornal barão de mauá na internet:
Centro Universitário Barão de Mauá
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de do jogador. Tanto a pedagoga quanto o aluno consideram importante a integração de jogos educativos, assim o processo de ensino e aprendizagem se mesclam com o dia a dia da criança fora da sala de aula. Ainda segundo a professora, as TDIC (Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação) poderiam ser mais utilizadas no contexto escolar como linguagem de aproximação com os sujeitos alunos que são nativos digitais. Para isso não há necessidade de grandes investimentos em equipamentos e sim investimentos na formação de professores, que são muito cobrados para utilizarem as TDIC em suas práticas pedagógicas, mas não têm formação inicial e continuada sobre esse tema tão importante na sociedade contemporânea. Priscilla Figueiredo é estudante do 4º semestre do curso de Jornalismo da Barão de Mauá.
Desde 1966, formando grandes profissionais, baseada em princípios éticos e humanísticos, a Organização Educacional Barão de Mauá é hoje referência em qualidade de ensino.
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MEIO AMBIENTE
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Óleo reciclado reduz entupimento de esgoto
Produto lançado em pias obstrui redes e ameaça vida em rios e lagos; projeto troca material coletado por sabão e detergente nos. Na própria rede de esgotos os entupimentos podem ocasionar pressões que conduzem à infiltração do esgoto no solo, poluindo o lençol freático ou ocasionando refluxo na superfície”, afirma a engenheira. Segundo Marília, a solução correta para o óleo de cozinha é a reciclagem. “Há a opção de a família reciclar o óleo na própria casa, também a opção de levar o óleo nos ecopontos (pontos de coleta) onde o mesmo é transformado em sabão ou biodiesel. Caso não for possível, o óleo deve ser descartado junto ao resíduo orgânico em uma embalagem fechada.”
GABRIELA MANZANO LAURA BUCCI
O Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto) em parceria com empresas lançou no ano passado em Ribeirão Preto um projeto de coleta de óleo de cozinha na cidade. A meta é reduzir a incidência de óleo na rede esgoto e fazer a reciclagem do produto para outros fins. De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleo (Abiove), o Brasil produz mais de 3 bilhões de litros de óleos vegetais por ano. O descarte incorreto de um litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água potável e, dos 500 mil litros de óleo descartados ao mês no Brasil, apenas 10% são reciclados. OXIGÊNIO Segundo a assistente social e coordenadora do projeto, Monica Borges, o acúmulo do óleo é um dos principais causadores das obstruções nas redes de esgoto da cidade, causando constantes transtornos como vazamentos e entupimentos. “Além disso, quando o óleo é descartando de maneira inadequada, causa sérios problemas de contaminação dos recursos naturais. Ele reduz o oxigênio dos rios e lagos, prejudicando a vida aquática”, afirma. Atualmente o projeto conta com a parceria da empresa Sabão Galo, que recolhe o óleo e o trans-
Foto: Francine Rezende
A aposentada Teresa Cardoso faz sabão com óleo que antes era descartado na pia: ‘me sinto uma pessoa melhor’
forma em sabão. As coletas acontecem em bairros, condomínios e entidades, entre eles: Condomínio Residencial Ilhas, Condomínio Paineiras, Conjunto Habitacional Wilson Toni, Casa do Vovô, Creche Irma Izolina, ONG Dona Nair Manoelina de Oliveira, Casa das Mangueiras, Corassol, Sonho Real e Creche Alvorada. Ainda segundo Monica, o ob-
jetivo do projeto é conscientizar sobre as consequências que o descarte inadequado do óleo tem no meio ambiente e recompensar os bairros e entidades que se engajam no projeto. “A nossa ‘recompensa’ é a de fazer a troca de 50 litros de óleo por 7 kg de sabão em pó ou 15 litros de detergente ou água sanitária.” De acordo com a engenheira
ambiental Marília Vendrusculo, quando o óleo é despejado na pia e cai na rede de esgoto, o sistema de encanamento fica entupido e, na maioria das vezes, as redes de esgoto não estão preparadas para receber grandes volumes de óleo. “Como muitas vezes as cidades não possuem uma rede de tratamento de esgoto, esse material atinge rios, lagos e ocea-
Profissionais liberais dão vida a madeira descartada DESIRÉE NASCIMENTO FRANCINE REZENDE
Moradores de Ribeirão Preto estão contribuindo com o meio ambiente reformando e reaproveitando madeira velha ou descartada. O trabalho de reaproveitar pallets, molduras de quadros velhos, móveis antigos ou madeira jogada no lixo desperta a criatividade de profissionais liberais que dão um novo destino para essa matéria seja para fins comerciais ou por hobby. MATÉRIA-PRIMA O jornalista Dirceu Martins, 49, começou a mexer com madeira há dez anos. “Sempre tive vontade de fazer algo que reaproveitasse o material. Via muita madeira na rua e ficava pensando em algo para fazer com ela”, afirma o repórter. Inexperiente, comprou um livro para aprender a mexer com madeira. Ele foi seguindo o passo a passo dos projetos do livro. Hoje procura na rua por pedaços de madeira. No seu tempo livre dedica-se à transformação dessa matéria-prima em objetos para sua casa como artesanatos, mesi-
Foto: Francine Rezende
trabalha com artesanatos e também reformando pallets e móveis. “É uma tendência usar móveis feitos de pallets ou móveis antigos reformados. É econômico e meu trabalho é auxiliar o cliente nessa composição. Não é só pegar um móvel do lixo, pintar e reformar. Temos que encaixá-lo no conceito do ambiente”, conta a arquiteta.
CLIENTES Paula declara que quando o cliente faz questão de móveis em madeira, incentiva o uso da madeira de demolição. Para a artesã, tudo começou como um hobby e tornou-se sua profissão. “Comecei fazendo por hobby e aí veio a necessidade de completar a renda. Então passei a frequentar feiras de artesanatos de bairros e aceitar encomendas”, afirma. Alguns dos trabalhos feitos com madeira reciclada pela artesã Kenia Martins Dentre os itens entregues estão sofás feitos de pallets, mónhas, banquetas, objetos decorati- afirma o jornalista. veis antigos restaurados e móvos e construiu também para seus A arquiteta Paula Toro, 41, veis feitos de caixotes de frutas. filhos uma casa na árvore. busca em seus projetos trabalhar Para a profissional, pallets e “É meu hobby e um passatem- com madeira de demolição e mó- caixotes são fáceis de trabalhar po que distrai a cabeça. Cons- veis reformados ou reutilizados. e manusear e podem atender a truir a casa na árvore foi diverEla conta com ajuda na produ- vários pedidos, de acordo com o tido, e meus filhos adoraram”, ção da artesã Kenia Martins, que que cada cliente busca.
‘PESSOA MELHOR’ Há alguns meses a aposentada Teresa Cardoso começou a mudar sua rotina na cozinha. O óleo que antes era jogado na pia, hoje serve de base para fazer o sabão que é doado para família e vizinhos. Segundo Teresa, a iniciativa surgiu após observar a elevada quantidade de óleo que desperdiçava todos os dias e, após uma ideia vista na televisão, resolveu reciclar. “A cada cinco litros de óleo faço 30 pedaços de sabão e, a partir, daí distribuo para os meus filhos e vizinhos.” A aposentada afirma que a reciclagem do óleo só trouxe benefícios. “Além de ocupar o meu tempo em casa, a reciclagem faz com que eu me sinta uma pessoa melhor, pois sei que estou colaborando com o planeta.”
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CIDADES
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Ribeirão fracassa na fiscalização a ruídos Município possui somente um aparelho para se certificar se barulho ultrapassa nível estabelecido pela legislação Quando num determinado ambiente o som ou ruídos alteram a normalidade da audição das pessoas isso é chamado de poluição sonora. Essa poluição pode causar danos ao corpo e à qualidade de vida do indivíduo. A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que o volume ideal para o ouvido humano é de até 50 decibéis (unidade de medida de som), que equivale a uma conversa entre duas pessoas. Para a medição desses decibéis é utilizado um aparelho, o decibelímetro, que a prefeitura de Ribeirão Preto possui somente um e não é utilizado por falta de treinamento dos agentes do setor de Fiscalização Geral. Segundo Celso Aparecido Nunes, agente de fiscalização geral da prefeitura, a fiscalização do departamento incide sobre os
estabelecimentos comerciais e não sobre residências, embora a legislação recaia sobre ambos. “O departamento poderia estar melhor aparelhado”, diz Nunes. De acordo com a legislação municipal, é “proibido perturbar o bem-estar e o sossego público, ou de vizinhança, com ruídos, algazarras ou barulhos de qualquer natureza”. Mesmo com as reclamações frequentes em Ribeirão, a fiscalização não tem disponível os números para divulgação. “Me incomoda o barulho de festas de vizinhos e igrejas perto da minha casa, me atrapalha a assistir TV, conversar ao telefone ou até mesmo com meus parentes dentro de casa, pois o som é extremamente alto. Deveria ter mais fiscalização”, diz Juliano Borges, morador de Ribeirão. De acordo com o médico Ricardo Lessa, otorrinolaringologista,
REGIÃO
as pessoas expostas à poluição têm diversos tipos de alterações que vão desde a dificuldade de comunicação e inteligibilidade aos transtornos de sono e irritabilidade, entre outros. A penalidade para pessoas ou locais que perturbam o sossego alheio é a multa que varia de R$ 55,00 a R$ 50 mil, dependendo da gravidade da situação. INSISTÊNCIA Um vereador que pediu para não ser identificado afirma que “o poder público deixa a desejar” na fiscalização de ruídos. Para ele, a população precisa insistir na reclamação, para a polícia ou para o município, até que o problema seja resolvido. “O que incomoda é a falta de educação desse povo que sabe que não vai acontecer nada com ele. Que fica com o som ligado aqui para a mãe deles ouvir do
Foto: Priscilla Figueiredo
PRISCILLA FIGUEIREDO
Ruídos podem provocar danos à saúde: fiscalização na cidade é precária
outro lado da cidade. Me incomoda que em 90% dos casos a polícia não atende ao nosso chamado”, disse Ana Paula Avelino, moradora de Ribeirão Preto.
Mesmo com as reclamações da população, a orientação dada pela fiscalização e pelo vereador foi conversar com o vizinho que está atrapalhando.
TRÂNSITO
Sales Oliveira amplia Oficinas faturam alto com veículos ruas com sentido único danificados por buracos em Ribeirão A prefeitura de Sales Oliveira anunciou que o município vai ampliar o número de ruas com sentido único. A reorganização das vias que ficam no centro da cidade começou a ser feita em 2014 e passou por uma pausa em 2015, como forma de avaliar se as mudanças trariam ou não vantagens para os motoristas. Agora, com um resultado positivo, o Comutran (Conselho Municipal de Trânsito) começou a estudar quais as ruas que poderão adotar a mudança. Estuda-se a possibilidade de caminhões ficarem proibidos de trafegar em algumas vias. Segundo Josinar Leoni, membro da Diretoria de Educação, ainda não se sabem os pontos que serão beneficiados com as modificações e uma reunião será marcada em breve e os demais membros do Comutran para debater o assunto. POPULAÇÃO Para Daniela Paganini, as mudanças surtiram efeito positivo, e acontecerá o mesmo quando se expandirem para outras ruas. “Ficou mais organizado, melhor para transitar. Se colocar sentido único em outras que precisam, vai ficar ótimo.” Para a auxiliar de produção Adriana Aparecida, que na época das mudanças estava fazendo aulas para tirar sua CNH, tornar as ruas sentido único ajudou e muito. “As ruas eram apertadas. Quando entrava o carro da autoescola de um lado e outro carro de outro, era horrível, principalmente quando havia outros carros esta-
cionados”, afirma. “Depois que mudou, a tensão de ter que passar por essas ruas acabou.” A auxiliar de produção Lucélia Soares também aprovou as mudanças e concorda com a ampliação das ruas com sentido único. “Acho que trazer as mudanças para outras vias seria ótimo. Realmente existem algumas que não estão no centro e precisam.” Para um comerciante da Rua José Bonifácio, que se identificou apenas como Juca, a alteração foi fundamental. “Ficou muito melhor, mais organizado sem dúvida. Antes tinha batida, a rua é pequena, era muito apertada, agora ficou organizado e tranquilo.” SINALIZAÇÃO Mesmo tendo sido bem aceitas as mudanças, para alguns moradores as sinalizações precisam ser mais claras, pois estão confusas. Segundo um morador que não quis se identificar, para quem mora em Sales Oliveira foi fácil se adequar às mudanças porque as informações passavam de pessoa para pessoa, porém, quem vem de outras cidades pode ficar perdido. “Não tem placa de ‘proibido virar à esquerda’, por exemplo.” Para Renato Aparecido, que não mora em Sales Oliveira mas frequenta a cidade para serviços, quando houve a mudança a sinalização “não era tão boa, confundiu bastante.” “O ponto principal que precisa ter uma mudança de sinalização é no trevo que dá no centro da cidade. Quem vem de Orlândia não sabe que na Voluntário Nélio Guimarães não pode mais entrar direto pela direita, porque não tem placa indicando.”
Foto: Divulgação
RENAN ROSA
Mecânico trabalha em oficina de Ribeirão que atende veículos danificados por buracos: situação crítica DRUZIEL FRANCO KAREN FABIANE
Quem passa pelas ruas de Ribeirão Preto se depara com inúmeros buracos pelas vias públicas. Além disso, essa é uma das principais preocupações dos moradores, que por sinal buscam nos administradores a solução para o problema. Apesar da administração municipal contar com um serviço cujo nome é “Tapa-Buraco”, além de outros projetos de reparos, esta realidade persiste. “Essa cidade parece uma peneira”, ironizou Pedro Marzolla, taxista. Segundo ele, em apenas um mês de trabalho seu carro foi para o conserto quatro vezes, totalizando um prejuízo de cerca de R$ 2 mil. Se de um lado há quem recla-
me e muito da situação, de outro há quem veja vantagem e até mesmo fature alto com ela. De acordo com Leandro Tonelli, da Rede Pneu Z, sua loja de fato ganha com isso. “Eu penso que, além de resolvermos o problema do cliente, acabamos consertando aquilo que é fruto do descaso do poder público.” Ele ainda se diz surpreso com o aumento na procura de serviço de troca de pneus, rodas, alinhamento e balanceamento, mas também se indigna com a falta de respeito pára com o cidadão ribeirão-pretano. “É algo positivo e delicado ao mesmo tempo. É como enxergar lucro no prejuízo alheio. Eu recebo no mínimo 5 pedidos ao dia por causa disso, mas me coloco no lugar de quem não contava
com esse gasto no orçamento”, complementou Tonelli. “É um absurdo isso! A gente paga os impostos em dia e não tem retorno. Quem vai pagar o meu tanque amassado?”, disse Marcelo Luis, instrutor de academia, que sofreu um acidente com a moto recém-comprada, por não enxergar um buraco. Um dos fatores alegados pelo próprio governo é que a idade média do asfalto do município é elevada, além de possuir umas das maiores froras de veículos do Brasil. Em uma estimativa divulgada em agosto de 2016, a cidade terá que investir R$ 80 milhões na malha viária. A Secretaria da Infraestrutura da cidade não se manifestou sobre o assunto.
SAÚDE
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Aquecimento global aumenta risco de câncer Dermatologista de Ribeirão Preto recomenda uso de protetor solar; doença tem cura se for diagnosticada cedo Os raios solares trazem benefícios à saúde, porém tomar sol sem proteção pode causar danos à pele e, com o aumento da temperatura em decorrência do aquecimento global, os riscos de câncer aumentam. O dermatologista Mauricio Soares Freitas, de Ribeirão Preto, diz que protetor solar é essencial e orienta que o melhor horário para tomar sol é sempre pela manhã antes das 11h e após as 15h, quando os raios solares estão mais fracos. “O sol pode causar câncer, um problema muito comum atualmente. Temos três tipos de câncer. Quanto antes o problema for descoberto, maior é a chance de cura. Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) estimou um aumento de 5.670 casos do câncer no ano passado. Em 2013, a doença matou 1.547 pessoas. A dona de casa Maria Ines Volpin Rotolo, que mora em Ribeirão Preto, disse que em 2000 descobriu o câncer tipo melanoma e fez a cirurgia de retirada após uma biópsia. “Minha família nunca teve problemas desse tipo, levei um susto muito grande quando o médico me disse porque quando
ouvi a palavra ‘câncer’. Logo pensei que morreria”, afirma Maria. O Hospital de Câncer de Ribeirão Preto passa algumas dicas de avaliação para detectar manchas ou pintas com características de câncer de pele. A aposentada Teresinha Andrade, de Ribeirão Preto, conta que surgiu uma pinta em suas costas que não parava de coçar. Foi quando procurou um dermatologista que diagnosticou o câncer.
Foto: Alessandra Rotolo
ALESSANDRA ROTOLO
PINTA “Era uma pinta que começou a crescer muito rápido e parecia uma verruga. Em pouco tempo começou a me incomodar porque não parava de coçar e, quando eu ia me vestir, a pinta chegava a machucar”, declarou Teresinha. “Existem tratamentos para esse tipo de câncer e em sua grande maioria resolvem o problema, mas é preciso proteger a pele e os olhos, que também podem ser prejudicados com os raios ultravioletas, por isso usar óculos de sol e protetor solar é cada vez mais importante”, diz Freitas. Aproximadamente 500 pessoas são atendidas por ano durante as campanhas de prevenção contra o câncer de pele no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Em 11% dos casos a doença é detectada e pode ser tratada. A dona de casa Maria Ines Volpin Rotolo, que já teve câncer de pele, usa protetor solar
Doença pouco conhecida pode ser controlada Foto: Giovana Faria
Jornal Barão de Mauá Como é o tratamento dessa doença? Renato Soriani - A artrite psoriásica é tratada com medicamentos que controlam a inflamação e modulam o sistema imunológico do organismo. Estes medicamentos podem ser ingeridos oralmente ou administrados através de injeções na própria pele ou pelos vasos sanguíneos do paciente.
Renato Soriani Paschoal, médico dermatologista: a psoríase não tem cura, mas pode ser controlada GIOVANA FARIA
A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele bastante conhecida, que pode afetar mucosas, unhas e até articulações. Caracteriza-se pelo aparecimento de lesões avermelhadas delimitadas, descamativas e em qualquer parte do corpo. O que muitas pessoas não sabem é que existe uma doença que pode se desenvolver até dez anos depois dos primeiros sinais de psoríase: a artrite psoriásica. Artrite psoriásica é um tipo de artrite inflamatória que afeta em torno de 5-7% (de acordo com o Manual de Oxford de Medicina
Clínica) das pessoas que sofrem de psoríase crônica na pele. Para a maioria das pessoas ocorre entre as idades de 30 e 50 anos, mas também pode afetar as crianças. Os sintomas mais comuns são: alterações nas unhas, inchaço dos dedos das mãos e dos pés, dores nos músculos, tendões e costas, cansaço, vermelhidão, calor e dificuldade de movimentação das articulações (juntas). Assim como na doença da pele, o acometimento articular atinge mais as pessoas da raça branca. Homens e mulheres são afetados igualmente e os países europeus, como Dinamarca, Suécia e Rússia, são os mais atingidos.
No Brasil não existe levantamento preciso, mas algumas pesquisas com populações regionais (Estado de São Paulo, por exemplo), constataram a presença em aproximadamente 15% a 20%. O dermatologista Renato Soriani Paschoal de Ribeirão Preto esclareceu algumas dúvidas comuns sobre essa doença. Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e da Sociedade Latino Americana de Psoríase (SOLAPSO), Soriani ministrou uma palestra em Uberaba sobre o uso dos imunobiológicos no tratamento da psoríase e da artrite psoriásica.
JBM - A artrite psoriásica é uma doença progressiva? Sim. Caso não seja tratada adequadamente, a doença pode progredir e causar complicações como deformidades nas articulações. JBM - É possível evitar o aparecimento dessa doença com algum tipo especial de tratamento? Não. No entanto, é possível tratá-la de forma precoce com a finalidade de evitar o desenvolvimento de suas complicações. JBM - Quais são os tipos de artrite psoriásica existentes? Os dois tipos principais são a periférica (aquela que acomete as articulações dos membros superiores e inferiores) e a axial (aquela que acomete as articulações da coluna vertebral). Alguns pacientes podem ter os dois tipos da doença.
JBM - Quais são os fatores de risco que elevam as chances de desenvolver a doença? Indivíduos que apresentam lesões de psoríase na pele, deformidades nas unhas causadas pela psoríase ou histórico familiar positivo para esta doença, têm um risco maior de desenvolver a artrite psoriásica. JBM - A artrite psoriásica tem cura? Ela pode deixar alguma sequela nos portadores da doença? A doença não tem cura, mas pode ser controlada. As principais sequelas são as deformidades permanentes nas articulações e nos ossos. JBM - Como é feito o uso de imunobiológicos no tratamento da artrite psoriásica e da psoríase? Os imunobiológicos são utilizados naquelas formas mais extensas ou graves da doença. Também podem ser indicados para aqueles pacientes que não obtiveram sucesso com outros medicamentos. Seu uso deve ser indicado e acompanhado pelo dermatologista ou pelo reumatologista do paciente. Podem ser aplicados através de injeções na pele ou nos vasos sanguíneos. Antes e durante o tratamento, exames são solicitados para garantir a segurança do seu uso.
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SAÚDE
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Má alimentação e sedentarismo favorecem AVC Conhecer sintomas da doença e atender rapidamente pessoas em crise podem favorecer tratamento e evitar sequelas PAOLA CHIODA VANTINI
O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como “derrame” pode ocorrer em pessoas de diferentes idades, desde jovens até idosos. Segundo o Ministério da Saúde (OMS), em 2013 foram registradas 42.294 mortes por AVC, das quais 66% das vítimas eram homens. O AVC pode ser caracterizado como perda rápida da função neurológica, que ocorre devido ao entupimento ou rompimento de artérias sanguíneas cerebrais. Pessoas que têm uma alimentação não saudável, sedentárias, fumantes e com hipertensão não
controlada tendem a desenvolver a doença. Existem dois tipos de AVC: o isquêmico e o hemorrágico. O primeiro é caracterizado pela interrupção do fluxo sanguíneo cerebral, formando um coágulo. O segundo é caracterizado pelo rompimento do vaso sanguíneo, ocorrendo uma hemorragia cerebral. A pessoa que sofre algum tipo de AVC pode apresentar sintomas como a perda de força em determinada área do corpo, dificuldade para falar, perda de equilíbrio e sensibilidade, déficit visual, tonturas, náuseas, sonolência, cefaleia (dor de cabeça) e
crises convulsivas, entre outros sintomas. Segundo a médica neurologista Karen dos Santos Ferreira, de Ribeirão Preto, existem meios para se prevenir a doença. Entre os meios de prevenção estão controlar a hipertensão arterial, os diabetes, abandonar o tabagismo, fazer atividade física regularmente e se alimentar de forma saudável. Em 2015 foi lançado o “Plano Nacional de Redução de Sódio em Alimentos Processados”, que pretende tirar 28.562 toneladas de sódio dos alimentos processados até 2020. Segundo a OMS, com a quan-
tidade de sódio retirada desses Mas ficou uma sequela: não tenho alimentos, a previsão é reduzir movimento no pé esquerdo.” em 15% os óbitos por AVC. As pessoas que sofrem o AVC podem ficar com algum tipo de SEQUELAS sequela: dificuldade para falar O aposentado Aparecido José, ou engolir, déficit de memória e 69, há oito meses está em trata- cognição, entre outras. mento. Ele sofreu AVC em 2015. “Essas sequelas podem ser “Senti uma dor de cabeça mui- abordadas por um tratamento to forte. O AVC que eu sofri foi de reabilitação, com equipe mulo isquêmico. Não fiquei com ne- tidisciplinar formada por médinhuma sequela.” cos, enfermeiros, fisioterapeuLuis Benedito Chioda, 64, es- tas, fonoaudiólogos e terapeutas tava em Goiás quando teve o ocupacionais”, disse a médica. AVC. Na época ele tinha 42 anos O tratamento do AVC varia de e era caminhoneiro. acordo com o grau da doença e o “Fiquei três meses sem andar. tipo dela. Segundo Karen, o atenDepois comecei a fazer fisiotera- dimento imediato é “essencial pia e meus movimentos voltaram. para o sucesso do tratamento”.
NEUROLOGIA
Conheça os sinais de déficit de atenção e hiperatividade em crianças hoje em dia porque dificilmente um adulto irá procuO transtorno de déficit de rar um profissional em função disatenção e hiperatividade é uma so. A tendência é que esse adulto doença neurobiológica de causas portador do transtorno acredite que os sintomas são traços de genéticas. Caracterizado por sintomas personalidade e não um transtorcomo desatenção, falta de concen- no mental”, disse o psicólogo. Ainda de acordo com ele, se a tração e, em casos que acompanha a hiperatividade, inquietude. criança manifestar os sintomas De acordo com o psicólogo na escola, ela será encaminhada Ricardo Henrique Meloni, de Ri- ao tratamento adequado. Janaina de Souza, 33, diz que beirão Preto, o transtorno não se desenvolve durante a vida, mas desde criança sempre sofreu com problemas trazidos pela doença. sim se nasce com ele. Segundo ela, alguns dos maio“O déficit não se desenvolve com o tempo, já se nasce com res problemas que uma pessoa ele. Então todo adulto com a do- com a doença pode enfrentar é ença foi uma criança que se de- a falta de reconhecimento social do problema. senvolveu com ela.” “Uma das minhas batalhas é O diagnóstico é mais comum nas crianças em fase escolar, e pelo reconhecimento social socerca de 70% dos casos acompa- bre o transtorno. Os médicos não reconhecem facilmente o problenha a vida adulta. “O diagnóstico é predominante ma. É preciso ter uma combina-
Foto: Germano Neto
GERMANO NETO
Janaina Souza, de Sertãozinho, é diagnosticada com TDAH
ção de fatores e exames.” O psicólogo afirma que existe um preconceito com quem busca entender o transtorno. MEDICAMENTOS “Na minha experiência eu noto que existe preconceito sim, especialmente em relação às pessoas próximas da pessoa portadora do transtorno. É fácil confundir o transtorno como preguiça ou má vontade.” Entre algumas formas de tratamento para o problema, é predominante o uso de medicamentos. Mas a psicoterapia cognitivo-comportamental e o treinamento de memória de trabalho são indicados também dentre os possíveis acompanhamentos. O tratamento só é submetido após o médico diagnosticar, realizando exames e realizando testes.
ESTÉTICA
Mulheres procuram o espartilho para transformar a cintura GERMANO NETO
A estudante de jornalismo de Sertãozinho Gabriella Manzano, 20, e a farmacêutica de Pontal Marcela Amanda, 29, têm um gosto em comum: elas usam a cinta modeladora. Mas há diferenças nas maneiras de enxergar os resultados obtidos com a peça. Enquanto a estudante gosta de usar o espartilho para corrigir a postura, se livrando da pressão estética, a farmacêutica admite que usa a cinta para diminuir os quilos a mais. “A cinta me ajuda muito no quesito postura. Me sinto bem e não é apenas por uma questão estética, mas pela questão da postura, que ficou melhor. Sen-
ti a diferença, comparado a um mês atrás”, disse a sertanezina. “O espartilho diminuía a minha barriga e afinava um pouco a minha cintura. Como estou gravida, hoje não uso mais. Provavelmente, vou voltar a usar”, afirmou a farmacêutica. Porém, segundo especialistas, a história de que o espartilho faz milagre não tem comprovação cientifica. Segundo a fisioterapeuta e osteopata Karin Haram, de Ribeirão Preto, as cintas normalmente são usadas em pós-cirurgias, edemas e sangramentos, entre outros motivos, mas a busca pela beleza fala mais alto. “A cinta é usada em casos de pós-cirurgias e em alguns tratamentos como sangramento.
Foto: Desirée Nascimento
Gabriella utiliza o espartilho
Porém, não há nenhuma comprovação cientifica que a cinta modele o corpo ou faça alguma alteração.” De acordo com ela, houve pacientes que chegaram ao hospital com a saúde prejudicada pelo espartilho. “Já vi paciente chegar ao hospital com contração de órgão pelo uso exagerado e apertado da cinta. As pessoas começam a usar muito forte, e a respiração fica mais curta, causando dores na coluna e nos membros”, segundo a fisioterapeuta.
Roxey Ann Caplin, escritora e inventora britânica, é apontada como criadora do espartilho. “Em 1848, ela apresentou um corset higiênico que permitia ser retirado sem ser totalmente desamarrado. Em 1851, Roxey era a única fabricante desse tipo de modelo, e as cores usadas eram em tons de pele, nunca coloridos. As mulheres da época adoravam o espartilho, fazia parte da cultura.” A cinta modeladora ou espartilho, como é conhecida, tem feito a cabeça das mulheres que querem afinar a cintura e modeHISTÓRIA lar o corpo. Há muito tempo que a beleza Elas acreditam que a cinta vai mola alguns costumes. transformar as medidas e fazer De acordo com a estilista Ma- milagres estéticos, sem se preoria Beatriz, de Ribeirão Preto, cupar com as consequencias.
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SAÚDE
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Lei do jaleco não ‘pega’ em Ribeirão Preto
Profissionais da saúde não respeitam proibição de uso da vestimenta em locais públicos; médico acha regra inútil Foto: Alessandra Rotolo
ALESSANDRA ROTOLO
Profissional da saúde usa jaleco em local público: lei sem efeito
A lei estadual que proíbe funcionários do setor de saúde usarem jalecos em locais públicos, para evitar contaminação hospitalar, virou letra morta em Ribeirão Preto. Todos os dias é possível encontrar profissionais desrespeitando essa regra nas imediações dos hospitais das Clínicas e São Francisco, na região central. A multa para quem descumpre a lei é de dez Unidades Fiscais, o equivalente a R$ 255,50. O valor dobra em caso de reincidência. A fiscalização é de responsabilidade dos órgãos de vigilância sanitária. Em nota, o Conselho Regional de Medicina (Cremesp) não quis se pronunciar em relação à fiscalização, mas afirma que não só jale-
cos e aventais, mas vários outros equipamentos e roupas podem conter germes hospitalares, o não significa que transmitam doenças. O infectologista Carlos Magno Fortaleza, da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, diz que teve a oportunidade de discutir a lei com o deputado que a propôs. “Eu a considero inútil. Pior: ela desvia o foco do problema que é a falta de higiene nas mãos e elege erroneamente o jaleco como o vilão sanitário”, diz. ESTUDOS De acordo com ele, vários estudos já encontraram bactérias e micro-organismos em jalecos, mas não comprovaram a ligação direta do uso de jalecos fora do ambiente de trabalho com a
transmissão de doenças. A enfermeira Maria Costa diz que essa não é melhor maneira de evitar contaminação. Segundo ela, existem vários meios para que isso aconteça. “Essa lei é praticamente inócua, pois não há fiscalização e, se tivesse, deveria ser mais rigorosa, porque vários outros fatores contribuem para a contaminação de pacientes.” Já o enfermeiro Pedro Santos declara que a lei é necessária, mas o Estado não se preocupa com seu cumprimento porque a saúde no país deixa a desejar. “Essa lei é importante, mas creio que devido à crise no setor de saúde o Estado não vai fazer fiscalização pois existem outros casos mais graves a serem reforçados.”
INFÂNCIA
No Brasil, 7 mil crianças aguardam para ser adotadas FERNANDA OLIVEIRA
Milhares de crianças e adolescentes vivem em abrigos a espera de um novo lar. Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), 6.980 crianças estão cadastradas no CNA (Conselho Nacional de adoção) e 37.385 famílias aguardam na fila de espera. Mesmo com um número maior de adotantes, a adoção ainda é algo demorado, uma vez que o perfil desejado pelas famílias é quase sempre incompatível com as crianças disponíveis. PERFIL DESEJADO No momento de adotar, as famílias preferem meninas brancas, de 0 a 3 anos de idade e sem irmãos. Todos esses quesitos causam problemas no processo
de adoção para a família, que terá que esperar uma criança com o seu perfil, e para as demais crianças que continuam a crescer nos abrigos. Para a professora Leila Aparecida Lourenço da Silveira, 40, de Orlândia, adotar grupo de irmãos não foi nenhum problema. Após 5 anos na fila de espera ela e o marido adotaram 3 irmãos, duas gêmeas e um menino. “O nosso perfil era bem flexível. Desde o momento da ligação do fórum, mesmo sem saber quem eram as crianças, como e de que cor elas eram, nós já as chamamos de nossas.” A pouco mais de um mês com os filhos, Leila conta que em nenhum momento as crianças demonstraram medo ou rejeição. Passaram confiança desde o pri-
meiro momento e relembra os primeiros momentos com uma das filhas. “Ela estava na barraca de bolinhas e ficou nos olhando por uns cinco minutos, de repente veio lá de dentro, tropeçando. Chegou e sentou no colo do pai e disse ‘papai’, depois me olhou e falou ‘mamãe’. Na verdade, foram eles que nos escolheram, essa foi uma bênção que recebemos.” CERTIDÃO DE NASCIMENTO Durante o processo de adoção a criança tem a certidão de nascimento atualizada com o sobrenome dos pais e a partir daí passa a ter os mesmos direitos que filhos biológicos. No caso de Leila, este processo ainda está em andamento.
Para a secretária Rita de Cássia Benedicto Almeida, 38, de Lins, esse processo já está chegando ao fim. A quatro meses com a guarda do filho de pouco mais de 1 ano, ela aguarda intimação para comparecer ao cartório e receber a certidão autorizada pela juíza. Após 3 anos na fila de espera, Rita considera que seu caso esteja se resolvendo em tempo considerável e relembra quando seu telefone tocou com a notícia da chegada do filho. “Foi incrível, o psicólogo ligou dizendo que havia uma criança com o nosso perfil. Meu coração disparou! Eu falei para meu marido que nosso filho havia chegado para nós. A sensação do telefone tocar é a mesma que a bolsa estourar.”
Quando questionada sobre a burocracia no processo de adoção ela afirma “realmente é um processo demorado, mas todo esforço é recompensado quando você olha para seu filho pela primeira vez. É indescritível” QUEM PODE ADOTAR? Dentre os requisitos para candidatar-se a adoção, a pessoa precisar ter mais de 18 anos, possuir renda que assegure instabilidade e ser considerado capacitado para cuidar de uma criança. É importante ressaltar que qualquer processo que não seja pelo Cadastro Nacional de Adoção é considerado ilegal e pode ser contestado. Sendo a única forma legal de adotar uma criança sem maiores complicações e diminuir a fila.
JENNIFER LEITE
O MamaMóvel é um ônibus cor-de-rosa que vem chamando a atenção pelas ruas de Ribeirão Preto. O projeto, em parceria com o instituto Avon, tem como objetivo orientar mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. O câncer de mama é o que mais afeta as mulheres no Brasil. Mas não apenas as mulheres. Homens também são afetados, porém são casos raros com estimativas de 1% por ano. Alguns evoluem de forma rápida, outros não. Segundo pesquisas do Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva), estimam-se 57.960 casos de câncer em 2016. O número de mortes é de 14.388, dos quais 181 homens e
14.206 mulheres. A transformação do ônibus começou em 2006, com duas salas de consultas clínicas. O veículo é equipado com mesas ginecológicas e demais utensílios para a realização de pequenos procedimentos. Os organizadores do projeto, no entanto, começaram a dar palestras educativas sobre o câncer de mama e oficinas para mulheres que se envolvem no projeto. As visitas do MamaMóvel acontecem quinzenalmente a bairros de Ribeirão Preto ou nas cidades da região. PALESTRAS A equipe da unidade móvel conta com um médico, um enfermeiro, um motorista e uma equipe de alunos de 5º e 6º ano de medicina e voluntários. O trabalho já atendeu diretamente 5.891 mulheres. Outras
50 mil mulheres foram alertadas para a detecção precoce de câncer de mama via palestras. “A qualidade da mamografia é fundamental na luta contra o câncer de mama. É um dos principais exames para a detecção precoce da doença. Se descoberta cedo, as chances de curar o câncer de mama chegam a 95%”, afirma a mastologista Maira Caleffi, presidente do Imama (Instituto de Mama). DEMANDA Até o momento, foram diagnosticados 21 casos positivos de câncer através do MamaMóvel. A enfermeira Rafaela Piotto está contente com o projeto. “Muito importante, porque aqui tem uma demanda grande de pessoas, e o nosso ônibus busca e até a população para poder informar sobre os MamaMóvel em ação em Ribeirão Preto: diagnóstico antecipado exames.”
Foto: Jennifer Leite
Clínica sobre quatro rodas faz prevenção de câncer feminino
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ESPORTES
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Malhar sem orientação pode levar a lesões
Médico aconselha realização de check-up antes de frequentar academias e que atletas nunca façam exercícios em jejum
Foto: Bárbara Maciel
BÁRBARA MACIEL
Jovens fazem exercício em academia: orientação pode evitar lesões graves
É verdade que a atividade física traz inúmeros benefícios, mas sem orientações, equipamentos e preparo adequado pode causar diversos malefícios a quem a pratica. A ânsia de atingir um corpo “sarado” ou “o corpo perfeito” pode acarretar lesões. Estima-se que 90% dessas lesões atinjam aqueles que não receberam orientação médica ou de um profissional de educação física antes e durante a atividade. Tamires Aparecida Santos é preparadora física em Ribeirão Preto e afirma que as pessoas chegam querendo resultado muito rápido, dessa forma pensam que, treinando exaustiva-
mente, alcancem o objetivo. “Outro fator que leva a lesões são academias extremamente cheias e com poucos profissionais atuando. Isso acarreta a não atenção total a todos os alunos.” DORES Dentre as lesões que atividades sem critério podem ocasionar estão os problemas ortopédicos como distensão muscular, dores articulares agudas, lombalgias, tendinites e várias outras alterações físicas como arritmias, tonturas e câimbras. Em casos mais graves, o inicio de exercícios sem cuidados pode levar a morte súbita. O estudante Winik Vinicius Andrade Fornazieri pratica semanalmente exercícios em uma
academia em Ribeirão Preto e já se lesionou praticando atividade. “Por um descuido meu e do professor machuquei muito meu ombro, fiquei afastado uma semana, pois não conseguia movimentar o braço.” Segundo o cardiologista Gerson Figueiredo, o primeiro passo é fazer um check-up médico para ver se a pessoa pode ou não realizar determinada atividade física. Ele ainda destaca a importância da hidratação e da boa alimentação. “Se manter hidratado é fundamental, principalmente para os idosos. A alimentação leve e frutas é ideal antes de malhar ou praticar qualquer outro exercício. As pessoas jamais devem fazer uma atividade em jejum.”
Vôlei adaptado melhora autoestima de idosos PAOLA VANTINI O vôlei, esporte no qual o Brasil se destaca, sofreu alterações em suas regras para se tornar um atrativo à atividade física entre idosos. Em Jaboticabal, um grupo de aproximadamente 30 idosos treina duas vezes na semana, no clube da 3ª Idade. O grupo participa de competições como o Jori (Jogos Regionais do Idoso) e o JAI (Jogos Abertos do Idoso), que acontecem uma vez por ano e reúnem várias cidades. O vôlei adaptado para idosos foi criado em meados da década de 80, com o propósito de ser uma atividade para pessoas acima de 50 anos. É um esporte que visa à integração e a sociabilização desse público, além de estimular os aspectos cognitivos, afetivos e motores. O vôlei adaptado tem algumas diferenças em relação ao vôlei
convencional. “A principal diferença é o saque, que é golpeado, isto é, a bola é arremessada, porém pode ser saque por baixo, como no vôlei convencional”, afirma o professor de educação física, coordenador de projetos esportivos e chefe da delegação da 3ª idade de Ribeirão Preto, Fabiano Lopes de Oliveira. Outra diferença, segundo ele, é a forma de recepcionar a bola, mas pode usar a manchete quando o saque for feito pelo time adversário. Outra diferença é que não pode “pipocar” a bola quando ocorre o saque ou o ataque do time adversário. O “pipocar” é quando se tenta defender e a bola escapa das mãos e fica pulando várias vezes.
quadra, que é a mesma: um retângulo de 18 metros de comprimento x 9 metros de largura, circundada por uma zona livre com, no mínimo, 3 metros de largura. Com seis jogadores de cada lado e uma partida melhor de três, com sets de 15 pontos progressivos, os atletas têm que ter um desempenho melhor que o adversário para ganhar o jogo. Em relação ao toque na bola, o jogador poderá receber ou passar a bola em no máximo quatro segundos, tocando, segurando, encaixando com uma das mãos ou tocar qualquer parte do seu corpo inclusive os pés. Cada equipe poderá dar no mínimo dois toques e no máximo três toques. Quando ao mesREGRAS mo tempo dois jogadores seguApesar dessas diferenças em rarem a bola, será considerado relação ao vôlei tradicional, uma um toque de cada jogador, sendo das exceções é a medida oficial da assim restando somente um úni-
co toque para passar a bola para o lado adversário. Em relação ao bloqueio que é muito utilizado no vôlei convencional, no adaptado não acontece o mesmo, porque os jogadores podem saltar. Eles podem ficar com os braços levantados na rede podendo apenas ficar nas pontas dos pés. Em relação ao salto para o ataque, só é permitido saltar atrás da linha dos três metros da quadra. Se caso saltarem antes, é considerada uma infração e o ponto é do adversário.
Por ser considerado um esporte que proporciona preparo físico completo, equipes de polícia e do exército elegeram a modalidade como exercício oficial. “A musculação isola o movimento de um músculo para fortalecer, já o crossfit trabalha uma série de músculos ao mesmo tempo, com com exercícios alternados como levantar barras, pular cordas, correr, alongar, tudo funcionando numa espécie de circuito”, afirma Gabriel Cassaroti, educador físico da academia CrossFitRibeirão. O crossfit chegou na cidade em 2013 e conta com quatro unidades oficiais autorizadas. A cada cinco anos os professores do crossfit fazem uma prova de reavaliação, para que mantenham-se sempre atualizados. “A atualização é imprescindível para o nosso desempenho ser cada vez melhor aqui dentro”, ressalta
o empresário Carlos Val. O esporte é indicado para todas as idades afirma Cassaroti, da academia CrossFitRibeirão. “Todas as pessoas podem e devem fazer crossfit. Temos idosos, adolescentes, crianças e deficientes físicos, todos treinam juntos, cada um de acordo com a sua capacidade e necessidade.”
BENEFÍCIOS Pensando nos benefícios que a prática de atividade física traz para a vida das pessoas, o vôlei adaptado é um excelente esporte para ajudar no condicionamento físico e também auxiliar na parte mental.
“Acredito que com o vôlei adaptado o idoso se condiciona e melhora o aspecto cardiovascular, ganha em tônus muscular, deixando a musculatura mais rígida, melhora o reflexo, a postura corporal, tende a pensar com mais sensatez para a tomada de decisão no jogo e desenvolve a cooperação entre as pessoas”, disse Oliveira. Para a atleta de Jaboticabal Maria Helena Talarico, 69, aposentada, o esporte ajudou a combater uma depressão e também a melhorar os exames de rotina. “Meu colesterol era alto e meu diabetes alterado.” Com a prática de exercício e uma alimentação regrada, consegui controlá-los e também a vencer uma depressão. Com a convivência com outras pessoas e viajando para competir, eu conseguir superar os meus problemas.”
Foto: Gabriella Manzano
Treino militar conquista Ribeirão Preto
Alunos de nível avançado se preparam para competição GABRIELLA MANZANO
O nome da nova modalidade de exercício que está ganhando vários adeptos é o crossfit. O esporte que agora se popularizou
em Ribeirão Preto, nasceu nos Estados Unidos por volta da década de 70 e tinha por base de treinamento, a ginástica, o levantamento de peso olímpico e o atletismo.
e vão além do ganho estético, qualidade de vida e saúde. “Com o crossfit toda a questão pessoal, emocional e social também é envolvida, a pessoa ganha autonomia para sua rotina diária. Dizemos aqui que somos uma comunidade, pois todos convivem juntos e em grupo durante os treinos, isso deixa qualquer um mais a vontade e motivado DESENVOLVIMENTO para vencer seus desafios tanto No início são dadas aulas de no treino, quanto na vida pessoadaptação, após esse período al”, afirma Cassaroti. aulas de iniciação e depois aulas avançadas. Tudo evolui de maVALORES neira gradativa e conforme houAs mensalidades custam em ver interesse há também turmas média R$ 250 por mês e há a opfocadas para a competição da ção de um adicional de R$ 60, modalidade. “Consegui evoluir caso o aluno queira um treino muito com o crossfit, me empe- direcionado com um personal nho e busco sempre novos de- trainner. Indica-se fazer um exasafios, agora estou focando nas me médico geral antes de praticompetições” , diz o estudante car qualquer exercício, assim o Luiz Otávio Vale. treino será melhor direcionado e Os benefícios são inúmeros, mais eficaz.
ECONOMIA
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Lojas reclamam da falta de moedas para troco Alguns estabelecimentos de Ribeirão Preto arredondam preço das mercadorias ‘para baixo’ para evitar problema LILIANE NICOLAU Antes de continuar a ler essa reportagem, verifique seus bolsos, o fundo da gaveta ou até mesmo dentro do carro. Certamente você encontrará uma moeda perdida. Há ainda quem guarde cada centavo de troco em garrafas ou os populares cofrinhos. Em tempos de crise econômica, por sinal, muitas vezes essa “reserva” é a salvação para alguma compra emergencial em casa. No entanto, essa prática de poupar as moedinhas para engordar o cofrinho ou simplesmente guardá-las, tirando-as de circulação, traz prejuízos ao comércio. Mesmo com o crescimento do pagamento por meios diferenciados, como cartões de
débito e crédito, lojistas de Ribeirão Preto reclamam da falta de moedas para troco em seus estabelecimentos. Paula Camargo trabalha no comércio e sua função, no caixa de uma loja de utilidades, tem sido de “seduzir” o consumidor a usar as moedas. “Colocamos o cartaz dizendo que trocamos moedas dos consumidores para ver se conseguimos abastecer um pouco. Parece que elas sumiram”, diz. Segundo Paula, é necessário fazer uma peregrinação entre as lojas vizinhas para trocar moedas, ou ainda perder mais tempo indo até agências bancárias. QUESTÃO DE HÁBITO “Mas nem sempre conseguimos. O economista Carlos HenriAí temos que arredondar preço para baixo, pois o consumidor que Soares garante que não há não pode ter prejuízo”, comenta. preocupação quanto a prejuízos
R$ 0,25
É O CUSTO DE CADA NOVA MOEDA PARA O BANCO CENTRAL
na economia por conta do sumiço momentâneo das moedas. “A economia esfria e esse é um movimento natural. Ainda temos outros meios de pagamento, como os cartões”, declara. Segundo Soares, as reservas dos cofrinhos também têm data para voltar ao comércio. “As pessoas poupam, muitas vezes, objetivando comprar algo. Assim, cedo ou tarde essas moedas acabam voltando para o mercado”, diz. Esse é o caso da aposentada Clara Ferreira da Costa, 76. Ela diz juntar apenas moedas de R$ 1. “Uma amiga começou a encher uma garrafa de refrigerante de 2 litros só com essas moedas. Dá exatamente R$ 1 mil. A minha já passou da metade. Aí trocarei em dinheiro para minha poupança ou
comprar algo que me agrade”, diz. BANCO CENTRAL O Banco Central do Brasil, por meio de sua assessoria de imprensa, explica que, de fato, houve desaceleração na produção de moedas e cédulas desde 2014. Isso ocorre por conta da redução da despesa pública em toda a esfera federal, mas o Banco Central assume ter se esforçado para administrar os estoques disponíveis e atender de forma igual todo o país. Dados do BC mostram que, no segundo semestre do ano passado, 331 milhões de novas moedas começaram a circular. Durante todo o ano de 2015, foram 685 milhões de unidades. Cada nova moeda custa R$ 0,25 para o Banco Central.
Foto: Maikon Zocca
Crise provoca alta na busca por dupla cidadania MAIKON ZOCCA O Brasil recebeu muitos imigrantes europeus durante os séculos 18 e 19, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Agora, os descendentes desses europeus tentam fazer o caminho inverso de seus ancestrais. O Arquivo Público do Estado de São Paulo registrou em 2015 um aumento de 30% nos pedidos de certidões de imigração. Esse documento serve para o pedido da dupla cidadania. Entre as cidadanias procuradas está a italiana. Os motivos que levam à procura pela cidadania italiana são vários, entre eles o fato de as pessoas com dupla cidadania poder morar, trabalhar, estudar na Itália ou em algum dos 21 países da União Europeia.
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Agora, com a crise econômica que vivo no Brasil e com meu filho na Europa, nada me segura aqui
Além de poder transitar com mais facilidade entre os aeroportos da União Europeia devido à maior agilidade nas filas da imigração. Eles têm todos os direitos de um cidadão europeu. Um cidadão com cidadania italiana tem algumas regalias fora do continente europeu, como entrar nos EUA de uma forma mais simples, sem necessidade de um visto, além de poder permanecer no país a turismo ou a negócios por 90 dias. Os italianos também têm a entrada no Canadá e Japão facilitada. Outro motivo que causou o aumento da procura da segunda cidadania foi a questão da crise econômica e política que o Brasil enfrenta.
A dona de casa Maria Lotti, que resolveu adquirir a dupla cidadania: ela diz que já sentia uma italiana na alma
É o caso da dona de casa Maria Lotti, 45, mãe de um filho que mora atualmente na França, onde cursa gastronomia, e que se encontra desempregada. Maria embarcou para Itália para conseguir a tão sonhada cidadania italiana. Ela é neta de italianos que vieram de uma vila que fica perto da cidade de Bologna, na região da Emilia Romagna, norte da Itália. “Quando criança olhava minha avó fazendo as massas e contando como era o local de onde ela saiu. Eu sempre sonhei
com o dia de pisar e viver na terra dos meus ancestrais.” “Agora, com a crise econômica que vivo no Brasil e com o meu filho na Europa, nada me segura aqui. Então, decidi que estava na hora de correr atrás do meu maior sonho de criança, ser italiana na identidade, porque na alma eu sou desde pequena. Sou uma ítalo-brasileira.” Segundo a constituição italiana, quem nasce fora da Itália mas tem descendente italiano possui o direito à cidadania italiana. Isso se aplica principalmente aos homens.
Quando o descendente é do sexo masculino, o italiano pode ter nascido em qualquer ano que as gerações futuras terão o direito de ser um italiano. Quando o descendente é do sexo feminino, apenas depois 1948 que seus descendentes têm o direito à cidadania. Isso porque, até o início do ano de 1946, a Itália era um reino e só os homens tinham direito de transmitir a descendência. Depois dessa data, veio a Constituição da República Italiana e consequentemente o reco-
nhecimento da igualdade entre homens e mulheres. DOCUMENTOS NECESSÁRIOS Primeiro é importante procurar um consulado italiano. Para os filhos de italianos é necessário a certidão de nascimento, certidão de casamento, certidão de óbito (caso o parente tenha morrido), além da identidade original do pai ou da mãe. Já para netos, bisnetos ou trinetos, basta a certidão de nascimento, casamento ou certidão de óbito do italiano que veio para o Brasil.
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TECNOLOGIA
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TELEVISÃO
Sinal digital elimina ruídos e chuviscos
Tecnologia chega a todos os lares brasileiros até 2018; som dos aparelhos será equiparado ao do cinema BÁRBARA MACIEL
O Ministério das Comunicações decidiu em junho de 2014 um cronograma pelo qual será feito o desligamento total do sinal analógico para a implantação apenas do sinal digital de televisão. A decisão foi adiada três vezes, mas no dia 1º de abril do ano passado o prazo começou a valer. Está previsto que até 2018 o projeto esteja concluído em todo o país. O sinal digital tem alta definição. Com isso, a TV fica com mais qualidade no som e na imagem. Graças a esse sinal, vão ser extintos os fantasmas, chuviscos,
ruídos e interferências que são comuns no sinal analógico. Além disso, o som digital se iguala ao do som do cinema. O caminho que o sinal percorre até chegar às residências das pessoas é o grande diferencial, porque no digital não há perda de qualidade, assim o áudio e o vídeo mantêm 100% das características originais, diferente do analógico, no qual há perda de qualidade nesse processo. Porém esse avanço da tecnologia trouxe, além de mudanças, muitas dúvidas na população e uma das perguntas clássicas é como se faz para obter o sinal digital.
O técnico de sistemas da EPTV de Ribeirão Preto Felipe Campanaro afirma que quem tem os televisores antigos deverá adquirir uma antena UHF. Ela pode ser interna ou externa, que é a mais recomendável. Depois o dono do aparelho deve adquirir um conversor digital. Para os televisores mais modernos, que já vêm com conversores embutidos, devem ligar a antena UHF na entrada da televisão. Paulo Gonçalves, pedreiro de 54 anos, está preocupado com o valor que irá desembolsar para obter o novo sinal. “Para quem ganha um pouco
mais de um salário mínimo é complicado ser obrigado a gastar um dinheiro que não tem. Ou você compra ou você não assiste TV? Isso não é certo.” Os valores variam de um estabelecimento para outro, mas a antena UHF custa de R$ 9,90 a R$ 59. Já o conversor de R$ 135 a R$ 300. Realmente o valor da mudança é o que mais assusta a população. “A TV digital terá mensalidade?”, pergunta Isabella Silva Coutinho, estudante de 18 anos. Felipe Campanaro afirma que não. A recepção da TV digital é gratuita, sem mensalidade.
Já Rafael Oliveira Andrade, que mora em Miguelópolis, está preocupado em relação a quando a novidade irá chegar. “Quando o sinal digital estará disponível na minha região?” Segundo o cronograma oficial do Ministério das Comunicações, todo o Brasil será coberto pelo sinal digital até 2018. A cidade de Rio Verde (GO) já iniciou o desligamento do sinal analógico em março de 2016. Ela foi pioneira devido ao tamanho, por sua economia relevante e não ser capital de nenhum Estado, além também de não afetar a transmissão das cidades vizinhas.
EMPREENDEDORISMO
Foto: Giovana Faria
Foto: Luis Câmara
Irmãos de Cravinhos fundam escola Empresa aposta em tecnologia de oratória e apostam em expansão de realidade aumentada
Cadernos escolares vistos com a tecnologia da realidade aumentada
Fachada da Vox2you, empresa fundada por dois irmãos de Cravinhos que mira o mercado nacional ADAILSON NASCIMENTO
Fundada por Luis Fernando Câmara e Junior Fernandez, a Vox2You é a primeira rede de escolas 100% focada em oratória no Brasil. A primeira unidade surgiu no interior de São Paulo, na cidade de Cravinhos, em 2015, e teve a segunda sede inaugurada no início de 2016 em Ribeirão Preto. Hoje, com mais de 650 alunos matriculados, a Vox2you é pioneira no ensino, que tem como intuito aprimorar a persuasão das pessoas e a eficiência de como se comunicarem bem, seja no mercado de trabalho ou na vida pessoal. ANTECEDENTES Luis Fernando Câmara, sóciodiretor da Vox2you, abriu seu primeiro negócio junto com o irmão aos 17 anos. Em 2007, inauguraram a drogaria JP, localizada em Cravinhos. Câmara sempre se interessou pelo ramo de empreendedorismo. Em 2012, Junior Fernandez propôs que ambos investissem em treinamentos de oratória. Ao desenvolverem o trabalho, ficaram impressionados com o material que tinham em mãos. No ano seguinte passaram a
vender suas ideias e produtos referentes à oratória em participações de eventos empresariais. Após obterem resultados satisfatórios, decidiram abrir a escola de oratória em Cravinhos, que foi inaugurada em 2015 e tem hoje 400 alunos matriculados. A segunda unidade surgiu no início de 2016. Em apenas três meses já possuiu mais 250 alunos. EVOLUÇÃO E AVANÇO Tendo pouco mais de um ano, a Vox2you engrena a todo vapor. Para Câmara, esse crescimento existe graças aos alunos. “O aluno fica por 12 meses na escola e, ao ver o resultado, ele próprio vende nosso produto. Por ser um curso completo e significante na vida das pessoas, elas mesmas indicam outras para que nossa equipe entre em contato”, disse. Câmara declara que, no início, a maior parte dos alunos tinha medo de falar em público, mas com o decorrer começaram a criar confiança e desenvoltura. Outros já têm facilidade de falar em público e praticam técnicas de persuasão e também mostram meios de falarem com convicção para encantar a plateia. O próximo avanço da Vox2you
está voltado ao projeto chamado Franqueadora, que tem o intuito de divulgar e vender o curso para todo o Brasil. O sócio-diretor ainda diz que pretendem aumentar o seu quadro de sócios, com um em cada Estado. A previsão é de que até o final de 2016 o projeto já esteja em prática. DEPOIMENTO Lincoln Aquino, 30, que integra o quadro dos alunos novatos, é representante de vendas em uma microempresa de fabricação de joias. Ele buscou a escola de oratória após participar de um workshop oferecido pela mesma. “Eu senti uma necessidade extrema em mudar o meu modo de falar e perder alguns hábitos que tinha na hora de me comunicar, principalmente em público”, disse. Aquino, que atua no ramo de vendas, diz que o curso é superválido em sua área. Para ele, a oratória é boa em tudo, seja no trabalho, vida pessoal e até mesmo na hora de passar uma ideia e se expressar em público. O aluno que está há menos de um mês na Vox2you. Ele diz que já obteve um resultado muito grande em suas vendas e na sua evolução pessoal.
GIOVANA FARIA GERMANO NEVES Empresas como a Warner Music Brasil e Dalie Coiffer Cosméticos já aderiram à tecnologia da realidade aumentada A novidade tecnológica está fazendo sucesso entre vários segmentos no mercado nacional. Através de um dispositivo móvel, o usuário baixa o aplicativo Zappar. Ao abri-lo, basta apontar a câmera para o código de leitura, chamado Zapcode, desbloqueando os conteúdos virtuais que vão desde vídeos até elementos em 3D. Segundo o diretor e fundador da Massfar, empresa de Ribeirão Preto que desenvolve a tecnologia, Mario Faria, o uso da tecnologia traz muitos benefícios. “O grande diferencial é a inovação. Utilizando os recursos da realidade aumentada podemos criar campanhas publicitárias que aproximam ainda mais os consumidores do seu produto ou serviço”, disse Faria. CRISE Há algum tempo o celular é a primeira tela do brasileiro. O acesso à internet via smartphone e tablets triplicou nos últimos três anos. Pela primeira vez no Brasil, o acesso à internet dentro dos lares brasileiros é maior via celular do que através do computador.
Cerca de 136,6 milhões de pessoas de 10 anos ou mais já tinham celular em 2014 no país. É o que aponta o Suplemento de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Visando o cenário e a atual situação de crise na economia brasileira, empresas de diferentes ramos compraram a ideia e estão aumentando as possibilidades de comunicação com o consumidor. APOSTAS A Warner Music Brasil utilizou a realidade aumentada no DVD da cantora Anitta e o número de visualização que o conteúdo virtual ultrapassou 40.000 vezes. O trabalho mais recente foi à aplicação de realidade aumentada no CD do cantor Biel. Segundo Paula Sequeira, gerente de marketing da Warner Music Brasil, os fãs aprovaram a inovação. “Escolhemos aplicar a tecnologia no CD de estreia do artista por achar uma inovação na maneira de conversar com os fãs e agregar valor ao produto. Os fãs do Biel gostaram bastante da surpresa, acharam um conteúdo bem diferenciado.” Para Adriano Morás, coordenador de marketing da Credeal Cadernos, a tecnologia contribuiu com o aumento da receita em diversas coleções.
2º semestre/2016
GERAL
11
SALES OLIVEIRA
Foto: Apaso
Cidade ganha entidade para proteger animais
Cães sem dono são castrados e devolvidos às ruas e cuidados por moradores RENAN ROSA Batizada de Apaso (Associação de Proteção Animal de Sales Oliveira), ela cuida de animais que ficam pelas ruas da cidade. Inicialmente, era formada por 16 associados, mas, atualmente, conta com apenas seis. A ideia partiu da presidente da associação, Mirela Granville, que é uma ativista da causa e tinha como foco principal a castração desses animais. “Nosso foco é cuidar e castrar os animais de rua, uma coisa que era para o setor público estar fazendo. Como não temos um lugar fixo ainda, nós castramos e os colocamos de volta nas ruas. No caso de cachorros, eles viram comunitários.” Para a vice-presidente da associação, Ana Paula Bugliane Barradas Cutlac, a castração é a solução, porém sem receber ajuda de nenhum órgão, fica mais complicado. “O município podia ajudar, mas não ajuda. Nós estamos vendendo massa para pagar R$ 3 mil de débito que temos. A gente sobrevive de bazar e venda de massa. Não temos ninguém que dê subsídio para a gente”, afirma. Ainda segundo a vice-presente, a prefeitura não ajuda a associação. “Até uns meses atrás
eles davam uns sacos de ração, que eram divididos entre alguns cuidadores que são carentes e alguns animais de rua, mas desde outubro de 2016 não dão nada.” Procuradas, a prefeitura e a Vigilância Sanitária não responderam às ligações até o fechamento desta reportagem. Em 2017, a intenção da associação é transformar-se em uma ONG e, segundo Ana Paula, o mesmo ainda não se concretizou pela burocracia, mas deverá sair do papel ainda este ano. “Ainda não somos a ONG por não termos de onde tirar dinheiro. Teríamos que gastar R$ 800. Primeiro, temos que pagar a dívida da última castração para depois conseguir montar a ONG.” CÃO COMUNITÁRIO Por ainda não possuir um abrigo, alguns cães não adotados se tornam comunitários. Após serem castrados e vacinados, algum morador onde o animal se encontra se torna cuidador. Na calçada dele é colocada uma casinha, que é doada pela associação, e esse cuidador ficará responsável por dar água e comida para o animal. CONTROVÉRSIAS A associação esbarra em duas controvérsias a respeito dos cães
comunitários. A primeira é de pessoas que são contra deixar os cachorros nas ruas e, a segunda, de pessoas que criticam a ação da fundação. Para Granville, algumas pessoas acham que pelo fato de a associação ajudar os animais ela acaba deixando o ser humano de lado. “Algumas pessoas pensam isso, mas não é porque ajudamos os cães, os gatos de rua, que esquecemos das pessoas que também precisam de ajuda”, disse. Ana Paula lembrou que em uma das campanhas de castração uma das famílias que é cuidadora estava passando por necessidades. “Além de vender rifas para ajudar na castração, nós também pedimos algumas coisas para ajudar a família.” Além disso, a associação enfrenta reclamações de pessoas que não concordam em deixar os cães nas ruas. “Nós ouvimos bastante ‘fulano castra e solta na rua’. Mas nós não temos outro meio ainda. Tem uma lei do Feliciano Filho de proteção animal de 1998 que diz que os animais têm direito de viver na rua, castrados e tendo um cuidador”, disse Mirela.
possui parcerias com os municípios de Franca, Batatais e com a ONG AVA, de Ribeirão Preto, que consegue preços mais baratos com médicas veterinárias nas castrações. Além disso, também tem parceria com a Aprocan, de Ribeirão Preto, na qual duas vezes por mês Sales Oliveira pode levar animais para a adoção no município. No caso de maus-tratos, a associação conta com a participação direta e ativa da Polícia Ambiental, que, assim que é PARCERIA Por não possuir nenhuma ve- acionada, atua imediatamenterinária no projeto, a associação te na denúncia, aplicando uma
Associação oferece tratamento a baixo custo para cães e gatos WAGNER VERÍSSIMO A AVA (Associação Vida Animal), de Ribeirão Preto, oferece há 20 anos serviço de castração de animais, além de retirar da rua e promover a adoção dos bichos. O projeto foi iniciado pelo casal Maristela Romano e Paulo Ferraz. O objetivo era participar de ações de proteção animal como proibir o uso de apresentações de touros em rodeios e também de bichos em circos. De acordo com a diretora da instituição, Maria Cristina Dias, 53, a ONG ainda enfrenta dificuldades para resolver os problemas de maus-tratos com o poder público. “A instituição enfrenta muitas dificuldades com o poder público para ter autonomia nessa causa. A AVA ainda não desistiu de trabalhar em favor desse problema”, afirma Cristina. ATENDIMENTO Os tratamentos de cães e gatos são de baixo custo e beneficiam principalmente famílias que não têm condições de levar seus cães e
gatos para uma clínica veterinária. O valor de colaboração é de R$ 10 mensais e revertido para a instituição manter o seu funcionamento. Evair Alves, 45, dono cão, Billy, foi um dos favorecidos pelo atendimento veterinário. “É a primeira vez que trago meu cachorro na AVA e gostei muito do trabalho que é feito aqui. O Billy foi bem tratado”, afirmou Evair. VOLUNTÁRIOS A AVA é composta por uma diretoria formada por dez pessoas, possuindo dois veterinários que trabalham como voluntários e 15 pessoas que atuam alternadamente nos atendimentos. Segundo Cristina Dias, a organização oferece orientação educacional para as famílias que têm guarda responsável dos animais domésticos. A veterinária Fabiana Barbosa, 41, disse que começou fazendo estágios na AVA e, após se formar, acabou permanecendo na instituição. “Acabei ficando na clínica por-
Cachorro atendido pela Apaso, entidade que cuida de bichos em Sales Oliveira
que me identifiquei com os trabalhos que a associação realiza com a proteção e cuidados com os animais. Além de ajudar nos atendimentos também sou bem remunerada pelo o meu trabalho”, disse a veterinária. A funcionária que cuida da limpeza do local, Maria Jackeline Hilário, 40, declarou que trabalha na AVA há três meses. “Gosto de trabalhar aqui porque amo os animais, além de conseguir um emprego, uni o útil ao agradável.” Kelly Dorsy, 25, trabalha na ONG como atendente. “Eu gosto de trabalhar aqui porque o que mais me agrada é ajudar os animais”, disse a funcionária. Segundo a diretora Maria Cristina, o ativismo em defesa dos animais é uma vocação. “Ser ativista é algo que nasce dentro de você. É uma vocação”, declarou a diretora.
multa de no mínimo R$ 3 mil e a retirada do animal do local de abusos. DOAÇÕES Além da castração e vacinação de animais de rua, a associação também é ponte para a adoção de gatos e cachorros. Quem quiser adotar precisa passar por um processo no qual é investigado se o adotante terá condições de manter aquele bicho. Caso seja aprovado, ele assina um termo. Após a adoção, a associação acompanha através de visitas para saber como está sendo tratado o animal adotado.
CAJURU
Artesão tira fotos aéreas com câmera presa em pipa FERNANDA OLIVEIRA
Com um investimento de R$ 20, o artesão Luciano Semeão, 40, morador de Cajuru, criou um “drone caipira”, que nada mais é do que uma pipa que sustenta uma câmera fotográfica e registra imagens aéreas. O equipamento pode alcançar uma altura de 300 metros. O artesão conta que o gosto por fotografia e a admiração por voos o levaram a criar algo para diferenciar suas imagens. “Eu queria algo diferente em termos de foto”, afirmou. Semeão confeccionou a pipa com tecido de nylon e bambu em uma máquina de costura que ganhou da mãe. “A vontade de capturar imagens lá de cima era tanta que em uma noite o projeto foi finalizado”, conta. Ele lembra que chegou a confeccionar um menor, mas não o comercializou, pois não ficou perfeito como o “drone caipira”. A AVA fica na Rua João Ramalho, 179, Após concretizar o projeto, no bairro Campos Elíseos. era o momento de testar o equiO telefone é (16) 3632-1054. pamento. Em uma das primeiras
tentativas, o artesão relembra que quando estava terminando de fazer as fotos começou a ventar muito forte e a câmera se soltou da linha principal, caiu e perdeu o sinal de wifi. A busca pela câmera durou três dias. RECONHECIMENTO O reconhecimento veio após Semeão ter participado de um concurso de fotografia em Santa Rosa de Viterbo no qual apresentou uma foto da barragem Itaipava do Rio Pardo. Dentre suas fotos constam imagens das cachoeiras em Cássia dos Coqueiros, do rio Cubatão e das cidades de Ribeirão Preto e São José do Rio Pardo. O artesão revela que há projetos de fotografar também em Araraquara e Guatapará. Recentemente, ele realizou um trabalho para uma empresa de Cajuru e recebeu proposta de uma construtora para tirar fotos na cidade de Mogi Guaçu. Segundo ele, não houve ainda proposta para que a ideia seja comercializada, mas o projeto está sendo patenteado.
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CIDADANIA
2º semestre/2016
‘Street Store’ leva solidariedade às ruas Voluntários de Ribeirão Preto arrecadam e distribuem roupas e sapatos para moradores carentes Foto: Laura Bucci
jetivo de ajudar pessoas economicamente menos favorecidas. “Organizamos o projeto de uma forma adaptada, que atendesse a nossa população. Além de roupas, temos também sapatos, acessórios, cabeleireiros, e ainda servimos um café da manhã”, afirma a voluntária Paula Domenichelli. Com doações arrecadadas por meio das redes sociais, o grupo aceita tudo o que recebe e depois realiza uma triagem das peças. “Escolhemos as melhores para o Street Store e as demais são doadas para comunidades carentes, abrigos e clínicas de recuperação”, afirma Paula.
Voluntária ajuda na escolha de um sapato novo para a moradora
uma loja ao ar livre que deixa o público à vontade para escolher o que quiser levar e, o melhor de A frase “fazer o bem, sem olhar a tudo, sem pagar nada. quem” nunca esteve tão na moda. A iniciativa faz parte de uma É nesse sentido que o grupo Re- campanha mundial conhecida solvi Mudar, de Ribeirão Preto, como “The Street Store” ou “loja costuma exercer a solidariedade. de rua”. Iniciada no ano de 2014 Os voluntários trouxeram na África do Sul e em São Paulo para Ribeirão o Street Store, no ano passado, a ação tem o obGABRIELLA MANZANO LAURA BUCCI
LIMITE Ainda segundo a voluntária, há um limite de peças a serem adquiridas. Deve-se escolher três peças de roupas, um sapato e um acessório. Nas ruas tem mais homens do que mulheres e enfrenta-se muita dificuldade em conseguir itens masculinos. Por esse motivo, há a necessidade da limitação, para que todos possam
Foto: Laura Bucci
Grupo cozinha e entrega marmitas para moradores de rua de Ribeirão
José, ex-estudante de música, é um dos atendidos pelos voluntários DESIRÉE NASCIMENTO
Um grupo de 20 pessoas de Ribeirão Preto cozinha e entrega marmitas para moradores de ruas. Em um ano, já foram distribuídas quase 5.000 marmitas. Elas formam o ministério “Toda vida tem uma história” e encontram-se toda quinta à noite para montar e entregar as marmitas. O grupo utiliza a cozinha da Igreja Caminho da Vida, localizada no bairro Jardim Paulista, zona leste da cidade. “O local onde começamos a cozinhar estava muito apertado, então o pastor emprestou a cozinha da igreja. Não tínhamos panelas, mas fomos comprando e montando a cozinha aos poucos” afirma Manu, uma das integrantes. O cardápio é montado na terça ou quarta-feira de acordo com o que for encontrado com melhor preço no supermercado.
A marmita tem arroz e feijão gordo (com linguiça e pele), uma mistura e um tipo de carne. De sobremesa são servidas laranjas e garrafas de água. O grupo leva também roupas e cobertores. O trabalho é sustentado com doações de amigos próximos e por revezamento: cada quinta alguém se dispõe a pagar. A principal motivação é ajudar quem não teve e não tem as mesmas oportunidades que os integrantes do ministério. Ao terminar de embalar as 120 marmitas e carregar os carros, por voltas das 22h, saem duas equipes. Entregam desde o Alto da Mogiana, na Vila Abranches, até a rodoviária. Os voluntários vão procurando pessoas nas ruas que precisem de alimentação em toda a cidade. Em alguns pontos já possuem seus “clientes” fixos, os quais esperam pela visita. A entrega acontece para todo
aproveitar, sem ninguém ficar de fora, segundo Paula. Para quem esteve no último evento realizado, não resta dúvidas de que o projeto ajuda de fato quem mais precisa. “Fiquei muito contente quando cheguei aqui e vi esse ‘monte’ de peças de roupas. Minha filha estava precisando muito de roupa de frio, peguei uma peça linda e ainda por cima de graça”, afirma a moradora de rua Cassandra Silva. O grupo Resolvi Mudar, além da loja ao ar livre, também exerce outros projetos como entrega de marmitas e cestas básicas todo primeiro domingo do mês e ações durante o ano todo. “Sempre em datas festivas, como Dia das Crianças, Páscoa e Natal realizamos algo. No mês passado, fizemos um dia de contos de história para crianças na favela e tivemos apresentações com instrumentos musicais”, declara Paula. As doações podem ser feitas na Rua Doutor Wilson José de Melo, 95, ou pelo telefone (16) 99330-1010.
Trabalho transforma vida de pessoas com deficiência
tipo de pessoa: viciados em droLUANA MARCELINO gas, gente muito humilde que não consegue todas as refeições, traA inclusão de pessoas especiais balhadores que voltam para casa no mercado de trabalho é algo de madruga e moradores de rua. transformador tanto para ela quanto para quem está ao seu redor. REABILITAÇÃO Um exemplo é a história de Felipe Muhu, 39, foi quem deu vida do Paulo Sergio Saccon, 37, início ao projeto e, ao deparar-se portador de síndrome de Down com os pedidos de ajuda para que trabalha como empacotador sair da rua, resolveu incluir no em um supermercado de Guaíra. trabalho do ministério um auxíEle mora com a mãe, Maria lio a quem quisesse reabilitação. Amália de Oliveira Saccon, 82, Enquanto as equipes saem que tem dificuldades para se lopara fazer a entrega, ficam o ca- comover devido a uma queda, na sal Marisa, 50, e Marcos Silva, 46, qual quebrou o fêmur. e a pastora Doca, 61, de plantão. Ela paga uma moça para fazer Quando alguém pede ajuda os trabalhos domésticos. Para para sair das drogas, a pastora dona Maria, o filho, após comedirige-se até o local para conver- çar a trabalhar, criou uma alegria sar, orientar e orar. Se depois de e ânimo que antes não tinha. todo o processo a pessoa ainda “Depois que começou a traquiser mudar de vida, eles a le- balhar se tornou outra pessoa. vam até a igreja, onde o casal Agora é alegre e animado. Não ajuda a dar banho, trocar de rou- gosta de faltar de jeito nenhum, pa para no outro dia ser encami- até chora caso não possa ir.” nhado à casa de reabilitação. Paulinho, como é conhecido Para Muhu é essencial o traba- pelos colegas de trabalho, leva lho da pastora e do casal. uma vida simples. Apesar de “Fazemos dessa forma, com suas limitações é brincalhão, muita conversa, orientação e sorridente e contagia as pessoas uma oração muito forte, pois a à sua volta. Para os amigos de atração da rua é muito forte. Às serviço, estar com ele é não ficar vezes eles pedem só um banho, triste, pois faz todos sorrirem roupa limpa e lugar confortável com sua alegria. para dormir por uma noite. ” “Ele é muito brincalhão e está A parte da reabilitação come- sempre rindo e nos fazendo rir. çou no início de maio de 2016 Não tem tempo ruim, sempre com Tiago, 26. Órfão, cresceu em alegre ”, disse Angélica Pereira um orfanato onde experimentou da Silva, colega de trabalho. a droga pela primeira vez. Além dele, na empresa trabalha Apesar do vício, formou-se Priscila Helen Ferreira, 23, que como topógrafo e constituiu fa- possui deficiência intelectual. Por mília, mas, consumido pela dro- suas limitações serem menores ga, acabou nas ruas. que as de Paulinho, desenvolve
mais atividades dentro da empresa, como por exemplo reposição de mercadorias e empacotamento, além de outras atividades. Para a gerente Veridiana Araújo dos Reis, a dupla são os melhores funcionários que a empresa tem. “Eles são os melhores funcionários que temos. Conseguiram a vaga através do projeto Crescer.” O projeto Crescer auxilia as pessoas especiais a ganharem espaço no mercado de trabalho. Ele é desenvolvido pela empresa. O candidato deve estar estudando na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). LEI Está previsto na lei 8.213/91, no artigo 93, instituída em julho de 1991, que todo tipo de deficiente tem direito a vaga de emprego. Toda a empresa que tem mais de 100 funcionários é obrigada a reservar 2% das vagas para pessoas especiais. Veja abaixo nesta página a tabela com as porcentagens que cada empresa deve cumprir.
RESERVA DE VAGAS FUNCIONÁRIOS QTD. 200
2%
201 a 500
3%
501 a 1.000
4%
1.001 +
5% Fonte: Lei 8.213/91