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Caderno de Treze de Maio

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• JAGUARUNA / SC • SEXTA-FEIRA, 26 DE JULHO DE 2013• EDIÇÃO 596

Tradicional Festa de São Cristóvão e do Agricultor em Treze de Maio Escolha da Rainha 2013 No passado, em Treze de Maio, as grandes festas religiosas eram a de São José, comemorada em março e a de Nossa Senhora, em 15 de agosto. Com a vinda do progresso e a chegada dos primeiros caminhões, o Sr. Gentil Bez Fontana (in memorian), tendo um olhar para o futuro e vendo o avanço que aquelas máquinas iriam trazer ao País, animou outros amigos e buscou festejar este progresso vindouro com a 1ª Festa de São Cristóvão, isso no ano de 1964, já que era padroeiro dos motoristas. Passados 49 anos, a Festa de São Cristóvão, agora comemorada juntamente com a Festa do Agricultor, ainda é um momento de reunião de amigos, de encontrar e reencontrar a fé em São Cristóvão, além de divulgar o município e seu desenvolvimento agrícola, enfim, foi um “casamento” muito bem pensado, visto o forte potencial econômico que a agropecuária exerce no município e o respeito que tem pelos “heróis da estrada”. Histórico Festa do Agricultor Assim como uma semente tem que ser plantada, cuidada e tratada para poder dar frutos, a Festa do Agricultor teve o mesmo processo. Há sete anos, o então secretário municipal de Agricultura, Ademir Alberton Monteguti, juntamente com um grupo de pessoas ligadas ao meio rural, sentiram a necessidade de contemplar os agricultores, bem como divulgar os produtos do meio agrícola. Pensaram, se reuniram e fizeram acontecer, e em 2006 acontecia a 1ª Festa do Agricultor. A junção com a Festa de São Cristóvão se deu pelo fato de que no sábado não havia muitas atrações, a festa ocupou então um espaço que se encontrava vazio e aproveitou para prestar homenagens ao homem do campo. No primeiro desfile de tratores, que aconteceu em parceria com lideranças das comunidades, apareceram 60 tratores. Para se ter uma ideia do sucesso, no ano de 2012, mais de 200 tratores passaram pela Avenida 07 de Setembro, no centro de Treze de Maio. O que também contribuiu para o crescimento da festa foi o apoio do comércio, que acolheu a festa e não poupou esforços em doar os brindes para as premiações que acontecem no período da tarde. Outro fator que colaborou para o sucesso da festa do agricultor é a exposição de produtos do meio rural, que conta inclusive com a degustação de produtos. E este ano acontecerá dentro do Centro de Convivência Municipal “Pedrinho Silvestro Marcon”.

A festa de São Cristóvão está em sua 49ª edição e a festa do Agricultor na 7ª edição. As duas festas integradas são o maior evento no município de Treze de Maio. A parte social do evento ficou por conta da comissão social da CAEP, representada pelas organizadoras Adriane Bez Fontana Margotti e Gilmara Carara da Silva. “Recebemos o convite do presidente da CAEP, Adenilson Menegalli. Ele pensou na possibilidade de novamente estarmos realizando a escolha da rainha. Conversamos e fomos atrás de promover o evento”, lembra Adriane. O resgate da escolha da rainha para a festa foi bem aceito por toda a comunidade e era necessário que as candidatas passassem por algumas etapas. “Conseguimos, em 15 dias, reunir 11 meninas que estavam dispostas a concorrer, elas tinham que vender rifas e depois, no dia da escolha, os jurados avaliaram beleza, desenvoltura, simpatia e torcida”, destaca Gilmara. O baile foi realizado no centro de ventos de Treze de Maio e movimentou o município. “Tivemos um grande público, todas as candidatas tinham torcida, foi uma grande festa”, comentou Adriane. As organizadoras conseguiram entrar em contato com a última rainha da festa, isso em 1999. “Através das redes sociais conseguimos entrar em contato com ela e a convidamos para vir fazer a entrega da coroa e da faixa”, comenta Adriane. A rainha de 1999 foi Siliane Alano Danilo. “Eu participei do concurso para a escolha da rainha da Festa de São Cristóvão no Treze de Maio no ano de 1999. Na época eu tinha 14 anos. Foi um momento muito especial e mágico que guardo com muito carinho nas minhas

lembranças”. Para ela, o convite para comparecer no baile da rainha desse ano e participar do evento foi uma grande surpresa. “Quando a comissão organizadora da festa deste ano entrou em contato comigo verificando a possibilidade de eu me fazer presente neste baile que iria acontecer para a escolha da nova rainha, a fim de passar a faixa e a coroa, com certeza fiquei muito surpresa e um pouco insegura também, afinal já havia se passado 14 anos, porém, o compromisso assumido com a comunidade ainda existia. Foi um momento maravilhoso”. Siliane mora em Curitiba há cinco anos desde que se casou. A rainha escolhida neste ano foi Daiara da Rosa Serafim, de 14 anos. Ela é estudante e tem como maior destaque, além da beleza, a facilidade para se comunicar. “Eu sempre fui muito comunicativa e viver essa experiência está sendo ótimo. Fui a segunda a me inscrever, logo após a candidata Iara Sorato”. Além de vender o maior número de rifas, ela foi a que conquistou maior número também entre os jurados. “A expectativa para saber o resultado foi cercada de muita emoção. Várias meninas ficaram nervosas e acabaram chorando enquanto esperavam o resultado. Eu chorei quando o resultado chegou e eu vi toda a minha família reunida na torcida, foi muito emocionante”. Depois de ser escolhida como rainha, ficou a cargo de Daiara e as princesas Beatriz Rodrigues e Eduarda Medeiros Serafim, divulgar a festa. “Visitamos várias rádios e eventos da região divulgando a nossa festa e levando o nome de Treze de Maio. A expectativa é que seja um grande evento e desde já quero convidar a todos para estarem prestigiando. A

festa tem inicio nesta sexta-feira e vai até o domingo”, finaliza Daiara. Entre os destaques da festa está a tradicional procissão motorizada que é feita com tratores, além disso, esse ano terá o sorteio de uma moto 0KM para os participantes da procissão e também um Uno 0KM para quem comprou o bingo.


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A importância da festa para a cidade

“A Festa do Agricultor só vem crescendo a cada ano, sendo que já se consolidou no calendário de eventos de Treze de Maio juntamente com a de São Cristóvão, e posso dizer que me sinto honrado em, como prefeito, dar continuidade neste evento. Também agradeço o empenho de todos os responsáveis pela organização, que não economizaram esforços para fazer esta grande festa. Treze de Maio é privilegiado por ter uma terra fértil e produtiva além de um povo batalhador, por isso quero agradecer cada um dos produtores rurais pelo trabalho e perseverança em levar a agricultura no peito. Eu também vim de uma família de agricultores e sei que são apaixonados pelo que fazem, e esta festa é especialmente para isso, valorizar e incentivar esses trabalhadores que dão vida e característica a esta cidade”. Clésio Bardini de Biasi Prefeito Municipal

“A 7ª Festa do Agricultor traz ao centro de Treze de Maio o trabalho realizado pelos produtores rurais e que a cada ano vem registrando um sucesso maior. Esse sucesso representa a valorização do trabalho das pessoas que vivem da agricultura, do produto colonial e de seu sabor único, além disso, é um resgate e um modo de valorização da cultura dessas comunidades, que fizeram do evento um dos mais importantes do município, sendo assim, a festa representa o dom de cada um de plantar e semear. O que se produz no meio rural é o resultado do que o homem acreditou e Deus abençoou, e são justamente estes alimentos tão essenciais no nosso dia-a-dia, e por isso temos que valorizar esses homens do campo, que merecem todo o respeito e gratidão”. Albertino Viel Secretário Municipal de Agricultura

“O povo de Treze de Maio é fervoroso, confiam na graça de Deus e buscam em São Cristóvão a proteção, visto que muitos trezemaienses ganham a vida como caminhoneiros. A fé é uma caminhada, e São Cristóvão buscou na vida maneiras de vivê-la intensamente, e foi no trabalho simples e humilde que descobriu a grandeza de servir a Deus. Depois de muito trabalho, transportando pessoas de uma margem à outra em um riacho e que Jesus, fazendo-se criança, deixou-se transportar também. Inspirados neste Santo e pedindo sua proteção, almejamos mais do que dirigir veículos e caminhões, queremos conduzir nossas vidas pela estrada segura do Evangelho que com certeza nos levará aos braços do Senhor”. Padre Nivaldo Ceron Pároco do município

“A nossa festa é uma tradição no nosso município e também para a região. Esse ano resgatamos a escolha da Rainha que fazia 14 anos que não acontecia e tivemos uma participação muito grande de toda a comunidade tresmaience. Essa festa movimenta o comercio e une o nosso povo, afinal ela envolve duas categorias muito importante para o crescimento da nossa cidade e de todo o pais, que é o agricultor e também o caminhoneiro. Temos as tradicionais procissões motorizadas no sábado a expectativa é que mais de 300 máquinas participem e que no domingo ultrapasse os 700 veículos entre caminhões e carros. Será uma grande festa e convidamos a todos para estarem participando”. Presidente do Caep Adenilson Menegalli


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Inovação e investimento em tecnologia Quando se fala de trabalhar na roça, a primeira coisa que vem à mente é sempre a enxada e as mãos calejadas, pois bem, essa concepção está mudando. Agricultores começam a investir em novos experimentos e tecnologias, exemplo disso é o agricultor, Alexandre Felipe, de Treze de Maio. Aos 36 anos ele fez o inverso de muitos filhos de agricultores que depois de se formarem, procuram trabalho na cidade. Alexandre, depois de formado, voltou para a casa dos pais e começou a empregar os conhecimentos obtidos no banco de uma faculdade na administração dos negócios da família. “Meus pais sempre trabalharam com aves, depois que saí do Exército e terminei os estudos, voltei para casa, investi o meu conhecimento nos negócios e amplie o nosso leque de trabalho”. Além de trabalhar com a criação de aves, Alexandre e a família também trabalham no ramo de fruticultura, cultivando ameixas, pêssegos e também maçãs, que por sinal é novidade nessa parte da região. “Eu sempre fui muito curioso e sempre busquei novidades para diversificar a propriedade e foi assim com a maçã. Um primo meu começou a cultivar em Lauro Müller e eu fui lá pra ver quais os procedimentos”. O que começou como curiosidade acabou se tornando mais um negócio sério e rendável para a família. “Hoje nós temos um hectare e meio, são três mil plantas da fruta o que gera em torno de 60 a 70 toneladas”. Como a qualidade da maça produzida acaba sendo colhida no cedo, a produção tem a venda garantida. “Nós trabalhamos com a qualidade Eva e Princesa, que são espécies que dão no cedo, ou seja, precoce e que se

adapta bem à baixa altitude, aqui estamos a 400 metros acima do nível do mar”. Mas apesar da fruticultura ser uma parte forte da propriedade, o carro chefe é mesmo a produção de aves. Na propriedade existem quatro aviários, sendo que dois são convencionais e dois são no sistema “Dark House”. O sistema Dark House, quando aplicado na criação de frangos, são aviários totalmente fechados, com ventilação tipo túnel e luz artificial e tem o objetivo de controlar todas as variáveis ambientais dentro do galpão, inclusive a iluminação”. De acordo com Alexandre, nesse sistema a ave não se estressa. “Dessa forma o frango fica em um ambiente sem estresse, ele não se agita e como consequência caba rendendo muito mais”. Nesse sistema, entre 40 a 46 dias, 160 mil aves são embarcadas para o abate, somente desses dois aviários. Alexandre trabalha em sistema de integração, ou seja, a empresa fornece os insumos que seriam: os pintos, as rações e a assistência técnica. Por outro lado, o produtor, no caso o integrado entra com as instalações, mão de obra e equipamentos. Hoje, o maior problema encontrado é a falta de mão de obra. “Nós investimos muito em tecnologia, pois está ficando cada vez mais difícil para encontrar pessoas que queiram trabalhar nesse tipo de serviço. Na nossa propriedade trabalhamos eu, a esposa, meu irmão com a esposa também, e mais dois funcionários. Quando a situação aperta temos a ajuda do pai e da mãe”. Toda a parte de alimentação do frango, tanto na ração quanto a água, é mecanizada. Além disso, existe toda uma aparelhagem

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que faz com que a temperatura e a luminosidade estejam sempre apropriadas para deixar a ave mais tranquila possível. Para a produção desses 160 mil frangos, são necessários 500 toneladas de ração e um milhão de litros de água. Atualmente a propriedade de Alexandre é exemplo, tanto na parte de produção quanto de administração. “Primeiramente é necessário se gostar do que faz para que o negócio de certo. Nós trabalhamos com uma empresa forte, o nosso frango é todo para exportação e com isso o resultado, no geral, é bom, mas como disse, é necessário gostar e ter vontade de trabalhar”, finaliza Alexandre.


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Da roça direto à mesa do consumidor Em três hectares de terra, o agricultor Antônio César Rocha, juntamente com a esposa Adenize, trabalha com a produção de hortaliças, verduras e vegetais, é na pequena propriedade familiar que a família tira o sustento. “Eu fui criado na roça, antes, quando jovem, trabalhava na lavoura de fumo, era bastante puxado. Depois trabalhamos com aviário até que há alguns anos um vendaval levou tudo para o chão e aí decidimos trabalhar com verduras e hortaliças”, comenta o agricultor. Todos os cuidados na plantação é feito por César e Adenize. “Nós mesmos produzimos as mudinhas aqui. Depois colocamos a muda no solo. É necessário bastante cuidado, principalmente nessa época de frio”. Para ter uma maior garantia na produção César trabalha em sistema de rotação e também tem parte da produção de alface em sistema de estufa. “Foi a nossa sorte, semana passada deu granizo aqui na região e com esse tipo de sistema a plantação fica mais protegida”. Entre os produtos carro chefe da família Rocha, estão a alface, o repolho e a cebola de cabeça, mas também existe a produção de batata doce, aipim, tomate, tempero verde, entre outros. Há 3 anos, no entanto, a família decidiu investir em um estabelecimento para vender o que produzia na roça. “Nós tivemos a ideia e até o momento está dando certo, tudo o que produzimos vendemos na verdureira”, destaca César.

Depois de decidir vender a própria produção as coisas melhoraram ainda mais. “Agora fica mais fácil, a gente acaba lucrando um pouquinho mais, afinal não tem mais o atravessador”. O casal tem três filhas, sendo que duas trabalham na verdureira, em especial a mais nova. “Nós deixamos mais a cargo das meninas, em especial da Érica, a filha mais nova”. Na comercialização dos produtos, além de vender o que é produzido na propriedade, a família também compra produtos de outros agricultores. “Nós vendemos o que temos na nossa propriedade, mas para suprir bem a verdureira também adquirimos produtos de outros agricultores”, ressalta Érica. Além da comercialização do produto in natura, César e Adenize, nos fins de semana também comercializam comida caseira. “A esposa trabalhava em festas de casamentos e aí tivemos a ideia de vender comida caseira no fim de semana e tem tido uma ótima receptividade, várias pessoas se tornaram clientes fixos”, comenta César. Para ele, a melhor maneira de se manter na roça é inovando sempre. “A gente não pode ficar parado, a terra aqui é produtiva e procuramos estar sempre buscando novas alternativas. A gente vê que são poucas as pessoas que querem ficar na roça. A maioria quer trabalhar fora. Eu vejo as minhas filhas, por exemplo, o jeito foi mesmo montar um negócio, assim elas tocam a parte das vendas e eu e a mulher cuidamos da plantação”, finaliza ele.


No dia 25 de julho comemoramos o Dia do Colono e do Motorista, e nesta data especial a Cresol não poderia deixar de lembrar e homenagear estes trabalhadores. Duas classes que tem significados especiais para o desenvolvimento do país, do Estado e, principalmente, do município. Trabalhadores que conhecem a realidade do campo e também os desafios para levar os alimentos até os consumidores, que vencem as dificuldades e dão exemplos de determinação, competência, trabalho e esperança. A definição do dia 25 de julho deu-se em 1924, em meio às comemorações do centenário de vinda dos primeiros alemães para o Rio Grande do Sul. A data simboliza a chegada da primeira leva de imigrantes à Feitoria Real do Linho Cânhamo que, posteriormente, constituiria a sede de São Leopoldo. Assim, a data se revestiu de simbolismo ao dia do colono e também estende reverências aos motoristas. Fonte: Portal São Francisco E para incentivar estas classes e proporcionar crédito e desenvolvimento, a Cresol Jaguaruna coopera para que os associados possam, cada vez mais, prosperar e continuar realizando seus trabalhos com eficiência e responsabilidade. Parabéns a todos os Colonos e Motoristas!

Cresol Jaguaruna parabeniza Colonos e Motoristas


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“O saber é bom e não ocupa lugar”

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Com essa frase, o caminhoneiro aposentado, Olindo Margotti, define a necessidade de na vida se estar sempre buscando novos conhecimentos. “Todo o conhecimento é válido”. Natural de Treze de Maio, mais precisamente da comunidade de Boa Vista, ele, juntamente com a esposa, Maria Modolon Margotti, trabalharam na agricultura até o ano de 1968, quando decidiu largar a agricultura e tentar a vida como comerciante. Montou, no centro da cidade, uma ofici-

na de bicicleta e lambreta, o negócio durou poucos anos, pois com o pouco capital de giro, a manutenção do empreendimento ficou difícil. “Naquela época se vendia muito no fiado e como a gente era fraco não tinha como manter o negócio a todo vapor”. Ele então decidiu vender a oficina e com o dinheiro da venda comprou um lote onde hoje mora com a esposa. Depois da oficina, o senhor Olindo começou a dirigir caminhão. A primeira viagem sozinho ele fez para a cidade do Rio de Janei-

ro, na época com 33 anos. “Lembro como se fosse hoje, um caminhão queixo duro 6811”. Desde que iniciou a vida como caminhoneiro, ele não parou mais. Conheceu grande parte do país. “Eu viajei muito, conheci muitas cidades por esse Brasil afora, além de também ter viajado para a Argentina e Uruguaiana”. O aposentado destaca que durante todos os anos de estrada a única vez que sofreu um acidente foi quando bateu atrás de um outro caminhão. “Nunca tive problemas na estrada em relação a acidente. Uma única vez acabei batendo atrás de outro caminhão, porque esse parou de forma brusca e eu não consegui frear a tempo. Mas só tive danos materiais, nunca sofri um arranhão”. Ele lembra de como viajar de caminhão na década de 70 era tranquilo. “Apesar das estradas não serem tão boas como são hoje, naquela época a gente não se preocupava com ladrão de cargas ou de caminhão. Nós estacionávamos os caminhões no posto de gasolina e podia deixar aberto que ninguém mexia em nada. Hoje a estrada está muito perigosa, além do movimento, a ladroagem é muito grande”. Durante todo esse tempo em que esteve viajando, ele lembra de ter levado duas multas. “Fui pego no radar duas vezes, uma na cidade de Roseira, estado de São Paulo, e outra aqui no Rio Grande do Sul em Osório. Eu sempre fui muito cuidadoso na estrada”, comenta. Um dos fatos que marcou a vida na estrada foi logo que começou a viajar. “Eu encostei o meu caminhão no posto e saí para almoçar. Estava com uma carga bastante alta. Outro

caminhoneiro veio e estacionou perto do meu caminhão para aproveitar a sombra enquanto cozinhava. Infelizmente a mangueira do botijão de gás escapou e pegou fogo no caminhão dele e acabou pegando também no caminhão que eu dirigia. Na época, apenas a carga tinha seguro. O caminhão ficou completamente destruído e eu volte para casa de carona” Aposentado desde 1998, ele continua dirigindo sempre que possível. “Meu filho trabalha com venda de caminhões e sempre que ele precisa eu vou entregar o caminhão ao cliente. A minha última viagem foi a Belo Horizonte. Levei o caminhão e voltei de avião”. Aos 76 anos, Olindo é exemplo de vivacidade, rápido nas respostas e de humor aguçado, ele destaca a saúde e diz que enquanto puder irá dirigir. “Graças a Deus estou muito bem de saúde. Em 2005 eu estava aqui sentado na varanda da minha casa, me senti mal, atravessei a rua e fui ao hospital que fica aqui em frente. Eu estava enfartando. A minha esposa trabalhava ali no hospital na época. Eu acabei sendo transferido para UTI do hospital de Tubarão, fique lá três dias. Hoje o meu médico diz que o meu coração está funcionando perfeitamente e enquanto Deus me der forças eu vou continuar dirigindo”. Olindo se diz satisfeito com tudo o que conseguiu na vida. “Nós éramos gente muito pobre, passamos muitas dificuldades na lavoura. Comecei a trabalhar de caminhoneiro, a minha mulher também trabalhou fora e juntos conseguimos, aos poucos, adquirir as coisas e criar os quatro filhos. Hoje procuro aproveitar o que a vida me oferece de bom”, finaliza ele.


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