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ANÁLISE DA RELAÇÃO LEITURALAZER NO CONTEXTO DO ESTUDANTE DE BIBLIOTECONOMIA DA UFRN

José Edinaldo dos Santos

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ANÁLISE DA RELAÇÃO LEITURALAZER NO CONTEXTO DO ESTUDANTE DE BIBLIOTECONOMIA DA UFRN

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José Edinaldo dos Santos

ANÁLISE DA RELAÇÃO LEITURALAZER NO CONTEXTO DO ESTUDANTE DE BIBLIOTECONOMIA DA UFRN

Natal – RN

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Conselho editorial Diretor da Editora Na Moral: Pedro Netto Coordenação editorial Adanyele Menezes Produção editorial Pedro Filho Editoração Élder Thafarel Revisãoa de textos: Taíze Nascimento Bibliotecário (a) responsável de fazer normalizações: Francinilma Bezerra

Catalogação na fonte S 237a Santos, José Edinaldo dos. Análise da relação Leitura-Lazer no contexto do estudante de Biblioteconomia da UFRN / José Edinaldo dos Santos. – Natal, 2012. 47 f.; il. Orientadora: Prof.ª Ms. Jacqueline Aparecida De Souza Monografia (Graduação em Biblioteconomia). – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2012. 1. Prática de leitura – Monografia. 2. Ensino superior – Monografia. 3. Leitura-lazer e o estudante de Biblioteconomia – Monografia. I. Souza, Jacqueline Aparecida de. II. Titulo. CDU 02:378-042.4(043)

Rua São Paulo, 789 – Neópolis – CEP: 59053-370 – Natal/ RN Tel: 3322-1620 – www.namoraleditora.com.br 3


SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO........................................................................................................5

1 LEITURA E SUAS VERTENTES..............................................................................7

2 LEITURA NO ENSINO SUPERIOR........................................................................14

3 BIBLIOTECONOMIA E INCENTIVO A LEITURA...................................................18

4 O CURSO DE BIBLIOTECONOMIA.......................................................................24

5 ANALISE DOS RESULTADOS...............................................................................26

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................30

REFERÊNCIAS..........................................................................................................33

APÊNDICE.................................................................................................................36

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Apresentação

A leitura pode ser entendida de diversas formas e definições, dependendo do ponto de vista a se considerar, pode ser uma forma de compreensão, uma decifração, a ação de interpretar signos linguísticos assimilando a mensagem contida e assim por diante. A leitura tida como algo prazeroso é uma afirmação que existe, mas não é algo tão notável, evidente, nem sempre a leitura é tida como uma atividade de lazer, algo para se praticar em um domingo a tarde, pois, muitas outras atividades são mais bem quistas aos momentos de entretenimento do individuo, que acaba deixando a leitura em segundo plano. O estudante do curso aprende, nos seus primeiros momentos, que a profissão é muito dinâmica e gratificante. E sendo o bibliotecário um profissional que deve ter algumas habilidades e competências, as quais são necessárias à sua boa atuação junto ao mercado, é preciso que ele tenha adquirido uma gama de conhecimentos específicos desde o inicio. Além de diversas habilidades, é preciso a este profissional ter gosto pela leitura e incentivar a todo lugar e o conhecimento técnico adquirido e a prática profissional serão bem sucedidos. Atividades de lazer são necessárias ao ser humano e são muitas as variedades, praticar o esporte favorito, viajar, ir à praia, ir ao teatro, cinema, ou mesmo ler um bom livro são excelentes opções para um momento de relaxamento e entretenimento ao qual todo individuo tem direito. A Biblioteconomia deve contracenar com o incentivo à leitura em todos os horizontes e níveis. Seja fundamental, médio e superior, e isso porque é necessário o encaminhamento por parte do bibliotecário, ao aluno do ensino básico, sendo o mediador entre o aluno e o mundo de possibilidades da leitura. Pois assim o aluno chegará ao ensino superior com maior desenvoltura e utilizará o hábito pela leitura a seu favor. 5


Um ponto importante que deve ser levado em conta e elucidado é a pratica do ato da leitura pelo estudante de biblioteconomia, uma vez que este é o profissional com maior treinamento e competência para atuar neste âmbito. O incentivo a leitura, não deve permanecer em todas as fases de desenvolvimento intelectual e na formação profissional. Mas, o problema é incentivar a leitura sem ser um leitor, indicar e selecionar material informacional sem ter o conhecimento, mesmo que geral do que necessita o usuário para seu estudo ou lazer. Como indicar uma literatura? E como atuar junto aos pedagogos e professores na alfabetização sem ser um leitor? Neste sentido, o objetivo é verificar se a leitura é uma prioridade entre as inúmeras atividades de lazer aos estudantes de Biblioteconomia da UFRN. O motivo se faz presente nas mudanças do dia-a-dia, como toda mudança vislumbra um sentido de desenvolvimento, de melhoria, seja em que contexto for. É a partir desse pensamento que se julga pertinente à realização desta pesquisa, que busca o conhecimento quanto ao perfil dos alunos do curso de Biblioteconomia da UFRN. Sabendo-se que a leitura é a ferramenta chave para a boa atuação e crescimento intelectual e social, se faz necessário conhecer o nível desta atividade tão inerente ao aspirante a profissional da informação. A obtenção dos dados necessários a s respostas aos objetivos foi aplicação via web de um questionário com 10 questões de fácil compreensão, onde estão abarcados os pontos que mais carecem serem elucidados a fim de se atingir os objetivos propostos.

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Capítulo 1 - LEITURA E SUAS VERTENTES

Inúmeras são as formas de leitura que permeiam a vida do ser humano, desde seu primeiro momento de vida este se depara com um mundo imenso a se desvendar e começa então a fazer a primeira “leitura” do ambiente a sua volta, e assim sendo, faz a leitura olfativa, e visual. Segundo Ferreira (2004), a leitura é uma operação de percorrer em meio físico, sequencia de marcas codificadas que representam informações registradas e reconvertê-las à forma anterior. Ler nada mais é do que o ato de compreender determinada situação, acontecimento, uma forma de aprender ou entendimento a funcionalidade ou aplicabilidade de algo visível, ou seja, a leitura é a ação de busca de conhecimento sobre alguma coisa, é a assimilação da informação que um grupo de signos linguísticos quer repassar. E nessa questão de conceitos de leitura existem teóricos que procuram dar a sua melhor definição, mas na verdade, a leitura é muito mais pessoal do que um conceito especifico que signifique a mesma coisa seja qual for a sua vertente, ou seja, para cada situação pode-se apontar um conceito mais aproximado do que seja a leitura. Para MARTINS (1994), existem três tipos principais de leitura que rodeia o ser humano e que talvez nem sejam percebidas, que são: a leitura sensorial, a leitura emocional e a leitura racional. A leitura sensorial, como o próprio nome já diz, leva a intuir que está relacionada aos sentidos do corpo, tais como a visão, a audição e o tato, tendo em vista que todas as pessoas (boa parte), quando crianças de colo, já passaram pela experiência de ouvir seus pais cantarem alguma música infantil, e mesmo que desafinados, acabavam conseguindo induzir-lhe o sono e fazê-las dormir. A leitura emocional já parte de outro momento da vida do ser humano que se depara com a leitura literária, leitura essa que o faz se sentir integrado a realidade 7


do universo que o escritor (autor) construiu no livro, a historia que traz uma lição, um aprendizado por trás das entrelinhas, fazendo o leitor se emocionar com a historia retratada no papel, se entristecendo ou se alegrando com a trama ali descrita. A leitura racional justifica seu nome, pois se refere ao ato de se adquirir conhecimento apurado e cientificamente comprovado, para o fomento ao desenvolvimento de novos conhecimentos nas mais diversas áreas da produção cientifica no mundo. A leitura racional é a leitura feita na academia, é a comprovação de estudos e pesquisas, e a fonte para o surgimento de novas descobertas. Segundo Borba (1999 p.16):

“A aprendizagem de leitura abrange um largo espectro que engloba desde o simples e quase mecânico ato de decodificação de linguagem escrita, até os complexos mecanismos cerebrais que permitem ao leitor uma perfeita identificação e reprodução das emoções e sentimentos que os autores se propõem a transmitir, ou seja, ainda, a compreensão de textos científicos, envolvendo muitas vezes conceitos abstratos, como por exemplo, os conceitos formulados na área das exatas, os quais exigem do leitor uma experiência ou pratica especializada”.

A leitura pode ser conceituada no contexto da escola introdutória como sendo a chave que abre as portas para o conhecimento. Certamente para grande parte das pessoas, o primeiro contato com a leitura se dá na escola infantil, mais precisamente no âmbito da biblioteca escolar, ressaltando a importância de que haja a gestão um profissional bibliotecário empenhado no desenvolvimento de projetos, junto aos professores e pedagogos, de introdução ao mundo da leitura, pois é a partir desse primeiro contato que se formará um leitor com um olhar mais amistoso para com a leitura e um cidadão critico para com suas necessidades pessoais e político-sociais. Para a ministra da cultura Ana de Hollanda, em seu discurso na solenidade alusiva ao dia mundial do livro e dos direitos do autor, “[...] a leitura não é um ato reflexo, aprendida naturalmente: é o resultado de uma sofisticada operação,

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aprendida ao longo dos anos, e que, por isso mesmo, precisa ser cultivada cuidadosamente para além dos muros da escola” 1. O conhecimento adquirido através da leitura no ambiente escolar torna-se algo intrínseco ao individuo, que ele o leva aonde for. A leitura é um ato individual por excelência; duas pessoas dificilmente farão uma leitura idêntica de um mesmo texto, pois o leitor é aquele personagem necessário que dá vida ao texto criando dimensões imagináveis, resgatando o passado, suas lembranças, vivências, fazendo conexões e relações com a vida para assim recriar e interpretar, tirando conclusões que, com certeza, poderiam surpreender o autor (LOPES; ROSOLEN; MORELLI, 2004, p.149).

Como se pode perceber, a leitura está intrinsecamente ligada à vida do ser humano, desde o seu primeiro passo neste mundo, e é a explanação um pouco mais detalhada dessas relações que será iniciada a seguir.

1.1 HÁBITO E GOSTO

Quando se diz que se tem o hábito disso ou aquilo, pode-se entender que esse hábito se refere a alguma atividade executada com frequência como uma ação cotidiana do ser humano. Segundo Ferreira (2004) hábito significa "disposição adquirida pela repetição frequente dum ato; uso, costume, roupagem de frade ou freira [...]". Podem-se citar como exemplo, as pessoas que têm o hábito de fumar e tomar café, é semelhante a uma atividade viciosa. Gostar de alguma coisa, de alguém, de uma comida entre outros são capacidades que o sentido humano proporciona a todos os indivíduos, não importando quais sejam esses gostos, sejam culinários, esportivos, recreativos, musicais e tantos outros. Segundo Ferreira (2004) Gosto é sinônimo de sabor, satisfação, capacidade subjetiva de julgar o valor estético ou moral de algo, pendor, inclinação, e talvez 1

O PRAZER da leitura. Disponível em:< http://www.cultura.gov.br/site/2012/04/25/o-prazer-daleitura/>. Acesso em: 18 nov.2012.

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“satisfação” seja a melhor definição para gosto, visto que se adequa a proposta do presente trabalho, isto é, gostar de algo, ter prazer na pratica de alguma ação, se satisfazer. Existem pessoas que gostam de ler, fazer uma boa leitura em espaços agradáveis, compenetrar-se em um mundo paralelo, mas talvez gostar de ler, por si só, não signifique que isso gere um hábito, gostar é fazer por prazer, mas, o hábito refere-se a algo mais mecânico. São muitos os questionamentos que a temática “leitura” pode desencadear e a proposta dessa pesquisa e justamente tentar entender, mesmo que de forma geral, como essas questões se dão na pratica diária de estudantes universitários, e para melhor esclarecimento, a seguir a relação entre a leitura e o estudo.

1.2 LEITURA E ESTUDO É fato que ao se ouvir o assunto “leitura”, quase sempre, associa- se o mesmo ao “estudo”, pois se sabe que, é necessário ler informações publicadas sobre as temáticas de interesse. Para assim, produzir mais informações, gerando assim, mais leitura na área especifica estudada, porém a leitura não deve ser vista apenas como uma tarefa acadêmica necessária à realização de trabalhos e/ou produção de novos conhecimentos, e sim como algo mais intrínseco ao ser humano. Que signifique tanto quanto uma atividade de estudo pessoal, proporcionando um crescimento do individuo, de forma que a leitura seja realmente uma atividade realizada com o mínimo de obrigatoriedade perceptível, e sim aconteça naturalmente como sendo algo costumeiro ao dia-a-dia do homem. E nessa relação entre leitura e estudo “A escola deve valorizar a leitura, elegendo-a como atividade fundamental que possibilita a formação integral do aluno, dando acesso aos alunos a diversos tipos de materiais de leitura, como revistas, fotonovelas, história em quadrinhos, etc.” (LOPES; ROSOLEN; MORELLI; 2004 p. 149). A partir dessa valorização, os alunos certamente adquirem um novo modo de encarar a leitura, de uma forma mais amistosa e prazerosa.

1.3 LEITURA E LAZER 10


Comprovar que há relação entre uma boa leitura e uma atividade de lazer é bem possível, pois, pode-se ver a leitura como um ato prazeroso mesmo que uma pequena parcela da população pense dessa forma, apesar de que a população brasileira é taxada por não gostar de ler, é possível relacionar leitura com lazer? É uma leitura prazerosa aquela praticada cotidianamente ou não, de forma que seja uma atividade quase que instintiva do individuo em distrair-se das atribulações do seu contexto profissional se adentrando no mundo subjetivo proporcionado por uma boa literatura do seu gosto. Dumazidier (1973 apud BORBA 1999 p.25) diz que lazer é “as atividades desligadas dos valores familiares e sociais e do trabalho produtivo, opostas, portanto, às tarefas obrigatórias de estudo, trabalho e manutenção”. Lazer por si só é um momento de diversão, descontração, confraternização entre outros adjetivos. Quando se fala em lazer é quase impossível não lembrar as brincadeiras do tempo de criança, que é quando tudo começa. O desenvolvimento físico e motor do ser humano em paralelo ao seu crescimento intelectual e cognitivo, crescimento esse que pode e deve ser desenvolvido de uma forma positiva, se existir um profissional bibliotecário que atue em conjunto com os docentes nos quesitos formação de leitor, e a apresentação de leituras agradáveis nesse período inicial da “vida escolar” do individuo é a peça chave para que se forme um leitor que goste de ler até o fim de sua vida, para simplificar, uma criança que é apresentada ao universo da leitura de forma agradável e prazerosa se tornará um leitor consciente da importância da leitura em todo momento de sua vida.

1.4 LEITURA E UNIVERSIDADE

A partir de uma visão geral o nível de leitura no contexto da universidade tende a ser mais elevado que em outros, de escolaridade, por assim dizer, devendo este, estar em um patamar mais sofisticado, mais rebuscado que o de um estudante de um nível antecedente, no nível médio, por exemplo. Mas como se sabe através de reportagens, pesquisas e estudos sobre questões associadas à leitura e suas vertentes de disseminação. Que tem por ideal fazer com que a criança, o jovem se 11


torne um adulto mais comunicativo, mais critico e um cidadão que conhece seus direitos e deveres em seu meio social, essa ideia de leitura n��o existe no Brasil e isso se deve a uma infinidade de fatores. Que podem ser: políticos, econômicos e sociais, não necessariamente nessa ordem. A situação da leitura no contexto universitário é um reflexo de uma educação básica deficiente. Santos (2006, p.78) afirma que “Essa dificuldade universitária pode ser perfeitamente compreendida. Ela se deve, principalmente, à ausência de tradição no ensino do país de práticas docentes que conduzam à formação de um leitor proficiente”. Sabe-se que é preciso que se faça a ponte entre informação e usuário, biblioteconomicamente falando, e de forma mais voltada ao contexto educacional, a apresentação do mundo da leitura à criança deve ser uma verdade e não apenas uma metodologia que “deveria” ser aplicada, o que em verdade não é, assim nunca ter-se-á essa metodologia como uma atividade em execução no ensino publico deste país. Como docente de uma instituição de ensino superior, trabalhando com a disciplina ‘Pesquisa Bibliográfica’ com alunos recémingressados na Universidade, pude constatar, lidando diretamente com usuários de áreas diversas, o quão o estudante universitário não tem interesse por obras literárias, detendo-se exclusivamente em livros textos das disciplinas cursadas (BORBA, 1999, p. 14-15).

Essa é a realidade brasileira nua e crua, em todo o país, de norte à sul é possível se constatar a afirmação da autora acima citada, seja no sul, sudeste, norte e nordeste, a ausência da leitura como uma atividade amistosa por parte dos estudantes do ensino normalizado, seja o nível fundamental, até a universidade. É exatamente nessa fase que é perceptível o quanto a falta do incentivo a leitura na educação básica faz a diferença. Os resultados dessas constatações são: universitários cheios de “fobias”, como medo de apresentarem os trabalhos das disciplinas, nível de leitura baixo, e tudo isso devido à falta de um bom ensino que prepare o jovem para adentrarem na vida acadêmica sabendo o que vai encontrar. Porém, na realidade, têm um ensino fundamental e médio sem consistência, e no fim das contas, muitos desistem dos cursos ou atrasam disciplinas, e conseguindo concluir. Se não se dedicam com 12


afinco em suas profissões são engolidos por um mercado de trabalho que exige um profissional muito bem preparado técnica e emocionalmente, bem como ter um bom censo de responsabilidade e visão critica e empreendedora para desenvolver o crescimento da empresa/instituição que esteja vinculado. Essa é a realidade que se vê no contexto dos estudantes universitários brasileiros que estão em grande número, entrando nas universidades, tanto públicas quanto privadas. A partir dos vários programas federais que buscam dá oportunidade ao estudante de escolas públicas entrarem no ensino superior, mas sem a base primordial ao desenvolvimento deste jovem, o gosto pela leitura, tornando incoerente o sistema educacional do país. “A leitura de obras literárias é vista, muitas vezes, pelos adolescentes como uma atividade árdua e cansativa” (BORBA, 1999, p.13). A veracidade da afirmação da autora traz uma reflexão sobre as obras literárias e a sua importância para o desenvolvimento do leitor crítico, que sabe abstrair o conhecimento disponível nos livros. Como também, apreciador de um bom livro e por consequência será um profissional que terá conhecimento para fazer quaisquer indicações literárias a seus usuários, porém, a reflexão é dada a partir da seguinte questão: os ingressantes na universidade têm conhecimento das obras literárias, ao menos as brasileiras, ou só conhece as que consultaram para as provas de vestibular? O que é bem provável, e alguns nem estas leem por completo, buscam resumos para terem mais tempo para outros conteúdos. Neste sentido, no capitulo a seguir apresentar-se-á uma breve reflexão sobre a leitura no ensino superior.

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Capítulo 2 - LEITURA NO ENSINO SUPERIOR

Quando se propõe falar a respeito de leitura em sua imensurável significância. Fala-se de seus conceitos, de tudo que se diz ser leitura, ressalta-se a sua indiscutível importância nos primeiros anos escolares do ser humano para que este abrace a leitura como uma companheira desde então até o fim da vida. Em seguida as discussões já permeiam o ensino primário ou fundamental, que por sua vez, deve ver a leitura como uma metodologia que busca tornar o aluno mais apto e mais dinâmico no desenvolvimento diário de suas atividades escolares. Tendo mais segurança nas discussões, tanto de sala de aula, como também a respeito de qualquer assunto de seu interesse, ou seja, tornando o aluno o ator principal de sua vida escolar e não um coadjuvante de uma plataforma de ensino defasada. Quando a discussão sobre leitura entra para o contexto do ensino superior, que em tese é um mundo de sábios, onde poucos entram, onde quem está, é considerado um grande estudioso e certamente é um leitor fervoroso, conhecedor de todos os teóricos de sua área de estudo. Bem talvez tenha sido assim há alguns anos atrás, quando somente os filhos de pessoas importantes da sociedade tinham o privilegio de frequentar uma universidade e constituir a sociedade do conhecimento, as mentes pensantes que produziam o conhecimento científico. A realidade da “leitura no ensino superior” hoje é simplesmente cheia de defeitos, defeitos estes originários nos níveis de ensino antecedentes ao ingresso a universidade, são problemas diversos como falta de incentivo a leitura, pela falta de formação continuada para professores e a falta de bibliotecários nas bibliotecas escolares para que junto aos professores, trabalhem nos projetos de incentivo e mediação a leitura, a falta de infraestrutura nas escolas também implica em descasos no tocante ao incentivo a leitura nas escolas de ensino fundamental e 14


médio. Quando chega à universidade o estudante que frequentou uma escola com os problemas acima citados se depara com um “universo” de aprendizado, mas não se encontra preparado para encarar as oportunidades na qual esse universo lhe oferece. E uma prova disso é que eles não lêem nem o calendário acadêmico que é entregue, ou o comprovante de matricula pra saber quem serão seus professores ou aonde será sua aula. E depois de integralizado o esquecimento é simplesmente de ler o conteúdo das discussões de sala, chegando sem ter lido e até mesmo sem o próprio material para ler na aula. O que dizer então dessa realidade de leitura na universidade. Já se sabe que o brasileiro não tem o habito de ler muito, e isso é constatado em todos os níveis de ensino, seja fundamental, médio e também no superior, que mais sério, ou não. Borba (1999) diz que os jovens não gostam de ler, acham uma atividade “árdua e cansativa”, que o universitário lê exclusivamente o referencial do seu curso sem interessa-se por literatura. Segundo os estudos realizados por Granja (1985), pouco mais de 60% dos estudantes de Psicologia da USP fazem a leitura da bibliografia básica do curso, e um numero bem menor chega a pesquisar a literatura complementar, quando bem lhes agrada. Com o passar dos anos desde a publicação desses dados a situação não é muito diferente do que era.

A leitura representa uma habilidade importante para o estudante universitário, se considerarmos a contribuição que trás para o bom desempenho do aluno, constituindo-se no veiculo por excelência de ampliação dos conhecimentos necessários à sua formação (GRANJA, 1985, p.53).

No contexto atual é possível que as novas tecnologias sejam, ao menos em partes, responsáveis por mais e mais jovens se afastarem da leitura tradicional (livro impresso) ao passo que adquirem aparelhos eletrônicos e não se desgrudam deles nem na sala de aula. Não se usa mais cadernos ou agendas para anotações, quase que somente os aparelhos eletrônicos e tudo isso pode sutilmente está agravando a realidade da falta do gosto pela leitura dentro do ensino superior. O professor é uma peça fundamental nessa questão, saber mostrar o valor da leitura em detrimento aos aparatos eletrônicos, porém, ele tem que ser um exemplo vivo. “O educador não 15


pode não gostar de leitura, [...] o professor em geral, independentemente da modalidade onde ele atua, ele tem que escolher um gênero que o encante [...]” ressalta Negreiros (2010). Por sua vez, o jovem precisa perceber o bem que a literatura pode lhe proporcionar, o conhecimento pelo qual

se adquire com a

literatura é algo que ninguém tira, é algo intrínseco do individuo, e é nessa busca por saber que a literatura tem todas as respostas. "A literatura nesse exercício de busca, ela passa a se tornar um instrumento de reelaboração de pensamento [...]" diz Pastana (2011). Uma questão que está totalmente ligada a está discussão é a questão social, o contexto em que o aluno encontra-se inserido, suas condições financeiras, bem como, a disponibilidade e o mais importante, o nível de escolaridade de seus pais. É sabido que o estudante que tem acesso ao “mundo” da leitura somente a partir do contato com a escola se depara com maiores dificuldades. Quando compara com estudantes que vêm de um contexto no qual seus pais o incentivam desde pequenino, contando-lhe historias e mostrando-lhe os livros para que estes vejam e se interessem por conhecer aquele mundo infinito, que é o universo da leitura. A leitura, enquanto atividade incorporada aos hábitos de vida das pessoas, não tem seu aprendizado introduzido de forma compulsória. Ao contrario, é algo que faz parte dos padrões culturais de determinado meio, comunidade ou país. É, portanto, uma atividade que tem seu inicio no próprio núcleo de educação informal que é a família. A escola às vezes contribui para sedimentar o seu cultivo, mas a leitura tem, no meio familiar a sua maior fonte de incentivo (GRANJA, 1985, p.62).

Para que haja em verdade, uma formação de leitores conscientes, leitores críticos, pessoas que realmente gostam de uma boa leitura, é necessário fazer verdadeiramente a interação das forças envolvidas no processo educacional. Como todo, ou seja, deve começar de casa o incentivo, passando então à escola a continuidade, contando com professores atualizados e comprometidos com o propósito da formação cidadã e que haja na escola uma boa biblioteca e nela um bibliotecário atuante em paralelo com os professores, perpetuando o gosto pelo ato

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de ler, com o qual certamente seguirá o jovem até a universidade. Para ressaltar o profissional bibliotecário e o incentivo a leitura, segue então, o próximo capitulo.

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Capítulo 3 - BIBLIOTECONOMIA E INCENTIVO A LEITURA

A multidisciplinaridade ou interdisciplinaridade é a característica que mais descreve a Biblioteconomia, as suas varias vertentes, por vezes, chega a ser motivo de inquietudes ou mesmo confusão para aqueles que desconhecem essa área tão abrangente, que é a Ciência da Informação. Segundo Shera (1977, p.11), “a Biblioteconomia tem por objetivo aumentar a utilidade social dos registros gráficos, seja para atender à criança analfabeta absorta em seu primeiro livro de gravuras, ou um erudito absorvido em alguma indagação esotérica”. Ou seja, a grande responsabilidade de organizar informação das múltiplas áreas do conhecimento de forma que facilite a sua rápida recuperação para o usuário que a necessite, seja criança, jovem ou adulto, é do profissional da Biblioteconomia. Portanto, se a biblioteconomia deve servir à sociedade em toda extensão de suas potencialidades, deve ser muito mais do que um monte de truques para encontrar um determinado livro numa estante particular, para um consulente particular. Certamente é isso também, mas fundamentalmente Biblioteconomia é a gerência do conhecimento (SHERA, 1977, p.11).

Pode-se pensar que essa questão esteja apenas a cargo do contexto pedagógico, ou seja, apenas aos profissionais imediatos da educação, como o professor e o pedagogo. Porém, olhando essa vertente de outro ponto de vista, um olhar mais amplo, por assim dizer, é possível que se perceba a grande importância da atuação de um profissional que sempre está à disposição nesse contexto da leitura. O profissional responsável pelo acervo de uma biblioteca é mais uma peça a fomentar junto aos da educação. Esta função de ser um sujeito participante do processo de incentivo ao ato valoroso que é o ato de aprender a ler e que essa 18


aprendizagem se torne algo prazeroso desde seu inicio, que deve ser em casa, e em seguida no universo escolar, nas bibliotecas escolares.  O PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO

Ao profissional Bibliotecário são atribuídas uma variedade de atividades e competências, e elas se justificam todas, porém, o que se ressalta para fomentar a pesquisa na qual expõe nesse respectivo trabalho. É que o bibliotecário está inserido em uma instituição de ensino na qual tem por objetivo primordial formar futuros cidadãos conscientes do que existe a sua volta. O bibliotecário tem por obrigação atuar junto aos gestores e demais profissionais desta instituição a fim de contribuir decisivamente para a concretização desse objetivo. Que por sinal é um direito do cidadão, no caso da criança ter uma educação de qualidade, e isso significa ter uma escola comprometida com sua missão, ter uma biblioteca na escola e um bibliotecário atuante nesta biblioteca. O bibliotecário deve, antes de tudo, saber como se posicionar, propondo projetos de incentivo a leitura que se adequem ao currículo dos alunos, tornando o ambiente da biblioteca mais visado e prazeroso como lugar de crescimento, lugar onde o conhecimento é a moeda de troca. Os profissionais da Área de Educação e/ou Ciência da Informação têm uma responsabilidade para a construção de um mundo mais justo e igualitário na medida em que promoverem ações que visem incentivar a leitura para a temática em questão. Já existe essa consciência e deve-se dar ênfase à novas práticas para que se possa minimizar a exclusão social (SOUZA, 2007, p. 2).

Sem dúvida alguma se deve dar uma atenção especial à questão da leitura, desde o inicio até a vida acadêmica, e é a partir da colaboração dos profissionais citados acima que essa realidade no tocante a leitura será superado. Com o bibliotecário assumindo o papel de mediador, o educador e professor trabalhando desde cedo nas atividades de incentivo, valorizando o ambiente da biblioteca, e promovendo o seu uso frequente pelos alunos. O seguinte ponto apresenta a relação do profissional da informação com o incentivo à leitura. 19


 COMO SE DÁ ESSA RELAÇÃO ESTREITA

O bibliotecário é o responsável pelo acervo da biblioteca, e, portanto, a primeira pessoa a ser questionada quanto à organização deste acervo, ou seja, é a pessoa que o usuário vai se reportar. Partindo desse pensamento lógico, o bibliotecário tem incumbência de ser um bom conhecedor da boa literatura e ter uma dinâmica de trabalho que agrade seu usuário, causando no mesmo a vontade de conhecer mais o universo dos livros e a imensidão de saberes neles contidos. Na prática, o bibliotecário precisa gostar de lidar com pessoas, afinal, não tem como incentivar alguém a ler, se não se tem habilidades básicas para tanto, como gostar de ler, ser amistoso, está seguro quanto aos conhecimentos técnicos, ser dinâmico e proativo, buscando sempre promover atividades de incentivo a leitura.  OS PROGRAMAS (projetos de fomento à leitura) EXISTENTES

Atualmente

o

profissional

bibliotecário,

o

pedagogo/educador,

os

professores, independente do nível de ensino, estão mais conscientes de suas responsabilidades como agentes fomentadores do gosto pela leitura. E a partir disso, muitos projetos voltados ao incentivo desta estão sendo postos em ação pelo país adentro, e isso é exatamente o que é preciso ao fomento da leitura. O Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) é um exemplo em âmbito nacional da preocupação do governo federal com essa questão. E segundo a ministra da cultura Ana de Hollanda (2012)2, os investimentos para tanto são de cerca de 373 milhões de reais que se destinam a “em ações de valorização da leitura, democratização do acesso à leitura, formação de mediadores, criação e produção do livro.”.

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MINISTÉRIO DA CULTURA. Disponível em:< http://www.cultura.gov.br/site/2012/04/25/o-prazerda-leitura/>.

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Na cidade de Itu (SP), houve uma atividade que de certa forma fomenta o hábito da leitura, com um ponto negativo, que é o fato de que se dirige ao usuário jovem e adulto, mas sua positividade é reconhecida certamente. O evento denominou-se Semana da Cultura e Incentivo à Leitura, e sua metodologia era a seguinte: mais de quatrocentos (400) livros foram posicionados em locais da cidade com a intenção de que todos pudessem pega-los onde havia uma mensagem de que após ser lido, o mesmo fosse emprestado à outra pessoa, seja um amigo, irmão, vizinho ou qualquer outra pessoa. Em Natal-RN existe um projeto muito relevante no tocante ao incentivo à leitura que é o “BiblioSesc”, que é um projeto do SESC nacional visando fomentar o acesso à leitura em localidades onde não existam bibliotecas. FIGURA 1 – Projeto BiblioSesc (Biblioteca móvel).

FONTE: < http://tudosobreleitura.blogspot.com.br/2010/03/bibliosesc-servico-de-biblioteca-movel.html>.

Para levar leitura e conhecimento ao interior do país, as 52 bibliotecas volantes do SESC carregam cerca de três mil obras. Clássicos da literatura, aventuras, ficções e histórias reais chegam às mãos de leitores de todas as idades e fazem parte da maior rede de bibliotecas móveis do Brasil (BIBLIOSESC)3.

Os principais objetivos do projeto BiblioSesc são a democratização do conhecimento, o fomento a formação do leitor crítico, bem como incentivar o gosto pela leitura, encurtando a distancia entre o livro e seu usuário etc.

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BIBLIOSESC. Disponível em:< http://www.sesc.com.br/portal/cultura/biblioteca/bibliosesc/bibliosesc>.

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O acervo é composto por livros de literatura brasileira e estrangeira, biografias, livros didáticos, livros para concursos, de receitas, jornais, revistas e gibis. Um projeto que merece destaque e que fora posto em prática no maior evento científico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a CIENTEC - Semana de Ciência, Tecnologia e Cultura, 2012, onde o projeto “Libertando livros no Campus Universitário”, idealizado pelo bibliotecário Raimundo Muniz.

Visto com bastante entusiasmo pelos milhares de alunos, professores,

pesquisadores e público em geral que vinham com seus livros e trocavam por outros títulos fazendo assim, com que seu livro que se encontrava guardado em casa sem ser “consumido”, pudesse motivar o deleite para alguém. ”O projeto objetiva estimular o prazer da leitura através do incentivo a troca de livros [...] partindo da ideia de que os livros não têm dono e por isso devem ser continuamente transferidos para outros leitores possibilitando a permanente e intensa troca de informações” BCZM (2012).  AS ATIVIDADES QUE PODEM SER DESENVOLVIDAS O que promover no quesito “Atividades de incentivo” é vai depender da biblioteca e da instituição mantenedora da mesma, ou seja, em uma escola infantil a biblioteca pode promover “contação de historia”, dependendo da faixa etária dos seus alunos.

Apresentações lúdicas pode ser uma atividade muito positiva se

adaptar temas importantes, relevantes ao contexto social, bem como, conteúdo curricular, como ciências, meio ambiente, etc. Toda

atividade de promoção ao

habito de ler, dependerá do contexto onde se situa a biblioteca e o grau de comprometimento do profissional bibliotecário que a gerencia, mas sem duvida, não faltam ideias para que se executem os projetos voltados ao incentivo à leitura. Afinal, “a leitura é essencial para o aprendizado do aluno, e consequentemente, tem implicações na sua vida acadêmica e no seu desempenho como futuro profissional” (SANTOS, 2006, p. 78).

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A promoção de atividade de fomento a leitura é uma tarefa muito gratificante para o profissional e para o publico alvo, só é preciso querer, elaborar e executar uma ação de incentivo a leitura.

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Capítulo 4 - O CURSO DE BIBLIOTECONOMIA DA UFRN

Com a sequência da pesquisa, e para a coleta dos dados necessários à obtenção dos resultados expostos no próximo capitulo, foi construído um questionário com questões em sua maioria de múltipla escolha e em seguida fora aplicado ao corpo discente do curso de Biblioteconomia da UFRN. O Departamento de Biblioteconomia (DEBIB), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, foi criado em 29 de outubro de 1992 com o objetivo de estruturar e criar o Curso de Graduação em Biblioteconomia. Dentro da estrutura organizacional da instituição, integra o Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA). A partir de setembro de 2012, passou a denominar-se Departamento de Ciência da Informação (DECIN). O curso de Bacharelado em Biblioteconomia, que teve início no primeiro semestre de 1997. O ingresso no curso é anual e atualmente de 35 vagas, porém, a partir de 2013, terá dois ingressos. A quantidade de discentes ativos é de 134 estudantes.

4.1 O QUESTIONÁRIO

A ferramenta do questionário é bastante usada em diversas pesquisas quantitativa e qualitativa, tendo em vista a sua praticidade no quesito coleta de dados para os mais diversos fins. As vantagens desta técnica de coleta de dados são muito intrínsecas ao objetivo da pesquisa, dada sua praticidade, rapidez e a veracidade nos dados obtidos em um questionário, cuja participação dos alunos é sob anonimato. 24


O questionário é constituído de questões fechadas, simples e objetivas, de acordo com a proposta da pesquisa, proporcionando aos participantes responder com exatidão e permitindo a percepção que se adequa a seu perfil enquanto leitor. O questionário foi aplicado por meio da uma ferramenta tecnológica no ambiente da internet, o aplicativo Surveymonkey, que tem como endereço eletrônico <http://pt.surveymonkey.com/home/>, onde qualquer pessoa pode facilmente se cadastrar e a partir daí, produzir o seu questionário e enviar ao seu público a ser questionado. Uma vantagem da aplicação de questionário através da internet é a rapidez com que os dados são repassados, ou seja, simultaneamente a conclusão do questionário pelo aluno, a sua resposta já é computada e dada em percentual, facilitando assim, alguns processos de análise dos dados. Para esta pesquisa, a metodologia utilizada traz alguns pontos positivos no que se refere à rapidez do processo de coleta de dados, tendo em vista que as questões são todas de fácil compreensão possibilitando assim, que o publico alvo respondesse de forma breve e consciente. Outro ponto é o fato do questionário ter sido aplicado via web, pois, em meio à realidade tecnológica em que a atual sociedade encontra-se imersa, o uso dos meios tradicionais, como a impressão de uma quantidade de folhas de papel já não é tão necessária. Além do e-mail, é preciso ressaltar que, no contexto da web 2.0, o questionário também foi disponibilizado no facebook, importante rede social muito utilizada pelos discentes, para tentar garantir maior participação dos alunos. O capítulo que se segue apresentar-se-á com maiores explicações, todos os dados coletados através do questionário aplicado.

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Capítulo 5 - ANÁLISE DOS RESULTADOS

Em uma pesquisa quantitativa, para que se obtenha uma representação positiva de resultados, nos quais seja o mais real possível. É necessário que a amostragem traga uma boa margem da população estudada, ou seja, é interessante que a coleta de dados traga números superiores a 50% da população estudada, porém, não foi o caso aqui apresentado. A população estudada foram os discentes do curso de Biblioteconomia da UFRN, que totalizam em 134 alunos ativos, distribuídos em quatro turmas. Deste quantitativo, somente 64 responderam ao questionário disponibilizado via web. A seguir, discussão dos resultados obtidos na pesquisa. As questões 1, 2 e 3 referem-se respectivamente ao perfil do aluno de biblioteconomia, abordando o período cursado pelo aluno, ao gênero sexual e faixa etária. A questão incial indica uma diferença bastante significativa com relação à quantidade de respostas dos discentes do segundo período. Onde apenas 15,% do total de respostas, correspondem ao mesmo. Do total de 64 respostas, 29,7% são do 8º período, 21,9% do 6º, e 32,8% do 4º período, sendo a turma mais colaboradora a pesquisa realizada. A questão seguinte, que interroga sobre o gênero dos questionados, constata que a maior participação da pesquisa é do sexo feminino, com 67,2% e apenas 32,8% do sexo masculino. Isso se deve a característica própria do curso de Biblioteconomia, embora essa realidade esteja mudando ao longo dos anos. Referente à faixa etária, a terceira questão elucida que apenas 6% das respostas constam de estudantes com menos de 20 anos de idade, 47% 26


responderam ter idade até 25 anos, 19% das respostas equivalem às respostas de estudantes com idade até 30 anos e acima de 30 anos obteve-se o equivalente a 28% das respostas. Pelo exposto, as três questões apresentadas permitem traçar o perfil do estudante de Biblioteconomia, possibilitando verificar que ainda é um curso cujas vagas são ocupadas predominantemente por jovens do sexo feminino. Sobre leitura, tema desta pesquisa, a questão 4 refere-se ao gosto pela leitura. Os alunos responderam sobre o gosto pela leitura e o resultado foi que 31,3% dos estudantes gostam pouco da leitura, e 68,8%, a grande maioria, demonstrou que gosta sim de ler, respondendo “gosto muito”, nenhuma resposta foi dada a opção de “não gosta” de ler. O gosto pela leitura é importante, pois, é fundamental para o desenvolvimento acadêmico e profissional do estudante universitário. A questão 5 refere-se ao incentivo à leitura realizado em casa e promovido pelos pais, pois acredita-se que seja o elemento propulsor pelo gosto e hábito pela leitura, uma vez que esta responsabilidade não deve ser de responsabilidade apenas das escolas e bibliotecas. A pesquisa revela que 53,1% dos alunos “não” tiveram incentivos dos pais para o gosto e/ou hábito pela leitura. Para a opção “Sim” obteve-se 46,9 % das respostas. Referente à questão 6, procura identificar se os alunos costumam ler aos finais de semana. A leitura no final de semana parece ser uma atividade bastante praticada pelos sujeitos da pesquisa. A maioria expressiva das respostas foi afirmativa quanto à questão de leitura aos fins de semana, sendo 65,6% disseram que “sim”, e 10.9% disseram que “não” lêem, 21,9% disseram “às vezes”, e 1,6% disseram preferir outras atividades. Referente ao tipo de material lido pelos discentes, divididos em acadêmicos, literários ou informativos, o resultado encontra-se no gráfico 7. Quando questionados sobre os tipos de material informacional que liam, o resultado foi o seguinte: 38% das respostas, disseram ler material acadêmico, 35% das respostas, disseram ler material literário e 27% das respostas, disseram ler material informativo. 27


A questão 8 trata sobre as opções de lazer e pretende mostrar em que posição a leitura se insere como atividade de lazer.

Foi constatado que: como primeira opção está o “cinema”, com 77,4% da preferência, em segundo lugar vem a “música”, com 64,5% da preferencia, em terceiro está a “leitura”, com 58,1% da preferencia dos discentes. Continuando vem a “praia” com 32,3%, “TV” com 30,6%, e “esportes” com 25,8% da preferencia dos estudantes de Biblioteconomia da UFRN. A titulo de esclarecimento, nessa questão, podia-se escolher três atividades, a finalidade disso é relatar em que posição está a leitura como atividade de lazer do acadêmico de Biblioteconomia. Referente à nona questão, interrogou-se a respeito do consumo de livros anualmente. Nesta questão os discentes de Biblioteconomia responderam a uma pergunta simples, que tem por fim, avaliar o interesse do alunado pelos livros e a leitura, e o resultado foi o seguinte: 46% respondeu que adquire de 1 a 4 livros em um ano, 30,2% adquire de 4 a 8 livros, 12,7% adquire de 8 a 12 livros e acima de 12 livros, 11,1% dos alunos. Referente à questão 10, representa as possíveis dificuldades que têm os estudantes para exercer a ato da leitura. Nessa ultima questão, o que se percebe é que o jovem estudante de Biblioteconomia, de uma maneira geral, em sua grande maioria, não sente qualquer dificuldade no quesito “leitura”, e com relação ao total de respostas (64), essa quantia foi de 52% das respostas, em seguida, 21% das respostas alegaram falta de concentração, 17% marcaram a opção “ler devagar”, finalizando a questão vem 8% das respostas afirmaram não ter paciência para leitura e por último, veem as “outras dificuldades”, que têm cunho mais intimo a cada individuo, podendo ser de ordem físico/estruturais e/ou socioeconômicas, onde apenas 2% escolheu essa alternativa. Através do que foi exposto, pode-se identificar se os alunos tem o gosto pela leitura, bem como, se a existência do incentivo dos pais na infância veio a contribuir para o gosto pela leitura.

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A maioria gosta de ler, ou seja, 68,8% dos questionados, por outro lado, na questão incentivo dos pais, a maioria respondeu não ter tido esse apoio, constando 53,1% contra 46,9% que tiveram tal incentivo. Pelo exposto é notável que o incentivo dos pais no desenvolvimento cognitivo dos alunos em questão não está em acordo com o gostar ou não de ler, pois, a maioria gosta de ler, porém, a maioria não teve o incentivo dos pais.

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Capítulo 6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

A leitura é inegavelmente indispensável à vida do ser humano, não apenas ao estudante que anseia uma formação acadêmica e profissional, mas a leitura é essencial para todos os momentos, e em todos os lugares, seja em casa, na rua, no trabalho ou nos estudos. O individuo que é um bom conhecedor de tudo que o rodeia, dos acontecimentos no seu contexto social, que busca está sempre em comunhão com o mundo em que se insere, por certo é um leitor habilidoso e atento, um critico social, e é isso que a leitura proporciona aquele que a tem por hábito e entende que é através dela que o conhecimento é adquirido e transformado em novo conhecimento. O bibliotecário é uma peça muito importante no que concerne o desenvolvimento ao gosto pela leitura, sendo o profissional da informação, o bibliotecário é o principal responsável por mediar o processo de encontro do conhecimento produzido ao usuário que quer adquirir este conhecimento. O profissional bibliotecário é também um educador, quando este se propõe em atuar em bibliotecas escolares, onde há uma necessidade de uma metodologia diferenciada no processo de interação com o aluno, que precisa perceber na leitura a possibilidade de crescimento e desenvolvimento intelectual, e isso é papel do professor junto com o bibliotecário que está diariamente envolvido com o universo da escola. O bibliotecário precisa ter a habilidade de instigar o querer aprender no seu usuário/aluno, isso fará com que o valor da leitura seja imensurável a este usuário. O objetivo geral da pesquisa foi alcançado, tendo como comprovação disso os dados obtidos nas questões 4, 6 e 10 que tratam do gosto pela leitura, do hábito de ler no tempo livre e as possíveis dificuldades de exercer o ato da leitura, onde todas as respostas dadas enaltecem a leitura, mostrando que o corpo discente do curso em questão tem a consciência da importância da leitura em suas vidas, seja 30


ela, acadêmica, informativa ou literal, até porque, todas elas acabam por serem executadas com maior ou menor intensidade por todos. A leitura tem inúmeras caracterizações, diversos são os olhares voltados aos estudos e pesquisas que tratam da leitura, conceituando e descobrindo novos caminhos para a sua propagação e universalização. O ser humano nasce e a partir desse momento começa a sua percepção do mundo novo que o envolve, a leitura sensorial, como diz Martins (1994), é etapa inicial no processo de descoberta. Esse per��odo de desenvolvimento humano pode ser de maior valia para o individuo se os primeiros passos dados forem observados e incentivados por pais mais conscientes e interessados no crescimento, não só físico, mas intelectual, nesse sentido, se insere a leitura emocional junto à racional, onde a leitura emocional está para a leitura literária, como a racional está para a acadêmica e informacional mencionadas na pesquisa. O Brasil é um país que na prática não tem como prioridade a Educação dos seus cidadãos, o incentivo, a promoção de uma educação mais presente que abrangesse os lugares mais longínquos, onde a leitura se perde e é substituída por outras atividades, devido a não existência de unidades de informação, ou de profissionais que incentivem ou desenvolvam projetos, tentando mudar a realidade e o discurso de que o brasileiro não gosta de ler. Procurando vencer tais dificuldades, mais incentivos foram direcionados à educação básica e o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), é um exemplo muito considerável de incentivo à educação e a leitura. O ensino superior , seja público ou privado, tem uma realidade não muito diferente, muito são os jovens que procuram qualquer outra atividade no seu tempo livre para lazer ao invés da leitura, como programas de televisão, a prática de esportes entre outras. No entanto, deficiências na leitura dificultam o aproveitamento do curso, refletindo na sua formação profissional. Marschall (1975 apud BORBA 1999, p. 13) menciona os professores como responsáveis pela falta de interesse na leitura e diz que os professores “mostram-se apáticos e desinteressados em relação à leitura, passando aos alunos uma atitude desmotivadora.”. Porém, o incentivo a leitura não pode ser delegado apenas aos professores, mais aos responsáveis pelas crianças e ao adulto que, pode não ter 31


sido incentivado, mas precisa conscientizar-se dos benefícios ocasionados pelo ato de ler, como desenvolver senso crítico, melhor argumentação e escrita. No âmbito do ensino superior, Santos (2006) ressalta que é compreensivo o fato da dificuldade de leitura no contexto universitário, pois o Brasil não é um país que tem tradição em fomentar o incentivo a leitura, e formar o leitor formador de opinião, que sabe o que quer e como conseguir. Para o fechamento deste trabalho, conclui-se que o resultado dos dados obtidos através do procedimento metodológico da aplicação de um questionário para elucidar o quanto a leitura faz parte da vida do estudante universitário do curso de Biblioteconomia da UFRN deu-se de maneira positiva, ou seja, a leitura é exercida com gosto, de forma prazerosa, apesar de a maioria não ter tido o incentivo da família, a leitura feita como atividade de lazer é praticada, ficando em terceira opção dentre as várias atividades de lazer mais praticadas. A leitura nunca será tida como algo obsoleto, pois é da sua prática que são escritos os mais belos versos literários, os pensamentos mais profundos e as ideias se tornam produto, conhecimento a partir de conhecimento. Descobrir

o

quanto

a

leitura

é

indiscutivelmente

necessária

ao

desenvolvimento social e profissional do sujeito é sem duvida, um horizonte a ser buscado.

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REFERÊNCIAS

BIBLIOTECA CENTRAL ZILA MAMEDE. Disponível em: < http://www.bczm.ufrn.br/site/conteudo/noticia.php?id=579>. Acesso em 17 nov.2012.

BORBA, Maria do Socorro de Azevedo. Adolescência e leitura. Natal (RN): EDUFRN, 1999.

BRASIL. MINISTÉRIO DA CULTURA. O prazer da leitura. Disponível em:<http://www.cultura.gov.br/site/2012/04/25/o-prazer-da-leitura/>. Acesso em:18 nov. 2012.

BRASIL. MINISTÉRIO DA CULTURA. Plano Nacional do Livro e Leitura. Disponível em: < http://www.cultura.gov.br/site/2012/04/23/plano-nacional-do-livro-e-leitura-9/>. Acesso em: 17 nov. 2012.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. (1910-1989). Miniaurélio: o minidicionário da língua portuguesa. Curitiba: Posigraf, 2004. 6. ed. rev. atualiz. 896 p.

GOUVEIA, Joana Mesquita Saldanha. Hábitos de leitura em crianças e adolescentes: um estudo de caso em alunos do segundo e terceiro ciclo do ensino básico. 225 f. Dissertação (Mestrado em Supervisão e Coordenação da Educação) - Universidade Portucalense Infante D. Henrique. Porto, 2009. Disponível em: <http://repositorio.uportu.pt/dspace/bitstream/123456789/170/1/TME%20382.pdf>. Acesso em: 01 dez. 2012.

GRANJA, Elza Correia. Contribuições ao estuda da leitura entre estudantes universitários: análise empírica da leitura e do uso de bibliotecas entre os alunos do curso de graduação do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. 188 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Instituto de Psicologia - Universidade de São Paulo. São Paulo, 1985. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-10022011-162910/ptbr.php>. Acesso em: 12 nov. 2012.

33


PROJETO de incentivo à leitura distribui 400 livros em Itu (SP). Disponível em: <http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2012/11/projeto-deincentivo-leitura-distribui-400-livros-em-itu-sp.html>. Acesso em: 15 nov. 2012.

LOPES, Deonara Maria Piornedo, ROSOLEN, Kátia Francieli Raimundo, MORELLI, Sonia Maria Dornellas. O hábito e o prazer na leitura: uma fonte de conhecimentos. In: AKRÓPOLIS-Revista de Ciências Humanas da UNIPAR, Umuarama, v.12, n.3, jul./set., 149-151, 2004. Disponível em: <http://revistas.unipar.br/akropolis/article/viewFile/406/371>. Acesso em: 20 nov. 2012.

MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 1994. (Coleção primeiros passos). NEGREIROS, Maria Helena. Leitura e Lazer. Educare 2 – parte 2/2. 2010. Entrevista concedida a Luciene Bulgarelli Moreira. Disponível em:<http://www.youtube.com/watch?v=firBS7BhWHw>. Acesso em: 01 out. 2012.

PASTANA, Eliane Nogueira de Lima. Como desenvolver o hábito da leitura? Programa Destaque Cristo Rei. 2011. Entrevista concedida a Natália Santos. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=5o8zayj6KFE&feature=endscreen>. Acesso em: 22 out. 2012.

SANTOS, Silmara de Jesus Bignardi dos. A importância da leitura no ensino superior. Revista de Educação, v. 9, n. 9, 2006. Disponível em: <http://sare.anhanguera.com/index.php/reduc/article/view/193/190>. Acesso em: 15 nov. 2012.

SHERA, Jesse (1903-1982). Epistemologia social, Semântica geral e Biblioteconomia. In: Ci.Infor. Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, 9-12, 1977. Disponível em: <http://revista.ibict.br/cienciadainformacao/index.php/ciinf/article/view/1564/1179>. Acesso em: 15 nov. 2012.

SILVA, Ezequiel Theodoro da. O professor leitor. In: MEDIAÇÃO DE LEITURA: discussões e alternativas para a formação de leitores. (Org.): Fabiano dos Santos, José Castilho Marques Neto, Tania M. K. Rösing. São Paulo: Global, 2009. p. 23-35.

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SOUZA, Leila. A importância da leitura para a formação de uma sociedade consciente. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENSINO E PESQUISA EM INFORMAÇÃO, 7, 2007, Salvador. Anais... Salvador: EDUFBA, 2007. Disponível em: <http://www.cinform.ufba.br/7cinform/soac/papers/f42e0a81e967e9a4c538a2d0b653 .pdf>. Acesso em: 10 nov. 2012.

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APÊNDICE : QUESTIONÁRIO UTILIZADO NA COLETA DE DADOS

Questões

1

Qual período que está cursando?

(....) 2º (....) 4º (....) 6º (....) 8º

2

Sexo:

(.....)Feminino

3

Idade:

(.....)Masculino

(....) Até 20 anos (....) 21 à 25 anos (....) 26 à 30 anos (....) Acima dos 31 anos 4

Quanto a leitura:

(.....) Gosta muito (.....) Gosta pouco (.....) Não gosta 5

Seus pais liam para você e/ou contavam historias a fim de incentivar a leitura na sua infância?

(.....) Sim 6

(.....) Não

Costuma ler aos finais de semana?

(....)Sim (....)Não (....)As vezes (....) Prefere se ocupar com outras atividades, quais? ________________________________________________________________. 7

Você lê que tipo de material:

(.....)Acadêmico 8

(.....)Literário

(.....)Informativo

Assinale 3 opções de lazer mais interessantes para você:

(.....) Esportes (.....) Cinema (.....) Leitura (.....) Musica (.....) Televisão (novelas, séries, programas de entrevista) (.....) Praia (....)Outras Especifique:______________________________________________________. 9

Quantos livros você adquiri e/ou ler anualmente:

(.....) 1 a 4 (.....) 4 a 8 (.....) 8 a 12 (.....) Acima de 12 10 Sobre dificuldades em leitura, marque uma opção: (.....) Não tem dificuldades (.....) Lê devagar (.....) Não tem paciência (.....) Não tem concentração

(.....) Não compreende o que lê

(.....) Outras dificuldades (físicas (acessibilidade), psicológicas, comportamentais etc.). Especifique:______________________________________________________.

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Na Moral Editora Natal/RN 28/05/13

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ANÁLISE DA RELAÇÃO LEITURALAZER NO CONTEXTO DO ESTUDANTE DE BIBLIOTECONOMIA DA UFRN

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Análise da relação leitura-lazer