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E STA D O D E M I N A S

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D O M I N G O ,

Um domingo prazer diferente EDUARDO AVELAR

tradicionais de domingo, parques pratodogosto,praças,comoada Savassi, revitalizada, e muito mais. Mas de vez em quando ainda surgem momentos de “queria algo diferente...”. O enorme fluxo de veículos que saem de BH nos fins de semana dão o tom dessa necessidade de buscar programas alternativos, especialmente que ofereçam boa comida em contato direto com a natureza. As cidades próximas recebem milhares de turistas, que movimentam o

RAFAEL MOTTA/TV ALTEROSA

Cozinha de corpo e alma MÍRIAN PINHEIRO A chef paulista Mara Salles, do famoso restaurante Tordesilhas, em São Paulo, é dessas pessoas curiosas, inquietas. Há 30 anos ela não mede esforços para chegar à perfeição das coisas, e se entrega de corpo e alma ao intento atrás das respostas. Não tem medo de se relacionar, de experimentar, de ousar. Convive, troca experiências e receitas, conversa com um e com outro, com quem quer que seja para enriquecer o seu – já grande – conhecimento gastronômico. No ano passado, ela lançou o livro Ambiências, histórias e receitas do Brasil, que trata um pouco sobre as coisas que admira: feijoada, uma boa farofa, chuchu refogadinho, buchada, caldo de mocotó e “um golão de cachaça”. Na sua mais recente empreitada, uma viagem pela Serra da Canastra, região que visitou em mais de uma oportunidade, Mara Salles foi ver de perto como se dá a produção da famosa iguaria mineira: o queijo. Em companhia de João Carlos Leite, presidente da Associação de Produtores de Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra (Aprocan), visitou alguns produtores, como Zé Mário, que teve o seu queijo considerado o melhor de Minas Gerais no ano passado. Também conheceu o casal Zé Pão e Romilda, pequenos produtores que fazem tudo sozinhos, desde o cuidado com a criação até a reti-

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degusta

MUITO

Morar em cidade grande e que não tem mar nos faz sentir uma imensa necessidade de pôr os pés no chão, tomar banho de cachoeira ou simplesmente deitar na grama e “quentar sol”. Às vezes, aochegarofimdesemananão planejado vem a questão: “O que fazer?”. Em época de sol tímido, mesmo acompanhado de um friozinho suportável, em cidades como Nova York a turma corre pro Central Park e a diversão ou a preguiça rolam soltas. Por aqui, também temos os programas

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rada do leite e a elaboração do queijo; chamam as vacas pelos nomes, de tanta intimidade que têm com elas. Mara dormiu no sítio deles, comeu pão de queijo, trocou receitas e trouxe, na mala, nata, soro e queijo. Com isso nas mãos e muitas horas de experimentação na cozinha, definiu o cardápio apresentado no jantar que promoveu no último fim de semana. Para abrir a noite, em uma queijeira clássica foram apresentados queijos artesanais dos melhores produtores da Canastra, servidos com cachaças mineiras. Em seguida, foi a vez do lobozó, prático típico da região, que mistura vegetais frescos, ovos, queijo, cebolinha e farinha de milho. O ovo caipira pochê, cozido no soro, veio em seguida, e, depois, talharim de abobrinha ao molho de três queijos, fresco, meia cura e curado (receita nesta página) e mexidinho de miniarroz com queijo bem curado e pimenta-de-cheiro, servido com galinha caipira de panela. Para terminar, a cremosa nata com sabor levemente defumado, já que o leite que lhe deu origem foi fervido no fogão a lenha, encimando uma taça com frutas ao natural e sob a forma de geleia ou xarope (banana, cupuaçu e umbu), servida com uma crocante e dourada casquinha rendada, feita com canastra fresco frito. IARA VENANZI/DIVULGAÇÃO

Talharim de abobrinha aos três queijos da Canastra INGREDIENTES PARA 6 PORÇÕES 4 abobrinhas médias bem fresquinhas; 100g de queijo fresco ralado fino; 150g de queijo meia cura ralado fino; 200g de queijo curado ralado fino; 1 pitada de noz-moscada ralada; 500ml de creme de leite fresco; 3l de água para o cozimento da abobrinha; 1 colher de sopa rasa de sal; 6 tomates holandeses; 50g de aliche; 4 ramos de manjericão; 6 dentes de alho amassados com a casca; 1/2l de azeite de oliva; 2 folhas de louro; 10 grãos de pimenta-do-reino quebrados e gelo.

MODO DE FAZER TALHARIM: corte apenas os pescoços da abobrinha (use a parte de baixo do legume, onde estão as sementes, em outra receita). Rale numa mandolina, formando fios como os de macarrão. Ponha a água para ferver, temperada com o sal. Quando entrar em ebulição, ponha a abobrinha e deixe não mais que um minuto. Escorra e ponha os fios imediatamente sobre gelo para interromper o cozimento. Reserve. MOLHO: aqueça o creme de leite fresco e vá adicionando os três queijos aos poucos, mexendo para que se fundam. Ponha uma pitada de noz-moscada, coe e reserve. TOMATES CONFITADOS: lave os tomates, preservando os cabinhos. Faça uma incisão profunda na parte inferior de cada um deles e ponha aliche dentro. Coloque-os numa assadeira pequena, de forma que fiquem juntinhos. Salpique com pimenta-do-reino e distribua o louro, os ramos de manjericão e os dentes de alho por cima. Regue com azeite até que chegue a um terço da altura da assadeira (cerca de meio litro). Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus por 30 minutos. Na hora de servir, aqueça o molho e envolva os fios de abobrinha nele. Sirva com o tomate confitado e lascas dos três tipos de queijo usados no molho.

J U N H O

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comércio e, principalmente, os restaurantesdeSabará,Lagoa Santa, Nova Lima, Macacos e da região do Vale do Charme, no entorno da Serra da Moeda. Escondidas nas montanhas e matas, há opções de comida simples e alta cozinha, boas ofertas de vinhos e cervejas artesanais, enfim, ofertaspara todos os gostos e bolsos. Ainda há locais cujo valor agregado supera de longe o apetite de quem busca um programa diferente, estabelecimentos cujos donos ficam na linha de frente, como nos bistrôs franceses ou nas trattoriasitalianas.Noentornoda capital temos muitas “comidinhas caseiras” que nos proporcionam momentos de alegria, harmonizandonatureza,boa prosa e boa cozinha. Nas encostas

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daSerradaMoedahá preciosidades escondidas na mata que são conhecidas, a despeito de seus nomes oficiais, como a casa do Abraão, o sítio dos Fábios (pai e filho), a casa do Rodolfo e da dona Vera,acasavelhadocasal Fernando e Suely. Essaintroduçãotodaépara contar sobre uma grande descoberta. Depois de ouvir de minha mulher o clássico “Quero fazer algo diferente”, proferido com aquele tom de “sugestão”, no fim de semana passado a levei, sem discutir, para tomar café da manhã num lugar desses, inusitado. Logo abaixo do Condomínio Retiro do Chalé, está escondidaacasadecampodo casal Márcia (professora de ioga) e Sérgio (marceneiro), que nos fins de semana descansa

carregando pedras para atender no seu Café Jala, sempre sob reserva, pessoas que buscam algo diferenciado. E põe diferencial nisso, pois até parece que quem mais se diverte são eles, tamanha a sua gentileza e competência. Com a maior simplicidade e informalidade, eles começam a preparar, ainda de madrugada, pães artesanais mágicos com recheios orientais ou mediterrâneos, que são servidos acompanhados de sucos de frutas naturais com especiarias, coalhadas e geleias (também naturais), chás, manteigas de ervas, temperos caseiros e prosa agradável. Portanto, num dia desses sem assunto, se sua mulher der aquela “sugestão”, não se aperte. Alternativa é o que não falta.


Coluna Muito Prazer