ÍNDICE
24 REPORTAGEM DE CAPA
32%: aumento do etanol anidro na gasolina causa divergências ENTREVISTA
n MERCADO
Fátima Bento, Coordenadora do LABBIO/UFRGS
20 • Nova resolução sugere controle de
n CONVENIÊNCIA
34 • Novas gerações transformam mercado de conveniência
n OPINIÃO
13 • James Thorp Neto
TABELAS
08
margens e traz insegurança ao setor
40 • Evolução dos Preços do Etanol 41 • Formação de Preços 42 • Formação de Custos do S10 43 • Ajustes nos preços da Petrobras 44 • Preços de Revenda e Distribuição Combustíveis & Conveniência 3
CARTA AO LEITOR
A polêmica dos testes para o E32 A Fecombustíveis representa nacionalmente 23 sindicatos, defendendo os interesses legítimos de mais de 45 mil postos de serviços, 687 TRRs e cerca de 58 mil revendedores de GLP, além da revenda de lubrificantes. Nossa missão é acompanhar o mercado de revenda de combustíveis, com a meta de fomentar o desenvolvimento econômico e social do setor, contribuindo assim para melhorar a qualidade de vida da nação. Presidente: James Thorp Neto 1º Vice-Presidente: Márcio Martins de Castro Andrade 2º Vice-Presidente: Alfredo Pinheiro Ramos 3º Vice-Presidente: Júlio César Zimmermann 4º Vice-Presidente: Arildo Persegono Filho 5º Vice-Presidente: Emílio Roberto Chierighini Martins 6º Vice-Presidente: Mário César Neves 1º Secretário: Mário Luiz Pinheiro Melo 2º Secretário: José Carlos da Silva 3º Secretário: Maxwel Nunes Paula 1º Tesoureiro: Antônio Cardoso Sales 2º Tesoureiro: Wilber Silvano de Souza Filho 3º Tesoureiro: Maxwell Flor de Oliveira Conselheiro Fiscal Efetivo: Adriano Costa Nogueira Conselheiro Fiscal Efetivo: Manuel Fonseca da Costa Conselheiro Fiscal Efetivo: José de Faro Rollemberg Nascimento Diretoria: Adriano Luiz de Castro Silva, Alexandre Aurélio Pereira Félix, Aline de Souza Andrade Soares, Antônio Barbosa Ferreira,Eduardo Augusto de Viveiros Pinheiro Borges,Delano Lima e Silva, Elson Justiniano Alves, Eraldo de Souza Teles Filho, Francielli Locatelli, Jarlan Marques Cavalcante, Magnolia Gomes Rolim,Marcelo Ambar Naya,Marcelo Batistela,Murilo de Paula Melquiades Oliveira,Rafael Alexandre de Figueiredo Gomes e Regina Amélia Fonseca Lins Lima. Conselho Editorial: Marciano Francisco Franco, José Alberto Miranda Cravo Roxo, Mario Melo e Ricardo Hashimoto Edição: Mônica Serrano (monicaserrano@fecombustiveis.org.br) Redação: Rosemeire Guidoni (roseguidoni@uol.com.br) e Isabela Palmeira. Capa: Alexandre Bersot, com agem da iStock Publicidade: Fernando Polastro comercial.revista@fecombustiveis.org.br Telefone: (11) 5081-6681 | 99525-6665 Programação visual: Girasoli Fecombustíveis Av. Rio Branco 103/13° andar - Centro-RJ Cep.: 20.040-004 Telefone: (21) 2221-6695 Site: https://www.fecombustiveis.org.br/edicoes-revista E-mail: revista@fecombustiveis.org.br
4 Combustíveis & Conveniência
Uma das principais notícias de julho e início de agosto no setor de combustíveis foi a elevação da mistura do etanol anidro à gasolina para 32%. A medida tem caráter provisório, por 180 dias, podendo ser prorrogável. De um lado, o governo afirma que não há necessidade de nova bateria de testes de viabilidade técnica, pois os 32% foram testados com margem de tolerância, quando o Instituto Mauá de Tecnologia conduziu os testes para o E30% no ano passado. No entanto, especialistas alertam que há risco de desgastes nos componentes, principalmente de carros antigos, veículos importados, motocicletas e determinados tipos de embarcações, que são movidos exclusivamente a gasolina. Parte do setor de combustíveis também se pronunciou com receio dos efeitos sobre o aumento pela ausência de testes específicos com 32%, que teriam que ser considerados em ensaios de até 34%. Confira toda polêmica desta discussão e os prós e contras à medida na Reportagem de Capa desta edição. Também trazemos como destaque da seção Mercado a avaliação das novas resoluções ANP 1004/2026 e a 1005/2026, sobre a caracterização da elevação abusiva dos preços de combustíveis, que definiram as regras para distribuição e revenda de combustíveis e de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), respectivamente. A resolução é vista como interferência na margem da revenda, o que conflita com as regras da liberdade de preços no setor de combustíveis. Veja a ampla análise jurídica sobre os diversos aspectos do ponto de vista da revenda e a visão da Brasilcom, que representa as distribuidoras regionais do país. A seção Conveniência mostra as mudanças no comportamento de consumo das gerações Z e Y. O revendedor que está atento busca se adaptar à conveniência e ampliar as novas opções do espaço para atender ao perfil desse consumidor que quer resolver tudo num só local, mas exige qualidade, diversificação de produtos e serviços e tecnologia. O destaque da Entrevista do mês é a análise técnica sobre a elevação do biodiesel no diesel pela professora Fátima Bento, coordenadora do Laboratório de Biodeterioração de Combustíveis da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (LABBIO/UFRGS) e pesquisadora da Rede Brasileira de Tecnologia e Inovação do Biodiesel (RBTIB). Há mais de duas décadas, ela estuda a estabilidade do biodiesel durante o armazenamento, a formação de sedimentos e os efeitos da contaminação microbiológica em combustíveis, além de coordenar pesquisas sobre diesel verde (HVO) e combustível sustentável de aviação (SAF). Vale a pena conferir! Boa leitura! Mônica Serrano Editora
SINDICATOS
ACRE Sindepac Delano Lima e Silva Rua Pernambuco nº 599 - Sala 4 Bairro: Bosque Rio Branco-AC Fone: (68) 3226-1500 sindepac@hotmail.com www.sindepac.com.br
MARANHÃO Sindicombustíveis - MA Luciana Nobre Av. dos Holandeses - Ed. Tech Office - sala 226 - 2o andar Ponta D’Areia - São Luís-MA Fone: (98) 98740-1700 / 98453-7975 gerencia@sindcombustiveis-ma. com.br
ALAGOAS Sindicombustíveis - AL James Thorp Neto Av. Jucá Sampaio, 2247, Barro Duro Salas 93/94 Shopping Miramar Maceió-AL Fone: (82) 3320-2902/1761 scvdpea@uol.com.br www.sindicombustiveis-al.com.br
MATO GROSSO DO SUL Sinpetro Mário César Neves Rua Bariri, 133 Campo Grande-MS Fone: (67) 3325-9988 / 9989 sinpetro@sinpetro.com.br www.sinpetro.com.br
AMAZONAS Sindicombustíveis - AM Eraldo de Souza Teles Filho Rua Rio Içá, 26 - quadra 35 Conj. Vieiralves Manaus-AM Fone: (92) 35843707/3728/99446-2261 sindicombustiveisam@gmail.com CEARÁ Sindipostos - CE Manuel Novais Neto Av. Engenheiro Santana Junior, 3000/sala 605 Parque do Cocó - Fortaleza/CE Fone: (85) 3244.1147 ESPÍRITO SANTO Sindipostos - ES Maxwel Nunes Paula Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 955 / 21º - salas 2101 e 2102 Ed. Global Tower - Enseada do Suá Vitória - ES Fone: (27) 3322-0104 sindipostos@sindipostos-es. com.br www.sindipostos-es.com.br GOIÁS Sindiposto Marcio Martins de Castro Andrade 12ª Avenida, 302 Setor Leste Universitário Goiânia-GO Fone: (62) 3218-1100 sindiposto@sindiposto.com.br www.sindiposto.com.br
PARÁ Sindicombustíveis - PA José Carlos da Silva Av. Duque de Caxias, 1337 Bairro Marco Perímetro: Trav. Mariz e Barros/Trav. Timbó Belém-PA Fone: (91) 3224-5742/ 3241-4473 secretaria@sindicombustiveis-pa. com.br www.sindicombustiveis-pa.combr PARAÍBA Sindipetro - PB Omar Aristides Hamad Filho Av. Minas Gerais, 104 Bairro dos Estados João Pessoa-PB Fone: (83) 3221-0762 contato@sindipetropb.com.br www.sindipetropb.com.br PERNAMBUCO Sindicombustíveis - PE Alfredo Pinheiro Ramos Rua Desembargador Adolfo Ciriaco,15 Prado Recife-PE Fone: (81) 3227-1035 recepcao@sindicombustiveis-pe. org.br www.sindicombustiveis-pe.org.br PIAUÍ Sindipostos - PI Guilherme Araújo Parente Av. Tancredo Neves 8570, Lourival Parente Teresina-PI Fone: (86) 3227-4996 sindipostospi@gmail.com
RIO DE JANEIRO RJ Postos Marcelo Ambar Aya Av. Presidente Franklin Roosevelt, 296 São Francisco Niterói–RJ Fone: (21) 2704-9400 sindestado@sindestado.com.br www.sindestado.com.br
SÃO PAULO – CAMPINAS Recap Emílio Roberto Chierighini Martins Rua José Augusto César, 233 Jardim Chapadão Campinas-SP Fone: (19) 3284-2450 recap@financeiro.com.br www.recap.com.br
RIO DE JANEIRO - MUNICÍPIO Sindcomb Manuel Fonseca da Costa Rua Alfredo Pinto, 76 - Tijuca Rio de Janeiro-RJ Fone: (21) 3544-6444 secretaria@sindcomb.org.br www.sindcomb.org.br
SERGIPE Sindpese Jose de Faro Rollemberg Nascimento Rua Dep. Euclides Paes Mendonça, 871 Bairro Salgado Filho Aracaju-SE Fone: (79) 3214-4708 secretaria@sindpese.com.br www.sindpese.com.br
RIO GRANDE DO NORTE Sindipostos - RN Maxwell Flor de Oliveira Rua Monte Sinai, 1920 - Galeria Brito Sl 102 Bairro Capim Macio Natal/RN Fone/whatsapp: (84) 3217-6076 sindipostosrn@sindipostosrn. com.br www.sindipostosrn.com.br RONDÔNIA Sindipetro - RO Arildo Persegono Filho Travessa Guaporé, Ed. Rio Madeira, 3º andar, salas 307/308 Porto Velho-RO Fone: (69) 3229-6987 sindipetrorondonia@gmail.com www.sindipetro-ro.com.br RORAIMA Sindipostos - RR Av. Major Williams, 436 - sala 01- São Pedro Boa Vista-RR Fone: (95) 3623-9368/ 991322776 sindipostosrr@hotmail.com SANTA CATARINA - BLUMENAU Sinpeb Julio César Zimmermann Rua Quinze de Novembro, 550/4º andar Blumenau-SC Fone: (47) 3326-4249 sinpeb@gmail.com www.sinpeb.com.br
SINDILUB Adriano Silva Rua Trípoli, 92, conj. 82 Vila Leopoldina São Paulo-SP Fone: (11) 3644-3439/ 3645-2640 sindilub@sindilub.org.br www.sindilub.org.br TOCANTINS Sindiposto - TO Wilber Silvano de Sousa Filho Quadra 303 Sul Av. LO 09 lote 21 salas 4 e 5 Palmas-Tocantins Fone: (63) 3215-5737 sindiposto-to@sindiposto-to. com.br www.sindiposto-to.com.br TRR Álvaro Rodrigues Antunes de Faria Rua LordCockrane, 616 8º andar, salas 801/804 e 810 Ipiranga-SP Fone: (11) 2914-2441 info@sindtrr.com.br www.sindtrr.com.br Entidade associada ABRAGÁS (GLP) José Luiz Rocha Fone: (41) 98897-9797 abragas.presidente@gmail.com
Combustíveis & Conveniência 5
VIROU NOTÍCIA ANP lança aplicativo Pixabay
A ANP lançou, em 13 de julho, o aplicativo “ANP com VC – Postos”, para o consumidor conferir os resultados das ações de fiscalização de quantidade e qualidade, realizadas pela ANP, nos últimos cinco anos nos postos de combustíveis. O objetivo da Agência é trazer mais segurança ao consumidor na hora de escolher o posto. Cada posto recebe
componente do combustível não estiver
uma pontuação de 0 (nota mínima) a 5
no padrão das especificações de qualida-
(nota máxima), de acordo com o histó-
de. Isso não representa uma fraude. Nes-
rico de qualidade de combustíveis, tan-
se sentido, não há diferenciação do que se
to dos resultados da fiscalização quanto
trata de um erro técnico, não intencional,
do Programa de Monitoramento da Qua-
e do que é uma fraude. Isso pode levar o
lidade dos Combustíveis (PMQC). No entanto, o consumidor não tem conhecimento, por exemplo, de que várias não conformidades apontadas pelo PMQC ou pela fiscalização não são possíveis de serem detectadas no posto e dependem
consumidor a supor que o posto que não atingir pontuação máxima possa ter cometido alguma irregularidade intencional, o que não corresponde à realidade. O app também funciona como um ca-
de análises laboratoriais. O posto já rece-
nal de denúncias, se o consumidor des-
be o produto da distribuidora pronto para
confiar de qualquer irregularidade, seja em
ser comercializado. Há casos em que uma
relação à qualidade combustível, à quanti-
não conformidade pode ter sido originada
dade de produto que saiu da bomba ou ao
em elos anteriores, e ocorre quando algum
preço ser supostamente abusivo.
6 Combustíveis & Conveniência
Divulgação Petrobras
Petrobras bate recorde de produção A Petrobras registrou recorde de produção de petróleo e gás no segundo trimestre, com 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia entre abril e junho, o que representa crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período de 2025. O fator de utilização (FUT) das refinarias nacionais entre abril e junho foi recorde, e atingiu uma média de 101,2% no período. Segundo o Relatório de Produção e Vendas da Petrobras, o aumento do fator de utilização das refinarias próprias levou a empresa a reduzir em 85,2% as importações de diesel no segundo trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período no ano passado. “Os resultados deste trimestre refletem, sobretudo, os ganhos consistentes de eficiência
operacional dos nossos ativos e um significativo avanço das operações das nossas unidades, alcançando novos recordes de produção”, disse Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção da Petrobras.
ANP atualiza os valores mínimos de capital social A Resolução ANP 944/2026, que entrou em vigor em 3 de agosto, atualizou os valores mínimos de capital social integralizado exigidos para o exercício de atividades reguladas. Diversos agentes foram afetados pela nova regra (confira a tabela), exceto os postos de combustíveis, que passam por avaliação da Agência. Assim, os agentes que estiverem com solicitações em andamento ou vierem a solicitar autorização, a partir da entrada em vigor da norma, deverão atender aos novos valores de capital social previstos na resolução. Já os que já têm autorização da ANP deverão promover a adequação e encaminhar à Agência a respectiva Certidão Simplificada da Junta Comercial até 1º de dezembro de 2026, com exceção de quem já apresentou documentação contendo capital social igual ou superior ao valor atualmente exigido.
Combustíveis & Conveniência 7
ENTREVISTA
FÁTIMA BENTO | COORDENADORA DO LABBIO/UFRGS
Ruy Izatugo
Misturas de combustíveis e biocombustíveis exigem rotina rígida de armazenamento 8 Combustíveis & Conveniência
POR ROSEMEIRE GUIDONI
O
governo discute a ampliação
mação de sedimentos e os efeitos da con-
da participação do biodiesel
taminação microbiológica em combustíveis,
na matriz energética brasilei-
além de coordenar pesquisas sobre diesel
ra como parte da estratégia de descarbo-
verde (HVO) e combustível sustentável de
nização do transporte. Enquanto a políti-
aviação (SAF).
ca busca reduzir as emissões de gases de
Segundo a especialista, o crescimento
efeito estufa, distribuidoras, transporta-
do lodo biológico, conhecido como borra,
doras e postos de combustíveis acompa-
tende a aumentar conforme cresce o teor
nham o debate com atenção por causa
de biodiesel nas misturas com diesel. Ela
dos impactos que o aumento da mistu-
ressalta, porém, que o diesel verde tam-
ra pode provocar no armazenamento, na
bém pode apresentar crescimento micro-
logística e no desempenho dos motores.
biano quando armazenado em condições
Há dúvidas sobre a formação de borras,
inadequadas.
contaminação microbiológica, estabilida-
No entanto, para que isso aconteça é
de do combustível e a capacidade da in-
necessário que exista água livre nos tan-
fraestrutura atual de suportar teores su-
ques de armazenamento. “Sem água,
periores ao B15.
não ocorre crescimento microbiano nem
Para esclarecer essas questões, a revista
reações que possam catalisar a degrada-
Combustíveis & Conveniência conversou
ção química (hidrólise) do biodiesel puro e
com a professora Fátima Bento, coordena-
nas misturas”, alertou Fátima, reforçando
dora do Laboratório de Biodeterioração de
que os problemas existem e estão sendo
Combustíveis da Universidade Federal do
estudados, mas as boas práticas de ma-
Rio Grande do Sul (LABBIO/UFRGS) e pes-
nuseio e armazenamento têm sido am-
quisadora da Rede Brasileira de Tecnologia
plamente divulgadas por vários setores
e Inovação do Biodiesel (RBTIB). Há mais de
como essenciais. Confira, a seguir, os de-
duas décadas, ela estuda a estabilidade do
talhes da entrevista exclusiva concedida
biodiesel durante o armazenamento, a for-
pela especialista. Combustíveis & Conveniência 9
ENTREVISTA
FÁTIMA BENTO | COORDENADORA DO LABBIO/UFRGS
Fátima Bento: O biodiesel dentro da
Ao longo desses
matriz energética brasileira recebeu mui-
estudos, verificamos
ta atenção e estudos preditivos, bem antes
que o crescimento
Programa Brasileiro de Biodiesel foi criado
de sua introdução obrigatória em 2008. O
de sedimentos
em 2002 e, desde então, diversos estudos
microbiológicos
reuniram universidades, fabricantes de mo-
aumenta conforme
segurança das misturas. Participo desse tra-
cresce o teor de biodiesel, mas
tores, montadoras e governo para avaliar a balho desde 2004 (rede RBTIB), pesquisando especificamente a estabilidade do biodiesel durante o armazenamento e a for-
também acumulamos
mação da chamada “borra”. Ao longo des-
conhecimento
to de sedimentos microbiológicos aumen-
suficiente para reduzir esses riscos por meio de boas práticas
ses estudos, verificamos que o crescimenta conforme cresce o teor de biodiesel, mas também acumulamos conhecimento suficiente para reduzir esses riscos por meio de boas práticas. Minha contribuição, dentro deste grupo, é no segmento de Estabilidade ao Armazenamento, cujo foco é avaliar a fa-
Combustíveis & Conveniência: Os
mosa “borra”, que historicamente sem-
problemas relacionados ao armazena-
pre ocorreu em óleo diesel estocado, em
mento de misturas diesel-biodiesel já
condições inapropriadas. Durante todos
são conhecidos e o mercado se preo-
estes anos, foi possível realizar estudos
cupa com a possibilidade de elevação
que permitissem, o conhecimento acerca
do teor da mistura, tema atualmente
da estabilidade ao armazenamento de-
em análise pelo governo. Qual a sua
correntes da instabilidade química do bio-
visão sobre isso? Acima do B15 os ris-
diesel e misturas Bx (diesel com diferentes
cos realmente aumentam?
percentuais de biodiesel), conhecer e pre-
10 Combustíveis & Conveniência
dizer a suscetibilidade à formação de lo-
outros compostos (aditivos), que garan-
dos microbianos (borras de origem micro-
tem a estabilidade e a manutenção de al-
biana) no biodiesel (soja, soja/sebo, ma-
gumas propriedades do combustível, bio-
caúba, pinhão-manso) puro e em diferen-
combustível e/ou de suas misturas.
tes teores do biocombustível adicionado ao combustível fóssil.
Com relação aos limites técnicos envolvendo o aumento de teor do diesel B,
Já é de domínio público a participação
posso comentar, com base na literatura
microbiana na geração de sedimentos,
internacional e em nossos estudos publi-
sendo reconhecida como um dos con-
cados (ensaios de bancada, com diferen-
taminantes potenciais, durante toda a
tes tipos de biodiesel), que o lodo bioló-
cadeia de abastecimento de óleo diesel
gico aumenta conforme o percentual de
e da mistura Bx no Brasil e no mundo.
biodiesel em misturas com óleo diesel.
Diante de vários estudos já realizados,
No entanto, para que isso aconteça é
podemos concluir (até o momento), que
necessário que exista água livre nos tan-
temos muitas informações e apoio de di-
ques de armazenamento. Sem água, não
ferentes setores para contornar possíveis
ocorre crescimento microbiano nem re-
vulnerabilidades inerentes da adoção de
ações que possam catalisar a degrada-
maiores teores de biodiesel na mistura
ção química (hidrólise) do biodiesel puro
ao diesel.
e nas misturas. Vale lembrar que, durante o armazenamento e ao longo da ca-
C&C: Em sua avaliação, existem li-
deia de distribuição, pode ocorrer a ge-
mites técnicos para o aumento da mis-
ração de resíduos (natureza biológica e/
tura sem adaptações na infraestrutu-
ou química), que sempre foi dependen-
ra de armazenamento e transporte?
te de vários fatores — aliás, a contami-
FB: Os combustíveis comercializados
nação microbiana é considerada um pro-
no mundo inteiro sofreram mudanças na
blema crônico do óleo diesel (e também
composição, tais como redução do teor
do querosene de aviação).
de enxofre (no diesel), remoção do chum-
Durante o armazenamento de com-
bo (na gasolina) e a adição dos biocom-
bustíveis, devemos considerar que é im-
bustíveis. Estas alterações foram também
possível contarmos com sistemas esté-
acompanhadas pela adição de diversos
reis (livres de qualquer microrganismo) Combustíveis & Conveniência 11
ENTREVISTA
FÁTIMA BENTO | COORDENADORA DO LABBIO/UFRGS
e evitarmos o processo natural de con-
partículas ultrapassam essa barreira,
densação da umidade do ar dentro dos
comprometem o sistema de injeção e
tanques. Nesse sentido, quando boas
o funcionamento do motor. Além dis-
práticas não são adotadas, uma fase li-
so, o aquecimento natural do combustí-
vre de água se acumula no fundo dos
vel durante o funcionamento do veícu-
tanques. Dependendo do tempo de re-
lo acelera reações químicas que favore-
sidência e da densidade microbiana que
cem a formação de novos resíduos. Na
acompanha a fase combustível, pode-se
sequência, um combustível com sólidos
esperar que microrganismos como fun-
que não foram retidos pelos filtros se-
gos e bactérias passem a se desenvolver
gue comprometendo o sistema de inje-
na região entre o combustível e a água
ção e funcionamento do motor. Ou se-
acumulada no fundo do tanque, con-
ja, a “borra” tem uma natureza com-
centrada na interface óleo-água, po-
plexa e deve ser considerado que cada
dendo estar presente na fase aquosa e
componente da mistura responderá aos
dispersa na fase combustível.
processos naturais inerentes de deterioração (degradação química/microbiana).
C&C: E qual a consequência disso para
O escurecimento do combustível, tur-
os sistemas de armazenamento e veículos
bidez e uma saturação prematura de fil-
que utilizam misturas diesel-biodiesel?
tros são indicação para a tomada de deci-
FB: O resultado da formação e presen-
são da empresa que estoca o combustível
ça do lodo biológico imediato é a satura-
(Bx), que deve adotar medidas corretivas.
ção de filtros. Costumo dizer que os filtros
No Brasil, desde 2006, realizamos es-
(elementos filtrantes do sistema prensa ou
tudos que acompanharam o desenvolvi-
os do motor) são como “sentinelas”, que
mento desses microrganismos em dife-
indicam saturação prematura e alertam so-
rentes misturas de diesel e biodiesel, uti-
bre a concentração de sólidos suspensos
lizando desde técnicas tradicionais de la-
no combustível, decorrente de problemas
boratório até análises modernas de DNA,
de degradação química e/ou biológica.
que permitem conhecer “quem está lá”,
Quando o volume desses materiais é
“o que está fazendo” e o que fazer para
maior que o estimado para a vida útil
evitar a presença da comunidade micro-
de cada filtro, temos um alerta. Se as
biana indesejável.
12 Combustíveis & Conveniência
C&C: Em alguns países já são uti-
diesel estavam relacionados às condições
lizadas misturas superiores a 15%.
de armazenamento e manutenção dos sis-
Por que no Brasil são relatados tan-
temas, e não apenas ao aumento do te-
tos problemas? Isso está relacionado
or da mistura. Por isso, a adoção de boas
à abrangência geográfica, com algu-
práticas continua sendo a principal medida
mas regiões quentes e úmidas e ou-
para preservar a qualidade do combustível.
tras mais frias? FB: Não existe uma única explicação
C&C: O que ocorre com o Bx quan-
para esse cenário. As condições climáti-
do há problemas de armazenamento?
cas têm influência importante, pois tem-
FB: A estabilidade ao armazenamento
peraturas mais elevadas favorecem o cres-
pode ser considerada uma medida da re-
cimento de fungos e bactérias que degra-
sistência do combustível puro ou a mistu-
dam o combustível, especialmente quando
ra às práticas utilizadas, o que pode pro-
há água acumulada nos tanques. Além dis-
vocar alterações da qualidade ao longo
so, fatores como a qualidade do combus-
do tempo, como a mudança de cor (escu-
tível, a origem da matéria-prima utilizada
recimento), desenvolvimento de gomas e
na produção do biodiesel e, principalmen-
material particulado (origem química e/ou
te, as práticas de armazenamento adota-
biológica), seguida de sedimentação, mu-
das por cada empresa, fazem diferença.
danças nas propriedades físicas, químicas
Também é importante lembrar que o
ou de combustão, entre outras.
biodiesel tem características diferentes do
Na década de 1990, com a introdu-
diesel fóssil. Ele absorve mais umidade, é
ção de pacote multifuncional ao óleo die-
mais suscetível à oxidação e possui maior
sel, que resultou no óleo diesel aditivado,
capacidade de remover resíduos acumula-
verificamos problemas conhecidos e co-
dos ao longo dos anos em tanques e tu-
muns, como entupimento e recorrentes
bulações. Quando isso ocorre, esse mate-
desgastes de bicos injetores, quebra de
rial pode se desprender, aumentar a for-
molas da bomba injetora, além de satu-
mação de borras e provocar a saturação
ração prematura de filtros em diferentes
precoce dos filtros.
estados brasileiros.
Em nossos estudos, observamos que
Na ocasião, sugeri um levantamento
muitos dos problemas atribuídos ao bio-
detalhado em campo das condições de esCombustíveis & Conveniência 13
ENTREVISTA
FÁTIMA BENTO | COORDENADORA DO LABBIO/UFRGS
tocagem das empresas de transporte co-
ação detergente dispersou o material or-
letivo em Porto Alegre, São Paulo e Goiás,
gânico aderido naturalmente, ao longo
apontadas com os referidos problemas.
dos anos, nas paredes dos tanques (biofil-
Ao coletar informações sobre as rotinas
mes) e o lodo biológico formado.
adotadas de manutenção pelas empresas (maioria com tanques aéreos, proce-
C&C: O biodiesel é o principal res-
dimentos de coleta de amostras etc) e da-
ponsável pelos problemas de armaze-
dos sobre os eventos relacionados, cruza-
namento relatados pelo setor?
mos informações para uma definição dos
FB: O biodiesel representa uma alter-
cenários. Uma das perguntas dos enge-
nativa consolidada, e que atende principal-
nheiros mecânicos do grupo interdiscipli-
mente a missão estratégica do movimen-
nar foi por que não havia queixas e rela-
to mundial de descarbonização, com a
tos sobre quebras do sistema de injeção e
substituição gradativa ao combustível fós-
saturação prematura de filtros (veículos e
sil e redução de poluentes. Logo, precisa-
prensa) na Europa.
mos entender que o óleo diesel B, de uso
Foi esclarecido que a qualidade do
rodoviário, é uma mistura. Temos que levar
combustível depende também da origem
em consideração as características intrínse-
do petróleo, do processo de refino, dos
cas de cada componente nessa mistura. O
aditivos utilizados e, principalmente, das
óleo diesel sozinho sofre degradação, de-
condições de armazenamento. A introdu-
pendendo do petróleo processado, tempo
ção de um pacote multifuncional (emul-
e condições de armazenamento. O biodie-
sificantes, melhoradores de lubricidade,
sel apresenta uma série de vantagens e
inibidores de corrosão etc) no óleo die-
algumas vulnerabilidades, tais como a hi-
sel comercializado na época, por algu-
groscopicidade e baixa estabilidade quími-
mas distribuidoras, impactou os sistemas
ca, requerendo a aditivação tão logo seja
com tanques antigos de armazenamento.
produzido. O mesmo evento que ocorreu
A resposta para a ocorrência de uma sa-
na década de 90 com o óleo diesel aditiva-
turação prematura dos filtros (elementos
do, tivemos a oportunidade de presenciar
filtrantes do sistema prensa e do veiculo)
no primeiro ano de Bx, com 2% de biodie-
foi atribuída ao componente surfactante
sel adicionado ao óleo diesel. A mistura Bx
(detergente) do pacote multifuncional. A
chegou aos tanques (aéreos e subterrâne-
14 Combustíveis & Conveniência
O diesel verde se
FB: O comportamento do biodiesel varia conforme a matéria-prima utilizada.
apresenta como
Alguns óleos vegetais, como o de soja,
uma solução viável
são mais suscetíveis à oxidação, o que in-
para aumentar
namento. Como o biodiesel é mais biode-
a participação de
gradável que o diesel fóssil, a presença de
biocombustíveis
fluencia a estabilidade durante o armaze-
água favorece o crescimento de microrganismos, aumentando o risco de formação
na matriz energética
de borras biológicas.
sem comprometer
renováveis (óleos vegetais e gorduras ani-
os veículos ou a
mais). Os principais fatores que afetam a
infraestrutura
O biodiesel é obtido a partir de fontes
estabilidade química e, em consequência, o potencial de degradabilidade do biodiesel, são o comprimento da cadeia, o número de insaturações e a ocorrência de outras funções químicas.
os) do país inteiro promovendo também,
O biocombustível é composto, basi-
devido ao caráter solvente do biodiesel,
camente, por oito diferentes ésteres de
grande liberação de material aderido às
ácidos graxos (C16-18) metil esterifica-
superfícies e produzindo particulados em
dos, incluindo oleato, palmitato, estea-
suspensão, saturando prematuramente fil-
rato, linoleato, mirístico, laureato e li-
tros. À medida que as rotinas rígidas pre-
nolenato, e a concentração de cada és-
conizadas pelas boas práticas sejam ado-
ter pode variar de acordo com a fonte
tadas, iremos contornar futuros problemas
de origem da matéria-prima utilizada na
que ainda são relatados pelo setor.
reação de transesterificação. Os trabalhos de pesquisa aqui no Bra-
C&C: Todo biodiesel apresenta o mes-
sil, assim como os publicados na literatura
mo comportamento ou a matéria-prima
internacional, mostraram que a adição de
utilizada influencia sua estabilidade?
biodiesel ao diesel rodoviário e ao diesel Combustíveis & Conveniência 15
ENTREVISTA
FÁTIMA BENTO | COORDENADORA DO LABBIO/UFRGS
marítimo promove um maior incremento
C&C: Então, o diesel renovável se-
de populações microbianas, especialmen-
ria uma possibilidade para substituir
te quando existe a presença de água livre.
o biodiesel nas misturas obrigatórias? Ou ele também enfrenta problemas
C&C: Em sua opinião, qual seria a
de armazenamento?
alternativa para atender à necessi-
FB: O óleo diesel verde puro, devido à
dade de aumentar a participação dos
sua composição, também pode apresen-
biocombustíveis no setor de transpor-
tar suscetibilidade ao crescimento micro-
te, sem riscos para os veículos ou para
biano, caso encontre condições propícias
os elos da cadeia que fazem o trans-
no armazenamento.
porte e armazenamento?
De todo modo, a diversificação ener-
FB: O diesel verde se apresenta co-
gética tem recebido relevância global, na
mo uma solução viável para aumen-
medida em que promove a descarboniza-
tar a participação de biocombustíveis
ção do setor de transportes e a busca por
na matriz energética sem comprome-
fontes de energia mais limpas e susten-
ter os veículos ou a infraestrutura. Seu
táveis. Assim, os biocombustíveis como o
processo de hidrotratamento resulta
etanol, biodiesel e, mais recentemente, o
em um combustível composto por hi-
óleo diesel verde, representam uma alter-
drocarbonetos parafínicos e iso-parafi-
nativa viável e ambientalmente aceita na
nicos, com composição química muito
matriz energética mundial. Aspectos re-
semelhante à do diesel de petróleo. Por
lacionados com a qualidade final, espe-
conta disso, ele é totalmente compa-
cialmente durante o armazenamento de
tível e pode ser utilizado em motores
combustíveis, como o óleo diesel e quero-
diesel existentes sem a necessidade de
sene de aviação, sempre receberam espe-
qualquer modificação, mas é também
cial atenção devido às consequências da
suscetível à degradação por microrga-
contaminação por microrganismos.
nismos. Conhecer esse biocombustível
Nesse sentido, em função da minha
é vital para que possamos prever o que
experiência com óleo diesel e biodie-
irá acontecer em futuras misturas ter-
sel, tenho me dedicado, também aqui na
nárias no Brasil (diesel/biodiesel/HVO),
UFRGS, a estudar o óleo diesel verde, tam-
especialmente no armazenamento.
bém conhecido como HVO.
16 Combustíveis & Conveniência
C&C: Poderia detalhar esse trabalho e suas conclusões?
como combustível drop-in). O HVO pode ser produzido a partir de cinco rotas com
FB: Estamos concluindo estudos que
diferentes matérias-primas, sendo a rota
avaliam como misturas de diesel, biodie-
HEFA (Hidroprocessamento de ésteres e
sel e Óleo Vegetal Hidrotratado (HVO) se
ácidos graxos) a mais consolidada e ado-
comportam durante o armazenamento.
tada em escala comercial.
Monitoramos a formação de microrganis-
Da mesma forma que o biodiesel, o
mos, resíduos e alterações na composição
HVO, dependendo da matéria-prima uti-
dos combustíveis avaliados para enten-
lizada e rota de produção, pode apresen-
der qual o impacto do óleo diesel verde
tar composição final diversa, por exem-
na mistura ternária em termos de degra-
plo HVOs com diferentes percentuais de
dação no armazenamento.
n-alcanos e iso-alcanos. Os microrganis-
O HVO é um combustível renovável
mos conseguem acessar e degradar pre-
de segunda geração, também conheci-
ferencialmente os hidrocarbonetos alifáti-
do como diesel verde, sendo utilizado
cos lineares em comparação com os hi-
em pequena escala no mercado euro-
drocarbonetos ramificados. Então, pode-
peu, americano e da América Latina. Ele
mos predizer que, dependendo do HVO
pode ser produzido a partir de matérias-
produzido, poderemos encontrar maior
primas renováveis (óleos vegetais, gor-
suscetibilidade à degradação e, por con-
dura animal), por meio da reação de hi-
seguinte, maior lodo biológico.
drotratamento, resultando em uma mis-
A maioria dos trabalhos publicados com
tura de hidrocarbonetos alifáticos linea-
HVO envolve estudos sobre emissões, ro-
res e ramificados.
tas de produção, avaliação do ciclo de vi-
No Brasil, a Resolução ANP N˚ 842/2021
da e estabilidade oxidativa. Na literatura,
apresenta a definição, rotas de produção
até o momento, apenas um trabalho de-
e as especificações desse biocombustí-
senvolvido na Alemanha avaliou a susce-
vel, que tem vantagens relacionados ao
tibilidade ao crescimento de microrganis-
seu uso devido a não haver necessidade
mos na estocagem com óleo de aqueci-
de modificação do sistema de injeção dos
mento misturado com vários biocombus-
veículos diesel e da infraestrutura de es-
tíveis, entre eles biodiesel e HVO produzi-
tocagem existente (vantagem conhecida
do pela rota Fischer-Tropsch. Combustíveis & Conveniência 17
ENTREVISTA
FÁTIMA BENTO | COORDENADORA DO LABBIO/UFRGS
Os trabalhos que estamos finalizando e em
manutenção, sugerida para o sistema
fase de publicação aqui no LABBIO-UFRGS são
de estocagem. Temos que lembrar que
com amostra de HVO produzido pela ro-
ações de prevenção fazem parte da cul-
ta HEFA, com relação ao impacto da adição
tura de um povo. É preciso incorporar
de HVO em mistura ternária ( diesel/biodie-
boas práticas e ações preventivas em to-
sel/HVO) durante estocagem simulada por
dos os elos da cadeia. A colonização por
42 dias. Avaliamos os ensaios de estocagem
bactérias e fungos em superfícies, espe-
simulando contaminação com fungos isola-
cialmente quando temos umidade, é um
dos, bactérias, amostra da água do fundo de
processo natural. Os microrganismos
tanque de refinaria e com um lodo micro-
apresentam essa tendência de se ade-
biano, monitorando biomassa, metabólitos,
rirem, pelas vantagens obtidas, como
compostos surfactantes, composição das co-
maior proteção (contra radiação, com-
munidades por sequenciamento do DNA to-
postos antimicrobianos) e aporte de nu-
tal dos lodos formados, avaliação da degra-
trientes. Esse processo natural de colo-
dação das frações de hidrocarbonetos e és-
nização e adesão microbiana ocorre nas
teres presentes nas amostras de combustí-
paredes dos tanques de estocagem de
veis e biocombustíveis.
combustível, em tubulações, em reservatórios de água potável, em painéis so-
C&C: Em sua avaliação, as especifi-
lares, em uma pedra no leito de um rio,
cações atuais da ANP são suficientes
em sistemas industriais, dentro do corpo
para garantir a estabilidade do com-
humano, ou seja, ocorre na natureza, o
bustível ao longo da cadeia logística?
tempo todo. Ainda existe uma resistên-
FB: Entendo que as especificações
cia em internalizar a cultura de boas prá-
atuais são suficientes. No entanto, a ga-
ticas, que envolvem limpeza e ações pre-
rantia da qualidade final dos combus-
ventivas, em vários setores da vida coti-
tíveis deve ser promovida pela comuni-
diana. Por exemplo, as placas fotovol-
dade envolvida em toda a cadeia logís-
taicas utilizadas na captação da radiação
tica e, em especial, a do armazenamen-
solar precisam de ações periódicas pre-
to. A atenção deve estar voltada para
ventivas e corretivas de limpeza, para
a cobrança e conscientização da impor-
não comprometer a energia produzida
tância da adoção de rotinas rígidas de
pelo efeito fotovoltaico. n
18 Combustíveis & Conveniência
OPINIÃO
James Thorp Neto | Presidente da Fecombustíveis
Preocupações com o E32 Em 1º de agosto, o etanol anidro aumen-
embarcações e parte da frota de motocicle-
tou para 32% na mistura à gasolina. A Fe-
tas. Eventualmente, caso uma motocicleta
combustíveis apoia a política de descarboni-
ou outro veículo apresente defeitos, para o
zação conduzida pelo governo federal e re-
qual não tenha sido originalmente projeta-
conhece a importância do etanol anidro co-
do ou validado, o fabricante poderá ser res-
mo instrumento para reduzir as emissões de
ponsabilizado por falhas cuja origem este-
gases de efeito estufa e contribuir para uma
ja na composição do combustível, gerando
matriz energética mais limpa. No entanto,
insegurança jurídica e prejuízos para toda a
defendemos que o avanço dessa medida se-
cadeia produtiva.
ja acompanhado de rigorosos testes de via-
Também prevemos que o consumidor
bilidade técnica, para garantir a segurança
possa atribuir os eventuais problemas do
aos consumidores e a compatibilidade com
veículo à qualidade do combustível ou, ain-
a frota nacional.
da, questionar o posto se o carro passar a
A cautela para a realização de novos tes-
consumir mais gasolina em função do me-
tes é defendida por outros agentes do se-
nor poder calorífico do etanol. Essas e ou-
tor e pela cadeia automotiva. Temos ciência
tras situações poderão recair sobre a reven-
que a frota flex-fuel não deverá ser impac-
da, que é o elo em contato direto com o
tada pelo aumento, mas os veículos impor-
consumidor. Anos atrás, vimos essa situa-
tados e os automóveis antigos, que são mo-
ção acontecer, quando a mistura do biodie-
vidos exclusivamente a gasolina, poderão
sel no diesel passou a apresentar problemas
apresentar problemas.
de borra e entupimento de filtros nos veícu-
Independentemente do percentual da
los. Na ocasião, houve uma avalanche de re-
frota antiga do país ou de veículos impor-
clamações do consumidor e judicializações
tados, todos fazem parte da cadeia de con-
sobre os postos.
sumo e os testes garantiriam que ninguém sofresse consequências.
Não creio que a situação irá se repetir com a mesma intensidade, porém há cer-
Além dos veículos, a compatibilidade
to risco para os consumidores. Essas são as
com a nova adição de etanol também cau-
nossas ponderações e só o tempo dirá se
sa preocupação com determinados tipos de
exageramos nas preocupações.
Combustíveis & Conveniência 19
iStok
MERCADO
Nova resolução sugere controle de margens e traz insegurança ao setor Critérios para definir a elevação abusiva de preços em períodos de calamidade pública ou conflito geopolítico são alvo de críticas de agentes, que veem intervenção em sistema de preços livres POR MÔNICA SERRANO
T
ema amplamente debatido em ju-
as resoluções ANP 1004/2026 e a 1005/2026,
nho, durante audiência pública da
que definiram as regras para distribuição e re-
ANP, os critérios para a caracteriza-
venda de combustíveis e de Gás Liquefeito de
ção da elevação abusiva dos preços de com-
Petróleo (GLP), respectivamente.
bustíveis continuam no foco dos agentes do
Na avaliação de Arthur Villamil, consul-
downstream. Em 2 de julho, foram publicadas
tor jurídico da Fecombustíveis e sócio-fun-
20 Combustíveis & Conveniência
dador do escritório Villamil Advogados,
De acordo com Villamil, o regime de pre-
as normas para a revenda vieram bem
ços livres considera múltiplos fatores de
parecidas com a minuta. “As duas gran-
mercado, como escassez de produto, posi-
des diferenças é que a minuta ia conside-
cionamento do agente, demanda do con-
rar um critério para presumir a abusivida-
sumidor, entre outros, que podem levar à
de de preço, quando houvesse aumento
flutuação de preço de forma natural, con-
igual ou superior a 10% da margem bru-
forme a dinâmica do mercado. Essas variá-
ta, mas na resolução foi definido aumen-
veis não foram consideradas pela Agência.
to igual ou superior a 70%. Melhorou um
Pela redação da resolução, é conside-
pouco, mas continua sendo um controle
rada prática de preços de comercialização
muito ruim para o setor”, disse.
em patamares elevados, em decorrência
O segundo ponto destacado foi o pe-
de alta injustificada de margem bruta,
ríodo de defesa, eventualmente, se o re-
que se revele desproporcional ou incom-
vendedor for acusado de elevar os pre-
patível com elevação de custos, conside-
ços de forma abusiva. Pela minuta, a ANP
rando situações como calamidade pública
propôs dez dias, mas após várias críticas
e conflito geopolítico.
dos agentes regulados, na resolução foram definidos 30 dias.
“Para a ANP, se o revendedor tiver um aumento de margem, ainda que não ha-
Pelo olhar jurídico, a Resolução 1005/2026
ja elevação de preço, pode ser entendi-
está sendo vista como interferência na
do como comportamento abusivo, que
margem da revenda, o que conflita com
ele está ganhando mais do que deveria. A
as regras da liberdade de preços no setor
meu ver, a preocupação da Agência não
de combustíveis.
é fundamentalmente com o preço final, é
“Ela não cria um limite de valor de preço específico, mas presume que qualquer
com quanto o revendedor ou distribuidor está ganhando”, comentou.
aumento de margem pode ser enquadra-
Villamil esclarece como vai funcionar
do como abuso na precificação”, disse.
a resolução. A ANP vai analisar entre 30
“A regra geral que vigora no Brasil é a da
e 60 dias anteriores à data da fiscaliza-
liberdade de preços, cujos custos se for-
ção e vai criar um preço médio que o
mam de acordo com a interação da oferta
posto comprava e vendia nesse interva-
e da demanda”, complementou.
lo de referência. Combustíveis & Conveniência 21
MERCADO
estritamente jurídico, é não alterar a margem, porque qualquer aumento de margem poderá ser considerado abusivo”, recomendou. Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Villamil
dá
outro
exemplo: se o posto reduzir o preço como forma de ter mais compeCom aumento na margem igual ou superior a 70%, a ANP poderá autuar o posto por abusividade de preços
titividade e depois quiser voltar ao preço anterior, mesmo sem ter tido aumento de cus-
Com isso, a Agência vai comparar os
tos, a ANP pode entender que foi abuso.
preços e as margens do período com os
“A resolução substituiu a formação de
do dia da fiscalização. “Se nesse intervalo
preços de mercado por controle de pre-
de 60 dias tiver havido um aumento su-
ços pela fiscalização da Agência. Isso que
perior ou igual a 70%, ou qualquer ou-
foi feito”.
tro aumento que o fiscal achar que não é bom, ele pode autuar o posto”.
ANÁLISE DAS DISTRIBUIDORAS REGIONAIS
Villamil destaca que a regra traz grande
A Brasilcom, que representa as distri-
insegurança ao mercado. Por exemplo, se
buidoras regionais, considera que a Re-
um posto estava trabalhando com mar-
solução ANP 1004/2026 traz uma inter-
gem de R$ 0,10 por litro, se aumentar pa-
venção desnecessária ao mercado e “po-
ra R$ 0,17 centavos por litro, ele poderá
tencialmente danosa em um setor que já
ser punido.
opera com margens apertadas e sob for-
“Ninguém mais sabe se pode ou não
te concorrência”.
aumentar a margem. Meu conselho, co-
Para a entidade, a nova regra cria incer-
mo advogado, olhando do ponto de vista
teza regulatória e insegurança jurídica, ao
22 Combustíveis & Conveniência
na concorrência pois, paradoxalmente,
genérica, sem considerar a complexidade
uma regra muito rígida pode beneficiar
da cadeia de distribuição (custos logísti-
grandes players, que têm mais recursos
cos regionais, estoques, contratos de lon-
para lidar com a burocracia e o conten-
go prazo etc.)
cioso, expulsando pequenas distribuido-
“Reconhecemos o esforço da ANP e
ras regionais”.
consideramos que analisar a margem bru-
Procurado pela reportagem, o Instituto
ta é melhor do que analisar o preço, no
Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), que re-
entanto, a margem bruta ainda não é a
presenta as distribuidoras nacionais, pre-
opção perfeita”, avaliou.
feriu não se pronunciar. n
Divulgação Raízen
tentar definir “preço abusivo” de forma
Na visão da Brasilcom, utilizar a margem bruta como parâmetro para definir preço abusivo é incoerente e fere o princípio da livre iniciativa “Margem bruta não é lucro. Ela cobre custos operacionais, despesas administrativas, tributos e, só então, o lucro. Distribuidoras com ineficiências logísticas ou localizações remotas naturalmente terão margens maiores. A nosso ver, a observação da margem líquida seria uma forma mais adequada e justa de acompanhar o mercado”, destacou a entidade. Conforme o parâmetro da nova regra, só o fato de a ANP notificar ou investigar a distribuidora por “preço abusivo” já causa danos à marca, mesmo que a empresa esteja operando dentro da legalidade. “A resolução também ignora o fato de que a cadeia de combustíveis é integrada. Finalmente, tememos o impacto Combustíveis & Conveniência 23
REPORTAGEM DE CAPA
32%: aumento do etanol anidro na gasolina causa divergências A crítica em comum de várias entidades é a falta de testes de viabilidade técnica, o que gera dúvidas sobre a segurança da medida, situação que culminou em uma ação civil pública para suspender a decisão POR MÔNICA SERRANO
Stock
Anfavea faz alerta para elevação da mistura sem estudos técnicos específicos e conclusivos
24 Combustíveis & Conveniência
O
mês de julho trouxe mais uma
Além disso, o MPF solicitou a realização de
polêmica para o setor de com-
uma perícia técnica independente para ava-
bustíveis, com a decisão do au-
liar os riscos reais aos motores. A ação tam-
mento da mistura de etanol anidro na ga-
bém pediu que a União seja obrigada a ado-
solina para 32% (E32), a partir de 1º de
tar um protocolo rígido para futuras altera-
agosto. A medida, anunciada em 14 de
ções nos combustíveis, incluindo a realização
julho pelo Conselho Nacional de Política
de testes de longa duração e a divulgação
Energética (CNPE), foi apoiada por diver-
transparente de todos os dados científicos.
sas entidades, mas, ao mesmo tempo, le-
O MPF também defendeu a criação de
vantou preocupações por parte do setor
um sistema de monitoramento com parti-
de combustíveis e da indústria automotiva,
cipação da sociedade, realização de campa-
relacionadas aos impactos da nova compo-
nhas informativas para os motoristas e o pa-
sição em relação à segurança dos veículos.
gamento de uma indenização de R$ 500 mi-
Para os representantes de alguns setores,
lhões por danos morais coletivos, pela falta
ainda não houve uma conclusão técnica
de clareza e do risco imposto à coletividade.
sobre a segurança do novo percentual. Diante das incertezas, em 22 de julho o Mi-
ÀS PRESSAS
nistério Público Federal (MPF) ingressou com
A elevação do etanol anidro à gasoli-
uma ação civil pública para suspender a de-
na para 32% estava na pauta do gover-
cisão do governo federal de elevar o teor de
no desde maio, quando foram marcadas
etanol anidro. A iniciativa buscou suspender
três reuniões em datas distintas, que fo-
a medida até que estudos técnicos compro-
ram adiadas sem justificativas. O empenho
vem a segurança para os veículos, garantindo
em elevar a mistura para E32 foi uma das
a proteção dos consumidores e maior trans-
medidas do governo federal em meio às
parência na adoção das políticas energéticas.
turbulências do conflito no Oriente Médio,
Para o MPF, faltam análises conclusivas
que trouxe elevação das cotações do pe-
sobre a durabilidade de peças, emissão de
tróleo, que se refletiu nos derivados.
poluentes e compatibilidade com os carros
A pressa em elevar o teor do etanol, se-
que rodam no país. A nova especificação,
gundo justificativa do governo, visa redu-
inclusive, pode permitir, na prática, até
zir as importações de gasolina, minimizar
34% de etanol na gasolina.
a volatilidade de preços devido à guerra e Combustíveis & Conveniência 25
REPORTAGEM DE CAPA
ampliar a participação do biocombustível
nol na gasolina não validaram tecnicamente
na matriz energética. A medida pode dimi-
a elevação para 32%. “Isso porque esses en-
nuir o volume de gasolina importada em
saios avaliaram o desempenho e a dirigibili-
até 450 milhões de litros, segundo Alexan-
dade dos veículos considerando a margem
dre Silveira, ministro de Minas e Energia.
de tolerância da especificação do combustí-
A aprovação do E32 pelo CNPE tem vi-
vel, mas não incluíram testes de durabilida-
gência de 180 dias, podendo ser prorrogá-
de, emissões, autonomia nem a validação do
vel por igual período. O governo considera
funcionamento da frota com E32 como mis-
que não há necessidade de realizar testes,
tura obrigatória. Por isso, seus resultados não
pois o Instituto Mauá realizou ensaios para
representaram base técnica para justificar a
testar a elevação de etanol para 30%, que
elevação do teor de etanol para 32%”, des-
incluiu a margem de tolerância de 32%.
tacou a nota, enfatizando que os testes para
Porém, para respaldar tecnicamente a adoção do E32, alguns setores defendem que os ensaios deveriam ser feitos com etanol até 34%.
validação do E32 deveriam ser considerados ensaios com etanol de até 34%. A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), representada por Ever-
Do lado do setor produtivo de etanol, a
ton Lopes, vice-presidente, considera que
medida foi bem-recebida. A União da In-
o E32 é um movimento esperado dentro
dústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia
do programa Combustível do Futuro e a
(Unica) e a União Nacional do Etanol de Mi-
maioria dos carros não deve ter proble-
lho (Unem) afirmaram que o segmento está
mas. “É importante ressaltar que mais de
preparado para suprir a demanda adicional
90% dos automóveis leves que são vendi-
de, aproximadamente, 2 bilhões de litros.
dos no Brasil, hoje, já são flex-fuel, então
No setor automotivo, a Associação Na-
esse é um ponto positivo. A frota brasilei-
cional dos Fabricantes de Veículos Automo-
ra foi sendo construída, ao longo de dé-
tores (Anfavea) é contrária à elevação da
cadas, para conviver com altas concentra-
mistura sem estudos técnicos específicos e
ções de etanol, o que reduz o risco sistê-
conclusivos que comprovem a segurança e
mico do E32”, afirmou.
a compatibilidade com a frota brasileira.
No entanto, Lopes defende a aplicação
A entidade ressalta que os testes que em-
de testes para assegurar a circulação de
basaram a adoção da mistura de 30% de eta-
veículos importados e antigos movidos ex-
26 Combustíveis & Conveniência
iStock
ANP esclarece que a adoção da mistura E32 não altera, neste momento, as especificações da gasolina previstas na Resolução ANP nº 807/2020
clusivamente a gasolina. “É importante res-
Outra questão é a partida a frio, que
saltar que não há evidência de que os 32%
deverá afetar principalmente o Sul do país
provoquem problemas generalizados, mas
nos dias de maior queda de temperatura.
existem pontos que devem ser monitora-
Lopes abordou também o rendimento
dos, sobretudo nesses dois casos”, disse.
do combustível em função do menor poder
Lopes enfatiza que supostos proble-
calorífico. Segundo ele, essa questão deve-
mas deverão ser concentrados em veí-
rá ser pouco percebida pelo consumidor em
culos antigos. Embora representem uma
decorrência do aumento da octanagem. “É
pequena parcela da frota, podem au-
possível que tenha um aumento marginal do
mentar os custos com manutenção.
consumo volumétrico de combustível e isso
“Os potenciais problemas podem come-
pode ser, de certa forma, perceptível ao con-
çar nesses veículos com corrosão, em siste-
sumidor. Por outro lado, parte desse efeito
mas de tanque, tubulações e componen-
pode ser compensado pela maior octana-
tes metálicos sem proteção adequada. Lá
gem, resultante do aumento da mistura de
atrás, os veículos não eram desenvolvidos
mais etanol em gasolina. O etanol tem maior
para rodar com gasolina acima de 22% de
número de octanas, então, pode-se ganhar
etanol. Portanto, isso pode ser um proble-
benefício na eficiência do veículo”, explicou.
ma crítico, com ressecamento e perda da
No aspecto econômico, segundo Lo-
vedação, podendo ocorrer potencial vaza-
pes, no período de safra, o etanol tem
mento de combustível”, comentou.
preço mais baixo em relação à gasolina, Combustíveis & Conveniência 27
REPORTAGEM DE CAPA
podendo impactar em pequena redução
ciação Brasileira de Importadoras de Combus-
no preço ao consumidor.
tíveis (Abicom) - assinaram uma nota conjunta
“Não é uma questão só do combustível
manifestando preocupação com o tema.
em si, mas envolve também a segurança
As entidades destacaram preocupação
energética brasileira, além dos benefícios
sobre os potenciais impactos na frota de veí-
ambientais. Vale destacar que o etanol é
culos leves (cerca de 15% não são flex), em-
um combustível renovável, que apresen-
barcações de pequeno porte e motocicle-
ta uma redução significativa de emissões
tas movidas exclusivamente a gasolina, com
dos gases efeito estufa”, enfatizou Lopes.
possíveis efeitos sobre desempenho, durabi-
O professor Marcio D’Agosto, do Institu-
lidade das peças e sobre custo de manuten-
to Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e
ção, com impacto significativo aos usuários
Pesquisa de Engenharia, da Universidade Fe-
desses veículos. “O aumento da mistura de
deral do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), confir-
etanol anidro na gasolina acima dos atuais
ma a visão de Lopes, de que os veículos flex
30% também requer a realização de testes
estão preparados para mistura com adicional
específicos para que se determine, com se-
de 2%. Já aqueles movidos somente a ga-
gurança, a sua viabilidade”, destacou a nota.
solina deverão apresentar problemas, prin-
As entidades defenderam que a polí-
cipalmente os da frota antiga. “A princípio,
tica pública de biocombustíveis deve ser
seriam veículos antigos que sentiriam mais
conduzida com previsibilidade, segurança
a mudança, e seus proprietários deverão ter
jurídica, base científica, diálogo institucio-
mais cuidado com a manutenção, como tro-
nal e respeito aos ritos técnicos e regula-
ca de filtros e velas. Provavelmente, vão so-
tórios previstos em lei, em favor de uma
frer queda de desempenho, porque os po-
agenda ambiental responsável, segura e
deres caloríficos e as massas específicas dos
tecnicamente fundamentada.
combustíveis são diferentes”, disse.
Também foi abordado o potencial aumento do consumo específico de com-
SETOR DE COMBUSTÍVEIS
bustível decorrente da elevação dos teo-
Na véspera da reunião do CNPE, que elevou
res de biocombustíveis, em razão de sua
o teor da mistura do etanol anidro à gasolina,
menor densidade energética, o que pode
quatro entidades do setor de combustíveis –
resultar em maior dispêndio ao consumi-
Fecombustíveis, Brasilcom, SindTRR e a Asso-
dor para percorrer a mesma distância.
28 Combustíveis & Conveniência
Divulgação
Indústria de etanol deverá suprir a demanda adicional de, aproximadamente, 2 bilhões de litros.
Com propriedades químicas diferentes entre etanol anidro e gasolina A, a mudança de
tão mais complexa dos estoques”, destacou a entidade em nota.
percentual levantou a hipótese de revisão da
As companhias também deverão aumen-
ANP em relação à resolução que trata das es-
tar a frequência de recebimento e mistu-
pecificações de qualidade da gasolina C, es-
ra do etanol anidro, podendo exigir novos
pecialmente quanto à octanagem (RON) e à
pontos de descarga, bombas e sistemas de
massa específica. No entanto, a ANP esclare-
mistura. Se o abastecimento via dutos for li-
ceu que o E32 não altera, neste momento, as
mitado, o caminhão-tanque será mais utili-
demais especificações da gasolina previstas na
zado, elevando custos logísticos.
Resolução ANP nº 807/2020.
“Sem um cronograma e incentivos (como prazos fiscais ou linhas de crédito), o
DISTRIBUIDORAS VÃO REPASSAR CUSTOS De acordo com a Brasilcom, represen-
repasse ao consumidor será inevitável”, informou a Brasilcom.
tante das distribuidoras regionais, o au-
Pelas características do etanol ani-
mento da mistura trará impactos econô-
dro, o aumento de percentual na gaso-
micos e os investimentos serão inevitáveis
lina em contato com bombas, medido-
em tancagem e armazenamento. “O au-
res, filtros e tanques poderá levar à cor-
mento do volume demandará ampliação
rosão ou degradação acelerada, sendo
da capacidade de tancagem para armaze-
necessário substituir ou revestir inter-
nar mais anidro puro, além de uma ges-
namente tanques e equipamentos paCombustíveis & Conveniência 29
Pixabay
REPORTAGEM DE CAPA
Veículos movidos somente a gasolina poderão apresentar problemas, principalmente os mais antigos
ra garantir segurança e durabilidade,
a revenda foi responsabilizada pelos proble-
acrescentou a entidade.
mas causados pela oxidação do biodiesel nos
Procurado pela reportagem, o Instituto Bra-
veículos e houve, na ocasião, muitos proces-
sileiro do Petróleo e Gás (IBP), que representa
sos judiciais movidos pelos clientes contra os
as distribuidoras nacionais, não se pronunciou.
postos, que atribuíram fraudes no diesel. “Defendemos que o aumento do eta-
POSTOS DE COMBUSTÍVEIS
nol deva ser precedido de testes de viabi-
Para a revenda de combustíveis, a gran-
lidade técnica. Nosso receio é com relação
de preocupação é que supostos proble-
ao possível impacto para os carros movi-
mas na nova composição do produto se-
dos exclusivamente a gasolina, motoci-
jam atribuídos à má qualidade da gasolina
cletas e determinados tipos de embarca-
ou possíveis fraudes praticadas pelo pos-
ções”, disse James Thorp Neto, presiden-
to, na percepção do consumidor. Não é de
te da Fecombustíveis.
hoje que os postos são responsabilizados
Thorp também destacou que alguns pos-
por problemas com a qualidade do com-
tos têm como alternativa a gasolina Pre-
bustível, mesmo que não respondam pelas
mium, cuja composição é de 25% de etanol
ocorrências dos elos anteriores da cadeia.
anidro, que pode abastecer motos, veículos
Situação similar ocorreu há anos, quando
importados e frota antiga. No entanto, esse
o biodiesel passou a ser misturado ao diesel.
tipo de gasolina não tem suprimento nacio-
Por ser o elo em contato com o consumidor,
nal e sua distribuição é limitada.
30 Combustíveis & Conveniência
O presidente da Fecombustíveis tem ex-
prestará os esclarecimentos cabíveis no
pectativa de que não ocorram problemas
âmbito do processo, por meio da Advoca-
generalizados em relação à mudança da
cia Geral da União (AGU). O ministério in-
composição da gasolina, mas é provável que
formou que o cronograma de implemen-
consumidores façam reclamações se houver
tação do E32 não foi alterado, entrando
menor rendimento do combustível ou ne-
em vigor em 1º de agosto de 2026, nos
cessidade de troca de peças. “Quem vai se
termos da Resolução aprovada pelo Con-
responsabilizar?”, questionou Thorp.
selho Nacional de Política Energética em 14 de julho de 2026. n
SETOR NÁUTICO Para o setor náutico, o aumento do etanol anidro para 32% não foi uma boa notícia. O capitão Marcio Dottori, especialista e consultor técnico em navegação, explicou, em vídeo, que não houve testes e o setor não foi consultado sobre a questão da segurança. “Nós, navegadores, não concordamos com a elevação sem que seja testada nos motores aquáticos. Fica o nosso protesto. No mundo inteiro há combustível náutico e por que não temos no Brasil?”, perguntou. A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) foi consultada pela reportagem, mas não enviou seu posicionamento. CRONOGRAMA Consultado sobre o pedido de suspensão pela ação judicial do MPF, o Ministério de Minas e Energia (MME) informou que Combustíveis & Conveniência 31
AGENDA
Agosto Conexão Sindi Pará Data: 06 Local: Altamira (PA) Realização: Sindicombustíveis - PA Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473
Setembro ExpoPostos & Conveniência Data: 8 a 10 Local: São Paulo (SP) Realização: Fecombustíveis e Abieps Informações: (21) 2221-6695
Conexão Sindi Pará Data: 24 Local: Marabá (PA) Realização: Sindicombustíveis - PA Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473
Outubro NACS Show Data: 6 a 9 Local: Las Vegas - EUA Realização: NACS Informações: www.nacsshow.com
Revenda Conectada Data: 21 e 22 Local: Petrolina (PE) Realização: Sindicombustíveis - PE Fone: (81) 3227-1035
Encontro dos Revendedores de Combustíveis do Nordeste Data: 29 e 30 Local: Natal (RN) Realização: Sindipostos – RN e demais sindicatos da região Nordeste Fone: (84) 3217-6076 32 Combustíveis & Conveniência
Combustíveis & Conveniência 32
CONVENIÊNCIA CONVENIÊNCIA
Divulgação Posto Skalla
Para atrair o consumidor, a loja de conveniência Skalla foi inspirada na Costa das Baleias (BA), reproduzindo ambiente turístico do litoral baiano
Novas gerações transformam mercado de conveniência Mais do que agilidade, as gerações Y e Z querem resolver a vida num só local, com diferentes tipos de serviços, com qualidade e tecnologia integrada POR ISABELA PALMEIRA
C
onveniência já não significa ape-
espaços que integram serviços, alimenta-
nas rapidez. O consumidor bus-
ção e experiências. Segundo especialistas
ca alimentação de qualidade, in-
do setor, as gerações Y e Z ajudam a expli-
tegração entre os ambientes físico e digital
car essas transformações que já impactam
e a possibilidade de resolver diferentes ne-
o mercado de conveniência.
cessidades em uma única parada. O varejo
Os Millennials, também conhecidos co-
mudou e tem se deparado com transfor-
mo Geração Y, nasceram entre 1981 e
mações no comportamento de consumo,
1996 e cresceram durante a transição en-
que ampliaram o papel da revenda para
tre o mundo analógico e o digital, acompa-
34 Combustíveis & Conveniência
nhando a chegada da internet, dos com-
não buscam compras planejadas. Usam os
putadores pessoais, dos celulares e das re-
canais digitais para acompanhar tendên-
des sociais. Já a Geração Z nasceu entre
cias de consumo e vão até a loja física para
1997 e 2012 e foi a primeira a crescer em
buscar essa novidade, por exemplo, uma
um ambiente totalmente conectado à in-
bebida diferente ou um snack novo. O di-
ternet, aos smartphones e às redes sociais.
gital atrai a atenção deles, mas é na lo-
“Os Millennials estão no auge da vida
ja física que eles consomem, garantindo o
profissional e familiar. Eles não querem a
fluxo constante”, afirmou Giselle, desta-
conveniência para compras emergenciais;
cando que a Geração Y traz o desafio da
querem resolver a vida. Buscam, além de
qualidade, do sortimento e da rapidez, en-
variedade no sortimento, alimentação rá-
quanto a Geração Z amplia o necessidade
pida de qualidade, um bom café, refeições
de integrar as experiências digital e física.
prontas e processos ágeis. Se a jornada
Para Claudio Felisoni de Angelo, presiden-
demorar ou tiver fila, o Millennial vai em-
te do Instituto Brasileiro de Executivos de Va-
bora. Eles impactam o varejo exigindo pro-
rejo & Mercado de Consumo (IBEVAR) e pro-
cessos sem fricção e boas opções para ali-
fessor da FIA Business School, as novas gera-
mentação. A Geração Z, por sua vez, exi-
ções chegaram ao consumo com expectati-
ge presença digital, quer aplicativos flui-
va maior de agilidade e autonomia.
dos, carteiras digitais e conexão via redes
“Eu diria que o principal impacto é o
sociais”, analisou Giselle Valdevez, sócia-
imediatismo. Eles querem resolver a ne-
fundadora da Valsa Consultoria, especiali-
cessidade muito rapidamente, sem fric-
zada no mercado de conveniência.
ção. Há uma forte influência digital na de-
Giselle também chama atenção para a
cisão de compra, o que significa a consul-
relação da Geração Z com o varejo físico.
ta à avaliações online, redes sociais e uma
Segundo ela, embora esse público acom-
menor lealdade à marca, mas valorizando
panhe tendências de consumo pelos canais
a experiência. Também existe uma combi-
digitais, a loja física continua tendo um pa-
nação interessante: são consumidores sen-
pel importante na decisão de compra, es-
síveis a preço, mas dispostos a pagar por
pecialmente pela busca por novidades.
uma conveniência real”, pontuou Felisoni.
“Esse público vai muitas vezes à loja de
De acordo com o consultor, acompa-
conveniência ao longo da semana. Eles
nhar essas mudanças exige investimentos Combustíveis & Conveniência 35
CONVENIÊNCIA
em tecnologia de pagamento, programas
tantes. Nesse cenário, o food service se
de fidelização digital e presença ativa nos
consolida como um dos principais gerado-
canais online, já que esses consumidores
res de fluxo da loja de conveniência.
pesquisam a loja antes mesmo da visita.
“O grande segredo do varejo atual é con-
Ele também ressalta a importância de in-
seguir entregar essa agilidade operacional
corporar opções saudáveis e frescas ao mix
sem perder a capacidade de surpreender o
de produtos e preparar a equipe para um
cliente, criando uma experiência leve e alta-
atendimento rápido e cordial.
mente compartilhável”, afirmou a consultora.
“O dono do posto deve focar em questões como a experiência de pagamento
EXPERIÊNCIA É DIFERENCIAL
sem fricção, Pix, app e self-checkout. A se-
Na prática, essa busca por uma experiência
gunda prioridade é a qualidade e a varie-
mais completa já aparece em postos que
dade do food service, com café e comi-
ampliaram os serviços oferecidos ao con-
da fresca, já que as opções de alimentação
sumidor. O Posto Skalla, em Teixeira de
estão cada vez mais associadas à saúde e
Freitas (BA), reúne, além do abastecimen-
à sustentabilidade, além de representarem
to, serviços como academia, hotel, lavan-
uma área em que a margem da operação
deria self-service, cartório, loja de mate-
comercial cresce e contribui muito para o
riais de construção, clínica de estética, loja
resultado final. A prioridade três é limpe-
de roupas e escritório de advocacia.O pos-
za, conforto do ambiente, banheiros lim-
to também investiu em ações de relaciona-
pos, iluminação e Wi-Fi. Isso vai decidir se
mento com os consumidores, como o pro-
o cliente volta ou não”, analisou
grama de fidelidade, no qual o cliente acu-
Na avaliação de Giselle, fidelizar os con-
mula pontos a cada litro abastecido e po-
sumidores das gerações Y e Z exige com-
de trocá-los por benefícios como lavagem
preender melhor seus hábitos de consumo
de veículos, descontos na pista e na loja de
e compartilhar esse entendimento com as
conveniência, além de prêmios. A iniciati-
equipes que atuam na linha de frente. A
va busca estimular a recorrência, aumen-
operação também precisa combinar tec-
tar a fidelização e fortalecer o vínculo com
nologia, soluções digitais e um mix de pro-
os clientes.
dutos atualizado, com itens de qualidade,
Na loja de conveniência, o cliente encon-
voltados ao bem-estar e novidades cons-
tra um espaço inspirado na Costa das Ba-
36 Combustíveis & Conveniência
Divulgação Posto Skala Cardápio do food service com diversas opções, produtos de qualidade e design bonito e agradável fazem da loja um local de referência
leias, uma das principais regiões turísticas
vestimentos na estrutura aumentaram a
do litoral baiano. O balcão em formato de
circulação de pessoas e as oportunidades
navio, as janelas que remetem a embarca-
de consumo na loja. Ela avalia que o setor
ções, a varanda inspirada no calçadão de
vive uma transformação e, hoje, a capaci-
praia e os uniformes da equipe reforçam a
dade de reunir diferentes serviços e aten-
identidade regional, que também aparece
der múltiplas necessidades passa a ser um
no cardápio, com produtos que homena-
diferencial para os postos.
geiam destinos da região. A gastronomia
“O futuro do varejo de conveniência
também ganhou importância no negócio,
está cada vez menos ligado ao combustí-
com café da manhã em sistema self-ser-
vel e mais à capacidade de oferecer uma
vice, pratos executivos no almoço, jantar,
experiência completa ao consumidor. Os
padaria, cafés especiais, lanches rápidos
postos deixaram de ser apenas pontos de
e opções voltadas aos consumidores que
abastecimento para se tornarem espaços
buscam uma alimentação mais equilibra-
de conveniência, serviços e experiências.
da, como bebidas proteicas, snacks fitness
O diferencial estará em vender muito mais
e outros produtos saudáveis.
do que combustível: vender tempo, prati-
A proprietária do Posto Skalla, Luiza Bridi, conta que os novos serviços e os in-
cidade, relacionamento e valor para a rotina das pessoas”, ressaltou. n Combustíveis & Conveniência 37
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TABELAS em R$/L
Período
São Paulo
Goiás
Período
São Paulo
Goiás
29/06/2026 - 03/07/2026
2,581
2,450
29/06/2026 - 03/07/2026
2,243
2,228
06/07/2026 - 10/07/2026
2,466
2,419
06/07/2026 - 10/07/2026
2,180
2,203
13/07/2026 - 17/07/2026
2,442
2,404
13/07/2026 - 17/07/2026
2,134
2,165
20/07/2026 - 24/07/2026
2,379
2,338
20/07/2026 - 24/07/2026
2,076
2,092
27/07/2026 - 31/07/2026
2,314
2,251
27/07/2026 - 31/07/2026
2,045
2,050
julho de 2025
2,959
2,832
julho de 2025
2,570
2,512
julho de 2026
2,400
2,353
julho de 2026
2,109
2,127
Variação 29/06/2026 31/07/2026
-10,3%
-8,1%
Variação 25/05/2026 26/06/2026
1,4%
3,8%
Variação julho de 2026 x julho de 2025
-18,9%
-16,9%
Variação junho de 2026 x junho de 2025
-12,9%
-12,2%
EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL ANIDRO (em R$/L)
Fonte: CEPEA/Esalq Nota 1: Sem Pis/Cofins produtor (R$ 0,1309) Nota 2: Preço para vendas interestaduais.
40 Combustíveis & Conveniência
HIDRATADO
ANIDRO
EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL (Centro-Sul)
EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL HIDRATADO (em R$/L)
FORMAÇÃO DE PREÇOS
Diesel S500
Gasolina
Convênio ICMS 112/2025 (Gasolina) e 113/2025 (Diesel) - Referência 01/08/2026
UF
68% Gasolina A
AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
2,5295 2,8630 2,5295 2,5295 2,8630 2,8630 2,6576 2,4188 2,6576 2,8630 2,4188 2,6576 2,6576 2,5295 2,8630 2,8630 2,8630 2,4188 2,4188 2,8630 2,5295 2,5295 2,4126 2,4126 2,8630 2,4188 2,6576
UF
85% Diesel A S500
AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
32% Etanol Anidro (1)
32% PIS/ COFINS Anidro (3)
0,9280 0,0615 0,9056 0,0615 0,9312 0,0615 0,9408 0,0615 0,9120 0,0615 0,9248 0,0615 0,7626 0,0615 0,7904 0,0615 0,7594 0,0615 0,9184 0,0615 0,7840 0,0615 0,7786 0,0615 0,7850 0,0615 0,9216 0,0615 0,9008 0,0615 0,9008 0,0615 0,9072 0,0615 0,7840 0,0615 0,7840 0,0615 0,9056 0,0615 0,9280 0,0615 0,9312 0,0615 0,8060 0,0615 0,7936 0,0615 0,9056 0,0615 0,7744 0,0615 0,7754 0,0615 CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)
15% Biocombustível (1)
85% CIDE (2)
4,5989 0,7738 0,0000 3,2933 0,8222 0,0000 4,5989 0,7738 0,0000 4,5989 0,7738 0,0000 3,2933 0,8222 0,0000 3,2933 0,8222 0,0000 3,2261 0,7479 0,0000 3,1335 0,7575 0,0000 3,2261 0,7464 0,0000 3,2933 0,8222 0,0000 3,1335 0,7575 0,0000 3,2261 0,7464 0,0000 3,2261 0,7479 0,0000 4,5989 0,7738 0,0000 3,2933 0,8222 0,0000 3,2933 0,8222 0,0000 3,2933 0,8222 0,0000 3,0481 0,7295 0,0000 3,1335 0,7620 0,0000 3,2933 0,8222 0,0000 4,5989 0,7738 0,0000 4,5989 0,7738 0,0000 3,0481 0,7295 0,0000 3,0481 0,7310 0,0000 3,2933 0,8222 0,0000 3,1335 0,7545 0,0000 4,5989 0,7633 0,0000 CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)
68% CIDE (2)
68% PIS/COFINS
0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680
0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389
15% PIS/ COFINS Biodiesel (6)
85% PIS/ COFINS Diesel (3)
0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222
(3)
Carga ICMS
Ad rem (4) 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 5,595
Carga ICMS
Ad rem (4) 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 5,566
Custo da Distribuição 5,696 6,007 5,699 5,709 6,013 6,026 5,659 5,448 5,655 6,020 5,441 5,675 5,681 5,690 6,002 6,002 6,009 5,441 5,441 6,007 5,696 5,699 5,457 5,445 6,007 5,432 5,671
Custo da distribuição 6,841 5,607 6,864 6,864 5,607 5,607 5,465 5,382 5,464 5,607 5,382 5,464 5,465 6,864 5,607 5,607 5,607 5,269 5,386 5,607 6,864 6,864 5,269 5,270 5,607 5,379 6,853
Combustíveis & Conveniência 41
TABELAS em R$/L
Diesel S10
FORMAÇÃO DE PREÇOS UF
85% Diesel A S10
15% Biocombustível (1)
85% CIDE (2)
15% PIS/ COFINS Biodiesel (6)
85% PIS/ COFINS Diesel (3)
Ad rem (4)
AC
3,9487
0,7738
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
6,191
AL
4,7175
0,8222
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
7,031
AM
3,9487
0,7738
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
6,213
AP
3,9487
0,7738
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
6,213
BA
4,7175
0,8222
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
7,031
CE
4,7175
0,8222
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
7,031
DF
3,3426
0,7479
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,582
ES
3,3028
0,7575
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,551
GO
3,3426
0,7464
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,580
Carga ICMS
Custo da distribuição
MA
4,7175
0,8222
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
7,031
MG
3,3028
0,7575
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,551
MS
3,3426
0,7464
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,580
MT
3,3426
0,7479
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,582
PA
3,9487
0,7738
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
6,213
PB
4,7175
0,8222
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
7,031
PE
4,7175
0,8222
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
7,031
PI
4,7175
0,8222
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
7,031
PR
3,1859
0,7295
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,406
RJ
3,3028
0,7620
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,556
RN
4,7175
0,8222
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
7,031
RO
3,9487
0,7738
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
6,213
RR
3,9487
0,7738
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
6,213
RS
3,1859
0,7295
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,406
SC
3,1859
0,7310
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,408
SE
4,7175
0,8222
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
7,031
SP
3,3028
0,7545
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,548
TO
3,3426
0,7633
0,0000
0,0222
0,2988
1,1700
5,597
CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)
2,851
Nota (1): Corresponde ao preço da usina/produtor sem acréscimo do PIS/COFINS, incluso frete Nota (2): Decreto 8395, de 28/01/2015, para Gasolina e o Decreto 9391/2018 para o Diesel - Alíquota reduzida a zero Nota (3): Decreto 9101, de 20/07/2017, para Gasolina e a Lei 10.865/2004 para o Diesel Nota (4): Base de cálculo do ICMS = Ad rem (Gasolina - Convênio ICMS 127/2024- e Diesel - Convênio ICMS 126/2024) Nota (5): Média ponderada considerando o volume comercializado no ano de 2023 Nota (6): Lei 11.116/2005 Não inclui frete de entrega e CBIOs Obs: ICMS Base -Convênio ICMS 112/2025 (Gasolina) e Convênio ICMS 113/2025 (Diesel) Referência dos preços Produtores/Importadores = Preços médios ponderados semanais praticados por Produtores e Importadores de derivados de petróleo - ANP Esta planilha é elaborada com os dados públicos e oficiais previamente divulgados ao mercado pela Petrobras, Governo Federal e Governos Estaduais e pelo CEPEA/ESALQ. Utilizamos as tabelas públicas fornecidas pela Petrobras (Refinarias), a composição de tributos divulgada pelo Governo Federal e pelo CONFAZ (Ato Cotepe), além dos custos dos biocombustíveis (Fonte: Biodiesel = ANP e Etanol Anidro = Cepea/Esalq). A Fecombustíveis se isenta de quaisquer erros nos dados fornecidos pelas fontes acima citadas e ressalta que esta planilha se destina exclusivamente a colaborar com a transparência do mercado e com a efetivação da competitividade do setor.
42 Combustíveis & Conveniência
DIESEL
GASOLINA
AJUSTES NOS PREÇOS DA PETROBRAS
Fonte: Petrobras Preços Maio/2026 referência 29/05/2026 ==> Preços contemplam os seguintes “Descontos” relativos à Medida Provisória 1358: = Gasolina A = desconto R$ 0,44/lt + aumento tabela R$ 0,48/lt = aumento real R$ 0,04/lt) // = Diesel A = R$ 0,3515/lt (desconto equivalente à reoneração do PIS/COFINS mesmo valor) Nota: As tabelas e informações sobre a composição de preços estão disponíveis no site da empresa, seção Nossas Atividades/ Preços de Vendas de Combustíveis (https://petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/precos-de-venda-de-combustiveis/)
Combustíveis & Conveniência 43
TABELAS PREÇOS DE REVENDA E DISTRIBUIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS Período: 01/01/2021 à 26/07/2026 - (Preço Médio Brasil)
Gasolina comum:
Óleo Diesel S10:
Etanol Hidratado comum:
Obs: 1 - A partir de 17/08/2020 os dados de distribuição de etanol hidratado NÃO contemplam a parcela de ICMS/Substituição 2 - Desde a semana iniciada em 23/08/2020 os preços de distribuição são informados pelas distribuidoras à ANP através do SIMP Fonte: ANP – Painel Dinâmico de Preços de Combustíveis e Derivados do Petróleo, em 03/08/2026
44 Combustíveis & Conveniência