VI SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA PRIMEIRA INFÂNCIA
Programa Mãe Coruja Pernambucana
Recife, 07 de Novembro de 2016
Programa Mãe Coruja Pernambucana : AVALIAÇÃO QUALITATIVA Tania Bacelar – Sócia da CEPLAN Rayane Andrade - Consultora
Sumário
1. Bases da Avaliação Qualitativa : pilares e etapas 2. Metodologia adotada e processo avaliativo 3. Principais Resultados da Avaliação
4. Considerações Finais
PMC:OBJETIVO e ETAPAS da AVALIAÇÃO Objetivo: Avaliar o PMC a partir de uma perspectiva qualitativa, levando em consideração as percepções dos diferentes sujeitos envolvidos. Considerando a escala do PMC: importante. Etapas: 1. Análise documental e entrevistas semiestruturadas com equipe gestora 2. Consulta a especialistas internos e externos ao programa: grupos focais e entrevistas semiestruturadas 3. Pesquisa de campo (in loco): entrevistas em profundidade e observação sistemática
A ABORDAGEM QUALITATIVA: PILARES Ø Perspectiva interpretativista, focada na compreensão do mundo social por meio da interpretação que os indivíduos dele fazem; Ø Foco na “alteridade”, compromete-se a ver os eventos a partir do olhar das pessoas estudadas; Ø Ênfase no contexto, pois não é possível entender um fenômeno social sem compreender o contexto em que este se desenvolve; Ø Flexibilidade dos instrumentos de coleta, recorrendo a instrumentos de coleta minimamente estruturados para evitar a condução de respostas e ampliar as possibilidades de captar informações genuínas.
O Objeto da avaliação (PMC): CONCEPÇÕES NORTEADORAS Ø Mortalidade infantil como um FENÔMENO
MULTICAUSAL Ø Transversalidade, integração e intersetorialidade: DIRETRIZ CENTRAL de atuação Ø A Centralidade da IDEIA DE CUIDADO Ø ESTRATÉGIA PRINCIPAL: PMC como AÇÃO SUPLEMENTAR E ARTICULADORA (fazer fazerem) e promotora de ARTICULAÇÃO INTERFEDERATIVA
A Metodologia adotada e Processo Avaliativo
ETAPAS DA PESQUISA: Etapa 1
Etapa 1: Exploratória
• Compreendeu o levantamento de documentação sobre o programa, seguido de análise documental e, em paralelo, a realização de entrevistas. com a equipe de coordenação do Programa Mãe Coruja Pernambucana(foco em que montou e conduz o PMC). • Também foram escolhidos : • critérios para seleção dos municípios a visitar e • nomes de especialistas a consultar (indicações).
ETAPAS DA PESQUISA: Etapa 2 Etapa 2: A visão dos especialistas (ouvidas mais de 50 pessoas)
• Obtida através de entrevistas semi estruturadas e realização de Grupos Focais envolvendo técnicos de áreas afins do PMC, de dentro e de fora do Governo Estadual. • O objetivo foi levantar as principais forças e fraquezas do Programa, identificar os principais desafios para o futuro e sugestões de ações.
ETAPAS DA PESQUISA: Etapa 3 ( Campo) Etapa 3: A visão das usuárias e dos que atuam na linha de frente do PMC • Pesquisa de campo em 4 municípios previamente selecionados • Critérios de escolha: trajetória/resultados alcançados, região, tempo de implantação do PMC
CAMPO: MunicĂpios visitados
ETAPA 3: a pesquisa de campo Ø O objetivo principal foi o de captar a visão das usuárias do programa e dos profissionais que atuam diretamente nos municípios Ø Características das usuárias entrevistadas : a) tempo de entrada no programa; b) território onde reside no município (urbano ou rural); c) usuárias com mais de um filho, com vistas a poder traçar um paralelo entre gestações acompanhadas e não acompanhadas pelo PMC; d) mães adolescentes. Ø As técnicas de coleta de dados utilizadas nessa etapa foram: entrevistas em profundidade e observação sistemática
55 entrevistas nos municĂpios
Grupo Focal 1 – Coordenadoras Regionais Grupo Focal 1 – Coordenadoras
Grupo Focal 2 – Especialistas Externos
Regionais
Resultados: A Visão dos Especialistas
Visão dos Especialistas: PONTOS FORTES • Concepção valorizadora da intersetorialidade • Modelo e prática de Governabilidade e
Monitoramento sistemático
• O Círculo de Educação e Cultura: instrumento para transmitir conhecimento e mobilizar pessoas • Existência do Canto Mãe Coruja no município
Visão dos Especialistas: PONTOS FORTES • O Fortalecimento dos Vínculos familiares e importância do Cuidado • Estímulo ao empoderamento das usuárias • Descentralização do Programa Mãe Coruja: foco nos municípios mais vulneráveis • Apoio político da Alta Gestão
Visão dos Especialistas: PONTOS FRACOS • Dificuldades nas articulações entre as Instituições envolvidas (multisetorialidade na prática) • O vínculo contratual e a seleção das Profissionais do PMC (contratação temporária gerando rotatividade alta) • Pequeno número de equipes por território (mesmo nº de profissionais para territórios muito distintos)
Visão dos Especialistas: PONTOS FRACOS • A Mulher como Coadjuvante (mãe em período de gestação) • Dificuldades no acompanhamento da Mãe e da Criança • Instabilidade na cessão das sedes do Canto Mãe Coruja • Timidez das parcerias institucionais • Escassez de registros e pouca divulgação do Programa
Visão dos Especialistas: DESAFIOS • Acompanhamento Infância
da
Criança
• Fortalecimento da Rede de Assistência materno-infantil
na
Primeira
Saúde
e
de
• Universalização nos municípios e ampliação da quantidade de Cantos Mãe Coruja • O apoio ampliado da Gestão Municipal • Fortalecimento da Integração e Articulação no PMC
Visão dos Especialistas: DESAFIOS • Fortalecimento dos Círculos de Educação e Cultura (princípios da Educação Popular) • Maior estabilidade do Quadro Técnico e qualificação continuada das Equipes • Maior Foco na Mulher (e na mortalidade materna), na Assistência ao Parto e nas Discussões de Gênero • Atuação mais efetiva na primeira infância • Maior Publicização e divulgação do PMC
Canto Mãe Coruja – Condado
Círculo de Educação e Cultura – Ouricuri
Resultados da Pesquisa de Campo
Preliminar
• Houve muita convergência entre a visão dos especialistas e os resultados da escuta no campo. • Os resultados aqui apresentados não esgotam o conteúdo do relatório, que é muito rico em seus detalhes.
Visão das Usuárias: IMPACTOS POSITIVOS • Maior acesso à informação qualificada sobre a gravidez e pré-natal e sobre os cuidados com o bebê (como a importância do aleitamento, vacinação e alimentação).
• A participação em cursos de capacitação e oficinas, possibilitando maior autonomia econômica. • O resgate da autoestima e a construção da autoconfiança por meio dos Círculos • O fortalecimento dos vínculos familiares das mulheres, seja com seus filhos e maridos ou,
Visão das Usuárias: OUTRAS OBSERVAÇÕES • O acompanhamento das crianças funciona como um incentivo para o comparecimento nas consultas e para a vacinação das crianças no tempo correto. • O Kit do nênê : a compreensão de sua importância para as usuárias que o percebem como estímulo à entrada e destacam a importância para as mais vulneráveis. Mas salientam que o PMC vai muito além.
Visão das Usuárias: ENTRAVES • A hora do parto, devido às fragilidades da rede hospitalar ( falta de estrutura e de obstetras). • Dificuldades das mães para voltarem ao Canto após o parto, para dar continuidade ao acompanhamento do bebê, além da dificuldade em trazer os pais para participar das atividades. • As mães adolescentes entrevistadas relataram pouca participação nas atividades promovidas pelo programa e pouco impacto deste em suas vidas.
Considerações Finais
SINTESE da ANÁLISE QUALITATIVA Ø A multidimensionalidade – envolvendo articulação interfederativa - é , ao mesmo tempo, uma força e um dos principais desafios do PMC. Ø Os efeitos não-materiais advindos da participação no PMC são destaque : dinâmicas de empoderamento, por exemplo, são destacadas, mesmo que em um nível mais embrionário e não atingindo todas as dimensões necessárias. Ø Melhorar a rede de assistência maternoinfantil é o principal desafio do PMC, ao lado da humanização do parto.
SINTESE da ANÁLISE QUALITATIVA Ø Diferenças de desempenho entre os municípios podem estar assentadas ao tripé: i) boa articulação inter-institucional; ii) bom atendimento à gestante; iii) proatividade das equipes locais.
Ø Deve-se investir na redução da rotatividade e no processo de capacitação continuada das técnicas dos Cantos Mãe Coruja e educadoras dos círculos de educação e cultura. Ø O acompanhamento da primeira infância com atividades voltadas para o desenvolvimento infantil (criança até os 5-6 anos), precisa ser um objetivo fundamental a perseguir.
Equipe Técnica da Avaliação Qualitativa Coordenação Geral: Tania Bacelar de Araújo Coordenação Técnica: Rayane Andrade Consultor Sênior: Francisco Jatobá Consultor Sênior: Jorge Jatobá Assistente da Coordenação: Raquel Aquino da Silva Consultora Junior: Laís Veloso Pesquisadora: Marília Gomes do Nascimento Pesquisadora: Danielle Gomes da Costa Pesquisadora: Eloah Maria Martins Vieira Pesquisadora: Pollyanna Mendes Alves Estagiária: Carolina Q. Jucá