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O Corpo - edição 1

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Flávio de Carvalho Presente! Campanha pela inclusão do brasileiro na historiografia oficial da performance.

O Corpo UM JORNAL DO SINDICATO DA PERFORMANCE

Ceará | Cariri, 01 a 05 de dezembro de 2021

ano 1 ¬ edição 1 ¬ distribuição gratuita

Gonçalves Vicente

estado de greve, arte não é paliativo


EDITORIAL

Tem artistas da performance no interior SIM! O Sindicato da Performance, que se propõe a fomentar a criação e a reflexão sobre essa linguagem artística tão diversa e plural que, no Brasil, genericamente chamamos de performance, nasce do desejo de um artista e produtor cultural que atua na área, colocando o seu corpo pra jogo. Desejo de tensionar limites e destensionar preconceitos, lançar outros olhares sobre o laço social para diluir as certezas estereotipadas, abrindo espaço para a descoberta sincera do outro e de seu lugar no mundo. Um festival que nasce inspirado em importantes festivais do eixo Norte-Nordeste que juntos tem contribuído para a consolidação da performance por aqui, como o Imaginários Arte (CE) e o Mizura (AP). Também é importante nessa sindicalização o Fórum de Performan(CE), que tem sido um território de articulação entre as artistas que se reconhecem na linguagem, onde debatemos as políticas públicas, preparamos espaços de formação e dialogamos com as instituições. No pouco caminhar do Fórum já tem travado importantes batalhas para ter mais espaço e recursos pra linguagem no estado.

1964+2016=GOLPE’s

Queremos descentralizar cada vez mais e romper com as ideias cristalizadas pela colonização cultural. Então, tem sertaneja, ribeirinha, povos do mar e da mata que peformam sim(!), assim como quem tá nas periferias da urbe em pequenas, médias e grandes cidades.

NA LUTA

Nascemos com o sonho de abraçar várias frentes de fruição da arte, partindo dos corpos em ação, mas também propondo a criação dessa ferramenta de diálogo com o povo. Onde traremos olhares sobre esses corpos e seus fazeres. Ensaiamos iniciar essa história já com um programa educativo em conjunto, mas ainda temos águas difíceis por enfrentar no terreno da luta por direitos e por financiamento de projetos que rompam com os padrões de arte com os quais operam o sistema. Um passo após o outro riscaremos outros futuros. Nesse jornal trazemos uma fagulha da potência que brota no Cariri, território que se espraia pelos sertões e vales do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. Que esse festival sirva de oxigênio para alimentar a insurgência desse conjunto de trabalhadoras da arte. Dessas fazedoras de novas realidades. Vem com a gente dar esse grito de rebeldia e construir outras formas de viver.

(Foto Thiago Matine)

Trabalho do MultiArtiVista, educadore e pesquisadore Jeff Skorupski de Madalena/CE. Conheceça mais em suas redes sociais @jeffskorupski.

Nem fome, nem bala, nem covid – esse foi o grito de Fora Bolsonaro no ato do 20 de novembro esse ano. Povo segue indo às ruas para enfrentar a política de morte e destruição do governo federal.

FORA BOLSONARO RACISTA

Expediente O Jornal O Corpo, do Sindicato da Performance, festival de articulação e festejo entre artistas do corpo circula pela região do Cariri com edição anual, com uma visão da linguagem no eixo Norte-Nordeste, ensaiando sempre um olhar para o que está correndo por fora do mercado da arte, em estado de resistência e teimosia. | @fatozero Edição: Lívio | Textos: Williana Silva, Eduardo Bruno, Nau Vegar, Tiago Manguebixa | Diagramação: Fatozero Edições


VEM OLHAR O RIO

VEM OLHAR O RIO

Nau Vegar, Macapá/AP

Vem mergulhar no rio! Esse é um convite para você leitor, se não quiser, pode só molhar os pés ou apenas admirá-lo porque não há quem diante dele não seja seduzido pela sua beleza. Esse convite vem do rio amazonas, é dele que estou falando. Aqui na minha cidade, ele passa em frente, de onde escrevo, posso sentir o vento que ele emana, posso vê-lo distante. Sou um apaixonado. Quem conhece a Amazônia tem esse sentimento de apego, mas acho que não é apenas apego, mas um retorno a algo que talvez a gente perdeu e nem se deu conta. A floresta, o rio, se comunicam com a gente na língua do vento, da brisa, da maré, da maresia, das atmosferas criantes. Desse modo, os artistas que vivem na Amazônia são estimulados a produzir a partir dela ou com ela. Isso é perceptível nas suas produções pela presença de elementos da mata como sementes, água, galhos, folhas, flores. Não apenas destes, mas as histórias dos encantados, os mitos e tantas outras que contam por aqui são inspiração.

Em 2020, no início da pandemia, eu e mais duas amigas produzimos a Mostra Mizura in Rede, tratava-se de uma mostra de vídeoperformance, fotoperformance e liveperformance que aconteceu nas plataformas do Instagram e facebook. Não houve seleção, apenas um convite aberto nas redes e as pessoas enviaram os trabalhos os quais chegaram até nós como me chega essa brisa vinda do rio, trazendo alegria. Vivenciamos uma grande experiência em um momento difícil, foi como molhar os pés no rio. Cito essa mostra como um exemplo das influências amazônicas em nosso fazer artístico, MESURA aqui no Norte e especificamente no Amapá, onde vivo, faz referência aos mitos, pode ser também chamado de visagem. Fiz então uso dessa palavra, porém com uma pequena diferença na grafia troquei o E pelo I e o S pelo Z ficando então, MIZURA para me referir à performance arte. Essa quebra na palavra da a MIZURA um outro sentido que não é mais o de visagem, mas o de surpresa, algo que acontece sem uma explicação óbvia como a performance. A Amazônia é esse lugar de muitos encantos e uma terra fértil para a criação poética. No entanto, se nada fizermos não haverá floresta, nem rios para molhar os pés, porque estarão secos pelas construções das hidrelétricas. Não haverá árvores de pé, porque serão tombadas juntos aos corpos de seus defensores indígenas e não indígenas, assassinados pelos grileiros, garimpeiros. É bonito poetizar a Amazônia, mas é urgente transformar essa poesia em um grito de denúncia, caso contrário não nos restará rio, nem poesia.

MIZURA

**qualquer aposta em definição é de responsabilidade do apostante Tiago Manguebixa, Barbalha/CE no princípio era o corpo // de um lugar profundamente humano é possível dizer que é o corpo a matéria de comprovação da experimentação do que chamamos de vida. é por ele e para ele, que pode se marcar o ponto zero de encontro com o tempo e com espaço, e assim, acusar a existência de um mundo. é o corpo, a marca distintiva do eu e o laudo comprobatório da vida humana sobre a terra. o elemento primeiro, uma unidade própria, uma ferramenta imprescindível para a feitura do existir. humanamente, é a partir do corpo que todas as coisas são; antes do corpo a vida não existia. o corpo negou o princípio // o corpo nunca existiu por ele mesmo. o corpo confirma sua existência após a interferência de outros corpos que se chocam em reciprocidade, realizando movimentos em intensidades alternantes. o encontro permite a existência factual do corpo; ao passo que necessariamente lhe altera, podendo no limite, aniquilá-lo. o corpo desloca/acopla/amputa para acusar sua presença. o corpo é puro movimento; alternância; percurso que se faz fazendo a si. o corpo existe efetivamente no movimento que o encontro possibilita. o corpo não existe como princípio assentado, mas como acontecimento. o corpo é um continuum elaborante. o fim é pelo corpo // o corpo é instrumento de defesa e ataque; campo de batalha. licença de vida e/ou sentença de morte. uma dádiva ou um castigo. a condição para o movimento ou a impossibilidade do trânsito, a liberdade ou a prisão. para viver basta um corpo, para morrer basta um corpo-condenado. todo fim tem no corpo o princípio e quase sempre em outro corpo sua realização máxima. o fim do corpo é sentenciado pela própria invenção do corpo. antes do corpo o fim é genérico.


APRESENTAÇÕES

Ané das pedras – Barbara Matias (Aldeia Marrecas, Quitaius, Lavras da Mangabeira/CE) Ané das pedras – Ané é sonho. Sonhar pelas pedras, pedir a ancestral pedra para nascer com saúde. Escutá-la. A pedra sente e fala. A pedra é como o sonho, acolhe todo corpo da terra. A pedra é mais experiente que meu corpo de carne e osso, por isso, já fui pedra. A pedra escutou a história da mãe da avó. Essa performance é um ritual de plantação de pedra como quem conta o sonho.

A materialidade é o limite do caminho – Vita B. da Silva (Crato/CE) [Arneiroz/Sertão dos Inhamuns (CE), 10 de março de 1997 – 2:00) Caía uma chuva levinha nessa madrugada. Depois de quase morrer de hemorragia pós parto de sua segunda gestação, a última coisa que Jaqueline imaginaria é que sua cria morreria em vida anos mais tarde para re(nascer) Travesti.

Plástico 2.0 – Gisele Lua (Juazeiro do Norte/CE) Qual peso tem o nosso resíduo plástico diário? Plástico é sobre a agonia de tanto Plástico! Plástico é o tudo e todo?!

Para acabar o ciclo de mula – Suzana Carneiro (Crato/CE) “Para acabar o ciclo de mula” é um rezo do corpo feito no extremo do seu cansaço, é um levante, uma libação e um livramento. Romper as expectativas de morte do corpo feminino preto é uma luta cotidiana, mas é preciso separar o corpo da armadura, entre carne e aço: lâmina. Eu ainda resisto. A cura custa caro. O que não praguejo, danço.


C O R P O E M D E S O V A – Indja (Juazeiro do Norte/CE) Performance Manifesto de crítica social a violência de corpos indígenas e negros. Nas periferias e comunidades brasileiras, a obra que tem seu início a partir de 2018, aborda o tema de discriminação e desigualdade Social. Apresentada em ruas e espaços de fluxo urbano a ação traz como referência chacinas e massacres a povos originários e aldeados, comunidades afro-brasileiras. Comunidades do meio urbano no Brasil, assim como casos isolados de assassinatos ao qual não se sabe do responsável pelo ato.

Entre meros mortais – Francisco Inácio (Cajazeiras/PB) A performance surge ao longo de meses de pesquisa e ações. O ato performativo tem como objetivo levantar a reflexão do cenário coletivo e social. O som se apresenta apenas com ruídos sonoros. O foco da ação é a imagem através dos gestos, das cores, das expressões, e ações e movimentos que a performance apresenta verbalizando através da imagem e permitindo que o expectador possa se comunicar consigo mesmo.

Place Bets: ou corpos fluidos – Galdino (Juazeiro do Norte/)CE Na estética o precário, o proibido, o inacabado, as corpas livres e presas que refletem a modernidade líquida.

Pedagogia do artista operário – Lívio (Crato/CE) Um homem grita aos quatro cantos de uma encruzilhada que – artista deve fazer arte no Brasil – enquanto, o Brasil, sujeito complexo e complexado o ignora. Mas algo há de vazar pela cruza de carros, gentes, ideias e desejos. Algo há de plasmar nos corpos que entrelaçam histórias e olhares com o homem. Quem será que a história absolverá?


talvez a morte seja a performance

da própria

vida

Williana Silva, Juazeiro do Norte/CE é estranho de falar e é estranho de sentir foi uma frase mandada em áudio por uma amiga em uma conversa de whatsapp antes da janta na quarta feira a noite, e isso me lembrou o sentimento coletivo que é viver e ser artista no brasil atual - ditatorialmente governado por bolsonaro e sua corja narcisista e genocida. tenho pensando quem performa a arte nos dias de hoje, sendo que performar a fome e o desemprego está nos folders da vernissage da vida de quem é pobre, preto e latino. não há glamour purpurinado no sul global e as plumas xenofóbicas e racistas dos editais do sudeste ainda existem a todo fervor em pleno século xxi. eles afirmam que lugar de nordestino é na periferia do brasil, e se assustam com as engraçadinhas que transitam pelos centros e acusam-as de furarem as bolhas que os curadores descendentes de europeus criaram. é estranho de sentir porque é estranho de falar, a reza come solta e a rezadeira dona maria pega três galhos de folhas de ninho da índia para afastar os quebranto que o sistema da arte botou. há reza forte, sal grosso e arruda na porta de casa, disse minha mãe que assim a gente se protege dos maus olhado e o nosso corpo fica fechado. a gente se fecha, se abre, se arregaça e o trabalho é mal pago, não há investimento, psiu! tem que brotar obras inéditas viu, já que a pandemia é tão inédita da vida dos que morreram. não recicla trabalho, o material usado tem que ser de primeira linha, não não, mas a matéria não é corpo, performance não é arte, o clube das belas artes gritou, se não há pincel - fora bolsonaro, se não é acrílica - fora bolsonaro. o meridiano burguês bateu panela, militou no facebook e o preço do arroz é chicoteado por inflações pelos que mandaram aquele velho salve errado para a vizinha venezuela. se tá ruim, vai pra cuba, não há mais médicos cubanos e o sistema de saúde colapsou, quase como uma peça ensaiada de augusto boal em seus escritos sobre o teatro do oprimido. é estranho performar em tempos onde mais de 600 mil pessoas performaram a morte. sim, talvez a morte seja a performance da própria vida. estamos vivos, sim, eu sei. o carro do milho com pamonhas, milho assado com manteiga, o homem de bicicleta com o gaita anunciando que o algodão doce está passando, os gatos cheio de bicheira na esquina de casa, a galera do bairro que sai de dentro de suas casas nos dias que chove para tomar banho na biqueira de casa, sim, comemoramos os dias chuvosos como quem ritualiza em coletivo o molhado da terra. não há memória de ser artista, a gente pula trancelim porque não há museu no meu bairro, a gente espera o agente de saúde que fala sem dá nenhuma pausa e depois manda a gente beber água porque o sol tá muito quente, minha vó também diz, menina deixa o sol esfriar pra tu ir bater perna na rua. sim, aqui no cariri temos o conceito do sol esfriar, é quando o sol performa o se por. é quando ele está indo embora. a arte chegou na minha vida com minha mãe falando assim: menina deixa de fazer arte, e eu sempre me imaginei artista, boba eu, que não entendia que ela falava era de danação, de presepada, de estripulia, de coisas de criança. eu só era uma criança que imaginava voar com balões saltando do sofá da sala, nunca voei, só pulei. os balões um dia estouraram. penso que performar é como ser criança, não há fronteira ética do cheiro do azul e a criatividade está ali, salgada na ponta da língua prestes a acontecer.

ORGANIZAÇÃO POPULAR

Artistas da aparição, fuleragem, arte de ação, happening, arte não objetual, mandinga, arte contextual, modificação e/ou suspensão corporal, fotoperformance, body art, registro de performance, videoperformance, teleperformance, live art, fação, performance urbana, performação, performance duracional, arte relacional, performance sonora, site specif, performance instalativa, land art, deriva e tantas outras possibilidades ainda nomináveis se organizem!


POR QUE CONTINUAMOS A ESCREVER E LER SOBRE ARTE NO ESPAÇO PÚBLICO? Eduardo Bruno, Fortaleza/CE Sei que às vezes, negociamos com instituições, o que é sempre desgastante. Elas, na maioria das vezes, Por que continuar a escrever sobre arte em espaço público, quase querem números, querem impactos em grandes escalas e mesmo após quase 2 anos de pandemia da COVID-19 no querem que posemos para fotos. Também sei que não é mundo? Começo esse texto com essa pergunta, não por sobre elas a questão, é muito mais amplo, é sistêmico, é de outro motivo, mas porque ela vem reverberando em mim, base, é do imaginário de uma realidade capitalista. nos últimos meses, toda vez que paro para escrever algo sobre arte em espaço urbano. Será que continuo insistindo Com isto, retomo a pergunta inicial, a questão que me em escrever sobre isso, pois é o campo de pesquisa e criação moveu a escrever esses poucos mais de 2500 caracteres que, nos últimos 10 anos, venho trabalhando? Será que que compõem essa publicação, propondo um programa escrevo sobre isso, pois tenho a dúvida de que, em algum performático para ser executado tanto por mim, quanto por momento, não haverá quem acredite em outras você que, por hora, lê esse texto. possibilidades de se partilhar o espaço público? Será que escrevo sobre isso, pois não sei como escrever sobre outra coisa? Não sei. Contudo, e você, por qual motivo está lendo esse texto? Foi o título? Parece um pouco apelativo? Ou você também é artista e/ou pesquisador de arte no espaço público? Também tem a possibilidade de você ser público e, por algum motivo, enquanto andava pelas ruas, deparou-se com uma experiência artística empregada na pele da cidade, seja na forma de pixo, grafitti, lambe, performance, e, por isto, resolveu ler esse texto. Sendo assim, acho que temos uma coisa em comum, somos pessoas que compartilham espaços públicos. Talvez, já até compartilhamos o mesmo espaço alguma vez, quem sabe né? E, se eu e você estamos agora compartilhando esse texto, é pelo motivo de termos, ao menos, mais uma coisa em comum: a atração pela arte no espaço público. Quando falo em arte no espaço público, não estou me recorrendo apenas a arte com “A” maiúsculo, ao contrário, queria que pensássemos principalmente nas artes que nos fazem a seguinte pergunta: Eu sou arte? Essas artes que nos perguntam se são arte, se cabem no que vêm sendo dito, escrito, curado, feito em arte, são as que mais me intrigam. Você compartilha o mesmo que eu?

1. 2.

3. 4.

Encontre um buraco no asfalto Leve um jarro com um pequeno arbusto de plantas que você mais gosta. Coloque o jarro no buraco, fixando-o bem. Coloque a placa “Jardim Coletivo”.

Após executarmos esse programa performativo, inspirado no Livro-Performance: O que é performance? 31 programas performáticos para confundir a pergunta de Eduardo Bruno e Maria Valdênia pela coleção Imaginários, convido que paremos um pouco e pensemos: Ainda há motivos para escrevermos e lermos sobre arte no espaço urbano?

*Artista-pesquisador-curador-professor. Para trocas francas sobre arte urbana só mandar um e-mail: eduardobfreitas@hotmail.com

dicas para o ano novo Faça um ato de amor revolucionário esse final de ano e para toda sua vida, apoie as pequenas e os pequenos produtores, criadores e realizadores de sua região. Mas digo de todas as áreas – arte, alimentação, moda. Pense nisso ao presentear alguém e ao comprar algo pra você!


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Patrocínio

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O Corpo - edição 1 by Lívio Pereira - Issuu