
A linha de costura que por estes dias orienta os passos de quem entra no Palacete Lopes Martins resultou de um gesto performativo do grupo Pure Print Archeology, desenhado no contexto da exposição Frontispiece | Precipice, em 27 de abril passado. A ela cabe agora abrir esta fanzine digital onde se partilha o que resulta do exercício proposto ao grupo Viver a Fotografia: ao longo do mês de junho, não somente percorrer espaços da Fundação Marques da Silva, mas sim construir uma relação com eles através da lente de uma câmara, em plena liberdade autoral e criativa. O certo é que ponto a ponto foram-se alinhando, costurando, unindo numa progressão orgânica as formas, os caminhos percorridos, a vida que se foi revelando e traduzindo em instantâneos fotográficos durante esses dias. É então essa linha invisível, pontuada pelos fugazes haikai que Rui Ferreira foi reunindo, a tecer a progressão desta publicação que, entre as infinitas vias possíveis, vem cumprir em 2026 a tradição de esta Fundação sinalizar o Dia Mundial da Fotografia.
A UPP (Universidade Popular do Porto) convidou o António Ferreira para orientar um novo curso, a que foi dado o nome Viver a Fotografia. Começou assim como um chamamento em surdina, a que responderam o Fernando, a Cecília, a Helena, o Nuno e a Letícia, mais o Zé, o Rui, o Emanuel e a Manuela. Muniram-se de máquinas e telemóveis e deram amplo uso ao botão do obturador, em passeios orientados, à descoberta do melhor ângulo, do melhor enquadramento, da luz mais adequada, até da imagem mais inusitada, sempre sob a mestria do tal António Ferreira que se revelou um verdadeiro compincha desta pandilha da foto. E eis que, de um encontro fortuito entre dois amigos de longa data, na verdade uma amiga e um amigo, surge o desafio lançado ao grupo: fotografar a Fundação Marques da Silva, este lugar singular, onde a história da arquitetura dialoga com o legado de tantos e tantos dos seus maiores representantes.
A Casa-Atelier do Arquiteto Marques da Silva, o Palacete Lopes Martins e os seus jardins revelaram-se, assim, como um espaço de memória, inspiração e criação, onde a história se confronta constantemente com a contemporaneidade. São estes os olhares e as imagens fotográficas do grupo.
fotógrafos: Cecília Vieira, Emanuel Rodrigues, Fernando Gil da Costa, Helena Neves, José Baptista, Letícia Leitão, Manuela Ruivo, Rui Ferreira. professor: António José Ferreira Universidade Popular do Porto




































