Estudo sobre o edifĂicio IAPETC, 9 de Julho
UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU Arquitetura e urbanismo
Fernanda Monteiro dos Santos
MEMÓRIA E TRANSFORMAÇÃO Estudo sobre o edifício IAPETC, 9 de Julho.
São Paulo, 2019
RESUMO A partir da análise de dois problemas existentes na cidade de São Paulo, o abandono de edifícios no Centro da cidade, e o grande déficit habitacional que é uma realidade da nossa cidade, o presente trabalho tem como objetivo a reconstrução da identidade de um desses edifícios, o Edifício IAPETC, transformando – o em um edifício habitacional, com a inclusão a usos públicos, integrando a um projeto de um novo edifício aqui proposto, visando trazer luz e apresentar uma solução arquitetônica possível e aplicável neste recorte, através da conjunção entre a história e o presente, transformando a dinâmica do espaço, contribuindo com a renovação daquela região e garantindo condições dignas de moradia para quem necessita. Página anterior: Edifício IAPETEC visto da Avenida Nove de Julho. Foto da autora Foto da Autora
SUMÁRIO 10
MEMÓRIA E TRANSFORMAÇÃO: ESTUTO SOBRE O EDIFÍCIO IAPETC, NOVE DE JULHO.
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SÃO PAULO E HABITAÇÃO: O CASO DA REGIÃO CENTRAL
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AS POLÍTICAS HABITACIONAIS BRASILEIRAS
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MOVIMENTOS SOCIAIS E A LUTA PELA MORADIA
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DECADÊNCIA E REGENERAÇÃO DO CENTRO.
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ESTRATÉGIAS DE APROPRIAÇÃO
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AREA DE INTERVENÇÃO
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EDIFÍCIO IAPTEC: HISTÓRIA, CARACTERÍSTICAS E OCUPAÇÃO
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OCUPAÇÃO 9 DE JULHO
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O PROGRAMA
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REFERÊNCIAS PROJETUAIS
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PROCESSO DE PROJETO
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PLANTAS
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CORTES
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PERSPECTIVAS
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REFERÊNCIAS
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1. BONDUKI, Nabil. Habitar São Paulo. Reflexões sobre a gestão urbana. São Paulo, Estação Liberdade, 2000. (Pág.13).
Memória e transformação. Estudo sobre o edifício IAPETC, Nove de Julho. O projeto surge do interesse despertado durante o processo de aprendizado nestes anos do curso de arquitetura e urbanismo, onde nos deparamos com a realidade brasileira de que, a arquitetura apesar de ser um fator importante de desenvolvimento social, no sentido de garantir segurança e dignidade ao cidadão, não alcança de maneira efetiva quem mais necessita. Pretendo aqui neste estudo então o desenvolvimento um projeto que busca o equilíbrio entre arquitetura e sociedade.
Página anterior: Desenho feito na parede da galerioa reocupa. Foto da autora.
A partir desta proposição trago neste recorte, no qual o projeto se desenvolverá, o objetivo de trabalhar a partir da junção de dois grandes problemas históricos enfrentados na cidade de São Paulo, o déficit habitacional e o abandono de diversos edifícios na área central da cidade. O déficit habitacional é uma questão crescente desde a década de 1960 e 1970, como consequência de um processo de urbanização acelerado e irregular e das desastrosas políticas públicas adotadas pelos governantes[1], e que hoje se tornou um problema de grande dimensão no país, e que leva nossa população cada vez mais a condições de moradia precárias e insalubres, privando o acesso de milhares de famílias do direito de habitar com dignidade
Memória e transformação - Estudo sobre o edifício IAPTEC, 9 de Julho.
Outro grande problema que vem sendo enfrentado nos últimos anos é a decadência do Centro de São Paulo como consequência da migração da elite que funcionava como um motor para o crescimento e funcionamento do lugar, para outras áreas da cidade, impulsionados pelo mercado imobiliário que teve como resultado o abando de diversos edifícios da região central,[2] problema esse que resultou na subutilização do centro, e mesmo com a grande oferta de infraestrutura urbana oferecida pela região levou o surgimento de uma outra questão, o abandono de diversos edifícios Neste contexto, tratamos aqui então da recuperação do Edifício IAPETC, O edifício projetado pelo arquiteto Jayme Câmpelo Rodrigues, construído na década de 1940 e que por anos serviu como sede do INSS, localizado na Avenida Nove de Julho, São Paulo – SP, encontra-se abandonado desde a década de 1990 pelo INSS, este edifício hoje abriga a Ocupação 9 de Julho do movimento MSTC(Movimento dos sem terras do Centro), em condições estruturais precárias. O trabalho criação de um novo edifício que se integre a este existente para a transformação e implantação de um conjunto residencial, com habitações de caráter social, compostos também por espaços de usos público, tal como térreo ativo, trazendo novas perspectivas sociais para o habitar e existir no Centro de São Paulo.
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2. VILLAÇA, Flávio. Espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo: Studio Nobel: Fapesp: Lincoln Institute, 1998. (p 68.)
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SÃO PAULO E HABITAÇÃO: O CASO DA REGIÃO CENTRAL O centro da cidade de São Paulo, desenvolveu-se a partir do grande processo de industrialização que ocorreu na cidade que se iniciou no final do Século XIX e se intensificou a partir da década de 1930, logo após a grande depressão de 1929 que diminuiu a exportação do café brasileiro, e a partir dessa nova realidade a indústria se tornou um caminho para a substituição dessa economia agro-exportadora, trazendo assim para a cidade a instalação de grandes indústrias e fábricas como as Indústrias Matarazzo, os grandes fábrica de tecido da família Crespi, entre outros, esta mudança que aumentou as ofertas de emprego na cidade atraiu moradores migrantes das áreas rurais e imigrantes, acarretando em um processo rápido de êxodo rural onde se iniciou a aceleração do aumento da população urbana da cidade.
Página anterior: Obra exposta na Galeria Reocupa. Foto da autora. Nesta páhina: Desenho exposto na galeria reocupa: Foto da autora.
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Porém um fator importante que guiou este desenvolvimento urbano foi que apesar do grande número de empregos os salários oferecidos aos trabalhadores eram baixos, este fator contribuiu de maneira direta para o surgimento do problema habitacional pois mesmo com o acelerado desenvolvimento da cidade onde grandes planos de sistemas viários (Plano de Avenidas Prestes Maia)
Vista da avenida Nove de Julho Foto da autora.
vinha sendo construídos e também o aumento da infraestrutura urbana que proporcionaram a modernização e expansão da cidade, se manter neste novo modelo urbano era uma tarefa difícil por isso a camada da população que não tinha possibilidades econômicas de morar próximo ao “Progresso” teve de encontrar maneiras de continuar na cidade, em seus empregos e de manter suas famílias, a partir dessa realidade as ocupações irregulares começaram a surgir, especialmente em lugares não urbanizáveis, áreas de encostas ou com grandes topografias, locais cada vez mais distantes do centro da cidade e onde a infraestrutura urbana dificilmente chegava.
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Avenida 9 de Julho vista da cobertura do 8 andar do Edifício IAPTEC. Foto da autora.
A associação de todos esses fatores foi se repetindo ano após ano sem muitas mudanças de sistema econômico, e o custo de vida cada vez maior fez com que a crise habitacional que se iniciou neste período fosse agravada nas décadas seguintes, o que gera consequências até os dias atuais.
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AS POLÍTICAS HABITACIONAIS BRASILEIRAS No período de transição econômica que se iniciou no final do Século XIX e que veio se tornando cada vez mais forte principalmente na década de 1930, com a grande industrialização e a forte migração da população rural para as áreas urbanizadas, já se iniciava os problemas habitacionais urbanos. Essa demanda de moradia eram atendidas inicialmente pela iniciativa privada casas cortiços densos e insalubres oferecidos por altos valores, esta condição se estendeu por anos até que a primeira política pública voltada a habitação fosse criada. E foi durante o Governo de Getúlio Vargas (1930-1945), que a primeira iniciativa pública voltada a moradia aconteceu, os IAP’s (Instituto de aposentadoria e pensão) que atendia diferentes classes de trabalhadores como os IAPI( Instituto de aposentadorias e pensão dos Industriários), IAPC (Instituto de aposentadorias e pensão dos Comerciários), IAPB (Instituto de aposentadorias e pensão dos Bancários), entre outros. Porém este programa atendia somente trabalhadores formalmente registrados o que consequentemente excluía trabalhadores fora dessas categorias e também trabalhadores não registrados. Estes trabalhadores que eram em grande número que não eram atendidos pelo programa muita vezes tinham de morar em casas de aluguel o que fez com que esses aluguéis subisse muito de preço o que também ficou difícil de se sustentar, fazendo com que o Presidente Getúlio Vargas, ordenasse o congelamento dos preços. Porém esta medida trouxe consequências contrárias ao objetivo original, os donos de imóveis com a baixa de lucro causado pelo
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congelamento dos aluguéis então começaram a despejar os inquilinos e vender seus imóveis pois assim o lucro seria maior. Fazendo então que essas pessoas se instalassem em locais periféricos, onde os custos para se manter eram muito menores. Já em 1946 após a saída de Getúlio, e com um novo governo, o de Gaspar Dutra, outra medida pró habitação foi implantada, é então criado o FCP (Fundo da Casa Popular), um órgão que era responsável pela canalização em um único lugar toda verba destinada a investimentos habitacionais, o que antes ficava dividido pelos IAP’s que não tinham relações entre si. O que na prática não resultou em grandes mudanças, os investimentos continuavam sendo destinados à mesma parcela de trabalhadores, enquanto as classes que já não tinham condições de contemplação através desses órgãos mais uma vez ficaram de fora.
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3. AVELLAR, Bruno; ZANIRATO, Silvia. Uma revisão histórica da política habitacional brasileira e seus efeitos socioambientais na metrópole paulista. I SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM POLÍTICAS PÚBLICAS E DESENVOLVIMENTO SOCIAL. 2014
Estes órgãos se mantiveram como financiadores de habitação até 1964, quando ambos foram extintos pelo governo militar. O governo militar então com uma nova proposta criou o BNH (Banco nacional da habitação), um banco que tinha como plano um novo modelo de financiamento que tinha como tentativa de um “equilíbrio” econômico, por meio do financiamento da habitação centralizado em um Sistema Financeiro de Habitação (SFH) alimentado tanto com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) quanto pelas cadernetas de poupança privadas[3]. Por se um meio de estímulo financeiro na economia do país o BNH tinha como maior objetivo a construção do maior número de habitações com os menores custos possíveis o que ocasionou em perda de qualidade das habitações produzidas em comparação às antigas unidades produzidas pelos extintos IAPS, como Bonduki explica:
Página anterior: Divulgação Edifício Japurá (IAPB) Fonte: Revista Acrópole, 1948. Nesta página: Divulgação Edifício Japurá (IAPB) Pavimento térreo. Fonte: Revista Acrópole, 1948.
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Os conjuntos foram localizados nas franjas urbanas, onde a terra era barata, mais distante do trabalho e desprovida de infra-estrutura e equipamentos, uma opção que agravou os problemas urbanos e ambientais, estendeu desmensuradamente a urbanização e criou áreas descontínuas, vazias ou ociosas. Em consequência, os investimentos para permitir a mínima inserção urbana foram elevadíssimos.
Nesta página: Vista aerea da COHAB (Conjunto habitacional, José Bonifácio em Itaquera. Foto: Débora Sanches
Outro fator importante é de que mesmo sendo um meio de financiamento, ainda havia certos requisitos para sua obtenção, e as classes de menor renda, como nos programas anteriores não os atendiam em sua maioria, o que ocasionou mais uma vez na continuação da situação precária em que viviam, cada vez em maior número e sem uma solução de fato para este problema.
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O órgão foi extinto em 1986, com o fim do regime militar e em consequência da grave crise em que o país se encontrava, naquele período. Após esses três órgãos que atendiam demandas nacionais, houveram apenas algumas políticas de caráter regionais que não atendiam toda demanda habitacional que havia e que estava cada vez maior na cidade de São Paulo e no país inteiro Somente após 23 anos de isto de políticas habitacionais públicas, um novo programa foi apresentado, o PMCMV (Programa Minha Casa Minha Vida), durante o governo Lula, após algumas ações que aconteceram anteriormente para que fosse possível a criação e implantação do programa .O PMCMV foi criado no ano de 2009, com o objetivo de incentivar a produção de novas habitações, e requalificar imóveis. Uma diferença do PMCMV, em comparação aos antigos programas que existiam é o atendimento de uma parte da população de menor renda, de 1 a até 10 salários mínimos, parcela essa que eram excluídas anteriormente. Mas muitas críticas também podem ser feitas ao programa, por ser um programa de liberação de recursos para unidades que irão ser construídas exclusivamente pelo setor privado, construtoras aproveitam desta liberdade para escolher terrenos em lugares distantes por serem mais baratos, usam também da mesma lógica aplicada no BNH de menor custo de obra para uma margem de lucro maior, esta prática perpetua o que vem acontecendo desde o início da urbanização das cidades em que os que mais necessitavam eram obrigados pelas circunstâncias de morar cada dia mais afastados da cidade.
Próximas pádinas: Fotografia do Quadro da FLM (Frente de luta por moradia). Foto da autora.
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MOVIMENTOS SOCIAIS E A LUTA PELA MORADIA Os movimentos sociais durante o período da ditadura militar, foram de extrema importância para que esses programas habitacionais surgissem e pudessem se manter (Gohan, 2013)
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4. GORENDER, Jacob. Combate nas Trevas - A Esquerda Brasileira: Das Ilusões Perdidas à Luta Armada. Editora Ática. 1987, p. 290
Entende-se que após o Ato institucional nº, 5 (AI 5) em 1968 e a atuação dos movimentos de esquerda ligados à luta armada (Jacob Gorender 1987) houve uma grande luta por mudanças políticas no país. Mas também por meio dos movimentos de esquerda devido ao que acontecia ao redor do mundo no período da década de 1960.[4] Os levantes contra o regime militar que tiveram início no ano de 1964 que se instaurava no país logo após o fim de uma fase importante, o período populista, veio por meio dos partidos políticos e de movimentos estudantis. Os movimentos políticos de esquerda travaram uma grande luta baseados no que estava ocorrendo também em outros países da Europa como a Rússia, e da América, tal como, Cuba. “Em suma, durante a fase do milagre econômico -1968-1973, as massas populares em geral sofreram violentos arrocho salarial mas mantiveram-se caladas, na maioria dos casos, pois havia empregos, era extremamente perigoso se manifestar publicamente, não havia vida político-sindical, a não ser de caráter assistencialista, e ainda havia a possibilidade do sonho da casa própria, com a compra do lote nas periferias longínquas e o uso da autoconstrução familiar. As reivindicações
Página anterior: Foto da faixa “Aterra prometida” colocada na parte posterior do Edifício IAPETC, por moradores da Ocupação. Foto da autora.
28 | Memória e transformação 5. A Linha do tempo foi desenvolvida pela autora a partir da leitura e definição feita por (GOHN,2013), na qual a autora lista cronologicamente os movimentos sociais urbanos pró moradias que tiveram importância para as conquistas no setor de moradia e nas condições de vida oferecidas para a população naquele período.
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dessas periferias irão explodir nos anos de 1970, quando descobrem serem vários de seus lotes clandestinos, quando não conseguem sobreviver nas casas duramente construídas Sem um mínimo de infraestrutura urbana; e, principalmente, quando o modelo brasileiro do milagre econômico se exaure iniciando um longo processo de crise econômica pós-1973, que foi escamoteada quanto as suas reais causas, atribuindo-se às causas externas, como a crise internacional do petróleo, as razões do malogro, do modelo econômico adotado.” (GOHN,2013; 106)
Para o entendimento do processo de pressão popular exercida pelos movimentos sociais urbanos e de suas consequências para o desenvolvimento das políticas habitacionais e urbanas no Brasil, é preciso compreender o seu histórico. Os movimentos sociais se desenvolveram desde o início da república e de maneira geral exerceram influência para a formação e desenvolvimento dos movimentos que conduziram à redemocratização e ampliação dos direitos sociais e urbanos presentes na Constituição de 1988 Linha do tempo dos movimentos sociais[5]
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Próximas páginas: Escrita feita na parede da Galeria Reocupa. Foto da autora.
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DECADÊNCIA E REGENERAÇÃO DO CENTRO. Em 1957 uma lei municipal que regulamentava coeficiente de aproveitamento da cidade deu início a um fenômeno no mercado imobiliário de mudança dos eixos de construção de moradias para a classe média, causando um deslocamento para o sentido oeste da cidade. Nesta época a classe média morava em sua grande maioria em edifícios residenciais, feitos por incorporadoras, a regulamentação do coeficiente de aproveitamento pela prefeitura no centro da cidade teve como consequência a diminuição do potencial construtivo de lotes de valores elevados, por isso o deslocamento das construções para um eixo onde os terrenos possuíam valores mais baixos.[6] Tudo isso teve como consequência o surgimento do “Novo centro”. Após uma mudança que foi acontecendo através dos anos do eixo econômico da cidade, os investimentos foram acentuados em um outro eixo da cidade, fazendo com que o Centro fosse declinando economicamente, por essas mudanças de grupos econômicos ocupantes do Centro. Passadas algumas décadas, a partir dos anos 1990 após o lançamento do “Urban policey and Economic Development: na Agenda dor the 90s”, as cidades são apontadas como motores de desenvolvimento nacional[7] dando assim a dimensão aos governantes da importância de dar uma visão mais ampla as questões urbanas, na realidade das cidades então a partir daí foi introduzido novas agendas de produtividade urbana, um novo modelo de desenvolvimento econômico, que criou uma competição
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6. CALDEIRA, Teresa P. do Rio. 2000. Cidade de Muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34/ Edusp, p. 225 7. DEVECCHI, Alejandra Maria. Reformar não é construir: A reabilitação de edifícios verticais: Novas formas de morar em São Paulo no século XXI. 2010. 559 f. Tese (Doutorado) - Curso de Arquitetura, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. p,72.
Página anterior: Vista de São Paulo pela janela do Edifício Othon, em reforma. 2016. Foto da Autora.
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entre as cidades dos países em desenvolvimento, pois dentro desse processo países desenvolvidos impuseram esta agenda de aumento de produtividade urbana para renovação de empréstimos internacionais, por exemplo[8]. Uma das recomendações desta agenda[9] foi a recuperação das áreas centrais enfrentando então as transformações urbanas das sociedades industriais acontecida nos últimos 50 anos.[10] Neste processo houve algumas iniciativas de mudanças nas formas de ocupar a cidade alguns projetos de revitalização do centro se iniciaram de maneira isolada em São Paulo, em sua maioria, sem uma estratégia de planejamento conjunta do que se deveria fazer para que os resultados fossem realmente positivos, como consequência a maioria delas fracassou em seu resultado, havendo apenas algumas mudanças parciais, continuando então sem nenhuma resposta definitiva para o problema.
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8. DEVECCHI, Alejandra Maria. Reformar não é construir: A reabilitação de edifícios verticais: Novas formas de morar em São Paulo no século XXI. 2010. 559 f. Tese (Doutorado) - Curso de Arquitetura, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. p,73. 9. Consultar: URBAN TASK FORCE. Towards and Urban Renaissance. Londres. Spon. 1999. 10. DEVECCHI, Alejandra Maria. Reformar não é construir: A reabilitação de edifícios verticais: Novas formas de morar em São Paulo no século XXI. 2010. 559 f. Tese (Doutorado) - Curso de Arquitetura, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. p,74. Vista de São Paulo pela janela do Edifício Othon, em reforma. 2016. Foto da Autora. Nas páginas seguintes: Foto montagem com Luiz Inácio da Silva, exposto da galeria Reocupa. Foto da autora.
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ESTRATÉGIAS DE APROPRIAÇÃO Deste modo até este ponto de pesquisa e desenvolvimento do projeto, vimos que os problemas encontrados no Centro são de caráter histórico e que eles se perpetuam até hoje, mesmo com todas as lutas em diversos níveis, entre poder público e cidadãos, este problema está longe de ser totalmente resolvido, de fato,proponho aqui um projeto que tem como objetivo de uma cidade melhor para todos , uma cidade que garanta um direito fundamental que está na constituição, o direito de moradia para todos. Trago a proposta o desenvolvimento de um projeto que atenda e solucione pontos através da elaboração de programas específicos que se encaixem no contexto histórico e Urbano idealmente para pessoas que foram privados da oportunidade de morar em um local com boa infraestrutura como a oferecida pelo Centro, pessoas que são empurradas pelas circunstâncias econômicas e de formação da cidade para lugares cada vez mais distantes e muitas vezes sem muitas condições dignas, insalubres. Define-se então a criação de habitações econômicas para pessoas desde a faixa inicial (faixa1) de renda, e faixas de renda superiores. Unidades e plantas que se adequem a diferentes tipos de ocupação e famílias. Estas medidas tem o intuito de contribuir para a apropriação de maneira segura e digna para famílias que hoje já residem neste ambiente, porém de maneira insalubre, e sem perspectivas de melhoras nessa situação que se repete em vários edifícios desocupados no Centro.
Página anterior: Muro do terreno do Edifício IAPETEC. Foto da Autora.
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Nesta página: Mapa da cidade de São Paulo com as regiões da Bela Vista, Consolação e Bixiga destacados Bairros apróximados com destaque para as edificações e o sistema viário.
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AREA DE INTERVENÇÃO O terreno escolhido, está localizado no centro da cidade de São Paulo mais precisamente entre a Avenida Nove de Julho e as ruas, Martins Fontes e Álvaro de Carvalho ele se insere em um miolo de quadra e possui frente para estas duas vias.
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O local é formado por três lotes, e os três são pertencentes ao INSS, órgão público federal. Um dos lotes possui uma característica diferente dos demais, ele está ocupado por uma construção pré-existente, o edifício IAPETC, antiga sede do INSS que em sua destinação inicial possuia apartamentos construido pelos IAP’sque após muito anos de abandono, está hoje sendo ocupado pelo MSTC(Movimento dos Sem terra do Centro), lutando para que de alguma forma o edifício volte a sua destinação original, voltando a ser um edifício com habitações. Já os outros dois são lotes totalmente ociosos
Nesta página: Mapa de quadra fiscal com indicação da divisão dos lotes. Fonte: Geosampa Página seguinte: Mapa de indicação de Zoneamento. Fonte: Geosampa
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Legislação O terreno foi identificado no plano diretor como uma área de ZEIS 3 (Inserir mapa de indicação de ZEIS) Nas ZEIS 3 deve-se, conforme o caso, recuperar áreas urbanas deterioradas e aproveitar terrenos e edificações não utilizadas ou subutilizadas para a construção de novos empreendimentos com HIS, HMP ou atividades não residenciais.1 O que possibilita um CA=4 para construção com TO= 0,5. A local também pertence a área definida como dentro da Operação Urbana Centro, que possui legislação paralela ao plano diretor, nas diretrizes para a área da operação urbana o CA máximo está definido como 6.
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Aspectos do entorno A área também se destaca de outros terrenos que foram cogitados pela infraestrutura proporcionada pelo centro. Estando próximo a estações de metrô (Anhangabaú, República, e Higienópolis - Mackenzie). Próximo a faixas exclusivas de ônibus (Inserir mapa da localização dos corredores de ônibus) e pontos de ônibus o que pode facilitar a vida de moradores e frequentadores do lugar.
Nesta página: Mapa de linhas e pontos de ônibus Página seguinte: Mapa de ciclovia Mapa de linhas e estações de metrô
Oferece também condições privilegiadas, a existências de equipamentos públicos, muito importantes como, bibliotecas, teatros, escolas, e hospitais.
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EDIFÍCIO IAPTEC: HISTÓRIA, CARACTERÍSTICAS E OCUPAÇÃO O movimento de expansão para descentralização da cidade e para desafogar o trânsito cada vez maior na época conjunto com o projeto de verticalização da cidade de São Paulo, teve como base o plano de expansão de Avenidas de Prestes Maia, na década de 1930, que foi se concretizando à partir da realização do perímetro de irradiação[11] que foi projetada por Prestes Maia, e consistia em uma sucessão ilimitada de anéis perimetrais concêntricos, interligados por vias radiais e diametrais[12]. Neste plano de avenidas também se era definido as características arquitetônicas a partir de diversas diretrizes estabelecida para as construções que ali fossem realizadas. Dentre essas Avenidas radiais criadas no processo de expansão, a Avenida Anhangabaú, atual Avenida Nove de Julho visava favorecer o tráfego centro-periferia[13].
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11. SEGAWA Hugo. Jayme C. Fonseca Rodrigues: arquiteto. São Paulo: BEI Comunicação, 2016. p, 179. 12. Anelli, Renato L. S. Plano de conformação da base da metrópole: Redes de mobilidade paulistana. Porto Alegre: MarcaVisual. 2011. p, 16 13. SANTOS, Isabel Amorim. Sistema Viário estrutural de São Paulo e suas estratégias Urbanísticas.: Planos, projetos e intervenções, 1930 a 2002.. 2014. 149 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Arquitetura, Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Carlos, 2014. p, 31.
Página anterior: Publicação do edicío na revista Acrópole. Fonte: Revista Acrópole, Outubro de 1943. Nesta página: Plano de Avenidas Julio prestes.
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14. SEGAWA Hugo. Jayme C. Fonseca Rodrigues: arquiteto. São Paulo: BEI Comunicação, 2016. p, 195.
Simultaneamente a expansão, o processo de verticalização era realizado a partir da construção de diversos grandes edifícios junto as novas vias, um destes primeiros edifícios construídos na então recém-inaugurada Avenida Nove de Julho foi o Edifício IAPTC (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Empregados em transportes e cargas)
15. Sobre o arquiteto, ver: SEGAWA Hugo. Jayme C. Fonseca Rodrigues: arquiteto. São Paulo: BEI Comunicação, 2016. p, 188.
O edifício IAPTC foi criado para ser a Sede da delegacia do Instituto de aposentadorias e pensões dos Empregados do Transporte de cargas, e seguia as diretrizes estabelecidas pelo plano de Prestes Maia para a verticalização, e as pautas do modelo modernizador da época[14]. Projeto do arquiteto Jayme Campelo Fonseca Rodrigues[15], o edifício inaugurado em 1943, foi realizado dentro do seu processo de trabalho para o Instituto de aposentadoria e pensões dos Empregados dos transportes de carga.
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Página anterior: Imagem do edifício recém construído. Fonte : Revista Acropole. Nesta página: Publicação, Planta pavimento térreo do edifício. Fonte Revista Acrópole Outubro de 1943. Publicação, Planta pavimento tipo do edifício. Fonte Revista Acrópole Outubro de 1943.
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16. SEGAWA Hugo. Jayme C. Fonseca Rodrigues: arquiteto. São Paulo: BEI Comunicação, 2016. p, 188. 17. SEGAWA Hugo. Jayme C. Fonseca Rodrigues: arquiteto. São Paulo: BEI Comunicação, 2016. p, 192. 18. Idem ibidem. p, 193. 19. Idem ibidem. p, 193.
Publicação do edicío na revista Acrópole. Fonte: Revista Acrópole, Outubro de 1943.
O edifício seguia as diretrizes que defendiam a construção em altura seguindo uma forma preliminar em degraus, que favorecia o aspecto visual das ruas, conciliando as fachadas com o skyline[16] que estava sendo construído na cidade. Consistia então na manipulação das massas articulando-as em sistemas axiais[17]. Para o local onde se localizava o terreno do edifício IAPETC, a lei previa recuos laterais e posteriores na seguinte proporção: 2,5 metros de recuo somente a partir de 29 metros de altura e 4,5 metros de recuos a partir de 45 metros.[18]
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A composição final do edifício, conforma-se pela interseção de dois largos paralelepípedos paralelos a Avenida Nove de Julho, com sete paralelepípedos mais estreitos que atravessam os primeiros em direção perpendicular prolongando-se para os fundos do terreno. O jogo dos volumes vai ritmando e escalonando do alinhamento para os fundos do terreno e do centro para as laterais.[19]
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20. SEGAWA Hugo. Jayme C. Fonseca Rodrigues: arquiteto. São Paulo: BEI Comunicação, 2016. p, 193.
O edifício com quinze pavimentos, destinava-se ao uso do instituto os três primeiros pavimentos, atividades administrativas no térreo e no primeiro pavimento, e o serviço médico no segundo e no terceiro, os demais pavimentos – do quarto as 14º - destinava-se a salas de escritório para aluguel. A planta era totalmente livre estruturalmente.[20] Na fachada os elementos de distanciavam das características ecléticas comuns da época, flertando com o art deco, com elementos simétricos e rítmicos, sem os exageros de ornamentos do estilo clássico, uma arquitetura austera que convinha politicamente, simbolizando um regime eficiente e que não praticava desperdícios. Curiosamente características essas que foram seguidas e viraram uma nova representação arquitetônica que foi desenvolvido no centro nos anos seguintes. Após alguns processos de mudança de administração que o IAPETC sofreu, passando para INPS e depois para INSS, o edifício sofreu com a desocupação até o seu abandono total na ocorrido a quase 40 anos.
Página seguinte: Fovo vista lateral do Edifício atualmente. Foto da autora.
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OCUPAÇÃO 9 DE JULHO O edifício atualmente é habitado por famílias que fazem partes do MSTC( Movimento dos sem teto do Centro). Ocupado pela primeira vez em 1997 após anos de abandono, o edifício abriga hoje cerca de 150 famílias. O edifício foi ocupado pela primeira vez em 1997, e mais quatro vezes após isso, pelo MST, e dentro dele já nos anos 2000 foi fundado o MSTC, por causa de insatisfações com as lideranças do movimento da época, Foi criado juntamente com a FLM (Frente de luta pela moradia), uma associação de vários movimentos do país em conjunto que lutam pelos direitos básicos garantidos pela constituição.
Página anterior: Grafite na parede do edifício. Foto da autora. Nesta página: Faixa na parede do Edifício. Foto da autora.
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Sua última ocupação que permanece até hoje aconteceu em 2016, o edifício foi encontrado pelo movimento totalmente abandonado, depredado e com indícios de furto, os ocupantes então fizeram um árduo trabalho de limpeza, pintura e pequenas reformas do prédio que durou cerca de 2 semanas com o objetivo de tornar o local habitável com condições de segurança pros moradores. Após isso os apartamentos foram divididos entre as famílias e cada uma cuidou da transformação de seu próprio apartamento.
Nesta página: Escrita na parede da sala multiuso do edifício. Foto da autora. Página seguinte: Mural de fotografias do cotidiano da ocupação. Foto da autora.
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Além da moradia básica o movimento e os moradores através de parcerias com artistas, entidades de fins diversos abrem o local para todos, conseguindo assim mostrar para um número maior de pessoas o que de fato é uma ocupação, como ela funciona e apresentar suas causas. Eles fazem isso por meio de realização de diversos eventos, Como a Cozinha da Ocupação 9 de Julho, no qual eles que conseguiram montar uma cozinha industrial comunitária recebem chefs de diversos lugares e promovem almoços mensais junto com apresentações culturais de dança, teatro, música, a Marcenaria que possuem diversas ferramentas e pode ser usada por qualquer pessoa, lá também eles constroem e reformam portas, móveis, para a ocupação. Atualmente lá existe também a galeria Reocupa que exibe obras de mais de 50 artistas diferentes inclusive que estiveram na Bienal de arte anteriormente.
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Para que todos esses eventos acontecessem eles conseguiram atender todas as condições de segurança exigidos pela prefeitura, instalação de faixa antiderrapante nas escadas, câmeras de segurança, extintores de incêndio, gás encanado, entre outras, graças ao lucro de eventos, vendas e arrecadações feitas pelo movimento. Lá também para os moradores existe um local com computadores para acesso a internet que pode se usado, uma brinquedoteca para as crianças, com oficinas, e a horta de onde saem os temperos pro que é produzido nos almoços além de ter diferentes árvores frutíferas.
Nesta página: Vista de dentro do edifício para o exterior com a obra o governo contra nós localizada no terraço. Foto da autora.
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Obra de Cacá Mousinho: Da tua boca. Ferro linha e papel de chá. 20119. Foto da autora.
Obra de Samanha Lucas: Performance do início. 2019. Foot da autora
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Obra exposta na galeria reocupa. 2019. Foto da autora
Andar térreo do edifício que atualmente funciona como galeria. Foto da autora.
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O PROJETO
Nesta página: Diagrama de Usos. Diagrama da autora Na página seguinte: Diagramas de desnível entre as Ruas que dão acesso ao local. Diagrama da autora
A partir dos estudos feitos e da análise de todas as necessidades encontradas decidiu aqui seguir por um caminho de projeto que tem o objetivo de reconectar, indivíduo e cidade. Atualmente o e==difício funciona como ocupação e possui uma organização de promoção de conhecimento e cidadania que mesmo de maneira independente, funciona dentro das possíbilidades oferecidas pelo local e atrai muitas pessoas a frequentar aquele espaço, pessoas de diferentes idades e classes sociais. Este movimento cultural observado e esta realidade de “casa aberta” , onde todos são bem vindos funcionou como um guia para o entendimento do que ali funciona e deve ser preservado, e um elemento instigador para que o projeto concebido para aquele espaço além de manter estes elementos, pudesse de alguma forma trazer
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cada vez mais o olhar da cidade para estas pessoas que já possuem um a visão diferente da maioria, porém com uma estrutura totalmente precária em que eles residem e atuam. A questão inicial para o desenvolvimento do projeto foi a de transpor as duas importantes ligações do terreno com a cidade tanto a Avenida Nove de Julho, quanto a Rua Martins Fontes que se situam com uma diferença de 13 metros de desnível entre si. A ideia então proposta foi a utilização da divisão do espaço em patamares ligados por um edifício acessível destinado a passagem e permanência, pois nele as atividades culturais e exposições podem acontecer simultâneamente, com todas as condições necessãrias para que isso funcione de maneira segura.
Rua Martins Fontes
Avenida Nove de Julho
Entre estes edifícios se localiza uma praça interna que propicia a permanência das pessoas no local, a praça seca descoberta também permite um um visual diferenciado para quem mora no novo edifício habitacional criado. A complementação do edifício existente com um novo edifício habitacional para atender um maior número de famílias foi pensada desde o início do estudo do projeto. Inicialmente foi estudada a implantação com um edifício
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em lâmina com 9 pavimentos, com a evolução do projeto, ficou definido um edifício que se organiza em torno do núcleo mas com váriações de tamanhos de unidades que proporcionam uma nova descoberta de visuais, internos e externos, dando uma expressão diferente ao edifício criado.
Diagrama de visuais do projeto. Croqui da autora. Diagrama de plantas tipos do novo edifício. Diagrama da autora.
No prédio existente além do uso habitacional que somado com os outros edifícios novos projetados totalizam 284 unidades de habitação, também foram adicionados 3 novos usos distintos. No Pavimento térreo da Avenida Nove de Julho haverá uso comercial com galerias
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que podem ser usadas pelos moradores por exemplo o brechó que já funciona no presente, mas em condições precárias de comercio e armazenamento de mercadorias, e que também poderão ser utilizadas por pessoas de fora do edifício. Os 1° e 2° pavimentos abrigarão uma creche com salas de aula, refeitório, espaço multiuso, além do espaço de administração que atenda não só os moradores do edifício mas toda a comunidade que necessitar. Já o 3° pavimento contará com o restaurante que se torna uma solução para a Cozinha da Ocupação que hoje funciona em condições deficientes de segurança e estrutura, uma vez por mês e tanto contribui para a econômia que mantém o lugar, podendo então funcionar diáriamente atendendo a todos .
Diagrama de Plantas tipos do edifício existente. Diagrama da autora.
Os dois edifíicos estão ligados por uma passarela que percorre em entrega a quem por ela transita todas as nuances do projeto, pois ela além de fazer a ligação dos se inicia dentro de uma das galerias que está no Térreo da Rua Martins Fontes, atravessa a praça por cima, além de possibiltar no seu final dis caminhos diferentes, descer até a praça ou o térreo da Nove de julho pelas galerias, ou apreciar a vista de São Paulo de dentro do restaurante localizado no 3 ° andar o edifício existente
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REFERÊNCIAS PROJETUAIS Tree House 2016 Richard Rogers O projeto do arquiteto Richard Rogers, apresenta uma proposta de construção de habitação de baixo custo. As unidades de 75m² e 2 dormitórios com layouts flexíveis são pré fabricadas e pré montadas em fábricas e podem ser transportadas até o local se construção e empilhadas em torno de um núcleo central com um limite de até 10 andares. Sua facilidade de montagem, e transporte aceleram o tempo de implantação do projeto, pode ser feita com madeiras de origem locais e para o empilhamento exigem fundações mínimas. Inserção 3D do projeto. Foto Rogers Stick Harbour + Partners
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Maquete do projeto. Foto Rogers Stick Harbour + Partners. Planta do projeto. Foto Rogers Stick Harbour + Partners
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Industrialised Housing 1992 Richard Rogers Richard Rogers neste projeto, se compromete com o objetivo de construção de habitações com custo significativamente menor que as habitações construídas em materiais convencionais. O projeto é realizado a partir de unidades projetadas em um sistema modular que, podem ser montados no local. As unidades foram projetadas para serem usadas de maneira flexível, atendendo às necessidades de uma ampla gama de habitantes em potencial. Eles podem formar torres ou arranha-céus, dependendo do terreno local que na Coréia do Sul é frequentemente muito montanhoso.
Croqui do projeto. Foto Rogers Stick Harbour + Partners
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Inserção 3D do projeto. Foto Rogers Stick Harbour + Partners Maquete do projeto. Foto Rogers Stick Harbour + Partners
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Casarão do Carmo 2003 Héctor Vigliecca. O projeto do Casarão co Carmo foi projetado de modo a construir uma nova integração entre patrimônio, cidade e indivíduo tentando resignificar o espaço histórico transformando-o o modo de habitação, através da abertura da circulção para o compartilhamento entre moradores do conjunto e ppessoas que circulam pelo espaço, pela cidade, trazendo uma integração entre todos os que utilizam do espaço. Outro ponto importante é que além desta proposta diferente do que estamos acostumados, as habitações também foram cuidadosamente planejada a oferecer conforto a quem habita mesmo com condiçõe e medidas de unidades mínimas, para isso foram produzidos no projeto mobiliários que se adaptem a aquele espaço fazendo com que fosse aproveitado da melhor maneira possível no cotídiano das famílias que ali iriam morar. Croqui do projeto. Foto Vigliecca e associados.
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Maquete vista frontal do projeto. Foto Vigliecca e associados. Maquete vista superior do projeto. Foto Vigliecca e associados.
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PROCESSO DE PROJETO Nesta página: Croquis da autora ao longo da primeira parte do processo de trabalho
Aquei estão alguns dos desenhos apresentados na primeira parte do projeto (1° semestre de 2019), ainda com ideias iniciais mas que foram de extrema importância para a evolução do projeto até a solução final
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Ao lado: Corte AA Acima: Corte BB
Ao lado: Corte CC Acima: Elevação 1
Imagens 3D de estudo
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TÉRREO NOVE DE JULHO ESC: 1:500
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Avenida Nove de Julho
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TÉRREO AV. NOVE DE JULHO PLANTA PRAÇA ESC: 1:500
Avenida Nove de Julho
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TÉRREO PRAÇA 2° PAVIMENTO ESC: 1:500
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Avenida Nove de Julho
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Rua M
artins
TÉRREO MARTINS FONTES ESC: 1:500
Fonte
s
Avenida Nove de Julho
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PLANTA TIPO 2 ESC: 1:250
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PLANTA TIPO 3 ESC: 1:250
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PLANTA TIPO 7 ESC: 1:250
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PLANTA ESPAÇO DE CONVIVÊNCIA ESC: 1.250
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UNIDADE TIPO 1 ESC: 1:100
UNIDADE TIPO 2 ESC: 1:100
UNIDADE TIPO 3 ESC: 1:100
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UNIDADE TIPO 4 ESC: 1:100
UNIDADE TIPO 5 ESC: 1:100
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UNIDADE TIPO 6 ESC: 1:100
UNIDADE TIPO 7 ESC: 1:100
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