OLHAR PA R A F R E N T E É NOSSA MARCA.
Há mais de três décadas, evoluímos com os olhos no que vem pela frente. Antecipando caminhos, investindo em novas possibilidades e nos preparando para transformar desafios em oportunidades. Agora, nossa marca também evolui para representar tudo isso. Esse é nosso jeito de pensar e construir o amanhã.
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royalficoficial
42 REPORTAGEM DE CAPA
Vitória da Fecombustíveis: ANP é impedida de usar PMQC no aplicativo ENTREVISTA
n MERCADO
Welinton dos Santos, conselheiro do Conselho Regionalde Economia de São Paulo (Corecon-SP)
28 • ROG.e 2026 destaca
08
combate às fraudes
32 • Fim da jornada 6x1: revenda deve planejar nova realidade
38 • ANP promove debate sobre regras de controle de qualidade
n NA PRÁTICA
48 • Saiba como se preparar para as mudanças tributárias
n MEIO AMBIENTE
56 • Novos combustíveis e tecnologias redesenham o futuro da mobilidade
n CONVENIÊNCIA
62 • Brasileiros buscam novidades TABELAS
na NACS Show
66 • Evolução dos Preços do Etanol 67 • Formação de Preços 68 • Formação de Custos do S10 69 • Ajustes nos preços da Petrobras 70 • Preços de Revenda e Distribuição
n OPINIÃO
23 • James Thorp Neto Combustíveis & Conveniência 3
CARTA AO LEITOR
Fecombustíveis em defesa dos postos A Fecombustíveis representa nacionalmente 23 sindicatos, defendendo os interesses legítimos de mais de 45 mil postos de serviços, 687 TRRs e cerca de 58 mil revendedores de GLP, além da revenda de lubrificantes. Nossa missão é acompanhar o mercado de revenda de combustíveis, com a meta de fomentar o desenvolvimento econômico e social do setor, contribuindo assim para melhorar a qualidade de vida da nação. Presidente: James Thorp Neto 1º Vice-Presidente: Márcio Martins de Castro Andrade 2º Vice-Presidente: Alfredo Pinheiro Ramos 3º Vice-Presidente: Júlio César Zimmermann 4º Vice-Presidente: Arildo Persegono Filho 5º Vice-Presidente: Emílio Roberto Chierighini Martins 1º Secretário: Mário Luiz Pinheiro Melo 2º Secretário: José Carlos da Silva 3º Secretário: Maxwel Nunes Paula 1º Tesoureiro: Antônio Cardoso Sales 2º Tesoureiro: Wilber Silvano de Souza Filho 3º Tesoureiro: Maxwell Flor de Oliveira Conselheiro Fiscal Efetivo: Adriano Costa Nogueira Conselheiro Fiscal Efetivo: Manuel Fonseca da Costa Conselheiro Fiscal Efetivo: José de Faro Rollemberg Nascimento Diretoria: Alexandre Aurélio Pereira Félix, Aline de Souza Andrade Soares, Antônio Barbosa Ferreira,Eduardo Augusto de Viveiros Pinheiro Borges,Delano Lima e Silva, Elson Justiniano Alves, Eraldo de Souza Teles Filho, Francielli Locatelli, Jarlan Marques Cavalcante, Magnolia Gomes Rolim,Marcelo Ambar Naya,Marcelo Batistela,Murilo de Paula Melquiades Oliveira,Rafael Alexandre de Figueiredo Gomes e Regina Amélia Fonseca Lins Lima. Conselho Editorial: Marciano Francisco Franco, José Alberto Miranda Cravo Roxo, Mario Melo e Ricardo Hashimoto Edição: Mônica Serrano (monicaserrano@fecombustiveis.org.br) Redação: Rosemeire Guidoni (roseguidoni@uol.com.br), Isabela Palmeira e Gisele de Oliveira Capa: Alexandre Bersot Publicidade: Fernando Polastro comercial.revista@fecombustiveis.org.br Telefone: (11) 5081-6681 | 99525-6665 Programação visual: Girasoli Fecombustíveis Av. Rio Branco 103/13° andar - Centro-RJ Cep.: 20.040-004 Telefone: (21) 2221-6695 Site: https://www.fecombustiveis.org.br/edicoes-revista E-mail: revista@fecombustiveis.org.br
4 Combustíveis & Conveniência
Nesta edição, reunimos reportagens sobre assuntos que movimentam o setor de combustíveis, desde o fim da escala 6x1 à reforma tributária, além de eventos que mostram as tendências do mercado, levando informações relevantes para o revendedor acompanhar as transformações do segmento. O principal destaque da edição é a vitória judicial conquistada pela Fecombustíveis em defesa dos interesses da revenda. A decisão favorável em mandado de segurança impediu a ANP de utilizar os resultados do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) como critério para reduzir a nota dos postos no aplicativo “ANP com VC – Postos”. Confira na Reportagem de Capa as principais críticas da revenda ao app, decorrentes da falta de clareza do critério e por induzir o consumidor a erro ao prejulgar o posto por uma não conformidade do combustível (que não seja fraude), com a redução da nota de estabelecimentos que atuam dentro das regras. A Justiça entendeu que não é papel do PMQC servir de instrumento para pontuar os postos e não dar direito a defesa à revenda. A ANP recorreu da decisão e vamos aguardar os próximos passos. A Reforma Tributária, que está prestes a começar para valer em 2027, é outro tema importante e necessário. Diante das mudanças que se aproximam, apresentamos duas reportagens para orientar o revendedor a se preparar com antecedência, evitando dificuldades no próximo ano. A seção Na Prática traz reportagem sobre os procedimentos que deverão ser adotados pela revenda e explica como funcionará a reforma para os postos e lojas de conveniência, que deverão adotar tratamentos distintos no período de transição. Já na Entrevista do mês, o economista Welinton dos Santos, conselheiro do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), explica o funcionamento do aproveitamento dos créditos, riscos de autuações, entre outras informações. Outro destaque é o fim da escala 6x1, sendo prioritário aos postos avaliar as medidas que deverão ser adotadas para se adequarem à jornada de trabalho 5x2, com foco na reorganização das escalas, no planejamento dos custos operacionais e na redução dos impactos sobre os negócios. Esta edição também traz a cobertura de importantes eventos para o setor. Na seção Meio Ambiente, destacamos o SIMEA 2026, que reuniu representantes da indústria automotiva, especialistas e autoridades para discutir o desenvolvimento de tecnologias voltadas ao transporte para redução de emissões. A seção Mercado apresenta as discussões principais do tradicional ROG.e 2026 (antigo Rio Oil & Gas). Já na seção Conveniência, destacamos a NACS Show 2026, com depoimentos de empresários brasileiros que buscaram novidades, experiências e oportunidades para o mercado nacional. Boa leitura! Mônica Serrano Editora
SINDICATOS
ACRE Sindepac Delano Lima e Silva Rua Pernambuco nº 599 - Sala 4 Bairro: Bosque Rio Branco-AC Fone: (68) 3226-1500 sindepac@hotmail.com www.sindepac.com.br ALAGOAS Sindicombustíveis - AL James Thorp Neto Av. Jucá Sampaio, 2247, Barro Duro Salas 93/94 Shopping Miramar Maceió-AL Fone: (82) 3320-2902/1761 scvdpea@uol.com.br www.sindicombustiveis-al.com.br AMAZONAS Sindicombustíveis - AM Eraldo de Souza Teles Filho Rua Rio Içá, 26 - quadra 35 Conj. Vieiralves Manaus-AM Fone: (92) 35843707/3728/99446-2261 sindicombustiveisam@gmail.com
MARANHÃO Sindicombustíveis - MA Luciana Nobre Av. dos Holandeses - Ed. Tech Office - sala 226 - 2o andar Ponta D’Areia - São Luís-MA Fone: (98) 98740-1700 / 98453-7975 gerencia@sindcombustiveis-ma. com.br PARÁ Sindicombustíveis - PA José Carlos da Silva Av. Duque de Caxias, 1337 Bairro Marco Perímetro: Trav. Mariz e Barros/Trav. Timbó Belém-PA Fone: (91) 3224-5742/ 3241-4473 secretaria@sindicombustiveis-pa. com.br www.sindicombustiveis-pa.combr
CEARÁ Sindipostos - CE Manuel Novais Neto Av. Engenheiro Santana Junior, 3000/sala 605 Parque do Cocó - Fortaleza/CE Fone: (85) 3244.1147
PARAÍBA Sindipetro - PB Omar Aristides Hamad Filho Av. Minas Gerais, 104 Bairro dos Estados João Pessoa-PB Fone: (83) 3221-0762 contato@sindipetropb.com.br www.sindipetropb.com.br
ESPÍRITO SANTO Sindipostos - ES Maxwel Nunes Paula Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 955 / 21º - salas 2101 e 2102 Ed. Global Tower - Enseada do Suá Vitória - ES Fone: (27) 3322-0104 sindipostos@sindipostos-es. com.br www.sindipostos-es.com.br
PERNAMBUCO Sindicombustíveis - PE Alfredo Pinheiro Ramos Rua Desembargador Adolfo Ciriaco,15 Prado Recife-PE Fone: (81) 3227-1035 recepcao@sindicombustiveis-pe. org.br www.sindicombustiveis-pe.org.br
GOIÁS Sindiposto Marcio Martins de Castro Andrade 12ª Avenida, 302 Setor Leste Universitário Goiânia-GO Fone: (62) 3218-1100 sindiposto@sindiposto.com.br www.sindiposto.com.br
PIAUÍ Sindipostos - PI Guilherme Araújo Parente Av. Tancredo Neves 8570, Lourival Parente Teresina-PI Fone: (86) 3227-4996 sindipostospi@gmail.com
RIO DE JANEIRO RJ Postos Marcelo Ambar Aya Av. Presidente Franklin Roosevelt, 296 São Francisco Niterói–RJ Fone: (21) 2704-9400 sindestado@sindestado.com.br www.sindestado.com.br RIO DE JANEIRO - MUNICÍPIO Sindcomb Manuel Fonseca da Costa Rua Alfredo Pinto, 76 - Tijuca Rio de Janeiro-RJ Fone: (21) 3544-6444 secretaria@sindcomb.org.br www.sindcomb.org.br RIO GRANDE DO NORTE Sindipostos - RN Maxwell Flor de Oliveira Rua Monte Sinai, 1920 - Galeria Brito Sl 102 Bairro Capim Macio Natal/RN Fone/whatsapp: (84) 3217-6076 sindipostosrn@sindipostosrn. com.br www.sindipostosrn.com.br RONDÔNIA Sindipetro - RO Arildo Persegono Filho Travessa Guaporé, Ed. Rio Madeira, 3º andar, salas 307/308 Porto Velho-RO Fone: (69) 3229-6987 sindipetrorondonia@gmail.com www.sindipetro-ro.com.br RORAIMA Sindipostos - RR Av. Major Williams, 436 - sala 01- São Pedro Boa Vista-RR Fone: (95) 3623-9368/ 991322776 sindipostosrr@hotmail.com SANTA CATARINA - BLUMENAU Sinpeb Julio César Zimmermann Rua Quinze de Novembro, 550/4º andar Blumenau-SC Fone: (47) 3326-4249 sinpeb@gmail.com www.sinpeb.com.br
SÃO PAULO – CAMPINAS Recap Emílio Roberto Chierighini Martins Rua José Augusto César, 233 Jardim Chapadão Campinas-SP Fone: (19) 3284-2450 recap@financeiro.com.br www.recap.com.br SERGIPE Sindpese Jose de Faro Rollemberg Nascimento Rua Dep. Euclides Paes Mendonça, 871 Bairro Salgado Filho Aracaju-SE Fone: (79) 3214-4708 secretaria@sindpese.com.br www.sindpese.com.br TOCANTINS Sindiposto - TO Wilber Silvano de Sousa Filho Quadra 303 Sul Av. LO 09 lote 21 salas 4 e 5 Palmas-Tocantins Fone: (63) 3215-5737 sindiposto-to@sindiposto-to. com.br www.sindiposto-to.com.br TRR Álvaro Rodrigues Antunes de Faria Rua LordCockrane, 616 8º andar, salas 801/804 e 810 Ipiranga-SP Fone: (11) 2914-2441 info@sindtrr.com.br www.sindtrr.com.br Entidade associada ABRAGÁS (GLP) José Luiz Rocha Fone: (41) 98897-9797 abragas.presidente@gmail.com
Combustíveis & Conveniência 5
VIROU NOTÍCIA Transporte de gás natural ainda enfrenta desafios Freepik
A expansão do mercado brasileiro de gás natural depende de investimentos em infraestrutura, preços competitivos e maior integração entre os diferentes elos da cadeia. Apesar do potencial de crescimento da oferta nacional, a disponibilidade do produto, por si só, não garante a ampliação do consumo. Este foi um dos principais pontos discutidos sobre o papel estratégico da infraestrutura de transporte na ROG.e 2026. A ampliação e a integração da malha de gasodutos são consideradas fundamentais para conectar novos produtores aos centros consumidores, diversificar fornecedores e estimular a concorrência. Nesse contexto, o transporte funciona como um elo entre a oferta e a demanda, contribuindo para o desenvolvimento de um mercado mais dinâmico. Outro desafio está na competitividade do gás natural diante de outras fontes energéticas. Para estimular o consumo, especialmente na indústria, é necessário oferecer condições comerciais que justifiquem a substituição de combustíveis e os investimentos em novos equipamentos. A
6 Combustíveis & Conveniência
previsibilidade dos preços, a segurança do abastecimento e a redução dos custos ao longo da cadeia estão entre os fatores que podem favorecer essa expansão. Para o segmento de combustíveis, as discussões também têm reflexos sobre as perspectivas de expansão do gás natural veicular (GNV), especialmente no transporte de cargas e de passageiros. A maior disponibilidade do produto e a redução de custos podem favorecer sua utilização como alternativa ao diesel, mas esse avanço depende também da infraestrutura de distribuição e abastecimento, da competitividade em relação aos combustíveis convencionais e de estímulos à renovação das frotas. Os debates reforçaram ainda a necessidade de avanços regulatórios e de maior coordenação entre produtores, transportadores, distribuidores e consumidores. O desenvolvimento do mercado de gás natural exige planejamento integrado, segurança jurídica e condições que estimulem investimentos, permitindo que o aumento da oferta se traduza em preços mais competitivos e novas oportunidades de consumo.
ANP promove discussão sobre o LMC Em outubro, a ANP realizou um workshop com os agentes do mercado para discutir a revisão da Resolução ANP nº 884/2022, que instituiu o Livro de Movimentação de Combustíveis (LMC) para a revenda varejista de combustíveis automotivos. O objetivo da agência foi coletar informações do mercado para subsidiar a revisão da norma, como estabelece a Resolução CNPE nº 10/2026.
Um dos principais temas foi a determinação de que o envio de dados relativos à movimentação dos combustíveis passe a ser feito somente de forma online. Para tanto, dentre as possibilidades apresentadas pela Agência, estaria a disponibilização de um sistema para preenchimento via internet e o envio direto de dados à ANP. Na ocasião foram debatidos, entre outros temas, a periodicidade de envio e quais dados poderão ser agregados ao LMC.
Diesel estabiliza nas bombas, mas defasagem continua Claudio Ferreira
Após registrar alta em setembro, o preço do diesel S10 se mantém estável nos postos brasileiros, segundo dados de 23 de outubro, apesar da pressão das cotações internacionais. Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o combustível foi comercializado, em média, a R$ 7,34 por litro na semana de 11 a 17 de outubro, ante R$ 7,36 na semana anterior. Desde o início de setembro, entretanto, o S10 acumulou alta de 5,3%, enquanto o diesel S500 subiu 6,9%, chegando a R$ 7,00 por litro. Esses preços contrastam com a crescente defasagem praticada nas refinarias da Petrobras em relação ao mercado internacional. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a diferença
chegou a R$ 3,50 por litro, praticamente o mesmo valor da subvenção de R$ 3,52 concedida aos importadores desde 13 de outubro. Já a diferença da gasolina estava, em 20 de outubro, em 20%, ou R$ 0,43 litro.
Combustíveis & Conveniência 7
ENTREVISTA
WELINTON DOS SANTOS | CONSELHEIRO DO CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA DE SÃO PAULO (CORECON-SP)
Paulo de Paula
Reforma tributária exige planejamento até 2033 8 Combustíveis & Conveniência
POR ROSEMEIRE GUIDONI
A
zação das regras e o maior cruzamento eletrônico de informações poderão contri-
reforma tributária brasileira
buir para reduzir distorções e combater a
começou a sair do papel ain-
concorrência desleal, na visão do econo-
da em 2026, com a fase de
mista Welinton dos Santos, autor do livro
testes da Contribuição sobre Bens e Servi-
‘Descomplicando a Reforma Tributária’.
ços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Ser-
Para esclarecer o que muda na prática
viços (IBS). Para os empresários do comér-
e como os revendedores devem se prepa-
cio de combustíveis, as mudanças vão além
rar, a revista Combustíveis & Conveniên-
da substituição de tributos. A nova legisla-
cia entrevistou o especialista, que além de
ção prevê a tributação monofásica dos prin-
economista é contador sênior, conselheiro
cipais combustíveis, incluindo o etanol hi-
do Conselho Regional de Economia de São
dratado, que ainda não está submetido a
Paulo (Corecon-SP) e vice-presidente técni-
esse regime no ICMS — o que inclusive é
co do Sindicato dos Economistas no Estado
uma reivindicação do setor para combater
de São Paulo (Sindecon-SP). Na entrevista,
a sonegação e a concorrência desleal. Além
Santos explica os principais pontos da refor-
disso, outras atividades desenvolvidas pelos
ma, os cuidados necessários durante a tran-
postos, como lojas de conveniência, comer-
sição e os riscos que os empresários correm
cialização de lubrificantes, troca de óleo, la-
ao deixar as adaptações para a última hora.
vagem de veículos e locação de espaços comerciais, entre outras, estarão sujeitas a re-
Combustíveis & Conveniência: O
gras tributárias distintas, exigindo adapta-
que efetivamente muda no sistema
ções nos sistemas de gestão, na formação
tributário brasileiro com a reforma e
de preços e no planejamento financeiro.
quais são as principais diferenças em
A transição, que se estenderá até 2033,
relação ao modelo atual?
também traz desafios relacionados ao
Welinton dos Santos: A reforma tri-
aproveitamento de créditos tributários, ao
butária é resultado de uma discussão que
controle de fornecedores e às novas obri-
se estendeu por cerca de 30 anos. Des-
gações fiscais. Por outro lado, a uniformi-
de a Constituição de 1988, foram publiCombustíveis & Conveniência 9
ENTREVISTA
WELINTON DOS SANTOS | CONSELHEIRO DO CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA DE SÃO PAULO (CORECON-SP)
Em resumo, saímos
Existem quatro diferenças fundamentais. A primeira é a não cumulatividade
de um sistema
ampla, que permite o aproveitamento de
fragmentado,
créditos nas aquisições relacionadas à ati-
cumulativo e marcado
Isso reduz as discussões sobre o que pode
por disputas tributárias para um modelo mais
vidade empresarial, com poucas exceções. ou não ser considerado insumo. A segunda é a tributação no destino, ou seja, no local de consumo, e não no de produção,
racional. O desafio é
o que tende a reduzir a guerra fiscal entre
que essa mudança exige
os estados.
uma transição longa
incidência e regras uniformes, substituin-
e complexa, que se
do as diferentes legislações estaduais e
estenderá até 2033
Também teremos uma base ampla de
municipais. Por fim, a cobrança será feita por fora, sem que o tributo integre a própria base de cálculo, proporcionando
cadas mais de 517 mil normas tributá-
maior transparência ao consumidor.
rias, o equivalente a duas normas por ho-
Em resumo, saímos de um sistema frag-
ra útil. O Brasil é um dos últimos países a
mentado, cumulativo e marcado por dis-
adotar o Imposto sobre Valor Agregado
putas tributárias para um modelo mais ra-
(IVA), modelo já utilizado em 174 dos 193
cional. O desafio é que essa mudança exi-
países reconhecidos pela Organização das
ge uma transição longa e complexa, que
Nações Unidas (ONU).
se estenderá até 2033.
A principal mudança é a substituição de cinco tributos sobre o consumo — PIS,
C&C: Embora a reforma tenha co-
Cofins, IPI, ICMS e ISS — pela Contribui-
mo objetivo simplificar a tributação,
ção sobre Bens e Serviços (CBS), de com-
o período de transição pode trazer
petência federal, pelo Imposto sobre Bens
mais complexidade para as empre-
e Serviços (IBS), compartilhado por esta-
sas. Quais serão os momentos mais
dos e municípios, e pelo Imposto Seletivo.
desafiadores?
10 Combustíveis & Conveniência
WS: Destaco dois momentos. O primei-
de créditos. A CBS será administrada pela
ro será em 2027, quando a CBS passará
Receita Federal, enquanto o IBS ficará sob
a ser cobrada com sua alíquota plena, o
responsabilidade do Comitê Gestor, que
PIS e a Cofins serão extintos e começará
reúne estados e municípios.
a vigorar o Imposto Seletivo. Isso repre-
No regime regular, as notas fiscais pas-
senta uma mudança completa no mode-
sarão a destacar os dois tributos. A em-
lo federal de tributação sobre o consumo.
presa calculará o imposto devido sobre
As empresas que não estiverem com sis-
suas vendas e poderá descontar os valo-
temas, cadastros e preços ajustados senti-
res correspondentes às aquisições que ge-
rão os efeitos já em janeiro.
rem direito a crédito.
O segundo momento, que conside-
Hoje, o aproveitamento desses créditos
ro ainda mais trabalhoso, será de 2029 a
depende de classificações como insumo,
2032. Nesse período, o ICMS e o ISS serão
uso e consumo ou ativo imobilizado. No
reduzidos gradualmente, enquanto o IBS
novo modelo, a lógica muda: o direito ao
aumentará na mesma proporção. Durante
crédito estará vinculado ao efetivo paga-
quatro anos, as empresas precisarão convi-
mento do tributo na etapa anterior.
ver com dois sistemas tributários, incluindo as obrigações acessórias de ambos.
Além disso, a apuração será cada vez mais assistida pelo Fisco, que fará o cru-
No setor de combustíveis, isso signifi-
zamento dos documentos eletrônicos e
ca trabalhar simultaneamente com o atu-
apresentará o saldo tributário. Isso torna
al ICMS monofásico e com a implantação
a qualidade das notas fiscais, dos cadas-
progressiva do IBS monofásico. A simplifi-
tros e das informações dos fornecedores
cação efetiva só estará completa em 2033.
ainda mais relevante. Uma irregularidade do fornecedor poderá resultar na perda
C&C: Como funcionará, na prática, o
de créditos para a empresa compradora.
IVA Dual, formado pela CBS e pelo IBS? O que muda na apuração dos tributos e no aproveitamento de créditos?
C&C: Uma das novidades da reforma é o chamado ‘split payment’. Co-
WS: A CBS e o IBS são dois tributos
mo esse mecanismo funcionará e
que seguem as mesmas regras de fato ge-
quais serão seus efeitos sobre o fluxo
rador, base de cálculo e aproveitamento
de caixa dos postos? Combustíveis & Conveniência 11
ENTREVISTA
WELINTON DOS SANTOS | CONSELHEIRO DO CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA DE SÃO PAULO (CORECON-SP)
WS: O split payment é um mecanis-
split payment deverão se concentrar prin-
mo que separa o tributo do valor da ven-
cipalmente nas lojas de conveniência e
da no momento do pagamento. O banco
nos serviços, e não diretamente na reven-
ou a credenciadora repassa diretamente
da de combustíveis.
ao Fisco a parcela correspondente à CBS e ao IBS, enquanto a empresa recebe o valor líquido.
C&C: Em seu livro, o senhor alerta que o desconhecimento das novas re-
O impacto sobre o fluxo de caixa pode
gras pode gerar autuações e passivos
ser significativo. Atualmente, a empresa
fiscais. Quais são os principais riscos pa-
recebe o valor integral da venda e recolhe
ra os empresários durante a transição?
o imposto semanas depois. Esse intervalo
WS: Um dos principais riscos é a classifica-
funciona, na prática, como uma fonte de
ção tributária incorreta nas notas fiscais. Er-
capital de giro. Com o split payment, es-
ros nos códigos de situação e de classificação
se fôlego financeiro desaparece. As em-
podem resultar no apontamento indevido da
presas que antecipam recebíveis de cartão
CBS e do IBS, além de penalidades.
poderão sentir ainda mais os efeitos.
Outro problema é o aproveitamento
Entretanto, o mecanismo não estará
incorreto de créditos. O empresário tan-
disponível em janeiro de 2027, quando
to pode utilizar créditos aos quais não
começa a cobrança efetiva da CBS. Ini-
tem direito quanto deixar de aproveitar
cialmente, sua utilização será opcional e
valores permitidos pela legislação. No se-
restrita às operações entre empresas. Nas
tor de combustíveis, um exemplo de erro
vendas ao consumidor final, a regulamen-
seria tentar obter crédito sobre o com-
tação determina que o sistema entre em
bustível adquirido para revenda, o que
funcionamento simultaneamente para to-
não é permitido.
dos os arranjos de pagamento.
Também será necessário acompanhar
Portanto, ainda há tempo para o pla-
a regularidade dos fornecedores, já que
nejamento, mas isso não significa que o
o aproveitamento de créditos depende
assunto possa ser ignorado. No caso dos
do pagamento do tributo na etapa ante-
postos, é importante destacar que os
rior. Outros riscos incluem confundir as re-
combustíveis são tributados na refinaria
gras dos dois sistemas durante a transi-
ou na importação. Assim, os efeitos do
ção, perder prazos para opções tributárias
12 Combustíveis & Conveniência
No caso dos postos,
ter feito e quais providências ainda
é importante destacar
precisam tomar antes de 2027?
que os combustíveis são
de alíquotas de teste de 0,9% para a CBS
tributados na refinaria
e 0,1% para o IBS, com possibilidade de
ou na importação.
compensação com PIS e Cofins.
WS: Em 2026, foi iniciada a aplicação
Os postos já deveriam ter atualizado
Assim, os efeitos
seus sistemas de emissão de notas fiscais,
do split payment
incluindo NF-e e NFC-e, para contemplar
deverão se concentrar
ções de layout. Também deveriam ter re-
os novos campos tributários e as altera-
principalmente nas
visado os cadastros de produtos, identifi-
lojas de conveniência
cado as operações sujeitas a cada regime
e nos serviços, e não
e preparado suas equipes. Essa separação é especialmente importan-
diretamente na revenda
te porque um mesmo estabelecimento pode
de combustíveis
conveniência, prestar serviços e obter receitas
comercializar combustíveis, operar uma loja de com locação de espaços. Cada atividade pode exigir um tratamento tributário diferente.
específicas e continuar formando preços com base na carga tributária antiga.
Até dezembro, os empresários precisam simular a carga tributária e os preços
Com os documentos eletrônicos e o cru-
considerando a CBS plena, revisar contra-
zamento automático de informações, o Fis-
tos e cláusulas de reajuste e projetar o flu-
co poderá identificar inconsistências quase
xo de caixa para 2027. No caso das em-
em tempo real. A tendência é de que as au-
presas enquadradas no Simples Nacional,
tuações ocorram com mais rapidez.
também será necessário avaliar se vale a pena recolher CBS e IBS fora do Docu-
C&C: Este ano (2026) é considerado
mento de Arrecadação do Simples Nacio-
como um período de testes da CBS e
nal (DAS), para permitir a transferência de
do IBS. O que os postos já deveriam
créditos aos clientes empresariais. Combustíveis & Conveniência 13
ENTREVISTA
WELINTON DOS SANTOS | CONSELHEIRO DO CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA DE SÃO PAULO (CORECON-SP)
Quem utilizar o ano de 2026 ape-
Além disso, o split payment e os no-
nas para cumprir formalidades começa-
vos procedimentos de apuração terão re-
rá 2027 tentando resolver problemas que
flexos sobre o capital de giro. Em muitos
poderiam ter sido antecipados.
casos, será necessário rever até a escolha de fornecedores, porque adquirir produ-
C&C: As adaptações devem ficar
tos e serviços de empresas que permitem
restritas às áreas fiscal e contábil ou a
o aproveitamento regular de créditos terá
reforma também exigirá mudanças na
valor econômico.
gestão dos negócios? WS: A reforma exige muito mais do que ajustes fiscais. Trata-se de um tema
Por isso, as áreas contábil, financeira, comercial e jurídica precisam trabalhar de maneira integrada.
de gestão estratégica, que envolve praticamente todas as áreas da empresa. Na formação de preços, será necessário considerar tanto as mudanças na
C&C: Os combustíveis continuarão submetidos ao regime monofásico. O que isso significa para o posto revendedor?
carga tributária quanto a nova forma
WS: Na revenda de combustíveis, a ló-
de destaque dos impostos. Os contra-
gica permanece semelhante à atual. O
tos também precisarão ser revisados,
posto não será o responsável pelo reco-
especialmente aqueles que fazem re-
lhimento da CBS e do IBS sobre o com-
ferência a PIS, Cofins, ICMS e ISS. Em
bustível vendido. Esses tributos serão re-
contratos de longa duração, será im-
colhidos uma única vez, por refinarias,
portante prever mecanismos de reequi-
importadores e produtores, e chegarão
líbrio econômico.
ao estabelecimento incorporados ao pre-
Quem opera com lojas de conveniên-
ço de aquisição.
cia, as margens poderão ser afetadas pe-
Em contrapartida, o revendedor não
lo aproveitamento de créditos, que altera
poderá aproveitar créditos sobre o com-
o custo efetivo das compras. Os sistemas
bustível comprado para revenda.
de gestão empresarial, de frente de caixa
As mudanças mais perceptíveis estarão
e de emissão de documentos fiscais deve-
na documentação fiscal, que terá novos
rão estar preparados para operar com os
campos e códigos específicos para o regi-
dois modelos durante a transição.
me monofásico, e na necessidade de ad-
14 Combustíveis & Conveniência
ministrar diferentes tratamentos tributá-
Para o revendedor, portanto, o efeito
rios dentro do mesmo estabelecimento.
será indireto. Trata-se de um custo incor-
Também será preciso conviver com o
porado na origem, que poderá ser repas-
ICMS monofásico durante a transição,
sado ao longo da cadeia. Considerando o
até 2032.
patamar previsto, não espero um impacto
Outro ponto importante envolve os
expressivo sobre o preço na bomba.
clientes empresariais, como transporta-
Entretanto, as alíquotas ainda depen-
doras e empresas que administram frotas.
dem de lei ordinária, o que exige acom-
Esses compradores poderão ter direito a
panhamento.
créditos sobre o combustível utilizado co-
Em relação à competitividade entre os
mo insumo e, por isso, exigirão documen-
combustíveis, considero que o fator mais
tação fiscal correta.
relevante não será o Imposto Seletivo,
Isso torna a gestão fiscal mais segmentada por linha de negócio e transforma a
mas o tratamento diferenciado garantido aos biocombustíveis na CBS e no IBS.
qualidade da documentação em um fator de competitividade.
C&C: O governo definiu, em outubro, a metodologia de cálculo das alí-
C&C: A reforma também cria o Im-
quotas de CBS e IBS sobre os combus-
posto Seletivo, conhecido como “im-
tíveis. O que essa definição represen-
posto do pecado”. Como ele poderá
ta para os postos? Já é possível prever
afetar os preços dos combustíveis e as
efeitos sobre preços e margens?
margens dos revendedores?
WS: A Portaria Conjunta MF/CGIBS nº
WS: No caso dos combustíveis, o Impos-
14/2026 trouxe maior previsibilidade ao
to Seletivo (IS) não será cobrado diretamen-
setor. As alíquotas serão uniformes em
te no posto, mas na etapa de extração do
todo o território nacional, estabelecidas
petróleo e do gás natural. Nas lojas de con-
por unidade de medida e diferenciadas
veniência, o IS incidirá sobre bebidas açuca-
conforme o produto. A CBS seguirá esse
radas e alcoólicas, além de cigarros. A alí-
método a partir de 2027 e o IBS, a partir
quota sobre bens minerais extraídos está li-
de 2029.
mitada a 0,25%, abaixo do teto constitu-
Um ponto central é que a CBS de 2027
cional de 1%, e o tributo não gera créditos.
foi calibrada para não ultrapassar a carga Combustíveis & Conveniência 15
ENTREVISTA
WELINTON DOS SANTOS | CONSELHEIRO DO CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA DE SÃO PAULO (CORECON-SP)
tributária atual. Para isso, o cálculo consi-
gens. Isso dependerá da publicação das alí-
dera a tributação de PIS/Pasep e Cofins,
quotas específicas para cada produto.
inclusive na importação, com base em dados de julho de 2025 a junho de 2026.
C&C: A reforma prevê que o Preço Mé-
Existe uma particularidade importan-
dio Ponderado Final (PMPF) passe a ser
te: para os combustíveis que tiveram re-
usado como índice de reajuste das alí-
dução de alíquotas entre março e junho
quotas? Poderia explicar a mudança e co-
de 2026, serão considerados os valores vi-
mo isso afeta os postos de combustíveis?
gentes em fevereiro (do mesmo ano). Isso
WS: Hoje o PMPF serve de base de cál-
evita que reduções temporárias diminuam
culo do ICMS em parte dos combustí-
artificialmente a base de cálculo.
veis (com exceção do etanol hidratado e
No caso do IBS, a implantação será gra-
do gás natural veicular (GNV), que de fa-
dual, começando com 10% da alíquota
to deixará de existir. Com a reforma, ele
de referência em 2029, passando para
passa a ter outro papel: será o índice de
20% em 2030, 30% em 2031 e 40% em
reajuste das alíquotas fixas por litro, con-
2032, até atingir 100% em 2033.
forme a Portaria Conjunta MF/CGIBS nº
Para o etanol hidratado, a legislação
14/2026. A carga de referência da CBS
também prevê a preservação de um di-
será corrigida pela variação do PMPF en-
ferencial competitivo mínimo em relação
tre o exercício-base e os 12 meses ante-
à gasolina C, calculado com base nas alí-
riores a julho do ano que antecede a vi-
quotas vigentes em 1º de julho de 2024.
gência, e o IBS seguirá a mesma lógica.
Para o posto, a expectativa é de neutra-
Esse mecanismo traz maior previsibilida-
lidade da carga tributária na entrada da
de, mas também acrescenta uma variável
CBS. Os efeitos mais relevantes poderão
ao planejamento financeiro. A vantagem é
decorrer da dinâmica do novo sistema.
que, dentro de cada ano, o valor do tributo
Um valor fixo por litro em todo o país re-
por litro será fixo e conhecido. Isso signifi-
duz distorções entre estados, enquanto a
ca que ele não oscilará a cada mudança de
manutenção do diferencial tributário pro-
preço, como ocorre com os tributos calcula-
tege a competitividade do etanol.
dos sobre o valor da operação.
Entretanto, ainda não é possível anteci-
Por outro lado, existe uma defasagem.
par números concretos sobre preços e mar-
Se o preço do combustível subir de manei-
16 Combustíveis & Conveniência
Os contratos com as distribuidoras merecem uma revisão específica,
WS: O posto não poderá aproveitar crédito sobre o produto adquirido para comercialização e também não haverá débito desses tributos na venda. A diferença está nas demais aquisições
incluindo contratos de
realizadas pelo estabelecimento. Despe-
bandeira, comodato
sas com energia elétrica, serviços, equi-
de equipamentos
pamentos, manutenção e aluguéis pagos
e bonificações. É
mais amplas de aproveitamento de crédi-
importante atualizar as cláusulas tributárias e
a contribuintes estarão sujeitas às regras tos. Entretanto, a utilização desses créditos quando a despesa estiver relacionada à receita monofásica deverá ser analisada
prever mecanismos de
caso a caso, conforme a regulamentação.
reequilíbrio econômico
Uma mudança relevante ocorre na ponta compradora. Empresas que utilizam combustíveis como insumo, como
ra consistente, o tributo do ano seguinte
transportadoras, indústrias e operadores
também poderá aumentar, mesmo que os
de frotas, poderão aproveitar créditos da
preços tenham recuado nesse intervalo. O
CBS e do IBS embutidos na aquisição.
contrário também pode acontecer.
Para o posto que atende clientes em-
Para os revendedores, isso significa incorpo-
presariais, emitir documentos fiscais cor-
rar ao planejamento anual uma projeção dos re-
retos e completos passará a ser ainda mais
ajustes. A mudança de alíquota e os estoques
importante. Isso poderá se tornar um di-
existentes próximos à data de entrada em vigor
ferencial comercial.
dos novos valores poderão afetar as margens. C&C: Muitos postos possuem lojas C&C: Como ficará o aproveitamento de
de conveniência, comercializam lu-
créditos de CBS e IBS na cadeia de combus-
brificantes e oferecem serviços como
tíveis? Haverá alguma vantagem para os
troca de óleo e lavagem. Como essas
postos ou para seus clientes empresariais?
atividades serão tributadas? Combustíveis & Conveniência 17
ENTREVISTA
WELINTON DOS SANTOS | CONSELHEIRO DO CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA DE SÃO PAULO (CORECON-SP)
WS: Esse é um dos pontos que exigem
rência desleal. A reforma poderá contri-
maior atenção dos empresários, porque
buir para reduzir essas irregularidades?
diferentes atividades de um mesmo esta-
WS: A reforma poderá ajudar bastan-
belecimento estarão sujeitas a tratamen-
te, embora não seja suficiente para resol-
tos tributários distintos.
ver todos os problemas.
A venda de combustíveis continuará
A tributação monofásica, com alíquo-
no regime monofásico específico. Já as
ta fixa por litro, concentra o recolhimento
lojas de conveniência seguirão, em re-
em um número menor de contribuintes,
gra, o regime regular de débito e cré-
como refinarias, importadores e produto-
dito. Alguns produtos terão tratamen-
res. Isso facilita a fiscalização. A uniformi-
to diferenciado, como os itens da cesta
zação nacional das alíquotas também re-
básica, que poderão contar com alíquo-
duz as possibilidades de arbitragem tribu-
ta zero ou reduzida. Bebidas alcoólicas
tária entre estados.
e cigarros também estarão sujeitos ao
Outro avanço está no sistema de crédi-
Imposto Seletivo, incorporado ao preço
tos, que incentiva os compradores a exi-
de aquisição.
gir documentos fiscais regulares, já que
Os lubrificantes e serviços como troca
o aproveitamento depende do pagamen-
de óleo, lavagem e calibragem, em regra,
to do tributo na etapa anterior. O split
seguirão o regime regular.
payment também foi concebido, entre ou-
Na prática, o empresário terá diferentes
tros objetivos, para reduzir a sonegação.
regimes tributários dentro do próprio pos-
Entretanto, existem irregularidades que
to. Isso exige atenção ao cadastro de pro-
não serão resolvidas apenas com mudan-
dutos, à separação das receitas e à confi-
ças tributárias. A adulteração de combus-
guração dos sistemas de frente de caixa e
tíveis, o uso de empresas de fachada e a
de gestão empresarial.
atuação de devedores contumazes exi-
Um erro de classificação poderá resul-
gem fiscalização efetiva, integração entre
tar tanto em autuação quanto na perda
a ANP e os órgãos fazendários, além de
de créditos tributários.
punições rápidas. A reforma melhora as ferramentas dis-
C&C: O setor de combustíveis enfrenta problemas de sonegação e concor18 Combustíveis & Conveniência
poníveis, mas os resultados dependerão da capacidade de utilizá-las.
C&C: Para o pequeno e médio em-
ra outros estabelecimentos. Como fi-
presário, a reforma representará uma
cará a tributação dessas operações?
simplificação ou essa percepção só deverá surgir depois da transição?
WS: Esse é um ponto bastante sensível para o setor. A locação de imóveis
WS: Acredito que a percepção de sim-
passará a ser tributada pela CBS e pelo
plificação virá somente depois de 2033.
IBS, com redução de 70% da alíquota pa-
Até lá, o empresário precisará administrar
drão. Quando o novo sistema estiver ple-
dois sistemas, novas obrigações e uma
namente implantado, isso poderá repre-
curva de aprendizado.
sentar uma carga combinada estimada
Ao final do processo, porém, os ganhos
em torno de 8%.
deverão ser reais. Teremos regras nacio-
Para o posto que paga aluguel pelo ter-
nais uniformes, um sistema mais amplo
reno, o tratamento dependerá do enqua-
de créditos, redução das distorções rela-
dramento do locador. Se ele for uma em-
cionadas à guerra fiscal e uma apuração
presa ou pessoa física considerada con-
cada vez mais assistida pelo Fisco.
tribuinte, haverá incidência de CBS e IBS,
Para o pequeno empresário enquadrado
com possibilidade de aproveitamento de
no Simples Nacional, haverá ainda uma de-
créditos pelo posto. Se o proprietário for
cisão estratégica: permanecer integralmente
pessoa física não contribuinte, não have-
no DAS ou recolher CBS e IBS separadamen-
rá destaque dos tributos e, consequente-
te, de modo a permitir maior aproveitamen-
mente, não haverá crédito.
to de créditos pelos clientes empresariais.
Isso poderá alterar as condições econô-
Minha recomendação é tratar a transi-
micas das negociações de novos contratos.
ção como um investimento. Quem se or-
Na outra ponta, quando o posto su-
ganizar agora poderá aproveitar melhor
bloca espaços para lojas, lanchonetes
a simplificação futura. Quem deixar pa-
ou lava-rápidos, a receita de subloca-
ra depois terá de enfrentar os custos da
ção poderá ser tributada com a redu-
adaptação em condições mais difíceis.
ção de 70%. Nesse caso, o estabelecimento deverá emitir o documento fis-
C&C: Muitos revendedores alugam
cal correspondente, e o sublocatário
o terreno onde funciona o posto e, ao
contribuinte poderá aproveitar os cré-
mesmo tempo, sublocam espaços pa-
ditos permitidos. Combustíveis & Conveniência 19
ENTREVISTA
WELINTON DOS SANTOS | CONSELHEIRO DO CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA DE SÃO PAULO (CORECON-SP)
Também existe uma regra de transição para determinados contratos celebrados até
a 100%, sendo elevada para 150% em situações de reincidência.
16 de janeiro de 2025, que permitia man-
Também existem penalidades por erros
ter uma tributação reduzida de 3,65% até
de cadastro, inconsistências documentais,
o término do contrato. Para locações não
apropriação indevida de créditos e cance-
residenciais, porém, havia um prazo de re-
lamento irregular de notas fiscais. Depen-
gistro até 31 de dezembro de 2025.
dendo da infração, a multa pode ser cal-
Por isso, recomendo que os revendedo-
culada como percentual do tributo ou do
res revisem todos os contratos de locação
valor da operação, ou ainda em Unidades
e sublocação, incluindo as cláusulas tribu-
Padrão Fiscais (UPFs).
tárias e de reajuste, antes de 2027.
Um exemplo que merece atenção dos postos é a utilização de software ou apli-
C&C: A reforma também estabele-
cativo fiscal que permita suprimir ou re-
ce novas penalidades para o descum-
duzir tributos. A penalidade prevista é de
primento das obrigações tributárias.
100 UPFs, o equivalente a aproximada-
Quais são as multas previstas e como
mente R$ 20 mil por equipamento, consi-
o empresário será comunicado em ca-
derando o valor inicial de R$ 200 por uni-
so de autuação?
dade em 2026.
WS: A reforma criou um regime pró-
Por outro lado, a legislação também pre-
prio e uniforme de penalidades para o
vê descontos para quem regulariza rapida-
IBS e a CBS, incluído na Lei Complemen-
mente sua situação. O pagamento integral
tar nº 214/2025 pela Lei Complementar
do débito dentro do prazo de impugnação
nº 227/2026. Isso substitui parte da di-
pode reduzir a multa em 50%, enquanto
versidade de regras que existia entre es-
o parcelamento nesse mesmo prazo po-
tados e municípios.
de proporcionar desconto de 40%. Esses
Entre as principais penalidades está a
benefícios diminuem conforme o proces-
multa de 75% sobre o tributo não decla-
so avança e podem ser maiores para parti-
rado, declarado a menor ou não recolhi-
cipantes de programas de conformidade.
do, quando há lançamento de ofício pelo
Há ainda uma distinção importante en-
Fisco. Nos casos de sonegação, fraude, si-
tre fraude e divergência de interpretação.
mulação ou conluio, a multa pode chegar
Quando o contribuinte declara correta-
20 Combustíveis & Conveniência
mente todas as informações, mas interpre-
caso o contribuinte perca a discussão, o
ta a norma de maneira diferente do Fisco,
valor final poderá ser maior. Além disso,
a multa pode ser reduzida pela metade.
os descontos disponíveis para pagamento
Quanto à comunicação, o processo será digital. O Domicílio Tributário Eletrôni-
ou parcelamento da multa tendem a diminuir conforme o processo avança.
co (DTE) do IBS será obrigatório para pes-
Se a autuação envolver créditos con-
soas jurídicas e servirá para o recebimento
siderados indevidos, esses valores pode-
de intimações e autos de infração.
rão ser bloqueados ou glosados na apu-
O contribuinte terá 20 dias úteis pa-
ração, com reflexos sobre o fluxo de cai-
ra apresentar impugnação, incluindo as
xa. Nos casos de sonegação ou fraude,
provas necessárias à defesa. Por isso,
uma decisão administrativa definitiva
acompanhar a caixa postal eletrônica se-
também poderá resultar em representa-
rá uma rotina indispensável. O empresá-
ção ao Ministério Público.
rio que não fizer esse acompanhamento
Existem ainda possíveis efeitos sobre
poderá perder prazos sem perceber que
programas de conformidade, benefícios
foi autuado.
fiscais e a caracterização de reincidência em infrações futuras. Outro ponto de
C&C: E se o empresário discordar da
atenção é a responsabilidade solidária em
autuação e decidir recorrer? A cobrança
determinadas situações, como o recebi-
ficará suspensa? Existem outros efeitos
mento de mercadorias sem documenta-
financeiros durante o processo?
ção fiscal idônea.
WS: A apresentação de impugnação
Por isso, antes de recorrer, é importante
ou recurso administrativo suspende a co-
avaliar tecnicamente a consistência da de-
brança do débito enquanto a discussão
fesa e os efeitos financeiros da decisão. Em
estiver em andamento. Nesse período, o
alguns casos, pagar com desconto dentro
valor não é inscrito em dívida ativa, e a
do prazo de impugnação pode ser mais
empresa pode obter certidão positiva com
vantajoso do que prolongar a discussão.
efeitos de negativa. Isso não significa, porém, que o proces-
C&C: Para finalizar, quais recomen-
so não tenha consequências financeiras.
dações o senhor daria aos empresá-
Os juros continuam incidindo pela Selic e,
rios de postos que ainda estão se preCombustíveis & Conveniência 21
ENTREVISTA
WELINTON DOS SANTOS | CONSELHEIRO DO CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA DE SÃO PAULO (CORECON-SP)
parando para as mudanças? E como
a documentação fiscal fornecida aos clien-
as entidades representativas podem
tes empresariais, especialmente transpor-
contribuir nesse processo?
tadoras e frotistas, que poderão aproveitar
WS: A primeira recomendação é cuidar
créditos sobre os combustíveis adquiridos.
dos sistemas fiscais. Os empresários preci-
Além disso, vale avaliar a participação em
sam verificar se os equipamentos de fren-
programas de conformidade, que poderão
te de caixa, os emissores de documen-
oferecer benefícios, como redução de mul-
tos fiscais e os cadastros de produtos es-
tas e maior agilidade nos ressarcimentos.
tão preparados para as novas exigências.
As entidades representativas, como a
Também é fundamental utilizar softwares
Fecombustíveis e os sindicatos filiados, te-
regulares e acompanhar o Domicílio Tri-
rão um papel importante. Elas podem for-
butário Eletrônico, definindo quem será
mular consultas oficiais à Receita Federal
responsável por verificar as comunicações
e ao Comitê Gestor do IBS para esclarecer
e responder dentro dos prazos.
dúvidas comuns ao setor, especialmente
Outro cuidado é separar corretamente as receitas de cada atividade. Combustíveis, lo-
sobre créditos tributários, sublocação e comercialização de lubrificantes.
jas de conveniência, serviços e sublocação de
Também podem produzir materiais de
espaços devem ter classificação e registros
orientação, promover capacitação contí-
próprios. Também recomendo atenção aos
nua, acompanhar as alíquotas específicas
estoques e aos preços na virada de 2027 e
dos combustíveis e oferecer apoio jurídi-
nos reajustes anuais das alíquotas, para que
co-tributário aos associados.
os empresários possam simular antecipadamente os efeitos sobre suas margens.
Outro campo de atuação é a participação nas discussões regulatórias e o forta-
Os contratos com as distribuidoras me-
lecimento da integração com a ANP e os
recem uma revisão específica, incluindo
órgãos fazendários, para contribuir com o
contratos de bandeira, comodato de equi-
combate à concorrência desleal.
pamentos e bonificações. É importante
O mais importante é compreender que
atualizar as cláusulas tributárias e prever
a reforma não será apenas uma mudança
mecanismos de reequilíbrio econômico.
na forma de recolher impostos. Ela exigirá
Também será necessário acompanhar a
uma transformação na maneira como os
regularidade dos fornecedores e melhorar
empresários administram seus negócios. n
22 Combustíveis & Conveniência
OPINIÃO
James Thorp Neto | Presidente da Fecombustíveis
Construção das mudanças deve ser feita com diálogo A ANP, com o intuito de ampliar a vigilância sobre os postos e informar os consumidores sobre o histórico de autuações e fiscalizações da revenda, lançou o aplicativo “ANP com VC – Postos”, em agosto. A ideia em si é louvável. O aplicativo representa um avanço em termos de modernidade e uso da tecnologia para oferecer mais transparência ao consumidor, indicando, por meio do georreferenciamento, os postos supostamente mais confiáveis próximos ao motorista. No entanto, na prática, não é bem assim que funciona. A primeira observação é que a ANP não buscou diálogo com a revenda ao estabelecer os critérios de análise para a classificação dos postos em uma escala de 0 a 5. Em segundo lugar, a ANP utilizou os resultados do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), cujo objetivo é orientar as ações de fiscalização, e não penalizar os postos. Nesse programa, são coletadas amostras de combustíveis nos postos e enviadas aos laboratórios para análise. Dependendo do resultado, caso seja identificada alguma não conformidade, a fiscalização é acionada. Dependendo do contexto, a não conformidade não representa fraude ou irregularidade e deve ser investigada mais a fundo pela fiscalização. Boa parte das vezes, a desconformidade indica apenas que o combustível apresentou algum parâmetro fora dos padrões de qualidade estabelecidos pela ANP, e não necessariamente vai causar prejuízo ao consumidor. O posto é a ponta final da cadeia e o combustível não conforme pode ter sido originado nos elos anteriores, como no transporte ou na base da distribuidora. Por isso, reforçamos a importância da amostra-testemunha para que a revenda possa se defender e a fiscalização identifique e responsabilize quem, de fato, causou a desconformidade.
Além disso, quando o posto recebe o combustível, avaliamos poucas características e apenas em testes de laboratórios pode-se verificar se o combustível está dentro do padrão de qualidade da ANP. Nesse contexto, o aplicativo utiliza os resultados das amostras do PMQC para reduzir a pontuação dos postos. Para nós, representantes da revenda, esse é um critério injusto. O PMQC não tem esse papel e o revendedor fica sem direito de defesa. O consumidor não necessariamente compreende o significado de uma não conformidade, assim como toda a sociedade prejulga a revenda ao ver no app uma nota 3 e 4 ao invés de 5. Tentamos dialogar com a Agência, enviamos um ofício com todas as nossas ponderações e argumentos, mas não fomos ouvidos. Não nos restou alternativa a não ser recorrer à Justiça, onde conseguimos uma liminar temporária favorável para que a ANP suspendesse o uso dos resultados do PMQC na pontuação dos postos. Na mesma ação judicial, solicitamos à ANP que reveja no aplicativo a informação da distribuidora fornecedora de combustível, já que pode induzir o consumidor a erro. Um posto vinculado a determinada marca também pode adquirir combustível de fornecedores diferentes desde que informe, na bomba de cada produto, o CNPJ e o nome fantasia do fornecedor. É a chamada “bomba branca”, modalidade regulamentada pela própria ANP, mas o app transmitiu uma conotação pejorativa. Desde que o revendedor cumpra todas as exigências estabelecidas pela agência reguladora, a utilização da “bomba branca” é permitida e não configura qualquer irregularidade. A nosso ver, esses questionamentos poderiam ter sido evitados se houvesse mais clareza, objetividade, diálogo e alinhamento com os representantes da revenda.
Combustíveis & Conveniência 23
MERCADO
Roberto Ardenghy, presidente do IBP, e Magda Chambriard, presidente da Petrobras, durante painel que lotou o auditório
Divulgação IBP
ROG.e 2026 destaca combate às fraudes Tradicional evento da indústria de óleo e gás reuniu uma programação diversificada e abordou temas como fiscalização e combate às irregularidades no setor de combustíveis POR GISELE DE OLIVEIRA
A
metrológicos e parcerias privadas; e operas restrições orçamentárias en-
ções de combate ao crime organizado.
frentadas pela ANP têm provo-
“Infelizmente, na última década, o nos-
cado reflexos em diferentes áre-
so orçamento foi reduzido a 20% do que
as de atuação, incluindo a fiscalização do
era há pouco mais de dez anos. Então, vo-
mercado de combustíveis. Apesar da re-
cê tem que fazer mais com menos, mas
dução dos recursos destinados a ações de
não dá para fazer muito com quase na-
campo ao longo dos anos, a Agência tem
da. Precisa de um equilíbrio aí”, argumen-
adotado novos protocolos tecnológicos e
tou Julio Cesar Nishida, superintendente
parcerias estratégicas para manter a con-
de Fiscalização do Abastecimento da ANP,
formidade do mercado, como a fiscaliza-
durante painel da tradicional ROG.e 2026
ção orientada por dados; cooperações com
(antiga Rio Oil & Gas), que aconteceu de
polícias administrativas, Procons, órgãos
21 a 24 de setembro, no Rio de Janeiro.
28 Combustíveis & Conveniência
As iniciativas ajudam a Agência a fiscalizar
mação, segundo Dantas. O subprocurador
alvos com maior probabilidade de fraudes,
adotou um tom de cautela ao avaliar o ce-
levando em consideração a questão logísti-
nário, citando a complexidade de definir atri-
ca. Nishida contou que, atualmente, o setor
buições operacionais ao mercado brasileiro.
tem um problema de qualidade entre 3% a
“Estamos participando agora do comi-
4% dependendo do produto. “Em um cená-
tê gestor e temos diversas dúvidas, por
rio ideal, se a gente soubesse onde estão es-
exemplo, quem fiscaliza, quem multa,
sas fraudes com maior precisão, iríamos so-
quem julga”, apontou, ressaltando que o
mente nestes casos”, explicou.
desafio do Brasil ao passar por essa rees-
No Rio de Janeiro, a fiscalização e o combate à sonegação fiscal vêm passan-
truturação só encontra paralelo em processos como o adotado na Austrália.
do por uma transformação nas ações con-
Outro ponto crítico é a relação entre a
tra o crime organizado e evasão fiscal. De
reforma tributária e a competição entre
acordo com Fabricio Dantas, subprocura-
os estados. Dantas destacou que o Rio de
dor-geral do Estado do Rio de Janeiro, a
Janeiro não pode aceitar um tratamento
atuação dos órgãos fiscalizadores deixou
desigual dentro da federação e criticou a
de ser focada em visitas presenciais aos
concessão de benefícios fiscais que geram
contribuintes para se concentrar em inte-
distorções no acúmulo de créditos tribu-
ligência de dados e análise de sistemas.
tários entre os estados. O mesmo proble-
“Hoje, não se fiscaliza mais indo ao contri-
ma afeta diretamente setores estratégi-
buinte. Você lança ações fiscais para 5 mil pes-
cos, como o de combustíveis e refinarias.
soas de uma vez só”, exemplificou. Como re-
Apesar dos gargalos, Dantas avalia que
flexo dessa transição, o concurso recente para
a reforma acerta ao incorporar formal-
o fisco estadual aprovou 45 novos fiscais des-
mente o princípio da neutralidade e ao
tinados exclusivamente para o setor de infor-
buscar a simplificação de quatro tributos
mática e tecnologia da informação.
não cumulativos, abrindo caminho para diminuir as assimetrias no país.
INCERTEZAS COM REFORMA TRIBUTÁRIA Apesar dos avanços locais, a implemen-
PRINCIPAIS DESTAQUES
tação da reforma tributária traz incertezas e
A ROG.e 2026 reuniu líderes das princi-
exige investimento em tecnologia da infor-
pais empresas do setor de energia, autoCombustíveis & Conveniência 29
MERCADO
Fiscalização integrada
ridades governamentais e especialistas do
• Fiscalização orientada por dados:
tantes e contou com a participação de 670
por meio do Sistema Integrado de Fiscali-
segmento. O evento recebeu 83 mil visiempresas expositoras.
zação do Abastecimento (Sifa), a ANP uti-
Além dos temas tradicionais da indústria
liza cruzamento de dados para mapear a
de óleo e gás e transição energética, a pro-
probabilidade de inconsistências volumé-
gramação trouxe painéis voltados para o mer-
tricas, tributárias e metrológicas em pos-
cado de combustíveis, com discussões sobre
tos e distribuidoras. A ferramenta permi-
downstream, refino, infraestrutura logística,
te direcionar as equipes de campo a alvos
segurança do abastecimento e competitivida-
com maior margem de irregularidade, oti-
de da cadeia de petróleo e derivados.
mizando o uso dos recursos públicos.
Na cerimônia de abertura, Roberto
• Cooperações interinstitucionais e
Ardenghy, presidente do Instituto Bra-
privadas: a agência expandiu acordos pa-
sileiro de Petróleo, Gás e Biocombustí-
ra delegar poder de polícia administrativa a
veis (IBP), destacou o recorde de mais
Procons estaduais e municipais, além de ór-
de 1.800 trabalhos técnicos inscritos
gãos metrológicos locais. Na esfera privada,
e os temas da conferência, engloban-
parcerias viabilizam a remoção de anúncios
do desde a perfuração tradicional até
de produtos irregulares em plataformas de e-commerce e a incorporação de equipamentos portáteis de testagem rápida. • Operações de combate ao crime organizado: o alinhamento entre a ANP e os órgãos de segurança e inteligência (como nas operações Carbono Oculto e Fluxo Oculto) visa combater a infiltração de organizações criminosas no setor de combustíveis, focando no rastreamento de fraudes estruturadas na cadeia de suprimentos e na distribuição de nafta e solventes.
30 Combustíveis & Conveniência
Programação trouxe painéis variados, com discussões sobre downstream, refino, infraestrutura logística, segurança do abastecimento, entre outras.
inovações em descarbonização e transição energética. Nelson Narciso Filho, chairman da ROG.e 2026, enfatizou a importância da diversidade, da inclusão e da maturidade da matriz energética brasileira. Já Magda Chambriard, presidente da Petrobras e do Conselho do IBP, mostrou como a empresa está comprometida não apenas com a segurança, mas também com a transição energética do país, lembrando que a estatal opera 90% da produção brasileira de óleo e gás. Presença internacional na ROG.e, Daniel Chapo, presidente de Moçambique, reforçou a importância da cooperação bilateral e a aproximação estratégica entre o mercado brasileiro e os países africanos no setor de energia. n
Assimetria entre refinarias
Combustíveis & Conveniência 31
Divulgação IBP
No painel sobre fiscalização e governança no setor de combustíveis, especialistas e autoridades do governo discutiram os reflexos das dinâmicas do refino e da regulação diretamente na revenda de combustíveis, assim como os caminhos para fortalecer estes temas no segmento. Pedro Orrico Sandrin, vice-presidente executivo de Jurídico, Governança, Riscos e Compliance da Acelen, analisou os impactos da presença de um agente dominante verticalizado no setor do petróleo e a necessidade de fiscalizar as condições de transferência interna de petróleo bruto entre as divisões de Exploração e Produção (E&P) e de Refino das grandes companhias. De acordo com ele, a preocupação está no fato de que o petróleo bruto representa entre 90% e 95% dos custos operacionais de uma refinaria. Quando uma refinaria integrada acessa o insumo por meio de transferências internas a preços mais vantajosos do que as refinarias independentes - que adquirem a matéria-prima a preços internacionais -, cria-se uma assimetria na precificação dos derivados de petróleo. O executivo ressaltou ainda que, embora aditivos a Termos de Compromisso de Cessação (TCC) junto ao Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico (Cade) tenham buscado padronizar contratos de venda para terceiros, a ausência de subsidiárias distintas entre a produção de petróleo e o refino estatal mantém a precificação interna como um ponto crítico de atenção para a neutralidade de mercado.
MERCADO
Agência Senado
Primeira fase da mudança será a partir de dois meses da promulgação, com a redução da carga horária semanal, de 44 para 42 horas, com dois dias de folga
Fim da jornada 6x1:
revenda deve planejar nova realidade Na primeira fase da mudança, a carga horária semanal passará de 44 para 42 horas, com dois dias de repouso semanal remunerado. A segunda etapa ocorrerá 14 meses após a data da promulgação, com a entrada em vigor das 40 horas semanais POR MÔNICA SERRANO
A
pós intensos debates no Con-
que estabelece o fim da escala de trabalho
gresso Nacional e discussões
6x1. Dois dias depois, em 16 de outubro,
entre representantes do setor
foi promulgada a Emenda Constitucional
empresarial e dos trabalhadores, o Sena-
(EC) nº 141, que estabelece a substituição
do Federal aprovou, em 14 de outubro,
da escala 6x1 pelo regime 5x2, com cinco
em dois turnos de votação, a Proposta de
dias de trabalho e dois de descanso sema-
Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019,
nal, sem redução salarial.
32 Combustíveis & Conveniência
Para a revenda de combustíveis, a no-
a ser estabelecidas. “O objetivo deve ser
va jornada traz consequências significa-
garantir que os postos continuem funcio-
tivas, principalmente com a contratação
nando, abastecendo o Brasil e preservan-
de mão de obra, que se encontra cada
do empregos”, destacou.
vez mais escassa, além da elevação dos custos operacionais.
Com a redução da jornada de trabalho, a Fecombustíveis alerta para a ne-
No comércio varejista de combustí-
cessidade dos revendedores se antecipa-
veis, formado por aproximadamente
rem às mudanças, planejando desde já a
45 mil postos e cerca de 800 mil fren-
reorganização das escalas de trabalho e
tistas, a mão de obra representa mais
os ajustes operacionais necessários para
da metade dos custos operacionais de
adequação às novas regras, que contam
muitos estabelecimentos.
com apoio das áreas jurídicas dos sindi-
“Uma mudança sem redução propor-
catos filiados.
cional do horário de funcionamento, em
“A preparação começa por um diag-
um cenário no qual o autoatendimento
nóstico cuidadoso da própria operação. O
é proibido pela legislação federal e a ter-
revendedor precisa saber quantos frentis-
ceirização enfrenta restrições nas con-
tas trabalham em cada turno, em que fai-
venções coletivas aplicáveis, pode elevar
xas de horário o movimento se concentra
custos, comprometer a viabilidade dos
e onde há ociosidade ou excesso de pes-
negócios e colocar milhares de empregos
soal. A partir desse retrato, é possível re-
em risco”, disse Emílio Martins, presiden-
desenhar as escalas segundo o novo mo-
te do Recap, sindicato que representa a
delo”, disse Rafael Alfredi de Matos, con-
revenda de combustíveis de Campinas
sultor jurídico da Fecombustíveis e sócio
(SP) e região.
do Silva Matos Alves Ros Advogados.
Para Martins, será necessário rediscutir alternativas, como a possibilidade de au-
O QUE MUDOU?
torizar o autoatendimento de forma re-
A jornada máxima de trabalho semanal
gulamentada e permitir a contratação de
foi reduzida de 44 horas para 40 horas.
mão de obra terceirizada (o que depen-
Serão cinco dias de trabalho para dois de
de da convenção coletiva do local), res-
descanso (5x2), com manutenção das 8
peitando as condições legais que vierem
horas diárias de trabalho. Combustíveis & Conveniência 33
MERCADO
A mudança será implementada por eta-
balhistas”, disse. O advogado recomenda que
pas. A primeira fase está prevista para en-
os sindicatos filiados iniciem o quanto antes as
trar dois meses após a promulgação. A car-
tratativas com as entidades laborais.
ga horária semanal passará de 44 para 42
Ele alerta que neste período de transição,
horas, com dois dias de repouso semanal
o art. 7º da Emenda autoriza a norma co-
remunerado. A segunda etapa ocorrerá 14
letiva a ampliar a duração diária do traba-
meses após a promulgação, com a entrada
lho para viabilizar a distribuição das 42 ho-
em vigor das 40 horas semanais, manten-
ras semanais, preservados os dois dias de
do folga semanal de dois dias.
repouso. “É preciso lembrar que a irredu-
“A primeira fase é mais curta, mas será
tibilidade salarial prevista no art. 2º alcança
a mais impactante, porque as duas folgas
expressamente os pisos da categoria. A ne-
semanais já têm que ser concedidas. En-
gociação deve, assim, concentrar-se na or-
tão, na verdade, a parte mais difícil ficou
ganização do tempo de trabalho, e não em
para o início, e a mais fácil, para o fim da
compensações financeiras”, disse.
transição”, disse Roberto de Faria Miranda, advogado do Recap e CEO e sócio do GHBP Advogados.
COMO ORGANIZAR AS ESCALAS Na prática, os especialistas consideram que não existe fórmula pronta. Miranda re-
RECOMENDAÇÕES JURÍDICAS
comenda ao revendedor que avalie cuidado-
Para Matos, o ponto de maior atenção está
samente a escala atual. A partir disso, ele vai
no art. 3º da Emenda Constitucional 141. Dois
ter que reconstruir a sua escala para conceder
meses após a publicação, ou seja, em 16 de
um dia a mais de folga para todos os funcio-
dezembro de 2026, perdem efeito as cláusulas
nários e distribuir as 42 horas semanais em
de convenções e acordos coletivos sobre jorna-
cinco dias. Ou seja, esse redesenho vai tra-
da e repouso semanal que sejam incompatíveis
zer um novo formato de horário no trabalho.
com o novo texto constitucional. “Boa parte
“Na nova escala, os trabalhadores não vão
das convenções do setor foi construída sobre a
trabalhar 7h20, como era na jornada 6x1.
escala de seis dias e 44 horas semanais. Se não
Provavelmente, serão 8h24, pois serão dis-
houver renegociação até essa data, o revende-
tribuídas 42 horas em cinco dias, já que dois
dor corre o risco de ficar sem respaldo coletivo
são de repouso semanal. Então, a jornada de
para a sua escala e mais exposto a passivos tra-
trabalho diária vai aumentar”, disse.
34 Combustíveis & Conveniência
ções coletivas vigentes para facilitar o tra-
to de atenção. A partir da diluição das 42
balho dos revendedores, que ficariam dis-
horas semanais em cinco dias, que repre-
pensados de negociar individualmente seus
senta 8h24 por dia, surge outro problema:
próprios acordos coletivos.
Divulgação Raízen
O advogado do Recap destaca um pon-
a legislação trabalhista estabelece o limite TIPOS DE CONTRATOS
de 8 horas diárias. E o que se faz com os 24
Em relação à contratação de mão de
minutos que excedem o limite legal? “Ou a empresa faz um acordo com o sin-
obra, também vai depender da realidade e
dicato dos trabalhadores e até dezembro de
demanda de trabalho de cada posto. Mi-
2027 fica valendo 8h24, ou o empresário
randa esclarece que existe a possibilidade
paga os 24 minutos como horas extras”, ex-
de contratar terceirizados, mas tudo de-
plicou o advogado, comentando ainda que
pende da convenção coletiva de cada lo-
existe uma tendência de os sindicatos pa-
cal. Em algumas normas coletivas, a ter-
tronais buscarem discutir aditivos às conven-
ceirização não é permitida.
ChatGPT disse: REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO
De 44 para 40 horas semanais Entenda as três fases da mudança na jornada de trabalho. HOJE
TRANSIÇÃO
ETAPA FINAL
44h
42h
40h
semanais
semanais
semanais
6×1
5×2
5×2
1 dia de folga
Após 2 meses
Após 14 meses
Duas folgas semanais a partir da transição
Infográfico baseado nos prazos informados no texto original, sujeitos à confirmação jurídica antes da publicação.
Combustíveis & Conveniência 35
MERCADO
Outra possibilidade é pelo contrato
O revendedor também deve ficar
intermitente. “É um contrato com car-
ciente que as faltas dos funcionários
teira assinada normal. Só que não pre-
terão mais desconto, pois com os dois
cisa contratar para o mês todo, apenas
dias de folga, aumentará proporcional-
para quando precisar. Se fizer sentido
mente o valor descontado.
para o posto, é uma solução que, apesar do registro em carteira, tende a ser de baixo custo”, disse.
POSTO 24 HORAS DEVE REDUZIR O HORÁRIO? Não há resposta única, e a decisão não deve ser tomada de forma precipi-
HORA EXTRA MAIS CARA
tada, na visão de Matos. “Antes de su-
Miranda também alertou que os reven-
primir o atendimento noturno, o reven-
dedores poderão pagar hora extra para
dedor deve examinar com rigor os nú-
cobrir algum horário, dependendo da de-
meros de cada faixa de horário. Isso in-
manda do posto. Com a redução da jorna-
clui o volume de combustível e de ven-
da de trabalho e a manutenção do mes-
das na loja de conveniência durante a
mo salário, a hora extra ficou mais cara. O
madrugada, o custo efetivo da equipe
advogado recomenda que a revenda avalie
nesse turno, já considerado o adicio-
esse custo quando planejar as escalas.
nal noturno e o peso do funcionamento ininterrupto na fidelização da clientela
FOLGA NO SÁBADO E DOMINGO?
ao longo do dia”, observou.
Muitos revendedores têm perguntado
De acordo com Matos, em muitos ca-
para Miranda se os dois dias de descanso
sos, uma escala noturna bem construí-
deverão cair no final de semana. O advoga-
da na convenção coletiva resolve o pro-
do destaca que as folgas poderão cair em
blema sem que o posto abra mão desse
qualquer dia da semana e não precisam ser
diferencial competitivo, valendo-se do
consecutivas. “É natural que os trabalhado-
regime compensatório autorizado pelo
res queiram folgar no final de semana e de
novo § 2º do art. 7º da Constituição.
forma consecutiva, mas nem sempre isso
“A redução do horário deve ser a últi-
funciona. A construção da escala é prerro-
ma alternativa, depois de esgotadas as
gativa do posto e as folgas não precisam ser
possibilidades oferecidas pela negocia-
consecutivas e nem em dia fixo”.
ção”, concluiu. n
36 Combustíveis & Conveniência
ChatGPT disse: JORNADA DE TRABALHO • ESCALA 5×2
Organização das escalas Como distribuir as 42 horas semanais durante o período de transição? CARGA SEMANAL
DISTRIBUIÇÃO
42h
5 dias 8h24
2
Jornada diária calculada
Dias de repouso semanal
O desafio dos 24 minutos
8h
+24 min
Limite diário regular
Tempo excedente
A distribuição das 42 horas em cinco dias ultrapassa em 24 minutos o limite diário regular de 8 horas. QUAIS SÃO AS ALTERNATIVAS?
Acordo coletivo
Horas extras
Negociar a distribuição da jornada com o sindicato dos trabalhadores, conforme as regras aplicáveis.
Avaliar o pagamento dos 24 minutos excedentes, quando devido, e seu impacto financeiro.
Recomendação aos revendedores Reavaliar as escalas atuais, reorganizar os turnos e calcular os custos trabalhistas antes da implementação da nova jornada. Fonte: informações e orientações jurídicas fornecidas para a reportagem. Regras e vigência sujeitas à confirmação.
Este modelo está organizado em formato vertical, adequado para uma página de revista, publicação digital ou adaptação para PDF. Combustíveis & Conveniência 37
Agência Brasil/ Marcelo Camargo
MERCADO
ANP promove debate sobre regras de controle de qualidade Durante o evento, Fecombustíveis apontou dificuldades que a revenda enfrenta em algumas bases, com a resistência das distribuidoras em fornecer a amostra-testemunha e falta de vedação correta do recipiente da amostra, entre outras POR MÔNICA SERRANO
E
m 1º de outubro, a ANP promoveu
A Agência verificou a necessidade de alinhar
o workshop sobre a revisão da Reso-
os procedimentos para outros agentes do setor,
lução 898/2022, que estabelece pro-
incluindo os Transportadores-Revendedores-Re-
cedimentos para o controle de qualidade da
talhistas (TRRs), os Transportadores-Revendedo-
gasolina, etanol hidratado e diesel especifica-
res-Retalhistas na Navegação Interior (TRR-NI) e
mente para o revendedor, no momento do re-
os Pontos de Abastecimento (PAs). Além da in-
cebimento do combustível no posto. A coleta
clusão dos três agentes, a ANP também propõe
da amostra-testemunha e as análises de qua-
um aprimoramento legístico, que consiste em
lidade de cada compartimento do caminhão-
realizar ajustes da redação e na estrutura do tex-
tanque fazem parte dessa rotina.
to para deixar a norma mais clara e organizada.
38 Combustíveis & Conveniência
Segundo Julio Cesar Nishida, superinten-
do instrumento de defesa.“A nossa propos-
dente de Fiscalização do Abastecimento da
ta é que não seja possível haver esses termos
ANP, que conduziu o workshop, o texto não
de dispensa, para que o motorista do cami-
traz um artigo com as definições de determi-
nhão-tanque não seja coibido a desistir de
nados termos. Nesse aspecto, a revisão da nor-
receber a amostra-testemunha”, disse.
ma deverá aprimorar os conceitos como amos-
Essa prática tem sido recorrente em diversos
tra prova, contraprova e amostra-testemunha.
fornecedores, de acordo com Simone. “A nossa
Como exemplo disso, Nishida observou
sugestão é que a distribuidora que se abster de
que apesar de ser uma resolução utilizada para
fornecer a amostra-testemunha seria risolada-
amostra prova, coletada no posto no momen-
mente responsabilizada pela qualidade do pro-
to da fiscalização, ela não faz menção ao pro-
duto em caso de desconformidade”, destacou.
cedimento, porém cita a contraprova, o que
Também foi mencionado que, em algumas
pode trazer confusão.
bases, as distribuidoras entregam aos moto-
A atualização da resolução também vai
ristas as amostras-testemunha previamente
contribuir para reduzir o estoque regulató-
coletadas, sem que eles tenham efetivamen-
rio da Agência, compilando no documento
te acompanhado a coleta do material retirado
regras que constam em outras resoluções.
do caminhão-tanque. Essa prática gera des-
“Estamos trazendo discussão inicial e
confiança quanto à segurança do processo e
abrimos esse espaço para serem endere-
não segue as regras definidas pela ANP.
çados vários aspectos, tanto do controle e
Outro aspecto preocupante, trazido por Si-
obrigações por parte dos agentes regula-
mone, é que não é incomum que a amostra-
dos quanto para os procedimentos”, disse.
testemunha chegue ao posto ou laboratório
Uma das primeiras exposições foi de
com vazamento ou evaporação do volume
Simone Marçoni, consultora jurídica da
pela ausência do batoque - que veda o orifício
Fecombustíveis. A advogada informou que,
do recipiente da amostra, que deveria ser en-
em algumas bases, as distribuidoras resistem
tregue pelos fornecedores dos combustíveis.
em fornecer a amostra-testemunha, quando
Além disso, a advogada também abordou a
da modalidade FOB, pelos mais diversos mo-
fragilidade do envelope de segurança forne-
tivos, objetivando a dispensa da contraprova
cido pelas distribuidoras, que tem qualidade
pelo revendedor, o que efetivamente o pre-
bem inferior em relação ao que é utilizado pe-
judica em eventuais fiscalizações pela falta
la ANP durante a sua fiscalização, que é mais Combustíveis & Conveniência 39
MERCADO
resistente, trazendo segurança para o reven-
to do combustível, sobretudo, quando ainda se
dedor e todos os elos impactados na cadeia.
tem a contraprova retida no posto, além de não
Sobre a fiscalização, a advogada da Fecom-
ser feita nenhuma nova coleta dentro dos tan-
bustíveis solicitou à ANP que, em determinados
ques de armazenamento, em casos de apura-
casos, quando detectar uma não conformida-
ção de outras inconformidades nas proprieda-
de no combustível, a bomba não seja interdita-
des do produto sob suspeita”, disse a advogada.
da com a faixa amarela, mesmo sendo este o
As distribuidoras foram representadas por
procedimento habitual. “Nós entendemos que
Samuel Carvalho, do Sindicom. Ele destacou
a ANP não deveria fazer essa interdição nos ca-
que a coleta do combustível na parte inferior
sos em que a revenda não conseguir identifi-
do caminhão-tanque pode não representar
car as especificações de qualidade. Não esta-
adequadamente o produto armazenado em
mos falando de uma fraude ou adulteração,
todo o compartimento, em função da homo-
mas de uma não conformidade, como teor de
geneização. “No entendimento da ANP em al-
biodiesel, ponto de fulgor, teor de enxofre, por
gumas resoluções, o produto deve sair da base
exemplo. Essa interdição, a nosso ver, é uma
homogêneo. Nossa proposta é coletar a amos-
condenação prévia”, disse, reforçando que a
tragem por cima do caminhão, respeitadas as
imagem do posto fica afetada perante o con-
regras de segurança, ou, se for por baixo, exi-
sumidor com a utilização da faixa.
gir uma drenagem na parte final da tubulação
Simone solicitou maior celeridade quanto
entre as duas retenções, a da extremidade e a
ao processo de desinterdição dos equipamen-
do fundo do compartimento, bem como dre-
tos medidores em caso de não conformidades.
nar um volume maior do que 10 litros”, disse.
Atualmente, quando há interdição da bomba,
Ao final do workshop, Nishida informou que
demora-se um tempo considerável, até que a
a atualização da resolução será realizada pelas
amostra-prova chegue ao laboratório, para só
equipes de qualidade e de fiscalização da ANP.
então ser confirmada ou não a qualidade do
Vale destacar que as contribuições dos
produto e iniciado o minucioso processo de libe-
agentes regulados serão avaliadas pela ANP e
ração do equipamento. “Nós entendemos que
servirão de subsídio para a elaboração da aná-
mesmo antes da chegada da amostra prova ao
lise de impacto regulatório (AIR). Na sequên-
laboratório, não há qualquer justificativa ou im-
cia da AIR, será elaborada a minuta de resolu-
pedimento para que a autuada já inicie os pro-
ção, que passará pelo processo de consulta e
cedimentos de desinterdição e reprocessamen-
audiência públicas. n
40 Combustíveis & Conveniência
AGENDA
Novembro
Conexão Sindi Pará Data: 12 Local: Santarém (PA) Realização: Sindicombustíveis - PA Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473
Comemoração 50 anos Data: 28 Local: Santarém (PA) Realização: Sindicombustíveis - PA Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473
Dezembro
Conversando com o Revendedor de Combustíveis Data: 9 e 10 Local: Blumenau (SC) Realização: Sinpeb Informações: (47) 3326-4249 Combustíveis & Conveniência 41
REPORTAGEM DE CAPA
Vitória da Fecombustíveis: ANP é impedida de usar PMQC no aplicativo Ação judicial obteve decisão favorável à revenda, por considerar que não é função do programa pontuar negativamente os postos e influenciar o consumidor na escolha dos estabelecimentos. A razão é a falta de clareza, que levanta suspeitas sobre o motivo da nota POR MÔNICA SERRANO
iStock
42 Combustíveis & Conveniência
L
ançado pela ANP em julho, o
tabelecimentos, considerando a distin-
aplicativo “ANP com VC – Pos-
ção entre o monitoramento de qualida-
tos” parece, à primeira vista,
de do PMQC e a fiscalização da Agên-
uma iniciativa bastante positiva para am-
cia. Um dos argumentos de defesa da
pliar a transparência sobre a confiabilida-
ação destaca que a Resolução ANP nº
de dos postos de combustíveis perante
790/2019 estabelece que o programa não
os consumidores.
constitui atividade de fiscalização e que
No entanto, uma das críticas da reven-
seus resultados não podem ser utiliza-
da ao app é o critério de pontuação dos
dos para aplicar sanções administrativas.
postos, que considera os resultados do
Outra consequência citada na ação envol-
Programa de Monitoramento da Qualida-
ve a imagem negativa dos postos peran-
de dos Combustíveis (PMQC) como fator
te o consumidor. Ao analisar o pedido, a
de redução da nota atribuída aos estabe-
Justiça considerou que a pontuação po-
lecimentos, levando o consumidor a inter-
de repercutir sobre a reputação comer-
pretar o resultado como fraude ou irregu-
cial dos postos e influenciar a escolha do
laridade, o que não é verdade.
cliente. O jurídico da Fecombustíveis tam-
Essa foi a principal motivação da Fe-
bém entendeu que não foi demonstrada
combustíveis ao entrar com um mandado
base normativa e procedimental suficien-
de segurança coletivo contra a ANP, com
te para o uso de resultados não confor-
a solicitação de suspensão do PMQC co-
mes do PMQC como elemento negativo
mo critério de pontuação.
dessa classificação.
A Fecombustíveis levou à Justiça uma
“A decisão reconhece uma preocupa-
demanda de interesse de toda a catego-
ção legítima da revenda. O PMQC foi cria-
ria, cuja decisão representa uma vitória
do para monitorar a qualidade dos com-
nacional na defesa dos revendedores. O
bustíveis no país e orientar a fiscalização.
julgamento ocorreu no dia 29 de setem-
Ele nunca serviu para qualificar postos in-
bro, pela 4ª Vara Federal Cível da Seção
dividualmente”, disse Luiz Guilherme Ros,
Judiciária do Distrito Federal (SJDF).
consultor jurídico da Fecombustíveis e só-
A ação questionou o uso dos resulta-
cio do escritório Silva Matos.
dos do programa para produzir efeitos
De acordo com a Resolução ANP nº
negativos na classificação pública dos es-
904/2022, os resultados das análises do Combustíveis & Conveniência 43
REPORTAGEM DE CAPA
programa se destinam exclusivamente à
gue detectar várias características no mo-
verificação da conformidade em relação
mento da entrega. Conseguimos testar
às especificações de qualidade dos com-
somente o teor de etanol anidro, aspec-
bustíveis. “Usar esses dados para dar no-
to, cor e massa específica, sendo que os
ta pública a um posto é desviar o progra-
demais componentes somente podem ser
ma da sua finalidade. Também expõe o
analisados em testes de laboratório. Não
revendedor a um prejuízo de imagem sem
é justo que o revendedor seja penalizado
que ele tenha tido chance de se defen-
com uma pontuação menor pelo PMQC,
der”, disse Ros.
por itens que ele não consegue avaliar.
James Thorp Neto, presidente da Fe-
Uma não conformidade do combustível
combustíveis, considera que a criação do
pode ter origem na base de distribuição
aplicativo foi uma boa iniciativa e reconhe-
ou durante o transporte”, disse.
ce sua utilidade, mas acredita que a ferra-
De acordo com Ros, a Fecombustíveis
menta misturou os conceitos. Isso porque
identificou o problema logo após o lan-
o cliente não tem discernimento do fun-
çamento do aplicativo. Foram realizadas
cionamento do setor e, ao ver uma nota
reuniões e um ofício foi enviado à ANP
4 ao invés de 5, pode pensar que o posto
em 9 de agosto, porém sem sucesso, e o
cometeu alguma irregularidade. “A ferra-
último recurso foi ingressar na Justiça.
menta tem uma boa finalidade, porém po-
Pela análise jurídica, as amostras do
de gerar confusão ao não diferenciar uma
PMQC são coletadas sem que o posto fique
fraude de uma não conformidade sem a
com uma amostra-testemunha. A maior
intenção de lesar o consumidor”, disse.
parte dos parâmetros analisados, como oc-
Por conta disso, a Federação sugeriu
tanagem, teor de biodiesel e condutividade
aprimorar os critérios de avaliação e pon-
do etanol, só pode ser aferida em laborató-
tuação dos estabelecimentos, para evi-
rio. E o resultado costuma chegar semanas
tar interpretações equivocadas e possíveis
depois da coleta, quando o estoque já foi
prejuízos à imagem dos revendedores que
renovado. Dessa forma, o revendedor não
atuam dentro da legalidade. “Toda a re-
tem como verificar se uma eventual não
venda, quando recebe um carregamen-
conformidade veio da distribuidora, nem
to de combustível no posto, faz os testes
como contestar o resultado. “Mostrar ao
de qualidade. Porém, o posto não conse-
Judiciário essa realidade operacional foi o
44 Combustíveis & Conveniência
iStock
Resultados de amostras analisadas pelo PMQC não podem ser utilizadas como critério para dar nota aos postos
ponto central, e o conhecimento técnico da
revenda de Rondônia ficou muito satisfei-
Federação foi decisivo”, disse Ros.
ta com esse posicionamento da Fecom-
O advogado também enfatizou que um dado estatístico de monitoramento,
bustíveis”, disse Arildo Persegono Filho, presidente do Sindipetro-RO.
sem contraprova, não serve para atribuir
Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do
nota individual a um posto. “Seria positi-
Sindicombustíveis-PE, destacou que a Fe-
vo que a ANP construísse esses critérios
combustíveis acertou ao buscar essa deci-
ouvindo o setor”, observou.
são. O PMQC serve para monitorar a qualidade dos combustíveis e orientar a fis-
APOIO DOS SINDICATOS
calização. “Seus resultados não deveriam
Os sindicatos filiados receberam com
reduzir a nota de um posto sem que o re-
satisfação a notícia sobre o mandado de
vendedor seja notificado e tenha direito
segurança, pois foram atendidos e comu-
ao contraditório e à contraprova. Uma in-
nicaram os revendedores de sua base. “A
dicação no monitoramento não equivale Combustíveis & Conveniência 45
REPORTAGEM DE CAPA
Imagem criada por IA
Postos revendedores não conseguem identificar todas as especificações dos combustíveis nos testes de qualidade realizados na hora do recebimento da carga
a uma irregularidade confirmada pela fis-
clusive as reclamações dos revendedores
calização”, disse.
sobre o descumprimento das cláusulas de
Ramos também defende que a avaliação da nota atinja as distribuidoras. Se o
competitividade previstas nos contratos”, complementou.
posto compra 100% do combustível de
Marcio Andrade, presidente do Sindi-
uma distribuidora e aparece alguma não
posto - GO e vice-presidente da Fecom-
conformidade, é preciso apurar toda a ca-
bustíveis, destacou que a revenda goiana
deia: o produto sai de uma base, é trans-
teve uma boa receptividade com o lança-
portado por um caminhão e chega ao
mento do aplicativo, pois considerou que
posto. “Por que a nota fica apenas com
a pontuação permite ao consumidor es-
o revendedor? As distribuidoras também
colher o revendedor que trabalha corre-
devem ser avaliadas, com critérios claros e
tamente, que cumpre as suas obrigações.
direito de defesa, para que a responsabili-
“Ele separa o joio do trigo. Mas ao ana-
dade seja atribuída conforme a origem do
lisar as notas com mais profundidade, à
problema”, disse. “Além da qualidade, é
medida que os postos recebiam notas in-
preciso apurar possíveis práticas abusivas
feriores, começamos a apurar os moti-
de preços ao longo de toda a cadeia, in-
vos e nos deparamos com a questão do
46 Combustíveis & Conveniência
PMQC, o que gerou muita insatisfação para os revendedores”, comentou.
ANP EXCLUI PMQC No final de outubro,a ANP ingressou
Andrade esclarece que boa parte das
com recurso contestando a medida judi-
não conformidades detectadas pelo PMQC
cial. No site da instituição consta a seguin-
não causam prejuízo ao veículo, mas repre-
te informação: “as amostras não confor-
sentam que o combustível está fora do cri-
mes coletadas pelo PMQC, temporaria-
tério do padrão de qualidade da ANP e não
mente, não serão consideradas no cálcu-
deveriam gerar pontuação negativa.
lo da nota dos postos, em atendimento
Ele contou que houve casos de reven-
à decisão liminar do processo movido pe-
dedores em Goiânia nos quais o consumi-
la Fecombustíveis contra o aplicativo ANP
dor colocou em xeque a credibilidade do
com VC – Postos”.
posto por conta da pontuação mais baixa, em função do PMQC.
Vale destacar que a decisão liminar preserva as demais funcionalidades do app. n
Critério do PMQC gerou polêmica entre revenda tradicional A revista Combustíveis & Conveniência publicou, em agosto, uma reportagem sobre o lançamento do app e as reclamações sobre o critério de considerar o PMQC na pontuação. Na edição, revendedores tradicionais, que atuam dentro das boas práticas e conduta ética, tiveram pontuação menor por conta do PMQC. Um deles foi Eduardo Valdívia, presidente em exercício do Recap, sindicato da revenda de combustíveis de Campinas e região. “Recebemos muitas reclamações no Recap e 90% delas era sobre o teor de biodiesel no diesel, algo que não conseguimos verificar no posto. Também tivemos revendedores que esperavam a nota máxima e por questões de qualidade de 2021, não atingiram. Nossa revenda reclamou do período muito antigo”, disse Valdívia na ocasião. Vale lembrar que o app considera o período de cinco anos no histórico da pontuação. Em Pernambuco, Ramos, presidente do Sindicombustíveis – PE, também teve nota rebaixada pelo PMQC. Logo que o app foi lançado, ele criticou a utilização do programa, como desvio de finalidade. “As coletas feitas em campo para o monitoramento têm caráter estritamente estatístico e de amostragem de mercado. Esse mapeamento serve apenas para orientar a inteligência da ANP e direcionar fiscais em campo (in loco) e jamais para rebaixar notas ou punir comercialmente um posto antes do devido processo legal, da contraprova e da ampla defesa”, disse. Para Ramos, enquanto a Agência penalizava a revenda com base em meras amostragens estatísticas do PMQC, o app não apresentava os casos mais graves. “A plataforma não destaca com a devida clareza os postos efetivamente autuados e interditados por fraudes graves e comprovadas, como a ‘bomba baixa’, adulteração proposital ou a entrega de etanol no lugar de gasolina”, enfatizou.
Combustíveis & Conveniência 47
NA PRÁTICA
iStock
Revenda deve revisar cadastros, atualizar sistemas, avaliar contratos e preparar os controles financeiros para evitar erros fiscais
Saiba como se preparar para as mudanças tributárias Revisão de estoques, atualização de sistemas, aproveitamento de créditos e controle do fluxo de caixa estão entre as providências que os revendedores precisam adotar antes da entrada em vigor da reforma tributária POR ROSEMEIRE GUIDONI
A
reforma tributária exige mu-
ços (CBS) a partir de 2027, os empresá-
danças na gestão dos postos
rios precisam revisar cadastros, atualizar
de combustíveis e lojas de con-
sistemas, avaliar contratos e preparar os
veniência antes mesmo da implantação
controles financeiros para evitar erros fis-
completa do novo sistema, prevista para
cais e possíveis perdas de receita.
2033. Com a substituição do PIS e da Co-
Um dos principais desafios será ad-
fins pela Contribuição sobre Bens e Servi-
ministrar diferentes tratamentos tri-
48 Combustíveis & Conveniência
butários dentro do mesmo estabeleci-
Embora o processo de transição seja
mento. Enquanto os combustíveis te-
gradual, algumas providências têm pra-
rão um regime específico de incidência
zo definido. Outras exigirão acompanha-
única do Imposto sobre Bens e Serviços
mento permanente, especialmente du-
(IBS) e da CBS, mercadorias comerciali-
rante a convivência entre os tributos atu-
zadas nas lojas de conveniência, lubrifi-
ais e os novos impostos.
cantes e serviços como lavagem e troca de óleo estarão sujeitos, em regra, ao regime geral.
SISTEMAS PRECISAM ESTAR PREPARADOS Uma das primeiras medidas é atualizar
“O principal é preparar o posto para
os sistemas de gestão, os equipamentos
funcionar com regras diferentes dentro
de ponto de venda (PDV) e os programas
do mesmo estabelecimento”, afirmou o
de emissão de documentos fiscais.
advogado Maurício Bellucci, sócio do es-
Os sistemas deverão identificar cor-
critório GHBP, responsável pela consulto-
retamente a classificação fiscal de cada
ria jurídica do Recap (sindicato que re-
mercadoria, os códigos de tributação e
presenta a revenda em Campinas e mais
os campos relacionados ao IBS e à CBS.
de 90 cidades no interior de São Paulo).
Também precisarão registrar as opera-
Segundo ele, o empresário precisa co-
ções de entrada e saída, devoluções, des-
meçar pela organização das informações
contos e créditos tributários.
fiscais e pela separação das receitas de cada atividade. A mesma preocupação também foi destacada por Luiz Rinaldo, da Plumas
A atenção deve ser redobrada nas lojas de conveniência, que trabalham com grande variedade de produtos e podem ter diferentes tratamentos tributários.
Contabilidade, especializada no seg-
Bellucci considera que o empresário
mento da revenda de combustíveis. Em
que ainda não iniciou esse processo já es-
sua avaliação, a preparação para a re-
tá atrasado na preparação, embora isso
forma não deve ficar restrita ao escri-
não signifique necessariamente que te-
tório contábil, pois envolve decisões re-
nha cometido alguma infração.
lacionadas a compras, estoques, for-
O advogado alerta que a autorização
mação de preços, sistemas de gestão e
de uma nota fiscal eletrônica não garan-
contratos comerciais.
te que as informações tributárias estejam Combustíveis & Conveniência 49
NA PRÁTICA
corretas. Por isso, além de atualizar os
Em São Paulo, por exemplo, a Porta-
programas, ele reforça que é necessário
ria SRE nº 64/2025 retirou determinados
testar sua operação e conferir se os da-
produtos da substituição tributária a par-
dos estão sendo transmitidos adequada-
tir de janeiro de 2026. Outras alterações
mente à contabilidade.
estaduais também vêm sendo implemen-
Para ter mais segurança nesse quesito,
tadas ao longo do ano.
o revendedor deve solicitar ao fornecedor
Segundo Bellucci, essas mudanças pre-
do software uma confirmação formal das
cisam ser analisadas individualmente. “Isso
atualizações, revisar os cadastros de pro-
muda o uso de créditos, o tratamento do
dutos, testar a emissão de notas fiscais e
estoque e a formação de preço”, explicou.
verificar a integração entre estoque, fatu-
Em apresentação durante a ExpoPos-
ramento, recebimentos e contabilidade.
tos 2026, especialistas da Plumas chamaram a atenção para ofertas de grandes
MUDANÇAS NA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA
volumes de mercadorias feitas por forne-
EXIGEM ATENÇÃO AOS ESTOQUES
cedores antes de alterações tributárias.
Outro ponto de atenção está nas alte-
“Embora os descontos possam parecer
rações da substituição tributária do ICMS,
vantajosos, o empresário precisa calcular
que já ocorrem em alguns estados.
o impacto das novas regras sobre os pro-
Nesse sistema, o imposto relativo às operações posteriores é recolhido ante-
dutos que permanecerão em estoque”, alertou Rinaldo.
cipadamente por um contribuinte da ca-
É importante lembrar que a substitui-
deia. Quando determinada mercadoria
ção tributária do ICMS não será extinta
deixa de integrar o regime, o estabeleci-
em 2027. O imposto estadual será subs-
mento passa a observar as regras normais
tituído gradualmente pelo IBS entre 2029
de apuração do ICMS.
e 2032, mantendo-se a necessidade de
A mudança pode afetar o custo efetivo dos produtos e a formação de preços,
acompanhar as regras estaduais durante a transição.
especialmente quando o empresário ad-
Assim, antes de ampliar os estoques, o
quire mercadorias com o imposto reco-
revendedor deve verificar com a contabi-
lhido antecipadamente e realiza a venda
lidade se haverá alteração na tributação
depois da alteração tributária.
das mercadorias. Também é necessário
50 Combustíveis & Conveniência
conferir os procedimentos estaduais para
O Decreto nº 12.955/2026 exige um
tratamento dos produtos adquiridos an-
inventário documentado em 31 de de-
tes da mudança.
zembro, com a identificação dos itens que poderão gerar créditos. Segundo o
INVENTÁRIO DE DEZEMBRO PODE
advogado, os valores deverão ser apura-
GARANTIR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS
dos e registrados até junho de 2027, com
O levantamento dos estoques existentes em 31 de dezembro de 2026 será
utilização em 12 parcelas mensais para pagamento da CBS.
uma das providências mais importantes.
O especialista recomenda que o pos-
A legislação prevê a possibilidade de
to programe um inventário físico para o
aproveitamento de créditos presumidos
último dia de 2026, além de conferir as
da CBS sobre mercadorias que atendam
quantidades com os registros do sistema
às condições estabelecidas no artigo 381
e organizar as notas fiscais de aquisição.
da Lei Complementar nº 214/2025.
A contabilidade deverá identificar quais
Dentre as situações contempladas estão estoques de empresas que estavam
produtos atendem às condições para aproveitamento dos créditos.
submetidas ao regime cumulativo de PIS e Cofins e não puderam aproveitar crédi-
DESPESAS OPERACIONAIS
tos na aquisição dos produtos.
PODEM GERAR CRÉDITOS
De acordo com Bellucci, para merca-
A possibilidade de aproveitar créditos
dorias nacionais elegíveis, o crédito pre-
de IBS e CBS sobre determinadas despe-
sumido corresponde a 9,25% do valor do
sas representa outra mudança para os es-
estoque. No caso dos produtos importa-
tabelecimentos sujeitos ao regime regular
dos, existe uma metodologia específica
dos novos tributos.
de cálculo.
Despesas com serviços contábeis,
O benefício, entretanto, não pode ser
manutenção, licenças de sistemas,
aplicado automaticamente a todas as
energia elétrica, equipamentos e ma-
mercadorias do posto ou da loja de con-
teriais utilizados na atividade empre-
veniência. Será necessário verificar os re-
sarial poderão gerar créditos, desde
quisitos legais, as exclusões e o tratamen-
que cumpridas as condições previstas
to tributário de cada produto.
na legislação. Combustíveis & Conveniência 51
NA PRÁTICA
A possibilidade também alcança empresas tributadas pelo lucro presumido,
revenda de combustíveis, a conveniência e os serviços.
que atualmente recolhem PIS e Cofins, em regra, pelo regime cumulativo. “O Lucro Presumido é uma forma de
ALUGUEL DO TERRENO TAMBÉM MERECE AVALIAÇÃO
calcular o Imposto de Renda e a Contri-
Os contratos de locação de imóveis
buição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
também merecem atenção. Muitos pos-
e não impede, por si, o crédito de IBS e
tos funcionam em terrenos alugados, en-
CBS”, esclareceu Bellucci.
quanto outros estabelecimentos obtêm
Entretanto, nem toda despesa dará di-
receitas com a locação de espaços para
reito a crédito. A legislação estabelece
terceiros, como restaurantes, lojas e ativi-
restrições, especialmente para bens e ser-
dades complementares.
viços destinados ao uso pessoal.
A reforma estabelece um regime espe-
Há também uma distinção importante
cífico para operações com bens imóveis,
no caso dos combustíveis. O artigo 180
com redução de 70% das alíquotas de IBS
da Lei Complementar nº 214/2025 im-
e CBS nas locações sujeitas à tributação.
pede o aproveitamento de créditos so-
Segundo Bellucci, quando o locador
bre combustíveis adquiridos para reven-
é contribuinte dos novos tributos, o alu-
da, embora existam regras específicas pa-
guel poderá gerar créditos para o posto
ra outras hipóteses de aquisição.
enquadrado no regime regular, observa-
O direito ao crédito também depende
das as condições legais.
de documentação fiscal adequada e, em
No caso de locadores pessoas físicas,
regra, da comprovação de que o tribu-
o enquadramento como contribuinte de-
to incidente sobre a operação foi efetiva-
pende de critérios relacionados ao valor
mente recolhido.
recebido e à quantidade de imóveis alu-
Por isso, é recomendado ao revendedor levantar os gastos recorrentes do es-
gados, entre outras hipóteses previstas na legislação.
tabelecimento, organizar os documentos
Também é necessário distinguir a re-
fiscais e identificar com a contabilidade
ceita de aluguel da remuneração por ser-
quais despesas poderão gerar créditos. A
viços, publicidade ou outras contraparti-
análise deve considerar separadamente a
das comerciais.
52 Combustíveis & Conveniência
Bellucci recomenda, em tais casos, re-
forma, o mecanismo permitirá separar
visar os contratos de locação, identificar
os valores correspondentes ao IBS e à
o enquadramento tributário do locador e
CBS no momento da liquidação dos pa-
verificar se a operação poderá gerar cré-
gamentos eletrônicos, como operações
ditos. Quando o posto aluga espaços pa-
com cartões e Pix, conforme as regras
ra terceiros, é necessário conferir o trata-
de implementação.
mento tributário dessas receitas.
Na prática, a parcela tributária poderá ser direcionada ao Fisco antes de ingressar
SPLIT PAYMENT PODERÁ
integralmente no caixa do estabelecimen-
ALTERAR O FLUXO DE CAIXA
to. O modelo representa uma mudança
A implantação do split payment tam-
em relação à sistemática atual, na qual as
bém exigirá planejamento financeiro.
empresas recebem os pagamentos e reco-
Com as mudanças introduzidas pela re-
lhem os tributos posteriormente. Divulgação Mime
Lojas de conveniência, que trabalham com grande variedade de produtos, podem ter diferentes tratamentos tributários
Combustíveis & Conveniência 53
NA PRÁTICA
Para postos e lojas de conveniência, o impacto dependerá do tipo de operação,
con-SP). (Confira a entrevista na íntegra na página 08).
da incidência tributária e das possibilidades de aproveitamento de créditos. Bellucci esclarece que a implantação
CONTRATOS COM DISTRIBUIDORAS DEVEM SER REVISADOS
será gradual a partir de 2027, sem uma
Outro ponto de atenção recomen-
data única de obrigatoriedade para todos
dado pelos especialistas é a análise
os pagamentos.
das receitas recebidas das distribuido-
Como a revenda de combustíveis está
ras de combustíveis. Bonificações, in-
sujeita ao regime específico e não gera,
centivos comerciais, pagamentos por
em regra, novo débito de IBS e CBS pa-
metas, contratos de exclusividade e
ra o posto, a preocupação será maior nas
verbas relacionadas à exposição de
atividades submetidas ao regime geral.
marcas podem ter tratamentos tribu-
Assim, o revendedor deverá acompa-
tários diferentes.
nhar a implantação do mecanismo, ve-
Segundo Bellucci, a denominação utili-
rificar a integração entre notas fiscais,
zada no contrato não determina, isolada-
sistemas de gestão, maquininhas e ban-
mente, a tributação.
cos e realizar projeções do fluxo de caixa.
Um desconto incondicional concedido
Também é recomendável avaliar a neces-
na compra, por exemplo, pode ter trata-
sidade de capital de giro. “Atualmente, a
mento distinto de uma bonificação em
empresa recebe o valor integral da ven-
mercadorias ou de uma remuneração por
da e recolhe o imposto semanas depois.
serviços de publicidade.
Esse intervalo funciona, na prática, como
A legislação estabelece condições es-
uma fonte de capital de giro”, explicou
pecíficas para que determinadas bonifi-
Welinton dos Santos, autor do livro ‘Des-
cações não sejam tributadas, incluindo a
complicando a Reforma Tributária’, con-
necessidade de constarem do documen-
selheiro do Conselho Regional de Eco-
to fiscal e não dependerem de eventos
nomia de São Paulo (Corecon-SP) e vice-
posteriores. Há ressalvas para bens sujei-
-presidente técnico do Sindicato dos Eco-
tos a alíquotas específicas por unidade
nomistas no Estado de São Paulo (Sinde-
de medida.
54 Combustíveis & Conveniência
Já valores recebidos em contrapartida à prestação de serviços ou à cessão de direitos poderão constituir receitas tributáveis. Assim, é fundamental revisar os con-
trônicos para calcular os tributos, reforça essa necessidade. Para Bellucci, a preparação deve envolver a integração entre os sistemas e a contabilidade, além do treinamento das equipes.
tratos com distribuidoras, identificar a
A complexidade será ainda maior para re-
natureza de cada recebimento e con-
des de postos que operam em diferentes es-
ferir a documentação fiscal correspon-
tados, já que a transição exigirá o acompa-
dente. A contabilidade deverá avaliar
nhamento simultâneo das regras estaduais
o tratamento tributário aplicável a ca-
de ICMS e das normas do IBS e da CBS.
da operação.
Mas, embora o novo modelo tenha como objetivo simplificar a tributação
PREPARAÇÃO EXIGE PARTICIPAÇÃO
sobre o consumo, essa redução da com-
DO EMPRESÁRIO
plexidade não será imediata.
Embora a contabilidade tenha papel
Até 2032, os estabelecimentos con-
fundamental na adaptação, a reforma tri-
tinuarão sujeitos às regras estaduais de
butária também exigirá mudanças na ro-
ICMS, enquanto o IBS será implantado
tina administrativa dos estabelecimentos.
gradualmente.
Os funcionários responsáveis pelo ca-
Diante desse cenário, a recomenda-
dastro de produtos, recebimento de mer-
ção é que os empresários estabeleçam
cadorias, emissão de notas fiscais e con-
um planejamento para acompanhar as
trole de estoques precisarão compreender
mudanças, revisem seus controles in-
os novos procedimentos.
ternos e mantenham contato frequen-
De acordo com a Plumas, a qualidade das informações registradas dia-
te com os profissionais responsáveis pela gestão tributária.
riamente será determinante para evi-
A preparação antecipada poderá redu-
tar erros de apuração e dificuldades no
zir riscos fiscais e permitir que o revende-
aproveitamento de créditos. A chama-
dor avalie os impactos da reforma sobre
da apuração assistida, que utilizará in-
os custos, as margens e o fluxo de caixa
formações dos documentos fiscais ele-
do negócio. n Combustíveis & Conveniência 55
Divulgação AEA
MEIO AMBIENTE
SIMEA 2026 trouxe discussão sobre o desenvolvimento de tecnologias voltadas à redução de emissões, à eficiência energética e à sustentabilidade dos transportes
Novos combustíveis e tecnologias redesenham o futuro da mobilidade Setor automotivo aponta que biocombustíveis, eletrificação, hidrogênio e novas tecnologias de motores devem conviver nas próximas décadas, com impactos sobre o mercado de combustíveis e a infraestrutura de abastecimento POR ROSEMEIRE GUIDONI
A
transformação da indústria auto-
as alternativas que poderão ganhar espaço
motiva deve ampliar a diversida-
nos próximos anos, de acordo com as carac-
de de tecnologias de propulsão
terísticas de cada veículo, as condições de
e fontes de energia utilizadas nos transpor-
infraestrutura e a viabilidade econômica. Pa-
tes, sem que uma única solução substitua os
ra o setor de distribuição e revenda de com-
combustíveis convencionais no curto prazo.
bustíveis, esse cenário aponta para mudan-
Biocombustíveis, diesel verde (HVO), biome-
ças graduais no perfil da demanda e novas
tano, eletrificação e hidrogênio estão entre
possibilidades de atuação.
56 Combustíveis & Conveniência
“Enquanto o mundo discute como re-
“Enquanto o mundo discute como re-
duzir a dependência de combustíveis fós-
duzir a dependência de combustíveis fós-
seis, o Brasil já acumula décadas de expe-
seis, o Brasil já acumula décadas de expe-
riência prática rodando etanol e biodiesel
riência prática rodando com etanol e bio-
nas estradas”, afirmou Daniel Randon,
diesel nas estradas”, afirmou Randon.
presidente do Grupo Randon e presiden-
Para o executivo, essa experiência re-
te de honra do 33º Simpósio Internacio-
presenta uma vantagem competitiva que
nal de Engenharia Automotiva (SIMEA
pode contribuir para o desenvolvimen-
2026), promovido pela Associação Brasi-
to de novas soluções de mobilidade. “Is-
leira de Engenharia Automotiva (AEA). O
so não é uma tese. É frota, é motor, é
evento reuniu representantes da indús-
know-how testado em escala”, ressaltou.
tria automotiva, especialistas e autoridades para discutir o desenvolvimento de
DIESEL DEVE CONTINUAR
tecnologias voltadas à redução de emis-
PRESENTE NO TRANSPORTE PESADO
sões, à eficiência energética e à sustentabilidade dos transportes.
Embora as tecnologias alternativas estejam avançando, o diesel deverá manter
Um dos pontos de convergência foi o
participação relevante no transporte pesa-
reconhecimento de que a transição ener-
do por mais tempo. Essa foi uma das con-
gética deverá seguir diferentes caminhos,
clusões apresentadas no painel “A Força
especialmente no transporte pesado, no
Motriz do Brasil: Agro 5.0, Biocombustíveis
qual fatores como autonomia, capacidade
e Mobilidade Sustentável para Pesados”.
de carga, tempo de abastecimento e dis-
Marcus D’Elia, sócio-diretor da Leggio
ponibilidade de infraestrutura influenciam
Consultoria, apresentou uma análise das
diretamente a escolha das tecnologias.
perspectivas de transição energética do
O Brasil apresenta particularidades nes-
segmento até 2060. Segundo ele, ainda
se processo. Além da experiência acumula-
não existe uma rota tecnológica domi-
da com etanol e biodiesel, o país dispõe de
nante capaz de promover uma substitui-
uma indústria automotiva estabelecida, ca-
ção estrutural do diesel neste horizonte.
pacidade de engenharia e diferentes fon-
A transformação, segundo ele, deverá
tes de energia que podem contribuir para
ocorrer em etapas. A primeira está rela-
a descarbonização dos transportes.
cionada à redução das emissões dos veíCombustíveis & Conveniência 57
MEIO AMBIENTE
culos por meio de tecnologias já disponí-
Por apresentar características próximas
veis ou em desenvolvimento, incluindo o
às do diesel fóssil, o HVO pode ser utiliza-
uso de biocombustíveis como biodiesel e
do em motores compatíveis, puro ou em
diesel verde. A segunda envolve a ado-
mistura, conforme as especificações téc-
ção de soluções que buscam eliminar as
nicas e as autorizações aplicáveis. Sua ex-
emissões diretas de gases de efeito estufa
pansão, entretanto, depende de fatores
durante a operação, como determinadas
como capacidade de produção, custos e
aplicações de eletrificação e hidrogênio,
disponibilidade do produto.
ainda em desenvolvimento.
Para os postos revendedores, a evolu-
Essa distinção é relevante para o
ção dessas tecnologias poderá representar
mercado de combustíveis porque indi-
mudanças na oferta de combustíveis, espe-
ca que a descarbonização não depen-
cialmente em estabelecimentos voltados ao
de exclusivamente da substituição dos
atendimento de caminhões e frotas comer-
motores a combustão. Parte dos ga-
ciais. A velocidade dessa transformação de-
nhos ambientais poderá ocorrer com
penderá, entre outros fatores, da escala de
mudanças na composição e na origem
produção, da regulamentação e da compe-
dos combustíveis utilizados pelas frotas
titividade econômica das alternativas.
existentes e futuras. O biodiesel é considerado uma das alternativas disponíveis para reduzir a par-
AGRONEGÓCIO AMPLIA POSSIBILIDADES PARA NOVOS COMBUSTÍVEIS
ticipação de combustíveis fósseis na ma-
O setor agrícola também deverá desem-
triz de transportes, embora o aumento de
penhar um papel relevante na diversifica-
teor na mistura tenda a trazer problemas
ção energética dos transportes. Além de
tanto para a rede de abastecimento quan-
consumir combustíveis em grande escala,
to para os veículos. Uma tecnologia em
o agronegócio participa da produção de
discussão, para evitar tais questões, é o
matérias-primas e fontes renováveis que
HVO, combustível renovável produzido a
podem abastecer veículos e máquinas.
partir de matérias-primas como óleos ve-
Jeferson
Lima,
da
AGCO
Power
getais e gorduras, por meio de processos
Engineering, apresentou durante o SIMEA
industriais distintos dos utilizados na fa-
aplicações de novas tecnologias no de-
bricação do biodiesel convencional.
senvolvimento de máquinas agrícolas e
58 Combustíveis & Conveniência
destacou a possibilidade de utilização de
A ampliação do uso de biometano em
diferentes fontes energéticas, conforme
caminhões e outros veículos também po-
as características de cada operação.
derá criar oportunidades para o desen-
Entre as alternativas discutidas estão
volvimento de infraestrutura de abaste-
biodiesel, HVO, etanol e biometano, além
cimento, embora sua expansão dependa
de sistemas elétricos e híbridos.
da disponibilidade do produto, da distri-
A escolha da tecnologia depende de fa-
buição e da evolução da frota compatível.
tores como potência necessária, duração das operações, autonomia, custo e dis-
RENOVAÇÃO DA FROTA
ponibilidade de infraestrutura. Máquinas
É DESAFIO PARA REDUZIR EMISSÕES
utilizadas em atividades agrícolas contí-
Além do desenvolvimento de novos
nuas, por exemplo, apresentam necessi-
combustíveis, a idade da frota brasileira
dades distintas das de veículos que ope-
representa um obstáculo para a redução
ram em percursos previsíveis ou próximos
das emissões do transporte rodoviário.
a pontos de abastecimento e recarga.
Gilberto Martins, diretor de Assun-
O biometano aparece nesse cenário como
tos Regulatórios da Associação Nacio-
uma alternativa para a substituição parcial do
nal dos Fabricantes de Veículos Auto-
diesel em motores compatíveis com o gás na-
motores (Anfavea), destacou durante
tural veicular (GNV). Produzido a partir da pu-
o evento que mais de 60% dos cami-
rificação do biogás, que pode ser obtido de
nhões em circulação no Brasil têm mais
resíduos agropecuários, industriais e urbanos,
de 11 anos.
o combustível apresenta características que
A elevada idade média dificulta a incor-
permitem sua utilização em veículos desen-
poração de tecnologias mais eficientes,
volvidos ou adaptados para esse fim, observa-
tanto em relação ao consumo de com-
das as exigências técnicas e regulatórias.
bustível quanto ao controle de poluentes.
No agronegócio, a possibilidade de
A renovação da frota, portanto, foi
produzir energia a partir de resíduos das
apontada como uma das medidas ne-
próprias atividades abre espaço para no-
cessárias para acelerar a moderniza-
vos modelos de abastecimento, incluindo
ção do transporte. Motores mais re-
operações de frotas que utilizam combus-
centes incorporam avanços nos sis-
tível produzido regionalmente.
temas de combustão, gerenciamento Combustíveis & Conveniência 59
MEIO AMBIENTE
Divulgação AEA
Marcus Vinicius Aguiar, presidente da AEA, durante a abertura do evento
eletrônico e controle de emissões, que
ELETRIFICAÇÃO E HIDROGÊNIO AVANÇAM
podem proporcionar ganhos ambien-
A eletrificação e o hidrogênio também
tais mesmo quando utilizam combus-
integram as perspectivas de transforma-
tíveis convencionais.
ção da mobilidade, embora sua adoção
O executivo também mencionou a disponibilidade de energia, os investi-
dependa das características dos veículos e das condições de operação.
mentos em infraestrutura e a adequa-
No transporte pesado, a eletrificação en-
ção operacional como fatores deter-
frenta desafios relacionados ao peso e à
minantes para a adoção de tecnolo-
capacidade das baterias, à autonomia, ao
gias alternativas.
tempo de recarga e à infraestrutura neces-
Para o setor de combustíveis, a renova-
sária para atender veículos de grande porte.
ção da frota é um elemento relevante, já
Em operações urbanas ou de rotas pre-
que influencia a demanda por produtos
visíveis, essas limitações podem ser me-
de diferentes especificações e a capacida-
nores, favorecendo o uso de veículos elé-
de de utilização de novas formulações.
tricos em determinadas atividades. Já no
60 Combustíveis & Conveniência
transporte rodoviário de longas distân-
ra avaliar investimentos e identificar opor-
cias, os requisitos de autonomia e dis-
tunidades de diversificação.
ponibilidade de infraestrutura tornam a transição mais complexa.
No segmento de veículos pesados, a demanda por diesel deverá continuar re-
O hidrogênio, por sua vez, aparece entre
levante, ao mesmo tempo em que o de-
as alternativas tecnológicas em desenvolvi-
senvolvimento de biocombustíveis e ou-
mento, especialmente para aplicações nas
tras alternativas poderão modificar gra-
quais o uso de baterias apresenta limitações
dualmente o perfil do abastecimento. A
operacionais. Entretanto, sua utilização em
expansão de veículos elétricos e movidos
escala ainda depende de avanços na produ-
a combustíveis gasosos, por sua vez, po-
ção, no armazenamento, na distribuição e
derá exigir adaptações na infraestrutura
na competitividade econômica.
de atendimento.
As discussões do SIMEA indicaram que
O ritmo dessas transformações depen-
essas tecnologias deverão coexistir com
derá não apenas da evolução tecnológi-
os combustíveis líquidos durante a tran-
ca, mas também de fatores como preço
sição energética, em ritmos distintos con-
dos veículos, custo da energia, disponibi-
forme o segmento de transporte.
lidade de combustíveis, regulamentação e políticas de incentivo.
DIVERSIFICAÇÃO ENERGÉTICA
Durante o SIMEA, Daniel Randon de-
TRAZ DESAFIOS PARA A REVENDA
fendeu que o Brasil deve aproveitar a ex-
A coexistência de diferentes combustí-
periência acumulada com biocombustíveis
veis e tecnologias indica que a transfor-
para ampliar sua participação no desenvol-
mação do mercado automotivo não deve-
vimento de tecnologias de mobilidade.
rá ocorrer de maneira uniforme. Enquan-
“Esse é o momento de o país deixar de
to algumas aplicações poderão avançar
seguir a próxima geração da mobilidade
mais rapidamente na eletrificação, outras
mundial e passar a liderá-la”, afirmou.
continuarão dependendo de combustíveis
Para o executivo, o avanço depende
líquidos ou gasosos, com crescente parti-
de investimentos permanentes em enge-
cipação de alternativas renováveis.
nharia e inovação, além de políticas in-
Para os postos revendedores, acompanhar essas mudanças será importante pa-
dustriais que assegurem previsibilidade para o setor. n Combustíveis & Conveniência 61
CONVENIÊNCIA CONVENIÊNCIA
Divulgação
Feira de negócios atraiu mais de 25 mil visitantes de 74 países e reuniu 1.090 expositores
Brasileiros buscam novidades na NACS Show Food Service como centro da operação das lojas, equipamentos com controle térmico inteligente, bebidas personalizadas e IA utilizada na prevenção de perdas e no uso de etiquetas digitais estiveram entre os destaques POR ISABELA PALMEIRA
E
xecutivos e empresários brasileiros
da ExpoPostos, citou as soluções para in-
do setor de combustíveis participa-
tegrar a pista de abastecimento às lojas de
ram da NACS Show 2026, entre 6
conveniência e equipamentos capazes de
e 9 de outubro, em Las Vegas, nos Estados
ampliar a oferta de serviços nos postos en-
Unidos, em busca de tendências, soluções
tre as inovações com potencial de chegar
inovadoras e também para identificar opor-
ao mercado brasileiro.
tunidades para o mercado brasileiro.
“Podemos esperar um avanço de solu-
Giselle Valdevez, parceira de relaciona-
ções focadas na conversão de clientes da
mento da NACS para o Brasil e curadora
pista para a loja, como comunicação di-
62 Combustíveis & Conveniência
gital externa, iluminação estratégica e o
observou que as mudanças nos hábitos de
uso de aplicativos de fidelidade que incen-
consumo exigem atenção ao perfil dos clien-
tivam o consumo na loja no momento do
tes e ajustes na oferta de produtos. Para ele,
abastecimento. No food service, equipa-
é fundamental não apenas adequar o mix à
mentos cada vez mais modernos, como
demanda, mas também garantir a disponibi-
novos fornos com controle térmico inte-
lidade dos produtos nas gôndolas, evitando a
ligente, devem ganhar destaque ao acele-
perda de vendas e ampliando as oportunida-
rar o preparo de alimentos com padrão de
des de fidelização.
qualidade. Na área externa, soluções au-
Ele também ressaltou a importância da
tomatizadas de lavagem de veículos tam-
alimentação como diferencial competitivo
bém prometem chamar a atenção do mer-
das lojas de conveniência.
cado brasileiro”, apontou Giselle.
“Na NACS, o food service ganha desta-
No segmento de food service, a feira apre-
que como uma estratégia para impulsio-
sentou novidades em alimentação pronta pa-
nar as vendas, aumentar a frequência de
ra o consumo e bebidas personalizadas, como
clientes nas lojas e fortalecer a diferencia-
as chamadas dirty sodas, refrigerantes prepa-
ção no mercado”, afirmou.
rados com xaropes, cremes e outros ingredien-
Para Giselle, o aprimoramento do food
tes. Para Giselle, a alimentação vem se conso-
service é um caminho decisivo para o setor
lidando como um dos principais motores de
no Brasil, onde a operação de alimentação
rentabilidade das lojas de conveniência.
preparada nas lojas ainda é vista por mui-
“Há muito tempo deixou-se de tratar
tos com receio, devido à sua complexidade.
a alimentação como serviço complemen-
“A NACS Show mostrou que, quando
tar para posicioná-la no centro da opera-
apoiada por processos eficientes de reta-
ção, hoje com forte foco em opções fun-
guarda e tecnologia de gestão e automa-
cionais, proteicas e soluções práticas para
ção, a alimentação pronta se torna um ati-
consumo imediato”, explicou Giselle, que
vo valioso para proteger as margens e dife-
vê oportunidades para o mercado brasilei-
renciar o posto/loja no mercado”, avaliou.
ro na adequação do mix de produtos, associadas ao uso estratégico de dados.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Integrante da comitiva da Abieps, James
No contexto da gestão, a inteligência arti-
Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis,
ficial, segundo Giselle, está deixando de ser Combustíveis & Conveniência 63
CONVENIÊNCIA
uma possibilidade futura para ganhar aplica-
Os produtos e serviços foram distribuí-
ções práticas do negócio, como na prevenção
dos em cinco categorias: conveniência, tec-
de perdas e no uso de etiquetas digitais as-
nologia, operações e infraestrutura, equi-
sociadas à precificação dinâmica. Entre as so-
pamentos e serviços para abastecimento e
luções destacadas por ela estão sistemas de
food service. Uma sala de lançamentos reu-
gestão de estoques que relacionam dados so-
niu 342 produtos, e um pavilhão dedicado
bre fluxo de clientes, condições climáticas e
à tecnologia apresentou soluções digitais
sazonalidade ao controle de validade e des-
voltadas ao relacionamento com os clien-
perdício de produtos. Ela observa que o custo
tes, à proteção dos negócios e à ampliação
dessas tecnologias ainda é um obstáculo pa-
das vendas. Entre as novidades estavam sis-
ra o empresário brasileiro, mas a tendência é
temas de automação do abastecimento e
que se tornem mais acessíveis a médio prazo.
de integração dos pagamentos.
“A aplicação de IA em programas de fi-
Com participação de 11.438 pessoas, a
delização e mídias sociais permite substituir
programação de palestras somou 56 ses-
ações genéricas por ofertas hiperpersonali-
sões educacionais, que abordaram temas
zadas, aumentando a conversão”, disse.
como tecnologia, serviços de alimentação
Para Thorp, o aproveitamento da Inte-
e gestão de categorias. Em palestra sobre
ligência Artificial nas operações depende
Inteligência Artificial, Rick Rigby, diretor de
também da preparação das equipes, espe-
tecnologia da Atlantis Management, apon-
cialmente da capacidade de formular per-
tou três cuidados fundamentais para as em-
guntas e comandos adequados às ferra-
presas interessadas em adotar esses recur-
mentas para obter respostas que atendam
sos: garantir a integridade dos dados, ava-
às necessidades da empresa.
liar os preços das ferramentas e realizar projetos-piloto antes de ampliar sua aplicação.
NACS REPETE SUCESSO
Os custos, alertou, vão além da aquisição,
Com o segundo maior público de sua
incluindo despesas de implementação, pre-
história, a NACS Show 2026 atraiu mais de
paração dos dados e operação. Rigby tam-
25 mil visitantes de 74 países. A feira de ne-
bém destacou a importância da supervisão
gócios reuniu 1.090 expositores, dos quais
humana, defendendo o uso da IA para am-
173 participaram pela primeira vez, distri-
pliar a capacidade de trabalho dos profis-
buídos em, aproximadamente, 442 mil m2.
sionais, e não simplesmente substituí-los. n
64 Combustíveis & Conveniência
Pela primeira vez, a Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviço para Abastecimento Veicular e Conveniência (Abieps) organizou uma comitiva para levar os executivos do setor à NACS. “Esta primeira comitiva é o começo de um intercâmbio permanente. Nossa intenção é transAbieps levou pela primeira formar o que vimos em conhecimento comparvez ao evento comitiva com empresários do setor tilhado com toda a cadeia, da indústria de equipamentos à revenda, inclusive nos debates da ExpoPostos & Conveniência”, disse Cristian Bazaga, diretor-presidente da Abieps. Bazaga destacou que nos Estados Unidos, cada vez mais motoristas escolhem onde abastecer, recarregar ou tomar um café pelo celular, pelo sistema de navegação ou por um assistente de Inteligência Artificial Segundo ele, um posto que não publica preços, serviços e produtos de forma digital corre o risco de não ser recomendado. A conveniência sempre competiu por localização; e também compete por visibilidade digital. Apesar de os mercados nacional e norte-americano serem muito distintos, Bazaga enfatizou as similaridades, como rotatividade de equipes, treinamento, ruptura de produtos e fidelização. “Os melhores casos apresentados não dependiam de grandes investimentos, e sim de execução disciplinada no dia a dia. A tecnologia ajuda, mas quem transforma a operação são as pessoas”, comentou. Como aprendizado, Bazaga destacou a força do associativismo. “A NACS atua de forma firme em temas como custos de meios de pagamento e concorrência desleal, e é uma referência para o trabalho que a ABIEPS, a Fecombustíveis e as demais entidades do setor fazem no Brasil em defesa de um mercado mais seguro, justo e competitivo.”
Divulgação Abieps
Comitiva da Abieps
Visita técnica Além da programação da NACS Show, a comitiva da Abieps visitou as redes Terrible’s, Maverik, Green Valley Grocery e Circle K para conhecer como diferentes empresas organizam suas lojas, apresentam os produtos, desenvolvem sua identidade visual e integram o abastecimento aos serviços de conveniência. “É uma oportunidade de entender como as estratégias são aplicadas no dia a dia, trocar conhecimentos e trazer novas referências para o Brasil. Acreditamos que essa combinação entre conteúdo, relacionamento e vivência prática torna a experiência da comitiva ainda mais enriquecedora”, afirmou Renata Sahd, gerente de produtos da ExpoPostos & Conveniência, em declaração publicada no site da instituição. Segundo Renata, as redes procuram construir uma identidade própria e transformar os postos em espaços de serviços e conveniência, para além do abastecimento. Ao avaliar como essas experiências podem contribuir para o mercado brasileiro, afirmou: “não se trata simplesmente de reproduzir um modelo americano, mas de identificar oportunidades para aprimorar a operação, melhorar a experiência do cliente e aumentar a eficiência e a competitividade dos negócios no Brasil.
Combustíveis & Conveniência 65
TABELAS em R$/L
Período
São Paulo
Goiás
Período
São Paulo
Goiás
28/09/2026 - 02/10/2026
3,058
2,713
28/09/2026 - 02/10/2026
2,564
2,491
05/10/2026 - 09/10/2026
3,053
2,701
05/10/2026 - 09/10/2026
2,637
2,506
12/10/2026 - 16/10/2026
3,082
2,740
12/10/2026 - 16/10/2026
2,689
2,526
19/10/2026 - 23/10/2026
3,395
2,936
19/10/2026 - 23/10/2026
2,740
2,601
26/10/2026 - 30/10/2026
3,400
3,076
26/10/2026 - 30/10/2026
2,814
2,665
outubro de 2025
3,135
2,935
outubro de 2025
2,746
2,664
outubro de 2026
3,323
2,863
outubro de 2026
2,720
2,574
Variação 28/09/2026 30/10/2026
11,2%
13,4%
Variação 28/09/2026 30/10/2026
9,7%
7,0%
Variação outubro de 2026 x outubro de 2025
6,0%
-2,5%
Variação outubro de 2026 x outubro de 2025
-0,9%
-3,4%
EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL ANIDRO (em R$/L)
Fonte: CEPEA/Esalq Nota 1: Sem Pis/Cofins produtor (R$ 0,1309) Nota 2: Preço para vendas interestaduais.
66 Combustíveis & Conveniência
HIDRATADO
ANIDRO
EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL (Centro-Sul)
EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL HIDRATADO (em R$/L)
FORMAÇÃO DE PREÇOS
Diesel S500
Gasolina
Convênio ICMS 112/2025 (Gasolina) e 113/2025 (Diesel) - Referência 01/11/2026
UF
68% Gasolina A
AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
2,1349 2,3205 2,1349 2,1349 2,3205 2,3205 2,1622 2,0931 2,1622 2,3205 2,0931 2,1622 2,1622 2,1349 2,3205 2,3205 2,3205 2,0931 2,0931 2,3205 2,1349 2,1349 2,0673 2,0673 2,3205 2,0931 2,1622
UF
85% Diesel A S500
AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
32% Etanol Anidro (1)
32% PIS/ COFINS Anidro (3)
1,0947 0,0615 1,0723 0,0615 1,0979 0,0615 1,1075 0,0615 1,0787 0,0615 1,0915 0,0615 0,9939 0,0615 1,1104 0,0615 0,9907 0,0615 1,0851 0,0615 1,1040 0,0615 1,0099 0,0615 1,0163 0,0615 1,0883 0,0615 1,0675 0,0615 1,0675 0,0615 1,0739 0,0615 1,1040 0,0615 1,1040 0,0615 1,0723 0,0615 1,0947 0,0615 1,0979 0,0615 1,1260 0,0615 1,1136 0,0615 1,0723 0,0615 1,0944 0,0615 1,0067 0,0615 CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)
15% Biocombustível (1)
85% CIDE (2)
6,2493 0,8182 0,0000 3,4703 0,8670 0,0000 6,2493 0,8182 0,0000 6,2493 0,8182 0,0000 3,4703 0,8670 0,0000 3,4703 0,8670 0,0000 3,1632 0,7919 0,0000 3,0902 0,8062 0,0000 3,1632 0,7904 0,0000 3,4703 0,8670 0,0000 3,0902 0,8062 0,0000 3,1632 0,7904 0,0000 3,1632 0,7919 0,0000 6,2493 0,8182 0,0000 3,4703 0,8670 0,0000 3,4703 0,8670 0,0000 3,4703 0,8670 0,0000 3,0493 0,7885 0,0000 3,0902 0,8107 0,0000 3,4703 0,8670 0,0000 6,2493 0,8182 0,0000 6,2493 0,8182 0,0000 3,0493 0,7885 0,0000 3,0493 0,7900 0,0000 3,4703 0,8670 0,0000 3,0902 0,8032 0,0000 6,2493 0,8077 0,0000 CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)
68% CIDE (2)
68% PIS/COFINS
0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000
0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000
15% PIS/ COFINS Biodiesel (6)
85% PIS/ COFINS Diesel (3)
0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222
(3)
Carga ICMS
Ad rem (4) 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 4,864
Carga ICMS
Ad rem (4) 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 5,799
Custo da Distribuição 4,861 5,024 4,864 4,874 5,031 5,044 4,788 4,835 4,784 5,037 4,829 4,804 4,810 4,855 5,020 5,020 5,026 4,829 4,829 5,024 4,861 4,864 4,825 4,812 5,024 4,819 4,800
Custo da distribuição 8,536 5,828 8,558 8,558 5,828 5,828 5,446 5,387 5,445 5,828 5,387 5,445 5,446 8,558 5,828 5,828 5,828 5,329 5,392 5,828 8,558 8,558 5,329 5,330 5,828 5,384 8,548
Combustíveis & Conveniência 67
TABELAS em R$/L
Diesel S10
FORMAÇÃO DE PREÇOS UF
85% Diesel A S10
15% Biocombustível (1)
85% CIDE (2)
15% PIS/ COFINS Biodiesel (6)
85% PIS/ COFINS Diesel (3)
Ad rem (4)
AC
3,0667
0,8182
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,354
AL
3,4174
0,8670
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,775
AM
3,0667
0,8182
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,376
AP
3,0667
0,8182
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,376
BA
3,4174
0,8670
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,775
CE
3,4174
0,8670
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,775
DF
3,2183
0,7919
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,501
ES
3,1472
0,8062
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,444
GO
3,2183
0,7904
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,500
Carga ICMS
Custo da distribuição
MA
3,4174
0,8670
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,775
MG
3,1472
0,8062
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,444
MS
3,2183
0,7904
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,500
MT
3,2183
0,7919
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,501
PA
3,0667
0,8182
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,376
PB
3,4174
0,8670
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,775
PE
3,4174
0,8670
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,775
PI
3,4174
0,8670
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,775
PR
3,1008
0,7885
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,380
RJ
3,1472
0,8107
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,449
RN
3,4174
0,8670
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,775
RO
3,0667
0,8182
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,376
RR
3,0667
0,8182
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,376
RS
3,1008
0,7885
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,380
SC
3,1008
0,7900
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,382
SE
3,4174
0,8670
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,775
SP
3,1472
0,8032
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,441
TO
3,2183
0,8077
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,517
CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)
5,497
Nota (1): Corresponde ao preço da usina/produtor sem acréscimo do PIS/COFINS, incluso frete Nota (2): Decreto 8395, de 28/01/2015 para Gasolina e Decreto 9391 / 2018 para Diesel Alíquota reduzida a zero DESDE 2018 - (Gasolina: Reduzido a ZERO até 09/11/26 - Decreto 13.134) Nota (3): Decreto 9101, de 20/07/2017 para Gasolina, Lei Complementar 214/2025 p/ Anidro e Lei 10.865 / 2004 para Diesel (Gasolina: Reduzido a ZERO até 09/11/26 - Decreto 13.134) Nota (4): Base de cálculo do ICMS = Ad rem (Gasolina - Convênio ICMS 127 / 2024 e Diesel - Convênio ICMS 126 / 2024) Nota (5): Média ponderada considerando o volume comercializado no ano de 2024 Nota (6): Lei 11.116 / 2005 Não inclui frete de entrega e CBIOs Obs: ICMS Base -Convênio ICMS 112/2025 (Gasolina) e Convênio ICMS 113/2025 (Diesel) Referência dos preços Produtores/Importadores = Preços médios ponderados semanais praticados por Produtores e Importadores de derivados de petróleo - ANP Esta planilha é elaborada com os dados públicos e oficiais previamente divulgados ao mercado pela Petrobras, Governo Federal e Governos Estaduais e pelo CEPEA/ESALQ. Utilizamos as tabelas públicas fornecidas pela Petrobras (Refinarias), a composição de tributos divulgada pelo Governo Federal e pelo CONFAZ (Ato Cotepe), além dos custos dos biocombustíveis (Fonte: Biodiesel = ANP e Etanol Anidro = Cepea/Esalq). A Fecombustíveis se isenta de quaisquer erros nos dados fornecidos pelas fontes acima citadas e ressalta que esta planilha se destina exclusivamente a colaborar com a transparência do mercado e com a efetivação da competitividade do setor.
68 Combustíveis & Conveniência
DIESEL
GASOLINA
AJUSTES NOS PREÇOS DA PETROBRAS
Fonte: Petrobras Preços Maio/2026 referência 29/05/2026 ==> Preços contemplam os seguintes “Descontos” relativos à Medida Provisória 1358: = Gasolina A = desconto R$ 0,44/lt + aumento tabela R$ 0,48/lt = aumento real R$ 0,04/lt) // = Diesel A = R$ 0,3515/lt (desconto equivalente à reoneração do PIS/COFINS mesmo valor) Nota: As tabelas e informações sobre a composição de preços estão disponíveis no site da empresa, seção Nossas Atividades/ Preços de Vendas de Combustíveis (https://petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/precos-de-venda-de-combustiveis/)
Combustíveis & Conveniência 69
TABELAS PREÇOS DE REVENDA E DISTRIBUIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS Período: 01/01/2021 à 18/10/2026 - (Preço Médio Brasil)
Gasolina comum:
Óleo Diesel S10:
Etanol Hidratado comum:
Obs: 1 - A partir de 17/08/2020 os dados de distribuição de etanol hidratado NÃO contemplam a parcela de ICMS/Substituição 2 - Desde a semana iniciada em 23/08/2020 os preços de distribuição são informados pelas distribuidoras à ANP através do SIMP Fonte: ANP – Painel Dinâmico de Preços de Combustíveis e Derivados do Petróleo, em 03/11/2026
70 Combustíveis & Conveniência
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