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Suplemento especial da Edição 617 Caderno de Natal

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Jaguaruna, SEXTA-feira, 20 de dezembro de 2013 | Edição 617

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Especial Natal


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O verdadeiro sentido do Natal uzes, piscas, enfeites, árvores, Papai Noel, tudo nos envolvendo num clima de festa, compras, troca de presentes. Não há quem passe despercebido dessa data. Muitas vezes o Natal é encarado como mais uma comemoração do calendário. Independente das diferenças, a maioria das pessoas se reúne com familiares e amigos para confraternizações todos os finais de ano. Mas qual o verdadeiro sentido do Natal para os cristãos? Mesmo que a sociedade caminhe para focos diferentes do real motivo, a essência é e será sempre a mesma: celebrar o nascimento e o amor de Jesus. Para os católicos, o Ano Litúrgico começa com o Tempo do Advento. Trata-se de um tempo de preparação para a Festa do Natal de Jesus que, de acordo com as narrações bíblicas, foi o maior acontecimento da História. “É o

tempo de uma preparação espiritual para celebrarmos o nascimento de Jesus, a entrada oficial de Jesus na nossa história”, destaca padre Nilo Buss, pároco de Jaguaruna. Nos quatro domingos que antecedem o Natal, durante as celebrações da Missa ou da Palavra, os católicos lêem textos da Bíblia que os ajudam a celebrar o verdadeiro sentido do Natal. Ouvindo os profetas, especialmente João Batista, os discípulos missionários de Jesus são chamados a acolher permanentemente em seus corações o Menino Deus. Na bíblia todos os evangelhos relatam o acontecimento mais sublime da história humana: o nascimento do Salvador. “Nós deixamos de lado a figura do Papai Noel e enfatizamos este momento onde o símbolo maior é o nascimento de Jesus”, destaca o pastor José Luiz Ávila Lopes, da igreja Assembleia de Deus de Jaguaruna.

“É o tempo de uma preparação espiritual para celebrarmos o nascimento de Jesus na nossa história”.

Padre Nilo Buss

Pároco de Jaguaruna

“Nós deixamos de lado a figura do Papai Noel e enfatizamos este momento onde o símbolo maior é o nascimento de Jesus”.

José Luiz Ávila Lopes

Pastor da Igreja Assembleia de Deus

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Os símbolos do Natal A Coroa do Advento Tem a sua origem em uma tradição pagã europeia. No inverno se acendiam algumas velas que representavam o “fogo do deus sol” com a esperança de que a sua luz e o seu calor voltassem. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar as pessoas. Partiam de seus próprios costumes para empenhar-lhes a fé. Assim, a coroa está formada por uma grande quantidade de símbolos: Círculo A Coroa tem forma circular. O círculo não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar. Além disso, o círculo dá uma ideia de “elo”, de união entre Deus e as pessoas, como uma grande “Aliança”. Recorda, ainda, que Jesus é o Senhor e Salvador de todos os povos e a sua mensagem não exclui ninguém. Os ramos verdes A natureza contribui com

seus dons para saudar o Deus Menino: os ramos. Verde é a cor da esperança e da vida. A esperança é o Senhor Jesus, que vem revelar as coisas do céu. Após a primeira vinda, toda a Igreja, com esperança renovada, aguarda a segunda e definitiva volta de Jesus.

As velas As quatro velas da coroa simbolizam, cada uma delas, uma das quatro semanas do Advento. No início, vemos a coroa sem luz e sem brilho. Ela recorda a experiência de escuridão do pecado. À medida que se vai aproximando o Natal, ao passo das semanas do Advento, vai sendo acesa, uma a uma, as quatro velas representando assim a chegada, no meio de nós, do Senhor Jesus, luz do mundo, que dissipa toda escuridão, trazendo aos corações a reconciliação tão esperada. A vela vermelha significa a fé que o Menino Jesus traz ao mundo. A branca simboliza a paz. Já a vela roxa é um convite à preparação do coração para acolher Jesus, com uma sincera conversão. A vela verde representa a alegria pelo

nascimento de Jesus e a esperança trazida por Ele. Significado do presépio de Natal O presépio é uma montagem com peças ou com uma representação teatral do momento do nascimento de Jesus Cristo. Com o Menino Jesus na manjedoura ao centro, o presépio apresenta o local e os personagens bíblicos que estavam presentes neste importante momento cristão. Tradição da montagem do presépio É tradição, em várias regiões do mundo, a montagem do presépio na época de Natal. Seguindo a cultura local, os presépios podem variar em tamanho e materiais usados. Existem presépios minúsculos e outros em tamanho real. As peças podem ser feitas de madeira, argila, metal ou outros materiais. Hoje, pode-se encontrar presépios montados até nas praças das cidades ou em algumas lojas. O mais comum, porém, é a montagem dentro das casas das famílias cristãs.

O Advento caracteriza-se como período de preparação. A palavra Advento origina-se do verbo latino advenire, que quer dizer chegar. Advento é tempo de espera d’Aquele que há de vir, o Cristo Jesus.

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Confraternização em família Natal é, sem dúvida, a data mais esperada do ano, seja por crianças ou por adultos. As confraternizações familiares é tradição na família cristã. Mesa farta, troca de presentes e muitas histórias, assim é o dia de Natal da família Bitencourt, que tem no casal Marino e Cecília Bitencourt o alicerce da família. “A comemoração do Natal é um momento muito especial, reunimos toda a família, é uma tradição antiga”, destaca seu Marino. “A casa fica repleta de filhos, netos e também bisnetos”, completa dona Cecília. O casal tem oito filhos, 20 netos e três bisnetos. “Mas temos mais um bisneto a caminho”, comenta, com orgulho, o avô. Eles contam que antigamente a festa era feita na casa da família na comunidade do Riachinho, em Jaguaruna, mas que atualmente a família se reúne na casa da filha mais

velha do casal, no balneário Arroio Corrente. “A Cecília ficou adoentada e era muita coisa, ela gostava de coordenar tudo, aí tivemos que mudar de casa. Faz quatro anos que comemoramos na praia, a minha preocupação agora é só a de comprar a carne”, comenta o senhor Marino. Para a dona Cecília, ficou a preparação das roscas de polvilho para o café da tarde. “O único pedido dos filhos foi para que eu continuasse levando as roscas de polvilho para servimos no café da tarde, faço uma bacia repleta de roscas”. Outra tradição na família é a brincadeira de “amigo secreto”. “Todos os anos nós brincamos, depois do almoço e da sobremesa, partimos para a revelação do amigo secreto, é sempre uma grande festa e rende boas histórias”. Entre tantos presentes ganhos ao lon-

go dos anos, seu Marino guarda com muito carinho uma

caneca que ganhou do primeiro bisneto. “Eu gostei muito, é um orgulho muito grande a gente ver a família crescendo, cada neto ou bisneto que chega é um motivo de alegria. Essa caneca tem os dizeres: eu amo meu bisavô, tem presente melhor do que este?”, questiona, orgulhoso, o patriarca da

família. Para esse ano os preparativos do Natal da família Bitencourt já estão a todo vapor. “O pessoal já começou a se organizar, para nós agora, só nos resta esperar o dia chegar e poder celebrar mais um Natal em família”, finaliza o seu Marino.

Entre tantos presentes recebidos, seu Marino guarda com muito carinho uma caneca que ganhou do primeiro bisneto, o pequeno Francisco


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Natal de antigamente uem já não escutou as histórias dos avós e dos pais de como era o Natal no passado? Se alguém respondeu que nunca escutou, pois bem, se prepare, pois nas próximas linhas estaremos falando dos Natais da década de 40. A responsável por este relato é a senhora Helena Darella Lorenzin, filha de Afonso Darella Lorenzin e Cantalice Matilde da Silva Darella Lorenzin, que aos 79 anos se emociona ao lembrar dos tempos de infância. “Antigamente, quando nos pastos nascia uma espécie de capim, as crianças, animadas, já sabiam que estava chegando o tempo do menino Jesus. Era a época do Natal. A felicidade era geral e se espalhava por todas as casas, contagiando as famílias. Logo, tratavam de preparar na sala de casa o presépio com galhos de árvore enfeitados com barba de velho, pedras, flores, tudo bem bonito e caprichado. Colocavam no

centro, as imagens singelas de José, Maria e o pequeno Jesus, ladeados pelo boi e também o burrinho”. Ela lembra que os dias que antecediam ao Natal eram contados nos dedos. “Era uma ansiedade muito grande, eram preparados diversos bolos, biscoitos, doces e licores. As famílias recebiam a visita do Terno de Reis, cantando a boa nova, levando a esperança e a alegria de casa em casa”. Entre as recordações, dona Helena relembra que as crianças colhiam capim para o burrinho, que trazia a Sagrada Família, comer. “Além do capim, nós também deixávamos uma vasilha com água e o ‘terreiro’ todo varrido, bem limpinho, esperando a chegada do menino Jesus”. Era costume, à noite, após a janta, as crianças irem para a cama cedo, pois a expectativa era grade para o dia seguinte. “Nós íamos para cama e os mais velhos da casa, geralmente iam à Missa do Galo, que iniciava exatamente a

meia-noite, naquela época”. A comida à moda italiana era especial para a data. “Na véspera do Natal preparavam macarrão caseiro e deixavam a galinha de molho para ser ensopada no dia seguinte. Era um corre-corre”. No dia 25 de dezembro, logo cedo, todos já estavam de pé, para ver os presentes que foram deixados. “Era uma verdadeira festa: os meninos com flautas, gaita de boca e pandeiros faziam barulho pela casa. Ganhavam também bola e pião. As meninas geralmente ganhavam bonecas e panelinhas de barro”. Para surpresa das crianças, o capim e a água para o burrinho, não havia mais nenhum sinal. “Nós ficávamos felizes, afinal ele havia comido tudo e bebido quase toda a água”. Dia de Natal era também o dia de ganhar novas roupas. “Todos ganhavam roupa nova para irem juntos à missa, a igreja, nesta data, era sempre cheia”. Na volta da missa era chega-

Dona Helena se emociona ao relembrar o Natal de antigamente da a hora do almoço. “Minha tia e minha mãe preparavam com muito carinho e dedicação, tinha galinha ensopada, polenta, macarrão caseiro e salada de radiche e alface, e assim, a família se reunia à mesa para celebrar”.

Dona Helena destaca que eram tempos felizes. “Graças a Deus, com muita fartura, cheios de inocência, simplicidade, fé e muita alegria, comemorávamos o Natal, era um tempo muito bom”, finaliza ela, de forma saudosista.


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Trabalho voluntário na véspera de Natal nquanto muitos estarão em casa com a família comemorando a chegada do Natal, outras estarão trabalhando. Muitas vezes a profissão exige que você se ausente do contato dos familiares neste dia especial. Mas, e quando esse trabalho é voluntário? Pois são essas pessoas que, voluntariamente, deixam suas casas e vão prestar um serviço solidário ao próximo. O soldado do Bombeiro Voluntário, Tiago Duarte de Oliveira, um dos chefes de equipe, estará de plantão neste Natal. Na verdade, em seis anos de bombeiro voluntário, este será o terceiro Natal que irá trabalhar. Engana-se quem possa estar imaginando que o voluntário Tiago fique chateado com a situação. “Eu amo esse trabalho, será o terceiro Natal e já trabalhei quatro viradas de ano. Sei que é muito especial, mas estaremos prestando um trabalho também especial. Se alguém

precisar dos nossos trabalhos estaremos a postos”. O bombeiro destaca que nos últimos anos essas datas têm sido bastante tranquilas. “As vezes em que trabalhei foram dias bem calmos, para se ter uma ideia, na noite de Natal a gente pode trazer a família e fazer uma ceia de Natal aqui mesmo na sede do Bombeiro, claro que nada de álcool e estamos sempre atentos a qualquer chamado”. O envolvimento com o trabalho voluntário veio pela admiração dos trabalhos desenvolvidos pelos bombeiros. “Sempre fui muito fã do trabalho destes profissionais e quando surgiu aqui em Jaguaruna eu pude realizar este sonho. É uma profissão muito gratificante”. Os Bombeiros Voluntários de Jaguaruna estão em funcionamentos há seis anos no município e atendem as cidades de Jaguaruna, Sangão e Treze de Maio. Durante este período a instituição foi ganhando espaço e sendo, a cada dia, mais

Para o bombeiro voluntário, Tiago Duarte de Oliveira, este será o terceiro plantão na noite de Natal valorizada pelos serviços prestados. “No início passamos por algumas dificuldades, mas

hoje estamos bem equipados, conseguimos novos veículos, estamos com uma ótima equi-

pe e a cada dia prestando um serviço de qualidade à população”.


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A grata responsabilidade de ser Papai Noel uem também está presente nas festividades de Natal é a figura do Papai Noel. Dizem que o “bom velhinho” foi inspirado num santo bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia, em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas. Em cada cidade é possível encontrar um, dois ou vários papais Noel, mas em Jaguaruna, um funcionário público já ocupa este cargo há quase oito anos. Jailson Rodrigues destaca o prazer de estar fazendo as vezes de Papai Noel. “É muito gratificante, a gente vê na criança aquela alegria de poder estar perto do Papai Noel, de tirar uma foto, de receber um abraço, balas”. Diferente do bom velhinho, Jailson, de 39 anos, não tem cabelos e nem barba branca, nem tão pouco a famosa barriga avantajada do Papai Noel, mas isso não é problema. “Não

tem problema não, a barba e o cabelo branco já faz parte do kit da roupa do Papai Noel e a barriga nada que uma almofada não resolva”, comenta, descontraidamente. Ele lembra que a primeira pessoa que o convidou para representar o papel do bom velhinho foi a Maria das Dores Bitencourt de Pieri, popular Dorza que trabalha na CDL de Jaguaruna. “Ela me convidou e eu aceitei, já fiz muitas apresentações como Papai Noel por todo o município”. Na abertura de Natal de Jaguaruna neste ano, lá estava novamente o Jailson, desta vez ele recebeu as chaves da cidade. “Foi uma noite muito bonita, muitas crianças esperando a chegada do Papai Noel e no final me entregaram as chaves da cidade. Sei que é tudo simbólico, mas é um grande orgulho”. Para finalizar, ele deixa um recado a todos nós. “Mais do que as trocas de presentes e as festas, o Natal é tempo de ter muito amor no coração, tenho certeza que esse é o maior

presente que podemos ganhar e dar. Desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo com muitas alegrias”.


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