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APRENDIZAGEM, BEM-ESTAR E DESIGUALDADES NA PRIMEIRA INFÂNCIA EM

3 ESTADOS BRASILEIROS:

Evidências do International Early Learning and Child Well-being Study – IELS

O Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (IELS) apresenta dados inéditos sobre o desenvolvimento de crianças de 5 anos na pré-escola. Criado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e coordenado no país pelo Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais (LaPOpE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o estudo evidencia que a aprendizagem infantil é fortemente influenciada por desigualdades.

O IELS ANALISA O DESENVOLVIMENTO EM TRÊS DIMENSÕES, COM DEZ DOMÍNIOS:

APRENDIZAGENS FUNDAMENTAIS

2 domínios

FUNÇÕES EXECUTIVAS

3 domínios

HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS

5 domínios

• Literacia emergente

• Numeracia emergente

• Memória de trabalho

• Controle inibitório

• Flexibilidade mental

• Identificação de emoções

• Atribuição de emoções

• Confiança

• Comportamento pró-social

• Comportamento não disruptivo

COMO O ESTUDO FOI DESENVOLVIDO?

2.598 crianças 210 escolas (80% públicas)

89 municípios (do Ceará, Pará e São Paulo)

Capacidade de entender narrativas curtas, compreender o significado das palavras e reconhecer sons

Capacidade de trabalhar com números, comparar quantidades e compreender medidas, padrões e formas

Articulação de habilidades cognitivas e socioemocionais para o controle da atenção, a regulação de impulsos e a adaptação a demandas e regras

Capacidades relacionadas à compreensão de si e dos outros, à regulação emocional e à construção de relações sociais

Coleta de dados (2025) Atividades individuais e interativas com as crianças, aplicadas em tablets com recursos lúdicos e conduzidas por pesquisadores treinados, sem necessidade de leitura, respeitando o ritmo e o bem-estar de cada criança. Questionários com pais/responsáveis e professoras, que descrevem percepções sobre o desenvolvimento das crianças

Realização

IELS

Coalizão
Parceria técnica

Confira a seguir alguns dos principais resultados do IELS no Brasil

Os resultados utilizam uma média internacional de 500 pontos

FUNÇÕES EXECUTIVAS

SOCIOEMOCIONAIS

O Brasil se aproxima da média em apenas três dos dez domínios — literacia emergente, identificação de emoções e atribuição de emoções. Esses resultados também apresentam menor desigualdade, com aprendizagem mais homogênea entre crianças de diferentes níveis socioeconômicos.

Os demais resultados estão abaixo da média. Numeracia apresentou a maior dispersão de resultados, o que evidencia que nem todas as crianças têm acesso às mesmas oportunidades de aprendizagem e que a defasagem em habilidades matemáticas básicas começa na pré-escola.

IMPACTO DAS DESIGUALDADES

Domínios

Literacia emergente

Numeracia emergente

Memória de trabalho

Controle inibitório

Flexibilidade mental

Empatia (identificação de emoções)

Empatia (atribuição de emoções)

(alto x baixofavorável ao alto)

Cor/Raça (brancos x pretosfavorável aos brancos)

Gênero (menina x meninofavorável às meninas)

● Diferença estatisticamente significativa | — Diferença não estatisticamente significativa |

As desigualdades não atuam de forma isolada. Crianças em maior situação de vulnerabilidade — especialmente meninos, pretos, pardos e indígenas e de famílias de baixa renda — apresentam resultados sistematicamente mais baixos. O efeito combinado desses fatores amplia desigualdades de aprendizagem já na primeira infância, reforçando a necessidade de priorização das políticas públicas que busquem a equidade desde os primeiros anos de vida.

AMBIENTE DE APRENDIZAGEM EM CASA

Para além das experiências na pré-escola, o IELS analisou as associações entre interações familiares e o desenvolvimento infantil. A tabela a seguir apresenta o percentual de famílias que realiza essas atividades com as crianças três dias ou mais por semana.

Atividade

atividades com números

O IELS também analisou a associação entre o uso diário de dispositivos digitais e o desenvolvimento infantil. Os resultados indicam que o uso frequente de telas está associado a níveis mais baixos em todos os domínios, especialmente nas aprendizagens fundamentais, com reduções de cerca de 10 pontos em literacia emergente e 11 em numeracia emergente.

No Brasil, as famílias relatam menor frequência de atividades que estimulam o desenvolvimento infantil. A maior diferença está na leitura com as crianças: enquanto, na média internacional, 53,9% das famílias realizam essa atividade regularmente, no Brasil esse percentual é de apenas 14,4%.

A desigualdade é ainda mais crítica na comparação por nível socioeconômico, em todas as atividades. Por exemplo, entre as famílias brasileiras de NSE alto, 24% leem frequentemente para as crianças, mas esse índice cai para apenas 9% entre as famílias de NSE baixo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados mostram que as características individuais, as condições socioeconômicas das famílias, o ambiente de aprendizagem em casa e as experiências na educação infantil influenciam conjuntamente a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças. É também nessa intersecção que as desigualdades se instalam e se ampliam desde a pré-escola.

O Brasil vive um momento propício para avançar na agenda da primeira infância: o arcabouço legal existente reforça a intersetorialidade, estabelece parâmetros de qualidade e orienta políticas com foco na priorização de contextos de maior vulnerabilidade.

Diante disso, políticas públicas eficazes precisam ir além da ampliação do acesso: é necessário garantir qualidade, equidade e intencionalidade nas experiências oferecidas às crianças, articulando educação e apoio às famílias desde os primeiros anos.

RECOMENDAÇÕES PARA POLÍTICAS PÚBLICAS

Aprimorar a qualidade da educação infantil para alavancar as aprendizagens, fortalecendo a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a formação inicial e continuada de docentes, de modo a garantir maior integração e equilíbrio entre os campos de experiência e o alcance dos objetivos de desenvolvimento pelas crianças.

Fortalecer políticas intersetoriais com foco no desenvolvimento integral, por meio da implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI), priorizando crianças em situação de vulnerabilidade para reduzir desigualdades.

Ampliar estratégias de apoio às famílias, articulando programas de parentalidade às políticas de educação, saúde e assistência social, a fim de aumentar a efetividade das intervenções e alcançar os grupos mais vulnerabilizados.

Garantir a continuidade e qualificação das políticas de literacia emergente, com foco em experiências de linguagem, e ampliar as oportunidades de aprendizagem em numeracia emergente, fortalecendo a formação inicial e continuada dos professores.

Fortalecer estratégias que promovam, na rotina da educação infantil, práticas intencionais que estimulem o desenvolvimento das funções executivas e das habilidades socioemocionais das crianças.

ACESSE OS DADOS COMPLETOS DO IELS

Relatório internacional
Relatório do Brasil

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