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REPORTAGEM DE CAPA

Fiscalizações sobre preços abusivos sugerem postos como vilões

ENTREVISTA

Max Mcbrayer | CEO da NATSO

48 • Evolução dos Preços do Etanol

49 • Formação de Preços

50 • Formação de Custos do S10

51 • Ajustes nos preços da Petrobras

52 • Preços de Revenda e Distribuição

n MERCADO

18 • Governo amplia subsídios para conter alta dos combustíveis

17 • James Thorp Neto 08

24 • Transparência de preços e segurança energética em debate

n ATUAÇÃO SINDICAL

40 • Revenda Conectada Recife reúne 1,5 mil pessoas

n CONVENIÊNCIA

44 • Novos alimentos e tecnologias reforçam food service

n OPINIÃO

A Fecombustíveis representa nacionalmente 23 sindicatos, defendendo os interesses legítimos de mais de 45 mil postos de serviços, 687 TRRs e cerca de 58 mil revendedores de GLP, além da revenda de lubrificantes.

Nossa missão é acompanhar o mercado de revenda de combustíveis, com a meta de fomentar o desenvolvimento econômico e social do setor, contribuindo assim para melhorar a qualidade de vida da nação.

Presidente:

James Thorp Neto

1º Vice-Presidente: Márcio Martins de Castro Andrade

2º Vice-Presidente: Alfredo Pinheiro Ramos

3º Vice-Presidente: Júlio César Zimmermann

4º Vice-Presidente: Arildo Persegono Filho

5º Vice-Presidente: Emílio Roberto Chierighini Martins

6º Vice-Presidente: Mário César Neves

1º Secretário: Mário Luiz Pinheiro Melo

2º Secretário: José Carlos da Silva

3º Secretário: Maxwel Nunes Paula

1º Tesoureiro: Antônio Cardoso Sales

2º Tesoureiro: Wilber Silvano de Souza Filho

3º Tesoureiro: Maxwell Flor de Oliveira

Conselheiro Fiscal Efetivo: Adriano Costa Nogueira

Conselheiro Fiscal Efetivo: Manuel Fonseca da Costa Conselheiro Fiscal Efetivo: José de Faro Rollemberg Nascimento

Diretoria: Adriano Luiz de Castro Silva, Alexandre Aurélio Pereira Félix, Aline de Souza Andrade Soares, Antônio Barbosa Ferreira,Eduardo Augusto de Viveiros Pinheiro Borges,Delano Lima e Silva, Elson Justiniano Alves, Eraldo de Souza Teles Filho, Francielli Locatelli, Jarlan Marques Cavalcante, Magnolia Gomes Rolim,Marcelo Ambar Naya,Marcelo Batistela,Murilo de Paula Melquiades Oliveira,Rafael Alexandre de Figueiredo Gomes e Regina Amélia Fonseca Lins Lima.

Conselho Editorial:

Marciano Francisco Franco, José Alberto Miranda Cravo Roxo, Mario Melo e Ricardo Hashimoto

Edição: Mônica Serrano (monicaserrano@fecombustiveis.org.br)

Redação: Rosemeire Guidoni (roseguidoni@uol.com.br), Rodrigo Conceição Santos Capa: Alexandre Bersot, com imagem da iStock

Publicidade:

Fernando Polastro comercial.revista@fecombustiveis.org.br

Telefone: (11) 5081-6681 | 99525-6665

Programação visual: Girasoli

Fecombustíveis

Av. Rio Branco 103/13° andar - Centro-RJ -

Cep.: 20.040-004

Telefone: (21) 2221-6695

Site: https://www.fecombustiveis.org.br/edicoes-revista

E-mail: revista@fecombustiveis.org.br

Fiscalização revira postos em busca de preços abusivos

No momento atual, o governo federal tem promovido uma série de medidas para minimizar as oscilações de preços dos combustíveis, que são impactados pela alta do petróleo em função da guerra no Oriente Médio. Há uma pressão para que os custos dos combustíveis não sejam elevados no país, porém a cadeia de abastecimento é complexa e os preços podem oscilar diariamente, dependendo do item da composição de preço, mesmo com o esforço do governo.

Entre as medidas, houve a determinação de uma força-tarefa promovida pelo Ministério da Justiça, Senacom, ANP, Polícia Federal, com a participação de várias entidades que buscam fiscalizar postos e distribuidoras que praticam preços abusivos. As fiscalizações, em alguns estados, foram truculentas e ostensivas nos postos, com emissão de autos de infração antes mesmo de analisarem os valores praticados. Porém, no mercado de combustíveis os preços são livres, sendo difícil identificar o que pode ser considerado abusivo. Confira na Reportagem de Capa Outro destaque desta edição é a seção Mercado que mostra as novas medidas de subvenção para a gasolina e o óleo diesel, que o governo federal criou, direcionadas a produtores e importadores, para evitar reajustes abruptos nos combustíveis ao consumidor final em meio à crise global.

O tema dos combustíveis e toda repercussão do momento atual foi apresentado no evento São Paulo Innovation Week, que contou com a participação de James Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis. Segundo Thorp, o posto é o elo final e eventuais aumentos de bomba apenas refletem altas em elos anteriores. Veja reportagem da seção Mercado

Já Conveniência traz as principais novidades apresentadas na tradicional Fispal Food Service, realizada no final de maio, que contou com mais de 68,7 mil visitantes e cerca de 2.500 marcas.

A Entrevista do mês traça um panorama do mercado de postos de rodovia nos Estados Unidos e os principais desafios do segmento, com a entrevista de Max Mcbrayer, CEO da NATSO, entidade norte-americana que representa este segmento nos EUA. Boa leitura!

Mônica Serrano

Editora

SINDICATOS

ACRE

Sindepac

Delano Lima e Silva

Rua Pernambuco nº 599 - Sala 4

Bairro: Bosque Rio Branco-AC Fone: (68) 3226-1500 sindepac@hotmail.com www.sindepac.com.br

ALAGOAS

Sindicombustíveis - AL

James Thorp Neto Av. Jucá Sampaio, 2247, Barro Duro

Salas 93/94 Shopping Miramar Maceió-AL Fone: (82) 3320-2902/1761 scvdpea@uol.com.br www.sindicombustiveis-al.com.br

AMAZONAS

Sindicombustíveis - AM

Eraldo de Souza Teles Filho Rua Rio Içá, 26 - quadra 35 Conj. Vieiralves Manaus-AM Fone: (92) 35843707/3728/99446-2261 sindicombustiveisam@gmail.com

CEARÁ

Sindipostos - CE

Manuel Novais Neto

Av. Engenheiro Santana Junior, 3000/sala 605

Parque do Cocó - Fortaleza/CE Fone: (85) 3244.1147

ESPÍRITO SANTO

Sindipostos - ES

Maxwel Nunes Paula Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 955 / 21º - salas 2101 e 2102

Ed. Global Tower - Enseada do Suá Vitória - ES Fone: (27) 3322-0104 sindipostos@sindipostos-es. com.br www.sindipostos-es.com.br

GOIÁS

Sindiposto

Marcio Martins de Castro Andrade 12ª Avenida, 302 Setor Leste Universitário Goiânia-GO Fone: (62) 3218-1100 sindiposto@sindiposto.com.br www.sindiposto.com.br

MARANHÃO

Sindicombustíveis - MA

Luciana Nobre

Av. dos Holandeses - Ed. Tech Office - sala 226 - 2o andar

Ponta D’Areia - São Luís-MA Fone: (98) 98740-1700 / 98453-7975 gerencia@sindcombustiveis-ma. com.br

MATO GROSSO DO SUL

Sinpetro

Mário César Neves

Rua Bariri, 133 Campo Grande-MS

Fone: (67) 3325-9988 / 9989 sinpetro@sinpetro.com.br www.sinpetro.com.br

PARÁ

Sindicombustíveis - PA

José Carlos da Silva Av. Duque de Caxias, 1337 Bairro Marco

Perímetro: Trav. Mariz e Barros/Trav. Timbó Belém-PA Fone: (91) 3224-5742/ 3241-4473 secretaria@sindicombustiveis-pa. com.br www.sindicombustiveis-pa.combr

PARAÍBA

Sindipetro - PB

Omar Aristides Hamad Filho Av. Minas Gerais, 104 Bairro dos Estados

João Pessoa-PB Fone: (83) 3221-0762 contato@sindipetropb.com.br www.sindipetropb.com.br

PERNAMBUCO

Sindicombustíveis - PE

Alfredo Pinheiro Ramos

Rua Desembargador Adolfo Ciriaco,15 Prado Recife-PE Fone: (81) 3227-1035 recepcao@sindicombustiveis-pe. org.br www.sindicombustiveis-pe.org.br

PIAUÍ

Sindipostos - PI

Guilherme Araújo Parente Av. Tancredo Neves 8570, Lourival Parente Teresina-PI Fone: (86) 3227-4996 sindipostospi@gmail.com

RIO DE JANEIRO

RJ Postos

Marcelo Ambar Aya Av. Presidente Franklin Roosevelt, 296

São Francisco

Niterói–RJ Fone: (21) 2704-9400 sindestado@sindestado.com.br www.sindestado.com.br

RIO DE JANEIRO - MUNICÍPIO

Sindcomb

Manuel Fonseca da Costa

Rua Alfredo Pinto, 76 - Tijuca Rio de Janeiro-RJ Fone: (21) 3544-6444 secretaria@sindcomb.org.br www.sindcomb.org.br

RIO GRANDE DO NORTE

Sindipostos - RN

Maxwell Flor de Oliveira

Rua Monte Sinai, 1920 - Galeria Brito Sl 102 Bairro Capim Macio Natal/RN Fone/whatsapp: (84) 3217-6076 sindipostosrn@sindipostosrn. com.br www.sindipostosrn.com.br

RONDÔNIA

Sindipetro - RO

Arildo Persegono Filho Travessa Guaporé, Ed. Rio Madeira, 3º andar, salas 307/308 Porto Velho-RO Fone: (69) 3229-6987 sindipetrorondonia@gmail.com www.sindipetro-ro.com.br

RORAIMA

Sindipostos - RR

Av. Major Williams, 436 - sala 01- São Pedro Boa Vista-RR Fone: (95) 3623-9368/ 991322776 sindipostosrr@hotmail.com

SANTA CATARINA - BLUMENAU

Sinpeb

Julio César Zimmermann

Rua Quinze de Novembro, 550/4º andar

Blumenau-SC Fone: (47) 3326-4249 sinpeb@gmail.com www.sinpeb.com.br

SÃO PAULO – CAMPINAS

Recap

Emílio Roberto ChierighiniMartins

Rua José Augusto César, 233

Jardim Chapadão

Campinas-SP

Fone: (19) 3284-2450 recap@financeiro.com.br www.recap.com.br

SERGIPE

Sindpese

Jose de Faro Rollemberg

Nascimento

Rua Dep. Euclides Paes Mendonça, 871

Bairro Salgado Filho Aracaju-SE Fone: (79) 3214-4708 secretaria@sindpese.com.br www.sindpese.com.br

SINDILUB

Adriano Silva Rua Trípoli, 92, conj. 82 Vila Leopoldina

São Paulo-SP Fone: (11) 3644-3439/ 3645-2640 sindilub@sindilub.org.br www.sindilub.org.br

TOCANTINS

Sindiposto - TO Wilber Silvano de Sousa Filho Quadra 303 Sul Av. LO 09 lote 21 salas 4 e 5

Palmas-Tocantins

Fone: (63) 3215-5737 sindiposto-to@sindiposto-to. com.br www.sindiposto-to.com.br

TRR

Álvaro Rodrigues Antunes de Faria

Rua LordCockrane, 616 8º andar, salas 801/804 e 810

Ipiranga-SP Fone: (11) 2914-2441 info@sindtrr.com.br www.sindtrr.com.br

Entidade associada

ABRAGÁS (GLP)

José Luiz Rocha Fone: (41) 98897-9797 abragas.presidente@gmail.com

VIROU NOTÍCIA

Câmara aprova fim da escala 6x1

Em 27 de maio, a PEC 221/2029 votada e aprovada na Câmara dos Deputados foi um substitutivo (texto alternativo) apresentado pelo deputado Reginaldo Lopes, que considerou parte da PEC do deputado Leo Prates. Dois dias antes, em 25 de maio, o deputado federal Leo Prates havia apresentado relatório sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê acabar com a escala 6x1. O documento estabelece uma transição de 14 meses para reduzir a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais e abre espaço para adoção medidas para aliviar microempreendedores individuais e pequenas empresas.

Segundo o texto aprovado, a redução da carga horária semanal será sem diminuição de salários e haverá uma transição para chegar às 40 horas.

Depois de dois meses da publicação da futura emenda constitucional, já valerão os dois dias de descanso remunerado por semana. A partir desse prazo, o trabalhador registrado na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) contará com carga horária semanal de 42 horas. Durante esse prazo de

transição, será permitido que, por convenção ou acordo coletivo de trabalho, seja ampliada a duração diária da jornada (geralmente de oito horas) para que sejam cumpridas as 42 horas semanais. Somente após 14 meses da promulgação a jornada será de 40 horas por semana.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) alerta que a adoção de um limite uniforme de 40 horas vai gerar impactos negativos no emprego, nos pequenos negócios e na capacidade produtiva de setores intensivos em mão de obra.

“A mudança constitucional, ao estabelecer parâmetros rígidos e uniformes, desconsidera as especificidades do comércio de bens, serviços e turismo – setores marcados por sazonalidade, funcionamento contínuo, horários estendidos e necessidade de atendimento presencial”, destacou a CNC.

A PEC221/2019 seguiu para análise do Senado Federal, onde continuará sendo objeto de debates e discussões com representantes do setor produtivo.

(Com informações da Agência Câmara)

Kayko
Magalhaes/Agência Câmara

Postos poderão zerar a terceira casa decimal das bombas

Em maio, a ANP autorizou que os postos revendedores de todo o Brasil passem a usar novamente, o número “zero” na terceira casa decimal das bombas. A medida resultou de um pedido feito pela Fecombustíveis, que resolve um importante impasse do setor.

Em ofício, a agência reguladora destacou que “após todas as análises técnicas e consultas formais e regimentais necessárias (inclusive junto à Procuradoria-Geral Federal e ANP), conclui-se não haver prejuízo ao consumidor, nem ao disposto na legislação, em permitir que a bomba abastecedora exiba o preço do

Atualização da NR-1 entra em vigor

A atualização da norma regulamentadora 1 (NR-1), que trata de riscos psicossociais dos trabalhadores e amplia a responsabilidade das empresas em relação à saúde mental dos colaboradores, entrou em vigor em 26 de maio.

Com isso, o monitoramento da saúde mental passou a integrar o gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas, ao lado de riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes.

Desta forma, as rotinas que possam causar ansiedade, burnout ou preocupação excessiva, como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral ou sexual, pressão excessiva, conflitos interpessoais, falta de autonomia e falhas de gestão, entre outras, entram oficialmente no radar da fiscalização.

A partir de agora, a fiscalização passará a olhar para a forma como o trabalho é organizado e executado dentro das empresas. Durante essas ações, os auditores poderão analisar jornadas, cobrança por metas, relação entre chefias e funcionários, canais de denúncia, processos internos e documentos, como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), inventários de risco e planos de ação. No entanto, a fiscalização terá caráter orientativo durante três meses, com critério de dupla visita.

combustível com o terceiro dígito zerado e travado na hora do abastecimento”.

Vale explicar que a terceira casa decimal havia sido suprimida pela Resolução ANP nº 990/2025, que regulamenta os casos passíveis de Medida Reparadora de Conduta (MRC). No entanto, alguns modelos mais antigos de bomba não comportam a terceira casa decimal e, em função disso, a Fecombustíveis encaminhou o pedido à ANP, em janeiro deste ano.

A permissão para zerar a terceira casa decimal é válida somente para as bombas de abastecimento. No caso do painel de preços exposto na entrada do estabelecimento, a Agência exige a exposição com apenas duas casas decimais após a vírgula.

“Durante os 90 dias subsequentes à entrada em vigor, a atuação da Inspeção do Trabalho tende a priorizar ações de orientação, instrução e notificação das organizações quanto à necessidade de adequação, especialmente em relação às novas exigências introduzidas, sem prejuízo da adoção de medidas administrativas nos casos aplicáveis”, destaca o documento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O MTE criou um guia com perguntas e respostas, para orientar os empresários sobre o tema, que pode ser conferido aqui. Além disso, também foi disponibilizado um guia de informações sobre os fatores de risco relacionados ao trabalho, que também está disponível para consulta.

De todo modo, como a categoria dos frentistas tem regras específicas, vale consultar o departamento jurídico de seu sindicato com relação às orientações para adequação.

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Divulgação NATSO

POR EUGÊNIO FOGANHOLO

Muitos revendedores desconhecem, mas há uma entidade específica que atua em defesa dos postos de rodovia nos Estados Unidos, chamada NATSO (National Association of Truck Stop Owners). Durante o Conexão Rodovias, evento realizado em abril, em Brasília, para os postos de rodovia, uma das atrações foi a entrevista por vídeo, conduzida por Eugênio Foganholo, curador do evento, com Max Mcbrayer, CEO da NATSO.

Foganholo é consultor especializado em varejo, com amplo conhecimento em postos de rodovia. Sua trajetória é marcada por diversas viagens técnicas nacionais e internacionais, voltadas à busca contínua por conhecimento e ao estudo aprofundado do mercado, o que o consolidou como um especialista no setor. A carreira consolidada no mercado de postos de estrada abriu espaço para se tornar o único membro brasileiro da NATSO, trazendo facilidade de acesso ao CEO.

Mcbrayer assumiu a presidência da NATSO há cerca de nove meses. Com sólida experiência no mercado de varejo de combustíveis e mobilidade, atuou por 32 anos no segmento de lojas de conveniência da RaceTrac Petroleum.

Compartilhamos a entrevista de Foganholo com Mcbrayer, que mostra como atua a NATSO na defesa dos interesses da revenda de rodovias dos Estados Unidos, os desafios enfrentados pelo setor norte-americano e abre oportunidades para que brasileiros conheçam a NATSO Connect 2027, evento com foco nas principais demandas do segmento e nas tendências de mercado.

Eugênio Foganholo: O que é a NATSO?

Max Mcbrayer: A NATSO é uma organização que representa os postos de rodovias, pontos de parada e suas áreas de serviços nos Estados Unidos. Temos uma ampla gama de membros, desde grandes operações, com centenas de unidades em todo o país, até pequenos revendedores, com um único estabelecimento em sua região.

A nossa organização se envolve com a defesa de interesses desse segmento em âmbito federal desde os seus primeiros anos (1960).

É importante que nossos membros tenham voz em Washington, para que, à medida que a legislação e a regulamentação tragam impacto ao setor de postos de rodovia e pontos de paradas de caminhoneiros, nossos representantes tenham,

É importante que nossos membros tenham voz em

Washington, para que, à medida que a legislação e a regulamentação tragam impacto ao setor de postos de rodovia e pontos de paradas de caminhoneiros, nossos representantes

tenham, de fato, influência significativa

de fato, influência significativa. Nas discussões sobre definições e decisões, somos constantemente convidados a sentar à mesa para discutir as necessidades de nossos associados e os efeitos positivos sobre nosso mercado e o público em geral. Queremos sempre estar presentes nessa discussão, porque o nosso setor é

único nos Estados Unidos, pois prestamos uma infinidade de serviços aos motoristas viajantes e os independentes.

EF: Poderia nos fornecer uma cronologia desde antes da fundação da NATSO, passando por seus principais marcos até os dias atuais?

MM: Sim. Nas décadas de 20 e 30, o transporte rodoviário dos Estados Unidos aumentou, devido à crescente necessidade de transporte de mercadorias de uma região para outra.

Algumas pessoas, com espírito empreendedor, começaram a construir o que seriam os postos de rodovias, com pontos de apoio ao longo das estradas, onde os caminhoneiros paravam para reabastecer seus veículos, fazer uma refeição, passar a noite, se necessário; tomar banho etc.

Com o desenvolvimento do sistema rodoviário e o aumento do tráfego de caminhões, a necessidade de mais áreas de parada para caminhoneiros tornou-se necessária, e os empresários começaram a investir cada vez mais nesse ramo.

No final da década de 50 e início dos anos 60, os Estados Unidos criaram o sistema de rodovias interestaduais. Assim, à medida que foram construídas, todo o país passou a poder se deslocar de um lugar para o outro por

rodovias de acesso controlado, de modo que o transporte de mercadorias aumentou ainda mais nos Estados Unidos.

Nesse momento, as pessoas que estavam nesse ramo decidiram se reunir em Washington, porque buscavam melhorar a situação econômica do setor. Eles precisavam fornecer serviços uns aos outros, como crédito para empresas de transporte rodoviário e seguro coletivo.

A consequência natural disso foi que, conforme as regulamentações em torno do sistema de rodovias interestaduais eram criadas, foi preciso ter representação à mesa de negociações. Era necessário dizer o que era apropriado aos empresários do segmento, de modo que pudessem manter leis ou regras adequadas ao seu negócio, melhorando a capacidade de atender aos motoristas nas rodovias.

EF: Quais são os pilares essenciais da operação da NATSO?

WW: Investimos a maior parte do nosso tempo e concentramos a maior parte dos nossos esforços na defesa de interesses do setor em âmbito federal. Nosso papel é proteger a flexibilidade operacional e melhorar o ambiente econômico para nossos membros. Todos sabem que a legislação pode impor pressões significati-

vas sobre o negócio, o que pode mudá-lo da noite para o dia. Assim, tendemos a olhar para o futuro e antecipar mudanças legislativas ou regulatórias, para interceptá-las ou continuarmos a discuti-las, para proporcionar bom ambiente econômico para os nossos membros.

Além disso, queremos contribuir com a rentabilidade dos nossos associados. Sejam grandes ou pequenos, todos que atuam no mercado buscam lucros e resultados para seus negócios. Por isso, oferecemos educação e orientação sobre as melhores práticas, auxiliando nossos associados a efetuar uma gestão mais eficiente.

E, por fim, há o networking. Às vezes, ser dono de um único estabelecimento pode ser uma experiência solitária, levando o empresário a se sentir como se fosse o único no ramo. A NATSO proporciona justamente esse ambiente de conexão pelo networking entre os associados, permitindo a troca de informações, o compartilhamento de boas práticas e o aprendizado com os demais empresários do setor.

EF: Como a NATSO gera valor para seus membros?

CEO: Bem, acredito que a primeira missão seja justamente a defesa de interesses. Nos Estados Unidos, o risco político

é frequente, embora o Congresso busque o melhor para todos. Muitas vezes, é necessário fazer um trabalho educativo para esclarecer as conseqüências que determinadas medidas podem gerar para o setor. Por isso, atuamos na defesa dos interesses dos nossos associados.

No entanto, o valor que entregamos aos nossos membros se manifesta de diferentes maneiras. Se conversar com os grandes grupos, provavelmente ouvirá que a defesa de interesses é o principal motivo que os leva a participar da associação e o maior benefício que encontram nela. Já para operadores menores ou independentes, a capacitação e a interação entre os associados são igualmente importantes.

Nós, como organização, buscamos atender às diferentes necessidades dos nossos associados, seja por meio da defesa dos interesses, educação ou networking.

EF: Quais são as principais ações que a NATSO realiza para atrair novos membros?

MM: As ações que estamos adotando para atrair novos associados estão diretamente ligadas às mudanças que vêm ocorrendo, com a entrada de redes das lojas de conveniência em nosso negócio, tradicionalmente voltadas ao público de veículos leves, e que agora passaram a

enxergar o mercado de caminhoneiros. Por isso, estamos trabalhando para integrá-las cada vez mais ao nosso setor e às discussões da entidade.

Esta é a grande mudança que está ocorrendo em nossa base de membros, com os operadores de loja de conveniência entrando no mercado de postos de rodovia. Eles são, portanto, os nossos membros regionais. Eles estão mudando a cara do nosso setor, com a construção de novos postos, associando-se à NATSO e oferecendo a sua experiência à nossa organização.

EF: Quais são as principais tarefas de defesa de interesses que a NATSO está realizando junto aos órgãos reguladores e membros do Congresso?

MM: Bem, este é um ano importante para nós. Nos Estados Unidos, teremos a discussão do Projeto de Lei de Reautorização Rodoviária, um processo que ocorre a cada cinco anos, previsto para acontecer em breve. Estamos acompanhando de perto esse projeto e defendemos que haja investimentos adequados em infraestrutura, manutenção de estradas, pontes e demais itens importantes para nós.

Também estamos analisando o retorno de crédito fiscal para o biodiesel, medida que ajudará a reduzir os custos do diesel aos consumidores.

Tendemos a olhar

para o futuro e antecipar

mudanças

legislativas ou regulatórias, para interceptá-las ou continuarmos a discuti-las, para proporcionar bom ambiente

econômico para os nossos membros

Outro tema prioritário é o estacionamento para caminhões. Em algumas regiões dos Estados Unidos, a oferta de vagas encontra-se limitada. Portanto, estamos analisando como podemos influenciar positivamente os legisladores. Sabemos que, tradicionalmente, os postos de rodovia oferecem uma quantidade de vagas significativa e acreditamos que somos a melhor opção para dar suporte ao caminhoneiro.

Outro assunto de destaque envolve os serviços de reparação e segurança nas estradas, principalmente de profissionais técnicos que atuam à beira das rodovias. A proteção desses técnicos e dos próprios viajantes sempre foi uma preocupação, mas o aumento do congestionamento nas rodovias tornou os riscos ainda maiores. Estamos analisando como isso pode afetar a segurança nas estradas.

Também estamos atentos aos impactos das novas tecnologias sobre a manutenção de caminhões comerciais. Precisamos garantir que nossas lojas, oficinas e mecânicos parceiros tenham acesso à tecnologia e possam oferecer serviços de qualidade que os caminhões precisam.

EF: Você mencionou o estacionamento para caminhões. No Brasil esse é um tema importante no momento. Por favor, fale um pouco mais sobre como a NATSO aborda esse tópico.

WW: Na minha opinião, a questão fundamental em relação ao estacionamento para caminhões é: temos espaço suficiente? Em algumas regiões do país, é possível afirmar que, pelo menos em determinados horários do dia, a oferta de vagas não é suficiente.

Além da simples disponibilidade de estacionamento, um dos pontos-chave refere-se às comodidades que acompanham essas áreas, assim como a segurança oferecida aos motoristas, tanto para aqueles que estão dentro do estabelecimento, quanto os que descansam na cabine-leito e vão reiniciar o expediente. É fundamental que esses locais sejam bem iluminados. É exatamente isso que temos defendido junto ao Congresso: o melhor local para oferecer esse tipo de infraestrutura é o posto de rodovia. Oferecemos tudo o que os motoristas precisam, como segurança, iluminação adequada e toda a conveniência necessária, desde chuveiros e alimentação até uma garrafa térmica de café. Ou seja, eles têm tudo à disposição. Se houver necessidade de ampliação das vagas para caminhões, acreditamos que uma parceria público-privada é o caminho mais eficiente para expansão das áreas.

EF: O que a NATSO faz para promover ainda mais a qualidade dos proprietários de postos de rodovia e a gestão de seus negócios?

MM: Como mencionei anteriormente, muitos dos nossos operadores são independentes e vários deles ainda são relati-

vamente novos no segmento de postos de rodovia. Por isso, queremos oferecer condições para que sejam bem-sucedidos em negócios, com solidez e lucro. Para alcançar esse objetivo, oferecemos uma ampla variedade de ferramentas educacionais e oportunidades de capacitação. Além disso, criamos oportunidades de networking. Promovemos reuniões três vezes por ano e convidamos todos os associados a participarem desses encontros. Com isso, criamos um ambiente de aprendizado para que compreendam o que é o nosso negócio, para que apliquem os conhecimentos e tenham resultados rentáveis.

EF: Para apoiar e fortalecer o papel da organização e sua sustentabilidade financeira, qual é a política da NATSO para geração de fundos?

MM: Temos trabalhado com a comercialização de patrocínios, considerando que representamos uma indústria multimilionária nos Estados Unidos, que desperta o interesse de fornecedores em fazer negócios com os nossos associados. Temos também um grupo robusto, que chamamos de membros aliados, formado por empresas fornecedoras de produtos para o segmento de postos de rodovia. Entre eles, estão algumas das maiores companhias

dos Estados Unidos, como a Coca-Cola, em Atlanta, além de diversas outras grandes empresas que contribuem com o setor. Estamos constantemente buscando fontes de receita. Por exemplo, alguns de nossos materiais educacionais são disponibilizados mediante uma pequena contribuição, possibilitando que os participantes tenham acesso ao conhecimento.

EF: Quais são as maiores dificuldades que a NATSO encontrou na execução da sua missão?

WW: Acho que a maior dificuldade que temos hoje é a transformação que está ocorrendo na indústria. O setor de caminhões está passando por mudanças significativas, deixando de ser uma indústria focada principalmente em caminhoneiros de longa distância, e também passa a se concentrar nos motoristas que entregam bens e serviços de última milha. Com isso, tem ocorrido a entrada de empresários de outros setores, como os das lojas de conveniência, como operadores de postos de rodovia. Ficamos felizes em tê-los conosco, mas o setor está mudando e precisamos adaptar a organização para atender às necessidades de uma indústria em transformação.

Seja por meio dos serviços prestados aos nossos associados, seja com o apoio ao setor de transporte rodoviário e de outras atividades relacionadas ao segmento.

EF: O que é a NATSO Connect e qual a sua importância para os membros da NATSO?

WW: A NATSO Connect é o nosso encontro anual. A edição mais recente aconteceu em fevereiro passado, em Albuquerque, Novo México. Convidamos todos os nossos membros. Para organização da feira, convidamos os fornecedores do segmento para garantirem seus espaços de exposição e apresentarem os produtos e serviços para os operadores de postos de rodovia. O evento também fortalece o relacionamento entre os participantes. Os operadores têm a oportunidade de trocar experiências e aprender uns com os outros.

Também fazemos uma reunião dedicada à discussão das prioridades de defesa de interesses da organização. É nesse momento que debatemos os principais temas que serão levados ao longo do próximo ano aos legisladores e órgãos reguladores. É também o momento de obter feedback e ouvir, de nossos membros, as necessidades e as sugestões sobre os caminhos que a NATSO deve seguir para o futuro da entidade.

EF: Existe a possibilidade de uma troca de experiências entre a NATSO e o Conexao Rodovias, uma espécie de NATSO no Brasil, sob o guarda-chuva da Fecombustíveis?

WW: Sim, existe. No passado, a NATSO realizou diversas viagens técnicas e de estudo, tanto nacionais quanto internacionais, e vemos com muito interesse a possibilidade de promover iniciativas semelhantes envolvendo o seu país no futuro. Temos grande envolvimento nesse tipo de atividade, seja em formatos menores ou em eventos de maior escala.

Será um prazer recebê-los para conhecer, em primeira mão, o trabalho desenvolvido pela NATSO, conhecer nossos membros, perguntar sobre os nossos valores e aprender com eles como funciona uma boa organização. Quando o nosso próximo evento for confirmado, divulgaremos todas as informações para que vocês possam compartilhar com os seus associados. Ficaremos muito felizes em recebê-los em 2027.

EF: Que mensagem você gostaria de transmitir aos seus colegas brasileiros de postos de rodovia?

WW: Penso que uma organização como a NATSO é incrivelmente importan-

te. É assim nos Estados Unidos e acredito que também se aplica ao Brasil, para garantir um ambiente regulatório mais equilibrado e favorável à rentabilidade dos negócios de seus associados.

Além disso, tanto o Brasil quanto os Estados Unidos oferecem a possibilidade de troca de experiências e aprendizado com empresários de diferentes locais, tanto do Sul quanto do Norte e vice-versa, por exemplo, o que é sempre muito útil. As boas ideias precisam circular e, na NATSO, acreditamos muito nessa troca de conhecimento. Espero que isso também aconteça no Brasil, que elas se espalhem entre os membros por meio do boca a boca e das amizades.

Nesse contexto entra o networking. Algumas vezes, administrar um negócio em uma rodovia, numa área rural, pode ser uma experiência solitária. Nessas horas, faz toda a diferença saber que outros empresários enfrentam desafios semelhantes e ouvir o que eles fizeram para resolver tais problemas. Penso que esse nível de comunicação é crucial para o fortalecimento do setor. Nos Estados Unidos, os associados da NATSO aproveitam intensamente essa rede de relacionamento. n

OPINIÃO

Papel da fiscalização é fiscalizar, não prejulgar

Faz parte da rotina dos postos de combustíveis serem fiscalizados por diversos órgãos. No estado onde resido, temos o Procon estadual, Ipem, ANP, Prefeitura, Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais do município e do estado, só para citar alguns. A fiscalização e as regras no setor de combustíveis fazem parte de uma demanda da Fecombustíveis há tempos. Lá atrás pedimos regulamentações e queríamos ser fiscalizados, pois era uma forma de organizar o setor e diferenciar quem trabalha com seriedade e cumpre as suas obrigações daqueles que fraudam e desorganizam o segmento.

Porém, o que vimos em alguns estados nos últimos meses foi um tratamento truculento com a força-tarefa nacional que fiscalizou a revenda por supostos preços abusivos. Recebi várias ligações de revendedores, com situações parecidas. Por exemplo, o posto estava tomado por policiais armados, fiscais do Procon, Ipem, ANP etc. Qualquer pessoa que passasse na calçada do posto pensaria que o revendedor teria feito alguma coisa errada e seria preso.

Eu, como revendedor, também tive um tratamento fora dos padrões de fiscalização normais, recebi um auto de infração na primeira visita do Procon, sem que os fiscais analisassem as notas fiscais. Numa segunda visita do Procon, recebi um comunicado “justifique o preço abusivo”, sem nenhuma análise. Eu pergunto: é certo isso?

Prestamos um serviço essencial, atendemos à população desde às 6h da manhã, contribuímos com um dos maiores volumes de ar-

recadações tributárias do país e participamos de um segmento que colabora com o crescimento da economia. Existem bandidos no nosso setor, sim. As facções criminosas se infiltraram nos postos e praticam diversas irregularidades, mas elas são a minoria. Somos um setor formado por 45 mil postos no país, dos quais cerca de 1 mil pertencem às facções, segundo as autoridades.

A grande maioria dos postos é formada por empresários idôneos, que abriram um negócio familiar, e muitos passam de geração em geração. Mais do que abastecer, somos referência para a população, as esquinas mais procuradas para pessoas que estão em trânsito e precisam de informação, somos apoio em caso de perigo e também somos pontos de encontro, prestamos serviço social para campanhas beneficentes, como arrecadação de alimentos, roupas, adoção de animais de estimação etc.

Com a entrada em vigor das medidas de subvenção da gasolina e do óleo diesel, espera-se menor impacto dos custos ao longo da cadeia de abastecimento. No entanto, é importante destacar que os postos revendedores representam apenas o elo final dessa cadeia. Caso os efeitos esperados não sejam observados nos preços ao consumidor, não se pode atribuir automaticamente a responsabilidade aos postos. Alerto que o PIS/Cofins do óleo diesel retornou e os produtores e importadores que não aderirem às medidas de subvenção, não vão se beneficiar do desconto. Com isso, o custo do imposto federal poderá impactar em parte da cadeia.

James Thorp Neto | Presidente da Fecombustíveis

Governo amplia subsídios para conter alta dos combustíveis

Em resposta à alta internacional do petróleo, governo amplia subvenções a combustíveis, mas os efeitos sobre os preços ao consumidor podem ser limitados

POR ROSEMEIRE GUIDONI

Apolítica de subvenção aos combustíveis anunciada pelo governo federal marca mais uma tentativa de conter os efeitos da escalada internacional do petróleo sobre o mercado brasileiro e garantir a segurança do abastecimento. Em meio ao prolongamento da guerra no Oriente Médio e à pressão sobre os preços da

gasolina e do diesel, o Executivo decidiu criar um mecanismo temporário de compensação financeira para produtores e importadores, numa estratégia que busca evitar reajustes abruptos ao consumidor final e reduzir impactos inflacionários. Até então, havia no mercado um temor de que pudesse haver falta de diesel a partir do início do mês de junho.

Cris Vicente Fotografia
Valter Campanaro/ Agência
Brasil
Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, durante coletiva que anunciou novas medidas

A questão foi apontada pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) em meados de maio, quando houve um atraso nos repasses iniciais, o que poderia deixar as importadoras sem capital para novas compras no mercado internacional.

Atualmente, os importadores são responsáveis por cerca de 25% e 30% do consumo de diesel no Brasil. Segundo Sérgio Araújo, presidente da Abicom, o atraso no pagamento das subvenções vem gerando um grave problema no fluxo de caixa das empresas.

No início de maio, a Petrobras informou, durante a apresentação dos resultados financeiros do primeiro trimestre, que teria R$ 741 milhões a receber desde março. Para efeito de comparação, conforme explicação de Araújo, um único navio com 50 milhões de litros e subsídio de R$ 1,52 por litro deixa em aberto uma conta de cerca de R$ 75 milhões, sendo que cada importador compra de um a três navios de diesel por mês.

A situação aconteceu porque, para fazer o repasse às importadoras, a ANP precisa ter acesso às informações da Receita Federal, “para fins de comprovação das operações de comercialização e apuração de valores devidos”. A liberação de tais dados ocorreu no final de maio e, segun-

do a agência reguladora, as informações estão em fase final de apuração e validação dos valores.

NOVA MP AMPLIA SUBVENÇÃO

AO DIESEL ATÉ DEZEMBRO

Além de os repasses estarem sendo avaliados pela ANP, a iniciativa mais recente, por parte do governo federal, foi a edição da Medida Provisória (MP) 1.363/26, publicada em 30 de maio, que estabeleceu o subsídio de R$ 1,12 por litro para produtores e importadores de diesel. O objetivo foi combater o aumento no preço do combustível e preservar a oferta do produto no mercado nacional.

O subsídio definido pela MP valerá de 1º de junho a 31 de dezembro de 2026 para empresas autorizadas pela ANP. Para receber os recursos, elas deverão aderir ao programa, repassar o valor ao preço do diesel e prestar informações à Agência.

Esta não foi a primeira iniciativa para conter os preços do diesel; isso porque o combustível é considerado estratégico para a economia brasileira, pois responde pela maior parte do transporte de cargas do país e seu encarecimento pressiona alimentos, insumos industriais e custos logísticos.

A primeira iniciativa para conter o preço do diesel foi anunciada em abril, na forma

de ajuda de até R$ 0,80 por litro para refinarias nacionais, dentro de um pacote estimado em R$ 10 bilhões. Também foi criada uma subvenção específica para o diesel importado, de até R$ 1,20 por litro, compartilhada entre União e estados.

Antes disso, novas medidas ampliaram o alcance do programa para importadores e distribuidoras, por meio da MP 1.340, publicada em maio, que estabeleceu compensação de R$ 0,32 por litro, com vigência prevista até 31 de dezembro de 2026, respeitados os limites orçamentários definidos pelo governo.

Na sequência, a MP1.358, publicada em maio, autorizou uma nova subvenção adicional de até R$ 0,3515 por litro para o diesel, valor equivalente aos tributos federais incidentes sobre o combustível. A compensação teria duração inicial de dois meses, sendo que a medida estabelecia a sua prorrogação, caso persistissem as pressões internacionais sobre o petróleo.

Com a medida mais recente (de 30 de maio), a ANP passa a ser responsável pela habilitação das empresas, fiscalização das regras e pelo pagamento dos valores. O Ministério da Fazenda poderá interromper o benefício ou alterar o valor a cada dois meses, desde que comunique a decisão com antecedência mínima de 15 dias.

SUBVENÇÃO À GASOLINA

O diesel não foi o único combustível a receber a subvenção econômica. Também em maio, a gasolina A (sem adição de etanol anidro) comercializada por refinarias e importadores passou a ter uma compensação de R$ 0,44 por litro - lembrando que o produto ainda não havia tido nenhum tipo de subsídio ou corte de tributos desde o início da guerra.

O valor foi definido pelo Ministério da Fazenda, por meio da Portaria MF nº 1.496, publicada no Diário Oficial da União em 25 de maio, regulamentando a Medida Provisória nº 1.358, de 13 de maio.

O objetivo, assim como no caso do diesel, foi amortecer a pressão provocada pela alta das cotações internacionais do petróleo. De acordo com a equipe econômica do governo, o subsídio funcionaria como uma espécie de “cashback” tributário, devolvendo às refinarias e importadores parte dos tributos federais pagos sobre os combustíveis, para evitar que toda a alta internacional seja repassada imediatamente à cadeia de comercialização.

Na data em que a medida foi anunciada, o valor de R$ 0,44 correspondia, aproximadamente, à metade dos tributos federais incidentes sobre a gasolina (estimados em cerca de R$ 0,89 por litro entre

PIS/Cofins e Cide). Inicialmente, o governo chegou a estudar uma compensação integral desses tributos, mas optou por uma solução intermediária para reduzir o impacto fiscal da medida.

REAJUSTE DA PETROBRAS

No entanto, a definição do valor da subvenção abriu espaço para um reajuste da Petrobras na gasolina A, de R$ 0,48 por litro, anunciado em 28 de maio. Segundo a companhia, isso não deve gerar impacto proporcional nas bombas. Em comunicado à imprensa, a Petrobras informou que o efeito líquido para o mercado seria praticamente neutralizado pela compensação de R$ 0,44 definida pelo governo.

Na avaliação da consultoria Warren Investimentos, na prática, o efeito líquido para as distribuidoras será reduzido: o preço médio da gasolina A passará de R$ 2,57 para R$ 2,61 por litro, uma alta residual de apenas R$ 0,04/litro.

“Para o consumidor final, estimamos impacto de aproximadamente 0,42% na gasolina na bomba, com efeito de cerca de 2 bps (pontos-base) no IPCA, uma vez que a subvenção compensará grande parte do reajuste anunciado pela Petrobras”, destaca o comunicado da Warren.

Para os agentes do mercado, a definição prévia do subsídio era justamente o elemento que faltava para permitir o reajuste represado da Petrobras. Segundo cálculos da Abicom, a defasagem da gasolina já era superior a 50% antes do reajuste anunciado.

Vale destacar que a última vez que a Petrobras aumentou a gasolina nas refinarias foi no dia 8 de julho de 2024, quando elevou o preço em 7,12%. Em janeiro, a estatal reduziu o preço do derivado em 5,17%.

VIGÊNCIA INICIAL DE DOIS MESES

A Medida Provisória estabelece que a subvenção da gasolina terá duração inicial de dois meses, contados a partir da regulamentação do programa, podendo ser prorrogada pelo Poder Executivo, caso o cenário internacional continue pressionando os preços dos combustíveis.

Estimativas da equipe econômica apontam custo mensal próximo de R$ 1,2 bilhão para manter a subvenção da gasolina no patamar de R$ 0,44 por litro. Caso o governo optasse pela compensação integral dos tributos federais — cerca de R$ 0,89 por litro — o impacto poderia chegar a R$ 2,4 bilhões mensais.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou a veículos de

Divulgação Raízen

imprensa que o governo considera a medida fiscalmente neutra, já que parte da arrecadação extraordinária obtida com a valorização internacional do petróleo seria usada para financiar as compensações.

ALCANCE LIMITADO

Apesar da tentativa do governo de amortecer os preços, especialistas avaliam que os subsídios podem ter efeito limitado diante do atual cenário internacional. Em entrevista ao Times Brasil CNBC, o professor Edmar de Almeida, do Instituto de Energia da PUC-Rio, afirmou que há “um grande risco” de as medidas não serem suficientes para impedir novos aumentos dos combustíveis no país.

Segundo ele, o mercado internacional enfrenta um choque de oferta que pode elevar ainda mais o preço do petróleo, re-

duzindo a capacidade de as políticas domésticas segurarem os reajustes. Almeida considera que o governo consegue apenas mitigar parcialmente os impactos, mas não eliminar a pressão estrutural causada pela disputa global por cargas de petróleo e derivados.

O consultor e CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono, destacou que o efeito dos subsídios sobre os preços ao consumidor é reduzido. Em sua avaliação, apesar dos incentivos concedidos ao diesel, o combustível continua cerca de R$ 1 por litro mais caro do que antes da escalada do conflito no Oriente Médio. Sobre a gasolina, Ono explicou (antes do anúncio de reajuste de preços por parte da Petrobras) que a subvenção de R$ 0,44 por litro pode resultar em uma redução menor nas bombas, próxima de R$ 0,30 por

Rovena Rosa/ Agência Brasil

litro, em razão da mistura obrigatória de etanol anidro.

Além disso, independentemente do reajuste anunciado pela Petrobras, o subsídio não chega integralmente ao consumidor final, pois existem diversos elementos da cadeia de comercialização que influenciam os preços. Além do anidro (no caso da gasolina), citado por Ono, existem questões logísticas como armazenamento e frete que interferem nos preços finais, bem como tributos e margens de cada elo da cadeia - e o mesmo vale para o diesel B, que contém a adição mandatória de 15% de biodiesel.

Também no caso dos biocombustíveis, existe impacto do preço dos créditos de descarbonização (CBios), que são emitidos por produtores de energia renovável e negociados em Bolsa, o que significa que sofrem oscilações financeiras de acordo com regras de oferta e demanda do mercado.

James Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis, ressaltou que o mercado é dinâmico, o que torna difícil medir os efeitos da subvenção. “Existem muitos fatores que influenciam os preços finais, mas a Federação apoia a política de subvenção, pois, para os postos, é melhor que o combustível seja acessível. Com isso exis-

te mais consumo e menos riscos de o revendedor ser apontado como responsável por aumentos abusivos”, disse. (Veja mais na Reportagem de Capa desta edição).

DEBATE FISCAL E RISCOS DE DISTORÇÃO

A retomada de subsídios reacendeu discussões sobre o impacto fiscal dessas políticas e os riscos de distorções no mercado de combustíveis. Os agentes de mercado apontam que medidas temporárias podem ajudar a conter choques abruptos de preços, mas alertam para o risco de dependência crescente de compensações públicas em um setor sujeito a forte volatilidade internacional.

Outro ponto discutido é a efetividade do subsídio para o consumidor final, já que o benefício é concedido nas etapas de produção e importação, enquanto os preços finais dependem de diversos fatores ao longo da cadeia de comercialização.

Ainda assim, integrantes do governo sustentam que a medida é excepcional e necessária diante de um cenário geopolítico considerado fora do padrão histórico. O Executivo também avalia que a utilização de receitas extraordinárias do petróleo para amortecer impactos dos próprios combustíveis ajuda a reduzir o desgaste social provocado pela alta internacional do barril. n

Transparência de preços e segurança energética em debate

Diante do prolongamento da guerra no Oriente Médio, o mercado brasileiro de combustíveis vem sendo cada vez mais pressionado. A inovação no setor, seja relacionada ao avanço de biocombustíveis, seja pelo uso de inteligência nas fiscalizações, é uma das estratégias para manter o equilíbrio

ROSEMEIRE GUIDONI

Desde o final de fevereiro, quando se iniciou o conflito no Oriente Médio, a economia global vem enfrentando problemas decor-

rentes tanto da alta do preço do petróleo quanto da incerteza de fornecimento. O mercado brasileiro de combustíveis não é uma exceção, embora esteja em uma po-

São Paulo
Painel sobre combustíveis contou com a participação da Fecombustíveis, ANP e Vibra

sição mais confortável do que as outras nações, em função dos biocombustíveis.

Apesar disso, a elevação de preços vem acontecendo e causando diversos problemas para a revenda, muitas vezes punida por fiscalizações rigorosas e pré-julgamentos, sem dar oportunidade de defesa aos empresários. (Veja mais na Reportagem de Capa desta edição).

O tema foi discutido durante o São Paulo Innovation Week, que aconteceu na capital paulista, entre os dias 13 e 15 de maio. O evento reuniu debates sobre ciência, tecnologia, negócios, cultura e política, incluindo os desafios do setor de combustíveis diante do cenário geopolítico atual, trazendo o viés do desenvolvimento de biocombustíveis e também o uso de inteligência nas ações de fiscalização.

Julio Cesar Nishida, superintendente de Fiscalização do Abastecimento da ANP, destacou que o papel da agência reguladora é oferecer segurança aos consumidores de combustíveis, e que, desde março, a MP 1.340 passou para a ANP a responsabilidade por fiscalizar a abusividade de preços.

“Temos visto problemas, como o excesso de etanol anidro na gasolina C ou de biodiesel — que diante da alta do petró-

leo passou a ter preço competitivo — no diesel B. O teor acima do permitido é considerado um indício de fraude. A Agência trabalha com inovação e inteligência”, disse Nishida. O superintendente mencionou que a ANP mudou a metodologia para orientar as fiscalizações, por meio de parcerias com outros órgãos, que possibilitam o acesso a dados fiscais, por exemplo. “Com o uso de inteligência artificial, a ANP consegue ter informações que permitem identificar distorções em tempo real”, afirmou.

Também presente ao evento, James Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis, mostrou como é a formação de preços no setor, ressaltando que o posto é o elo final e que eventuais aumentos de bomba apenas refletem altas em elos anteriores. “Não se trata de oportunismo, na grande maioria dos casos. A margem bruta do posto revendedor, em média, é de 8% a 10%, e o preço de compra dos produtos subiu mais do que isso. Não temos como absorver este custo; porém, quando repassamos ao consumidor, somos questionados pelos órgãos de fiscalização”, pontuou.

Thorp mencionou ainda o custo dos CBIOs (créditos de descarbonização, que são negociados em bolsa e têm oscila-

ções naturais de preços) e os leilões realizados pela Petrobras como outros elementos causadores da alta de preços. “Temos no mercado nacional produtos que vêm da Petrobras, das refinarias privadas, de importação e de leilão. Isso impacta no preço final. Para o consumidor, muitas vezes, fica a visão de que se houve alta ou baixa do preço de refinaria, isso deve se refletir imediatamente nas bombas, o que não é verdade. Além dos biocombustíveis, tributos e das margens de toda a cadeia, o mercado opera com combustíveis de diferentes origens — Petrobras, refinarias privadas, importações e leilões —, cada um com estruturas próprias de preços”, explicou.

CRISES REFORÇAM NECESSIDADE DE PREVISIBILIDADE

Na avaliação de Thorp, o mercado precisa buscar alternativas para momentos como o atual — porém, essas alternativas devem ser pensadas e planejadas fora da crise. “Situações como a que vivemos atualmente passam, mas outros problemas de mercado podem surgir. O país precisa pensar em estratégias, mas em ocasiões de calmaria”, ressaltou.

A opinião é a mesma de Marcelo Bragança, vice-presidente da Vibra, que participou do debate. “Toda crise traz desafios, oportunidades e reflexões. O preço do diesel aumentou 30%. Tem algum tipo de abuso nisso?

Não, precisamos importar e o barril de petróleo também está mais caro. Além disso, existem diferenças regionais que impactam nos custos”, afirmou, acrescentando que, embora o mercado nacional nunca tenha enfrentado uma crise semelhante à atual, ela irá passar, mas “outros momentos virão”.

Para Thorp, em momentos de crise tudo é mais complexo. “Parece que estamos enxugando gelo”, ilustrou, defendendo o diálogo fora dessas ocasiões. “As mudanças de mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis, por exemplo, devem ser decididas com planejamento e segurança para o mercado”.

Segundo Nishida, a criação de um fórum permanente permitiria discutir preços, fiscalização e segurança energética de forma contínua, com participação de todos os elos da cadeia. “Esse espaço pode ser criado agora”, destacou. n

Fiscalizações sobre preços abusivos sugerem postos como vilões

Em diversos estados, revendedores relataram excessos na atuação de equipes de fiscalização de defesa do consumidor, que, acompanhadas por forças policiais, chegaram a interditar pistas e áreas de circulação dos postos, como se fosse uma operação criminosa

POR MÔNICA SERRANO
Marcello Casal/ Agência Brasil

Desde meados de março, foi iniciada uma força-tarefa nacional de fiscalização, com o objetivo de identificar e responsabilizar agentes que estivessem praticando aumentos abusivos de preços após o início do conflito no Oriente Médio. A força-tarefa, mobilizada pelo Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), com apoio da Polícia Federal, Polícia Rodoviária e ANP, contou com a participação dos Procons estaduais e Polícia Civil.

A fiscalização por si só não é o problema e faz parte da rotina de aproximadamente 45 mil postos do país; contudo, algumas ações foram uma verdadeira “caça aos postos”, conduzidas de forma truculenta e ostensiva, gerando revolta e insatisfação entre os revendedores fiscalizados, principalmente por ser reforçada a má imagem de que os postos são sempre os culpados pelos preços altos dos combustíveis, quando, na verdade, são o último elo da cadeia e não determinam preços.

TRATADOS COMO BANDIDOS

Um revendedor do Rio Grande do Norte contou o que aconteceu com o seu posto durante uma fiscalização do Procon e Po-

lícia Civil, para verificar os preços. “Fecharam o posto, com as viaturas da polícia, como se fôssemos bandidos. Trancaram as ilhas de abastecimento, impedindo o atendimento ao consumidor. Durante todo período que ficaram no posto para fiscalizar, não pudemos trabalhar e ficou tudo parado”, disse o empresário, que preferiu omitir sua identidade para evitar represálias.

Segundo ele, o advogado do posto buscou saber o que de fato estava acontecendo, e foi informado que era uma operação do Ministério da Justiça, que tinha que ser feita dessa forma, trancando as entradas do estabelecimento. “Foi uma fiscalização de praxe, já estamos acostumados com elas, mas foi um tratamento truculento”, disse. “Quem passa na avenida e vê essa cena, pensa que cometemos um crime. Foi um verdadeiro teatro, queriam mostrar serviço”, destacou.

O posto forneceu todas as notas fiscais e um dos agentes disse que o estabelecimento não poderia ter mais do que 20% de margem. “Eu digo que o posto ganha o mesmo que um garçom, 10%, mas, no nosso caso, inclui pagar todas as despesas fixas, funcionários, conta de luz, entre outras contas”, relatou.

Outro revendedor do mesmo estado, que também pediu para omitir o nome,

contou que recebeu o mesmo tratamento truculento. “Chegaram com viaturas da Polícia e fecharam o posto. Foi uma situação constrangedora e assustadora para clientes e funcionários. Esse fato ocasionou, inclusive, a perda de clientes, que deixaram de abastecer o veículo no local”, disse. O revendedor atribuiu esse exagero da fiscalização com a finalidade de colocar a culpa nos postos em relação a um problema global, ocasionado pela guerra no Oriente Médio. “Eles estavam armados, as pessoas que passavam no entorno tinham a nítida impressão de que se tratava de adulteração de combustíveis e o dono do posto seria preso. Somos empresários, pagamos os impostos e trabalhamos para manter a nossa família. Não podemos ser confundidos com bandidos”, afirmou o revendedor.

Maxwell Flor, presidente do Sindicombustíveis-RN, informou que o sindicato tomou algumas medidas, foi feito contato com o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem – RN) e o Procon-Natal, embora tenha sido o Procon estadual que participou das ações em conjunto com a polícia. O Ministério Público também foi informado sobre as fiscalizações. “A gente entende que houve um excesso e fizemos uma provocação para o Ministério Público. Estamos aguardando o retorno”, disse.

A fiscalização vexatória e constrangedora também aconteceu em Alagoas. A revendedora, que também preferiu omitir a identidade, contou que estava voltando da farmácia quando viu uma grande movimentação de pessoas na pista de seu posto. “Havia carros por todos os lados da Polícia Civil, Procon e ANP, e cerca de 25 pessoas entre o posto e a loja de conveniência. Eu fiquei assustada quando vi todo movimento, pensei que tivesse acontecido um crime. Não fecharam o posto, mas com tantos carros e fiscais ninguém conseguia entrar”, contou.

Quando houve uma reclamação de que um dos carros estava atrapalhando a entrada do posto, a situação piorou, pois um fiscal falou: “está reclamando? Agora, sim, eu vou fechar o posto”, e colocou os cones para impedir a entrada de clientes, contou a revendedora. Então, somente depois de pedir a liberação da entrada para os fiscais da ANP foi liberada a entrada do posto. “O que o meu cliente vai pensar? Que meu posto foi interditado por algum problema. Eu nunca tinha visto uma fiscalização tão ostensiva”, disse.

Ao entrar em contato com o Sindicombustíveis – AL, a revendedora soube que a fiscalização era uma ação coordenada pelo Ministério da Justiça, que estava em busca de preços abusivos. No caso desse

Na busca por checar os preços, em vários estados, alguns fiscais passaram do limite e desrespeitaram postos

posto, também não encontraram nada referente a preços exorbitantes e não houve auto de infração.

Em Pernambuco também houve constrangimentos e indignação. “Vimos uma grande operação de fiscalização coordenada pelo governo federal, envolvendo os Procons estadual e municipais, ANP e a Polícia Rodoviária Federal atuando dentro da capital, criando um ambiente de constrangimento para empresários sérios da revenda”, disse Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindicombustiveis - PE.

Em muitos municípios pernambucanos, os postos foram autuados imedia-

tamente, sem uma análise aprofundada da dinâmica real do mercado e sem análise das notas fiscais, contou o presidente.

Em Jaboatão, praticamente todos os postos fiscalizados receberam autuações de R$ 30 mil. No Recife, houve casos de multas chegando a R$ 150 mil.

“Em diversos casos eram solicitadas notas de compra até determinada data, mas comparadas com notas de venda posteriores, sem considerar as novas aquisições feitas com preços mais altos. Isso gerava um descasamento na análise”, explicou Ramos. No Recife, os prazos para defesa começaram com notificações de quatro ou cinco

Marcello Casal/ Agência Brasil

dias, depois reduziram para dois dias e até um único dia. “A categoria entende que é preciso fiscalização, mas também proporcionalidade, razoabilidade e amplo direito de defesa. Não se pode transformar uma análise complexa de mercado em punições automáticas e desproporcionais”, disse Ramos.

O presidente do Sindicombustíveis - PE observa que a alta dos combustíveis é consequência direta de um conflito internacional entre Estados Unidos e Irã, que gerou forte tensão geopolítica, aumento do barril do petróleo, alta do dólar, insegurança logística mundial e pressão internacional sobre os preços dos combustíveis.

“O problema é que, ao invés de tratar a crise de forma técnica e equilibrada, houve uma narrativa muito forte direcionando a responsabilidade exclusivamente para postos e distribuidoras, como se fossem os responsáveis pelo aumento”, disse.

Assim como em qualquer segmento econômico, Ramos observa que há revendedores que não são éticos e não representam o setor. “Mas a imensa maioria é formada por empresários honestos, trabalhadores e empreendedores que arriscam patrimônio próprio, pegam empréstimos bancários, enfrentam juros altos, carga tributária pesada, insegurança jurídica, passivos trabalhistas, custos ambientais e uma burocracia gigan-

tesca para manter suas operações em funcionamento”, declarou.

A força-tarefa foi marcada por truculência e desrespeito também no Tocantins.

“O problema é a forma como estão fiscalizando. No mês passado, tinham sete fiscais do Procon no meu posto. Eles chegaram com os carros, fizeram um fuzuê na pista, atrapalham o fluxo do abastecimento, desceram várias pessoas do carro. O cliente fica desconfiado, não sabe o que está acontecendo. Precisa ser dessa forma para fiscalizar?”, questionou um revendedor de Palmas (TO), que não quis se identificar.

O revendedor também reclamou que os fiscais pressionaram para que o preço do combustível fosse baixado. Segundo ele, mesmo apresentando as notas fiscais, com a comprovação de que houve aumento de preço na distribuidora, o fiscal argumentava que o posto só poderia repassar o aumento depois que acabasse o estoque antigo.

CONTRAPONTO

As fiscalizações foram bastante respeitosas, sem alarde e nenhum constrangimento em Campinas (SP). Eduardo Valdívia, presidente em exercício do Recap, sindicato que representa a revenda de combustíveis de Campinas e região, relatou que assim que a força-tarefa foi acionada, o sindicato enviou um ofício pa-

ra os Procons municipal e estadual. “Cerca de 70% dos postos da cidade foram fiscalizados e não tivemos reclamações. Eles foram bastante educados, chegaram com uma viatura, paravam numa vaga normal, fizeram as fiscalizações rotineiras e anotaram os preços de bomba”, relatou. “Vários postos foram notificados, mas juntamente com o jurídico do sindicato foi traçado um padrão de documento de defesa. Depois de 15 dias, o Procon confirmou que não havia nenhuma irregularidade ou abuso”, disse.

DADOS DA ANP

De acordo com os resultados das ações de fiscalização da força-tarefa, divulgados pela ANP, entre 16 de março e 15 de maio, foram fiscalizados 1.538 postos revendedores,130 em distribuidoras de combustíveis e 29 em Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs). No período, foram lavrados 342 autos de infração com a constatação de irregularidades diversas, referentes às resoluções da ANP. Especificamente em relação à elevação do preço dos combustíveis de forma abusiva, foram lavrados 19 autos de infração, sendo 16 para as distribuidoras de combustíveis, dois para os postos revendedores e um para a revenda de GLP. Segundo a ANP, a fiscalização feita em conjunto com órgãos conveniados tem

analisado os dados de margem bruta de cada agente econômico, para identificar variações atípicas que possam configurar práticas de preços abusivos. Em linhas gerais, são confrontadas notas de aquisição dos produtos com os cupons ou notas fiscais de venda, em períodos previamente definidos (compra e venda antes da guerra e compra e venda na data de fiscalização).

Quando há indícios de preços abusivos, a empresa é notificada a apresentar documentos fiscais complementares para análise mais detalhada pela fiscalização.

“Todos os agentes econômicos autuados foram também notificados a apresentar documentações complementares e poderão justificar eventuais aumentos considerados, a priori, como excessivos”, destacou a ANP em resposta à reportagem.

A Agência também afirmou que, caso haja comprovação de outros custos, além daqueles relacionados à aquisição do produto, que tenham contribuído para a elevação do preço final, o auto de infração pode ser considerado improcedente no julgamento do processo.

Procurados para divulgarem os dados de fiscalizações dos Procons sobre a abusividade de preços, o Ministério da Justiça e a Senacom não responderam.

O QUE É PREÇO ABUSIVO?

No setor de combustíveis, desde 1997, o governo federal deixou de controlar o preço de revenda da gasolina e do etanol. A partir da edição das Portarias Interministeriais 294/97 e 240/2001, os preços do diesel passaram a ser livres e devem se formar de acordo com a dinâmica de oferta e demanda, em um ambiente de livre mercado. “Logo, o Estado não controla os preços de distribuição e de revenda de combustíveis”, disse Arthur Villamil, consultor jurídico da Fecombustíveis e sócio-fundador da Villamil Advogados.

Villamil esclarece que no regime de preços controlados ou administrados, o Estado fixa preços, margens de lucro ou determina critérios de reajuste, como ocorre, por exemplo, no setor de medicamentos e de planos de saúde, que são fortemente regulados. Já no regime de preços livres, o mercado é o árbitro dos preços, sendo que o valor praticado por cada empresa decorre diretamente da relação entre oferta e demanda em um ambiente de livre concorrência. Nesse regime, os preços não podem ser controlados pelo Estado. “A questão é que quando o regime de livre mercado derruba preços, o governo e o consumidor gostam, mas quando esse mesmo regime permite que os preços subam, aí o governo quer limitar o preço ou a margem”, disse.

Segundo VIllamil, a tentativa de constranger agentes econômicos a reduzir preços ou margens aproxima-se de uma forma indireta de controle de preços incompatível com a lógica de mercado. “É o que estamos vendo com essas fiscalizações, que acabam servindo para intimidar empresas e acenar de modo oportunista para os consumidores. Esse tipo de controle gera distorções graves, transmitindo uma sinalização muito ruim para o mercado em geral. É um contrassenso querer regular ou limitar margens de lucro de agentes que atuam em regime de mercado. Se o mercado é efetivamente concorrencial, a margem de lucro não deveria ser objeto de controle estatal. Essa é precisamente a lógica de abertura econômica trazida pela Constituição de 1988.”

Adriano Pires, diretor e fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), em entrevista exclusiva concedida à Combustíveis & Conveniência em abril, foi questionado sobre as fiscalizações relacionadas aos supostos preços abusivos pelos postos em um sistema de mercado livre de preços. “O problema do governo é que ele não acredita no mercado. Ele prefere usar táticas que nunca deram certo, que é o tabelamento de preços, e jogar a população contra o dono do posto”, disse. “O que é preço abusivo? Em relação ao mercado in-

Entre 16 de março e 15 de maio, a ANP fiscalizou 1.538 postos revendedores,130 em distribuidoras de combustíveis e 29 em TransportadoresRevendedores-Retalhistas (TRRs)

ternacional ou a cota da Petrobras? Também não sei. O governo trouxe uma medida eleitoreira e populista e ele quer dizer o seguinte: olha, eu estou fazendo o possível, mas o dono do posto é bandido. O governo está promovendo um tabelamento de preços, quando a legislação diz que o preço é livre no mercado. E sabemos que o tabelamento de preços nunca deu certo em lugar nenhum”, comentou.

Pires se referiu às medidas emergenciais tomadas pelo governo, em março, diante da volatilidade de preços do petróleo, com a subvenção do diesel e a isenção do PIS/Cofins do combustível para tentar minimizar os efeitos no mercado interno, no caso “do governo fazer a sua parte”. Porém, o setor de

combustíveis é bastante complexo, a Petrobras não é monopolista e não determina os custos do diesel e da gasolina no país.

COMPOSIÇÃO DE PREÇOS

Durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados sobre os repasses e oscilações de preços dos combustíveis, James Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis, demonstrou os componentes da composição de preços, com alguns itens que passam por oscilações diárias.

“Diferentemente do que muitas pessoas pensam, não é apenas quando a Petrobras aumenta ou diminui seus valores que o preço muda nas bombas”, disse. “Cada

Valter Campanato/Agência Brasil

um dos componentes influencia os custos de forma dinâmica. Os postos recebem os combustíveis com preços diferentes todos os dias. Eu, como empresário, ligo para minha distribuidora para negociar preço. Por quê? O etanol anidro é uma commodity, muda de preço diariamente. Os CBIOs são créditos de descarbonização, emitidos por produtores de biocombustíveis e também influenciam, pois são negociados na bolsa de valores, que oscilam e impactam nos preços finais”, afirmou. Thorp também destacou a influência das refinarias privadas e o volume de

James Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis, explica que alguns itens da composição de preços dos

produtos importados (30% do diesel e 10% da gasolina), que seguem os custos do mercado internacional. Além disso, há os leilões da Petrobras, que também comercializam os produtos por preços acima da tabela.

A Fecombustíveis apoia a fiscalização bem conduzida, feita para coibir as irregularidades, mas não concorda com desrespeito dos fiscais para com o empresário e a generalização de abuso sobre a revenda. Para evitar que os postos levem a culpa pelos preços altos, segundo Thorp, é essencial que haja transparência em todos os elos da cadeia. “Nós defendemos is-

combustíveis oscilam diariamente
Divilgação

so para não sermos crucificados em vão. Nos incomoda muito levar a culpa, sem ter voz e sem ter a oportunidade de mostrar o nosso lado. É muito ruim”, disse.

PROJETO DE LEI QUE CRIMINALIZA AUMENTOS ABUSIVOS

Além da força-tarefa nacional em busca de supostos preços abusivos, a Câmara dos Deputados aprovou, em maio, o Projeto de Lei nº 1.625/2026 que criminaliza o aumento dos combustíveis sem justa causa.

Desde o início da tramitação do PL, a Fecombustíveis passou a acompanhar com preocupação o projeto pelos possíveis impactos para a revenda de combustíveis.

Com o apoio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Fecombustíveis atuou de forma firme para reduzir os riscos de insegurança jurídica e evitar a criminalização indevida de variações legítimas de preços.

Diante da dificuldade política de barrar integralmente o projeto, houve mobilização em favor da Emenda nº 2, que buscava conferir maior objetividade, proporcionalidade e segurança jurídica ao texto.

A Emenda nº 2 restringia a configuração do crime à elevação artificial e sem justa causa de preços de bens ou serviços de utilidade pública decorrente de

conduta anticoncorrencial grave, voltada à obtenção de vantagem econômica indevida por meio da restrição à concorrência. Além disso, previa pena mais proporcional, com possibilidade de aplicação de multa como alternativa à detenção, e exigia decisão definitiva do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) para a configuração do delito.

O texto aprovado pela Câmara dos Deputados acolheu parcialmente as emendas de Plenário, incorporando a vinculação da elevação de preços “sem justa causa” à ocorrência de conduta anticoncorrencial prevista no art. 36 da Lei nº 12.529/2011, bem como a necessidade de que o aumento esteja dissociado de fundamentos econômicos verificáveis, como custos de produção, distribuição, importação, reposição, comercialização, logísticos, tributários e regulatórios.

Depois da aprovação na Câmara, o texto segue para o Senado Federal. “A Fecombustíveis continuará acompanhando a tramitação da matéria, apresentando contribuições para seu aperfeiçoamento, para garantir segurança jurídica à revenda idônea e assegurar que eventuais penalidades sejam direcionadas exclusivamente aos agentes que praticam condutas abusivas”, disse Thorp. n

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Navegador, escritor e empreendedor

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Diretor Executivo de Varejo de Mobilidade Global da Accenture

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Diretor de Conveniência na SIM Rede

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PERNAMBUCO

Revenda Conectada Recife reúne 1,5 mil pessoas

Cerca de 1.500 visitantes circularam pelo RioMar Eventos, nos dias 13 e 14 de maio, atraídas pela programação do II Revenda Conectada Recife, promovido pelo Sindicombustíveis-PE.

Com foco em geração de negócios, atualização regulatória e discussão sobre as transformações do setor, o encontro reuniu na capital pernambucana distribuidoras, revendedores, fornecedores, executivos da indústria automotiva e representantes da ANP.

A edição deste ano consolidou um movimento que já vinha sendo percebido na primeira edição, em 2025, no comparati-

vo com os encontros regionais realizados pelo sindicato em cidades como Caruaru, no Agreste, e Petrolina, no Sertão: a crescente valorização da feira de negócios como principal espaço de relacionamento comercial do evento. No Recife, a circulação intensa nos cerca de 40 estandes e mais de 100 marcas representadas acabou se tornando um dos pontos centrais da programação, com reuniões entre fornecedores, distribuidoras, representantes comerciais e empresários da revenda.

“O objetivo era justamente criar um ambiente de aproximação entre todos os

Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do SIndicombustíveis-PE, durante abertura do evento
Divulgação
SindicombustíveisPE

agentes da cadeia, estimulando negócios e ampliando o acesso à informação estratégica para o setor. Tivemos uma resposta muito positiva tanto dos expositores quanto do público”, afirmou Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindicombustíveis-PE.

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E CENÁRIO REGULATÓRIO DOMINARAM DEBATES

Mesmo com a forte movimentação na área de exposições, as palestras mantiveram auditório cheio ao longo dos dois dias, impulsionadas pela relevância dos temas, em um momento de crise mundial e transição para o mercado de combustíveis. A programação reuniu debates sobre combustíveis renováveis, novas matrizes energéticas, perspectivas sobre o impacto de veículos elétricos e híbridos no setor, assim como as oportunidades trazidas pelo modal, fiscalização, geopolítica e a cadeia de combustíveis automotivos, inteligência artificial aplicada à gestão e perspectivas econômicas para o segmento.

A abertura da programação técnica contou com palestra do diretor comercial da Copergás, Roberto Zanella. Patrocinadora do evento, a companhia apresentou perspectivas para o mercado de GNV e discutiu o papel do combustível na matriz brasileira.

Entre os palestrantes, estiveram o superintendente de Fiscalização do Abastecimento da ANP, Julio Cesar Nishida, e a chefe do Núcleo Regional de Fiscalização da agência no Nordeste, Milena Sales, que trataram da nova visão da Medida Reparadora de Conduta, abusividade nos preços e números da fiscalização no Estado.

O empresário Sérgio Habib, controlador do Grupo SHC, em palestra virtual, discutiu os impactos da transição energética e a convivência entre combustíveis tradicionais e novas tecnologias automotivas.

Já o comentarista automotivo César Urnhani abordou os reflexos da geopolítica internacional sobre o abastecimento e os preços dos combustíveis, além do avanço dos veículos eletrificados no mercado nacional. A programação também incluiu palestras sobre governança corporativa, planejamento patrimonial e adequação às novas exigências trabalhistas relacionadas à saúde mental e fatores psicossociais nas empresas.

RENOVÁVEIS, INOVAÇÃO E PERSPECTIVAS

PARA O MERCADO

Outro destaque foi a participação de Delfim Oliveira, diretor-executivo da área de Downstream do Grupo Inpasa, que dividiu sua apresentação com Raphael Costa, gerente de Trading da companhia. O

Programação variada atraiu revendedores de várias regiões e garantiu auditório lotado nos dois dias de evento

painel apresentou o avanço dos combustíveis renováveis e os impactos da transição energética sobre o mercado brasileiro. Segundo Delfim, o setor passa por uma transformação estrutural que exigirá maior capacidade de adaptação das empresas. “Todos nós saímos mais enriquecidos com tudo que ouvimos aqui. Foi um enorme prazer ter participado deste evento”, afirmou.

Representando a Refinaria Acelen, o diretor Comercial, Josué Bohn, abordou um panorama sobre as perspectivas de curto e médio prazo para o mercado brasileiro de combustíveis. Segundo ele, o ambiente de transformação do setor exige maior inte-

gração entre distribuidoras, revendedores e fornecedores. “É bom estarmos juntos, para conversar um pouco sobre o mercado, colocar mais contexto nesse cenário de guerra (EUA x Irã) e trazer informação para a ponta. Para o cliente do cliente: para a revenda, que no final do dia é quem faz a coisa acontecer”, disse.

Além da programação técnica e da feira de negócios, o evento marcou o lançamento de uma parceria entre o Sindicombustíveis-PE e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Prefeitura do Recife para criação de uma plataforma voltada à inovação na revenda pernambucana.

(Gabriela Vasconcelos)

Divulgação

AGENDA

Junho

Revenda Sem Fronteiras

Data: 10

Local: Aracaju (SE)

Realização: Sindipese

Fone: (79) 3214-4708

Conexão Sindi Pará

Data: 11

Local: Paragominas (PA)

Realização: Sindicombustíveis - PA

Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473

Conexão Revenda

Data: 11 e 12

Local: Ji Paraná (RO)

Realização: Sindipetro – RO

Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473

Julho

Encontro de Revendedores de Combustíveis da Região Norte

Data: 23 e 24

Local: Rio Branco (AC)

Realização: Sindepac e demais sindicatos da Região Norte

Informações: (68) 3226-1500

Agosto

Conexão Sindi Pará

Data: 06

Local: Altamira (PA)

Realização: Sindicombustíveis - PA

Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473

Setembro

ExpoPostos & Conveniência

Data: 8 a 10

Local: São Paulo (SP)

Realização: Fecombustíveis e Abieps

Informações: (21) 2221-6695

Fispal atraiu 68,7 mil visitantes e cerca de 2.500 marcas expositoras em uma área recorde de 50 mil metros quadrados

Novos alimentos e tecnologias reforçam food service

De pizzas a caviar de baunilha, e de refrigeração a plataformas de business intelligence, empresas se reuniram na Fispal Food Service para demonstrar que as opções para consumo rápido estão cada vez mais variadas e impactantes

POR RODRIGO CONCEIÇÃO SANTOS

Omercado brasileiro de alimentação fora do lar (food service) movimentou R$ 223,5 bilhões em 2025. O volume foi 1% superior ao de 2024, e o maior já registrado pelo setor. Os dados são do Índice de Desempenho do Food Service (IDF), divulgado pelo Instituto Food Service Brasil (IFB), e diversos tipos de estabelecimentos os compõem, ca-

so de bares, restaurantes, lanchonetes e, já há algum tempo, os postos de combustíveis e lojas de conveniência.

A edição de 2026 da Fispal reuniu mais de 68,7 mil visitantes e cerca de 2.500 marcas expositoras em uma área recorde de 50 mil metros quadrados. Isto a consolida como um dos principais pontos de encontro da cadeia de alimentação fora do lar na América do Sul.

LOJAS DE CONVENIÊNCIA

Sim, os consumidores param para abastecer os veículos e aproveitam as lojas de conveniência para se alimentarem e comprarem itens de consumo diversos, gerando receita adicional às revendas e lojas parceiras. E há casos de sucesso que ajudam a dimensionar esse mercado: a BR Mania, rede da Vibra, já alcança 1.520 lojas em operação no país, com faturamento de R$ 2,1 bilhões em 2025. O food service responderia por aproximadamente 20% do faturamento das lojas BR Mania, segundo a empresa.

Já a Ale desenvolveu a bandeira A Esquina, estruturada em formatos voltados para café, padaria e self-service. O plano prevê a abertura de 150 novas lojas nos próximos cinco anos, além da expansão de modelos modulares em contêiner destinados ao consumo rápido e a serviços de alimentação.

FISPAL APRESENTA NOVIDADES

PARA O FOOD SERVICE

A expansão desse mercado abre espaço para novidades, tanto em termos de operação quanto da oferta de alimentos e bebidas. Durante a Fispal Tecnologia 2026, feira de negócios realizada entre 26 e 29 de maio no Distrito Anhembi (SP), a reportagem da revista

Combustíveis & Conveniência conferiu algumas dessas opções.

As pizzarias estão entre as primeiras alternativas de alimentação rápida. De acordo com a Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra), o perfil do consumidor das conveniências favorece operações compactas e produtos voltados ao consumo imediato.

Os números do setor demonstram a força das pizzarias no Brasil. Segundo a Apubra, a quantidade de novos restaurantes cresceu 6,26% em 2025, representando a abertura de 4.109 estabelecimentos. Já o total de pizzarias ativas aumentou 10,29% em relação ao ano anterior, alcançando 40.332 operações em funcionamento (metade na região Sudeste).

Gustavo Cardamoni, presidente da associação, avalia que, para operar dentro de lojas de conveniência e postos de combustíveis, as pizzarias precisam trabalhar com estruturas enxutas e altamente eficientes. “O desenho da cozinha deve priorizar um fluxo operacional simples e funcional, permitindo agilidade no preparo mesmo em espaços reduzidos. Equipamentos compactos, mas com boa capacidade produtiva, ajudam a viabilizar esse modelo”, disse.

No cardápio, a recomendação é priorizar opções mais objetivas, focadas nos sa-

CONVENIÊNCIA

bores de maior aceitação e em produtos de rápida finalização. “Diferente de uma pizzaria tradicional, o consumidor desses espaços normalmente não busca uma experiência extensa ou grande variedade, mas sim conveniência e praticidade”, resumiu. Ele acrescenta que, além das pizzas tradicionais, modelos baseados na venda de fatias ganham destaque por atenderem as demandas de praticidade e velocidade, características presentes tanto nos frequentadores de postos urbanos quanto de rodovias.

A logística também precisa ser simplificada, na avaliação de Cardamoni, com processos bem definidos de armazenamento, abastecimento e reposição. “Isto garante velocidade no atendimento sem comprometer a qualidade do produto”, detalhou.

EFICIÊNCIA OPERACIONAL TAMBÉM CONTA

À medida que a alimentação se torna mais representativa dentro das conveniências, cresce também a necessidade de ferramentas capazes de apoiar a gestão dos estabelecimentos. Segundo Roberta Silva, Chief Revenue Officer (CRO) da Altec, as lojas de conveniência enfrentam desafios semelhantes aos observados em bares e restaurantes. “Elas operam com a mesma lógica do food service tradicional, com mix

de produtos, gestão de estoque e picos de fluxo que precisam de visibilidade em tempo real”, disse.

A executiva avalia que o segmento ainda é um “oceano azul”, ou seja: “há espaço significativo para adoção de tecnologias voltadas à inteligência de negócios”.

A proposta, nesse caso, é avançar no setor ao transformar dados operacionais já existentes em informações capazes de orientar decisões do dia a dia, ampliando a eficiência da gestão e melhorando o desempenho das operações.

A tecnologia da Altec se chama Insight BI, e promete entregar aos gestores dos postos e conveniências uma camada de inteligência para ampliar a visibilidade sobre o próprio negócio, evitando decisões tomadas no feeling e obtendo suporte de dados operacionais que existem, mas quase nunca são transformados em insights.

Ainda como eficiência operacional, outra preocupação dos gestores de postos e lojas de conveniência está nos custos. Nesse sentido, a Copeland apresentou equipamentos de refrigeração, monitoramento e controle para operações que dependem da conservação adequada de alimentos e bebidas.

Segundo a empresa, o aumento dos custos de energia e a pressão por me -

Visitantes da Fispal 2026 puderam acompanhar novidades e atrações relacionadas à experiência do consumidor

tas de sustentabilidade vêm impulsionando investimentos em equipamentos mais eficientes e preparados para operar com menor impacto ambiental. Entre os destaques apresentados estão unidades condensadoras com tecnologias de velocidade variável, compressores de alta eficiência, inversores de frequência e plataformas de monitoramento remoto.

Os visitantes da Fispal 2026 puderam acompanhar novidades relacionadas à experiência do consumidor também. Entre elas está o Copo Giratório de Humor, da Sirius Paper, que utiliza animações geradas pelo movimento de torção do punho para criar interação entre marcas e consumidores. O produto aposta em ele-

mentos colecionáveis, comunicação visual e experiências compartilháveis para agregar valor ao consumo. Às lojas de conveniência, essa experiência pode ajudar na fidelização de clientes, algo que vai definir qual loja o consumidor visitará com mais frequência.

Outra novidade veio da Vanilla Brasil, que estreou no evento apresentando soluções voltadas à padronização e diferenciação de produtos alimentícios. Entre os lançamentos estão o caviar de baunilha, produzido a partir das sementes da fava, além de pastas e extratos naturais com maior concentração do ingrediente. A proposta é ampliar a qualidade dos produtos finais e oferecer alternativas aos aromatizantes artificiais utilizados pelo mercado. n

Divulgação Fispal

TABELAS

TABELAS

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL (Centro-Sul)

Período São Paulo Goiás ANIDRO 27/04/2026 - 30/04/2026 2,696 2,706

- 08/05/2026 2,602 2,493

- 22/05/2026

-

Variação maio de 2026 x maio de 2025 -17,3%

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL ANIDRO (em R$/L)

Período São Paulo Goiás HIDRATADO

Variação 27/04/202629/05/2026 -3,6%

Variação maio de 2026 x maio de 2025

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL HIDRATADO (em R$/L)

Fonte: CEPEA/Esalq

Nota 1: Sem Pis/Cofins produtor (R$ 0,1309)

Nota 2: Preço para vendas interestaduais.

DE PREÇOS

Convênio ICMS 112/2025 (Gasolina) e 113/2025 (Diesel) - Referência 29/05/2026

TABELAS

FORMAÇÃO DE PREÇOS

Nota (1): Corresponde ao preço da usina/produtor sem acréscimo do PIS/COFINS, incluso frete

Nota (2): Decreto 8395, de 28/01/2015, para Gasolina e o Decreto 9391/2018 para o Diesel - Alíquota reduzida a zero

Nota (3): Decreto 9101, de 20/07/2017, para Gasolina e a Lei 10.865/2004 para o Diesel

Nota (4): Base de cálculo do ICMS = Ad rem (Gasolina - Convênio ICMS 127/2024- e Diesel - Convênio ICMS 126/2024)

Nota (5): Média ponderada considerando o volume comercializado no ano de 2023

Nota (6): Lei 11.116/2005

Não inclui frete de entrega e CBIOs

Obs: ICMS Base -Convênio ICMS 112/2025 (Gasolina) e Convênio ICMS 113/2025 (Diesel)

Referência dos preços Produtores/Importadores = Preços médios ponderados semanais praticados por Produtores e Importadores de derivados de petróleo - ANP

Esta planilha é elaborada com os dados públicos e oficiais previamente divulgados ao mercado pela Petrobras, Governo Federal e Governos Estaduais e pelo CEPEA/ESALQ.

Utilizamos as tabelas públicas fornecidas pela Petrobras (Refinarias), a composição de tributos divulgada pelo Governo Federal e pelo CONFAZ (Ato Cotepe), além dos custos dos biocombustíveis (Fonte: Biodiesel = ANP e Etanol Anidro = Cepea/Esalq).

A Fecombustíveis se isenta de quaisquer erros nos dados fornecidos pelas fontes acima citadas e ressalta que esta planilha se destina exclusivamente a colaborar com a transparência do mercado e com a efetivação da competitividade do setor.

AJUSTES NOS PREÇOS DA PETROBRAS

Fonte: Petrobras

Preços Maio/2026 referência 29/05/2026 ==> Preços contemplam os seguintes “Descontos” relativos à Medida Provisória 1358: = Gasolina A = desconto R$ 0,44/lt + aumento tabela R$ 0,48/lt = aumento real R$ 0,04/lt) // = Diesel A = R$ 0,3515/lt (desconto equivalente à reoneração do PIS/COFINS mesmo valor)

Nota: As tabelas e informações sobre a composição de preços estão disponíveis no site da empresa, seção Nossas Atividades/ Preços de Vendas de Combustíveis (https://petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/precos-de-venda-de-combustiveis/)

TABELAS

PREÇOS DE REVENDA E DISTRIBUIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS

Período: 01/01/2021 à 24/05/2026 - (Preço Médio Brasil)*

Gasolina comum:

Óleo Diesel S10:

Etanol Hidratado comum:

Obs:

1 - A partir de 17/08/2020 os dados de distribuição de etanol hidratado NÃO contemplam a parcela de ICMS/Substituição

2 - Desde a semana iniciada em 23/08/2020 os preços de distribuição são informados pelas distribuidoras à ANP através do SIMP

Fonte: ANP – Painel Dinâmico de Preços de Combustíveis e Derivados do Petróleo, em em 01/06/2026

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