







Pâncreas

Características morfofuncionais gerais:
- parênquima organizado em ácinos (pâncreas exócrino) e ilhotas (pâncreas endócrino); - 85% da massa pancreática desempenha função exócrina (enzimas digestivas, liberadas no duodeno); - as principais secreções endócrinas (insulina e glucagon) regulam o metabolismo da glicose e a glicemia.
Ilhota pancreática (de Langerhans)


Organização microscópica do pâncreas (à direita, ácinos pancreáticos em maior aumento).









Doenças do pâncreas endócrino
Diabetes mellitus: - distúrbio crônico do metabolismo da glicose decorrente da secreção insuficiente e/ou atuação ineficiente da insulina (resultando em hiperglicemia); - importante causa de morbimortalidade no mundo (integra, junto às doenças cardiovasculares, câncer e DPOC, o grupo das quatro principais doenças não transmissíveis, segundo a OMS).










Doenças do pâncreas endócrino
Diabetes mellitus tipo 2:
- tipo mais comum da doença;
- mais comumente diagnosticada após os 40 anos;
- inicialmente subclínica, sendo acusada por alterações da glicemia;
- história familiar (1º grau) aumenta o risco em 5-10 vezes;
- sobrepeso/obesidade (especialmente central), dieta rica em calorias, sedentarismo e tabagismo são importantes fatores de risco modificáveis.













Doenças do pâncreas endócrino
Diabetes mellitus tipo 2:
- "resistência à insulina" é um fenômeno primordial, observado especialmente nos tecidos muscular esquelético, adiposo e hepático; - identificam-se defeitos em diversos pontos na transdução de sinal da insulina, cujas repercussões incluem a redução da expressão membranar do transportador GLUT-4 (favorecendo o aumento da glicemia).


Insulina

Receptor
Glicose
Vesícula de GLUT-4
GLUT-4 expresso na membrana

Efeitos metabólicos
Transdução da insulina e expressão do GLUT-4.
Exercício









Doenças do pâncreas endócrino
Diabetes mellitus tipo 2:
- dentre os fatores favorecedores da resistência insulínica (que incluem sedentarismo, dieta e tabagismo), o principal é o excesso de adiposidade; - o tecido adiposo em excesso (especialmente o central) se associa a níveis elevados de ác. graxos "livres" (não esterificados) circulantes (normalmente restritos a 2-5% do total).



Glicerol Ácidos graxos Triglicerídeo
Lipogênese Lipólise Água
Reação de esterificação de ácidos graxos.








Doenças do pâncreas endócrino
Diabetes mellitus tipo 2:
- no fígado, diminui a inibição da gliconeogênese (logo, mais síntese de glicose) induzida pela insulina (hepatócitos "resistentes", por mecanismos incertos), que contribui com o aumento da glicemia;
- no tecido adiposo, a menor eficiência da insulina acarreta aumento na formação de ác. graxos livres (mais lipólise e menos lipogênese), agravando a resistência já existente (círculo vicioso).










Doenças do pâncreas endócrino
Diabetes mellitus tipo 2:
- a persistência da resistência insulínica (e tendência à hiperglicemia progressiva) é inicialmente compensada pela hipertrofia das células β (↑ secreção de insulina);
- em longo prazo, a adaptação deixa de ser compensatória (insuficiência) e finalmente culmina com a falência das células β (toxicidade dos ác. graxos livres e da hiperglicemia, dentre outros);
- a insuficiência/falência das células β propriamente determina a intolerância à glicose que caracteriza o diabetes (eventualmente requerendo insulina exógena).










Doenças do pâncreas endócrino
Diabetes mellitus (tipos 1 e 2):
- complicações agudas:
-- os ác. graxos livres gerados no tecido adiposo servem de matériaprima à síntese de "corpos" cetônicos (substratos alternativos ao metabolismo energético nos tecidos dependentes de insulina);
-- o excesso de corpos cetônicos circulantes (insuficiência insulínica)
favorece acidose metabólica (cetoacidose diabética) e associa-se à fadiga, náuseas, vômitos e, quando persistente, perturbações da consciência (incluindo o coma) e óbito.



A cetoacidose diabética em geral resulta da não administração de insulina exógena e é favorecida no contexto de estresse metabólico (trauma, infecção e outras condições mórbidas).









Doenças do pâncreas endócrino
Diabetes mellitus (tipos 1 e 2):
- complicações agudas:
-- o estado cetoacidótico se impõe menos comumente no tipo 2 (maiores níveis residuais de insulina?), favorecendo incrementos substanciais da glicemia;
-- hiperglicemias severas (600-1200 mg/dl) associam-se a perdas acentuadas de volume (por poliúria osmótica), que podem levar a perturbações da consciência (incluindo o coma) e óbito (estado hiperglicêmico hiperosmolar/hiperosmótico).










Doenças do pâncreas endócrino
Diabetes mellitus (tipos 1 e 2): - complicações crônicas: -- nos rins, a microangiopatia diabética leva à degeneração glomerular e atrofia tubular, agravadas pelos efeitos da aterosclerose sobre as aa. renais (podendo culminar com insuficiência renal crônica).



Aspecto microscópico de um glomérulo e túbulos renais (corados em PAS) no diabetes (à direita, glomérulo normal para comparação, corado em HE).









Doenças do pâncreas endócrino
Diabetes mellitus (tipos 1 e 2):
- complicações crônicas:



A nefropatia diabética tem a microalbuminúria (excreção de albumina >30 e <300 mg/dia) como sua mais precoce manifestação e pode culminar com necessidade de diálise (mais de 50% das diálises são em nefropatas por diabetes).









Doenças do pâncreas endócrino
Diabetes mellitus (tipos 1 e 2): - complicações crônicas:



O "pé diabético" é um resultado comum dos danos neurovasculares típicos da doença, que favorece infecções e, não raramente, demanda amputações.









Referências bibliográficas
Gerais:
1. Kumar V, Abbas A, Aster J. Robbins & Cotran: Pathologic basis of disease. 9th ed. Elsevier; 2016.
2. O'Dowd G, Bell S, Wright S. Wheather's Pathology: A text, atlas and review of histopathology. 9th ed. Elsevier; 2020.
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Específicas:
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