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Revista Combustíveis & Conveniência Ed.244

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ÍNDICE

22 n FÓRUM | ECONOMIA

ESPECIAL EXPOPOSTOS FÓRUM | ABERTURA

28 • Juros altos e consumo pressionado

desafiam economia e setor de combustíveis

Setor é marcado por transformações

n FÓRUM | COMBATE ÀS IRREGULARIDADES

32 • Cooperação entre mercado privado

e órgãos públicos amplia combate às fraudes

ENTREVISTA

n FÓRUM | GESTÃO

Cristian Bazaga, Diretor-presidente da Abieps

como estado permanente

40 • Gestão do negócio: mudanças

10

n FÓRUM | MÃO DE OBRA

44 • Escassez de mão de obra no varejo é tema de debate

n FEIRA

48 • Sucesso de público consolida força da feira de negócios

n FEIRA | EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS

53 • Inovação marca área de equipamentos n FEIRA | CONVENIÊNCIA TABELAS

56 • Novos expositores mostram 73 • Evolução dos Preços do Etanol 74 • Formação de Preços 75 • Formação de Custos do S10 76 • Ajustes nos preços da Petrobras 77 • Preços de Revenda e Distribuição

n OPINIÃO

20 • James Thorp Neto

alternativas de diversificação

n FÓRUM | CONVENIÊNCIA

60 • Como transformar o food service em diferencial

n FÓRUM | CONVENIÊNCIA

65 • Quem vai dominar a

Conveniência: geração X ou Z?

n FÓRUM | FECOMBUSTÍVEIS

68 • Presidente da Fecombustíveis apresenta a rotina da entidade


CARTA AO LEITOR

ExpoPostos supera todas as expectativas A Fecombustíveis representa nacionalmente 23 sindicatos, defendendo os interesses legítimos de mais de 45 mil postos de serviços, 687 TRRs e cerca de 58 mil revendedores de GLP, além da revenda de lubrificantes. Nossa missão é acompanhar o mercado de revenda de combustíveis, com a meta de fomentar o desenvolvimento econômico e social do setor, contribuindo assim para melhorar a qualidade de vida da nação. Presidente: James Thorp Neto 1º Vice-Presidente: Márcio Martins de Castro Andrade 2º Vice-Presidente: Alfredo Pinheiro Ramos 3º Vice-Presidente: Júlio César Zimmermann 4º Vice-Presidente: Arildo Persegono Filho 5º Vice-Presidente: Emílio Roberto Chierighini Martins 1º Secretário: Mário Luiz Pinheiro Melo 2º Secretário: José Carlos da Silva 3º Secretário: Maxwel Nunes Paula 1º Tesoureiro: Antônio Cardoso Sales 2º Tesoureiro: Wilber Silvano de Souza Filho 3º Tesoureiro: Maxwell Flor de Oliveira Conselheiro Fiscal Efetivo: Adriano Costa Nogueira Conselheiro Fiscal Efetivo: Manuel Fonseca da Costa Conselheiro Fiscal Efetivo: José de Faro Rollemberg Nascimento Diretoria: Adriano Luiz de Castro Silva, Alexandre Aurélio Pereira Félix, Aline de Souza Andrade Soares, Antônio Barbosa Ferreira,Eduardo Augusto de Viveiros Pinheiro Borges,Delano Lima e Silva, Elson Justiniano Alves, Eraldo de Souza Teles Filho, Francielli Locatelli, Jarlan Marques Cavalcante, Magnolia Gomes Rolim,Marcelo Ambar Naya,Marcelo Batistela,Murilo de Paula Melquiades Oliveira,Rafael Alexandre de Figueiredo Gomes e Regina Amélia Fonseca Lins Lima. Conselho Editorial: Marciano Francisco Franco, José Alberto Miranda Cravo Roxo, Mario Melo e Ricardo Hashimoto Edição: Mônica Serrano (monicaserrano@fecombustiveis.org.br) Redação: Rosemeire Guidoni (roseguidoni@uol.com.br) Capa: Alexandre Bersot, com Imagem de Eliane Cunha e ExpoPostos Publicidade: Fernando Polastro comercial.revista@fecombustiveis.org.br Telefone: (11) 5081-6681 | 99525-6665 Programação visual: Girasoli Fecombustíveis Av. Rio Branco 103/13° andar - Centro-RJ Cep.: 20.040-004 Telefone: (21) 2221-6695 Site: https://www.fecombustiveis.org.br/edicoes-revista E-mail: revista@fecombustiveis.org.br

4 Combustíveis & Conveniência

Acompanho a ExpoPostos & Conveniência desde que comecei a atuar no setor de combustíveis, em 2013. A cada dois anos, quando o evento termina, tenho a impressão de que aquela foi a melhor edição de todas. No entanto, neste ano, a ExpoPostos & Conveniência se superou. Além de uma programação altamente diversificada, tanto no Fórum Internacional quanto na Arena do Conhecimento, o evento proporcionou ampliar o conhecimento, aumentar a rede de contatos, ficar por dentro das tendências e das transformações do negócio. Assim como em 2024, fizemos uma cobertura especial, com uma revista temática da ExpoPostos, com os principais painéis do Fórum Internacional e da Arena do Conhecimento, e trouxemos as novidades da feira de negócios, tanto na área de equipamentos e serviços quanto de conveniência. Para quem não foi à ExpoPostos, a revista Combustíveis & Conveniência poderá proporcionar uma pequena amostra desse grandioso evento. Trazemos os momentos mais relevantes da cerimônia de abertura, que contou com a participação dos representantes da revenda, distribuição, ANP, entre outros órgãos do setor. Para acompanhar o contexto econômico do país, trazemos a cobertura da palestra de Alexandre Schwartsman. O economista alertou sobre o cenário atual desafiador, com os preços mais elevados dos derivados de petróleo, que pressionam a inflação, o custo final dos combustíveis e a renda dos consumidores. Outro painel abordou os problemas da revenda e de outros setores do varejo com a contratação e retenção da mão de obra. Esse tema foi amplamente debatido, por representantes da revenda, supermercados e rede de lanches. O combate às fraudes do setor foi outro momento de destaque do evento, que teve representantes da ANP, Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Instituto Combustível Legal (ICL), Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e Brasilcom, com mediação de James Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis. Trazemos também os painéis que abordaram o mercado de Conveniência, com o food service como diferencial do negócio, os comportamentos das gerações X, Y e Z e como influenciam as compras, as tendências tecnológicas com a IA, que trazem agilidade e auxiliam na gestão do negócio. Confira também a Entrevista do mês, com Cristian Bazaga, diretor-presidente da Abieps, que relata a evolução da entidade e do mercado ao longo de 25 anos. Vale a pena conferir! Boa leitura! Mônica Serrano Editora


SINDICATOS

ACRE Sindepac Delano Lima e Silva Rua Pernambuco nº 599 - Sala 4 Bairro: Bosque Rio Branco-AC Fone: (68) 3226-1500 sindepac@hotmail.com www.sindepac.com.br ALAGOAS Sindicombustíveis - AL James Thorp Neto Av. Jucá Sampaio, 2247, Barro Duro Salas 93/94 Shopping Miramar Maceió-AL Fone: (82) 3320-2902/1761 scvdpea@uol.com.br www.sindicombustiveis-al.com.br AMAZONAS Sindicombustíveis - AM Eraldo de Souza Teles Filho Rua Rio Içá, 26 - quadra 35 Conj. Vieiralves Manaus-AM Fone: (92) 35843707/3728/99446-2261 sindicombustiveisam@gmail.com

MARANHÃO Sindicombustíveis - MA Luciana Nobre Av. dos Holandeses - Ed. Tech Office - sala 226 - 2o andar Ponta D’Areia - São Luís-MA Fone: (98) 98740-1700 / 98453-7975 gerencia@sindcombustiveis-ma. com.br PARÁ Sindicombustíveis - PA José Carlos da Silva Av. Duque de Caxias, 1337 Bairro Marco Perímetro: Trav. Mariz e Barros/Trav. Timbó Belém-PA Fone: (91) 3224-5742/ 3241-4473 secretaria@sindicombustiveis-pa. com.br www.sindicombustiveis-pa.combr

CEARÁ Sindipostos - CE Manuel Novais Neto Av. Engenheiro Santana Junior, 3000/sala 605 Parque do Cocó - Fortaleza/CE Fone: (85) 3244.1147

PARAÍBA Sindipetro - PB Omar Aristides Hamad Filho Av. Minas Gerais, 104 Bairro dos Estados João Pessoa-PB Fone: (83) 3221-0762 contato@sindipetropb.com.br www.sindipetropb.com.br

ESPÍRITO SANTO Sindipostos - ES Maxwel Nunes Paula Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 955 / 21º - salas 2101 e 2102 Ed. Global Tower - Enseada do Suá Vitória - ES Fone: (27) 3322-0104 sindipostos@sindipostos-es. com.br www.sindipostos-es.com.br

PERNAMBUCO Sindicombustíveis - PE Alfredo Pinheiro Ramos Rua Desembargador Adolfo Ciriaco,15 Prado Recife-PE Fone: (81) 3227-1035 recepcao@sindicombustiveis-pe. org.br www.sindicombustiveis-pe.org.br

GOIÁS Sindiposto Marcio Martins de Castro Andrade 12ª Avenida, 302 Setor Leste Universitário Goiânia-GO Fone: (62) 3218-1100 sindiposto@sindiposto.com.br www.sindiposto.com.br

PIAUÍ Sindipostos - PI Guilherme Araújo Parente Av. Tancredo Neves 8570, Lourival Parente Teresina-PI Fone: (86) 3227-4996 sindipostospi@gmail.com

RIO DE JANEIRO RJ Postos Marcelo Ambar Aya Av. Presidente Franklin Roosevelt, 296 São Francisco Niterói–RJ Fone: (21) 2704-9400 sindestado@sindestado.com.br www.sindestado.com.br

SÃO PAULO – CAMPINAS Recap Emílio Roberto Chierighini Martins Rua José Augusto César, 233 Jardim Chapadão Campinas-SP Fone: (19) 3284-2450 recap@financeiro.com.br www.recap.com.br

RIO DE JANEIRO - MUNICÍPIO Sindcomb Manuel Fonseca da Costa Rua Alfredo Pinto, 76 - Tijuca Rio de Janeiro-RJ Fone: (21) 3544-6444 secretaria@sindcomb.org.br www.sindcomb.org.br

SERGIPE Sindpese Jose de Faro Rollemberg Nascimento Rua Dep. Euclides Paes Mendonça, 871 Bairro Salgado Filho Aracaju-SE Fone: (79) 3214-4708 secretaria@sindpese.com.br www.sindpese.com.br

RIO GRANDE DO NORTE Sindipostos - RN Maxwell Flor de Oliveira Rua Monte Sinai, 1920 - Galeria Brito Sl 102 Bairro Capim Macio Natal/RN Fone/whatsapp: (84) 3217-6076 sindipostosrn@sindipostosrn. com.br www.sindipostosrn.com.br RONDÔNIA Sindipetro - RO Arildo Persegono Filho Travessa Guaporé, Ed. Rio Madeira, 3º andar, salas 307/308 Porto Velho-RO Fone: (69) 3229-6987 sindipetrorondonia@gmail.com www.sindipetro-ro.com.br RORAIMA Sindipostos - RR Av. Major Williams, 436 - sala 01- São Pedro Boa Vista-RR Fone: (95) 3623-9368/ 991322776 sindipostosrr@hotmail.com SANTA CATARINA - BLUMENAU Sinpeb Julio César Zimmermann Rua Quinze de Novembro, 550/4º andar Blumenau-SC Fone: (47) 3326-4249 sinpeb@gmail.com www.sinpeb.com.br

SINDILUB Adriano Silva Rua Trípoli, 92, conj. 82 Vila Leopoldina São Paulo-SP Fone: (11) 3644-3439/ 3645-2640 sindilub@sindilub.org.br www.sindilub.org.br TOCANTINS Sindiposto - TO Wilber Silvano de Sousa Filho Quadra 303 Sul Av. LO 09 lote 21 salas 4 e 5 Palmas-Tocantins Fone: (63) 3215-5737 sindiposto-to@sindiposto-to. com.br www.sindiposto-to.com.br TRR Álvaro Rodrigues Antunes de Faria Rua LordCockrane, 616 8º andar, salas 801/804 e 810 Ipiranga-SP Fone: (11) 2914-2441 info@sindtrr.com.br www.sindtrr.com.br Entidade associada ABRAGÁS (GLP) José Luiz Rocha Fone: (41) 98897-9797 abragas.presidente@gmail.com

Combustíveis & Conveniência 5


VIROU NOTÍCIA Fecombustíveis tira dúvida da revenda sobre venda de Arla-32 a granel Segundo a regra do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), a comercialização de Arla-32 a granel deve observar capacidade igual ou superior a 3 mil litros. Mas qual seria a norma para a comercialização em quantidades inferiores a 3 mil litros? Essa questão gerava dúvidas entre os revendedores de combustíveis, mas foi esclarecida após consulta da Fecombustíveis ao Inmetro sobre a aplicação da norma em volumes menores, como de 1000 litros. De acordo com o Inmetro, não há restrição para a venda de Arla-32 a granel em

Durante a ExpoPostos, o estande da Fecombustíveis se consolidou como ponto de encontro da revenda de todo o país, recebendo empresários, lideranças e parceiros do setor, além de sediar reuniões e encontros institucionais ao longo do evento. O espaço também foi ponto de apoio do SindTRR e Recap, além de contar com atendimento do Sesc e do Senac, ampliando a integração entre as entidades e os serviços oferecidos aos participantes. No local, houve distribuição de cerca de 2 mil exemplares da revista Combustíveis & Conveniência aos visitantes da feira.

6 Combustíveis & Conveniência

Eliane Cunha

Fecombustíveis: ponto de encontro

relação ao volume comercializado no ponto de venda. O instituto esclareceu que a Portaria Inmetro nº 213/2021 restringe, apenas para fins de certificação, que os recipientes de 1000 litros não se enquadram na modalidade de granel, sendo tratados como embalagens. Essa é mais uma conquista da Fecombustíveis, resultado da atuação da entidade em defesa dos interesses da revenda nacional. Vale destacar que a Fecombustíveis enviou um ofício em 2023, contendo essa e outras questões relativas às regras técnicas, e o retorno chegou recentemente.


EXPOPOSTOS

Conexão Rodovias fortalece união dos postos de rodovia

Francielli Locatelli, Arlindo Lins, Jaime Ribeiro Neto e Públio Ramalho apresentaram painel com auditório lotado

O Conexão Rodovias marcou presença na Arena do Conhecimento da ExpoPostos & Conveniência, reforçando a união dos postos de rodovia em torno de pautas específicas do segmento e de soluções para os desafios das estradas brasileiras. Entre os principais temas do setor foram citados os Pontos de Parada e Descanso (PPDs), os impactos do aumento da mistura de biodiesel no diesel e as condições comerciais dos meios de pagamento de frota. O painel contou com a participação de Francielli Locatelli, diretora de Rodovias e membro do Comitê de Meios de Pagamento da Fecombustíveis, além dos diretores do Conexão Rodovias Arlindo Lins, Públio Ramalho e Jaime Ribeiro Neto.A Arena do Conhecimento ficou lotada de proprietários de postos e gestores do setor, demonstrando o interesse e a necessidade de ampliar o diálogo sobre os desafios específicos da revenda rodoviária e reforçar a importância da estrutura oferecida pelos postos a quem utiliza as estradas. Para Públio Ramalho, “mais do que estabelecimentos comerciais, os postos de rodovia integram a infraestrutura essencial das estradas. Garantem abastecimento, alimentação, estacionamento, descanso, segurança e diferentes serviços para caminhoneiros, transportadores, famílias e demais usuários”. Na apresentação, Arlindo Lins reforçou que, em 2025, os postos de rodovia representaram 49,6% de todo o diesel comercializado no Brasil e 38% do volume total de produtos. São cerca de 12 mil postos na rede federal de rodovias, e sete entre as dez maiores redes de combustíveis do país têm foco nas rodovias e na comercializa-

ção de diesel. Esses números reforçam a relevância dos postos rodoviários para o transporte. Dentro da discussão sobre os PPDs, o setor também chama atenção para as estruturas que muitos postos já mantêm com recursos próprios e para a necessidade de criar condições que permitam ampliar esses investimentos e a oferta de vagas aos motoristas (Saiba mais no link https://bit.ly/4h0S7s4). A proposta do Conexão Rodovias é ampliar o diálogo entre postos, governo, concessionárias, entidades e toda a cadeia rodoviária, buscando soluções que reconheçam essa estrutura existente, estimulem novos investimentos e tragam benefícios diretos aos usuários das estradas. O movimento reforça uma mensagem central: os postos de rodovia fazem parte da estrutura que mantém o Brasil em movimento e precisam estar presentes nas discussões e decisões sobre o futuro das rodovias. “Os postos de rodovia têm características e desafios muito específicos. São empreendimentos que já oferecem uma estrutura fundamental para quem está na estrada e que precisam ter espaço nas discussões específicas do setor, como pontos de parada, infraestrutura, biodiesel e meios de pagamento. O Conexão Rodovias nasceu justamente para fortalecer essa representação e ampliar o diálogo do setor com todos os agentes envolvidos”, destacou Francielli. Um dos marcos do movimento do Conexão Rodovias foi a realização, em 9 de abril de 2026, do primeiro evento nacional dedicado aos postos de rodovia, em Brasília, que reuniu 193 visitantes e 29 expositores. A próxima edição está prevista para abril de 2027.

Combustíveis & Conveniência 7


VIROU NOTÍCIA Presenças internacionais

inovações e cases de diferentes países e

Entre os convidados internacionais, o Fórum recebeu Mark Wohltmann, especialista em varejo de conveniência e diretor da NACS. Wohltmann destacou que as transformações no mercado de conveniência ocorrem em escala global. A partir de experiências acumuladas em viagens técnicas, o executivo apresentou tendências,

culturas, mostrando como o setor vem se adaptando às novas demandas e aos hábitos de consumo. Outra atração foi Brian Gray, diretorexecutivo de varejo de mobilidade global da Accenture. Gray compartilhou com o público o impacto da IA no varejo em geral e no mercado de conveniência. Eliane Cunha

Amyr Klink contou sua trajetória de vida e a superação de desafios com a navegação

Navegar é preciso Uma das principais atrações do último dia de ExpoPostos foi a palestra de Amyr Klink, navegador e escritor, que contou sua história de vida. A primeira viagem foi feita com muito planejamento, considerando as circunstâncias do tempo, com base nos erros de dois americanos, que não conseguiram chegar no objetivo. Em 1984, Klink conseguiu fazer o que ninguém até então tinha conseguido: cruzar o Atlântico Sul, da Namíbia, na África, a Salvador. “Eu estava feliz porque eu tinha um plano e cumpri”. A partir dessa viagem, Klink

8 Combustíveis & Conveniência

passou a planejar outras viagens que ficaram registradas na história. Ele construiu o seu primeiro barco e com muita organização, planejamento e disciplina, conseguiu cruzar os dois pólos em uma única viagem e deu a volta ao mundo em 77 dias. Hoje, a filha Tâmara segue os passos do pai com a navegação e já escreveu um livro. “É muito importante ter uma história. Não adianta nada ter sucesso naquilo que a gente faz, se não passamos para frente. Mais importante que ter uma história é fazer com que essa história perdure ao longo do tempo”, disse Klink.


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ENTREVISTA

CRISTIAN BAZAGA | DIRETOR-PRESIDENTE DA ABIEPS

Divulgação Abieps

Inovação amplia segurança e abre novas oportunidades para os postos 10 Combustíveis & Conveniência


POR ROSEMEIRE GUIDONI

N

riscos ambientais e operacionais, o papel dos novos equipamentos no combate às

os últimos 25 anos, os equi-

fraudes e os impactos da transição ener-

pamentos e sistemas utili-

gética sobre o negócio. Ele também abor-

zados nos postos de com-

da a chegada da inteligência artificial e da

bustíveis passaram por uma transforma-

Internet das Coisas (IoT) às operações, as

ção significativa. Automação, monitora-

inovações nas lojas de conveniência e os

mento remoto, integração de dados, sis-

cuidados necessários para que a recarga

temas de prevenção e detecção de va-

de veículos elétricos se torne uma nova

zamentos e novas tecnologias incorpo-

oportunidade para o revendedor. A se-

radas às bombas medidoras mudaram a

guir, acompanhe os principais trechos.

operação e ampliaram os recursos disponíveis para segurança, controle e gestão dos estabelecimentos.

Combustíveis & Conveniência: A Abieps completou 25 anos em 2026. Se compa-

Agora, uma nova etapa começa a re-

rarmos um posto de 2001 com um atual,

desenhar esse mercado. A perspectiva de

quais foram as mudanças mais significati-

crescimento da eletrificação, o uso cres-

vas nos equipamentos e sistemas utiliza-

cente de sensores e ferramentas de aná-

dos na operação?

lise de dados e a busca por maior eficiên-

Cristian Bazaga: A principal transfor-

cia levam o posto a incorporar outras fun-

mação foi a passagem de uma operação

ções, além do tradicional abastecimento

predominantemente eletromecânica e re-

de combustíveis.

ativa para uma muito mais automatizada,

É nesse cenário que a Associação Brasi-

monitorada e orientada por dados.

leira da Indústria, Comércio e Serviço para

Quando a Abieps surgiu, em 2001, o

Abastecimento Veicular e Conveniência

setor já vivia os efeitos da abertura do

(Abieps) completou 25 anos. Nesta entre-

mercado e, ao mesmo tempo, uma im-

vista à Combustíveis & Conveniência,

portante evolução regulatória e ambien-

o diretor-presidente da entidade, Cristian

tal. A Resolução Conama 273/2000 foi

Bazaga, analisa a evolução tecnológica da

um marco, ao estabelecer diretrizes pa-

indústria brasileira, as soluções disponí-

ra o licenciamento ambiental dos postos

veis para modernizar os postos e reduzir

e vincular projetos de construção, modiCombustíveis & Conveniência 11


ENTREVISTA

CRISTIAN BAZAGA | DIRETOR-PRESIDENTE DA ABIEPS

Ao longo desses 25 anos, avançamos de forma expressiva em segurança operacional, proteção ambiental, metrologia e gestão,

nologia (Inmetro) para bombas medidoras contempla expressamente esses requisitos de segurança. Mais recentemente, a transição energética acrescentou uma nova dimensão. O posto começa a deixar de ser exclusivamente um local de abastecimento de combustíveis para se posicionar como um hub de mobilidade, energia, conveniência e serviços.

com sistemas de armazenamento mais seguros, maior automação e uma nova geração de

C&C: Nesse período, a indústria brasileira de equipamentos ganhou capacidade tecnológica? Em quais áreas o país hoje está próximo, ou à frente, das tecnologias utilizadas nos mercados mais desenvolvidos?

bombas medidoras com

CB: Sem dúvida tivemos avanços tec-

mecanismos antifraude

nológicos importantes. A indústria brasileira deixou de ser apenas uma adaptadora de soluções internacionais e desen-

ficação e ampliação às normas técnicas

volveu competência própria para respon-

da ABNT.

der às particularidades de um mercado de

Ao longo desses 25 anos, avançamos

dimensão continental, elevado volume de

de forma expressiva em segurança opera-

transações e desafios relevantes de con-

cional, proteção ambiental, metrologia e

trole e fiscalização.

gestão, com sistemas de armazenamen-

Um bom exemplo é a nova geração de

to mais seguros, maior automação e uma

bombas medidoras. Também avançamos

nova geração de bombas medidoras com

muito em automação, telemetria, moni-

mecanismos antifraude. O atual Regula-

toramento de estoques, detecção de va-

mento Técnico Metrológico do Instituto

zamentos, integração de sistemas e ges-

Nacional de Metrologia, Qualidade e Tec-

tão remota.

12 Combustíveis & Conveniência


C&C: Quando se fala em inovação

gridade da instalação, na prevenção de

ambiental nos postos, muitas vezes o

perdas e na identificação precoce de ris-

consumidor pensa apenas em novos

cos ambientais.

combustíveis ou eletrificação. O que a indústria de equipamentos vem de-

C&C: Para o revendedor que opera um

senvolvendo para reduzir riscos de

posto mais antigo, quais equipamentos

vazamentos, contaminação do solo,

ou sistemas deveriam ser prioritários em

emissões e perdas de combustível?

um projeto de modernização?

CB: Uma parte fundamental da inova-

CB: Eu começaria por um diagnóstico

ção ambiental em um posto é praticamen-

de integridade e risco de toda a instala-

te invisível para o consumidor, porque es-

ção, avaliando tanques, tubulações, co-

tá concentrada no sistema de armazena-

nexões, contenções e sistemas de moni-

mento, nas tubulações, contenções e no

toramento. A partir desse diagnóstico, as

monitoramento.

prioridades devem estar nos elementos

A evolução do Sistema de Armazenamento Subterrâneo de Combustíveis

capazes de produzir maior impacto ambiental ou operacional

(SASC) trouxe soluções como tanques

Modernização ambiental não deve ser

de parede dupla, contenções secundá-

entendida apenas como substituição de

rias, monitoramento, dispositivos de pre-

equipamentos antigos. É, antes de tudo,

venção e sistemas para detecção de vaza-

gestão de risco. E o investimento preven-

mentos. A lógica da regulamentação am-

tivo tende a ser muito menor do que o

biental brasileira é justamente preventiva,

custo de uma remediação ambiental, de

considerando os riscos de contaminação

uma interrupção operacional ou de um

do solo, das águas subterrâneas e superfi-

passivo regulatório.

ciais associados aos vazamentos. Há ainda soluções voltadas à gestão

C&C: Uma das grandes preocupa-

de vapores e emissões, ao tratamento de

ções do setor é o mercado irregular.

efluentes e à separação de água e óleo.

Poderia detalhar como as novas bom-

Sustentabilidade, no nosso setor, não

bas com criptografia podem reduzir

começa apenas no tipo de energia que

as fraudes volumétricas e citar quais

o veículo utiliza, mas também na inte-

empresas já têm os equipamentos hoCombustíveis & Conveniência 13


ENTREVISTA

CRISTIAN BAZAGA | DIRETOR-PRESIDENTE DA ABIEPS

mologados pelo Inmetro ou estão em vias de conseguir a certificação?

CB: Hoje, o maior ganho está na integração entre automação, dados e gestão.

CB: O avanço central da nova geração

Não basta ter equipamentos digitais isola-

de bombas está em elevar o nível de inte-

dos: o valor aparece efetivamente quan-

gridade do sistema de medição. Na práti-

do bombas, medição de tanques, vendas,

ca, os mecanismos antifraude utilizam re-

estoque e manutenção passam a conver-

cursos de proteção e autenticação das in-

sar entre si.

formações entre os componentes metro-

A automação de estoque reduz ativi-

lógicos da bomba, dificultando interven-

dades manuais e melhora a conciliação

ções eletrônicas não autorizadas.

entre recebimento, armazenagem e ven-

Isso não significa dizer que a tecnologia

da. O monitoramento remoto permite

torna a fraude impossível, mas aumenta

acompanhar indicadores de várias uni-

substancialmente a barreira tecnológica,

dades em um único ambiente, enquanto

a rastreabilidade e a capacidade de fisca-

ferramentas de diagnóstico e manuten-

lização. É uma evolução importante tanto

ção ajudam a reduzir paradas não pro-

para proteger o consumidor quanto pa-

gramadas e deslocamentos desnecessá-

ra assegurar uma concorrência mais justa

rios das equipes técnicas.

entre os revendedores.

Outro eixo importante é aumentar a

A aprovação metrológica é concedida

produtividade do próprio ativo físico. O

por modelo e pode ser atualizada ao lon-

posto pode gerar receita não apenas com

go do tempo; por isso, dizer simplesmen-

combustíveis, mas também com conve-

te que determinada “empresa é homo-

niência, lavagem automotiva, comercia-

logada” pode gerar uma informação in-

lização de Arla-32, recarga elétrica e ou-

completa. A base oficial de legislação e as

tros serviços.

aprovações do Inmetro é a referência adequada para essa consulta.

C&C: Em relação ao desenvolvimento de novas tecnologias, como encon-

C&C: Quais as principais inovações

trar o equilíbrio entre elevar os pa-

capazes de gerar ganhos de produti-

drões de segurança e evitar que novas

vidade e redução de custos para o

exigências representem custos despro-

revendedor?

porcionais para os revendedores?

14 Combustíveis & Conveniência


A evolução

É exatamente por isso que a Abieps

do Sistema de

considera fundamental a participação de

Armazenamento

toda a cadeia nas discussões com organismos de normalização e autoridades

Subterrâneo de

reguladoras. A indústria contribui com

Combustíveis (SASC)

res, com a realidade econômica e opera-

conhecimento técnico e os revendedo-

trouxe soluções como

cional do ponto de venda. Uma boa re-

tanques de parede

gulamentação deve combinar seguran-

dupla, contenções

prazos factíveis.

secundárias,

ça, proporcionalidade, previsibilidade e

C&C: Inteligência artificial, senso-

monitoramento,

res conectados, IoT e análise de dados

dispositivos de

já estão chegando efetivamente aos

prevenção e sistemas

aplicações?

para detecção de vazamentos

equipamentos dos postos? Em quais CB: Sim. IoT e conectividade já são realidade em diversas aplicações; a inteligência artificial está entrando de maneira mais gradual. E considero importante fazer essa distinção para não transformar qualquer automação em IA.

CB: Esse equilíbrio começa com uma

Sensores e sistemas conectados já per-

boa análise de risco e com a participação

mitem acompanhar nível e movimentação

de toda a cadeia no processo de norma-

dos estoques, alarmes, status dos equipa-

lização e regulamentação. Uma exigên-

mentos, transações e diferentes parâme-

cia técnica precisa resolver um risco re-

tros operacionais.

al, ser tecnicamente exequível e produ-

Quando essas informações são inte-

zir benefício compatível com o custo de

gradas, tornam-se base para conciliação

sua implementação.

automática de estoque, identificação de Combustíveis & Conveniência 15


ENTREVISTA

CRISTIAN BAZAGA | DIRETOR-PRESIDENTE DA ABIEPS

desvios, diagnóstico remoto e gestão de múltiplas unidades.

A eficiência energética também ganhou relevância, principalmente em refrigeração co-

A camada seguinte é analítica. Com

mercial, climatização, iluminação LED, gestão

histórico suficiente, algoritmos podem

inteligente de cargas e geração fotovoltaica.

identificar padrões anormais, estimar pro-

Vejo tudo isso conectado à transfor-

babilidades de falha e apoiar a manuten-

mação do posto como um todo. Estamos

ção preditiva.

deixando de administrar cada atividade

O ganho não está apenas em gerar

separadamente para gerir o empreendi-

mais dados, mas em transformar esses

mento como uma plataforma integrada

dados em decisões antes que uma ano-

de mobilidade, energia e conveniência.

malia provoque indisponibilidade, perda ou risco operacional.

C&C: A Abieps já inclui a recarga elétrica entre suas áreas de atuação,

C&C: Nas lojas de conveniência,

embora muitos postos ainda tenham

quais inovações em equipamentos

dúvidas sobre esse serviço. Do pon-

mais chamam a atenção atualmente?

to de vista de negócio, qual é a van-

Automação, autosserviço e equipa-

tagem de instalar carregadores hoje,

mentos mais eficientes em consumo

considerando que a frota elétrica ain-

de energia já representam uma mu-

da representa uma parcela pequena

dança relevante nesse mercado?

do mercado brasileiro?

CB: Sim. Nas lojas de conveniência, a inovação está muito ligada a reduzir o atrito na jornada de compra e aumentar a eficiência operacional.

CB: A decisão precisa ser econômica e estratégica, e não apenas tecnológica. Não considero correto dizer que todo posto deveria instalar imediatamente um

Soluções de self-checkout, terminais

carregador. É preciso avaliar perfil do trá-

de autoatendimento, meios de pagamen-

fego, localização, comportamento dos

to integrados, gestão digital de estoque

clientes, tempo médio de permanência,

e equipamentos de preparação mais au-

potência elétrica disponível, demanda po-

tomatizados permitem aumentar produti-

tencial, investimento necessário na cone-

vidade, reduzir filas e direcionar a equipe

xão e capacidade de monetizar a perma-

para funções de maior valor agregado.

nência do consumidor.

16 Combustíveis & Conveniência


Para postos com bom fluxo, localização

tempo de permanência. Já em rodovias e

estratégica ou vocação rodoviária, come-

corredores de longa distância, a recarga

çar agora pode gerar aprendizado opera-

rápida em corrente contínua tende a ser

cional, posicionamento de marca e vanta-

mais aderente à necessidade do usuário.

gem de localização antes de uma expan-

Também é necessário olhar além da

são mais intensa da demanda.

potência nominal: compatibilidade com

Existem projetos de lei em tramitação

os veículos, curva efetiva de recarga, dis-

discutindo a instalação de pontos de recar-

ponibilidade elétrica do local, simultanei-

ga em postos, inclusive proposições volta-

dade, gerenciamento dinâmico de carga,

das especificamente aos postos revende-

confiabilidade, interoperabilidade, meios

dores, mas isso não deve ser apresentado

de pagamento e assistência técnica são

como uma obrigação legal vigente.

fatores igualmente relevantes. O Brasil já dispõe, entre outras referên-

C&C: Ainda sobre eletrificação,

cias, da ABNT NBR 17019:2022, voltada

quais são os carregadores mais mo-

aos requisitos para instalações elétricas des-

dernos disponíveis para postos? Co-

tinadas à alimentação de veículos elétricos.

mo escolher entre carregadores de di-

O melhor projeto não é necessariamen-

ferentes potências?

te o de maior potência, mas aquele que

CB: Mais importante do que procurar “o

equilibra experiência do usuário, utilização

carregador mais moderno” é selecionar a

do ativo e custo total da infraestrutura.

arquitetura mais adequada ao caso de uso. Existem soluções em corrente alter-

C&C: A instalação de carregadores

nada, normalmente associadas a situa-

exige mudanças na infraestrutura elétri-

ções em que o veículo pode permane-

ca do posto. Quais são os principais cui-

cer estacionado por mais tempo, e car-

dados técnicos e de segurança? E quan-

regadores rápidos em corrente contí-

to esse fator pesa no investimento?

nua, que são mais aderentes às opera-

CB: Esse fator pode ser decisivo no

ções em que reduzir o tempo de parada

projeto. Antes de escolher o carregador,

é uma variável importante.

é necessário verificar a capacidade elétri-

Em postos urbanos, a escolha depende

ca disponível no posto e realizar um es-

do comportamento do consumidor e do

tudo de carga. Dependendo da potência Combustíveis & Conveniência 17


ENTREVISTA

CRISTIAN BAZAGA | DIRETOR-PRESIDENTE DA ABIEPS

pretendida e do número de pontos, po-

C&C: No aspecto de sustentabilida-

dem ser necessários aumento de deman-

de, o que a indústria oferece para os

da, adequação da entrada elétrica, novos

postos? Painéis fotovoltaicos e siste-

quadros e proteções, transformador ou

mas de recuperação e reuso de água

subestação, além de infraestrutura civil e

seriam exemplos disso?

de comunicação.

CB: Sim, mas eu ampliaria esse concei-

Do ponto de vista da segurança, o

to. Sustentabilidade em um posto envol-

projeto precisa considerar as normas

ve energia, água, emissões, prevenção de

brasileiras aplicáveis às instalações elé-

contaminação e eficiência dos ativos. Ge-

tricas e à alimentação de veículos elétri-

ração fotovoltaica, equipamentos mais

cos, além das exigências específicas de

eficientes e sistemas de gerenciamen-

segurança contra incêndio. A ABNT NBR

to energético podem reduzir consumo e

17019:2022 trata da alimentação de

melhorar a gestão dos custos. Na água,

veículos elétricos, enquanto os Corpos

sistemas de tratamento e reuso aplicados

de Bombeiros vêm desenvolvendo e apli-

à lavagem automotiva podem reduzir a

cando requisitos específicos para os Sis-

captação de água potável e a geração de

temas de Alimentação de Veículos Elétri-

efluentes. Na operação dos combustíveis,

cos (SAVE). 

contenção, estanqueidade e detecção de

No ambiente de um posto existe ainda

vazamentos continuam fundamentais.

outra particularidade: a coexistência com instalações que armazenam e movimen-

C&C: Existem novidades em equi-

tam líquidos ou gases inflamáveis. Portan-

pamentos para venda de gás natural

to, layout, análise das áreas classificadas,

em postos, especialmente para veícu-

dispositivos de proteção, aterramento,

los pesados?

seccionamento, sinalização e acesso pa-

CB: Sim, especialmente quando conside-

ra emergência precisam ser considerados

ramos o gás natural e o biometano no trans-

desde a concepção do projeto.

porte pesado. Do lado dos equipamentos, a

Em determinados projetos, a infraes-

tendência é de estações com maior capaci-

trutura elétrica e a conexão podem ser

dade de abastecimento, automação, moni-

tão relevantes para o investimento quan-

toramento remoto e soluções dimensiona-

to o próprio equipamento de recarga.

das para frotas e corredores logísticos.

18 Combustíveis & Conveniência


Mais do que simplesmente adaptar

cessidade de observância dos procedi-

um posto de GNV voltado para veículos

mentos de recebimento, testes e cuida-

leves, o atendimento a caminhões exi-

dos operacionais.

ge considerar capacidade de compres-

Do ponto de vista dos equipamentos,

são e armazenamento, vazão, frequên-

a indústria precisa acompanhar continu-

cia dos abastecimentos, acesso e circu-

amente a compatibilidade dos materiais

lação dos veículos pesados e disponibi-

que entram em contato com os combus-

lidade da instalação.

tíveis — elastômeros, vedações, manguei-

O biometano amplia ainda mais essa

ras, filtros, revestimentos e demais com-

oportunidade, porque acrescenta um ve-

ponentes —, sempre de acordo com as

tor renovável à estratégia de descarbo-

especificações dos fabricantes e com as

nização. A Lei do Combustível do Futu-

normas aplicáveis.

ro instituiu mecanismos de incentivo ao

No caso do diesel com biodiesel, tam-

biometano e prevê entre seus objetivos o

bém é importante manter especial aten-

incentivo à fabricação, comercialização,

ção à gestão da qualidade do produto, à

aquisição e utilização de veículos pesados

presença de água e às condições de arma-

movidos a biometano.

zenamento. Assim, a orientação não deve ser “tro-

C&C: Os novos teores de biocom-

car tudo a cada aumento da mistura”,

bustíveis no diesel (biodiesel) e na ga-

mas verificar compatibilidade, seguir as

solina (etanol anidro) podem trazer a

recomendações dos fabricantes, manter

necessidade de readequação ou troca

boas práticas de operação e manutenção

de equipamentos nos postos?

e acompanhar tecnicamente a evolução

CB: Esse tema precisa ser tratado

das especificações dos combustíveis.

com bastante precisão. A mistura obri-

Esse é justamente um dos papéis da

gatória passou para 32% de etanol ani-

indústria representada pela Abieps:

dro na gasolina, e 15% de biodiesel no

antecipar os impactos das mudanças

diesel, o B15. A própria ANP informou

nos combustíveis sobre os equipamen-

que os novos percentuais trazem pou-

tos e transformar essas mudanças em

cas mudanças para o dia a dia dos pos-

orientação técnica objetiva e segura

tos revendedores, mas reforçou a ne-

para o mercado. n Combustíveis & Conveniência 19


OPINIÃO

James Thorp Neto | Presidente da Fecombustíveis

Uma ExpoPostos inesquecível Mais uma vez, a ExpoPostos & Conveniência con-

ro crescente de empresas oferecendo so-

firmou o sucesso e reafirmou a importân-

luções para instalação de eletropostos. São

cia do evento para o setor. Para mim, que

movimentos que mostram que o setor pas-

hoje estou à frente da Fecombustíveis, mas

sa por transformações e quem não abrir os

continuo sendo revendedor, é uma gran-

olhos ou acompanhar tais mudanças pode

de satisfação constatar que estamos no ca-

perder mercado.

minho certo. Tivemos uma edição históri-

Além da feira de negócios, o Fórum In-

ca, com recordes de público e de exposito-

ternacional atraiu um público interessado

res, e uma participação expressiva de novas

em conhecimento e atualização. O audi-

empresas.

tório ficou a maior parte do tempo lota-

Nunca tivemos tantas opções para di-

do. Essa participação demonstra que o re-

versificar as receitas e ampliar a rentabi-

vendedor está buscando se profissionalizar,

lidade do negócio. A feira reuniu desde

compreender as novas tendências e pre-

franquias tradicionais até novos produtos

parar seus negócios para as mudanças do

e soluções para as lojas de conveniência,

mercado, entendendo os hábitos do con-

mostrando que há diversas possibilidades

sumidor das mais diferentes gerações, que

para atender ao consumidor. O revende-

são nossos clientes.

dor que veio em busca de tendências, ino-

Esta foi a terceira Expopostos realiza-

vação e novas ideias encontrou um amplo

da sob minha gestão, e posso garantir

leque de alternativas.

que me sinto plenamente satisfeito com

Ao circular pela feira, também pude per-

os resultados. Agradeço a confiança dos

ceber o quanto o setor está cada vez mais

parceiros e de todas as entidades que me

profissionalizado. Encontramos novas so-

apoiaram, principalmente da Confedera-

luções de gestão, ferramentas que incor-

ção Nacional do Comércio de Bens, Servi-

poram Inteligência Artificial aos negócios,

ços e Turismo (CNC), que nos apoiou com

lançamentos de bombas de combustíveis

sua equipe técnica, presente nas pales-

com tecnologias antifraude e um núme-

tras do evento.

20 Combustíveis & Conveniência


Eliane Cunha

ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | ABERTURA

Abertura oficial contou com representantes da revenda, distribuição, especialistas do setor, ANP, entre outros

Setor é marcado por transformações Principais lideranças destacaram mudanças na mobilidade, tecnologia, regulação e comportamento do consumidor, além de defenderem maior integração de todos os elos da cadeia POR ROSEMEIRE GUIDONI

A

s evoluções no mercado de

tre 8 e 10 de setembro, no São Paulo Ex-

combustíveis, que vão da diver-

po, na capital paulista.

sificação da matriz energética e

Representantes da revenda, distribui-

introdução de novas tecnologias de mobi-

ção e indústria de equipamentos, além

lidade à digitalização dos negócios, exigi-

do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e

rão adaptação das empresas, maior pro-

Biocombustíveis (IBP), Instituto Combus-

fissionalização da revenda e articulação

tível Legal (ICL) e ANP, destacaram dife-

entre os diferentes elos da cadeia. O tema

rentes aspectos dessa transformação.

marcou as discussões da abertura da 22ª

Embora tenham partido de perspectivas

ExpoPostos & Conveniência, realizada en-

distintas, as apresentações trouxeram

22 Combustíveis & Conveniência


pontos como a necessidade de moder-

ele destacou o crescimento do evento

nização dos postos, segurança para in-

desde o período imediatamente poste-

vestimentos, concorrência equilibrada e

rior à pandemia e relacionou o interes-

maior diálogo entre empresas, entidades

se pelo Fórum à busca dos empresários

e setor público.

por capacitação.

O evento cresceu 25% em relação à pe-

“O que mais temos no momento é

núltima edição, em 2024, e ocupou uma

um revendedor cada vez mais se profis-

área de 30 mil m2. Além da feira de negó-

sionalizando e buscando conhecimen-

cios, a programação incluiu a 17ª edição

to”, afirmou.

do Fórum Internacional e a Arena do Co-

Segundo Thorp, o Fórum Internacional

nhecimento, com mais de 50 apresenta-

respondeu a essa demanda com especia-

ções, entre palestras, painéis e workshops.

listas brasileiros e estrangeiros e temas re-

Para Tatiana Zaccaro, diretora da GL

lacionados ao cotidiano e ao futuro dos

Events Exhibitions, o crescimento reflete o

negócios. A expectativa, afirmou, é de

interesse das empresas e dos profissionais

que o empresário consiga levar as infor-

em acompanhar as mudanças do merca-

mações discutidas no evento para a ges-

do. “Mesmo com uma área maior em re-

tão de sua empresa.

lação à edição anterior, os espaços fica-

O presidente da Fecombustíveis tam-

ram repletos de pessoas interessadas em

bém chamou a atenção para o perfil

conhecer as novidades, aprofundar os de-

empresarial do setor. Em um mercado

bates e buscar informações sobre os ca-

frequentemente associado a números

minhos da cadeia de combustíveis e con-

significativos e grandes companhias,

veniência”, afirmou.

ele lembrou que parcela relevante da revenda é formada empresários de pe-

REVENDA MAIS PROFISSIONALIZADA

queno porte.

Para James Thorp Neto, presidente

“Não podemos nunca deixar de regis-

da Fecombustíveis, a expansão da fei-

trar que a grande maioria do setor é com-

ra acompanha uma mudança no perfil

posta por pequenos postos e bons em-

do próprio empresário da revenda. Ao

presários. São pessoas honestas e éticas,

recordar as três edições realizadas du-

que compõem o setor que nós represen-

rante sua gestão à frente da entidade,

tamos”, afirmou. Combustíveis & Conveniência 23


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | ABERTURA

Para Thorp, a capacidade de inves-

ção da digitalização e o avanço da inte-

tir também depende da sustentabilidade

ligência artificial. Nesse ambiente, ressal-

econômica dos negócios. “Não é crime

tou a posição da distribuição e, especial-

ter lucro e precisamos deixar isso bem cla-

mente, da revenda, como ponto de con-

ro. E vale para qualquer atividade empre-

tato entre as grandes transformações do

sarial”, disse. Em sua avaliação, por meio

mercado e o consumidor.

da geração de resultados, as empresas in-

“Tudo que acontece nessas transfor-

vestem no negócio e conseguem remune-

mações, a revenda é o último elo da ca-

rar adequadamente seus colaboradores.

deia e a mais próxima do consumidor. É lá que as coisas se transformam em bens de

TRANSFORMAÇÕES DO MERCADO

consumo”, afirmou.

CHEGAM AO CONSUMIDOR PELA REVENDA

Para que as empresas consigam acompa-

As mudanças em curso no mercado fo-

nhar esse processo, o executivo defendeu

ram abordadas por Carlos Orlando da Silva,

um ambiente regulatório capaz de propor-

diretor-executivo de downstream do IBP.

cionar segurança, estimular investimentos e

Segundo ele, o setor atravessa simultanea-

inovação e, ao mesmo tempo, preservar a

mente transformações relacionadas à ma-

concorrência e os direitos do consumidor.

triz energética, descarbonização da mobilidade, crescimento dos biocombustíveis e

POSTO AMPLIA ESPAÇO PARA

do gás natural, digitalização e mudanças

SERVIÇOS E NOVAS ENERGIAS

no comportamento dos consumidores.

A transformação do estabelecimento tra-

Para o executivo, esse processo não sig-

dicional também apareceu na manifestação

nifica o desaparecimento imediato dos

de Julio Cesar Nishida, superintendente de

derivados de petróleo. Ele considera que

Fiscalização do Abastecimento da ANP. Se-

a transformação da matriz será gradual

gundo ele, a modernização observada na

e que diferentes fontes deverão conviver

ExpoPostos mostra que a atividade está am-

durante esse percurso. “Eu não costumo

pliando seu escopo para além da comercia-

nem chamar de transição energética, mas,

lização dos combustíveis tradicionais.

sim, de diversidade energética”, afirmou.

“O setor representa muito mais do que

Ao lado das mudanças relacionadas às

postos de combustíveis. O mercado está

fontes energéticas, Silva citou a acelera-

avançando para serem postos de serviços,

24 Combustíveis & Conveniência


Eliane Cunha

Cristian Bazaga, da Abieps, Tatiana Záccaro, da GL Events, e James Thorp Neto, da Fecombustíveis, somaram esforços para realizar a maior ExpoPostos da história

criando um ecossistema no qual o consu-

A própria presença da ANP na feira foi

midor e a sociedade vão adquirir produtos

apresentada pelo superintendente como

e serviços associados à revenda, que vão

parte da aproximação com o mercado.

muito além dos combustíveis”, afirmou.

“Falamos em deixar esse canal aberto,

Essa evolução, segundo Nishida, tam-

mas não é só conversa. É, de fato, deixar

bém exige adaptação do poder público. Pa-

o canal aberto”, disse Nishida.

ra ele, os órgãos envolvidos com o mercado precisam acompanhar a modernização

DIÁLOGO ACOMPANHA

das empresas, oferecendo condições para

EVOLUÇÃO DA INDÚSTRIA

o desenvolvimento das novas atividades e,

A necessidade de aproximação entre di-

ao mesmo tempo, instrumentos capazes de

ferentes agentes também foi abordada por

impedir a atuação de agentes irregulares.

Christian Bazaga, presidente da Associação Combustíveis & Conveniência 25


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | ABERTURA

Brasileira da Indústria, Comércio e Serviço

brica, de quem revende e de quem re-

para Abastecimento Veicular e Conveniência

gula”, disse.

Eliane Cunha

para os Mercados de Combustíveis e Conveniência (Abieps). A entidade completou 25

UNIÃO PARA FORTALECER O MERCADO

anos em 2026, período no qual, segundo o

A integração da cadeia também foi

dirigente, a indústria acompanhou mudan-

citada por Emerson Kapaz, presidente

ças significativas na estrutura do mercado.

do ICL. Para ele, distribuição e revenda

Bazaga lembrou que fabricantes e

precisam superar eventuais divergên-

prestadores de serviços precisaram res-

cias e atuar de forma coordenada dian-

ponder, ao longo desse período, a no-

te dos desafios comuns.

vas exigências ambientais e às mudan-

“Cada vez mais a revenda e o setor

ças nas relações entre indústria, revenda

de distribuição têm que atuar em con-

e órgãos reguladores. Nesse processo,

junto. Nós não podemos estar de lados

ganhou importância a criação de espa-

separados, nós somos um fluxo da ca-

ços para compartilhamento de conheci-

deia de combustíveis”, afirmou.

mento e diálogo entre os diferentes participantes do setor.

Kapaz relacionou essa articulação também à melhoria do ambiente de negó-

“Foram anos em que os nossos as-

cios. Em sua avaliação, o enfrentamento

sociados trouxeram evoluções tecnoló-

das práticas ilegais e do crime organizado

gicas, conferindo melhores controles e

contribui para restabelecer condições de

maior eficiência operacional”, afirmou.

concorrência e ampliar a confiança de in-

Atualmente, a Abieps reúne empre-

vestidores no mercado brasileiro.

sas de diferentes atividades, entre fabri-

O tema apareceu também na apre-

cantes de equipamentos, automação,

sentação de Nishida, que definiu o mo-

instalação, manutenção, arquitetura e

mento como de fortalecimento de uma

organismos de certificação. Para Baza-

“aliança estratégica” entre poder pú-

ga, essa diversidade evidencia a inter-

blico e setor privado. Para o represen-

dependência entre os vários segmentos

tante da ANP, o aumento das ações de

envolvidos na operação dos postos.

fiscalização e das operações contra ir-

“Não somos apenas um setor que ob-

regularidades não deve ser interpreta-

serva de fora, somos parte de quem fa-

do como sinal de deterioração do mer-

26 Combustíveis & Conveniência


Eliane Cunha

Plateia lotada marcou cerimônia de abertura, que mostrou o interesse dos empresários em acompanhar os desafios e as tendências do setor

cado, mas sim como resultado de uma

A partir desse último ano, o poder públi-

decisão de enfrentar problemas que vi-

co, as empresas e as entidades decidiram

nham avançando.

combater esse avanço da criminalidade e,

“Começamos a ver um mundo de ação

a partir desse momento, as coisas come-

fiscalizatória, policial, criminal, e achamos

çaram a mudar”, afirmou. (Confira sobre

que a situação piorou. Na verdade, não.

o assunto na página 32) n Combustíveis & Conveniência 27


Eliane Cunha

ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | ECONOMIA

Alexandre Schwartsman destaca que o crescimento baseado no consumo e no endividamento chegou ao limite

Juros altos e consumo pressionado desafiam economia e setor de combustíveis O economista Alexandre Schwartsman avalia que a alta do petróleo favorece a balança comercial brasileira, mas inflação, endividamento e baixo crescimento da produtividade limitam expansão da economia POR ROSEMEIRE GUIDONI

O

aumento dos preços internacio-

custo final dos combustíveis e a renda dos

nais do petróleo já não represen-

consumidores, enquanto juros elevados e en-

ta para o Brasil o mesmo risco

dividamento das famílias limitam o consumo.

de décadas atrás. O país passou de impor-

A avaliação foi apresentada pelo econo-

tador a exportador relevante de óleo bruto

mista e consultor Alexandre Schwartsman,

e, por isso, pode até obter ganhos na balan-

ex-diretor do Banco Central e economista-

ça comercial em períodos de valorização da

-chefe em diversas instituições financeiras,

commodity. Para o mercado interno e, par-

durante o 17º Fórum Internacional. Em sua

ticularmente, para o setor de combustíveis,

apresentação, Schwartsman analisou o cená-

porém, o cenário continua desafiador: de-

rio internacional e os principais entraves ao

rivados mais caros pressionam a inflação, o

crescimento da economia brasileira.

28 Combustíveis & Conveniência


Segundo o economista, conflitos ge-

mento do petróleo é hoje diferente daque-

opolíticos com impacto sobre a oferta de

le observado quando o país dependia forte-

petróleo tendem a produzir dois efeitos si-

mente das importações.

multâneos sobre a economia mundial: aumento da inflação e redução da atividade.

PETRÓLEO PRESSIONA INFLAÇÃO E JUROS

O resultado, no entanto, varia de acordo

Para a revenda de combustíveis, o com-

com a dependência de cada país em rela-

portamento das cotações internacionais

ção à energia importada.

continua sendo uma variável relevante. Além

No caso brasileiro, a situação mudou signi-

dos efeitos sobre os preços dos derivados, a

ficativamente em relação às crises do petró-

valorização do petróleo pode contribuir para

leo das décadas de 1970 e 1980. Schwarts-

manter a inflação pressionada e dificultar a

man destacou que o Brasil se tornou expor-

redução dos juros.

tador relevante da commodity e afirmou que

Schwartsman ressaltou que esse movi-

o saldo comercial relacionado ao petróleo

mento ocorre em um ambiente internacio-

bruto está na casa de US$ 45 bilhões. Dessa

nal que já apresenta taxas de juros elevadas.

forma, preços internacionais mais altos po-

Segundo ele, os juros de longo prazo nas

dem melhorar a balança comercial, embora

principais economias estão entre os maio-

produzam efeitos distintos dentro do país.

res patamares observados na última década.

Para o mercado brasileiro de combustí-

Nos Estados Unidos, a atividade econômica

veis, Schwartsman destacou uma aparen-

permanece relativamente forte, com investi-

te contradição: o país está hoje mais pro-

mentos impulsionados, entre outros fatores,

tegido dos efeitos macroeconômicos de

pela construção de data centers associados à

uma alta do petróleo, por ser exportador da

expansão da inteligência artificial.

commodity, mas isso não impede que a valo-

Ao mesmo tempo, a inflação não apresen-

rização internacional tenha reflexos nos pre-

tou a convergência esperada para as metas,

ços domésticos dos combustíveis e pressione

levando bancos centrais a rever o ritmo de re-

o orçamento dos consumidores.

dução das taxas de juros. Para Schwartsman,

“Obviamente, o preço dos combustíveis

a combinação entre inflação mais resistente,

sobe”, observou Schwartsman. Mas, em

atividade econômica ainda aquecida em algu-

sua avaliação, considerando a economia

mas economias e petróleo mais caro contribui

brasileira como um todo, o efeito do au-

para manter os juros internacionais elevados. Combustíveis & Conveniência 29


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | ECONOMIA

Esse ambiente econômico afeta o Brasil.

para cerca de 6% atualmente, conforme os

Segundo o economista, as taxas pagas pe-

números apresentados pelo economista.

lo governo brasileiro incorporam tanto o ce-

Esse movimento, porém, não pode se re-

nário internacional quanto o risco associado

petir indefinidamente. Para Schwartsman,

à trajetória das contas públicas. Em sua apre-

a continuidade do crescimento dependerá

sentação, ele estimou que o país paga um

cada vez mais de ganhos de produtividade,

prêmio de aproximadamente 4,5 a 5 pontos

que permanecem baixos na maior parte da

percentuais ao ano sobre títulos equivalentes

economia brasileira.

dos Estados Unidos. ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS CONSUMO ENCONTRA LIMITES

AFETA REVENDA

Além das pressões externas, Schwartsman

Para os postos de combustíveis e as lojas de

chamou atenção para limitações internas

conveniência, outro ponto da análise tem im-

da economia brasileira. Na avaliação do

pacto direto: a situação financeira das famílias.

economista, o crescimento do PIB nos úl-

Schwartsman afirmou que a expansão do

timos anos esteve excessivamente apoiado

consumo nos últimos anos foi sustentada,

no consumo e pouco no investimento.

em parte, pelo aumento da oferta de cré-

Segundo Schwartsman, o consumo res-

dito. Como consequência, o endividamen-

pondeu por cerca de 70% do crescimento observado pela economia brasileira nos últimos anos, enquanto pouco menos de 20% esteve associado aos gastos do governo e cerca de 10% a 11%, aos investimentos. O problema, segundo ele, é a dificuldazo. O crescimento econômico depende tanto da incorporação de trabalhadores quanto

Eliane Cunha

de de sustentar esse modelo no longo pra-

do aumento da produtividade. Nos últimos anos, parte importante da expansão ocorreu com a queda do desemprego, que saiu de níveis próximos a 14% depois da pandemia 30 Combustíveis & Conveniência

Economista alerta que a combinação entre juros altos, inflação e maior comprometimento da renda exige atenção redobrada em relação ao comportamento do consumidor


to das famílias cresceu e passou a consumir

ra elevar a percepção de risco e, consequente-

uma parcela maior do orçamento mensal.

mente, o custo de financiamento do país. O economista argumentou que o Brasil preci-

lestra, a dívida total das famílias equivale, atu-

sa alterar a trajetória de crescimento dos gastos

almente, a aproximadamente metade de sua

públicos. Segundo os dados apresentados, con-

renda anual. Considerando amortizações e ju-

siderando as diferentes esferas de governo, as

ros, o serviço da dívida comprometeria cerca

despesas passaram de aproximadamente 40%

de 20% da renda mensal, ante aproximada-

do PIB em 2010 para perto de 50% atualmente.

mente 12% a 13% há duas décadas.

Schwartsman defendeu mudanças capa-

Esse comprometimento representa um li-

zes de conter o crescimento estrutural das

mite para novas expansões do consumo por

despesas e observou que medidas pontu-

meio do crédito. Schwartsman também re-

ais, embora possam ser justificáveis, têm im-

lacionou o cenário ao aumento da inadim-

pacto limitado diante do tamanho do orça-

plência e avaliou que ampliar o endivida-

mento. Na avaliação apresentada durante o

mento deixa de ser uma solução sustentável

Fórum, sem uma mudança nessa trajetória,

para estimular a atividade econômica.

a dívida pública continuará pressionando o

Para o varejo, a combinação entre juros

Divulgação Raízen

Segundo os números apresentados na pa-

prêmio de risco e os juros pagos no país.

altos, inflação e maior comprometimento da

Para o setor de combustíveis, o quadro

renda tende a exigir atenção redobrada ao

descrito por Schwartsman reúne forças em

comportamento do consumidor. Combustí-

direções opostas. Como exportador de pe-

veis ocupam parcela relevante dos gastos de

tróleo, o Brasil está mais protegido de cho-

quem depende do veículo para trabalhar ou

ques da commodity. No mercado interno,

se deslocar, enquanto produtos e serviços de

porém, petróleo mais caro, inflação resisten-

conveniência disputam espaço com outras

te, juros altos e famílias endividadas pressio-

despesas no orçamento doméstico.

nam a renda disponível e encarecem o crédito das empresas. Na avaliação do econo-

DESAFIO PASSA PELAS CONTAS PÚBLICAS

mista, o crescimento baseado no consumo e

Na parte final da apresentação, Schwart-

no endividamento chegou ao limite: uma ex-

sman concentrou a análise na situação fiscal

pansão sustentada dependerá de mais inves-

brasileira. Segundo ele, o aumento das despe-

timento e produtividade e de uma trajetória

sas públicas e do endividamento contribui pa-

mais equilibrada das contas públicas. n Combustíveis & Conveniência 31


Eliane Cunha

ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | COMBATE ÀS IRREGULARIDADES

Debate sobre as irregularidades do setor reuniu agentes do downstream e principais órgãos fiscalizadores

Cooperação entre mercado privado e órgãos públicos amplia combate às fraudes Parceria entre entidades do setor, ANP, Inmetro e outros órgãos públicos combina inteligência, compartilhamento de informações e tecnologia para enfrentar diferentes tipos de irregularidades POR ROSEMEIRE GUIDONI

A

te de fraudes cada vez mais sofisticadas,

combustíveis e empresas tornou-se uma

logia e atuação coordenada, para identi-

das principais estratégias para ampliar o

ficar os agentes irregulares e aumentar a

combate às irregularidades no setor. Dian-

efetividade das operações.

integração entre órgãos públi-

a fiscalização passou a combinar diversas

cos, entidades representativas

variáveis, como compartilhamento de in-

dos diversos elos da cadeia de

formações, inteligência de dados, tecno-

32 Combustíveis & Conveniência


A importância dessa articulação foi

des representam apenas uma parcela do

um dos pontos de convergência das dis-

mercado. “A grande maioria do setor é

cussões realizadas no primeiro dia da Ex-

composta por pequenos postos e bons

popostos & Conveniência 2026. Repre-

empresários, e não por agentes irregula-

sentantes da ANP, Instituto Nacional de

res. Falamos em postos, em grandes em-

Metrologia, Qualidade e Tecnologia (In-

presas, em grandes números. E são jus-

metro), Instituto Combustível Legal (ICL),

tamente essas pessoas que nós represen-

Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e

tamos”, afirmou.

Biocombustíveis (IBP), Brasilcom (que re-

Assim, retirar agentes irregulares do

presenta distribuidoras regionais), Fe-

mercado significa também proteger os

combustíveis e indústria de equipamen-

revendedores que cumprem as regras e

tos (Abieps) defenderam que o enfren-

enfrentam a concorrência de estabeleci-

tamento das irregularidades exige ações

mentos que obtêm vantagens por meio

complementares, de acordo com as atri-

de fraudes.

buições e informações disponíveis em cada instituição.

Na ANP, a integração com outras instituições é uma das estratégias usadas pa-

“Parte do sucesso da efetividade fis-

ra ampliar o alcance da fiscalização sem

calizatória veio exatamente pelo fato de

depender apenas do aumento do quadro

todos entenderem essa dinâmica de par-

de servidores. Julio Cesar Nishida, supe-

ceria, reforçando que temos que traba-

rintendente de Fiscalização do Abaste-

lhar em conjunto”, afirmou Carlo Faccio,

cimento da Agência, explicou que a en-

diretor-executivo do ICL. Segundo ele,

tidade mantém acordos de cooperação

cada irregularidade exige a atuação do

com diferentes órgãos públicos. “Como

órgão responsável por aquela frente, en-

podemos aumentar o poder fiscalizató-

quanto o trabalho de inteligência ajuda a

rio da ANP, sem necessariamente esperar

identificar e dar materialidade às suspei-

a realização de mais um concurso para

tas antes da ação fiscalizatória.

contratação de servidores, para termos

James Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis, destacou que o combate

mais agentes de fiscalização? A solução é fazer parcerias”, afirmou.

às irregularidades também precisa consi-

A cooperação também envolve o se-

derar que os agentes envolvidos em frau-

tor privado e entidades do mercado, inCombustíveis & Conveniência 33


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | COMBATE ÀS IRREGULARIDADES

clusive para acesso a tecnologias e equi-

registra o volume comercializado, levando

pamentos que possam auxiliar a fiscaliza-

o consumidor a pagar por uma quantida-

ção. A lógica é reunir competências dife-

de de combustível superior à efetivamen-

rentes em torno do mesmo problema: en-

te colocada no tanque do veículo.

quanto entidades como o ICL monitoram

A evolução dos mecanismos utilizados

o mercado e levantam informações sobre

para manipular as bombas transformou a

possíveis irregularidades, ANP e Inmetro

fraude volumétrica em um desafio tecnoló-

têm atribuições fiscalizatórias específicas

gico para a fiscalização. Marcelo Morais, do

e os fabricantes de equipamentos desen-

Inmetro, destacou, durante sua apresenta-

volvem recursos destinados a aumentar a

ção, que aumentar o número de fiscais não

segurança das operações.

seria suficiente. “A maneira de combater es-

Essa articulação ganha relevância dian-

sa evolução da fraude é exatamente com tec-

te da diversidade das irregularidades en-

nologia e também com parcerias”, afirmou.

contradas no mercado. Fraudes relacio-

Uma dessas parcerias ocorre com o

nadas à quantidade de combustível en-

ICL, que realiza ações de monitoramen-

tregue ao consumidor, adulteração de

to destinadas a identificar indícios de ir-

produtos, sonegação tributária, comer-

regularidades e encaminhar as informa-

cialização de produtos falsificados e atua-

ções aos órgãos responsáveis pela fiscali-

ção do crime organizado exigem instru-

zação. No caso das fraudes volumétricas,

mentos e órgãos diferentes. “É um pro-

a identificação prévia dos estabelecimen-

blema fiscal, mas também de qualidade

tos com suspeita de manipulação permi-

e de quantidade”, resumiu Faccio, ao de-

te direcionar a atuação do Inmetro.

fender operações integradas capazes de

Morais também chamou a atenção pa-

acompanhar toda a cadeia, e não apenas

ra o avanço tecnológico das próprias bom-

o ponto em que a fraude é identificada.

bas medidoras. A regulamentação atual do Inmetro estabelece requisitos de segu-

FRAUDE VOLUMÉTRICA EXIGE TECNOLOGIA

rança de software e hardware, incluindo

Entre as irregularidades que desafiam a

mecanismos para proteção das informa-

fiscalização está a fraude volumétrica, que

ções e parâmetros metrológicos mais ro-

ocorre quando há interferência intencio-

bustos. A adoção desses recursos permi-

nal nos mecanismos do equipamento que

te dificultar manipulações e ampliar a ca-

34 Combustíveis & Conveniência


Eliane Cunha

Julio Cesar Nishida, da ANP, destaca que a parceria com outras instituições é uma das estratégias usadas para ampliar o alcance da fiscalização

pacidade de identificação de intervenções

instituto pelo próprio setor, e o órgão tra-

nos equipamentos.

balha para disciplinar esse mercado e coi-

A atualização da regulamentação das

bir as intervenções intencionais. “Temos

bombas medidoras faz parte desse proces-

um problema muito grande relacionado às

so. O desafio, segundo o representante do

bombas reformadas, que são alteradas no

Inmetro, é substituir gradualmente equipa-

mercado. Estamos trabalhando agora pa-

mentos antigos por modelos mais seguros

ra disciplinar esse setor e impedir qualquer

e modernos, sem ignorar o custo desses

fraude deliberada”, afirmou.

ativos para os postos. Outro ponto de atenção do Inmetro são

INTELIGÊNCIA DIRECIONA A FISCALIZAÇÃO

as bombas reformadas e os equipamentos

O uso de dados para selecionar os es-

que passam por alterações no mercado.

tabelecimentos que devem ser fiscaliza-

Segundo Morais, o problema foi levado ao

dos também ganhou espaço nas ações Combustíveis & Conveniência 35


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | COMBATE ÀS IRREGULARIDADES

da ANP. Nishida afirmou que a atua-

com dados reais, e buscando, com isso,

ção dos fraudadores exige uma resposta

assertividade fiscalizatória”, afirmou.

equivalente dos órgãos responsáveis pelo controle do mercado.

Segundo o diretor-executivo do ICL, ao longo de quase seis anos de atua-

“Infelizmente, os fraudadores tam-

ção, mais de mil postos já foram fla-

bém têm se modernizado. Então, é res-

grados com irregularidades metrológi-

ponsabilidade da ANP acompanhar esse

cas ou de qualidade a partir desse tipo

movimento em sua fiscalização”, disse.

de trabalho. As informações produzi-

Uma das mudanças da Agência está

das são encaminhadas aos órgãos com

na utilização de sistemas de inteligên-

competência para fiscalizar e aplicar as

cia capazes de reunir e comparar infor-

medidas cabíveis.

mações sobre os diversos agentes eco-

O monitoramento também permite

nômicos, histórico de fiscalização e in-

ampliar a investigação para além do es-

dícios de irregularidades. A partir des-

tabelecimento onde a irregularidade foi

ses dados, a entidade pode estabelecer

identificada. “Muitas vezes existe um

prioridades e direcionar equipes para

mau revendedor, que contamina o mer-

situações com maior probabilidade de

cado. Mas quem proveu para ele o pro-

ocorrência de problemas.

duto? Qual foi a distribuidora que ven-

A estratégia procura aumentar a as-

deu? Quem foi o importador? Isso tudo é

sertividade das operações em um mer-

trabalho de inteligência integrado. A ló-

cado com milhares de agentes e grande

gica desta cadeia tem que chegar às for-

dispersão territorial. Em vez de depender

ças competentes”, afirmou.

exclusivamente de fiscalizações aleató-

A abordagem busca identificar a origem

rias ou de denúncias isoladas, a análise

da irregularidade e os demais participantes

de informações permite estabelecer cri-

da operação, evitando concentrar toda a

térios de risco.

investigação no último elo da cadeia.

O ICL segue lógica semelhante. Faccio explicou que a entidade procura reunir

CRIME ORGANIZADO AMPLIA

evidências antes de encaminhar uma de-

DIMENSÃO DO PROBLEMA

núncia ao órgão competente. “Estamos

Em outro painel, Emerson Kapaz, pre-

realizando um trabalho de inteligência,

sidente do ICL, lembrou que a preocu-

36 Combustíveis & Conveniência


pação do setor sempre esteve historica-

FISCALIZAÇÃO PRECISA DE

mente concentrada em questões como

ESTRUTURA E CONTINUIDADE

sonegação tributária e concorrência des-

A integração entre instituições, entre-

leal, mas, hoje, o cenário mudou. “Nós

tanto, não elimina a necessidade de for-

começamos a enfrentar um inimigo ocul-

talecer a estrutura dos órgãos responsá-

to muito mais forte, o crime organiza-

veis pela fiscalização. Carlos Orlando da

do”, afirmou.

Silva, diretor-executivo de downstream do

Segundo Kapaz, o instituto passou a

IBP, chamou a atenção para fatores que

estruturar uma área de inteligência pa-

influenciam diretamente a capacidade de

ra reunir e analisar informações e, pos-

acompanhamento do mercado, como or-

teriormente, levá-las aos órgãos públi-

çamento, valorização das equipes de cam-

cos e à sociedade. A avaliação é de que

po, rapidez dos processos administrativos

esquemas mais complexos exigem atua-

e investimento em tecnologia.

ção simultânea de diferentes institui-

Entre os pontos levantados pelo exe-

ções, uma vez que podem envolver pro-

cutivo está a necessidade de reduzir o in-

blemas tributários, financeiros, regula-

tervalo entre a constatação de uma irre-

tórios e criminais.

gularidade e o julgamento administrativo

Operações realizadas nos últimos anos

das autuações. Processos demorados po-

reforçaram a importância da troca de in-

dem reduzir o efeito das ações de fiscali-

formações entre órgãos de fiscalização,

zação e das próprias sanções.

autoridades policiais, administrações tri-

Silva também defendeu maior investi-

butárias e entidades do setor. Nesse con-

mento em inteligência e ferramentas di-

texto, o papel das instituições privadas

gitais, além de uma atuação regulatória

não é substituir a fiscalização estatal,

concentrada nos problemas com maior

mas produzir informações e indícios que

impacto sobre o mercado e o consumidor.

possam contribuir para direcioná-la.

Outro desafio é garantir continuidade às

Kapaz também defendeu que a mo-

operações. Grandes ações integradas têm

bilização seja permanente. “Não pode-

capacidade de revelar esquemas comple-

mos esmorecer um segundo. Se hou-

xos, mas irregularidades menores e recor-

ver uma brecha, o crime organizado vai

rentes também afetam a concorrência e

ocupá-la”, afirmou.

não podem deixar de ser fiscalizadas. Combustíveis & Conveniência 37


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | COMBATE ÀS IRREGULARIDADES

Para o executivo, o problema não está necessariamente na ausência de instituições capazes de atuar, mas na necessidade de alinhar prioridades para que diferentes órgãos consigam agir de forma coordenada. DISTRIBUIDORAS Eliane Cunha

REGIONAIS SENTEM IMPACTO DIRETO DA CONCORRÊNCIA IRREGULAR Para as distribuidoras regionais, o combate às fraudes tem reflexo direto sobre a capacidade de competir. Abel Leitão, presidente-executivo da Brasilcom, afirmou que o tema ocupa posição prioritária na agenda da entidade. “Nossa principal pauta é o combate à fraude, ao merAbel Leitão, da Brasilcom, ponderou que o aperfeiçoamento das regras precisa evitar efeitos colaterais sobre empresas regulares de menor porte

cado irregular”, disse. Segundo Leitão, as distribuidoras

com

atua-

ção concentrada em poucos estados ficam especialmente expostas quando um concorrente obtém 38 Combustíveis & Conveniência


vantagens por meio de práticas irregu-

tada dia a dia, porque o grupo de crimino-

lares. Diferentemente de empresas com

sos se recria, surgem novas fraudes, novos

presença nacional, elas têm menor pos-

ataques em diferentes regiões”, afirmou.

sibilidade de compensar perdas em determinado mercado com resultados ob-

SEGURANÇA PARA O CONSUMIDOR PAS-

tidos em outras regiões.

SA PELA PROTEÇÃO À REVENDA REGULAR

Por isso, a Brasilcom tem buscado

Para a revenda, o avanço da fiscaliza-

atuar em conjunto com entidades de ou-

ção é também uma questão concorren-

tros segmentos e órgãos responsáveis

cial. Ao comentar a necessidade de apli-

pela fiscalização, compartilhando infor-

cação uniforme das regras, Nishida des-

mações e apoiando iniciativas voltadas à

tacou que a presença de um estabeleci-

identificação de irregularidades.

mento que comete fraudes de quantida-

Leitão ponderou, porém, que o aper-

de ou qualidade cria uma diferença de

feiçoamento das regras precisa evitar

preço impossível de ser acompanhada

efeitos colaterais sobre empresas re-

por quem opera regularmente.

gulares de menor porte. “Temos que

“Se não houver uma aplicação iso-

sempre tomar cuidado para que, nesse

nômica da regulação entre os 45 mil

combate, o mercado não pegue caro-

revendedores, não há como um posto

na em nenhum tipo de regulamentação

competir com o concorrente que está

que vá ser excludente das pequenas

do outro lado da rua, com o chip na

distribuidoras ou dos pequenos empre-

bomba para praticar uma fraude, com

sários”, afirmou.

etanol, um solvente ou outra irregula-

Ele destacou que o desafio é elevar as barreiras contra agentes que atuam de

ridade, e que está cobrando R$ 1 mais barato”, afirmou.

forma irregular, sem transformá-las em

Nesse cenário, combater a fraude sig-

obstáculos desproporcionais para empre-

nifica não apenas proteger o consumidor

sas que cumprem as regras.

que pode receber menos combustível do

Para Leitão, o enfrentamento também

que pagou ou adquirir um produto fora

precisa ser contínuo, porque os mecanis-

das especificações, mas preservar condi-

mos utilizados para obter vantagens ilegais

ções de concorrência para o empresário

se modificam. “Isso é uma batalha conquis-

que cumpre as normas. n Combustíveis & Conveniência 39


Eliane Cunha

ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | GESTÃO

Walter Longo encerrou o Fórum internacional com palestra sobre as transformações tecnológicas, mudanças do consumidor e necessidade de adaptação na gestão

Gestão do negócio: mudanças como estado permanente Especialista avalia que os postos de gasolina, que migraram para postos de combustíveis, estão se transformando em postos de energia e serão postos de sinergia, um ecossistema de negócios diferenciados, onde todos têm seus empreendimentos e vendem em de forma colaborativa POR MÔNICA SERRANO

V

“Gestão de qualquer negócio é diviocê saberia definir o que é ser

dir o tempo com sabedoria, pendências e

bom gestor? Quem respon-

tendências. O problema é que as pendên-

de é Walter Longo, especialis-

cias são tantas que acabam nos afastando

ta em inovação e transformação digi-

das tendências”, disse Longo.

tal, que conduziu a palestra de encerra-

Segundo o especialista, o empresário

mento do Fórum Internacional, em 10

no Brasil vive uma realidade de margens

de setembro.

decrescentes e complexidade crescente.

40 Combustíveis & Conveniência


Isso faz com que a preocupação de quem

a vontade de empreender. É essa essência

conduz um negócio fique voltada para o

que vai nos levar adiante”, destacou.

dia a dia, principalmente se as contas vão

Longo enfatizou as mudanças no ne-

fechar no fim do mês. Ao mesmo tempo,

gócio da revenda. Antigamente, segun-

o mundo está vivendo um período de mu-

do sua avaliação, o setor era composto

danças profundas e intensas.

por postos de gasolina, que migraram

“Nós precisamos olhar também para o

para postos de combustíveis, que es-

que vem por aí. A evolução, seja no nosso

tão migrando para postos de energia e

negócio, no setor ou na própria socieda-

serão postos de sinergia, que seria um

de, não acontece quando adotamos novas

ecossistema de negócios diferenciados,

ferramentas, mas sim quando implementamos novos comportamentos”, alertou. Longo ampliou a análise para a tecnologia, reforçando que inovação é importante, mas não é tudo para ser eficiente. “Mesmo se adotarmos toda a tecnologia existente em nossos negócios, mas continuarmos pensando como antigamente, a perspectiva é de que vamos nos transformar numa espécie de Google administrado por Henry Ford. Toda tecnologia de hoje, mas com premissas de ontem”. E toda mudança gera insegurança. Segundo o palestrante, nenhuma empresa gosta de mudanças, pois gera medo e risco. “A gente tem que focar nas tendências, porque lá está o futuro, temos que resolver as pendências presentes no nosso dia a dia, sem perder a essência, sem perder a razão de existir, o sorriso no rosto e Combustíveis & Conveniência 41


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | GESTÃO

onde todos têm seus negócios e vendem em de forma colaborativa, ou seEliane Cunha

ja, “todo mundo vendendo para todo mundo”, disse. E para entender essa mudança, não se trata apenas de tecnologia, mas também saber avaliar o comportamento do consumidor, que se tornou cada vez mais particularizado, com preferência por produtos e serviços personalizados, voltados às necessidades de cada indivíduo. Segundo Longo, a sociedade se tornou individualizada e mimada, porque tem acesso a consumir exatamente o que quer, desde um filme para entretenimento até uma compra pela internet. “Claro que isso traz, como consequência, clientes que estão não apenas almejando e desejando ser traEspecialista mostra que o empresário tem que focar nas tendências, resolver as pendências, sem perder a essência do negócio

tados individualmente, mas que exigem esse tratamento individualizado, e nós temos que conseguir atender a essa demanda”, disse. Hoje, em questão de segundos, com a tecnologia, cerca de 20 dados de uma pessoa podem ser cruzados em segundos. Nesse aspecto, o empresário pode sair do marketing de massa para o marketing individualizado, de acordo com Longo.

42 Combustíveis & Conveniência


As formas diferentes de tratar os

que vai lembrar o aniversário do meu fi-

clientes também envolvem o contexto

lho, o dia de entregar tal produto, mas

atual do mundo em que tudo é efême-

que vai também alertar como está a mi-

ro, nada é perene. “Quando achamos

nha pulsação e minha saúde. No comér-

que estávamos entendendo, que tínha-

cio em geral, pode otimizar nível de es-

mos que adotar a mudança como esta-

toque, redução de capital de giro, pode

do permanente, chega a IA e muda tu-

avaliar a venda e contribuição de lucro

do de novo”.

por divisão de unidade, pode maximizar

A IA reduz 70% no tempo de execu-

resultado com otimização dos preços e

ção de qualquer tarefa operacional, e

até entender e reconhecer os compor-

faz uma análise preditiva para a toma-

tamentos dos clientes, melhorando o

da de decisões mais assertivas. “Precisa-

planejamento de estoque de produtos.

mos entender a IA como nosso copiloto,

Além disso, elimina custos”. n

Agradecemos a presença em nosso estande na Expopostos 2026.

Momentos como esse reforçam o nosso compromisso em continuar oferecendo inovação, qualidade e a parceria sólida que o seu posto precisa para crescer e se destacar no mercado. Central de vendas (19) 2101-7833 Combustíveis & Conveniência 43


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | MÃO DE OBRA

Eliane Cunha

Representantes do varejo discutem as dificuldades na contratação de mão de obra e como têm contornado o problema

Escassez de mão de obra no varejo é tema de debate Assim como a revenda de combustíveis sofre com o problema, outros setores, como lanchonetes e supermercados, enfrentam os mesmos desafios POR MÔNICA SERRANO

de obra: como reter talentos em um mer-

A

cado em transformação”. dificuldade de contratação de

Segundo estimativas do departamento

funcionários tem sido um te-

jurídico da Fecombustíveis, publicadas na

ma recorrente na revenda de

edição 343 da revista Combustíveis & Con-

combustíveis. Para abordar o assunto de

veniência, o turnover dos postos fica entre

forma ampla, junto a especialistas e ou-

45% e 65%, índice superior à média na-

tros setores do varejo, o Fórum Internacio-

cional, de 35%. “Li a reportagem da revis-

nal apresentou o painel “Desafios da mão

ta da Fecombustíveis e não estamos dentro

44 Combustíveis & Conveniência


dessa estatística. Hoje, a nossa rotatividade

Com essa tática de vendas, segun-

é em torno de 8%. Isso se deve à gestão”,

do Regina, são comercializados mais de

disse Regina Lins, CEO da Rede Pichilau,

R$ 2 milhões em produtos nos 14 postos

em sua participação no painel.

da Rede Pichilau. Além de elevar a renta-

Com orçamento anual de R$ 31,5 milhões, a Rede Pichilau consegue investir

bilidade do posto, isso também gera aumento de renda para o funcionário.

dentro de casa em equipe qualificada, que

Outro participante do painel, Helio

contempla gestão de RH e analistas para

Freddi, diretor de expansão e comuni-

acompanhar de perto o desempenho dos

cação da Hirota Supermercados, des-

colaboradores contratados. “A gente tem

tacou que mesmo com incentivos pa-

uma excelente reputação no mercado de

ra formação profissional para os fun-

trabalho, desde que a empresa familiar foi

cionários, além de diversos benefícios,

fundada, em 1972, e hoje já estamos na

está difícil reter a mão de obra no setor

terceira geração”, destacou Regina.

varejista de supermercados. O grupo

A gestão da rede Pichilau passou por mudanças quando, há cinco anos, a em-

também atua com lojas de conveniência tradicionais e automatizadas.

presa passou por um processo de profis-

Freddi observou que, mesmo com as

sionalização, com Arlindo Lins, filho de

lojas de conveniência automatizadas, é

Regina, que aplicou seus conhecimentos

necessário contratar pessoas para fazer a

e experiência em diversas áreas do negó-

limpeza e repor estoques dos produtos.

cio. Atualmente, a área de gestão de pes-

Atualmente, há 130 lojas no sistema de

soas e de operações está com Regina, que

autoatendimentoda rede e a empresa tem

explicou que os colaboradores contrata-

a meta de aumentar para 500 até 2030.

dos passam por um treinamento voltado

Com atuação no varejo há mais de 40

para vendas. “A margem de revenda é

anos, Iuri Miranda, CEO da Firehouse Subs

muito apertada, então, a gente não con-

Brasil, rede norte-americana de sanduí-

trata frentistas, contratamos vendedores.

ches, citou que o país passou por mudan-

Tudo o que tem na pista pode ser comer-

ças, independentemente do percentual de

cializado. Se você comercializa produtos,

turnover de cada segmento. Ele mencio-

você tem a oportunidade de trazer mais

nou que os incentivos de benefícios sociais

rentabilidade para o seu negócio”, disse.

do governo cumprem o seu papel, mas, Combustíveis & Conveniência 45


Eliane Cunha

ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | MÃO DE OBRA

Regina Lins, CEO da Rede Pichilau, contou como a gestão ajudou a reduzir o turnover, que gira em torno de 8%

por outro lado, algumas pessoas preferem

tão de pessoas), abordou a importância

viver do benefício e não querem trabalhar.

da estratégia do negócio para atrair cola-

Miranda abordou as discussões do fim

boradores para a empresa. “Basicamente

da escala 6x1 no contexto atual com as

são três: de custo, diferenciação e nicho

gerações mais novas no mercado de tra-

de mercado. Você decide qual é a sua es-

balho, que se torna um desafio. “Um de-

tratégia, o que vai facilitar bastante. Se

bate interessante é o balanço entre vida e

for de custos, terá que ter processos efi-

trabalho. É uma discussão absolutamen-

cientes”. Como exemplo, Nóbrega citou

te legítima, mas que traz um componente

uma equipe de uma rede de fast food,

novo para dentro das empresas. O que as

que terá que ter velocidade e processos

pessoas queriam antes não é o que elas

rápidos em todas as etapas para aten-

querem hoje”.

der aos clientes, e um restaurante, que

Marcelo Nóbrega, investidor e Conse-

precisará ter um atendimento exemplar,

lheiro da RH Techs (plataforma de ges-

com reconhecimento dos clientes. A par-

46 Combustíveis & Conveniência


Na Hirota, a IA faz parte da rotina da

como será o recrutamento, a contratação

empresa e o uso da tecnologia tem aju-

de pessoas e o treinamento. “Você tem

dado a fazer as funções pela falta de fun-

que atrair as pessoas que vão se alinhar

cionários, como na padaria para fazer os

com a sua cultura corporativa”.

pães ou no trabalho pesado do centro de

Divulgação Raízen

tir disso, a empresa terá que estabelecer

distribuição. “Não é substituição, são caIA VAI SUBSTITUIR AS PESSOAS? Com experiência em postos e lojas de conveniência, Miranda, da Firehouse, in-

minhos alternativos que encontramos nas áreas que as pessoas não querem mais trabalhar”, esclareceu.

formou que a rede de sanduíches tomou a decisão de que todo o atendimento se-

JORNADA 12X36

ria via tecnologia. O cliente vai no totem

A Rede Pichilau busca o bem-estar dos

e faz o pedido, não tem caixa e a empre-

funcionários, e entendeu que a jornada

sa faz uso da tecnologia para aumentar

12x36 atende às necessidades dos cola-

a produtividade. “A IA ampliou a nossa

boradores. “Trabalhamos com conscien-

base de conhecimento, permitiu ser mais

tização de que o funcionário, para que

produtivo e fazer análises. Mas se você

atenda bem o nosso cliente e coloque a

não souber interpretar os dados para ser

nossa missão em prática, tem que estar

mais produtivo ou direcionar os colabora-

feliz. Também defendo a jornada 12x36

dores para fazer aquilo que a IA não faz,

porque eles conseguem, no tempo deles,

não adianta nada”.

fazer outra renda fora do posto”, disse.

Miranda destaca que a tecnologia inte-

Regina deixou uma mensagem para os

grou o ambiente de negócios, seja no pos-

revendedores, com uma citação: “100%

to, supermercado ou fast food. Ele trou-

de seus clientes são pessoas e 100% de

xe a análise de que a IA não vai substituir

seus funcionários são pessoas. Se você

as pessoas, e será complementar. Ela pode

não entende de pessoas, não pode ter ne-

programar uma resposta padrão para um

gócios. Enxerguemos nossos frentistas,

problema com o cliente, mas nada irá subs-

vendedores e atendentes como embaixa-

tituir o gerente conversar pessoalmente

dores do nosso negócio. A gente tem que

com o cliente e se desculpar pelo ocorrido.

cuidar das pessoas”, finalizou. n Combustíveis & Conveniência 47


Divulgação ExpoPostos

ESPECIAL EXPOPOSTOS | FEIRA

Sucesso de público consolida força da feira de negócios Com participação das três distribuidoras nacionais, a ExpoPostos reuniu companhias regionais que estão ampliando a sua atuação para outros estados.Também marcaram presença as indústrias de equipamentos, sistemas de eletropostos, aplicativos para contratar funcionários e novos serviços para lojas de conveniência POR MÔNICA SERRANO E ROSEMEIRE GUIDONI

D

urante os três dias de ExpoPostos,

Com mais de 250 empresas exposito-

circularam pela feira de negócios

ras, a feira apresentou as principais novi-

cerca de 30 mil visitantes, em uma

dades em produtos, serviços, tecnologias

área de 30 mil m2, 25% superior à da edição

e soluções para postos de combustíveis e

anterior (2024), garantindo ao evento sucesso

lojas de conveniência, refletindo as trans-

de público e a satisfação dos expositores.

formações e tendências do setor.

48 Combustíveis & Conveniência


Vanessa Gordilho, da Vibra, constata o sucesso da feira. Raízen (Shell) e Ipiranga também levaram para a feira os portfólios de produtos e serviços

Confira, a seguir, os principais desta-

vidades, fazer networking e buscar novas

ques da participação das distribuidoras,

parcerias. Com estandes lotados, as três

dos fornecedores de equipamentos e de

maiores companhias do setor (Vibra Ener-

produtos e serviços voltados aos postos e

gia, Ipiranga e Raízen) estiveram presen-

às lojas de conveniência.

tes, além da Ale Combustíveis, Petrobahia, Nexta (marca Petronas), Equador Dis-

DISTRIBUIDORAS NACIONAIS MARCAM PRESENÇA

lub, Atem, entre outras. Vanessa Gordilho, vice-presidente de Va-

Na feira de negócios, as principais dis-

rejo da Vibra Energia, destacou que a Expo-

tribuidoras de combustíveis do país tive-

Postos é um ponto de encontro dos reven-

ram oportunidade de ampliar o relaciona-

dedores do Brasil. Segundo ela, a Vibra trou-

mento com a revenda, apresentar as no-

xe para dentro do estande toda a tecnologia Combustíveis & Conveniência 49


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FEIRA

de combustíveis aditivados, além do Lubrax

cial daquele lugar, avaliamos os postos que

+ Express, que é uma troca de óleo realiza-

estão sem bandeira e que poderiam se con-

da em menos de 20 minutos, e a montagem

verter à nossa marca. Além disso, analisa-

de um eletroposto. O revendedor interessa-

mos a oportunidade de fazer a transforma-

do consegue entender a proposta de valor da

ção não só com a venda de combustível,

tecnologia de recarga para veículos elétricos

mas com o nosso ecossistema completo,

e avaliar se o estabelecimento teria deman-

colocando uma loja de conveniência, uma

da. “Temos vários formatos de eletropostos,

troca de óleo, por exemplo, mas tudo com

mas analisamos o potencial da região, se há

muito planejamento”, disse. “O sucesso da

ou não necessidade. Nem todo local com-

Vibra é o sucesso do posto. Queremos ver o

porta um eletroposto”, disse.

revendedor feliz”, finalizou.

Para a parte de conveniência, ela

A Raízen, por sua vez, levou para o

destacou a possibilidade de o revende-

evento produtos e serviços da bandeira

dor conseguir visualizar em 3D uma lo-

Shell, com destaque ao app de pagamen-

ja de conveniência.

to e o programa de fidelidade, Shell Box,

Uma das novidades da Vibra foi realizar,

e o Shell Café. “Na ExpoPostos & Conve-

no próprio estande, um treinamento da

niência mostramos por que a Shell é uma

equipe de vendas para “capacitar e inspi-

escolha que combina escala, qualidade e

rar nosso time para que vejam, de fato, o

uma parceria construída para ajudar o re-

potencial desse setor. Foi uma experiência

vendedor a se diferenciar e crescer. A for-

inédita”, comemorou Vanessa.

ça da marca, aliada a um portfólio com-

Neste ano, a Vibra se destacou pelo cres-

pleto de produtos, serviços, tecnologia,

cimento significativo para embandeirar no-

conveniência e experiências, apresenta

vos postos. Somente no primeiro semestre,

aos revendedores uma proposta capaz de

foram 385 novos postos que passaram a os-

gerar valor para o negócio, atrair consu-

tentar a marca, o que foi considerado um re-

midores e fortalecer sua operação”, disse

corde pela empresa. Vanessa atribui o resul-

Rodrigo Patuzzo, diretor de Marketing In-

tado à estratégia bem-sucedida, com uma

tegrado da distribuidora.

visão mais regionalizada. “Essa expansão foi

Consultada sobre a sua participação na

voltada para olhar o Brasil menos macro e

ExpoPostos, a Ipiranga optou por declinar

mais voltado para a microrregião, o poten-

a demanda.

50 Combustíveis & Conveniência


Iara Schimmelpfeng, da Petrobahia, e Bruno Bregoli Soares, da Nexta, destacaram crescimento das distribuidoras em outros estados

De regionais a nacionais: companhias crescem Já outras marcas, que antes eram consi-

te com a diretoria da companhia, o que é

deradas regionais, passaram a operar na-

uma oportunidade de mostrar seu diferen-

cionalmente. É o caso da Petrobahia, que

cial, que é a proximidade com os empresá-

ampliou sua presença para 17 estados e,

rios do setor.

recentemente, passou a integrar o Cen-

Pela primeira vez na ExpoPostos, a

tro-Oeste, com a inauguração de uma ba-

Nexta Distribuidora, por meio da mar-

se no Mato Grosso e, em breve, vai abrir

ca Petronas, apresentou seus produtos e

uma segunda base no mesmo estado, na

serviços para a revenda, fortalecendo o

cidade de Querência.

networking com os postos parceiros. A

Com crescimento de 20% ao ano, a com-

Petronas, petroleira da Malásia, passou

panhia está entre as cinco maiores distribui-

a atuar no Brasil em 2024, como marca

doras do Nordeste e entre as 10 do país.

de postos, a partir de uma parceria com

“É uma alegria participar de mais uma

a Nexta, que faz parte do Grupo Argenta.

Expopostos, com um estande digno de nos-

Atualmente, a bandeira Petronas está em

sos clientes”, disse Iara Schimmelpfeng, di-

nove estados do país e a meta é chegar ao

retora-presidente da Petrobahia.

fim deste ano com 350 postos.

De acordo com Iara, a ExpoPostos pro-

“Para nós, é uma grande oportunidade nos

porciona o contato da revenda diretamen-

apresentarmos para o mercado, receber os Combustíveis & Conveniência 51


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FEIRA

nossos revendedores e mostrar a nossa mar-

deirados, atua em 17 estados e destacou

ca, como atuamos e a nossa proposta de va-

a frota própria como um de seus diferen-

lor para quem não nos conhece”, disse Bruno

ciais para atendimento aos revendedores.

Bregoli Soares, diretor-executivo da Nexta.

“Hoje, nós somos a quinta maior dis-

A proximidade com a revenda também

tribuidora do Brasil”, afirmou Luiz Fer-

é destacada pelo executivo como um dos

nando Mendonça, gerente nacional de

pontos fortes da marca. “O Grupo Argen-

novos negócios e relações institucionais

ta vem de uma história de 40 anos, apren-

da companhia. Segundo ele, a empre-

deu no varejo as necessidades do merca-

sa pretende entrar em novos estados e

do e a Nexta traz essa proximidade”. Uma

ampliar a estrutura logística. “Nós temos

das principais características, segundo ele,

mais de 500 rodotrens hoje. É um dife-

é priorizar e atender ao revendedor em

rencial da Larco”

suas necessidades. “Ver o cliente feliz é o que mais importa nesse processo”.

A companhia pretende ampliar sua marca para os estados de Goiás, Bahia, Distrito

A Charrua, distribuidora do Grupo Argen-

Federal, Mato Grosso e Minas Gerais, além

ta, também marcou sua estreia na Expopos-

de todo o Nordeste. Para os revendedores,

tos e apresentou a sua proposta de valor, ba-

a expansão abre a possibilidade de avaliar

seada em dez pilares: controle de qualidade;

uma nova alternativa de bandeira, forneci-

a loja de conveniência Bem Aqui; combus-

mento e suporte logístico.

tíveis aditivados Charrua Plus e Diesel Plus;

A Atem mostrou sua estrutura volta-

App Charrua; Charrua Lub e AutoExpert; Co-

da ao relacionamento com revendedores,

nexão, plataforma de treinamentos; e Char-

clientes e parceiros, que contou com mais

rua Direta. A estratégia é apoiar os revende-

de 70 executivos e colaboradores. “Que-

dores na exploração do potencial dos postos

remos aproveitar esse ambiente para for-

como pontos de serviços e experiências.

talecer relacionamentos, trocar experiên-

A Larco também busca ampliar sua

cias, ouvir as demandas do mercado e

participação no mercado. A distribuidora

construir novas conexões que contribuam

apresentou seus planos de expansão geo-

para o desenvolvimento dos nossos negó-

gráfica, logística e de crescimento da rede

cios e de toda a cadeia”, afirmou Guilher-

de revenda. Atualmente, a empresa con-

me Santana, vice-presidente de Distribui-

ta com uma rede de 250 postos emban-

ção e Operações do Grupo. n

52 Combustíveis & Conveniência


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FEIRA | EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS

Eliane Cunha

Modelos de bombas antifraude foram os principais destaques de fabricantes de equipamentos

Inovação marca área de equipamentos

A

equipamentos

acordo com Thiago Castilha, representante

apresentou os novos modelos

da Lepan, que faz parte do Grupo, o grande

bombas antifraude, adequa-

diferencial do equipamento é sua robustez,

das ao regulamento técnico do Instituto

sendo que a parte eletrônica, bem como a

Nacional de Metrologia, Qualidade e Tec-

hidráulica e mecânica, foram desenvolvidas

nologia (Inmetro).

em conjunto com uma empresa japonesa, a

indústria

de

Atualmente, apenas a Wertco e a Wayne es-

Tatsuno. Segundo Castilha, a expectativa é

tão homologadas para fornecer o produto,

de que o dispositivo receba, em breve, a cer-

sendo que a Wayne aproveitou o primeiro

tificação. As vendas devem começar, segun-

dia do evento para fazer uma doação de seu

do ele, em janeiro de 2027.

dispositivo mais moderno para o Ipem-SP,

Integrando o Grupo Lupo, Castilha tam-

para estudos e testes por parte da equipe

bém mostrou o equipamento para recarga

de fiscalização.

elétrica de veículos, da e-Wolf, homologado

A Lupo também apresentou seu novo

por fabricantes chinesas e parceiro da BYD e

modelo de bomba com tecnologia em con-

Honda, entre outras. “O mercado está cres-

formidade com o Inmetro, a Lupo LP1. De

cendo e é importante alertar os postos para Combustíveis & Conveniência 53


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FEIRA | EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS

R$ 60 mil, com um carregador de 60 kW, capaz de carregar dois veículos simultaneamente”, disse, referindo-se ao equipamento apresentado no estande. A Tecposto, por sua vez, trouxe uma nova versão de equipamento para lavagem de veículos, sem escovas, conhecida como touchless. “Esses equipamentos usam produtos químicos e alta pressão, garantindo melhores resultados de limpeza, sem riscos de danos”, garantiu Renato Inama, representante da empresa. Inama reforça que o equipamento trasem riscos de danos ambientais. “A tecnologia destes produtos ajuda no procesEquipamento da Lepam vai passar por certificação e estará disponível para ser comercializado em janeiro de 2027

so de lavagem. Para exemplificar, quando o secador passa no veículo, se é usada uma cera de alta performance, a água escorre. Mas, no caso de um produto químico clandestino ou de baixa performance, os sopradores passam e o carro continua molhado. Então, a qualidade dos produtos também é fundamental”, disse. Uma das novidades é o ‘túnel de lavagem’, que consegue lavar até 150 veículos

buscarem empresas parceiras que realmente

por hora, em um espaço de 50 metros. Pa-

tenham estrutura no Brasil”, afirmou. Casti-

ra os postos, há tecnologias com tamanho

lha também aconselha o revendedor a bus-

inferior, mas igualmente eficientes. “E o re-

car carregadores rápidos e ultra-rápidos pa-

vendedor pode vender serviços extras, como

ra o posto. “É um investimento a partir de

aspiração e limpeza interna”, por exemplo.

54 Combustíveis & Conveniência

Eliane Cunha

balha com produtos químicos certificados,


PLATAFORMA PARA AUXILIAR NO RECRUTAMENTO A plataforma Posto de Talentos trouxe para a ExpoPostos a proposta que pretende auxiliar a revenda em uma questão crítica: a contratação de funcionários. A plataforma oferece vagas de frentista, caixa e trocador de óleo, às empresas que precisam contratar essas posições. Segundo Bruno Pastorello, a inteligência artificial ajuda na seleção das pessoas com as melhores características para cada vaga.

Eliane Cunha

os criadores da empresa, Denys Michelena e

“É uma plataforma simples e intuitiva, tanto para o profissional quanto para a empresa que precisa contratar, totalmente gratuita para ambos”, disseram os criadores da ferramenta, que aproveitaram a oportunidade para atender às demandas do setor, diante da alta rotatividade.

Posto deTalentos apresentou sistema de contratação de funcionários para postos

teira de clientes, emitir cartões físicos e virtuais, acompanhar vendas e transações, con-

SISTEMA DE GESTÃO DE FROTAS

trolar limites, liquidação, fechamento, conci-

Outra novidade foi apresentada pela VEIC,

liação e valores a receber, com pagamentos

chamada de VEIC Redes, solução que reúne

por cartão ou QR Code integrados ao am-

em um único ambiente a gestão da carteira de

biente de gestão. Do outro, o cliente empre-

clientes, vendas e pagamentos e agrega ferra-

sarial passa a contar com ferramentas para

mentas para que as empresas também pos-

controlar o abastecimento de sua frota, es-

sam controlar o abastecimento de suas frotas.

tabelecendo limites e regras de consumo por

Na prática, a tecnologia atua nas duas

veículo, como combustível autorizado, valo-

pontas da operação. De um lado, a rede de

res, litragem e permissões de uso, ganhando

postos pode cadastrar e administrar sua car-

mais eficiência em sua operação. n Combustíveis & Conveniência 55


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FEIRA | CONVENIÊNCIA

Eliane Cunha

Ampliação de negócios, como novo formato de alimentação do Giraffas, Estação Gás 24h e lavadora sem franquia do Grupo Sentax, marcaram a feira

Novos expositores mostram alternativas de diversificação

P

ela primeira vez na ExpoPostos, a

parte delas estão em postos de combustí-

Estação Gás 24 horas apresentou

veis. “A instalação ocupa uma vaga de au-

uma estrutura que pode ser ins-

tomóvel e traz movimento para o posto.

talada no posto para vender gás de cozi-

As câmeras registram pessoas que com-

nha em um modelo de autoatendimento. O

pram às 2h da madrugada ou às 5h30 da

consumidor leva o botijão vazio e pode re-

manhã. É uma comodidade que a tecno-

tornar com um cheio, pagando no local por

logia nos permite”, disse.

cartão de débito, crédito, pix ou voucher.

Segundo Rosa, durante a ExpoPostos

De acordo com Josely Rosa, diretor co-

houve revendedores interessados de diver-

mercial da empresa, as máquinas já foram

sos estados. Uma máquina custa cerca de

instaladas em 25 estados, sendo que boa

R$ 99 mil. Há dois tamanhos, para 22 e 40

56 Combustíveis & Conveniência


botijões. Além da máquina, o revendedor

O grande diferencial é que não se tra-

deverá buscar uma distribuidora parceira e

ta de uma franquia. Os equipamentos são

terá que investir na compra dos botijões.

adquiridos pelo posto e funcionam integra-

A empresa dá garantia de cinco anos e,

dos a um sistema de cobrança automática,

se houver qualquer problema, há um su-

por meio de fichas, e o consumidor pode

porte de plantão.

utilizar de forma autônoma em um totem. Os preços são definidos pelo próprio pos-

LAVANDERIA SEM FRANQUIA Outra oportunidade para ampliar os negócios foi apresentada pelo Grupo

to ou loja de conveniência, conforme explicou Bruno Jimenez, responsável pela linha de tratamento de água da empresa.

Sentax, que há 40 anos atua em áreas como higiene, limpeza e tratamento de

PERFUMES NO POSTO? Diferente de todos os produtos expos-

produtos apresentados foi um sistema

tos para postos e lojas de conveniência, a

com lavadora e secadora, que permite a

Parfum Brasil mostrou a sua linha de perfu-

rentabilização do espaço do posto com

mes, em kits de 15 ml, que passaram a ser

serviços de lavanderia.

comercializados em lojas de conveniência.

Eliane Cunha

água para diversos segmentos. Um dos

Estande da Parfum Brasil mostrou pela primeira vez na Expopostos sua linha de miniaturas de perfumes para lojas

Combustíveis & Conveniência 57


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FEIRA | CONVENIÊNCIA

“Temos o objetivo de perfumar o ambiente e a vida das pessoas. Nos postos,

tes, como faturamento médio 8,4% superior ao das lojas de rua tradicionais.

hoje, a pessoa encontra de tudo e, por

“O consumidor busca cada vez mais prati-

que não, vender perfumes?”, questionou

cidade sem abrir mão da confiança em mar-

Wellington Vasconcelos, CEO da empresa.

cas já consolidadas. Além disso, é importante

Esse foi o primeiro ano de participação da

destacar que os postos reúnem características

marca na feira, e Vasconcelos estava mui-

muito favoráveis para operações de alimenta-

to satisfeito. O produto já é comercializado

ção, como localização estratégica, fluxo cons-

em algumas revendas de São Bernardo do

tante de consumidores e maior permanência

Campo (SP), local da sede da fábrica, além

dos clientes no local. Quando somamos isso à

de outros espaços, e já chegou em Mato

força de uma marca nacional como a Giraffas,

Grosso. “Ainda é pulverizado, tudo mui-

criamos uma proposta de valor bastante com-

to embrionário e na ExpoPostos queremos

petitiva para investidores e parceiros”, afirmou

projetar a ideia com mais força”, disse.

Eduardo Guerra, diretor de Expansão da rede.

Foram desenvolvidos displays que cabem

Segundo Guerra, já há oito unidades em

no checkout da conveniência, com preço

funcionamento no novo formato, que ope-

acessível para o consumidor. “Tem muita

ram em parceria com a loja de conveniência e

gente adorando a nossa ideia, pois pode

usam parte de sua infraestrutura, como a área

aumentar o ticket médio da conveniência”,

para consumo das refeições. As unidades nes-

disse. No segundo dia de feira, Vasconcelos

se formato registram ticket médio 3% maior

disse que houve bastante procura, mas que

e fluxo de clientes 5,2% acima. Entre janeiro e

os negócios acontecem geralmente depois

julho de 2026, de acordo com o diretor, tam-

do evento. A empresa estava com oferta

bém apresentaram crescimento de 4,3% no

especial durante a ExpoPostos.

faturamento em comparação com o mesmo período de 2025, reforçando o potencial do

GIRAFFAS: NOVO FORMATO PARA LOJA

canal para a expansão da marca.

Presente pela primeira vez na ExpoPos-

Para os revendedores interessados, a área

tos, a rede de fast food apresentou um for-

mínima necessária para acomodar a opera-

mato voltado especificamente a postos de

ção é de 50 m2. A taxa de franquia é de R$

combustíveis e lojas de conveniência, que

60 mil e o investimento fica a partir de R$

vem apresentando resultados interessan-

577 mil, além da obra civil. n

58 Combustíveis & Conveniência


AGENDA

Outubro NACS Show Data: 6 a 9 Local: Las Vegas - EUA Realização: NACS Informações: www.nacsshow.com

Revenda Conectada Data: 21 e 22 Local: Petrolina (PE) Realização: Sindicombustíveis - PE Fone: (81) 3227-1035

Encontro dos Revendedores de Combustíveis do Nordeste Data: 29 e 30 Local: Natal (RN) Realização: Sindipostos – RN e demais sindicatos da região Nordeste Fone: (84) 3217-6076

Novembro Conexão Sindi Pará Data: 12 Local: Santarém (PA) Realização: Sindicombustíveis - PA Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473

Comemoração 50 anos Data: 28 Local: Santarém (PA) Realização: Sindicombustíveis - PA Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473

Dezembro Encontro de Revendedores de Combustíveis da Região Sul Data: 10 Local: Blumenau (SC) Realização: Sinpeb Informações: (47) 3326-4249 Combustíveis & Conveniência 59


Eliane Cunha

ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | CONVENIÊNCIA

Executivos das distribuidoras destacam a importância do food service para trazer o consumidor para dentro da loja

Como transformar o food service em diferencial Fórum realizado durante a Expopostos traz debates sobre as mudanças do mercado de consumo e como acompanhar as tendências, mantendo a operação eficiente POR MÔNICA SERRANO

U

m dos grandes desafios pa-

uma série de critérios, como qualidade,

ra o revendedor é aumentar a

sortimento, rapidez e atendimento para

circulação das lojas de conve-

corresponder às expectativas do cliente.

niência, atraindo o consumidor que vai

O painel “Foodvenience: como transfor-

abastecer para dentro do estabelecimen-

mar o Food Service em gerador de tráfe-

to. E esse desafio é ainda maior quan-

go na sua loja”, trouxe a análise do tema

do se trata de alimentação, pois envolve

pelas principais distribuidoras do país e

60 Combustíveis & Conveniência


contou com a mediação de Giselle Val-

Levar em consideração os hábitos

devez, curadora do Fórum Internacional

do consumidor e a regionalização tam-

da ExpoPostos.

bém fez parte da análise de Arthur Ouri-

“No food service é onde a gente

ques, gerente de Novos Negócios da Dis-

consegue diferenciar a nossa operação

lub Equador. Segundo ele, a concorrência

do vizinho. Nessa categoria, o sabor e

não está no posto próximo, mas na ta-

o frescor fazem diferença. Eu garanto

pioqueira da esquina nas regiões Norte e

que o consumidor na hora de buscar

Nordeste, que abre o seu trailer bem ce-

algo para comer não vai olhar só o pre-

do e conhece todo mundo. “A gente bus-

ço. Essa categoria é menos voltada ao

ca, de forma muito latente, a regionaliza-

custo. Além disso, o consumidor que

ção”, disse.

entra na loja para consumir um salgado

Ouriques também abordou o dia a dia

ou fazer uma refeição, não fica só na-

da conveniência com a Inteligência Arti-

quele item”, contou Diego Pires, dire-

ficial para entender o comportamento

tor de Marketing da Ale Combustíveis.

do consumidor, além do apoio de tarefas

Para além do conceito de conveniên-

para gestão da conveniência, e alertou:

cia, Gustavo Campos, diretor de negó-

“quem não aderir à IA nos próximos dois

cios da Shell Select, observou que a lo-

anos, vai ficar para trás”.

ja se tornou um local de destino pa-

“Como a conveniência pode atingir um

ra quem quer tomar um café ou deseja

novo patamar? O que precisa ser desen-

consumir uma alimentação fresca e sau-

volvido para continuar sendo convenien-

dável. “Entregamos tudo com qualidade

te na vida do consumidor?”, questionou

e procuramos atender às preferências de

Igor Medeiros, da rede SIM.

consumo, com produtos locais adequa-

Nesse aspecto, ele citou como um dos

dos às particularidades de cada região.

pontos fundamentais para o food servi-

Tudo nasce de um bom planejamento e

ce o cuidado com o alimento, com a es-

de uma visão clara da proposta de va-

colha do fornecedor. “Quem é o forne-

lor”, disse. “Penso que nós, empresários

cedor? De quem eu vou comprar? Qual

e gestores de negócios, estamos criando

é a qualidade do produto? Essa quali-

mais do que produtos, criamos desejos e,

dade, ele consegue entregar sempre?

cada vez mais, destinos de alimentação”.

O que eu vou vender no food service? Combustíveis & Conveniência 61


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | CONVENIÊNCIA

Alimentação é uma questão de confiança”, enfatizou.

Giselle Valdevez ampliou a análise de que o setor de conveniência ainda tem

Toda gestão da alimentação é extre-

um amplo espaço para crescer, com a

mamente importante, segundo Medei-

loja inserida ao posto. “Se pensarmos

ros. Além disso, ele destacou a impor-

que o mercado brasileiro de conveniên-

tância de diversificar a oferta de alimen-

cia representa cerca de 20% da reven-

tos, para além dos salgados e pão de

da, temos uma baita oportunidade. Em

queijo. “É importante oferecer varieda-

outras gerações, havia necessidade de

de, mas sem perder a qualidade, e man-

explicar o que a conveniência era, mas,

ter a consistência”, recomendou.

atualmente, isso não existe mais”, ob-

Douglas Castanheira, diretor de Fran-

servou, reforçando que o conceito de

chising da AmPm, destacou a importân-

conveniência já está consolidado entre

cia da entrega da qualidade do produto

os consumidores, que reconhecem es-

do ponto de vista da operação com efi-

ses estabelecimentos como espaços que

ciência. “É preciso fazer com que a lo-

vão além das compras rápidas, reunindo

ja tenha mais eficiência, para conseguir

praticidade, serviços e soluções para di-

maior independência para ofertar um

ferentes momentos do cotidiano.

produto de qualidade, com produção

Entre as diversas considerações, Pi-

muito rápida”, disse. Num segundo mo-

res, da Ale Combustíveis, trouxe a

mento de compra, depois que o cliente

abordagem da mudança de comporta-

entra na loja, isso pode ser um diferen-

mento do consumidor. No caso da cer-

cial para conseguir reter o consumidor.

veja, ele citou como exemplo as mu-

Acompanhar as tendências do mer-

danças de hábitos, que levam o consu-

cado de consumo foi a abordagem de

midor a preferir um produto leve, sem

Alexandre Sezilla, diretor da BR Ma-

carboidrato e sem glúten. “Isso mu-

nia. “Olhamos para a importância de

dou não tem nem dez anos. É um de-

o ambiente ser instagramável, de se-

safio para o setor. Tem que ser rápido,

guir tendências e a jornada de consu-

porém, necessariamente, a gente tem

mo. Na BR Mania, acompanhamos os

que entender o cliente daquele pon-

sites de mercado e quem está no Ins-

to de venda, porque podemos errar na

tagram”, disse.

oferta”, destacou.

62 Combustíveis & Conveniência


Eliane Cunha

Executivos de indústrias de bebidas mostram novas linhas de produtos criadas a partir das preferências do consumidor

Comportamento do consumidor influencia escolhas POR ROSEMEIRE GUIDONI

Com foco no conceito wellness, fa-

se reflete nas vendas. “Isso também é

bricantes de bebidas discutiram, na

um efeito da popularização das cane-

Arena do Conhecimento, as mudan-

tas emagrecedoras, que levam o con-

ças no perfil do público e como isso

sumidor a fazer escolhas que consiCombustíveis & Conveniência 63


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | CONVENIÊNCIA

dera mais saudáveis”, disse Matheus

sem álcool. “A cerveja sofre esse im-

Lyra, gerente nacional de Key Account

pacto da vida saudável, mas ainda é

e Conveniência da Red Bull, em pai-

um produto essencial para o canal de

nel mediado por Giselle Valdevez. Se-

conveniência”, pontuou. “Por isso, as

gundo ele, cada vez mais os clientes

lojas precisam ter tais itens, para não

buscam bebidas sem açúcar, categoria

deixarem de vender por indisponibili-

que tem crescido mais de 50% em re-

dade”, recomendou.

lação a outros produtos. “Os energé-

Para os refrigerantes, a tendên-

ticos, de modo geral, estão na contra-

cia é a mesma, de acordo com Albert

mão da queda de vendas da indústria

Adissi, diretor de clientes de varejo da

de bebidas. E as bebidas zero açúcar

Coca-Cola para clientes do Brasil e Ar-

ou com baixa caloria são as que mais

gentina. “Percebemos um aumento de

atraem o comprador para as lojas”.

vendas de bebidas funcionais, como

A mesma visão é compartilhada por

isotônicos

(Powerade).

Observamos

Bruno Carvalho, gerente de Key Account

que, principalmente, a geração Z entra

da Monster Energy. “A grande alavan-

na loja e busca por este tipo de produ-

ca das vendas de Monster é o produto

to. Inclusive, estamos lançando a Coca

sem açúcar, por conta da mudança de

‘zero zero’, que é zero açúcar, zero ca-

hábitos de consumo. Essa categoria es-

feína e zero calorias”, afirmou.

tá indo cada vez mais para o mercado premium”, observou.

Guilherme Ruzzante, gerente nacional de contas da Ambev, acrescentou

Já o caso das cervejas, segundo Del-

que bebidas saudáveis e zero álcool, com

son Andrade, gerente nacional de ven-

baixa caloria, estão sendo cada vez mais

das C-Store da Heineken, é mais desa-

relevantes para a conveniência. “Esse

fiador. “Com a tendência wellness, o

canal é um player importante para iden-

consumo tem migrado para outros ti-

tificarmos tendências de consumo, es-

pos de produto, como cerveja zero ou

pecialmente das novas gerações”.

64 Combustíveis & Conveniência


Eliane Cunha

Jonathas Rosa, diretor de Customer Success, apresenta estudo da Nielsen sobre mudanças nos hábitos de consumo

Quem vai dominar a conveniência: geração Z ou X? POR MÔNICA SERRANO E ROSEMEIRE GUIDONI

Para contextualizar as transformações no comportamento de consumo e com-

cias que vêm influenciando as escolhas dos consumidores.

preender as preferências das novas ge-

“Quem parou para refletir sobre as ge-

rações nos hábitos de compra, Jonathas

rações que hoje frequentam as lojas e aca-

Rosa, diretor de Customer Success para

bam determinando o momento de com-

o Varejo da Nielsen, apresentou tendên-

pra?”, questionou. Combustíveis & Conveniência 65


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | CONVENIÊNCIA

Uma pesquisa da Nielsen avaliou as ge-

O executivo destaca que os brasilei-

rações X e Z na América latina. No Brasil,

ros buscam cuidado maior com o corpo,

cerca de 15% de ambas as gerações já

saúde e estética. Consumidores do Bra-

entraram na loja de conveniência para fa-

sil fazem mais uso de vitaminas e suple-

zer uma compra no último ano. Já na Co-

mentos, em um índice 65% superior an-

lômbia e no México, esse dado subiu pa-

te a média global, e praticam mais exer-

ra 70%.

cício físico, 77%, percentual superior à

Em relação à frequência de compra no

média. Nesse contexto, também entram

canal, no Brasil, tanto a X quanto a Z vi-

as canetas emagrecedoras. No Brasil,

sitam e adquirem produtos oito vezes por

51% dos entrevistados estavam familia-

ano, o que representa menos de uma vez

rizados com o produto e 18% já utiliza-

por mês. Já em relação ao México, os usu-

ram o medicamento.

ários frequentam e compram cerca de duas vezes por mês.

“Os consumidores que utilizam as canetas cortam ou reduzem muito o con-

Quanto aos gastos, a geração X faz com-

sumo de chocolates, lanches, bebidas al-

pras em torno de US$ 5 e a Z gasta um pou-

coólicas e açucaradas. Por outro lado,

co menos. No comparativo com a Colômbia,

aumentam o consumo de produtos com

os usuários gastam o dobro, US$ 10.

proteína animal, seguidos de frutas, ver-

As diferenças entre as preferências de

duras e suplementos”, disse.

consumo aparecem nas categorias. No

Rosa demonstrou o crescimento de

Brasil, de forma geral, as que mais cres-

algumas categorias da conveniência.

cem são cigarros, goma de mascar, do-

As bebidas energéticas zero açúcar e

ces, rotisserie e bebidas energéticas. Pa-

ultra (sem calorias) crescem atualmente

ra a geração X, vinhos têm importância

seis vezes mais do que a média da ca-

70% superior do que a média de consu-

tegoria. Chás prontos zero açúcar tam-

mo. Já para a geração Z, os preferidos são

bém crescem um terço acima da média.

os energéticos.

Da mesma forma que as cervejas low

“De forma praticamente transversal,

carb, sem glúten e ultra (menos calo-

todas as gerações buscam pelo bem-estar

ria, carboidrato e menor teor alcoólico)

e saudabilidade, comparando o Brasil com

crescem 12 vezes mais do que a média

a média global”.

da categoria.

66 Combustíveis & Conveniência


“O ponto para avaliar é que há uma

produtos das lojas. A questão é como

mudança forte no comportamento de

aproveitar melhor essas tendências, como

compra e isso não significa que será ne-

escolher de forma mais assertiva os pro-

cessário remodelar todo o sortimento de

dutos”, pontuou Rosa. n

Geração X nascidos entre 1965 e 1980 Características: fiéis às marcas, buscam produtos de qualidade, valorizam saudabilidade e bem-estar. Pontos de Contato: mídias tradicionais externas e dentro do ponto de venda, programas de fidelidade e prêmios.

Geração Z nascidos entre 1995 a 2010 Características: buscam pelo prazer, valorizam flexibilidade e inovação nos produtos e nos pontos comerciais. Pontos de contato: mídias sociais, e-commerce, plataformas de jogos, plataformas móveis, programas de fidelidade baseados em carteiras digitais e cashbacks. Fonte: Nielsen

Comportamento de consumo por geração Segundo dados apresentados no painel da indústria, realizado na Arena do Conhecimento, existem diferenças nas preferências de consumo a depender da geração, embora todas tendam a buscar produtos considerados mais saudáveis. De acordo com Guilherme Ruzzante, da Ambev, a geração X é mais apegada às marcas e a escolha por produtos zero costuma ser por saúde, ou por algum momento específico (por exemplo, consumir uma cerveja zero álcool quando for dirigir). Já a geração Z tende a buscar produtos de baixa caloria e zero álcool, sempre procurando novidades. A experiência de compra, para essa faixa etária, também é um diferencial, assim como a preferência por ‘marcas com propósito’. A Y (nascidos entre 1981 e 1994), por sua vez, também escolhe produtos mais saudáveis, com equilíbrio.

Combustíveis & Conveniência 67


Eliane Cunha

ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | FECOMBUSTÍVEIS

Presidente da Fecombustíveis apresenta a rotina da entidade Acompanhamento de projetos de leis, interlocução com ANP e diversos órgãos públicos, combate às fraudes de qualidade e quantidade são algumas das atribuições em defesa da revenda POR MÔNICA SERRANO

A

tuar em defesa dos interesses

para a revenda, pois acontece nos basti-

da revenda de combustíveis,

dores”, disse James Thorp Neto, presiden-

buscando melhores condições

te da entidade, que conduziu o painel “A

para o desenvolvimento e sustentabilida-

força da representação: o trabalho por

de dos negócios, não é uma tarefa sim-

trás da defesa da revenda”.

ples, mas resume o papel da Fecombus-

Na rotina diária da entidade, há o

tíveis. “Às vezes, é um trabalho invisível

acompanhamento dos projetos de lei que

68 Combustíveis & Conveniência


afetam o setor. Esse trabalho é realizado

a proposta de modificação sobre o ca-

em parceria com a Confederação Nacio-

pital social da revenda, que prevê va-

nal do Comércio de Bens, Serviços e Tu-

lor mínimo de R$ 1.000.000,00. “Esta-

rismo (CNC). “Todas as segundas-feiras,

mos tentando sensibilizar a Agência”,

temos uma reunião com a equipe de re-

disse. Esta proposta busca dificultar o

lações institucionais da CNC para avaliar

ingresso de agentes mal-intenciona-

os projetos e definir a nossa linha de tra-

dos no setor. No entanto, para o crime

balho. São mais de 120 projetos em an-

organizado, esse valor não representa

damento que podem afetar o nosso ne-

obstáculo. Por outro lado, a regra, se

gócio”, disse Thorp.

for aprovada, pode trazer sérias con-

Muitas vezes, por total desconheci-

sequências para os postos de pequeno

mento do setor, alguns parlamentares

porte, formados por empresas familia-

não medem as consequências que podem

res, pois não teriam esse montante pa-

causar uma proposta para os postos. Nes-

ra operar no mercado.

se momento, é necessária a intervenção

Thorp também destacou o empenho

da Fecombustíveis junto ao deputado ou

da Fecombustíveis em defesa de normas

senador para mostrar o funcionamento

claras, capazes de identificar e penalizar

do mercado, solicitar modificação do pro-

o agente inidôneo e proteger os empre-

jeto ou mesmo pedir que seja derrubado.

sários que atuam dentro da legalidade.

“Para vocês terem ideia, existe um PLP

O combate às irregularidades é uma

que propõe que os postos usem man-

das pautas permanentes da entidade,

gueira transparente”, ilustrou Thorp. Se-

para que a revenda do país possa atuar

gundo o presidente, a intenção do legis-

em um ambiente concorrencial saudá-

lador é combater as irregularidades, po-

vel. O projeto de lei 5082/2025, que al-

rém a transparência da mangueira não

tera a Taxa de Controle e Fiscalização

teria efeito algum sobre isso.

Ambiental (TCFA), estabelecendo um

A interlocução da Fecombustíveis

critério mais justo e equilibrado para a

também se faz com os mais diversos

revenda, e a antecipação da monofasia

órgãos públicos, principalmente com a

tributária do etanol hidratado, prevista

ANP, que regulamenta o setor. Atual-

na Reforma Tributária, são outros temas

mente, um dos esforços da Federação é

prioritários da Fecombustíveis. Combustíveis & Conveniência 69


ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | FECOMBUSTÍVEIS

Thorp também apresentou um vídeo de uma audiência pública em

ção pela ANP. O que vocês acham que ia acontecer?”

defesa da revenda de combustíveis,

O presidente da Fecombustíveis des-

quando houve uma força-tarefa na-

tacou ainda outras conquistas da enti-

cional para fiscalizar os postos por

dade, como a prorrogação dos prazos

supostos preços abusivos no auge da

para instalação dos sistemas de recupe-

guerra do Oriente Médio, que infla-

ração de vapores, alinhada ao Regula-

cionou os preços do petróleo e deri-

mento Técnico Metrológico do Inmetro,

vados no mundo inteiro. Porém, no

e a modernização das bombas no com-

Brasil, os postos foram responsabili-

bate às fraudes volumétricas. A imple-

zados por aumentar os custos e tive-

mentação, em 2023, da monofasia do

ram que prestar esclarecimentos aos

ICMS para gasolina, etanol anidro, die-

órgãos fiscalizadores, como ANP, Pro-

sel e biodiesel, o apoio às ações con-

con, Ipem, entre outros. Durante a

tra sonegação fiscal, a lavagem de di-

audiência pública, Thorp apresentou

nheiro e fraudes de quantidade e qua-

todos os impactos da composição de

lidade e a aprovação do projeto do de-

preços daquele período, que causa-

vedor contumaz também foram cita-

ram a elevação de custos da importa-

das. No caso do devedor contumaz, a

ção de diesel e gasolina. Até a própria

Fecombustíveis participou das primei-

Petrobras estava vendendo com preço

ras discussões desde o PLS 284/2017,

acima da tabela nos leilões, adotando

apresentado pela então senadora Ana

os custos internacionais.

Amélia. Além disso, com atuação con-

Entre as diversas conquistas da Fecom-

junta com outros agentes do setor, caí-

bustíveis para a revenda, Thorp destacou

ram os regimes especiais para empresas

uma das mais recentes, em junho, com a

importadoras do Maranhão e do Ama-

retirada do Artigo 10 da Medida Provisó-

pá, cujo desvio tributário foi da ordem

ria 1343/2026, conhecida como a MP do

de R$ 1,4 bilhão.

Frete, que poderia abrir as portas para ir-

Ao final da apresentação, Thorp cha-

regularidades. “Esse artigo dizia que em-

mou ao palco Fábio Bentes, economis-

presas poderiam instalar tanques de 30

ta-chefe da CNC, que realizou uma pa-

mil litros sem a necessidade de autoriza-

lestra sobre Reforma Tributária, desta-

70 Combustíveis & Conveniência


Eliane Cunha

cando alguns pontos da mudança, e trouxe a preocupação de que ainda não se sabe qual será a alíquota dos novos tributos Contribuição de Bens e Serviços (CBS - que vai substituir os impostos federais) e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS - que vai substituir o ICMS e o ISS). “E aí vem a minha frustração, estamos há menos de quatro meses do início da mudança e o governo ainda não anunciou a alíquota. E sobre o Imposto Seletivo, também chamado de Imposto do Pecado, que vai atingir a atividade do setor, também não temos a menor ideia”, disse. O tema da Reforma Tributária também foi abordado na Arena do Conhecimento, com as mudanças previstas a partir de janeiro de 2027, por Luiz Rinaldo, diretor da Plumas ConFabio Bentes, da CNC, apresentou palestra sobre a Reforma Tributária

tábil. Confira a palestra na íntegra aqui. n Combustíveis & Conveniência 71


Eliane Cunha

ESPECIAL EXPOPOSTOS | FÓRUM | FECOMBUSTÍVEIS

James Thorp Neto foi surpreendido com homenagem

Sindicatos homenageiam Fecombustíveis Durante o Fórum, houve um momento de homenagem a James Thorp Neto, por iniciativa de Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindicombustíveis – PE, que chamou ao palco os presidentes de sindicatos filiados para reconhecer o trabalho significativo de Thorp, que enfrenta desafios diários para defender o revendedor. “Agradeço pela surpresa e homenagem. O reconhecimento de nosso trabalho é o nosso combustível. Essa é a minha maior motivação!”, disse Thorp.

72 Combustíveis & Conveniência


TABELAS em R$/L

Período

São Paulo

Goiás

Período

São Paulo

Goiás

31/08/2026 - 09/09/2026

2,783

2,516

31/08/2026 - 09/09/2026

2,399

2,326

07/09/2026 - 11/09/2026

2,848

2,661

07/09/2026 - 11/09/2026

2,462

2,387

14/09/2026 - 18/09/2026

2,913

2,731

14/09/2026 - 18/09/2026

2,641

2,599

21/09/2026 - 25/09/2026

3,052

2,734

21/09/2026 - 25/09/2026

2,582

2,587

28/09/2026 - 02/10/2026

3,058

2,713

28/09/2026 - 02/10/2026

2,564

2,491

setembro de 2025

3,198

2,952

setembro de 2025

2,763

2,702

setembro de 2026

2,899

2,660

setembro de 2026

2,521

2,475

Variação 31/08/2026 02/10/2026

9,9%

7,8%

Variação 31/08/2026 02/10/2026

6,9%

7,1%

Variação setembro de 2026 x setembro de 2025

-9,3%

-9,9%

Variação setembro de 2026 x setembro de 2025

-8,8%

-8,4%

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL ANIDRO (em R$/L)

HIDRATADO

ANIDRO

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL (Centro-Sul)

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL HIDRATADO (em R$/L)

Fonte: CEPEA/Esalq Nota 1: Sem Pis/Cofins produtor (R$ 0,1309) Nota 2: Preço para vendas interestaduais.

Combustíveis & Conveniência 73


TABELAS FORMAÇÃO DE PREÇOS

Diesel S500

Gasolina

Convênio ICMS 112/2025 (Gasolina) e 113/2025 (Diesel) - Referência 01/10/2026

UF

68% Gasolina A

AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO

2,3700 2,8696 2,3700 2,3700 2,8696 2,8696 2,3388 2,2645 2,3388 2,8696 2,2645 2,3388 2,3388 2,3700 2,8696 2,8696 2,8696 2,2645 2,2645 2,8696 2,3700 2,3700 2,2481 2,2481 2,8696 2,2645 2,3388

UF

85% Diesel A S500

AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO

74 Combustíveis & Conveniência

32% Etanol Anidro (1)

32% PIS/ COFINS Anidro (3)

0,9814 0,0615 0,9590 0,0615 0,9846 0,0615 0,9942 0,0615 0,9654 0,0615 0,9782 0,0615 0,8778 0,0615 1,0010 0,0615 0,8746 0,0615 0,9718 0,0615 0,9946 0,0615 0,8938 0,0615 0,9002 0,0615 0,9750 0,0615 0,9542 0,0615 0,9542 0,0615 0,9606 0,0615 0,9946 0,0615 0,9946 0,0615 0,9590 0,0615 0,9814 0,0615 0,9846 0,0615 1,0165 0,0615 1,0042 0,0615 0,9590 0,0615 0,9850 0,0615 0,8906 0,0615 CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)

15% Biocombustível (1)

85% CIDE (2)

5,1843 0,8123 0,0000 4,1499 0,8674 0,0000 5,1843 0,8123 0,0000 5,1843 0,8123 0,0000 4,1499 0,8674 0,0000 4,1499 0,8674 0,0000 3,1587 0,8031 0,0000 3,0932 0,8180 0,0000 3,1587 0,8016 0,0000 4,1499 0,8674 0,0000 3,0932 0,8180 0,0000 3,1587 0,8016 0,0000 3,1587 0,8031 0,0000 5,1843 0,8123 0,0000 4,1499 0,8674 0,0000 4,1499 0,8674 0,0000 4,1499 0,8674 0,0000 3,0491 0,7919 0,0000 3,0932 0,8225 0,0000 4,1499 0,8674 0,0000 5,1843 0,8123 0,0000 5,1843 0,8123 0,0000 3,0491 0,7919 0,0000 3,0491 0,7934 0,0000 4,1499 0,8674 0,0000 3,0932 0,8150 0,0000 5,1843 0,8018 0,0000 CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)

68% CIDE (2)

68% PIS/COFINS

0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680

0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088 0,1088

15% PIS/ COFINS Biodiesel (6)

85% PIS/ COFINS Diesel (3)

0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222

(3)

Carga ICMS

Ad rem (4) 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 5,184

Carga ICMS

Ad rem (4) 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 5,820

Custo da Distribuição 5,160 5,637 5,163 5,172 5,643 5,656 5,025 5,074 5,022 5,650 5,067 5,041 5,047 5,153 5,632 5,632 5,638 5,067 5,067 5,637 5,160 5,163 5,073 5,061 5,637 5,058 5,038

Custo da distribuição 7,465 6,508 7,488 7,488 6,508 6,508 5,453 5,402 5,451 6,508 5,402 5,451 5,453 7,488 6,508 6,508 6,508 5,332 5,407 6,508 7,488 7,488 5,332 5,333 6,508 5,399 7,477


em R$/L

Diesel S10

FORMAÇÃO DE PREÇOS UF

85% Diesel A S10

15% Biocombustível (1)

85% CIDE (2)

15% PIS/ COFINS Biodiesel (6)

85% PIS/ COFINS Diesel (3)

Ad rem (4)

AC

4,1228

0,8123

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,404

AL

4,0931

0,8674

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,451

AM

4,1228

0,8123

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,426

AP

4,1228

0,8123

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,426

BA

4,0931

0,8674

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,451

CE

4,0931

0,8674

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,451

DF

3,2167

0,8031

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,511

ES

3,1473

0,8180

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,456

GO

3,2167

0,8016

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,509

Carga ICMS

Custo da distribuição

MA

4,0931

0,8674

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,451

MG

3,1473

0,8180

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,456

MS

3,2167

0,8016

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,509

MT

3,2167

0,8031

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,511

PA

4,1228

0,8123

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,426

PB

4,0931

0,8674

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,451

PE

4,0931

0,8674

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,451

PI

4,0931

0,8674

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,451

PR

3,1065

0,7919

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,389

RJ

3,1473

0,8225

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,461

RN

4,0931

0,8674

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,451

RO

4,1228

0,8123

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,426

RR

4,1228

0,8123

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,426

RS

3,1065

0,7919

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,389

SC

3,1065

0,7934

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,391

SE

4,0931

0,8674

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

6,451

SP

3,1473

0,8150

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,453

TO

3,2167

0,8018

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,509

CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)

5,709

Nota (1): Corresponde ao preço da usina/produtor sem acréscimo do PIS/COFINS, incluso frete Nota (2): Decreto 8395, de 28/01/2015, para Gasolina e o Decreto 9391/2018 para o Diesel - Alíquota reduzida a zero Nota (3): Decreto 9101, de 20/07/2017, para Gasolina e a Lei 10.865/2004 para o Diesel (Gasolina coeficiente de redução 0.7981 até 09/10/26 - Decreto 13.116) Nota (4): Base de cálculo do ICMS = Ad rem (Gasolina - Convênio ICMS 127/2024- e Diesel - Convênio ICMS 126/2024) Nota (5): Média ponderada considerando o volume comercializado no ano de 2024 Nota (6): Lei 11.116/2005 Não inclui frete de entrega e CBIOs Obs: ICMS Base -Convênio ICMS 112/2025 (Gasolina) e Convênio ICMS 113/2025 (Diesel) Referência dos preços Produtores/Importadores = Preços médios ponderados semanais praticados por Produtores e Importadores de derivados de petróleo - ANP Esta planilha é elaborada com os dados públicos e oficiais previamente divulgados ao mercado pela Petrobras, Governo Federal e Governos Estaduais e pelo CEPEA/ESALQ. Utilizamos as tabelas públicas fornecidas pela Petrobras (Refinarias), a composição de tributos divulgada pelo Governo Federal e pelo CONFAZ (Ato Cotepe), além dos custos dos biocombustíveis (Fonte: Biodiesel = ANP e Etanol Anidro = Cepea/Esalq). A Fecombustíveis se isenta de quaisquer erros nos dados fornecidos pelas fontes acima citadas e ressalta que esta planilha se destina exclusivamente a colaborar com a transparência do mercado e com a efetivação da competitividade do setor.

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TABELAS

DIESEL

GASOLINA

AJUSTES NOS PREÇOS DA PETROBRAS

Fonte: Petrobras Preços Maio/2026 referência 29/05/2026 ==> Preços contemplam os seguintes “Descontos” relativos à Medida Provisória 1358: = Gasolina A = desconto R$ 0,44/lt + aumento tabela R$ 0,48/lt = aumento real R$ 0,04/lt) // = Diesel A = R$ 0,3515/lt (desconto equivalente à reoneração do PIS/COFINS mesmo valor)

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Nota: As tabelas e informações sobre a composição de preços estão disponíveis no site da empresa, seção Nossas Atividades/ Preços de Vendas de Combustíveis (https://petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/precos-de-venda-de-combustiveis/)


PREÇOS DE REVENDA E DISTRIBUIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS Período: 01/01/2021 à 20/09/2026 - (Preço Médio Brasil)

Gasolina comum:

Óleo Diesel S10:

Etanol Hidratado comum:

Obs: 1 - A partir de 17/08/2020 os dados de distribuição de etanol hidratado NÃO contemplam a parcela de ICMS/Substituição 2 - Desde a semana iniciada em 23/08/2020 os preços de distribuição são informados pelas distribuidoras à ANP através do SIMP Fonte: ANP – Painel Dinâmico de Preços de Combustíveis e Derivados do Petróleo, em 05/10/2026

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